domingo, 22 de outubro de 2017

São Paulo x Flamengo


Campeonato Brasileiro/2017 - Série A - 30ª Rodada

São Paulo: Sidão; Éder Militão, Arboleda, Rodrigo Caio e Júnior Tavares; Jucilei e Petros; Marcos Guilherme, Hernanes e Cueva; Lucas Pratto. Técnico: Dorival Junior.

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Réver, Juan e Trauco; Cuéllar e Willian Arão; Everton Ribeiro, Diego e Everton; Lucas Paquetá. Técnico: Reinaldo Rueda.

Data, Local e Horário: Domingo, 22 de Outubro de 2017, as 17:00h (USA/ET 15:00h), no Estádio Paulo Machado de Carvalho ou "Pacaembu", em São Paulo/SP.

Arbitragem - Rafael Traci, auxiliado por Ivan Carlos Bohn e Luciano Roggenbaum. Quarto árbitro: Pedro Martinelli Christino. Assistentes adicionais: Adriano Milczvsky e Edina Alves Batista, todos da Federação Paraense de Futebol.

 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Objetivo comum








Irmãos rubro-negros,


mais uma vez o Flamengo é vítima do atraso mental e cultural que impera no futebol brasileiro e no Estado do Rio de Janeiro, cujas instituições são inimigas de todo aquele que se propõe a trabalhar com correção e honestidade.

Num ato sórdido e rasteiro, impuseram o clássico do dia 28 de outubro para o Maracanã. 

Flamengo pode enfrentar esses vagabundos da arco-íris em condições sub-humanas.

Mas eles não podem vir à Ilha do Governador, preparada com todo cuidado e dentro de todas as exigências de segurança estabelecidas pelas autoridades.

É muita desfaçatez.

Eu acho que, em vez de procurar briga com a torcida, o presidente Eduardo Bandeira de Mello deveria cuidar de impor uma mentalidade vencedora a seus subordinados, a começar pelo seu “homem de confiança”, que em sua última entrevista mencionou cinco ou seis vezes a conquista do Campeonato Carioca como fator determinante para a qualificação positiva deste ano de 2017, ano de tantas decepções para o rubro-negro.

O Flamengo, e “Flamengo” uso aqui em sentido lato, o mais amplo possível, precisa compreender que nossos verdadeiros adversários estão fora do clube.

Fica difícil, porém, buscar essa união quando o time acumula vários jogos ruins, atuando desinteressadamente, como se a vitória viesse no momento que conviesse aos jogadores, e quando, ante resultados pífios, somos obrigados a ouvir a diretoria insistir que o “trabalho é muito bom”.

Não é assim que funciona.

O ideal seria a busca do objetivo comum, que é o engrandecimento do Clube de Regatas do Flamengo, não só fora, mas dentro de campo também.

É exigir muito? Lutar, toda a instituição, unida, contra os nossos adversários, que são rivais entre si apenas até o momento em que o Flamengo entra no radar?

Tudo que o torcedor do Flamengo quer é comemorar grandes vitórias e títulos. Tenho certeza de que este também é o objetivo da diretoria. 

É o objetivo de quem ama o Mengo.

Mas se as vitórias por acaso não vierem, que ao menos o rubro-negro veja dedicação, raça e brio daqueles que vestem o Manto Sagrado e daqueles que comandam o futebol do clube. Sem desculpas esfarrapadas, sem retórica vazia, sem discurso perdedor, de quem está procurando defender a si mesmo e não à instituição.

Quando recuperarmos a nossa mentalidade vencedora, de raça, de 200% de entrega em cada disputa, de completa irresignação ante o revés, de não aceitar nada que não seja o melhor e a superação de cada um individualmente e de todos coletivamente, tenho certeza de que os bons frutos plantados fora de campo serão dentro dele colhidos.

Enfim, a despeito de mais uma atuação abaixo do potencial, valeram muito os três pontos e a goleada de ontem. Muito.

Queremos mais três pontos no domingo. É o minimo que o Flamengo pode fazer em homenagem ao seu fanático torcedor e ao projeto do adversário de fazer uma viagem à Segunda Divisão.

Três pontos, por favor, Mengão.

P.S.: sobre o jogo do dia 28 de outubro, dia do nosso amado santo padroeiro, São Judas Tadeu, que se aplique a lei da reciprocidade: se o jogo realmente for confirmado para o Maracanã, em mais um ato sórdido das instituições do Rio de Janeiro e da CBF, que seja disponibilizado para a torcida adversária somente 5% dos ingressos. Que a diretoria do Flamengo compre essa briga. E que os preços, já que o prejuízo será certo, sejam atrativos, a fim de lotar o Maracanã de rubro-negros.





