sexta-feira, 9 de março de 2012

Flamengo 1 x 0 Emelec - Vitória Vaiada

Por Henrin


R10 marcado pelo adversário e pela torcida
A torcida equatoriana do bravo time do Emelec dificilmente deve ter visto algo parecido na televisão: O adversário que o derrotou saiu do jogo vaiado pela própria torcida. Imagino que alguns tenham imaginado que a torcida vaiava o adversário, outros que era um zumbido na televisão, mas não. Em um jogo nas Libertadores, caracterizada por ser uma competição de jogos complicados, difíceis, a torcida do Flamengo, como se estivesse obsediada por uma conjunção espiritual entre a fresca torcida do Fluminense e a lacrimosa torcida do Botafogo ficou de mimimi no final da partida, tal como uma criança mimada querendo mais doce e sendo negada.

Que me perdoem a todos que acham que a vaia foi válida afinal Ronaldinho Gaúcho fez jogada de futevolei que não deu certo e além de tudo, mesmo responsável pelos melhores passes e viradas de campo do jogo, ele "não correu". Talvez a vaia foi válida porque Negueba, ao driblar o goleiro de forma sensacional o tirando da jogada com um ligeiro toque por cima na velocidade, chutou em cima de um zagueiro do Emelec que de forma brilhante fechou o ângulo do jovem jogador do Flamengo. Que, aliás, foi vaiado antes mesmo de entrar em campo! 

Sei que o time do Flamengo tem muitos motivos de vaias. O próprio R10 carrega consigo um histórico de más atuações por desinteresse. Mas não foi o caso de hoje. Quem observou o jogo atentamente ou sem predisposição para vaiar o jogador com certeza observou belíssimos passes que poucos jogadores do Brasil podem dar. Colocando vários jogadores na cara do gol. Mas, mesmo assim, foi vaiado no primeiro lance de efeito inóquo que não deu certo. Sabemos todos que desde que ele "nasceu" pro futebol faz estas jogadas de efeito. Pelo risco algumas darão certo e outras não, mas é um momento de ousadia e plástica no futebol. Tentar algo inesperado que dá certo muitas vezes é mortal para o adversário. Quando há desinteresse aí sim. Deve ser criticado e vaiado. Mas não foi o caso de hoje em nenhum momento.

E o Negueba? Bem, vaiado ao ser anunciado, vaiado ao entrar em campo. O garoto cometeu uma série de falhas. Deve ter ficado nervoso. Começou a passar errado e sem saber o que fazer, para piorar. Com a entrada de Deivid, sendo mais um jogador para compor o meio, finalmente ele se achou, sendo uma boa opção de velocidade pela direita. E mesmo vaiado desde o início foi lá, procurou jogadas, correu e no final estava muito bem até aquele lance do "gol certo" que ele perdeu, infelizmente. Mas tentou, afinal. Dou valor a isto.  Foi um bravo. 

Por outro lado Junior Cesar deixava uma avenida pelo lado dele. Apoiava mal e defendia pior ainda. Bottineli cansou ou se perdeu taticamente. E Joel Santana? Escala um time que nunca jogou nesta formação (3 zagueiros) para jogar em casa em plena Libertadores!

Se alguém merece vaias ininterruptamente é o técnico medroso, não condizente com o que a torcida espera do Flamengo, e a Patricia Amorim, figura grotesca e lamentável, que por depender cronicamente de um Conselho Fiscal manso que não fiscalize suas contas abriu as pernas para a Federação de Futebol do Rio de Janeiro a mando do Capitão Leo, que trabalha por lá e também dá as ordens no Flamengo.

Que os associados tomem vergonha na cara e expulsem esta mulher e sua corja para fora do clube na próxima eleição. Senão, estes sim merecem vaias de toda torcida.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Flamengo x Emelec


Taça Libertadores da América - 2012. Grupo II - 2º Jogo.

FLAMENGO: Felipe; González, Welinton e David Braz; Leonardo Moura, Luiz Antonio, Muralha, Bottinelli e Júnior César; Ronaldinho Gaúcho e Vagner Love. Técnico: Joel Santana.

Emelec: Dreer, José Quiñonez, Achilier, Bagüi (Morante); Galbor, Pedro Quiñonez, Valencia, Giménez, Mondaini; Marlon de Jesús e Figueroa. Técnico: Marcelo Fleitas.

