segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estagnação

Salve, Buteco! O histórico do Flamengo na Arena da Baixada é desfavorável e o time jogou com vários desfalques. Porém, para quem deseja ser campeão, a liderança, que seria obtida com a vitória, não é algo do qual se possa abrir mão. Resultado bom, ruim ou aceitável? Zé Ricardo pareceu satisfeito ou quem sabe aliviado. Na minha opinião, é nas situações adversas que o campeão se impõe e se mostra, exibe o seu ímpeto e a fome de vencer. Percebam que eu estou falando em título, em conquista, e não mais em fuga do rebaixamento ou mesmo classificação para a Libertadores. No primeiro caso, trata-se de realidade impensável para a estrutura e o elenco que o Flamengo possui; no segundo, o resultado mínimo que a torcida espera nesse campeonato, valendo a ressalva de que seria decepcionante terminar 2017 na mesma situação que 2016.

Longe de ter sido um desastre, ao mesmo tempo a atuação do Flamengo na Arena da Baixada confirmou a postura do marasmo, do sentimento morno em relação à vitória, da pouca vontade de vencer. Independentemente de como se encare o empate como resultado final, é preciso enxergar além as circunstâncias que o envolveram. O futebol do Flamengo não convence e nem favorece expectativas mais otimistas.

Com Diego em campo o Flamengo já tinha dificuldades para vencer fora de casa e marcar gols, comparando com as outras equipes que são cotadas para a disputa do título Brasileiro. Logo, não se trata de um fato novo, até porque vem de 2016 e não se consegue perceber evolução significativa na equipe de 2017. O Flamengo/2017 continua sem vocação ofensiva e cria pouco. Parece estagnado no modelo e no patamar de 2016, os quais dificilmente levarão a um título importante, fato cabalmente comprovado pela eliminação na fase de grupos da Libertadores.

Ontem, na Arena da Baixada, o Flamengo foi novamente burocrático, tanto no primeiro tempo, quando marcou seu gol e o Atlético/PR teve chances para empatar e virar, como no segundo tempo, quando adotou postura um pouco mais ofensiva e criou algumas chances, mas permitiu o empate do adversário, que pouco criou. Muitos passes, muito toque de bola improdutivo, poucas jogadas de gol. Ninguém jogou realmente bem e alguns foram mal.

O que fazer para sair da estagnação?

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Uma das causas é a aposta em alguns jogadores que não têm nível técnico para serem tratados como titulares absolutos ou pilares de sustentação do time. São eles Muralha, Rafael Vaz e Márcio Araújo. Muralha, com todo o respeito, foi superestimado desde o início. Nenhuma surpresa o seu rendimento oscilante. Rafael Vaz até consegue jogar de forma segura alguns jogos, quando não lhe são atribuídas funções que estão além de sua capacidade; o problema é que o jogador, além de superestimado pela comissão técnica, crê sinceramente que é um fora-de-série. Essa dupla foi responsável pelo gol de empate do Atlético/PR ontem, na Arena da Baixada, o que está longe de ser fato isolado. Enquanto Muralha quase empurrou pra dentro a bola que vinha em sua direção, Rafael Vaz "decidiu" não marcar quem Zé Ricardo determinara. Para um time que cria pouco, as falhas individuais defensivas tiram as poucas chances de vitória, principalmente fora de casa.

O caso de Márcio Araújo é o mais latente. Costuma ser louvado por sua rapidez e por nunca se machucar, mas prestando atenção na sua movimentação dentro de campo, nota-se que o nosso primeiro volante se limita a preencher espaços e a cercar o adversário. É como o time fosse montado em torno de sua improdutividade. De vez em quando, na base da velocidade, rouba ou intercepta uma bola do adversário, mas nunca disputa uma dividida e quando tem a bola praticamente se limita a conduzi-la, sem capacidade de ir além dos passes laterais. Postura de Yaya Touré, futebol de Márcio Araújo. Nenhum outro grande clube brasileiro lhe dispensaria tratamento tão generoso, inclusive porque a quantidade de vezes em que é utilizado, em comparação com outros volantes do elenco, é absurdamente desproporcional. Ontem se escondeu como sempre e quase entregou um gol ao adversário, mas não duvidem de sua presença certa na próxima partida. Algo está errado.

