quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Programa Sócio-Sofredor do Flamengo


Durante vários anos aguardei ansiosamente o lançamento do Programa de Sócio-Torcedor do Flamengo, tendo como finalidade contribuir de forma direta no engradecimento do clube de acordo com o que realmente sou, um simples torcedor que se satisfaz com tal condição, principalmente depois de um dia no início do século quando o ex-presidente Kleber Leite afirmou que a iniciativa seria lançada daqui a "duas semanas", omitindo o fato de que seria um período de duração bíblica. Aliás, como quase tudo que ocorre no Flamengo, da estreia de um jogador contratado à volta do departamento médico de um atleta lesionado;

Uma vez e finalmente lançado o Programa, tratei de aderir ao mesmo imediatamente, em março de 2013. Desde então, recebi dois cartões com numerações diferentes. Ora um servia para comprar ingressos, ora não servia mais e tinha que usar o outro. Um belo dia um deles foi cancelado e passei a ter que justificar na entrada do Maracanã que realmente havia comprado o ingresso, utilizando o cartão remanescente, para determinado jogo e a catraca não estava reconhecendo o carregamento efetuado pela internet;

Com um aborrecimento aqui, outro ali, fui empurrando os problemas com a barriga na esperança de que o aperfeiçoamento do empreendimento sanasse as situações criadas, até mesmo porque são simples as soluções para corrigi-las. Os campeonatos pararam em função da disputa da Copa do Mundo e as "encrencas" também. Porém, logo no reinício das atividades domésticas lá estavam elas a me esperar;

Para recomeçar os trabalhos, fui impedido de adquirir pelo site do Nação Rubro-Negra os ingressos durante a semana que precedeu a partida contra o Botafogo, realizada em 27 julho pp, sob a alegação de que eu "havia cancelado o cartão". Só para saber: se não o fiz quando tentavam me induzir a fazê-lo, por que o faria durante o Mundial, período em que sequer lembrei desse incompetente departamento de marketing que temos? E assim por diante, até hoje estou sem o respectivo cartão e não pude comprar para os jogos realizados contra o Sport e o Atlético MG;

Recorri ao SAC, ao Marketing e à Ouvidoria do clube mais de uma vez a cada um e, no dia 11 de agosto pp, portanto há DUAS SEMANAS, recebi a ridícula mensagem abaixo, na qual me informavam que seria oferecida PRIORIDADE na solução do caso. Lembro aos amigos que moro na mesma região da cidade em que está localizado o clube e algo em torno de 10km nos separam, distância percorrida a pé em apenas uma hora para satisfazer a "prioridade" concedida;

Ainda de forma risível, me indicam a possibilidade de utilizar o CPF para a compra dos bilhetes desejados, mas me recuso a participar dessa burrice elefantíase, que me leva a realizar uma transação pela internet e depois enfrentar uma fila sob sol e/ou chuva para retirar os ingressos no Maracanã. Deus me dotou de uma pequena inteligência para concluir que é melhor proceder de maneira direta, ou seja, adquirir o ingresso no estádio, sem perda de tempo online, dentro de casa.

SRN!

"Olá XXXXXXXXXX

Fale Conosco
Nome: xxxxxxxxx
E-mail: yyyyyyyyyy Assunto: Outros
Data do contato: 26/07/2014 19:25
Mensagem
--------------//-------------
Resposta
Olá , Rubro-Negro!

Pedimos desculpas pelo transtorno.

Informamos que já foi solicitado o pedido de envio do seu cartão ingresso.Iremos solicitar PRIORIDADE na entrega para melhor resolução do seu caso.É importante que verifique se o endereço cadastrado está correto. Lembramos também que mesmo sem o cartão ingresso você poderá usufruir dos benefícios usando seu CPF, inclusive para compra de ingresso.

