terça-feira, 18 de junho de 2019

Números e Projeções

Olá Buteco, bom dia!

Nessa parada da Copa América, vamos aproveitar o post de hoje para apresentar alguns números do time nesse primeiro semestre, considerando apenas as competições mais importantes do ano, a saber: o Campeonato Brasileiro, a Taça Libertadores da América e a Copa do Brasil.


É importante abrir parênteses antes de analisarmos os números como um todo: com Abel, foram 13 jogos, com 7 vitórias, 2 empates e 4 derrotas. Um aproveitamento de 59%, bem longe do ideal, o que ratifica a demissão do antigo treinador. Com Marcelo Salles, 4 jogos, 3 vitórias e um empate, o que elevou os números do time neste primeiro semestre para 65% de aproveitamento, bastante razoável. 

Com relação aos jogadores, é nítida a importância da dupla dinâmica e do Everton Ribeiro. Por outro lado, percebe-se que Diego está com números bem fracos, apenas 1 gol e 1 assistência. Os laterais também não aparecem bem nessas estatísticas: apenas 4 participações diretas em gols. 

O lado bom deste cenário é que estamos classificados nas duas competições eliminatórias e relativamente bem posicionados no Campeonato Brasileiro e ainda há muito a evoluir.

***

A chegada do português Jorge Jesus trouxe entusiasmo à grande parte da nossa coletividade flamenga: particularmente, acredito que ele - em conjunto ao restante da comissão técnica, que será importante ponto de apoio - possa contribuir com novidades no plano tático e, principalmente, na preparação física, fundamental para o jogo mais dinâmico que acontece na Europa. Não haverá espaço para jogadores displicentes sem a bola. Pelo menos é isso o que esperamos...

Diferente de muitos colegas com quem tenho conversado, imagino que o português possa mudar radicalmente a estrutura do time e, consequentemente, suas peças. Minha suposição se baseia na questão física, justamente por entender que ele priorizará os atletas que venham a se destacar nos (exaustivos) 20 dias de treinamentos que começarão depois de amanhã. Jogadores como Vitinho e Berrio podem voltar a ter mais chances no time. A disputa pelas vagas no meio-campo também promete ser interessante.

Com relação aos reforços, até agora a movimentação está apenas na base das especulações. O único reforço confirmado é o lateral-direito Rafinha, cuja apresentação está marcada para a próxima segunda-feira, dia 24. Acredito que a contratação de um jogador como ele, com carreira estabelecida em um clube de ponta no futebol europeu, possa ajudar muito na adaptação dos nossos jogadores à metodologia que será implantada pelo novo técnico. 

***
O calendário será duro: logo no primeiro jogo, a grama sintética da Arena da Baixada, numa eliminatória difícil contra o Athético PR. Este jogo é o primeiro de uma sequência de jogos quarta/domingo, a saber: Athletico (f), Goiás (c), Athetico (c), Corinthians (f), Emelec (f), Botafogo (c), Emelec (c) e Bahia (f). A rodagem do elenco será fundamental para o sucesso da equipe.

Aguardamos ansiosos pelo que virá.

Saudações RubroNegras!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Sete Anos Depois...

Salve, Buteco! No dia 17 de junho de 2012, o Flamengo entrou em campo para vencer o Santos por 1x0 (Bottinelli, de pênalti), pela 5ª Rodada do Campeonato Brasileiro. A formação que iniciou a partida foi Paulo Victor; Wellington Silva, Marcos González, Marllon e Magal (Bottinelli); Aírton, Luiz Antonio, Renato Abreu e Ibson (Matheus); Diego Maurício (Hernane) e Vagner Love. Treinador: Joel Santana. Àquela altura, Ronaldinho Gaúcho já havia saído litigiosamente do clube e todo mundo se lembra de como terminou a temporada e quanto o clube pagou a sua ex-estrela. No final daquele mesmo ano, porém, os "Blues", por via da Chapa Azul, venceram a eleição pela Presidência do clube, impedindo a reeleição de Patrícia Amorim, e o resto, até ontem, é história. Ontem, o domingo amanheceu com uma reportagem do site Globo Esporte detalhando que o Flamengo, apenas no primeiro trimestre de 2019, investiu R$ 145 milhões em reforços para o time e, pasmem, mesmo assim o orçamento do ano não está comprometido, haja vista que alguns dos pagamentos são esperados apenas para 2020. 

