segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre o Time e o Elenco

Salve, Buteco! Numa semana sem jogos oficiais e na qual o Flamengo deixou publicamente de ser considerado o maior devedor do país, estamos agora às vésperas do início do Campeonato Brasileiro/2015. A estreia não poderia ser mais difícil: São Paulo no Morumbi. Mas o que esperar desse campeonato? Que perspectiva podemos ter? Com ou sem "tiros certeiros"? E que tipo de "tiros certeiros" serão esses? Será que as contusões finalmente acabarão? E esse time que não engrena? Qual será o futuro do Mais Querido no futebol em 2015?

***

Sob o prisma técnico e na teoria (no papel), vejo o elenco do Flamengo em 2015 mais forte do que em 2013 e 2014, embora ainda sem equilíbrio na composição. Na prática, porém, a relação é inversa, e o time parece apenas piorar. Especificamente em comparação com 2013, o extremo positivo da atual gestão em termos de desempenho/resultado, atualmente o time se mostra menos decisivo e incisivo. Contudo, reparem que, hoje, no papel, o time é mais técnico. No meio, Canteros é mais técnico e melhor passador do que Elias, Luiz Antonio foi pra reserva mas para o meio veio Everton e Arthur Maia é bem mais ágil e participativo do que Carlos Eduardo, além de Alecsandro ser mais experiente, técnico, capaz de trocar passes e fazer lançamentos do que Hernane. E ainda temos Marcelo Cirino, veloz, inteligente e que participa da grande maioria das jogadas de gol do time, sem dúvida mais jogador do que Paulinho, ainda que se considere o de 2013. O elenco ainda tem mais opções, como Gabriel, Nixon e o jovem Matheus Sávio. O time de 2013 só ganhava em técnica nas laterais, com Leo Moura e André Santos, mas em 2015 ganhou-se muito em força física e regularidade com Pará, Anderson Pico e agora, com Armero. O elenco de 2015 em tese deveria permitir jogar com diferentes formações táticas, inclusive em velocidade, com rápidas trocas de passe, enquanto que o time de 2013 só jogava em contra-ataques ou na base do "abafa".

Porém, o "upgrade" técnico por enquanto ficou apenas na teoria e isso apenas funcionou contra times pequenos. Já nos confrontos mais difíceis, que exigiram mais do time, a boa atuação não passou de curtos períodos durante uma das etapas das partidas. Além disso, querendo ou não, Elias e Hernane eram jogadores que faziam a diferença em 2013, o que o time atual não possui. Ambos não apenas marcavam muitos gols, mas aqueles decisivos, inclusive nos jogos mais importantes. Hernane, tosco e quase incapaz tecnicamente, também era bem mais ágil e muito melhor preparado fisicamente do que Alecsandro, e marcava os gols em clássicos que até aqui Marcelo Cirino não foi capaz de marcar.

Tudo isso reforça a tese de que o time de 2013, além de mais decisivo, era mais agudo e possuía maior capacidade de agredir e pressionar os adversários, inclusive mantendo o padrão de jogo por boa parte dos noventa minutos, ainda que dentro de sua limitadíssima proposta, coisa que ainda não vimos em 2015. Quem sabe essa falta de intensidade e objetividade não seja que nos leve a dizer que falta "alma" ao time atual?

Estamos agora na expectativa de que a mini pré-temporada venha a ser sucedida por uma sequência de jogos no Brasileiro, mas sem as contusões que vitimaram o elenco até aqui, viabilizando a reversão desse quadro. Mas será que não é vã esperança de coração rubro-negro? A verdade é que o torcedor anda desconfiado e com razão: já se vão cinco meses do ano e nada do Flamengo convencer, quando até no enfadonho ano de 2014 o time conseguiu apresentar algumas boas exibições, ainda que ocasionais. Será que quando o nível de exigência subir esse time será capaz de elevar o seu padrão de atuações?

***

Pensando em como reforçar o atual elenco, chega a ser curioso lembrar que nenhum dos dois exemplos dados - Elias e Hernane - foi planejado para ser "decisivo" ou o "referência" do time em 2013. Elias, "encostado" no Sporting Lisboa, veio como uma oportunidade, assim como antes dele, em momentos distintos, vieram Fábio Luciano e Maldonado, e deu ainda mais certo do que estes porque também conseguiu ser artilheiro e decidir em momentos cruciais. Hernane foi uma aposta como também já foram Toto (década de 90), Val Baiano, Vandinho, Wanderley, Jael e tantos outros, com a diferença de que deu muito certo, pois protagonizou na conquista do segundo maior título nacional e caiu nas graças da torcida rubro-negra.

