sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Notas Rubro-Negras






Irmãos rubro-negros,


parece que o Flamengo realmente tem se esforçado para mudar a mentalidade que durante anos contaminou o ambiente do clube. 

Decerto é muito cedo para que se avalie adequadamente este início de trabalho do Muricy e da diretoria reeleita.

O ano, porém, começou com boas notícias, como a aquisição de tecnologia de ponta para assessoramento do trabalho da comissão técnica e dos atletas; a construção do Centro de Treinamento dos profissionais; e, pasmem, o ritmo de treinos desenvolvido em pleno carnaval. Inacreditável.

Existem, ainda, algumas indagações a merecer resposta, como a contratação de um ou dois zagueiros, os patrocínios não fechados e a definição do estádio para o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.

Aliás, essa questão do estádio foi alvo de um comentário bastante assertivo do Muricy, que opinou favoravelmente a que o clube decida logo por uma casa, mesmo que seja em Volta Redonda.






Eu acredito que o ideal seria um estádio na Gávea ou na Ilha.

A Gávea já tem quase toda a estrutura: campo em excelente condições e vestiários de qualidade, restando apenas subir as arquibancadas que receberão adequadamente o povo rubro-negro.

Além do nosso primeiro Tricampeonato Carioca (1942-43-44) ter sido conquistado na Gávea, com mais de quarenta mil presentes, eu mesmo já assisti a vários jogos lá, com ótimas lembranças.

Se, contudo, não for possível, que se escolha a Ilha do Governador, Volta Redonda, Juiz de Fora ou uma cidade próxima do Rio de Janeiro.

Isso não impede, evidentemente, que o clube aufira boas receitas em partidas esporádicas, a serem disputadas em outras praças.

Mas a definição de uma casa é muito importante do ponto de vista do ganho esportivo.



...

Gostei bastante da intensidade demonstrada no jogo contra a Portuguesa. 

O time atuou em ritmo forte durante praticamente a partida inteira, fato raro sobretudo diante de adversários fracos, como foi o caso. Em regra, em jogos desse tipo, o time, quando não enfrenta sérias dificuldades ofensivas, faz um ou dois gols e logo diminui o ímpeto, cozinhando o jogo, o adversário e a paciência do torcedor rubro-negro.

Quarta-feira passada, porém, a equipe manteve o ritmo forte e agressivo. Foi um jogo agradável de se torcer. 



...

E agora o Flamengo enfrentará uma sequência mais forte, em que jogará com Vasco, América-MG e Fluminense.

Sobre o jogo de domingo, contra o Vasco, não se sabe sequer se a partida ocorrerá, em mais uma palhaçada deste circo em que a Ferj transformou o Campeonato Carioca.

O Flamengo, se houver jogo, vai encarar um adversário hostil, o qual, instigado pela diretoria e pelo técnico, pratica um futebol covarde, violento e apelativo. E que certamente contará com a complacência da arbitragem.

O campeonato é um vexame do início ao fim. O time do vice já teve uma sequência pornográfica de pênaltis roubados.

Estão na Segunda Divisão pela terceira vez desde 2008.

Além de tudo isso, disputarão todos os clássicos em casa, fornecendo apenas 10% dos ingressos para a torcida rival.

É ou não é um certame à altura da Ferjesterco?

Se o jogo, portanto, for confirmado, o que não ocorreu até o fechamento deste post (22h da noite de quinta-feira), ao Flamengo só restará uma alternativa: jogar para vencer. Somos Flamengo e o nosso hino determina: vencer, vencer, vencer. Além disso, o adversário tem se comportado como um clube medíocre, dentro e fora de campo, esportiva e moralmente.

Que fora de campo tudo transcorra em paz e que, dentro dele, o Flamengo conquiste uma vitória histórica.

Uma vitória com alma rubro-negra.



...

Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Flamengo 5 x 0 Portuguesa da Ilha - Pós jogo

No campeonato de baixíssimo nível da FERJ, tanto na qualidade técnica dos participantes como na qualidade das arbitragens, o Flamengo sapecou uma goleada de 5 x 0 no inacreditável time da Portuguesa carioca no sentido de tão precário a ponto de causar pena.