Alexandre Rangel, sócio da Ernst & Young, explicou neste tuíte que o planejamento estratégico do Flamengo, ainda em 2014, previu que, até 2021, o clube aplicaria R$ 25 milhões mensais e até R$ 300 milhões anuais em despesas operacionais (OPEX), bem como investiria R$ 130 milhões anuais em bens de capital (CAPEX), e ainda teria lucro. Podemos dizer, hoje, 17 de junho de 2019, que o elenco subiu muito de patamar. Quando entrar em campo no dia 10 de julho contra o Athletico/PR, na Arena da Baixada, pelas quartas de final da Copa do Brasil, o time titular provavelmente será composto por Diego Alves; Rafinha, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; Cuéllar e Willian Arão; Vitinho (Bruno Henrique), Everton Ribeiro e De Arrascaeta; Gabigol. Isso se outros reforços de peso não chegarem até lá para as posições de Léo Duarte, Renê e Willian Arão.

O futuro chegou. Faltam os títulos.

***

Apesar disso, não foi ainda em 2019 que o Flamengo planejou bem a temporada, trazendo o treinador certo e começando o ano com o elenco totalmente equilibrado. Também é possível discutir algumas opções, valores pagos, enfim, como toda essa capacidade financeira está sendo exercida na prática. Mesmo assim, o cenário é muito melhor do que em temporadas anteriores. Jorge Jesus antecipou sua chegada para hoje e é aguardado para o início dos trabalhos no Ninho do Urubu, com sua robusta comissão técnica. Nas próximas semanas, esse novo Flamengo terá o mesmo desafio de outras temporadas: mapear o mercado, encontrar boas relações de custo e benefício para reforçar o elenco, ajustar taticamente o time a uma nova filosofia e, quando entrar em campo, vencer, vencer e vencer, como diz o hino, pois dessa vez a estrutura e o poder financeiro, tão sonhados e aguardados, finalmente estão presentes e à disposição do Departamento de Futebol.

Boa sorte a Jorge Jesus. Que a realidade venha a confirmar a expectativa.

***

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Tema Livre















Irmãos rubro-negros,




Com a paralisação para a Copa América, esta coluna entra em recesso e retomará suas atividades em breve. 

Fiquem à vontade, puxem uma cadeira e peçam uma gelada.

A verdade é que Jorge Jesus tem muito trabalho a fazer e este tempo livre, destinado a treinamentos, veio em boa hora.

O Flamengo deu um passo importantíssimo na busca pela excelência em seu departamento de futebol. Estou ansioso para ver o time jogando sob o comando do técnico português. Que ele tenha muito sucesso à frente do Mais Querido.



...




Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

CSA 0 x 2 Flamengo - As vaias no Vitinho

Foto: Lance
Flamengo foi a Brasília, terra dos churros no estádio, e para tristeza da esquerda rubro-negra, com Bolsonaro e Moro presentes sendo homenageados pelo público e ganhando foto no perfil oficial do clube. E de lá voltou com 3 pontos. É o que todos esperávamos ainda que contando com o técnico interino, o Fera, e vários reservas em campo. Flamengo tem a sua quarta partida sem levar gol. O que mostra que um mínimo de cuidado tático em relação ao posicionamento do Arão foi crucial, dando mais proteção a entrada da área, antigo playground do adversário quando Abel era o treinador. 

O primeiro tempo foi sofrível, ainda que com as costumeiros gols perdidos em penca, os quais nós torcedores nos acostumamos. Tanto que Jesus já quer um segundo atacante que jogue atrás do centroavante, certamente assustado pelo taco espirrado que presenciou estes jogos.  Flamengo muito espaçado. Parecia que a orientação do Fera era que cada jogador mantivesse uma distância mínima de 20m em relação ao outro. A tática "jogo-de-botão",de contar com as bolas espirradas. Vitinho tentava ser incisivo no ataque. Se posicionando na frente, atrás, buscando o jogo, mas faltava a aproximação de outros jogadores em mais uma atuação apagada do Bruno Henrique. Rodinei, no primeiro tempo, parecia uma caricatura de si próprio, errando lances simples. 

CSA reclamou de um pênalti no primeiro tempo que o VAR ficou mais de 5 minutos analisando. Sinceramente eu achei pênalti. Mas muitos não, pois a bola tocou antes na cabeça do Arão e depois no braço. Que estava muito levantado. Enfim. CSA agora quer anular a partida por isto. Se todos anulassem partidas por erro de arbitragem não teríamos nenhum jogo corrido ao fim do campeonato...

