quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Flamengo x Palestino

 


Copa Sul-Americana - Oitavas-de-Final (Segundo Jogo)

FLAMENGO: Paulo Victor; Rodinei, Juan, Rafael Vaz e Chiquinho; Márcio Araújo, Cuéllar e Alan Patrick; FernandinhoGuerrero e Marcelo Cirino (Emerson Sheik). Técnico: Zé Ricardo.

Palestino - Dario Melo, Francisco Serralta, Ezequiel Luna, Benjamín Vidal e Roberto Cereceda; Esteban Carvajal, Augustín Farias, Franco Mazurek, Mathías Vidagnossy e Leonardo Valencia; Leandro Benega . Treinador - Nicolás Cordova.

Data, Local e Horário: Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016, as 21:45h (USA/ET 20:45h), no Estádio Estadual José Kleber de Andrade ou "Monumental de Big Field" ou "Kleber Andrade" ou "Klebão", em Cariacica/ES.

Arbitragem - Diego Haro (Peru), auxiliado por Braulio Cornejo (Peru) e Victor Paez (Peru).


 

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

Uma fonte recorrente de comentários costuma recair sobre a análise dos elencos que o Flamengo monta para a disputa de cada temporada. É raro nós, torcedores, cravarmos plena satisfação com o plantel disponível, e não há nada de errado nisto, uma vez que sempre buscamos evolução e melhoria. Um lateral-esquerdo aqui, um volante ali, enfim.
Isto posto, trago aqui rápidas pinceladas sobre os seis elencos flamengos que lograram conquistar o Campeonato Brasileiro. Seis plantéis vitoriosos. Algo sobre montagem e características. Talvez daí saiam conclusões interessantes.
Boa leitura, pois.

ELENCOS FLAMENGOS CAMPEÕES

1980

TITULARES
Raul, Toninho, Rondinelli, Marinho, Júnior; Andrade, Carpegiani, Zico; Tita, Nunes, Júlio César

RESERVAS
Cantarele, Carlos Alberto, Manguito, Nelson, Leandro; Vítor, Adílio, Gerson Lopes; Reinaldo, Anselmo, Carlos Henrique

O Flamengo inicia o campeonato sem centroavante. Cláudio Adão é afastado e emprestado ao Botafogo e seu reserva, o jovem Gerson Lopes, lesiona-se na pré-temporada. Enquanto o clube busca um nome de peso (chega a avançar por Roberto Dinamite, encostado no Barcelona-ESP, mas o negócio mela na reta final), vai se virando com o improvisado Tita, sem êxito. A chegada de Nunes, emprestado pelo Monterrey-MEX resolve o problema.
Nas demais funções, a opção é pela polivalência, tão ao gosto de Coutinho. O ótimo e versátil Carlos Alberto é a alternativa para as duas laterais, onde Toninho e Júnior seguem absolutos. No meio, Adílio é uma espécie de “décimo-segundo titular”, podendo ser usado ao lado de Carpegiani ou de Andrade, a depender do contexto, ou mesmo como falso ponta-esquerda. Quando Zico está fora, é o já titular Tita quem assume a camisa 10. No ataque, as principais opções são Reinaldo (ex-América) e Carlos Henrique, ponta muito veloz e arisco.
No gol, Raul aproveita lesão de Cantarele e assume a condição de titular.
O ponto fraco do elenco é a zaga. Rondinelli é voluntarioso, mas possui pouca técnica. Marinho está em nível superior, mas ainda está se adaptando ao Rio. Os reservas, Nelson e Manguito, são irregulares. Também falta um primeiro volante mais experiente, pois o jovem Vítor ainda não foi posto à prova.
Basicamente, é um elenco onde figura uma forte e sólida equipe titular, com três ou quatro boas peças de reposição e vários jogadores ainda muito jovens, embora qualificados (destaque para o talentoso Leandro, em transição para o profissional).

