segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Quando ainda for 13 de Dezembro

Salve, Buteco! Falta pouco agora: pouco menos do que 72 (setenta e duas) horas até a bola rolar no Maracanã para a finalíssima da Copa Sul-Americana/2017. O retrospecto favorece: No Rio de Janeiro, contra o Flamengo, o Independiente conseguiu vencer o primeiro confronto, em São Januário, em 1939, e empatar o primeiro confronto no Maracanã, em 1951. Até então, haviam sido disputados três jogos no Rio, com uma vitória para cada lado (ambas em São Januário), com cada time marcando 10 (dez) gols. Repito: até 1951. Depois disso, a partir de 1955, o Independiente veio ao Brasil por seis vezes enfrentar o Flamengo. Perdeu todas, marcando 1 (um) gol e sofrendo... 19 (dezenove). Isso mesmo, dezenove! Querem reduzir o corte? Fiquem a vontade. Por exemplo, de 1970 pra cá foram cinco jogos, todos com vitórias do Flamengo, que marcou 16 (dezesseis) gols e sofreu apenas um. Portanto, em qualquer formato, os números não apenas favorecem, como impressionam. 

Ocorre que, como sabemos, retrospecto não ganha jogo. Claro que não. É até comum ver estatísticas de confrontos diretos se inverterem em partidas decisivas, especialmente em finais de campeonato. Inclusive, como todo mundo sabe, em uma dessas derrotas, na partida mais importante disputada até aqui entre as duas equipes, o Independiente comemorou o título da Supercopa/1995 em pleno gramado do Maracanã. Aliás, em sua trajetória até a final da Copa Sul-Americana/2017, venceu 3 (três) jogos e perdeu 2 (dois) dos disputados fora de casa.

Porém, eu estou muito confiante. Ainda falando em números, no Rio de Janeiro, o Flamengo, sob o comando de Reinaldo Rueda, como mandante ou não, disputou 18 (dezoito) partidas, vencendo 10 (dez), empatando 6 (seis) e perdendo 2 (duas). Dentre os empates e derrotas estão inclusos a estreia no Engenhão, o time misto contra o Botafogo pelo Brasileiro, a final da Copa do Brasil (falha do Thiago), o time misto contra o Avaí e a derrota para o Santos (falha do Muralha). Portanto, em duas dessas partidas (Cruzeiro e Santos), podemos dizer que a derrota adveio de falhas individuais clamorosas dos goleiros, pois a vitória estava encaminhada em ambos as partidas. 

Deixando os números um pouco de lado e entrando nas quatro linhas, os confrontos contra o Fluminense e Cruzeiro, assim como as vitórias sobre Corinthians e Junior de Barranquilla, e mesmo a atuação na derrota contra o Santos deram o tom de como o Mais Querido tem se comportado como mandante. Apesar de não ter sido brilhante nem praticado um futebol vistoso, no Rio de Janeiro o Flamengo vem sendo intenso e efetivo. Confio na preparação por uma semana inteira, depois de um longo período com dois jogos a cada sete dias; nas boas-fases de César, Cuéllar e Vizeu, e também na experiência e liderança de Juan e Diego.

Não digo que será inevitável, mas não surpreenderá se o Independiente tentar ou até conseguir propor o jogo durante parte dos noventa minutos, tal como fez contra o Libertad e tal como o Flamengo sofreu no confronto contra o Junior de Barranquilla. Será preciso tomar cuidado com o bom sistema ofensivo argentino, que ataca em bloco, com os jogadores próximos um dos outros e trocando passes precisos em velocidade, como foi possível constatar em Avellaneda.

Contudo, na maior parte do jogo o Flamengo terá a iniciativa, pressionará e superará o sistema defensivo do rival, que está longe de ser o seu ponto forte. E digo mais: no Maracanã, empurrado pela torcida, o Flamengo vencerá por mais de um gol de diferença e conquistará o título dentro do tempo regulamentar, sem necessitar da prorrogação, quando ainda for 13 de dezembro.

Bom dia, ótima semana e SRN a tod@s.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Hora do último gás



Ele se preparou para aquela corrida, mais uma maratona na sua carreira. Nos últimos anos, ele tem investido cada vez na sua preparação para essas provas. Alimentação, suplementos, treinadores, planilhas, tudo bem sendo realizado para que ele, finalmente, alcance a hegemonia nesse tipo de competição. Dinheiro não lhe falta, afinal, depois de anos de esbórnia, ele resolveu que era o momento de arrumar a casa e investir sério no que faz.

