sábado, 25 de novembro de 2017

Terceira chance



Era uma vez um menino chamado Alex Roberto. Mineiro de Três Corações, o garoto nasceu na mesma cidade do maior jogador de futebol de todos os tempos. No entanto, o sonho dele era ser goleiro. Começou numa escolinha local e deu seus primeiros passos na base do Paraná Clube. Passou por vários clubes de menor expressão até se destacar no Figueirense e chamar a atenção do Flamengo. Após alguns meses de sondagem, Alex assinou com o rubro-negro em dezembro de 2015. Ficou algum tempo na reserva do Paulo Victor até aproveitar a lesão do titular e não mais deixar a posição. A boa campanha o levou a ser até convocado para a seleção brasileira para quatro jogos das Eliminatórias para a Copa de 2018 e ainda para um jogo amistoso contra a Colômbia em janeiro desse ano.

Daí em diante, ladeira abaixo. Péssimas atuações, falhas grosseiras e o camisa 38 caiu em total descrédito com a torcida rubro-negra. Chegou ao ponto de ser barrado pelo Thiago, goleiro recém-promovido da base, e ter a contratação de um novo goleiro clamada por todos. Chegou Diego Alves e o problema parecia resolvido. Nada disso. Como veio depois do fechamento das inscrições para a Copa do Brasil, o ex-arqueiro do Valencia não podia atuar por essa competição. Na semifinal, Alex foi expulso na primeira partida contra o Botafogo. Thiago fez o segundo jogo e foi novamente titular na primeira da decisão contra o Cruzeiro. Falhou no gol. Para piorar, fraturou o punho num treinamento alguns dias depois. Quem seria o titular no jogo de volta? Sim, ele, Alex.

Apesar do receio, muitos viam como uma segunda chance para o goleiro e seu moicano. Uma oportunidade de redenção que ruiu com a ridícula tática de fazer o que o coração mandava e pular para a direita em todas as cobranças de pênaltis cruzeirenses. Lamentável. Bom, pelo menos agora teríamos um camisa um de verdade para o restante da temporada.

Foto: Gilvan de Souza
Mas o destino nos pregaria mais uma peça num ano cheio de contratempos. Um forte choque com o meia Yony González na última quinta-feira e Diego Alves fraturou a clavícula direita. Precisará passar por uma cirurgia e não atua mais nesse ano. Como Thiago ainda se recupera da fratura, quem voltou ao gol rubro-negro? Sim, ele, Alex.

Os próximos jogos do Flamengo nos reservam fortes emoções...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

FLAMENGO SEMPRE EU HEI DE SER








Irmãos rubro-negros,


Vamos em frente.

Amar incondicionalmente o Flamengo sempre é da essência do rubro-negro.

Quem ama o Clube de Regatas do Flamengo torce, xinga, briga, cobra e apóia como ninguém. 

Minha gratidão à torcida do Flamengo.

A torcida do Flamengo é a maior e melhor torcida do mundo.

O time jogou com muita raça, foi superior ao adversário e mereceu o êxito.

Vamos à Colômbia, irmãos!


...



Hoje é aniversário do nosso grande amigo, Gustavo Brasília. 

Gustavo, que belo presente a vitória do Mengão.

Meu amigo, felicidades, saúde, amor e paz para você e sua família.


Forte abraço no teu coração!


...


Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Flamengo x Junior de Barranquilla


Copa Sul-Americana - Semifinal - 1º Jogo (Ida)


FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Réver, Juan e Trauco; Cuéllar e Willian Arão; Everton Ribeiro, Diego e Mancuello; FelipVizeu. Técnico: Reinaldo Rueda.

Junior de Barranquilla: Sebastián Viera; David Murillo, Rafael Pérez, Jorge Arias e Germán Gutierrez Henao; Luiz Narváez, Rubén Pico, Víctor Cantillo e Luiz Díaz (Henry Mier); Ymmi Chará e Teo Gutiérrez. Técnico: Julio Comesaña.

Data, Local e Horário: Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017, as 21:45h (USA/ET 19:45h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - José Argote, auxiliado por Luis Murillo e Carlos López, trio da Federação Venezuelana de Futebol.

 

Dia de semifinal

Flamengo entrará em campo hoje contra o Junior Barranquilha na semifinal da Copa Sul Americana 2017. Estádio cheio, torcida elétrica, certo?

Não.

