sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Predador








Irmãos rubro-negros,



Flamengo vai para o sexto ano da gestão, o terceiro após a cisão do grupo que iniciou o processo de recuperação do clube.

Analisando o contexto do futebol brasileiro, o Flamengo está sobrando. 

Enquanto vários clubes enfrentam grave crise financeira, o Flamengo nada de braçada. E sem precisar de mecenas ou dinheiro de "investidor".

Embora eu ache que ainda precisamos de um zagueiro, dois laterais e um centroavante, creio que temos um elenco qualificado para o padrão nacional, sendo que a evolução da nossa base nos últimos anos indica que voltaremos a contar com bons jogadores oriundos da casa no time principal.

Além da saúde financeira e do bom elenco, temos ótima estrutura física e os salários estão em dia.

O momento, portanto, é muito propício para que o Flamengo finalmente converta em títulos e taças as conquistas alcançadas fora de campo.

Flamengo tem de ser o predador master do futebol brasileiro. E tem todas as condições, também, de ombrear com os melhores do continente.

Se a diretoria se satisfaz com migalha, é problema dela. O torcedor rubro-negro merece muito mais.


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O basquete do Mengão, mesmo com cinto apertado, pensa grande, tem mentalidade afinada com a tradição flamenga e tem obtido resultados históricos. 

Numa negociação sensacional, Anderson Varejão vestirá o Manto Sagrado após dezesseis anos atuando fora do Brasil.

Bem-vindo, Varejão!







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Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Flamengo 2 x 0 Volta Redonda - O carioquinha começou

Finalmente a temporada 2018 começou no campo para os ditos profissionais. Flamengo em mode FlaKids, com muitos garotos de sub20 mais Ronaldo e Jonas,  começou bem contra o fraco Volta Redonda vencendo por 2 x 0, gols dos promissores Lucas Silva e Pepê.

É assim que se deve disputar o carioquinha. Para revelar e testar jogadores. Ver quem do sub20 realmente revela condições de subir ao time principal. E não rodar elenco já rodado. Claro, que em determinados momentos terá que por os ditos titulares para ganharem ritmo e pegada de jogo. Talvez em alguns jogos menores e clássicos, mas o certo é ter um time titular definido para a maioria dos jogos, que não seja o "elenco principal". Uma das piores coisas, ao meu ver, que foi utilizado pelo Flamengo em outras temporadas, foi a utilização de times mistos p/rodar o elenco. Invariavelmente não funciona bem, pq não são "times" e sim, "elencos ajuntados" para os jogos. Time é um CONJUNTO, de fato. É preciso formar o conjunto para que este ganhe força.

Flamengo então, ao meu ver, começa bem o ano em termos de planejamento caso esta seja a premissa que será utilizada ao longo do campeonato. Creio que pelo que já disse o VP Lomba, será o feito. Sem as perebagens, reforçado por sub20s de qualidade, o Flamengo pode ter um ótimo ano sem contratação de Geuvânios e Romulos que nada acrescentam e tornam tudo caro e desnecessário.

Como foi o jogo? Flamengo bem organizado. Jonas e Romulo são bons volantes e seguravam bem o meio, com rápida saída de bola. Os jogadores tocavam a bola com fluência, sem rifar muito. Embora em vários lances tenha faltado qualidade no último passe, ou mesmo o último passe, o grau de fominhagem foi bem alto também. Mas isto pode ser explicável devido ao fato do time deste conjunto ainda não se formou. Ficam inseguros quando e como devem passar, quem precisa se deslocar direito fica na dúvida de como proceder, enfim, tantas questões que passam ali na hora do jogo.

Mas Lucas Silva e Pepê em jogadas individuais, em que o passe parecia ser a melhor opção, resolveram finalizar e o fizeram com enorme eficiência, ambos marcando bonitos gols. O gol redime o egoísmo. Mas é algo que tem que ser trabalhado depois, claro.