Não é fácil, embora não seja impossível contratar um jogador que se encaixe no elenco e no time principal a ponto de se tornar uma referência e artilheiro protagonista que "resolva" as partidas mais importantes e decisivas, além de ter potencial de ídolo - tanto Hernane quanto Elias teriam se tornado ídolos do clube se houvessem permanecido e mantido o nível de atuação de 2013 por mais tempo. Aliás, os ídolos e referências no Flamengo têm, na maioria das vezes, embora não todas, surgido de situações inesperadas e às vezes inusitadas, como a menosprezada volta de Petkovic em 2009. Bem que isso poderia mudar um pouco e o planejamento funcionar melhor, pois surpresas desse naipe tendem a ser esporádicas.

Em tese, um meia que seja também artilheiro e um volante que chegue bem à área, além de outro atacante que também seja artilheiro são jogadores perfeitamente compatíveis com Marcelo Cirino e Canteros. Mais do que isso, podem com eles se entender perfeitamente bem, fazendo não só ambos, como o restante do time render bem melhor. É importante lembrar que o problema do meio não se resume à ausência do meia, pois Canteros é o único segundo volante do elenco, já que Cáceres, Márcio Araújo e Jonas, se não jogarem exclusivamente como primeiros volantes, comprometem seriamente o setor de criação, e Luiz Antonio, além de irregular, rende melhor ofensivamente apoiando pelo lado direito do campo, e portanto não chega a ser um volante do tipo organizador e distribuidor de jogo. Logo, quando Canteros não joga, estabelece-se o caos, e teremos pela frente nada menos do que o Campeonato Brasileiro e o afunilamento da Copa do Brasil.

O desafio da Diretoria está exatamente nesses "tiros certeiros", de modo a que o time do Flamengo volte a ter aquele "encaixe" da Copa do Brasil de 2013, e reparem que não estou exigindo a montagem de uma máquina de jogar futebol. Para tanto, precisará rever alguns conceitos, mas a torcida também deverá ter em mente que a própria expressão "tiro certeiro" talvez esteja sendo mal empregada. É que, mesmo elevando o nível de investimento, ainda não se atingirá o patamar que permita ter esse "nível de certeza", valendo lembrar que, a rigor, qualquer contratação no futebol traz alguma margem de risco. Mas por favor não errem na conta: são três reforços e não apenas dois.

***

Falando em riscos, e calculados, contexto no qual se enquadram as chamadas apostas, não vejo prolema algum em contratar jogadores como Arthur Maia. Mas apostar, ao menos no meu conceito (que pode perfeitamente ser equivocado), significa ter esse tipo de atleta no elenco, lançá-lo na segunda etapa de algumas partidas e progressivamente aumentar a dose de participações à medida em que corresponder. Iniciar um campeonato brasileiro com Arthur Maia, advindo do América/RN recém rebaixado para a Série C do campeonato brasileiro, como titular da criação do meio campo do Flamengo, ao meu ver equivale a Muralha substituir Elias como segundo volante no meio campo titular da Libertadores da América. E aqui nem preciso mencionar que a opção para o Arthur Maia é o Almir do Bangu, certo?

Equívocos dessa natureza são totalmente evitáveis e desnecessários, que dirá sua repetição. Não sei se são erros individuais ou coletivos, ou seja, dos treinadores de cada época ou até que ponto os respectivos diretores executivos e vice-presidentes de futebol também tiveram opinião ou mesmo aquiesceram. O certo é que, por ação ou omissão, são todos responsáveis e merecem ser criticados, e aqui o argumento do contexto das dívidas, dos limites orçamentários e do equacionamento da balança financeira do clube é absolutamente incabível e ocioso.

Outro ponto que precisa ser aprimorado é a escolha dos alvos das contratações no mercado sul-americano. A Diretoria fala em voltar ao mercado do cone sul para buscar jovens que possam trazer lucro ao clube em futuras negociações. Inevitável lembrar de Lucas Mugni. Se ainda nutro esperanças de que o jovem argentino possa vingar como segundo ou terceiro volante, pois acho que seus passes e lançamentos talvez funcionem em uma zona mais recuada do campo, na qual haverá mais espaço e maior compatibilidade com sua pouca agilidade em relação ao que a posição de meia avançado costuma exigir no futebol moderno (as exceções são os meias lentos que têm exímia noção de tempo e espaço, o que não é seu caso), o seu desempenho até aqui mostra que um jovem meia de um obscuro clube argentino, ambos sem destaque em qualquer competição de maior porte, não é a melhor opção para futuro retorno técnico e financeiro ao clube.

