sábado, 19 de janeiro de 2019

Com Bruno Henrique, Flamengo resolve sua vida ofensiva. Falta equilibrar o restante

Pelo noticiário das últimas horas, a vinda de Bruno Henrique é questão de tempo. O Santos teria aceitado o pagamento parcelado de R$ 23 milhões mais Ronaldo emprestado por um ano.

Após um blefe do vice-presidente de futebol, Marcos Braz, que declarou publicamente a desistência do jogador, depois do Santos ter feito diversas exigências de última hora, eis que o presidente da equipe paulista, percebendo que estava perdendo a única carta da manga para aliviar um pouco suas finanças, volta atrás e aceita os valores iniciais somado ao empréstimo de apenas um jogador.

Com isso, o Flamengo está perto de ter um dos melhores ataques da história da Gávea, e falo isso sem qualquer medo ou receio de traumas antigos. 

Pelo Santos em 2017, foi o artilheiro do time paulista com 18 gols, sendo oito deles no Brasileirão, além de incríveis 11 assistências e 19 participações em gols alvinegros.

Porém, logo em janeiro de 2018, sofreu uma contusão no rosto, resultando em cinco tipos de lesões no olho direito. Foram três meses longe dos gramados. Quando retornou, sofreu lesão muscular que o afastou por mais um mês. Na volta, novamente teve um problema: chocou-se com a trave em um lance isolado, provocando um trauma na bacia.

Bruno Henrique chega pra ser o jogador de profundidade que falta ao Rubro Negro, após a saída de Vinicius Jr. É o jogador do drible, da surpresa, das jogadas agudas, da assistência e finalização. O Flamengo tem muitos pontas, mas a maioria corta para o meio de campo. Talvez apenas Berrío tenha característica oposta.

O @flaviokavalo marcou no campo o local exato dos 16 gols e 21 assistências que realizou no Goiás e Santos apenas em jogos pelo Brasileirão.



Como se vê, joga pelos dois lados do campo, não fecha pelo meio para distribuir suas assistências e adentra à área para finalizar.

Na temporada passada, um dos grandes problemas da equipe foi ser arame-lisa, de não decidir seus jogos. Para resolver, foram contratados jogadores que foram protagonistas em seus times.

Resta agora resolver as deficiências defensivas, especialmente na lateral direita e um segundo volante. Arão não pode ser o titular desse time.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A estreia











Irmãos rubro-negros,



O Flamengo volta ao Maracanã no próximo domingo,  dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Que dia melhor para a estreia do clube na temporada 2019 em solo nacional?

Muitas novidades, no banco e no campo. 

Mas um fato não será novidade: a torcida do Clube de Regatas do Flamengo.

Oficialmente, mais de dezoito mil ingressos foram vendidos até o fechamento da coluna.

E ainda teremos o dia de hoje, o sábado e o domingo.

Alguma dúvida de que o Maracanã vestirá vermelho e preto?

Eu estou com muita saudade de ver a camisa rubro-negra em campo. E creio que, assim como eu, há muitos irmãos flamengos. 

Portanto, não só no Maracanã, mas diante da tela, acredito que a audiência será alta. O Flamengo é um fenômeno de popularidade.

E isso para um jogo do Campeonato Carioca, competição que tem gozado de reduzido apelo nos últimos anos.

É como eu digo e faço questão de repetir: a Nação Rubro-Negra é a maior e melhor torcida do mundo.

Salve o Mais Querido.




...




Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Sobre o pensamento positivo

Embora seja encarado como algo desejável e mesmo recomendável, há um enorme problema em relação ao pensamento positivo, que é a crença que as coisas decidirão a seu favor, apenas porque você pensa fortemente em relação ao resultado final desejado. Esta crença vem, muitas vezes, acompanhada de  fervor religioso em que o ser divino de suas elucubrações mentais praticamente fica obrigado a atender o objeto desta crença, sob a pena de ser objeto de frustração e mesmo repúdio, caso a graça não ocorra. Claro que, afinal de contas, mesmo que nada aconteça, a prática emocional e racional do crente de terceirizar o atendimento das vontades por um ente sobrenatural acaba  prevalecendo. É sua cultura. É sua dependência. Do que vem a inevitável conclusão que ele, enquanto ser humano, simplesmente é insuficiente para entender os desígnios do ente sobrenatural. Ocorre então o pedido de perdão, até porque precisa deste ente sobrenatural para atendimento de suas outras vontades.