Na defesa achei o time muito confuso. Não tinha linhas de marcação, era aquele aglomerado anos 80. Espero que não seja a tônica do trabalho defensivo do Carpegiani. Este modelo concentra a marcação pelo meio e "libera" as pontas, com marcação frágil. Resultado? Cruzamentos a rodo. Se pega um time com bons cabeceadores teremos problemas. O futebol moderna soluciona isto, alongando as linhas de marcação, e fazendo uma marcação por zona e individual no setor onde está a bola. Como queria ver isto no Flamengo executado eficientemente...

Devo destacar o goleiro Gabriel. Saída rápida do gol, fecha o angulo como poucos e tem sorte. Bola bateu na trave duas vezes. Enfim, jogou muito bem também, sendo um dos destaques do jogo.

Enfim, ganhamos. Isto é ótimo. Todo mundo fica feliz. E agora partamos para a próxima.





quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Volta Redonda x Flamengo


Campeonato Estadual 2018 - Taça Guanabara - 1ª Rodada

Volta Redonda: Douglas Borges; Luiz Gustavo, Daniel Felipe, Bruno Costa e Michel Benhami; Bruno Marra, Marcelo e Vinicius Pacheco (Rafael Granja); Fabinho Alves, Dija Baiano e Anselmo. Treinador: Felipe Surian.

FLAMENGO: Gabriel Batista; Klebinho, Thuler, Patrick e Ramon; Jonas; Jean Lucas, Pepê e Ronaldo; Lucas Silva e Wendel. Técnico: Paulo César Carpegiani.

Data, Local e Horário: Quarta-feira, 17 de janeiro de 2018, as 21:45h (USA ET 18:45h), no Estádio General Sylvio Raulino de Oliveira ou "Raulino de Oliveira" ou Estádio da Cidadania, em Volta Redonda/RJ.

Arbitragem: Rodrigo Nunes de Sá, auxiliado por Luiz Cláudio Regazone e Michael Correa.



Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

Hoje se inicia a temporada 2018, com a estreia do Flamengo no Campeonato Estadual, outrora “charmoso”, hoje controverso. Desde a fatídica decisão da Sul-Americana, muito já se foi falado, marretado, lamentado, cornetado. Ergueu-se uma espécie de consenso, ou se comum senso, de que o Flamengo irrompe o novo ano vestido do mais baixo nível de expectativa externado por sua gente em muito tempo.

Há quem enxergue bom augúrio nisso de “baixar a bola”, ou quem, recorrendo a laivos de memória cada vez mais rarefeitos na massa comum, recorde-se de momentos em que o clube logrou erguer taças após prelúdios pouco altaneiros (embora também exista farta “jurisprudência” que igualmente narre enredos de final distinto, ou seja, não saiu nada de onde nada se esperava mesmo). Para cada 2009 há um 2005 invocando a contradança. Destarte, não vejo ser prudente fundar-se nesse terreno.

Então, sem delongas, o que esperar desse Flamengo?

Em que pese a espessa nuvem de desconfiança e frustração que insiste em repousar em nosso firmamento desde o ainda inesquecido Gasômetro, há alguns aspectos que podem ser recepcionados de forma positiva.

O Flamengo inicia a temporada retendo a espinha dorsal de um elenco qualificado. Jogadores de nível perfeitamente compatível com a expectativa de colher resultados de nível elevado dentro do verdadeiro pântano de mediocridade que se espraia no ambiente do futebol praticado na “terra brasilis”. Há vários jogadores que teriam espaço de protagonista em qualquer equipe nativa, dentro de uma perspectiva de análise individual e de currículo, em que pese o fraco, como um todo, desempenho individual e coletivo demonstrado por vários deles ao longo da temporada passada.

