quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Calúnia do Rúbio Negrão

Sejemos cinseros e analfabéticos: a humanidade involuiu para um estágio em que torcedores de Fluminense e Corinthians fazem uso irrestrito da mídia para protestar contra roubalheiras e picaretagens no futebol.

Repito agora, para que os leais detratores não pensem que estão sonhando: involuímos para uma fase em que fluminenses e corintianos levantam suas vozes contra as falcatruas que assolam o meio esportivo nacional.

Cenão vejemos e erremos: contra o Corinthians, o Flamengo achou um golzinho, e todos sabem que achado não é roubado. Além disso, o que é um gol ilegal validado pelo mesmo juiz que cansou de prejudicar o Flamengo ao longo de sua trajetória?

Só que findo o tal jogo, clubes e torcedores que até então eu julgava enterrados na poeira da vergonha, ousaram levantar suas estridentes vozes, assanhadíssimas, indignadíssimas ante a imaginária injustiça que para eles existe em um árbitro favorecer um time grande em detrimento de um time da Série B. Clubes que receberam títulos de presente da CBF. Clubes que ganharam estádios padrão FIFA do Governo. Frutas que desfrutam de passaportes vitalícios para disputar a Série A do Brasileirão, cortesia do STJD.

Ora, na semana passada, neste mesmo espaço, eu defendi apaixonadamente o retorno do sistema de mata-mata ao Brasileirão sob que alegação? Lembram-se? Os pontos corridos podem ser mais justos, mas no futebol não há outra justiça que não seja a poética. Quem quiser limpeza que vá ler um bom livro. Quem quiser justiça que vá morar na Suécia. A indignação dos réprobos não passa da mais vil inveja.

Tradução: fluminenses e corintianos queriam que o roubo tivesse sido a favor deles.


Duplex Toc Zen

1 - Se flamenguista tem que se envergonhar por ganhar um golzinho de presente...: ... tricolor tem que se matar todos os dias.

2 - Mas tudo bem, admito que o Wallace estava muito adiantado: Afinal, se a posição dele é lá atrás, na zaga, o que ele estava fazendo lá na frente, na cara do Cássio, estufando as redes dos gambás?

3 - Realmente, os jogadores do Flamengo incorporaram o espírito de carregadores de cimento: Ralam “de muito” e ganham “de pouco”.

4 - Ação e reação: Estar vencendo por 2 a 0, e deixar o Palmeiras empatar é o que eu chamo de serviço porco.

5 - O empate de ontem teve sabor de derrota pro Flamengo: E sabor de Z4 pro Palmeiras.

6 - “Bola pega na mão de Eduardo no lance de gol do Fla” – Globo.com: Uau! Mal se conheceram, e a assanhada da bola já pegou na mão dele? Isso vai terminar em casamento.

7 - Mago Valdívia?: Sou mais o Mágico Fred.

8 - “Sport e Inter não alteram o placar em Pernambuco”: Até o momento, nem o STJD.

9 - Mais conhecidos por números que por nomes há três tipos: Atletas, presidiários e políticos.


2 a 2 - Twitter Cassetadas da semana (em tempo real só em @rubionegrao)

Marcante pra você e pra todos que jamais envergarão o manto. @SamuelGol Fazer gol no Flamengo sempre é marcante. Dedico a torcida do Fluzão!

Tem o Samuel Eto'o e o Samuel Coco'o.

O Corinthians só tem a maior torcida do Brasil quando quando joga contra o Mengão.

Flamengo x Corinthians está sendo um jogo nível Copa do Mundo.
Tipo um Argélia x Zaire.

Hoje o Flamengo soube respeitar sua torcida, e desrespeitar a do Corinthians.

Flamengo x Corinthians foi uma partida de xadrez, só que com 11 peões de um lado, e 11 cavalos do outro.

Sobrevivi pra testemunhar o dia em que Sandro Ricci roubaria a favor do Mengão.

Sobrevivi pra testemunhar o dia em que corintiano ia reclamar de roubalheira no futebol.

Chupa, gambazada: no Brasil a juizada sempre favorece a camisa mais pesada.

O gol foi roubado, mas o placar foi justo.

"Calma, Elias: o Flamengo não ganhou 3 pintos. Foram 3 PONTOS!" – Maicon

Ouvir o Neto só FALANDO já é osso! RT @CavalcanteMax uma verdadeira tortura ver jogo do MENGÃO pela band com o neto comentando.

Vitória roubada devia valer 5 pontos!