Data, Local e Horário: Quinta-feira, 8 de março de 2012, no Estádio Olímpico João Havelange, o "Engenhão", no Rio de Janeiro, as 19:30h (USA ET 17:30h).

Arbitragem: Darío Ubriaco, auxiliado por Carlos Pastorino e Nicolás Taran, todos do Uruguai.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Hora de comer os morangos


Confesso que gostei do conjunto da obra que revestiu o Flamengo de domingo, na partida contra o Duque de Caxias, pouco me importando o placar do jogo e sendo bastante tocado, como há bastante não me sentia em relação ao clube pelo qual escolhi passar os meus dias na Terra torcendo, pelo clima de renovação imposto pelo acaso, e já era tarde demais, depois de perder os dois primeiros meses do ano andando para trás com o mesmo de sempre. Não fiquei satisfeito com a forma como os brucutus do meio de campo foram substituídos, através de lesões, pois desejo o bem físico e espiritual de todos eles, porém, preferia que as ausências decorressem de decisões técnicas do nosso atual treinador, mas este parece não pensar da mesma forma que grande parte da torcida, esperando que mãos invisíveis forcem a entrada dos meninos campeões nos juniores. Muitos alegam que provavelmente não dê certo a promoção com grande carga de responsabilidade nas costas dos garotos, sendo uma preocupação que realmente procede, mas segue deixando um pergunta como resposta: E tem dado certo com os medalhões? Pra mim, fica como saldo a renovação plantada a bíceps pelos deuses, quando a mesma poderia ser realizada gradativamente, o que não foi realizado por aqueles que mandam no futebol rubro-negro.

Na posição de torcedor e bem paciente, não vejo mais as mínimas condições para Aírton, Willians, Maldonado, Renato Abreu, Bottinelli, Gustavo e Welliton serem jogadores do Flamengo. O prazo venceu, as oportunidades escorreram pelos pés e não foram aproveitadas nem na sobrevida de uma Taça Guanabara enfrentando vários dos piores times do futebol brasileiro, quando a mediocridade daqueles jogadores floresceu até com a bola nos pés sem adversários por perto. Chega de meio-campistas que, para matarem um bola, passá-la para um companheiro a 10 metros de distância, precisam dar 4 ou 5 toques na gorducha a fim de que ela fique do jeito que o pé precisa, e passam geralmente errado, completamente errado, tristemente errado. Para os que viram Andrade, Carpeggiani, Adílio, Zico e Petkovic naquele meio de campo, apenas para citar alguns, a tolerância com os atuais trogloditas do futebol do Flamengo foi alta demais, passou do limites aceitáveis, quando até carrinho ofensivo foi alvo de apalusos pela claque obediente aos comandos do clube.

Hora e vez de Luiz Antônio, Muralha, Thomás, Camacho, Adryan, Diego Maurício (este definitivamente) e cia serem misturados aos profissionais e cada qual tirar o maior proveito possível da maior chance de suas vidas para emergirem no cenário que pode levá-los a um novo patamar na profissão, trazendo benefícios ao Flamengo nessa via de mão dupla. Novamente, alguns torcedores podem colocar em dúvida o sucesso da missão, mas como não tentar decolar com essas promessas se o time está perdido, sem eira nem beira? Chega-se a um momento da vida que é aquele de comer os morangos, como bem lembra o educador e poeta Rubem Alves. Se não acontecer de um jeito, tenta-se de outro, mas é inegável que é preciso mudar e as últimas 50 partidas disputadas nos mostram claramente essa necessidade. Na década de 80 do século passado, o técnico do Vasco da Gama, Antônio Lopes, substituiu uns cinco jogadores do seu time para disputar uma final contra o Flamengo. Infelizmente, pra gente, ganhou o jogo e consolidou a promoção de vários jogadores que fizeram história no time da colina histórica, entre eles, Geovani, que veio a ser um craque da bola. Lopes teve o seu dia de comer morangos, aproveitou e fez a festa.