Também há os jovens. A breve consultoria do fujão Reinaldo Rueda deixou um legado que, aos ouvidos mais sensíveis, até hoje ainda grita e reverbera. O Flamengo precisa ser mais assertivo no uso das suas divisões de base. Se o clube conseguiu encerrar sua temporada de forma ao menos digna, posto que frustrante (chegar a duas finais e encetar a classificação direta à Libertadores pode, sim, ser encarado com certa altivez, apesar de pantomimas desnecessárias como a tal foto do Barradão), isso muito se deve à guinada em direção à base promovida pelo alienígena colombiano. Com efeito, Paquetá, Vizeu e Vinícius Jr protagonizaram momentos decisivos na reta final, com gols, assistências e lances efetivamente decisivos. Estão prontos para participar da rodagem do elenco, embora ainda padeçam de certa instabilidade, que tende cada vez mais a ser mitigada. E, como os citados, certamente há mais garotos aptos a iniciarem esse processo. E os primeiros sinais iniciais emanados pela Gávea talvez apontem para uma certa receptividade à retomada desse caminho.

Por fim, a tal “limpa”. Ou “barca”. Dessa vez, o clube aparenta, efetivamente, demonstrar um mínimo de senso crítico, ao promover a dispensa de alguns jogadores cujos serviços já não encontram compatibilidade com os anseios de uma instituição do porte do CR Flamengo. Com efeito, jogadores “úteis” e “de elenco”, incapazes de apresentar desempenho consistente de alto nível, começam a ser descartados, abrindo espaço para o aproveitamento de jogadores “da casa” e para a contratação de profissionais realmente capazes de agregar performance. Porque um Márcio Araújo, um Gabriel, um Rafael Vaz (jogadores cuja contribuição até foi necessária em outros contextos, mas que se tornaram, pelo futebol e/ou pela postura, um estorvo) podem perfeitamente serem garimpados dentro dos muros do Ninho do Urubu. E, além dos jogadores, alguns profissionais da comissão técnica também foram desligados ou esvaziados, o que pode indicar que, de fato, o clube foi capaz de identificar descontentamento com o funcionamento de seu Departamento de Futebol.

Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, e deixo aos amigos a opção de escolherem a conjunção adversativa que mais lhe convierem, há aspectos que não podem deixar de ser considerados.

O primeiro desses elementos reside na própria política de contratações. Em que pese o CR Flamengo singrar em direção ao SEXTO ano da administração azul, celebrada, como se sabe, pelo êxito na reestruturação da instituição, ainda soa incompreensível que o rubro-negro ainda precise recorrer, de forma quase exclusiva, ao surrado expediente de forçar aquisições de jogadores sem despender um centavo. Com isso, muitas vezes chegam ao clube jogadores com histórico de lesões, em baixa ou mesmo decadentes. Ademais, determinadas negociações acabam por se arrastar por semanas ou meses, comprometendo a formação de um elenco homogêneo e com peças de reposição adequadamente preparadas.

Ainda pousando no quesito “reforços”, a Diretoria parece reverberar, de forma pétrea, o dogma das “contratações de oportunidade”. Ou seja, se um jogador está disponível no mercado e a transação aparenta ser vantajosa, que venha. É um pensamento traiçoeiro, uma vez que enseja, à guisa de nocivo corolário, a conclusão de que, se não há “oportunidades” para determinada carência, esta não será suprida. Exemplos que ainda se estampam em nossas lembranças, como a falta de peças para a zaga no início do Brasileiro de 2016, a ausência de reposição para a lesão do Diego no primeiro semestre de 2017 (o clube confiou em Conca, que se apresentava como “aposta de oportunidade”), ou a falta de um reserva adequadamente preparado para o gol, quando Alex Muralha começou a demonstrar a falta de condições de seguir como titular. Agora, em 2018, a perspectiva de repetição dessas anomalias (que, nunca é demais pontuar, provavelmente terão sido decisivas para o fracasso nas principais competições das duas temporadas passadas) projeta sua sombra nas laterais (com a aparente desistência na contratação de Zeca, o Flamengo não acena com alternativas) e, principalmente, no comando do ataque. Com Guerrero suspenso e a negociação pela vinda de Vágner Love (o eleito pela Diretoria) dando sinais de que seguirá emperrada por um bom cacho de dias, há uma possibilidade real de que o Flamengo chegue, daqui a pouco mais de um mês, à Libertadores ostentando severas limitações em algumas posições de seu time titular. E, como o já citado Gasômetro nos mostrou, é o tipo de contexto que fatalmente cobrará seu preço.

