domingo, 21 de outubro de 2018

Paraná x Flamengo


Campeonato Brasileiro/2018 - Série A - 30ª Rodada

Paraná: Richard; Júnior, René Santos, Brayan e Igor; Jhony Lucas e Alex Santana; Mansur, Silvinho e David; Rafael Grampola. Técnico: Dado Cavalcanti.

FLAMENGO: César; ParáLéo Duarte, Réver e Renê; Cuéllar e Willian Arão; Everton Ribeiro, Lucas Paquetá e VitinhoUribe. Técnico: Dorival Júnior.

Data, Local e Horário: Domingo, 21 de Outubro de 2018, as 19:00h (USA ET 18:00h), no Estádio Durival Britto e Silva ou "Vila Capanema", em Curitiba/PR.

Arbitragem: Bráulio da Silva Machado, auxiliado pelos assistentes Kleber Lúcio Gil (FIFA) e Neuza Inês Back (FIFA), além do Quarto Árbitro Johnny Barros de Oliveira e dos Assistentes Adicionais 1 e 2 Edson da Silva e Evandro Tiago Bender, todos da Federação Catarinense de Futebol.

Pendurados: Diego Alves, Everton Ribeiro, Geuvânio, Marlos Moreno, Piris da Motta, Rodinei, Willian Arão e Vitinho.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Com Amor ao Mengo










Irmãos rubro-negros,



Domingo temos uma decisão. Vale título! O Flamengo está na disputa do título!

E esse deve ser o propósito do clube: ser campeão!

Tem de vencer no Paraná.

Para o Flamengo, só vale a vitória nos jogos desta reta final.

Só a vitória!


...



Lamento pelo momento político que vive o clube.

De um lado, uma diretoria que exalta o fracasso, relativiza o vexame e aplaude a derrota. Muitos bajuladores. Torcedores de diretoria.

De outro, uma oposição vazia de ideias e nomes. Quem vai tocar o futebol do Flamengo se o Rodolfo Landim for eleito? Quem será o técnico? Quem será o diretor-executivo?

Em relação à diretoria atual, já se sabe, eles não vão mexer. Esperaram o time ser eliminado da Libertadores, da Copa do Brasil e estar em quinto no Campeonato Brasileiro, para mudar a comissão técnica.

Mas e em relação ao Landim? Quem serão os responsáveis pelo futebol do clube? 

São informações importantes.


...



Avante Mengão! 





...



Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Gangrenando

Política nacional em conflito. Acusações de "istas" para cá, "istas" para lá, o que, certamente, agrada ao(s) lado(s) sem proposta alguma que não seja atacar o adversário e "esquecer" que a população precisa saber como e com quem irá conduzir a sua gestão de 4 longos anos (na maioria dos casos). O ganha-voto pela negação do outro. A tática do espantalho. O voto pelo anti. Isto não me representa. Isto não sou eu. Aquele é o mau. Este não é bom mas não é o mau. O desastre apocalíptico está do outro lado da calçada. Eles dizem. Enquanto isto, a população inteira, como sapos sendo cozinhados lentamente sem perceber, já no desastre apocalíptico, com enormes problemas de desemprego, de saúde, de segurança, de ordem jurídica, enfim, de tudo.

E temos a política do clube. Rasteiras, acusações de falta de propostas e falta de nomes aparecem aqui e ali. Novamente a tática do espantalho servirá magicamente para um lado ou outro. Vota-se pelo medo e não engajamento. Que chapa realmente reúne condições de levar o Flamengo adiante? Que chapa reúne nomes e proposições para isto? Porque existe um Flamengo HOJE. E existe o Flamengo de AMANHÃ. Este Flamengo de AMANHÃ tem que ser melhor que o Flamengo de HOJE. Se piorar seria um desastre. Estragaria anos de trabalho intenso. E isto já ocorreu antes no clube. Flamengo dos anos 80 imbatível, administrativamente era muito bem visto, esportivamente idem, porém, más escolhas eleitorais degringolaram em um Flamengo apocalíptico do início deste século. Votamos na esperança de melhorar, a não ser que sejamos masoquistas, o que, creio, não seja o caso da maioria das pessoas.

