quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Decisões e Medo

"Eu não temerei. O medo é o assassino da mente. Medo é a morte pequena que tráz a obliteração. Enfrentarei meu medo. Não permitirei que ele passe sobre mim ou através de mim. E, quando ele se for, voltarei minha visão interna para olhar sua trilha.
Por onde o medo passou nada restou. Apenas eu permaneço."
Litania Contra o Medo - Frank Herbert - Duna



Fatídicos momentos de nossas vidas. As decisões. Ir? Não ir? Aceitar? Recusar? Elas permeiam as nossas vidas, norteando e desnorteando. Decisões que custam caro, causam erros enormes, arrependimentos terríveis que doem nossa alma mais forte que um punhal enterrado em nossa carne. Decisões que cobrem nosso espírito de satisfação pela coragem que tivemos de escolher um caminho em uma encruzilhada.  O momento decisivo é sempre um momento de adrenalina. De medo. E justamente o medo impede que certas decisões sejam tomadas. O medo paralisa, contagia, causa ansiedade e aumenta a pressão cardíaca. O medo quando não confrontado, torna-se um monstro. E um monstro tão grande que evita-se pensar sobre ele, porque sabemos que seu fantasma está lá. Atrás de nossos pensamentos, procurando flancos para entrar na nossa mente e assombrá-la, tornando-se dono.

O Flamengo este ano evitou partidas realmente decisivas. Escalou times mistos em partidas eliminatórias com o discurso de "poupar", como se futebol fosse poupança. Optou por não dar o mergulho insano na busca por título, de decidir campeonato. A orientação de ganhar "vaga nas Libertadores" libertou o Departamento de Futebol de ter sangue nos olhos. Tirou-lhes o medo que acompanha todo vencedor. Sim, pois a saga e garra de enfrentar seus medos lhe faz forte. Desafio que não impõe medo, não é desafio. Não é decisão. É um nada morno. O fantasma da conquista tem que querer ser enfrentado, combatido e vencido. Quando se escolhe ignorá-lo está se limitando ao papel de observador, de quem assiste a roda da fortuna girando entre os clubes que têm como maior objetivo as conquistas. Mas eu e você sabemos o quanto o Flamengo está longe deste tipo de pensamento já fazem 3 anos.

O Flamengo parece que tem medo. E em vez de enfrentá-lo com decisão, fica paralisado. Escolhe, então, jogadores e comissão técnica que ficam marcados por frases de cansaço, que comemoram derrotas, e sequer falam em títulos em qualquer entrevista. O Departamento de Futebol conduz este marasmo. Está tudo muito confortável, sem exigência de nada. Enfrentaremos a Libertadores com a mesma comissão técnica que errou praticamente tudo em momentos decisivos, em que tinha que dominar o medo e tomar decisões ousadas para fazer as alterações necessárias, seja em escalação de elenco, mudança de esquema tático e substituições.

O Flamengo é um time medroso de um clube que, paradoxalmente, não tem medo de revolucionar sua administração e trazer conquistas memoráveis em termos financeiros e patrimoniais.

Isto não está casando. Alguma coisa está fora da ordem.

Que 2017 liberte o futebol do marasmo, do medo e das decisões que não alterem o atual 'status quo' perdedor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Alfarrábios do Melo

Segundo tempo.

A bola lançada chega à cabeça de Arilson, que enxerga um companheiro livre e vai escorar. Entretanto, o zagueiro português Malta percebe o movimento e consegue alcançar o atacante. Os dois dividem pelo alto. Trombam. Vão ao solo. Na queda, o corpulento Malta, com todo o seu peso, desaba sobre o joelho do jogador flamengo. Arilson urra, contorcendo-se em dores. O médico entra às pressas no campo e gira os dois indicadores, no movimento típico de aviso de substituição. Zagalo coça a cabeça, olha para os lados e chama um jogador. “Vai lá garoto, dá dois piques aí e entra”.