"América-MG perde 21 pontos e cai para última posição na Série B."
Pronto. Começaram as articulações pra salvar o Asco Cagama.

O Léo Moura tinha mais é que comer o Anderson Daronco na porrada!

E nada mais faço, mas pelo menos não tomo 2 gols de time morto.

(Ás do quinta-colunismo esportivo, Rúbio Negrão, vulgo Rubro-Negão Trolhoso, vulgo RNT, é cria dos juniores do blog da Flamengonet, e aceita doações de camisas oficiais novas do Flamengo no tamanho G.)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Palmeiras x Flamengo


Campeonato Brasileiro 2014 - Série A - 22ª Rodada

Palmeiras: Deola; João Pedro, Nathan, Lúcio e Victor Luís; Renato e Juninho; Mouche, Diogo e Cristaldo; Henrique. Técnico - Dorival Júnior.

FLAMENGO: Paulo VictorLeonardo Moura, Chicão, Wallace e João Paulo; CáceresMárciAraújo, Canteroe ÉvertonEduardo da Silva e AlecsandroTécnico: Vanderlei Luxemburgo. 

Data, Local e Horário: Quarta-feira, 17 de setembro de 2014, as 22:00h (USA ET 21:00h), no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho ou "Pacaembu", em São Paulo/SP.

Arbitragem: Anderson Daronco, auxiliado por José Javel Silveira e José Eduardo Calza, todos do Rio Grande do Sul.




   




 


Marketing às avessas


A questão relativa aos valores dos ingressos para os jogos do Flamengo é de fácil identificação e sempre de difícil aceitação os aumentos adotados para fazer gerar receitas compatíveis com os custos que os eventos alcançaram no somatório de todos os insumos envolvidos numa simples partida de futebol;

Porém, definitivamente, os dirigentes precisam captar o conceito segundo o qual os rótulos e as embalagens dos estádios brasileiros foram trocados após as construções das chamadas arenas e as reformas efetuadas em outros complexos como o do Maracanã, mas o conteúdo do seu frequentador permaneceu o mesmo de antes da realização da Copa das Confederações, em 2013. Em consequência, estabeleceu-se um desnível que afastou o povão das novas praças de esportes, por não suportar os novos preços praticados, deixando para fazer o sacrifício financeiro nos espetáculos de grande apelo;

Ninguém precisa ser engenheiro para verificar que uma parede sofreu uma grande inclinação graças ao impacto de um veículo em velocidade e, provavelmente, vai desabar sobre alguém ou algumas coisas, também não precisa dominar a arte da marcenaria para constatar que uma cadeira está mal feita com uma de suas pernas muito menor que as outras três, o que a leva a uma perigosa instabilidade e tampouco ser especialista em marketing para concluir que a condução do problema referente aos bilhetes segue em caminho errado;

Daí que, até para um leigo no assunto, soa como traição à torcida rubro-negra baixar os seus preços quando o clube está enfiado na lama, dentro da Zona de Rebaixamento, e aumentá-los assim que o time consegue colocar a cabeça para o lado de fora do atoleiro em que foi enfiado, caracterizando com essa iniciativa uma incompreensiva atitude intempestiva, que representa um verdadeiro tiro nos próprios pés e levando à falta de credibilidade em futuros empreendimentos que careça do apoio daqueles que são a nossa perene riqueza, os milhões de fans mundo afora;

Existem limites para a insensatez, que mina a paciência do torcedor comum, parcela considerável da massa flamenga. Nos últimos dois anos ficou evidenciado que a galera não pode e não tem condições de ser tratada como cliente, devendo-se manter uma relação de paixão com ela para encher os estádios, aliás, as arenas, e levar com apoio no clamor popular o time às necessárias vitórias e, em consequência, aos títulos, no aproveitamento da série de fatores positivos que formam a essência secular do Mais Querido;

De acordo com essa realidade, fortunas provenientes das receitas de bilheterias devem ser uma rubrica do balanço financeiro com média prioridade, pois através das conquistas do futebol elas poderão ser compensadas de outras formas em virtude do crescente interesse gerado em potenciais parceiros e patrocinadores;

O futebol está caro em todos os aspectos, mas não adianta cobrar do torcedor o que ele não pode pagar, perdendo-se a imprescindível pressão exercida pela "casa cheia" nos jogos nos quais o clube detém o mando de campo;

Cabe ao marketing do clube assimilar essa situação e ser mais criativo na geração do ouro amplamente prometido na campanha para as eleições, em 2012.