...



Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo. 


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Flamengo x Bahia


Campeonato Brasileiro/2017 - Série A - 29ª Rodada

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Réver, Juan e Trauco; Cuéllar e Willian ArãoBerrío, Diego e Everton; Guerrero. Técnico: Reinaldo Rueda.

Bahia: Jean; Eduardo, Tiago, Lucas Fonseca e Juninho Capixaba; Edson e Renê Júnior; Zé Rafael, Vinícius e Mendoza; Edigar Junio. Técnico: Paulo César Carpegiani.

Data, Local e Horário: Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017, as 21:00h (USA/ET 19:00h), no Estádio Luso-Brasileiro ou "Ilha do Urubu", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - Marcelo Aparecido R. de Souza, auxiliado por Anderson José de Moraes Coelho e Alex Ang Ribeiro, todos da Federação Paulista de Futebol. Quarto Árbitro: Fábio Rogério Baesteiro (SP). Assistentes Adicionais: José Cláudio Rocha Filho (SP) e Adriano de Assis Miranda (SP).

O amanhã é hoje

Já cansado do discurso mais conformista e preguiçoso que lembro do futebol do Flamengo. "Fizemos tudo certo, os resultados virão", que impregna com seu cheiro nauseabundo, do CEO ao faxineiro do Departamento de futebol. A fé religiosa em processos burocráticos sem metas e cobranças, que podem dar certo em repartições públicas ou privadas, que só querem tocar a vida e receber contra-cheques, com o chefe lendo jornais do dia, aquela semi luz econômica, cadeiras quebradas, computadores lentos  e ventiladores de teto fazendo barulhos estranhos, que ninguém conserta, pois dá trabalho e se acostuma. Vida tocada como os passes de Marcio Araujo, para trás, para os lados, de forma lenta, sem audácia.

Mas o amanhã é uma construção mental. O que temos na vida, é o hoje, o agora, junto com o aprendizado, traumas, alegrias ou tédios do passado, que ao mesmo tempo que nos dá subsídios para a ação também pode nos tirar a energia.

E o passado desta gestão até aqui é um ode a procrastinação esportiva, preguiça e conforto sem cobrança. Não é a toa que mantém profissionais de qualidade duvidosa ou bem aquém que o Flamengo precisa. Seja em campo, seja como consultor psicológico,auxiliar técnico, preparador de goleiros e mesmo em outras áreas, como o Centro de Inteligência. Vai tocando, deixando a vida os levar.

Temos, portanto, o hoje para fazer certo. Corrigir os problemas, aperfeiçoar o que se tem, para que a equipe entre em campo dando o melhor de si e se cobrando para isto. As vitórias são consequências da preparação física, técnica e tática e, principalmente, do estado de espírito com que os jogadores entram em campo. E, como todos viram, Flamengo entra de forma burocrática e tediosa em campo. Talvez o passado de eliminações vexatórias e de protestos da raivosa torcida do Flamengo, tenha deixado os jogadores acanhados. Ou a demissão do técnico parceiro e amigo.

Mas o Rueda, contratado ainda que tardiamente para este ano, dá mostras em entrevistas que também não está satisfeito com este marasmo. Fala em competitividade e ganhar o tempo inteiro. Tem um nome a zelar. Sabe que na Colômbia prestam a atenção em seu trabalho. Rueda quer fazer o hoje, enquanto o resto do staff do futebol pensa no amanhã.

Hoje tem jogo contra o Bahia, que os jogadores entrem em campo esquecendo este passado burocrático fedido, para entrar em campo hoje (e nos demais "hojes"), com a faca nos dentes. Aí sim, conquistarão as vitórias que o amanhã promete.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Alfarrábios do Melo


Laissez-faire, laissez-passer, le monde va de lui même (Deixar fazer, deixar passar, que o mundo vai por si mesmo) ” - QUESNAY, François.

