quinta-feira, 24 de abril de 2014

Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos,

Com o início do Campeonato Brasileiro e a aparente intenção da diretoria de, ao menos nesse primeiro momento, investir em jogadores baratos e com (teórico) potencial de retorno, novamente se suscita uma polêmica acerca da validade desse tipo de estratégia.

Assim, penso ser interessante recorrer à história para analisar três momentos vitoriosos do rubro-negro, que redundaram nas equipes vencedoras em 80-83, 86-87 e 91-92.

Nessa série, serão mostrados jogadores que vieram ao Flamengo como investimento de baixo custo, trazidos de equipes menores ou recrutados das divisões de base, com o objetivo de compor o elenco e, talvez, crescer ganhando destaque.

Com um pequeno porém.

Serão listados os jogadores que, dentro desse contexto, não deram certo, ou tiveram um sucesso apenas relativo. Os que ficaram pelo caminho, sem conseguir (pelo menos no Flamengo) alçar voos que os levassem ao caminho do protagonismo pleno.

Essa semana, listo a primeira parte, com as apostas do período do tri brasileiro (e demais conquistas da época).

AS APOSTAS ESQUECIDAS – PARTE I (1980 a 1983)

GOLEIROS

HÉLIO (1980)
Revelação das divisões de base do Flamengo nos anos 1970, foi emprestado a Cruzeiro e América-MG para ganhar experiência. Finalmente em 1980 acabou incorporado de vez ao elenco flamengo, como terceiro goleiro. Chegou a atuar em algumas partidas, mas nunca desfrutou da confiança de Cláudio Coutinho, a ponto do treinador solicitar a contratação emergencial de outro goleiro ao constatar que o reserva Cantarele, atingido por uma lesão, ficaria um tempo afastado. Desprestigiado, acabou envolvido na negociação que trouxe o meia Lico para o clube, vindo do Joinville. Encerrou a carreira precocemente na equipe catarinense, iniciando a seguir carreira de treinador, com algum mercado em centros menores.

LUIZ ALBERTO (1981-1983)
Com a saída de Hélio, foi contratado pelo Flamengo para compor o elenco como terceiro goleiro. Revelado no Bangu, vinha de passagens elogiadas por clubes como Campo Grande e América-SP. No Flamengo atuou em algumas poucas partidas, onde mostrou qualidades, como elasticidade e muito arrojo, mas não conseguiu prosperar em uma posição dominada pelos experientes Raul e Cantarele. Com o anúncio da aposentadoria de Raul, as consequentes contratações de Fillol, Abelha e a ascensão de Hugo, sentiu-se desmotivado e resolveu encerrar a carreira, aos 30 anos. Tornou-se preparador de goleiros (com passagem pelo próprio Flamengo), e recentemente integrou a comissão técnica do Botafogo dirigido por Oswaldo de Oliveira.

* * *

LATERAIS

GILSON PAULINO (1980)
Com a venda de Toninho Baiano para o futebol árabe, o Flamengo precisou reforçar a lateral-direita, posição em que só contava com o bom Carlos Alberto e o ainda jovem Leandro. Assim, do Vasco, por empréstimo, veio Gilson Paulino, jogador experiente, com passagens por Atlético-MG e Coritiba. Recebeu algumas oportunidades em uma excursão do Flamengo à Europa, logo após o título brasileiro. Mas não esteve bem, sendo particularmente criticado na desastrosa participação rubro-negra no Torneio Teresa Herrera. Com isso, perdeu espaço inclusive para Leandro, tornando-se a terceira opção do elenco. Ao final do ano, foi devolvido ao Vasco. Após experiência no futebol mexicano, apareceu em 1983, fazendo parte do famoso Bangu de Marinho e Arturzinho.


NEI DIAS (1981)
Irmão do atacante Nilson Dias (que fez algum sucesso no Botafogo), atuava no XV de Jaú-SP quando foi indicado por Dino Sani para compor o elenco do Flamengo em 1981. Com a lesão de Carlos Alberto, ganhou algumas oportunidades até perder a posição para Leandro. Lateral vigoroso, bom marcador e razoável no apoio, foi peça importante na reta final da temporada, atuando na equipe enquanto Leandro era improvisado no meio-campo. Mas, sem espaço e querendo jogar, conseguiu ser negociado com o Fluminense, onde teve passagem discreta. Foi titular do Brasil de Pelotas que chegou às Semifinais do Brasileiro de 1985, eliminando, entre outras equipes, o próprio Flamengo.

