quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos,

Definido que os destinos do Flamengo, no triênio que se inicia em 2019, serão comandados por Rodolfo Landim e os membros da dita “Chapa Roxa”, cumpre externar quais as expectativas e as perspectivas que nos aguardam, especialmente naquilo que diz respeito à ansiedade por títulos e conquistas expressivas a curto prazo.
É bem verdade que, decorridos apenas quatro dias do pleito, estampar inapeláveis certezas soa insensato. Mas os sinais que despontam aqui e ali já permitem inferir algo. Então, neste último texto do difícil ano de 2018, tentar-se-á buscar alguns dos elementos que formarão a cara desse novo Flamengo. Ou, ao menos, alinhá-los com as expectativas criadas pelo resultado das eleições.

1 – ABEL
Definitivamente, Abel Braga não é um nome que suscite laivos de satisfação à sua menção. Perfil abertamente old school, que se notabilizou por uma forma de jogar francamente defensiva (o que se chamava, em priscas eras, de retranqueiro), modelou, em seu último trabalho, um Fluminense que vivia de contragolpes e de uma mortal bola parada. Não logrou resultados expressivos, a despeito de poder ostentar, à guisa de álibi, a falta de consistência de um plantel com algum talento instalado, mas sem a “casca” necessária para maiores ambições. Também depõe contra Abel seu extenso currículo, como jogador e treinador, posto a serviço de Vasco, Fluminense e Botafogo, o que criou elementos de aresta com boa parte da Nação negra e rubra. Sua única passagem como treinador do Flamengo, em que levou um indigente elenco ao Título Estadual de 2004 (o campeonato “da poeira”), mas, em paralelo, protagonizou um dos maiores vexames da história rubro-negra, ao perder, em pleno Maracanã, a Copa do Brasil do mesmo ano para um improvisado time de segunda divisão, igualmente não ajuda Abel a desfrutar de um conceito positivo entre os flamengos.
A favor de Abel pesa a vasta experiência, o bom histórico de condução de vestiário e os desempenhos razoáveis a bons quando dispôs de elencos qualificados. Talvez seja pouco para os anseios de um Flamengo que se pretende hegemônico. Mas, em um contexto em que o primeiro passo para uma desejada Era de Títulos sequer foi dado, talvez Abel reúna o perfil adequado para, “fazendo o simples”, cuidar para que a notável capacidade técnica de boa parte do plantel do Flamengo (já tendo em vista os reforços) possa, enfim, fazer a diferença. É a opção por um bem-vindo pragmatismo, após anos de apostas por jovens inexperientes e sem a vivência necessária para colocar-se à frente da comissão técnica de um clube da dimensão do rubro-negro.
Por fim, uma perguntinha marota: a vinda de Abel acena com a perspectiva de se montar uma equipe defensiva, veloz e dada à exploração de bolas alçadas à área adversária. Mas competitiva e aguerrida. É um perfil que difere muito do que apresentou o trabalho do (até hoje) incensado Reinaldo Rueda, nos três meses em que esteve à frente do Flamengo? A pensar.

2 – ELENCO
Certamente haverá algo próximo a quarenta milhões de visões distintas sobre o perfil do elenco atual do Flamengo. Então, não se pretenderá nessas linhas incorrer na armadilha de cravar verdades absolutas. De qualquer forma, em um plano geral, o grande problema do Flamengo não tem residido na qualidade de sua mão-de-obra. Óbvio que há pontos fracos, mas, com o que dispõe, o rubro-negro já poderia E DEVERIA ter erguido troféus relevantes desde 2017. O que não negligencia a necessidade de aprimoramento constante e contínuo, seja por reposições ou upgrade mesmo.
Sem se estender muito, há lacunas na lateral-direita, na zaga e na posição de segundo volante. As saídas de Paquetá e dos pontas criaram a necessidade de reposições nesses setores. Hoje, a espinha dorsal da equipe funda-se em Léo Duarte, Cuellar, Éverton Ribeiro e Vitinho. A situação de Diego Alves parece administrável e reversível. O Flamengo precisará dele (especialmente o do primeiro semestre). Quanto à tal “barca”, soa indispensável a presença de nomes como Rever, Rômulo (por falta de condições físicas), Pará, Matheus Sávio (deficiência técnica) e Willian Arão (inadequação de perfil competitivo). Quanto ao meia Diego, ainda pode ser bastante útil, desde que atendidas determinadas premissas de contexto. Que não o encaixam como “o” protagonista.

