quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sobrou Incompetência

E o Flamengo foi eliminado pelo Vasco. O pesadelo de muitos ocorreu. Vasco entrou para arrebentar e conseguiu. Com o juiz deixando a violência rolar solta pelo lado do Vasco enquanto amarelava o time do Flamengo. Fizemos  o primeiro gol em uma jogada de sorte. Uma bola cruzada bateu na perna do jogador do Vasco e entrou. E, claro, como teve um corta luz de um jogador saindo em impedimento, isto mereceu a repetição da cena umas cem vezes na transmissão. Não me lembro do mesmo enfoque no impedimento do gol do Vasco no primeiro jogo, ao meu ver bem mais clamoroso.


E agora Rodrigo?

O primeiro gol foi a senha para começar a série de agressões aos jogadores do Flamengo com o propósito de tirá-los do jogo. O técnico fundamentalista evangélico, capaz da violência de tirar uma estátua de Nossa Senhora da sala da imprensa do Vasco não teve qualquer tipo de consideração "crística" ao adversário. Bateram, bateram até conseguirem tirar jogadores importantes de campo. O Guerrero porque o jogador vascaíno ao cair lhe segura o tornozelo, o torcendo de forma proposital. E o Ederson, saindo com o rosto rasgado e perna machucada. Uma série de agressões seguidas não punidas pelo juiz.

Com a saída dos dois o Flamengo morreu no ataque. Sheik não dava conta. Cirino entrou, as usual, apagado e Paulinho, embora tentasse bastante, embolava as jogadas, chutava mal, não dando sequência. Everton, que enquanto teve mais folêgo conseguiu criar jogadas, simplesmente errava 10 entre 10 jogadas de último passe. A habilidade deste jogador em escolher SEMPRE a jogada errada impressiona. Deveria ser objeto de estudo. O erro persistente. Deveria tentar fazer como o personagem "looser" George Constanza, em um episódio da famosa e inesquecível série Seinfeld, em que, como tudo frequentemente dava errado em qualquer decisão que fizesse, resolveu justamente fazer sempre o oposto, conseguindo assim, grande sucesso...Everton no último passe deveria pensar em A e fazer B.

E com o Flamengo claudicante no ataque, e Sheik numa noite particularmente egoísta. Parecia o dono da bola, não passava para ninguém e queria finalizar sempre. Sheik sem Guerrero fica um jogador não solidário. Vasco aproveitou e resolveu atacar. E claro, defesa do Flamengo muito mal montada com o zagueiro com pulo de caracol, César Martins. Uma jogada de escanteio já tinha dada a tônica. Paulo Vitor (para não variar) sai muito mal do gol,  a bola fica sobrando para os jogadores do Vasco enquanto a zaga do Flamengo se limita a assistir e marcar a bola, até Paulo Vitor salvar numa defesa de reflexo. Falei para um amigo ao meu lado. "Ferrou. Esta defesa aí do Flamengo é garantida levar pelo menos um gol de bola aérea." E não deu outra. Logo após uma curiosa e diria medrosa entrada do Jonas (para reforçar o meio da área?), um jogador do Vasco que tinha acabado de entrar, em um cruzamento pela esquerda, pelo lado do Pará, que fez uma partida horrível, cabeceia SOZINHO na pequena área, sem qualquer tipo de marcação em um raio de 3m. Parecia pelada. Flamengo na bola aérea é de uma incompetência atroz. Mas de qualquer maneira coloco isto HOJE na conta do treineiro e do seu péssimo auxiliar Jayme, que há tempos (infelizmente) no Flamengo e ainda é incapaz sequer de auxiliar direito e indicar ao Oswaldo o ÚNICO zagueiro decente que o Flamengo possui em bola aérea para jogar, o Marcelo. Que, infelizmente, é perseguido e achincalhado pela torcida do Flamengo. O destino pune. E pune com a desclassificação do Flamengo. 

E agora? Como pode perder tanto assim para o Vasco em 2015? Tem desculpa, Rodrigo Caetano? Departamento de Futebol? Dirigentes? Não tem. Isto é acintoso e vexatório.



