sábado, 19 de abril de 2014

Vai começar o Brasileirão 2014...


Vai começar o Brasileirão 2014...

Começa no próximo domingo a Série A do Brasileirão com 20, não, pera, 21, ou seriam 22, não sei, talvez 24 times, ninguém sabe dizer ao certo. Certeza, apenas uma, será confuso, como foi o jogo de ontem da Portuguesa. Tudo pra salvar o timeco "virador de mesa" e por conta da estúpida entidade (des)organizadora do Futebol Brasileiro, que simplesmente se nega e foge da responsabilidade de manter um sistema único, oficial e eficiente, capaz de validadar a escalação de jogadores. A riquíssima e podre entidade quer apenas e tão somente ouvir o próprio cofre tilintar.

Mas o que nos interessa é o Flamengo. Qual Flamengo disputará esse Brasileiro? Após uma eliminação precoce e pra muitos vergonhosa na Libertadores e ao fim de um Estadual tedioso, mas, digamos assim, extremamente divertido em seus minutos finais, o Flamengo fará sua estreia em Brasília, contra um enfraquecido Goiás.

A primeira questão que surge diz respeito a mandar jogos fora do Rio. Particularmente, penso que toda e qualquer oportunidade que tivermos para dar uma banana pro Consórcio que nos achaca é bem vinda, embora já previso em contrato um número determinado de jogos em que o CRF pode - vejam bem a que ponto chegamos - mandar seus jogos em outro lugar, que não o Maracanã(lha). Porém, é fato que em tais iniciativas o fator mando se perde bastante e apenas times realmente consistentes devem se aventurar a tais excursões Brasil afora. Existe a questão também do clube estar precisando de dinheiro, então há prós e contras, que devem ser sopesados. O que eu jamais gostaria de ver se repetir foi o que ocorreu no erroneo e cretinamente chamado jogo de "Despedida do Neymar", em que nossa torcida por pouco (e até hoje a história ficou muito mal contada) não "doou", salvo engano, cerca de 7 milhões pro Santos. Dinheiro que sai da carteira do torcedor rubro-negro deve ir pro Flamengo e não para outros times adversários e rivais se reforçarem.

Quanto à consistência do time, realmente vejo um cenário preocupante, pois vamos estrear no dia 20 abril e até esta data, em 2014, não consegui ver um único jogo em que o time jogou bem e ganhou de forma convicente. O Flamengo está jogando mal, muito mal e novamente o cenário é o velho e repetido "trocar o pneu com o carro andando". Acho que temos um elenco que pode jogar e render mais, embora algumas carências sejam óbvias, como é o caso da lateral esquerda. Começaremos o campeonato com um jogador improvisado na posição, Éverton, que tem sido importante do meio pra frente. No entanto, chega a ser incrível como ele sabe se posicionar melhor que nossos laterais de ofício, embora não tenha jogado 90min nessa posição, o que dificulta a avaliação.

Nos últimos dias tivemos notícias de contratações, dois centroavantes e um zagueiro. De certa forma surpreendentes, pois estamos bem mais carentes em outras posições, dando a entender que Hernane e um dos nossos zagueiros nos darão adeus, num futuro breve. Desde que não se esqueçam das posições em que a necessidade de contratar é maior, as apostas podem ser válidas. Claro que todas devem ser feitas com muito critério, após intensa observação e, principalmente, através de contratos de empréstimo com possibilidade de compra ao final e com valor pré-definido.

Algo que me anima é a raça e a entrega que a maioria dos nossos jogadores demonstra em campo. Principalmente jogadores como Everton, Cáceres, Amaral, Paulinho, Hernane, Wallace, Samir etc. São jogadores ainda em busca de afirmação na carreira e que dão sempre um algo a mais. Não podemos perder de vista a característica de time operário, que corre e luta para superar as próprias limitações, pois hoje a nossa realidade é essa. Sempre fica a esperança também do time engrenar, ganhar corpo, confiança etc. 

O certo é que nunca, jamais, devemos desacreditar, duvidar e dar como morto o Flamengo (é até muito bom quando a mídia assim o faz). Afinal, quem é rubro-negro sabe o verdadeiro sentido da expressão "Flamengo é Flamengo".