***Nas duas últimas quartas-feiras, os amigos desfrutaram dos inteligentes textos do companheiro Bcbfla, a quem agradeço publicamente a gentileza de me substituir com sua categoria de um meia-armador talentoso, lançando e chegando à grande área do Buteco para concluir em gol com sua habitual classe. Um grande abraço, Bca.

SRN!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Um Caminho

 Observando a borderôs das últimas rodadas do campeonato é possível perceber que a assiduidade do ST do Flamengo é pequena. Porque? Essa é uma bela questão a ser respondida. Difícil de ser respondida. Só o clube poderia responder. Aparentemente, a proporção dos sócios torcedores do Flamengo da região metropolitana do RJ é pequena, mesmo. Temos 56 mil STs, considerando que aproximadamente 35 mil sejam do RJ, e a média de público seja de quase 30 mil torcedores e no Maracanã a margem de STs seja de 10 a 15 mil, é pouco.

O que falta? Talvez falte uma comunicação mais efetiva em relação à cidade do Rio de Janeiro e região metropolitana, algo que explique as vantagens, que promova e melhore o produto. O clube não pode ficar restrito às redes sociais + blogs, que com todo o respeito que tenho (e orgulho de fazer parte de um blog) são apenas microcosmos da torcida, da sociedade. Falta promoção. Em geral, o torcedor é desinformado, não apenas os do Flamengo, inclusive (principalmente) os que vão aos jogos.

Fora das redes sociais, quantos amigos nossos conhecem ao Fla em dia ou ao Flamengo da Nação, por exemplo? Quantos sócios do clube, STs ou torcedores de um modo geral tem consciência que com o sócio do clube tem desconto no Valor de R$ 40,00 no programa de ST? Isso faz com que o Sócio Off-Rio, que paga R$ 40,00 seja Sócio Torcedor Raça, de graça. Falta capilaridade entre os torcedores do clube, conhecimento de seu alvo. COMUNICAÇÃO. Além da falta de comunicação falta um programa mais claro para que o torcedor seja ST não apenas quando o time vence.

Depois da grita (justa) pelo aumento do ingresso e a volta ao ponto inicial, para o clássico, o conselho diretor demonstrou que anda perdido no momento (neste assunto específico). Perdidinho. O aumento foi “ruim”? Abusivo? Extorsivo? Em minha opinião, não. Mas foi em hora completamente errada, do jeito errado, com a comunicação muito mal feita. Mais uma vez pecar na comunicação interna, deixa o torcedor sem saber o que fazer. Somando-se isso a oposição seca por uma crise, a eleição se aproximando e a imprensa sedenta por sangue, prato cheio...

O que se percebe é que qualquer medida mais efetiva do Marketing para com o torcedor terá que passar automaticamente pela reformulação do programa de sócio-torcedor, seja dar mais prêmios, mais vantagens, modificar a margem de vantagens e precificação, etc. Essa atitude não está na pauta como prioridade do setor de marketing do clube, mais preocupado com a arrecadação geral e a captação de patrocínios (o caminho encontrado diante da crise), o que é justo, mas como obter altas taxas de patrocínios, sem o engajamento da maior torcida do Brasil, num mercado tão restrito em momento econômico ruim? O Flamengo depende de sua torcida, ajustes finos obrigatoriamente devem ser feitos, e até penso que foi a tentativa do “aumento de 10 Reais”.

Mesmo com o programa de sócios torcedores atual, daria para montar um pacote de temporada para o Flamengo que beneficiasse aos torcedores que tem a intenção de acompanhar o time em momentos bons e ruins. Abaixo vou utilizar apenas o Setor Norte para facilitar a análise, o que tento descrever:

Pacote 2015
Jogo (R$)
Partidas
Total Pacote
Parcela Mensal(8x) (R$)
Norte
20
19
380
47,50
Norte 1/2
10
19
190
23,75


Avulso 2015/ (R$)
Jogo Comum ST
Clássico ST
Jogo Comum
Clássico
Norte
40
50
50
60
Norte 1/2
20
25
25
30
*Como clássico classifico os outros 11 grandes do país, não apenas os do RJ.