Quando a geração mais vitoriosa da história do clube passou, o Flamengo se tornou pródigo em dar tratamento de ídolo a jogadores que não dão muito retorno técnico, mas têm liderança fora de campo. Por exemplo, aconteceu há pucos anos atrás com o Renato Abreu em final de carreira. Depois de alguns meses e poucos jogos pelo Santos, nunca mais atuou por clube algum. Só que o "Urubu-Rei", além de ter história no clube, cansado e quase pifando era mortal dentro da área e na bola parada. O nível está despencando.

Acredito que o mal-estar que surgia quando se apontava a falta de experiência de Zé Ricardo já tenha sido superado. Qualidades o nosso treinador possui, mas sua insegurança para fugir dessa estagnação é evidente e incontestável. A causa da inércia pode até advir da insegurança de quem está no início da carreira e de algumas convicções conservadoras, mas acredito que outro fator importante é a gestão do elenco. Um treinador novo buscar respaldo e apostar em jogadores experientes ou com mais tempo de casa é previsível e pode até não ser um problema, desde que essa opção também dê retorno técnico e resultados compatíveis com o tamanho e as ambições do clube. Nada de errado em se cercar de Réver, Diego ou Guerrero, e sim com o empoderamento da mediocridade.

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Justiça seja feita, Zé Ricardo não toma essas decisões sozinho. No mínimo, houve omissão de seus superiores no momento da montagem do elenco. O perigo é que permaneçam de braços cruzados até o final do ano. Repito o que já escrevi nesse espaço: se o Flamengo, um dos clubes de futebol com maior pressão no mundo, aposta em um treinador inexperiente na profissão, o mínimo que deveria fazer é lhe dar estrutura e elenco de primeiro nível, além de apoio. Mas se a Diretoria, ótima em nível administrativo, também é novata no meio futebolístico, inviabiliza-se a supervisão do trabalho da comissão técnica e gerência executiva, como também a identificação dos problemas e correção de rumos. Eduardo Bandeira de Mello pode ser um ótimo administrador, mas deveria passar longe de uma vice-presidência de futebol, ainda mais quando resolve xingar e qualificar pejorativamente parte da torcida. Fred Luz é o dirigente que defendeu a venda de ingressos em maior proporção a torcedores adversários em 2016, o que no mínimo sinaliza como encara a competitividade no meio do futebol. E Fernando Gonçalves, o "coaching" responsável pela parte psicológica no Departamento de Futebol? Pode-se afirmar que imprimiu ao Flamengo uma mentalidade competitiva e vencedora?

Rodrigo Caetano é o mais experiente da direção em nível de futebol, sem a menor sombra de dúvida, e é claro que teve seus acertos, como nas contratações de Guerrero, Diego e Trauco. Muitas de suas opções, porém, são no mínimo questionáveis. Diz a imprensa que está prestes a contratar mais um jogador com histórico recente de contusões, o que é simplesmente inacreditável. Para cada Elias, Guerrero, Diego ou Everton Ribeiro a torcida terá que aguentar um jogador com condições físicas duvidosas?

No mínimo, as diretrizes e os parâmetros do Departamento de Futebol precisam de sérios ajustes, mas quem no Flamengo tem conhecimento e autoridade para supervisionar Rodrigo Caetano e Zé Ricardo? A Diretoria que tem o mesmo discurso de "consciência tranquila, dever cumprido e o trabalho continua"?

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Não reconhecer onde está errando é ruim; não ter autocrítica e bater-boca com a torcida é ainda pior, mas nada é mais danoso do que a omissão.

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Alguém poderia contra-argumentar que o campeonato está apenas no começo e o clube já esteve em situação bem pior neste século. Só que não existe (ou não deveria existir) espaço para esse tipo de pensamento, terreno fértil para a acomodação. O Flamengo continua a ser um clube de futebol, e futebol é competição, rivalidade, briga por títulos. Nos últimos anos, quando empurrou com a barriga problemas evidentes, não conseguiu terminar a temporada vencedor. Torço para tudo dar certo, mas prefiro não me calar enquanto ainda dá tempo pra reagir.

Domingo tem clássico contra o Botafogo e a palavra, como sempre, está com vocês, inclusive quem acha que está tudo dentro da normalidade e nada deve ser mudado.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 28 de maio de 2017

Atlético/PR x Flamengo

 


Campeonato Brasileiro 2017 - Série A - 3ª Rodada

Atlético/PR: Weverton; Jonathan, Thiago Heleno, Paulo André e Sidcley; Otávio, Matheus Rosseto, Lucho González, Nikão e Pablo; Grafite (Eduardo da Silva). Técnico: Eduardo Baptista.