Por Flavio H Souza
twitter: @PedradaRN  

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Vasco da Gama x Flamengo


Copa do Brasil 2015 - Oitavas-de-Final - 2º Jogo


Vasco da Gama - Martín Silva; Madson, Rodrigo, Anderson Salles (Jomar) e Christiano; Guiñazu, Serginho, Júlio dos Santos, Nenê e Jorge Henrique; Thalles (Dagoberto). Técnico - Jorginho.

FLAMENGOCésar (Paulo Victor)Pará, César Martins (Marcelo), SamiJorge; Márcio Araújo (Jonas), CanterosEderson Everton; Emerson Sheik e GuerreroTécnico: Oswaldo dOliveira.

Data, Local e Horário: Quarta-feira, 26 de agosto de 2015, as 22:00h (USET/PRUCT/GMT 21:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - Wilson Pereira Sampaio (FIFA/GO), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho (FIFA/SP) e Guilherme Dias Camilo (FIFA/MG). Quarto Árbitro: Marcelo Aparecido R. de Souza (SP). Delegado: Nilson de Souza Monção (SP).


Gol neles, Mengão !


Creio que todos nós preferimos que o Flamengo vença sempre jogando bem e na bola. Penso que não poderia ser diferente para o torcedor do clube que já teve um dos maiores times de futebol de todos os tempos, gozando do status de Campeão de tudo, absolutamente TUDO, sob a regência de Zico, Júnior e Leandro;

Mas, porém, contudo, todavia, a cultura popular, âmbito no qual está inserido o futebol, diz que "Pau que dá em Chico dá em Francisco", ou seja, a lei vale para todos, como muito bem lembrou o atual PGR Rodrigo Janot ao assumir o respectivo cargo em 2013; 

E onde e por que o jogo Flamengo x Vasco desta noite entra nessa história? Elementar, meu caro amigo do Buteco! O adversário da vez apenas sabe jogar de duas formas primitivas: a primeira alçando bolas altas sobre a defesa do oponente na tentativa de fazer gol e a segunda desferindo bordoadas em todas as direções, de cima para baixo e da direita para a esquerda, embaladas por gritos intimidatórios ao velho estilo do Tarzan e sua Jane embrenhados na selva;

O Flamengo não pode deixar-se novamente ser vencido pela vontade e no grito de quem quer que seja, muito menos por um time medíocre tecnicamente e que, no atual Campeonato Brasileiro, tem um número de gols igual à quantidade de expulsões de jogadores de campo. No primeiro caso é ridículo e no outro extrapola todos os limites esportivos, o que justifica a sua risível colocação no certame, a justa última posição na tabela, no caminho correto para o  terceiro e humilhante rebaixamento para a Segunda Divisão, em apenas oito anos, com direito a pedir música no "Show da Vida" da Poderosa, num domingo à noite antes de dezembro chegar;

Sendo a bola alta a jogada mais perigosa do adversário, a possível volta do goleiro Paulo Victor será bem-vinda, pois o jovem César, que equilibrou-se depois de um início vacilante, voltou a falhar bisonhamente, apesar da vantagem de usar as mãos e os joelhos levantados em disputas contra atacantes que usam a cabeça para alcançar a bola em sua pequena área, além do bônus da marcação de falta de ataque nesses lances, artifício muito usado pelos complacentes árbitros brasileiros;

Ninguém desconhece que será uma partida de alta tensão, mas o Flamengo tem que se impor porque é melhor, tem mais time, é mas equilibrado emocionalmente e, assim sendo, confio numa vitória. Eis o espírito da noite!

SRN!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O Flamengo Caribenho



"O Flamengo não fica no estádio quando o jogo acaba, sai, é a própria multidão que se perde em mil ruas, levando para cada canto a presença do Flamengo."

Não é comum encontrar em Porto Rico alguém que se interesse por futebol. Essa ilha retangular de 160 x 100 km, que passou das mãos de espanhóis para americanos na guerra hipano-americana no fim do século XIX, com pouco mais de 4 milhões de habitantes tem como esportes mais populares o beisebol, o basquete e o boxe. Portanto, qual não foi minha surpresa ao conhecer, na família de minha esposa, o primo Omar. Encantado com o Brasil, estudioso das nossas culturas, amante do nosso futebol. Capaz de escalar as principais seleções canarinhas do século XX, de conversar longamente sobre Zizinho, sobre Djalma Santos, sobre Didi. Sobre Sócrates, sobre Falcão, sobre Zico. 

Zico.