Somos Hexa e ninguém tira! Queremos o Hepta


Bom feriadão pra todos,

SRN!!



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Alfarrábios do Melo


Meu pequeno vascaíno,

O que há? Ainda tá assim?

Venha cá, larga esse lenço. Já tem quatro dias, chega de lamúria. Senta ali, vamos bater um papo, você já é um homenzinho. Isso, beleza. Limpa essa cara.

O que houve?

Flamengo? Só ganha roubado? Vasco só perde no apito? Então, tá.

Tá na hora de você ouvir umas coisas. Umas verdades.

Eu já perdi campeonato roubado, sabia? Já fui eliminado no apito, também. Perdi título com gol impedido (1995), com gol de jogador empurrando (1989), saí da Copa do Brasil com gol irregular (1999), da Libertadores com juiz que não deu pênalti (2007). Tudo isso e muito mais, se apertar um pouco.

Mas não é do Flamengo que eu quero falar, embora seja seu assunto preferido.

Vocês, vascaínos, adoram falar em ética e se vitimizarem. Não faz essa cara que é verdade. Vivem se intitulando guardiões da moral e dos bons costumes, sempre o coitadinho que precisa enfrentar esse mundo mau.

Vou te lembrar uma historinha. Você sabe o que aconteceu em 1974? Isso, isso, campeão brasileiro, né? Que orgulho, que conquista maiúscula...

Pois naquele ano o campeonato foi decidido num quadrangular, lembra? E que o Vasco tinha a pior campanha dos quatro. E que por isso tinha que fazer seus três jogos fora de casa. Mas estranhamente acabou fazendo dois jogos no Maracanã. Por conta disso, chegou ao fim empatado com o Cruzeiro (que era o melhor time do campeonato, melhor campanha) em pontos. E, por isso, deveria haver um jogo extra.

No Mineirão.

Mas o Vasco conseguiu levar o jogo pro Maracanã, lembra? Alegou que dirigentes do Cruzeiro invadiram o gramado (nem vou falar do pênalti escandaloso que não marcaram contra o Vasco nesse jogo, o que gerou a confusão) e por isso tinha que perder o mando de campo. E assim foi feito, na canetada, sem nem passar pelo STJD.

Você dirá, “ah, mas estava no regulamento”. Certo. Voltaremos a essa parte.

E aí a CBD do vascaíno Heleno Nunes marca o jogo para o Maracanã, com arbitragem do carioca Armando Marques. O jogo é bom, disputado, o Vasco marca dois gols em lances duvidosos, um anulado, o outro não, e vai vencendo por 2-1. Aí, aos 42 do segundo tempo o Cruzeiro empata, num gol de cabeça de Zé Carlos (mania que vocês têm de perder taça no finalzinho). Gol limpinho, purinho, legítimo, do bom. Só que o diligente e prestativo Armando Marques anula...

E o Vasco ganha o título. Olha o que sai nos jornais da época:

O Campeonato Nacional terminou, não vai deixar saudades, o Vasco é o campeão e isso é o que vai ficar registrado. Daqui a alguns anos, ninguém mais irá se lembrar de tudo o que se fez para ele chegar a esse título. A história do futebol tem poucos registros de jogadas de bastidores. Essa bola que não para de correr não dá tempo para pensar no passado. Viva o futebol.” (Folha de São Paulo).

E então, vamos falar de “ética” e “lisura”? De “Vasco sempre perseguido”?

Mas você falava do regulamento, que o art 59 do regulamento previa a inversão do mando, que regulamentos precisam ser cumpridos à risca e tal.

De fato, esse argumento do regulamento talvez resolva parte do seu problema em 1974. Mas já que é pra falar de regulamento. O regulamento da Copa João Havelange, em 2000. Lembra? Lá dizia que, caso uma partida fosse interrompida ou encerrada, se o clube mandante desse causa à anomalia, perderia os pontos do jogo.

Isso aconteceu logo na Final, olha que chato. Vasco x São Caetano, alambrado arrebenta por irresponsabilidade do mandante, que permitiu a superlotação (estima-se cerca de 50 mil num estádio que cabiam 40 mil). Pelo regulamento, o São Caetano deveria ganhar os pontos do jogo e ser o campeão. Afinal, regulamentos devem ser cumpridos.