3 – GESTÃO DE ELENCO E PRIORIZAÇÕES
Elencos qualificados tornam previsível a disputa de competições de pontos corridos de longo prazo. Isto posto, o Flamengo deveria priorizar a campanha do Campeonato Brasileiro, torneio que já demonstrou potencial para conquistar. No entanto, o acúmulo de jogos no segundo semestre torna imperioso saber rodar o elenco, fomentando um choque de cultura e montando um plantel vasto e numeroso, consciente da necessidade de manter jogadores aptos ao ritmo de competição. Esse trabalho deveria iniciar já no primeiro semestre, mantendo duas equipes em atividade contínua (uma às quartas e outra nos finais de semana, por exemplo). A realidade atual do nosso calendário torna inescapável essa necessidade, com a qual a Diretoria que agora está de saída não soube lidar. Que os novos dirigentes tenham essa premissa em mente.

4 – DIVISÕES DE BASE
De todos os aspectos ligados à “nova cara” do futebol do Flamengo, a mais preocupante é, sem dúvida, a forma como serão tratadas as Divisões de Base. Com efeito, é nítida a percepção de talento egresso dos “juniores”, bem como a intensificação do uso dos jovens. Em que pese a necessidade do clube ainda amadurecer na forma de lidar com as pressões crescentes dos garotos (e principalmente de seus representantes) para forçar uma venda precoce, antes da geração de retorno esportivo (algo que aprimoraria o “timing” das saídas de dois dos principais jogadores da equipe esse ano), reveste-se em erro primordial negligenciar a oferta de mão-de-obra proveniente dos “Garotos do Ninho”. Em 2019, há a perspectiva de desenvolvimento da transição de nomes como Thuler, Jean Lucas, Lincoln, além da expectativa de aproveitamento, mesmo que preliminar, de Michael, Hugo Moura e alguns outros nomes. Sem falar na gestação de Hugo, Reinier, Victor Gabriel, apenas para citar os jogadores mais badalados. Investir no desenvolvimento de jogadores da base, no caso do Flamengo, traz, muitas vezes retorno mais certo do que apostar em atletas caros, de nível duvidoso e sem a menor identificação com o clube (prática recorrente nos primeiros anos da Administração Bandeira, em que o futebol era tocado por pessoas da Chapa recém-eleita). Porque, se bem usada, a base sempre servirá de elo entre o time e sua torcida. E trará respostas rápidas.

5 – RELAÇÕES EXTERNAS
Se o futuro das Divisões de Base causa apreensão, a questão da forma como o Flamengo irá interagir com os demais atores envolvidos no “negócio” futebol suscita uma expectativa quase entusiástica. Não que, de hora pra outra, o clube passará a ser acariciado por Federações e redes de comunicação. Mas soava nítido o despreparo do clube nesse aspecto. Agressivo, refratário ao diálogo, inábil no trato, o rubro-negro semeava demonstrações até caricatas de má vontade, o que pode ser demonstrado pela forma como o clube era achincalhado por erros grosseiros e unilaterais de arbitragens em competições regionais, nacionais e continentais. Aliás, não deixa de ser enervante constatar que o Flamengo “conseguiu” ser perseguido por CBF e Conmebol, mesmo com as duas entidades colecionando atritos entre si. Outro ponto que merece atenção são as transmissões dos jogos em TV aberta, fechada e pay-per-view, onde o clube não raro é agraciado com narrações parcialmente adversas ou mesmo hostis, tratamento bastante distinto do reservado a outros clubes de ponta, especialmente os paulistas. As recentes manifestações do Presidente eleito, inclusive de apreço ao diálogo, criam sólida expectativa de progressos nessa área.

6 – REFORÇOS E MERCADO
Impossível avaliar com serenidade o caudaloso e quase desumano volume de especulações, cavadas, “sondagens de opinião” e coisas do tipo, que “colocam” jogadores no Flamengo com uma frequência quase horária. De qualquer forma, o clube deveria buscar atletas capazes de entregar qualidade, competitividade e intensidade. Perfil bastante distinto do apregoado em alguns rumores que chegam a ser assustadores, tal sua inadequação. Enfim, que os “novos donos” do futebol, até pela ênfase com que se desconstruiu (não sem certa razão) a política de contratações do triênio passado, não incorram em erros semelhantes.

Dinheiro, ao que parece, há.


Os Alfarrábios entram em recesso para gozo de merecidas férias do titular. Retorno previsto para 16 de janeiro. Boas festas a todos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Abel




SRN, Buteco.

O ser humano, em geral, adquire certos hábitos com o passar do tempo que denunciam a idade .

Passamos a acordar e dormir cada vez mais cedo, fazemos ruídos incompreensíveis quando levantamos ou sentamos, dentre outros.

Porém nada entrega mais a idade do que o “No meu tempo”, ou “Na minha época”.

A cada fato novo, novo comportamento, a tendencia é de comparar com um passado as vezes nem tão distante e chegar a conclusão de que as coisas eram melhores antigamente.