Aspectos a se discutir, propostas:
  • Os pacotes a cima demonstrados apenas para STs
  • Meia-entrada abaixo do preço de custo (R$ 12,85), para impulsionar a ida dos torcedores ao estádio durante o ano.
  • Por mim, o melhor seria que o torcedor acima do Plano Amor (R$99,90) tenha direito a ingresso grátis no setor norte ou pague a diferença em outros setores. Isso faria com que diversos torcedores de outros planos migrassem para o Amor dando o dinheiro diretamente para o clube (ideal, não possível por causa do consórcio).
  • A torcida do Flamengo de forma peculiar, vai ao estádio se ele estiver com grande expectativa de público, ou seja, casa cheia, vontade de ir. Ela é o espetáculo!
  • Mais STs, mais dinheiro em caixa, time melhor.
  • Os 500 primeiros compradores de pacotes ganham um manto novo, os 1000 primeiros ganham upgrade de pacote nas prioridades do ST, os 2000 primeiros ganham como garantia as partidas da Copa do Brasil. Com isso, caso o Flamengo chegue a decisão da Copa do Brasil em 2015, os compradores destes pacotes teriam presença garantida por ter apoiado ao clube desde o início.
  • Comprador do pacote que foi a 90% dos jogos de 2015, ganha 20% de desconto para os pacotes de 2016.
  • Limitar os pacotes com preços “promocionais” a 25.000 por todo o estádio.

É perceptível que as ações que descrevo podem ser encadeadas ou separadas, algumas delas podem ou não ter efeito em conjunto, o que importa é o Flamengo forte, principalmente criando o desejo em seu torcedor para comparecer ao estádio e ajudar financeiramente o clube, mas o programa deve dar vantagens reais também. Ser ST tem que ser melhor do que comprar ingressos avulsos. Sempre.


O Flamengo deve mostrar de verdade que com o ST mais forte o time será melhor. Nem que seja vendendo a preço de custo para os primeiros 10 mil ou como ocorre atualmente para shows, “em lotes”, com vantagem financeira para quem comprar primeiro. Quem apoiar mais rápido, terá maiores vantagens. O marketing precisa se mover, a chave é a comunicação.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Uma Vitória de Luxemburgo

Bom dia a tod@s @s amig@s do Buteco! Poderia começar essa coluna abordando os extraordinários números do Luxemburgo nessa quinta passagem pelo Flamengo, mas cairia no lugar-comum. Prefiro me concentrar na vitória de ontem, a qual considero uma das mais importantes do ano. Tod@s conhecemos o nosso clube, a nossa torcida, a imprensa esportiva brasileira e as condições normais de pressão com as quais os profissionais do Departamento de Futebol precisam conviver. E com uma Diretoria que veio para romper com paradigmas na administração do clube e que por isso vive sob fogo cruzado, a estabilidade no Departamento de Futebol vale mais do que diamante ou ouro, não importa o quilate. Só que, depois do time vencer cinco partidas consecutivas pelo Brasileiro, vieram duas derrotas seguidas. Sim, duas derrotas pelo placar mínimo e com gols nos finais das partidas, ambas bastante equilibradas (não que os adversários não tenham vencido merecidamente), nas quais, porém, o time demonstrou enorme dificuldade em articular jogadas e criar oportunidades de gol. A imprensa fala em crise ofensiva. À frente, um adversário que luta por vaga na Libertadores, toma pouquíssimos gols e tem um elenco visivelmente mais qualificado. Luxemburgo então escala o veterano Chicão na zaga central e Eduardo da Silva e Alecsandro no ataque, formação que ainda não engrenara. O time, no papel, parece lento e incapaz de pressionar o adversário com efetividade. O que aconteceria em caso de uma terceira derrota? Vamos então da teoria à prática.

***

Na prática, o Flamengo dominou o jogo. Sim, não é que teve posse de bola sem efetividade, que faltou penetração, que o adversário não foi incomodado. Não. Embora não tenha sido uma atuação tecnicamente brilhante (e convenhamos, o Flamengo não tem elenco pra isso), foi contundente. O time teve volume de jogo, especialmente no segundo tempo, e pressionou sem ser pressionado. Conseguiu o inimaginável: venceu inquestionavelmente o duelo pelo meio de campo e sem levar contra-ataques. E mais: criou oportunidades de gol, especialmente no segundo tempo, até mesmo antes de estar à frente do placar, com várias finalizações. O temor de que Chicão não pudesse fazer a cobertura de Leonardo Moura com eficiência se revelou um debate meramente acadêmico, eis que o jogo se concentrou todo do outro lado do campo. Alecsandro não foi individualmente bem, mas sua presença física na área se revelou uma opção tática consciente, pela reação defensiva que provocava, com ao menos dois jogadores vigiando-o. Eduardo não esteve em uma tarde feliz nas finalizações, mas talvez seja mais importante e racional valorizar a criação das jogadas de gol com suas presença e participação, até por sabermos que o seu padrão técnico é costumeiramente bem mais alto, do que se impressionar com um dia ruim que todo atacante de bom nível tem.

