terça-feira, 3 de maio de 2016

Ao Mestre, com Carinho...

 Hoje o post não é sobre futebol, sobre estrutura, sobre estádios é uma singela homenagem do Buteco a alguém que vai partir pra uma nova etapa na vida. Na verdade, nem é um post, é mais uma mensagem sobre um cara que me recebeu de braços abertos no Buteco, que tive empatia desde o primeiro instante, um cara otimista e de palavras doces e assertivas sobre nosso amado Flamengo. Um cara cativante de espírito leve, embora esteja preocupado com os últimos dias que tem passado o clube, o futebol, na verdade, já que algumas de suas preocupações tem sido sanadas...

Trata-se de um caso especial, de uma despedida, que parecia silenciosa, mas que não poderia de modo algum ser silenciosa, um caso especial de alguém que chamei de MESTRE, de Graaaaaaaaaaande sem problema algum, porque é de fato, verdade. É a despedida do criador de um movimento que para nós aqui do Buteco empurrava o Flamengo nos momentos mais difíceis, para os momentos de glória em campo, nas quadras, onde for, com otimismo puro, genuíno.

Mestre, sentiremos falta de suas colunas “Moutimistas”, das tabelinhas, não, pois estas estarão aqui nos comentários, assim como a torcida e o papo entre nós. Graaaaaaaaaaaande Mouta, as portas estarão sempre abertas, portas de nossa casa. Isso, o Buteco do Flamengo será sempre nossa casa. Suas colunas ficarão para que todos vejam, leiam, na blogosfera, e estejam em nossas lembranças. Sua despedida nas colunas do blog não poderiam passar em brancas nuvens, merecem sim uma homenagem especial, com as bênçãos de Gustavo e Rocco que tocam este lugar com maestria.

Obrigado por tudo e um Fraterno Abraço!

FLAMENGO EM TODO LUGAR!

P.S.: O Grande Mouta será substituído às quartas-feiras por outro mestre, Mestre Melo. Boa Sorte, Melo!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Comando

Salve, Buteco! Comando presidencial, comando em nível de direção, comando técnico, comando dentro de campo... Afinal de contas, como se fala tanto em falta de comando, será que ele inexiste mesmo em todas essas áreas no Flamengo? Começando pela figura do presidente, muito se tem falado a respeito da personalidade de Eduardo Bandeira de Mello e suposta falta de cobrança de sua parte em relação ao Departamento de Futebol. Não vejo problema algum com a personalidade do presidente, gentil, ponderado, calmo e reflexivo, o que o tornou respeitado no âmbito esportivo, mudando, junto com os demais diretores, a imagem negativa do clube. Desagrada-me quando Eduardo Bandeira de Mello se afasta desse perfil e, por exemplo, bate-boca com um torcedor, como ocorreu em Aracaju/SE. A maior parte das críticas é imprecisa, não raro feita de forma grosseira e deselegante, mas é necessário encontrar outros mecanismos para lidar com toda essa pressão, inclusive as malditas mensagens de WhatsApp.

Enfim, não vejo propriamente falta de autoridade ou poder disciplinador no Flamengo, nem da chamada "cobrança", palavra constantemente utilizada pela torcida nas redes sociais e aqui no Buteco Mais Querido do Brasil. Prefiro ter um presidente honesto, educado e equilibrado emocionalmente do que alguém com características opostas e verborrágico, como um certo rival do Rio de Janeiro. Creio que o problema seja bem diverso e, infelizmente, até mais sério, envolvendo em parte o fato da Diretoria não ter expertise na área (futebol profissional), uma boa dose indecisão, provavelmente causada pelas dificuldades de conciliar a gestão colegiada com as peculiaridades e dinâmica do mundo do futebol profissional, e também a inegável resistência em reconhecer os próprios erros cometidos no planejamento, inobstante serem novos no ramo, o que alguns chamariam de arrogância. Por enquanto não chegarei a tanto e prefiro chamar de teimosia.

***

Mesmo os descrentes no "estágio" feito no Barcelona e na capacidade de Muricy Ramalho se adaptar aos tempos modernos do futebol não podem negar que é raro alguém com seu currículo reconhecer publicamente a necessidade de se "reciclar". Acreditar em Muricy e contratá-lo, como fez a Diretoria, não é necessariamente um problema se as condições de trabalho e o elenco posto a disposição do treinador forem adaptados a essas circunstâncias, quais sejam, de um alguém que tenta colocar em prática suas ideias pela primeira vez após reconhecer publicamente que precisava se atualizar. Observem que não falo de desconfiar do profissional que acabaram de contratar, mas de um mínimo de cautela diante do histórico recente (mais de duas décadas!) do clube, da gestão, do Departamento de Futebol, dos atletas que compõem o elenco e, claro, também do próprio treinador. Reconheço o enorme esforço que a Diretoria vem fazendo nesse sentido.

Entretanto, na prática, constamos uma evidente colisão entre o que Muricy avisou que colocaria em prática (um esquema de jogo ofensivo), o seu método de trabalho, baseado em muitos treinamentos e repetição, a sua aparente dificuldade em executar o que planejou e obstáculos involuntariamente colocados em seu caminho pela própria Diretoria, decorrentes dos seus evidentes erros de planejamento, como por exemplo não estabelecer prioridades claras quando o clube disputou três competições simultâneas e mandar partidas em diferentes estádios, cidades e estados, acarretando constantes e desgastantes deslocamentos que diminuíram em quantidade e qualidade os treinamentos, contexto que inclusive enfraqueceu o comando sobre o elenco, como se pôde notar a partir do bizarro conteúdo de algumas entrevistas concedidas por determinados atletas (Alan Patrick e Márcio Araújo são bons exemplos). 