* * *

1982

TITULARES
Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Tita, Nunes, Lico

RESERVAS
Cantarele, Carlos Alberto* (Djalma Braga), Figueiredo, Ademar, Antunes; Vítor, Júlio César Barbosa, Peu; Chiquinho (Popeia), Anselmo (Reinaldo), Edson

* Lesionado, não disputou o Brasileiro

A filosofia de aproveitar jogadores versáteis, “multifuncionais”, característica do trabalho de Coutinho, também é seguida por Carpegiani, que prefere apostar em poucos reservas efetivos, mas capazes de exercer distintos papeis em campo. Nesse contexto, além do time titular, há o zagueiro Figueiredo, capaz de substituir qualquer dos dois titulares, o volante Vítor, que pode fazer dupla com Adílio ou Andrade, e o curinga Popéia, contratado junto ao Colorado-PR, capaz de atuar como falso-ponta pelos dois lados ou mesmo como lateral-direito. As variações do esquema são dadas pelos pontas especialistas Chiquinho e Edson, especialmente contra equipes mais retrancadas. Raul segue tranquilo como titular.
Mas há problemas. Popéia não rende o esperado e perde espaço. Para complicar, Nunes sofre séria lesão no joelho no meio da competição e o time decai em rendimento, pois os reservas Anselmo e Reinaldo (ex-Náutico) são mais estáticos, não possuem a mesma movimentação do titular. Apenas quando Peu, camisa 10 de ofício, é improvisado na função de centroavante o time volta a funcionar, lubrificado pela mobilidade do alagoano. Mas Nunes retorna para as partidas decisivas, inclusive a tempo de marcar o gol do título.
Outro problema está nas laterais. A lesão de Carlos Alberto abre uma lacuna no elenco, pois os reservas Djalma Braga e Ademar (que também atua como zagueiro) ainda estão muito “verdes”. O jeito é recorrer ao instável Antunes (que atua pelos dois lados) como alternativa de reposição.
Tal como ocorrera em 1980, o Flamengo realiza sua campanha com um time-base e poucas peças de reposição efetivas. Mas sofre com alguns problemas de lesão que tornam a trajetória mais árdua.

* * *

1983

TITULARES
Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior; Vítor, Adílio, Zico; Élder, Baltazar, Júlio César Barbosa

RESERVAS
Cantarele, Cocada, Figueiredo, Zé Carlos II, Ademar (Adalberto); Andrade*, Bigu, Gilmar Popoca; Robertinho, Ronaldo Marques (Bebeto), Lico* (Edson)

* Titulares lesionados antes das fases finais, não retornaram a tempo

O frustrante final da temporada anterior faz a diretoria repensar a montagem do elenco rubro-negro. Nesse contexto, a possibilidade de dispor de mais alternativas táticas passa a dar a tônica, inclusive na definição dos reforços a contratar. Assim, chega o caro Robertinho, jogador veloz, driblador, com passagem pela Seleção, para assumir a ponta-direita. Baltazar chega para o lugar do desgastado Nunes, que será emprestado. Tita sai, também por empréstimo, abrindo vaga no time titular para Robertinho.
No entanto, o percurso do Flamengo nessa competição é bem mais instável. O time começa mal, sofre troca de treinadores, perde jogadores importantes por lesão e, na reta final, volta ao esquema de falsos-pontas, com a promoção de alguns garotos.
Andrade e Lico, titulares, contundem-se seriamente, sendo substituídos por Vítor e Júlio César Barbosa, respectivamente. Outro jovem, o combativo Élder, ganha a vaga de Robertinho e irá recuar para compor o meio, liberando Zico e Adílio para atuarem mais adiantados, o que faz crescer muito o jogo do segundo.
Raul, buscando encerrar a carreira em grande estilo, está em excepcional forma. Leandro já começa a se ressentir do esforço de atuar como lateral e é testado como zagueiro em algumas partidas, mas Figueiredo segue como principal alternativa para o setor. No meio, a ascensão de Vítor abre espaço para o promissor Bigu, que realiza algumas atuações interessantes. Os laterais Cocada (jovem contratado junto ao Operário-MS) e Ademar são mais utilizados, dando resposta razoável. Na frente, Robertinho é a principal opção, entrando no meio dos jogos, usualmente no lugar do inseguro Baltazar (Carlos Alberto Torres prefere atuar sem centroavante fixo em alguns momentos). O baixinho Edson também chega a mostrar bom futebol. No comando do ataque, o garoto Ronaldo Marques também é aproveitado, marcando inclusive um gol. Os jovens Adalberto, Gilmar Popoca e principalmente Bebeto (jóia revelada no futebol baiano) começam a ganhar cancha, entrando em alguns jogos.
Essa campanha é caracterizada pelo uso de vários jogadores, lançados de acordo com a circunstância de cada partida. Cai o conceito do “reserva-coringa”, entra o “reserva-especialista”. Excetuando-se Figueiredo e Robertinho, não há opções fixas, até por conta do maior leque de alternativas. Vários jovens são lançados, já para ganhar experiência para as temporadas seguintes, ou mesmo para suprir carências surgidas na equipe.