Faço essa introdução porque quero me justificar antecipadamente.

Porque não vejo outro modo de descrever o estranho fenômeno que vejo acontecer nas redes sociais.

Na minha época, a torcida não era assim.

Após o eminente anuncio de Abel Braga como treinador, muita gente decretou o fim da temporada de 2019 antes de começar.

Alguns falam em briga contra o rebaixamento, e boa parte torce para o insucesso do time pelo simples prazer de poder dizer “Viu, eu tinha razão, eu já sabia”

Menos.Bem menos.

Abel não é nem de longe o meu treinador favorito, não queria, não escolheria para dirigir o Flamengo.

Pesam contra ele últimos trabalhos ruins, estilo de jogo pragmático e passado vexatório no clube, além de declarações infelizes bem recentes.

Assim como é sabido que também possui trabalhos consistentes, tem vivência em competições internacionais, possui espirito vencedor
.
E, apesar de não concordam, posso compreender a escolha da nova diretoria.O tempo é curto para se tomar decisões, tem pouco espaço para erros.Foi uma aposta conservadora, natural até.

Se vai dar certo ou não o tempo dirá, e agora só nos resta apoiar e torcer, como sempre fazemos (e bem!).

Engole a frustração a seco, esquece a raiva .

Temos um novo treinador ,e, francamente, pra quem já disputou Libertadores com Jaime, Zé Ricardo e Barbieri Abel é um avanço e tanto.

Bem vindo,Abel! Sucesso a você, títulos ao Flamengo!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Elenco (Centroavante)

Salve, Buteco! Pensei em tratar do perfil ideal de treinador no texto de hoje, mas tudo indica que a nova Diretoria, recém-eleita, optará mesmo por Abel Braga, motivo pelo qual não me parece útil gastar muitas linhas com esse tema. Ressalto apenas que, na competição com o Palmeiras, que em princípio será a tônica das próximas temporadas, quer-me parecer que o Flamengo não está fazendo o melhor possível, mas apenas optando pelo mais óbvio e sendo conservador no mercado nacional. É que, por mais que foquemos nas qualidades positivas do "Abelão", Luiz Felipe Scolari tem bem mais currículo e experiência, tanto no Brasil, como no exterior. É como se fosse uma versão "premium" do estilo medalhão motivador, que caracteriza ambos, adeptos de uma estratégia de jogo mais defensiva e reativa. Por isso mesmo, como o Palmeiras também tem maior orçamento e um elenco mais equilibrado, convenhamos que é bem mais produtivo começar a discutir como podemos fazer o nosso subir de patamar, pois a diferença entre os comandos técnicos já se encontra pré-estabelecida.

Para tanto, o Flamengo terá que aprimorar muito a sua atuação no mercado.

***

Para começar, escolhi a posição de centroavante. Dada a carência no setor desde a exuberante temporada de Hernane em 2013, resolvi fazer um levantamento de média de gols por temporada de nossos centroavantes ao longo das últimas décadas (desde que comecei a acompanhar o futebol). Eis os mais bem sucedidos (ao menos meio gol por jogo) no critério:
Nome Ano Jogos Gols Média
Romário 1997 36 35 0,97
Romário 1996 33 31 0,88
Romário 1998 40 35 0,87
Adriano 2010 18 15 0,83
Romário 1995 46 37 0,80
Vagner Love 2010 29 23 0,79
Nunes 1981 61 45 0,73
Nilson 1993 35 25 0,71
Adriano 2009 30 19 0,63
Cláudio Adão 1979 70 46 0,65
Bebeto 1988 54 34 0,62
Gaúcho 1990 62 39 0,62
Hernane 2013 59 36 0,61
Charles Baiano 1994 30 18 0,6
Liédson 2002 25 14 0,6
Luisinho Lemos 1975/77 160 95 0,59
Nando 1989 31 17 0,54
ABISMO
Guerrero 2017 45 20 0,44
Henrique Dourado 2018 41 13 0,31
Fernando Uribe 2018 23 6 0,26
Média de gols não é um critério absoluto. Nunes que o diga. Aliás, é curioso observar que, depois do "João Danado", que não chegava a ter problemas no trato com a bola, mas também não se destacava pela intimidade, e com as exceções de Bebeto (1987) e Luizão (2006), os outros centroavantes que decidiram finais para o Flamengo nas últimas décadas se caracterizavam pela dificuldade no relacionamento com a gorducha, casos de Gaúcho (1992), Obina (2006) e Hernane (2013). Além disso, nenhum deles representou o que costumamos chamar de "contratação de impacto".