Mas isso não aconteceu. Marcou-se nova partida. Nem o mando de campo o Vasco perdeu, o jogo ficou no Rio de Janeiro, no Maracanã. O Vasco venceu o jogo remarcado (3-1) e ficou com o título.

Agora você me deixou confuso. É pra cumprir ou não é pra cumprir o regulamento? Porque nos casos de 1974 e 2000 o único ponto que liga as duas histórias de forma coerente é o fato de que o Vasco saiu beneficiado em ambos os casos.

“Vasco, sempre prejudicado”.

“Sempre ganhamos no campo”. De fato, o Vasco é um clube que jamais recorreu a manobras espúrias de bastidores, sempre seguiu religiosamente as regras do jogo, nunca tentou levar qualquer tipo de vantagem indevida... Sei.

Então não sei o que os moveu para ter arrumado um artifício para escalar o suspenso Edmundo na final do Brasileiro de 1997, ter escalado irregularmente o expulso Marquinho e o suspenso (três cartões amarelos) João Luís na segunda final do Estadual de 1981, e não contente ter repetido a dose na finalíssima escalando de novo o (agora suspenso por expulsão, esse danadinho) João Luís. Do ladrilheiro vocês falam, os jogadores irregulares vocês não mencionam. E que tal o Estadual de 1994, em que o Vasco passou por cima da tabela do Quadrangular Final e ajeitou com a FERJ uma conveniente inversão das duas últimas rodadas, escapando de enfrentar o motivado Fluminense antes do despedaçado Botafogo? Ou os Estaduais de 1997 e 1998, que o Caixa d'Água só soltava as datas dos jogos depois de se reunir com o Dotô Eurico?

“Contra tudo e contra todos”.

Mas, voltando ao nosso caso. Quer dizer que vocês querem anular o jogo? Legal. Qual a alegação? “O Vasco não podia perder”, foi o que falou o advogado. Entendo, tudo muito sólido, tudo amparado em um princípio antigo do Direito, o juris esperneandi.

Não me lembro do Vasco ter tentado anular o jogo que ganhou do poderoso ABC, lá na Copa do Brasil que vocês conquistaram, em 2011. Time perdendo, jogo complicado, eliminação batendo na porta. Aí o juiz aparece com um pênalti camarada, daqueles que é difícil conter o riso. Eu realmente não me recordo de ter ouvido alguém do Vasco invocar ética, moral ou bons costumes. Só me lembro de tê-los visto falar de classificação “heroica” e “dramática”. Naturalmente.

Ou de tentarem anular o jogo que ganharam do Bangu em 1998, gol do Mauro Galvão impedido, o Rubens Lopes (na época presidente do Bangu) querendo bater no juiz, o Eurico dizendo que “árbitros não são infalíveis”, enfim.

Mas isso de querer anular jogo não é novo. Lembra a Taça GB de 1982? Houve um jogo-extra, Flamengo e Vasco. Partida absolutamente normal. Dura, pegada, forte, de decisão. Mas normal e até tranquila, ninguém expulso, nenhum lance polêmico, nada, nada. Nenhum motivo para um ai. O jogo só teve um problema grave: o Flamengo ganhou. No finalzinho (ô, mania!). Pronto, vascaínos, foi o argumento que vocês queriam. Anula, anula! Anula que o Flamengo ganhou. O mote, a revelação de que o árbitro José Roberto Wright apitou com um microfone sob a camisa, o que o regulamento (olha o regulamento de novo...) não permitia nem proibia. Mas tem que anular, tem que anular, o Vasco perdeu. Vocês entraram no tribunal, só pra perder de novo. De goleada.

E houve outra, mais uma Taça GB, agora 1988. Segundo tempo, Flamengo ganhando de 1-0, luz apaga. Espera aqui, espera ali, a luz enfim volta. Mas cadê o Vasco? Já havia escoado para o vestiário, em fuga clandestina. A luz lá, acesa, o Flamengo batendo bola, o público esperando, e o Vasco tomando banho, escondido. “Vamos anular o jogo”, berrava seu vice-presidente. Anula, que o Flamengo ganhou. Anula, que o Vasco não pode perder. Mas perdeu. De novo.