E, no caso específico do Flamengo, tivemos na gestão anterior um exemplo de pensamento positivo limitador inócuo.  A crença que aprimorando a estrutura e processos, por si só, traria os títulos desejados. Esta gestão atual, ao menos, começou com um pensamento diferente no futebol. Pratica um foco forte na busca de títulos, o que faz desde a campanha, por sinal, o que basicamente garantiu sua eleição. A busca por um título é árdua, difícil e nada garantida. Porque há outros fortes competidores, e o futebol, muitas vezes, é decidido por lances fortuitos, arbitragens tendenciosas, e mesmo falta de inspiração dos jogadores e comissão técnica em momentos cruciais. Não é o pensamento positivo que trará resultados, é o foco acompanhado de trabalho duro em ambiente hostil. Porém, quando você conta com uma ótima estrutura, uma boa comissão técnica, e jogadores diferenciados, este trabalho é facilitado. 

Flamengo começou bem vencendo o torneio Disney enfrentando dois times europeus. Mostrou saber suportar pressão contra o Ajax, vencendo, inclusive uma disputa de pênaltis. E foi soberano na partida contra o Eintracht Frankfurt. Claro que é pouco para qualquer tipo de definição, mas é um sinal muito positivo. Fora isto temos o Abel com a determinação correta, ao meu ver, de seguir o benchmarking do Palmeiras mantendo dois times competitivos no elenco. Algo que se fala desde o ano passado e não eficientemente praticado, quando se adotou aqueles times mistos inócuos pois não entrosados. Vamos ver como será daí em diante em 2019. 








quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Alfarrábios do Melo

Caro, velho, preguiçoso, bichado e decadente.

A cesta de adjetivos pespegada no goleiro Raul neste verão de 1980 não é das mais altaneiras. Com efeito, a usina de verdades definitivas do futebol, ao se deparar com um jogador veterano, dado a lesões, que permaneceu na reserva por praticamente toda a temporada anterior em função de lesões e das atuações de Cantarele, que enfim parece ter se firmado após anos e anos de insegurança, já estampa em fria lápide seu vaticínio. Raul, aos 34 anos, está acabado.

Virou um come-dorme. Um peso morto.

O Flamengo reina onipresente no território estadual (de cujo campeonato é tricampeão sem perder sequer um turno), mas parece incapaz de saltar em busca de conquistas mais robustas, acumulando frustrações nas últimas competições nacionais. A mais recente delas ainda lateja na carne rubro-negra, ferida com a goleada sofrida em pleno Maracanã para o apenas aplicado Palmeiras de Telê (1-4), diante de 120 mil almas atônitas, desastre que selou a eliminação de um Brasileiro pelo qual os flamengos nutriam vasta expectativa (a derrota custou a vaga para as Semifinais). Sensível à voz rouca das bocas malditas, a Diretoria pretende levar adiante uma moderada reformulação. Busca encontrar o elo perdido, o elemento que falta para que esse time, enfim, decole.

Assim, para a criticada zaga chega Marinho, destaque do Londrina-PR. A lateral-direita é reforçada com Carlos Alberto, trazido do Joinville-SC (já prevenindo a provável saída de Toninho, que deseja se transferir para o exterior, o que só acontecerá no segundo semestre). Outras apostas são o meia Aderson, vindo do Remo-PA e o atacante Gerson Lopes, recrutado junto ao Operário-MT.

Mas há a “barca”, cujo principal integrante é o encrenqueiro atacante Beijoca, que caiu em desgraça na fatídica derrota para o alviverde, ao esmurrar um palmeirense e ser expulso, o que abriu caminho para a goleada. Beijoca, que se revelou um alto e inútil investimento que virou pó, é devolvido ao Bahia a preço camarada. Não se acerta todas. Junto com Beijoca, o zagueiro Nelson e o atacante Cláudio Adão, em litígio com o treinador Coutinho, também devem sair.

E Raul.

A aparente acomodação com a reserva (é notória a aversão do goleiro a treinamentos), o alto salário e a propensão a lesões engrossam o coro dos que desejam vê-lo fora do Flamengo. É chegada a hora de abrir oportunidades a jovens valores, seja de dentro ou de fora do clube. Se a terceira opção, o novato Hélio dos Anjos, ainda é tido como muito “verde”, que se contrate alguém capaz de fazer a adequada sombra a Cantarele. A questão é que o clube, que ainda convive com limitações financeiras, não pode se dar ao luxo de manter um jogador velho, inútil e caro em seu elenco.