Por sua vez, os investimentos feitos pelo Flamengo para a posição no triênio 2016/2018 trouxeram atletas caros, um deles como contratação de grande impacto (Guerrero), mas que, até aqui, sequer alcançaram a módica média de meio gol por partida, atingida até mesmo por Nando, goleador de passagem obscura pelo clube no final da década de 80. Pior ainda, Guerrero deixou a torcida a ver navios na final da Copa do Brasil em 2017, em que pesem sua refinada técnica e o gol marcado na finalíssima do Estadual contra o Fluminense. Já Henrique Douardo e Uribe perigam ser enquadrados na Lei Maria da Penha se não derem à  redonda com um pouco mais de carinho. Até aqui, poucos gols e muitos maus-tratos.

Como melhorar em 2019 essa relação de custo x benefício é o "xis" da questão. Em sua última passagem pelo clube, nosso novo vice-presidente de futebol, Marcos Braz, montou um time com a melhor dupla de ataque (critério média de gols) das últimas décadas: Adriano e Vagner Love ou "O Império do Amor".

A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Querido Papai Noel

@alextriplex

Papai Noel,

você deve me achar meio chato. Faz alguns anos que eu paro ao seu lado, depois da Alice pedir lol, baby alive e outras coisas, para pedidos insólitos para uma criatura de 50 anos. Ainda mais depois de devastadoras administrações.



Faz algum tempo que o Arthur Muhlemberg @urublog, então na comunicação do clube, nos avisou no nosso grupo "por enquanto será um time pobre mas limpinho. Com o tempo, isso vai melhorar". Então eu pedi pro senhor segurar as pontas, não deixar que nada de ruim acontecesse.

Faz 3 anos que eu pedi um meia. O senhor me trouxe o Diego, e confesso que tive bons momentos de alegria com ele. Pelo menos até ele começar a dar aquelas declarações chatas e repetitivas, além do cabelo sempre penteado e uniforme zero sujeira. Mas o saldo foi positivo (apesar de título importante zerado).

Pedi centroavante artilheiro, pedi outro meia, pedi elenco. Tivemos Guerrero - e eu confesso que fiquei fã dele, um pouco chateado por ele ser infantil a ponto de beber qualquer coisa na Bolívia -, tivemos até Dourado (PASMEM) e finalizamos o ano com o Peruíbe de titular. E ele pode dar bom, sim.

Eu pedi, e veio o Everton Inteligente. Craque de bola, demorou pra engrenar, mas eu - hoje - o vejo como o nosso melhor jogador. Se for possível um pedido no meio de tantos outros, segura ele por aqui.

Pedi pra você, Papai Noel...acrescento, pedi pro Coelho da Páscoa, pra fada do dente, pro Boi Tatá, pra todo mundo, mas pra todo mundo mesmo levar algumas criaturas do Flamengo. O portador da camisa 21. O portador da camisa 27. Quis dar uma chance ao rapaz da 5, mas ele conseguiu me emputecer na última partida do ano. Foi expulso por tomar 2 cartões em menos de 10 minutos, e saiu com o habitual modus operandis "o errado foi o juiz". (Papai Noel, desculpe pelo emputecer, mas se o o senhor fosse Flamengo, também ficaria muito puto. MEUS PEDIDOS PERSISTEM, PAPAI NOEL (desculpe, não quis gritar).

Papai Noel, quando esse texto for publicado, provavelmente o destino da nova diretoria do Flamengo já estará definido. E eu sou franco: tal qual as eleições para presidente do Brasil, evitei me envolver, evitei tomar partidos. Meu partido é o Flamengo. É por ele que eu torço. Muitas vezes contrariado por ver alguns jogadores e treinadores usando tão sagradas vestes. Mas torço. Não me permito torcer contra. Isso é coisa de gente pequena, de gente que não é Flamengo (sim, existem algumas definições de forma de torcer que são sagradas).

Papai Noel, não quero chapa A ou B. Quero uma chapa que entenda que o Flamengo não é simples, tampouco simplório. Somos complicados, nem um pouco perfeitinhos. Somos chatos, somos supersticiosos. Exigentes, sim. Perfeccionistas? Não. Cabe ao Flamengo ser campeão no perrengue, mesmo com o melhor time. Nos cabe uma marra extrema, mesmo quando o time é uma merd....desculpe, Papai Noel, não vou falar mais palavrão, pois eu quero ganhar aquela balinha sete belos que o senhor dá pras crianças que se comportam bem.

Papai Noel, quero uma transfusão de sangue no elenco do Flamengo. Pode ser na diretoria também. Para não ser injusto, para não parecer que os chamo de não-Flamengos, que seja uma transfusão complementar, com algumas vitaminas: gana, sangue no olho, medo de não perder, coragem para cagar na cabeça dos outros mesmo fora de casa, mira (sim, em 2 lances quase embaixo do gol deixamos de ganhar 4 pontos), e outras características que nos faltaram nos últimos anos.