O início da prova foi ótimo. Muitos acharam que ele poderia ter aberto uma vantagem maior, seus adversários nesse primeiro trecho não tinham o mesmo investimento que ele. Outros afirmaram que esse segmento era muito fácil, ladeira abaixo, não havia motivo para se gabar por estar na frente.

Veio então o primeiro tropeço. Em verdade, um enorme tropeço. Ao contrário do padre irlandês que agarrou Vanderlei Cordeiro de Lima na parte final da maratona dos Jogos Olímpicos de 2004, essa queda foi por culpa única e exclusiva dele. Tropeçou nas suas próprias limitações. Foram vistos aí os primeiros erros na sua preparação.

No entanto, dava pra se recuperar. Ainda havia mais da metade da prova por disputar. A queda, entretanto, foi tão feia que ele demorou para readquirir seu ritmo. Vacilou muito. Viu seus adversários o ultrapassando e disparando. Um deles, especificamente, que havia ido mal no início da disputa, abriu uma distância quase inalcançável. Pelo menos foi o que pareceu aos seus oponentes.

Foi entendendo dessa forma que ele optou por se contentar com outros objetivos na prova. Se não conseguiria ser o melhor, que conquistasse metas secundárias. Houve mudanças de curso. Na primeira das metas paralelas, chegou perto. E, mais uma vez, falhas na preparação o fizeram cair. Novas adaptações, pressão na reta final. Mesmo muito abaixo do que poderia alcançar, atingiu um novo checkpoint. É o último trecho da prova, ele já enxerga a linha de chegada. Já vê outros participantes comemorando depois dela. Ele respira, acelera, mas tropeça novamente. Não foi uma queda e ele segue.

O momento é de dar o último gás, aligeirar para o último sprint!



Vamos, Flamengo!!!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O jogo









Irmãos rubro-negros,



Aproxima-se o dia da decisão da Sul-Americana.

Um dia que, com a graça de São Judas Tadeu, entrará para a história do Clube de Regatas do Flamengo.

O resultado do jogo de quarta-feira passada foi ruim. Indigno da grandeza e da sagrada camisa do Flamengo.

Um recuo excessivo após o nosso gol, assim como falhas individuais e coletivas, contribuíram para sofrermos dois gols.

Todavia, quando tudo indicava que o time sucumbiria psicológica e fisicamente, o Flamengo reagiu e passou a dominar territorialmente o jogo, a ponto de o adversário apelar para os chutões e mal passar do meio de campo.

O time, mesmo desgastado pela sequência insana de jogos (mais de oitenta) mostrou poder de superação e coragem, impondo-se, do meio para o final do segundo tempo, em busca do gol de empate.

O gol, porém, não veio. 

A despeito disso, o Flamengo traz para o Maracanã, para a sua casa, a decisão, podendo conquistar o tão sonhado título da Sul-Americana com uma vitória por dois gols de diferença.

Mas não nos iludemos, amigos, não será fácil.

Os times uruguaios e argentinos são traiçoeiros. Eles às vezes se sentem à vontade em ambiente hostil, desfavorável.

Quando se imagina que eles irão recuar e levar pressão, resolvem botar a bola no chão e cozinhar a partida, com muita catimba.

Portanto, não só o time, mas também nós, a torcida do Flamengo, precisaremos nos superar e lutar por cada palmo do campo.

A campanha do Flamengo na Sul-Americana foi construída com base em muita raça e superação. O time foi obrigado a buscar resultados improváveis e a reverter placares adversos.

E agora chegou o grande momento, a grande decisão da Sul-Americana.

Serão noventa minutos, um jogo só.

Um jogo no qual todos teremos de ser mais Flamengo. Vamos disputar essa final, no campo e na arquibancada, com sincera devoção e amor ao Clube de Regatas do Flamengo, o mais amado do mundo.

Como disse nosso técnico, Reinaldo Rueda, precisaremos guerrear, lutar e honrar a legendária raça rubro-negra.

Raça, coragem e fé.







...


Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Independiente 2 x 1 Flamengo - Na pressão

Independiente e Flamengo fizeram um bom jogo. Como se devia esperar. Decisão, adrenalina, tensão. Flamengo e Independiente entraram em campo como seria esperado. Independiente na pressão e Flamengo tentando tocar a bola e arrumar cruzamentos para área.