Luxemburgo, então, anteviu e viu o jogo. Afirmou que o time precisava encontrar alternativas, pois as que vinham sendo efetivas foram descobertas e neutralizadas por Grêmio e Goiás. E as alternativas foram criadas. Individualmente, destaque para Wallace, Cáceres e Éverton, mas o time todo teve uma atuação razoável. Jogou uma partida tática, como tinha que ser para vencer um adversário superior tecnicamente. Uma vitória de Luxemburgo, desse novo Luxemburgo, comedido, autocrítico, lúcido, e que provavelmente por isso tem a confiança do seu elenco para mudar e retroceder quando é preciso. E viva os sacos de cimento!

***

Acabei de elogiar a leitura do adversário e do jogo feita pelo nosso treinador, mas isso não quer dizer que essa formação seja a ideal para todos os adversários. Além disso, a maratona de jogos está em pleno curso e o elenco tem que rodar, até para que os jogadores mais importantes não se contundam. O bicho pega na escolha das peças de reposição. Pegando então um gancho no comentário do meu amigo Carlos Mouta durante o Ficha Técnica de ontem e no melhor estilo "Moneyball", acho interessante mencionar os números e estatísticas de alguns jogadores. Começo pelo Cáceres: 58j, 35v, 13e e 10d, 2 gols e 29 anos. Acho que é um excelente exemplo qualidade, efetividade e de números positivos. Se Cáceres não é um jogador dos mais técnicos e dos mais velozes, é incrivelmente tático e efetivo no setor defensivo, isso quando não aparece no ataque para concluir a gol também na bola aérea. Quando o Cáceres joga, as chances de vitória aumentam. Fato.

Outros dados interessantes: Amaral, com 73j, 33v, 21e e 19d, 1 gol, 26 anos, não tem como não ser reserva de Cáceres. Já Canteros, com 12j, 8v, 0e e 4d, 25 anos, começa muito bem a sua carreira no Flamengo, ao passo que Márcio Araújo, com 29j, 13v, 7e e 9d, 30 anos, dá a impressão de estar começando a ser mais efetivo, mas ainda tem números inferiores a Luiz Antonio, com 130j, 58v, 38e e 34d, 7 gols, 23 anos. Éverton também tem bom retrospecto, com 83j, 42v, 22e e 19d, com 10 gols, 26 anos, devendo ser levado em consideração que muitos desses números refletem sua primeira passagem pela Gávea. De qualquer modo, pesquisando um pouco percebemos o porquê de alguns jogadores serem titulares.

Pois bem. Mas vamos ao setor mais polêmico do time hoje, que é o ataque. O Alecsandro está se tornando uma espécie de "unanimidade" entre os frequentadores do Buteco. Sua fase, tecnicamente, não é boa, parece pesado e com dificuldades em chegar nos lances, ao contrário do que ocorria no primeiro semestre. Mas será que substituir Alecsandro é tão simples assim? Primeiramente, seus números: 38j, 19v, 7e e 12d, 19 gols; 33 anos. Em segundo lugar, é preciso saber se a opção será por jogar com o outro "homem-de-área" do elenco, Elton, ou com Eduardo da Silva jogando como um "falso nove" e com a entrada de outro atacante. Essa então é a primeira pergunta que faço @os amig@s do Buteco: qual das duas formações utilizariam? Com ou sem centroavante de área?

Observem que, se a decisão for jogar com o Elton, ou mesmo com o próprio Alecsandro, é preciso decidir se Eduardo da Silva seria escalado desde o início ou entraria apenas no segundo tempo. Mas seja nessa hipótese ou na de Eduardo jogar como um "falso nove", também seria necessário decidir quem entraria como segundo atacante. Vamos então às opções e aos respectivos números: Gabriel: 76j, 37v, 19e e 20d, 7 gols; 24 anos. Negueba: 89j, 41v, 26e e 22d, 6 gols; 22 anos. Nixon: 54j, 25v, 14e e 15d, 8 gols; 22 anos. Arthur: 9j, 4v, 2e e 3d, 0 gols; 22 anos. Sartori: 8j, 4v, 3e, 1d e 0 gols; 21 anos. Lucas Mugni: 35j, 15v, 3e e 13d; 4 gols; 22 anos.