Obrigada pela compreensão

Protocolo#54851

Saudações Rubro-Negras!
Saudações Rubro-Negras.
www.flamengo.com.br/nacao

Nota: Este e-mail é gerado automaticamente. Por favor não responda esta mensagem".



terça-feira, 26 de agosto de 2014

ST por BOB Go


Hoje excepcionalmente o post não é meu. Está complicado e corrido, não consegui produzir nada que preste e então cedo o espaço para, como diz o título, nosso butequeiro Bob Go ou RSG. O post é de Roberto Silva Gomes, gente fina ao extremo, Flamengo até o osso, Off-Rio que tá mais no Rio do que eu. Rs! Espero que curtam ao texto, comentem, critiquem e que o RSG curta ser vidraça. Boa leitura, rapaziada!

Conheço um Flamengo que eu vivo aqui falando todos os dias, ele não deixou de existir, pode sim está sendo mal dirigido, mal administrado, ha muito tempo, mas eu não quero ficar todo ano sofrendo quarta, domingo, em assistir o time disputando a fuga do rebaixamento. Acho que nenhum flamenguista merece passar por isso. Este ano mais uma vez seremos meros figurantes do campeonato brasileiro e o décimo sexto lugar, pra mim, será como fosse o primeiro lugar.

Não vai ser um título da Copa do Brasil e muito menos do Campeonato Estadual, que vão me deixar mais confortável, aceitando que ta tudo mais ou menos... Também não adianta vir com essa conversa fiada de que temos que pagar nossas dívidas e deixar o futebol em segundo, terceiro plano. Tenho certeza que o futebol pode ter outro tratamento e pagarmos as dívidas, concluir o CT Ninho de Urubu, tudo feito simultaneamente e o Clube funcionando muito bem.

Os Blues foram eleitos para fazerem tudo isso ao mesmo tempo e não sou eu que estou falando agora, isso fez parte da plataforma deles na eleição. Portanto se não estão conseguindo dar conta que mudem os rumos de sua gestão, pois algo deve ter dado errado e eu também acho que deu, mas que pode ser corrigido ate de uma forma simples e tudo voltar a ser como eles pensavam anteriormente.

quadro demonstrativo existente no site oficial do C.R. do Flamengo referente ao programa sócio-torcedor, a meu ver se mostra totalmente conflitante, uma vez que das 7 modalidades ali inseridas, 5 delas se sobrepõem (valores quase idênticos) e a última modalidade lançada, a ST Tradição, não traduz vantagem alguma a quem a ela adere, pois em apenas 1 jogo já se demonstra que a modalidade gasta igual ou até mais que um sócio-torcedor Raça. Dito isso, apresento a seguir, de forma sucinta, um programa que poderia servir ao Flamengo, com um formato que me parece ser bem simples e de fácil assimilação. Vamos a ele. Modalidades:

1. sócio-torcedor rubro-negro;
a) mensalidade a 40 reais: atenderia aos torcedores que moram na cidade do Rio Janeiro e em cidades em um raio de até 100km da cidade maravilhosa; b) mensalidade a 30 reais: atenderia aos torcedores que moram em cidades que ficam num raio entre 100km e 300km da cidade do Rio de Janeiro e no exterior.
2. sócio-torcedor popular:
Mensalidade a 20 reais e atenderia a todos os torcedores que moram em qualquer cidade do Brasil e no exterior (exceto;
3. sócio-torcedor urubuzinho:
Mensalidade a 5 reais e atenderia a torcedores até 12 anos de idade.

Principais Vantagens:
  1. O sócio-torcedor rubro-negro terá prioridade na compra antecipada de ingressos com descontos, para os jogos que o mando de campo for do Flamengo;
  2. O sócio-torcedor popular terá prioridade na compra antecipada de ingressos, porém sem descontos, para os jogos que o mando de campo for do Flamengo;
  3. Os sócios-torcedores rubro-negro e popular poderão participar de sorteios e promoções realizadas pelo Flamengo, assim como obter descontos na aquisição de produtos/serviços na Rede de Estabelecimentos conveniadas com o Clube, desde que estejam em dia com suas mensalidades;
  4. Os sócios-torcedores rubro-negro e popular poderão se cadastrar no site Movimento por um Futebol Melhor e participar de ações promocionais ali realizadas;
  5. O sócio-torcedor urubuzinho ao ser registrado, ganhará uma carteirinha personalizada. Poderá participar de uma série de ações e promoções desenvolvidas pelo Flamengo.