No primeiro tempo o Flamengo pecou demais na armação das jogadas consequência direta da falta de movimentação adequada para dar condições de passe. Várias vezes via-se jogadores avançando pelo meio, conduzindo a bola, sem que ninguém se apresentasse. Embora Mancuello, em sua estréia no triste campeonato, procurasse jogo com deslocamentos pela lateral esquerda, o que de certa forma limitou seu volume de jogo. Muricy optou por Sheik por ali, fazendo o ataque apresentar sempre um bom volume no campo adversário, com Mancuello na esquerda, Sheik, girando pelo meio, Guerrero, mais centralizado e Cirino na direita. Rodinei se apresentou razoavelmente bem pela direita e Jorge um pouco mais tímido pela esquerda. No meio de campo, Marcio Araujo fazia passes curtos atrás, não comprometedores mas mantendo a bola em movimento. E Arão tentava fazer o encaixe do meio de campo com o ataque. Portuguesa, um time fraquíssimo, enquanto teve fôlego dificultou a troca de passes.

Flamengo arrumou um pênalti a la Vasco. A bola bateu na mão do zagueiro da Portuguesa de forma totalmente involuntária. Sheik isolou o pênalti. No que seria a tônica da maioria das finalizações do Flamengo durante o jogo. E depois um belo gol do Guerrero complementado com um gol do Arão. Flamengo foi com o 2 x 0 pro vestiário, sem fazer grandes esforços nem necessariamente jogar bem;

Enfim, vitória parcial. Flamengo jogando de forma suficiente mas sem aquela "fome" de golear que caracteriza times mais prolixos e vencedores. 

No segundo tempo o meio de campo da Portuguesa foi abduzido e sumiu. Não teve mais ninguém no setor. Técnico recuou todo o time e foi a vez do Arão avançar de vez. Sheik aparentemente achou sua melhor posição e fez belas jogadas de ataque, com bons passes. Arão, com boa visão de jogo, distribuía bem pela frente. E fez o terceiro gol. Logo em seguida a Portuguesa entrou em crise e teve dois jogadores expulsos. Um coitado da linha lá qualquer teve que entrar no gol. Sofreu um gol de penalti do Sheik. Desta vez chutou rasteiro. E sofreu um gol do Rodinei, em que, miraculosamente, alguém chutou de longe e com precisão para a meta adversária. Flamengo cansou de isolar a bola, arrematando com incrível desleixo, algumas vezes, no que poderia se tornar uma goleada histórica. 

No final, Flamengo ganhou, ok. De 5 a 0. Oba. Tivemos uma boa estréia do Mancuello, embora me pareça que cansou no segundo tempo. E mais um bom jogo do Arão. Muitos erros ainda para corrigir. Tivemos ainda (mais) um incrível erro de posicionamento em bola cruzada na área do Flamengo, que quase causou o gol da Portuguesa com 8 jogadores na linha. Wallace longe desta vez. Ele sempre está posicionado errado neste tipo de lance. PV fez bela defesa. Talvez a única que fez em todo jogo.

Jogar contra time tão fraco só serve mais como treinamento. Fica difícil até avaliar maiores avanços ou problemas do time. Os próprios jogadores, acho eu, não jogam com a mesma firmeza que contra times melhores. Mas como penso no Flamengo, neste estágio do carioquinha, como em estado de preparação para o Brasileiro, então mais que me felicitar com vitórias ainda que obrigatórias tal o nível de certos adversários, procuro perceber o equilibro entre setores, movimentação, posicionamento e transição. E nisto o Flamengo ainda tem um longo trabalho pela frente. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Portuguesa x Flamengo


Campeonato Estadual - Taça Guanabara - 3ª Rodada

Portuguesa - Márcio; Belarmino, Pessanha, Allan Miguel e Diego Maia; Silvano, Cássio, Victor Hugo e Alex Carioca; Rafael Paty e Allan. Técnico - Gaúcho.

FLAMENGOPaulVictor; Rodinei, Wallace, JuaJorgeMárcio Araújo, WilliaArão MancuelloMarcelo CirinoGuerrero e Emerson Sheik. Técnico: Muricy Ramalho.