Vendas de ingressos aquém do esperado. Muitos alegam preços altos. Mas isto não foi impeditivo para a torcida lotar o Maracanã outras vezes. E, vamos considerar, Flamengo chegou a cobrar preços mais em conta em suas partidas e isto não foi o suficiente para encher o estádio, obrigando o Flamengo a fechar um setor da Ilha do Urubu, de apenas 20.000 lugares, por exemplo.

Exceção feita àqueles que realmente gostariam de ir e iriam, se o preço fosse do tamanho permitido pelos seus orçamentos, o problema para mim é bem nítido. O descolamento da torcida com este time. É um time que decepcionou tanto ao longo do ano, que a torcida parece que "desistiu" do mesmo. E porque a decepção? Por várias partidas jogadas sem "entrega" por parte dos jogadores. O time do Flamengo, hoje,  é um "produto" que não se pode confiar. 

Mas eis que este time maníaco-depressivo, que oscila entre buscar resultado ou ficar catatônico, por algum motivo, chegou à semifinal da Copa Sul Americana. O torneio continental de segunda linha, para aqueles que não chegaram à Libertadores ou fracassaram no trajeto. Caso do Flamengo. Enfim, é um torneio que alguns encaram meio envergonhados, servindo de consolação. Ainda porque o Grêmio conseguiu chegar a final da Libertadores com um catadão de jogadores, entre os quais, Leo Moura, Cortez e Jael, o Cruel. E o Flamengo de Diego e Guerrero, saiu na fase de grupos. 

Segunda linha ou não, é o campeonato continental que o Flamengo está. E não somos bons nisso. Ano após ano, priorizamos carioquinhas. Ano após ano a torcida enche mais os estádios para rivalidades locais. Ganhar do Vasco, Fluminense e Botafogo, ainda é o maior desejo de muitos. Flamengo precisa dar o salto. Passar a querer o domínio continental. E para isto só priorizando ao máximo Libertadores ou Sul Americana. O que conseguir jogar. Tem que ser política do clube e assimilada pela torcida.

Não pode priorizar carioquinha. Mesmo se tiver na final, e está jogando a Libertadores, coloca-se time B para disputar. Não vai machucar jogador importante em decisão irrelevante. O espírito tem que ser este. Ter um "time titular" para disputar o carioquinha formado pelos reservas do time da Libertadores acrescidos de jogadores sub20 com o número permitido pelo regulamento. O regulamento do carioca exige que se o clube participa de torneio internacional seus jogadores devem ser inscritos também no carioquinha, nesta aberração típica brasileira: a Federação estadual, mais uma instituição simbólica deste país dos carteis que se tornam núcleos de poder e concentração de renda.

Enfim, repetindo para fixar bem. Nossa prioridade sempre deve ser torneio continental. Só com boa performance nestes torneios poderemos, enfim, partir para uma escala mais "mundial". E, neste processo, devemos buscar a supremacia no Brasil. E não é disputando o campeonato brasileiro sem ambição alguma e com jogadores aquém da qualidade do Flamengo que iremos conseguir. 

Flamengo em 2017 pecou pela ausência de espírito competitivo que culminou com a eliminação precoce na Libertadores, causando imenso prejuízo emocional na relação do time com a torcida, agravada por declarações sempre estapafúrdias e melancólicas dos dirigentes ligados ao futebol, inclusive do Presidente, travestido de VP de Futebol.    

Porém, vamos seguir em frente. E hoje é o dia. Que os tambores rufem, que os gritos saem da garganta, incentivando o elenco. Flamengo entrará em campo. Precisará reunir ainda os cacos destruídos pela falta de confiança da torcida e fazer destes cacos armas para derrotar o Junior Barranquilha. Que o sangue nos olhos esteja em todos os jogadores e na torcida.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Alfarrábios do Melo

Toda vez que o Flamengo vence/ Tem sempre um nhem nhem nhem/ O Flamengo (...)/ Não pode ganhar de ninguém” (Flamengo e Mangueira, Bezerra da Silva)


Saudações flamengas a todos,

Domingo próximo passado, o Flamengo goleou o Corinthians por 3-0, em partida disputada na Ilha do Urubu, válida pela 36ª Rodada do Campeonato Brasileiro. As duas equipes atuaram com desfalques. Todos os gols foram marcados na primeira etapa.