Outro incômodo brota da forma de atuação da Diretoria, especialmente de seu Diretor-Executivo, Rodrigo Caetano, que, com a emigração do “cafetero” para as terras andinas, aparentemente irrompe como o nome forte do departamento. Após a saída de Rueda (algo, aliás, anunciado desde dezembro para quem acompanhou atentamente a riqueza de detalhes na narrativa da imprensa chilena), o Flamengo “agiu rápido” e trouxe Paulo César Carpegiani, cujo currículo pós-Flamengo 81-82 chama a atenção pela inexpressividade, em que pese razoáveis trabalhos recentes em clubes de porte menor. Independente da discussão acerca da capacidade de Carpegiani, intriga buscar decifrar qual o critério seguido pelo clube para a escolha do profissional. O Flamengo, no espaço de doze meses, apostou em um jovem talentoso, mas inexperiente, depois recorreu a um estrangeiro rodado e de currículo robusto, e agora traz um “dinossauro” old-school, que jamais se firmou como treinador efetivamente de ponta no cenário nacional. A confusão, quase incredulidade, ganha contornos faiscantes quando se depara com as declarações exaradas na apresentação de “Carpa”, que permitem inferir, com razoável convicção, de que o rubro-negro inicia 2018 dirigido por um interino.

Há mais. Se é verdade que a Diretoria, ao substituir determinados profissionais da comissão técnica, demonstra aparente descontentamento com seu desempenho, também causa estranheza constatar que alguns deles “saíram sem ter saído”, ou simplesmente seguem no clube, apesar de esvaziados. A percepção (que pode ser procedente ou não) aponta para uma certa falta de convicção na execução de determinadas ações. Percepção que se fortalece quando se constata o evidente papel da “opinião pública” (ou redes sociais, como se queira) na contratação, ano passado, de nomes como Rueda e Diego Alves. É bom ouvir a “voz rouca” das ruas. Mas usá-la como bússola, per se, demonstra preocupante falta de certezas. E de rumo.

Enfim, é um Flamengo envolto em incertezas este que hoje inicia sua caminhada na Temporada 2018. Um ano que se espera menos sofrido e frustrante, um ano em que se sonha com um clube que, enfim, abrace sua vocação de comprometimento com a índole de perseguição às vitórias, que encharque camisas e estenda a mão à sua gente. Que seja capaz de fazer brotar jogadores identificados e prontos a atrair admiração e idolatria. Que, enfim, torcer pelo Flamengo nos faça felizes, capazes de cantar a alegria de ser rubro-negro.

Afinal, é nosso maior prazer vê-lo brilhar.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Campeonato Carioca



Olá Buteco, bem-vindos!

Estamos de volta! Pouco mais de 1 mês do último jogo da temporada passada e já estrearemos em 2018. O campeonato é o, outrora importante e hoje apenas nostálgico, carioca, um torneio onde os grandes clubes da cidade perdem dois meses jogando contra times semiprofissionais, em partidas de pouco apelo e deficitárias. Depois, resolve-se tudo em uma semifinal onde, fatalmente, os 4 grandes estarão envolvidos e nas duas partidas finais.

Em 2017, tirando os três jogos em que o Flamengo vendeu o mando de campo, apenas a final da Taça Guanabara e as duas partidas finais da decisão renderam razoável lucro na bilheteria. No total, o Flamengo embolsou líquido cerca de apenas R$ 1,5 milhão, o que corresponde a irrisórios 12% do arrecadamento bruto na competição. Financeiramente, para nós, o campeonato carioca não parece uma opção muito atrativa, uma vez que mesmo com os 15 milhões de reais da TV e a premiação por um possível título, não conseguiremos cobrir as despesas do departamento de futebol no primeiro trimestre do ano. 