Fio vai entrar no gramado. E vai entrar para a história.


* * *

Ano novo, vida nova.

Após uma temporada difícil e conturbada, o Flamengo pensa em investir forte para a temporada de 1972. O plantel é tido como bom, mas falta o craque, aquele jogador que bota a bola debaixo do braço e resolve. E a oportunidade surge quando o Botafogo resolve se livrar de Paulo César Caju, responsabilizado diretamente pela traumática perda do Campeonato Carioca do ano anterior.

Paulo César (Tricampeão Mundial em 1970) é daqueles jogadores talhados e permeados pela marra. Habilidoso ao extremo, dono de um drible desconcertante, passes milimétricos e um arremate violentíssimo, é um jogador versátil, capaz de atuar na ponta-de-lança (camisa 10) ou na ponta-esquerda. Encrenqueiro e rebelde, é dado a provocações como a prática de embaixadinhas em partidas ganhas, declarações polêmicas (“não quero saber do Botafogo”, soltara numa ocasião para se livrar de um repórter chato), cabelos pintados, barba longa, entre outras características. A diretoria do Flamengo vê em Paulo César o jogador perfeito para dar a “nova cara” de que o time precisa. Uma cara confiante, auto-suficiente, vencedora. E compra o jogador, junto ao Botafogo.

Junto a Paulo César, é contratado ninguém menos que Mário Jorge Lobo Zagalo, treinador da Seleção Brasileira e tido como o melhor técnico brasileiro em atividade. Zagalo é a aposta para dar consistência ao vestiário, após a conturbada experiência com Yustrich e o período de transição com o já cansado Fleitas Solich.

A diretoria ainda tenta reforçar a comissão técnica. Interessa-se pelo Supervisor do Vasco, que tem sido elogiado pelo ótimo trabalho no cruzmaltino. No entanto, apesar da melhor proposta salarial e da forte crise vivida pelo clube da Colina, o profissional prefere honrar seu contrato e permanecer em São Januário. Seu nome, Cláudio Coutinho.

Os ventos parecem estar mudando de direção. Além das chegadas de Paulo César, Zagalo e do iminente retorno de Doval, o torcedor ainda tem mais um motivo para sorrir. Henrique Mecking, o Mequinho, enxadrista do Flamengo e rubro-negro fanático (costuma disputar as partidas com uma camisa do Flamengo sob o agasalho), conquista na Inglaterra o título de Grande Mestre Internacional, honraria máxima na carreira da modalidade. Sua chegada ao Rio de Janeiro leva uma multidão ao Galeão, e Mequinho é levado à Gávea, onde uma grande festa, com batucada e escola de samba, o aguarda. O tímido Mequinho agora é uma celebridade internacional. E do Flamengo.

Zagalo inicia seu trabalho pregando a montagem de uma equipe de alto nível. “Futebol cauteloso sem ser defensivo”. Com efeito, o Flamengo tem perdido muitas partidas pelo excesso de entusiasmo. Empurrado pela torcida, avança o time em demasia e sofre com a defesa exposta. “Já ganhei vários clássicos assim. Contra o Flamengo, basta esperar. Agora, que estou aqui, vou resolver esse problema.”

Mas Zagalo (que volta ao Flamengo, onde se revelou) ainda está diante de outras questões. O elenco, com 40 jogadores, está inchado. Vários atletas estão gordos e desmotivados. Outros simplesmente não rendem. Nomes como Dionísio, Samarone, Arílson, Zanata e Paulo Henrique, tidos como importantes, estão em baixa, por motivos diversos. Zagalo, em sua primeira semana, chama um por um para conversas individuais e avisa que dará chances a todos. Depois da pré-temporada, resolverá quem permanece.

Com isso, os jovens da base perdem espaço. Zico, Rondinelli, Cantarele, Jaime e Vanderlei, entre outros, estão fora dos planos para a temporada dos profissionais, e seguirão nos juniores.