E amanhã será dia do Flamengo comer essa fruta silvestre, rica em minerais e vitaminas, contra o Emelec, do Equador, valendo pela Libertadores. Tudo o que se espera é uma atitude positiva do Joel Santana mantendo a garotada, com o time oxigenado, jogando essa partida,de caráter internacional, com a cara do Flamengo em campo, tocando a bola com paciência e objetividade, dando pressão no adversário, que jogará longe de seus domínios. Tudo o que se espera da torcida é outra atitude igualmente positiva, apoiando o time e entendendo que renovar é preciso, mesmo tendo ficado um pouco tarde para isso, mas que não há como e nem porque fugir de tal situação criada em função da inércia caracterizada pela manutenção por tempo demasiadamente excessivo dos medalhões, acima descritos, no time.

Gol neles, Mengão, sempre!

SRN!

terça-feira, 6 de março de 2012

Vestiu Rubro-negro...tem que ter coragem!


Ares estranhos e ventos uivantes passam pela Gávea atualmente, um Flamengo pálido, dentro e fora de campo, uma estranha apatia, um estranho silêncio, inclusive na oposição. Apatia deste jeito quando ocorre é reeleição ou manutenção da situação. Boa parte dos torcedores acostumaram-se com a bagunça, com o desmando, com o mal serviço prestado por "profissionais" do clube. Não os culpo, afinal quando foi que nos últimos 25 anos o clube teve compromisso com a eficácia? A bagunça tem imperado faz muitos anos e continuamos vencendo, apesar de tudo. Pensem, mas pensem mesmo, quando nos últimos Cinco anos o Flamengo foi incontestavelmente superior aos adversários dentro de campo? Dez, quinze, vinte partidas? Não passa muito disso, mesmo vencendo um campeonato brasileiro, em 2009. Na verdade existem místicas que causam temor em alguns adversários e a outros dão força porque somos a contradição em conceito. Basta irmos aos dicionários para ver ao lado do verbete contradição a palavra Flamengo.


Espero como torcedor, acima de tudo, mais do que uma renovação, uma revolução por um novo modelo de negócios e gestão que acabe de vez com o “costume de receber os tais serviços de má qualidade”. O Flamengo deve ser um clube competitivo em todas as modalidades que se proponham profissionais, lutando de fato por títulos, fazendo valer a força de sua camisa, de sua marca, de sua torcida, prestando total atenção a ela, seu cliente, sempre presente quando o clube mais precisa (temas falados exaustivamente por mim e por todos os outros colunistas em diversos momentos). Por estas e outras, mesmo sem confiança alguma no futebol apresentado pelo time, sem muita confiança no trabalho do treinador, laureado, porém retrógrado, comprei os ingressos do "Pacote Libertadores". Comprei pelo Flamengo, instituição secular, não este “menguinho” que se apresenta de forma modorrenta, sem vontade, desorganizado entre outros adjetivos negativos, há tempos diga-se de passagem.

Faltam apenas três coisas, só três ao Flamengo (sem contar transparência e honestidade, porque isso é obrigação): organização, comando e CORAGEM. Porque nossos reforços são os mais caros do mercado? Vejamos: Jádson R$8 MI (São Paulo), Barcos (Palmeiras) 2º melhor atacante das Américas, perdendo para Neymar, R$ 7 MI, Douglas R$ 3MI (Corinthians), Kleber R$ 5,5 MI (Grêmio), com os salários razoavelmente pagáveis pelo Flamengo. Com estes exemplos nota-se que no CRF paga-se pela bagunça, os caras cobram mais porque não sentem confiança no clube antes de vir. Nem falo de um bom trabalho na formação, prospecção e aproveitamento das categorias de base, porque antes desta geração que se apresenta excelente, estava difícil formar bons jogadores. Há, para mim “uma solução para transição, comprovada pela excelente matéria sobre filosofia implantada no Barcelona. Além de tudo que foi dito é imprescindível que cresçamos em termos táticos e técnicos, mas repito que falta coragem para uma mudança completa no modo de dirigir todos os setores do clube.