Flamengo.

Não foi difícil estabelecer o vínculo: "Olha Omar, esquece essa coisa de CBF, a verdadeira paixão nacional é o Flamengo, é a religião da qual Zico foi o Messias que nos levou à terra prometida."

Desde então passou a ler o que encontrava sobre o Flamengo. Se tornou um conhecedor de Leandro, de Júnior, de Adílio. E de Carlinhos, de Bria, de Dida. Doutrinou uma amiga boricua e com ela desenhou e produziu camisas com motivos Flamengos. Uma para ele, outra para ela, outra para algum amigo, raramente passam de 4 ou 5 unidades. Me presenteou algumas. E houve reciprocidade, claro: camisas e bandeiras daqui para lá também.


Uma das camisetas boladas pelo primo para divulgar o Fla em Porto Rico


Em abril de 2013 no esquenta para um jogo do Flamengo, eu minha esposa e ele devidamente uniformizados, solenemente criamos a Fla-Puerto Rico. Por enquanto ainda temos 4 membros: nós 3 mais a amiga das camisetas.


Lançamento da pedra fundamental da Fla-Puerto Rico


Ainda em 2013, sua primeira visita ao Brasil, chegada em Salvador, dia de Flamengo, assistimos na Fla-BA. Foi seu primeiro contato com a grandeza do Flamengo, recinto repleto de rubro-negros, e ele encantado. E o Flamengo tomando gol de goleiro no fim do jogo. Ninguém disse que era fácil. Vimos vários outros num período de algumas semanas já documentado no Buteco nesta coluna.


Em Salvador, na companhia da Fla-BA


Finalmente chegou o momento da realização de um sonho: ver o Flamengo no Maracanã. Não se atreveria a vir sozinho, mas no momento em que confirmei minha vinda ao Rio ele comprou passagem também. San Juan - Miami - Galeão. 12 horas depois estava caminhando pelas aprazíveis ruas do Flamengo em busca de um cafezinho. E daí para a Gávea, secretaria. Para resolver um empecilho: a falta de CPF.

A primeira informação necessária para se associar ao Flamengo é o CPF. Sem isso não há possibilidade de associação pela internet. Enviei email para a secretaria, e a resposta veio tristemente curta: não havia jeito mesmo. Aí entra o Luiz Filho, esse incansável batalhador, que reclama com sua amiga Luzia na secretaria, e ela responde que tem jeito sim, que ela resolve. Então após o cafezinho rumamos ao encontro de nossa guardiã na secretaria. Não foi fácil, todo o sistema gira em torno do CPF, é a chave única identificadora dos sócios. Mas a obstinação com que o tema foi tratado venceu todos os empecilhos, e o primo Omar é aparentemente o primeiro estrangeiro sem CPF a se associar como Contribuinte Off-Rio.


Momento da entrega da tão sonhada carteirinha: só sorrisos


De posse da tão sonhada carteirinha, a primeira providência foi sair para poder entrar pelas catracas da entrada principal, recebendo a mensagem de Bem-Vindo estampada na tela. Momento histórico, devidamente registrado.


"Bem-vindo, estranho, ao seu lar"


Claro que o domingo foi um pouco decepcionante no esquenta, pouca gente nas ruas, bares meio vazios (até o Chico's!!), tudo diferente do que sempre vi em minhas visitas ao Maracanã. Claro, como bem retratou o Melo em sua brilhante coluna dominical, não há quem não esmoreça com tanta demonstração de falta de sei-lá-o-que, falta de tudo, derrotas para Palmeiras e Vasco. Repeti algumas vezes que tivesse o Flamengo ganhado bem do Vasco o cenário de domingo seria outro completamente diferente. Mas o primo Omar estava feliz com o que tinha e via, e interagiu com quem encontrou, tirou fotos, se emocionou com a grandeza do pouco que havia.


Esquenta no Cantinho dos Amigos: dessa vez não teve ENBuF


Já dentro do Maracanã pode cantar tudo o que ensaiou nas semanas que antecederam a viagem: vamu Flamengo, vai pra cima deles Mengo, vai começar a festa, acabou o caô, e que torcida é essa, que faz o que fez nesse nosso templo, contra todas as expectativas?

Torcemos, sofremos, pulamos, gritamos, reclamamos, vibramos, fomos Flamengo! E o Flamengo foi um pouco de Flamengo na tarde de domingo.


