quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Flamengo 0 x 0 Internacional - Esperável

GettyImages

Neste clima de fim de festa, que representa o final do campeonato Brasileiro em que o Flamengo abdicou da disputa graças a decisão da Diretoria ou do treinador, tanto faz, para se dedicar às Copas. Tal como um 2021 tardio. Flamengo foi a campo enfrentar um Inter bem retrancado e não saiu do empate. 0 a 0. Com direito a ótimas defesas do goleiro adversário, para variar. Alguém toca um batuque qualquer, e o espírito do Neuer baixa no goleiro adversário. Temos que procurar onde está este batuqueiro da peste.

O Flamengo do primeiro tempo foi chocho. Parecia sem vontade alguma de estar ali. Ainda que a arquibancada tentasse motivar. Era como se estivessem atrapalhando a hora de descanso dos jogadores do Flamengo. Algumas boas jogadas foram criadas, os jogadores altamente técnicos ainda tem memória física dos movimentos corretos com a bola. Mas esbarraram na defesa adversária e no goleiro deles. Mas não se reparava a "Motivação", entende? Tudo isto porque dentro do Flamengo entenderam que o Brasileiro é um campeonato morto. Uma draga que tem que se arrastar. Agora porque? Eis a questão. Quem cobra? Aparentemente ninguém. Porque eu me incomodo? Porque sou uma besta.

Veio o segundo tempo. Inter do Mano acorda e pensa. "Estes caras não querem nada. Vamos para cima". E chegaram no gol com um certo perigo. Mas temos um goleiro que se posiciona muito bem. Dá aulas. Os antigos certamente o comparariam com o Raul. O goleiro do posicionamento perfeito. E a bola sempre era encaixada por ele. Então Dorival sai de seu sono profundo e coloca Cebolinha e Vidal em campo. Flamengo muda. Desperta. Vai para cima. Cria ótimas chances em sequencia. Acordando a torcida que já dormia assistindo a TV. 

Mas, afinal, não deu em nada. Foi um jogo medíocre. Afinal, taticamente, era Dorival contra Mano. Mediocridade contra mediocridade. Quem assiste jogo internacional e depois vê um jogo taticamente e tecnicamente precário como este tem vontade de chorar no banho depois. Flamengo precisa recuperar a chama de um técnico de excelência e cobrador. Quem? Não sei. Quem do Flamengo seria responsável por isto? Marcos Braz. Ok então. Desisto.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Flamengo x Internacional

   

Campeonato Brasileiro/2022 - Série A - 30ª Rodada

Quarta-Feira, 5 de Outubro de 2022, as 21:30h (USA ET 20:30h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGOSantosRodineiDaviLuiz LéPereirFilipLuizThiago Maia, JoãGomesEvertoRibeirDArrascaetaPedrGabigolTécnicoDorivaJúnior.


Internacional: Keiller; Bustos, Vitão, Mercado e Renê; Liziero, Edenilson, Alan Patrick, Maurício e Pedro Henrique; Alemão. Técnico: Mano Menezes.

Arbitragem: Flávio Rodrigues de Souza (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Marcelo Carvalho Van Gasse (FIFA/SP) e Luiz Alberto Andrini Nogueira (SP)Quarto Árbitro: Grazianni Maciel Rocha (RJ). Analista de Campo: Edilson Soares da Silva (RJ). Árbitro de Vídeo (VAR): Adriano Milczvski (PR). Assistente VAR (AVAR): Luciano Roggenbaum (PR). Observador de VAR: Péricles Bassols Pegado Cortez (MG).

Transmissão: Rede Globo (rede aberta) e Premiere (sistema pay-per-view).

 


terça-feira, 4 de outubro de 2022

Lições da Sulamericana


Olá Buteco, bom dia!

Que o Mestre Melo é um gênio das palavras, já é conhecimento geral. Entretanto, outra característica que eu admiro bastante nele é o timing, a capacidade de trazer uma lembrança do passado que casa perfeitamente com o cenário presente.