Receptiva a essas perorações, a Diretoria admite negociar o arqueiro. E logo começam as especulações. Interessado no talentoso atacante Chico Fraga, destaque do Náutico-PE, o Flamengo oferece Raul e mais dois jogadores aos pernambucanos visando a uma troca em definitivo. Indagado sobre a transação, Coutinho desconversa, mas nas entrelinhas deixa clara sua posição: “Fraga é um ótimo jogador e nos interessa”. Outra possibilidade, mais sólida, é a venda para o Grêmio, que precisa de goleiro em função da despedida do veteraníssimo Manga, que aos 42 anos está de saída para o futebol equatoriano. Os gaúchos demonstram interesse e o Flamengo aceita conversar ao longo da pré-temporada, que está para começar.

Neurocisticercose. Larva de tênia/solitária (parasita encontrado em carne de porco mal cozida) alojada no cérebro. O diagnóstico, que enfim traz a causa das lancinantes, torturantes, sufocantes dores de cabeça que se revestem em uma dolorosa e angustiante rotina diária, enfim pode ser uma luz para o ansiado fim desse tormento. No entanto, o preço a pagar é enfeixado por um caráter de crueldade inerente aos mais dramáticos enredos de folhetim. Bezerra, o melhor zagueiro do São Paulo FC, um dos melhores defensores em atividade no futebol paulista e brasileiro, que vive o auge de sua carreira e é especulado para a próxima convocação da Seleção Brasileira, o valente Bezerra, ídolo da torcida são-paulina, terá que parar de jogar futebol. Neurocisticercose. É o adágio implacável, irretorquível e irreversível. Como nos mais tristes filmes.

A notícia cai como uma bomba nas hostes do Morumbi. Mas não é possível acomodar, dar um jeito, buscar uma rotina especial? - gritam vozes eivadas de inconformismo. Os médicos cravam, resolutos, em Medicina não existe talvez, ou é ou não é. E Bezerra, a seguir golpeando sua cabeça em jogos de futebol, corre risco de morte. Precisa encerrar imediatamente a carreira.

E assim se fará. E assim se faz. A Diretoria do São Paulo, sensibilizada, anuncia que promoverá um amistoso de despedida para Bezerra. Envidará todos os esforços para que o evento seja concorrido e tenha grande repercussão. E convida a equipe que julga mais apropriada para um jogo de alto nível, um acontecimento de real primeira linha.

O CR Flamengo.

Enquanto vai dando continuidade à montagem do elenco, o rubro-negro volta das férias com alguns problemas para a estreia da temporada de 1980, que será justamente no amistoso contra o São Paulo. Lesões, contratos vencidos e a perspectiva de contar com um time bastante desfalcado preocupam Coutinho, que sabe da importância psicológica dessa partida contra os tricolores. Com efeito, a derrota para o Palmeiras trouxe uma aura de incertezas e voltou a suscitar questionamentos indesejáveis acerca da qualidade da equipe. Outra derrota, especialmente em um jogo contra uma equipe de ponta, terá consequências imprevisíveis. E o Brasileiro já está à porta, começando em poucas semanas.

Nesse contexto, Cantarele aparece com uma torção no joelho. Está fora da pré-temporada, não poderá viajar para São Paulo e para os demais amistosos pelo país. Coutinho ainda cogita dar chances a Hélio, mas é convencido a dar o braço a torcer e se rende ao óbvio.

Escalará Raul.

Existe, em qualquer trajetória, o que se chama de momentos-chave. A passagem em que se descortina a tal bifurcação de estradas tão explorada nos clichês de desenho animado. Costuma-se dizer que nossos caminhos são definidos por nossas ações. Somos o que fomos e o que seremos, recita pimpão o poeta de guardanapo. Seja como for, Raul se vê envolto exatamente por um desses momentos. Sabe que sua continuidade no Flamengo, e talvez até no futebol, está diretamente relacionada ao que produzir em campo nessa partida. Raul não atua em sequência há praticamente um ano, conta com a desconfiança da Comissão Técnica, da Diretoria, da torcida e da imprensa. Terá um estádio contra si, com transmissão pela TV espraiando seus atos para todo o País. Um ambiente de altíssima pressão, ao qual poucos resistem.