Veio o segundo tempo. Por orientação ou não do Fera, o Flamengo voltou melhor. Mais concentrado. Não dando tanto raiva. O vaiado Vitinho, por motivos desconhecidos para mim, pois era o mais perigoso atacante, o que mais buscava o jogo, fez seu gol. Coroando sua atuação. CSA, sem chances na partida, ficava tentando evitar outro gol do Flamengo até que Gabigol também marcou o dele. Tornando-se o artilheiro isolado do Flamengo na temporada e também no campeonato brasileiro. O bizarro da partida era a insistência da torcida na entrada do Berrio. Me lembrou Macaé com o seu Negueba. Jean Lucas, aquele lateral direito contratado do Bangu fez sua estréia substituindo Rodinei que fez um bom segundo tempo. Jogando com camisa fora da calça ao contrário de seu xará, evitou seguidos comentários do narrador. Achei que foi bem, dentro de um nervosismo natural. Se apresentou sem medo na frente. E isto acho bom. Vejamos seu decorrer.

Estamos em terceiro no Brasileiro, e podendo permanecer bem atrás do Palmeiras que joga hoje e pode recuperar seus pontos contra o Botafogo que a CBF Paulista palmeirense irá "julgar"...Enfim, Jesus terá que fazer milagre na parada da Copa para fazer do Flamengo um time moderno, compacto e incisivo, um milagre mais forte que recuperar alguém do mundo dos mortos. 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

CSA x Flamengo


Campeonato Brasileiro/2019 - Série A - 9ª Rodada

Quarta-feira, 12 de Junho de 2019, as 21:30h (USA ET 20:30h), no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília/DF.

CSA: Jordi; Apodi, Gerson, Leandro Souza e Carlinhos; Dawhan, Nilton, Didira e Jonatan Gómez; Maranhão e Cassiano. Técnico: Marcelo Cabo.

FLAMENGO: César; Rodinei, Matheus Thuler, Rodrigo Caio e Renê; Piris dMotta e Willian Arão; Vitinho, Everton Ribeiro e Bruno Henrique; Gabigol. Técnico: Marcello Salles (Interino).

Arbitragem: Douglas Marques das Flores (SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Emerson Augusto de Carvalho (FIFA/SP) e Miguel Caetano Ribeiro da Costa (SP), bem como pelo Quarto Árbitro Vanderlei Soares de Macedo (DF). Árbitro de Vídeo (VAR): Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP). Assistentes VAR 1 e 2: Rodrigo Batista Raposo (DF) e  Herman Brumel Vani (SP). Observador de VAR: Giulliano Bozzano (MG).

Transmissão: Rede Globo (aberta, para AC, AL, AM, AP, DF, ES, MA, MG, PB, PE, RJ, RN, RO, RR e SE) e GloboPlay (aplicativo)PremierePremiere Play e PFCI (sistema pay-per-view, aplicativo e internacional).




Alfarrábios do Melo


Incerteza e renovação.

O Flamengo busca se reinventar após a inacreditável eliminação no Campeonato Brasileiro, em que, numa chave com Bahia, Ceará e GE Brasil, “conseguiu” perder a vaga nas Semifinais para a modesta equipe gaúcha, mesmo contando com a ansiada volta de Zico. Junto com o revés, pesados prejuízos e (mais uma) turbulenta crise dentro das paredes da Gávea.

Como costuma acontecer nesses casos, o primeiro pescoço degolado é o do treinador, no caso Zagalo.

O “Lobo”, que contava com o título brasileiro para catapultar seu retorno à Seleção Brasileira, pagou por subestimar seus adversários e montar um planejamento equivocado, julgando que três empates fora de casa bastariam para a conquista da vaga (arrumou dois empates no Nordeste, perdeu em Pelotas e viu um desmotivado Bahia ser facilmente superado em casa pelos xavantes na última rodada, resultado que se tornou decisivo para definir a chave). Ademais, o pobre futebol apresentado por uma equipe coalhada de craques como Zico, Tita, Adílio, Bebeto, Jorginho, Leandro, Andrade, Mozer e Fillol (onde, em seis jogos, apenas os 3-0 sobre o Bahia foram convincentes), aliado ao desgaste natural ocasionado por um trabalho de mais de um ano sem conquistas expressivas, selaram a sorte de Zagalo, cuja demissão é decretada após a derrota no primeiro jogo de uma excursão pelo Brasil arranjada às pressas (0-1 Blumenau).

