segunda-feira, 20 de maio de 2024

O Artilheiro das Grandes Decisões

Foto: Ricardo Cassiano/Agência O Dia

"Há no Flamengo esta predestinação para ser, em certos momentos, uma válvula de escape às nossas tristezas. Quando nos apertam as dificuldades, lá vem o Flamengo e agita nas massas sofridas um pedaço de ânimo que tem a força de um remédio heróico. Ele não nos enche a barriga, mas nos nunda a lama de um vigor de prodígio."  José Lins do Rego.

Salve, Buteco! O que fazer quando não tem jogo do Flamengo? Neste 20 de maio, aqui no Buteco, celebraremos o aniversário de João Batista Nunes de Oliveira, o "João Danado" ou  "Nunes do Flamengo", o "Artilheiro das Grandes Decisões".

Nascido nesta mesma data no ano de 1954, na cidade de Cedro de São João, em Sergipe, Nunes passou 5 (cinco) anos nas categorias de base do Flamengo, onde ingressou no infantil, egresso do Fluminense de Feira de Santana, até ser dispensado na transição para o profissional.

Conforme relata Marcos Eduardo Neves em seu livro "NUNES, o Artilheiro das Decisões" (1ª Edição; Rio de Janeiro; Rotativa, 2018), foi um período de grande aprendizado, especialmente a partir do momento em que pôde começar a residir na antiga concentração de São Conrado:

"Joãozinho finalmente se mudava para a concentração. Local onde pôde conhecer Cantarelli, Rondinelli, Geraldo, Zico, jogadores da sua e das categorias de cima. A partir de então, passaria por uma gigantesca transformação.

Quando entrei na Gávea minha infância acabou. Passei a ser preparado para ser jogador. Era outro tipo de formação, de educação. Sempre fui reservado, focado. Quando se quer muito chegar a um objetivo, é preciso evitar tentações. Tem que saber se alimentar, treinar bastante, dormir cedo, não beber ou fumar, enfim, ter vida de atleta. Por sorte, aprendi isso cedo."

O sonho de jogar no profissional do Flamengo, contudo, não se concretizou. Ao menos naquele momento. Mas algo lhe dizia que um dia iria voltar.

"Na única experiência como comandante do ataque, por exemplo, deu mostras de que vinha sendo mal aproveitado como ponteiro:

Numa segunda-feira, o Mineiro me viu abatido e disse: por que você não treina de centroavante? Aceitei. Zagallo comandava os profissionais em e colocou contra seus reservas. Fiz quatro gols no Renato. Pena que foi o último treino." 

"Ao estourar a idade limite, ganhou a dispensa. Ainda assim, Mineiro lhe pediu para passar na sua sala antes de se despedir.

 Ele tinha assistido àquele meu último treino e decidiu ligar pro Dequinha ex-volante que fez hstória no Flamengo e treinava o Confiança, em Aracaju. Avisou que mandaria a Sergipe o centrovante que ele precisava. Escreveu uma carta e me deu. Agradeci, e ele ainda fez questão de pagar minha passagem de volta pro Nordeste.

Retornou sem um tostão no bolso.

A ajuda de custo que ganhávamos só dava para comprar sabonete; comer pipoca no cinema, quando saíamos com algumas meninas; e comprar o mínimo de roupa. Não sei como, mas eu ainda coseguia mandar um dinheirinho pra minha mãe. 

Decepcionado, numa das poucas vezes na vida em que chorou, com os olhos marejados e o coração a arder, num misto de revolta e raiva, deixou com o enfermeiro Serginho uma profecia:

Estão me mandando embora, mas ainda vão me comprar bem caro

Pé na estrada, sua vitoriosa carreira continuou, a despeito da grande frustração. E depois de muitos anos, durante os quais se tornou o maior jogador das histórias do Confiança e do Santa Cruz, recebendo propostas de Atlético de Madrid e América do México (recusadas pelo Santa Cruz), e de defender as cores do Fluminense e do Monterrey, além da Seleção Brasileira, sempre marcando muitos gols, o dia do retorno finalmente chegou:


O resto é História.

E vamos relembrar um pouco dela, com o Manto Sagrado, nas palavras do próprio aniversariante do dia:

Depois do Flamengo, mais pé na estrada - Botafogo, volta ao Flamengo, Náutico, Santos, Atlético Mineiro, Boavista (Portugal), mais uma vez Flamengo e Volta Redonda.

Nunca deixou de ser ídolo. Tanto que, com a camisa do Botafogo, ajudou a derrubar até presidente - Antonio Augusto Dunshee de Abranches, que havia vendido Zico e debochado da torcida, renunciaria ao cargo pouco depois dos vexaminosos 0x3, os quais, com direito a olé, apressaram um bocado todo o processo.