Antes do início do Campeonato Carioca, que é a obsessão flamenga (o clube amarga um jejum que caminha para o sétimo ano), o rubro-negro disputa alguns amistosos, que servem para Zagalo ir aprimorando seu time-base. Empata com o Botafogo (1-1), em que 75 mil veem um jogo morno, de dois times ainda sem preparo físico. Depois o primeiro bom resultado, a vitória sobre o Santos de Pelé, com Pelé (1-0), em que já se percebe, pelo bom funcionamento da defesa, o dedo de Zagalo.

O teste seguinte é o Torneio Internacional de Verão, um triangular que também conta com Vasco e Benfica-POR. Para a competição, Zagalo pensa numa formação com Ubirajara, Aloísio, Fred, Reyes e Paulo Henrique; Liminha, Rodrigues Neto e Paulo César; Rogério, Caio e Arílson. Esse time ainda deverá contar, no futuro, com o retorno de Zanata (que se recupera de uma cirurgia) e Doval, que retorna de um “exílio forçado” na Argentina, decorrente de atritos com Yustrich.

A partida que abre o torneio é Flamengo x Benfica. O alvirrubro, campeão português, líder da temporada e semifinalista da Copa dos Campeões (futura Champions League), ostenta uma das principais equipes da Europa. Ressente-se de alguns desfalques, como o atacante Artur Jorge e Eusébio, a Pantera Negra, que vem ao Brasil mas ainda se recupera de lesão. Seu treinador, o inglês Jimmy Hagan, com típica postura arrogante, declara ser “obrigação impor-se a qualquer adversário”.
Noite de sábado, tempo bom, Maracanã, 45 mil.

A partida é truncada, tática, daquelas que encantam os cronistas e entediam o torcedor. O Benfica, sem seus principais atacantes, monta um esquema defensivo, espera o Flamengo para contragolpes. Zagalo, com sua costumeira cautela, não solta a cavalaria e prefere povoar o meio-campo. O resultado é um jogo pesado, duro, com muitas divididas fortes e poucas chances de gol. Os portugueses rendem melhor na primeira etapa, e chegam a perder uma chance clara, barrada por uma bela defesa de Ubirajara em chute forte de Jordão. O Flamengo apenas ameaça com o ponta-direita Rogério, principal figura em campo. Rogério vai mostrando o futebol que quase o levou para a Copa de 1970 (foi cortado por lesão) e enlouquece os marcadores. Mas não consegue dar sequência aos lances.

O primeiro tempo termina 0-0. Na volta do intervalo, o quadro geral não se altera e a partida parece mesmo pender para um tristonho empate. É quando acontece a disputa de bola que tira Arílson de campo.

* * *

Vai entrar Fio. Entra o “Crioulo Doido”.

“E novamente ele chegou, com inspiração...”

Fio, revelado pela base flamenga nos anos 60, já caminha para o sétimo ano nos profissionais. É um jogador extremamente voluntarioso, veloz e raçudo, o que compensa seu jeito algo desengonçado e uma certa limitação no trato com a bola. Seus dentes proeminentes, seu aspecto corpulento, não raro acima do peso, e seu andar desajeitado o tornam uma figura folclórica, praticamente um xodó. Imprevisível, vai do limbo ao nirvana em um átimo, provocando manifestações bipolares em um torcedor carente de ídolos e conquistas. Mas os áridos tempos estão cobrando seu preço. Com o contrato prestes a vencer, Fio ainda não foi procurado pela diretoria. Parece fora dos planos.

“Com muito amor, com emoção, com explosão em gol...”

A entrada de Fio incendeia a partida. Paulo César vai jogar na ponta-esquerda, Caio recua para o meio e o “Crioulo Doido” vai para sua posição, o meio da área. O Flamengo se torna mais leve, lépido, ofensivo. Começa a pressionar mais. E a se expor. As chances de gol, antes escassas, agora irrigam o amistoso. O gol, para qualquer lado, parece próximo. Radialistas evocam, “está amadurecendo”

“Sacudindo a torcida aos 33 minutos do segundo tempo...”

