quinta-feira, 5 de março de 2015

Muito trabalho pela frente



Salve amigos do Buteco,

Bastou um empate com o esforçado Madureira e uma derrota para o fraquíssimo time do Botafogo para muitos rubro-negros voltarem a temer um restante de ano melancólico com flertes constantes a temida zona da confusão.

Promessa de reforços a parte, qual será a formação titular ideal para este Flamengo atual?

Neste momento, aparentemente o Luxemburgo possui 9 jogadores considerados titulares: PV, Pará, Wallace, Samir e Anderson Pico; Marcio Araujo, Canteros, Everton e Marcelo Cirino. As duas posições “em branco” são justamente os reforços prometidos pelo Wrobel e Rodrigo Caetano para o início do Brasileirão - um meia de ligação (o famoso camisa 10) e um centroavante.

Para o meio de campo, o Luxemburgo já testou uma formação mais ofensiva durante o início do Carioca com o Arthur Maia fazendo a função do 10, experimentou em alguns momentos o Eduardo da Silva improvisado e dependendo do adversário optou por um meio com três volantes onde o Caceres e recentemente o Jonas ocuparam a posição em aberto.

Para o ataque, o Marcelo Cirino e Everton são os titulares incontestáveis, sendo que a 3ª posição tem sido revezada pelo Gabriel e o Alecsandro. E nos momentos em que um dos dois estava lesionado o Nixon entrou como uma boa opção.

A principal característica do time é a velocidade e movimentação dos pontas, transformando os contra-ataque e as jogadas laterais como as principais armas. Como o Flamengo em muitos momentos não terá um centroavante fixo na área é fundamental que os volantes se aproximem da área e os jogadores de frente se movimentem para gerar espaços e confundir a defesa adversária.

Analisando os números da derrota para o Botafogo, é possível verificarmos a expressiva marca de 36 cruzamentos e 64 lançamentos e somente 3 finalizações corretas durante 90 minutos! Apesar do baixo número de finalizações corretas, os demais números indicam um volume de jogo que bem trabalhado pode render bons frutos durante o restante da temporada.

Particularmente gosto da escalação com o Arthur Maia e o Gabriel ocupando as posições restantes no time titular e acredito que o Flamengo deva explorar ao máximo as principais virtudes do grupo atual de jogadores.

Voltar a apostar em um centroavante fixo me parece um retrocesso, principalmente depois do Luxemburgo insistir no Cirino como o principal homem de frente do Fla. E jogar com três volantes em um campeonato onde boa parte dos adversários possui baixíssimo nível técnico é totalmente desnecessário.

Em um futuro próximo acredito que o Jonas deva ganhar a vaga do Marcio Araújo e o Paulinho, se demonstrar um pouco do futebol praticado em 2013, passa a brigar por uma posição no quarteto de ataque.

Não é um elenco dos sonhos, mas mesmo atualmente ocupando a 5ª posição no Carioca, me parece suficiente para brigarmos por mais um título estadual.

O que mais me irrita no Flamengo atualmente é a falta de comprometimento dos jogadores com o gol. É incrível como os jogadores perderam o prazer em finalizar e tentar fazer o gol. Parece que o jogador está sempre tentando procurar um companheiro mais bem posicionado e dificilmente vemos chutes de fora da área. Os jogadores no elenco que mais tem arriscado este fundamento são o Gabriel, Luis Antonio, Anderson Pico e recentemente o Jonas.

O Luxemburgo precisa fazer com que este time finalize mais e passe a transformar essa posse de bola e volume de jogo em oportunidades reais de gol. Não adianta nos aproximarmos da área e não levarmos perigo ao goleiro adversário.

No sistema defensivo é preciso uma maior compactação e que os zagueiros passem a marcar mais adiantados, já é o segundo gol de fora da área que tomamos nos últimos 3 jogos justamente pelo jogador adversário possuir espaço. Por mais irônico que seja a nossa principal fraqueza ofensiva tem sido a principal arma do adversário para furar o nosso sistema defensivo.

Não acho que está tão ruim como muito se foi falado durante o início desta semana, mas depois de um pouco mais de dois meses de trabalho já temos oportunidades para melhorar e ligar o sinal de alerta.

Com o grupo atual de jogadores que possuímos, qual seria o time titular ideal para vocês?

Uma boa semana a todos e que tenhamos um sábado de alegria para a nação rubro-negra!