DJALMA BRAGA (1982)
Destaque no Matsubara-PR, chegou emprestado ao Flamengo para a reserva de Leandro, repondo a saída de Nei Dias (Carlos Alberto seguia lesionado). Atuou em alguns amistosos, não agradou e ao final do ano acabou devolvido aos paranaenses.

ANTUNES (1978 - 1982)
Jovem revelação das categorias de base, oriundo da Cruzada de São Sebastião, era um jogador habilidoso, capaz de atuar nas duas laterais. Depois de alguns anos de espera, enfim teve sua grande chance em 1982, justamente durante a partida final do Brasileiro, contra o Grêmio no Olímpico, após contusão de Leandro. Apesar do início meio vacilante, saiu-se bem, não se intimidando com a assombrosa fogueira. O bom desempenho deu-lhe prestígio, e Antunes se tornou a segunda opção para a lateral, sendo bastante utilizado no Estadual, onde marcou até gol. Mas seu temperamento difícil e pouco disciplinado acabaram lhe tirando espaço no elenco. Sua carreira degringolou, e Antunes acabaria atuando em equipes do Norte-Nordeste. Faleceu em 1996, aos 37 anos, encerrando sua triste história.

COCADA (1983)
Grandão e desengonçado, veio emprestado do Operário-MS para a disputa do Campeonato Brasileiro, anunciando que seria ídolo. Andou marcando alguns gols e mostrando potencial ofensivo, mas sua completa inoperância defensiva acabou abreviando sua carreira no clube. Acabou devolvido, e mais tarde se tornaria célebre ao marcar o gol do título do Vasco na decisão do Estadual de 1988.

* * *

ZAGUEIRO

MANGUITO (1978-1981)
Trazido do Grêmio Maringá (por engano, segundo várias e respeitáveis vozes), o estabanado e voluntarioso zagueiro protagonizou muitos momentos em que deixou o torcedor flamengo à beira de sérios colapsos nervosos, como no célebre último lance da Final do Campeonato Brasileiro de 1980. Sua forma peculiar e extravagante de jogo o posicionou sempre como a segunda ou terceira opção do elenco para o setor. Uma lesão acabou abreviando sua carreira, em 1981. Faleceu em 2012, vítima de infarto.

* * *


VOLANTE

LINO (1978-1981)
Revelado no Ypiranga-BA, chegou ao Flamengo com o status de grande revelação. Mas, apesar de seu jogo tático e da facilidade em chegar ao ataque, não conseguiu vencer a concorrência de nomes como Andrade, Carpegiani e Vítor. Depois de ser emprestado inúmeras vezes, teve sua grande chance justamente no Brasileiro de 1981, em que o Flamengo vivia um momento turbulento. Utilizado como quebra-galho (chegou a ser improvisado na ponta-direita), não agradou e perdeu definitivamente o espaço, sendo a seguir negociado. Apareceu com destaque no Atlético-PR, Santos e Palmeiras, anos mais tarde.

* * *

MEIAS

ADERSON (1980)
Revelado no futebol amazonense, andou sendo utilizado em alguns amistosos em 1980, sendo devolvido ao final do empréstimo. Meia técnico e algo lento, não prosperou na posição mais concorrida do time. Não levou a carreira adiante, priorizando seus estudos na Faculdade de Medicina, em que se formou.

PEU (1981-1983)
Grande destaque do CSA-AL (Vice-campeão da Taça de Prata de 1980), chegou ao Flamengo cercado de esperanças (os mais afoitos o comparavam a Dida). No Brasileiro de 1981, até conseguiu, em alguns jogos, cravar gols e boas atuações, substituindo de forma aceitável o craque Zico, que servia à Seleção nas Eliminatórias. Com a volta do Galinho, tornou-se um coadjuvante mais conhecido pelas piadas com que se divertia e animava o elenco. Em 1982, uma lesão de Nunes o fez atuar improvisado como centroavante, função que conseguiu exercer muito bem em algumas partidas (é célebre a antológica atuação nas Semifinais do Brasileiro, contra o Guarani no Maracanã). No Estadual começou bem, mas caiu de produção junto com o time e acabou emprestado ao Atlético-PR ao final do ano. No segundo semestre, foi tentado como opção para o lugar de Zico, mas (como era previsível, dado o caos vivido na Gávea) não deu certo e ao final do ano foi vendido para o Santa Cruz.

(CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA)


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Deixa o homem trabalhar...