Malgrado as circunstâncias desfavoráveis, Muricy tem seu grau de responsabilidade, que não é pequeno, na medida em que não conseguiu colocar em prática o que anunciou e nem muito menos provar que evoluiu como profissional da maneira que ele próprio pretendia, algo com o que a Diretoria deveria ter contado dentro de uma margem de risco, pois conversou com ao menos um profissional que se encontra indiscutivelmente em um patamar muito acima do ocupado pelo nosso atual treinador: Jorge Sampaoli, descartado pelo alto custo. Meu objetivo não é reviver o período eleitoral e nem discutir tanto a real possibilidade dessa contratação, tampouco se são ou foram justas as causas pelas quais Sampaoli não foi contratado, muito menos sugerir que agora o seja. O ponto é outro.

***

Não se pode alegar surpresa. A Diretoria contratou um profissional que ambiciona se reerguer no mercado - e se ambiciona se reerguer obviamente não está no topo desse mercado - simultaneamente ao anúncio da implantação de uma filosofia de jogo moderna e ofensiva no time de futebol profissional. O problema é que entregou a esse profissional, que, repito, pela primeira vez tenta colocar em prática suas novas ideias após se atualizar (ou ao menos tentar se atualizar), a maior parte da defesa que sofreu extraordinários e vexatórios 53 (cinquenta e três) gols no Campeonato Brasileiro/2015 (números de rebaixado para a Série B).

Treinador pode fazer a diferença? Pode. Marco González foi eleito o melhor zagueiro das Américas pela Universidad de Chile sob o comando de Jorge Sampaoli. Alguém tem saudades do González? Mas o Muricy não é o Sampaoli e a Diretoria sabe ou deveria saber disso a partir do momento em que comparou os preços e descartou o argentino. Até Muricy sabe, tanto que foi sincero em sua confissão pública e em seu pedido de uma zaga nova, ousadamente não atendido, assim como em sua pretensão salarial bem mais modesta.

Esquemas táticos não se resumem a setor ofensivo, mas eu nunca vi esquema tático ofensivo funcionar sem recomposição defensiva muito eficiente ou, quando não é o caso, no mínimo com defensores de excepcional qualidade individual. No Flamengo de hoje vejo os ingredientes para uma tempestade perfeita: sistema defensivo exposto pela dificuldade em compactar as linhas durante os dois tempos em todos os jogos somada a um time titular formado por um goleiro fraco, apenas um lateral que sabe marcar e um único zagueiro de bom nível.

***

Como se sairiam César Martins e Wallace sob o comando de Jorge Sampaoli? E como ele ou Tite, o favorito da imprensa brasileira, se sairiam dirigindo o Flamengo sob as mesmas circunstâncias que Muricy? O problema dos universos paralelos é que ele podem até existir (e podem mesmo, físicos alemães há que sustentam sua existência), mas desconhecemos o que ocorre por lá. Nossa realidade é o Muricy, com sua inegável seriedade e também com seus desafios pessoal e profissional, assim como (dizem) sua nada desprezível multa contratual. Já foi Ricardo Gomes, "O Breve", e seus 15 (quinze) jogos (um pela Sul-Americana e o restante pelo Brasileiro/2004), com 4 (quatro) vitórias (nenhuma contra time grande), 6 (seis) empates e 5 (cinco) derrotas, assim como Jorginho, "O Brevíssimo", com 14 (catorze) jogos (Estadual, Brasileiro e Copa do Brasil/2013), 7 (sete) vitórias (uma contra time grande), 4 (quatro) empates e 3 (três) derrotas para Audax/RJ, Ponte Preta e Náutico, as duas últimas pelo Brasileiro/2013 (no qual não venceu) e ambas com mando de campo cigano ou itinerante, um pequeno exemplo de como a expressão teimosia, utilizada no início do texto, não foi escolhida aleatoriamente.

Muricy Ramalho hoje tem 24 (vinte e quatro) jogos entre Primeira Liga, Copa do Brasil e Estadual, com 12 (doze) vitórias (duas sobre times grandes), 6 (seis) empates e 6 (seis) derrotas, além de 40 (quarenta) gols a favor e 19 (dezenove) contra, o que representa dois jogos a mais do que Mano Menezes, que comandou o Flamengo em 22 (vinte e dois) jogos, todos pelo Campeonato Brasileiro e pela Copa do Brasil de 2013, até pedir demissão, quando contava com 9 (nove) vitórias (seis sobre times grandes), 6 (seis) empates e 7 (sete derrotas), com 26 (vinte e seis) gols a favor e 27 (vinte e sete) contra. A comparação é interessante porque o trabalho de Mano, assim como o de Muricy atualmente, até então não exibia resultados positivos regulares, e a explosão do time logo na sequência sob o comando de Jayme de Almeida, treinador que revelou sua real e verdadeira dimensão no ano seguinte, mostrou que o trabalho de Mano tinha alguma consistência. Na minha avaliação pessoal dos treinadores brasileiros, considero que Mano está abaixo de Tite, mas bem acima da média e um pouco acima de Muricy. Entretanto, sobram em Muricy caráter, sinceridade e transparência, exibidos na recente declaração à imprensa de que está mais do que na hora de produzir resultados.

