segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Vivo ou Morto-Vivo?

Salve, Buteco! No Brasileiro, o Mais Querido está a três pontos do líder São Paulo e a dois do vice-líder Internacional, com o mesmo número de vitórias. Se vencer o Bahia no sábado, voltará à liderança, mesmo que provisoriamente. Quarta-feira, disputa o jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil contra o Corinthians, confronto totalmente aberto. Que tal? Aos rigorosos olhos da Maior Torcida do Mundo, a performance do time, mesmo com esse números, é inferior à expectativa. Também pudera. Até o início da 26ª Rodada, o Flamengo ocupava a modesta décima colocação na classificação do returno do Campeonato Brasileiro. Inadmissível e injustificável para o elenco que possui. Não que seja a oitava maravilha do mundo, porém no cenário nacional é um elenco bem acima da média, sem a menor sombra de dúvida. Afinal de contas, estamos falando de um verdadeiro deserto de treinadores e atletas de expressão. Paradoxalmente, esse elenco foi muito pouco rodado, especialmente no cenário pós-Copa do Mundo, pois optou-se por uma irreal e insana utilização basicamente de um onze titular em toda a sequência de julho a setembro. É lógico que o time sentiu os efeitos físicos da maratona, o que era previsível para qualquer torcedor, leigo, que acompanha com atenção o futebol (meu caso).

No jogo de ontem, gostei exatamente da utilização de um maior número de jogadores que não vinham sendo aproveitados, casos, por exemplo, de Willian Arão e Miguel Trauco, os quais merecem várias críticas ao desempenho que apresentaram especialmente em 2017; todavia, descansados e não utilizados em excesso, são peças importantes na rodagem do elenco, sem que precisem ser titulares. As duas assistências de Trauco e o gol de Willian Arão corroboram com esse pensamento. 

Há visível diferença entre utilizar um atleta mediano como Willian Arão por mais de sessenta vezes no ano e recorrer a ele como um reserva útil na rodagem do elenco. O mesmo se aplica a Miguel Trauco, que tem experiência internacional e pode jogar inclusive as partidas de maior apelo, o que é completamente diferente de ser titular absoluto e jogar longas sequências.

***

Vi dois tempos com dinâmicas parecidas. Na primeira etapa, após a bem sucedida pressão nos minutos iniciais, com a abertura do placar, o time foi perdendo aos poucos volume de jogo e apresentou dificuldades para conter o Atlético/MG, especialmente quando o "estagiário" Thiago Larghi parou de inventar e reposicionou Luan na ponta direita, colocando Cazares no meio de campo. Destaque negativo para o jovem Matheus Sávio, que parece não ter condições de jogar pelo Mais Querido, e para a frágil marcação da bola aérea adversária, o que resultou no gol de empate. No geral a atuação do time foi bastante fraca na etapa inicial, o que preocupou a torcida para o segundo tempo.

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Barbieri parece ter aprendido que o Flamengo não pode tomar tantos gols no início das partidas, já que o mesmo ímpeto inicial foi apresentando pelo time na volta do intervalo, levando ao gol da vitória, num belíssimo cabeceio de Lucas Paquetá, que voltou a jogar bem após um longo tempo de hibernação. Talvez porque Vitinho preocupe mais a defesa adversária (não que tenha feito grande exibição), o crescimento do Galo no segundo tempo se deu em menor proporção, apesar de ter criado algumas chances. Tentando reagir, nosso jovem treinador substituiu Henrique Dourado por Piris da Motta e adiantando mais ainda Lucas Paquetá. A ideia me pareceu boa, mas a execução nem tanto, pois o time não encaixou os contra-ataques e terminou a partida tomando muita pressão, inclusive porque Arão mostrava visíveis sinais de cansaço.

Mesmo sem jogar bem, o Flamengo foi eficiente e, como bem observou o zagueiro atleticano Leonardo Silva em entrevista pós-jogo, sagrou-se vencedor em mais um confronto direto com um dos principais aspirantes ao título. De positivo, Lucas Paquetá voltando a jogar em alto nível, além da boa volta de Trauco. Também gostei da atitude de Barbieri, que não hesitou em começar sem Vitinho e a substituí-lo quando o time precisou. Espero que o critério seja aplicado em relação a todos, líderes ou não do grupo.

***

A posição na tabela é sem dúvida bem melhor do que o futebol apresentado dentro das quatro linhas. Porém, estando tão próximo dos líderes, impossível não sonhar, mesmo que só um pouquinho, com uma reação do time na reta final. É claro que o futebol tem que melhorar, mas será preciso sobretudo vontade de ser campeão.