Não sei se é muito, Papai Noel. Mas talvez alguns pares de meias para a diretoria seriam bem interessantes. Esquentar estes pés é algo que urge. Chega do azar, chega das zicas. Mas me preocupa vislumbrar o apoio de seres como michel, patricias e quejandos. Sabe, né? Gente que expulsou o Zico do clube, que fez dívida com o Ronaldinho Gaúcho, e deu patente a "organizados" que se diziam com patente. Erros crassos, que espero não ver mais por aqui. Ao mesmo tempo, é impossível e inviável para uma chapa SÓ fazer conchavo com os bons. Os marvados aparecem também. Mas o senhor pode levar todo mundo na carruagem. Não me incomodará.

Papai Noel, somos uma Nação carente de títulos. Sim, somos agradecidos pelo clube voltar a ser grande na sua estrutura. Agora, precisamos ser grandes na nossa essência.

P.S.: Vou lhe acompanhar no google. Se não passar na Gávea, vou sequestrar as suas ajudantes nos shoppings.

Feliz ano novo, Mulambada bem vestida. Ano que vem (ou pelo menos quando alguma contratação for acertada) estaremos na área.

E nada mais digo.

Triplex´s out.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Eleições do Flamengo: chegou o grande dia!

Prezados amigos do Buteco

Inicio meu primeiro post nesse honrado espaço Rubro Negro me apresentando. Sou André Amaral, autor do blog Ninho da Nação, no ar desde 2008, e com grande alegria fui convidado pela diretoria do Buteco (e eu aceitei com muita honra) para ser colunista quinzenal nesse espaço aos sábados.

E justamente estreio nesse 8 de dezembro de 2018, dia de eleições no Flamengo. Dia histórico para renovar as ideias de democracia e do debate, sempre visando o melhor para a nossa maior paixão.

Um pleito eleitoral que ainda precisa de ajustes. Já foi uma conquista passar para o final de semana, principalmente para quem mora fora do Rio de Janeiro. Agora precisará evoluir, pois é inadmissível que se escolha o presidente do Flamengo apenas em dezembro, uma semana depois do término do campeonato brasileiro.

A eleição precisa ser em outubro, para que não engesse a transição e o planejamento da próxima temporada. Como disse o ex-presidente do Bahia, Marcelo Sant'Ana: "boa parte do futebol que você verá no ano seguinte é jogador agora, nesse período".

Basta ver que o principal adversário do Flamengo, o Palmeiras, já engatilhou a contratação de três jovens jogadores: Arthur Cabral, 20 anos, do Ceará; Zé Rafael, 25 anos, do Bahia; Matheus Fernandes, 20 anos, Botafogo.

Talvez Renato Gaúcho pudesse ter aceitado negócio se já tivesse uma diretoria eleita e já tocando o futebol pro próximo triênio. É difícil recusar uma proposta de renovação, em um ambiente já completamente moldado ao seu perfil, quando se tem o risco de nem saber quem vai encontrar no próximo trabalho.

Outra questão que o clube da Gávea precisa prosperar é a implantação da votação on line, via aplicativo, conforme já realizado pelo Internacional, um dos pioneiros em massificar seu pleito eleitoral.

O passo mais decisivo, no entanto, será justamente esse: ampliar o quadro eleitoral Rubro Negro, para que não somente o sócio frequentador da sede social vote, mas o torcedor fanático, aquele que talvez nunca irá pisar na Gávea, mas que tem interesse legítimo em escolher quem vai tocar o futebol do Flamengo.

Essa será a minha segunda eleição. Da primeira vez, meu voto foi na reeleição do Eduardo Bandeira. Dessa vez, no entanto, meu voto será em Rodolfo Landim.

Lá na eleição em 2013, se recordam, ninguém sonhava em ser campeão, em ter uma grande equipe. Os objetivos eram: moralizar financeiramente, eticamente e moralmente o clube, tornar os esportes olímpicos sustentáveis, fazer com que o Manto voltasse a exibir patrocínio. Com uma dívida que passava dos R$ 700 milhões, após uma gestão patética de Patrícia Amorim, o Flamengo precisava se erguer.

Ninguém cobrou desempenho, ninguém sonhava com conquistas, a torcida abraçou a ideia de que seriam três anos duros, de corte na carne, de perder seu principal jogador por simplesmente não ter como pagar. E assim foi feito.

Três anos depois, já com a casa praticamente em ordem, era a hora do futebol começar a ganhar. Após a vitória em 2015, escrevi no Ninho da Nação que Bandeira e sua chapa não teriam mais o direito de errar. Que o foco, a concentração de todo o trabalho deveria ser no futebol, que deveria começar do zero.