O Maraca é nosso!!


O que mais podia nos reservar um dia tão cheio de diferentes emoções, além de um bom chopp com sanduíche de pernil no Lamas, local de tanta história e tantas histórias? Só se fosse em companhia do grande irmão rubro-negro Norske, para fechar com chave de ouro essa viagem inesquecível para o primo Omar.


A resenha se deu no tradicional Lamas, berço da criação do Flamengo.


"Quem vai à Gávea não sente a grandeza do Flamengo. E, muito menos, quem vai à praia e vê a sede, lá atrás, baixa, estreita, com um andar só. Sente-se a grandeza do Flamengo cá fora, nas ruas, nas paredes que viram placares de vitórias do Rubro-Negro. E nos estádios, do lado das arquibancadas, das gerais. A multidão grita Flamengo, e o grito da multidão da uma ideia do que é o Flamengo, uma medida de sua grandeza. O Flamengo não está na Gávea, na praia, no Morro da Viúva: está em toda parte. É grande por fora."

PS: As citações em negrito são do Mário Filho, em Histórias do Flamengo.

PS2: E em dado momento havia pelo menos 15 bambis comodamente acompanhando de pé uma jogada qualquer de falta ou lateral no ataque do São Paulo. De pé no ataquezinho do São Paulo, perceberam? Realmente a Leste virou casa da mãe Joana. Nada que um bom brado a plenos pulmões "Aí, bambizada, vamos sentar que isso aqui não é Morumbi não. Todo mundo sentado, porra!!" não resolvesse. Confesso que me surpreendeu. Todo mundo sentou sem nem olhar para trás. LME ficaria, novamente, orgulhoso!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Hora do Predador

Salve Buteco! Eu sei que não deveria ser assim. O time não deveria demonstrar dignidade apenas na chegada do terceiro técnico na temporada, não poderia perder três vezes seguidas para o mesmo rival que marcou apenas oito gols em vinte jogos na Série A, ocupando a lanterna com a defesa mais vazada e levando inacreditáveis trinta e quatro gols. Não poderia sobretudo ter perdido três vezes para o rival sendo que na última demonstrou, inequivocamente, menos atitude e dedicação dentro de campo. Não se deveria ter chegado ao ponto da estrela do time chorar ao marcar um gol após seis partidas em branco, sentindo a pressão. Não precisava ter sucumbido sem reação tantas vezes dentro de campo no Brasileiro.

Mas tudo isso acabou. O fio desvirou. Foi superior, mas dessa vez ganhou, e com uma peculiaridade importante, pois, jogando com intensidade e coragem, superou mais uma falha de seu goleiro reserva, titular por força das circunstâncias; manteve os nervos no lugar e a determinação, e virou o placar contra um candidato ao G4 no Maracanã, logo no dia seguinte à divulgação, pela imprensa esportiva, de dados segundo os quais na esmagadora maioria das vezes, no Campeonato Brasileiro/2015, quem sai na frente do placar vence a partida, estando as chamadas "viradas" em verdadeiro "perigo de extinção".

Diferentemente da partida contra o Santos, por exemplo, conseguiu segurar o placar e por pouco não o ampliou. Contudo, o momento não pede uma abordagem detalhada da partida. Bobagem perder tempo com trivialidades. O time passou o recado que acordou. Para a torcida, é importante que dure.

Quarta-feira a brincadeira acaba. As providências restantes para o despacho antecipado das Suicidas da Marquise rumo a mais uma temporada na Série B não só estão preparadas, como serão impiedosa e prontamente tomadas.

Em seguida, domingo será dia de enfrentar o Genérico Usurpador em Recife e somente então haverá espaço para pensarmos e debatermos o restante do ano. Até quarta-feira a noite, não existe outro assunto e nem pode existir outro foco.

Curtam o momento, a expectativa e a tensão que antecederá a vitória, tornando-a ainda mais saborosa.

***

Tenho uma única preocupação para quarta-feira e ela está em nosso gol. Será preciso ter foco por noventa minutos e consciência de que a bola não deve chegar a nossa área de maneira alguma, em cruzamentos ou em conclusões a gol.