Esportivamente, tampouco. Há bastante tempo que os clubes pequenos do Rio encontram dificuldade de avançar na Série D do Campeonato Brasileiro e hoje o menos pior é o Volta Redonda, único a disputar a Série C em 2018. A única coisa boa destes jogos é colocar a molecada para jogar e ganhar ritmo. Vinícius, por exemplo, foi pouco aproveitado no ano passado e pode ganhar mais minutos no carioca, participando como protagonista nos clássicos.

Em todo caso, acredito sinceramente que, com uma fórmula mais dinâmica (no estilo Copa do Mundo, por exemplo) e com poucas datas (máximo 6, com jogos apenas nos finais de semana, dando tempo para os treinamentos de início de temporada), os campeonatos estaduais (e o carioca, em particular) ainda poderiam ser rentáveis. A rivalidade existe, as finais Brasil afora são sempre com muito público e audiência. No entanto, nem exploro muito esta questão porque é pura perda de tempo, uma vez que romper o sistema federativo não é interesse de todos os grandes clubes do Rio.

Há outras peculiaridades nesta nova edição do carioca: a possibilidade de 5 substituições nas partidas e a utilização do árbitro de vídeo offline (!!!!!!), outro tipo de teste para melhoria do sistema de arbitragem eletrônica.

Ao Flamengo, só resta aproveitar da melhor forma possível a competição, quer seja treinando o time principal enquanto a Libertadores não se inicia, ou dando rodagem aos reservas e jovens promessas da base. O que não pode é cair na armadilha recorrente de achar que tem um timaço por conta de uma série de vitórias no campeonato local. Ano passado fomos campeões invictos e, com o mesmo elenco, conseguimos perder as três partidas de visitante da Libertadores. Que a nova comissão técnica do clube tenha especial atenção a este ponto.

A Libertadores 2018 só começa, para nós, em 28 de Fevereiro.  Até lá, vamos aproveitando o carioca para matar as saudades do Mais Querido!

Saudações Rubro-Negras!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Acaso nos Protegerá (Ou Não...)

Salve, Buteco! Paulo César Carpegiani confunde-se com minhas memórias mais distantes sobre futebol. Lembro que chegou em 1977 para servir de referência a uma jovem geração que ainda estava por se impor não apenas nos cenários local e nacional. Nos momentos e apuros, Carpa era o mais procurado pela imprensa para falar sobre as expectativas de recuperação da equipe. Tempos de vacas magras e de reestruturação. Protagonista em campo dos históricos Estadual/1978 e Brasileiro/1980, como atleta jogou até maio/1981, quase um semestre após a saída de Cláudio Coutinho do clube, e após os insucessos de Modesto Bria e Dino Sani iniciou a carreira de treinador em plena Libertadores/1981, contra nada menos do que o Olímpia, no Maracanã, para depois levar o Mais Querido do Brasil, em sequência histórica, aos títulos da mesma competição, Estadual/1981, Mundial/1981 e Brasileiro/1982. Carpa, portanto, é um dos símbolos mais fortes da transformação de um time e de um clube de futebol.

Apesar disso, além de sua carreira como treinador não ter conseguido dar sequência ao sucesso no Flamengo, chega com muita desconfiança, que começa com suas ligações com Rodrigo Caetano, cujos critérios para contratação e gestão do Departamento de Futebol são legitimamente questionados há bastante tempo. Terá que se diferenciar pela seriedade e trabalhar com critério, ou do contrário o passado glorioso não será suficiente para distingui-lo de quem a torcida quer ver pelas costas.

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Independentemente do que se pense a respeito dos trabalhos de Zé Ricardo ou de Reinaldo Rueda, é inevitável indagar por que o Flamengo em momento algum da temporada chegou a ter a qualidade de jogo do Grêmio ou a eficiência pragmática do Corinthians, times mais exitosos do Brasil em 2017, dados o elenco, treinadores e a estrutura do Mais Querido.