Pois bem, na última sexta-feira, o Melo nos trouxe uma história sobre a Taça Guanabara de 1984 e terminou com a frase “As taças sempre sorriem para quem mais as merece”. Um dia depois, vimos o Independiente Del Valle dar um banho de bola no São Paulo, conquistando o bicampeonato da Copa Sulamericana, quando as principais forças da imprensa brasileira davam o título paulista como favas contadas.

Nós conhecemos o Club de Alto Rendimento Especializado Independiente Del Valle na decisão da Recopa 2020. Eles venceram a Sulamericana 2019 (eliminando o Corinthians na semifinal) mas, antes disso, já tinham decidido uma Libertadores, em 2016, eliminando River (oitavas) e Boca (semifinal), caindo apenas na final (0-1 Atlético Nacional de Medellín). Neste encontro da Recopa, descobrimos mais sobre o projeto do Del Valle e os meios que os levavam àquele sucesso continental. A bola não entra por acaso.

Esta longa introdução visa fazer um paralelo com a trejetória no nosso adversário da final da Libertadores, o Club Athletico Paranaense. A trajetória do Athletico no cenário nacional começa a ser alterada a partir da década de 90, com a eleição do presidente Mario Celso Petraglia e a implementação de um modelo administrativo que visava otimizar os recursos do clube. Além disso, houve o investimento na construção da Arena da Baixada, um dos melhores estádios do país e que após a ampliação para Copa do Mundo 2014, passou a ser o único estádio do país com teto retrátil.

O sucesso esportivo do Athletico foi imediato à inauguração do seu estádio: a disputa da primeira Libertadores de sua história veio em 2000, após vencer uma seletiva para a última vaga brasileira. No ano seguinte, o primeiro título do Campeonato Brasileiro. Em 2005, a primeira final da Libertadores quando, ironicamente, não puderam usar seu estádio, por não possuir a capacidade mínima para a final. Perderam para um São Paulo que viria ser campeão mundial e tricampeão brasileiro nos anos subsequentes.

Depois disso, o Athletico deu uma caída, chegou a disputar a Série B novamente em 2012, mas conseguiu subir para se manter na elite do futebol brasileiro desde então. Aproveitaram a Copa do Mundo no Brasil para ampliar a Arena da Baixada e colheram novo ciclo de conquistas: campeões da Sulamericana em 2018, Copa do Brasil 2019 e bicampeões da Sulamericana no ano passado.

O projeto elaborado para o Athletico Paranaense visa o Campeonato Mundial, ainda nesta década. Quando divulgado por seu presidente, era tomado como sandice. Nesse ponto, lembro a folclórica entrevista do Delair Dumbrosck, no Bem Amigos, em 2009, quando falava que o Flamengo seria o campeão brasileiro daquele ano e os participantes do debate não conseguiam esconder o riso de deboche.

O Flamengo também tem o seu projeto. Tudo o que vem acontecendo no clube desde a eleição do Presidente Bandeira de Mello nos trouxe ao patamar atual, no qual chegamos como favoritos à terceira decisão da Libertadores em quatro anos.

O que não se pode é achar que o título já está ganho. Do outro lado, há um adversário centrado em um projeto de se incluir entre os gigantes do futebol brasileiro e sulamericano. Da primeira vez em que chegaram à decisão, ainda estavam verdes. Hoje, têm o melhor elenco de sua história. Se o Flamengo acreditar que apenas a força de sua Camisa será suficiente para nos dar o tri, vamos sair de campo como o São Paulo, no último sábado, ainda sem entender o que aconteceu.

As taças sempre sorriem para quem mais as merece.