Nos primeiros anos deste século, o time do Flamengo teve em seu comando a incrível marca próxima dos 20 treinadores, o que não foi refletido em equipes melhores ou mais competitivas. A fórmula mambembe "para cada má fase um técnico diferente", dos mais badalados aos interinos. pouco produziu de interessante dentro de campo. Ironicamente, nesse espaço de tempo, as melhores e maiores conquistas aconteceram sob o comando dos profissionais sem grife no mercado. Andrade sagrou-se Campeão Brasileiro, em 2009, e Ney Franco e Jayme de Almeida levantaram a Copa do Brasil, em 2006 e 2013, respectivamente;

Nomes de peso na vitrine do futebol brasileiro e de milionários salários como Abel Braga, Cuca, Celso Roth, Vanderlei Luxemburgo e Dorival Júnior nada ganharam de relevante para o clube, no cenário nacional, e foram dispensados sem a possibilidade de realizarem um trabalho ao longo de um bom tempo, obedecendo a esdrúxula praxe ditada pela impaciência, que levou os dirigentes a formularem diagnósticos errados para cada caso e atenderem aos reclamos emocionais da torcida;

O atual treinador, Jayme de Almeida, está longe de ser um Pep Guardiola tupiniquim, que a todos encanta, porém, dentro das quatro linhas, encontra-se muito próximo dos "professores" acima citados, alguns bons nos verbos após as partidas disputadas para justificar atuações medíocres de suas equipes e até no marketing pessoal, fator no qual o velho zaqueiro rubro-negro não tem por hábito investir;

Se perguntarem a um quero-quero, que frequenta as laterais do gramado do Maracanã qual o persistente problema do Flamengo, de primeira o pássaro responderá o que todos sabem na ponta da língua: o elenco mal montado, algumas vezes por contratações caras e equivocadas, casos recentes de Diogo, Deivid e Carlos Eduardo e, em outras ocasiões, por questões relativas ao necessário aperto financeiro para reestruturar o clube depredado por irresponsáveis administrações que ficaram no passado para sempre, também casos recentes de Val, Diego Silva, Bruninho e outros que nem vale a pena a triste lembrança técnica;

Evidentemente que sobra para o técnico de plantão extrair de um elenco fraco um time decente e disputador de títulos, compatível com a gloriosa história do Flamengo e com as necessárias exigências de sua gigante torcida. Como Jayme ainda não realiza "milagres", e não reconheço em nenhum profissional que atue no futebol brasileiro condições para tal, esse time desejado não será feito, dando margem para os torcedores pressionarem ainda mais por sua dispensa, atendendo ao padrão estabelecido, que também será válido para o próximo treinador, se for o caso, o que espero que não aconteça. É preciso aprender com o passado, que ainda se encontra logo ali, voltando um pouquinho no tempo;

Abro exceção para uma mudança abrupta, quebrando a reserva de mercado, contra treinadores estrangeiros, existente no Rio de Janeiro: a contratação de um treinador estrangeiro reconhecidamente competente, hermano ou não, para a realização de um trabalho a médio/longo prazos, inclusive nas divisões de base, um verdadeiro calcanhar de Aquilles desde a década de 90.

E os amigos do Buteco, o que acham disso?

SRN!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Intercâmbio: Bom pro Time, Bom pro Clube


Gosto muito do Jayme de Almeida, cara boa praça, parece agregador, trabalhou bem a carência de um time abandonado por um medalhão ex-seleção, torço demais por ele, mas minha paciência com o treinador já se foi. Seu trabalho não é bom, mesmo com resultado. Futebol não é só isso. O Flamengo tem jogado mal. Sofrido. Tenho certeza que a culpa não é só dele, não mesmo. Falta um pouco de estrutura para o clube e essa parte importante da engrenagem, o treinador não tem funcionado bem, principalmente com os “rachões” semanais...

Mesmo com essa “consideraçãozinha”, lembro que em Novembro, mesmo antes da finalíssima da Copa do Brasil foi dito que Jayme iria para a Europa para um intercâmbio, outra promessa não cumprida. Ao menos não tenho conhecimento de nenhuma viagem do treinador. Nesse ano atípico, fico pensando o que fazer durante a copa. Repito: o que fazer durante a copa? Tenho certeza de que um intercambio seria a situação ideal para que o Flamengo cresça como instituição e como time, para a disputa do campeonato brasileiro, depois de uma copa do mundo no Brasil.