Será que toda a equipe que joga contra o Flamengo tem qualidade e é “arrumadinha”? O que significa estas declarações após a todos os jogos? O óbvio, que no Flamengo teoricamente falta qualidade e é um bando, desorganizado, sem comprometimento, menos para o treinador. O treinador, que em suas coletivas, prefere passar as qualidades para o lado adversário, infinitamente mais fraco e não reconhece a falta das mesmas qualidades em sua equipe. Aliás, as declarações do Papai Joel (acho ridículo) na preparação para a Champions League da Américas, o Campeonato Carioca, são de levantar defunto! Lógico que o Emelec é mais importante do que o Fluminense! Qual é a dificuldade de entender isso? O Fluminense só será mais importante do que o Emelec no Campeonato Brasileiro ou em fases posteriores da Libertadores. Fato! Esta diretoria não tem noção alguma da grandeza do clube, e se o Papai e a direção não tem noção da grandeza do clube, a torcida deve cobrar a noção da grandeza do clube e mostrar sua força, mas esta está dormente também. Onde está a tal diretoria para colocar seu Coach no devido lugar, porque ele só joga o ruralito (boa, Leila!), seu ganha-pão e não sabe o que representa uma Libertadores? Cadê o papo franco e a coragem para perguntar a quem "se treme": você sabe quanto FINANCEIRAMENTE vale uma Libertadores e quanto vale um carioqueta? Pese pelo bolso ao menos! Porque noção imaterial, não haverá.

Não gosto do estilo do Joel há tempos, não é novidade, mesmo respeitando suas vitórias, que atualmente não me satisfazem, mas deixo claro que torcerei para ele sempre que estiver “treinando” o clube. Torço pelo sucesso do Natalino, porque torço sempre pelo sucesso do Flamengo, apesar de tudo e de todos. Vou aos jogos pela instituição, ser Flamengo é algo superior, muito maior do que vencer ou perder, é viver, uma escolha sem explicação, paixão. Exatamente o que o clube não pode fazer, ser passional, apressado ou fazer escolhas sem explicação, ao acaso, e se o faz porque não é profissional, não tem noção alguma de onde está e pior, de como está e do que REALMENTE importa. Portanto falta coragem para a diretoria se impor diante de seus funcionários e inclusive da torcida, falta coragem do treinador para assumir um papel mais firme escalar os garotos e esquecer o estadual, falta coragem para o "líder" representar e se representar como condutor de uma nação dentro de campo, falta coragem para a torcida que está dormente e conivente com este futebolzinho sonolento, falta coragem.


Somos Flamengo, Vamos Flamengo!

P.S.:Quem não conhece o personagem da 1ª imagem, chama-se Coragem, o cão covarde!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma Questão de Prioridade

Buongiorno, Buteco! Todos nós, da Nação Rubro-Negra, acalentamos o sonho de conquista da América do Sul desde 1981. Contudo, o ano de 2012 começou bem difícil, pois, como se não bastassem os complicadíssimos métodos e conceitos de Vanderlei Luxemburgo, "mix" de (des) treinador e manager do Flamengo, seu trabalho foi inegavelmente sabotado por uma guerra política que travou com a Diretoria, especialmente com o VP de Finanças Michel Levy, e com a "estrela da companhia" - Ronaldinho Gaúcho, vulgo "Bronha" ou "Homem de R$ 1.250.000,00" , na qual não faltaram reportagens acusatórias de um lado contra o outro e muita fofoca. Infelizmente, os reforços pedidos pelo treinador (no geral, uma boa lista, embora seja possível discordar de um ou outro nome) não vieram e tudo o que se fez foi uma razoável preparação física para a partida na altitude de Potosí, tendo as partes tática e técnica sido fortemente prejudicadas. Seguiu-se daí a queda de Luxemburgo, a contratação de Joel Santana e, no meio dessa sucessão de confusões, o time vem se arrastando com atuações medíocres, que deixam a Nação preocupada quanto ao futuro na competição mais importante do ano.

Tudo parece conspirar contra o objetivo da torcida: o esquema tático, que já dava sinais claros de falência no segundo turno do Brasileiro/2011, esse ano "respira por aparelhos"; os jogadores que, ano passado, já se mostravam como "ex-jogadores em atividade", hoje aproximam-se de forma física inadequada para torneios de categoria master ou sênior; o Departamento Médico está lotado de jogadores contundidos; o elenco tem carências evidentes em algumas posições e é composto, em sua maioria, por atletas advindos das categorias de base, os quais formam uma geração da qual o clube deve sentir orgulho por sua trajetória vitoriosa até aqui, mas que, no plano ideal, talvez não devesse ter a responsabilidade de conduzir o time em um torneio de tamanha envergadura como a Libertadores da América.