Expressiva parte dos torcedores e até de jornalistas que acompanham o futebol brasileiro atribuem a Renato Gaúcho o envolvente futebol do tricolor gaúcho, que valoriza a posse de bola e a troca de passes verticais, sempre em busca do gol. Porém, o Grêmio tem um projeto para o futebol do clube, que envolve desde a formação dos atletas na base até a escolha dos profissionais (atletas e funcionários do Departamento de Futebol), passando pelos critérios de trabalho, sempre dentro de uma filosofia. Renato Gaúcho, que aparentemente não é fã desse formato, conforme demonstrou essa entrevista de Eduardo Cecconi ao Blog Ninho da Nação, herdou a estrutura e dela se beneficiou, ainda que aparentemente não a valorize. É importante compreender que Renato Gaúcho não é o responsável pelo conceito, porém na execução agregou outros importantes fatores, como suas experiência e visão de jogo, que lhe permitiram tomar as decisões certas nos momentos mais difíceis, dentro e fora de campo. Os opostos se uniram em uma espiral positiva e vencedora, porém me pergunto se a longevidade e o crescimento de quem não acredita no projeto não acabarão prejudicando sua continuidade.

Em 2017, Renato Gaúcho adotou uma controversa e arriscada estratégia ao priorizar a Libertadores em detrimento do Brasileiro. A expressiva quantidade de jogadores veteranos (para mim, de qualidade atual questionável) que participaram da rodagem do elenco pode ter pesado em favor do pragmatismo ou, a depender da opinião de quem analise, ter sido uma das chaves do sucesso. O tricolor gaúcho teve 100% de êxito, ao apresentar o mínimo de regularidade, quase que em proporção exata, para conquistar a quarta posição na competição nacional e o caneco da Libertadores.

Mais curioso ainda foi o que aconteceu com o Corinthians, que no campo tático jogou rigorosamente da mesma forma que todo o restante dos times brasileiros atuais, com um futebol feio e pragmático (quando mandante, posse de bola para o adversário; fora de casa, propondo o jogo). O diferencial foi a execução perfeita dessa proposta, que praticamente levou à conquista do título antecipadamente no primeiro turno.

Em ambos os casos, apesar dos modelos táticos opostos, o trabalho extracampo, muito superior à media nacional, criou o ambiente favorável para se criar um ótimo conjunto de profissionais que, em sua maioria, individualmente não se destacavam no cenário do futebol brasileiro. A mim parece óbvio: a melhor maneira de se montar um time de qualidade e/ou eficiência dentro de campo começa pela filosofia e o método de trabalho empregados fora dele. O Corinthians vem há alguns anos comprovando esse fato, mas o Grêmio também é um ótimo exemplo, ainda que mais recente. Outros clubes tentam copiar o modelo mais ainda não acertaram a mão, como o Atlético/PR, que acaba de demitir o responsável pela idealização do modelo de jogo e Departamento de Futebol.

É claro que compor um bom elenco e escolher o melhor treinador possível também são medidas de enorme importância nesse processo. Afinal de contas, quem executará todo o planejamento e o projeto do clube? O ponto é: existe uma equação entre todos esses fatores, que podem perfeitamente coexistir e interagir positivamente entre si; porém, quando se fala em trabalho a longo prazo, um ambiente com projeto contendo filosofia e métodos de trabalho para o clube é o que faz mais sentido, inclusive porque otimiza todo o restante e minimiza os efeitos negativos das inevitáveis transferências de atletas e saídas de treinadores. Ao contrário, quando esse projeto não existe, o treinador e o elenco não têm todo o seu potencial explorado e o trabalho passa a ser mais personalizado. Não chega a impedir necessariamente que um time seja campeão, mas com certeza torna muito mais difícil dar continuidade ao que produz resultado.

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Mas o que tudo isso tem a ver com Paulo César Carpegiani? Sabemos que, na prática, o Flamengo até o momento passou bem longe de trabalhar com esses conceitos. Por enquanto, tudo ficou no gogó dos Dirigentes. Como atribui-se a Carpegiani a pecha de ultrapassado, sua inserção em um ambiente de trabalho que peca pela falta de critérios na teoria forma um cenário perigoso, talvez até temerário.

