terça-feira, 2 de junho de 2020

Raio X: Flamengo vs C13

Olá Buteco, bom dia!

Há duas semanas, o Gustavo vem promovendo reflexões sobre o processo histórico do Flamengo, os outros times que compõem o rol dos principais adversários e sobre como este conhecimento pode ser utilizado para melhorarmos, cada vez mais, no futuro. 

Um dos dados trazidos por ele era o aproveitamento histórico dos maiores clubes - que ficaria em torno de 60%. Comentei que seria interessante fazer um levantamento olhando apenas os jogos entre estes times (para tirar o desvio acentuado, causado pelos jogos contra os pequenos) e me foi dada a missão de trazer essa pesquisa.

Na coluna de hoje, trago os resultados da minha investigação. Utilizei como fonte o site "O Gol", que disponibiliza uma boa base de dados sobre as principais competições nacionais e internacionais. Os adversários pesquisados foram Botafogo, Fluminense e Vasco da Gama; Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo; Atlético Mineiro e Cruzeiro; Grêmio e Internacional; Bahia e Athlético Paranaense. Cruzei os dados dos confrontos entre o Flamengo e estes e entre eles próprios.

Cabe uma ressalva: não são consideradas partidas amistosas e, por consequência, haverá alguma distorção entre os números oficiais dos clubes e esta investigação. Contra o Vasco, por exemplo, houve uma diferença em torno de 80 jogos para os números apresentados na coluna de ontem. Entretanto, esses jogos não alteraram significativamente o aproveitamento registrado na pesquisa que apresento aqui.

Antes de apresentar o material, deixo um breve quiz (são apenas 10 perguntinhas) para que vocês tentem acertar as respostas. Mais tarde volto com a coluna completa e as respostas.


***

Olá Buteco, boa tarde!

Voltamos agora com o complemento do post. Inicialmente, apresentaremos os dados específicos do Flamengo, contra os adversários selecionados. A figura 1 apresenta o desempenho do Flamengo nas competições definidas pela nossa fonte e a figura 2 apresenta o desempenho do Flamengo nos últimos 10 confrontos.

Figura 1: Flamengo vs C13 na história

Figura 2: Flamengo vs C13 nos últimos 10 confrontos


Para que se tenha uma melhor ideia do aproveitamento histórico do Flamengo contra os principais clubes, o que se tem é o seguinte: a cada 200 jogos, são 73 vitórias, 60 empates e 67 derrotas. Este desempenho nos faz concluir que o Flamengo, examinado sob a ótica da história dos principais confrontos, tem aproveitamento bem equilibrado. Se não há números elevados, ao menos o número de vitórias é maior que o número de derrotas.

Já observando os últimos 10 confrontos, há uma diferença muito significativa: o Flamengo tem aproveitamento de 50% ou mais contra 10, dos 13 adversários e o aproveitamento médio no período é 20% maior que o aproveitamento histórico. O número de vitórias é expressivamente alto, chegando próximo à soma dos jogos em que empatamos ou perdemos. O cenário ótimo e que pode ser uma meta para o futuro próximo seria o de uma vitória a cada duas partidas.

***
A última parte de nossa análise será comparar o desempenho do Flamengo, quando confrontado com os demais clubes selecionados. Esta comparação se dará da seguinte forma: localizar a posição do Flamengo, em cada critério e identificar os clubes com os números mais baixos em cada um.

Obs: a sigla ATH se refere ao Athletico Paranaense, enquanto a sigla AMG se refere ao Atlético Mineiro. As demais são facilmente reconhecíveis.

Vamos começar com o número de jogos registrados na plataforma, contra os outros 13 adversários. O Flamengo é o que tem mais jogos computados, são 1.846. Cariocas e paulistas estão na faixa de mais de 1600 jogos. Há uma diferença bem grande para os demais, que só começam a aparecer na faixa entre 1000 e 1200 jogos. O Bahia é o que tem menos jogos computados.

Tabela 3: Jogos computados nos confrontos entre os 14 times
A próxima Tabela 4 apresenta o aproveitamento obtido nesses jogos. Notem que o aproveitamento superior a 50%, que pode ser caracterizado pelo fato de se obter pelo menos uma vitória a cada 2 jogos, ninguém tem. O Flamengo está na terceira faixa de aproveitamento, enquanto Botafogo e Bahia têm os piores desempenhos.