Após esse período, infelizmente, a gestão fracassou e se perdeu. A receita do futebol subia a cada ano, o investimento seguia também em uma linha crescente, com uso de softwares, tecnologia, estruturas, processos, protocolos, mas os títulos não vieram.

Toda era parafernália torna-se irrelevante quando o gestor de futebol dito profissional aposta em Carpegiani de treinador, que havia chegado inicialmente para ser coordenador. Em seguida, aposta em um treinador que só havia treinado um time da série B de São Paulo. Ato contínuo, demora dois meses para demitir esse iniciante na função, que não conseguia mais trocar a roda do carro andando.

Enquanto isso, o adversário, que estava oito pontos atrás, demite seu treinador, contrata um experiente, fecha o vestiário e consegue ser campeão com fatídicos oito pontos na frente. O futebol as vezes é simples, basta entender como funciona.

Não há modelo de gestão que resista à escolha de se jogar Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil, três jogos por semana com os mesmos titulares. Era humanamente impossível manter o foco e a pegada em todas as partidas. Principalmente pelo esquema escolhido por Barbieri que precisava ter intensidade em todos os momentos, sem fraquejar.

Ou ainda, quando os reforços só chegam após o recesso da Copa do Mundo.

O modelo atual naufragou. Foram tantos erros, que nem o vice-campeonato dessa temporada pode mascarar o que foi esse ano, desde a saída do Rueda até a venda do Paquetá faltando dez rodadas pro fim do campeonato.

Por isso é hora de mudança. O futebol precisa tomar um novo fôlego, uma nova forma de ser gerido. A escolha agora é na turma que ajudou a pavimentar três anos atrás o clube estruturado que é hoje, longe, portanto, de serem aventureiros.

Quem ganhar a eleição terá um trabalho pesado na reconstrução de um futebol competitivo. Acredito que o primeiro passo seja o incomodo com as derrotas, e não discursos de aceitação de eliminações e fracassos, ou de que, uma hora ou outra a bola passaria a entrar, sem que fizessem nada para corrigir os erros.

O segundo será ter os melhores profissionais à frente do futebol. Começando pelo treinador, que precisa ser tratado como se fosse a contratação de um atacante top do mundo, ou seja, de suma importância, e não mais relegados a meros estagiários, que caem de paraquedas para treinar um time da intensidade que é o Flamengo.

Hoje contrata-se mais analisando o impacto do nome do que pela característica do treinador, alinhando ainda com as características do seu elenco.

Em terceiro, as contratações. Nunca vi um elenco com tantos bons profissionais, que batem seu cartão no horário, que nunca causaram problemas e escândalos, como esse grupo atual, mas que são apenas protocolares no futebol. O CIM não pode ter a última palavra. Talvez, ter mais de uma opinião, possa ajudar a mitigar os erros na contratação. Além de melhorar o perfil dos reforços, sempre muito morno, blasé, sem sal e quase ou acima dos 30 anos. Um exemplo, foi a escolha pelo comportado, educado e profissional Rômulo e não o Felipe Mello, que iria bater de frente ali no vestiário no primeiro que fizesse corpo mole.

Que 2019-2021 o foco seja na atividade fim do Flamengo: vitórias, títulos, conquistas. E que todo restante seja tratado como meio para chegar às conquistas e não o objetivo central.

Quem vencer no dia de hoje não será tratado como mito, herói, ídolo - foi um dos erros que ajudaram a criar esse monstro que se tornou o atual presidente. Agora, o novo mandatário terá a torcida no cangote. Não tem mais discurso que ficará em pé se os títulos não vierem.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O melhor para o Flamengo












Irmãos rubro-negros,



amanhã o Clube de Regatas do Flamengo decidirá seu futuro pelos próximos três anos.

A eleição deste ano foi marcada por episódios de baixaria explícita, com a chapa da situação utilizando de ardis e subterfúgios para atacar o principal concorrente da oposição ao pleito, Rodolfo Landim.

Não me alongarei, contudo, sobre fofoca e picuinhas políticas, assunto mais conveniente para a piscina do clube do que para este maravilhoso espaço.

Dito isso, vamos ao que realmente interessa: o futebol do Flamengo.

A despeito dos inegáveis avanços estruturais, o fato é que o futebol do clube não obteve os resultados esperados sob o comando (há realmente comando?) da atual diretoria.

Ao revés, dados a estrutura e o montante de dinheiro inédito proporcionados, pode-se dizer que a diretoria atual fracassou de modo retumbante.

E infelizmente, o fracasso dentro de campo vem acompanhado de um discurso derrotista fora dele.