Como conseguir aumentar as adesões ao programa sócio-torcedor?
Existem infinitas maneiras de se atingir a esse objetivo. Para que não percamos muito tempo, iniciaremos pelos rubro-negros que constantes no Maracanã e não-sócios (por algum motivo qualquer). Como fazer para que virem sócios?
1. Montagem de Stands em lugares estratégicos dentro do Maracanã em dias de jogos;
2. pesquisa de mercado (Survey) reduzido, objetivo, aplicado ao maior número de rubro-negros possível (sócios ou não).
3. usando a tabela/quadro, a ser demonstrada aos torcedores não-socios, provaria-se rapidamente que ir a apenas dois jogos ou mais por mês no Maracanã, já compensaria a inclusão/adesão ap programa de Sócio-Torcedor. Sem falar nas facilidades em comprar ingressos, acessarem o estádio, participarem de sorteios, promoções, fazerem parte do movimento por um futebol melhor, etc. Tabela/quadro:
a) valores dos ingressos para cadeiras norte e sul: inteira para não-socios a 60 reais, meia a 30 reais, inteira socios-torcedores a 20 reais e meia a 10 reais; b) valores dos ingressos para cadeiras inferior e superior leste: inteira para não-socios a 80 reais, meia a 40 reais, inteira socios-torcedores a 30 reais e meia a 15 reais; c) valor da mensalidade para socio-torcedor plano raça: R$ 39,90 (vamos arredondar para 40 reais para facilitar nossos cálculos).

4. Um torcedor não sócio, nem estudante, gastaria nos setores norte ou sul em uma partida o mesmo valor do Plano Raça + o ingresso. Em duas ou três partidas desembolsaria bem menos. E o mesmo vale para todos os outros setores, com vantagens maiores ainda.

Como aumentar mais ainda as adesões ao programa sócio-torcedor
O Flamengo precisa convencer ao não-sócio a se tornar ST, inclusive com propaganda massiva, para que o ST não se sinta um “mero doador”, sim consumidor, torcedor mesmo! Informando a seus socios-torcedores, o clube poderia realizar sorteios produtos com a marca Flamengo, inclusive produtos Adidas e carros Peugeot. Essa seria uma bela meta a estimular inclusive a adesão. Veja:
  • 50 mil adesões ao programa de Sócio-torcedor, sorteios quinzenais de produtos;
  • 100 mil adesoes, sorteios semanais;
  • 150 mil adesões, sorteio qunzenais com o dobro de prêmios;
  • 200 mil adesões, sorteios diários;
  • A partir de 250 mil STs, sorteios diários com grande números de produtos e vantagens, ampliando-se a cada 50 mil adesões.
Gostaria muito de saber como vocês viram as ideias. Por favor deem sugestões para a melhoria, comentem”.


Bob Go, RSG, Roberto Silva Gomes.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Hora de Importantes Decisões

Buongiorno Buteco! E o lanterna com a defesa mais vazada e o pior ataque agora já tem a quinta melhor campanha do campeonato pós Copa do Mundo. Considerando as cinco últimas rodadas, apenas o segundo colocado (São Paulo) tem melhor retrospecto. À frente da tabela, e com todo respeito a Santos, Sport e Atlético/PR, hoje só se pode dizer que são mais fortes que o Flamengo os sete primeiros, todos times grandes. E essa realidade pode perfeitamente mudar acaso o aproveitamento do time permaneça com a mesma regularidade. Então, a tese que sustentei desde o início do campeonato, mesmo nos piores momentos, de que não era time para cair, mas para ficar entre os dez primeiros, parece que irá se provar verdadeira. A nova realidade, porém, impõe a adoção de uma estratégia e a tomada de decisões importantes na disputa das duas competições simultâneas - Brasileiro e Copa do Brasil.

Não acredito em título simplesmente porque é absolutamente improvável que o Cruzeiro venha a cair vertiginosamente de rendimento. Mas e o G4? É em tese possível? Penso que o elenco, que já mostra não ser tão ruim, tem carências em algumas posições que praticamente impossibilitam a disputa com a mesma atenção das duas competições. Na prática, temos apenas um lateral direito e um esquerdo, por exemplo; e alguns jogadores que hoje se mostram decisivos não têm potenciais reservas a altura - Canteros e Eduardo.