* * *

1987

TITULARES
Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo; Andrade, Ailton, Zinho, Zico; Bebeto, Renato

RESERVAS
Cantarele, Leandro Silva, Aldair, Zé Carlos II (Guto), Ayrton; Flávio, Zé Ricardo, Henágio; Alcindo (Márcio), Kita, Nunes;

O Flamengo entra para a disputa do Brasileiro com um time titular qualificado, mas envelhecido. Perde Adílio (dispensado e transferido para o Coritiba), Mozer (vendido ao Benfica-POR) e Marquinho (negociado com o Atlético-MG, após a ascensão do jovem Zinho). Como reposição, traz o experiente Edinho, cria do Fluminense, e o veterano Nunes, tentativa de melhorar o rendimento do comando do ataque, após desempenho irregular de Kita.
Antônio Lopes, em atrito com o elenco, somente resiste a uma partida. Carlinhos, o auxiliar-técnico, assume e consegue chegar a uma formação ideal, altamente técnica e competitiva, mesclando a classe de Zico, Leandro, Edinho, Andrade, e a juventude e o fogo de Ailton, Zinho, Bebeto e principalmente Renato Gaúcho, ajudados pela excepcional fase de Zé Carlos (que vive o auge da carreira) e Jorginho. A grande surpresa é a ascensão do lateral Leonardo, que substitui Adalberto, às voltas com uma séria lesão óssea.
O problema é que este time (que atua magistralmente nos 2-1 sobre o Vasco) não possui peças de reposição. Apenas os talentosos zagueiros Aldair (que por pouco não se queima após péssima atuação como lateral-esquerdo na estreia) e Zé Carlos II, o irrequieto atacante Alcindo e talvez o tranquilo volante Flávio aparentam reunir condições de atuar como titulares. O meia Henágio é habilidoso mas tem problemas extracampo, o lateral-esquerdo Ayrton é contratado às pressas para repor a perda de Adalberto mas não rende, o atacante Kita já não consegue superar a desmotivação e Nunes, após criar problemas com vários jogadores, perde espaço. O Flamengo ainda tenta contratar o experiente baixinho meia Osvaldo (destaque na Ponte Preta e no Grêmio) como uma alternativa a Zico, mas o jogador é reprovado nos exames médicos.
E o time sofre com diversos problemas. Zico (contratura muscular), Bebeto (tornozelo), Edinho (fratura no malar após agressão de Geovani contra o Vasco) e Jorginho (problemas na renovação do contrato) vão desfalcando e desfigurando a equipe, que não se encontra. Somente na reta final, quando todos estão à disposição, o Flamengo engrena e arranca rumo ao Tetra Brasileiro.
Em síntese, a campanha é caracterizada pela rápida definição de uma equipe titular, com poucas peças de reposição, que quase comprometem o resultado final.