Atuando de forma concentrada, agressiva e com aplicação tática, o rubro-negro não teve dificuldades para se impor ao adversário. Após desperdiçar algumas oportunidades, abriu o marcador com Mancuello. Manteve o controle da partida e chegou ao segundo gol com Diego, em cobrança de pênalti sofrido por Geuvânio. Com a vantagem de dois gols, a equipe recuou um pouco e cedeu campo ao adversário, que chegou a criar algumas chances em bola parada. Mas, num erro na saída de bola corintiana, o Flamengo definiu o jogo com Felipe Vizeu. Na segunda etapa, o Flamengo administrou o resultado, mantendo a partida sob controle.

Um fato inusitado se deu ao final da primeira etapa, quando, após Diego Alves espalmar a mais clara chance de gol do Corinthians até então, o zagueiro Rodolfo e o atacante Vizeu iniciaram uma áspera discussão e por pouco não foram às vias de fato. Na sequência, após marcar o terceiro gol, o jovem centroavante fez um gesto obsceno para o defensor, o que prolongou a confusão, resolvida no vestiário.

* * *

A narrativa acima possui caráter denotativo, buscando descrever de forma sucinta o que aconteceu na Ilha do Governador na tarde do último domingo.

No entanto, quem procurou por detalhes objetivos que tentassem detalhar a escovada que o Flamengo aplicou no alvinegro paulista provavelmente encontrou severas dificuldades em seu intento, tal a plêiade de senões, “veja bem” e adjetivos vociferados por quase toda a unanimidade da crônica esportiva e mesmo das redes sociais.

Porque, segundo os relatos dos torcedores de microfone que se dedicaram ao esforço hercúleo de transformar suas deblaterações em senso comum, o jogo de domingo foi “atípico”. “Estranho”.

Sigamos.

A começar pelo fato irretorquível de que o visitante atuou com um time “misto”. Com efeito, os paulistas não levaram a campo os dois laterais, dois meias e um meia-atacante. Fato, que não deixou de ser explorado em notas como “Flamengo bate mistão corintiano”.

O problema é que o Flamengo também usou um time misto, desfalcado que estava da dupla de zaga titular, dos dois pontas e do atacante. Cinco baixas, tal como o adversário.

Donde, a tese de que o Flamengo derrotou um adversário “enfraquecido” é fulminada na origem.

A seguir, adentra-se pela seara da briga entre Rodolfo e Vizeu. Evento periférico, ocorrido com o placar já encaminhado, que ensejou pruridos ruborizados de cronistas que dedicaram fartos minutos em longas arengas sobre o ocorrido, dedos apontados aos atletas, tratados como párias, inimigos do bom desporto.

O cinismo dos derrotados.

A ênfase ao “time misto” ou ao bate-boca escolar teve, tem e ainda seguirá tendo a única finalidade, o único fito de amaciar, dourar, encobrir, empanar e, em último caso, embotar a inapelável, a emblemática, a inescapável surra que o Flamengo aplicou no Corinthians, menina dos olhos da grande crônica esportiva, muito por conta de sua localização geográfica, com três gols em 45 minutos, amassada que provavelmente não ganhou contornos mais amplos por conta de outras questões (desgaste, jogo decisivo na quinta-feira, fim de temporada).

Todas as vezes que o Flamengo extrai um feito digno de nota, que se erige à altura de sua expressão, que irrompe em aguda demonstração de força, pipocam vozes e ganidos estridentes que, arrogando-se o preceito de magistrados dos fatos, perscrutam a mais tépida evidência de pretensa irregularidade que tenha, em sua visão, desviado o evento esportivo de seu curso normal, qual seja, o revés flamengo. Com efeito, um Flamengo derrotado, batido, represado, combalido, está no lugar natural das coisas. Dos desejos saciados. Dos ânimos adocicados. No entanto, erga-se um Flamengo pujante, de clava pesada, predador, pronto a exercer seu papel natural de protagonista, logo se derramará em nervoso desespero uma jarra de lamúrias, subterfúgios, quizílias e outras mumunhas diversionistas. Qualquer um pode ganhar, conquistar, golear, ser temido, admirado, exaltado, enaltecido.

Menos o Flamengo.

E aí sobrevém uma das mais abjetas pragas desses tempos modernos. Que é até antiga, mas à qual ultimamente se tem recorrido à farta, qual recurso renovável, inesgotável.

A relativização.

A relativização está nas menores coisas. Goleamos o Corinthians, é porque estavam com reservas (embora também estivéssemos). Goleamos o San Lorenzo, é porque estavam sem ritmo (embora nenhum outro argentino tenha sido goleado na mesma rodada). Ganhamos do Cruzeiro, é porque estavam desinteressados (embora dias antes tenham arrancado um empate do superestimado Palmeiras).