***

Como de praxe, ajudem o Oswaldo a escalar a equipe.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 23 de agosto de 2015

Flamengo x São Paulo


Campeonato Brasileiro 2015 - Série A - 20ª Rodada


FLAMENGOCésar; ParáWallace, Samir e Everton; Márcio Araújo, Canteros, Alan Patrick Ederson; Emerson SheiGuerreroTécnico: Oswaldo dOliveira.

São Paulo - Renan Ribeiro; Lucão, Rodrigo Caio e Luiz Eduardo; Bruno, Hudson, Thiago Mendes, Michel Bastos e Carlinhos; Alexandre Pato e Centurión. Técnico - Juan Carlos Osorio.

Data, Local e Horário: Domingo, 23 de agosto de 2015, as 16:00h (USET/PRUCT/GMT 15:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - Anderson Daronco (FIFA/RS), auxiliado por Fabrício Vilarinho da Silva (FIFA/GO) e Fábio Pereira (FIFA/TO). Quarto Árbitro: Leandro Bizzio Marinho (SP). Delegado: Sérgio Cristiano Nascimento (RJ).

Pendurados: Paulo VictorWallace, Pará e Márcio Araújo.


Alfarrábios do Melo

“Ele era mil/ Tu és nenhum/ Na guerra és vil/ Na cama és mocho/ Tira as mãos de mim/ Põe as mãos em mim/ E vê se o fogo dele/ Guardado em mim/ Te incendeia um pouco...

Éramos nós/ Estreitos nós/ Enquanto tu/ És laço frouxo/ Tira as mãos de mim/ Põe as mãos em mim/ E vê se a febre dele/ Guardada em mim/ Te contagia um pouco...” (BUARQUE, Chico)

Saudações flamengas a todos,

Já que estamos na época das cartinhas e das notinhas, também quero entrar na onda e mandar minha humilde epístola aos briosos jogadores do nosso time.

* * *

Prezados jogadores,

E então? Satisfeitos? Contentes com o que obraram até aqui?

Não quero ser repetitivo, mas vamos lembrar um pouquinho: eliminado das finais de um dos piores Estaduais da história, ocupante do “honroso” 13º lugar do Brasileiro com a expressiva marca de DEZ derrotas em 19 jogos, ou seja, perdemos METADE dos jogos que disputamos, e agora a cereja no bolo, a TERCEIRA DERROTA SEGUIDA para o PIOR time do Campeonato Brasileiro. Uma das mais vazadas defesas da história da Série A não leva um gol nosso há mais de 360 minutos. Perdemos os últimos QUATRO clássicos regionais. Contra as equipes de São Paulo conseguimos a proeza de ganhar UM ponto de quinze disputados, fora as goleadas.

Reconfortante, não?

Peguem o jogo de quarta passada. Com um minuto, levaram um soco e uma pisada. O que nós, como torcedores, imaginávamos que iríamos ver, minimamente, em campo? Vocês meterem uma rodinha, baterem boca uns cinco minutos, arrepiar um adversário na primeira dividida e com isso nivelar a quizumba. No entanto, vocês se esconderam do embate como ratos. Uma postura lassa, covarde, frouxa. Que, desde então, deu o tom do que veríamos a partir dali. Um time quase apático, dominado e envolvido emocionalmente, taticamente e até tecnicamente durante praticamente os 90 minutos. Que deixou a sensação de que o placar mínimo ficou barato. Isso porque vocês gostavam e corriam para o treinador que saiu.

Fico imaginando se não gostassem.

Agora eu me dirijo ao nosso “capitão” atual. Assim, com as aspas. Você é um rapaz letrado. Educado. Bom de conversa. Até joga alguma bola. Mas, vai por mim, esquece isso de querer comandar. Você não lidera nem dinâmica de grupo. É muito fraquinho, muito melancólico. Não tem cabeça. Aliás, você me lembra aquela personagem do Dostoiévski (o Dostoiévski você conhece, né?), o tal Raskolnikov. Ele, um rapaz cheio de ideia de grandeza que um dia mata uma velhinha. Acha que cometeu o crime perfeito. Mas não aguenta a pilha que um comissário de polícia mais esperto toca nele e acaba se entregando. Pois é, você me lembra esse sujeito. Olho você, me vem o Raskolnikov na mente. Primeira pressão, se borra todo. Mas tem uma diferença, ele matou uma velhinha, você não faz mal a uma barata.