Enfim, em meio a este stress político eleitoral, em que nosso país certamente será outro pós-eleição, qualquer que seja o resultado, com o surgimento de grupos agora mais fortemente antagônicos, espero que o bom senso prevaleça no associado que irá votar, que analise bem nomes e propostas, tire suas dúvidas, se houver,  em eventos das campanhas fora ou dentro do clube, e vote com razão e esperança de um Flamengo melhor ainda, na candidatura que optar, e que esta não seja objeto de rasteira daqueles com poder que desrespeitem a livre escolha dos associados de votar.



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Alfarrábios do Melo


Afrouxa a gravata.

Já vislumbra o mortal relaxamento proporcionado por uma tépida ducha, o lasso abandono de ser arremessado à tenra pele da poltrona que parece clamar por um abraço, e o descontraído, quase leviano dedilhar no controle remoto à escolha despojada de alguma série ou filme que o entreterá, enquanto tem à disposição, para sorver sem pressa, o aveludado néctar escocês que se esgueira entre as pequenas geleiras erigidas dentro do robusto copo que repousa ao seu alcance. Enfim, o merecido descanso.

O alarido rebenta aos tropicões, invadindo a sala em gritos que arfam e ventam pra longe qualquer perspectiva de repouso imediato. Sem sequer chegar a desabotoar a camisa, já se percebe envolto por aquela enérgica fúria própria dos adolescentes.

- Paiê, paiê, você precisa me ajudar!

- O que houve agora?

- O Vicente, pai! Ele falou uns negócios lá que eu não entendi direito.

E explica mais ou menos, com palavras meio que tropeçadas, meio que esbarradas, mas que conseguem remeter ao que exatamente o colega do filho quis dizer. Respira fundo, suspira o ar resignado de quem constata que o uísque terá que esperar um pouco.

- Filho, esse Vicente é tricolor igual ao tal Tavinho?

- Não. Vascaíno.

- Tinha certeza. Mas vamos lá. Vou logo avisando que esse assunto é espinhoso e chato. E outra. O que eu sei é o que saiu em jornal e revista. É coisa de bastidores e tal. Tem certeza que quer mesmo saber?

- Quero. Quero calar a boca do Vicente.

- Ok. Então senta aí. Tudo começa quando chega perto da época da eleição.

- Ihhhh… Política… (torce o nariz)

- Eu avisei. Agora fica quieto. Então, chega a época da eleição. Acontece que o Presidente já havia prometido que iria apoiar o cara do Conselho para ser seu candidato de Situação. Mas, na hora da coisa se definir, o vento passou a ventar de outro jeito e o arranjo teve que ser desfeito. E o Presidente passou a dar aval pra outro.

- Eita. Tipo House of Cards?

- É. Quase isso. Evidentemente, o cara do Conselho não gostou nadinha da novidade. E, como você deve saber, o pior inimigo é o ex-amigo.

- Faz sentido.

- E com isso o Conselho, que era aliado do Presidente, começou a fazer oposição. Nas maiores e menores coisas. Tipo picuinha mesmo.

- Essa parte já entendi. Só não sei onde isso vai chegar.

- Tenha calma. Vocês são muito agoniados. Antes de seguir, preciso lhe explicar uma coisa. Normalmente, em toda organização que lida com dinheiro, as despesas precisam ser comprovadas. É o que se chama de prestação de contas.

- Sim. Lá no grêmio da escola tem isso.

- Pois é. Só que esse processo normalmente envolve uma burocracia, tem autorização, tem tramitação de documento, essas coisas. E muitas vezes é preciso fazer uma despesa rápida, comprar uma passagem, resolver um imprevisto, essas coisas. Então, para esses casos a exigência de formalidades é menor. E no Flamengo havia, na época, um mecanismo desses, o que era normal. O Dirigente, dependendo do cargo, podia avalizar uma despesa sem comprovação, assinando apenas uma espécie de vale. Com aquilo, o gasto estava coberto, sem precisar de nota etc.