Em 2014 o Brasileirão para por 12 dias antes do início da copa do mundo, por esse motivo daria férias de 10 dias para o elenco e 5 para o Jayme e comissão técnica com aquele motivo: fazer uma “maldade” posterior. Para voltar nos cascos e estreitar relações com a Adidas e com clubes também patrocinados por ela “mandaria” o Flamengo um mês para a Europa passando por cidades específicas. Faria uma programação com testes exames clínicos, físicos e técnicos no QG da Adidas, oferecido e posto a disposição em contrato. Pois bem, não ficaria apenas em um lugar: 
  • Dia 11/06 ao 26/06, Alemanha – 15 dias (QG Adidas, Bayern Munique)
  • Dia 27/06 ao 03/07 na Itália – 7 dias (Milan)
  • Dia 04/07 a 10/07 na Inglaterra – 7 dias (Chelsea)
  • Dia 11/07 – Retorno ao Brasileiro
  • Dia 16/07 – Partida contra o Atlético-PR no Maracanã.

Essa “gira” europeia de 30 dias traria muitos benefícios ao clube, só não tenho certeza de que seria fácil construí-la, com o agravante de ser verão no continente, férias. Ótimo para reapresentar ao clube, mesmo que de modo inicial. Bom para se tentar estabelecer parcerias técnicas e estruturais. O Flamengo deve aproveitar as portas que foram abertas, pontes a se construir, mesmo que seja meio às pressas, deve-se tentar. Vejamos algumas possibilidades:

  • Com elenco fechado para o Campeonato Brasileiro (30 atletas), viajaria para uma experiência única para os atletas, dirigentes e profissionais do clube;
  • Contato com outra cultura  e estreitamento de relacionamentos
  • Possibilidade de amistosos e a preparação (jogos-treino) com clubes menores, regionais;
  • Voltar para o Brasil com muitas informações do que acontece por lá;
  • Deixar funcionários para treinamento, que possam formar e treinar funcionários aqui;
  • O intercâmbio é sempre ótimo para as duas partes, falta isso Seria o pulo do gato para o novo Flamengo;
  • Trazer profissionais europeus para tentar adaptar as estruturas existentes aqui. Nada de copiar e colar. Isso não funcionará em lugar algum;
  • Abrir espaço para treinamento de inter-temporada nos clubes Adidas; Entre dezenas de outas oportunidades.

Logico que o custo dessa turnê não é baixo, mas o ganho no médio prazo e na preparação poderá compensar. Manter de 40 a 50 pessoas na Europa por um mês é complicado, mas nada absurdo para os padrões do clube. Abre-se a possibilidade de aprender para formar e preparar melhor com o que há de melhor em cada cultura e clube. Ex.: Marketing e licenciamento com Real Madrid e Chelsea, estrutura e pesquisa com Bayern e Milan e formação e base com Ajax e Benfica. Penso ser uma boa oportunidade. O que vocês acham da ideia?

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Preparem-se Para um Longo Ano...



Buongiorno, Buteco! Sofrimento sem fim. É a minha previsão para o Brasileiro/2014; o que nós, torcedores do Flamengo, suportaremos nesse campeonato. A coisa está feia, amigos. Tenebrosa mesmo. Prestes a encerrar o primeiro quadrimestre do ano, o Flamengo não teve uma atuação convincente sequer e, pior, parece jogar mal com maior frequência à medida em que o tempo passa. A análise do desempenho do time, seja na parte tática, seja de acordo com o nível dos adversários, não resiste aos fatos. Na Libertadores, ao enfrentar adversários um pouco mais fortes do que os do Estadual, sucumbiu; no estadual, fora os adversários de pequeno porte, nos clássicos só conseguiu jogar melhor do que os reservas do Botafogo. E na estreia do Campeonato Brasileiro, enfrentando o  fraco e enfraquecido Goiás, eliminado na Copa do Brasil pelo "temível" Botafogo/PB e derrotado pelo quase rebaixado para a Série C Atlético/GO na final do Campeonato Goiano, o time conseguiu jogar noventa minutos e só levar perigo ao gol adversário por uma única e solitária vez. Apresentando um futebol burocrático, sem um mínimo de inspiração e que conseguiu irritar a paciente torcida de Brasília, o Flamengo não saiu de um frustrante e insosso 0x0.