Arrisco dizer que o time correrá bem mais na quarta-feira, no Itaquerão. Algo me diz que o Mais Querido estará em mais uma final. Por outro lado, sábado viajará a Salvador para enfrentar o Bahia, imprescindível na perseguição da liderança. O desafio será jogar em bom nível imediatamente após mais uma exaustiva partida pela Copa do Brasil.

O Flamengo está vivo, Senhoras e Senhores. Falta só se dar conta disso. Enquanto não acontece, joga futebol de morto-vivo.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 23 de setembro de 2018

7 dias. 3 pontos. Zero evolução.

No twitter (meio sem saco ultimamente): @alextriplex

A parada é simples. A essa altura do campeonato, o grande propósito do Flamengo deve ser pontuar sem peidar. Em casa, não vacilar, não dar mole pra os secundários da tabela, e fora de casa, quando contra times que abaixo de nós, entregar a alma pelos 3 pontos. O problema tem sido a (não) evolução tática do time do estagiário. E o jogo de hoje, creio que todos viram o mesmo que eu, foi a mesma ladainha de sempre.

Pra começar, eu não consigo aceitar essa conversa de "o cara tá treinando bem, vou botar pra jogo". Sério, Matheus Sávio deve treinar cumprindo as mesmas funções que (não) executa em jogo à vera. Ali pela ponta esquerda, recua pra ajudar o lateral, tenta fazer o overlapping, etc. O ponto de desequilíbrio é que ele treina contra o jogador da camisa 21 e, por vezes, contra o Rodinei. É um padrão de marcação. Aí encara um time encardido como esse das galinhas, e a parada fica mais séria. O cara não anda, tropeça, escuta vaias, e então vem o desespero, machucando o coração. Aqui, abrem-se parêntesis (o treinador das galinhas fez uma substituição na metade do primeiro tempo. Coincidência ou não, eles empataram e engrossaram o jogo pra gente). Já o nosso...

Voltaremos de forma breve ao assunto substituição.

O fato é que os 7 dias que tivemos de folga não serviram pra absolutamente neca de pitibiriba. O time continuou desorganizado, correndo errado, e não fossem os 2 cruzamentos do nosso Gerson-canhotinha-de-Ouro-desprovido-de-altura-nascido-em-terras-peruanas, não sei o que seria desse jogo. Os 2 únicos acertos do estagiário foram adiantar o Paquetá e colocar o Arão (acreditem, eu realmente vi uma boa atuação deste jogador). Mas é muito pouco. Nossa zaga parece, em alguns momentos, fim de noite na VM ou em qualquer região do baixo meretrício. Quase o Devils Anus, de Thor Ragnarok. Com uma boa nave, você entra e sai do planeta (nossa defesa) quando bem entende.



Resumindo, é muito ponto para quem quer ser campeão. Porém, por mais sorte do que juízo, alguns times parecem que gostaram da brincadeira de deixar os segundinhos encostarem. Chegam lá em cima, cagam regra, e de repente empatam com os Américas e Corinthians da vida, e deixam quem tá chegando chegar. E eu já vi esse filme.

Mas foram 3 pontos. Que devem ser comemorados por alguns minutos, pois a diferença que poderia chegar a 7, desceu pra 3. E isso é um bom prenúncio. Só precisamos da ajuda de mais alguns. Menos oração, mais sangue no olho.

Para terminar, não vale a pena criar polêmica sobre a péssima manobra do estagiário. Vocês já sabem: vamos reclamar, jogou uma alteração no ralo, pode ter queimado o Vitinho, etc. Então o mandatário chega, fala que o estagiário tem a confiaça dele, e foda-se o que o resto pensa. (De novo) Eu já vi esse filme.

Quarta tem decisão na CdB. Contra um time que não consegue jogar bem em nenhuma competição. Mas que terá um estádio cheio, panela de pressão, e com o agravante de nunca termos ganho porra nenhuma lá, nem par ou ímpar. Será preciso muito mais ajinomoto pra chegarmos à decisão.

Dá? Claro, Fé é meu sobrenome. E eu espero que os jogadores façam jus ao amor que a torcida tem pelo clube.

E nada mais digo.


Flamengo x Atlético/MG


Campeonato Brasileiro/2018 - Série A - 26 ª Rodada

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Léo Duarte, Réver e Trauco; Cuéllar e Willian ArãoEverton Ribeiro, Lucas Paquetá e Matheus Sávio; Henrique Dourado. Técnico: Maurício Barbieri.