E uma história pronta para ser escrita. E contada.

Tarde de sábado tipicamente paulista, nublada, garoa esparsa. Um Morumbi com 50 mil presentes (público excepcional para um feriadão) se enfeita para uma grande festa. Revoada de pombos, queima de fogos, inauguração do placar eletrônico, preliminar entre veteranos do São Paulo e de uma Seleção Brasileira, a presença de Falcão, craque e estrela do Internacional que acaba de se sagrar Tricampeão Brasileiro, que chega ao estádio de helicóptero, tudo concorre para amplificar as expectativas dos torcedores locais para o prato principal da tarde. O jogão que, além de assinalar a emocionante despedida de Bezerra, também servirá para que o São Paulo apresente aos seus adeptos os seus novos reforços: o treinador Carlos Alberto Silva, o zagueiro Nei, os meias Ailton Lira e Assis (que se destacará anos mais tarde, no Fluminense) e o atacante Paulo César. O Flamengo, por sua vez, estreará Marinho e Carlos Alberto, mantendo ainda a base do ano anterior. Ajustes, sem terra arrasada.

Cinco minutos. a bola vem da direita e chega a Serginho Chulapa, que fuzila rasteiro. Raul mergulha e espalma de forma espetacular. O rebote vai a Zé Sérgio, que, na cara do gol, emenda a bomba. Mas o inacreditável acontece e Raul, caído, voa para espalmar o torpedo a córner. Assombrados, os torcedores murmuram.

É o início de um recital.

Sentindo a falta de ritmo de jogo, o Flamengo não consegue se encontrar. Aceita a forte marcação dos paulistas. Mal passa da intermediária. Zico, irreconhecível, não dá sequência aos lances. E as chances tricolores se sucedem. Todas, invariavelmente, interceptadas por Raul, em uma tarde sacrossanta. Serginho emenda rasteiro, Raul defende. Serginho cabeceia, Raul espalma. Serginho bate de voleio, Raul agarra. Alguém manda de longe, Raul está lá, de mão trocada. Os primeiros 45 minutos se revestem de uma verdadeira aula ministrada pelo veterano arqueiro flamengo. Pasmos, todos perguntam: o que ele estava fazendo na reserva esse tempo todo? Sim, porque se o placar ainda está em branco, e o Flamengo não está perdendo por dois, ou mais, gols de diferença, isso se deve única e exclusivamente às defesas de Raul.

As equipes voltam do intervalo com alterações. No São Paulo, Bezerra, após comovente ritual, dá lugar a Jayme de Almeida (ex-Flamengo). Já pelo rubro-negro, um irritado Coutinho troca Rondinelli por Manguito e Adílio por Andrade. Dá certo. Mais consistente atrás, o Flamengo consegue trocar passes, reter a bola e, enfim, criar chances. Zico melhora, e comanda a equipe, que passa a exigir de Valdir Peres. O goleiro são-paulino também faz bonitas defesas e impede que os visitantes estraguem a festa dos da casa. Mas está escrito que a tarde terá um e um só protagonista.

O São Paulo, cansado pelo esforço da primeira etapa, encolhe suas linhas e passa a atuar em contragolpes, explorando os velozes Paulo César e Zé Sérgio. As chances escasseiam, mas seguem agudas. Numa delas, Assis recebe livre dentro da área e emenda, mas Raul, sempre Raul, está lá. Noutra, Raul neutraliza Serginho pela enésima vez. E assim o tempo vai passando, com o Flamengo mantendo a posse de bola, o São Paulo fazendo o tal “jogo reativo”, num espetáculo que vai compreensivelmente perdendo intensidade com o passar do tempo. Mas ainda resta um último laivo de emoção, nos minutos derradeiros. Júnior tenta emular Domingos dentro da área, erra e perde a bola, que sobra para Paulo César completamente livre, nas franjas da pequena área, pronto para mandar às redes o gol da vitória. E o atacante manda um balaço, alto, buscando o ângulo, como manda o manual. Cinquenta mil vozes se erguem em um grito de gol, bruscamente interrompido diante da visão daquele animal alado em cinza, que num gesto desumano logra esticar-se ao limite das últimas forças, erigindo-se em um sopro místico que roça e desvia a pelota para a linha de fundo. Uma defesa monstruosa, sobrenatural. Depois disso, a verdade indelével é estampada na cara de todos os felizes espectadores do cotejo. Não há força da natureza capaz de varar o arco guarnecido por Raul Plassmann nessa fria tarde de sábado. Resta a uma resignada plateia encharcar-se em caudalosos aplausos ao goleiro do Flamengo.