Particularmente, acho que o Eduardo tem que jogar por noventa minutos e é uma questão de tempo para as jogadas saírem e a bola voltar a entrar. Ainda estou em dúvida a respeito de quem deveria jogar ao lado dele. De qualquer modo, quer-me parecer que o Luxemburgo está tentando colocar em campo o que tem de mais efetivo. O que acham?

Então, car@ amig@ do Buteco? Qual seria sua opção? Com ou sem Alecsandro? Com ou sem Elton? Com Eduardo da Silva entrando desde o início ou no segundo tempo? Qual seria o segundo atacante? E, no embalo, escalem o time para quarta-feira, contra o Palmeiras, no Pacaembu.

Bom dia e SRN a tod@s. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Flamengo x Corinthians


Campeonato Brasileiro 2014 - Série A - 21ª Rodada

FLAMENGO: Paulo VictorLeonardo Moura, Chicão, Wallace e João Paulo; CáceresMárciAraújo, Canteroe ÉvertonEduardo da Silva e AlecsandroTécnico: Vanderlei Luxemburgo. 

Corinthians: Cassio; Fagner, Gil, Anderson Martins e Fábio Santos; Ralf, Elias, Lodeiro e Renato Auguso; Luciano (Ángel Romero) e Paolo Guerreiro. Técnico - Mano Menezes. 

Data, Local e Horário: Domingo, 14 de setembro de 2014, as 16:00h (USA ET 15:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem: Sandro Meira Ricci, auxiliado por Clóvis Amaral da Silva e Elan Vieira de Souza, todos de Pernambuco.










Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos. O texto de hoje é um pequeno tributo, na forma de testemunho. O aniversariante da semana será o único jogador citado nominalmente no texto, como reverência. Boa leitura.

* * *

O calor é sufocante.

Sinto-me derreter em preto e vermelho, espremido entre milhares de almas também negro-rubras, nem todas professando a mesma fé. A aglomeração humana potencializa os efeitos escaldantes de um sol que parece pairar sobre minha cabeça. O cimento ardente ferve-me os membros inferiores, e a um persistente e esperado cheiro de suor, cerveja e mijo se junta a morrinha do lixo. Ainda hoje me parece adentrar as entranhas das minhas narinas aquela brisa nauseabunda e putrefata do aterro sanitário do entorno, a faiscante sensação de viver a experiência de uma partida de futebol literalmente no meio do lixo. E há as moscas, invasivas, intrusivas, impertinentes, pegajosas.

Enquanto isso, vou mantendo um animado papo com meu velho pai, latinha indo e vindo à boca, fazendo escoar feericamente o valioso néctar gelado, seiva que se reveste de fonte de sobrevivência em meio ao senegal de concreto.

O jogo está perto de começar.

Ir ao estádio em companhia paterna é um hábito que, outrora frequente, anda raro. A disseminação de facilidades como a tevê fechada, os jogos em bares, e um processo contínuo de metropolização, que traz em seu bojo efeitos colaterais como trânsito, filas e violência, são fatores que têm contribuído para o abandono de uma prática quase romântica, tal o divertimento.

Mas não poderia me furtar a levar meu pai ao Flamengo, ao menos mais uma vez.

Flamengo cheio de estrelas, que começa bem, mas logo vai patinando no meio da tabela, e daí pro fundo, assumindo um risco real de rebaixamento pela primeira vez desde o início da história do Campeonato Brasileiro. Time forte, que vive séria crise de relacionamento entre seus jogadores (“muita medalha esbarrando uma na outra”, diz o velho), além da ancestral falta de estrutura (salários atrasados, excesso de gente dando pitaco, essas coisas). Treinadores vêm e vão, nada parece reanimar o paciente moribundo. Promoções de um amadorismo caricato, como o “veja o Flamengo vencer ou receba seu dinheiro de volta”, de desfecho óbvio, a chacota e a ridicularização do clube em horário nobre, tornam-se frequentes. O golpe de desespero é trazer o veterano treinador, tido como decadente, mas torcedor fanático e identificado com o clube.

E as coisas funcionam, após um início de ajustes o Flamengo começa a varrer vitórias seguidas, humilha o líder do campeonato com um 4-1 consagrador no Maracanã, encanta crônica e torcida com um futebol compacto e extremamente veloz, e agora vem a Salvador enfrentar um adversário direto na, pasmem, luta pela classificação aos matamatas da Segunda Fase.