***

E comando dentro de campo, será que existe? A faixa e o título de capitão em tese são apenas simbólicos e não impedem a existência de outras lideranças até mais importantes do que a do capitão. A questão é a qualidade dos líderes.

Tentando provar que não sou uma das pessoas ruins que Deus precisa perdoar (by Impera), acho que o Wallace não é tão mau jogador assim. Contudo, em mais um erro de planejamento, foi elevado a um patamar que está acima de sua real capacidade. Construíram um personagem que Wallace é incapaz de viver ou interpretar: o ídolo intelectual e líder do time profissional do clube de maior torcida do mundo, com contrato até 2018 (!). Wallace talvez pudesse ser um zagueiro útil e aceitável para compor elenco, mas duvido que existam condições para que retroceda a esse ponto dentro do Flamengo, deixando de lado o personagem que em coautoria com ele desastrosamente criaram.

Não deveríamos criticar Muricy por elogiar o Wallace. No lugar dele, qual seja, em um mato sem cachorro, eu também elogiaria, para tentar fortalecer psicologicamente o próprio Wallace ou empurrá-lo pra frente, se é que vocês me entendem... E faria o mesmo com todos aqueles dos quais dependesse ou que quisesse negociar.

***

Para quem estava sem ideias, até que escrevi bastante. E quem tiver ânimo, mande a escalação para o jogo de quarta-feira contra o "Tricolor-de-Aço ou Leão-do-Pici" no Castelão, em Fortaleza/CE.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 1 de maio de 2016

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

Antes de iniciar o texto, transcrevo aqui um comentário do colega Heriton Castello Branco, publicado na coluna de domingo passado, sobre goleiros. Ele falava de um vídeo postado pelo Gustavo Brasília.

Faltou um lance, se eu não me engano contra o Serginho Chulapa, em que o Serginho avança livre e chuta pro gol, o Filiol estava saindo do gol e espalma, caindo já fora da área, a bola volta pro serginho que tenta encobrir o filiol já caído, já que ele não poderia botar a mão na bola, mas o filiol levanta a perna e consegue desviar a bola com o pé. Eu tinha uns doze, treze anos, não me lembro que jogo era esse, eu lembro que assisti ao vivo pela televisão (nosso aparelho ainda era preto e branco), mas esse lance ficou marcado pra mim.”

O lance aconteceu na partida Flamengo 4-1 Santos, pela Libertadores de 1984, no Maracanã e está no vídeo abaixo:

video



* * *

A derrota de domingo passado fez (ou deveria ter feito) muitos caírem na realidade, dura por sinal, de que sem time não se consegue nada. Apenas o crescente distanciamento de seu torcedor, que aliás tem se mostrado a cada dia menos identificado com as cores de sua paixão.

Os recentes maus resultados do Flamengo suscitaram o cotejo entre duas filosofias administrativas: a que recomenda a contratação de grandes jogadores, formando um grande time que, com suas grandes arrecadações, auferirá renda suficiente para pagar os compromissos assumidos, ou a atual, mais conservadora, aconselhando que primeiro deve ser arrumada a casa, para depois então se partir para a formação de um time de primeira grandeza.

É fato que, por motivos distintos, a escalação atual da equipe somente motiva de sua torcida não mais que bocejos. Um time que não possui qualidade técnica para compensar a incompetência de seus dirigentes, que alegam ainda não disporem de condições para reforçá-lo. É um ciclo vicioso que parece não ter fim.

A marcha pragmática da diretoria atual se revela lenta, gradual e segura, não abrindo mão do equilíbrio no balanço patrimonial. Grande time, se e somente se depois de saneadas as finanças.

O planejamento global da administração acena para um futuro radioso. Consta que o ano que vem será mais frutífero, em função da consumação de algumas operações que trarão, em tese, a dívida atual a um patamar mais administrável. Recorda-se de discurso semelhante proferido ano passado.

Vista com olhos pacientes, a cavalgada da diretoria rubro-negra aparentemente reúne, com efeito, condições de, em ritmo de imperturbável trote, devolver o Flamengo à sua plenitude técnica e financeira.

Olhada, porém, pelas lentes da impaciência da torcida, talvez seja recomendável ao seu presidente provocar um galope capaz de fazer sumir, se possível de imediato, a acabrunhante visão de um time formado por determinados jogadores sem a menor condição de envergar a camisa do Flamengo.

Os dados disponíveis, assim como as perspectivas que oferecem, apontam o modelo administrativo adotado pela gestão atual como o mais correto possível e disponível. Apesar disso, e ainda assim, não elimina a suposição de que a indiscutível fragilidade da equipe não tem sido abordada com o senso de urgência e a vontade sempre inerentes à flama rubro-negra, usualmente indignada com prolongados ciclos de reveses.

Basta olhar para o exemplo de São Januário. Sem dinheiro, sem crédito e praticamente sem gastar um centavo, construiu-se aquele que tem demonstrado sistematicamente dentro das quatro linhas ser o melhor time do Rio de Janeiro.

Criticado por seus desafetos, que, entre outras perorações, alegam não reunir o conhecimento e a experiência necessárias para lidar com futebol (“Nunca pisou num vestiário na vida. Não entende, nunca entendeu e nunca entenderá de futebol”), e por certo apego ao cargo (teria quebrado um acordo em que abrira mão de buscar a reeleição), o presidente se defende. Alega estar o problema financeiro resolvido, através de reescalonamento de dívidas diversas, do encaminhamento da solução de penhoras judiciais, e da consumação de algumas situações que trarão enorme alívio no fluxo de caixa. “Ano que vem poderemos enfim decolar”, afirma.