Não tenho como saber se seria viável um investimento no nível do feito pelo Cruzeiro, que um ano e meio depois contratou De Arrascaeta, jovem uruguaio do Defensor Sporting, então finalista da Libertadores, e que tem marcado gols em clássicos e jogos da própria competição sul-americana, já pelo clube mineiro. Tenho certeza, porém, de que as chances de retorno técnico e financeiro seriam bem maiores. Então, se a política for mesmo de trazer jovens que possam ter seus direitos federativos posteriormente negociados, os critérios precisam ser aprimorados.

***

Eis então o desequilíbrio na formação do elenco que mencionei no início do texto. Porém, a despeito de tais problemas, considerando o conjunto penso que o time tem a obrigação de se manter na tabela ao menos três posições acima da posição que terminou ano passado. Já na Copa do Brasil, competição eliminatória (do tipo "mata-mata"), somente reforçando o meio e mediante a contratação desses jogadores "decisivos" será possível sonhar com o título. Acho que sem eles haverá grande risco de eliminação em fases mais adiantadas, salvo se contarmos com muita sorte na tabela.

Será que a Diretoria finalmente conseguirá propiciar o "encaixe" de 2013 com os chamados "tiros certeiros"? Deixo claro que esse texto não sugere a volta de qualquer ex-jogador. O tempo passa, voa, e nem a poupança daquele extinto/incorporado banco fica numa boa. Façam então suas apostas e sugestões. 

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 3 de maio de 2015

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

Semana passada se celebrou o Dia do Goleiro. Um pouco incomodado com a polarização entre os nomes de Júlio César e Bruno, que foram dois goleiros espetaculares, vitoriosos e que fizeram história no Flamengo, mas que estão longe de terem sido os dois ÚNICOS grandes goleiros do clube, aí vai um breve texto, em historietas, em que tento passar um pouco do perfil do goleiro que VI jogar e que mais me agradou. Talvez não tenha sido o mais espetacular tecnicamente (se bem que tinha amplo, completo e perfeito domínio dos fundamentos), mas era um jogador que sabia tudo e mais um pouco dos “outros” aspectos do futebol. Um goleiro cretino, cínico, marrento, capaz de desestabilizar o mais sóbrio dos adversários, estivesse ele dentro ou fora do clube. Boa leitura.

1980
A temporada se inicia com uma definição importante. Cantarele é o goleiro titular, por opção de Coutinho. Raul, que vem de lesão, é o reserva e terá que disputar posição. Aliás, Coutinho anda acariciando a ideia de ceder às várias sondagens (Grêmio e Internacional andam interessados) feitas ao veterano goleiro e liberá-lo para negociação. Raul anda se lesionando com certa frequência e o treinador entende ser o momento de enfim dar a Cantarele uma sequência de jogos. Perguntado sobre sua condição de reserva, Raul, manhoso, declara: “talvez tenha mesmo chegado a hora dele, é um rapaz de 25 anos, eu já tenho meus 34 nas costas e tenho pouco tempo de bola, ele tem toda uma carreira pela frente.”

Mas Cantarele sente uma lesão no joelho e não viajará com o time para os amistosos da pré-temporada. Na primeira partida, contra o São Paulo no Morumbi, Raul faz pelo menos quatro defesas monstruosas, garante o 0-0 e sai ovacionado de campo. Poucas semanas depois, o Flamengo voltará ao Morumbi, agora para enfrentar o Santos, pelo Campeonato Brasileiro. Raul volta a atuar no gol do Flamengo. Mas agora é o titular, posição que conquista de forma definitiva.