Ouça um bom conselho/ Que eu lhe dou de graça/ Inútil dormir que a dor não passa/ Espere sentado/ Ou você se cansa/ Está provado, quem espera nunca alcança” - BUARQUE, Chico

* * *

Contar uma história de um casal. História fictícia, mas que poderia ser real. Casal jovem, poucos anos de casado, ambos começando a vida profissional. Um dia, a moça pensa: “quero ser mãe”, o rapaz assente: “quero ser pai”. Um ou dois filhos, imaginam. E começam a projetar a imagem dos pequenos correndo pela casa, das brincadeiras, de uma vida em família, essas coisas que se vê nos comerciais de margarina. E se animam. Mas logo ponderam: “A casa é pequena, precisa de uma casa maior”, “Preciso concluir o mestrado antes de me dedicar à maternidade”, “Acho que em mais um tempo consigo minha promoção”, “Antes disso preciso trocar o carro”, “Aquela viagem dos sonhos pra Paris”, entre outras prioridades que vão emergindo no pensamento de ambos. Sim, eles querem ter filhos, mas há outras prioridades. “Com certeza teremos um filho. Algum dia isso acontecerá”.

Ou seja, na verdade não querem. Até desejam, mas não querem.

Passam-se alguns anos. Seguem morando na mesma casa. Não viajaram pra Paris. O carro não foi trocado. A promoção do rapaz não veio. A moça terminou o mestrado, mas perdeu o emprego. As contas da casa nem sempre fecham. Mesmo assim, olham-se fixamente, pensam, ponderam, fazem conta daqui e dali e decidem: “f-se”. E resolvem “engravidar”. E a partir dali todo o cotidiano e toda a estrutura do casal estará, nos próximos meses, voltado ao projeto de colocar no mundo uma criança. “Loucura, insensatez”, ouvirão. Mas insistirão assim mesmo. E terão o filho. Que nascerá saudável e será criado sem que nada lhe falte, apesar dos sacrifícios. Renúncias.



Porque seus pais assim o quiseram.

* * *

Há cerca de seis dias, o CEO do Flamengo, Fred Luz, concedeu longa entrevista ao Globoesporte.com, onde desenvolveu algumas linhas de raciocínio acerca de seu trabalho no clube e, em especial, no futebol, onde admitiu a necessidade de prestar uma “atenção especial”. Entre outras declarações, uma em particular chamou a atenção:

Não tenho dúvida de que o Flamengo vai engrenar. Assim como eu sei que eu vou morrer (risos), só não sei quando nem como, eu tenho certeza de que o Flamengo vai engrenar. Só não sei quando.”

O responsável pela execução do planejamento estratégico da instituição, pela movimentação do maior orçamento da história do clube e do futebol brasileiro, informa candidamente que “não sabe quando nem como” o Flamengo irá se tornar protagonista.

Na segunda-feira próxima passada, o meia Diego, um dos principais jogadores da equipe, concedeu entrevista coletiva, falando da sua atuação contra a Chapecoense, dos momentos difíceis vividos após a Final da Copa do Brasil, da frustração com a lesão que o tirou da Seleção Brasileira. Em determinado momento, declarou o seguinte:

Temos que fazer as coisas como acreditamos. O trabalho será recompensado em algum momento. Vai acontecer.”

Quando se coteja a declaração de uma das lideranças e referências do elenco com a frase do “presidente profissional” do clube, percebe-se, sem nenhum esforço, a similaridade de teor. Significa que a mensagem transmitida pela cúpula diretiva do Flamengo chegou ao “chão de fábrica”. Uma índole determinista, fatalista, quase bovina de esperar que “o destino ajeite as coisas”.

Daí se torna ao início dessas linhas. O Flamengo realmente QUER ser campeão? Protagonista?

O Flamengo está disposto a estabelecer renúncias, a se indispor, a se indignar com os resultados obtidos no campo? O Flamengo realmente demonstra insatisfação com sua posição intermediária no Brasileiro e com a precoce eliminação na Fase de Grupos da Libertadores?

Tornemos à entrevista do Sr. Luz.

Discordo completamente disso aí, acho que tem muita cobrança, os próprios jogadores se cobram muito (…) Temos que corrigir isso e identificar o que está acontecendo com a gente.”

Se o Flamengo ficar entre os quatro primeiros no Brasileiro e ganhar a Sul-Americana, acho que terá sido um bom ano para o Flamengo.”

Perceba-se a contradição entre uma pretensa assertiva declaratória de que “há cobrança” e a frase seguinte, de conformismo e aceitação de um desfecho amealhando resultados muito abaixo aos anseios do torcedor flamengo. O Flamengo, na pessoa de seu principal dirigente remunerado, avisa à sua torcida e aos seus empregados que aceita como “boa” uma temporada onde o time, um dos mais caros do país e do continente, terá, hipoteticamente, amealhado um quarto lugar no Brasileiro e uma conquista de uma Copa Sul-Americana, torneio que, em que pese sua relevância continental, serviria como uma espécie de “prêmio de consolação” ocasionado pela precoce eliminação na Libertadores. Naturalmente, o time conquistou o Estadual.