FLAMENGO: Muralha; Pará, Réver, RafaeVaz e Renê; Márcio Araújo; Willian Arão, Cuéllar, Mancuello e Matheus Sávio; Guerrero. Técnico: Zé Ricardo.

Data, Local e Horário: Domingo, 28 de Maio de 2017, as 16:00h (USA/ET 15:00h), no Estádio Joaquim Américo Guimarães ou "Arena da Baixada", em Curitiba/PR.

Arbitragem - Bráulio da Silva Machado, auxiliado por Kléber Lúcio Gil (FIFA) e Neuza Inês Back (FIFA), todos de Federação Catarinense de Futebol. Quarto Árbitro: Henrique Neu Ribeiro (SC). Assistentes Adicionais 1 e 2: Willian Machado Steffen (SC) e Evandro Tiago Bender (SC). Analista de Campo: Anderson Carlos Gonçalves (SC).

 

sábado, 27 de maio de 2017

Quadra de Dez


A chegada do Everton Ribeiro é iminente. Pra mim parece questão de tempo, seria mais "quando" do que "se". Desde quando a especulação começou a ganhar mais força, o que mais se lê e ouve são questionamentos do tipo "mais um meia?!", "outro dez?!", "já temos Diego, Conca e Ederson, pra que mais?!", entre vários outros. Pipocaram nas redes sociais inúmeros diagramas com esquemas táticos diversos, elocubrando como encaixar tantos jogadores ofensivos no time do Flamengo. Além dos quatro, sem contar o Guerrero, claro, ainda temos Everton, Berrío, Gabriel, Mancuello e os garotos Matheus Sávio e Paquetá.

Será que, realmente, os quatro dez tem as mesmas características? Definitivamente, não e é isso que vou tentar mostrar.

Diego:
Foto: Gilvan de Souza
Todos esperavam um ganho técnico na chegada do ex-Menino da Vila no meio do ano passado. No entanto, o que ele entregou, logo desde a estreia, foi muito mais do que o mais otimista imaginava. Mesmo já com mais de 30, Diego é o meia armador moderno. Corre o campo inteiro, volta para fazer a saída de jogo e ainda aparece na área adversária. Ficou clara, nas últimas semanas, a falta que ele faz para a equipe.

Foto: Gilvan de Souza
Dario Conca:
No Fluminense, em ambas passagens, Conca tinha características semelhantes às do Diego. Disposição, combate, habilidade. Em 2015, na volta à China, passou a jogar mais próximo ao gol e, ok, numa liga mais fraca, fez muitos gols e assistências. Hoje, com 34 anos de idade, é uma incógnita depois de vários meses no estaleiro. Em teoria, seria opção ao Diego mas pode atuar como armador aberto, talvez sem a mesma aplicação tática de um Everton, por exemplo.

Foto: Gilvan de Souza
Ederson:
Esse é um meia atacante e ficou muito claro na última quarta-feira. Ederson atuou mais próximo do Guerrero, quase como um segundo atacante, o que acabou sendo, em parte, responsável pela falta de criatividade na armação do time. Com ele, o esquema até mudaria para um 4-4-1-1, o que dificultaria a presença de outros dois meias com pouca participação defensiva.

Foto: Twitter / @AlAhliClub
Everton Ribeiro:
Nos dois anos em que brilhou no Cruzeiro, o provável futuro reforço rubro-negro atuou aberto pela direita. Muita habilidade no pé esquerdo, dribles, arrancadas, assistências e gols, uma definição que parece exagerada mas foi exatamente o que ele entregou em 2013 e 2014. Nos mesmos dois anos de Emirados Árabes, os números foram bem semelhantes, levando em consideração, mais uma vez, assim como com o Conca, uma liga de nível mais baixo. A diferença é que Everton ainda tem apenas 28 anos e não tem histórico de lesões graves. 

Como faz, então? Os quatro não jogarão juntos, é óbvio. Três deles até seria possível, mas dependeríamos de um grande compromisso tático dos outros seis jogadores de linha. Everton e Diego também podem ajudar e isso os deve confirmar como favoritos a titularidade. E aí você olha para o banco de reservas e vê inúmeras opções para mudar uma partida. Muito diferente do que ocorreu na fatídica noite do dia 17 de maio quando Zé Ricardo teve que escolher entre o ainda verde Matheus Sávio e o recém-recuperado Ederson.

O horizonte é claro no setor ofensivo. Já lá atrás...