Atlético/MG: Victor; Emerson, Leonardo Silva, Iago Maidana e Fábio Santos; Zé Welison e Elias; Tomás Andrade, Luan (Cazares) e Yimmi Chará; Ricardo Oliveira. Técnico: Thiago Larghi.

Data, Local e Horário: Domingo, 23 de Setembro de 2018, as 16:00h (USA ET 15:00h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro.

Arbitragem: Rodolpho Toski Marques (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Ivan Carlos Bohn (PR) e Victor Hugo Imazu dos Santos (PR), além do Quarto Árbitro Diogo Carvalho Silva (RJ) e dos Assistentes Adicionais 1 e 2 Ilbert Estevam da Silva (SP) e Salim Fende Chavez (SP).

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A proposta real














Irmãos rubro-negros,




em semana sem jogos do Mengo, a política no clube entrou forte como tema principal nos debates.

A diretoria, aproveitando a semana sem campo e bola, lançou a sua candidatura.

Uma candidatura bastante esvaziada, sem apelo, cujo esvaziamento é plenamente justificado pelo fato de que a diretoria e seu grupo político de apoio se isolaram dentro do Flamengo.

Se isolaram: ninguém sabe nada; eles sabem tudo.

E mantendo essa postura de total e completa alienação quanto à realidade que os cerca, a diretoria, dando azo e corroborando a sua visão do que deve ser o nosso futebol, brindou a torcida do Flamengo com mais declarações edificantes.

Em vez de ficar aqui adjetivando o grotesco espetáculo proporcionado, vamos diretos aos fatos, porque muitas vezes a vida supera a arte.

Na segunda-feira, dia 17, nosso vice-presidente de futebol, candidato a presidente escolhido pelo sucedido e pelo seu grupo político de apoio, deu as seguintes declarações (https://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/vice-de-futebol-ricardo-lomba-lanca-candidatura-a-presidencia-do-flamengo.ghtml):


"Futebol vem num caminho bastante interessante. Se formos comparar com o passado recente, estamos disputando campeonatos importantes seguidas vezes. Fomos campeões cariocas ano passado. Final da Sul-Americana, Copa do Brasil... Futebol tem muito de imponderável, mas precisamos estar sempre disputando."


(...)



"Mas o associado tem que ampliar um pouco. Futebol é o carro-chefe, mas há muita coisa para além do futebol. Gestão vem obtendo resultados expressivos em diversas áreas. Futebol tem que dar o toque final, com a conquista do título. O associado, que frequenta a Gávea, entende o Flamengo de maneira mais ampla, vê que a gestão está no caminho certo."

A pergunta era sobre como tornar o futebol do Flamengo vencedor. Mas ele relativizou fracassos, elevou derrotas ao status de indicativos que nos colocam "no caminho certo" e depois desconversou para um papo de que o "associado, que frequenta a Gávea, entende o Flamengo de maneira mais ampla, vê que a gestão está no caminho certo".

A pergunta era sobre futebol e o candidato vem com papo de agradar sócio que "frequenta a Gávea".

E assim nós vamos. As críticas são injustas, estamos todos errados, pessimistas e reclamando por razões políticas. Enquanto isso, eles fazem um trabalho estupendo no nosso futebol e, se as glórias não vêm, a culpa é das circunstâncias, dos detalhes, desse incômodo pormenor chamado “vitória”.

Já se pode antever que a base argumentativa da diretoria quanto a propostas será exaltar o novo Centro de Treinamento, o bom trabalho na base, maravilhosas e pirotécnicas apresentações sobre o "Centro de Inteligência e Mercado" (o Fabinho, indicado pelo Rodrigo Caetano, ainda está lá? Quem é o profissional do setor?), parcerias nas áreas de preparação física, medicina esportiva, fisiologia e psicologia.

Resultado? Títulos? Glórias? Quem se importa com uma bobagem dessa. O importante é que o futebol do clube “vem num caminho interessante”, acumulamos “vice-campeonatos”, o “trabalho é muito bom”, “algum dia venceremos” e o associado sabe que “há muita coisa para além do futebol”.

Embora esteja preocupada com a elaboração dos seus “power points” e propostas mirabolantes, a verdade é que a diretoria tem um trunfo incrível em suas mãos: o fato de que o Flamengo ainda disputa dois títulos este ano.

A despeito dos fracassos retumbantes, mesmo dispondo de orçamento milionário, mesmo com estrutura de primeira, mesmo vendo os adversários agonizando, o fato é que o clube ainda pode conquistar dois títulos em 2018.

