quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Crise de tudo!



Amigos, eu deveria escrever sobre o Flamengo, porém, não posso me omitir diante dos fatos que se sucedem no futebol e em todos os campos de atuação que norteiam a vida nacional, na qual o clube se encontra inserido, fazendo história e sendo parte importante dessa mesma história há 117 anos;

A velha e conhecida selvageria, com todas as suas cores, dominou o noticiário relativo ao futebol, nos últimos dias, só faltando pedir bis e aplausos de pé àqueles investidos no poder em nome do e pelo povo em nossa e em outras democracias capengas, de liberdades ilimitadas sem a devida contrapartida de responsabilidades, espalhadas por este hemisfério do mundo;

Na exemplar e organizada Curitiba, uma TO do Atlético Paranaense foi surpreendida por torcedores do Coritiba, numa tocaia, horas depois da realização do famoso clássico no Couto Pereira. Da emboscada, na qual foram utilizados fogos de artifício e apedrejamento, resultou ferimentos numa senhora que passava pela praça de guerra local. Ninguém foi preso;

Na bela Fortaleza de Raymundo Fágner, membros da torcida do Fortaleza espancaram, covardemente, um torcedor do Campinense, que cometeu o pecado de comparecer ao renovado Castelão para simplesmente torcer pelo seu time, derrotado na semifinal da Copa do Nordeste. O coitado paraibano perdeu no campo e apanhou fora dele;

Entretanto, a barbaridade mais chocante foi o assassinato do menino torcedor do San José, Kevin Beltrán Espada, durante a partida valendo pela Taça Libertadores, em Oruro, na Bolívia, o que para alguns interessados na defesa dos corintianos não passou de um incidente e, para outros cínicos de plantão, uma fatalidade, já que uns e outros não levam em conta que o fato poderia acontecer com seus próprios filhos quando, então, seria considerado "um crime bárbaro a exigir justiça rigorosa";

Da Bolívia ao Japão, para aonde acorreram milhares de membros das organizadas do Corínthians, em dezembro passado, não há notícias relevantes referentes a balbúrdias, atos hostis e violências praticadas na Terra do Sol Nascente, ao longo dos dias em que eles lá permaneceram para ver a final do Mundial de clubes. Por quê? Boa pergunta de fácil resposta: porque foram avisados e confrontados com uma sociedade que não admite a impunidade, condição imposta por sua legislação e aplicada com rigor por suas autoridades. Ao desembarcarem, ficaram cientes que iam apodrecer na cadeia caso provocassem ou cometessem algum tipo de infração tipificada como criminosa. Daí, com muita justiça, torceram pelo seu time, cantaram, pularam, dançaram, beberam todas e se divertiram até o corpo dizer "chega".

Depois voltaram para o seu mundo onde impera a malandragem, a crise de autoridade, integridade e o jeitinho, que nos levaram a chorar novamente, no dia de ontem, pela passagem do primeiro mês das mortes de 234 meninos e meninas, iludidos que foram por uma boate mambembe em Santa Maria - RS, aliás, tragédia com características semelhantes à ocorrida com o barco Bateau Mouché, que naufragou na águas da Baía de Guanabara nos minutos iniciais do ano de 1989, há 24 anos.

O Brasil e o brasileiro não aprendem, seja num estádio de futebol, numa boate, no mar ou em qualquer lugar. Até quando?

SRN!





terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Zico é!




Infelizmente não vi Zico jogar em seu auge, não assisti o Flamengo campeão da Taça Libertadores e do mundo, vi pouco do fim daquela geração. Quem não reverencia sua História, não terá bom futuro. Zico é sim um ídolo! Meu de meu pai e meu tio, os “culpados” por eu ser tão amante do futebol, tão Flamengo! Assisto a muita coisa, dos campeonatos europeus até as divisões subalternas do nosso futebol e listaria muitos jogadores que vi jogar no campo, em tapes e vídeos no Youtube, sendo eles jogadores do Flamengo ou não. Sei que seria injusto com outros de tantos times e de outras épocas. A muitos nunca vi um vídeo: Puskas, Di Stefano, Zizinho, Leônidas entre outros. Isso não diminui o meu respeito por eles, porque respeito a História do futebol.

Ouvi estórias do meu avô, ex-combatente da segunda guerra, testemunha ocular da construção do Maracanã e penso que o respeito aos processos, respeito ao passado é fundamental para formar as próximas gerações dentro e fora de campo. Vi Romário (o melhor que vi em um estádio), vi Zidane (o melhor que vi jogar), vi Ronaldo, vi um genial Maradona, vi Dennis Berkamp (o que mais gostei de ver jogar), vi Petkovic, vejo Messi, vejo Xavi, vejo Cristiano Ronaldo, vejo Rogério Ceni, por que não, Vejo Neymar e muitos outros. Nenhum desses é maior do que Zico para mim. Todos que listei têm grande significação no futebol, mas não interessa, não são maiores que Zico! O Galinho emocionou e emociona com sinceridade marcante, palavras objetivas e fundamentadas, que mostram seu caráter e porque é o que é.

Quem teve a oportunidade de ver Zico jogar, mesmo que em partida beneficente, o jogo das estrelas, irá entender o que digo. Quando vi Zico entrar em campo com seu primeiro neto, ouvindo a torcida gritar QUEM ERA AQUELE CARA, quase um rei medieval com poderes divinos, senti o que era a História do Flamengo, o que era Flamengo, o que era Zico, a era Zico. Marejei, ao lado de um amigo suíço, que estava sendo apresentado ao Maracanã. Ver Zico em campo era mágico, foi mágico para mim. Recado: quem o atacou injusta e covardemente não sabe o que é a identidade Flamenga, quem é Zico, o que ele representa e o que é o Flamengo.