Tabela 4: Aproveitamento nos confrontos entre os 14 clubes

Dando sequência, as próximas tabelas mostram os desempenhos dos clubes nos confrontos contra cariocas, paulistas, mineiros e gaúchos:


Tabela 5: aproveitamento contra cariocas

Tabela 6: aproveitamento contra paulistas

Tabela 7: Aproveitamento contra mineiros
Tabela 8: Aproveitamento contra gaúchos
O que se nota dessas tabelas é que paulistas e gaúchos não permitem que se tenha um aproveitamento alto contra eles. Não há nenhum clube que tenha aproveitamento nas duas primeiras faixas. Contra o agregado dos cariocas há 5, mas estes números estão diretamente ligados aos nossos três rivais locais, uma vez que não há nenhum clube com aproveitamento superior a 50% nos confrontos contra o Flamengo.

A última tabela ajuda a entender melhor esta dinâmica. Chamei-a de "tabela da freguesia". Considerei freguesia quando um clube tem 50% ou mais de aproveitamento no confronto direto. Na tabela 1, podemos perceber que o Flamengo não tem freguês (ainda 😃) mas na tabela da freguesia vemos que também não somos fregueses de ninguém.

Tabela 9: Freguesia
Olhando os clubes fora do chamado "eixo", vemos que o Bahia tem 1 freguês - Vasco - e que o Athletico Paranaense tem 3: o próprio Bahia, além dos cariocas Botafogo e Fluminense. Isso ajuda a ilustrar o mau momento vivido pelos nossos rivais locais. 

Quanto ao Flamengo, é continuar mantendo os pés no chão, olhando para o passado de forma a planejar um futuro cada vez mais brilhante.

Saudações RubroNegras!

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O Clássico dos Milhões por Década

Salve, Buteco! À medida que a economia começa a se movimentar para voltar a suas atividades, o futebol também dá seus primeiros passos para o retorno. Enquanto isso, continuamos a analisar o passado, mirando o futuro. Para o nosso bate-papo de hoje, escolhi lançar luzes sobre o Clássico dos Milhões, porém fazendo um corte dos confrontos por décadas. Nesse levantamento, considerei os mesmos jogos que normalmente são computados nas estatísticas do confronto direto entre os dois clubes. Excluí apenas os resultados de WO porque acho que o que vale é bola rolando.

Paralelamente aos números de vitórias, empates, derrotas e gols (marcados e sofridos), também computei os títulos oficiais vencidos pelos dois clubes, fazendo, em relação ao adversário, uma concessão para o Sul-Americano de 1948, título normalmente computado pelos rankings e levantamentos mais sérios, como, por exemplo, o Ranking Folha, que mostrei a vocês no post da semana retrasada. E dentre esses títulos, dando mais uma colher-de-chá para o adversário ao utilizar os números que seus torcedores consideram corretos, levantei ainda os títulos conquistados em confrontos diretos entre as duas equipes, conceito mais amplo do que o de "finais" e que, contudo, não computa jogos nos quais houve exclusivamente conquistas de turnos.

Desse levantamento, surgiu a seguinte tabela:


Década
FLAMENGO
VASCO DA GAMA
Retrospecto
Vitórias

Empates
Títulos Confrontos Diretos

Títulos
Vitórias e Gols
Vitórias e Gols
1920
7v
31g
10v
37g
7x10
5e
...
6 (2+4) x 3
1930
11v
54g
12v
57g
18x22
5e
...
7 x 6
1940
10v
66g
20v
81g
28x42
11e
1x0
10x10
1950
14v
67g
10v
57g
42x52
17e
1x1
14x15
1960
23v
58g
14v
50g
65x66
11e
...
17x16
1970
25v
73g
14v
55g
90x80
17e
3x2
22x19
1980
14v
35g
18v
37g
104x98
11e
5x5
30x23
1990
16v
51g
14v
50g
120x112
13e
6x5
37x31
2000
17v
54g
15v
55g
137x127
8e
10x5
46x34
2010
16v
40g
8v
34g
153x135
22e
11x5
53x37
2020
1v
1g
0v
0g
154x135
0e
11x5
55x37
Total
408 j.
155v
135v
155x135
120e
11x5
55x37

Os números mostram que, nas quatro primeiras décadas do confronto direto, houve predominância vascaína nos números gerais, porém apenas nas três primeiras o Vasco da Gama venceu mais vezes o Flamengo em cada década, eis que, a partir dos anos 50, iniciou-se a reação rubro-negra. Nas duas primeiras décadas, a vantagem cruzmaltina era pequena, espelhando um grande equilíbrio no clássico, porém nos anos 40, após o tricampeonato estadual rubro-negro, o famoso "Expresso da Vitória" deu ao Gigante da Colina a maior vantagem que historicamente já teve sobre o Mais Querido do Brasil. Essa vantagem foi construída durante o jejum rubro-negro, ocorrido entre os jogos disputados após o 4x3 pelo Torneio Relâmpago do Rio de Janeiro em 1945 e até os 2x1 pelo Torneio Municipal do Rio de Janeiro, em 1951. Foram 23 jogos, com 17 vitórias vascaínas e 6 empates.