E o que seria melhor, como cartão de visita ou proposta para o próximo triênio, do que trazer para a Gávea o título de Heptacampeão Brasileiro?

Apresenta a taça e diz: “O Flamengo, nos últimos vinte e sete anos, conquistou três Campeonatos Brasileiros: 1992, 2009 e 2018.”












Fica melhor que qualquer “power point”. Mostra que o trabalho frutificou, que a diretoria alcançou o objetivo, porque tudo que é feito no esporte de alto nível, no futebol e no Flamengo visa à vitória.

De outro modo, alguém realmente vai acreditar em propostas de uma diretoria que dispôs de recursos jamais vistos em nossa história e fracassou?

Quem tem algo a dizer, tem algo a fazer. Vai lá e executa. Caso contrário, são palavras ao vento.

E o fato é que a diretoria tem este importantíssimo trunfo.

O Campeonato Brasileiro está indefinido. Ninguém está se distanciando e a disputa está aberta. Nossos adversários são bastante limitados. Copa do Brasil também está aberta. Flamengo tem todas as condições de conquistar ambos os títulos. Nosso elenco é milionário e deveria ser adequado para grandes conquistas.

A hora de mostrar serviço é agora.

Concentrem-se nisso em vez de se preocuparem com apresentações eleitoreiras e em passar pano para derrota.

Busquem a glória com toda a sua energia; não hesitem em tomar decisões que nos levem aos títulos. Está tarde, é verdade, e vocês são muito ruins de comando, liderança e mentalidade. Mas a glória é possível. Acreditem e façam por merecê-la.










...



Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.



quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A Pausa

Chegamos enfim a uma quarta-feira livre, isto é, sem jogo do Flamengo por conta de sua eliminação ao Cruzeiro nas oitavas de final da Libertadores. Temos finalmente uma semana livre para treinamentos táticos e possível, ainda que implausível, ajuste tático do time de forma a torná-lo novamente competitivo ou ao menos perto do que estava no período pré-Copa onde de fato apresentava um bom futebol.

Mas o estudo dos adversários a respeito das deficiências do mono-esquema de Barbieri, aliado a saída do Vinicius Jr mais a reiterada escalação de seus próprios "caramujos", como convém a todo técnico iniciante inseguro, e a performance muito abaixo do esperado dos ditos reforços contratados, tornaram o Flamengo ainda no G4 um time de Z4.

E um time de Z4 não se tem confiança na vitória. Um time de Z4 gera mais confiança de vitória do adversário. Não é mais temido. As linhas do adversário avançam mais, se resguardar para que?

Flamengo é um time de cruzamentos inócuos e finalizações imprecisas. Barbieri segue revezando de centroavantes embora ande procurando insistir no mais fraco deles, o Uribe. Cujo posicionamento errático na minha visão atrapalha demais o andamento das jogadas.

Mas a decisão do Departamento do Futebol foi manter o Barbieri. Poderia aproveitar o momento desta pausa para contratação de treinador mais experiente. O que seria talvez complicado visto o clima eleitoral do clube e a possível troca de gestão, o que, em tese, poderia gerar insegurança no hipotético técnico visado.

O clube é assim, a cada três anos, ferve como um caldeirão. Grupos aparecem,  alguns deles parecem muito bons apenas pelo simples fato de atirar pedras, invariavelmente com vários integrantes de ideias conflitantes, unidos pelo utilitarismo de ocasião. A Situação com seus problemas no futebol brilha em outras áreas.  Mas evidente não é o suficiente em um clube em que o futebol é o esporte principal. Poucas conquistas, decisões ruins e/ou controversas no departamento, dilapidaram a confiança antes depositada. Mesmo que todo um trabalho de fortalecimento estrutural e processual tenha sido feito para fazer do Flamengo, um clube sem mecenas e financeiramente equilibrado, apresentar um elenco tão forte que de fato disputa os campeonatos em condições de título. Ao contrário de outros anos. Mas o elenco não apresenta uma performance consistente, parece sucumbir rapidamente  e entra no espiral derrotista.  O que talvez um técnico mais experiente conseguisse reverter. Em tese, mas não garantido.