Taticamente, não há dúvidas de que Jayme ainda insiste na revitalização do esquema de 2013, campeão da Copa do Brasil. O time, porém, não joga com a mesma velocidade e nem tampouco tem a mesma capacidade de pressionar o adversário na base do "abafa". Mas o pior, para mim, é a insistência em "recriar" o Carlos Eduardo nas figuras de Lucas Mugni ou de Mattheus (aliás, as notícias dando conta que o clube procura um jogador "com as características do Carlos Eduardo" cada vez mais fazem sentido para mim). Ao testemunhar, mais uma vez, desta feita ao vivo e a cores, Lucas Mugni jogar bastante adiantado e praticamente "colado" em Alecsandro, de costas para a marcação, comentava com os amigos que estavam ao meu lado se tal posicionamento se devia a uma preferência do atleta ou a orientação do treinador. Minha dúvida se dissipou ao constatar que Mattheus, ao substituir Mugni, posicionou-se em campo de idêntica forma que seu antecessor. O resultado é um buraco no setor de criação, contornado por chutões para a frente e dificuldade extrema em executar tabelas a partir da intermediária do adversário. Mais curioso ainda foi constatar que, todas as vezes em que recuou e jogou de frente para o meio e a defesa do adversário, Mugni conseguiu superar a ansiedade e produziu algumas boas jogadas. Com uma jogada individual, dele partindo desde a intermediária com a bola, de frente para a marcação, o time teve sua melhor oportunidade na partida.

Quanto ao resto do time, é preciso lembrar que o Goiás praticamente não ameaçou o Flamengo, à exceção de alguns lances no final. Sua estratégia de jogo foi, claramente, sair com um empate do Mané Garrincha, inclusive recorrendo ao artifício da catimba sem pudor. Dentro desse contexto, ressalto que Leonardo Moura fez uma boa primeira etapa, mas visivelmente se cansou na segunda; Everton foi seguro defensivamente, mas inoperante no apoio, e Márcio Araújo importante na marcação pelo meio. Luiz Antonio foi o melhor no meio de campo, ficando claro que ele e Leonardo Moura são os jogadores mais técnicos da equipe. Já Paulinho, na minha opinião, é o novo "dono" do time. As jogadas no primeiro tempo foram nele exageradamente concentradas, fato que diminuiu de frequência no segundo tempo. Mas me pareceu bem claro que o time o procura como solução para os momentos de aperto. Vejo-o como um excelente coadjuvante mas não como um jogador que possa ter a função de ditar o ritmo do jogo ou mesmo no qual se possa concentrar a função de criação da equipe.

No final das contas, acho que o time ontem até teve um desenho tático, o qual contudo se mostrou previsível e estático. Jayme chegou a inverter Paulinho e Everton no setor esquerdo no final do primeiro tempo, mas voltou ao esquema iniciou a partida na segunda etapa e aos seus efeitos inoperantes. Gabriel começou na direita, mas inverteu com Paulinho e foi para esquerda, para posteriormente voltar para a direita. A despeito das inversões de posição, o time não girava e tampouco criava. Por isso Alecsandro ficou isolado e pouco participou do jogo.

Parece-me que o modelo tático que Jayme tanto insiste em implantar no Flamengo dificilmente dará certo com os atuais jogadores do elenco. E mesmo quem não concorda com essa assertiva há de reconhecer que o problema não está simplesmente na falta dos resultados, mas no que o time (não) têm produzido em campo, seja em termos efetivos, seja em nível tático.

Afinal de contas, o elenco é não tão bom como se imaginava ou falta algo ao trabalho do nosso treinador em 2014? A verdade está no meio ou em uma dessas alternativas? Gostaria de saber a opinião d@s amig@s do Buteco a respeito.

SRN a tod@s.

domingo, 20 de abril de 2014

Flamengo x Goiás


Campeonato Brasileiro - 2014 - 1ª Rodada 

FLAMENGO - Felipe; LeonardMoura, Wallace, SamiÉverton; Amaral, Márcio Araújo, Luiz Antonio e Mugni; Paulinho e Alecsandro. Técnico: Jayme dAlmeida. 

Goiás - Renan; Vítor, Jackson, Pedro Henrique e Lima; Amaral, David, Thiago Mendes e João Paulo; Richely e Léo Bonatini. Técnico - Ricardo Dubrscky.

Data, Local e Horário: Domingo, 20 de abril de 2014, as 18:30h (USA ET 17:30h), no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília/DF.

Arbitragem: Anderson Daronco (RS), auxiliado por Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Carlos Augusto Nogueira Junior (SP).



sábado, 19 de abril de 2014

Vai começar o Brasileirão 2014...


Vai começar o Brasileirão 2014...

Começa hoje a Série A do Brasileirão com 20, não, pera, 21, ou seriam 22, não sei, talvez 24 times, ninguém sabe dizer ao certo. Certeza, apenas uma, será confuso, como foi o jogo de ontem da Portuguesa. Tudo pra salvar o timeco "virador de mesa" e por conta da estúpida entidade (des)organizadora do Futebol Brasileiro, que simplesmente se nega e foge da responsabilidade de manter um sistema único, oficial e eficiente, capaz de validadar a escalação de jogadores. A riquíssima e podre entidade quer apenas e tão somente ouvir o próprio cofre tilintar.