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Mentalidade






Irmãos rubro-negros,


domingo a vitória não é apenas desejável, mas fundamental.

Fundamental.

Acabou a fase de testes e das desculpas por falta de grana ou estrutura. Esse trabalho excepcional foi feito com primor pela diretoria.

Agora é a vez do campo. Tem de vencer no domingo e ponto, ainda mais depois de uma eliminação vergonhosa.

“Ah, mas o jogo é na casa deles; é difícil”.

E por um acaso o Flamengo pensa em conquistar algum título importante sem vencer desafios difíceis, sem superar obstáculos?

Time que almeja ser campeão e conquistar grandes glórias tem de vencer qualquer adversário, em qualquer local do Brasil, do continente e do mundo. Em Marte, se preciso for.

O Flamengo está perigosamente se acostumando com o fracasso e assumindo, de antemão, como algo comum não vencer certos jogos mais difíceis.

Com essa mentalidade conformista e letárgica, vai ser quase impossível reverter o quadro de fiascos dentro de campo.

Está na hora de girar a chave.

Portanto, minha expectativa para domingo é uma só: vitória.

É preciso brio, honra e coragem.

O adversário de domingo estava no nosso grupo e se classificou para a próxima fase da Libertadores. Nós ficamos pelo caminho.

Temos a sorte de enfrentá-los logo agora. Qualquer exército ou grande general receberia com felicidade a oportunidade de duelar com quem o derrotou em confronto recente.

Repito: temos de agradecer a sorte deste jogo com eles logo no domingo, enquanto a panela ainda está quente.

Mas no Flamengos atual, em que as desculpas se sobrepõem à tradição, é capaz de ser encarada com naturalidade e indiferença um revés diante de um rival que o Flamengo tem a obrigação de triturar.

Não é faculdade, é obrigação do Flamengo vencer no domingo.

O Flamengo nasceu para as glórias, para os altos voos, para se impor pelo que é, e não para se acovardar diante de qualquer dificuldade.

Nunca será normal o Flamengo não vencer um time meia-boca. Nunca.

Normal é o Flamengo chegar lá e massacrar, atropelar e trazer três pontos para a Gávea. Esse é o certo.

Que o Flamengo de uma vez por todas assuma o seu papel de protagonista não apenas fora, mas também dentro de campo, como reza a sua história.







Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Flamengo 2 x 1 Atlético GO. Classificação ainda que constrangedora

E o Flamengo, desta vez, se classificou. Ufa. Em um jogo que chegou a ser dominado de forma constrangedora pelo Atlético GO, que perdeu inúmeras chances de gol. Ganhou mas não convenceu. Deixou o aviso preocupante que o técnico atual nada aprendeu do jogo-vexame contra o San Lorenzo. Até substituições parecidas foram realizadas. O que faz soar o alarme que o técnico apresenta a personalidade de uma mula.

Flamengo entrou em campo de forma bizarra. O treinador optou por 4 laterais de saída, mostrando sua tara pelo corredor pelas laterais. Uma vez, em determinada situação de jogo, deu certo. E isto foi o suficiente para o iniciante treinador escalá-los de saída. "Porque não, ora?" pensou. Enquanto os atacantes e meio-campistas do elenco entreolharam entre sim.

O time até que começou relativamente bem. Pressionando. Atletico GO sem saber o que fazer do alto de sua inutilidade. Parecia um jogo fácil. Aí Guerrero fez o gol. Pronto. Foi dado o sinal. Parreirinha, o treinador, imediatamente dá o sinal, ou o time entende pela sua linguagem corporal, que tem que parar de atacar e esperar o outro time em seu campo. E parou mesmo. A ponto de bocejar. Em partida horrorosa de Marcio Araujo, Rafael Vaz e Arão, o Flamengo dava todos os espaços, entregava bolas fáceis, e andava em campo. A ponto do Atletico GO perceber que tinha um time pior que o deles em campo e passou a atacar. Atacou, perdeu várias oportunidades, por ruindade na finalização e outras até por belas defesas do socador de bola, o Muralha.

Até que conseguiram fazer seu gol. Em bola aérea, claro. O carma do Flamengo voltou. E passaram a pressionar ainda mais enquanto o Flamengo assistia impávido em campo, sem articular jogadas pelo meio, pelas pontas em lugar algum. Parecia um grupo de pessoas contratados como figurantes de um filme em que só precisavam tocar a bola e parecer que formavam um time.