Enfim, o Flamengo, mesmo com seus problemas e a politicagem interna comendo solta, ainda tem boas chances tanto na Copa do Brasil como no Brasileiro. Tem elenco para isto. Pode fazer resultado contra o Corinthians e voltar a primeira posição no Brasileiro, até porque os clubes que estão na nossa frente estão sucumbindo também. Não há um bicho papão no campeonato como foi ano passado. A disputa ainda está em aberto. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Alfarrábios do Melo


SARAU DOS INTERINOS

1.CONTEXTO – Antecessor com relação ruim com o elenco
2.OPÇÕES – Algum medalhão que por algum motivo não vem
3.IMPACTO INICIAL – Na conversa e na amizade, o vestiário é acalmado. E as vitórias voltam.
4.MUDANÇAS – Normalmente ajustes em relação ao time anterior ou repetição de um modelo
5.O ÁPICE – Com o time correndo no limite, normalmente em pouco tempo vem alguma taça
6.OS PROBLEMAS – Lesões, venda de jogador… Algo acontece e o time começa a desmontar
7.A QUEDA – A casa vai caindo, caindo… E cai de vez
8.O FIM – Às vezes ainda há uma sobrevida, mas dura pouco


PAULO CÉSAR CARPEGIANI (1981-83)

1. CONTEXTO – Flamengo acaba de vencer a Taça Guanabara e lidera seu grupo na Libertadores. No entanto, o treinador Dino Sani enfrenta problemas de relacionamento com algumas lideranças do elenco. Há atritos com Andrade, Raul, Rondinelli e Adílio. A Diretoria enxerga nisso um risco para a sequência da temporada e o demite.
2.OPÇÕES – A opção é Nelsinho Rosa, ex-jogador do clube, Campeão Estadual do ano anterior dirigindo um limitado Fluminense. Mas Nelsinho opta por uma proposta mais vantajosa no Qatar.
3. IMPACTO INICIAL – Apesar de alguns empates incômodos, o time logo dá respostas, com vitórias contundentes e a classificação à Fase Semifinal da Libertadores, o que tranquiliza o ambiente. “Há uma base muito sólida de amizades que criei aqui dentro e numa hierarquia vamos trabalhar com respeito e tranquilidade. O fato de ser amigo do grupo só pode me beneficiar”, declara Carpegiani em entrevista.
4. MUDANÇAS – A ideia é resgatar a formação adotada por Coutinho. Mas, depois de algumas semanas usando um time semelhante ao de Dino Sani, Carpegiani enfim consegue equilibrar a equipe colocando o meia Lico como “falso-ponta” esquerda, no lugar de Baroninho. Outras mudanças relevantes são a recondução de Raul ao time titular e a definitiva efetivação de Mozer.
Time-Base de Dino Sani: Raul, Leandro, Marinho, Rondinelli, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Baroninho
Time-Base de Carpegiani: Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Lico
5. O ÁPICE – Inicia com os históricos 6-0 no Botafogo, culminando com as conquistas do Estadual, da Libertadores, do Mundial e, meses mais tarde, do Brasileiro e, na sequência, da Taça Guanabara.
6. OS PROBLEMAS – Lesão de Nunes no Brasileiro tira poder de fogo. Em 1982, há equívocos nas peças de reposição do elenco (Jasson, Popeia, Zezé, Wilsinho), que na rodagem perde muito rendimento. Com as derrotas, Carpegiani, de temperamento difícil, começa a ser questionado por alguns jogadores. Lento e cansado, o time se torna previsível e facilmente anulado.
7. A QUEDA – No final da temporada de 1982, o time é eliminado da Libertadores e perde o Estadual, afundando em forte crise.
8. O FIM – Mesmo sem ambiente com boa parte do elenco, Carpegiani é mantido, o que se revela um erro. O time se arrasta por algumas semanas até a demissão do treinador, incapaz de voltar a motivar a equipe.

CARLINHOS (1987-88)