Sempre digo de brincadeira, com certo tom de seriedade, que o cara que me fez me tornar Flamengo foi Renato Portalluppi, pois minhas memórias de Maracanã e Flamengo estão, sim, ligadas aquele time de 87, 88 e Renato, o gaúcho, era uma das estrelas daquela constelação. Acho que é mais para provocar meu pai. Em minha memória mais remota da infância tenho Renato, Zinho, Leonardo, entre outros, de seleção, craques, jogadores que fizeram a diferença. Que geração! O melhor deles, sem dúvida, Zico, Arthur Antunes Coimbra. Imaginem se tivesse vencido a copa de 1982? Se Zico tivesse feito o gol de pênalti contra a França em 1986? Se Zico não tivesse machucado o joelho? Problema do futebol! Azar da copa, como diria Fernando Calazans. Zico nunca foi para mim uma pessoa do “SE”, Zico é e pronto! Um grande homem, um grande atleta, uma pessoa cuja História está e sempre estará ligada ao Clube de Regatas do Flamengo que sempre será do Futebol de Zico, Rei Arthur da “Bola Redonda”! 




Obrigado por tudo! Feliz Natal!


FLAMENGHIEUBIQUE!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Enigma Abreu

Buongiorno, Buteco! Imaginava escrever essa semana a respeito de como o Flamengo se prepararia para a semifinal da Taça Guanabara; como um esquema tático vencedor, que teve apenas um empate e sete vitórias,  poderia ser sobrepujado no momento da decisão, e a diferença entre uma partida de turno e uma decisiva, além de como o favoritismo  seguido de uma campanha tão vencedora pode ser relativo em uma decisão. Contudo, após a última partida do turno, contra o lanterna do Grupo A, o Olaria, com o time desinteressado em campo, o treinador Dorival Júnior surpreendeu a todos anunciando o retorno de Renato Abreu à condição de titular do time do Flamengo ("é um dos titulares da equipe, momentaneamente não estava atuando, muito em razão do crescimento de alguns companheiros. O Renato também iniciou mais tarde, prolongamos a pré-temporada dele"), o que necessariamente acarretará a mudança no esquema tático, pois para a sua entrada sairão Elias, Carlos Eduardo ou Rafinha. Renato Abreu deu até a pista, dizendo que ele e Elias poderiam jogar juntos. Então, teríamos um meio de campo formado por Cáceres, Elias, Renato Abreu e Ibson, o que, pelas características de Renato Abreu, significa a volta ao esquema e estilo de jogo do ano passado e o fim do esquema tático vencedor dos oito primeiros jogos da Taça Guanabara.

Por quê? Porque estamos falando de um volante que não consegue marcar por conta da idade e não tem nos passes em profundidade sua especialidade; é péssimo na armação do jogo em posição mais avançada, mas em contrapartida é bom nos passes laterais, os quais dificilmente erra, com isso "cadenciando" bastante o jogo, consequentemente tornando o ritmo do time lento, a seu sabor, o que é ótimo quando  o time está no final das partidas em vantagem querendo evitar a correria do adversário, mas é o tipo de situação que não acontece toda hora. Renato é excelente nas finalizações dentro da área e exímio cobrador de faltas e pênaltis. Acrescento ainda sua fina habilidade nos cruzamentos da linha de fundo, onde, porém, raramente tem a oportunidade de estar, até por sua idade avançada e o fôlego que por isso mesmo lhe falta inclusive para acompanhar um jogo em maior velocidade. Como então compatibilizá-lo com o esquema tático no qual o time vinha jogando?

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Realmente Renato Abreu fez uma ótima partida no sábado. O Flamengo, como um todo, é que jogou mal, muito mal. O meio de campo não rendeu e os laterais não se apresentaram como nas outras partidas. Ibson foi um espectro, Carlos Eduardo mal foi notado, à exceção da cobrança de falta para o primeiro gol (de cabeça de Renato), e Cáceres ficou completamente sobrecarregado na marcação, mais uma vez, aliás. E Renato, por sua vez, descansado por ficar na reserva por toda a Taça Guanabara e motivado para mostrar o seu valor, apresentou-se para o jogo, deu carrinho, acertou bons passes e fez um gol de cabeça e outro de falta. O destaque ao lado de Felipe, o que veio a mostrar que o time não esteve bem, pois o modestíssimo Olaria, bem posicionado em campo, achou os espaços em nossa defesa o jogo inteiro e obrigou o nosso goleiro a fazer boas defesas.

Apesar de, conceitualmente, considerar o esquema incompatível com as características que Renato Abreu apresenta como jogador, não acho que, sábado, o mau rendimento da equipe lhe possa ser atribuído, mas ao relaxamento comum de qualquer equipe que assegura o primeiro lugar de sua chave em uma competição antes da rodada final, especialmente pelos pífios rendimentos de seus outros companheiros de meio de campo, especialmente Ibson e Carlos Eduardo. Ainda bem que no banco havia um jogador com motivação para decidir a partida. Loas a Renato Abreu por isso.

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Contar com um jogador que possa entrar no segundo tempo em determinados jogos, mas apenas naqueles que exijam o toque de bola e o jogo "cadenciado", podendo ainda decidi-lo com uma cobrança de falta ou uma finalização, até que não é nada mal. O problema começa quando o mundo das ideias se desmancha no encontro com a realidade, que é a desse jogador desfrutar de enigmáticos poderes extra-campo que lhe asseguram fazer com que o treinador, de uma hora para outra, abdique do esquema tático vencedor com o qual jogou todo o primeiro turno do campeonato e somou vinte e dois pontos em vinte e quatro disputados, e ainda permita a esse jogador "reivindicar" a camisa que um dos destaques do time vinha usando, no caso, Rafinha. Não, não estamos falando de Zico, Pelé, Diego Maradona, Platini, Zidane, Júnior, Messi ou Cristiano Ronaldo. Estamos falando de Renato Abreu, o insubstituível, aquele que, não importa se está bem ou mal, tem que jogar e não pode sair. Ele está de volta, senhoras e senhores.

