Olá,
Buteco!
Depois
de uma semana de pausa, o jogo contra o Botafogo deu início a esta
semana agitada e a uma sequência de jogos bastante desafiadora.
O
maior agito ficou por conta da janela de transferências, em que o
Flamengo pareceu despertar, vendendo o Plata para o Dínamo de Moscou
e comprando duas jovens promessas, Joaquín Freitas e Anthony
Valência.
A
sequência desafiadora começou com a vitória do Mengão sobre o
Botafogo, emendou com o 2 a 0 sobre o Mirassol e vai continuar com os
seguintes confrontos, sem tempo para respirar:
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Remo, no Pará, no domingo, 06/09;
**
Independiente Del Valle, na quinta, 10/09, na altitude de Quito (aí,
sem tempo e sem oxigênio para respirar);
**
Corinthians, no domingo, 13/09, no Maraca;
**
Independiente Del Valle, na quinta, 17/09, no Maraca;
**
Bragantino, no domingo, 20/09, no Maraca.
Depois
dessa sequência pesada, virá a famigerada Super Data Fifa e o
Mengão só voltará a jogar no dia 08/10, contra o Santos, na Vila
Belmiro.
Passando
para as semifinais da Liberta, como esperamos que passe, o Flamengo
terá que jogá-las no período de 14 a 22 de outubro, em partidas
entremeadas com rodadas decisivas do Brasileirão.
Aproveitamento:
Jardim versus Abel
Com
a realização do jogo adiado da quarta rodada, o Flamengo se igualou
ao Palmeiras em número de jogos, o que permite um pequeno exercício
matemático sobre os aproveitamentos de Leonardo Jardim e Abel
Ferreira à frente dos seus times, no Brasileirão.
Sob
o comando do Abel, o Palmeiras disputou 25 jogos e conquistou 52
pontos, alcançando aproveitamento de 69,3%.
Descontadas
as três partidas que disputou sob o comando do Filipe Luís, o
Flamengo fez 22 jogos comandado pelo Calvo, nos quais conquistou 47
pontos e aproveitamento de 71,2%.
Se
a parada pudesse ser resolvida pela matemática, Abel conquistaria 27
pontos nos 13 jogos restantes, enquanto Jardim conquistaria 28,
hipótese em que ambos chegariam a 79 pontos e o campeonato seria
decidido nos critérios de desempate.
Esse
quadro ressalta algo que é muito provável: se não houver uma
grande surpresa (o Athletico Paranaense ainda persegue de perto os
dois líderes), a tendência é que o Brasileirão 2026 seja decidido
no confronto direto entre Flamengo e Palmeiras, da mesma forma que
aconteceu em 2025.
Esse
confronto, que pode decidir o campeonato com antecedência, está
marcado para o dia 22 de novembro, em São Paulo, pela trigésima
sexta rodada do campeonato.
Para
que o Mengão possa comemorar o título na casa do adversário, terá
que assumir a liderança e abrir quatro pontos até a rodada 35 e, na
sequência, vencer o Palmeiras na rodada 36.
Missão
árdua, mas não impossível, se o nosso time sustentar a evolução
que começou a apresentar depois que os convocados para a Copa do
Mundo se reintegraram ao elenco.
Um
acerto do Boto
Não
mudei de opinião a respeito do trabalho do José Boto na função de
Diretor Técnico, mas é inegável que a mudança de rota nas
contratações deu a ele a oportunidade de mostrar algum serviço
nesse campo.
Afinal,
a estratégia de venda do Plata casada com as contratações do
Valência e do Freitas foi muito bem desenhada e realizada.
Veio,
logo em seguida, a devolução do Plata pelo Dínamo, mas aí não há
qualquer culpa do nosso cetáceo dirigente, já que o episódio foi
completamente inusitado.
Pra
não deixar de criticar (rsrs), não gostei da extensão do contrato
do Alex Sandro até 2027 e do exagero na extensão de contrato do
Pulgar (2029!!!).
Só
o tempo vai dizer se houve acerto nessas decisões, mas elas vão na
contramão da diretriz de rejuvenescimento do elenco e, no caso do
Alex Sandro, a extensão adia a solução do problema da lateral
esquerda do time.
Falta
pouco para podermos fechar um balanço do nosso elenco, considerando
o antes e o depois da janela.
Aguardemos.
Os
colapsos no segundo tempo
Ótimo
primeiro tempo! Podia ter matado o jogo, mas não matou. Que segundo
tempo horrível! Tá muito mal! Vai flamengar!
Quantas
vezes já dissemos, ouvimos ou lemos essas frases em jogos do
Flamengo, atuais e antigos?
Sampaoli
sempre reclamava da falta de contundência do nosso ataque e, sem
precisar puxar muito pela memória, tempos depois o Flamengo do Tite
e o do Filipe viveram essa síndrome que agora assombra o time do
Leonardo Jardim.