Das cinco décadas nas quais esteve à frente no confronto direto, apenas nas quatro primeiras o Vasco da Gama venceu mais vezes o Flamengo, eis que, a partir dos anos 50, iniciou-se a reação rubro-negra, com a geração de Garcia, Tomires, Pavão, Jadir, Dequinha, Jordan, Evaristo, Joel, Rubens, Benítez, Índio, Dida, Paulinho, Esquerdinha e Zagallo, dentre outros. Aliás, o "Expresso da Vitória" existiu justamente no intervalo situado entre os dois primeiros tricampeonatos do Flamengo.



A reação iniciada na década de 50 foi consolidada nos anos 60, conforme já havia adiantado neste post do ano passado, graças especialmente a um time pouco lembrado, comandado por Silva, o ‘Batuta’, e Almir, o ‘Pernambuquinho’, que surrou seguidamente os cruzmaltinos, sem dó nem piedade.” Na ocasião, faltou mencionar nomes como Espanhol e Doval e Paulo Cézar Caju, este já na década de 70, que também tiveram importante participação nessa jornada.

Portanto, é importante frisar, o Flamengo reverteu a vantagem histórica vascaína antes da “Geração Zico”, que nos anos 70 veio para ampliar a então já existente liderança rubro-negra no confronto direto.

***

A década de 80 foi a única na qual, após os anos 40, o Vasco da Gama venceu mais vezes no confronto direto contra o Flamengo. Antes da partida de Zico para a Udinese, foram disputados 16 confrontos com grande equilíbrio, porém ligeira vantagem cruzmaltina de 6 vitórias, contra 5 rubro-negras e 5 empates, a qual acabou sendo ampliada no final da década, coincidindo com o final da “Geração Zico” e, a partir de 1988, a assunção de Eurico Miranda ao comando do futebol do Vasco da Gama, na condição de vice-presidente. Eurico, que como assessor da Presidência havia traído o Clube dos Treze em 1987, no episódio do cruzamento entre os módulos verde e amarelo, com pouco mais de um ano no cargo apresentou seu cartão de visitas tirando Bebeto do Flamengo.

Enquanto Antonio Soares Calçada cuidava do clube, Eurico Miranda cuidava do futebol e das relações com a CBF e a FFERJ. Essa aliança política resultou no melhor período do futebol vascaíno desde o “Expresso da Vitória”, traduzido em 5 títulos estaduais, 3 campeonatos brasileiros, 1 Libertadores e 1 Mercosul. Todavia, nos anos 90 a força vascaína não se concretizou no confronto direto com o Mais Querido do Brasil, o que acabou sendo um prenúncio do que estava por vir.

***

2000, o primeiro ano do Século XXI, marcou o canto do cisne da segunda era de ouro do futebol cruzmaltino, com o vice-campeonato do Mundial da FIFA e o título do campeonato brasileiro. A partir de 2001, o Gigante da Colina nunca mais foi o mesmo. Por que será?

Longe de ser um especialista no tema, arrisco indicar dois fatores que considero principais: primeiro, a entrada em vigor, no Brasil, da “Lei Bosman”, por via do artigo 28, § 2º da Lei 9615/98, a famosa “Lei Pelé”. O artigo 28, § 2º extinguiu o instituto do passe, porém só entrou em vigor três anos depois da publicação da lei, precisamente aos 26 de março de 2001, por determinação do artigo 92. Isso significa que o vice-presidente de futebol Eurico Miranda lidou com o binômio empresário/atleta durante a vigência do instituto do passe no futebol brasileiro, enquanto o presidente Eurico Miranda lidou apenas dois meses com essa realidade, passando a ter que encarar a figura do empresário FIFA e a "alforria" dos atletas em relação aos clubes. Conseguem perceber a diferença? A personalidade do controverso dirigente cruzmaltino jamais se adaptou aos novos tempos.