Despediu-se do futebol na Gávea, numa emocionante homenagem do clube que sempre amou e foi amado de volta:

Deus te abençoe, João Danado! E que Ele ainda te dê muitos anos de vida, repletos de saúde e felicidade!

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.


sábado, 18 de maio de 2024

Crônicas

 

"(...) 

Mas, como eu ia dizendo: por que o Flamengo se tornou tão popular? Terá sido pelos craques que, digamos, a partir dos anos 30, brilharam com sua camisa?

(...)

Sim, eles fizeram com que milhões de brasileiros se abraçassem à bandeira rubro-negra. Mas o Flamengo já era popular antes deles. Numa época em que alguns jogadores ainda entravam em campo de gorro, toalha e óculos, e os juízes apitavam de terno, gravata e chapéu, foi o Flamengo que tirou o colarinho duro do futebol e fez deste a paixão dos descamisados, dos banguelas, dos desvalidos. Nascido da elite carioca, ele logo caiu nos braços do povo. Em 1912, seus craques foram os primeiros que as pessoas simples das ruas puderam conhecer, cumprimentar e pedir autógrafo. Em 1914, o Flamengo já era convidado a jogar em capitais e grotões longe do Rio. E, em cada uma dessas cidades, plantava torcedores - para sempre. Donde se pode falar também da missão civilizadora do Flamengo, ao levar iniciativas e bossas pioneiras para os centros menores e vê-las adotadas pelos clubes e torcidas locais.

 Duvida? Eis algumas.

Do Flamengo nasceu, em 1942, a primeira torcida organizada: a Charanga, com bandinha, faixas e bandeiras. Foram também os torcedores rubro-negros que criaram o hábito de sair às ruas e de ir para o estádio e até para o trabalho, em dia de semana, com a camisa do clube. O Flamengo foi também o primeiro clube a ter o seu nome abreviado pela torcida - Mengo! - e a fazer desse apelido um superlativo: Mengão! Suas galeras criaram os refrões que depois seriam copiados pelos torcedores de outros clubes. E nenhum outro teve tantos sambas e marchas compostos em sua homenagem (hinos, tem dois). Bem cedo, o Flamengo foi sinônimo nacional de festa, alegria e Carnaval.

Os títulos, as vitórias e os craques podem explicar muita coisa. Mas não explicam tudo - porque, afinal, os outros clubes também têm o seu rico patrimônio de glórias. O Flamengo, queiram ou não, é que é diferente. E, isso, desde a sua fundação, em 1985 - o que faz com que a paixão por ele já se estenda por cinco gerações. Pense apenas no seguinte: os netos dos primeiros torcedores do Flamengo são os avós dos pequenos torcedores de hoje.

Mas, enfim, por que tudo isso?

A resposta vem de longe. Na verdade, de muito antes que o primeiro Flamengo chutasse uma bola."

Ruy Castro. Trecho de "Uma Nação Sonhando"; extraído do livro "O Vermelho e o Negro: Pequena Grande História do Flamengo"; 1ª Edição; São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

***

"Mais um ano do meu querido Flamengo. Amo-o como um dos mais ardentes amores da minha vida. E por ele este meu coração de 50 anos bate no peito com as 120 pulsações dos minutos apertados da torcida. Sinto-o na angústia e não me amargo com isso. Aí está minha paixão incontida, o meu arrebatamento de homem, confundido na multidão. 

E é por tanto amor que me dói a injustiça dos que não sabem conter as malignidades e se concentram contra um clube sem arrogância, tão camaradesco, sem bobagens, tão largado nas exuberâncias.

Mais um ano do meu Flamengo. E ele cada vez mais no coração do povo brasileiro. Não queremos maior troféu nem maior glória.

 15/11/1951

José Lins do Rego. "O FLAMENGO". Extraído de "FLAMENGO É PURO AMOR: 111 crônicas escolhidas"; 3ª Edição; Rio de Janeiro; José Olympio, 2013.

***

Deus te abençoe, Flamengo. Muito obrigado por existir.

A palavra está com vocês.

Bom FDe SRa tod@s.



quinta-feira, 16 de maio de 2024

Flamengo 4 x 0 Bolívar. A ascensão de Gerson.



Flamengo foi ao Maracanã e fez seu dever de casa na penúltima partida desta vergonhosa participação da chave de grupos na qual já perdeu duas vezes. Ganhou de 4 a 0 do time da altitude Everest. Que é um bom time também a nível do chão. Boa troca de passes, boa chegada, mas a defesa um tanto quanto aberta. Agora Flamengo precisa ganhar do Millionarios e garantir o segundo lugar, para que seus jogos classificatórios invariavelmente sejam decididos na casa do adversário.