O estádio está apinhado. Rubro-negros empurram rubro-negros em busca de um espaço mais compatível com a distribuição de espectadores nas arquibancadas. Não há “ingressos separados” ou “espaço dos visitantes”. É pegar a fila, comprar, chegar, escolher o lugar do estádio e sentar. Uma estimativa pessimista indica as torcidas em meio a meio, mas o cordão policial tenta segregar um quarto do estádio aos visitantes. Empurra aqui, pressiona ali, grita acolá, os policiais cedem ao bom senso e vão espremendo os locais, cedendo à realidade dos fatos.

Mais uma latinha, e aparentemente a salvo da embrulhada (nunca fique perto de PM, sempre me orientou o velho), sigo tentando analisar as perspectivas do Flamengo pro jogo. Atuar em Salvador é sempre difícil, o adversário cresce contra equipes mais fortes, seu presidente andou “temperando” a partida pelas rádios durante a semana (sempre fazem isso), enfim, não vai ser mole. Aliás, na última visita ao campo, alguns meses antes, o time sofreu cinco, uma goleada humilhante. Claro que confio na vitória, mas já me preparo para um jogo sofrido.

“Acho que o Flamengo vai ganhar bem, talvez até de goleada”, crava meu velho, o que me espanta, dado o seu histórico ceticismo. E ele não está bebendo.

O sol ensaia um armistício, mas o fedor permanece, talvez até mais forte. Times entram em campo, Flamengo de branco, jogando completo, força máxima. O time da casa tem um desfalque aqui e ali, mas os principais nomes estão em campo. Especialmente o seu Camisa 10.

O jogo começa e o Flamengo, para surpresa de muitos (não de meu pai), toma a iniciativa desde o início, desconhece o adversário, pressiona, põe nas cordas e abre o placar, gol do goleador baixinho.
Continua atacando, e atacando, e atacando mais, porém perde um gol atrás do outro, e para alívio e irritação da torcida local a primeira etapa termina apenas com um magro 1-0 a favor do rubro-negro legítimo.

“Esse cara é craque”, sai do silêncio o velho.

“Quem, o Baixinho?”, indago, já de posse de outra latinha.

“Não, porra! Não é dele que eu tô falando, do baixinho não precisa falar mais nada. É o Camisa 10 deles. É craque de bola. Gênio.”

Pondero alguma coisa, enquanto vou organizando as idéias, dentro do possível. Essa deve ser a quarta ou a quinta vez que vejo o Camisa 10 ao vivo, andei acompanhando algumas partidas “in loco” nos últimos meses. Desde que o vi marcar um gol de falta “à Zico” logo em sua estreia seu futebol me encantou. Mas, ironicamente, hoje ele vai fazendo talvez seu mais fraco jogo diante dos meus olhos, muito marcado pela bem armada defesa flamenga. Mesmo assim, meu pai, que nunca o vira ao vivo, parece encantado.

“Joga muito, é jogador daqueles antigos, que eu achava que não existiam mais. Já valeu a pena eu ter vindo.”

“Não é exagero?”

“Nada. É ali dentro que a gente vê se o cara é craque ou não. Tem que ver aqui, na nossa frente, não pela televisão. A tevê engana.”

A exaltação parece ter um efeito premonitório. Com efeito, os dois times retornam francamente diferentes do intervalo. Um desavisado pensaria terem trocado as camisas. O time da casa perde o medo, solta as amarras e cai pra dentro. O Flamengo se retrai em busca de contragolpes, que, ao serem negados, o encurralam. E o Camisa 10 volta jogando o diabo. Dribla um, dois, três, inverte bolas, distribui passes adocicados, cria, inventa, recita. E o torcedor vai junto, tornando o acanhado estádio em um alçapão ruidoso e pestilento.

Falta na entrada da área. Pra eles. Adivinha quem vai bater.


O Camisa 10 se posiciona, postura algo marrenta, algo indolente. Ajeita a bola. Bate com efeito. A bola sobe, sobe, desvia e passa por cima da barreira e começa a descair. Parece que irá fora, mas aos poucos vai ganhando outro rumo. Uma curva traiçoeira, que não parece obra humana. Mas, ao contrário do planejado, a bola perde força rapidamente e a guinada para dentro do gol é muito acentuada. Ao invés do pretendido ângulo superior, acaba indo para o centro da meta, ao encontro das mãos do goleiro flamengo. Que, confiante, já calcula a reposição enquanto a pelota lhe vai chegando ao alcance. É seu erro. Não há mais a força, mas ainda subsiste o gingado, o efeito. E, num rodopio, a bola recusa-se a se aninhar sob as luvas do inocente arqueiro e, aos risos, escapa-lhe furtivamente, qual uma punguista. Cruza a linha branca e enfim fenece. É o empate.