* * *

1992

TITULARES
Gilmar, Charles Guerreiro, W.Gotardo, J.Baiano, Piá; Uidemar, Júnior, Nélio; Júlio César “Imperador”, Gaúcho, Zinho

RESERVAS
Adriano, Cláudio, Gelson Baresi (Mauro), Rogério, Fábio; Fabinho, Marquinhos, Luís Antônio (Djalminha); Paulo Nunes, Toto, Marcelinho

A base vitoriosa da temporada anterior é mantida, sendo apenas reforçada pelo atacante Toto, destaque no Campeonato Catarinense.
O elenco parece homogêneo, aparentemente com boas peças de reposição para todos os setores. O destaque no banco de reservas é Fabinho, capaz de substituir os laterais e atuar como volante, sempre com a mesma qualidade (sua melhor atuação no Brasileiro é nos 3-1 sobre o Corinthians no Pacaembu, quando jogou na lateral-esquerda). O volante Marquinhos também é muito utilizado por Carlinhos, atuando praticamente como se titular fosse. Outra peça fundamental é Paulo Nunes, que se reveza na equipe com o meia Júlio César Imperador, a depender do contexto da partida (equipe mais veloz ou técnica). Há ainda a zaga, em que Rogério e Júnior Baiano vivem às voltas com uma disputa ferrenha pela posição de titular, administrada com cuidado por Carlinhos. São utilizados vários jogadores egressos da equipe campeã da Copa SP de 1990, que enfim começam a se firmar como profissionais.
O ponto fraco está justamente na única posição que foi reforçada, o comando do ataque. Gaúcho sofre séria lesão muscular e se ausenta por quase dois meses. Toto é esforçado e possui senso goleador, mas é estático, não dispõe da mesma mobilidade do titular (Gaúcho, apesar de pouco técnico, é um atacante que se desloca muito). Carlinhos tenta improvisar um ataque sem “nove fixo”, mas o time não reage, despenca na tabela e por pouco não cai eliminado ainda na Primeira Fase. A reação se dá justamente com a volta de Gaúcho que, embora em má fase, reequilibra taticamente a equipe, que se reencontra e arranca para a classificação e para o penta.
É um elenco forte, homogêneo, que utiliza fartamente jogadores oriundos das divisões de base, em um time titular em que há algumas posições em aberto, permitindo a participação de vários “reservas-titulares”, até porque Carlinhos não fecha uma formação titular inicial fixa, alterando-a a depender do que pede as circunstâncias da partida.

* * *

2009

TITULARES
Bruno, Léo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim, Juan; Aírton, Maldonado; Willians, Petkovic, Zé Roberto; Adriano

RESERVAS
Diego, R.Galhardo, David, Fabrício (Wellinton), Everton; Toró, Lenon, Kleberson (Erick Flores), Fierro; Gil, Denis Marques, Bruno Mezenga

O Campeonato de 2009 possui uma peculiaridade em relação aos demais, que é a possibilidade de alterações radicais no elenco durante a competição. Assim, o Flamengo perde dois titulares (o volante Ibson e o atacante Emerson Sheik) e uma peça de reposição importante (o atacante Josiel), todos negociados. A reposição desses nomes se dá com a chegada do atacante Denis Marques e do volante Maldonado (que chega em baixa, por conta do histórico de lesões).
Além disso, o Flamengo se vê obrigado a reforçar a zaga, que perde força com a aposentadoria de Fábio Luciano. Após más experiências com os jovens Wellinton e Fabrício, e com uma mal-sucedida improvisação do volante Aírton, chegam dois reforços, o talentoso mas contestado Álvaro (que vive declínio na carreira) e o promissor David. Contra as expectativas, Álvaro toma conta da posição, formando uma elogiada dupla com o experiente Ronaldo Angelim.
Mas os maiores reforços do elenco surgem como “negócios de oportunidade”. Adriano, o Imperador, está desmotivado e força sua saída da Internazionale. O Flamengo, ainda ressentido da perda do atacante Ronaldo, consegue trazer o polêmico jogador, que chega com status de ídolo. Além de Adriano, o veterano e decadente meia Petkovic renegocia uma pesada dívida que tem a receber e acerta seu retorno, numa medida polêmica que chega a derrubar a direção do futebol do clube. No entanto, Adriano e Petkovic serão os condutores, as peças diferenciadas que levarão o Flamengo ao Hexa Brasileiro, juntamente com um qualificado mas problemático grupo de jogadores.
O restante do elenco é complementado por peças da base e os úteis Everton (que supre a ausência do lesionado Juan, surpreendendo como lateral-esquerdo), Fierro e Kleberson. Na reta final, as lesões de Adriano e Maldonado preocupam, mas os limitados Toró e Bruno Mezenga são absorvidos por um time já focado no título. Gil, outro jogador contratado em baixa, não rende e sai sem deixar saudades.