Data, Local e Horário: Quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016, as 21:45h (BSB/Horário Brasileiro de Verão) (USET 18:45h), no Estádio General Sylvio Raulino de Oliveira ou "Estádio da Cidadania" ou "Raulino de Oliveira", em Volta Redonda/RJ.

Arbitragem - Phillip Georg Bennett, auxiliado por Rodrigo Figueiredo e Thiago Henrique Neto Corrêa, todos do RJ.



Triste realidade

Na terra arrasada, na qual os coveiros do futebol escavam o fundo do poço em busca do pré-sal da mediocridade, persistir no erro com afinco é tão natural quanto um carnaval entrar rapidamente no vácuo do anterior, elegendo seus campeões e rainhas;

Há dois anos eles marcaram um jogo do Flamengo com o Bonsucesso para uma sonolenta e chuvosa quarta-feira de cinzas como a de hoje e o resultado da estultícia foi representado por 375 torcedores em Volta Redonda, onde o Mais Querido volta a jogar desta vez contra os donos da casa;

Uma vergonha sequer admitida no campeonato de futebol da Praia de Copacabana, nas tardes de sábados, mas nada disso abala os eternos detentores do poder nas federações tupiniquins e na CBF. Pelo menos por enquanto...

Urge uma "Gestão Azul" na administração dessas entidades que objetivam desmoralizar o futebol brasileiro, não satisfeitos em assinarem embaixo do maior vexame vivido numa Copa do Mundo. Ainda é tempo...

No meio de tudo, resta torcer por uma volta vitoriosa do Flamengo na partida de hoje, além de uma atuação evolutiva dos comandados por Muricy Ramalho, pois essa é a finalidade do Estadual: preparar o time para as demais competições do ano, de preferência levando nais um Caneco para a Gávea.

SRN!  




terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Evoé Muricy!

 Opa, Buetcada! Com o carnaval comendo solto no Rio de Janeiro, até esqueci que tinha coluna, mas vamos lá, já que a mesma deve ser curtinha e para a reflexão do que aponta o Muricy pra esse time do Flamengo em 2016. Partimos de uma foto veiculada no Twitter oficial do Flamengo, que mostra uma foto de Muricy Ramalho. Talvez, um pouco mais do que isso, uma prancheta. Nela um time com defesa alta, bem compacto em duas linhas por um 4-1-4-1 sem a bola em menos de 30 metros.

A foto acima demonstra o que o treinador pretende com o elenco atual e o que dá pra fazer com ele. Muricy vai ter que trabalhar. E muito! Vai precisar de treino pra essa compactação, treino para não expor os zagueiros no mano a mano e numa tabela deixar o adversário sair na cara do goleiro. Por isso, a necessidade de zagueiros rápidos e de boa leitura de jogo, além de um volante que saiba sair bem para o jogo com bom passe, de trás.

Hoje também no Globoesporte.com saiu matéria de algo já discutido e pensado por mim como alternativa, inclusive o Gustavo Brasília havia dito, não lembro agora se em coluna ou nos comentários, o recuo de Canteros para a função de primeiro jogador de meio campo. Esse recuo me agrada demais, pode dar certo. Isso significa que teremos muitas opções de variações táticas dentro do próprio jogo, mesmo sendo montado aos poucos e de forma pouco perceptível pra nós que nos irritamos com os resquícios de 2015. Mas observem o futuro, o time de 2016 se arruma de forma consistente.

Canteros é alto, não tão alto pra função, porém entre os volantes do Flamengo ele tem um bom porte e rouba bolas, o que foi visto em 2015 em um time completamente desencaixado e desleixado em sua atitude. Enxergo um jogador que motivado e num time encaixado pode render bastante. A tendência é que não tenha mais nenhum “perna de pau” no meio campo do Flamengo. Todos devem sair com a bola, jogar futebol, com tudo aquilo que o futebol moderno exige. Muricy quer meias.