Independiente, favorecido por ficar uma semana "descansado" imprimiu um ritmo fulminante no jogo. Sua marcação era implacável e incansável, e sem ser maldosa, diga-se. Tem alguns bons jogadores como Barco (de apenas 18 anos) e Meza. Barco infernizou a defesa do Flamengo com seus dribles, passes e deslocamentos insanos. Certamente estará na Europa em pouco tempo, abduzido por um daqueles clubes grandes que recebem grana espetacular em euros. Flamengo, acuado e com Arão em modo aéreo na maior parte do tempo, errando muitos passes, via a bola circular a sua frente, seguida de cruzamentos e ficava rebatendo tal como um jogo de frescobol, mas sem direção. O que proporcionava poucos contra-ataques.

Mas foi o Flamengo que achou seu primeiro gol. Em um lindo cruzamento em curva do Trauco, este achou a cabeça do Rever, que guardou. Flamengo 1 x 0. O que fez o time deles correr ainda mais.

Flamengo tinha um problema de articulação. Diego muito bem marcado, e Everton Ribeiro meio perdido e mesmo isolado no ataque. Tentava jogadas mas sempre distante, errava muitos passes. Paquetá não fazia bom jogo, embora corresse muito. Deixava Trauco bem exposto na marcação. Cuellar, um leão pelo meio, fazia bem a saída de bola. Vizeu também sem estar inspirado,  participava de lances inócuos como centroavante. Pará também estava sobrecarregado na marcação, e Juan e Rever recebiam toda a carga ofensiva. César passando segurança.

Mas foi através do meio que Independiente chegou ao seu primeiro gol. Em jogada muito rápida, estilo "hoquei na grama", que era a especialidade do técnico do time até pouco tempo, chegou com uma troca de passes rápida na frente, a bola sobrou pro centroavante deles chutar livre, sem chances de defesa para o César. 1 a 1. Empate, sendo sincero, mais que merecido. 

Torcida em festa. Independiente aumenta a pressão. Na verdade oferecendo pouco perigo de gol devido a boa marcação da primeira linha do Flamengo. Aliás, vendo pela TV, a defesa do Flamengo parece bem organizada. Duas linhas de 4 e dois sempre na frente, para tentar dificultar a jogada de saída de bola deles.

Veio o segundo tempo. Independiente antes dos 10 minutos faz seu segundo gol, que foi uma pintura. Pelo lado do Pará, Barco faz uma linda jogada e cruza com perfeição da linha de fundo, em curva para Meza, que de primeira emenda para o gol, rente a trave. César foi na bola mas não tinha como. Independiente 2 x 1.

Rueda colocou Everton no lugar do Paquetá quase em seguida. O que melhorou demais a marcação do Flamengo pelo nosso lado esquerdo. Além de ser mais agudo pela ponta que Paquetá. Everton fez algumas boas jogadas e o jogo se equilibrou. Independiente também se cansou também. O ritmo alucinante não pode se manter tanto tempo. Com Independiente já cansado, Rueda lança Vinicius Jr. O próprio jogo do Arão melhora. Desperta no jogo. 

Flamengo passa a atacar mas sem nenhum lance de grande perigo.

Enfim, derrota de 2 a 1. Triste, mas é apenas o primeiro tempo de um jogo de 180 minutos. Agora levamos a decisão para o Maracanã, tendo que ganhar deles de dois gols de diferença para não ir a penaltis, que, ultimamente, não é nossa praia. Acho até bom. Flamengo cresce quando entra com desvantagem.





quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Independiente x Flamengo


Copa Sul-Americana - Final - 1º Jogo (Ida)

Independiente: Campaña; Bustos, Tagliafico, Alan Franco e Gastón Silva; Diego Rodriguez, Domingo e Meza; Barco, Gigliotti e Sánches Miño. Técnico: Ariel Holan.

FLAMENGO: César; Pará, Réver, Juan e Trauco; Cuéllar e Willian Arão; Everton Ribeiro, Diego e Lucas Paquetá; FelipVizeu. Técnico: Reinaldo Rueda.

Data, Local e Horário: Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017, as 21:45h (USA/ET 18:45h - ARG/GMT-3 20:45h), no Estádio Libertadores da América ou "La Caldera Del Diablo" ou "La Garganta del Infierno" ou "El Castillo del Rey", em Avellaneda, Buenos Aires, Argentina.

Arbitragem - Marcos Diaz de Vivar, auxiliado por Milciades Saldivar, Dario Gaona e Eber Aquino (4º Árbitro), todos da Federação Paraguaia de Futebol. Assistência Arbitral por Vídeo (VAR): Enrique Cáceres (Paraguay - VAR), Roddy Zambrano (Equador - AVAR) e Eduardo Cardozo (Paraguai - VAR 2). Assessor Internacional: Alberto Tejada. Presidente da Comissão de Árbitros: Wilson Luiz Seleme (Brasil).