Enquanto isso, o torcedor segue exposto a uma filosofia draconiana de contratações. Não se espere grandes investimentos para este segundo semestre. Nada de grande time, mas reforços pontuais, e assim mesmo após um forte trabalho de prospecção, em busca de alguma pechincha que valha a pena. “Estamos no caminho certo e temos certeza que os reforços a caminho irão sanar as lacunas da equipe”, acentua o presidente, sempre otimista.

Este otimismo, difícil de justificar, efetivamente tem permeado a atmosfera dos corredores da Gávea. Há grande expectativa pela conclusão de algumas negociações em andamento, embora de antemão já se saiba que não há nenhum protagonista em vista. Não há qualquer aquisição realmente significativa em curso.

Isso causa apreensão. O melhor jogador do time acumula constantes más atuações nos últimos meses, o zagueiro central é voluntarioso, até raçudo, mas dotado de limitações técnicas irreversíveis, o goleiro possui talento duvidoso até mesmo para figurar na reserva. A rigor, um ou dois jogadores têm sustentado o time com algumas partidas regulares. O que é pouco.

Além do teórico reforço no elenco, também coloca-se em xeque a figura do treinador como a peça mais importante do trabalho. Marcado por insucessos recentes, criticado pela obstinação em determinadas decisões e acusado (talvez injustamente) por uma série de decisões erradas, o treinador surge como o ponto central de um trabalho que, aparentemente, está diante de sua última oportunidade de demonstrar ao menos indícios de êxito, sob pena de provocar uma avalanche de efeitos imprevisíveis.

O fato é que o otimismo às vezes quase eufórico dessa diretoria com as perspectivas que julgam se abrirem para o restante da temporada não está balizado em nenhuma evidência real. Apenas promessas e frases feitas, amparadas em algumas mudanças pontuais que, se de fato trazem certa expectativa por uma evolução, também fazem mergulhar a administração na perigosa armadilha retórica dos resultados a longo prazo, sempre projetando um amanhã róseo em contraponto a um presente sombrio. É um cenário que não costuma terminar bem.

Até porque esse otimismo, essa aparente tranquilidade da diretoria, muitas vezes parece resvalar para o plantel. Ainda está marcada na memória de muita gente a descontraída reapresentação do grupo após uma importante e dolorosa derrota decisiva para o Vasco, em que, no dia seguinte à partida, jogadores, dirigentes e membros da comissão técnica disputaram uma animada pelada na Gávea, recheada de risadas e brincadeiras.

Enfim, para uma administração que se propôs a “salvar” o clube, em que pese os evidentes pontos positivos, ainda falta muito para que se possa supor que os objetivos apregoados tenham sido atingidos, mesmo em parte. Ao torcedor, castigado por anos e anos de vexames e maus resultados, resta esperar, pacientemente, que algum dia o tão prometido pote dourado no final do arco-íris efetivamente apareça. E que não se revele, ao final das contas, recheado do célebre “ouro de tolo”.

* * *

O texto acima é uma coletânea de reportagens publicadas em diversos jornais do Rio de Janeiro ao longo de julho de 1978, com adaptações.

O Flamengo, ao ser derrotado pelo Noroeste de Bauru por 1-0, despedira-se do Campeonato Brasileiro, terminando na 16ª colocação, não conseguindo melhorar o desempenho do ano anterior, em que obtivera o 9º posto.

Entre o início da administração FAF e a data dos textos, o Flamengo havia enfrentado o Vasco 6 vezes, obtendo 2 derrotas e 3 empates, sendo um dos quais o 0-0 que deu o Estadual de 1977 ao adversário, após decisão por pênaltis. E uma vitória, em um amistoso em Itabuna-BA.

A perda do Estadual de 1977 sinalizara a terceira eliminação seguida sofrida para o Vasco, em um intervalo de dois anos.

Até a data dos textos, o Flamengo havia disputado, ao longo do ano, 8 clássicos regionais, obtendo 1 vitória.


Márcio Braga é um dos melhores e mais vitoriosos dirigentes da história do Clube de Regatas do Flamengo, e uma referência interna extremamente respeitada e de consulta obrigatória. Mas o reconhecimento sempre é precedido por um tortuoso percurso, onde obstáculos aparentemente intransponíveis se empilham. Transpô-los. E venceu.


sábado, 30 de abril de 2016

A miopia

De acordo com o site do Instituto Benjamin Constant, a miopia é um defeito da refração dos olhos. O míope só consegue focalizar o olhar para perto. Por isso não enxerga bem para longe. Quanto mais afastados os objetos, pior ele os vê. Quanto mais forte a miopia, mais perto ele tem de aproximar o objeto para conseguir vê-lo com nitidez.




Claro que não é exatamente dessa miopia que eu estou falando mas podemos fazer a relação. No Plano de Metas apresentado pela Chapa Azul na eleição para presidente do Flamengo em dezembro, fala-se o seguinte sobre estádio: "buscar parcerias para a construção de estádio próprio ou assumir a gestão do Maracanã, em um modelo que atenda nossos interesses e seja compatível com nossa importância para a viabilidade do equipamento."

A miopia a que me refiro é a incapacidade dos mandatários rubro-negros para enxergar além do seu plano A para estádios que é a concessão do Maracanã. Com a iminente saída da Odebrecht, os dirigentes se preparam para assumir o estádio mas contam com a fortíssima concorrência da dupla BWA/Lagardère. Enquanto isso, o Fluminense fez um acordo com o América para reformar e utilizar o seu estádio em Édson Passos e até o Botafogo anuncia uma parceria para ampliar o Luso-Brasileiro da Portuguesa da Ilha.