Mas o que nos interessa é o Flamengo. Qual Flamengo disputará esse Brasileiro? Após uma eliminação precoce e pra muitos vergonhosa na Libertadores e ao fim de um Estadual tedioso, mas, digamos assim, extremamente divertido em seus minutos finais, o Flamengo fará sua estreia em Brasília, contra um enfraquecido Goiás.

A primeira questão que surge diz respeito a mandar jogos fora do Rio. Particularmente, penso que toda e qualquer oportunidade que tivermos para dar uma banana pro Consórcio que nos achaca é bem vinda, embora já previso em contrato um número determinado de jogos em que o CRF pode - vejam bem a que ponto chegamos - mandar seus jogos em outro lugar, que não o Maracanã(lha). Porém, é fato que em tais iniciativas o fator mando se perde bastante e apenas times realmente consistentes devem se aventurar a tais excursões Brasil afora. Existe a questão também do clube estar precisando de dinheiro, então há prós e contras, que devem ser sopesados. O que eu jamais gostaria de ver se repetir foi o que ocorreu no errôneo e cretinamente chamado jogo de "Despedida do Neymar", em que nossa torcida por pouco (e até hoje a história ficou muito mal contada) não "doou", salvo engano, cerca de 7 milhões pro Santos. Dinheiro que sai da carteira do torcedor rubro-negro deve ir pro Flamengo e não para outros times adversários e rivais se reforçarem.

Quanto à consistência do time, realmente vejo um cenário preocupante, pois vamos estrear no dia 20 abril e até esta data, em 2014, não consegui ver um único jogo em que o time jogou bem e ganhou de forma convicente. O Flamengo está jogando mal, muito mal e novamente o cenário é o velho e repetido "trocar o pneu com o carro andando". Acho que temos um elenco que pode jogar e render mais, embora algumas carências sejam óbvias, como é o caso da lateral esquerda. Começaremos o campeonato com um jogador improvisado na posição, Éverton, que tem sido importante do meio pra frente. No entanto, chega a ser incrível como ele sabe se posicionar melhor que nossos laterais de ofício, embora não tenha jogado 90min nessa posição, o que dificulta a avaliação.

Nos últimos dias tivemos notícias de contratações, dois centroavantes e um zagueiro. De certa forma surpreendentes, pois estamos bem mais carentes em outras posições, dando a entender que Hernane e um dos nossos zagueiros nos darão adeus, num futuro breve. Desde que não se esqueçam das posições em que a necessidade de contratar é maior, as apostas podem ser válidas. Claro que todas devem ser feitas com muito critério, após intensa observação e, principalmente, através de contratos de empréstimo com possibilidade de compra ao final e com valor pré-definido.

Algo que me anima é a raça e a entrega que a maioria dos nossos jogadores demonstra em campo. Principalmente jogadores como Everton, Cáceres, Amaral, Paulinho, Hernane, Wallace, Samir etc. São jogadores ainda em busca de afirmação na carreira e que dão sempre um algo a mais. Não podemos perder de vista a característica de time operário, que corre e luta para superar as próprias limitações, pois hoje a nossa realidade é essa. Sempre fica a esperança também do time engrenar, ganhar corpo, confiança etc. 

O certo é que nunca, jamais, devemos desacreditar, duvidar e dar como morto o Flamengo (é até muito bom quando a mídia assim o faz). Afinal, quem é rubro-negro sabe o verdadeiro sentido da expressão "Flamengo é Flamengo".


Somos Hexa e ninguém tira! Queremos o Hepta


Bom feriadão para todos,

SRN!!



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Alfarrábios do Melo


Meu pequeno vascaíno,

O que há? Ainda tá assim?

Venha cá, larga esse lenço. Já tem quatro dias, chega de lamúria. Senta ali, vamos bater um papo, você já é um homenzinho. Isso, beleza. Limpa essa cara.

O que houve?

Flamengo? Só ganha roubado? Vasco só perde no apito? Então, tá.

Tá na hora de você ouvir umas coisas. Umas verdades.

Eu já perdi campeonato roubado, sabia? Já fui eliminado no apito, também. Perdi título com gol impedido (1995), com gol de jogador empurrando (1989), saí da Copa do Brasil com gol irregular (1999), da Libertadores com juiz que não deu pênalti (2007). Tudo isso e muito mais, se apertar um pouco.

Mas não é do Flamengo que eu quero falar, embora seja seu assunto preferido.