Por exemplo, a vaga hoje de Emerson Sheik parece sendo preparada para Ederson ou do Alan Patrick, mais para o primeiro. Ederson está sendo preparado pra ela! Com o Emerson no campo, o treinador empurra Márcio Araújo, em alguns momentos, para a frente e faz duas linhas de quatro, com o próprio Emerson mais avançado. Num 4-4-1-1, que pode ser executado por Emerson ou Marcelo Cirino. Parece claro também, que a vaga não será de Márcio Araújo, que fica por sua maleabilidade e disciplina tática. Por pouco tempo.

Todos os jogadores de meio campo de um novo Flamengo me parecem multifuncionais, o treinador deseja quer aplicar um trabalho de versatilidade e adaptabilidade em razão do adversário sem perder características da equipe: posse de bola e intensidade (defensiva e ofensiva, principalmente nas transições). Muricy nunca foi um treinador que eu curtisse muito, mas tenho visto com outros olhos desde que voltou para o São Paulo em 2014. Agora, então, parece mais arejado ainda, mesmo sem perder a característica do “trabalho, meu filho”.

O que eu espero mesmo é que as ideias sejam absorvidas pelos jogadores e se apliquem em campo, nos jogos, a parte mais difícil. Futebolistas brasileiros atuando no Brasil são resistentes a mudanças abruptas, pra não dizer o que penso deles de verdade... mas é preciso paciência para que essas ideias, somadas às novas tecnologias, às novas metodologias de trabalho e um CT novo deem o resultado esperado. Mais do que nunca esse time tem que chegar voando no Brasileiro, que é o campeonato que importa! Estou empolgado com o Carnaval no rio e com o que enxergo de possibilidade para 2016. E vamos Flamengo!



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Aguardando a Força Máxima

Salve, Buteco! Após um início de temporada em circunstâncias desfavoráveis, com o Flamengo precisando começar 2016 oficialmente com o time de 2015 por conta de questões burocráticas relacionadas com a regularização de alguns reforços, aproxima-se a hora do treinador Muricy Ramalho poder contar com a força máxima do elenco. Com as regularizações de Mancuello e Cuéllar, faltará apenas a recuperação física de Ederson para Muricy ter o "problema" que todo o treinador gosta de enfrentar: do meio pra frente, mais jogadores do que posições para escalar. Não me arrisco em dizer que seja o melhor elenco do país no meio campo e ataque, mas não é exagero afirmar que se coloca em pé-de-igualdade com os melhores. A expectativa, então, passa a ser pelo desempenho desses jogadores  e como o treinador utilizará todas essas peças - qual será o time titular, como o elenco será "rodado" e se haverá variações táticas.

Acredito que a maior expectativa se dê em torno de Federico Mancuello, até por seu desempenho em um dos amistosos (Ceará) e o que a imprensa vem relatando a respeito nos treinamentos. Particularmente, estou com expectativas positivas não apenas em relação a "Mancu", mas também por conta do Guerrero, que parece mais alegre, animado e, pelo que diz parte da imprensa, disposto até mesmo a fixar residência no Rio de Janeiro, permanecendo por longo prazo no Flamengo, o que na minha o opinião seria excelente tanto pela qualidade do jogador, que parece crescer em "grandes jogos", como pelo que representa em nível de marketing nos mercados interno e externo. Sua adaptação ao clube, acaso confirmada, pode ser uma das melhores notícias dos últimos tempos.

***

Se do meio pra frente o elenco parece ser acima da média nacional, o mesmo ainda não se pode dizer do setor defensivo. Começando pela posição de goleiro, acho que, depois de anos me acostumando com o "padrão" de jogadores do nível de Júlio César e Bruno, e me lembrando do passado com Raul, Fillol, Zé Carlos e Gilmar, tornei-me bastante exigente em relação à posição. Por isso, como torcedor, nunca me senti seguro com Felipe ou Paulo Victor e confesso a vocês que não me empolgo com o recém-contratado Alex Muralha, o qual, pelo pouco que vi no Figueirense, pareceu-me estar no patamar do próprio Paulo Victor (boas defesas alternadas com as mesmas "entregadas" do nosso goleiro titular). Considero nossos atuais primeiro e segundo goleiros um patamar abaixo, por exemplo, de Jefferson (Seleção Brasileira e Botafogo), Fernando Prass (Palmeiras) e Diego Cavallieri (Fluminense), e bastante inferiores aos que considero efetivamente os melhores do país - Cássio (Corinthians) e Victor (Atlético/MG). Portanto, penso que no gol a situação é apenas remediada e provavelmente passaremos o ano testemunhando o rodízio entre as limitações de Paulo Victor e Muralha. Tomara que ambos provem que eu estou errado!