A partir dali o Flamengo vive coisa de dez, quinze minutos de intensa pressão. Como um filibusteiro, o Camisa 10 amarra a camisa à testa, põe a adaga entre os dentes e ordena o saque. O treinador flamengo antevê o desastre e reage rápido, resolve adotar uma estratégia ousada, saca um meia e coloca um centroavante. Manda o time abrir. Vai pro pau. Agora quem tiver mais bola vence.

Mas é outra alteração que ajuda a definir o jogo.

A atitude do técnico funciona, o Flamengo se apruma, intimida o oponente e já está melhor em campo quando um dos zagueiros locais se contunde. Em seu lugar, entra um grandalhão estabanado, com a incumbência de marcar o baixinho goleador. E o drama vira comédia. O Camisa 10, agora cansado, cede o protagonismo da partida à atarracada estrela, que usa e abusa do seu neófito marcador. E o Flamengo volta à pressão da primeira etapa. Só que, mais focado, mais concentrado, mais disposto a definir logo a pendenga, agora está agudo, incisivo. E os gols aparecem.

O Baixinho escora um cruzamento rasante e marca o segundo. Pouco depois, um bem articulado contragolpe, a saída precipitada do goleiro, o cruzamento à meia-altura e o gol de peito, de futevôlei. 3-1, jogo perto do fim. Olé, olé.

O time da casa, meio nervoso com a feição achocolatada que a partida vai assumindo, começa a perseguir os flamengos aos pontapés, às botinadas. A torcida local, mostrando, como sempre, ser fiel e que acredita até o fim, vai deixando o estádio em grossas hordas, a despeito de ainda restarem pouco menos de dez minutos. Tranquilo, o Flamengo arrefece a pressão mas não recua, povoa o meio e troca passes, escapando das investidas mais violentas. Um local é expulso, mas a essa altura, enfim, a partida já parece definida. É quando, numa belíssima e veloz troca de passes, o Flamengo parte para o último ataque, para a última estocada em um oponente batido, vencido e entregue. Última bola do jogo, Flamengo 4-1.

Meu pai ri aos gargalhos.

Vamos embora cantando, a roupa impregnada de lixo. Já estou rouco, não há voz para mais nada. Mesmo assim, ele pontua:

“Eu disse que era goleada. Mesmo assim, continuo falando que o que me encheu os olhos foi o Camisa 10. Craque de bola, há muito tempo não via um desses.”

Não consigo exprimir ao certo como receber tamanho entusiasmo. A satisfação é natural e óbvia, pois eu já havia antes identificado várias qualidades no jogador. Mas a forma incisiva e contundente com que meu pai, que viu (ou ouviu) todas as Copas do Mundo conquistadas, que acompanhou quatro dos cinco tris, que foi “rato de Maracanã” (não raro assistia a três, quatro jogos por semana), que acompanhou ao vivo todos os monstros sagrados dos anos 50/60, que chegava mais cedo aos jogos para ver o Zico jogar nos aspirantes, e que não se entusiasmava com um jogador desde, sei lá, o próprio Galinho, ou com o Júnior na fase Maestro, o encanto quase infantil que ele demonstrou pelo futebol desse Camisa 10 dos baianos me despertaram um aviso interior, dando conta de que talvez fosse prudente prestar uma atenção maior a esse marrento gringo que andava encantando os nativos da “Boa Terra”.

Com efeito, o craque não durará muito tempo no Brasil, sendo negociado com o futebol italiano, onde permanecerá pouco tempo, por conta de seu temperamento difícil. E, após uma negociação relativamente trabalhosa, retornará ao país, especificamente ao Flamengo, onde assumirá a Camisa 10. E não demorará para cair nas graças da Nação Rubro-Negra.

De quem Dejan Petkovic será ídolo. E verá gravado, para sempre, seu nome no Panteão dos Grandes Heróis.

* * *

Essa não foi a última vez que assisti a um jogo em estádio com meu velho pai. Tornaríamos outras vezes, para jogos da Seleção Brasileira e mais recentemente na Copa do Mundo. Mas não mais retornamos para assistir ao Flamengo.

Hoje seguimos vendo o Mengão pela tevê. Mas não seria prudente perguntar-lhe o que  acha do time atual. O interlocutor provavelmente sairá deprimido.


Ah, e sempre é bom pontuar nesses tempos “politicamente corretos” e sujeitos à patrulha: não voltei dirigindo pra casa naquele dia.


Comments