E trila o apito. E termina em 0-0 o espetáculo.

Uma nuvem de microfones recobre o protagonista da tarde. E Raul não deixa barato. Com a frieza que lhe é peculiar, desfere um cínico desabafo, sem mover um músculo da face ou alterar qualquer átimo do timbre de sua voz: “Bem, acho que resolvi me mexer um pouco, né? Parece que não estou morto, então. Ora veja… De qualquer forma, se estivesse velho já estaria de bengalas, deitado no sofá...”

Seja como for, o amistoso no Morumbi traz respostas. Surpresos, os dirigentes flamengos acolhem a enésima lição dada por esse maravilhoso troço chamado futebol. Sim, porque um profissional que ostenta um currículo da envergadura de um Raul Plassmann, até aqui o mais vitorioso jogador do elenco, um atleta desse nível pode ser criticado. Pode ser confrontado. Pode ser cobrado. Pode até ser barrado. Ou mesmo, eventualmente, ignorado. Mas nunca, jamais, descartado. Ainda mais em um plantel sedento das glórias e das conquistas cujo caminho um homem como Raul já trilhou várias vezes.

Porque há os momentos de pressão. E há os instantes de pressão extrema, opressiva, esmagadora, que convidam o atleta a testar os limites de sua existência. E se a maioria sucumbe, cambaleia, se esconde ou simplesmente fenece a essa pressão, há os que nela encontram abrigo e paz. Os anjos bestiais que dela se alimentam.

E esses estão, inapelavelmente, condenados ao êxito.

* * *

* Bezerra somente suportou dois anos de aposentadoria forçada. Em 1982, contrariando as ordens médicas, voltou a atuar pelo modesto Fernandópolis-SP. Em 1985, após rodar por equipes de menor expressão do interior paulista e mineiro, encerrou definitivamente a carreira. Hoje é comerciante.

* Raul seguiu mantendo o alto nível de suas atuações nos amistosos restantes da pré-temporada, o que o fez recuperar a posição de titular do gol do Flamengo. E, como titular, conquistou um Mundial, uma Libertadores, três Brasileiros e um Estadual, entre outros troféus. Encerrou a carreira em 1983.

* No Brasileiro de 1980, o primeiro conquistado pelo Flamengo, o rubro-negro teve a oportunidade de se vingar da goleada sofrida para o Palmeiras no ano anterior. E não a desperdiçou. Numa atuação de gala, enfiou 6-2 nos paulistas, vitória que é considerada o marco inicial da arrancada para aquele título.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Taça Guanabara


Olá Buteco, boa tarde!

Começamos a temporada. Flamengo x Bangu, próximo domingo no Maracanã abre oficialmente a temporada para o Mais Querido.

Para todos que estávamos com saudades do time, já começamos naquela sequência de jogos domingo/quarta por toda a fase de classificação da Taça Guanabara. Cabe ressaltar que semifinal e final ficam para os domingos.

Diferentemente do ano passado, o Flamengo entra no campeonato com o que tem de melhor. Embora esses primeiros jogos não ofereçam um bom nível de competitividade, podem pelo menos servir para ajustar o time (na verdade, os times) para a estreia na Libertadores, dia 5 de Março, entre a 2a e a 3a rodadas da Taça Rio.

Chegando à final da Taça Guanabara, são 9 jogos antes do San José lá. Abel já sinalizou que vai trabalhar com dois times, provavelmente alternando-os entre os jogos de meio de semana e fim de semana.

Acho uma boa estratégia, mas entendo que esses times não deveriam ser fixos, dando a pecha de "time titular" x "time reserva". Temos uma base boa com Alves, Rodrigo Caio, Renê, Cuellar, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Gabigol e Vitinho. Naturalmente, a tendência é todos eles jogarem juntos no time da Libertadores. No entanto, para o Campeonato Carioca, seria interessante encaixar reservas importantes (e a garotada) nessa base para tentar fazê-los melhorar seu nível de jogo também.