Foi para conquistar Estaduais que se mobilizou tanta gente lá atrás, em 2012?

O que se seguirá poderá chocar, parecer cru, reacionário, ultrapassado, corja, ou gerar outras reações do tipo. Mas a questão é que o que o torcedor quer ver, o que o torcedor quer viver, o que o torcedor quer sentir, é o Flamengo ganhando, ralando a bunda no chão, erguendo taças. O torcedor não está preocupado se os jogadores estão recebendo em dia, se estão treinando em CT de mármore ou no barrão, se o ticket médio é de R$ 5 ou de R$ 500. O torcedor nem abre notícia de “prêmio financeiro”, “clube cidadão”, “benchmark” ou outras filigranas. O torcedor quer ver gol. Quer ver 90 minutos de futebol e ter a certeza que seu time irá derrotar o adversário. E, caso não aconteça, ao menos sair de campo tendo se sentido representado.

O Flamengo de hoje nos representa?

Não se trata de fazer apologia aos tempos românticos do atraso ou das dívidas. Até porque essa discussão já deveria ter sido superada. O que se trata é de exigir que se arrebentem as muletas, os subterfúgios, as douradas de pílula, as armadilhas do longo prazo. Queremos ser campeões. HOJE. AGORA. JÁ. E se isso não estiver nem perto de acontecer, como tem sido a tônica da temporada, que se cortem cabeças, que se reformule, que se admita o erro. Que se AJA.

Que se QUEIRA ser campeão. Como nós queremos.

Acho que no momento em que foi feito o planejamento, ele foi bem feito. Depois, se mostrou que poderíamos ter feito coisas diferentes.” - LUZ, Fred

Boa semana a todos.




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Área 51


SRN, Buteco!

 A instalação da Força Aérea dos Estados Unidos conhecida geralmente como a Área 51 é um destacamento remoto da Base Aérea de Edwards, dentro da Área de Teste e Treinamento de Nevada.

É mundialmente conhecida como um lugar misterioso, onde se guardam segredos deste e até de outros mundos.

Guardadas as devidas proporções, existem no Flamengo alguns recantos onde imperam a desinformação e a dúvida.
 
O departamento médico. Que foi modernizado, aparelhado ,trocou-se o responsável pelo setor. 

O que se vê, no entanto, são jogadores com estranhas lesões, um jogador que veio como grande contratação, que seria reforço dentro de campo e prova de competência do setor fora dele. 

Foi anunciado com pompa e circunstância que estaria pronto no final de abril começo de maio. A dois meses do final de contrato, o rapaz não conta sequer com 45 minutos de jogo .
Somadas TODAS as suas aparições em campo.

Observando mais um pouco, temos o gerente profissional do futebol. Que tem fama de competência mas só conseguiu vencer o famigerado campeonato estadual.  
Seguindo a avaliação que ele faz do elenco, hoje o goleiro titular seria Muralha, já que Diego Alves veio por pressão de torcida por rede social e por contato do JOGADOR com o clube.

Para completar o “arquivo X”, o comandante operacional do clube, que é definido como racional e de emoções controladas, além da singela característica de não entender de futebol.  E mesmo com esses predicados, parece estar sempre dando a palavras final nos assuntos da área.
Ainda temos outros exemplos, como o preparador de goleiros vitalício, o Auxiliar Técnico rancoroso...

Ah, e não dá pra esquecer dos PROTEGIDOS. Esses sim o maior segredo da Area 51 Rubro Negra.

Seriam extraterrestres, escondidos de nós sob os nossos olhos?


Explicaria muita coisa...