É evidente, portanto, que, diante de tamanho quadro de dificuldades, o Flamengo não tem a menor condição de se dedicar com sucesso a dois torneios simultaneamente. A decisão lógica deveria ser priorizar a mais importante, que é justamente aquela que o Flamengo não conquista há três décadas. Entretanto, em se tratando de Flamengo, é muito comum que as coisas não sigam a lógica, o senso comum ou a sensatez. Talvez seja por isso que, após a partida contra o Duque de Caxias, ontem pela Taça Rio/2012, Joel Santana, num autêntico ato falho, tenha revelado que a sua prioridade é o Campeonato Estadual, ao proferir a seguinte frase: "Se vencermos o Emelec daremos um salto importante na tabela e ganhamos moral para um clássico difícil que será contra o Fluminense."

Ora, e quem está preocupado com o Fluminense na Taça Rio? A preocupação de Joel deveria ser a preservação do elenco para a Taça Libertadores da América, até porque o Campeonato Estadual e os confrontos, mesmo com os chamados "pequenos", está dizimando o elenco do Flamengo com várias baixas, sem contar as decorrentes das idades avançadas de alguns atletas. A pior das baixas foi a do goleiro Felipe, contundido ontem.

Se até aqui as baixas podem de alguma forma ser remediadas, acaso atinjam determinados jogadores, especialmente aqueles com maior potencial decisivo no time (Leonardo Moura, Ronaldinho Gaúcho e Vagner Love), representarão o fim das esperanças da torcida, ao menos esse ano, em reviver a conquista de 1981. A mero título de exemplo, o Flamengo não tem qualquer condição de disputar as fases mais avançadas da competição com Rafael Galhardo na lateral direita, com Deivid no comando de ataque, sozinho, ou apenas com Bottinelli e Camacho na armação das jogadas.

O momento exige que se tome uma decisão, nem que seja em nível de Diretoria. A pergunta é: há Diretores na Gávea com esse pensamento ou eles concordam com Joel Santana? Ou pior: eles acreditam que, com esse elenco, dá para ganhar as duas competições?

Duque de Caxias 1x2 Flamengo

Até a declaração de Joel após a partida eu achei que ele havia utilizado a partida de ontem para treinar o esquema tático que será utilizado contra o Emelec, mas na verdade tanto a partida contra o Duque de Caxias, contra a do Emelec serão, no que depender de Joel Santana, uma preparação para o Fla-Flu. Confesso que, até entender o caráter "preparatório" da partida de ontem, e mesmo partindo da premissa de que seria uma preparação para o jogo contra o Emelec, eu estava tentando entender o porquê do Camacho jogando como volante, mas aí eu tive que me render à realidade dos fatos e compreender que ele estava apenas esquentando o lugar do Renato Abreu, que para o desgosto de muitos deverá voltar ao time na próxima quinta-feira.

Falando do esquema, não vi qualquer sentido numa linha de três volantes, um buraco na frente dela e depois o Ronaldinho Gaúcho tentando se aproximar dos dois atacantes, Deivid e Vagner Love. É inegável que, especialmente no primeiro tempo, o time teve uma saída de bola rápida e ganhou muita velocidade e articulação nos contra-ataques, mas a verdade é que a distribuição dos jogadores no meio campo foi sofrível, não só pela falta de entrosamento, mas porque os volantes atuaram de forma muito estática, com certeza por determinação de Joel Santana, o que facilitou as ações do Duque de Caxias. Isso não impediu Muralha, Luiz Antonio e Camacho de mostrarem grande categoria e desenvoltura nos passes, em esporádicas e isoladas situações do jogo. Ainda assim, é importante que se frise que esse time, com esses jogadores, apesar da formação tática confusa e medrosa, é bem mais arejado e agradável do que a com os medalhões que vinham atuando.

Na defesa, González estreou bem, David Braz teve uma atuação segura como há tempos não tinha, porém nem tudo foi positivo, pois Rafael Galhardo mostrou-se não uma avenida, mas uma autêntica autoban alemã, com quatro faixas de rolamento muito bem pavimentadas e sem limite de velocidade. O cara simplesmente não marca ninguém, é driblado com grande facilidade e sequer demonstra gana para correr atrás do atacante adversário. Sua falta de disposição contrasta com a idade e com a oportunidade que está recebendo de atuar num clube do tamanho do Flamengo. Sua atuação foi de tal forma preocupante que deixa a impressão de que Leonardo Moura realmente não possui um reserva minimamente qualificado para a posição.