Saudações RubroNegras!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Reflexões Rubro-Negras

Silva, O Batuta.
Foto: Marcelo Tabach / Museu da Pelada
Extraída do site oficial do CR Flamengo

Salve, Buteco! Durante a semana, no Twitter, um rubro-negro criou uma feliz expressão para descrever a tática de se poupar para as copas e brincar no Brasileiro: futebol de disjuntor. É como se, a depender do contexto (na verdade, da competição), a corrente energética do time fosse ligada ou desligada, como que regulada por um disjuntor.

Sábios são os rubro-negros que se preocupam com essa estratégia. Estou acostumado ao ver o Flamengo conquistar títulos no embalo, junto da torcida. Jamais conseguirei entender o raciocínio de quem relega a terceiro plano um a competição de nada menos do que 38 (trinta e oito) datas. Está no hino: vencer, vencer, vencer. É como se a escolha fosse se desconectar e aborrecer a torcida, como se o planejamento fosse chegar às finais em crise.

O jogo de sábado, então, foi para mim um alívio. Acredito que para muitos de vocês também. O time jogou "à vera", "sério". A precoce expulsão de Luan Cândido, aos 3 minutos, mudou cedo o script da partida. Passou a ser ataque x defesa, com o Bragantino jogando entre 8 a 10 jogadores dentro da área. A famosa retranca, um verdadeiro ferrolho.

Estava em minha memória a esquisita quantidade de chuveirinhos do segundo tempo do Fla-Flu. Mas não, o time trabalhou a bola no chão, criou e marcou os quatro gols sem precisar da bola aérea, voltando a mostrar aquele jogo interno com toques curtos que desestruturam e acham os espaços na área adversária. É muito bonito de se ver, e melhor ainda quando se mostra eficaz. Não é abandonar a forte jogada da bola aérea, mas não reduzir nossa força ofensiva a só isso, especialmente quando o time perseverou e não desistiu do jogo, como em outras vezes nesse Brasileiro.

Espero mais uma partida forte, de "preparação", contra o Internacional, para depois, justificadamente, poupar visando as finais da Copa do Brasil, contra o Corinthians.

***

Se há algo em que os institutos de pesquisa não erram é quanto ao tamanho da Nação Rubro-Negra, bem a sua incontestável liderança no ranking das maiores torcidas do futebol brasileiro ao longo das décadas.

Este artigo da Wikipedia confirma.

Salve a Nação Rubro-Negra, a maior do Brasil e do mundo.


***

O excelente perfil no Twitter Flamengo Alternativo (@FlaAlternativo - site), neste tuite, mostrou que "A vitória de ontem foi apenas a segunda do Flamengo em véspera de eleições presidenciais diretas no país desde 1945. Foram 11 jogos, com quatro empates e cinco derrotas. O outro triunfo havia sido em 1998: 3x2 no Atlético-MG."

Tabu quebrado, mas a quebra precisará ser confirmada dia 29 de novembro, em Guayaquil, na final da Copa Libertadores da América/2022.

Será um mês de ebulição na política nacional, durante o qual, entre duas finais em três partidas, o Mais Querido disputará as atenções com o segundo turno das eleições presidenciais.

Estou achando que esse inesperado fator virá para o bem. A ansiedade pelo histórico momento político vivido no país tirará um pouco da pressão sobre o time.

Mas será preciso foco total, Dorival. Não me leve a mal, mas já passou a hora de voltar a força total.

***

A palavra está com vocês.

Boa semana e SRN a tod@s.

sábado, 1 de outubro de 2022

Flamengo x Bragantino

   

Campeonato Brasileiro/2022 - Série A - 29ª Rodada

Sábado, 1º de Outubro de 2022, as 19:00h (USA ET 18:00h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGOSantosRodinei, FabríciBrunoPablAyrtoLucas; Vidal, ThiagMaiaEvertoRibeirDArrascaetaPedrGabigolTécnicoDorivaJúnior.