Sempre perseguido, pobre Vasco.

Seu presidente, o Dinamite. Esses pitis, essa histeria, esses escândalos a cada pemba que leva do Flamengo não são coisa nova. Fez em 1983 (queria dar porrada no juiz porque ele cometeu o grave erro de validar um gol legal do Zico), fez em 1986 (expulso por dar pontapés em Andrade assim que o Flamengo empatou a Final da Taça Rio, gol de pênalti, imagina dar um pênalti pro Flamengo, crime de morte).

Sempre coitadinho, pobre Vasco.

Enfim, basta. Só tem mais uma coisa. O América já foi rival do Flamengo, sabia? É, daqueles ferrenhos, de discutir em bar, de jogador ganhar bicho extra, de disputar campeonato ponto a ponto. Entrou numa de coitadismo. Olha onde estão hoje. Acha que o Vasco tá indo muito diferente? 2008 pra cá vocês nos venceram TRÊS vezes. O Resende DUAS, pra se ter uma ideia. Barcelona x Español. Abre o olho.

Há alguma novidade no que foi dito aqui? Não sabia, não lembrava? Memória seletiva? Naturalmente. Afinal de contas, essas histórias não costumam ser requentadas em sites “anti-Vasco”, em dossiês de youtube, em “manifestos”, “panfletos” e coisas do tipo. Não se fica pisando ou repisando as passagens polêmicas da história vascaína.

Não porque elas não tenham existido.

Mas porque isso não importa.


* Agradecimento ao colega Vinícius Norske pela foto da caravela, que ilustra mais um momento edificante da gloriosa história do CR Vasco da Gama, atual vice-campeão estadual.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

"Por falta de roupa nova, o Flamengo passou o ferro na velha"


O Flamengo ao ratificar o recorde de conquistas do Campeonato Carioca de Futebol me levou a lembrar de uma das melhores comédias do teatro brasileiro que tem por título "Por falta de roupa nova, passei o ferro na velha", cuja estreia ocorreu em 1989 e teve em sua montagem original a excepcional participação da inesquecível espanhola, nascida em Barcelona, Henriqueta Brieba;

A peça teatral é da mesma geração do Vasco da Gama, que ganhou a última decisão disputada com o Flamengo no ano anterior, portanto há 26 anos, tempo de uma vida que vem sendo vivida com amargura pelos nossos maiores rivais no futebol brasileiro, justiça seja feita;

E, mais uma vez, na falta de um adversário novo o Flamengo teve que vencer o Estadual sobre os velhos fregueses, com requintes de crueldade, "na última volta do ponteiro" como narrava com categoria o apaixonado flamengo Jorge Cury;

Desta feita, os adversários reclamam das arbitragem "que só a eles prejudicam", num exercício de memória seletiva que não engana a ninguém, nem aos sofridos vascaínos. Logo ali atrás, em fevereiro passado, o pobre Nova Iguaçu teve uma vitória surrupiada com a marcação de um impedimento inexistente, estando o atacante que marcou o gol que seria o da vitória do time da Baixada em posição legal, afastado um metro do defensor vascaíno. Mais perto ainda no tempo, já no 1º jogo da decisão, o goleiro Felipe sofreu uma falta não marcada pelo soprador de apito de plantão, no lance que resultou no gol vascaíno e, como todos sabem, a partida terminou em 1 a 1. Será que desejavam ser beneficiados para sempre? Deveriam saber que os árbitros erram para todos os lados, principalmente contra o Flamengo.

Enfim, o choro além de livre é de graça...

"Flamengo vence a oposição"

Deixando as lágrimas com os discípulos dos botafoguenses e, agora, seguidores tapetenses dos tricolores das Laranjeiras, a frase acima foi eleita como a mais autêntica do início da semana que começou muito bem para os Campeões Rubro-Negros e é decorrente da vitória da atual gestão, no Conselho Deliberativo na segunda-feira passada, que permitirá a aplicação de parte dos recursos financeiros advindos dos incentivos fiscais nos esportes olímpicos, deixando-se de sangrar os recursos do futebol para mantê-los em atividade;

A oposição, adversária do clube, manobrou até para inserir alguns penduricalhos abusivos e eternos no texto aprovado conforme já descritos aqui no Buteco, mas foi fragorosamente derrotada para o bem do Clube de Regatas do Flamengo, que segue em frente para se tornar uma agremiação cada vez mais organizada e forte no universo esportivo brasileiro, passando por cima das armadilhas engendradas por aqueles que vivem em tocaias após as curvas do nosso caminho;

Pessoas que têm por lema "quanto pior melhor". Pra eles! Porém, o Flamengo venceu mais uma vez.

SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS!!!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Tema livre


Hoje não tem coluna, será de tema livre.
Fale sobre o que quiser. Vitória dos azuis no CODE, vitória sobre o Vice, situação do Jayme, Campeonato Brasileiro...
Vou postar três vídeos. A zoeira não pode parar. Divirtam-se!


 Esse:
video
Mais esse:
Mais esse:

E Adicionando:

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Justiça Divina do Futebol

Buongiorno, Buteco! Uma final emocionante, na qual o Flamengo não jogou bem e nem foi superior ao adversário, muito pelo contrário. Desvantagem no placar. Torcida adversária cantando, debochando, xingando, tripudiando. Time desorganizado e jogando na base do chuveirinho na área. Acréscimos do árbitro. Escanteio. E os Deuses do Futebol promoveram a sua justiça implacável e divina pelos pés do limitado, do humilde Márcio Araújo. Sim, Márcio Araújo, que até então não jogara porcaria alguma, e que, sim, estava em posição irregular; porém, irregularidade por irregularidade, o Vasco da Gama chegou ao segundo jogo da final podendo conquistar uma vitória simples graças a outro erro da arbitragem que lhe favoreceu, quando o nosso goleiro Felipe foi bloqueado, empurrado na pequena área e com isso impedido de disputar o lance pelo alto. Mas desse lance ninguém fala, como ninguém fala do gol mal anulado de Athirson na Taça Guanabara de 2003 ou do absurdo impedimento do nosso então centroavante Souza, na final de 2007, quando, ao final do primeiro tempo, saiu igualmente livre, cara a cara com o goleiro do Botafogo, e a marcação irregular do impedimento o impediu de abrir o placar para o Flamengo. O que teria ocorrido se o Flamengo saísse na frente do placar naquela final? Pelas leis da física, da teoria da relatividade e do espaço-tempo, o lance do Dodô jamais teria ocorrido, pois a partir de então os fatos teriam se desencadeado de modo diferente, imprevisível até, diga-se a bem da verdade. Todavia, todos sabemos qual é o lance chorado incessantemente até hoje, certo?


Vejo nesse tipo de desfecho algo místico, sobrenatural. Quem disse que os Deuses do Futebol não existem? Sua justiça, porém, segue um conceito próprio e faz pouco caso das regras objetivas e pretensamente imparciais dos pobres mortais que as elaboram, e parece ter no sofrimento do torcedor um peculiar requinte de crueldade. Tamanha relação direta permite indagar: seriam eles Deuses pagãos? Após nos levarem ao limite do sofrimento com a eliminação de quarta-feira e com uma partida que parecia fadada a coroar o fim de um dos nossos maiores orgulhos de torcedor, que é o tabu contra o mais tradicional freguês da era contemporânea, eis que no último instante decidem inverter a ordem dos acontecimentos e nos permitir a apoteose, a explosão de alegria incontida, ao mesmo tempo devolvendo a agonia e a aflição da derrota aos seus tradicionais guardiões, retornando-os a sua infindável rotina de sofrimento, revolta, humilhação e autocomiseração.

A esses Deuses, estejam onde estiverem e pouco importando exatamente o que sejam, o meu muito obrigado e o compromisso de jamais me tornar chorão, resmungão e infeliz como os torcedores dos meus rivais. Acho que essa postura é que nos faz gigantes como somos, com a bênção dos impiedosos e temperamentais Deuses do Futebol.

Como torcedor do Flamengo, sempre tenho um motivo para sorrir, ainda que pouco após sentir o peso da dor. Sempre pode ser bem pior.