Acho, por isso, que um time com César, Chicão e Samir na zaga, e com Amaral, Luiz Antônio, Mattheus, Paulinho e Gabriel poderia fazer boa figuração contra o Coritiba no jogo de ida pela Copa do Brasil. Na minha opinião, o time titular precisa pensar no lanterna Vitória e no Grêmio, que parece mais forte agora com Scolari no comando técnico. A última partida do primeiro turno, contra os gaúchos, promete reacender a velha rivalidade entre Luxemburgo e Scolari, e com certeza será um teste para as pretensões do Flamengo no campeonato, sem contar que será um jogo de seis pontos, se essas aspirações forem mesmo mais ambiciosas. Vejo diferenças em relação a 2013 e a principal é a viabilidade de lutar pelo G4 se o Brasileiro for priorizado esse ano, o que não acontecia ano passado.

O quem pensam @s amig@s do Buteco a respeito? Concordam ou iriam com a força máxima contra o Coritiba?

***

Vejo no atual time uma semelhança com o de 2011, treinado pelo próprio Luxemburgo: aquele time era muito seguro defensivamente, mas tinha dificuldades para marcar gols e não raro no segundo tempo os reservas entravam para decidir. O time atual também é sólido, especialmente após as entradas de Marcelo e Canteros, mas tem precisado dos reservas Mugni e principalmente Eduardo da Silva para vencer.

A propósito, Canteros foi fundamental para o acerto do time. Menos decisivo e incisivo que Elias, em contrapartida é bem mais técnico, participativo e tático, além de sólido defensivamente. Com Eduardo sendo decisivo, parece que o time desse ano é mais sólido. Falta Alecsandro ou Paulinho engrenarem, ou o próprio Mugni.

Mas a dificuldade para marcar gols com a formação que inicia o jogo é evidente. Talvez melhore com a disponibilidade de jogadores como os próprios Paulinho e Alecsandro, já que um ataque com Nixon e Arthur de fato está longe do ideal para disputar a Série A. O bom, porém, é que o Flamengo se impôs taticamente em Criciúma. Foi sólido, compacto, tranquilo e soberano, apesar de ainda não ter conseguido ser fluente nos passes. No final, porém, mostrou até algum desembaraço nesse fundamento. Foi assim que surgiu o segundo gol. O desafio agora é encontrar um lugar no time para Eduardo. @s amig@s acham que já está na hora dele e Mugni serem titulares ou o time perderia em alternativas? E se Paulinho e Alecsandro começarem as partidas?

O que @s amig@s fariam? Concordam com essa avaliação?

***

Hora de importantes decisões, portanto. Acho que esse pode ser o Brasileiro que dará tranquilidade aos Blues para começarem 2015 sem cometer os erros de 2014. Resta saber o que farão.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 24 de agosto de 2014

Criciúma x Flamengo


Campeonato Brasileiro 2014 - Série A - 17ª Rodada

Criciúma: Luiz; Eduardo, Fábio Ferreira, Gualberto e Cortez; Rodrigo Souza, João Vitor, Cléber Santana e Paulo Baier; Silvinho e Souza. Técnico - Wagner Lopes.

FLAMENGO: Paulo Victor, Leonardo Moura, Wallace, Marcelo e João Paulo; Cáceres, MárciAraúj(Lucas Mugni)Canteros, LuiAntonio e Éverton; Arthu(Eduardo dSilva). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.


Data, Local e Horário: Domingo, 24 de agosto de 2014, as 16:00h (USA ET 15:00h), no Estádio Heriberto Hülse ou "Majestoso", em Criciúma/SC.

Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden (FIFA/RS), auxiliado por Márcio Eustáquio S. Santiago (FIFA/MG) e Fabrício Vilarinho da Silva (FIFA/GO).



Alfarrábios do Melo

Era uma vez um velho, que resolve vender seu burro e chama seu neto de dez anos para acompanhá-lo. Coloca o menino no lombo do animal e segue viagem.

Passando por um acampamento percebe que alguns comentam, “Que menino mal-educado e preguiçoso, em cima do burro enquanto o pobre velho precisa puxar as rédeas!”