Se tínhamos alguma dúvida que Gerson finalmente encaixou não temos mais. Jogou de fato muito bem, participando de todos os lances como o maestro que acharam que seria ou deveria ser Arrascaeta. Insinuante, objetivo, marcador, parece que nosso apático Gerson pré-jogo do Corinthians foi abduzido e substituído por um ET que gosta de jogar bola. Não reclamo. Fica por aí ET.

E o que falar do Cebolinha que está absolutamente magistral, insubstituível, audacioso e excepcional no 1 x 1? Voltou a ser o Cebolinha do Grêmio, que foi convocado pelo Tite para Copa América. Jogador monstro. Não consigo ver o Flamengo sem ele mais.

Fora isto Pedro resolveu finalmente ser mais solidário e não ser mais o cemitério de jogadas de ataque. Agora faz o jogo fluir através dele, dando passes, se deslocando e deixando outros brilharem. Uma mudança de postura visível.

Allan, outro que Tite recuperou, sendo altamente decisivo no meio de campo com sua marcação e dinamismo. Agora já vejo Pulgar como reserva. Não tem como tirá-lo do time.

De La Cruz, uma grande contratação, sempre gigante em campo, multi-tarefa. Essencial para o jogo do time. 

Ontem, sinceramente, não gostei da escalação inicial do Arrascaeta, achei que perderíamos o dinamismo do Lorran. Porém, não sentiu tanto a falta de ritmo e sua movimentações e passes insinuosos entrelinhas continuam sendo de qualidade mas não brilhou, como no passado.

De surpresa a entrada do David Luiz que fez uma ótima partida substituindo Leo Pereira lembrando de seu passe diferenciado. Ayrton Lucas meio afobado e Varela sempre muito bem em seu papel defensivo.

Gabi entrou, torcida aplaudiu e de novo nada produziu. A não ser levar um cartão amarelo por não controlar o temperamento. Como sempre. Luiz Araujo entrou para poder isolar todas as bolas possíveis. Lorran entrou no final mas não tinha mais com quem "dialogar", ficando sozinho em suas movimentações.

Enfim, bom jogo, começou com um gol rápido, o que nos deixou mais aliviados.

Agora que esta paralisação não faça as mãos de Tite tremer querendo voltar pro modelo posicional congelado que vinha praticando com total fracasso.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Flamengo x Bolívar

  

Copa Libertadores da América - Grupo E - 5ª Rodada

Quarta-Feira, 15 de Maio de 2024, as 21:30h (USA/ET 20:30h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGO: Rossi; VarelaLéOrtiz, Léo Pereire Ayrton Lucas; Allan, DLCruz Arrascaeta; Gérson, Pedro e Cebolinha. Técnico: Tite.

Bolivar: Lampe; Saavedra, Orihuela, Ordoñez e José Sagredo; Justiniano, Saucedo e  Bruno Sávio; Vaca, Francisco da Costa e Pato Rodríguez. Técnico: Flavio Robatto.

Arbitragem: Andrés Matonte, auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Carlos  Barreiro e Horácio Ferreiro, trio da Associación Uruguaya de Fútbol - AUF/Uruguai. Quarto Árbitro: Anahí Fernández (AUF/Uruguai). Árbitro de Vídeo (VAR): Carlos Orbe (FEF/Equador). Auxiliar de Vídeo (AVAR): Juan Andrade (FEF/Equador). Assessor de Árbitros: Giulliano Bozzano (CBF/Brasil). Quality Manager: Luis Vera (FEF/Equador).

Transmissão: Rede Globo (rede aberta ou Globoplay) e Paramount+ (Internet streaming). 


terça-feira, 14 de maio de 2024

Para Clarear, Mengão!!!


Olá Buteco, bom dia!

Ao Torcedor RubroNegro basta um pouco de futebol para que os ânimos sejam renovados. Estávamos cabisbaixos, com a perspectiva sombria de uma eliminação precoce na Libertadores e, consequentemente, nova troca de treinador. No entanto, um bom jogo contra o Corinthians foi o suficiente para mudar essa concepção: agora, é Rumo à Tóquio!

Há um clichê no mundo do futebol que é batata: após uma partida ruim, sempre há quem diga "se jogar assim contra [fulano], não tem a menor chance!". Por outro lado, também é um clichê afirmar que se jogarmos contra o Bolívar como jogamos contra o Corinthians, as chances de vitória aumentam consideravelmente. Fato é que nenhuma partida é igual. No entanto, é sempre importante observar o que deu certo nos bons jogos e tentar reproduzir futuramente, se a ocasião assim permitir. 