1.CONTEXTO – treinador Antonio Lopes entra em rota de colisão com alguns jogadores (notadamente Leandro e Renato) e dirigentes. Responsabiliza Leandro publicamente pela perda do Estadual. Enfrenta um motim de jogadores numa excursão ao México. Na estreia do Brasileiro, vê o time ser facilmente derrotado pelo São Paulo. E pede demissão.
2.OPÇÕES – Zagalo é lembrado, mas a principal opção é novamente Nelsinho Rosa. No entanto, o treinador precisa recusar o convite, pois se recupera de uma cirurgia de ponte de safena.
3. IMPACTO INICIAL – Bem mais tranquilo que nas experiências anteriores, devolve o diálogo ao elenco, que responde com uma convincente vitória sobre o Vasco (2-1) pelo Brasileiro.
4. MUDANÇAS – Carlinhos resgata a formação utilizada por Antonio Lopes no Terceiro Turno do Estadual, mas promove as entradas dos garotos Ailton e Zinho, com o intuito de dar mais vigor e intensidade ao meio-campo. O jovem lateral-esquerdo Leonardo, muito mais habilidoso que o limitado Airton, também ganha vaga no time. A zaga recebe o reforço de Edinho, tornando-se mais técnica e lenta.
Time-Base de Antonio Lopes: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Mozer, Airton; Andrade, Júlio César (Ailton), Zico; Renato, Bebeto, Marquinho;
Time-Base de Carlinhos: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo, Andrade, Ailton, Zico, Zinho, Renato, Bebeto.
5. O ÁPICE – Conquista do Tetracampeonato Brasileiro e, poucos meses depois, da Taça Guanabara.
6. OS PROBLEMAS – Lesões de alguns titulares, principalmente Renato, cuja saída tira muita força do ataque. O time é forte, mas o elenco tem poucas peças de reposição (Leandro Silva, Flávio, Henágio, Vandick etc). Após a Taça Guanabara, o rendimento cai assustadoramente.
7. A QUEDA – Com defesa lenta e pesada, a equipe não consegue enfrentar o jovem e veloz ataque do Vasco, sendo seguidas vezes derrotada pelo rival, o que custa a perda dos dois turnos seguintes e do Estadual.
8. O FIM – Na última partida contra o Vasco, Carlinhos tenta uma última cartada, barrando Leandro por Aldair, tentando dar mais velocidade à zaga. A mudança irrita os líderes do elenco, que se sentem “traídos”. O time até melhora mas perde o jogo, o título e Carlinhos, o cargo.


ANDRADE (2009-10)

1.CONTEXTO – O treinador Cuca jamais foi aceito pelo elenco e mesmo por alguns profissionais do clube, que no máximo o toleram. Nem mesmo a conquista do Tricampeonato Estadual reverte esse quadro, que é agravado com a chegada do atacante Adriano, cuja conduta irrita Cuca. Após várias crises geradas por essa relação tempestuosa, enfim o treinador, sob coro de “Adeus, Cuca”, é desligado, após um empate no Maracanã contra o Barueri (1-1).
2.OPÇÕES – A principal preferência recai sobre Carlos Alberto Parreira, com quem o VP de Futebol chega a acertar contrato, mas a renúncia do dirigente mela o negócio. O Presidente em Exercício prefere o jovem Sérgio Guedes. Os jogadores tentam emplacar Fábio Luciano, recém-aposentado. O novo VP busca Vagner Mancini, que recusa o convite. Com as dificuldades nas negociações, Andrade ganha espaço e recebe nova oportunidade.
3.IMPACTO INICIAL – Tranquilo e de fala mansa, Andrade dá espaço aos líderes do elenco, o que traz paz e harmonia ao vestiário.
4.MUDANÇAS – Andrade rompe com o confuso esquema do antecessor (que recorria a dois ou três zagueiros) e emula a forma de jogo da “Era Zico”. Aproveita para isso o único meia do elenco, o veterano desacreditado Petkovic, e recupera o contestado Zé Roberto. Também recebe reforços para a zaga (ponto fraco do time) e para o meio-campo. É um time completamente diferente.
Time-base de Cuca: Bruno, Léo Moura, Welinton, Fabrício (Airton), R.Angelim, Juan, Willians, Kleberson, Ibson, Emerson Sheik, Adriano.
Time-base de Andrade: Bruno, Leonardo Moura, Álvaro, R.Angelim, Juan (Everton), Airton, Maldonado, Willians, Petkovic, Zé Roberto, Adriano.
5.O ÁPICE – O time apresenta cerca de três meses de excepcional futebol, que é coroado com a conquista do Hexacampeonato Brasileiro.
6.OS PROBLEMAS – Na virada para 2010, o elenco perde peças importantes (Everton, Zé Roberto, Airton), com reposição longe do mesmo nível (Fernando, Felipe Alvim, Michael, Ramón). O grande reforço, Vagner Love, muda as características da equipe, algo com o qual Andrade se mostra incapaz de lidar. Ademais, Petkovic volta a apresentar os conhecidos problemas de relacionamento com os companheiros e tumultua o ambiente.
7.A QUEDA – O Flamengo faz temporada claudicante, sem jamais acertar os problemas defensivos. Perde os dois turnos do Estadual para o Botafogo e por pouco não é eliminado na Primeira Fase da Libertadores.
8.O FIM – O Flamengo precisa fazer dois gols sobre o frágil Caracas no Maracanã para se classificar sem depender de uma combinação milagrosa de resultados. Não consegue. Faz apenas 3-2. Mas o tal milagre acontece e a vaga vem mesmo assim. Mas é o fim de linha para Andrade.