Pergunto-me qual é o sentido de mudar tudo o que vinha sendo feito até aqui, de forma vencedora, apenas para esse jogador obter a condição de titular da equipe. Não encontro resposta. Parece um enigma. Percebam que não estamos falando de um time que venceu a Taça Guanabara e está utilizando a Taça Rio para fazer experiências; estamos falando de mudar tudo no momento de decidir a Taça Guanabara, após chegar até a decisão ganhando tudo e jogando de outra forma, com esse jogador, que está longe de ser um craque, no banco de reservas.

Peço então a ajuda dos amigos para desvendar o enigma e, para tanto, sugiro, para início dos debates, as seguintes questões:

1) Você mudaria o esquema tático que venceu sete em oito jogos para o Renato Abreu jogar?
2) Você acha que o Renato tem condições físicas de ser titular, ou seja, de suportar uma sequência grande de jogos disputados em alta velocidade e render em alto nível?
3) Passaremos mais um ano, novamente, com a mesma ladainha do "insubstituível"?
4) Se Dorival planejava lançar Renato Abreu no momento da decisão e apenas o preparava fisicamente para tanto, numa pré-temporada estendida, por que não treinou e jogou com o esquema tático adequado para essa formação? Por que entrar nas semifinais da Taça Guanabara sem ter treinado e jogado com o esquema tático com o qual o time jogará para o Renato Abreu ser efetivado?
5) Quem você acha que sairá do time para a entrada de Renato Abreu?
6) Qual será a razão de Renato Abreu ter tanto poder na Gávea?

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Remamos, remamos, remamos... E voltaremos aos esquema e formação de meio de campo do ano passado? É isso mesmo, Dorival?

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Seguindo a dica do nosso amigo Roberto Silva Gomes, o RSG, convido todos à leitura do posto do nosso amigo Henrin B. em seu blog Pedrada Rubro Negra, no qual aborda as eleições vindouras para o Conselho Fiscal. A coluna, com o título "Chapa para o Conselho Fiscal: 'Flamengo Sempre'", esmiúça os meandros da eleição e a importância do apoio à chapa "Flamengo Sempre", dos "Blues".

Bom dia e SRN a todos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Alfarrábios do Melo



Saudações flamengas a todos.

Hoje dou continuidade à série do (meu) Flamengo de todos os tempos, que até aqui vem escalada com 1-Garcia, 2-Leandro e 3-Domingos. Neste texto será tratado o camisa 4.
Várias alternativas se mostraram à altura da escolha. O multicampeão Mozer, que soube como poucos conjugar técnica e raça, o fantástico Aldair, que com apenas dois anos como titular cativou várias mentes e corações, o paraguaio Reyes, que com um futebol requintado e elegante mostrou-se igualmente brilhante como volante e zagueiro nos anos 60 e 70.

Listas de “melhores de todos os tempos” tendem a privilegiar nomes que fizeram parte de uma história mais recente, pois há maior quantidade de referências históricas e mesmo testemunhais.

Entretanto, um olhar mais atento a toda a história do futebol do clube vai indicar que o nome de hoje é revestido de enorme relevância. Um dos Grandes (com letra maiúscula mesmo), cuja memória tento resgatar agora. Boa leitura.

4 – PÍNDARO DE CARVALHO

“Como? Voltar a jogar pelo Flamengo?”

O jovem médico recebe a proposta, um misto de desafio e súplica, com mal disfarçada surpresa. Seu interlocutor parece esbaforido, apressado, ansioso por uma resposta, e positiva. Mas, diante da inusitada situação, não tem como responder assim, de pronto, de roldão.

“Deixe-me pensar um pouco. Logo darei a resposta.”

É 1920, o futebol já faz parte inarredável e irreversível do cotidiano do carioca. Equipes como o elitista Fluminense, o tradicional Botafogo, o elegante América e o irreverente Flamengo já estão consolidados, dividindo a preferência e a antipatia de uma torcida que já começa a demonstrar que o esporte bretão é mais do que mera recreação. Mais do que competir ou participar, vencer se torna primordial.

O Flamengo vive um momento de transição em seu elenco. Saem os pioneiros dos primeiros dias, os rebeldes que formaram “na marra” seu futebol e que agora estão formados e exercendo suas profissões, entram novos talentos, novos jovens que, ao que parece, farão do rubro-negro o principal clube da cidade. É o tempo de Kuntz, Telefone, Japonês, Sisson, Junqueira, todos jogadores de seleção brasileira, e de Sidney Pullen, o inglês craque e líder da equipe.

E nesse 1920 a palavra de ordem é retomar a hegemonia da capital federal, nas mãos do tricampeão Fluminense. O Flamengo se prepara de forma meticulosa para o Campeonato, e seu início é retumbante, em cinco jogos quatro vitórias, entre elas 2-1 em um Fla-Flu, quebrando um tabu de quatro anos. A equipe lidera, mas a competição logo se revela uma selva, onde as agremiações menores, em busca de visibilidade e honra, jogam sua vida contra os grandes, tornando-se verdadeiras armadilhas em um campeonato onde um mísero ponto pode fazer a diferença no final. O Flamengo sente isso na pele, quando seu zagueiro titular Burgos se contunde e o reserva Antonico não se mostra à altura, na encarniçada vitória por 4-3 sobre o modesto São Cristóvão.