Ano passado, vencemos o Fluminense por 2-1 em um jogo-chave para a disputa do Brasileiro, já em sua reta final. Houve um lance polêmico, em que o árbitro decidiu voltar atrás após validar um gol irregular do adversário já nos minutos finais, o que decretaria o empate, mesmo com o auxiliar tendo anotado, corretamente, o impedimento do atacante. A atitude do árbitro ensejou vozes furiosas clamando pela anulação do jogo, arguindo a imoralidade intrínseca à invalidação de um gol em impedimento. Esse ano, algo parecido ocorreu na Vila Belmiro, quando o árbitro, numa partida entre Santos e Flamengo pela Copa do Brasil, voltou atrás numa marcação de um pênalti inexistente contra o rubro-negro, o que provocou reações ensandecidas e discursos impolutos clamando pela moral e pela necessidade de “limpeza” no futebol brasileiro, “esquecendo-se” de que tal prática, relativamente recorrente, beneficiara o próprio clube santista poucos dias antes, numa partida contra o Bahia.

O casuísmo do discurso guardado na gaveta. Usar quando convém.

Não que sua origem seja recente, repita-se. Afinal, o Flamengo foi Campeão Mundial porque o Liverpool “jogou com reservas” e seu goleiro “estava na gaveta”. Ganhou uma Libertadores “sem argentinos” e por causa “do Wright”. Ganhou 1980 “no apito do Aragão”, 1982 “na bola de mão do Andrade tirada de dentro do gol”, 1992 “no suborno de dois botafoguenses”, 2009 “na entregada de Grêmio e Corinthians”, seu primeiro tri foi “na falta do Valido”, o segundo tri porque “o Tomires quebrou o Alarcón”, o terceiro tri “não foi tri, porque 79 foi virada de mesa”. Sem falar de 1987, do rebaixamento inventado… Ilações estridentes e risíveis, escancarada e impiedosamente desmentidas pelos fatos. Mas danem-se os fatos, diria o Velho Nelson. O que importa não é o que aconteceu. Mas o que se gostaria que tivesse acontecido.

Entretanto, o grande, o terrível, o corrosivo problema se dá quando a nossa gente começa a replicar esse tipo de discurso.

Sabe-se que o Flamengo vive um grave momento de crise de identidade. Uma aparentemente insanável incapacidade de gerar um ciclo sustentável de glórias e vitórias, muito por conta de escolhas equivocadas e da própria inépcia do clube em entender seu papel institucional diante de sua torcida. Que os resultados recentes, examinados a cru e a nu, são banhados de uma inaceitável mediocridade que o submergem a uma estatura incompatível com a expressão que o clube já deveria estar exibindo no cenário nacional e, por que não, continental. Que o rubro-negro recusa-se a queimar navios em busca da irrenunciável briga por títulos e conquistas. Que reluta em estender as mãos ao seu torcedor. E isso traz revolta. Inconformismo. Um sentimento amargo, uma sensação de negação e descrença. Uma profunda rejeição.

No entanto, com tudo isso, há que se vestir de cautela antes de espancar e apedrejar os fatos. A lente do negativismo é tão ou mais nociva do que a dócil aceitação de tudo o que emana do clube e de seus paredros.

Donde, se goleamos, se classificamos, se conseguimos uma vitória expressiva, que as saudemos. Que as desfrutemos. Que as esfreguemos nas frontes de quem as mereça. Que nos divirtamos. E que, saciados, tornemos a nos inserir e a nos posicionar no contexto que nos cerca. Opinando, elogiando, criticando, defendendo, atacando, pressionando. Pressionando muito. Fazendo valer a nossa voz. Uma voz que, por grossa, tem o condão de sacudir, de reverberar, de fazer sair da letargia os acomodados, os conformados, os que não entenderam a dimensão de defender as cores do nosso Flamengo.

Mas que nunca nos esqueçamos. Dirigentes, profissionais, jogadores, treinadores. Todos esses passam. Dão suas contribuições e são substituídos. Todos. Mas o Flamengo, a instituição, o clube, o Flamengo jamais deixará de ser o nosso foco. O centro da nossa visão. Do nosso ardor. Do nosso amor.

Porque, independente de nomes, um Flamengo forte e vencedor é o que nos interessa.

E apenas a nós.

Boa semana a todos.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Olhando para o adversário


Olá Buteco, bom dia!