São trinta e três minutos. Rogério recebe de Fio pela ponta-direita. Costura pela intermediária e enxerga o próprio Fio, desmarcado. O lançamento, na corrida, é perfeito. Fio se projeta e vai ao encontro da bola, correndo para realizar a jogada de sua vida.

“Tabelou, driblou dois zagueiros, deu um toque, driblou o goleiro...”

O primeiro a dar combate é Messias. Fio, em altíssima velocidade, ginga, reboleteia a cintura, num meneio põe o português ao chão. Depois chega Artur, pronto para o choque. Com a ponta dos pés, o “Crioulo Doido” dá um leve toque, deixando o zagueiro na saudade. Agora está apenas diante do goleiro. Um corte seco. A vítima, estendida. E as portas da plenitude, escancaradas à sua frente.

“Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol...”

Tudo se passa em uma fração de pensamento. Não há tempo para raciocinar, pensar, imaginar o que fazer. Há uma baliza, aberta, ampla, arreganhada, oferecendo a felicidade. Fio apenas empurra, com imponderável tranquilidade, consumando o desfecho celestial em gol. O Maracanã vai abaixo, desaba em gritos de amor e paixão. Enfim, o destrambelhado Fio vive seu momento mágico, seu instante de craque. A carreira, os sacrifícios, o sofrimento, as chacotas, nada é comparável à maravilhosa delícia de ter uma nação cantando seu nome e seu feito. Fio, enfim, é um Herói Rubro-Negro.

“Nós gostamos de você...”

Depois do gol, o Benfica vem com tudo em busca do empate. Mas é o Flamengo que quase amplia, executando à perfeição a tática dos contragolpes de Zagalo. Paulo César, enfim, faz uma grande partida, mostrando porque foi contratado. Mais alguns episódios de luta, e a partida termina mesmo com o placar marcando Flamengo 1-0 Benfica.

O gol renderá frutos a Fio. De encostado, o jogador passará a ser uma das principais opções de Zagalo para entrar e inflamar jogos. Terá seu contrato renovado e atuará ainda por mais um ano.

Mas o grande legado daquela noite de sábado será logo revelado. Um jovem, mas já famoso compositor, rubro-negro até o tronco da medula, que estava nas arquibancadas daquela partida, mostra-se hipnotizado com o gol que presenciara. Rabisca uma melodia aqui, uns versos ali. Algumas sessões de ensaio, outros tantos rabiscos e correções, e a música está pronta para gravar.


Vai nascer o Fio Maravilha.


"O Flamengo derrota o Vasco por 1-0, gol de Paulo César, e conquista o Torneio de Verão de 1972, repetindo o feito de 1970. Poucas semanas mais tarde, o time de Zagalo conquista o Torneio do Povo (que conta com seis equipes), com um empate contra o Internacional (0-0). Ainda levantará a Taça Guanabara, após golear o Fluminense (5-2) na final, e enfim encerrará um incômodo jejum, faturando o Campeonato Estadual, ao vencer o mesmo Fluminense por 2-1."