- Hum…

- Pois. O cara do Conselho descobriu que havia uma ressalva importante num relatório fiscal, justamente por causa de um desses vales. Pelo que falaram no jornal, parece que o vale era de um valor mais alto que o normal.

- Imagino que ele tenha feito um inferno com isso.

- Exatamente. Convocou uma reunião e exigiu explicações, avisou que iria recomendar a reprovação das contas, e coisa e tal. Como você deve imaginar, foi uma reunião com dedo na cara, cadeira voando, troca de amabilidades, filho disso, filho da quilo, enfim.

- Tipo como tá o twitter hoje em dia.

- É, só que presencial (risos). Continuando, a questão é que havia a tal lacuna, e com a pressão criada a Situação precisaria se explicar. Lembre que era ano de eleição, e ânimos inflamados poderiam desaguar em resultados imprevisíveis.

- Hum… Interessante. E como a Situação saiu dessa sinuca?

- Aí é que está o caso. Não saiu. Na verdade, tentou remendar da pior forma possível.

- Acho que estou alcançando.

- Pois é. Instruídos sabe-se lá por quem, alguns conselheiros ligados à Situação começaram a espalhar a história de que os tais vales haviam sido emitidos a título de “Despesas com a Decisão”. Como você sabe, fomos campeões naquele ano. Segundo esses conselheiros, seriam gastos para evitar que o rival subornasse arbitragens. Outros insinuaram algo ainda mais amplo, envolvendo jogos contra times menores.

- Inacreditável! Como alguém torna público uma sandice dessas?

- Justamente para que não se torne público.

- Oi?

- Veja. Qual foi a ideia do “gênio” que inventou esse delírio: criar uma “verdade” constrangedora, fazendo com que o assunto fosse abafado ali mesmo no Conselho. Afinal, se isso vazasse, o dano à imagem do clube seria devastador. Ou seja, a Situação cria uma história tão pesada que o assunto morre “nas internas” e acaba esquecido.

- Só que deu tudo errado.

- Lógico. O Conselho deixou vazar tudo pros jornais, que, evidentemente, deitaram e rolaram com a “revelação” e, mesmo sem nenhuma prova, esparramaram em páginas e páginas.

- Mas que m…

- A coisa logo saiu de proporção. Criou-se um escândalo que durou semanas. Teóricos da conspiração criavam as mais lisérgicas elocubrações. Os rivais, especialmente os vascaínos, que foram os vices naquele ano (como se fosse novidade), grasnavam como gansos. Algo tinha que ser feito.

- Caramba, que confusão…

- Depois de dias de silêncio, o Presidente resolveu dar a versão oficial. Admitiu ter usado o dinheiro para incentivar times menores a “endurecer” jogos contra os grandes. Prática que se sabia recorrente, mas não menos reprovável. E que hoje, inclusive, é oficialmente ilícita.

- Isso resolveu o problema?

- Mais ou menos. A explicação meio que esfriou o assunto na imprensa, mas internamente o clube seguiu em chamas. O Conselho não aceitou a versão do Presidente e exigiu devolução do dinheiro. Pressionado e diante da perspectiva da abertura de um processo de destituição, ele acabou ressarcindo o valor aos cofres do clube, colocando assim ponto final na questão.

- E no fim das contas como essa história terminou?

- Bem, o Presidente não conseguiu eleger seu sucessor. O cara do Conselho também acabou, com o tempo, perdendo relevância. A crise acabou fazendo emergir uma espécie de candidatura “de consenso”, na figura de um antigo cacique político. Ah, o TJD indiciou o Presidente, houve um julgamento, mas ele acabou absolvido. Por unanimidade.

- E o Flamengo nisso tudo?

- Ora, aquilo acabou com o ano do time. O Flamengo estava em alta, tinha acabado de ser campeão, era líder do seu grupo no Brasileiro. A confusão arrebentou com a moral do elenco, teve jogador se dizendo com vergonha de sair na rua, o clima no vestiário azedou, o time começou a cair pelas tabelas e por pouco não perdeu a vaga pra fase seguinte.

