
Olá,
Buteco
Nosso
Mengão já está em plena reta final da temporada de 2026 e, além
do cardápio de jogos ser bastante desafiador, precisa lidar com
obstáculos que aumentam a dificuldade para a conquista das taças.
Depois
de conseguir abrir três pontos sobre o Palmeiras no Brasileirão, o
Flamengo teve que enfrentar, logo de cara, o Santos na Vila Belmiro e
o Fluminense no Maraca, enquanto o suíno enfrentou Bahia e
Corinthians.
Prejudicado
pela má arbitragem, o Flamengo deixou dois pontos na Vila e, em
seguida, num jogo em que a maior parte das queixas contra a
arbitragem foi do Fluminense (eles sempre ganham da gente nesse
quesito), nosso Mengão conquistou uma vitória magra que nos
garantiu a manutenção da liderança, agora com apenas um ponto de
vantagem sobre o Palmeiras.
A
dureza vai continuar, daqui até o fim do ano, e já nos reserva,
para a próxima quinta, um jogo em La Plata, contra o sempre
aguerrido Estudiantes.
Além
do muito desafiador cardápio de jogos, identifico, como dificuldades
adicionais já conhecidas:
**
O desequilíbrio nas arbitragens (in
dubio contra reo);
**
A ausência do craque Arrascaeta;
**
A má fase do Pedro;
**
As vulnerabilidades do elenco (Falta de sorte, erros na formação do
elenco ou as duas coisas?)
In
dubio contra reo
Segundo
o ChatGPT, a expressão latina “in
dubio pro reo”
se explica como
“um
princípio fundamental do Direito Penal e Processual Penal. Significa
que, se o juiz ou o júri não tiver provas claras e seguras da culpa
do acusado, ele deve ser absolvido.”
A
dúvida sempre deve beneficiar o réu.
Quando
se trata de futebol brasileiro, porém, se o réu for o Flamengo, há
uma tendência de inversão do princípio e de entrar em cena o
critério “in
dubio contra reo”.
O
Flamengo foi muito prejudicado no jogo com o Santos.
Dois
pênaltis e uma expulsão condenados pela ampla maioria da mídia
esportiva, inclusive a paulista.
Apesar
de despertarem muita dúvida, as decisões foram contra o Flamengo,
mas onde está a novidade?
Só
mantendo um nível de eficiência muito mais alto do que seus rivais,
o Rubro-Negro consegue compensar os erros de arbitragem que têm
influído nos resultados das disputas nacionais nos últimos anos.
É
cruel e injusto com os jogadores rubro-negros termos que pensar
assim, mas concordo com o que disse o Gustavo no Esquenta do Fla-Flu:
“O
atleta de futebol do Flamengo precisa ter em mente que, para disputar
títulos e concretizar o "vencer, vencer, vencer", é
preciso jogar pensando no "erro zero". Uma utopia, mas ao
mesmo tempo um paradigma que reclama vigilância constante e jogar
duas decisões por semana. Foco total e ininterrupto.”
Cabe,
em paralelo e em caráter permanente, uma luta institucional contra
essa situação, mas ficarmos apenas na queixa contra arbitragens
prejudiciais ao Flamengo e favoráveis aos clubes que disputam
títulos conosco é muito pouco, pelo menos por enquanto.
Talvez
esse contexto melhore algum dia, mas, enquanto isso não acontece, o
atleta do Flamengo e a Comissão Técnica precisam estar ligados em
nível máximo, para minimizarem as oportunidades de prejuízos pelo
apito e as perdas de pontos que podem ser irrecuperáveis.
É
interessante observar que, no jogo de domingo, contra o Fluminense, a
grita do tricolor foi grande, exatamente porque o árbitro Klein
aplicou o princípio correto, “in dubio pro reo”, nos lances que
considerou duvidosos.
Mesmo
agindo assim, o juiz da partida cometeu erro gravíssimo contra o
Flamengo, ao permitir que o Fluminense concluísse um perigoso
contra-ataque no fim do jogo, na sequência do choque entre o goleiro
Fábio e o nosso zagueiro Danilo.