Um dia, num Flamengo x Vasco desses da vida, o nosso capitão da época sentiu que os zagueiros adversários estavam batendo muito. Chamou a nossa zaga e meteu berro, “deem neles também, senta a porrada”. Na bola seguinte, o nosso beque jogou o atacante pela lateral. Isso é o que um capitão faz num clássico. Entende o jogo. Enquadra. SE IMPÕE.

Eu já vi o Flamengo terminar jogo com jogador de joelho estourado tentando dar pique na lateral do campo. Já vi jogador meter gol de cabeça mesmo com um olho fechado de conjuntivite, indo bola e sangue pra dentro da rede. Na nossa história já tivemos jogador atuando com braço quebrado, com osso trincado e com apendicite. Jogador comendo grama de desespero após ter falhado num gol. Erigimos o nome sagrado do nosso Flamengo com muito, mas muito suor, espírito de luta e, acima de tudo, a completa recusa em nos entregarmos a qualquer tipo de adversidade. De qualquer natureza. Onde fosse, contra quem fosse, na hora que fosse. Nunca, jamais, em hipótese alguma, nos entregamos. É o que nos orgulha, o que nos faz cantar alto.

E o que temos hoje? Jogador pipoqueiro pedindo pra sair no primeiro dodói ou na primeira entrada mais dura. Boleiro hospedado no departamento médico, como que numa redoma. Jogador fazendo beicinho quando toma vaia. Zagueiro cheio de mimimi porque torcedor reclamou, com razão, das lambanças que entregaram um jogo. Aliás, pra bater boca com torcedor vocês rapidinho viram machos.


O Maracanã, ou pelo menos o que sobrou dele, é e sempre foi nosso maior trunfo. Nosso diferencial. O templo onde os adversários simplesmente travavam, sumiam, eram engolidos. Pois vocês conseguiram algo que eu nunca vi na minha vida. Vocês compõem o primeiro elenco da história do Flamengo que SE INTIMIDA com o Maracanã. Vocês têm MEDO do Maracanã. O estádio lotado os faz se urinarem todinhos. Não gostam da torcida. O torcedor para vocês é um intruso. Alguém que irá cobrá-los, exigir raça, até vaiá-los (que sacrilégio..). Enquanto isso, qualquer figueirense da vida chega lá cheio de marra e desfila em campo.

Meus caros, vocês não representam o espírito flamengo. A essência rubro-negra. O que vocês exibem em campo está completamente divorciado da mais rala e remota caricatura das entranhas do CR Flamengo. Vivessem na época de Agostinho, Domingos, Laport, Nestor, seriam escorraçados na porrada. Vocês trazem tatuada nas suas caras a face estampada da derrota. Vocês não têm brio. Não têm fome. Não têm alma. Só funcionam como grupo para tirar fotinho de cervejinha na mão. A glória lhes é algo metafísico, distante, inócuo. A competição, um estorvo. A pressão, um fardo insuportável. Perdedores. Vocês são perdedores em essência.

A principal característica do Flamengo é a alquimia entre a torcida e os jogadores. Quando nos damos as mãos, somos quase imbatíveis, viramos uma força da natureza. Alguns de vocês viveram isso em 2013. Eu lhes pergunto: quem irá ter ânimo de estender a mão a essa massa amorfa e indiferente que hoje é esse bando de derrotados? Vocês conseguiram suscitar uma falta de identificação que resvala ao nojo, ao repúdio, à absoluta rejeição. A desfaçatez, a cupidez com que vocês se entregam de joelhos à primeira adversidade arrepia-nos e nos inflama de indignação e impotência.

Não irei me estender muito mais. Mas deixo aqui registrado que, até aqui, vocês compõem o esterco, a escória da história do Flamengo. Em décadas e mais décadas, nunca vi um ajuntamento tão pusilânime, tão tíbio, tão pífio, tão incapaz de machucar, de ferir, de competir, de conquistar. Um time ordinário, sem vergonha, sem alma, uma rama de freiras assustadas.

Cabe a vocês, e somente a vocês, reverter esse quadro. Estarei, e estaremos aqui torcendo, e torcendo muito, como sempre. Mas, desde já, registro aqui, com todos os esses e erres: Eu NÃO acredito em vocês.

Acredito na CAMISA. O que é bem diferente.

É isso. Sem mais.

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