- Mas aquele campeonato que o Flamengo ganhou. Teve alguma coisa estranha?

- Teve nada. O time foi ajudado em alguns jogos (“recebeu” um pênalti escandaloso contra o Goytacaz, por exemplo), foi prejudicado em outros (perdeu um jogo pro Botafogo com um gol irregular no último minuto), enfim. Coisas que acontecem em qualquer campeonato.

- Mas o Vasco chora aquela final.

- Vasco sempre chora qualquer coisa que perde pra gente. Sempre. Desde o Valido. Final da Taça Guanabara eles ganharam e teve um gol nosso mal anulado. Na Taça Rio eles chiaram de um pênalti que o zagueiro deles meteu a mão na bola. Na Final em si, nós reclamamos de um pênalti no primeiro jogo, eles de um pênalti no último, ambos não marcados. Fora isso, nada de mais. Nada de nada. Inclusive repetiram o árbitro em dois jogos, porque foi elogiado. O que torna mais delirante essa coisa toda.

- Tá certo. Tá tudo muito bom, tudo muito bem. Só faltou explicar uma última coisa.

- Achei que tinha falado tudo.

- Não. Afinal de contas, o tal dinheiro foi parar onde?

- Isso eu não vou dizer. Porque não sei. Saíram coisas no jornal. Afirmações, desmentidos, enfim. A questão é que a despesa não precisava comprovar. Então o erro está aí. Na falta de limite. Fora isso, não é responsável ficar alimentando especulação.

- Pois é. Mas acabou que o grande prejudicado de tudo isso foi o Flamengo.

- Exatamente. O Flamengo teve quase manchado um título conquistado limpamente no campo, o time perdeu rendimento, a imagem da marca foi inapelavelmente arranhada, tanto que até hoje alguém nos aporrinha com essa história. Como aliás você acabou de perceber.

- Quer dizer que tudo isso aconteceu por causa de uma briga política.

- Perfeito. Você entendeu. E aprenda uma coisa. Quando a coisa envolve política e poder, o interesse da instituição só é relevante até a página 2. É cru, é triste, é deprimente. Mas é o que é.

- Tá bom, pai. Valeu. E eu falo o que pro Vicente?

- Você sabe se virar. Vascaíno adora pagar de vestal, mas em bastidores e política? Não dá, né?

- Beleza. É, ele não vai se criar, não.

Vê o filho sair, pensativo. Mas não se arrepende da “aula” de realpolitik que acaba de ministrar. Às vezes é importante mostrar às pessoas que o fervor por certos ideais acaba por se tornar nocivo. Mas, de qualquer forma, algo parece agora lhe martelar à cabeça. Zumbir à mente. E, enquanto enfim toma o rumo do banho, vai balbuciando, como que absorto.

“O Flamengo… No fim quem se ferra é o Flamengo… Só o Flamengo...”



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Sobrevida


SRN, Buteco.

Depois de um longo período de inatividade, onde se perdeu quase todos os campeonatos disputados no ano, a mística rubro negra deu sinais de vida.

Fraco, mas deu .Como aquela folhinha verde que cresce em meio a uma planta seca.

O elemento causador foi a óbvia mudança de treinador, algo que foi adiado pelos próceres 
mandatários até beirar a barreira da sanidade mental.

Com pouca mudança de nomes no time, um pouco mais de interesse dos jogadores e uma reorganização das peças em campo, conseguimos ao menos recuperar competitividade e disputar de fato o torneio.

Ainda não há como confiar nesse time, nesse elenco, nesse gestão. São especialistas em por tudo a 
perder mesmo nas mais favoráveis condições.

Mas é um alivio que, depois de tanto tempo discutindo falhas e incompetências , possamos ao menos acompanhar os jogos restantes com algum interesse e até esperança.

O time, em campo, aumentou o nível das atuações. Não empolga, continua um pouco lento .