O segundo principal fator para a decadência vascaína, na minha modesta opinião, foi justamente a assunção de Eurico Miranda à Presidência do clube, e aqui chamo a atenção para o que considero o “grande detalhe” da mudança: com a saída de cena de Antonio Soares Calçada, Eurico passou a ocupar praticamente todo o espaço político do clube, dominando especialmente a presidência e a diretoria de futebol. Para quem quiser se aprofundar sobre o tema e os desmandos do falecido cartola, indico essa matéria escrita pelos jornalistas Diego Salgado, Pedro Ivo Almeida e Rodrigo Mattos.

O certo é que algumas datas ajudam a entender o verdadeiro marco histórico que esses fatos representaram no processo de decadência do Gigante da Colina, trazido pelo Século XXI: no dia 18 de janeiro de 2001, o Vasco da Gama venceu o São Caetano por 3x1 no Maracanã e se sagrou campeão brasileiro de 2000. Três dias depois, Eurico Miranda foi empossado para o seu primeiro mandato como presidente do clube.

Agora me digam: o que foi o futebol cruzmaltino desde então?

***

Se os contemporâneos escândalos da ISL e do Nations Bank causaram sérios prejuízos a ambos os clubes, acompanhando o equilíbrio no confronto direto entre eles na primeira década do Século XXI, na década passada, recém-encerrada, o Mais Querido ampliou bastante a sua vantagem. É fácil constatar o motivo: enquanto no Flamengo, entre o final da década 00 e o início da década 10, gestava-se o movimento “azul” que resgatou a essência do clube, devolvendo-o ao seu posto nato de liderança futebolística nos cenários nacional e continental, no Vasco da Gama travou-se a conhecida disputa política interna entre Eurico Miranda e a única pessoa que conseguiu romper o seu domínio político no clube: o ídolo e ex-atleta Roberto Dinamite.

Confrontado sobre esse período, o vascaíno tem uma resposta padrão: o valor pago pela Rede Globo ao Flamengo pela transmissão dos jogos do campeonato brasileiro; porém, bem sabemos que essa narrativa rasa não resiste à menor contra-argumentação. Primeiramente, após seguir o Flamengo na negociação de direitos de televisão fora do Clube dos Treze, cuja ruptura, lembrem-se, foi provocada pelo Corinthians, o Vasco da Gama fechou com a mesma Rede Globo antes do Flamengo.

Como alguém pode reclamar do contrato comercial de um rival, fechado posteriormente, se teve toda a liberdade para negociar e decidir quando e em quais termos (inclusive valores) firmaria o seu próprio contrato?

Além disso, convenhamos, o Flamengo não tem a menor relação com a política interna vascaína. Quem elegeu Roberto Dinamite, que negociou o contrato cruzmaltino? Aliás, os vascaínos não têm o hábito de olhar para as próprias mazelas do período: Dinamite, defenestrado por conta do contrato, dois rebaixamentos e alguns escândalos financeiros, levou o Vasco da Gama ao seu único título da Copa do Brasil (2011) e, na era dos pontos corridos, às melhores colocações do clube no campeonato brasileiro: vice-campeonato em 2011 e 5º lugar em 2012. Já sob a Presidência de Eurico, o clube foi uma vez rebaixado e só ficou duas vezes acima do 10º lugar da tabela, com o 6º lugar em 2006 e 7º lugar em 2017, conquistando apenas 3 títulos estaduais nesse longo período.

Novamente: o que o Flamengo tem a ver com as decisões dos sócios e torcedores vascaínos?

Para encerrar de vez o assunto, basta comparar o desempenho cruzmaltino com o de clubes que receberam bem menos dinheiro da Rede Globo na última década...

***

No início do texto destaquei que continuo analisando o passado, mas mirando o futuro. Deixo vocês, então, com a seguinte reflexão: a importância das pessoas certas nos lugares corretos.

Explicando: o presidente empresário que sabe “escalar” cada diretor para a função adequada; o vice-presidente de futebol que “entende de futebol” tratando apenas da pasta, tomando decisões dentro de limites estatutários e fiscalizado por uma gestão austera, qualificada, responsável e auditada pelas melhores empresas do mundo no ramo; o vice-presidente que foi dono de grande empresa de TV por assinatura e provedora de Internet negociando os contratos do setor; o treinador português que parece ter nascido para dirigir o Flamengo; os jogadores que parecem ter sido escolhidos por forças sobrenaturais para vestirem o Manto Sagrado, sendo cuidados pelo departamento médico que causa inveja pela estrutura e qualidade de seus profissionais; a torcida que se engajou, não pára de crescer e empurrou o clube para que isso tudo pudesse acontecer.