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

LaMia Voo 2933

Toda essa tragedia que aconteceu me levou de volta aos quase 10 anos em que trabalhei na aviação comercial e todo um processo foi retornando a minha mente por ser exatamente a função que eu fazia, que era Despachante Operacional de Voo (DOV).Vou tentar explicar pra voces, dentro de tudo o que eu li desse terrível acontecimento, como funciona e quais seriam os procedimento a ser percorrido.Toda aeronave precisa ter um plano de voo aprovado antes de decolar. Dentro dessa documentação nos fazemos a meteorologia em rota, altitude a ser voada, peso e balanceamento incluindo combustível e carga, peso máximo de decolagem e pouso e "OS ALTERNADOS" para aquele trecho ate seu destino final. Fazemos um MISSION FLIGHT PLAN/BRIEFING com o comandante mostrando a ele qual o vento de rota, altitude a ser utilizada, o combustível MINIMO necessário para o trecho e os ALTERNADOS (aeroportos). Tendo em maos essas informações o piloto decide com quanto de combustível ele vai abastecer a aeronave, se por exemplo ele vai fazer um trecho GIG/GRU, Rio/ Guarulhos e as condições de Guarulhos não esta muito favorável, ele vai ter algumas alternativas em maos, ele podera optar em pousar em VIX (Vitoria), CNF (Confins BH) ou ate mesmo retornar ao Rio, sem esquecer que ele poderia optar em pousar em Viracopos (Campinas), mas devido a proximidade de GRU, talvez as condições de meteorologia seja a mesma de GRU, então ele faria o que, ele escolheria um desses alternados, caso esgotasse seus 30 minutos de espera no ar, ele ainda teria mais do que o suficiente tempo pra fazer um desses alternados.



Voltemos agora ao voo 2933 da Lamia.
O percurso de Santa Cruz de la Sierra ate Medelin e de 2,975 km em linha reta e a autonomia da aeronave era de 3,000 km ou seja, um voo de aproximadamente 4:20 e 4:30 horas ele precisaria ter mais 30 minutos de voo ALEM dos alternados que daria o suficiente com calma pra ele fazer cumprir qualquer emergencia.
O que aconteceu foi, o trecho era de 2,975, a aeronave tinha 3,000 de autonomia, apenas o insignificante numero de 25 km de resto.
O consumo de uma aeronave depende de alguns fatores importantes, o vento de rota e a altitude, um nível de voo mais alto, menos consumo de combustível, um vento contrario ocasiona maior arrastro, consequentemente maior consumo.



Vamos idealizar que vamos fazer uma viagem de carro longa e que precisamos saber onde teremos um hotel pra descansar, um restaurante pra comer e um posto de gasolina pra reabastecer. Quem nunca viu aquelas placas avisando, "Proximo posto a 400 quilômetros" por exemplo, se voce pegar aquelas estradas no deserto americano, se o cara tiver um v8 e ele não levar um alternado(galões extras) ele vai ficar no caminho. Claro que com as devidas proporções, mas o exemplo  e valido.



Quando o DOV foi fazer o briefing com ele, ele não quis saber dos alternados, e o despachante tentou argumentar  que aquela decisão não era a correta, ele precisaria fazer um pouso em Bogota, mas o piloto retrucou dizendo que eles ja estavam atrasados 1 hora e que uma parada pra reabastecimento (ALTERNADO)+pagamento de direitos de uso dos aeroportos é um encargo grande para as pequenas empresas de aviaçãocustaria algo em torno de U$10,000. Ele sentenciou, "o voo vai sair bem, não preciso de uma parada extra."



O piloto tinha acabado de decidir em fazer um voo Kamikaze, um voo sem volta, onde uma decisão de não gastar alguns mil U$, custaria alem da sua propria vida a vida de outros 73 passageiros. Costumávamos dizer que um avião não cai, ele é derrubado e foi.



A tragedia do voo 2933 ficara pra sempre marcada na historia. O mundo do futebol parou, jogadores de todas as partes do mundo prestaram emocionantes homenagens e muitos clubes ja decidiram em não voar mais em empresas pequenas, em voos que não sejam de carreira. 



Alguns fatos importantíssimos precisam ser lembrados, nunca em tempo algum uma mobilização  tomou conta de maneira tao fulminante igual a essa tragédia. Em poucas horas varias equipes de ajuda ja estavam no local do acidente, era noite, chuva e de local de muito difícil acesso. O processo de resgate dos corpos, dos sobreviventes, da liberação, e do envio ao Brasil, de todo esse processo penoso, dolorido e traumático que contagiou o mundo todo com demonstração de carinho nos 4 cantos da terra.