No nosso caso, como bem debatido na coluna de ontem, houve um melhor aproveitamento dos jogadores no campo (nem vou entrar no mérito se houve mudança efetiva no desenho tático, mas é certo que houve melhor ocupação dos espaços), em conjunto com um pouco mais de vitalidade dos jogadores que entraram. Lorran não é só habilidoso, mas também muito forte fisicamente, apesar da pouca idade. Foram várias roubadas de bola, inclusive a que resultou no segundo gol, marcado por ele mesmo. O retorno do Cebolinha também foi crucial para o grande volume de jogo do time no sábado. Outra boa partida do camisa 11. 

Espera-se que essa dinâmica seja mantida para a primeira das duas decisões que teremos no Maracanã. Parece que Pedro e Arrascaeta já têm condições de jogo e aqui há uma decisão importante a ser tomada: você, se fosse o treinador, voltaria com Arrascaeta ou manteria Lorran no time? Ou deixaria o Pedro no banco e entraria com Arrasca e Lorran na frente? O meu time seria o de sábado: Rossi, Varela, Fabricio Bruno, Leo Pereira e Ayrton Lucas; Allan, De La Cruz e Lorran; Gerson, Pedro e Cebolinha. Arrasca ficaria para o segundo tempo.

A agenda do time é a seguinte: Bolívar amanhã e Vasco no sábado, ambos no Maracanã. Depois, vamos à Manaus decidir a classificação na Copa do Brasil contra o Amazonas e teremos uma semana de treinamentos (seria Flamengo x Grêmio no fim de semana), para a decisão contra o Millonarios, também no Maracanã. Em comparação com aquela tabela do início de Abril até aqui, parece muito mais acessível. Mas precisamos jogar bola. Uma vitória amanhã, com autoridade, é fundamental para clarear nosso caminho.

Vai para cima deles, Mengo!!!

Saudações RubroNegras!!!

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Encaixe

Foto: Gilvan Souza/Flamengo
Dicionário
Definições de Oxford LanguagesSaiba mais
Encaixe
substantivo masculino
  1. 1.
    ato ou efeito de encaixar(-se); encaixo.
  2. 2.
    concavidade ou espaço esp. destinado a receber peça que, por sua presença ali, completará um todo ou parte de um todo; encaixo.

Salve, Buteco! Movimentação, aproximações, jogo curto, cria Lorran no time, Gérson cortando da ponta direita para o meio, "a la Everton Ribeiro"; harmonia, intensidade, muitas finalizações a gol. Encaixe. Vitória por 2x0. Torcida feliz e pinta de que um caminho foi encontrado. 

Teria sido esse o "passo para trás" ao qual Tite se referiu, após a derrota para o Botafogo?

Concidência ou não, no segundo tempo do jogo contra o Bragantino, sábado retrasado, e durante os 90 minutos da vitória sobre o Corinthians, no último sábado, o Mais Querido foi mais autêntico, do jeito que a Nação gosta. 

Resta saber o que aconteceu durante os 90 minutos contra o Palestino.

Teorias? Tenho a minha. Ei-la:

O time não gosta do sistema de jogo de posição. Não gostar, ao menos na minha forma de enxergar o problema, é bem diferente de não conseguir jogar dessa maneira. E não gostar tampouco remete à existência de uma conspiração maquiavélica contra o treinador. Pode ser simplesmente não acreditar no sistema. Tem como dar certo um sistema no qual os atletas não acreditam?

Há bons motivos para crer que isso influencie o comportamento dos jogadores. Desde a conflituosa passagem de Domènec Torrent pelo clube, o elenco parece ter tomado "birra" com a filosofia de jogo. O problema da escolha de Domè, para além da falta de experiência, envolvia também a inabilidade na gestão do vestiário e a incapacidade de convencer o time a jogar de uma maneira diferente daquela que o levou a conquistar o Brasil, a América do Sul e quase o mundo todo. Naquele momento, não fazia mesmo o menor sentido.

Sete treinadores e quatro anos depois, passou a fazer sentido ao menos incorporar alguns elementos desse sistema de jogo, já que o mundo todo pratica essa forma de jogar futebol. Tempos de soberania absoluta do maior treinador de todos os tempos e adepto do sistema - Pep Guardiola. A cada temporada que passa, é mais difícil encontrar treinadores que joguem do jeito que eu, você e toda a Nação Rubro-Negra queremos, ao passo que a oferta de posicionais é cada vez maior, sempre tendo Pep como referência.