Parte disso demorou um pouco para acontecer, quando gente que não entende de futebol deu pitaco quando e onde não deveria. Daí resultou o erro do treinador que começou a mágica temporada de 2019. Corrigido o problema, agora tudo parece estar no devido lugar, ao contrário do que aconteceu no Vasco da Gama a partir do ano de 2001.

Quanto tempo durará esse fabuloso ciclo rubro-negro?

Bom dia e SRN a tod@s.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Queremos Trabalhar!


SRN, Buteco.


Vivemos num país onde é pecado ter sucesso. 

Em maiores e menores proporções, assistimos diariamente demonstrações de inveja e até ódio contra pessoas que vencem na vida com esforço de seu trabalho
.
Desde o grande empresário, que é acusado de exploração, sonegação e qualquer outro “ão” disponível, até o  rapaz atendente de loja que economiza até o ultimo centavo de seu salário para trocar de carro e, quando o faz, a vizinhança repete jocosamente pelas suas costas que ele deve estar traficando.

No futebol não é diferente.

Vivemos a sui generis situação onde os clubes que tem melhor estrutura se preparam para retornanr as atividades, e é assim que tem que ser.

Porém, o Flamengo, o melhor desse grupo, o mais estruturado, recebe ataques diários da imprensa e de seus "coirmãos" .

Simplesmente porque é mais rico, tem mais sucesso e ganha mais da TV, bilheteria, patrocínios...
Quando o  clube fez o corte de funcionários , o mundo caiu em cima do direção .Os capitalistas  sem coração jogaram 60 pais de família na rua.

Uma breve pesquisa pela concorrência e teremos as seguintes noticias.

Alguns clubes demitiram funcionários(proporcionalmente muito mais que o Flamengo) , cortaram plano de saúde de jogador, desativaram a categoria de base. E por aí vai..

Sequer citarei a questão de salários atrasados, problema recorrente em alguns tantos ainda pré pandemia.

E essas mazelas sequer são levadas em consideração pela mídia esportiva, que tem por objetivo diminuir o Flamengo, combater o correto, tem ódio do que é certo ,

Essa mídia, tomada pelo mesmo espirito mesquinho que assola a categoria em geral, dá voz a um lixo humano degradante, que utiliza como argumento de debate a tragédia no CT.

A verdade é que a maioria dos clubes gostaria que não houvesse futebol esse ano, pelo simples fato de que não tem condições de se manter. Não pela Covid, mas pela gestão temerária de vários anos, que foram expostas nesse momento de Crise.

Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Internacional, Bahia e Athletico Pr. São esses , com o acréscimo de um ou outro que possa estar esquecendo, que tem condições de seguir em funcionamento pelos seus próprios meios.

Os outros precisarão de ajuda externa, E, como sempre, aguardam de boca aberta e pires na mão, que o estado venham lhe socorrer.

Enquanto isso, o Flamengo malvadão e genocida comete o crime de querer o que a maioria esmagadora do país anseia.

Voltar a trabalhar.




terça-feira, 26 de maio de 2020

Ciclos Vitoriosos do Flamengo


Olá, Buteco.

Esse "olhar o passado, mirar o futuro" com que o Gustavo nos brindou em seus dois posts mais recentes me fez lembrar o quanto, ao longo da vida de torcedor, cultivei o hábito de ver jogos da base, para tentar enxergar "desenhos do futuro".

Não sou saudosista.

Falo de passado aqui no Buteco, não pra lamentar saudosamente os tempos de futebol que já se foram, mas para usá-los como referência e aprendizagem para reflexões sobre o presente e o futuro do Flamengo.

O capítulo final do post de ontem do Gustavo, incluindo a importantíssima frase “Que venha logo o “Dia do Fico”, tem enorme densidade e já está devidamente copiado e guardado para que eu possa voltar a ele em outros momentos.

Meu post de quinta-feira passada e o de hoje também buscam referências no passado para, a partir delas, ensaiar visões de futuro e tentar contribuir para a reflexão sobre possibilidades e caminhos do Flamengo, na busca de hegemonia no futebol brasileiro.

Por isto, optei por adiar o post “Torcer pelo Flamengo - Pacto com a felicidade - Parte 2”, com as letras de mais duas músicas em que falo da felicidade de sermos rubro-negros.