1981
Dino Sani, irritado com a aversão de Raul aos treinamentos, resolve barrar o veterano goleiro. Anuncia que Cantarele será seu titular para o Estadual e a Libertadores. Inabalável, Raul dá de ombros: “opção dele”. Cantarele começa bem, mas logo na estreia da Libertadores falha nos dois gols do Atlético-MG, ambos  marcados por Éder, de falta. Mesmo assim, é mantido por Dino Sani. Mas o treinador acaba caindo e dando lugar ao seu auxiliar, Carpegiani, que em sua primeira partida, contra o Olimpia no Maracanã, resolve manter Cantarele no gol. Mas o goleiro novamente falha, sai de campo vaiado e, para os jogos no Paraguai, Carpegiani resolve tornar a efetivar Raul, buscando regularidade e experiência.

1981
Falta na entrada da área. Após 89 minutos de um jogo extremamente tenso, corrido e ríspido, beirando a violência, um tiro livre poderá definir a partida. Mais do que isso, poderá selar a sorte do Flamengo na competição. A bola está posicionada no lado esquerdo do ataque paraguaio, próxima à risca da grande área. Praticamente todos os jogadores estão na área do Flamengo. O cobrador ajeita com carinho a bola sobre o gramado duro e irregular do Defensores del Chaco. A falta é extremamente perigosa e o gol parece palpável. Gol que, a se confirmar, tirará o rubro-negro da competição. Trila o apito. A bola sai exatamente como desejado, zunindo rascante e rasante a poucos centímetros do gramado. Uma nuvem de jogadores se acotovela em sua trajetória, que a qualquer momento poderá ser desviada por um pé, uma mão, um joelho, um morrinho. Nada mais se vê além do amontoado de gente e poeira que obscurece a visão e acentua a angústia e aperta os corações de milhões de torcedores, olhos espremidos nos televisores que reproduzem a imagem escura que emana do estádio. Súbito, a fumaça se dissipa. Está consumado. A bola, após queimar a grama, rodopiar e viajar qual projétil, encerra sua viagem. Está guardada, agasalhada, abrigada segura nas mãos do veterano goleiro. Raul ergue o corpo e, sem mudar a expressão, olha para os lados. Um desavisado pensa, “vai pedir um café.”

1982
Termina a partida no Estádio Olímpico. A sensação geral é de que o Flamengo, que não fez boa partida, escapou de perder o título brasileiro. O Grêmio, que perdeu várias chances, inclusive estampando a trave rubro-negra num balaço de Baltasar, exala confiança para a partida seguinte. Uma das grandes figuras flamengas em campo, o goleiro Raul, é bastante assediado pela imprensa. E, ainda no gramado, declara em entrevista, a voz quase sussurrada: “Acredito que não fomos bem e realmente sofremos uma grande pressão. Acho que a pressão será ainda maior no próximo jogo. Será uma partida mais intensa, mais pegada, mais jogada”. E emenda, com extrema tranquilidade, esboçando um sorriso que beira o cínico: “e por isso mais interessante”. Aparvalhado, o repórter se retira. Parece ter entrevistado alguém que saiu de um jantar, não de um jogador que acabou de disputar uma final de campeonato.
E o tempo mostrará que Raul, afinal, tinha razão. O jogo-extra se mostra bem mais dramático e emocionante. O goleiro é ainda mais exigido. E, além de não cometer nenhuma falha a olho nu, ainda faz algumas defesas antológicas, segurando o 1-0 que dá o bicampeonato brasileiro ao Flamengo.

1983
O Couto Pereira apinhado com o maior público de sua história incandesce. O que parecia inimaginável está acontecendo. O imbatível Flamengo está a um gol de ser eliminado pelo brioso mas limitado Atlético-PR, justo na partida que está definindo um dos finalistas do Brasileiro. O rubro-negro do Rio parece sentir os dois gols sofridos em um curtíssimo espaço de tempo e recua, tenta tocar a bola para respirar. Os paranaenses sentem o momento e tentam pressionar, encurralar. Súbito, uma bola é esticada na direita. O ponta-direita Capitão fecha em diagonal, recebe e avança, livre. O estádio, em chamas, empertiga-se, pronto a explodir. Experiente, campeão brasileiro anos antes com o Guarani, Capitão sabe o que tem de fazer. Daquela posição, é mandar o tiro forte, seco, alto e no canto do goleiro. E com força. E a bola sai exatamente dessa forma. Não há o que fazer. O grito de gol começa a sair em berros mais afoitos. No entanto, o goleiro, que no último momento se encolhera qual presa à espera do golpe de morte, ergue-se num bote fulminante, instantâneo, milimétrico, provavelmente não humano. E intercepta o tiro de forma suave o suficiente para mandar ao inferno todos os sonhos, as ilusões e os devaneios de quem um dia ousou desafiar o campeão do mundo. Raul se levanta, limpa o calção, parece querer ler um jornal. Não esboça a mais remota expressão em sua face neutra. Ao seu redor, o silêncio é penetrante.