Grande abraço!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Flamengo x Nacional


Amistoso Internacional

FLAMENGOPaulo Victor; LeonardMoura, Wallace, Samir e Pará Jonas, Márcio AraújCanteros; Gabriel (Nixon), Alecssandro (Eduardo da Silva) e Marcelo Cirino. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Nacional - Jorge Bava; David Velásquez, Jose Aja, Caué Fernándes e Alfonso Espino; Nicolas Prietto, Hugo Dorrengo, Gonzalo Ramos e Leandro Ortomín; Gonzalo Bueno e Rodrigo Amaral. Técnico - Juan Carlos Blanco.

Data, Local e Horário: Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015, as 22:00h (USET 20:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - Luiz Flávio de Oliveira, auxiliado por Rodrigo F. Henrique Correa e Rodrigo Pereira Jóia.


Dez anos e oito títulos


Eram dias e noites de tomar o velho caminho da Ilha do Governador, em 2005, para acompanhar de perto as primeiras partidas do jogador que ilustra a coluna ao lado de Leandro e do presidente Eduardo Bandeira de Mello, o qual viria a se tornar um dos três melhores laterais-direitos do Flamengo em minhas lembranças, atrás apenas dos Campeões Mundiais, o mesmo Leandro da foto, o maior entre todos e "amante da bola", e de Jorginho;

Habilidoso como um meia-armador e insinuoso como um ponta, me fez vibrar com seus 47 gols marcados para o Flamengo e outros mais graças às suas assistências em jogadas que consagrados ponteiros-direitos assinariam com louvor. Rusgas entre as partes houveram, incluindo no pacote o "affair" com a torcida em 2008, num jogo contra o Náutico. Evento danoso para a imagem do atleta e erro reconhecido pelo próprio com o devido pedido de desculpas;

Como todos, paulatinamente foi sendo anulado pelo inexorável passar do tempo. Quando Renato Abreu teve seu contrato rescindido pela atual diretoria, clube e jogador perderam ótima oportunidade para desfazer esse casamento que, mesmo assim, ainda deixa um saldo positivo representado por 10 anos de vínculo e mais de 500 partidas vestido com o manto sagrado e consagrado;

É chegada a hora da partida e agradeço ao Léo Moura a brilhante participação em três títulos nacionais e cinco estaduais, desejando-lhe felicidades em sua nova vida como jogador de futebol e como cidadão formador de opinião dos mais jovens;

De acordo com o que já explanaram nas mesas do Buteco, festa e trabalho fazem um ótima dupla depois que o trampo termina. Antes, a embriaguez da alegria leva ao erro e o Flamengo deveria estar cansado disso. Mas não aprendemos, não assimilamos esse rudimentar ensinamento. Há pouco tempo foi a festa dos 60 anos do Zico e no dia seguinte levamos pra casa uma derrota para o mesmo Botafogo. Evento semelhante se repetiu, agora com a despedida em jogos oficiais do Léo Moura e o relançamento da feiosa camisa secular, a papagaio de vintém. Tudo bem que ela fez história em passado longínquo, mas que tal remetê-la para o museu do clube? Na verdade, o Léo nem deveria ter entrado em campo naquele jogo, estando com a cabeça voltada para o Fort Lauderdale Strikers, dos EUA;

Pelo menos, esse decadente Estadual está mostrando a realidade nua e crua para todos nós: o time é fraco para disputar as importantes competições ao longo do ano e a prova disso é a sua colocação no Campeonato: quinto lugar, fora do G-4 e atrás do Volta Redonda, tendo corrido a metade da primeira fase. Acredito piamente que vamos nos classificar entre os quatro semifinalistas, já voltando a ficar entre eles na próxima rodada, mas isso também não significa grande coisa;

O time tem uma enorme posse de bola inútil, pois não finaliza ou o faz mal, além de carecer de um craque no meio de campo para distribuir o jogo e marcar encontros de um bom centro-avante (que também faz falta) com o goleiro adversário;

Os Azuis precisam abrir os olhos enquanto o tempo nos é oferecido com fartura.

SRN!

terça-feira, 3 de março de 2015

Zico é (e sempre será)

Infelizmente não vi Zico jogar em seu auge, não assisti o Flamengo campeão da Taça Libertadores e do mundo, vi pouco do fim daquela geração. Quem não reverencia sua História, não terá bom futuro. Zico é sim um ídolo! Meu de meu pai e meu tio, os “culpados” por eu ser tão amante do futebol, tão Flamengo!