Esse tipo de retórica amalgamada ao fracasso não é novidade do período eleitoral; é característica indissociável da atual gestão e de seus apoiadores.

São quatro anos dessa postura compromissada com a derrota. 

Eu acredito que essa inclinação para a passagem de pano é um fator que, somado aos erros grotescos cometidos no planejamento e execução dos assuntos afeitos ao futebol do clube, contribuiu de modo determinante para as decepções que sucederam à nossa torcida.

Um ambiente cercado de aversão à cobrança, interna ou pública, não tem como produzir bons resultados.

O Clube de Regatas do Flamengo não é propriedade de poucos, que se fecham em seu círculo de apoio em busca do instintivo esforço de autoproteção; o Flamengo pertence aos seus mais de quarenta milhões de apaixonados torcedores; o Flamengo pertence à sua história e à sua tradição de jamais se conformar com o mediano, com o fracasso e de não aceitar nada que não seja o máximo.

Para a diretoria atual, o software do momento, a parceria com a empresa europeia, o caixa recheado de dinheiro e um departamento de futebol asseado, porém frio e sem alma, nos levarão aos títulos.

Ledo engano e grave equívoco.

Vimos o quanto têm sido nocivas ao clube a atuação livre e desembaraçada de profissionais cujo único compromisso é com eles mesmos e com seus contatos no universo boleiro.

Quantos milhões o Flamengo desperdiçou em nome desse modelo de futebol?

Um modelo, aliás, que se vangloria de ser profissional, mas que comete erros os mais crassos, típicos dos regimes mais amadores.

O que dizer das contratações, às dezenas, de jogadores com salários milionários que jamais traduziram em campo o esforço do clube para trazê-los? Alguns nem no banco ficaram, ou ficam.

Mais de vinte milhões gastos na Ilha do Governador e cinco milhões por quinze minutos do Conca em campo, sem que tenha havido nenhuma satisfação ao torcedor rubro-negro.

Tratam o clube como propriedade particular e como se não fosse necessário dar satisfações à torcida.

Esquecem que o dinheiro vem exatamente da torcida do Flamengo, que é muito bem vinda quando põe a mão no bolso, mas que se torna um estorvo quando cobra o destino dado aos recursos da instituição.

O que dizer da sucessão de erros cometidos pela diretoria este ano?

Efetivação do Carpegiani, que veio para ser coordenador e não ganha um título em clube desde 1982; demissão de todo o departamento em março, o mesmo departamento que a diretoria e seus apoiadores cansaram de elogiar; promoção do Barbieri, que, sem nenhum trabalho em clube grande, veio para ser preparado por alguns anos e se viu alçado, em menos de três meses, ao cargo de técnico do time principal.

A efetivação do Carlos Noval, que, após dez meses no cargo, sequer deu uma entrevista. Ele que, em última análise, dentro do quadro de profissionais, responde pelo nosso futebol.

E a insistência com o Barbieri, até sermos eliminados de duas competições e praticamente não termos mais chances no Campeonato Brasileiro. Foram mudar o comando técnico do time só  em outubro, mesmo com claros sinais de esgotamento do trabalho desde muito antes, e trouxeram para substituí-lo um técnico que, com anos de carreira, ainda não conseguiu realizar um trabalho realmente destacado.

E o candidato a presidente pela chapa da situação já disse que vai manter a estrutura, com o Noval à frente da direção-executiva e um vice-presidente sem experiência alguma para trocar figurinha com ele. Mesmo modelo que tem sido utilizado nos últimos quatro anos. 

Não se surpreendam se o Dorival Júnior também for confirmado como treinador.

Difícil imaginar uma guinada no nosso futebol, rumos às glórias, com esse tipo de mentalidade incrustada dentro do clube.

A proposta da diretoria atual é esta mesma: manter as coisas como estão, falar muito de software e de processos e defender esse modelo tecnocrata, sem comando e sem a busca incessante por resultados.

Eles realmente não vêem os resultados como algo urgente na vida do clube, ou se vêem não fazem a menor ideia de como conquistá-los; acreditam que os processos são o objetivo principal e não um meio para que se alcancem os resultados desejados. Uma evidente inversão de prioridades e princípios de gestão.

Eu sou grato, muito grato, de todo coração, ao excelente trabalho realizado na seara estrutural.

Sou grato aos amigos que tanto se dedicaram, e se dedicam, voluntariamente, ao clube.

São heróis e merecem nosso aplauso.

Mas o Flamengo não pertence a um grupo, sobretudo um grupo que se isolou no poder e que se acha o único em condições de conduzir o clube, o que é algo de uma arrogância e alienação inacreditáveis.