Bragantino: Cleiton; Aderlan, Léo Ortiz, Natan e Luan Cândido; Raul, Lucas Evangelista e Hyoran; Artur, Carlos Eduardo e Helinho. Técnico: Maurício Barbieri.

Arbitragem: Anderson Daronco (FIFA/RS), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Rafael da Silva Alves (FIFA/RS) e Michael Stanislau (RS)Quarto Árbitro: João Ennio Sobral (RJ). Analista de Campo: Sérgio de Oliveira Santos (RJ). Árbitro de Vídeo (VAR): Rodrigo D'Alonso Ferreira (SC). Assistente VAR (AVAR): Charly Wendy Straub Deretti (FIFA/SC). Observador de VAR: Alicio Penna Junior (MG).

Transmissão: Premiere (sistema pay-per-view).

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Alfarrábios do Melo

E dá a lógica.

Confirmando todos os prognósticos, o título da Taça Guanabara de 1984 será decidido entre o Flamengo de Zagalo, que mesmo sem Zico e Júnior ainda ostenta um dos melhores planteis do país (Fillol, Leandro, Mozer, Andrade, Adílio, Tita, Nunes e outros, como os jovens Bebeto e Jorginho) e o Fluminense de Assis, Washington, Romerito, Branco e um conjunto muito forte, que vem da recente conquista do Brasileiro. É bem verdade que o tricolor, ao tropeçar contra Vasco (0-0) e Volta Redonda (1-1), permite a aproximação de um rubro-negro embalado por cinco vitórias seguidas e aparentemente em melhor momento. Mas também é certo que, com ambos empatados com 17 pontos e sem qualquer vantagem (o empate força um jogo extra), será uma final em que qualquer detalhe poderá ser decisivo. Será necessário muito foco, muita concentração.

Mas esse título começa a ser definido na segunda-feira.

No dia seguinte ao empate no Raulino de Oliveira, o Fluminense aproveita a folga do elenco para cumprir uma programação um tanto inusitada. Forma-se uma comitiva com Presidente, Diretores, membros da Comissão Técnica, o treinador Luiz Henrique e os jogadores Washington, Branco, Aldo, Jandir, Tato, Paulo Victor e Duílio, que vai a Brasília visitar o Presidente da República João Figueiredo, notório tricolor, com o intuito de entregar-lhe uma faixa do título brasileiro recentemente conquistado. Mesmo sendo de pertinência questionável numa semana de decisão de título, é o tipo de evento que potencialmente seria pouco mais que protocolar, provavelmente esquecido em poucas horas.

Mas o verdadeiro objetivo da viagem não é apenas cumprir uma formalidade.

Após se despedir de Figueiredo, o grupo se dirige a um hotel de alto padrão, onde funciona o comitê de campanha do candidato à Presidência da República Paulo Maluf, ex-governador de São Paulo, e apoiado pelo Governo Federal, visando às eleições que ocorrerão no início do ano seguinte. A ideia é “dar um abraço” no candidato e manifestar publicamente o apoio pessoal de membros do clube, incluindo jogadores, que entendem ser Maluf o “melhor candidato para apoio ao esporte”.

Ocorre que Maluf, o candidato governista, galvaniza índices de impopularidade e rejeição popular com poucos precedentes na história política do país. A crise econômica, o desgaste de um regime que já dura vinte anos, a derrota da emenda das Diretas Já, entre outros fatores, produzem uma espécie de “tempestade perfeita” para Maluf, que não consegue fazer sua candidatura lograr receptividade entre os ditos “formadores de opinião”. Como resultado, cria-se o termo “malufar”, que se refere ao ato de apoiar sua candidatura, mas com conotação fortemente negativa.

Paulo Victor, Duílio e Tato percebem a armadilha e se recusam a entrar no hotel. Mas o restante da delegação conversa animadamente, posa para fotos e entrega uma camisa do clube a um sorridente Maluf, que arrisca prever uma vitória tricolor por 2-1 no clássico, num clima extremamente cordial e descontraído.