O conteúdo desta coluna foi desenvolvido antes que a crise deflagrada pelo coronavírus impusesse a suspensão de campeonatos e trouxesse interrogações ao cenário que se afigurava muito promissor para o Flamengo.

Optei por manter seu teor, fazendo apenas alguns ajustes e complementações, por acreditar que a análise feita não perde sua validade, mesmo em face das incertezas surgidas.

Surgiram, sim, novos desafios ainda não totalmente definidos, mas é razoável esperarmos que, passada a fase crítica atual, o Flamengo preserve forças suficientes para tentar retomar a construção do ciclo vitorioso que vivia e que foi abruptamente interrompido.

Meu propósito é, em continuidade aos posts recentes, tentar olhar para o futuro a partir de uma breve reflexão sobre ciclos vitoriosos vividos por alguns clubes e, em particular, pelo Flamengo.


A mudança é uma porta que só abre por dentro

Esta frase sobre mudança não é minha.

Fui apresentado a ela por Balbino Neto, o sapateiro poeta que tem uma lojinha perto da minha casa, no Rio de Janeiro.

Ela me veio à mente quando pensei em refletir sobre dois ciclos de transformação vividos pelo Flamengo, um com início por volta de 1977, sob a liderança de Marcio Braga e outro, iniciado em 2013, na primeira gestão de Eduardo Bandeira de Mello.

Ambos tiveram a característica de serem orgânicos, promovidos “nas entranhas” do clube.

Em ambos, a porta da mudança do Flamengo foi aberta por dentro.


Ciclos vitoriosos e suas características

Vários clubes brasileiros já passaram por ciclos vitoriosos, mas poucos viveram esses ciclos a partir de mudanças orgânicas.

Sem pretender esgotar a lista nem aprofundar-me, examino aqui algumas características desses ciclos e as “conjunções de astros” que levaram aos resultados positivos conseguidos por essas agremiações vitoriosas.

Alguns ciclos tiveram como suporte a presença de um patrocinador forte, como foram o Palmeiras (Parmalat e Crefisa), o Vasco (atacadistas da Rua do Acre, nas décadas de 1940 e 1950, e Bank of America) e o Fluminense (Unimed).

Esses patrocinadores e mecenas possibilitaram a formação de elencos fortes sob a liderança de técnicos vencedores em suas épocas.

Um ciclo resultou de uma circunstância extraordinária, a presença de Pelé no Santos.

Alguns clubes valeram-se de dopings financeiros, através de endividamentos irresponsáveis que acabaram onde tinham que acabar: em crises graves das instituições.

Não se pode excluir, também, a ocorrência da união das variáveis “patrocinadores fortes” e “gestões irresponsáveis”.

Por conta dessa união, houve clubes que saíram de ciclos vitoriosos para viverem crises e, até, rebaixamentos.

Por fim, alguns promoveram gestões responsáveis e colheram, no campo, os resultados dessa conduta.


A primeira grande mudança vivida pelo Flamengo – O ciclo 1978-1983

Como é comum acontecer nas grandes transformações, as duas mudanças orgânicas vividas pelo Flamengo resultaram de catarses de grupos de pessoas que, inconformadas com situações ruins vividas pelo Mais Querido, uniram suas forças, participaram da disputa eleitoral e, uma vez eleitas, partiram para o saneamento das finanças do clube e para a adoção de boas práticas de governança.

Em 1977, enquanto a corrente política liderada por Marcio Braga promovia mudanças de gestão e de atitude, um grupo de jogadores talentosos, formado nas categorias de base do clube, havia chegado ao time principal e ensaiava seus primeiros passos naquilo que viria a ser um período hegemônico no futebol brasileiro.

Claudio Coutinho chegou pouco depois, em 1978, deu ao time um padrão de jogo diferenciado e as conquistas começaram a acontecer.

O Flamengo ganhou, sob o comando de Coutinho, um tricampeonato estadual (na época, uma competição de bom nível esportivo), dois troféus Ramón de Carranza (1979 e 1980) e o campeonato brasileiro de 1980, o primeiro da história do clube, além de muitas outras taças.

Na esteira desse sucesso, com a mesma base de elenco vencedor e sob o comando de Paulo César Carpegiani, o Flamengo conquistou, em 1981, o campeonato estadual, a Libertadores da América e o Mundial (Copa Intercontinental de Clubes) e, em 1982, seu segundo campeonato brasileiro.

No fim desse ciclo, o Flamengo ganhou, comandado por Carlos Alberto Torres, o campeonato brasileiro de 1983, despedindo-se de Zico que, terminada a competição nacional, deixou o clube para ir jogar na Itália.