***

A vida segue. O Flamengo precisa deixar para trás o vexame da campanha a fase de grupos da Libertadores/2014, assim como a vitoriosa campanha e o título estadual. Para o Mais Querido, o Campeonato Brasileiro começa domingo que vem. A discussão do momento é o treinador Jayme de Almeida e a qualidade do seu trabalho. Há quem entenda que deve sair, enquanto outros são da opinião de que é preciso lhe dar tempo para trabalhar a longo prazo, inclusive porque ofereceria ao clube uma favorável relação de custo/benefício.

Em 2013, Jayme, em circunstâncias totalmente desfavoráveis, pegou o time em crise, questionado e com a moral baixa para brilhantemente levá-lo a um emocionante e inesquecível título da Copa do Brasil. Até então tudo pesava a favor de Jayme, portanto. Entretanto, em 2014, com tempo para formar o grupo e para treinar e fazer a pré-temporada, uma campanha horrorosa na Taça Libertadores da América, em que pese a perda de Elias e Luiz Antonio mas contando com um elenco bem mais completo e versátil, e um título estadual com sobras. Como interpretar esses resultados?

Os resultados, na minha opinião, são relativos. Não há como desconsiderá-los, o que seria inclusive absurdo, porém é preciso interpretá-los dentro do contexto em que foram produzidos. Um relevantíssimo fator a ser considerado é que, em nível tático, o trabalho de Jayme até aqui, em 2014, é simplesmente miserável. Sinto muito, mas não consegui encontrar outra palavra. O time, em quase quatro meses de trabalho, segue uma mesma formação tática, sem qualquer variação, cede evidentes espaços no sistema defensivo e hoje apresenta graves problemas de articulação no meio de campo, especialmente contra adversários mais fortes. Ontem jogou à base de chutões e ligação direta em busca de um contra-ataque. Foi engolido taticamente por todos os adversários da fase de grupos da Libertadores, inclusive no Maracanã, em vários momentos das três partidas disputadas em casa. Claro que houve contusões e falhas individuais, mas por acaso problemas semelhantes não atingiram os adversários? Como então explicar os "nós táticos" que o Jayme levou?

A dúvida que daí surge é se Jayme enxerga esses fatos ou acha que está no caminho certo. É justo então perguntar: Jayme é capaz de fazer uma séria autocrítica e tentar se aprimorar ou continuará a impor seus monocórdios conceitos até os resultados começarem a aparecer, correndo o risco de abreviar sua passagem pelo clube pela ausência deles? Campeonato Brasileiro é coisa séria!

Que resposta @s @mig@s do Buteco dariam a essa pergunta?

Acredito que o quanto o Flamengo deve permanecer com Jayme dependa dessa resposta e espero sinceramente que a Diretoria a tenha até o momento da parada para a Copa do Mundo. Em seguida ainda reviveremos os dramas e dilemas característicos da janela europeia de transferências. Velhos problemas, mas dessa vez espero novas soluções e não os mesmos erros.

***

Outra discussão da hora é o elenco para o Brasileiro. Como já era de se esperar, a precoce eliminação na Taça Libertadores da América impedirá o Flamengo de captar milhões de reais em receitas. Gostaria de saber d@s amig@s do Buteco, por posição, quem dispensariam com o objetivo de readequar as finanças do clube com a folha salarial e, na medida do possível, sem perder a versatilidade e a quantidade de opções que tem nessa temporada.

Então, você, @mig@ do Buteco, Manager do Mengão, reestruturaria esse elenco em qual proporção e como faria?

SRN a tod@s.

domingo, 13 de abril de 2014

Flamengo x Vasco da Gama


Campeonato Estadual - 2014 - Final - 2º Jogo

FLAMENGO: Felipe; LeonardMoura, Chicão, Wallace André Santos; Amaral, Márcio Araújo, Luiz Antonio e Éverton; Paulinho e Alecsandro. Técnico: Jayme dAlmeida.

Vasco da Gama: Martín Silva; André Rocha, Luan, Rodrigo e Diego Renan; Guiñazu, Pedro Ken e Douglas; Willian Barbio, Thalles e Fellipe Bastos. Técnico - Adilson Batista. 