JAYME DE ALMEIDA (2013-14)

1.CONTEXTO – Mano Menezes faz um trabalho apenas razoável à frente do elenco, mas a Diretoria e a torcida confiam nele para algo maior a médio/longo prazo. Mas a relação é interrompida quando o treinador, inesperadamente, pede demissão após uma vexatória derrota para o Atlético-PR (2-4, de virada) no Maracanã.
2.OPÇÕES – A Diretoria chega a sondar Abel Braga, mas a recusa do treinador faz com que a aposta recaia sobre Jayme de Almeida, opção de baixo custo e esperança de reeditar trabalhos vencedores comandados por profissionais de perfil semelhante. O temor do rebaixamento desencoraja soluções mais ousadas.
3.IMPACTO INICIAL – Exortando o elenco a abraçar a torcida e conseguindo canalizar a necessidade de reação de um elenco exposto pelo antecessor, Jayme consegue bons resultados iniciais (empate com o Botafogo pela Copa do Brasil, com boa atuação, e goleada sobre o Criciúma), transformando o medo em esperança.
4.MUDANÇAS – A mais elogiada mudança de Jayme se dá com a definição clara de um time titular, o que não acontecia sob Mano, que dificilmente repetia escalações. O volante Amaral barra Caceres, o que traz dinamismo ao sistema defensivo. O jovem Luiz Antonio ganha uma vaga ao lado de Elias, trazendo alguma técnica ao meio. O criticado Carlos Eduardo enfim recebe sequência como titular e Paulinho é deslocado para a ponta-esquerda.
Time-base de Mano: Felipe, Léo Moura, Chicão, Wallace, André Santos, Caceres, Elias, Gabriel, Carlos Eduardo (Luiz Antonio), Hernane, Nixon (Rafinha)
Time-base de Jayme: Felipe, Léo Moura, Chicão, Wallace, André Santos, Amaral, Luiz Antonio, Elias, Carlos Eduardo, Paulinho, Hernane;
5.O ÁPICE – Em pouco menos de três meses, o Flamengo se mostra capaz de enfrentar e vencer todas as principais equipes do país e, numa arrancada empolgante, conquista a Copa do Brasil.
6.OS PROBLEMAS – Na virada da temporada, o clube não consegue manter Elias (o principal jogador da equipe) e ainda convive com um processo judicial movido por Luiz Antonio, que tenta desvincular-se do Flamengo. A saída dos dois jogadores destroi a espinha dorsal do time, problema que Jayme jamais consegue resolver. Alguns titulares caem assustadoramente de produção (Hernane, Carlos Eduardo). Vários reforços são contratados mas poucos emplacam, e Jayme prefere recorrer a nomes como Recife, Muralha, Digão e Negueba.
7.A QUEDA – O time ainda consegue conquistar o Estadual (na esteira da péssima fase dos rivais), mas é categoricamente eliminado da Primeira Fase da Libertadores, o que acende pesada crise.
8.O FIM - Mesmo com a eliminação no torneio continental, Jayme é mantido. Mas a conquista do Estadual, cada vez mais desvalorizado pelo torcedor, se mostra incapaz de recuperar o prestígio do treinador. E Jayme é demitido na quarta rodada do Brasileiro, após derrota em um Fla-Flu.

ZÉ RICARDO (2016-17)