Enquanto os membros da Diretoria vão medindo forças e tentando emplacar seus preferidos para o lugar de Zagalo, o Flamengo segue seu cansativo “bye bye Brasil”, em busca de cachês que minimizem a perda das esperadas arrecadações milionárias das Finais do Brasileiro. Assim, no dia em que o Coritiba supera o favorito Bangu (que amassara o GE Brasil nos dois jogos das Semifinais, aumentando a irritação rubro-negra) e, diante de um Maracanã com 100 mil pagantes, conquista nos pênaltis seu primeiro (e provavelmente único) Brasileiro, o Flamengo, diante de uma animada plateia que se aboleta no pequeno Estádio João Krieck, em Rio do Sul-SC, goleia o Juventus local por 5-0.

Recomeço.

A próxima parada promete ser mais divertida. Tarde de domingo, Estádio Rei Pelé, Maceió-AL. O Flamengo irá enfrentar o CSA, numa partida que é badalada ao longo de toda a semana. O tira-teima. O grande duelo. Mais um capítulo do embate entre Zico e… Jacozinho.

Abre parênteses.

Jacozinho é um ponta-esquerda atarracado, arisco e espevitado como tantos que vicejam pelos campos brasileiros. Já aos 31 anos, acumula passagens discretas por equipes como Vasco-SE, Sergipe, Jequié, Leônico-BA e Galícia. No entanto, enfim consegue se destacar ao se transferir para o CSA, liderando o Azulão alagoano durante a disputa da Primeira Fase do Brasileiro. Suas boas atuações e seu perfil carismático chamam a atenção do jornalista Márcio Canuto, da TV Globo, que começa a criar reportagens em tom irônico, “sugerindo” a convocação do jogador para a Seleção Brasileira, que vive péssimo momento sob o comando de Evaristo de Macedo. A brincadeira (que mostra, entre outras piadas, Jacozinho indo treinar a bordo de um jumento, ou esperando a “convocação” bebendo água de coco deitado numa rede) dá certo, e Jacozinho se torna celebridade. A boa campanha do CSA (que se classifica para a Segunda Fase do Brasileiro) ajuda a amplificar a fama de Jacozinho, fazendo com que muitos, de fato, levem a sério os feitos do jogador.

Enquanto as peripécias de Jacozinho vão entretendo um público carente de bom futebol, o Flamengo enfim consegue realizar um sonho iniciado desde que seu ídolo maior, Zico, partiu em busca do eldorado italiano. Pois, no minuto seguinte ao da partida do Galinho (e, logo depois, da renúncia do Presidente que conduziu a negociação), o Flamengo erige a obsessão de repatriá-lo e, após dois anos e inúmeras idas e vindas, enfim consegue trazer Zico de volta à sua casa. E, em uma grande festa no Maracanã, o Galinho reestreia no amistoso em que o Flamengo enfrenta (e vence, por 3-1) os “Amigos do Zico”, uma seleção de grandes jogadores, como Maradona, Falcão, Júnior, Roberto Dinamite, Toninho Cerezo, Edinho, Oscar e… Jacozinho.

A partida é transmitida para todo o país, com exclusividade, pela TV Manchete, emissora que participara ativamente da operação montada para a volta de Zico ao Flamengo, com boletins diários e mesmo a produção de um filme exibido em horário nobre. No entanto, numa manobra de notável esperteza de Canuto, Jacozinho é “encaixado” de última hora na lista de convidados a integrarem o time dos Amigos do Zico. Assiste a todo o amistoso do banco de reservas, entra no final da partida, recebe lançamento açucarado de Maradona, dribla Cantarele e marca, para delírio do estádio, o gol de honra do Combinado. Finda a festa, irritado com a presença do intruso (especialmente por conta de ser um “produto” de uma TV concorrente), Zico torce o nariz: “Forçaram a barra aí. Acho que a organização deu mole”, o que é maldosamente interpretado como uma reação “ciumenta”.

Alguns jornais, com efeito, não perdoam: “Jacozinho rouba a festa de Zico”.

Fecha parênteses.

Os jornais de Maceió abrem manchetes garrafais, promovendo o “tira-teima” entre Zico e Jacozinho. “Depois de brilhar no terreiro de Zico, agora Jacozinho vai cantar de galo em sua casa”, “Jacó roubou a festa de Zico e vai mostrar quem é que manda aqui”, entre outras provocações.

Além da envergadura do adversário e do peculiar contexto criado para a sua promoção, a partida também ganha importância para o torcedor do CSA, uma vez que provavelmente assinalará a despedida de Jacozinho. É aguardada a presença, na capital alagoana, de um dirigente do América-RJ, que deseja contratar o jogador. Botafogo e Santa Cruz também manifestam interesse, e os Dirigentes azulinos sabem que o momento de negociar Jacozinho, no auge de sua valorização, é agora. Assim, não são poucos os que tratam esse amistoso contra o Flamengo como a “Despedida de Jacozinho”.