Como
não sou especialista em análises táticas, fui ouvir e ler opiniões
de alguns profissionais, a fim de tentar encontrar diagnósticos para
essa síndrome que, entra ano e sai ano, coloca em risco alguns
títulos do Flamengo.
Além
disso, li enorme quantidade de comentários dos participantes do
Buteco, durante e após as partidas porque, embora sob o domínio da
paixão, a voz do Buteco tem muito saber sobre o time do Flamengo.
Apresento,
então, algumas explicações, para que vocês possam refletir um
pouco mais sobre o assunto.
As
citações a seguir não reproduzem exatamente as falas, mas, sim, o
sentido de cada afirmação feita pelos profissionais Pedro Ivo
Almeida, Fabrício Chicca, Rodrigo Mattos, Rapha (do Falando de
Tática) e pela galera do Buteco.
Pedro
Ivo Almeida, da ESPN:
Quando
o Flamengo encaixa seu jogo, fica num patamar muito acima de qualquer
adversário do campeonato.
Leandro
Machado, no post “Checkpoint Brasileirão – Blocos 5 e 6”:
“O
Flamengo atual é, de longe, o time que apresenta o melhor futebol do
país”.
Esses
diagnósticos indicam que algo essencial foi alcançado: o time atual
do Flamengo consegue jogar um grande futebol e, quando isso acontece,
impõe-se aos adversários.
O
problema tem sido não conseguir sustentar esse nível de desempenho
no segundo tempo.
Reparem
que, quando o Flamengo se impõe, cai por terra a possível tese de
que Jardim não consegue montar o time para um jogo de imposição.
Jogos
recentes mostraram que ele é capaz de fazer isso, inclusive em
clássicos fora de casa, como aconteceu em partidas contra o
Cruzeiro.
As
críticas prendem-se, então, a facilidades que o time proporciona a
adversários, mesmo quando domina o jogo, e se ampliam quando nossa
linha de ataque colapsa e leva o time a recuar, o adversário sobe
suas linhas e passa a nos pressionar e Jardim não dá solução para
o problema ou demora a aplicá-la.
Sigamos
com os comentários e diagnósticos que pesquei.
Rodrigo
Mattos, em live pós-jogo contra o Botafogo:
Time
muito mal no segundo tempo, Botafogo melhor, ganhando todas as
segundas bolas e todas as divididas.
O
Flamengo venceu, mas Leonardo Jardim não foi bem nessa tarde, porque
deixou o jogo rolar por meia hora de domínio do Botafogo “e ele
olhando, com aquela roupa que parece pijama”.
A
primeira mudança foi o Paquetá
(substituiu Luiz Araújo aos 11 do segundo tempo), mas
claramente devia ter mudado uns três naquele momento, alguém no
lugar do Pedro e poderia ter tentado outros jogadores, por exemplo o
Carrascal, que entrou jogando bem.
Entrevista
do Jardim: com o time mais “fresco”, definimos a partida. Por que
não entrou com um time mais fresco quinze ou vinte minutos antes?
Leitura lenta. Depois do Paquetá, só mexeu por volta dos 30.
Mesmo
no primeiro tempo, o Flamengo marcava mal a saída de bola do
Botafogo, que conseguia sair jogando várias vezes. O Flamengo dava
chances ao Botafogo.
Gustavo
comentou, no post de segunda-feira, “Tabu Quebrado, com 6x0 no
Agregado”, que
“o
Botafogo assustou no primeiro tempo com contra-ataques perigosos,
apesar do maior volume de jogo do Flamengo e da tradicional usina de
gols perdidos”.
Voltando
ao Rodrigo Mattos:
No
segundo tempo, não ganhava uma bola. Arrasca e Pedro já com
condições físicas que não conseguiam disputar uma bola, aí
sobrava para o meio de campo.
Jorginho
e Pulgar são ótimos tecnicamente, mas não dá pra termos um jogo
em que o adversário venha conduzindo a bola pra cima deles.
Tem
que ser uma bola pressionada, em que o Pulgar é rei e o Jorginho
também se antecipa em todas.
Agora,
se deixar o adversário vir conduzindo, aí é um terror. Foi o que
aconteceu durante trinta minutos do segundo tempo.
Botafogo
pressionando, Lino já cansado, dobravam no Ayrton Lucas, facilidade
pra cruzar, muita bola na nossa área.
Fabrício
Chicca, na mesma live, concorda com o Rodrigo Mattos e acrescenta:
O
Flamengo perde o controle do jogo quando o time cansa.
Idade
dos jogadores, algumas questões individuais (devia
estar pensando em Arrasca e Pedro),
o Lino cansa no segundo tempo e não consegue acompanhar a dobra no
Ayrton Lucas.