Assisto a muita coisa, de campeonatos europeus até divisões subalternas do nosso futebol e listaria muitos jogadores que vi jogar no campo, em tapes e vídeos no Youtube, sendo eles jogadores do Flamengo ou não. Sei que seria injusto com outros de tantos times e de outras épocas. A muitos nunca vi um vídeo: Puskas, Di Stefano, Zizinho, Leônidas entre outros. Isso não diminui o meu respeito por eles, porque respeito a História do futebol.

Ouvi estórias do meu avô, ex-combatente da segunda guerra, testemunha ocular da construção do Maracanã e penso que o respeito aos processos, respeito ao passado é fundamental para formar as próximas gerações dentro e fora de campo. Vi Romário (o melhor que vi em um estádio de futebol), vi Zidane (o melhor que vi jogar), vi Ronaldo, vi um genial Maradona, vi Dennis Berkamp (o que mais gostei de ver jogar), vi Petkovic, vejo Messi, vejo Xavi, vejo Cristiano Ronaldo, vejo Rogério Ceni, por que não, Vejo Neymar e muitos outros. Nenhum desses é maior do que Zico para mim.

Todos que listei têm grande significação no futebol, mas não interessa, não são maiores que Zico! O Galinho emocionou e emociona com sinceridade marcante, palavras objetivas e fundamentadas, que mostram seu caráter e porque é o que é. Quem teve a oportunidade de ver Zico jogar, mesmo que em partida beneficente, o jogo das estrelas, irá entender o que digo. Quando vi Zico entrar em campo com seu primeiro neto, ouvindo a torcida gritar QUEM ERA AQUELE CARA, quase um rei medieval com poderes divinos, senti o que era a História do Flamengo, o que era Flamengo, o que era Zico, a era Zico.

Marejei, ao lado de um amigo suíço, que estava sendo apresentado ao Maracanã. Ver Zico em campo era mágico, foi mágico para mim. Recado: quem o atacou injusta e covardemente não sabe o que é a identidade Flamenga, quem é Zico, o que ele representa e o que é o Flamengo. Sempre digo de brincadeira, com certo tom de seriedade, que o cara que me fez me tornar Flamengo foi Renato Portalluppi, pois minhas memórias de Maracanã e Flamengo estão, sim, ligadas aquele time de 87, 88 e Renato, o gaúcho, era uma das estrelas daquela constelação. Acho que é mais para provocar meu pai.

Em minha memória mais remota da infância tenho Renato, Zinho, Leonardo, entre outros, de seleção, craques, jogadores que fizeram a diferença. Que geração! O melhor deles, sem dúvida, Zico, Arthur Antunes Coimbra. Imaginem se tivesse vencido a copa de 1982? Se Zico tivesse feito o gol de pênalti contra a França em 1986? Se Zico não tivesse machucado o joelho? Problema do futebol! Azar da copa, como diria Fernando Calazans. Zico nunca foi para mim uma pessoa do “SE”, Zico é e pronto! Um grande homem, um grande atleta, uma pessoa cuja História está e sempre estará ligada ao Clube de Regatas do Flamengo que sempre será do Futebol de Zico, Rei Arthur da “Bola Redonda”!




Obrigado por tudo! Feliz Natal!

FLAMENGHIEUBIQUE!


P.S.: Essa coluna foi escrita no Buteco do Flamengo em homenagem a Zico, que tinha sido escorraçado do Flamengo. Não que ela seja grande coisa, mas nãos ei se conseguiria escrever algo melhor.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Água no Chopp

Salve, Buteco! Eu não gosto de jogos oficiais festivos. Nem um pouco. Estreia de camisa, jogo de despedida de ídolo da torcida e ainda por cima no aniversário de 450 anos da cidade. Então perdoe-me quem pensa o contrário, mas o cenário era de muita festa, muita comemoração antecipada, e isso, no Flamengo, pela reverberação que costuma ter, dada a imensidão de sua torcida, raramente funciona. O efeito costuma ser inverso, qual seja, o de motivar intensamente o adversário contra o time de maior torcida na cidade, no estado, no país e no mundo, no estádio mais mítico e famoso da história do futebol, seu verdadeiro templo. De qualquer modo, explicar a derrota pura e simplesmente por esse ângulo seria por demais simplista e, por que não dizer, até mesmo obscurantista. Vamos então a alguns números e seu contexto.

Gosto dos números porque, como sempre faço questão de frisar por aqui, apesar de não dispensarem sua interpretação dentro do contexto em que são inseridos, inevitavelmente trazem uma carga de objetividade verdadeira, fria, crua, que muito me agrada porque, quando assimilada, ajuda a prevenir as perigosas e crueis derrotas causadas pela soberba ou pela ilusão, tão comuns no futebol. E por sinal, meus dois últimos textos falaram sobre números e a capacidade dos atletas para finalizar, um dos motivos que contribuíram, embora não exclusivamente, para a derrota de ontem. Não exclusivamente porque, claro, o jogo teve sua história no plano tático e, tanto nas finalizações do Flamengo, quanto no espaço cedido ao Botafogo no segundo tempo, as opções de Luxemburgo no intervalo tiveram influência decisiva no desfecho e no placar.

No primeiro tempo o Flamengo teve massacrantes 65% de posse de bola. Contando com uma boa estréia de Jonas na marcação como volante, o time chegava ao ataque com as aproximações de Canteros pela meia direita e Marcio Araújo pela meia esquerda, enquanto Marcelo Cirino, embora flutuasse pelo ataque, jogava mais pela direita, ao passo que Gabriel ocupava mais a ponta esquerda, sempre com o apoio dos laterais Léo Moura e Pará. Mas apesar de tão intenso o domínio do meio, na transmissão da Globo ouvia-se o Maestro Junior falando em um Botafogo mais objetivo nas conclusões (cinco vezes), contra um Flamengo que pouco concluía. Desde então já se tinha um problema de ordem tática na partida.

Chegando ao intervalo, a saída de Gabriel para a entrada de Arthur Maia alterou bastante o time taticamente. Arthur Maia passou a jogar pelo meio e Márcio Araújo voltou a desempenhar sua função de 2014, fechando o lado direito do campo em auxílio a Leo Moura. O jogo ficou mais aberto e o panorama favorável do primeiro tempo se foi: as incursões de Pará pela esquerda triangulando com Gabriel e Márcio Araújo, com Cirino, Canteros e Léo Moura (que fez boa partida) fazendo o mesmo pela direita; os lançamentos de Canteros para Cirino, os bons passes de Pará e o Botafogo quase totalmente neutralizado, tudo se perdeu. Com o jogo mais aberto, o Flamengo teve mais espaços para chegar, mas foi o Botafogo que continuou a criar as chances mais agudas e a obrigar Paulo Victor a trabalhar, o que levou Luxemburgo a trocar o inoperante Alecsandro por Eduardo da Silva, voltando Márcio Araújo para o meio e tentando restabelecer o contexto do primeiro tempo. Em vão. O Botafogo continuou mais perigoso, pouco importando a intensidade de volume de jogo que circunstancialmente o Flamengo tivesse.

Criou-se uma situação paradoxal: com Arthur Maia, que para mim entrou bem, o time ganhou em criatividade e velocidade, porém deu mais espaços ao Botafogo pelo posicionamento tático dos jogadores. Com Márcio Araújo pelo meio, apesar de ser um jogador que apenas se infiltra e faz boas triangulações, não sendo bom passador nem finalizador, o time marcava melhor e neutralizava o Botafogo, além de ofensivamente estar bem melhor coordenado taticamente. Como resolver esse dilema daqui para frente? Outro ponto é que nenhuma das formações, até aqui, resolveu o problema das finalizações. Aliás, 33 (trinta e três) cruzamentos errados para 3 (três) certos chega a ser um número obsceno e revelador da incapacidade da equipe em nível de articulação e finalização, seja pela bola aérea, seja por jogadas articuladas. Qual é a solução?

O período de festividades extemporâneas e atípicas termina na quarta-feira. Será que haverá mais foco a partir de então?

Bom dia e SRN a tod@s.


***

3 de Março
#ParabénsZico

"Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés".

Assim escreveu o saudoso jornalista Armando Nogueira, quando Zico fez seu jogo de despedida no Maracanã em 1990. E como louvar o poeta da bola que passou 18 anos com o Manto Sagrado, fez 509 gols em 732 jogos, ganhou 3 Taças Rio, 9 Taças Guanabara, 7 Cariocas, 4 Brasileiros, 1 Libertadores e 1 Mundial? Vamos mostrar como!

Amanhã, dia 03 de março, Zico completa 62 anos. Para milhares de apaixonados esse é o dia do Natal Rubro-Negro! Zico é uma espécie de divindade e por isso merece uma homenagem especial no dia do seu aniversário. Para isso pedimos que cada torcedor saia de casa vestindo preto e vermelho e não necessariamente com uma camisa do Flamengo, pode ser uma blusa preta ou vermelha, fazer uma foto e postar nas Redes Sociais (Facebook, Twitter Instagram) com as hashtags #ParabénsZico #NatalRubroNegro ou #BemVestidonoNatal.


Vamos vestir Rubro-Negro e parabenizar o nosso eterno Galinho de Quintino?


domingo, 1 de março de 2015

Botafogo x Flamengo


Campeonato Estadual - Taça Guanabara - 7ª Rodada

Botafogo - Jefferson; Gilberto, Roger Carvalho, Renan Fonseca e Carleto; Marcelo Mattos, Willians Arão, Diego Jardel e Tomas; Jóbson e Bill (Sassá). Técnico - René Simões.

FLAMENGOPaulo VictorLeonardMouraWallace, Samir e Pará; Jonas, Márcio Araújo Canteros; Gabriel, Alecssandro e Marcelo Cirino. 

Data Local e Horário: Domingo, 1º de março de 2015, as 16:00h (USA ET 14:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem: Péricles Bassols Garcez, auxiliado por Dilbert Pedrosa Moisés e Rodrigo Figueiredo Corrêa.

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

Logo mais o Flamengo irá estrear mais um terceiro uniforme, alusivo aos 450 anos do Rio de Janeiro, e para isso o clube resolveu usar uma versão estilizada do tal "Papagaio de Vintém" de 1912-13. Mas ainda hoje muita gente confunde isso de papagaio de vintém com azul e dourado, como foi efetivamente o processo de definição das cores do clube. Assim, o texto dessa semana trata do assunto, e talvez algumas revelações (como a primeira camisa usada em regatas) sejam surpreendentes para alguns. Boa leitura.

* * *
Noite.

Os primeiros sinais de cansaço começam a se esgueirar através das mentes e dos corpos daqueles sete rapazes, aboletados há horas sob um dos tremeluzentes lampiões do Largo do Machado. Nestor, caderneta de papel e um prosaico lápis preto à mão, conduz as discussões, à guisa de relator. Zezé, um dos idealizadores da coisa, é um dos participantes mais entusiasmados, opinando sobre tudo, junto com o amigo Spíndola. Laport, o “Capote”, fala pouco, apenas algumas intervenções técnicas (ou quase), ele é o tesoureiro e demonstra vontade em abraçar a tarefa. Os demais (Zé Félix, Collás, Napoleão) opinam, divergem, mas de forma menos ativa. Mas há flama e entusiasmo nos olhos desses jovens que entendem ser imprescindível a tarefa, posto que árdua. Pais zelosos criando a personalidade, o temperamento, a índole da criança que acabaram de fazer vir ao mundo.

Naquele caderno de rabiscos de Nestor de Barros está sendo definido o primeiro Estatuto do Grupo de Regatas do Flamengo, fundado alguns dias antes.

Definição dos proprietários (os que se cotizaram para a aquisição da recém-naufragada Pherusa), requisitos para a associação, formas de pagamento, criação da categoria de sócios-remidos (a despeito do Grupo só contar com quinze associados), entre outros temas de relevância, são exaustivamente discutidos. Nada vai para a caderneta do Nestor sem ter sido esmiuçado e aprovado por unanimidade, ou ao menos algo a ela próximo.

“Estamos nos perdendo, o tempo está passando e ainda não discutimos o assunto mais importante!”

A intervenção, quase desabafo, do pacato Luci Collás atiça a reunião, dissipando os primeiros bocejos que começavam a ameaçar o sucesso da empreitada.

“Do que você está falando?”, “Das cores. Não definimos cores, bandeira, uniforme, essas coisas. Um grupo precisa de cores”

Nestor não tinha intenção de tratar do assunto por ora, por julgá-lo “menor”. No entanto, diante do alarido criado pela intervenção de Collás, acede e resolve antecipar a pauta. “Vamos falar das cores, então.”

O tema acende uma fagulha que inflama os ânimos dos presentes, mesmo diante da proximidade da meia-noite. Todos têm uma ideia para as cores, os símbolos, enfim. Zezé, o mais irrequieto, é o primeiro a expor sua posição de forma articulada. “Azul, precisa ter azul-celeste. É a cor da Guanabara.”

A grande vantagem de José Agostinho, o Zezé, é a sua capacidade de persuasão. Não interessa a qualidade do argumento, sempre faz prevalecer suas ideias pelo ímpeto, pela verve, pelo afinco com que as defende, brilho juvenil no olhar. Assim conseguiu fazer aquela turma de jovens se abraçar à sua causa, dessa forma logrou levar adiante a ideia de criar um grupo de regatas no Flamengo, um núcleo de resistência à presença dos forasteiros que ocupavam os sonhos e os corações das moçoilas da região. Tenaz, teimoso e impetuoso, Zezé impõe seu ponto de vista seduzindo seus interlocutores. Mesmo que não tenha a menor noção do que fazer para implementá-lo.

Meio que resignada, a maioria dos presentes acata a sugestão. Se Zezé quer azul, que se ponha azul. Não é inteligente procurar debater esse tipo de coisa com Zezé. Não agora, já quase de madrugada.

“Está bom o azul, mas acho interessante também entrar o dourado. Veja bem, dourado mesmo, não amarelo. Ouro lembra riqueza.”

A sugestão do ouro vem de Mário Spíndola, que se lembra de ter visto em algum canto uma bandeira em azul e dourado. E, sabe-se lá como, a sensação de beleza impregnou-se em sua memória. Não interessa o que o ouro significa, o que importa é que faz belo par com o azul.

Um muxoxo de cá, outro resmungo de lá, a sugestão acaba sendo aceita, muito por conta da insistência de Zé Félix, que por algum motivo é inebriado pela perspectiva do ouro na bandeira.

Quando a questão das cores parece enfim vencida, o Capote aparece com outra ideia: “estão faltando umas âncoras aí, como é que um grupo de regatas não vai colocar âncoras na bandeira?”, e então outro debate se inicia, põe âncora, tira âncora, vai pro canto, vem pro meio, âncora preta, âncora branca, verde, enfim se decide que um par de âncoras entrelaçadas irá ocupar o canto superior da bandeira, e terá a cor vermelha, sendo separado do fundo azul e ouro por um quadrado preto, para que se possa distingui-las.

Dessa forma, define-se que a bandeira do Flamengo terá quatro cores. Azul e dourado em listras horizontais largas (seguindo o padrão de outros clubes), mais o vermelho e o preto das âncoras entrelaçadas.

Isto posto, agora que se defina o uniforme. A maioria resolve que a camisa deve receber as cores principais da bandeira, ou seja, azul e dourado, mantendo-se o padrão das listras horizontais.

Nestor, que até então andara meio quieto e ainda não engolira direito essa história de azul e dourado, agora começa a falar. Há alguma inquietação, quase irritação, em sua voz.

“Está tudo muito bom, tudo muito bonito, mas só há um probleminha. Onde vamos conseguir essas camisas”?

Com efeito, a atraente visão de uma guarnição trajada por um ofuscante e faiscante uniforme que reluz ao sol, visível desde o horizonte, terá embotado o senso prático da maioria. As demais agremiações usam cores simples, variações de preto, branco, vermelho, azul, em sua maioria. O Flamengo, não. Já nasce ostentando o vistoso dourado e celeste, mesmo sem reunir a menor ideia do que fazer para conseguir vesti-los.

Nestor começa: “Outro dia, já pensando nisso do uniforme, eu estive na Casa Dol, lá no Ouvidor, a maior loja do ramo. Lá se acham camisas brancas, vermelhas, azuis, amarelas, pretas. Até alguma coisa de listras se arranja. Mas nada, absolutamente nada, semelhante a dourado e celeste. Aliás, eu desconfio que esse tecido dourado brilhante tem que importar da França ou da Inglaterra”

“Sugiro – continua Nestor – que a gente não ponha logo no Estatuto o primeiro uniforme. Deixa em aberto. Vamos definir um segundo uniforme nas cores das âncoras, mais fáceis de encontrar. Algo como camisas pretas com o desenho das âncoras e calções brancos ou pretos. A gente vai usando esses enquanto manda fazer as tais camisas douradas e azuis, com calças ou calções brancos.”

A ideia de Nestor é aprovada, e enfim todos resolvem dar um basta na reunião. Apesar do cansaço, todos saem animados do encontro. O Flamengo está começando a surgir de fato.

* * *

“O que é isso? Que coisa horrenda!”

“Foi o que se pode arranjar”

“Mas AMARELO?”

Zezé mal consegue conter a irritação ao contemplar o jogo de camisas que será utilizado pelos remadores Spíndola, Gaioso, Vizeu e Mariz, patroados por Domingos Marques (o presidente) na primeira regata do Flamengo, realizada em Niterói, promovida pelo Grupo de Regatas Gragoatá. Com efeito, as calças brancas com cintos da mesma cor, os sapatos também brancos e os bonés pretos compõem um conjunto elegante. Mas as camisas, de um amarelo berrante, definitivamente não ornam em nada o conjunto. Não é fácil convencê-lo de que não havia em lugar algum camisas listradas nas cores da bandeira, que mesmo os modelos na cor azul estavam em falta, e que o jeito é improvisar com aquela coisa em amarelão. “É o mais perto que se tem do dourado”.

O uniforme é apenas um dos elementos do mais profundo improviso que compõem a “preparação” dos intrépidos remadores flamengos para a primeira batalha de sua história. Com efeito, cada detalhe parece ser meticulosamente esquecido. A baleeira Scyra, comprada de terceira mão, é raspada para ser repintada e no processo a calafetagem acaba removida, o que motiva a colocação de remendos improvisados. Não se lembra de instalar as guias (orifícios) para os remos, o que na prática inviabilizará o manejo do barco na regata. Para completar, todo o grupo, de dirigentes a remadores, irá “comemorar” a estreia e discutir as possibilidades de vitória com um lauto almoço ANTES da realização da regata, o que naturalmente cobrará seu preço na hora do evento. O espírito do grupo é bem sintetizado nas palavras de Nestor de Barros que, ao ser indagado se a guarnição não iria ao mar ao menos uma vez para um treinamento antes da regata, replicou com uma frase antológica, “uma guarnição não precisa de treinos. Só de músculos.”

Após o esperado e retumbante insucesso na regata de estreia, uma das medidas do grupo é se livrar da medonha camisa amarela. Enquanto as camisas principais não chegam de fora, que se use preto, vermelho, o diabo. Mas aquela coisa nunca mais.

E em preto e vermelho o Flamengo vai começando a construir sua história nas águas do Rio de Janeiro. As benditas camisas azuis e douradas enfim chegam da Europa e engalanam os remadores, que desfilam totalmente empertigados e empolados diante de uma plateia embasbacada. Somente até, ao final do dia, perderem, com o sol e o sal, toda a sua cor e esmaecerem num desbotado constrangedor. “Não podemos competir vestidos nesses andrajos!”, resmungam os vaidosos atletas, ciosos de sua figura, “ficaremos como molambos nesses trapos agastados”.

A aventura em azul e ouro irá durar pouco menos de um ano. Fartos de despejar dinheiro na aporrinhante rotina de importar o tecido, mandar preparar as camisas, usá-las um punhado de vezes, jogá-las fora e vestir rubro-negro enquanto o outro lote não se apronta, os mentores flamengos convocam uma reunião extraordinária e resolvem acabar com a coisa. O preto e o vermelho são definidos como as cores únicas e oficiais de bandeira, uniforme e tudo o mais afeto às coisas do Flamengo.

Os anos se passam. Outro esporte começa a disputar com o remo a preferência do público. Surge o Campeonato de Futebol da cidade. Em 1911 um grupo de jogadores do Fluminense se rebela contra o clube e começa a discutir sua saída e eventuais destinos. Seu líder, Alberto Borgerth, que é remador do Flamengo e possui trânsito no (agora) clube, vai procurando alternativas, até que, numa conversa despretensiosa com Lourenço Cunha, expõe a questão. Lourenço comenta o assunto com seu pai, que se interessa pelo tema e manda chamar Borgerth. Ouve o capitão fluminense com atenção, pergunta-lhe algumas coisas, e, após cofiar os bigodes e pensar um pouco, resolve.

“Por que vocês não montam um time de futebol aqui no Flamengo?”

E com essa pergunta de José Agostinho, outrora Zezé, o pai de Lourenço, tudo começa.

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