Porém, agora consegue criar mais situações de gol, graças a uma bem vinda variação tática onde Arão (Sim, ele mesmo...) ajuda em jogadas pelo lado direito direito com Everton Ribeiro e Pará, e Paqueta faz o mesmo pelo lado esquerdo com Vitinho e Rene.

Nada muito elaborado, nem revolucionário, mas é uma formato que o time já usou em outras ocasiões e parece se adaptar bem ao que temos hoje, em termos de opções de grupo.

Enfim, nos resta torcer para que mantenham o ritmo e que tenham um mínimo de foco nos jogos restantes.

Temos nas próximas rodadas jogos contra Paraná , São Paulo e Palmeiras.

Esse ultimo, uma decisão, na prática.

Resta apoiar e torcer.




segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Início e o Desafio de Dorival


Salve, Buteco! Em duas partidas sob o comando de Dorival, o Flamengo meteu dois 3x0 nos clássicos disputados contra Corinthians e Fluminense. É bem verdade que nenhum dos dois anda bem das pernas, mas são dignas de nota a maior derrota dos “Gambás” na história de seu novo estádio (“Itaquerão”) e a ampla superioridade demonstrada nos noventa minutos do Fla-Flu. Afinal de contas, Corinthians e Fluminense pouco perderam por diferença de três gols nesse campeonato. O Corinthians, apenas para o Flamengo; o Fluminense, nas 11ª e 18ª rodadas, para Atlético/MG (2x5/Independência) e Internacional (0x3/Maracanã), equipes que disputam respectivamente o G4 e o título. Concretamente, o Flamengo de Dorival é muito mais dinâmico, intenso, seguro (“compacto”) e efetivo do que o de Barbieri. Mas qual seria o motivo? Seria somente porque passou a disputar uma única competição, após as eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil?

Vejam bem, eu mesmo cansei de alertar que o time não suportaria uma maratona de jogos como a de julho a setembro, cujo ápice foi em agosto, sem rodar o elenco. Também previ um aumento de produção do time disputando apenas uma competição, mesmo que continuasse a ser dirigido por Maurício Barbieri. O próprio Barbieri declarou, após sua demissão, que a decisão de disputar a maratona basicamente com o time titular foi “institucional” e que “veio de cima”. Sem a menor sombra de dúvida, Dorival herdou um contexto diferente, a começar pelo Departamento de Futebol pressionado por fortes cobranças internas, da torcida e da imprensa esportiva. Por isso mesmo, dizem (o tempo haverá de confirmar ou não), começa com uma liberdade que o antecessor jamais teve. É que, no mínimo, a famosa “panela” perdeu muito espaço para dar as cartas e os dirigentes estão desesperados por um título antes que o segundo mandato bananista se encerre.

Mesmo fazendo todas as ressalvas em relação às diferenças para o contexto enfrentado pelo sucessor, Dorival, com sua experiência, parece lidar muito melhor com o plano concreto do que Barbieri e suas abstrações. Elejo o centroavante Fernando Uribe como melhor exemplo. Neste vídeo, que compila todos os 61 (sessenta e um) gols marcados por Uribe pelo Toluca em competições mexicanas e internacionais, podemos constatar que o "cruzamento invertido" ou "de pé-trocado", igual ao feito por Vitinho na jogada do primeiro gol no sábado, funcionou como assistência para o colombiano por pelo menos seis vezes: 06'07'' (Puebla), 08'19'' (San Lorenzo), 12'37'' (Puebla), 25'21'' (Tijuana), 27'11'' (Santos Laguna) e 27'47'' (Santos Laguna). O vídeo traz muitos outros tipos de jogada (cruzamentos ou não) que funcionam muito bem para Uribe finalizar, mas quis ressaltar apenas o que deu certo no sábado, que nem foi o mais utilizado pelo Toluca para acionar o colombiano.

A razão é simples: diferentemente de Vitinho, Uribe chegou ao Flamengo e foi apresentado no dia 27 de junho de 2018. Lembrando que o Flamengo só voltou a jogar após o término da Copa do Mundo, pela 13ª Rodada do Brasileiro, no último 18 de julho, parece-me muito justo questionar como Barbieri aproveitou todo esse tempo para entrosar o colombiano com o time titular do Flamengo. Será que passou pela cabeça do novato treinador fazer o simples, tipo assistir ao vídeo e tentar repetir as jogadas que dão certo com o novo reforço, ou seria pedir demais de alguém tão culto e estudioso?