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Cobrança

Salve, Buteco! Três pontos! O jogo não foi nada bom e para mim lembrou as vitórias sobre o Atlético/GO e o Bahia no primeiro turno, mas foi um alívio ver o Flamengo vencer novamente fora de casa, ainda mais depois de tanto tempo sem marcar gol como visitante. No primeiro tempo praticamente não fomos incomodados, salvo por algumas bolas alçadas da Chape, porém tampouco criamos. O jogo morno, truncado, transcorreu com o Mais Querido tendo dificuldades para penetrar na defesa adversária. No segundo tempo os espaços apareceram e o time começou a sina de perder oportunidades. Primeiro Diego se desequilibrou após driblar o goleiro Jandrei, depois Everton Ribeiro apareceu mal em dois lances importantes, num errando um passe fácil, noutro perdendo a cobrança de pênalti. Em compensação, Diego Alves salvou o Flamengo em duas bolas aéreas importantes da Chape, mostrando que é o nosso primeiro grande goleiro depois que Bruno se afastou do futebol. Taticamente, achei que o time ficou mais agudo com a entrada do Berrío, que deu a assistência para Guerrero na jogada do pênalti. Quando a torcida já começava a perder as esperanças, a vitória chegou em jogada individual de Diego. Ainda houve tempo para Berrío perder um gol de inacreditável após boa jogada de Guerrero, e o árbitro paraense apontou o centro do campo, para alívio da Nação Rubro-Negra.

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Gostei dos dois Diegos. O Alves, nosso goleiro, praticou ao menos duas defesas muito difíceis, a primeira delas, não tenho dúvida, nenhum dos nossos goleiros nos últimos anos teria defendido; o Ribas voltava de contusão e mal havia treinado com bola, porém mesmo assim assumiu o encargo de comandar o time e efetivamente foi o principal responsável pelo volume de jogo, ainda que não tenha sido uma boa apresentação coletiva. Gostei também do Réver, que está em boa fase. O ponto negativo ficou por conta dos dois Evertons, muito abaixo do que costumam render.

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Em vários momentos do jogo o time tocou a bola burocraticamente na defesa entre os zagueiros, como se estivesse goleando. Gabriel entrou no final da partida e praticamente recuou todas as bolas, numa delas cobrou para trás uma falta na lateral, ao lado da grande área adversária, e a bola chegou a ser bizarramente recuada até Diego Alves. Sem dúvida há um problema de postura com o elenco, um dos mais apáticos e acomodados da história do clube. Falta vontade de vencer e conquistar. Os jogadores se agrupam burocraticamente em campo e não se postam de forma solidária.

Contudo, a causa do rendimento abaixo do esperado não é única e outro fator de igual importância é de ordem tática. A propósito, nos últimos dias o ex-jogador e excelente cronista Tostão escreveu com a precisão de sempre a respeito da origem dessa dificuldade, que vem desde 2016, fruto da opção tática que mantém grande distância entre os jogadores dentro de campo. Essa constatação não surpreende, já que o time foi concebido para ocupar espaços em contra-ataques à base de lançamentos longos, não para criá-los. Daí os jogadores se manterem distantes entre si. Um efeito negativo dessa opção tática é que nossos jogadores, isolados, costumam ser facilmente marcados pelas defesas adversárias. Outro efeito negativo foi apontado pelo nosso ídolo Júnior Capacete na transmissão da Globo: as jogadas pelas pontas costumam ser feitas por dois jogadores e não por triangulações, algo que sempre existiu no futebol brasileiro e foi amplamente desenvolvido nos últimos anos na Europa, como, por exemplo, pelo Barcelona de Guardiola.

Duas causas bem diferentes, mas por mais incrível que pareça, uma influi na outra. Se os jogadores estivessem, por exemplo, com a mesma gana que o grupo de 2013 passou a ter após o pedido de demissão e a saída de Mano Menezes, certamente se movimentariam mais em campo e as alterações táticas das quais o time precisa seriam implementadas de forma muito mais rápida. É claro que o desenho tático e a forma do time jogar podem melhorar e contribuir, mas se os jogadores não se engajarem nada mudará significativamente.

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Por isso mesmo, o momento pede cobrança e comprometimento. Não há desculpas. O clube dá todas as condições de trabalho para os atletas, desde a parte financeira, passando pela preparação atlética, fisiológica e assistência médica. Não sei se a recente mudança na Vice-Presidência de Futebol viabilizará que a cobrança aconteça, mas a torcida tem que fazer a sua parte, não apenas apoiando o time dentro de campo, como também cobrando que se comporte à altura das tradições rubro-negras.

Nada acontecerá se a egocêntrica diretoria rubro-negra mantiver o discurso de que "está tudo bem, o trabalho é ótimo, uma hora a gente ganha" e continuar adotando como prioridade contrariar os torcedores que não concordam com suas decisões no comando do futebol.

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O Mais Querido volta a campo na próxima quinta-feira contra o Bahia na Ilha do Urubu. Deixem suas impressões e sugestões de escalação, como de costume.

Bom dia e SRN a tod@s.