Com
o Danilo nocauteado, Fábio ligou um rápido contra-ataque que quase
terminou em gol, porque o time tricolor não adotou o fair play que
se impunha no lance e porque o árbitro não respeitou o protocolo
FIFA de socorro imediato ao jogador que havia sofrido forte pancada
na cabeça.
Destaco
dois aspectos relevantes, no lance:
**
A cabacice histórica do nosso time, que deve ter reclamado com o
juiz, mas não parou a jogada no meio de campo e permitiu que a bola
chegasse à nossa área, onde aconteceu a finalização, a partir do
exato lugar onde deveria estar o Danilo;
**
A decisão consciente do juiz Klein, pois a TV o mostrou olhando para
trás quando ele e o ataque tricolor atravessavam o meio de campo.
Felizmente
o Rossi conseguiu evitar o gol tricolor que nos tiraria dois pontos e
daria a liderança do Brasileirão ao Palmeiras.
Defendo
que, uma vez que a realidade é de erros graves frequentes contra o
Flamengo, o time precisa se preparar para lidar com ela da melhor
forma possível, apesar de reconhecer que é duro termos que conviver
com uma realidade adversa no campo da arbitragem.
É
a contragosto, então, que reafirmo a proposta de estoicismo, de que
falei recentemente: Responder com excelência à adversidade das
arbitragens, fazendo o nosso melhor e, para desgosto dos antis,
vencendo sempre que não sejamos impedidos por excesso de práticas
injustas.
A
ausência do craque Arrascaeta
A
amostragem inicial, contra Santos e Fluminense, indica que o Flamengo
está se virando razoavelmente na busca de compensação da ausência
do Arrasca, mas faltam muitos jogos e isso ainda pode pesar e ser
mais um item de exigência de superação dos jogadores.
Jardim,
que descobriu o Lino como ótima solução para substituições
eventuais do Arrasca, agora vai ter que se virar muito na rotação
de jogadores e no aproveitamento dos dois novos contratados, Freitas
e Valencia, porque eles vão ter que jogar.
A
má fase do Pedro
Acho
que vocês já conhecem bem como evoluíram as minhas opiniões a
respeito do nosso Nove Bolado, passando pela defesa inicial do
jogador, fase que durou muito, e gradativamente chegando ao estágio
atual de implicância e de pedido para que esquente o banco de
reservas.
Reconhecendo-me
como torcedor passional, hoje vou buscar referências em fontes mais
racionais para registrar visões diferentes da minha a respeito do
Pedro e, no caso, coincidentes na aprovação ao nosso atacante,
apesar da ausência de gols.
A
primeira referência é o treinador Leonardo Jardim, que disse na
entrevista após a vitória sobre o Fluminense:
“Quando
o Pedro é mais eficaz, a torcida xinga o treinador porque o tirou e,
quando é menos eficaz, a torcida xinga o jogador. O meu papel como
treinador é blindar o jogador, saber que ele tem outros papéis sem
ser a finalização, sem ser o gol, principalmente na fase de
construção.”
A
segunda referência é o ponderado jornalista Rodrigo Mattos, cuja
live pós-jogo de domingo eu assisti.
Nos
comentários da live, muitos seguidores do canal defenderam a
barração do Pedro, mas o Rodrigo fez uma ponderação coincidente
com a do Leonardo Jardim: ele concorda que o nosso nove está numa
fase ruim quanto à marcação de gols, mas discorda da hipótese de
banco, afirmando que ele vem jogando bem na construção das jogadas.
Ouvidas
essas ponderações, mantenho-me no “modo implicância” com o
pacote Pedro (virtudes e defeitos), mas opto pelo crédito de
confiança que Jardim e Rodrigo lhe dão porque, na qualidade de
torcedor interesseiro e volúvel, estou pronto a mudar de opinião e
dizer que nunca critiquei, se o nosso Nove Bolado voltar a balançar
as redes nessa sequência barra pesada que o Mengão vai ter que
enfrentar.
Afinal,
é forçoso reconhecer que, se o Pedro voltar a fazer gols, pode
ajudar muito na conquista dos nossos objetivos deste fim de temporada
e é nisso que eu estou focado.
Vai,
Pedro!!!
As
vulnerabilidades do elenco – Falta de sorte, erros na formação do
elenco ou as duas coisas?