No ataque, pende de explicação convincente o porquê de Negueba, com sucessivas atuações pífias, ser o único dos jovens talentos a ter oportunidades, em detrimento de Thomaz, principalmente, que nenhuma tem, e de Diego Maurício, quem possui mais tempo de profissional.

Finalmente, as estrelas. Ronaldinho Gaúcho teve mais uma atuação apagadíssima, ao meu ver muito aquém do que pode render. Outra grande decepção. Já Vagner Love deixou mais uma vez a sua marca e teve dificuldades pela falta de articulação da equipe em vários momentos.

A nós, torcedores, resta a vã esperança de que os jogadores queiram mais a Libertadores do que o Estadual e que encarem o confronto com o Emelec com a seriedade que ele merece. No que depender de mim, lanço a campanha: Prioridade para a Libertadores e Reservas no Fla-Flu!

Bom dia e SRN a todos.

domingo, 4 de março de 2012

Duque de Caxias x Flamengo




Taça Rio/2012 - 3ª Rodada.

Duque de Caxias: Fernando; Arilson, Paulão, Jorge Felipe e Rodrigues; Fábio Aguiar, Juninho, Raphael Augusto, Watthimem e Jefinho; Gilcimar.
Técnico: Eduardo Allax.

FLAMENGO: Felipe; Rafael Galhardo, González, David Braz e Júnior César; Luiz Antonio, Muralha, Camacho (Bottinelli ou Maldonado) e Ronaldinho Gaúcho; Deivid e Vagner Love.
Técnico: Joel Santana.

Data, Local e Horário: Quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012, no Estádio Cláudio Moacyr, o "Moacyrzão", em Macaé/RJ, as 18:30h (USA ET 16:30h).

Arbitragem: Péricles Bassols Cortez, auxiliado por Wagner de Almeida Santos e Jackson Lourenço Massara.

Na beira do campo



Na última coluna abordei a maneira como a organização do departamento de futebol pode influenciar os resultados do time e como cada papel é importante na cadeia de comando. Hoje vou falar do ponto mais abaixo dessa hierarquia que, ironicamente, acaba sendo sempre o responsável direto pelo desempenho do time neste nosso futebol brasileiro dito profissional: o treinador.

Essa semana, estava conversando com o pessoal do escritório onde trabalho sobre o amistoso da Seleção e o trabalho do Mano Menezes. Chegamos a conclusão - que eu já vi ser discutida diversas vezes aqui no Buteco - que vivemos no Brasil uma séria deficiência não apenas de bons jogadores, mas também de treinadores. A nossa seleção apresenta erros muito semelhantes aos que comentamos aqui falando do Flamengo, por exemplo. Perguntei essa semana ao nosso colunista Gustavo quem teria sido o último grande técnico do Mengo e me fiz a mesma pergunta sobre o escrete canarinho. Talvez o próprio Luxa no Fla em 95 e o Telê no longínquo 86. Me lembrei inclusive que o capitão Claudio Coutinho acumulou durante algum tempo os dois cargos de técnico com maior pressão no país: técnico do Flamengo e da Seleção Brasileira. E Pensando nos últimos treinadores que tivemos no Rubro-Negro fiz uma breve pesquisa na internet e encontrei uma lista extensa e com nomes incríveis. Vale a pena observar que, com poucas exceções como Muricy, Tite e Felipão, a maioria dos "técnicos de ponta" do mercado nacional já comandou o Flamengo.


Mesmo contando com a inestimável ajuda de São Judas Tadeu e da Divina Providência que tiraram Williams, Airton e Renato do jogo deste domingo, creio que o velho Joel não terá uma passagem duradoura no Flamengo dessa vez. Para mim será um alívio porque se o time do Luxemburgo era ruim de ver jogar, esse do Joel é terrível. O chato é que isso deve nos custar a Libertadores e todo o primeiro semestre. E aí eu pergunto quem deveria ser o técnico do Flamengo para que ele volte a jogar como Flamengo?