A repercussão é desastrosa.

No dia seguinte ao convescote, a normalmente pacata sala da telefonista das Laranjeiras vira um inferno. O aparelho não para de estrilar impropérios, xingamentos, ofensas e diatribes contra a “malufada” tricolor. O elenco passa o dia dando explicações, tentando contornar o incandescente clima criado com a visita a um candidato que não desfruta da preferência da torcida e nem mesmo de boa parte do plantel. Com efeito, jogadores como Assis e, principalmente, Delei, demonstram incômodo com a iniciativa: “penso ser um erro o clube adotar uma posição unilateral que não corresponde ao posicionamento de quem aqui trabalha, como eu e vários colegas, que simpatizamos mais com o outro candidato, só para dar um exemplo”, frisa o camisa 8.

Aos poucos, vai se formando um racha.

O Presidente tricolor, ciente do estrago, tenta acalmar as coisas, solta uma nota oficial, e, brigando com a realidade, pontua que a iniciativa não é institucional, que reflete apenas posições pessoais, e sai responsabilizando a imprensa, por anabolizar a repercussão da coisa, e mesmo o Flamengo, que teria “fabricado” de forma conveniente um “escândalo”, sem explicar como o rubro-negro poderia ter “arquitetado” um encontro entre a dirigentes/atletas tricolores e o Governo Federal.

Para complicar, pipoca uma insatisfação no vestiário do Fluminense, com jogadores incomodados com a Diretoria do Futebol, que, numa tentativa de mudar o foco da discussão, divulgou o valor da premiação a ser paga em caso de conquista do título. Mas isso irrita os atletas, normalmente consultados antes da definição dos valores. E, coincidentemente ou não, os líderes do levante são justamente os mais indignados com a visita a Maluf.

Jogadores como Romerito e Assis, e o treinador Luiz Henrique tentam enfaticamente mudar o foco para o Fla-Flu de domingo. Mas as Laranjeiras já estão irremediavelmente em frangalhos.

Enquanto o Fluminense ferve em suas questões políticas, o Flamengo se prepara. Zagalo, enfim, consegue formar um conjunto sólido, competitivo e praticando o tradicional futebol vistoso tão caro à Gávea. O que não impede que o rubro-negro exiba a melhor defesa da competição, com 5 gols sofridos em 10 jogos. O definitivo deslocamento de Leandro para a zaga (onde faz uma exuberante dupla com Mozer), a ida de Adílio para a ponta-esquerda, possibilitando a montagem de um meio-campo mais vigoroso (onde Andrade e o jovem Helder “trancam a chave” da intermediária) e a efetivação de Nunes no comando do ataque, acabando com a angustiante indefinição do antecessor Claudio Garcia, incapaz de se decidir entre o “João Danado” e Edmar, fazem o Flamengo crescer de produção. A ordem é esquecer o recente trauma da eliminação da Libertadores e partir com fome para o Estadual. Começando pela Taça Guanabara.

A preparação para o Fla-Flu atinge tal nível de sofisticação que, desde as rodadas iniciais, são produzidos slides com fotos, de jornais ou tiradas em estádio por olheiros, contendo o posicionamento dos jogadores do Fluminense em diferentes situações de jogo. O clube adquire um equipamento especial importado, que é capaz de ampliar as imagens, como naqueles filmes de investigação policial, restringindo-as à área específica a ser estudada. O Flamengo sabe que o título será decidido contra o tricolor. E quer o tricolor.

Sobre o imbróglio do adversário com Maluf, a Diretoria proíbe que os jogadores flamengos se manifestem. Também se evita colocar o Flamengo no centro da polêmica, mas o Presidente rubro-negro não resiste à tentação de fustigar o rival, comunicando que sua intenção é, “no momento oportuno”, fazer chegar ao candidato Tancredo Neves, ex-governador de Minas Gerais, favorito e preferido pela opinião pública, uma camisa do Flamengo assinada por quem assim o desejar. Tancredo agradece, fala em uma vitória rubro-negra por 3-1 e, pelo lado da Gávea, não se menciona mais o assunto.