Nesse cenário, a birra não faz mais qualquer sentido, o que é bem diferente de pregar a adoção de um modelo posicional absolutamente puro, abstrato e filosófico, até porque o próprio Pep, temporada atrás de temporada, desfaz e refaz seu trabalho com a autonomia absoluta que lhe permitem o dinheiro árabe, a carência dos fãs do Manchester City em tornar o seu clube grande e os resultados da fusão desses fatores com seu talento incomparável. O jogo de posição, portanto, não é mais um conceito rígido. Muito pelo contrário.

Posso aceitar a ponderação de que o jogo "não posicional" é mais afeto às características do elenco. Ocorre que jogo de posição não é "estático" ou "jogo de totó"; ao revés, pressupõe amplitude para gerar espaço e muita (muita, mas muita mesmo) movimentação para "atacar" esses mesmos espaços. Talvez mais distâncias mais longas a serem percorridas e mais desconforto, mas não significa que esse elenco não seja capaz de jogar bem e vencer dessa maneira.

O Flamengo posicional já fez ótimas partidas - 2x2 Atlético/MG (Final da Supercopa do Brasil/2022), 0x0 Palmeiras (4ª Rodada Brasileiro/2022), ambos com Paulo Sousa; 2x0 Fluminense (Campeonato Carioca/2023), com Vitor Pereira; 0x0 e 2x0 Fluminense (8ªs de Final Copa do Brasil/2023), 4x1 Vasco da Gama (9ª Rodada Brasileiro/2023), 2x0 Athletico/PR (4ªs de Final Copa do Brasil/2023), 2x1 Atlético/MG (17ª Rodada Brasileiro/2023), 2x1 Botafogo (22ª Rodada Brasileiro/2023), sob a batuta de Jorge Sampaoli, e 3x0 Palmeiras (33ª Rodada Brasileiro/2023), 2x0 e 2x0 Fluminense (Campeonato Carioca/2024), sob o comando de Tite.

Deveriam ter sido mais jogos, porém reparem que não gostar, não acreditar é bem diferente de não conseguir, como eu ia dizendo. E apesar disso, admito que o Flamengo "menos posicional" do segundo tempo contra o Bragantino e da vitória sobre o Corinthians talvez seja o melhor caminho a ser seguido. Ao menos é o meu preferido e também a preferência da torcida.

O que não significa que tenha que ser o único... Não se esqueçam de que, em 2025, o Flamengo disputará a primeira Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Convém ter a cabeça mais arejada possível, e de preferência conectada com o que acontece no primeiro mundo do futebol, para que episódios como o de terça-feira passada, em Coquimbo, contra o Palestino, não se repitam nunca mais, e nem tampouco vexames bem piores...

***

No post da semana passada, poderei que, "no caso de Gérson seria bom a torcida desapegar do estereótipo e pesar o fato de que vem se recuperando de uma doença importante (diferente de contusão), de modo a avaliar suas atuações por outro ângulo. Sábado, por exemplo, jogou em três posições diferentes da meia cancha, terminando como primeiro volante e - importante - com o time jogando muito bem nessa formação."

Após a exuberante atuação do Coringa, contra o Coringa, no último sábado, deparei-me ontem com o seguinte tuite do Sofascore:

🔎 Gerson é o meia líder em assistências e em grandes chances criadas (13) nas últimas 2 edições do . 🃏🎩 ⚔️38 jogos ⚽️5 gols 🅰️9 assists 🔑68 passes decisivos (!) ✅88% acerto no passe (!) 🦾174 bolas recuperadas (!) 💨60% acerto no drible (!) 💯Nota Sofascore 7.08
Imagem
Imagem
92 mil
Visualizações
45
1 mil
21

Gérson como meia.

Encaixe, como íamos dizendo...

***

Quarta-feira é vencer ou vencer. A vitória também é aceitável, assim como a conquista dos três pontos. Aceito qualquer dessas três alternativas.

Está cedo para a volta do uruguaio fumeiro (se é que vocês me entendem...). É hora do cria Lorran.

Depois da "Geração Copinha 1990, acredito que os maiores talentos revelados por nossas categorias de base tenham sido, em ordem cronológica, Sávio, Adriano, Lucas Paquetá e Vinicius Junior. 

Nenhum deles conseguiu, tão rápido e tão jovem, atuar de maneira tão exuberante como o nosso Cria no sábado passado. Talvez Adriano, no Morumbi, contra o São Paulo, naquele amistoso; contudo, ainda assim acho que o Rugal ganha a disputa por se tratar de um jogo oficial.

O céu é o limite para Lorran. E que venha a recuperação na Libertadores.

***

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.