O time titular é muito bom, com algumas boas peças de reposição, mas de um modo geral há um desequilíbrio, que irá se tornar mais visível na temporada seguinte, pois muitos jogadores demonstram bom rendimento em curto prazo, não reunindo mais consistência para funcionar por períodos longos



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Flamengo e Palmeiras: Espelhos que se Assemelham e Enganam.


 É inegável que as trajetórias de Flamengo e Palmeiras se confundam neste brasileiro, e se for pensar um pouco mais, não apenas neste instante. Sempre achei, meus amigos mais próximos podem facilmente confirmar, que os dois clubes têm mais similaridades de que distâncias entre si. Obviamente, cada um de sua forma, com suas peculiaridades, e que mesmo assim, numa História recente são uma espécie de espelho.

Como todo espelho ele reflete e pode enganar a alguém com dificuldades de enxergar, ou propositadamente se manter ali, pura e simplesmente para enganar, como numa casa de espelhos de parques de diversões. São dois clubes populares de cidades populosas e que de certa forma também contam com grande torcida “fora de seus domínios”. Notadamente, o clube carioca tem a maior torcida do país, com capilaridade ímpar e o Palmeiras não é nem o mais popular de sua cidade, mesmo assim conta grande torcida em outras regiões do Brasil.

Flamengo é um clube de origens populares e fanfarronas, nasceu da vontade de seis jovens remadores que queriam ter mais chances de conquistar as meninas da cidade, encantadas com os praticantes do esporte mais popular daquele momento, o remo. O Palmeiras é um clube de colônia, de origem italiana que gostaria de se firmar, se juntar, se divertir numa terra distante de seu país natal, a Itália. Os oriundi encontraram uma forma de se estabelecer no Brasil mantendo, e por quê não, amplificando sua cultura através dos encontros entre famílias e do esporte. Passaram por dificuldades em períodos de guerra, mas mantiveram-se como um clube popular e esportivo. O Palestra virou Palmeiras.

Os dois clubes têm historicamente para si muita pressão interna, onde geralmente mais atrapalha do que ajuda. Sem contar das páginas de jornais negativas, não gloriosas no campo administrativo, com gestões que não orgulha a nenhum integrante de suas gigantescas torcidas mundo à fora. O Flamengo tem diversos grupos políticos ativos, se não me engano 10 ex-presidentes vivos. É um turbilhão, donde as crises se criam de dentro para fora. No Palmeiras não é muito diferente, existem também influentes ex-presidentes, diversos grupos políticos, pressões e a “turma do amendoim” (torcedores que ficam em áreas nobres do estádio e perto dos treinadores só para reclamar durante os jogos). São famosos, a relação com os treinadores não é legal e o Cuca já sentiu.
Algumas definições de Espelho:
Substantivo masculino
1. Superfície lisa e muito polida, capaz de refletir a luz e as imagens de objetos e pessoas.
2. Qualquer superfície plana capaz de produzir reflexos em certas circunstâncias.
3. fig. modelo a ser seguido; exemplo.
4. Duplicata.