Por exemplo, nesse clássico da 3a rodada com Botafogo, podemos colocar um Jean Lucas no meio, um Lucas Silva ou Vitor Gabriel no ataque e mesclar com os medalhões, dando oportunidade para que esses garotos também sejam preparados para a (dura) temporada que virá pela frente.

Aliás, um fator importante é o equilíbrio emocional do time nos clássicos regionais. Ultimamente, especialmente contra Vasco e Botafogo, os jogos têm sido físicos demais, com os rivais equilibrando a melhor técnica flamenga com marcação forte e muita aplicação tática. Saber controlar os nervos, botar a bola no chão e envolver os adversários serão os nossos desafios nesses jogos, assim como maximizar o aproveitamento dos lances criados. Com Arrascaeta e Gabigol, espera-se um time mais letal. A ver.

Saudações RubroNegras!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Tá Bom ou Tá Flórida?

Salve, Buteco! E aí? Que tal o título da Flórida Cup para abrir os trabalhos em 2019? Mesmo sendo um torneio amistoso (embora tenha clube por aí que não hesitaria em pedir aquele reconhecimento básico à FIFA), levantar uma tacinha em cima de dois tradicionais clubes europeus e ainda por cima com o São Paulo na lanterna da competição, com zero pontos ganhos, tem um saborzinho especial, concordam? Pois bem, voltando à realidade, durante as férias e recesso de final de ano o Flamengo demonstrou sua força financeira no mercado, contratando três jogadores em operações com altas cifras. Sinto que a Nação se acalmou um pouco, baixando bastante o tom das críticas. Dois dos nomes anunciados de fato constituem contratações de grande impacto nos cenários brasileiro e sul-americano. Não há como questionar Gabriel Barbosa e Giorgian De Arrascaeta, nem dá pra imaginar o Mais Querido sem poder ofensivo nesta temporada que ora se inicia. Além disso, mesmo não estando em alta, Rodrigo Caio é um zagueiro novo e com currículo, não havendo sentido em questionar o seu potencial técnico. São três bons reforços, que deixaram a torcida mais confiante. Mas como está o restante do elenco?

No final de novembro publiquei este post sugerindo uma lista de nomes de jogadores do elenco atual que deveriam ser dispensados ou negociados. Confesso que me empolgaram as saídas de Réver e Rômulo, que, das minhas sugestões, considerava as dispensas "mais urgentes". E se considerarmos que Juan em breve se aposentará e o clube sonda atletas para as duas laterais, devendo ser questão de tempo as negociações de Pará e Trauco, até que meu "índice de acerto" foi bem razoável. 

De outra banda, as chegadas não se limitarão aos três primeiros reforços. Além dos laterais, o noticiário dá conta que a Diretoria busca no mercado mais um zagueiro e pelo menos um atacante de lado. Os nomes e as cifras especuladas indicam que virão nomes para disputar posição no time titular ou, quando menos, jogar muitas vezes durante a temporada.

Então, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem... ou talvez nem tanto. É que a torcida anda ressabiada com a possibilidade de Diego renovar e Willian Arão ser titular. Dois casos distintos, mas que justificam o "pé-atrás" dos torcedores.

***

Willian Arão traz à tona a polêmica em torno do "segundo volante". As definições das variações da posição e boas sugestões para contratação podem ser encontradas neste post do Blog Ninho da Nação, do nosso amigo e colunista André Amaral, em texto escrito por ele e Joza Novalis. O problema é que, apesar de cada vez mais pessoas, entre torcedores e cronistas esportivos, engrossarem o coro de que Arão não deveria ser titular, a Diretoria, até o momento, não deu sinais de que pretende contratar alguém para a função.

Arão está tão desgastado com a torcida por conta de atuações displicentes e "avoadas", além de posturas antipáticas (como a defesa de Márcio Araújo contra Cuéllar), que é raro algum torcedor enxergar qualidades em seu futebol. Não chego a tanto, porém considero a situação preocupante. Explico: no post da barca eu ponderei que até renovaria, desde que outro atleta fosse contratado para o "time A". É que boa parte dos jogos do Campeonato Brasileiro serão disputados contra equipes com elencos muito inferiores ao do Flamengo. Logo, desde que se posicione e jogue como na reta final do Brasileiro/2018, sob o comando de Dorival Júnior, Arão quebraria o galho. 