Aos Colombianos, qualquer palavra de agradecimento sera muito pouco pra demonstrar tamanha solidariedade com tamanha tragédia. Demonstraram um amor incondicional, aquele amor sem pensar em troca, sem recompensa.



** *A minha intenção em fazer esse post foi tentar mostrar a vocês um pouco do mundo aeronáutico, de maneira simples dentro do possível  o que acontece nos bastidores antes de um passageiro entrar e sentar em uma poltrona de um avião. Sao muitos os envolvidos, serviço de comissaria, limpeza, carga, abastecimento e manutenção.



Forte abraco a todos e FUERZA CHAPE !



Estarei com voces depois das 4 da tarde depois que chegar do trabalho e poder esclarecer ou responder a qualquer outra duvida.




** Quero agradecer ao meu parceiro, irmão e co-fundador do Buteco do Flamengo, Gustavo Brasilia por ter emprestado por livre, expontânea coação a sua ja tradicional coluna das segundas-feiras.




sábado, 3 de dezembro de 2016

Muito obrigado Atlético Nacional

Em meio a tanta dor, sofrimento e tristeza, o povo colombiano e o clube Atlético Nacional tem dado uma aula de solidariedade.

As atitudes e homenagens realizadas pelos colombianos serão inesquecíveis e me fazem acreditar em um mundo melhor.

Quero aproveitar o post de hoje somente para agradecê-los.

Se depender de mim, o Atlético Nacional ganhou um novo torcedor para este Mundial.

Muito obrigado Atlético Nacional! Jamais esquecerei!








sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

In Memoriam







Irmãos rubro-negros,


este post é uma humilde homenagem ao meu amigo de aventuras na adolescência, Guilherme Van Der Laars, torcedor apaixonado do Botafogo de Futebol e Regatas.

Há vários anos não nos víamos, mas as lembranças permanecem intensas.

Me recordo dos tempos de pé na areia, do sal na pele e nos cabelos, das peladas na praia, das namoradas, dos papos sobre futebol.

Bons e inesquecíveis tempos!

Guilherme foi jogador do Nova Geração, time do Zico. Foi colega de equipe dos filhos do Galinho e por ele treinado.

O Céu ganhou um grande reforço para as peladas celestiais e para as resenhas pós-jogo.

Meus sinceros sentimentos à família.

...


Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Vamos Vamos Chape



Dois dias avassaladores. 29 e 30 de novembro de 2016. Primeiro dia, tragédia, estupefação. O avião da Chapecoense caiu, com toda sua delegação mais equipes de jornalismo, nas montanhas da Colômbia. Relatos chegavam. Poucos sobreviventes. Um e outro jogador bastante machucados, um jornalista, tripulante e só. Avião despedaçado. Como conseguiram? Do choque, do baque, o mundo inteiro sentiu. Todos que amam o futebol se identificaram na mesma dor. Europa, América Latina, EUA, de todo canto chegavam homenagens a Chapecoense. Os clubes brasileiros, quase todos, colocaram o escudo da Chape em seus perfis. Foi o futebol se fazendo pertencer a uma grande família. Times são rivais, jamais inimigos. Cada torcedor faz crescer a chama que aquece este esporte. Dor e choro eram sentidos em milhões de torcedores. As imagens dos jogadores vibrando no vestiário, do gol que San Lorenzo perdeu no último minuto... Tudo fazia aumentar a tristeza, a dor do que "poderia ser", do futuro destes jovens e de todos profissionais embarcados no fatídico voo.