Primeiro tempo acabou. Para alívio de todos. O placar injusto nos dava a classificação para outra fase. E isto era bom. Embora temesse que o Atlético GO fizesse mais um gol e virasse o jogo. O técnico estagiário treme-treme não aguentaria a pressão.

E veio o segundo tempo. A mesma história se repetindo. Domínio de ação total do Atlético GO. Marcio Araujo sendo mais marcio araujo que nunca, com sua ruindade absurda aparecendo. Arão, um fantasma em campo. Enfim, a dupla do coração do treinador tramontina em mais um dia de "destaque". Atlético GO atacava mas barrava em sua próprias limitações que não eram poucas. O esquema dos laterais continuou não funcionando, o que deveria ser óbvio. A bola não parava no meio. Até que, aos 20 minutos do segundo tempo, enfim um momento de lucidez no treinador teimoso. Tira Trauco e coloca Mancuello. A bola começa a percorrer mais pelo meio de campo do Flamengo. Enfim, algum jogador com mais percepção de jogo por ali.  Mesmo assim poucas chances criadas. Torcida impaciente. Chama por Vinicius. O técnico então, se revolta e coloca Matheus Sávio, que é vaiado. Coitado do garoto. Só que ele mostrou estrela. Mais uma vez tentou cruzar a bola para a área, desviou no zagueiro e a bola entrou. Ufa. Flamengo 2x1. Alívio.

Atlético GO partiu pro ataque. Zé Ricardo substitui Ederson, que não fez uma boa partida, por Rômulo,  para segurar mais o meio. Fez o certo, além de dar mais ritmo ao jogador. Atlético GO também não é nenhum San Lorenzo. Ouviu os primeiros gritos de "burro" de torcedor. No estádio. Porque aqui em casa já foram muitos e, diria, bem constantes ultimamente.

Mas, o que importa em Copa do Brasil, não é jogar bonito e sair bem na foto. É se classificar. E isto o Flamengo fez, embora jogando bem mal pelo que se espera deste time.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Atlético/GO x Flamengo

 


Copa do Brasil - Oitavas-de-Final - 2º Jogo

Atlético/GO: Felipe; Jonathan, Roger Carvalho, Ricardo Silva e Bruno Pacheco; Marcão, Igor, Jorginho, Luiz Fernando e Everaldo; Júnior Viçosa. Treinador: Marcelo Cabo. 

FLAMENGO: Muralha; Pará, Réver, RafaeVaz e Renê; Márcio Araújo; Rodinei, Willian Arão, Ederson e Trauco; Guerrero. Técnico: Zé Ricardo.

Data, Local e Horário: Sábado, 24 de Maio de 2017, as 21:45h (USA/ET 20:45h), no Estádio Governo do Estado de Goiás ou "Serra Dourada", em Goiânia/GO.

Arbitragem - Flávio Rodrigues de Souza, auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho (FIFA) e Danilo Ricardo Simon Manis (FIFA), todos da Federação Paulista de FutebolQuarto Árbitro: Roberto Giovanny Oliveira Silva (GO).

 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Checkpoint Brasileirão

Entrando no seu 15º ano, o campeonato brasileiro de pontos corridos não é mais novidade para o torcedor. Cada um tem o seu mantra para o título, devidamente embasado pelos resultados dos anos anteriores e, em geral, está muito próximo do “vencer em casa e empatar fora”, equivalente a “fazer 4 pontos a cada duas rodadas”.

Naturalmente, em um campeonato tão equilibrado quanto o nosso, fazer uma projeção para ciclos maiores que duas partidas talvez seja uma forma mais interessante de analisar os picos de variação do desempenho do time, ao longo do torneio. O aproveitamento histórico para o Campeão, G4 (Libertadores) e G6 (Pré-Libertadores), vai nos ajudar a compreender a proposta, que será feita sobre blocos de 5 jogos.


Considerando, os números da seção anterior como metas, elaborei a seguinte metodologia:
  • Dividimos os confrontos em 7 blocos de 5 jogos;
  • Projetamos o total de pontos a serem conquistados em cada bloco;
  • Atingindo a meta ao final da 35ª rodada, estaremos na briga;
  • Dá-se, nos 3 últimos jogos, o sprint final para o objetivo possível (título, G4 ou G6).