Assim, o Flamengo é o único dos 20 times que jogará a série A do Campeonato Brasileiro a não ter uma sede própria. Jogará em Volta Redonda e Brasília, muito provavelmente. No fim do ano passado, noticiou-se que já havia até projeto de reforma do estádio da Ilha para que mandássemos nossos jogos lá (*). E o Botafogo, sabe-se lá como, atravessou e ganhou essa. Já em janeiro, falou-se em Ítalo del Cima(**). Nada.

Estamos chegando em maio, estreamos no Brasileiro em duas semanas. Temos uma equipe que, mesmo ainda mal organizada em campo, pode perfeitamente brigar por vaga na próxima Libertadores ou até mesmo pelo título. Espero muito que não estejamos jogando essa oportunidade fora partindo para a itinerância.



(*) Flamengo elabora projeto para jogar no estádio da Portuguesa-RJ em 2016
(*) Estudo prevê R$ 20 milhões para reforma e expansão de estádio na Ilha
(**) Fla aprova projeto e atrai empresas para viabilizar Ítalo Del Cima até 2020

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ser Flamengo






Irmãos rubro-negros,



desde novembro de 2014 o Flamengo vem acumulando vexames. Um após o outro.

Sobre 2015, digo apenas que, dado o contexto, foi um dos piores anos da história do nosso futebol. Um ano que jamais deveria repetir-se. Me abstenho de detalhar isso.

A despeito, porém, das sucessivas humilhações impostas ao Flamengo em 2015, a diretoria passou quase doze meses contemporizando, dourando a pílula, valendo-se de retórica barata, e, no final, quando constataram que a vaca realmente tinha ido para o brejo, e que a campanha eleitoral exigia uma mudança no discurso, passaram a dizer que "tudo seria mudado". 

Muito conveniente, não é mesmo? 

A partir de certo momento, coincidentemente o acirramento da campanha eleitoral e a avalanche de críticas sobre a condução do futebol, tudo aquilo, que até então era considerado muito bom, carecia de ser "mudado". Puro discurso pragmático; política na veia.

Passaram dez, onze meses negando a realidade, vivendo uma fantasia criada por eles mesmos, alheios a tudo e a todos, herméticos, fechados em seu mundo do faz-de-conta, em que a noção de profissionalismo se resume a entregar as chaves do departamento de futebol ao diretor de futebol e ao técnico de ocasião.

Já que o regime é "profissional", e ganha-se muito bem para isso, quais são as metas dos "profissionais"?

Quais são os critérios objetivos de avaliação? Alguém sabe?

Futebol brasileiro não é futebol europeu. Não adianta, e é quase certeza de fracasso, transplantar para o Brasil, sem nenhuma adaptação, um modo de enxergar e gerir o esporte desenvolvido em contexto bastante distinto do nosso.

Mais ainda em se tratando do Flamengo, que tem de enfrentar, além dos adversários de campo, uma imprensa extremamente oportunista.


...


2016, infelizmente, nestes primeiros quatro meses, manteve o nível medíocre do futebol flamengo.

Atuações pífias, eliminações melancólicas, declarações revoltantes de quem deveria, antes de tudo, agir sempre com total respeito à Nação Rubro-Negra.

Aliás, as declarações dadas após o jogo de domingo merecem um capítulo à parte na coletânea de sandices, idiotices e insensatez já ditas por dirigentes e profissionais do Flamengo.

Coisa de alienado. 

Acredito sinceramente que não seja assim, mas parece até que certas atitudes são tomadas para ferir, magoar ainda mais o orgulho do torcedor rubro-negro.

Não é possível que, sob o pretexto de não "desestabilizar o ambiente", de "resolver internamente", de "levantar o astral da equipe", tenha-se de fugir da realidade como um louco foge do hospício.

E surgem então, para estupefação da torcida do Flamengo, uma sucessão de frases como "o trabalho é excelente", "temos de lamber nossas feridas", "estamos mapeando o mercado", "a derrota foi pontual".

Pontual? Três eliminações seguidas, seis derrotas e três empates para um time três vezes rebaixado em seis edições do Campeonato Brasileiro, a partir de 2008. Um adversário que, pelo menos desde 1996, o Flamengo, dentro e fora de campo, nas arquibancadas, impôs uma sequência inédita de triunfos.

Não se está a exigir que a diretoria saia xingando a tudo e a todos, como nós, torcedores, fazemos. Fiar-se nisso para justificar as asneiras ditas é infantilizar o debate e infantilizar a própria torcida. Ninguém é idiota.

Mas um pouquinho, apenas um pouquinho, de respeito e consideração para com o torcedor do Flamengo seria reconfortante.

O que se viu após o jogo de domingo pode ser qualificado como tudo, menos como algo respeitoso ao rubro-negro, sobretudo após o lamentável retrospecto em 2015.


...





Na verdade, o que reconfortará o coração do torcedor do Flamengo é o time voltar a vencer, é o time voltar a se comportar em campo como gigante.

E atualmente, no contexto do clube, para alcançar esse objetivo, e isso está evidente para qualquer um, mesmo para nós, reles torcedores, que "estamos de fora", depende-se quase que exclusivamente do Muricy Ramalho.