Como de costume, quando se trata de Flamengo, nada é tão simples quanto deveria ou poderia ser. Primeiro é necessário definir o que queremos dizer com jogar como Flamengo. Na minha concepção, o jogo do time deve refletir os valores Rubro-Negros: ousadia, coragem, raça e determinação. Em segundo lugar, precisamos definir o tipo de profissional que seja capaz de montar um time com essas características dentro do momento instável e caótico que vive o clube. Assim, o cara que vai treinar o time atual do Flamengo tem que reunir algumas características como: ousadia para armar um time sempre ofensivo, ter o estilo boleiro para ser capaz de lidar com as prima-donnas da casa e saber fazer a transição dos novos valores da base para o time de cima pensando em ter um time forte agora e um ainda mais forte num futuro próximo.

Como resposta a essa demanda, três nomes me passam pela cabeça e nenhum deles preenche 100% todas as qualidades necessárias. Seriam Abel, Dorival Jr e Renato Gaúcho. Vejamos caso a caso:

Abel é boleiro, tem títulos importantes na carreira e fez um bom trabalho no Flamengo com um time fraco que tinha como destaque o Felipe, que foi adiantado para jogar como meia-atacante em uma das melhores fases da sua carreira. Abel foi covarde e cometeu um erro em 2004 na decisão da Copa do Brasil contra o S.André mas se recuperou na passagem pelo Inter-RS com a conquista do Mundial. Vem fazendo um bom trabalho desde o ano passado administrando um time cheio de estrelas, com alguns jogadores medíocres e trazendo alguns valores da base. Abel seria a minha primeira opção se estivesse disponível.

Dorival fez um grande trabalho no Santos pós-Luxemburgo montando um time que encheu o Brasil de esperanças para o renascimento do futebol genuinamente brasileiro, jogado pra frente com ousadia. Mas bateu de frente com um Neymar moleque (que parece estar muito melhor hoje) e foi fritado do peixe, o que mostra que não tem tanto traquejo para lidar com estrelas e com o deslumbramento de alguns garotos. Além disso, não ganhou nada além de um estadual em cuja final cometeu o mesmo erro do Abel contra o mesmo Santo André mas tinha Neymar e Ganso. Fez trabalho sem destaque no Galo (que é uma zona quase tão grande quanto o Fla) e
vem fazendo um trabalho bom no colorado com um time ofensivo. Na minha visão, Dorival é um técnico de futuro mas o Flamengo de hoje - mais do que nunca - não é para principiantes.

E por último Renato Gaúcho que talvez seja o menos bem-visto dos três. Apesar disso, seus trabalhos no Vasco (2005-07), no Grêmio (2010) e no Fluminense (2008) mostram que ele ainda tem o ímpeto ofensivo que era sua marca registrada como jogador. São times que cometem poucas faltas e é um cara boleiro, que sabe lidar com jogadores boêmios, afinal foi um dos maiores da sua geração nesse quesito. Tem o mesmo problema do Dorival de nunca ter conquistado nada relevante, não sendo ainda um técnico de ponta e de ter feito trabalhos fracos em tempos recentes como a terrível passagem pelo Atlético-PR. Pesa contra ele o fato de ter DOIS rebaixamentos como treinador, os mesmos Vasco e Fluminense, o que faz muita diferença para o Flamengo em ano eleitoral.

Não é uma questão simles, mesmo sabendo o que se quer para o time. E ainda assim não existem garantias de que o time vai encaixar com esse ou aquele treinador. Mas realmente fica muito mais fácil de se cobrar resultados quando as metas são estabelecidas com clareza. E quando falo em resultados, quero deixar claro que não é a colocação no campeonato que faz diferença. O principal resultado esperado deve ser sempre a qualidade do jogo praticado pelo time. Li essa semana a seguinte frase: "Esse time não joga apenas para ganhar. Deve jogar de forma bonita e ofensiva para agradar aos sócios e aqueles que pagaram ingresso." O autor da frase era presidente do Barcelona nos anos 60 ou 70.

Ah, e não sei quanto a vocês, mas eu fico me perguntando se o elenco de algum outro time profissional do mundo joga tantas peladas (me recuso a chamar pelada de rachão) quanto o Flamengo. Mais do que isso, é incrível como pelo menos uma vez por semana, sai uma matéria no Globo.com sobre quem venceu a pelada que foi disputada ao invés de algum treino tático ou de fundamentos. Deve ser por isso mesmo que o time do Flamengo não é muito mais organizado do que aqueles que jogam nos campos do aterro.


abs e SRN!

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