Vocês, vascaínos, adoram falar em ética e se vitimizarem. Não faz essa cara que é verdade. Vivem se intitulando guardiões da moral e dos bons costumes, sempre o coitadinho que precisa enfrentar esse mundo mau.

Vou te lembrar uma historinha. Você sabe o que aconteceu em 1974? Isso, isso, campeão brasileiro, né? Que orgulho, que conquista maiúscula...

Pois naquele ano o campeonato foi decidido num quadrangular, lembra? E que o Vasco tinha a pior campanha dos quatro. E que por isso tinha que fazer seus três jogos fora de casa. Mas estranhamente acabou fazendo dois jogos no Maracanã. Por conta disso, chegou ao fim empatado com o Cruzeiro (que era o melhor time do campeonato, melhor campanha) em pontos. E, por isso, deveria haver um jogo extra.

No Mineirão.

Mas o Vasco conseguiu levar o jogo pro Maracanã, lembra? Alegou que dirigentes do Cruzeiro invadiram o gramado (nem vou falar do pênalti escandaloso que não marcaram contra o Vasco nesse jogo, o que gerou a confusão) e por isso tinha que perder o mando de campo. E assim foi feito, na canetada, sem nem passar pelo STJD.

Você dirá, “ah, mas estava no regulamento”. Certo. Voltaremos a essa parte.

E aí a CBD do vascaíno Heleno Nunes marca o jogo para o Maracanã, com arbitragem do carioca Armando Marques. O jogo é bom, disputado, o Vasco marca dois gols em lances duvidosos, um anulado, o outro não, e vai vencendo por 2-1. Aí, aos 42 do segundo tempo o Cruzeiro empata, num gol de cabeça de Zé Carlos (mania que vocês têm de perder taça no finalzinho). Gol limpinho, purinho, legítimo, do bom. Só que o diligente e prestativo Armando Marques anula...

E o Vasco ganha o título. Olha o que sai nos jornais da época:

O Campeonato Nacional terminou, não vai deixar saudades, o Vasco é o campeão e isso é o que vai ficar registrado. Daqui a alguns anos, ninguém mais irá se lembrar de tudo o que se fez para ele chegar a esse título. A história do futebol tem poucos registros de jogadas de bastidores. Essa bola que não para de correr não dá tempo para pensar no passado. Viva o futebol.” (Folha de São Paulo).

E então, vamos falar de “ética” e “lisura”? De “Vasco sempre perseguido”?

Mas você falava do regulamento, que o art 59 do regulamento previa a inversão do mando, que regulamentos precisam ser cumpridos à risca e tal.

De fato, esse argumento do regulamento talvez resolva parte do seu problema em 1974. Mas já que é pra falar de regulamento. O regulamento da Copa João Havelange, em 2000. Lembra? Lá dizia que, caso uma partida fosse interrompida ou encerrada, se o clube mandante desse causa à anomalia, perderia os pontos do jogo.

Isso aconteceu logo na Final, olha que chato. Vasco x São Caetano, alambrado arrebenta por irresponsabilidade do mandante, que permitiu a superlotação (estima-se cerca de 50 mil num estádio que cabiam 40 mil). Pelo regulamento, o São Caetano deveria ganhar os pontos do jogo e ser o campeão. Afinal, regulamentos devem ser cumpridos.

Mas isso não aconteceu. Marcou-se nova partida. Nem o mando de campo o Vasco perdeu, o jogo ficou no Rio de Janeiro, no Maracanã. O Vasco venceu o jogo remarcado (3-1) e ficou com o título.

Agora você me deixou confuso. É pra cumprir ou não é pra cumprir o regulamento? Porque nos casos de 1974 e 2000 o único ponto que liga as duas histórias de forma coerente é o fato de que o Vasco saiu beneficiado em ambos os casos.

“Vasco, sempre prejudicado”.

“Sempre ganhamos no campo”. De fato, o Vasco é um clube que jamais recorreu a manobras espúrias de bastidores, sempre seguiu religiosamente as regras do jogo, nunca tentou levar qualquer tipo de vantagem indevida... Sei.

Então não sei o que os moveu para ter arrumado um artifício para escalar o suspenso Edmundo na final do Brasileiro de 1997, ter escalado irregularmente o expulso Marquinho e o suspenso (três cartões amarelos) João Luís na segunda final do Estadual de 1981, e não contente ter repetido a dose na finalíssima escalando de novo o (agora suspenso por expulsão, esse danadinho) João Luís. Do ladrilheiro vocês falam, os jogadores irregulares vocês não mencionam. E que tal o Estadual de 1994, em que o Vasco passou por cima da tabela do Quadrangular Final e ajeitou com a FERJ uma conveniente inversão das duas últimas rodadas, escapando de enfrentar o motivado Fluminense antes do despedaçado Botafogo? Ou os Estaduais de 1997 e 1998, que o Caixa d'Água só soltava as datas dos jogos depois de se reunir com o Dotô Eurico?