No dia seguinte o mundo o consagra ao Chapecoense. O Atlético Nacional de Medellin enche seu estádio para prestar homenagens a quem seria seu adversário. Numa demonstração a mim, inimaginável, de empatia e solidariedade. Uma multidão de colombianos comparece, comovida, em paralelo a outra que comparecia ao estádio em Chapecó. Afastados entre si por milhares de quilômetros mais ligados no mesmo sentimentos. Dois clubes, irmanados pelo destino, faziam juntos o ritual de despedida, tornando a emoção muito maior e única. Algo que certamente o mundo jamais irá esquecer. O Presidente do Atlético Nacional recordou emocionado, as tantas vezes que seu clube viajava também. Certamente isto passou na cabeça de todos os jogadores, dirigentes e jornalistas esportivos de diversos países. Os riscos que correm nestas constantes locomoções. Neste dia o Flamengo também homenageou o jornalista rubro-negro Victorino Chermont, morto no acidente, dando seu nome ao Centro de Imprensa no CT Ninho do Urubu. Um jornalista sério, muito bem quisto pelos colegas, profissional ilibado e marcante. Respeitado por todas as torcidas e uma presença que muitos de nós nos acostumamos a ter em nossas casas, através da televisão. Deixará saudades.

Em meio a este caos emocional, fica o alerta para clubes e jornalismo esportivo, sujeitos a inúmeras viagens em veículos aéreos ou terrestres. A necessidade de treinamento para maximizar as possibilidades de sobrevivência. Consta por testemunho de sobrevivente, que as pessoas dentro do avião entraram em pânico com a notícia do colapso do veículo e se levantaram, minimizando assim, as chances de sobrevivência em caso de impacto. Caso todos tivessem cumprido as normas de segurança, mantivessem cabeça baixa em seus assentos, com cinto de segurança, em posição fetal, etc poderia ser que tivéssemos mais sobreviventes. Fora isto o fato que, aparentemente, viajaram em um avião preparado para trajetos mais curtos do que foi realizado. Os clubes não tem como saber a enrascada que estão entrando nos veículos que contratam ou lhes dão a disposição de uso. Porém pode ser que seja imperativo que haja profissionais certificados que homologuem que determinado avião contratado como taxi-aéreo corresponde as especificações de quantidade de pessoas, distância a ser percorrida e peso da bagagem. Vê-se que a própria seleção da Argentina viajou neste mesmo avião. Cabe, acho eu, a CBF, Commebol, e em última instância ao próprio clube, se preocupar com este importante detalhe, que hoje parece estar por conta de terceiros.

O Futebol é lúdico e emocionante. Causa raiva, tristeza, alegria, frustração, entusiasmo e torpor. Futebol é como a vida, um jogo que nós procuramos vencer embora  levemos muito gol contra, enfrentando adversários fortes que nos ganham quase sempre, mas continuamos jogando, jogando, para ganhar. E quando ganhamos, festejamos. Mas o  campeonato da vida nunca acaba. O futebol também é assim. E é por causa disso que a Chapecoense pode retomar seu caminho. Talvez de uma forma diferente. Ela agora está no panteão de times marcantes. O mundo a homenageou. Que aproveite a energia positiva de todas as pessoas que torcem por sua recuperação e saia contagiando a todos novamente.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Alfarrábios do Melo









Nesse momento de profunda consternação, recolho-me ao respeitoso silêncio, um silêncio de reverência e solidariedade aos familiares dos profissionais que pereceram no voo que levaria a Chapecoense à partida mais importante de sua curta mas vitoriosa história.

Respeito a MÁRIO SÉRGIO PONTES DE PAIVA, LUIZ CARLOS SAROLI (Caio Júnior), CLÉBER SANTANA LOUREIRO, ARTHUR BRASILIANO MAIA e MARCELO AUGUSTO MATHIAS DA SILVA, profissionais que defenderam com dedicação e dignidade o Manto Flamengo em algum momento de suas carreiras, e aos demais passageiros e tripulantes presentes na fatídica viagem.

Que descansem em paz. E que aqueles que, de alguma forma, terão suas vidas indelevelmente marcadas por esse terrível acontecimento encontrem forças para seguir em frente.

FORÇA, CHAPE!





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