Chicca
levantou a hipótese de substituição do Lino, mas eu me inclino a
considerar que seria melhor substituir logo o Arrascaeta porque,
enquanto o camisa dez sobrecarrega nossos volantes e também já não
rende bem no ataque, o Lino cansa de fazer a proteção ao lateral,
mas continua atacando bem pelo meio, como mostrou nos minutos finais
do 3 a 0 sobre o Botafogo, quando fez o segundo gol e participou do
terceiro.
Rodrigo
Mattos ainda completou:
Não
mata o jogo: muito preciosismo, principalmente do Pedro. Teve uma
ótima chance pra chutar, mas preferiu dar um toque de lado. Podia
perder, como perdeu duas contra o Cruzeiro, mas tinha que chutar.
De
fato, esse lance é emblemático e me faz pensar o que pode estar
passando pela cabeça do Pedro quando prefere tentar um drible
improvável, num lance em que a bola está pedindo pra ser chutada.
Trazendo
outra explicação para o problema do segundo tempo, o Rapha, do
Falando de Tática, postou durante o jogo contra o Mirassol:
“Um
ponto de atenção para o Flamengo, que ninguém está comentando. A
qualidade da saída de bola caiu. Nos 3 jogos contra o Cruzeiro e
também contra Botafogo e Mirassol, quando o adversário subiu o
bloco de forma mais intensa encaixando individual, a equipe teve
muita dificuldade pra sair jogando. A queda de produção nos
segundos tempos passa muito mais por isso do que por qualquer outra
questão.”
@KakkaLucas
ponderou:
“Contra
o Cruzeiro a saída de bola tava funcionando, principalmente no jogo
do Brasileirão em Minas.”
Rapha
respondeu:
“Até
o momento que o Cruzeiro avançou e encaixou individual. Repare que
eu não disse que a saída de bola está sempre ruim, mas sim que o
time está tendo dificuldade quando o adversário encaixa individual.
É diferente.”
Temos,
então, um cardápio variado de diagnósticos, alguns claramente
interligados ou complementares.
Resumindo
o que andei pescando a respeito, entre opiniões de profissionais e
as muitas participações da galera do Buteco:
**
No primeiro tempo, Arrascaeta e Pedro ajudam um pouco na marcação
da saída de bola adversária, mas deixam de ajudar no segundo,
supostamente por não terem condicionamento físico para manter essa
função.
**
Disso resulta que nossa dupla de volantes fica exposta e lida mal com
essa exposição, que não acontece apenas quando o time cansa. Até
no primeiro tempo das partidas em que o Flamengo consegue fazer um
jogo de imposição, o time dá espaços para construções perigosas
dos adversários.
**
Quando Lino cansa e para de proteger o lateral esquerdo, o problema
aumenta, porque o adversário pode completar seu repertório de
ataque com dobras sobre o Ayrton Lucas e, tendo espaços e muita
liberdade de movimentos na nossa intermediária, pode realizar
jogadas de construção pelo meio e cruzamentos sucessivos com a bola
descoberta.
**
Quando, pelo colapso físico da nossa linha mais alta, o adversário
ganha confiança, sobe suas linhas e encaixa a marcação individual
sobre nossos construtores, a nossa saída de bola passa a funcionar
mal, como comentou o Rapha.
**
Jardim demora demais a mexer no time, levando-o a conviver por muito
tempo com o risco de derrotas ou, no mínimo, da perda de pontos
preciosos para nossas pretensões de títulos.
Aparentemente,
a mexida mais óbvia, necessária em qualquer segundo tempo, é
Jardim substituir Arrascaeta, ou Pedro, ou os dois, logo que o time
começar a ceder campo para o adversário.
Do
meio para a frente, a escalação preferencial do Flamengo tem sido
Pulgar, Jorginho, Arrascaeta, Carrascal, Pedro e Samuel Lino.
Sobram,
como opções “bem votadas” para o segundo tempo, Evertton,
Paquetá e Plata, além dos menos votados Saul, Luiz Araújo, Bruno
Henrique e Lorran e dos garotos Valência e Freitas.
Considerando
o quanto o time costuma decair no segundo tempo, entendo que Leonardo
Jardim deve passar a deixar as substituições engatilhadas desde o
intervalo (substitutos escolhidos e aquecidos, para que a mudança
seja feita ao primeiro sinal de declínio do time e de cessão de
espaço ao adversário).
Afinal,
estamos num fio de navalha: conseguimos ter um timaço no primeiro
tempo, mas ele vem derretendo no segundo e a queda de rendimento do
Arrasca e do Pedro é causa apontada por todos ou quase todos os
analistas.
Se
não lidarmos corretamente com isso, vamos colocar em risco a
conquista do Brasileirão, competição em que o Flamengo tem as
maiores chances de chegar ao título.
Se
liga, Jardim!!!
Saudações
Rubro-Negras!!!
Carlos César Ribeiro Batista