Provavelmente faltou a Maurício Barbieri autoridade para se impor ao grupo, o que apenas evidencia ainda mais o erro em sua escolha para dirigir o Flamengo no pós-Copa.

***

É claro que outros fatores também pesam. Não tenho a pretensão de detectar todos eles. Dos que são visíveis a qualquer observador externo (meu caso), é evidente que o time se acertou dentro de campo com Arão e Uribe e sem Diego e sua vã tentativa de armar o jogo recuado. Um 4-2-3-1 diferente do que tínhamos em 2017, com Vitinho no lugar de Everton Cardoso e Lucas Paquetá no de Diego.

E agora, Dorival?

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Barbas de molho e pés-no-chão. O Palmeiras, favorito ao título, parece ter mesmo dois times fortes em seu elenco e até aqui não sentiu as competições simultâneas. Além disso, sem descartar que eu esteja sofrendo da "Síndrome da Grama Mais Verde do Vizinho", a tabela da reta final do Brasileiro parece lhe favorecer em relação ao Flamengo, pois enfrentará em sequência um maior número de adversários do "baixo-clero".

A sequência mais dura do Palmeiras [Ceará (c), Flamengo (f) Santos (c) e Atlético/MG (f)] será alternada com as as partidas da semifinal da Libertadores contra o Boca Juniors. Classificando-se para a final, serão três semanas de alternância entre o Brasileiro e Libertadores, até a partida contra o Galo em Belo Horizonte. Em seguida, começará a sequência favorável da tabela: Fluminense (c), talvez com a cabeça na Sula, Paraná (f), América/MG (c), Vasco da Gama (f) e Vitória (c). Entre 33ª (Atlético/MG) e a 37ª Rodada, quando jogará em São Januário, o Palmeiras enfrentará Fluminense, Paraná e América/MG sem intercalar jogos pela Libertadores, partindo do pressuposto que chegará à final. Não chegando, a partir da 33ª Rodada se concentrará apenas no Brasileiro, o que em tese representa um cenário ainda pior para o Flamengo.

Mas nem tudo é revés para o Mais Querido: comparando o pós-Copa palestrino ao rubro-negro, faço coro com quem destaca que enfrentar Cerro Porteño e Colo Colo na Libertadores não é o mesmo que bater de frente com Grêmio e Cruzeiro por três competições distintas em curto espaço de tempo. Logo, não é absurdo imaginar uma queda de rendimento do Palmeiras após o primeiro confronto contra o Boca Juniors (Flamengo/31ª Rodada), lembrando que o Ceará (30ª Rodada) é um visitante traiçoeiro. Ao mesmo tempo, parece-me claro que o Flamengo tem até a 33ª Rodada para ultrapassar o rival e abrir vantagem. Se não conseguir até lá, a tendência é de que o título fique mais distante.

No caminho para o sonho do título, o Mais Querido terá mais jogos de grande porte do que o concorrente direto: Paraná (f), Palmeiras (c), São Paulo (f), Botafogo (f), Santos (c), Sport (f), Grêmio (c), Cruzeiro (f) e Atlético/PR (f). Durante a sequência menos favorável ao Palmeiras, além do confronto direto, o Mais Querido enfrentará Paraná, São Paulo e Botafogo. Como se pode perceber,  vencer o tricolor paulista no Morumbi, em seguida ao confronto direto contra o Palmeiras no Maracanã, é a única opção. Ou seja, tem que fazer fila e vencer os dois grandes paulistas  que disputam o título na mesma semana, um depois do outro.