Já nas laterais penso que temos a situação bem equacionada em nível de titularidade, pois Rodinei vem agradando nesse começo de temporada e Jorge continua sendo um talento bastante promissor, e  os reservas são aceitáveis, ainda que se possa questionar a relação custo x benefício do Pará como reserva. A incerteza começa na zaga. Embora seja forçoso reconhecer que Juan trouxe mais categoria, experiência e segurança ao setor, tendo indiscutivelmente elevado o nível técnico, ainda permanece a dúvida de como se comportará em uma sequência prolongada de jogos mais competitivos, por conta da idade, única vantagem que seu antecessor Samir tinha em relação a ele, a despeito de, a exemplo de Juan, ser mais técnico do que os demais zagueiros do elenco.

O problema parece realmente começar com a escolha companheiro do Juan. O conjunto de qualidades e características aponta Wallace como sendo no elenco a opção lógica para jogar na zaga central, porém suas falhas recorrentes e sua postura adolescente ao lidar com as vaias da torcida dão seríssimos motivos para que se questione a sua posição de titular e até mesmo de capitão do time. Embora os substitutos também não animem, talvez seja o caso de se avaliar como o César Martins se sai ao lado do Juan enquanto o Flamengo não traz o zagueiro central titular.

Há pelo menos duas temporadas todo o sistema defensivo (que não se restringe aos jogadores de defesa) tem sofrido com falhas individuais  quando o time é pressionado, o que exige atenção e foco em nível alto na marcação e na formação tática. É bem verdade que já se pôde constatar franca evolução nesse quesito sob o comando de Muricy Ramalho, como no Mineirão contra o Atlético/MG, porém o ideal é que o Flamengo não precise mais de jogadores como o Wallace e o Márcio Araújo como titulares. Já basta o nível dos goleiros! Para evitar a continuidade da escalação com tantos jogadores limitados, é muito importante que o Cuéllar consiga desempenhar bem a função de primeiro volante e se entenda com o Willian Arão (que tomou conta da posição) e o Mancuello.

Com mais um zagueiro e os reforços se acertando no time titular, o Flamengo ficará muito próximo de ter um time muito forte em todas as posições. Só faltará o goleiro...

***

Concordam? Discordam? A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Alfarrábios do Melo

Certas pessoas parecem ter nascido para determinadas tarefas.

Edvaldo é Operador de Rotuladora da Turma Omega de Envasamento da maior cervejaria do país. Mais do que isso, Edvaldo é o melhor dos operadores à disposição da empresa.

Desde o início da carreira, demonstra exímio domínio das habilidades necessárias à função. Dotado de vasta sensibilidade, consegue, através de uma refinada capacidade intuitiva e dos conhecimentos adquiridos por uma incessante sede de aprendizado, manejar a miríade de variáveis que compõem o funcionamento de uma das mais complexas máquinas de um parque de engarrafamento de cervejas.

Com efeito, não é fácil encontrar o ponto correto de regulagem das buchas de aplicação de cola, sincronizando-os com os bicos injetores do fluido adesivo, ou com a respectiva pressão de aplicação nas garrafas. Da mesma forma, as escovas de fixação dos rótulos nos vasilhames precisam manter-se no ótimo estado de utilização, evitando seu desgaste prematuro, assegurando assim máxima vida útil, dentro dos preceitos de desempenho otimizado. Ou seja, cola demais gera desperdício e papel “sambando” no vidro, cola de menos ocasiona fixação inadequada, perda de papel e retrabalho. Esponjas com excesso de pressão se desgastam mais rápido, baixa pressão não espalha a cola direito. Escovas gastas não prendem o rótulo corretamente, escovas muito “apertadas” fazem o papel “correr” pela garrafa. Fora isso, há a configuração da velocidade de entrada das garrafas, que deve ser compatível com a regulagem das buchas e escovas, há o controle de umidade na estocagem do papel, há a forma correta de preparo e despejo da cola no compartimento correspondente, há o controle da maquineta datadora (que consiste em um finíssimo bico injetor de tinta, programado para borrifar as informações referentes a data, hora e local de envase), que deve incidir sobre uma área previamente determinada do rótulo, há o sensor de garrafas defeituosas (mal-cheias ou sem rótulo), que deve estar funcionando a contento.