Data, Local e Horário: Domingo, 13 de abril de 2014, as 16:00h (USA ET 15:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem: Marcelo de Lima Henrique, auxiliado por Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa e Luiz Antonio Muniz de Oliveira.



sábado, 12 de abril de 2014

Bola pra Frente, Lá na Gávea é Assim...





Irmãos flamengos,

muitas coisas já foram ditas e muito ainda há para se dizer sobre o jogo de quarta-feira e sobre o futuro do Flamengo nesta temporada.

As falhas e problemas da equipe têm sido apontados desde o início do ano.

O fato é que, passados três meses, o time ainda não conseguiu realizar uma grande atuação, exceto a partida disputada no Equador, diante do Emelec.

Emblemática a escalação levada a campo pelo Jayme naquela ocasião, não é mesmo? Dois laterais com proposta de firmar posição na defesa, dando mais liberdade aos jogadores de criação e aos atacantes.

Porque, meus amigos, não existe mais qualquer dúvida de que Leonardo Moura e André Santos sobrecarregam todo o restante do time.

No jogo de quarta-feira, me surpreendi ao ver Paulinho, Éverton e Gabriel tendo de se desdobrar para ajudar os dois laterais na marcação. Cansei de vê-los não apenas na intermediária do Flamengo, mas na própria lateral. Isso não está certo.

A verdade é que o Jayme, infelizmente, sucumbiu aos medalhões do time, que escolhem quando, onde e como jogarão. O André Santos, em determinado momento da partida, abandonou completamente a lateral esquerda. Até na ponta direita do ataque flamengo ele apareceu.

Por essas e outras, perdemos por completo o meio de campo, tendo de valer-nos de chuveirinhos sobre a área adversária, prontamente rechaçados pela retaguarda mexicana. E o pior, sem meio de campo, a segunda bola era sempre deles.

O time virou música de uma nota só.

As críticas e cornetagens, pelo que tem sido produzido pela equipe até o momento, são válidas e normais. Torcedor do Flamengo não nasceu para ser indiferente ou impassível, seja nas vitórias, seja nas derrotas.

Apenas discordo daqueles que criticaram, injustamente a meu ver, a torcida do Flamengo. A torcida rubro-negra lotou o Maracanã, que estava repleto de famílias e crianças, e, salvo pelas merecidíssimas vaias ao Elano, apoiou bastante a equipe.

Também divirjo dos que direcionaram o dedo para a diretoria. O trabalho é excelente até aqui. E nem o fiasco na Libertadores poderá apagar isso. Que continuem seu caminho em paz, pois o Flamengo só tem a ganhar com isso.

De todo modo, pode-se constatar, pela enorme decepção sentida por todos, o quanto a torcida estava a fim de que o clube fizesse um bom papel na Taça Libertadores.

Tenho certeza, aliás, que nem a conquista do Campeonato Carioca, no próximo domingo, abrandará o sentimento de que o time precisa melhorar muito, muito mesmo, se quiser realizar uma boa temporada em 2014.

A despeito disso, domingo é decisão, final de campeonato, e o Flamengo precisa se comportar adequadamente à ocasião.

Eles estão animadinhos após nossa eliminação na Libertadores. Faz mais de dez anos que não conquistam o Campeonato Carioca e disputarão a Segunda Divisão do Brasileiro pela segunda vez em seis anos. É o jogo da vida pra eles.

Adiemos, portanto, as reclamações e as cabeças cortadas para segunda-feira. Até lá, o foco é na decisão e na vitória flamenga.

Ao Jayme cabe preparar uma bela arenga aos jogadores.

E a nós, torcedores rubro-negros, cabe lotar o Maracanã e empurrar o Mengão rumo ao título.

A sagrada camisa vermelha e preta estará em campo.

As mágoas, ao menos até segunda-feira, ficam no passado.

Todo amor ao Mengo, o Mais Amado.

Como diz a música:

“Bola pra frente,
Lá na Gávea é assim,
Na vitória ou na derrota,
Eu sou Flamengo até o fim.
Sou Flamengo sim,
Por toda a vida,
Zum zum zum zum zum,
A torcida quer mais um!"




Pra cima deles Mengão!!!!!!!!!!
...

Abraços, Saudações Rubro-Negras e bom fim de semana a todos.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

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