O futebol talvez seja o esporte com mais variáveis e, portanto, minha opinião não passa de uma mera avaliação isolada de cenário, que pode perfeitamente se desfazer por completo diante de resultados totalmente diferentes. Todavia, hoje, pesando tudo na balança, parece-me inegável que o Flamengo de Dorival Júnior tem a sua frente um desafio gigantesco, já que, para ser campeão brasileiro, precisará subir muito o rendimento nos jogos "grandes", inclusive como visitante, e ainda não tropeçar nos desesperados. Se contar com tropeços do adversário, periga repetir 2016 e não 2009.

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A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

sábado, 13 de outubro de 2018

Triplex Top Ten

@alextriplex

1 - Como não correr errado: Em alguma mídia social li uma crítica de um ex-professor dizendo "comigo eles não corriam assim". Concordo discordando, professor. O time voltou a correr certo, com um ou dois ajustes do Lourival (macaco velho, não chegou cagando regra tampouco com fórmulas mágicas). Paquetá mais na frente - o que a torcida do Flamengo pedia, mas quem mandava não enxergava, Everton Ribeiro mais solto (falaremos dele em algum tópico) e um time que resolveu chutar mais a gol, sem medinho de ouvir reclamações.

2 - Tentemos, pois: Sim, tentemos. O estilo cercalourencense do Flamengo já criara um grau de irritação monstruoso na torcida. Bola pra cá, bola pra lá, e nada de chutar a gol. E sei lá o que o Percival falou no vestiário, mas o fato é que todo mundo resolveu soltar a pombagira interna pra meter bicuda pro gol. Resultado dessa brincadeira, 6 gols em 2 jogos. Não dá pra reclamar.

3 - Lirou Vitor: Ainda é cedo pra criar aquela esperança que mora dentro de todo elemento fechado com o certo. Mas é pontual a melhora do nosso russo, que ganhou confiança começou a mostrar seu valor. E, como disse no 1, sem medinho de ouvir esporro por ter chutado 356 vezes a gol e todas irem na arquibancada. A hora dele vai chegar.

4 - Arão: Pois é, o cara encontrou o "futebol dele" novamente, e tem sido muito útil naquela faixa entre as intermediárias. É quase um Rappi10, recebe as paradas e entrega pra quem manda, e foi mais uma vez importante nesse embate contra os bambis cariocas. Mas sou cruel: ainda me preocupa o ar blasé dele, tem horas que parece desligar da humanidade.

5 - Uribe: Será? Vamos aguardar. Mas fico feliz por ter reencontrado as redes adversárias.

6 - Everton Ribeiro: Não se trata de implicância com o Diego. Mas sem ele o nosso 7 solta mais seu jogo, é mais criativo, e consequentemente mais letal. Eu sou fã dele faz muito tempo, por sua inteligência, qualidade no passe e no chute. Só REALMENTE não entendo uma coisa: why th´a hell ele não bate umas faltas de vez em quando? Ele sabe, e nós sabemos que ele sabe.

7 - Paquetá: Como era esperado, vai embora mesmo. Já foi um milagre não ir no começo do ano. Então, vamos parar de babaquice e deixar o moleque jogar. Vamos deixar ele fazer o que sabe, pois ele também cresceu de produção, naturalmente por estar mais perto do gol, e é certo que vai querer deixar um título de recordação. Deixem o menino correr.

8 - Tio Dodô: Me parece aqueles mecânicos que ajustam carros. Pegou um carro meia bomba, carburador com a tampa frouxa, freio de mão puxado, acelerador emperrado. Chave de fenda daqui, chave inglesa ali, e houve uma melhora substancial. Vamos ver agora, que o Flamengo vem pra Curitiba, e ele vai ter que tirar esse ranço danado de visitas à cidade que moro. Espero, do fundo do coração, que a sequência sem vitórias do Paraná Clube não termine justo contra a gente.

9 - César: foi quem esperamos que ele seja. Um goleiro maluco que faz defesas improváveis. Torço muito pra que ele cresça cada vez mais.

10 - DCF: Nego não sabe com quem tá brincando, né? Nos jogaram pra sexto lugar, e começamos a fazer como cachorro quando encontra outro cachorro: cheirar a bunda alheia. E se deixar chegar...

E nada mais digo.