Com Dorival, Arão recuou e foi bem na marcação, com muitos desarmes, sem prejuízo de sua característica de apoiar o ataque com infiltrações na área adversária, especialmente pelo setor direito de ataque. Além disso, tem uma boa presença na bola aérea. Mas nem precisaria chegar a disputar todo o Brasileiro. Um bom primeiro semestre, disputando o Estadual pelo "time B", poderia facilitar uma negociação no meio de um ano no qual o clube está gastando muito para reforçar o elenco. 

Bem, isso é o que eu penso, o que é muito diferente do cabeludo ser titular por mais um ano, o quarto (!) no Flamengo, ainda por cima no time que disputará Libertadores. Prezados Landim, Bap, Braz, ilustres integrantes do "Conselhinho" e, principalmente, prezado Abel Braga: Arão na Libertadores? Sério?! Como diria Joel Santana, expert no tema da volância, vocês estão de "brincation" comigo! 

Né?

***

Outra situação peculiar é a do meia Diego Ribas. Na minha opinião, se tem alguém que vacilou e "pediu" para estar nessa situação foi o próprio Diego. Desde 2016, quando chegou, na condição de uma das principais lideranças, inclusive técnica, do elenco, ecoou como nenhum outro a gênese do "pensamento banana", traço marcante da gestão Eduardo Bandeira de Mello. Verdadeiros hits da bananice, como "o trabalho está sendo bem feito" e "os títulos virão na hora certa" tiveram representação viva nas entrevistas de Diego, seja defendendo que anos como os de 2016 e 2017 haviam sido "bons", ou até mesmo "peitando" publicamente o treinador (Rueda) que queria rodar o elenco e diminuir o desgaste da maratona.

Para piorar só mais um pouquinho, uma séria contusão que o tirou de grande parte da fase de grupos da Libertadores/2017, o que sem dúvida acabou pesando para a eliminação do Flamengo (sem justificar as decisões de Zé Ricardo). Depois disso, Diego, que na minha opinião elevou o patamar do time a partir de sua chegada, passou a jogar bem com muito menos regularidade. Peço atenção neste ponto: não sou médico, fisioterapeuta e nem fisiologista, muito menos atleta ou treinador de futebol. Não estou dizendo que a contusão incapacitou e nem mesmo que impediu Diego de mostrar seu melhor futebol.

E nem poderia, já que posso citar pelo menos quatro grandes atuações após a volta da contusão: 2x0 Santos (28/6/2017 - Copa do Brasil), 2x0 São Paulo (2/7/2017 - Brasileiro), 1x0 Corinthians (3/6/2018 - Brasileiro) e 2x0 Grêmio (21/11/2018 - Brasileiro). Não digo que a lista seja exaustiva, mas é bem mais fácil enumerar atuações pouco eficientes. O "xis" da questão é saber o porquê. Contusão ou outro motivo?

Dizem por aí que o recuo do posicionamento de Diego teria relação com Tite e a convocação para a Copa do Mundo/2018. Por isso teria se sentido traído ao não figurar na lista de convocados. Se é verdade eu não sei, mas tenho certeza de que o apelido de "enceradeira", que sequer era cogitado antes da contusão, subitamente passou a lhe cair como uma luva. Com seu "novo posicionamento", quem perdeu foi o Flamengo, mais do que o próprio atleta.

O certo é que Diego só se enrolou após a contusão. Sob pressão desde as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, e na condição de "reserva de luxo", tenta reverter o quadro. Com Dorival, melhor posicionado em campo, próximo à área adversária, onde rende melhor, teve algumas boas atuações. Agora, faltando cerca de um semestre para o final de seu contrato, tem propostas do Orlando City e do Flamengo. Apesar de tudo, quer aumento para ficar, o que soa absurdo aos ouvidos de boa parte dos torcedores.

Qual será o desfecho?

***

Gabigol e De Arrascaeta possuem características bastante ofensivas. Para não ficar com um time desequilibrado entre a armação e o ataque, tenho para mim que o Flamengo deveria reforçar o elenco também no meio de campo, o que se tornará ainda mais imperioso acaso Diego deixe o clube.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Então começou...

No Twitter: @alextriplex

Foram apenas 12 dias de 2019. Em um mundo normal. Mas o nosso mundo não é normal. Nunca é normal. Aqui é Flamengo, e pegando o gancho da Flórida, uma montanha russa de notícias e emoções, com paixão, com clubismo, com a porra toda, e sem teoria dos jogos, dos números, dos resultados. Aqui é irracionalismo puro, a maior essência do torcedor do Flamengo.