O futebol do Flamengo, tal como há um ano atrás, e diferentemente do que foi prometido na campanha eleitoral, quando se disse que "mudaria tudo",  mantém a mesmíssima estrutura hierárquica: Vice-presidente ausente, gerente e diretor de futebol totalmente desconectados do que é o Flamengo, e o departamento, assim, recaindo inteiramente nas costas do técnico.

É assim que funciona a ideia de profissionalismo da diretoria. Ninguém quer meter a mão na massa, ninguém tem tempo para viver o dia a dia do futebol clube.

Fábio Luciano? Leonardo? Petkovic? Ninguém presta. 

Aliás, alguém me faça o favor de explicar como a diretoria, nesta altura dos acontecimentos, em pleno século XXI, era do profissionalismo, da valorização dos produtos oficiais e do combate à pirataria, permitiu que o elenco entrasse em campo no domingo com uma bandeira pirata?

Seria cômico, não fosse trágico; ou vice-versa.


...


Eu estou longe de achar que está tudo uma porcaria.

Reconheço a melhora na estrutura, na qualificação do elenco e na excelência da Comissão Técnica.

Reconheço o louvável esforço feito pela diretoria para finalizar o módulo profissional do Ninho do Urubu.

Não me alongarei sobre o sucesso administrativo e financeiro da gestão, pois trata-se de fato notório e eu mesmo já teci muitos elogios sobre isso aqui no Buteco.

Mas há o momento do elogio e há o momento da crítica.

E o momento, depois de praticamente dois anos de vexames e humilhações dentro de campo, é de apontar pelo menos alguns dos inúmeros erros cometidos no futebol do clube.


...


Amigos, é juntar as mãos e rezar para que o Muricy Ramalho faça o time render em campo. 

A propósito, não tem cabimento algum romper o trabalho agora.

Ele tem de cumprir o contrato ao menos até o final do ano.

O ideal é que o Muricy Ramalho fique por dois, três, quatro, cinco anos, pois isso significará que o trabalho é exitoso.

Ele precisa se ambientar, viver, respirar Flamengo. O Flamengo é único, é diferente dos outros clubes.

Praticamente todas as nossas últimas grandes conquistas foram alcançadas com treinadores que jogaram pelo Mengo, ou seja, que conheciam a casa.

Não é um dado desprezível, muito pelo contrário.

Então, o Muricy necessita, sem açodamento, naturalmente e de coração aberto, se emprenhar da alma rubro-negra. Porque sem a alma flamenga ele pode até fazer um bom trabalho pontual, mas nunca conseguirá nada duradouro.

Quanto ao elenco, a diretoria tem no Juan um exemplo claro de como a relação e a ligação com o clube e a torcida são importantes. Eu mesmo fui contra a vinda dele. Me equivoquei. Graças à sua qualidade técnica, ele tem superado suas limitações físicas e protagonizado boas atuações.

Mas em vez de investir em qualidade, milhões são gastos, dentre outros, com Pará, César Martins, Márcio Araújo, Alan Patrick, Everton, Gabriel, Emerson, Chiquinho, Fernandinho.

Somemos os salários desses jogadores e multipliquemos por doze, vinte, trinta meses. Obteremos uma quantia milionária.

Essa quantia poderia, e deveria, ser direcionada para a adequada formação do elenco, que está carente em algumas posições.

Não nos esqueçamos, ainda, que, por pura inércia, omissão e incompetência da diretoria, o Flamengo disputará o Campeonato Brasileiro como clube itinerante, ora numa cidade, ora noutra, com evidente prejuízo técnico e físico.

Em Volta Redonda, o Flamengo vai jogar para três, quatro mil pessoas. Enfrentar os grandes paulistas lá significa diminuir bastante a vantagem do mando de campo, pois a cidade fica na Rodovia Dutra.

E a se confirmar essa história do Botafogo reformar o estádio da Portuguesa, na Ilha do Governador, ficará evidente para todos os rubro-negros que a diretoria jamais, em momento algum, tencionou de verdade jogar no Rio de Janeiro.

Tudo não passou de mais um jogo de cena, mais um episódio da série "engana trouxa".

Eui fui a vários jogos na Ilha, em 2005. Para quem não tem nada, lá era excelente. Local aparazivel, bem na entrada da Ilha do Governador, perto da Linha Vermelha e da Av. Brasil.





Mas não adianta o torcedor, o técnico e o elenco acharem bom se quem tem a caneta prefere tornar o time itinerante, jogando uma semana em Volta Redonda, outra em Brasília, outra em Manaus, outra em Natal.

Agora, fica o alerta: que a diretoria engula a soberba e a empáfia e escute caladinha as reclamações do Muricy Ramalho, pois ele tem toda a razão.

É inadmissível preterir o aspecto técnico em prol de fazer caixa. Porque o prejuízo de uma má campanha é infinitamente superior ao ganho monetário imediato pela venda dos jogos.

Campeonato Brasileiro não é para brincar, é para entrar e jogar tudo, o máximo, sempre fazendo o melhor.

Mas eu sou apenas torcedor do Clube de Regatas do Flamengo.

Eles sabem tudo, são oniscientes.

O erro é nosso.

Nós, apaixonados e iludidos, que pensamos em vitórias, títulos e glórias, não enxergamos quão maravilhoso e perfeito é o trabalho.

...



Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.



quinta-feira, 28 de abril de 2016

A Caverna do Ninho


No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, sem se poder ver uns aos outros ou a si próprios. Atrás dos prisioneiros há uma fogueira, separada deles por uma parede baixa, por detrás da qual passam pessoas carregando objetos que representam "homens e outras coisas viventes". As pessoas caminham por detrás da parede de modo que os seus corpos não projetam sombras, mas sim os objetos que carregam. Os prisioneiros não podem ver o que se passa atrás deles, e veêm apenas as sombras que são projetadas na parede em frente a eles. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.


O Flamengo perdeu do Vasco. E o que poderia ser encarado como um resultado passível de acontecer visto que, além de ser uma partida decisiva contra o time de melhor performance no campeonato, é um clássico histórico. Claro, e como clássico, ninguém gosta de perder. Mas perdeu. Vasco jogou efetivamente melhor embora não tenha feito uma boa partida tecnicamente falando. É um time com jogadores experientes que se encontraram como uma última oportunidade, talvez. Bem armados por Jorginho, dentro de suas limitações, já têm sintonia um com outro. É um time, hoje, difícil de ganhar no futebol brasileiro. Não seria fácil. E não foi, como sabemos.

Mas e aí? Bem. Abriu-se as portas do inferno. Amargura, rancores, compensações emocionais, explosões de fúrias fizeram torcedores e analistas despejarem toda sorte de sortilégios e elucubrações sobre o Flamengo e seu funcionamento interno. Pessoas que sequer sabem onde se localiza o CT afirmam que "falta comando", "jogadores não treinam", "Joga quem quer", "ninguém sabe o que fazer", quando, sabemos todos (ou a maioria), que:
- Flamengo está aperfeiçoando bastante sua estrutura de treinamentos com campos de treinamento, equipamentos modernos fisiológicos, locais de repouso que permitem dois turnos de treinamento,  pessoal ultra-especializado, consultoria estrangeira, etc
- Flamengo contratou vários titulares de uma só vez, o que dificulta um entrosamento ótimo em pouco tempo. Rodinei, Cuellar, Arão, Mancuello, Juan. Não podemos negar que metade do elenco é novo.
- Flamengo contratou um técnico caracterizado por um trabalho eficiente em pontos corridos no campeonato brasileiro. Seu método é a repetição de time-esquema até este funcionar de forma a gerar boa performance.
- Flamengo não está jogando no Maracanã/Engenhão, sendo obrigado a deslocamentos constantes e a desgaste físico e emocional no elenco e comissão técnica.
- Ao que consta não há qualquer problema de indisciplina.

Em suma, há diversos fatores, atenuantes ou não. Assim como erros identificáveis, ou supostamente identificáveis por leigos como eu, seja na preparação tática, escolha de elenco, de formação e de locais de jogo. Tudo é passível de crítica. Mas, conforme a alegoria citada acima, quem não está dentro do negócio, isto é, quem não participa do dia-a-dia nem das decisões tomadas, não tem mais que SOMBRAS para formação de sua "verdade particular" do que estaria ocorrendo com o Flamengo. Mas é o que temos, quem torce, vê os resultados e o time em campo. Analisa material de imprensa interessada em amplificar fatos e divagações. Temos as sombras. Não vemos se determinado jogador treina mal. Se a performance física e fisiológica de jogador X ou Y está devendo. Se o esquema X tem uma superioridade não aparente sobre esquema Y, que será perceptível apenas com mais treinamentos e seleção de jogador mais apropriado. Não sabemos como é o relacionamento do VP de Futebol Godinho com Rodrigo Caetano, ou mesmo Fred Luz, o CEO. Há o auxilio do Plinio, com experiência prévia em futebol. São pessoas acostumadas ao comando. Como elucubrar que estes altos executivos, justamente no futebol, não cobrem nada, se comportam como office-boys embasbacados? 

O presidente faz uma declaração em que, ao conferir excelência a preparação do time, mesmo após ser derrotado pelo Vasco, jogaram todo tipo de pedra nele. Ora, convenhamos. EBM não é idiota. Há n ações realizadas por ele que atestam sua qualidade e inteligência enquanto presidente. Fora o reconhecimento de seus pares, vice-presidentes, outros dirigentes, associados e grupos de associados.  Se ele diz que, para ele, a preparação do time é excelente temos que verificar que ele, EBM, fala como PRESIDENTE da instituição e tem ciência disso. Logo, se orienta (e faz isto desde 2013), a elogiar toda e qualquer atividade da instituição. Ele não critica em público. Ele não faz a caveira de nenhum dirigente ou profissional. Não faz terra arrasada de nada. Suas palavras sempre são positivas. Goste-se disso ou não, isto é o que ocorre. Fala institucionalmente. Pode-se, e se tem todo direito, de contestar, alegando que não seria a melhor forma de agir. Altamente respeitável esta ponderação, mas daí a supor que ele seja um idiota por causa disso além de ofensivo é desrespeitoso. Pode ser até que ele, realmente, ache excelente o trabalho executado por Muricy. Tenha acompanhado treinamentos. Sentido evolução. Como saber? 

Marcio Braga, do alto de sua experiência, alegou em entrevista que "falta comando" ao Flamengo. Ora, o que não falta é comando. Há Presidente, VP de Futebol. CEO, Diretor Executivo e Muricy, que não é nenhum aparvalhado e sabe muito bem exercer sua autoridade sem depender de dirigente de plantão. E na mesma entrevista, Marcio Braga faz uma elegia à administração arcaica que encheu o clube de dívidas e fez do Flamengo um clube com baixo prestígio para contratação, pois demorava a pagar os jogadores. OK. Foi o presidente mais vencedor. Mas hoje não temos, por exemplo, a  Lei do Passe que retinha jogador. Os direitos trabalhistas vão em cima. Não tínhamos o modelo de exportação ostensivo de jovens talentos para Europa. É outro tempo que precisa e requer organização e sustentabilidade para atrair talentos. O que devemos saber é se o dito comando é exercido com eficiência de forma a proporcionar que  o futebol possa apresentar boa performance em campo com o elenco disponível, e se não ocorre este resultado então pode haver, claro, algum problema nesta cadeia de fluxo de decisões e de informação. Mas problema não é ausência.