1983
O Flamengo enfim anuncia a contratação de Ubaldo Fillol, um dos melhores goleiros do mundo em atividade (para muitos, o melhor). Raul, que já confirmara sua aposentadoria no final do ano, é procurado por um jornalista. Parece feliz, numa das poucas vezes que demonstra emoção nas coisas de futebol. Sorridente, atende ao repórter: “Estou contente, sim. O Flamengo ter trazido um goleiro desse nível para me substituir é a melhor demonstração de reconhecimento ao que fiz na carreira. Sinal que não fui qualquer um.”


Boa semana a todos.

sábado, 2 de maio de 2015

Icasa x Flamengo


Amistoso

Icasa - Rodolpho; Charles, Rodrigo Almeida e Ciro; Alan, Rodrigo Vitor, Lima, Danrlei e Rian; Guilherme e Furlan. Técnico - Vladimir de Jesus.

FLAMENGOPaulo VictorParáWallace, Bressan e AndersoPico; Márcio Araújo, Jonas, Artur MaiaEverton e Gabriel; Marcelo CirinoTécnico: Vanderlei Luxemburgo. 

Data Local e Horário: Sábado, 2 de maio de 2015, as 19:30h (USET/PRUCT/GMT 18:30h), no Estádio Municipal Mauro Sampaio ou "Romeirão", em Juazeiro do Norte/CE.

Arbitragem:

Procura-se um protagonista


Estamos num período de três semanas sem partidas oficiais do Mais Querido mas nunca falta assunto. Hoje tem jogo, um amistoso em Juazeiro com uma possível e muito merecida homenagem ao Magro de Aço, Ronaldo Angelim, autor do gol do hexa. Sem Alecsandro, Canteros, Samir, Paulinho e ainda sem a estreia do Armero, não devemos ter muita novidade e a partida servirá apenas para manter o time em ritmo. Falo um pouco hoje, então, sobre uma percepção que eu tenho sobre o elenco do Flamengo desse ano.



...


Uma das teorias para explicar o fracasso da seleção brasileira na Copa de 2014 passou pela falta de jogadores que tivessem o papel de protagonistas nos grandes times das maiores ligas de futebol do mundo. Nossa maior estrela, Neymar, teve uma primeira temporada bastante discreta no Barcelona, ainda muito na sombra do grande Messi. Thiago Silva e David Luiz até eram visto como dois dos melhores zagueiros do mundo, mas não se sobressaem numa equipe que tem Ibrahimovic. Fred, o responsável primeiro pelos gols, nunca foi estrela na Europa e só se destacou mesmo em terras brasilis. Alguns, então, chegavam a ser reservas em suas equipes. Falar o que do nosso goleiro que precisou ir jogar no Canadá para chegar no Mundial com ritmo?

Guardadas as devidas prooporções, olho para nosso grupo de jogadores e também não vejo um protagonista. Não tem um ali que chame para si a responsabilidade em uma partida decisiva. Um exemplo claro disso foi a semifinal da Copa do Brasil do ano passado. Quando o Dátolo fez o terceiro gol, faltavam pouco mais de dez minutos e ninguém foi forte o suficiente para parar o jogo, chamar a bola, segurar o ímpeto dos mineiros. Canteros, referência técnica, sumiu e Wallace, nosso capitão, era coadjuvante no Corinthians campeão mundial. Cirino, maior contratação da temporada, é muito jovem ainda e não apareceu nos clássicos do Carioqueta e Armero, por mais que seja jogador de seleção, está longe de ser esse protagonista.