Comecemos por Gabigol e Arrascaeta. Sério mesmo: é impossível não entrar no modo fanfarrônico ao imaginar os 2 no meio do time que encerrou o jogo de hoje. Primeiro, por serem 2 jogadores extremamente qualificados, que você pode largar em qualquer faixa do campo, e eles vão se virar sem susto. Jogadores acima da média, e que podem e vão nos dar muitas alegrias. E eu fico feliz pelos cruzeirenses, que FINALMENTE verão Arrascaeta e Everton Ribeiro juntos. Creio eu, dentro dos meus poderes de maedinazice, que eles vão chorar muito ao ver esta cena. Mas aí é problema deles, não meu.

Apesar de não gostar muito da opção Abel no banco do Flamengo, é com ele que vamos, é por ele que temos que torcer. E eu juro pra vocês que não me incomodaria saber que ele bicou a porta do vestiário, ao ver tanto gol IMBECIL perdido pelo time (acabo de ler que ele pagou esporro pro time do segundo tempo). Dava pra ter goleado os alemães, e eu realmente não me importo se eles cagaram e andaram pro torneio. Flamengo tem que ganhar até em cabo de guerra da sétima série. Ou entra pra passar o rodo, ou vai jogar em Laranjópolis.

Sobre a nossa participação no torneio, não me preocupou a falta de tempo de bola do elenco. Muito mais irritante é a falta de qualidade dos portadores das camisas 21 e 5 (sim, no fim do ano passado cheguei a pedir, neste mesmo espaço, um pouco de paciência com ele, mas deu pro meu fígado). E eu não consigo entender em que planeta ele vive, ou pelo menos onde está a mente dele enquanto joga. Me faz lembrar o Julio Cesar - não o Uri Geller - que volta e meia apagava durante os jogos. A diferença é que ele jogava muita bola.

Quem me agradou MUITO foi o Piris da Motta. Desceu a porrada, catimbou, cavou expulsão, jogou como se fosse uma final de Copa do Mundo, com sangue explodindo pelas ventas. Na Libertadores, ele e Cuellar juntos pode ser uma opção muito interessante para jogos fora de casa. Sem aquela babaquice de joga um ou outro. Mete os 2, tranca a casa e deixa os atacantes resolverem a parada lá na frente.

Quem mais mereceu um curtir? Uribe, Diego Alves, os moleques da base e principalmente o Everton Ribeiro. O passe dele pro gol do Uribe valeu o que paguei pra Net em janeiro. Lance de craque, de quem está atento no jogo, e não pensando no show da Monga e no Trem Fantasma da Disney. Esse é um que não pode nem deve ser orientado a fazer algo diferente. Ele resolve, e me pareceu muito afim de tudo. Só precisam dar um lateral decente, pois ninguém merece fazer overlapping com o portador da 21. É muito sofrimento.

Para terminar, falem o que quiserem, mas o Flamengo saudável financeiramente passa SIM pela administração do grupo do ex-presidente Bandeira. Foram 6 anos com erros, mas se alguém aqui me disser que, no primeiro dia da gestão dos azuis, seria possível sonhar com um elenco com Diego, Diego Alves, Cuellar, Everton Ribeiro, Vitinho, Gabigol e Arrascaeta algum tempo depois, NA MERDA em que estava o Flamengo, devendo fortunas pra Romários e Ronaldinhos da vida, me perdoem: eu não acredito. Em sã consciência, até por serem pessoas desconhecidas do tradicional coronelismo da Gávea, ninguém apostaria fichas nesse elenco de hoje. Logo, concluo, os azuis tem mérito pra caralho no que temos hoje (e que eu repita, e que se entenda, que eu não tive nem tenho "partido político" no Flamengo). Eu sou Flamengo, simples assim, e quero o melhor.

Que venha o Carioca, que venham os campeonatos. Nossa parte será feita. Vamos aterrorizar geral, vamos torcer como sempre e, Oxalá nos permita, ganhar títulos como nos é de merecimento.

Apenas para encerrar, repito minhas palavras do twitter: não existe co-irmão no futebol. NÃO EXISTE TORCIDA CO-IRMÃ. Na primeira oportunidade, seremos traídos, sacaneados. Logo, parem com esse mimimi de "own, a torcida deles é muito gente boa". Esqueçam essa porra, isso não existe.

E nada mais digo.