1.CONTEXTO – Muricy Ramalho, que vem de péssimos resultados no semestre, pede afastamento por recomendação médica, após a primeira rodada do Brasileiro (vitória por 1-0 sobre o Sport);
2.OPÇÕES – O Flamengo chega a acertar a contratação de Abel Braga, mas a impossibilidade de contar de imediato com o treinador (por questões contratuais) faz emergir um processo de rejeição interna e externa. O interino Zé Ricardo, campeão da Copa SP, ganha tempo e, com resultados, prestígio;
3.IMPACTO INICIAL – Zé Ricardo, ao contrário do antecessor, consegue transmitir rapidamente a capacidade de fazer o time funcionar. Organiza a primeira linha defensiva e, com atuações seguras, conquista vitórias sobre Ponte Preta (em Campinas, quebrando longo tabu) e Vitória.
4.MUDANÇAS – O novo treinador é adepto de um sistema de jogo mais pragmático, um híbrido que conjuga posse de bola com índole defensiva. Sensível à relação de forças no elenco, monta uma equipe em que as principais lideranças do plantel são aproveitadas. Recebe reforços para a criticada zaga (Rever, Donatti e Rafael Vaz), barra o goleiro Paulo Vitor, que vive péssimo momento, e ganha o meia Diego, que traz um notável upgrade ao nível da equipe. Os aplicados, mas limitados, Gabriel e Márcio Araújo também são promovidos à equipe titular. Os estrangeiros Cuellar e Mancuello perdem espaço.
Time-base de Muricy: Paulo Vitor, Rodinei, Wallace, Juan, Jorge, Cuellar, W.Arão, Mancuello, M.Cirino, Guerrero, Gabriel (Emerson Sheik).
Time-base de Zé Ricardo: Muralha, Pará, Rever, Rafael Vaz, Jorge; M.Araújo, W.Arão, Diego; Gabriel, Guerrero, Everton
5.O ÁPICE – O Flamengo, antes ocupando posições intermediárias, ascende na tabela e sustenta, por várias rodadas, uma renhida briga pela liderança com o Palmeiras, de quem chega a estar a apenas um ponto.
6.OS PROBLEMAS – O modelo de jogo mostra sinais de esgotamento ainda em 2016. Para o ano seguinte, Zé Ricardo tenta utilizar Mancuello deslocado na direita, mas a experiência não funciona. O golpe fatal surge com a lesão de Diego, que vinha em primorosa fase. Incapaz de encontrar alternativas e reticente em aproveitar os reforços em detrimento dos antigos titulares, Zé Ricardo vai se sustentando com a campanha no Estadual e com as vitórias em casa pela Libertadores. Mas as derrotas como visitante acendem um alerta que é ignorado.
7.A QUEDA – Insistindo com jogadores nitidamente limitados, Zé Ricardo sofre duríssimo golpe ao, poucos dias após a conquista do Estadual, ser derrotado pelo San Lorenzo no Estadio Gasometro, resultado que, novamente, elimina o Flamengo de uma Primeira Fase da Libertadores. A perda da vaga sepulta o mínimo de prestígio que o treinador ainda reunia com a torcida.
8.O FIM – A Diretoria, renitente, insiste com Zé Ricardo. O time ainda esboça ligeira reação por poucas rodadas no Brasileiro, mas rapidamente entra em queda livre. O treinador segue dando sistemáticos sinais de apego ao núcleo de jogadores do início do trabalho. O Flamengo por pouco não amarga eliminação humilhante na Copa do Brasil, ao ser goleado pelo Santos (2-4, em falhas grosseiras de Muralha e Vaz). O fim da linha acontece após uma derrota, em plena Ilha do Governador, para o Vitória (0-2), quando, contra a vontade do Presidente, o treinador enfim perde o cargo.



terça-feira, 18 de setembro de 2018

Descaso


SRN, Buteco.

Acho que todos nós temos os nossos próprios rituais preparatórios para assistir aos jogos do Flamengo.

Seja no estádio, seja num bar ou mesmo em casa.

Separar a camisa, marcar com  os amigos, colocar cerveja ou refrigerante para gelar, preparar algum petisco, verificar se o radio está com pilha antes de sair pro estádio ( esse ultimo está em extinção...)

Dependendo da partida, é o grande evento da semana, o qual esperamos ansiosamente e nos programamos em função dele. Quem já não remarcou algum compromisso ou deixou de ir a algum aniversário porque era dia de jogo do Flamengo?

Nos últimos tempos, porém, assistir a jogo do Flamengo se tornou um  fardo.

Já iniciamos a semana com a quase certeza de que ela vai ser estragada justamente por aquilo no nos dava um dos maiores alegrias.

Assisir a jogo do Flamengo virou ir a reunião de condomínio, enfrentar fila de banco, consulta ao dentista.E caminha perigosamente para se tornar algo temível, uma coisa que tentaríamos evitar se fosse possível.

Assistir ao Flamengo caminha perigosamente para se tornar uma colonoscopia virtual.

Começa o jogo e, com 10,15 minutos já se tem a impressão do que não vai sair nada dali.Não se chuta a gol, a lentidão é gritante, assim como o conformismo dos jogadores em campo.

E o que antes era prazer se transforma em obrigação, uma tarefa comum e insossa, e durante a partida invariavelmente bate a vontade de usar o celular ou dar uma folheada naquele livro esquecido na cabeceira da cama.

Ao final do jogo, como quase sempre o time vem confirmando as expectativas ruins, a cada dia conseguimos sentir menos raiva.

Sentimos um misto de tristeza, desprezo e convicção de que , infelizmente aconteceu o que se esperava e o time decepcionou mais uma vez,

Caminhamos para a indiferença. Espero, sinceramente, ansiosamente, desesparadamente, que algo mude.