Dividindo as 35 rodadas em 7 de grupos de 5 e analisando nível de dificuldade, temos as seguintes classificações:
  • Bloco 1: Atlético MG (c), Atlético GO (f), Atlético PR (f), Botafogo (c) e Sport (f) – DIFÍCIL
  • Bloco 2: Avaí (f), Ponte Preta (c), Fluminense (f), Chapecoense (c) e Bahia (f) – MÉDIO
  • Bloco 3: São Paulo (c), Vasco (f), Grêmio (c), Cruzeiro (f) e Palmeiras (c) – DIFÍCIL
  • Bloco 4: Coritiba (c), Corinthians (f), Santos (f), Vitória (c) e Atlético MG (f) – DIFÍCIL
  • Bloco 5: Atlético GO (c), Atlético PR (c), Botafogo (f), Sport (c) e Avaí (c) – FÁCIL
  • Bloco 6: Ponte Preta (f), Fluminense (c), Chapecoense (f), Bahia (c) e São Paulo (f) – MÉDIO
  • Bloco 7: Vasco (c), Grêmio (f), Cruzeiro (c), Palmeiras (f) e Coritiba (f) – DIFÍCIL
  • Sprint Final: Corinthians (c), Santos (c), Vitória (f) – MÉDIO
Diferentemente do alardeado em alguns canais de comunicação, a tabela do Flamengo é, inicialmente, bem desfavorável. Para se ter uma mais clara ideia, nas 10 primeiras rodadas são 5 jogos fora de casa, 2 clássicos estaduais e apenas 3 jogos com efetivo mando de campo, sendo um deles o difícil jogo da estreia, clássico regional. Não obstante, a partir da 11ª rodada há, em sequência, jogos contra São Paulo, Vasco, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras, o bloco mais difícil do campeonato.

Esses 15 primeiros jogos serão vitais para nossas pretensões: se conseguirmos atingir os 30 pontos planejados para a disputa do título, estaremos muito bem, uma vez que os outros blocos – especialmente o 5 e o 6 – nos são mais favoráveis. 

No ano passado, fomos muito bem contra os times médios da competição, faltando apenas um melhor desempenho contra os grandes. Este ano, com a Arena da Ilha, esperamos uma evolução neste quesito. Além disso, aproxima-se a estreia do Conca e é grande a possibilidade de outras contratações na janela de meio de ano. Neste cenário, as perspectivas são bem interessantes.

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Para 2018, a CBF acena com uma premiação recorde na Copa do Brasil. Serão 50 milhões de motivos para todos os clubes priorizarem a competição, em detrimento até mesmo do campeonato brasileiro. No entanto, este ano a relevância da competição está próxima do zero, ao menos para o Flamengo. A recompensa financeira é pequena, não existe mais o “caminho mais curto para a Libertadores”, uma vez que é muito mais fácil ser 6º no campeonato brasileiro e, esportivamente, o que há é apenas “mais do mesmo”: os times que seguirão na Libertadores disputarão a competição com reservas, assim como os times da parte de cima do brasileiro, fazendo com que a Copa do Brasil se restrinja aos demais. Entendo que o melhor planejamento para esta competição seria a escalação do time reserva em todas as partidas.

Por outro lado, a Sulamericana é uma competição que não podemos desprezar. Não custa lembrar que a competição conta pontos para o ranking da Conmebol, no qual continuamos no “pote 3”, além de levar o campeão para duas outras competições: a Recopa (mais pontos no ranking...) e a Copa Suruga, oportunidade do time retornar ao Japão em um jogo oficial, ajudando no processo de expansão da marca Flamengo em território internacional. 

Esportivamente, os desafios são inferiores aos encontrados na Libertadores. No entanto, ainda assim deverão servir para que time e técnico ganhem maturidade neste tipo de competição. Há times tradicionais em competições sul-americanas (São Paulo, Cruzeiro, Independiente, LDU, Racing), possibilidade de fortes embates caseiros (Fluminense, Corinthians) e mesmo a chance de encarar bons times que também virão da Libertadores (Estudiantes, The Strongest, Libertad, Lanus). Desprezar esta competição me parece um erro estratégico. Escalaria o time titular sempre.

https://anotandofutbol.blogspot.com.br/2017/01/flamengo-parte-13.html?m=1
Quanto à Primeira Liga, não há nem o que comentar. Coloca o Sub-20 e segue o jogo.

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O cenário é de reestruturação. Por mais que todos estejamos feridos, a temporada não acabou. É aproveitar o momento para rodar o elenco e encontrar a melhor formação. Independentemente de quem jogue, a obrigação do time/técnico é apresentar um nível de competitividade de acordo com as tradições do Flamengo. 

Nós, torcedores, só esperamos isso. O resto a gente mesmo faz.