É importante destacar a “conjunção de astros” que levou à reunião, num mesmo lugar e num mesmo momento, de um grupo gestor competente, de um técnico muito qualificado (Claudio Coutinho) e de um elenco de jogadores talentosos e comprometidos com o propósito de fazerem daquele Flamengo um time vencedor (a geração Zico).

Essa conjunção sempre acontece para que um time se destaque de seus adversários durante algum tempo.

Foi assim com o Santos de Pelé, com o Palmeiras da era Parmalat, com o Vasco do Bank of America, com o Fluminense da Unimed, com o São Paulo de Telê, Raí e companhia.

Ponto importante a considerar para esta reflexão é que, quebrada a conjunção de astros, pela falta de um ou mais de seus ingredientes, o time que dela se beneficiou perde a hegemonia temporariamente conseguida.


A segunda grande mudança vivida pelo Flamengo – O ciclo 2013 - ????

Iniciada em 2013, a administração de Eduardo Bandeira de Mello não encontrou bons elencos formados na base e, com foco absoluto no saneamento financeiro do clube, no que foi bem sucedida, promoveu uma gestão errática no futebol profissional, com dezoito trocas de técnicos em seis anos.

Aparentemente sem ter um projeto para o futebol profissional do clube, rompeu prematuramente, por divergências salariais, com o técnico Dorival Junior, que tentava dar um padrão tático ao time.

Só que, em seguida, há de ter queimado muitos recursos financeiros para passar por Jorginho, Jayme de Almeida (Interino I), Mano Menezes, Jayme de Almeida (Interino II), Ney Franco, Vanderlei Luxemburgo, Deivid (interino), Jayme de Almeida (Interino III), Muricy Ramalho, Zé Ricardo, Jayme de Almeida (Interino IV), Reinaldo Rueda, Paulo César Carpegiani, Maurício Barbieri e por fim, pasmem, Dorival Júnior, aquele que, no início do ciclo EBM, havia sido rejeitado por divergências salariais.

Sem ter conseguido promover uma conjunção de astros vencedora, Bandeira deixou o clube com apenas um título nacional, a Copa do Brasil de 2013, e com um campeonato estadual, o de 2017.

Nova catarse e uma ruptura política levaram à eleição de Rodolfo Landim, no fim de 2018.

A gestão iniciada em 2019 enfrentou, logo em seu começo, a tragédia do Ninho do Urubu, marca que ficará para sempre na nossa história e que ainda exigirá muito dos gestores do clube, para que a situação das famílias seja resolvida de forma tal que, pelo menos no aspecto econômico, possamos encerrar esse drama, já que a perda das vidas dos meninos é irreparável.

No futebol, foram feitas as primeiras contratações de grandes jogadores, mas o trabalho do técnico Abel Braga, vitorioso no passado em outros clubes, não convenceu a torcida e os dirigentes do Flamengo.

Sentindo-se sem sustentação, Abel deixou o clube em maio, o que possibilitou que o Flamengo contratasse o treinador português Jorge Jesus, nosso já consagrado Mister.

Em paralelo com a chegada de Jorge Jesus e de sua comissão técnica, os gestores do futebol e das finanças do clube empreenderam excelente investida no mercado e conseguiram completar a formação de um elenco titular de alto nível.

Deu-se, assim, a “conjunção de astros” que, em 2019 e no primeiro trimestre de 2020, fez do Flamengo a sensação do futebol brasileiro, credenciando-o a ser um sério competidor dos principais clubes da América do Sul, na busca pelas taças do continente.

Reparem que, tanto quanto na gestão EBM e diferentemente da gestão Marcio Braga, Landim e sua equipe não contaram com um elenco vindo da base capaz de, por meio de sua participação direta no time principal, levar o Flamengo a grandes conquistas.

São outros tempos.

O Flamengo voltou a formar bons jogadores na base, mas eles têm servido, principalmente, para fortalecer o caixa do clube.

Com os recursos gerados por suas vendas para clubes europeus, o Flamengo tem podido investir na contratação de grandes jogadores e, assim, promover e sustentar a conjunção de astros potencialmente capaz de viabilizar, neste e nos próximos anos, um ciclo vitorioso na história do Mais Querido.

Nesse sentido, novo passo foi dado na janela de janeiro de 2020, quando chegaram ao Flamengo importantes reforços, aptos a contribuírem para que o atual ciclo vitorioso se consolide e se prolongue.


Que futuro o Flamengo pode ter?