Tenho alguns contrapontos, pois acredito que essa avaliação de Carpegiani seja um pouco imprecisa. É que seus conceitos a respeito de futebol estão muito longe de serem retrógrados; ao contrário, desde o início da carreira se sintonizam com o que hoje há de mais avançado em nível tático. Como Renato Zanata Arnos apontou neste tuíte, nosso novo treinador aposta na movimentação e na inversão de posicionamento e funções entre os atletas dentro de campo. Quem assistiu ou se informou minimamente a respeito de como jogava o legendário Flamengo da "Era Zico", cujo auge se deu quando ele era o treinador, sabe que aquele time adotava muitos desses conceitos, praticados no que é hoje o primeiro mundo do futebol. Além disso, Carpa prestigia atletas com qualidade individual para executar suas ideias, e na minha opinião em nada deve a Renato Gaúcho nas qualidades que destaquei (experiência e capacidade de tomar as decisões certas).

Por que será então que esse treinador não teve uma carreira vitoriosa após sua primeira passagem pelo Flamengo? Todo mundo teme a repetição do que ocorreu em sua mais recente passagem pelo clube, encerrada após o "Chocolate da Páscoa", quando o que se viu foi uma desastrosa aplicação dos mesmos conceitos que acabei de exaltar. Por exemplo, se um zagueiro é escalado para jogar na lateral, desde que não se trate de um atleta de qualidade abaixo da média o resultado variará a depender do grau de entrosamento do time e de como consegue executar defensivamente ideias como a da famosa "compactação". Ocorre que, para se executar um conceito tático é preciso método para transmiti-lo ao time e há razões mais do que fundadas para supor que, naquela época, Carpa não tinha o necessário para tanto. A profissão de treinador é complexa e não prescinde do domínio de diversos aspectos, que abrangem a evolução e adaptação de conceitos à intensa dinâmica do futebol moderno, assim como métodos de treinamento atualizados, gestão de grupo e noções básicas a respeito das múltiplas atividades que são exercidas em um Departamento de Futebol.

É isso que pode pegar. Não sei o que Carpa fez ou deixou de fazer para se atualizar, mas a Diretoria tem a obrigação de saber. Considerando os padrões atuais do Flamengo, é realmente possível que Carpa continue sendo "defasado". Suas qualidades podem ser melhor utilizadas, assim como suas deficiências supridas a depender da equipe e do contexto no qual trabalhar. O ambiente deve facilitar o aproveitamento do que o treinador tem de melhor e não ser outro obstáculo. O que será que a Diretoria do Flamengo está fazendo a respeito? O tempo trará as respostas.

Em termos práticos, para ter sucesso Carpa precisará ao menos nivelar-se à média nacional dos treinadores. Se isso ocorrer, outros fatores poderão contribuir, tais como qualidade do elenco, estrutura do Departamento de Futebol e saúde financeira do clube, além do que talvez seja o mais importante: conquistar os jogadores e fazê-los correr pelo treinador. O exemplo de 2013 ainda vive.

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Geralmente o destino ajuda quem trabalha com competência. É bom lembrar que o futebol não é uma ciência exata. Múltiplas variáveis sempre se fazem presentes. Renato Gaúcho e o Grêmio, por exemplo, tiveram uma boa dose de sorte, afinal de contas enfrentar Barcelona de Guaiaquil e Lanús é em tese muito melhor do que Palmeiras, San Lorenzo ou River Plate, o que facilitou a imposição do bom trabalho e da tradição do tricolor gaúcho.

Carpa e o Flamengo terão que fazer mais do que esperar pela sorte.

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Semana que vem eu escreverei a respeito do elenco.

A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Tema Livre








Irmãos rubro-negros,



como novidade deste final de semana, temos a barca zarpando lotada da Gávea/Ninho do Urubu.

Uma barca vistosa e merecida, mas talvez desnecessária, caso houvesse mais critérios nas contratações e renovações de contrato do departamento de futebol.

De todo modo, o importante é que o elenco está sendo reduzido, com mais espaço para a base e para contratações pontuais.

Meus amigos, fiquem à vontade, o Buteco é de vocês e o tema é livre nesta época de especulações.


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Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.