Todas essas habilidades são dominadas com maestria por Edvaldo, que é capaz de farejar o mais remoto sinal de anomalia, sanando-a com uma precisão cortante. Sua turma costuma obter, de longe, os melhores números em eficiência de rotulagem, operando a uma taxa média de 70.000 garrafas/hora, enquanto as outras duas turmas mal alcançam as 65.000 gfs/h. A qualidade do trabalho de Edvaldo já chamou a atenção da direção, que anda impressionada com a sofreguidão com que o funcionário costuma devorar os livros, manuais e outros materiais técnicos postos à disposição da equipe.

Edvaldo parece ter potencial para ir longe.

Acontece que o contramestre acaba de ser demitido. Andou excessivamente entusiasmado por uma das meninas do Farol (equipamento de inspeção de impurezas nas garrafas), moça brejeira, cabelos lisos, pele em brilhante âmbar, corpo sinuoso, olhar cúpido que instiga os mais lúbricos pensamentos e..., enfim, o contramestre foi flagrado amassando a garota na Sala de Cápsulas em pleno pico de produção. Vala. Rua. Pros dois (não sem certa hesitação do Gerente em despedir a moça, mas isso não vem ao caso). E a empresa se vê diante de uma dificuldade. Precisa de um novo contramestre.

Reúne daqui, telefona dali, confabula-se de lá. E o martelo está batido. Edvaldo está promovido. Será o contramestre da Turma Omega.

A função de contramestre requer outras habilidades. O conhecimento técnico específico dos equipamentos é desejável, mas seu aprofundamento é dispensável. O profissional não precisa conhecer a fundo uma Rotuladora, mas precisa ter a exata noção do funcionamento básico de uma Paletizadora/Despaletizadora, Encaixotadora/Desencaixotadora, Lavadora de Garrafas, Farol Cheio, Farol Vazio, Enchedora de Garrafas, Pasteurizador e, naturalmente, da Rotuladora, além das redes auxiliares de insumos e requisitos de estocagem e armazenagem. Visão sistêmica é imprescindível, a partir do momento em que a falha no funcionamento de uma dessas máquinas compromete toda a linha de envase. Ademais, como líder de equipe, o contramestre terá que lidar com uma variável muito mais complexa do que os inúmeros parâmetros de regulagem de escovas e sensores: o comportamento humano.

Vai começar a tormenta.

As dificuldades logo surgem. Uma linha de Envasamento possui uma dinâmica própria, feérica, pulsante, sem espaço para hesitações. Acostumado a processar múltiplas variáveis na cabeça. Edvaldo demonstra falta de traquejo na identificação de problemas específicos que atrapalham o rendimento da linha como um todo. Precisa de cumplicidade, de troca, de confiança com os demais operadores. Mas, com seu jeito excessivamente tecnicista, racionalista, pragmático, não consegue “seduzi-los” profissionalmente. Desprovido de carisma, desde o primeiro momento vê-se eivado por uma desconfiança intrínseca, confundindo cautela com simples sonegação de informações. Seus novos comandados o testam, e Edvaldo sabe disso. No entanto, seu jeito introspectivo, contido, que internaliza as intempéries acaba por intensificar e consolidar um fosso no relacionamento com seus novos comandados. Corroído por essa certeza, Edvaldo começa a ser tragado pela nova realidade.