A partida seguinte será fora de casa, contra o Palmeiras AC, também de São Cristóvão. Burgos ainda está fora. Obcecado pelo título e sem reservas confiáveis, o ground committee (espécie de comissão técnica) busca alternativas. Nenhum ponto pode ser desperdiçado, cada jogo é importante, em cada adversário se esconde uma cilada.
É quando alguém se lembra de Píndaro.

O jovem médico Píndaro de Carvalho, formado em 1916, enfim abandona as chuteiras em 1919, após se consagrar campeão sul-americano pela Seleção Brasileira, em final histórica contra o Uruguai, num jogo de 150 minutos (isso mesmo, 150) em que, numa atuação de gala, anulou o craque adversário Gradim. Dedica-se ao ofício de médico sanitarista, mas o futebol segue em seu sangue flamengo, sempre que pode está assistindo aos jogos da sua equipe de coração.

Foram cerca de sete anos. Nesse período, Píndaro ergueu uma trajetória marcante defendendo as cores do time que ajudou a criar, junto com os outros rebeldes egressos do Fluminense. Líder natural (ao lado do atacante Borgerth) e extremamente carismático, o zagueiro Píndaro era tido por muitos o melhor jogador do primeiro time flamengo, já nascido grande. Cabeça erguida, senso perfeito de colocação, ótimo tempo de bola, impulsão fantástica (dificilmente perdia uma bola no alto) e um impressionante vigor físico fizeram de Píndaro um destaque, um protagonista, em um tempo onde apenas se valorizavam os homens da linha de ataque dos esquemas 2-3-5. Sua virilidade e segurança lhe valeram o apelido de “Gigante de Pedra”.

E além da capacidade técnica, Píndaro exalava, transpirava, sangrava Flamengo em todos seus jogos. Uma derrota em um amistoso pisoteava-lhe a alma, prenúncio de noites insones. Um dia Nelson Rodrigues irá falar da “alma de 1911” do Flamengo, certamente recordando o ímpeto, a gana de Píndaro, líder e xerife de uma defesa tida como intransponível, ao lado do também ótimo zagueiro Nery. Píndaro não aceitava, não discutia, não admitia derrota. Exigia de seus companheiros nada menos que a vida.
Tamanha determinação e categoria logo mostraram resultados. Píndaro participou do primeiro time (aliás, foi um dos maiores entusiastas da troca do Fluminense pelo Flamengo), foi o primeiro zagueiro a marcar gol pelo Flamengo (no primeiro Fla-Flu, de 1912), e integrou a primeira seleção brasileira da história, sendo o primeiro rubro-negro (junto com Nery) a ser convocado.

E agora precisam dele.

“Mas como, já me aposentei há um ano, não estou em forma... Flamengo, mais uma vez... sentir na pele, de novo... a febre do jogo... a torcida... é só por um jogo...”

“Sim, aceito. Claro que aceito.”

Assim, praticamente sem treinar, Píndaro é escalado para formar a defesa, uma derradeira vez. A presença do veterano craque sensibiliza seus companheiros, que escutam com atenção suas orientações. Píndaro dá uma aula de aplicação tática e noções de posicionamento. Canta o jogo todo, orienta, berra, grita como se fizesse parte do elenco fixo. Sua simples presença proporciona aos demais jogadores uma segurança contundente, o time joga solto, leve, feliz. Os escassos ataques do adversário são rechaçados de forma inapelável por Píndaro, que espanta o público com sua absoluta presença de área. O Homem de Pedra não tem pudor para o chutão ou a bicuda, joga com uma simplicidade desconcertante, não perde nenhuma bola, não comete nenhuma falha a olho nu, torna-se uma das grandes figuras em campo. O Flamengo vence com facilidade por 5-0 e os convites para seguir atuando chovem, apenas para que o duro zagueiro seja obrigado a declinar, não posso, agora tenho uma profissão.

No dia seguinte, as dores são fortes, lancinantes, cada músculo, cada articulação lateja vociferando o audaz sacrifício do valente Píndaro. O outrora craque mal se ergue em pé, mas se sente pleno, vivo, enérgico, com sede de realizar, de extravasar a sua alegria. A felicidade de ter recebido a graça de, apenas por mais um dia, ter se sentido incendiado pelo calor de uma flama que jamais sairá de sua existência. De ter novamente se percebido aturdido por uma paixão que, mais do que o tenha ligado a uma instituição, faz dessa instituição uma própria parte de si, revestindo-se cria e amante em seu âmago. Flamengo e Píndaro, Píndaro e Flamengo.

E, mal contendo seus olhos úmidos, o Gigante de Pedra volta ao trabalho.

 * * *
 
“Píndaro de Carvalho atuou como zagueiro do Flamengo entre 1912 e 1919. Nesse período, conquistou dois Campeonatos Cariocas, entre outros títulos. Em 1919, largou os campos para erguer sólida e bem sucedida carreira de médico sanitarista. Não sem antes liderar o ground committee da seleção que o Brasil levou à Copa de 1930.”

“O Flamengo conquistou o título carioca de 1920. Invicto. No entanto, na segunda partida contra o Palmeiras AC registrou-se empate em 1-1.”

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Olaria x Flamengo



Campeonato Estadual - Taça Guanabara - 8ª Rodada.

Olaria - Moreno, Lucas, Cléberson, Rafael e Calisto; Assis, Victor, Lenine e Léo Rocha; Waldir e Leandrão. Técnico - Luiz Antônio.