Em minha imaginação, espelhar pode ser a projeção sobre uma realidade perceptível ao olhos (não necessariamente), um engano. Para o leigo que não acompanha os clubes, antes das administrações atuais (Eduardo Bandeira de Melo e Paulo Nobre, ambos no segundo mandato) os clubes estavam em seus piores anos históricos em relação à gestão. Quem pensa desta forma está completamente certo. Gestões catastróficas deixaram o clube carioca e o paulistano em situações políticas, financeiras, administrativas, etc. terríveis. Até em páginas policiais os clubes estavam envolvidos diretamente.

Vejo similaridades. Nos processos de “reabilitação”, mesmo com importantes ressalvas. Responsáveis por modelos de gestão mais modernos, diferentes entre si, Palmeiras e Flamengo iniciaram um distanciamento dos outros grandes clubes do Brasil, onde o foco estava numa condução de menos espetáculo, muito trabalho, voltadas para seu público interno, suas bases, na resolução de seus problemas. O time paulistano não conseguiu resistir aos desmandos e caiu para a segunda divisão por duas vezes, o clube carioca não. Não lembro de quem é a frase, mas “o buraco é grande, mas o Flamengo é maior do que o buraco”.

Nobre promoveu a contratação de profissionais para a gestão do clube, colocou dinheiro de seu bolso, já que é um grande investidor do mercado financeiro e um dos herdeiros do Grupo Itaú. Pegar empréstimos como pessoa física é muito mais “barato” do que na pessoa jurídica (clube). Especula-se 220MM dos quais uma parte foi perdoada e outra já paga, restando menos de 100MM a ser pago. Aí está uma das diferenças entre os modelos, uma espécie de mecenato, já praticado pelos palestrinos na década de 1990, com a Parmalat. É lícito, alguns podem questionar se moralmente é bom, mas é o que mantêm o nível de investimento do clube. Com um detalhe: foi o único dos grandes a não assinar contratos de televisionamento de 2019 a 2024, e também não assinou o Profut.

A gestão Bandeira de Melo é conhecida pelos nós, com anos de desmandos, má reputação, dívidas, gestões nebulosas, entre outras coisas, que começam a mudar com a “chegada” da Chapa Azul, onde grandes Flamenguistas se doaram para mudar a História do clube. Pena que ocorreram desentendimentos e parte deste rubro-negros não faz mais parte desta gestão. O Flamengo segue. Muitas foram as vitórias fora de campo, com suor e esforço, sem mecenato, na raça. A custa de muito suor em campo, sofrimento, também. MUITO sofrimento.

Coincidentemente, as trajetórias se assemelham, novamente. Houve reconstrução dos elencos, maior investimento nas equipes e investimento fora do campo. Em 2016 parece uma projeção já atual de um futuro próximo, onde os clubes parecem mais equilibrados e um com seu estádio (outro por tentar garantir) e investindo em seus CTs (nisso estamos à frente). Tudo isso, para salientar que vencemos uma Copa do Brasil antes deles (2013 x 2015) e tenho a certeza de que temos de vencer um Brasileiro antes deles. Temos de ser o clube original, vencer dentro e fora de campo, sem ajudas externas, somente o justo, o nosso.

Temos futebol, time, elenco, estrutura e suor para levar o Brasileiro desse ano pra Gávea, o Palmeiras também, mas e daí? Sofremos demais (sem coitadismo, odeio isso) por incompetência nossa, também por jogar longe do Rio. Pela distância, só. Somos de todo lugar, todos menos alguns. Sem grandes ilusões, sapatinho máximo nessas próximas 11 batalhas e o Hepta vem! Tenho fé, seremos campeões! São Judas Tadeu está a batalhar por nós, conosco, na verdade.