 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Se segura, Mengão!



Bom Dia, Buteco!

Flamengo x Independiente. Não havia adversário mais pesado na competição. 

Amigos, não se iludam com o jejum de títulos argentinos (nos últimos 30 anos ganharam apenas em 1994 e 2002) ou com a atual 7a colocação no campeonato portenho: os caras são enjoados. Reza a lenda que nunca perderam uma final continental... Não à toa, são conhecidos como Rey de Copas e jogam em um estádio cujo nome é simplesmente Libertadores de América.

Nessa SulAmericana, entraram na primeira fase, como o time mais bem classificado no campeonato argentino, dentre aqueles que não conseguiram vaga para a Libertadores. Eliminaram Alianza Lima, Deportivo Iquique, Atlético Tucuman, Nacional do Paraguai e Libertad. Tirando o primeiro jogo da competição (0x0 em casa com o Alianza Lima), em todas as outras etapas conseguiram vitórias por 2 gols em casa. Na semifinal, precisando reverter um 0x1, abriram 2x0 com 20 minutos de jogo e terminaram o primeiro tempo com o 3x1 que valeu a vaga. Vamos encontrar um estádio lotado e uma torcida que empurra o time até o fim. É guerra, amigos!

Do lado de cá, entramos mais confiantes do que nunca estivemos nesta temporada. O time, embora extremamente desgastado pela sequência de jogos decisivos deste último mês, vem apresentado uma competitividade que honra as tradições Flamengas. A velha mística dos Pratas da Casa que surgem do nada para nos levar às glórias está muito bem representada pelas trajetórias de César, Paquetá, Vizeu e, o não menos emblemático, Juan.

Das discussões sobre a postura tática do time em Barranquilla, apareceu recorrentemente a visão de que o time fora excessivamente defensivo. Particularmente, não acredito que a postura tenha sido a de jogar deliberadamente atrás, entendo que o adversário é que acabou por nos encurralar e as fracas atuações de Diego e Éverton Ribeiro acabaram por nos deixar sem posse de bola. De qualquer forma, fecho com El Profe quando ele diz que há jogos em que se tem apenas que guerrear. O jogo de amanhã será o maior expoente desta mensagem.

Com o time bem desgastado, o principal é não voltar derrotado. Sem a regra do gol fora, um empate lá nos dá a vantagem de trazer a decisão para um Maracanã entupido, após um providencial descanso de uma semana. 

Se segura, Mengão!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A Volta do Mais Querido

Salve, Buteco! Por ora, esqueçam o presidente, o CEO e o gerente de futebol; os bajuladores, os perebas, o ex-treinador e a eliminação vexatória na Libertadores; a campanha decepcionante no Brasileiro e o vice-campeonato da Copa do Brasil. Esvaziem suas mentes. Tudo tem sua hora. Até dia 13 de dezembro de 2017, convido você, rubro-negra, e você, rubro-negro, a pensar apenas no título da Sul-Americana. A maré está favorável. A energia rubro-negra está de volta. Jogando bem ou mal, o Flamengo voltou a se impor como gigante e conseguir os resultados mais improváveis, superando-se nas condições mais adversas. O Flamengo voltou a ter cara de Flamengo e tem a chance de voltar a conquistar um título internacional, o primeiro desse século. A semana já havia começado bem com a classificação épica em Barranquilla, mas sem dúvida esse 3 de dezembro de 2017 será marcado como o dia virada, ou melhor, da desvirada do fio, da libertação do Flamengo dessa energia negativa que vem prejudicando o time nos momentos decisivos. 

O Flamengo voltou a ter raça e a vibrar, a base voltou a ter espaço e decidir. A torcida voltou a ficar confiante. O Flamengo voltou a ser Flamengo.

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Não foi uma exibição de gala. Não, muito longe disso. Eu diria até muito pelo contrário: qualidade só houve após a entrada do fio desencapado Vinícius Jr. Vejam bem, acredito que houve uma evolução com a escalação de dois meias em vez dos pontas "fechadores de corredor"; contudo, isso só funciona quando os meias estão em plenas condições. Do contrário, o time fica engessado e com muito pouca força ofensiva. Boa parte do jogo em Barranquilla se desenvolveu dessa forma. Como no primeiro tempo apenas Lucas Paquetá jogou bola do meio pra frente, as coisas só melhoraram quando Everton Ribeiro subiu um pouquinho de produção. 