O desempenho da Turma Omega começa a cair assustadoramente. As antigas 70.000 gfs/h decrescem para 68, 65, até se estabilizarem em algo em torno de 60 mil. A outrora premiada Omega agora é a pior turma da Fábrica. Edvaldo introjeta, absorve, somatiza o golpe. Cada Boletim de Produção com os pífios resultados lhe fustiga, lhe apunhala. Edvaldo torna-se taciturno, soturno, lúgubre. O olhar distante e melancólico denuncia a mágoa com as piadas, a chacota das “resenhas” da peãozada. Mantém-se próximo de uns três ou quatro, em quem (ainda) confia. A relação com aqueles que deveria liderar se deteriora a um nível de tolerância tácita. Não há troca, não há intercâmbio, não há confiança, não há nada. Os operadores não o vêem como comandante, ele não os vê como colegas. As mútuas trocas de olhares sugerem medo. O medo do fracasso. O medo do revés. Que, ao se apresentar verborrágico, caudal, inapelável, deságua na indiferença. Na passividade.

Edvaldo sabe que está por um fio. Tem plena noção de que, na avaliação externa da cúpula, sua atuação tem sido insatisfatória. Trocou-se um excepcional operador por um contramestre medíocre, inapto para o cargo. É alvo de pressões diárias por melhoria no desempenho, mas a continuidade dos maus resultados não o incomoda mais, e muito menos aos operadores, mais preocupados com o relógio de ponto ou com as “cruzetas” nos bares e quebradas da vida. A situação chega ao limite do insustentável.

Chega a baixa estação e o recesso coletivo. O retorno trará várias surpresas.

A empresa resolve investir na linha de produção. Alguns equipamentos são modernizados, outros são simplesmente trocados por unidades mais modernas. Vários profissionais são substituídos, especialmente na Gerência e no Controle de Qualidade. Edvaldo, que chega a ser cotado para sair, é mantido como contramestre, mas recebe algumas sinalizações bastante enfáticas do novo Gerente. Precisará dar resultados, e logo. Receberá o apoio que julgar necessário, mas será cobrado de uma forma muito mais próxima e clara, inclusive com planilhas de indicação de desempenho individual. A empresa está investindo muito dinheiro e quer retorno. A curto prazo.

Edvaldo parece concentrado. A definição de parâmetros de medição individual de desempenho o fará identificar eventuais focos de resistência à sua liderança, algo outrora intuitivo. Os novos equipamentos são realmente bons, modernos, o que reduzirá a necessidade de improvisações, sempre dependentes de “macetes” e “gambiarras” nocivos ao ambiente corporativo. O período de treinamento e capacitação transcorre com certa tranqüilidade, todos curiosos e ansiosos em conhecer as novas traquitanas com que trabalharão.

Mas, assim que a nova linha roda, algumas conclusões surgem. Os resultados são aceitáveis. Poderiam ser melhores, mas, dentro de um contexto de aprendizado organizacional, ainda há como tolerá-los. No entanto, a Turma Omega segue atrás das outras. Sistematicamente, seus boletins ainda são os piores de toda a Linha do Envasamento. O nível de pressão e cobrança sobre Edvaldo começa a atingir patamares extremos. Não há mais espaço para piadas. Surge o ódio. Edvaldo agora é o pária que está atravancando o êxito da Companhia. É o estorvo. É a pedra. É o obstáculo que precisa ser removido do caminho. Fala-se abertamente na contratação de um novo contramestre. Comenta-se que já se prospectam nomes no mercado. Capaz de terem inclusive iniciado, reservadamente, um processo seletivo.

Edvaldo não faz mais reuniões. Está melancólico. Reativo. Pensa. Pensa, e pensa. E se sair? Sabe que tem potencial, na pior das hipóteses voltará a ser um mero Operador. Diz-se que os chineses estão investindo em linhas de produção, é possível que se interessem em importar know-how. Mesmo no mercado nacional, sabe que ainda possui certo espaço. Mas e a sensação de derrota, de fracasso? E se sair e a fábrica der um salto nos resultados, salto esse que tem plena certeza que irá acontecer? Carregará a pecha de culpado único? Receberá sozinho o fardo da responsabilidade pelos fracassos pretéritos?

Sem chegar a qualquer conclusão, Edvaldo resolve seguir estudando, buscando se aprimorar tecnicamente. Afaga sua farta barba, enquanto se perde em mais e mais divagações. Sim, com os resultados ele poderá responder a todos. Calar bocas. Silenciar críticas. Expor seus desafetos.


A sirene toca. É hora de voltar ao trabalho.


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