Finalmente, chegou a semifinal! Não parece, mas já se vão 20 dias desde a brava classificação obtida em cima do Fluminense. De lá para cá, enfrentamos nossa montanha-russa particular no campeonato brasileiro e a chapa esteve muito quente após a derrota contra o Coritiba. Este 3x0 de domingo não poderia ter vindo em melhor hora. 

O adversário é um ilustre desconhecido: incrível como são poucas as matérias na imprensa especializa que informam sobre o modelo de jogo do Junior Barranquila ou seus melhores jogadores. Talvez a partir de hoje estas matérias comecem a aparecer mais. O que eu consegui fazer foi olhar, estatisticamente, para a temporada deles.

O campeonato colombiano é, como quase todos aqui na América do Sul, disputado duas vezes por ano: abertura e encerramento. A diferença é que lá ainda se classificam os 8 primeiros para o mata-mata que define os campeões de cada campeonato. No abertura, Junior Barranquila foi apenas o 12º, não conseguindo classificação para os playoffs.

Disputaram duas fases da pré-Libertadores deste ano: eliminaram o Carabobo (VEN) com duas vitórias (1x0 fora e 3x0) e foram eliminados pelo Atlético Tucuman da Argentina, 1x0 em casa e 1x3 fora. Neste último jogo, o Tucuman abriu 3x0 com 30 minutos de jogo.

Ganharam a Copa da Colômbia deste ano em cima do Independiente Medellin, após eliminar, nas fases anteriores, Once Caldas, Millionarios e Patriotas Boyacá (que havia eliminado o Nacional de Medellin). Por conta deste título, já estão garantidos na pré-Libertadores 2018. No Encerramento Colombiano, Junior terminou a fase de classificação em primeiro. Os playoffs começam no próximo final de semana e eles pegarão o America de Cali. 

Finalmente, olhemos a trajetória do Junior nesta Sulamericana: vindo da eliminação na pré-Libertadores, entraram na mesma fase que nós: enquanto atropelávamos o Palestino, eles obtiveram dois empates em 1x1 no confronto local contra o Deportivo Cali e vitória nos pênaltis. Nas oitavas, empate fora de casa (0x0) e 3x1 em casa para eliminar o Cerro Porteño. Nas semifinais, eliminaram o Sport Recife, com vitória fora (2x0) e administrando em casa (0x0). 

O time deles não parece bobo. Vieram de uma eliminação prévia na Libertadores mas ainda se encontram invictos na Sulamericana, mesmo tendo confrontos difíceis com Cali e Cerro. Já têm um título relevante no ano e brigam pelo colombiano. Não podemos subestimá-los. O lado bom é que nosso técnico é colombiano e certamente acompanhou a trajetória desse time ao longo do ano.

Do lado de cá, também nos encontramos invictos na competição e no Maracanã: foram 16 jogos nessa temporada no Maior do Mundo, entre Carioca, Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil, com 9 vitórias e 7 empates. 

A vitória de domingo estabilizou a pressão e trouxe a esperança de título novamente à Nação. Já temos quase 25 mil ingressos vendidos até aqui e o Setor Norte já está esgotado. O apoio será fundamental para sairmos com a vantagem neste confronto. 

Vamos, Flamengo!!!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Panelas

Salve, Buteco! Há uma panela aqui dentro me boicotando”, “os jogadores 'da casa' não me suportam”, “eles me jogam contra a torcida.” Nesta edição dos Alfarrábios do Melo, publicada aqui no Buteco em 16 de agosto de 2017, nosso amigo Melo nos lembrou das palavras do então centroavante do Flamengo, que inclusive se formou nas categorias de base do clube, porém rodou bastante por outras agremiações antes de voltar ao Mais Querido. Certamente podemos citar vários centroavantes com mais técnica e categoria, mas nenhum teve tanto êxito no Flamengo como Nunes ou "João Danado", que na ocasião reclamava de panela em plena época da geração mais vitoriosa do clube. Indubitavelmente vitoriosa, a melhor e mais querida da história, mas ainda assim uma panela.

Por sinal, panelas sempre existiram no Mais Querido e há vários exemplos de sucesso, apesar das confusões extracampo. A minha leitura é que o clube tem uma tradição de mimar jogadores, muito por haver formado em suas categorias de base os maiores e melhores astros de sua história. Ocorre que ela, história, não se repete e não existem pessoas iguais às outras, assim como gerações idênticas. Foi por isso que, finda a Geração Zico, o clube não soube lidar com a indomável Geração Copinha/1990, marco inicial de um processo de decadência que, apesar das revelações de jogadores como Sávio, Juan, Adriano e Júlio César, além de Athirson e Ibson, chegou ao fundo do poço na atual década, antes do início da atual gestão, que, registre-se, vem fazendo um bom trabalho de recuperação nas categorias de base.