Esse título vem sendo construído de forma bem bacana com a torcida sendo parte fundamental dela. Seja em Cariacica, seja em Brasília, São Paulo, em qualquer lugar. Isso mostra nosso tamanho, nossa grandeza, nossa maior riqueza. Nosso povo merece essa alegria. Aliás, alegria tem 7 letras. Não sei se já perceberam quantas vezes escrevi Flamengo neste texto. Contem, por favor.


 P.S.: Pra entendermos um pouco do que é feito o Palmeiras internamente, temos um link do Site Verdazzo, uma das referências de politica interna de clubes no Brasil. É um dos sites mais antigos sobre clubes e com notícias e debates. Salvo engano ele é de 2002.

P.S.2: Coisas de um passado não muito distante. Nosso muro de Berlim, não podemos jamais esquecer. A Gávea respira melhor.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Virada de Campeão (Na Raça)

Salve, Buteco! Há vitórias e vitórias. Domingo retrasado, por exemplo, no Pacaembu, o Flamengo venceu o Figueirense com uma atuação excepcional, cuja superioridade certamente não foi traduzida pela pouca elasticidade do placar. Ontem, ao contrário, o time não jogou tão bem, houve momentos no segundo tempo em que pareceu não ter forças para reagir, especialmente após a abertura do placar pelo Cruzeiro, mas foi justamente a reação, a raça, a recusa em perder, a vontade de disputar o título de campeão brasileiro que fez da vitória, na minha opinião, um marco na campanha até aqui. O Flamengo das temporadas anteriores teria até tentado, desorganizado e atabalhoado, uma reação que se revelaria ineficaz. Já o Flamengo de hoje, graças à consistência do elenco e ao trabalho da Comissão Técnica, especialmente do treinador Zé Ricardo, mantém os nervos sob controle e o padrão de eficiência do futebol da equipe a ponto de reverter um placar e uma situação de jogo completamente desfavoráveis mantendo-se vivo na disputa pelo título.

No início do dia comentava aqui no Buteco que considerava o Cruzeiro um adversário muito difícil. O Flamengo já teve elencos compostos por bons jogadores que renderam abaixo do que se esperava de acordo com suas faixas salariais e currículos. Algo semelhante ocorre com Cruzeiro e Internacional esse ano no Campeonato Brasileiro. Todavia, daí não se pode imaginar que serão adversários fáceis em um confronto direto, especialmente o Cruzeiro de Mano Menezes, treinador do qual o torcedor do Flamengo pode até falar o que bem entender de sua postura com o clube em razão da passagem em 2013, mas não pode negar que conseguiu melhorar o desempenho da equipe mineira nas duas vezes em que a dirigiu, contando a passagem atual.

Se durante o primeiro tempo o Flamengo, durante a maior parte, foi superior e quase abriu o placar, nos dez minutos finais começou a ceder o meio para o adversário, em um prenúncio do que seria a difícil segunda etapa. Acredito que o maior mérito do Cruzeiro ontem, a partir desse ponto da partida, tenha sido bloquear as até então bem sucedidas tabelas do meio e pontas do Flamengo, que não conseguia desenvolver seu jogo e esbarrava na primeira linha cruzeirense, tornando as chances de gol escassas.

Dos jogadores que atuaram os 90 (noventa) minutos, eu destaco o Diego, que mesmo nos piores momentos assumiu a responsabilidade e foi o cérebro do time, armando as jogadas ofensivas, e o Muralha, que efetivamente nos salvou no segundo tempo. Jorge está cada vez melhor no apoio e se posicionou em alguns momentos como meia, mas claro que preciso destacar como Mancuello é talentoso e propenso a ser decisivo, além de ressaltar que Zé Ricardo melhorou o time com as entradas do argentino e de Alan Patrick, elevando o nível da articulação ofensiva com jogadores mais talentosos.

***

Não escrevi a toa que a tabela parece ser mais fácil para o nosso concorrente direto ao título, o Palmeiras. Esse final de semana foi apenas uma amostra. No próximo, enquanto os paulistas enfrentarão o Santa Cruz em Recife, o Flamengo visitará o São Paulo no Morumbi, para na rodada seguinte ambos enfrentarem times pequenos da ZR e, em sequência, o Mais Querido jogar um Fla-Flu e posteriormente fora de casa contra o Internacional, enquanto os paulistas receberão o Cruzeiro e viajarão a Florianópolis para enfrentar o Figueirense.