De acordo com a direção do futebol, estão sendo buscados dois reforços, dois "tiros certos". Assim como foi no início do ano, nós já ouvimos dezenas de nomes especulados para chegar ao clube. Muitos requentados, algumas novidades, mas, basicamente, apenas especulações. Tendo total consciência da dificuldade do mercado, de encontrar jogadores dentro das amarras financeiras a que estamos presos, o principal atributo que eu buscaria seria o protagonismo. Não é um atributo facilmente mensurável, mas dentre os vários nomes que estão na pauta recente, um exemplo forte seria o Robinho. Viria provavelmente só por salários, altos, claro, mas é o tipo de jogador que chama a responsabilidade. Não é o cracaço que pintou quando surgiu, já está na última fase da sua carreira, mas ainda decide. Além de chamar a torcida, o que também é muito importante. Precisamos também de outros tiros, que não precisam ser de canhão, para compor elenco. Num campeonato tão longo e desgastante como é o Brasileiro, quantidade também é necessária. Mas um time campeão não se faz apenas de apostas, precisamos de protagonistas, como foram Zico e Renato Gaúcho em 1987, Júnior em 1992 e Adriano e Pet em 2009.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Erros e Acertos; Muito Mais Acertos do que Erros




Irmãos flamengos,



curiosa a fase vivida pelo Flamengo e pela torcida do Flamengo.

Após anos e anos convivendo com péssimas administrações, que acarretaram um gigantesco caos financeiro, administrativo, estrutural, esportivo e moral, o Flamengo finalmente decidiu tomar as rédeas do seu destino e, graças ao grupo eleito em dezembro de 2012, voltou a agir, ao menos fora de campo, de acordo com o que rezam os valores e princípios flamengos: honestidade, honra à palavra dada, caráter, valentia na luta pelo que é certo, trabalho duro no dia à dia.

Alguém consegue imaginar num país como o Brasil uma diretoria se esforçar pela aprovação de emenda estatutária que responsabiliza pessoalmente os próprios dirigentes pelo mau uso dos recursos do clube?

Pois é, a atual diretoria teve a audácia de defender uma proposta que, ao fim e ao cabo, coloca seus bens pessoais como garantia de toda e qualquer irresponsabilidade para com o patrimônio do Clube de Regatas do Flamengo.

É um inegável ato de coragem e uma enorme demonstração de desprendimento e desinteresse no manuseio do milionário, em breve bilionário, orçamento do Flamengo.

Eu diria mais: isso é uma linda, até poética, manifestação de amor ao Mengo.

...

Naturalmente, assumir esse tipo de compromisso acarreta alguns ônus.

Enquanto o Flamengo sangra a própria carne para cumprir suas obrigações, limitando religiosamente seus gastos com o futebol, o que inevitavelmente se reflete na formação do elenco e no desenvolvimento estrutural, outros clubes investem um dinheiro que não possuem, contratando jogadores de renome sem ter como pagá-los, acumulando dívidas e balanços negativos.

Então a torcida do Flamengo, a Nação Rubro-Negra, depara com um contexto no mínimo inusitado: após anos de desmandos, ante o imensurável orgulho que sentimos pelo Flamengo ter uma gestão que planeja e age pensando primeiro no clube, nós passamos a comemorar como uma vitória ou um título os balanços (o maior lucro da história do futebol brasileiro foi obtido pelo Flamengo em 2014), patrocínios (a camisa mais valiosa do Brasil desde 2013 é a camisa do Flamengo) e tudo que se refere à boa e saudável administração do clube que tanto amamos.

E estamos certíssimos em fazê-lo.

...

Mas e o futebol?

O futebol, meus amigos, infelizmente, talvez pela própria complexidade que envolve o esporte, ainda não conseguiu traduzir em campo a excelência que temos visto fora dele.

São mais de dois anos de gestão e o time continua se portando aquém da grandeza do Flamengo.

E o melancólico Campeonato Carioca de 2015 aumentou a sensação de que o Flamengo, mesmo com o cinto apertado, poderia mais.

Mas eu acredito sinceramente que o rendimento do Flamengo no Campeonato Brasileiro deste ano surpreenderá positivamente.

Até porque ninguém aguenta mais, inclusive, tenho certeza, a própria diretoria, ver o Flamengo brigando contra o rebaixamento.

Ao Flamengo, portanto, resta entrar e disputar dignamente o Campeonato Brasileiro, superando as adversidades e mostrando dentro de campo tudo de bom que tem sido realizado fora dele.

...

Preocupação que deve figurar dentre as prioridades mais importantes do clube é a questão envolvendo o fechamento do Maracanã ano que vem.

Trata-se do pretexto ideal para o clube concretizar o sonho de um estádio próprio, ainda que provisório.

O momento não permite hesitação; o momento pede coragem, brio e peito.

Se existe uma diretoria capaz de realizar este sonho, que é premente, é a diretoria atual.

Que eles saibam que a torcida do Flamengo está disposta a lutar com o clube pelo direito legítimo e moral de termos nossa casa.