Tal como o Flamengo, o CSA pereceu na Segunda Fase do Brasileiro. Mas, enquanto a eliminação caiu como um vexame na Gávea, a participação da equipe alagoana (superada por Atlético-MG, Guarani e Ponte Preta), que fechou em 13º um campeonato com 44 participantes, foi recebida com orgulho por sua torcida. Que acredita, sim, que o Azulão é capaz de se impor ao poderoso Flamengo de Zico.

Tarde ensolarada, cerca de 20 mil no Rei Pelé. Fogos acolhem a entrada em campo das equipes. Zico e Jacozinho se cumprimentam enfaticamente antes da partida, para satisfação dos inúmeros jornalistas e fotógrafos que recobrem o gramado. Dão entrevistas, prometem um grande jogo, essas coisas que todo jogador fala. Evacuado o gramado, vai começar o jogo. Mas o que tem início é um monólogo.

16 minutos. Zico a Andrade, que aciona Jorginho, que cruza. O goleiro Zé Luís solta nos pés do centroavante Chiquinho, que empurra para o gol: Flamengo 1-0.
21 minutos. Escanteio para o Flamengo. Élder cobra, Zé Luís sai de soco e Adalberto, na risca da grande área, acerta bela cabeçada por cobertura. Flamengo 2-0.
23 minutos. Chiquinho arranca pela esquerda, dribla um zagueiro e bate fraco. Zé Luís bate roupa e Zico, na corrida, emenda pro gol. Flamengo 3-0.

E assim, com metade da primeira etapa transcorrida, o Flamengo já vence por 3-0, imprimindo um ritmo fortíssimo, vertical, de marcação por pressão e velocidade, como havia sido pedido nos treinamentos por seu treinador interino, o preparador físico que, consciente de que os jogos da excursão serão uma oportunidade para mostrar serviço, faz questão que a equipe mostre competitividade, ignorando o caráter festivo dos amistosos. Seu nome: Sebastião Lazaroni. Ainda não é chegada sua hora. Mas um bom trabalho nessas partidas será seu passaporte para o início de sua carreira futura de treinador.

Há outras novidades. Com Fillol negociado com o Atletico Madrid e Cantarele lesionado, um jovem goleiro começa a ganhar suas primeiras chances na equipe. É Zé Carlos, que impressiona com sua envergadura. Outros nomes, como Ronaldo Torres, Paulo Henrique, Nem e Ailton, entre outros, também vão ganhando minutagem e sendo avaliados, já tendo em vista a transição de gerações que começa a ganhar contornos inevitáveis.

Tudo sob o comando de Zico, que vai regendo a equipe, enjoando de fazer lançamentos e passes açucarados para seus companheiros, que invariavelmente “arrumam uma forma” de desperdiçar as chances criadas. O Galo vai mostrando um posicionamento um tanto mais recuado e uma índole mais organizadora. Vai assumindo o papel de regente, de “arco” da equipe. E mostrando que, em forma e com ritmo de jogo, sobrará no futebol brasileiro, tão carente de talento.

Resta a Jacozinho aceitar seu papel de coadjuvante. É bem verdade que o irrequieto ponteiro emplaca uma ou outra jogada mais plástica, que serve apenas para divertir os presentes e aporrinhar o lateral Jorginho. Apagado, apenas chama a atenção quando, na descida para o intervalo, cercado por microfones, abre um sorriso e, resvalando para a desfaçatez, desfere sua frase de efeito:

“Vamos virar!”

Evidentemente, o CSA não vira a partida. Aliás, não chega nem perto disso. É bem verdade que o Flamengo tira um pouco o pé, e com isso os alagoanos melhoram de produção, passando a circular um pouco mais nos arredores da meta de Zé Carlos. Mas, tirando um saçarico de Jacozinho que rabisca a defesa flamenga e se perde pelo caminho e uma cobrança de falta perigosa que exige uma boa defesa de Zé Carlos, os da casa pouco produzem. E é o Flamengo quem, novamente, consegue as melhores oportunidades, a maioria criada por minuciosos lançamentos de Zico. Num deles, Ronaldo Torres se projeta e entra sozinho na área, mas é derrubado pelo estabanado goleiro Zé Luís. Pênalti, que Zico cobra mal, fraco, nas mãos do goleiro alagoano, uma das poucas cobranças que desperdiça em toda a sua carreira.