FLAMENGO - Felipe, Leonardo Moura, Wallace, González e João Paulo; Cáceres, RenatAbreu, Ibson e Carlos Eduardo; Hernane e Rafinha. Técnico: Dorival Júnior.

Data, Local e Horário: Sábado, 23 de Fevereiro de 2013, as 18:30h (USA ET 16:30h), no Estádio Raulino de Oliveira, o "Estádio da Cidadania", em Volta Redonda/RJ.

Arbitragem: Phillip Gerorg Bennet, auxiliado por Wagner Santos e Jackson dos Santos.


VELOCIDADE


Bom dia, butequeiros!

Muito se fala no 4-3-3 do Dorival Jr, mas a verdade é que tal esquema tático não é novidade pra nós. Há pouco tempo, mais precisamente em 2011, foi implantado no Flamengo por W. Luxemburgo. O Flamengo jogava com 3 volantes na primeira linha de 3 (Airton, Willians e Renato), mais 3 atacantes na 2a linha de 3 (Ronaldinho, Tiago Neves e Deivid):


Dos 6 jogadores citados, que compuseram nossa meia e ataque, os únicos velozes eram Willians e Tiago Neves. O primeiro consistia basicamente num destruidor ou ladrão de bolas e apenas o segundo sabia jogar com a bola nos pés. Assim, fácil concluir que nosso ritmo de jogo era extremamente lento e cadenciado.

Ano passado muitas formações foram tentadas, a escalação variou bastante, mas, salvo engano, terminamos o ano basicamente com Amaral (Cáceres), Renato, Ibson, Cleber Santana, Liédson (Hernane/Nixon) e Love. Média de idade alta e 3 ou 4 jogadores lentos, dependendo da escalação.

2013 teve início e o que estamos assistindo é uma nova tentativa do Dorival implantar o já mencionado 4-3-3, taticamente igual ou muito semelhante ao de 2 anos atrás: 



A maior diferença, porém (além, claro, da habilidade natural de cada jogador), reside na velocidade com que esse Flamengo 2013 joga, tanto em relação a 2011, como se comparado ao ano passado. 


Dos 6 jogadores de meia e ataque, apenas o único que vejo como lento atualmente é o Cáceres (que, inclusive, possui como substituto o Amaral, um jogador mais baixo, porém mais ágil). 


Sobretudo Elias (ainda em processo de melhor condicionamento físico) e Rafinha são jogadores extremamente velozes. A transição ataque-defesa é rápida. Nossos contra-ataques, que encaixam seguidamente nos jogos, têm sido nada menos que deslumbrantes e mortais. Sim, o Flamengo está voando baixo com Speed Rafinha ou Rafinha Bolt e outros, como o ligeiro Rodolfo.

A média de idade também caiu drasticamente, algo que considero excelente.

Carlos Eduardo ainda está fisicamente debilitado, sem ritmo de jogo e até por isso vai jogar. Porém, outro jogador importante, que parece primar não apenas pela boa técnica, como também pela velocidade, é o recém contratado Gabriel, que deve estrear hoje, imagino substituindo o primeiro.

Enfim, toda sorte e sucesso ao menino proveniente do Bahia, que comece com o pé direito, tranquilo e que o manto não lhe pese. Torço para que o Gabriel seja inclusive capaz de conquistar a titularidade, causando uma baita dor de cabeça ao Dorival. Apesar de não me recordar tê-lo visto jogar, minha intuição é a melhor possível, algo me diz que ele vai dar certo. Que assim se confirme!

Vai pra cima deles "Mengô". Uma atropeladinha básica tá de bom tamanho.

Qual o placar de hoje?

SRN!









sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

a mão do técnico

Esta semana pude assistir o jogo entre Milan e Barcelona, no qual o rubro-negro italiano conseguiu a façanha de derrotar os temidos catalães. Realmente nunca fui muito empolgado com o futebol europeu de clubes. Por mais agradável que seja, sempre me deu a impressão de ser uma coisa fria e sem paixão, algo que não combina com a minha forma de encarar o esporte.  Mas confesso ter sido seduzido pela mágica do jogo apresentado pelo Barça de Messi, Xavi e Iniesta sob o comando de Pep Guardiola, especialmente após as partidas contra o Manchester United na final da Champions League de 2011 e o massacre contra o Santos no mundial do mesmo ano.

O confronto com o Milan foi a primeira partida que vi com atenção do Barcelona após a saída de Guardiola e fiquei realmente desapontado. Não pelo resultado, que realmente não me interessa, mas pela postura dos jogadores. Ao invés do toque de bola envolvente, o que assiti foram os habilidosos meias do barça forçando jogadas e enfiadas de bola e tentando abrir a retranca italiana com arrancadas pelo meio que obviamente não surtiam efeito. Me lembraram em vários minutos o que víamos Ronaldinho tentando fazer no Flamengo, invariavelmente com resultado sofrível por conta da sua péssima condição física. Olhando novamente a escalação da equipe durante o jogo, me perguntei o que havia feito o estilo de jogo da equipe ficar tão diferente. O Barcelona continua trocando passes exaustivamente e valorizando a posse de bola, mas eles não saem mais com a mesma velocidade, de primeira como nos tempos de Guardiola.

Refletindo um pouco mais, cheguei a conclusão de que talvez, um bom técnico possa realmente modificar não apenas o comportamento da equipe, mas mesmo a forma de jogar individual dos jogadores. O trabalho de fundamentos, de posicionamento com e sem a bola acabam sendo sempre os destaques principais quando se analisa a contribuição daqueles treinadores considerados top. Sujeitos como Guardiola e mesmo Bielsa e Sampaoli vão um pouco além, trabalhando reflexo condicionado e o raciocínio dos jogadores, para que ajam com instinto, decidindo uma jogada em fração de segundos. Um passe inesperado, um drible ou um chute bem colocado dependem bastante do talento nato de cada um, mas despertar no jogador a capacidade de interpretar e selecionar a melhor jogada é algo que pode, e deve, ser trabalhado por um bom treinador.