“Contra tudo e contra todos”.

Mas, voltando ao nosso caso. Quer dizer que vocês querem anular o jogo? Legal. Qual a alegação? “O Vasco não podia perder”, foi o que falou o advogado. Entendo, tudo muito sólido, tudo amparado em um princípio antigo do Direito, o juris esperneandi.

Não me lembro do Vasco ter tentado anular o jogo que ganhou do poderoso ABC, lá na Copa do Brasil que vocês conquistaram, em 2011. Time perdendo, jogo complicado, eliminação batendo na porta. Aí o juiz aparece com um pênalti camarada, daqueles que é difícil conter o riso. Eu realmente não me recordo de ter ouvido alguém do Vasco invocar ética, moral ou bons costumes. Só me lembro de tê-los visto falar de classificação “heroica” e “dramática”. Naturalmente.

Ou de tentarem anular o jogo que ganharam do Bangu em 1998, gol do Mauro Galvão impedido, o Rubens Lopes (na época presidente do Bangu) querendo bater no juiz, o Eurico dizendo que “árbitros não são infalíveis”, enfim.

Mas isso de querer anular jogo não é novo. Lembra a Taça GB de 1982? Houve um jogo-extra, Flamengo e Vasco. Partida absolutamente normal. Dura, pegada, forte, de decisão. Mas normal e até tranquila, ninguém expulso, nenhum lance polêmico, nada, nada. Nenhum motivo para um ai. O jogo só teve um problema grave: o Flamengo ganhou. No finalzinho (ô, mania!). Pronto, vascaínos, foi o argumento que vocês queriam. Anula, anula! Anula que o Flamengo ganhou. O mote, a revelação de que o árbitro José Roberto Wright apitou com um microfone sob a camisa, o que o regulamento (olha o regulamento de novo...) não permitia nem proibia. Mas tem que anular, tem que anular, o Vasco perdeu. Vocês entraram no tribunal, só pra perder de novo. De goleada.

E houve outra, mais uma Taça GB, agora 1988. Segundo tempo, Flamengo ganhando de 1-0, luz apaga. Espera aqui, espera ali, a luz enfim volta. Mas cadê o Vasco? Já havia escoado para o vestiário, em fuga clandestina. A luz lá, acesa, o Flamengo batendo bola, o público esperando, e o Vasco tomando banho, escondido. “Vamos anular o jogo”, berrava seu vice-presidente. Anula, que o Flamengo ganhou. Anula, que o Vasco não pode perder. Mas perdeu. De novo.

Sempre perseguido, pobre Vasco.

Seu presidente, o Dinamite. Esses pitis, essa histeria, esses escândalos a cada pemba que leva do Flamengo não são coisa nova. Fez em 1983 (queria dar porrada no juiz porque ele cometeu o grave erro de validar um gol legal do Zico), fez em 1986 (expulso por dar pontapés em Andrade assim que o Flamengo empatou a Final da Taça Rio, gol de pênalti, imagina dar um pênalti pro Flamengo, crime de morte).

Sempre coitadinho, pobre Vasco.

Enfim, basta. Só tem mais uma coisa. O América já foi rival do Flamengo, sabia? É, daqueles ferrenhos, de discutir em bar, de jogador ganhar bicho extra, de disputar campeonato ponto a ponto. Entrou numa de coitadismo. Olha onde estão hoje. Acha que o Vasco tá indo muito diferente? 2008 pra cá vocês nos venceram TRÊS vezes. O Resende DUAS, pra se ter uma ideia. Barcelona x Español. Abre o olho.

Há alguma novidade no que foi dito aqui? Não sabia, não lembrava? Memória seletiva? Naturalmente. Afinal de contas, essas histórias não costumam ser requentadas em sites “anti-Vasco”, em dossiês de youtube, em “manifestos”, “panfletos” e coisas do tipo. Não se fica pisando ou repisando as passagens polêmicas da história vascaína.

Não porque elas não tenham existido.

Mas porque isso não importa.


* Agradecimento ao colega Vinícius Norske pela foto da caravela, que ilustra mais um momento edificante da gloriosa história do CR Vasco da Gama, atual vice-campeão estadual.


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