O velho resolve então colocar o menino no chão e subir no jumento. E assim continuam sua jornada.

Chegam a um lago, onde algumas senhoras lavam roupa. Logo surgem os muxoxos, “Velho explorador, já abusa da criança desde cedo, fazendo o menino caminhar enquanto descansa sobre o burro!”

Resignado, o velho manda o menino subir, e agora vão os dois sobre o burro.

Agora estão diante de um povoado e a grita é geral, “assim vão arrebentar o pobre animal, veja como o bicho arfa. Facínoras!”

Já algo irritado, o velho resolve descer do jumento, e também puxa o garoto. Agora vão todos ao chão, o animal com as costas livres.

Aproximam-se da cidade de destino, passam por uma birosca, e uns desocupados não se furtam a comentar, às risadas: “Vejam que idiotas, vão se matando no sol tendo um burro que poderia tranquilamente levá-los!”

Enfim irritado, o velho olha pro menino, “vamos resolver logo nosso negócio, antes que a gente acabe tendo que levar o burro nas costas!”

* * *


Reclamamos, praguejamos, destilamos nosso inconformismo sobre absolutamente tudo relacionado ao Flamengo. Passamos a entender de mapas de calor, diagonais de cobertura, linhas de quatro, falso nove. Mostramos nossos avançados conhecimentos de fisiologia do desporto para espicaçar o trabalho do departamento médico e da preparação física da equipe. Antenados e modernos, recitamos Ferrán Soriano e discorremos sobre gestão em futebol, nos debruçamos, ar professoral, sobre balanços e orçamentos. Especialistas em psicologia de grupo, detectamos focos de instabilidade no vestiário e a formação de grupelhos fragmentados.

Do nosso teclado, decretamos: “A administração do futebol é um desastre, e desse ano o Flamengo não escapa.”

É bem verdade que o time que o Flamengo está entregando em campo está longe, muito longe, daquilo que imaginamos aceitável e compatível com a grandeza do clube (mesmo tendo em vista que Zico, Maestro Júnior, Zizinho, Dida e mesmo Pet não voltam mais). Também é verdade que há alguns anos o horizonte flamengo em competições como o Brasileiro e a Libertadores não se estende além de mera figuração.

Também é fato que houve, a rasos olhos, equívocos crassos, especialmente quanto ao excesso de delegação de poderes aos profissionais “de campo”, como a aposta insensata em jogadores jovens e sem currículo para substituir peças-chave do time no início do ano, ou o desperdício do intervalo da Copa do Mundo, retardando a inevitável reformulação no elenco, as atrapalhadas trocas de treinadores, a incrível indecisão no aproveitamento de outros atletas, entre outras coisas. Ou a absoluta falta de comunicação e a tendência ao isolamento, fazendo administradores assumirem ares de interventores, gerando antipatia, repulsa e certa receptividade ao discurso alucinado dos que não mais se servem do Flamengo, praguejam contra os “barões paulistas” que lhes negaram a “boquinha”. Ou a falta de malícia, de traquejo, de maldade de entender que o mundo da bola é muitas vezes fluido, manhoso e precisa de uma abordagem menos acadêmica e mais pragmática.

No entanto, rebaixamos o Flamengo duas vezes. Ano passado, recitamos à exaustão a cantilena de “pior time da história”. Chegamos a abrir OITO pontos da zona de rebaixamento, surrávamos sistematicamente todos os adversários no Maracanã, derrotamos praticamente todos os principais times do campeonato, conquistamos de forma irretorquível e irrepreensível a mais disputada Copa do Brasil da história. Mas seguíamos a ladainha, “o time é ruim, não presta e vai ser rebaixado”, e ao final (mutretas e tapetões à parte), restou a sensação de que, não fosse a Copa do Brasil, teríamos brigado pelo G4. Esse ano, com um elenco do mesmo nível (hão de me desculpar, o elenco de 2014 não é inferior ao de 2013, podemos cotejar nome a nome), e o mesmo início assustador, não nos furtamos a negar qualquer capacidade de reação e cravamos de forma inapelável o rebaixamento e a condenação de todos ao fogo do inferno. Cantamos, “isso de pagar dívida é tolice, não vamos pagar imposto, não vamos pagar nada, o que importa é se salvar. Vamos trazer Robinho, Nilmar, Cristiano Ronaldo, não importa que o salário atrase, tem que ter craque. Não interessa se um Ronaldinho Gaúcho vai se arrastar em campo, o que importa é que ele é do Mengão. Queremos ostentar, e nos estão negando isso. Eles querem é rebaixar o Flamengo. Tá tudo errado, nada presta, nada funciona. Tem que trocar tudo!”.