Mas ainda há tempo para o grande lance da partida. E ele não é protagonizado por Zico, nem por Jacozinho. Nem tampouco pelos outros jogadores de Seleção que ainda estão em campo. A jogada começa com Zico, que cobra uma falta rasteira, com força. A bola espirra em um zagueiro e, na sobra, Chiquinho, o improvável Chiquinho, o espevitado, o “grosso”, o caneludo Chiquinho dá um lençol espetacular num contrário e acerta belíssima cabeçada, que encobre matreiramente o goleiro, indo às redes de forma sutil, suave, numa jogada sensacional. Flamengo 4-0, o segundo de Chiquinho, que é ovacionado por um resignado Estádio.

É o bastante. Nada mais de interessante acontece, e o amistoso termina com o escore de 4-0 estampado no placar do Rei Pelé e nas páginas dos jornais alagoanos. Nenhuma menção a “duelo”, ou “embate”, ou “tira-teima” é recordada, até por conta de sua constrangedora inexistência. Afinal de contas, o Flamengo e Zico vieram a Maceió e protagonizaram algo como um coletivo de luxo, contra um adversário de nível semelhante ao que eliminara o rubro-negro do Brasileiro, para desespero das vozes que seguem sibilando nos corredores da Gávea. Mas a vida seguirá. Jacozinho e o CSA ficam para trás. Dali a dois dias, o Flamengo monta seu acampamento em Aracaju.

Afinal de contas, o espetáculo não pode parar.

* O Flamengo, depois de golear o CSA, ainda realiza três amistosos pelo Nordeste. Vence todos, jogando um futebol elogiado. O desempenho, os resultados e o minucioso relatório preparado no retorno ao Rio impressionam a Diretoria, que passa a prestar mais atenção em Sebastião Lazaroni.
* Após quase fechar com Ênio Andrade e chegar a anunciar Edu Antunes, voltando atrás após protestos e pichações promovidas por algumas torcidas organizadas, o Flamengo contrata o experiente Joubert (Campeão pelo rubro-negro em 1974) para o comando técnico da equipe, o que é considerado um retrocesso. Joubert não resiste à péssima campanha na Taça Guanabara e é demitido. E, enfim, chega a hora de Lazaroni.
* O América desconfia de leilão e desiste da contratação de Jacozinho, que assina com o Santa Cruz. Na equipe pernambucana, não consegue repetir o brilho das atuações no CSA, e logo retorna ao clube alagoano. Depois, perambula por mais algumas equipes nordestinas e encerra a carreira, de forma quase anônima.
* Zico marca mais dois gols nos amistosos restantes, seguindo como o grande nome da equipe. Na estreia pela Taça Guanabara, anota duas vezes nos 5-0 sobre o Bonsucesso. Na rodada seguinte, surge Márcio Nunes. E o resto é história.

Esta coluna entrará em recesso junino. Retorno previsto em 17 de julho.


terça-feira, 11 de junho de 2019

Jesus


SRN, Buteco.

Sorteio da Copa do Brasil nos reservou confronto contra o Sintético PR. No histórico geral, os jogos lá costumam ser adversos, em especial depois que o adversário colocou carpete no campo.

De positivo, a vantagem de fazer o jogo decisivo em casa e o fato do adversário ser bem acanhado fora da quadra de society.

De qualquer modo, Jesus precisará começar a operar seus milagres a partir desse jogo no Paraná...

Falando em Jesus, não há como não se empolgar com o novo comandante.

De discurso vencedor, fala precisamente o que vemos acontecer em campo.
A falta de intensidade que ele já declarou ter visto no time é justamente o que deixa 10 entre 10 torcedores com tendências homicidas depois de jogos como o de domingo.

A leniência e a falta de interesse que esse grupo apresenta por vezes é exasperante.

Tudo indica que o novo comandante irá bater de frente com isso, combater esse mal .

E vai ser daquele jeitinho que ele deu mostras na primeira coletiva com a imprensa brasileira. Mais grosso do que papel de enrolar prego, o português já deixou claro que não mede as palavras e é de falar na cara o que pensa.

Papo reto, como dizem.

A consequência disso é que fatalmente atritos vão acontecer entre comandante e comandados.

E que aconteçam.

Se ele, por menos que fizer, deixar o legado de profissionalismo e trabalho dura, já terá valido a pena a experiência




" Que gajo ruim esse cabeludo, ó pá!"