Então, nós temos de um lado a diretoria atual, com sua visão excessivamente tecnocrata (amigos, por favor, leiam o post do Melo de quarta-feira aqui no Buteco, ao qual lhes remeto: http://www.butecodoflamengo.com/2018/12/alfarrabios-do-melo.html?m=1), desalmada e autoprotetiva; e de outro, a oposição, com uma abordagem mais firme e pragmática, que enxerga os resultados no futebol como prioridade total.

Sobre a oposição, eu pessoalmente gostei muito das entrevistas do Landim e da visão dele sobre o futebol do Flamengo.

As observações que ele fez sobre o futebol do clube e sobre como pretende geri-lo me pareceram corretíssimas.

Ele diagnosticou o problema e mostrou os meios de solucioná-lo.

Se obterá êxito, só o tempo dirá, mas é alvissareiro, após quatro anos, ouvir um discurso de valorização da liderança, comando, cobrança, controle e luta incessante por resultados.

Quanto às expectativas, falando por mim, tenho-as as mais altas. 

Flamengo estruturado, com dinheiro e com uma diretoria disposta a implementar uma mentalidade competitiva e vencedora é um contexto que só pode gerar esperança de glórias.

Falando uma linguagem simples e direta, sem rodeios, Rodolfo Landim demonstrou bastante conhecimento sobre liderança e afirmou textualmente que a busca por resultados será o objetivo maior da sua gestão. 

E na minha humilde opinião, os resultados no futebol profissional devem tomar a precedência na lista de prioridades do Flamengo.

E o Landim, repita-se, deixou claro que assim será, caso seja eleito.

É o que espero ouvir de um candidato a presidente do Clube de Regatas do Flamengo.








...



Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A um passo do paraíso

Flamengo este ano bateu seu recorde nos pontos corridos em campeonato brasileiro, ficando atrás apenas do Palmeiras/Crefisa, mantendo uma constância competitiva ao longo do forte torneio ao ficar sempre entre os primeiros lugares. Largou na frente, ficou em primeiro até a parada da Copa. Lá perdeu seu principal jogador de ataque, Vinicius Jr, voltou com Rever como zagueiro titular, com toda sua lentidão, e o técnico não soube superar isto, mantendo o mesmo esquema tático que simplesmente não funcionou mais em um volume absurdo de jogos em sequencia.

Estes jogos em sequencia, em agosto na maioria, abalaram a capacidade decisiva no time e a confiança depositada no elenco que reúne bons e desejáveis jogadores do mercado. 

Pode ser que a aposta continuada no técnico Barbieri, por sua falta de experiência em time grande, tenha sido decisiva. Mas vemos outros técnicos, experientes, falhando também em outros times, fazendo erros que, nós torcedores, consideramos primários. Mas o fato é que, com Dorival, o time se acertou taticamente basicamente colocando mais um volante ao lado do Cuellar, visto que Paquetá, com a cabeça na Itália, talvez, não cumpria mais tão bem este papel enquanto marcador. Mas o Dorival traz problemas, entre eles, a difícil relação que tem com jogadores de personalidades mais fortes, como Diego Alves. Pode ter rolado algum desentendido, mas o fato é que Diego Alves se rebelou com Dorival e não jogou mais pelo Flamengo. Sendo substituído pelo César, que mostra relativa solidez enquanto goleiro.


A gestão do futebol, com seus erros e também acertos, viu-se metralhada pela torcida de forma, para mim, non-sense. O time é bom. O time é competitivo. Tem jogadores sim de ponta. Estrutura nota 10. Staff profissional sendo aprimorado. Processos sendo redefinidos. Mas o imediatismo grosseiro e a miopia perante o progresso que está em frente ao nariz, que é estimulado por jornalistas e membros de uma oposição muitas vezes do tipo "quanto pior melhor", faz um trabalho com erros, mas muitos acertos também, vide o progresso indiscutível do futebol da base, ser tratado como um desastre apocalíptico, e a aposta "jabuticaba" em um conselho de palpiteiros com a volta de Marco Braz como dirigente, ele que em 2010 praticamente afastou o Pet do elenco, ele que chegou a declarar que há jogadores que sim devem ser privilegiados em relação aos demais,e onde em sua gestão jogadores saíam para festas onde até denúncias de mulher amarrada em árvore rolavam, ser então encarado como uma solução. 

Enfim, claro que a cada um que tome sua decisão sobre o que seja melhor pro Flamengo. Se é uma "jabuticaba" amadora ou se é a confiança em processos   aperfeiçoados com profissionais especializados mais capacitados para análises e tomadas de decisão. Garanto que no Manchester City, Real Madrid, Barcelona, mesmo no hoje rival Palmeiras/Crefisa não é a jabuticaba.