O Joel Santana assumiu em 2007 o Flamengo na Zona do Rebaixamento. na 16ª Rodada. O Andrade recebeu um time nas posições intermediárias em 2009 na 13ª Rodada. O Jayme de Almeida, ano passado, tornou-se treinador do rubro-negro na 23ª Rodada.

Pois bem. O Vanderlei Luxemburgo chegou na 12ª Rodada.

Era pra tanto?

Boa semana a todos.

sábado, 23 de agosto de 2014

Um time de Trabalhadores



Bom dia butequeiros e leitores silenciosos, o Flamengo deu um salto da última colocação para a 13a posição do Campeonato Brasileiro, deixando toda Nação RN contente e bem mais aliviada.



Luxemburgo, nesse 1o momento, parece ter identificado as peças com as quais pode contar e, de forma eficiente, tratou logo de definir o perfil do time do Flamengo. Um time de trabalhadores, sem tanta inspiração, mas com muita transpiração. No pós jogo, o Melo sintetizou com maestria, "Tá feio de ver o Flamengo jogar. Mas tá lindo de ver o Flamengo correr."




É claro que, mal acostumados com os dourados anos 80 e exigentes que somos, acabamos por sentir falta de jogadores mais talentosos, de um time mais ofensivo e com bom toque de bola. Esta semana vi os jogos do Cruzeiro e do Corinthians e confesso que senti vontade de ver o Flamengo jogando com grande poder de ataque, troca rápida de passes na frente, movimentação e finalização.



Mas o que a nossa torcida realmente não suporta é ver um Flamengo preguiçoso, sorumbático, burocrático e que deixa de lado um dos nossos maiores valores, que é jogar com RAÇA. Nesse ponto, as saídas de André Santos e Elano foram essenciais para devolver alma ao time, que agora vem jogando com muita entrega, raça, disciplina e determinação. Basta isso pra Magnética abraçar e carregar no colo, como vem demonstrando lindamente, em verdadeiros espetáculos a parte no Maracanã. Luxemburgo tem méritos também nesse particular. 



Acredito que a Copa do Brasil não deve ser vista como uma pedra no caminho, um empecilho ou obstáculo ao Campeonato Brasileiro, mas sim como uma oportunidade para recuperar alguns jogadores que vêm jogando pouco, testar o César no gol, dar ritmo de jogo pra quem precisa etc. Mas não falo de um catadão montado às pressas, falo de um time, bem treinado, como vimos no início do ano, os chamados Flamengo B ou C (que chegaram a fazer partidas melhores que o denominado A).



Quanto ao elenco, na lista de relacionados para o próximo jogo chama atenção termos apenas e tão somente Leo Moura e João Paulo nas laterais. Não é possível que o clube se mantenha inerte em relação ao problema das nossas laterais, tampouco não tenha espaço na folha (com as últimas dispensas) para trazer 2 Wellington Silva da vida, que até o Zinho foi capaz de arrumar. Vão lá no Sul e arrumem 2 laterais marcadores, até porque o Leo Moura, com seus 36 anos, jogando 4as e domingos, daqui a pouco estoura (embora alguns 'haters' até torçam por tal acontecimento rsrs). 



Na lista também consta como meias apenas Everton, Lucas e Gabriel. Na verdade, dois são meia atacantes ou pontas (Éverton e Gabriel) e apenas um é meia de ofício. Só nos resta torcer pro Mugni engrenar, já que outra opção não há.



No momento, o importante é cimentar a recuperação, estabilizar bem o time e buscar a 1a página da tabela. 



Domingo, vamos em busca da quadra!



Bom fds a todos,


SRN!