Com a dilapidação da Geração Copinha/1990 e o último suspiro da Geração Zico, as "panelas da base" cederam espaço para as panelas formadas pelas estrelas e pelos jogadores "com mais tempo de clube". Foram várias até que, em 2009, a panela que fritou Cuca em fogo alto uniu-se em torno de Andrade, "da base", e protagonizou a arrancada para a conquista do título depois de dezessete anos. No ano seguinte, de ressaca da conquista do título, sobrou confusão fora de campo, mas ainda assim a panela esteve à frente da melhor campanha na Libertadores depois dos anos 80, até que uma infeliz decisão da então presidente Patrícia Amorim levou ao desvio de rota do ônibus que transportou a delegação para o Maracanã e o comprometimento da primeira partida das quartas-de-final contra a Universidad de Chile. Em 2011, a panela conquistou uma vaga na Libertadores e não brigou pelo título em razão dos problemas financeiros pelos quais o clube passava, e em 2013 a panela que levou Mano Menezes a perder as estribeiras e pedir demissão logo em seguida conquistou o terceiro título da Copa do Brasil.

Como se pode ver, o problema das panelas jamais foi futebol ou títulos, sendo "da base" ou não, mas sim a questão disciplinar. Não era incomum que os jogadores tocassem o horror internamente. Na gestão Eduardo Bandeira de Mello, o projeto dos "Blues" envolveu a formação do elenco com jogadores de perfil mais responsável e conduta profissional. Fora alguns problemas em 2013, creio que a meta foi atendida. Ainda assim, a tradição dos jogadores terem mais poder do que deveriam continuou forte; a novidade foi a ascensão de alguns limitadíssimos, dentre eles verdadeiros perebas, aproveitando-se da inexperiência e fraqueza da diretoria. Formou-se então o pior dos mundos: panela dirigida por perebas, futebol sem paixão e títulos; Diretoria sem sangue, panela fria.

***

Panelas sempre existirão e por isso não são o centro do problema. Nós, seres humanos, por natureza somos sociais, e portanto é irreal imaginar que em qualquer ambiente profissional não se formarão grupos a partir de pontos de afinidade. No futebol não é diferente. Como o Flamengo tem por tradição formar jogadores em suas categorias de base, é natural que existam grupos formados por jogadores que se conhecem desde a infância, em um processo de crescimento interativo até a categoria profissional, assim como grupos formados por jogadores que trabalham juntos há muitos anos. Sejam de um ou outro tipo, os grupos passam a ser nocivos quando conquistam mais poder do que deveriam e os interesses de seus integrantes passam a prevalecer em detrimento do Flamengo. Em termos práticos, quando o prestígio interno de um jogador, seja por qual motivo for, define sua escalação e a extensão do seu vínculo com o clube, e não o seu rendimento dentro de campo.

Isso só acontece quando a Diretoria é fraca, não assume seu papel e por isso erra tanto na formação do elenco, quanto no estabelecimento de limites e diretrizes. Diretoria boa forma elencos bons e se faz respeitar, assim como o clube. Diretoria fraca e omissa gera crise e resultados ruins dentro de campo. O vácuo é sempre preenchido, de uma maneira ou de outra.

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Quem sabe com o tempo saberemos e entenderemos o que aconteceu ontem? Se a postura apresentada pelos jogadores foi fruto da pressão da torcida, do medo de perder o emprego em 2018, de atitudes tardias da Diretoria ou um pouco de cada um desses fatores, o certo é que tivemos gol de placa do Mancuello, atuação de gala do Diego, jogadores brigando e se cobrando dentro de campo em vez de ficarem indiferentes à vitória. Ontem o Flamengo jogou como Flamengo.

Melhor ainda: a combinação de resultados, inclusive da final da Libertadores/2017, poderá até propiciar a vaga direta na edição de 2018, o que boa parte da torcida, com toda a razão, havia passado a duvidar.

Mas agora o papo sobre panelas e composição de elenco precisa dar um tempo em favor do Flamengo, que deve sempre estar em primeiro lugar. A boa atuação e a goleada de ontem vieram em ótimo momento: quinta-feira o Mais Querido dará início à disputa das semifinais da Copa Sul-Americana, o que representa reais chances de chegar à final de uma importante competição internacional pela primeira vez neste século.

A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.