Continuando o raciocínio, foi inevitável pensar na transformação que aconteceu no time do Flamengo do ano passado para cá. Creio que a evolução do time tem muito a ver com a definição de um esquema de jogo, com proposta bem definida de como se postar no ataque e na defesa, ainda que esta última precise de um pouco mais de trabalho.  É claro que influi muito a mudança de alguns nomes do time titular, substituídos por jogadores mais jovens, mais rápidos e habilidosos. Lembro, porém, que já vimos em muitos clubes exemplos de times que funcionavam bem mesmo sem estrelas graças apenas a organização em campo e comprometimento tático. E isso hoje é claramente visível no time do Flamengo mesmo nos jogadores mais antigos.

Naturalmente, me perguntei se algum dia teríamos a oportunidade de ver uma transformação ainda mais profunda no time, provavelmente não com Dorival, mas com um outro treinador, com uma outra mentalidade. Se realmente a mudança de filosofia trazida pelo grupo que assumiu a direção do clube foi a causadora dessa guinada no comportamento do time de futebol, talvez seja necessário apenas um pouco mais de ousadia para trazer um desses treinadores revolucionários para comandar o Flamengo e levá-lo de volta ao topo do mundo.

Abs e SRN!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sete passes de letra



1. Rodolfo - O passe de calcanhar, marcando um encontro do Rafinha com a bola dentro da grande área do Botafogo, é arte de artista que sabe o que faz e tem personalidade para tentar pintar o quadro elaborado com inspiração, ousadia e perspicácia. Daqui a 50 anos, os netinhos do companheiro Melo contarão, com letras douradas, esse lance no então "Alfarrábios dos Melinhos". Homenagens à parte, esse garoto, recém-lançado corajosamente pelo treinador Dorival Júnior, não se intimidou com suas novas responsabilidades no time de profissionais do Flamengo e vem subindo de produção a cada jogo, com categoria e lucidez, sendo junto com Rafinha, as melhores entre todas as novidades de 2013 do time titular na Taça Guanabara, os que demonstram ampla aclimatação ao novo status quo adquirido. Gostaria de adicionar à dupla o prata da casa Baggio, mas este ainda não foi apresentado ao distinto público flamenguista;

2. Rafinha - Deve ter perdido uma das aulas do professor Zico sobre comportamento dentro da grande área já que, sem ângulo para a finalização fatal, deixou de oferecer ao lateral João Paulo a oportunidade de quebrar a virgindade de gols jogando pelo Flamengo, quando optou por chutar em vez de rolar a bola para o meio da área, onde o companheiro encontrava-se completamente à vontade para estufar os barbantes alvinegros, ampliando o escore para 2 a 0;

3. Hernane - O brocador teve o seu contrato renovado por 3 anos, o que muita gente boa, amante do futebol virtuoso, considerou longo demais para quem faz gol de canela no melhor estilo Dadá Maravilha, aquele que segundo suas próprias palavras "parava no ar para cabecear e mandar a bola para o fundo das redes". Lembro da triste ex-presidente quando afirmou num momento de bagunça administrativa, completamente oposto do atual, que "Enquanto a bola estiver entrando...". Pois é, renovar o contrato do centro-avante era preciso, não há como um dirigente deixar ir embora do clube quem está fazendo gol, já que gol feio tem o mesmo peso no placar que uma pintura de Messi. O que se pode discutir, realmente, é o prazo do compromisso, mas sempre haverá a possibilidade de uma negociação, numa fase inspirada do atacante, com lucros para o Flamengo;

4. Cáceres - Seedorf bem que tentou, usando toda a sua inteligência e categoria, que não são poucas, municiar os atacantes do Botafogo no último confronto de domingo. Só não contava com a extraordinária atuação do paraguaio em sua marcação, o que ofereceu ótima proteção à zaga do Flamengo, a qual ganhou mais tranquilidade com a performance desse gringo valente e volantão. Não faz muito o meu gosto esse tipo de jogador que desarma o adversário e não passa bem a bola, e me permitam a bravata de afirmar que, no meu currículo de torcedor, tenho volantes que desarmavam com elegância, armavam com classe e concluíam em gol com extrema categoria, casos de Andrade no próprio Flamengo e de Falcão na inesquecível selemáquina de 1982;

5. Muralha - Recuso-me a acreditar que um dos motivos da devolução, pelo Atlético Goianiense ao Flamengo, desse garoto tenha sido o "alto percentual de gordura do jogador". Digam-me que é mentira de quem divulgou essa matéria, revelem aos rubro-negros que um hacker roubou a senha do PC desse jornalista para publicar essa barbaridade, esse relaxamento inadmissível num jovem que mal iniciou "marrentamente" sua carreira no futebol. Lamentável!