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Metas e Indicadores

Todos sabemos que Vanderlei Luxemburgo não propriamente uma unanimidade para a imprensa esportiva em geral. Entre as muitas críticas que se faz ao treinador, uma das mais comuns é falar, com um certo deboche, dos seus “projetos”.
 
Projetos, como tudo na vida, têm características distintas que passam pela relevância, orçamento, prioridade e prazos de execução sendo que os de longo prazo, costumam ser, mas nem sempre, os mais complexos e mais importantes. E um dos aspectos que os tornam mais complicados é justamente o acompanhamento do trabalho ao longo do tempo, isto é, como saber se o trabalho está evoluindo e no ritmo desejado. Nesse meio tempo, uma outra tentação frequente é a mudança dos objetivos do projeto. Ela decorre quase sempre do desempenho acima do esperado de algum dos indicadores escolhidos para avaliação do trabalho desenvolvido. Neste momento, costuma surgir o risco de se modificar os objetivos do projeto ou aumentando metas quantitativas ou ampliando o escopo de atuação da equipe.
 
Essa pequena reflexão sobre a natureza dos projetos serve para observar o momento do Flamengo no Campeonato Brasileiro e na temporada 2014 em geral. Estamos passando exatamente pelo momento descrito acima, em que o nosso indicador de aproveitamento de pontos disparou com a marca alcançada de 4 vitórias em 5 jogos. Começam a surgir, na imprensa, no clube e, claro, entre os torcedores, as expectativas de vôos mais altos, sendo, inclusive, perguntado ao treinador na coletiva após a vitória de quarta-feira. O seco “não”, dado como resposta por Luxemburgo, mostra um pouco do cuidado que o treinador vem tendo com o seu projeto atual.
 
Os resultados em campo não permitem negar a evolução que o time alcançou sob o comando do novo treinador. A comparação com o aproveitamento do antecessor é cruel e devastadora mas podemos falar também de outros indicadores. O time que era a pior defesa do campeonato sofreu apenas 2 gols nos últimos 5 jogos. O ataque que fizera apenas 7 gols em 12 jogos fez 5 nos últimos 5 jogos, sendo 3 em cruzamentos do João Paulo. E o time, que estava emocionalmente em frangalhos quando Luxa assumiu, agora tem a confiança para sair perdendo e, com o apoio incondicional da torcida – que parou de vaiar e passou a apoiar de verdade – conseguir virar uma partida contra um adversário com jogadores mais técnicos e um time mais bem armado. Mas mesmo assim, Luxemburgo continua batendo na tecla de que ainda precisamos “sair da confusão”.
 
Pessoalmente, concordo totalmente com essa postura e busco fundamentos para ela em outros indicadores, um pouco menos objetivos que os números que, afinal, não são tudo no futebol. O time está mais compacto, mas o gol marcado por Maicossuel mostra que a recomposição da defesa ainda é muito lenta e desorganizada. As laterais continuam sendo um problema grave, tanto pela falta de qualidade defensiva, resultado do péssimo posicionamento de Leo Moura e João Paulo, quanto da inacreditável falta de reservas para as posições. O problema das laterais, sacrifica os contra-ataques, pois prende os pontas do time para ajudar na defesa. E por último a falta de entrosamento em um meio de campo cuja escalação muda a cada jogo por conta de suspensões e improvisações – especialmente nas laterais – que não permitem que esse setor do time consiga desenvolver um bom conjunto.
 
Esse time – pela primeira vez no ano podemos dizer que o Flamengo tem um time – apesar de brigador ainda é extremamente frágil para alçar vôos mais altos. A falta de peças de reposição é um risco alto que não pode ser mascarado pelos bons resultados alcançados recentemente. Se existe um projeto – não do Luxemburgo, mas do Flamengo – de longo prazo para recondução do futebol do clube a um lugar de destaque, ele deve englobar metas intermediárias que devem ser buscadas gradualmente, sem desvios de rota ou mudanças de escopo. A primeira meta é chegar a pontuação que garanta o clube na primeira divisão, e a não redução de recursos na temporada 2015. O resto, por enquanto, são miragens e tentações, sendo a Copa do Brasil a maior delas.
 
Abraços a todos e SRN!

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