Futebol não se resolve com prospecções e nem adivinhação. Mas é certo que o time terá que manter as mesmas determinação e força mental demonstradas ontem em Cariacica. Estratégia na rodagem do elenco será fundamental a partir de agora com duas competições avançando para as etapas decisivas.

***

Despeço-me pedindo que mandem a escalação para o jogo de volta contra o Palestino do Chile, pela Copa Sul-Americana, e digam o que esperam do confronto contra o São Paulo no Morumbi, no próximo sábado, no Morumbi.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 25 de setembro de 2016

Flamengo 2 x 1 Cruzeiro

 


Campeonato Brasileiro 2016 - Série A - 27ª Rodada

FLAMENGO: Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Jorge; MárciAraújo, Willian ArãoDiego, Gabrieverton) e Fernandinho; Guerrero. Técnico: Zé Ricardo.

Cruzeiro - Rafael; Ezequiel, Bruno Rodrigo, Manoel e Edimar; Henrique, Lucas Romero, Robinho e Arrascaeta; Rafael Sobis e Abila. Técnico - Mano Menezes.

Data, Local e Horário: Domingo, 25 de Setembro de 2016, as 16:00h (USA/ET 15:00h), no Estádio Estadual José Kleber de Andrade ou "Monumental de Big Field" ou "Kleber Andrade" ou "Klebão", em Cariacica/ES.

Arbitragem - Leandro Pedro Vuaden (FIFA/RS), auxiliado por Leirson Peng Martins (FIFA/RS) e Lucio Beiersdorf Flor (FIFA/RS). Quarto Árbitro: Dyorgenes José Padovani de Andrade (FIFA/ES).


 

sábado, 24 de setembro de 2016

Reta final

Bom dia, Buteco!

Hoje o tema é livre, gostaria apenas de deixar duas perguntas para os amigos:

Você acha que esse time já atingiu o auge? Se sim, por quantas rodadas conseguiremos manter o mesmo nível?

Qual fator você acredita ser decisivo nessa reta final para alcançarmos o título?

Bom final de semana a todos e que venha mais uma vitória!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O Próximo Desafio







Irmãos rubro-negros,



que momento especial vivemos com o nosso amado Flamengo.

Como a vida é melhor de ser vivida quando o Mengo está bem.

O Flamengo, já se disse antes, não é apenas um clube, mas um estado de alma.

E nós, rubro-negros, que estamos imersos nessa loucura que é o Flamengo, muitas vezes não nos apercebemos da grandeza do Mais Querido, grandeza esta que se revela nos bons e maus momentos, nos campos, arquibancadas, ruas, aeroportos e redes sociais.

Onde o Flamengo se mete, ou onde metem o Flamengo, lá está a horda de fanáticos ensandecidos, prontos a apoiar, cobrar ou brigar pelo clube.

São muitas as brigas: Brasileiro, Sul-Americana, Cbf, Stjd, Ferj, estádio, dentre outras.

Mas a vida é assim, amigos, feita de desafios. Enfrentá-los de peito e coração aberto é normal para o rubro-negro.

Embora sejam muitas as frentes de batalha, é importante atentar para aquela mais próxima.

E a disputa mais imediata será travada no domingo, em Cariacica.






Cada jogo uma decisão. Não ganhamos nada, ainda.

Se quisermos ganhar, toda humildade, raça e fé serão bem-vindas.

Sinceramente, não estou preocupado com a escalação levada a campo pelo Zé Ricardo, porque acho que nossas certezas, enquanto torcedores, muitas vezes são pertinentes, mas também se assemelham, às vezes, a mero capricho.

Eu quero mesmo é que o Mengo vença.





...


Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


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