6. Dorival Júnior - Bastou a sua simples inserção numa estrutura minimamente profissional para que o seu trabalho começasse a desabrochar, transformando o ex-bando de 2012 num time, numa equipe de futebol com jogadas ensaiadas tais como: triangulações, jogadas pelas duas pontas, alternadamente, marcação e bom posicionamento nos rebotes defensivo e ofensivo, características marcantes e consequentes dos treinamentos realizados com seriedade e competência. Está ainda longe do ideal, pois não se transforma uma trupe desordenada num conjunto afinado em 45 dias, mas ficou visível tais predicados nos primeiros sete jogos da Taça Guanabara;

7. José Carlos Dias - O ex-VP do Fla-Gávea pediu demissão do cargo que ocupava em consequência de divergências, eventos normais no âmbito de qualquer gestão, com outro dirigente, Clément Izard, e os açodados falaram em crise no clube, buscando criar confusão dentro de uma situação imediatamente decidida e contornada por quem tem a caneta na mão, o presidente Eduardo Bandeira de Mello. O "Cheirinho" é uma daquelas pessoas aglutinadoras nas relações inter-pessoais e sempre se mostrou competente desde o início da última administração do Marcio Braga, virtudes que o levaram a ser convidado para participar da atual diretoria, mesmo pertencendo a outra chapa nas eleições passadas. Seus esclarecimentos divulgados no dia de ontem mostram que é "gente com gente dentro". Democraticamente, o espaço está aberto para a versão do Clément, que também merece exercer o básico direito de divulgar a sua versão dos fatos, caso queira, já que foi citado nesse imbróglio. De resto, vida que segue, o importante, conforme muitas vezes frisado aqui pelos amigos, é a busca do Norte Verdadeiro da Instituição e o adequado modelo de gestão adotado, e não as pessoas que um dia passarão.

SRN!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gávea x Gávea


Levantada pelo Gustavo Brasília na discussão do belíssimo post do Melo sobre Domingos da Guia (no Buteco do Flamengo), uma questão simples que não tinha me dado conta (por besteira ou sei lá porque): o hipódromo da gávea tem a mesma capacidade do Maracanã em dia lotação máxima, aproximadamente 80.000 pessoas, então porque a "implicância" com um novo estádio na Gávea, para o Flamengo? Porque nunca foi fechado por “interromper” o trânsito e causar danos à ordem da cidade em dia de GP Brasil de turfe? Porque a associação de moradores do Leblon e adjacências não reclama do Jockey Club publicamente? É estranho, intrigante, seria porque alguns dos nobres “amantes do turfe” são residentes dos bairros dos arredores do hipódromo?

Durante muito tempo, durante anos, promovemos o carnaval na cidade que cresce assustadoramente com blocos gigantescos, recheados de turistas e cidadãos locais, e também sediamos a outros eventos durante o ano. Não entendo o porquê da implicância com o Clube de Regatas do Flamengo. Só posso pensar um motivo: “esses desordeiros (para não dizer outra coisa) vem interromper a paz em nosso paraíso na terra”. As desculpas e a conivência só justificam a incompetência do Estado instituído e da inoperância do “velho Flamengo” que não sabe se respeitar como instituição importante de uma cidade que é patrimônio cultural mundial, assim como o clube é patrimônio cultural desta própria cidade.

Comemorei a passagem de ano exatamente no Jockey Club e posso relatar que não vi nada demais, nada diferente que justificasse uma grita geral, além do que, estavam sendo organizadas diversas festas do mesmo tipo nas redondezas e todas elas com altíssima capacidade de público. Citando apenas três comprovo minha teoria começando pelos próprios CRF e Hipódromo e, também, a sociedade hípica brasileira, todas em um raio curtíssimo e nenhuma delas causando grande dano ao trânsito da cidade que, inclusive, tinha Copacabana TODA INTERDITADA, por motivos óbvios. Tudo funcionou inclusive um dos quatro pontos de ônibus (centrais para a dispersão do público) disponibilizados pela prefeitura para quem saía de Copacabana era na Lagoa. Inclui-se ainda as novas estações do metrô a serem construídas para os jogos olímpicos de 2016. Porque os vetos? Porque a implicância com o Flamengo? EBM é contigo!

Depois da “hipotética briga”, vencida (espero que seja uma vitória real), o Flamengo poderia pegar o projeto da Arena McFla, que provavelmente será construída para as partidas de basquete, vôlei e futsal na Gávea (com modernos pisos em LED) e terminar seu complexo esportivo e social, montando um novo estádio para o futebol. O projeto da Arena McFla seria “replicado e multiplicado” por cinco, exatamente como seus valores para um orçamento de construção inicial, também por cinco mais 20%. Os direitos de arena (nome) poderiam ser repassados ao próprio McDonald’s ou a qualquer outra empresa que queira se inserir no projeto, como Arena TIM, Arena Stella Artois (AMBEV) ou Arena Galaxy (Samsung), por exemplo.

Se a Arena McFla custar (por estimativa minha) 30 milhões de Reais e comportar a seis mil pessoas, como o estipulado pela imprensa, e pelo visto pelo vice de patrimônio Alexandre Wrobel, esta nova arena do futebol, “cópia” da arena/quadra, comportaria 30 mil pessoas e custaria em torno de 180 Milhões de reais. Atualmente na Europa estão sendo construídos estádios de 250 milhões de reais para 40 mil pessoas, ou seja, o orçamento está quase que adequado à realidade mundial e parceiros não faltariam, inclusive seguradoras e auditoras. A Allianz Arena é um exemplo, quem sabe depois de um trabalho bem feito uma Ernst & Young Arena?

Está na hora dos azuis mostrarem sua força política dentro e fora do âmbito esportivo, com projetos confiáveis e contundentes, que possam fazer bem à cidade e principalmente ao próprio Flamengo. A meta deve ser a reconstrução do clube social com um plano diretor que contemple novos aparelhos esportivos como a já esperada e sonhada arena McFla, um novo parque aquático e uma reforma geral e completa no estádio da Gávea, que comportaria tranquilamente 30.000 pessoas, uma segurança ante ao Maracanã, quando tivermos jogos contra pequenos numa mesma data em que o Fluminense jogue lá. Particularmente gosto da ideia de nossa casa, que se somada ao “novo e caro Maraca” seria nossa redenção completa, no clube social, nos esportes olímpicos e no futebol. COM A AJUDA DA TORCIDA.