Para Muricy poder apresentar um bom resultado, deve ter disponibilidade de bons campos de treinamento, jogadores à disposição, com o melhor tipo de preparação fisiológica e logística, segurança financeira com remunerações em dia e elenco qualificado para poder exercer suas orientações táticas de forma mais adequada. Se o clube provê tudo isto, não se pode, mais uma vez, alegar falta de comando e sim, algum tipo de problema entre a comissão técnica e o elenco. Se o elenco não está performando as orientações do treinador deve o clube, então, poder repor  jogadores por outros. E isto ocorre hoje. Pode ser que falte na cadeia de fluxo de decisões um tipo determinado de comando, por exemplo, algum supervisor  como o saudoso Domingo Bosco, que faça um link entre elenco x técnico x diretoria. Isto é uma suposição apenas. Mas apostaria nela como plausível, por exemplo.

Enfim, o objetivo deste post é salientar que o Flamengo pode estar a caminho de uma boa performance no Brasileiro. As sombras percebidas na caverna de nossa limitação do conhecimento real, podem ser indícios de coisas positivas e não monstros somente. Há técnico, jogadores e condições para isto. Não se nota, ao menos nitidamente, insatisfação dos profissionais envolvidos, seja staff, comissão técnica ou jogadores. O Flamengo em 2016, efetivamente, fez começar bem uma pré-temporada. Há que se elogiar isto, como criticar que em campo, os resultados não foram bons. Paciência que a temporada mesmo, o campeonato que vale a pena ganhar, começa daqui a duas semanas. Espero que a derrota ao Vasco ao menos sirva para corrigir os problemas sérios constatados em campo que poderiam ser mascarados por uma vitória. E que daí advenha um período frutuoso em campo.

#PAZ


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Final que o melancólico Estadual merece


As três últimas derrotas do Flamengo, este ano, foram para clubes de divisões inferiores do futebol brasileiro: Confiança, Volta Redonda e Vasco, sendo que, no Estadual, o atraso, a decadência e a insolvência financeira a curto prazo venceram e decidiram o decadente certame do Rio de Janeiro nos dois próximos finais de semana. De fato, o histórico placar de 7 a 1 foi pouco, muito pouco;

O confronto com o Confiança trazia em si o consolo da segunda partida a ser realizada em nossos domínios, que resultou na natural classificação do Mais Querido para a próxima fase da Copa do Brasil. Nenhuma surpresa esse resultado final;

O jogo contra o Volta Redonda ainda oferecia gordura para recuperar nas rodadas seguintes do Estadual e a consequente recuperação ocorreu. Nada demais também;

Mas a semifinal contra o desmoralizado e igualmente decadente clube de São Januário era definitiva para as pretensões do Flamengo nas finais do inicialmente desprezado Campeonato do estado, mas vimos uma equipe com alguns jogadores destoando através de atuações dignas de peladas de várzea aos domingos, valendo churrasquinhos e caixas de cerveja;

Trata-se de uma extensão da pré-temporada que não vale mais nada, não leva a nenhum lugar, mas salva-se pelos clássicos entre si dos times da Primeira Divisão do Brasileirão e deles com o Vasco, que ganhou a taça no ano passado e, a seguir, foi merecidamente rebaixado pela terceira vez, em apenas oito anos, para a Série B com a qual tem grande intimidade graças à assiduidade com que a frequenta. Infelizmente, se a Copa do Brasil não fizer o favor de provocar um novo confronto, só nos encontraremos em 2017 por exclusiva incompetência deles;

Se por um lado é uma amostra do vergonhoso estágio atual do futebol tupiniquim, por outro é um forte indicativo de como andam dissociados a ótima gestão administrativo-financeira do Flamengo e o seu time dentro de campo; 

A começar pelo seu medíocre goleiro, Paulo Victor, incapaz de ver o seu nome como o melhor em campo em uma partida sequer. Um defensor de bolas previsíveis para qualquer camisa 1 de time pequeno. Enquanto isso, pagou-se R$ 4 milhões pelo Muralha para que ele assista os jogos de um lugar privilegiado, o banco de reservas; 

Há meses leio nas páginas deste Blog que a zaga formada por qualquer par que seja, escolhido pelo professor de plantão, é um convite aberto à penetração dos adversários, em especial e constantemente o zaqueiro Wallace, jogador voluntarioso, brioso, mas de uma pobreza técnica de fazer sentir saudade dos piores jogadores que já vestiram o manto e responsável por vários fracassos rubro-negros;

Não se trata de crucificar profissionais que procuram cumprir suas obrigações. O problema é relativo à constatação de suas deficiências técnicas, incompatíveis com objetivos que ultrapassam fronteiras regionais; 

E o que fez a diretoria foi contratar o veterano Juan no final de sua carreira. Definitivamente, apoio e continuarei a apoiar a atual gestão do clube, porém vamos combinar que o futebol passa longe do conhecimento dos seus componentes.

SRN!


Comments