E que tenhamos todos no coração a legendária raça rubro-negra, porque a briga vai ser boa. 



                                   ...

Abraços e Saudações Rubro-Negras a todos.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.




quinta-feira, 30 de abril de 2015

Clube Social de Futebol e Poli-esportivo do Flamengo

Um clube multi-facetado. Claro que, normalmente, o torcedor pensa no Flamengo como um clube de futebol, onde joga o seu time, o Flamengo. Mas não é bem assim. O Flamengo não foi originalmente pensado como clube de futebol, certo? Sabemos todos. Foi idealizado como um clube de remo do bairro do Flamengo, por, dizem, jovens angustiados de assistirem outros jovens do bairro vizinho de Botafogo conquistarem as meninas da região. Se organizaram, fizeram vaquinha para comprar as embarcações (a primeira,  "Pherusa", afundou na primeira viagem) e formaram um clube de remo de fato e de direito. É assim que se faz, é assim que se realiza. Da ideia se faz a ação. Mesmo que imperfeita, a realidade é feita das ações. E com tantas ideias rondando o Flamengo, como vimos, desde sua criação, hoje temos um clube que é uma "indústria" de serviços de convivência social, esportivos, entretenimento, educacionais e, claro, "religiosos", considerando o Flamengo como um "ente religioso" a ocupar a mente e alma de seus milhões de torcedores. 

Um clube. Vários caminhos e camadas.

E o mundo hoje é bem complexo. E caro. Dispendioso nos mínimos detalhes. Para fazer esta roda girar com o mínimo de qualidade é preciso controle, processos, cadeias de comando, disciplina, orçamento,  equilíbrio financeiro, jurídico, estabelecimento de hierarquias de responsabilidades e, vamos combinar, Direção executiva altamente capacitada.

Não cabe mais, nesta altura de campeonato, uma Direção formada na base do "vamos lá", "quem manda sou eu", "não tenho plano nem projeto mas eu sou foda". Isto acabou. A Lei de Responsabilidade Fiscal Rubro-Negra, espera-se, deu um basta neste tipo de aventureiro falastrão. Do nome pomposo e ideias vazias. Hoje exije-se projetos com Organização e Métodos. O Flamengo vai crescendo suas receitas e atingindo o equilíbrio financeiro. Em poucos anos terá a receita do mesmo tamanho de sua dívida. 

E tudo isto o que temos? O multi-facetado. É toda área social para cuidar. Com seus custos além da receita que a unidade social gera. Mas é demanda de seus associados, ou pelo menos parte importante deles, que tem o convívio social dentro da sede como parte essencial de suas vidas. E temos também todo o segmento poli-Esportivo. Histórico e essencial do que o Flamengo é. E o poli-esportivo exige hoje um profissionalismo bem maior. Comissões técnicas de ponta, atletas e estruturas adequadas para o grau de competitividade necessária para o Flamengo, que nasceu para estar sempre no topo. E tudo ficou muito caro. Então precisa-se de projetos de incentivo para vir dinheiro. E para vir projetos de incentivo o clube precisa estar economicamente equilibrado, pagando suas dívidas e ter gente capacitada para inscrever projetos que possam ser aceitos e remunerados. Atletas de competição não são mais amadores. Querem patrocínio, ou bolsas, querem técnicos e equipamentos de treino à altura de seus competidores. Para um clube, que não recebe ajuda do Governo Federal, é muito caro de se manter. Exige-se também a contratação de...Diretor Executivo para estar à frente de forma profissional, diariamente. E para contratar um Diretor Executivo top de linha, é preciso que ele, além de estar satisfeito com a remuneração, claro, precisa confiar na equipe dirigente que estará acima dele. O VP é o Alexandre Póvoa? Fica muito mais fácil vir do que um qualquer aí, "indicado político".

Paralelo a isto, a razão de ser, o futebol. Altamente turbinado e problemático. O que era aposta vira solução. O que era solução até uns meses atrás, se torna problema. Jogadores, geralmente com dificuldades cognitivas, péssima formação cultural e educacional, muitas vezes vindo de lares desfeitos, rumam a grandes centros de futebol na esperança e sorte de seu talento vingar. E alguns deles chegam no Flamengo. Se o clube não tem um Centro de Inteligência adequado, vai chegar qualquer um, não é mesmo? Flamengo vira apostador de risco. E, sabemos, o rico mesmo é o cassino. Mas, o Flamengo, entre crises e contratações dúbias, formou sim o seu Centro de Inteligência. Agora softwares, câmeras, equipamentos, monitoram jogadores e estudam a viabilidade de contratação de outros. As apostas serão mais certeiras com o tempo, diminuindo o risco. Assim como qualquer treinador terá acesso a informações que poderão ser utilizadas para solucionar deficiências observadas nos jogadores tanto em jogos como em treinamentos.