Como eu disse, meu interesse é, a partir da reflexão sobre seus ciclos vitoriosos, tentar enxergar que futuro o Flamengo pode ter.

Entendo que, ao abrir por dentro a porta da mudança, o Flamengo descobriu a fórmula que pode torná-lo um clube hegemônico no Brasil e, oxalá, no continente.

A fórmula é sempre investir na saúde financeira do clube, como foi feito a partir da gestão Bandeira de Mello e, com base nessa sustentação orgânica, promover, renovar e, tanto quanto possível, fortalecer a conjunção de astros composta por dirigentes competentes, elencos de alto nível e técnicos qualificados e vencedores.

Só que o Flamengo tem, além disso, um grande diferencial: a Nação Rubro-Negra.

Se é certo que ela, sozinha, não garante o sucesso do time, como exaustivamente demonstrado nos períodos ruins vividos pelo Flamengo, também é seguro afirmar que, quando estimulada pela saúde orgânica do clube e pela conjunção de astros vencedora, ela forma um tripé muito difícil de copiar.

O ciclo esportivo vitorioso iniciado em 2019 tem deixado claro que, quando as coisas são bem conduzidas no clube e no departamento de futebol, a Nação Rubro-Negra é nosso maior patrocinador.

Se o clube for bem gerido e formar grandes times, nossa torcida sempre lhe dará sustentação, para que os ciclos vitoriosos sejam longos e para que o clube nunca mais precise passar por penúria financeira e por indigência futebolística, como em tempos passados que, espero, nunca voltem.

É inegável que o quadro de incertezas gerado pela pandemia do coronavírus torna maiores os desafios de sobrevivência e de evolução dos clubes de futebol em todo o mundo e que o Flamengo não está imune às dificuldades que, inclusive, já chegaram à Gávea.

Mesmo assim, considerando a conjunção de astros hoje presente no clube e a perspectiva de sua continuidade, meu olhar para o futuro sonha – e pode sonhar – com o Flamengo sempre vencedor, num patamar muito alto.


Há como não quebrar-se a conjunção de astros?

Este é maior desafio ao longo dos tempos e não é fácil produzir uma resposta infalível para esta questão, porque sempre é possível ocorrer a falta de algum dos ingredientes da fórmula vencedora.

Nos parágrafos finais do post de ontem, o Gustavo transitou por este tema, seja destacando a importância de Jorge Jesus para a afirmação de curto prazo que o Flamengo pode conseguir, seja admitindo que o clube poderá sofrer turbulências em seu voo de longo prazo.

Refletindo sobre o percurso feito pelo Flamengo a partir de 2013, parece inegável que a fonte geradora da conjunção de astros vencedora é a combinação de boa gestão administrativa e financeira com grande competência na gestão do futebol.

Afinal, o Flamengo contou, nos mandatos de Bandeira de Mello, com gestões voltadas para o saneamento financeiro do clube, mas, por falta de uma gestão competente e vencedora no futebol, continuou patinando nas suas tentativas de bom posicionamento nos cenários nacional e sul-americano.

Com a chegada da equipe gestora liderada por Landim, aliaram-se as duas competências requeridas e, depois de alguns erros iniciais, os resultados começaram a chegar.

É claro que, como destacou o Gustavo, o treinador Jorge Jesus é um ponto fora da curva, pela capacidade que demonstrou de levar um time de futebol a níveis de desempenho muito diferenciados.

Ainda assim, se o Flamengo mantiver, ao longo dos anos, os pilares que dão sustentação à fonte geradora das conjunções de astros vencedoras, a saber, a saúde administrativa e financeira e a competência na gestão do futebol, contará, também, com a extraordinária força da Nação Rubro-Negra e certamente poderá montar equipes fortes lideradas por técnicos qualificados, para manter-se no topo do futebol do país e do continente, com direito a sonhar (por que não?) em fazer parte da elite do futebol mundial.


Vídeos das músicas divulgadas em 12/05/20

Já que promessa é dívida, apresento aqui os links das duas músicas cujas letras eu divulguei no post de 12/05 (Torcer pelo Flamengo - Pacto com a felicidade - Parte 1).


O instrumentista é o Abelardo, meu primo e grande rubro-negro.







Em junho, quando da postagem de “Torcer pelo Flamengo - Pacto com a felicidade - Parte 2”, pretendo divulgar mais duas letras e os vídeos correspondentes. Vou tentar caprichar mais nas interpretações.



Saudações Rubro-Negras.