Informou
o GE, após o jogo de domingo:
“Após
um choque com Fábio aos 45 minutos do segundo tempo na vitória do
Flamengo
por 1 a 0 sobre o Fluminense, neste domingo, no Maracanã, o zagueiro
Danilo foi encaminhado a um hospital. Ele realizou uma tomografia
computadorizada da face e do crânio, com o objetivo de descartar
possíveis lesões, mas teve constadas duas fraturas na mandíbula e
vai passar por cirurgia.”
“O
procedimento será realizado nesta segunda-feira no final da manhã.
Danilo, portanto, vai desfalcar o Fla nos próximos jogos. A previsão
inicial é de mais de um mês de recuperação, conforme apurou o ge.
Por isso, ele perde pelo menos os dois duelos da semifinal da
Libertadores, além dos confrontos com Bahia, Atlético-MG, Vasco e
Grêmio, a princípio.”
Não
bastassem as dificuldades normais impostas pelo afunilamento das
competições e pelo calendário difícil, perdemos o Danilo e
imagino que seu substituto será o João Victor, promessa da base com
pouquíssima experiência no time principal.
A
notícia é ruim, pela enorme diferença entre a valiosa experiência
do Danilo numa reta final de temporada e a inexperiência do seu
provável jovem substituto.
Há
falta de sorte, claro.
Afinal,
embora eu possa achar que o Fábio tinha como evitar um choque tão
violento (eu acho que tinha), acidentes acontecem no futebol e, como
neste caso, podem causar lesões sérias.
Só
que há também, a meu ver, erro de gestão na estruturação do
elenco do Flamengo: entendo que a necessidade de, numa reta final
dificílima, precisarmos substituir um dos principais líderes do
time por um garoto inexperiente depõe contra Leonardo Jardim, José
Boto e até contra o nosso loquaz presidente Bap.
No
post “Elenco
Curto, Calendário, Coringas”, de
24/04/26, escrevi:
Se
eu estiver certo nas minhas considerações, estamos atrasados em
prevenção para três posições, lateral direita, zagueiro e
volante, e os garotos escolhidos precisarão de alguma minutagem, em
coerência com o que defende o Jardim. Disse ele numa entrevista:
“Por
isso, de três em três jogos, de quatro em quatro, tem que ter uma
rotação, para que os jogadores que ficam mais tempo fora consigam
se apresentar na melhor forma.”
Depois,
no post Resenha a Varejo de 16/07/26, comentei:
Jardim
tem pedido um meia atacante e um ponta, mas as minhas prioridades
seriam um bom lateral esquerdo, mais confiável na função defensiva
do que o Beijinho, um centroavante e reposições para as saídas.
Então,
é isso.
Em
abril, eu pedi um zagueiro, ele não foi contratado e, mais
recentemente, o Flamengo recusou proposta pelo João Victor, deixando
claro que o clube aposta nele.
Beleza,
só que, descumprindo o seu discurso, Jardim nunca colocou o JV para
jogar, de
três em três jogos, de quatro em quatro,
para que ele pudesse ser opção confiável numa emergência como a
que agora se apresenta.
Opção
mais segura do que a escalação do João Victor poderia ser o
deslocamento do veterano Alex Sandro para a zaga, mas isso só seria
possível se tivéssemos contratado um lateral esquerdo mais
confiável do que o Sub-20 Johnny, algo que José Boto não fez.
Alex
Sandro também poderia der deslocado para a zaga se o Jardim fixasse
o Varela como opção para a lateral esquerda, mas isso exigiria que
o Daniel Sales, lateral direito da base, tivesse recebido minutagem
no time principal, algo que também não aconteceu.
Temos,
então, uma importante vulnerabilidade nesta reta final e,
diferentemente de outras posições onde o treinador tem opções de
rotação mais confiáveis, na zaga e na lateral esquerda temos menos
do que a conta do chá.
Vulnerabilidades
de elenco fazem parte do rol de variáveis que influem na conquista
das grandes taças.
Tomara
que, com inspiração e muita dedicação do treinador e dos
jogadores, nosso Mengão consiga superar suas vulnerabilidades atuais
e traga pra casa as grandes taças que está disputando nesta reta
final de 2026.
Saudações
Rubro-Negras!!!
Carlos César Ribeiro Batista