E isto é caro. É dispendioso. Precisa de...Diretor Executivo, controlando a situação de forma profissional. Precisa também de projeto para o setor, para saber até onde quer chegar com a Base, por exemplo, porque não vende ninguém, porque pouquíssimos são aproveitados, porque tanta deficiência, em jogadores sub-20, em finalizações, passes, dribles, marcação, cruzamentos. Algo está bastante errado. É preciso rever os processos. E para isto, claro, exige-se outro enorme investimento em tempo, profissionais, capacitação e...dinheiro. Tanto tempo legado a amadores, que colocavam, talvez, jogadores de amigos e parentes, nos quais passavam a mão no ambiente caótico sem disciplina, não tem mais vez. 

O Flamengo, portanto, não é só futebol. Não é só social. Nem só remo. Nem só vôlei. Nem só basquete ou natação. O Flamengo é tudo isto aí. E não adianta negarmos, quisermos priorizar um lado ou outro. O Flamengo não nasceu para ficar limitado a um braço. Bem organizado e forte economicamente terá braços o suficiente para abraçar o universo. Bem organizado e forte, este é o mantra.

Flavio H Souza
Twitter: @PedradaRN


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Um dia e gol inesquecíveis


"Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro" - Nelson Rodrigues.

No último fim de semana não houve jogo do Flamengo para ser comentado na segunda-feira, porém, nesta, tivemos o aniversário de 14 anos de um dos gols mais emocionantes da riquíssima história rubro-negra para comemorar;

Em minha eternidade, vou procurar o velho Nelson para "rodriguear" a respeito de suas reflexões extraterrenas sobre o cracaço do futebol, Petkovic, e como ele o conceituava. Acho que ouvirei do tricolor de coração flamengo que se tratava do "sérvio amante da bola", que a chamava por você, tu, minha nega, minha vadia, minha vida e meu amor;

Com o Zico já gozando do merecido descanso como atleta, muitas vezes o revi dentro de campo através da cérebro inteligente e dos pés habilidosos do Pet, no ajeitamento da bola com um toque para, no segundo seguinte, passá-la na vertical, com precisão milimétrica, a um companheiro. Na virada do jogo para os dois lados do campo, nos certeiros chutes a gol de média distância, nas cobranças de penalti e de falta;

E foi de falta, aos 43' segundo tempo, que veio o gol inesquecível para selar mais um Tricampeonato Estadual conquistado pelo Mais Querido. Encontrava-me atrás do gol do Hélton, goleiro do Vasco, ao lado um amigo, companheiro de jornadas no Maracanã, que frações de segundos após a magistral cobrança virou-se de lado, jogou o braço direito para o alto e soltou um breve palavrão ao ver a direção que a bola tomara ao sair dos pés do gringo: na geral, pensou ele, como me contou depois e não sabia porque todos pulavam e gritavam, alguns euforicamente o abraçavam, outros tropeçavam e caíam emocionados no chão da arquibancada do velho estádio;


E o amigo rubro-negro só foi ver como se dera o gol em casa, pela TV. Ao passar pela barreira do adversário, a redonda fez a curva desejada pelo craque e balançou definitivamente as redes vascaínas, entrando justamente pela única abertura por onde poderia passar, pois um pouquinho mais para fora se chocaria com a trave, um centímetro mais para dentro e o goleiro a espalmaria graças à sua grande envergadura;

Pet fez com o pé direito o que os geômetras apenas conseguem fazer com o recurso da mão e de um bom compasso e, não satisfeito com o próprio sucesso, ainda voltaria oito anos depois para oferecer, novamente com precisão, ao Ronaldo Original Angelim a bola da cabeçada e do gol do Hexacampeonato, no dia do meu aniversário, em 06 de dezembro de 2009;

Gostaria de dizer um obrigado por tantas alegrias, ao meu caro Pet, e por me lembrar tantas vezes do Zico. Saudade da tua maestria e genialidade com a camisa 10 do Mengão!

SRN!

Comments