FLAMENGHIEUBIQUE!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Próximo, Por Favor!


Buongiorno, Buteco! É preciso ter cautela com esse time, todos dizem. Muitos jogadores jovens, em afirmação; o futebol é imprevisível; o time precisa se impor e provar seu valor nas finais; o Estadual não é uma competição tão forte como o Campeonato Brasileiro; há ainda a Copa do Brasil, o Seedorf é isso e aquilo, blá, blá, blá, blá, blá... Tudo é verdade, mas também é verdade que o Flamengo não me deixa ser modesto. Nem um pouquinho. E como ser, afinal? Todos falavam em uma pré-temporada estendida, em uma fase de muita paciência, com um elenco sem estrelas, mas com salários em dia, e um Departamento de Futebol em ordem, minimamente organizado, funcionando como deve em qualquer clube de futebol normal. Pois bastaram essas singelas providências para toda a luz e a energia rubro-negra canalizarem suas forças para o grupo, imantando-o para fazer a melhor campanha da Taça Guanabara, e isso com uma rodada de antecedência antes das semifinais, com jovens jogadores despontando e contratações dando certo, até as que pareciam desenganadas ano passado. Alguém poderia imaginar?

Tudo bem. Estamos distantes da perfeição. Ontem, Elias, uma peça-chave na transformação dessa equipe, pareceu um tanto disperso na partida. Carlos Eduardo, que demonstrou muita categoria, ao meu ver, pareceu sem ritmo e não conseguiu participar da partida o tempo inteiro. João Paulo e Leonardo Moura, principalmente, tiveram muitos problemas na marcação pelas laterais e o Botafogo, após o gol sofrido, criou muitas oportunidades. Cáceres me pareceu sobrecarregado na marcação, por todo esse contexto e o miolo da zaga merece ser poupado por ter sido muito exposto.

Por outro lado, Carlos Eduardo, que, como disse, mostrou categoria, provou que sabe o que fazer com a bola e, ainda que esporadicamente, deu sequência a jogadas de forma inteligente, dando a entender que será uma peça muito útil no futuro. Hernane vem, jogo a jogo, provando que é um fato e o clube terá que lidar com isso e entender a sua devida dimensão. Rodolfo, que substituiu Carlos Eduardo no segundo tempo, apesar do incrível gol perdido após excelente jogada, esbanjou passes precisos e com categoria. O cara é habilidoso, marrento e abusado. Espero que use essas qualidades para o bem e não perca a cabeça. E nesse segundo tempo, após começar melhor, diante da apatia de Elias e da queda de produção de Ibson, que havia ido muito bem na primeira etapa, o Botafogo foi envolvido pela velocidade e pela entrega do Flamengo, muito também pelo cansaço de Seedorf.

Rafinha parece render muito melhor pela direita. Carlos Eduardo deu sequência a boas jogadas pela esquerda. Houve algumas trocas de posições no primeiro tempo, mas acho que essa foi a formação que rendeu melhor. Dorival deveria mantê-la, ao meu ver. Rafinha, aliás, demonstra a cada partida que não é fogo de palha e tem, além da velocidade explosiva, uma visão de jogo daquele tipo de jogador que não se encontra em cada esquina. Rafinha ganhou sua posição no time. É impossível tirá-lo da equipe no momento. Será que Gabriel consegue fazer a função de camisa 10, pelo meio?

Por fim, gostei da movimentação do Sartori. Nenhuma jogada em especial, mas estava presente em todas, na colocação correta, e trocou alguns passes com desenvoltura. Ele, Rafinha e Rodolfo são prova de que, em uma equipe bem estruturada, ainda que tenha muito o que evoluir, como é a de Dorival Júnior hoje, é possível aos jovens entrarem, sentirem-se a vontade e se firmarem com muito mais facilidade.

Penso que esse time voaria com um camisa 10 típico, talentoso, que conseguisse participar do jogo inteiro sem "sumir", o que infelizmente não é o caso do Cléber Santana, jogador experiente e de indiscutível categoria, porém oscilante como um vaga-lume. Espero que a Diretoria encontre esse jogador.

No início do ano, enfrentar o Fluminense com esse time assustava. Hoje causa até ansiedade. Queria que o jogo fosse amanhã. O próximo, por favor!

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Essas são as minhas impressões. Duas enquetes rápidas para os amigos:

1) Chicarito é fogo de palha ou vai encarar os desafios mais altos no Brasileiro? Ou ainda é cedo e temos que testá-lo?

2) Gabriel entraria nesse time? Se a resposta for sim, no lugar de quem e em que função?

Bom dia e SRN a todos.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Flamengo x Botafogo



Campeonato Estadual - Taça Guanabara - 7ª Rodada.

FLAMENGO - Felipe, Leonardo Moura, Wallace, González e João Paulo; Cácere(Amaral), Elias e Ibson; Carlos Eduard(Cléber Santana), Hernane e Rafinha. Técnico: Dorival Júnior.

Botafogo - Jefferson, Lucas, Antonio Carlos, Bolívar e Márcio Azevedo; Júlio César, Fellype Gabriel, Seedorf, Lodeiro e Vitinho; Bruno Mendes. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Data, Local e Horário: Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2013, as 19:30h (USA ET 17:30h), no Estádio Olímpico João Havelange, o "Engenhão", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem: Rodrigo Nunes de Sá, auxiliado por Rodrigo Pereira Joia e Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa.