quinta-feira, 28 de maio de 2015

O Colapso



O Flamengo de 2015, meus amigos, é um colapso. Vê-lo em campo é somente para os fortes. Quase em junho, ou seja, 5 meses de treinamento, e o que vemos é um time extremamente desorganizado com atacantes que teimam em errar toda e qualquer finalização.

OK. Saiu o Luxemburgo, o "entendido em futebol" que deixou a parte tática, técnica e física do Flamengo como "terra arrasada". Se ele é entendido em futebol então socorro. Me coloquem um leigo! Pois bem, Jayme então foi chamado para ser o técnico interino desta partida Flamengo X Náutico, no Maracanã, pela Copa Brasil 2015. E pensou: "Vou escalar dois meias!". E colocou os nobres Almir e Arthur Maia. Almir mais atrás e Arthur Maia, pela direita, tentando fazer algum tipo de corredor, para espelhar Paulinho do lado esquerdo, por vezes. E servirem Alecsandro, desta vez, aleluia, posicionado sempre mais à frente como centroavante e não o volante que o Luxa, entendido em futebol, fazia ele se tornar em campo, pasmem, várias vezes.

Seria uma boa disposição em tese. Se Almir não fosse Almir, Arthur Maia não fosse Arthur Maia e Alecsandro fosse ao menos um cone, de fato. Ao menos a bola poderia bater nele e entrar. Desde março não marca nenhum gol, e mesmo assim, joga todas as partidas, é insubstituível. Milagre? Não. Desatino do treinador? Não. Burrice? Não. Ele é "dono de vestiário", e no Flamengo isto assume importância vital.  Este é o problema de contratar jogadores deste perfil. Mas pode mudar diretoria, virá-la de avesso, entrarem ET´s, Curupiras, qualquer tipo de dirigente, que esta mania estará presente. É uma espécie de maldição que paira sobre o clube. Nada há de se fazer.

Tivemos Armero jogando um pouco melhor que o desastre da ultima partida e Canteros...rapaz...Canteros correndo, passando direito...parecia até um jogador do River Plate massacrando o Cruzeiro na Arena Vergonhazzo, só que, infelizmente, relembrou os tempos dos treinos de finalização do Deivid enquanto assistente do Luxemburgo, e perdeu um gol escala 9.5 Deivid. O mestre ficou feliz, mesmo a distância.

Paulinho, que jogou 90 minutos. Eu disse 90 minutos! Ainda parece desfocado. Corre, corre, mas passa muito mal. Alecsandro se escondendo entre os beques também não ajuda. Mas sempre dá o último passe errado. Sempre. Espero que melhore.

Eduardo da Silva, cuja imprensa croata não entende como pode ser reserva de um...vá lá, jogador como Alecsandro, entrou aos...40 minutos do segundo tempo. Deve ser algum acordo com o paneleiro dono do time, porque Luxemburgo tinha sempre a mesma "prática". O que me diz o "Diretor Executivo  de Futebol" sobre o assunto?  Só eu acho estranho?

A defesa jogou relativamente bem, melhor no segundo tempo, dando poucas chances de gol ao Nautico. Wallace fez o gol do Flamengo em uma cabeçada oportuna. Mas Wallace tem o sério defeito de, em alguns momentos do jogo, pensar que é volante. Dizem até que já jogou assim. De simplesmente abandonar a linha defensiva e dar bote na zona dos volantes. Foi nesta que Náutico aproveitou o buraco e fez gol na única chance que teve no segundo tempo. Futebol é assim, vacilou, dançou, Wallace.

O que vi da partida, concluindo? Bem, o time correu mais. Pode ser o efeito "novo treinador", pode ter sido também uma disposição tática "menos criativa", com mais gente pelo meio facilitando jogadas mais curtas. Mas tecnicamente o Flamengo está muito aquém de um time de Série A. Parece time de Série B. Não pode. Se continuar assim vai se tornar realidade.

Cristóvão terá muito trabalho. O time é uma draga. Cirino e Everton, se estivessem a disposição, sinceramente, não sei se acrescentariam muito. É um time meio perdido. Preocupa muito. Tomara que venham reforços de fato logo. E rezar. Para São Judas Tadeu e São Cristóvão.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Flamengo x Náutico



Copa do Brasil 2015 - 3ª Fase - Jogo de Ida

FLAMENGOPaulo VictorParáWallace, Bressan e ArmeroCáceresCanterosAlmir ArthuMaiaPaulinho e AlecsandroTécnico: Jayme dAlmeida. 

Náutico - Júlio César; Guilherme, Flávio, Fabiano Eller e Piauí (Gaston Filgueira); João Ananias, Marino, Willian Magrão e Pedro Carmona (Bruno Alves); Douglas e Rogerinho. Técnico - Lisca.

Data, Local e Horário: Quarta-Feira, 27 de maio de 2015, as 22:00h (USET/PRUCT/GMT 21:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - Francisco Carlos do Nascimento (AL), auxiliado por Marcelo Carvalho Van Gasse (FIFA/SP) e Guilherme Dias Camilo (FIFA/MG).

Perdeu, Luxa!


Vanderlei Luxemburgo faz parte de um passado recente a ser esquecido rapidamente e saiu pela porta dos fundos da Gávea atirando, injustificadamente, contra o Conselho Gestor do clube que, em 2014, o tirou do limbo onde se encontrava dando-lhe nova oportunidade de ressurreição para o sucesso no futebol brasileiro, coisa que não faz há mais de uma década;

O CG rubro-negro pode não entender de futebol e por isso mesmo o escolheu como executor dos objetivos pensados, mas o que falar do treinador de salário milionário e incapaz de formar um time de futebol que promova um show de bola jogando contra modestíssimos adversários no Campeonato Carioca, do qual foi merecidamente eliminado? 

Sinto-me bem à vontade para criticar a postura agressiva do treinador, pois em nenhum momento desejei que sua demissão se concretizasse na esperança de ver, finalmente, o desenvolvimento de um bom trabalho em médio/longo prazos no Flamengo, o que jamais aconteceu em suas passagens como responsável técnico do time tampouco com outros profissionais, todos com prazo de validade mais curto do que o esperado para colher frutos futuros;

O fato é que desde a acachapante derrota para o Atlético MG, na Copa do Brasil do ano passado, o gráfico de atuações do time do Flamengo é representado por uma curva descendente, sendo difícil a identificação de melhorias após períodos de treinamentos, breves e/ou longos, embora sob o seu comando tenhamos saído da lanterna do Brasileirão passado para terminá-lo na 10a posição;

É fato também que em praticamente meio ano de trabalho, totalizando três pré-temporadas, Estadual aí incluído, Luxemburgo foi incapaz de fazer de um elenco limitado uma organizada equipe para jogar futebol, já que organização não requer necessariamente jogadores talentosos, mas treinadores capazes de implantá-la e obediência tática dos executantes. Já foi dito aqui neste mesmo espaço que tínhamos um bando dentro de campo, incompetente para simplesmente ganhar do Nova Iguaçu por um gol de diferença, sagrar-se Campeão da Taça Guanabara  e faturar o importante prêmio de R$ 1 milhão de reais;

Que o Luxa não percorra esse caminho da vitimização, pois ficou no cargo mais do que os resultados obtidos justificaram e vamos com Jayme de Almeida para o jogo de hoje à noite com o pernambucano Náutico, valendo pelo melhor atalho para a Libertadores, a Copa do Brasil;

Enquanto isso torço para a improvável vinda de Oswaldo de Oliveira. Sonhar não custa nada.

SRN! 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Receitas Alternativas: Festival Rubro-Negro

Com a situação do futebol jogado em campo, admito não ter forças para escrever sobre o Flamengo. Este texto "caiu do céu". Na verdade já estava combinado, e seria postado mais cedo ou mais tarde. Essa coluna foi escrita pelo Jason Brazil, parceiro na idealização do festival rubro-Negro, que inclusive já foi tema de coluna por aqui. Hoje ele descreve uma solução, uma ideia, sobre como viabilizar a construção do CT do Flamengo. Espero que gostem!
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Em um mercado onde as empresas estão cada vez mais receosas em expor suas marcas no futebol brasileiro, conseguir fontes de receitas alterativas é algo que os clubes buscam para conseguir aumentar seu budget para contratações, pagamento de salários, pagamento de dívidas, investimento em estrutura, entre outros. O Flamengo anda sofrendo muito financeiramente, pois, corretamente, está priorizando o pagamento das dívidas para transformar o clube saudável financeiramente e tudo o que tanto se fala e sabemos. Uma oportunidade de uma nova e promissora fonte de receitas, uma nova forma de se relacionar com seus torcedores é a criação de um festival de músicas do Flamengo, que denominarei aqui como Festival Rubro-Negro. Esse é um projeto meu em parceria com o colunista do MRN Luiz Filho.

O Festival teria como objetivo inicial reverter toda a renda para a finalização do Centro de Treinamento George Helal, o Ninho do Urubu. - Finalmente né? Além de destinar, em um primeiro momento, a receita do Festival para a conclusão do CT, este seria pioneiro em um novo tipo de atividade e relacionamento de um clube de futebol para com sua torcida, gerando uma nova e promissora fonte de renda. Nesse caso depois da finalização do CT, o dinheiro seria investido de acordo com as necessidades do clube.

A ideia inicial da realização do Festival era no dia do Torcedor Flamenguista, 28 de outubro, porém será em uma quarta-feira, então a proposta é que o evento seja realizado nos dias 31/10 e 01/11, em um sábado e domingo. Por ser em um final de semana subsequente ao dia, poderá ser uma comemoração do próprio dia do Torcedor Flamenguista. Dois dias de evento onde diversas atrações musicais fariam a festa da Nação, contaria com a presença de ídolos e jogadores que estejam suspensos, machucados ou não escalados, e no domingo, uma pausa nos shows para a transmissão da partida contra o Grêmio, que será fora de casa. É bem possível que você esteja se perguntando como o Flamengo pagaria um evento desta magnitude, sendo ele bem planejado, o investimento pode ser perto de zero. E te digo como:
  • Acordos de permuta com Prefeitura para o aluguel do espaço e fornecedores de equipamentos de som, iluminação, montagem do palco.
  • Venda da exclusividade de comercialização de bebidas para empresas interessadas. (Penso na Brahma, já que é parceira no Movimento Por um Futebol Melhor, bebidas não alcoólicas, a Viton 44 e refrigerantes da Ambev, Red Bul vendendo Energéticos).
  • Venda da exclusividade de comercialização de lanches para uma empresa interessada (Penso no Mc Donald’s, pela parceria com o clube na construção da Arena Mc Fla)
  • Venda da exclusividade de espumantes e destilados para a área VIP e camarotes para empresas interessadas
  • Venda dos direitos de Transmissão para uma emissora interessada (Penso no Multishow, já que eles costumam transmitir diversos shows e Globo, indiretamente passando High Lights do evento)
  • Venda do Naming Right do Festival
  • Empresas interessadas em patrocinar o evento (Companhias aéreas, redes de hotéis, aplicativos de táxi, entre outras).
  • O evento seria realizado na cidade do Rock, na Barra da Tijuca – RJ, local com capacidade para 100 mil pessoas, sendo dois dias, 200 mil pessoas. Porém ele poderia ser realizado em outras praças, como Brasília-DF, Belém-PA e João Pessoa-PB. A realização do Festival nas demais cidades poderia ser feita logo na primeira edição ou nas seguintes, caso o primeiro seja levado como um teste. As cidades foram pensadas estrategicamente para facilitar as viagens de torcedores de estados vizinhos.
  • Definir ou especular a precificação dos ingressos não cabe a mim, mas penso em 3 tipos de ingressos: Pista comum, Pista VIP e Camarotes.
  • Por mais que tenha aquele famoso jargão “amigos, amigos, negócios à parte”, dar a preferência para artistas Rubro-Negros pode ser que ajude em uma negociação pelo cachê dos mesmos, além de gerar uma boa aceitação por parte dos rubro-negros, mas uma investida em um grande nome internacional seja uma boa ideia, já que seria um bom chamariz.
  • Nossos parceiros também teriam uma participação fundamental no evento. A ativação no futebol brasileiro é pouco utilizada e esta seria uma importante oportunidade:
  • Stand da Caixa seja com facilidades na abertura de contas (isenções em tarifas, taxas menores. Gostaria até da criação de uma conta corrente específica para flamenguistas, mas isso é assunto para outro post).
  • A Jeep poderia expor seus carros nos acessos da área VIP e Camarotes com modelos mais exclusivos e na área comum com seus modelos mais “modestos” (Penso em uma linha de carros exclusivos, mas também é assunto para outro post).
  • A Adidas com stands-lojas.
  • A Viton 44, além de vender seus produtos no Festival, poderia montar um stand com produtos personalizados.
  • A Herbalife com um stand cadastrando torcedores e fazendo seus shakes para apreciação dos curiosos.
  • Lojas móveis ou estrutura de contêineres da Espaço Rubro-Negro.
  • Além do objetivo de gerar receitas para a finalização do CT, o relacionamento com o maior ativo do clube, a Nação, também é um dos objetivos, para isso, algumas ações poderiam ser feitas para nossos Sócio-torcedores:
  • Sorteio de 10 STs que compraram ingressos na pista comum para assistirem o Festival no camarote do Flamengo com jogadores, ídolos e dirigentes.
  • Sorteio de 2 Sócio-torcedores para subirem no palco por apresentação.
  • Sorteio de 20 Sócio-torcedores para visitarem os artistas/bandas no camarim/pós-show.
  • Sócio-torcedor que levasse 5 ou mais amigos não ST teria garantido a presença no Match Day em um jogo.
  • Sorteio de 1 carro Jeep para Sócio-torcedor do Plano +Amor.
  • Sorteio de 2 Sócio-torcedores mais um acompanhante para cada para viajarem com a delegação do Flamengo em um jogo fora de casa, com direito à passagem, hospedagem no hotel da deleção, translado e direito de assistir o jogo no camarote com Zico (ou Adílio, ou Nunes, etc)
  • Na entrada do Festival, teria um posto de cadastramento do Programa Nação Rubro-Negra, onde quem se associasse, teria um desconto na adesão semestral para uma espécie de teste, em caso de renovação, o desconto não continuaria.
Não posso precisar quanto o Flamengo arrecadaria com um evento desse porte, mas acredito que tenha uma alta capacidade de receitas, que seria multiplicada com o Festival nas demais praças citadas. Como muito se fala de fontes alternativas de receitas, está aí uma opção.

Gostaria de agradecer ao Luiz Filho pela grande parceria nesse projeto!
Saudações Rubro-Negras, Jason Brazil.

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Eu é que agradeço, Jason!

O Jason Coutinho Brazil, novo colunista do Mundo Rubro-Negro, do Blog Urubusiness. Estuda Publicidade e Propaganda e além do Flamengo, é apaixonado por Marketing Esportivo. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Para Reflexão

Salve, Buteco! Bom, ninguém disse que seria fácil. Quando essa Diretoria assumiu o Flamengo acabando de escapar do rebaixamento em 2012, no final do cataclísmico triênio de Patrícia Amorim, apesar da empolgação de uma nova corrente política tomar o poder no clube, oriunda de segmentos insatisfeitos da torcida, acredito que ninguém em sã consciência acreditava que seria fácil. Em minhas colunas e comentários no Buteco, sempre ressaltei que qualquer um de nós que estivesse envolvido nessa ingrata missão cometeria os mesmos ou semelhantes erros. Alguém por acaso aprende a dirigir em uma Ferrari ou em um Bugatti Veyron, ou a pilotar com a mais sofisticada aeronave? Então, eu esperava que esses torcedores, como aconteceria se cada um de nós estivéssemos em seus lugares, cometessem uma pilha de erros e por isso jamais tive a expectativa de vivenciar o mar de rosas que muitos descreviam.

Por isso mesmo, não acho justo e nem é meu objetivo esculhambar essas pessoas que assumiram a ingrata missão de erguer e sanear o achincalhado gigante rubro-negro. A alternativa seria aquela que conhecemos e isso, ao lado do excelente trabalho administrativo que foi desenvolvido até o momento, basta para não misturá-los a qualquer outra corrente no balaio de gatos que é a política interna do Flamengo. Ao mesmo tempo, não me parece minimamente razoável suspender todo o juízo crítico enquanto o cenário ideal planejado não se concretiza e a atividade-fim do clube vai por água abaixo, e quando digo água abaixo não me refiro ao tedioso e sonolento planejamento de meio de tabela no campeonato brasileiro até que a situação financeira não seja completamente revertida, mas em ano após ano lutar desenfreadamente contra o rebaixamento para a Série B, como se fosse meta estatutária do clube e uma característica própria que o diferencia dos demais.

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Dois anos e meio de gestão, SEIS treinadores (chegaremos a quantos em três anos?), duas fugas contra o rebaixamento e tudo indica que viveremos a terceira em 2015. Folha salarial entre as dez mais caras da Série A, salários e premiações em dia, organização administrativa no Departamento de Futebol como jamais se viu na história do clube, mas futebol cada vez pior, e reparem que não se trata de exagero algum, pois o time efetivamente piorou a qualidade do futebol e o seu rendimento dentro de campo desde 2013 até agora, meados de 2015.

Pode-se dizer que a gestão dos Blues é um fracasso no futebol ou isso seria um exagero?

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A última atuação minimamente convincente do Flamengo remonta a 5 de abril de 2015, no Fla-Flu vencido por 3x0, no qual, contudo, o Flamengo levou vantagem por ter um jogador a mais a maior parte dos noventa minutos, eis que a arbitragem foi propositalmente rigorosa com o falastrão centroavante tricolor que se danou a criticar a FERJ em entrevistas. Antes, uma vitória contra o Vasco da Gama em uma partida absolutamente atípica por conta da tempestade que caiu sobre o Maracanã, das interrupções e das expulsões, e, ainda antes disso, vitórias sobre o São Paulo e o próprio Vasco da Gama em amistosos antes da temporada oficial começar, em Manaus. O quadro é bastante claro: o Flamengo ainda não convenceu contra times grandes em 2015. A Zona do Rebaixamento não pode surpreender a ninguém, dados o histórico e a qualidade do futebol apresentado pelo time dentro de campo até aqui.

A questão é: o que fazer agora?

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Demitir o treinador adianta? Peço @os amig@s que reflitam a respeito das contratações de Silas, Jorginho e Ney Franco antes  de responder, pois o que está ruim sempre pode piorar. Um treinador sem autoridade e não respeitado pelo elenco pode produzir resultados ainda piores do que os atualmente apresentados. Estou errado?

É claro que esse dilema não resolve o problema imediato: afinal de contas, além do trabalho do treinador ser incrivelmente ruim e inefetivo, ele realmente perdeu o comando do grupo, o grupo está rachado ou todos esses motivos coexistem e não se excluem? Em caso positivo, por quê? Por que o treinador perdeu o comando do grupo? Qual é o motivo da desunião, acaso realmente exista? Quem pode resolver e de que maneira? Como evitar que a situação se repita com o próximo treinador?

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Acredito que hoje nem os mais ácidos críticos ao trabalho do Departamento de Futebol negam que o elenco, apesar das notórias e inegáveis deficiências, não é tão fraco a ponto de frequentar a zona do rebaixamento, mas vamos lá, por amor ao debate e também porque ninguém nega que o time precisa de reforços, especialmente no meio do campo e no ataque. Pergunto então: se há mesmo alguma comoção intestina, como evitar que o rendimento continue abaixo do planejado ou da capacidade do elenco após a chegada dos reforços, por melhores que sejam? Esses reforços racharão mais ainda um grupo já rachado? E como evitar que o problema não se repita futuramente?

Outro ponto que para mim é muito importante dentro desse tema: os reforços serão contratados a esmo ou será levado em conta como serão dispostos taticamente no time titular? Sei que é época de especulações, mas, a título de exemplo e apenas para argumentar, pergunto se alguém conseguiria escalar um time equilibrado e competitivo com Robinho, Guerrero e Marcelo Cirino como titulares. É preciso repetir o episódio Sávio, Romário e Edmundo? O Flamengo contratará os primeiros que disserem sim? Quem está no comando dessas contratações? O treinador que não tem comando sobre o grupo e não consegue fazer o time jogar minimamente organizado dentro de campo, o diretor de futebol que se alinha com suas ideias ou o vice-presidente de futebol que parece não ter autoridade sobre ambos? É a mesma pessoa que autorizou ou não vetou a contratação do Almir?

Espera-se o que exatamente com essas contratações? Subir na tabela e disputar as primeiras posições ou apenas jogar o mínimo para não ser rebaixado?

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Tenho plena consciência de que o quadro atual exige soluções imediatas, mas não posso deixar de fazer as seguintes perguntas: é possível conquistar títulos e disputar as primeiras posições sem ter ao menos um centro de treinamentos para os atletas profissionais? Quando isso se tornará prioridade dentro do clube?

O clube, hoje, dispõe de profissionais com gabarito e experiência suficientes para diagnosticar e encontrar respostas adequadas para todas essas indagações? O Departamento de Futebol do Flamengo trabalha com base em quais critérios para avaliar o desempenho da Comissão Técnica e dos atletas?

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A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 24 de maio de 2015

Avaí x Flamengo


Campeonato Brasileiro 2015 - Série A - 3ª Rodada

Avaí - Vagner; Nino Paraíba, Antonio Carlos, Jéci e Romário; Renan, Eduardo Neto, Pablo e Marquinhos; Anderson Lopes e André Lima (Hugo). Técnico - Gilson Kleina.

FLAMENGOPaulo VictorParáMarcelo, Wallace ArmeroMárcio AraújoCáceresCanterosEverton e Gabriel; AlecsandroTécnico: Vanderlei Luxemburgo. 

Data, Local e Hora: Domingo, 10 de maio de 2015, 16:00h (USET/PRUCT/GMT 15:00h), no Estádio Aderbal Ramos da Silva ou "Ressacada", em Florianópolis/SC.

Arbitragem: Raphael Claus (FIFA), auxiliado por Rogério Pablos Zanardos e Anderson José Moraes de Coelho, todos de São Paulo.


Alfarrábios do Melo

Ando querendo voltar a me divertir com futebol.

Donde, sempre que posso, agora me vejo dedilhando os canais da tevê em busca daquele joguinho despretensioso, que somente me irá arrancar risadas e entretenimento puro. Nada de envolvimento.

Assim, na última quarta-feira, vi-me com os olhos pousados diante do empolgante confronto entre o Bahia, time aqui da terra, e o simpático Luverdense, força emergente lá do interior do Mato Grosso.

Cervejinha, pão, algum queijo e vamos encarar a pelada, pois.

Começa a peleja. O Bahia sai com a bola, que é esticada pro lateral, que aciona um atacante pela esquerda. Ele passa por um contrário e cruza rasteiro. O atacante chega atrasado e a bola sai.

Quarenta segundos e o time da casa já criou uma chance clara de gol.

É o estalo.

Remeto-me de imediato às tardes ensolaradas de domingo, em que, ainda garoto, era levado pelo meu pai à Fonte Nova para ver futebol ao vivo, de carne e osso. Flamengo no rádio e o Baêa no estádio. O dendê, o suor, o mijo, a cerveja, a fumaça do churrasquinho. O negão vendendo caipirinha no tambor. O cara da pipoca apostando o placar do jogo. A gorda baiana vendendo seus acarajés de cara suspeita. Os fogos, o coro de “Bora Baêêêa”, as palmas compassadas ditando o ritmo do time. O empurra-empurra da saída.

(Aos navegantes desavisados: eu não ia ao estádio torcer para qualquer equipe. Ia pelo espetáculo. Aliás, os dias que o Baêa perdia eram até mais divertidos, pois se encenava uma espécie de “netvasco” ao vivo e eu tinha que controlar o riso. Isto posto, volto ao texto).

Entre um gole e outro, sinto-me como se estivesse num jogo dos anos 80, 90. Toda aquela atmosfera se materializa límpida, pura, alva, pelas entranhas. É como se eu estivesse no meio da arquibancada, o jogo comendo ali na minha frente, eu de volta no tempo. Parece que tô vendo alguém berrar "Bora Minha Porra" do meu lado.

Não, não é o álcool, comecei agora, nem venha.

Enquanto isso, o Bahia segue atacando, um maluco bate uma falta rasteira, o goleiro se estica todo e manda a córner. Daqui a pouco alguém cruza, o atacante cabeceia pra fora, rente. O visitante não passa do meio-campo. Penso, não vão aguentar 15 minutos. O gol sai aos 13.

Não. Hoje não há mais a baiana, não tem mais o negão da caipirinha, não tem mais pipoqueiro, não mais empurrão, não tem nada disso. O futebol se profissionalizou, virou “bízines”, é tudo muito certinho, limpinho, educadinho. “Mudernizou-se”.

Mas uma coisa continua igualzinha.

Certinho como aconteceu naquele distante janeiro de 1980 (primeira vez que pisei num estádio) e continuaria vista nos janeiros e fevereiros e dezembros seguintes. A essência. O que faz um garoto tricolor baiano de 15 anos torcer pro time dele da mesma forma que seu pai, seu avô, fazia nas priscas eras.

A postura do time. A índole agressiva. A capacidade de enfrentar e atacar qualquer adversário que pise em seus domínios. Independente de ser inferior, é o sentido de buscar o confronto, a briga. Time ruim, modesto, mas “osádo”. Que não baixa a cabeça.

Ou seja, nesses primeiros 15 minutos eu me vi diante de Osni, Baiaco, Beijoca, Leo Oliveira, Bobô, essa turma. Por mais medíocre que seja a equipe atual deles (e é mesmo ruim de doer), a essência do clube se mantém. O acento. A identidade. O Bahia joga com a mesma postura de trinta anos atrás.

E aí chegamos ao ponto.

Há quanto tempo não vemos o Flamengo jogando exatamente como Flamengo? O que define a identidade do Flamengo como instituição, característica que necessariamente transborda para dentro das quatro linhas?

Uns dirão, o futebol bonito, de toques. Outros defenderão a índole aguerrida, com jogadores valentes. Outros mais, talvez, na minha opinião os que melhor se aproximam da interpretação correta aludirão que o verdadeiro Flamengo é aquele time que é capaz de estabelecer uma ligação com sua torcida, independente de seu perfil, da sua forma de jogo.

Quer algo menos Flamengo do que aquela coisa amorfa, apática, pegajosa, que se deixou envolver por 75 minutos em pleno Maracanã por um adversário inexpressivo, coalhado de jogadores decadentes?

Ou o time que perdeu o Estadual jogando um futebol blasé, apagado, preguiçoso, medroso, amplamente dominado por qualquer adversário que se dispusesse a atuar com um traço de disposição?

O Flamengo está se reinventando, está se reestruturando, está renascendo. Mas desse profundo processo de reconstrução precisa emergir uma instituição com caráter e personalidade definidos. Um clube capaz de perseguir o maior dos objetivos. Que caminhe, ande de braços dados com sua gente. Que faça o seu torcedor, espraiado de norte a sul, acordar pilhado, com aquele friozinho na barriga em dia de jogo, seja contra quem for. Que passe meses sem perder jogo no seu estádio, seja o Maracanã, seja a tal "Arena" que nunca sai. Que faça dos visitantes um inferno. Que se imponha, que expire na jugular do adversário, que impeça seu oponente de trocar três bolas certas, seja o Barcelona, seja o Borroló de Minas. Que transforme o goleiro adversário na melhor figura do jogo. Que faça sua Nação chegar ao Estádio com fome de predador e a certeza, “vamos amassar”. Que essa mesma multidão saia do campo saciada e de barriga cheia, farta de vitória. Eufórica. Correspondida.

Esta não é uma enésima loa de saudade do Zico. Futebol bonito a gente gosta muito, mas não é imprescindível para nos cativar. O que nos encanta é ATITUDE, DETERMINAÇÃO. A Tropa de Elite do Papai Joel jogava um jogo até limpinho, mas tecnicamente beirando o tosco. Correria, transpiração. Mas atraía, porque voava no pescoço, bola era prato de comida. E perseguia a vitória. Não precisa ir longe, o time do Elias, do Brocador. O time do saco de cimento. Por breves momentos, conseguiram estender a mão ao torcedor. Mostraram personalidade, mostraram que queriam GANHAR. E aí a gente foi junto.

Que não se cometa o erro de buscar aplicar no Flamengo fórmulas bem sucedidas em outros clubes. O que funciona num Cruzeiro, num Grêmio, num São Paulo necessariamente não irá se tornar panaceia dos males no Flamengo. Porque são clubes, instituições de caráter distinto. Valores diferentes, objetivos diversos.

Enfim, que os responsáveis pelo processo de ressurreição do Flamengo entendam, enxerguem e vislumbrem que, mais do que aplaudir o fantástico trabalho administrativo que vem sendo realizado, nós queremos mais. Queremos jogar junto, queremos rir nas vitórias, sofrer nas derrotas, queremos urrar, queremos aplaudir, vaiar, queremos deixar nossas vidas no estádio, no rádio, no telão ou na tevê. Queremos rezar durante os jogos, queremos ostentar nossos ídolos, queremos nos fardar do Manto até que ele esgarce desbotado.

Sim, queremos vitórias, queremos títulos, queremos glórias. Mas por isso até podemos esperar mais um pouco.

Entretanto, o que ansiamos ardentemente, o que clamamos, rogamos, suplicamos, para já, para agora, é a chance, a oportunidade de respirar, de cantar, de anunciar a alegria de ser rubro-negro.

O que nós queremos, senhores, é voltar a viver Flamengo.

Queremos acordar.

Boa semana a todos.

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