Ontem, em Salvador, assistimos a algo semelhante, pois os volantes e Lucas Paquetá pareciam cansados e foi o dia de Everton Ribeiro ser o melhor dos armadores. Diego compensou o desgaste e a falta de inspiração com uma raça incomum. Porém o time seguia com extrema dificuldade para criar. A rigor, foram apenas duas jogadas no primeiro tempo, ambas com Vizeu, e após sofrer o primeiro gol em uma jogada de indecisão entre Trauco e Rafael Vaz, o time teve capacidade de superação graças à entrada de Vinicius Jr., muito menos desgastado do que os companheiros e cheio de inspiração. Vinícius, fora o seu extraordinário e absurdo talento, era o atacante agudo e objetivo que o time precisou em Barranquilla e precisava no Barradão. Mas a forma como tudo se resolveu, aos 48 minutos do segundo tempo, somada aos resultados paralelos, foi algo de sobrenatural. 

A gente sente quando a energia rubro-negra está presente e cria um cenário favorável. Sem exagero, está acontecendo.

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Reinaldo Rueda confirma uma máxima do futebol: todo treinador tem suas teimosias. Ou seria experiência? A insistência com determinados formatos ou ideias pode ser até uma qualidade quando a convicção se soma ao acerto. O nosso treinador colombiano estava entre a cruz e a espada diante de um time visivelmente desgastado, no qual alguns jogadores parecem estar no limite, como Arão e, ontem, Lucas Paquetá. Enquanto fico aqui na dúvida, pensando se deveriam mesmo ter sido escalados, Rueda parece confiar na estabilidade de um time titular com poucas mudanças. Talvez essa convicção venha de uma carreira longa e de muito sucesso, mas como torcedor não vou deixar de soprar minha corneta e pedir mais Vinicius Jr. Tenho minha convicção (de torcedor, claro) e ela me diz que o nosso jovem fio desencapado pode ser a diferença nessas finais contra o Independiente.

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Falando no rival argentino, acho que o nível das atuações, especialmente nos dois últimos jogos, não é o fator mais importante, dadas as duas vitórias fora de casa em momentos absolutamente decisivos e dramáticos, com todo o contexto desfavorável em ambos os casos. Dito isso, parece evidente que o Flamengo terá que jogar mais bola para ser campeão da Copa Sul-Americana/2017. Tradição e energia positiva fazem parte do futebol e são elementos importantes, mas apenas se aliam ao desempenho dentro de campo, sempre o principal fator. O maior desafio de Rueda e dos jogadores é encontrar uma forma do time ser mais ofensivo e objetivo jogando fora de casa sem perder a consistência defensiva. O título da Sul-Americana não será decidido em Avellaneda, mas da mesma forma não pode se inviabilizar com uma atuação sem intensidade e consistência. Impossível, aqui, não me lembrar novamente de Vinicius Jr.

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3 de dezembro de 2017, Estádio Manoel Barradas, Salvador, 48 minutos do segundo tempo. Diego cobra falta e o capitão do Vitória, em um gesto impensado, comete pênalti ao propositalmente cortar a trajetória da bola com o antebraço. Pênalti, improvável, impensável e inacreditável. Diego cobra, vira a partida que já havia sido empatada com um golaço, de categoria, marcado por... Rafael Vaz! Mas naquele mesmo minuto sagrado, rubro-negro, a ser lembrado pelo resto dos tempos, o Flamengo não apenas tira a vaga da fase de grupos da Libertadores do arqui-rival Vasco da Gama. Algo inusitado acontece: enquanto no Horto, em Belo Horizonte, as luzes misteriosa e convenientemente continuavam apagadas, em Chapecó aquela simpática agremiação verde e branca, a mesma a quem nosso treinador Reinaldo Rueda liderou o movimento de reconhecimento do título da Copa Sul-Americana/2016, vira a partida e tira até mesmo da fase preliminar da Libertadores o... Botafogo, aquele que debochou da eliminação para o San Lorenzo, aquele do Jair Ventura, o mesmo que reclamou da contratação do nosso treinador colombiano.

A conjunção de fatores positivos chega a assustar. Dia histórico, a ser contado aos nossos descendentes.

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O Flamengo chega à final motivado, sem pressão e respirando ares rubro-negros. Que nossos atletas e comissão técnica continuem inspirados. Quarta-feira a decisão começa em Avellaneda. Seremos campeões.

Como sempre, a palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.