Aos poucos, enfim o tema Maluf parece estar ao menos administrado no Fluminense. Excetuando-se alguns incidentes como os muros das Laranjeiras pichados com palavras de ordem contra o candidato, ou um e outro impropério dirigido por transeuntes ao ônibus que transporta os jogadores, a coisa parece enfim esfriar. Membros da comissão técnica falam em “exercício pleno da democracia” e os jogadores parecem finalmente começar a responder questões sobre o jogão de dali a poucos dias.

Por pouco tempo.

O goleiro Paulo Victor, que num primeiro momento havia se recusado a fazer parte da visita a Maluf, muda de ideia e pede para ser liberado da concentração na antevéspera do Fla-Flu, alegando “problemas pessoais”. Mas vai a um estúdio de TV onde Maluf está participando de um programa de entrevistas e faz questão de manifestar apoio ao candidato, tirando fotos e mais fotos, e emenda, sem temor de parecer incoerente: "não podemos misturar política com futebol". O movimento, que soterra definitivamente qualquer tentativa de apregoar "neutralidade institucional", enfurece a Diretoria e boa parte do elenco.

Esfacelado pelos problemas internos, o Fluminense tenta produzir um derradeiro factoide. E conta com um reforço de peso. O tricolor João Havelange, Presidente da FIFA, lança a ideia de colocar Zagalo de novo como treinador da seleção. Esperto e manhoso, Zagalo não morde a isca. “Claro que quero voltar, mas para isso preciso ganhar títulos. Começando por domingo. Então, estou concentrado apenas nisso agora. Por falar nisso, peço desculpas mas não tenho mais nada a falar. Vou para casa ver um vídeotape do Fluminense.”

Zagalo não está sendo retórico. Na semana do clássico, o Velho Lobo deixa a tradicional irreverência e loquacidade de lado e adota tom soturno, introspectivo, com a imprensa. Nos treinamentos, demonstra especial atenção a detalhes aparentemente insignificantes. Treina exaustivamente o sistema defensivo contra a famosa bola aérea, arma adversária que tem se mostrado letal há dois anos. Um frequentador assíduo da Gávea confessa estar impressionado com o nível de mobilização do Flamengo para essa final: “nunca vi o pessoal tão concentrado”.

O Fluminense luta contra seus fantasmas. E o Flamengo lutará contra o Fluminense.

* * *

Pouco mais de 19 horas. O placar do Maracanã exibe letras cintilantes, luminosas, que ofuscam, especialmente diante da noite que cai escura, densa. Está lá, Flamengo 1, Fluminense 0. Ao lado, num diagrama tão vistoso quanto o permitido pelas limitações do equipamento, a expressão “Flamengo Campeão Taça GB”. Sim, o Flamengo é o campeão da Taça Guanabara de 1984.

E, ao longo das duas horas que antecedem a exibição da homenagem, o Flamengo realiza aquela que provavelmente é sua melhor atuação sob o comando de Zagalo. Demonstrando uma aplicação tática e uma fome que impressionam os 100 mil que pagaram ingresso, os comandados do Velho Lobo formam uma verdadeira parede que bloqueia todas as ações tricolores no meio-campo. Os notórios contragolpes do Fluminense simplesmente não existem, bloqueados por um cerco quase militar imposto pelos da Gávea. Ao contrário, é o tricolor que sofre com as estocadas fulminantes de um time que, bem ao gosto das tradições flamengas, mescla a categoria e a classe de jogadores consagrados com o fogo e a intensidade de jovens talentos. A rigor, o placar de 1-0 soa tímido, esquálido, famélico até, diante da superioridade de um Flamengo que estampou por duas vezes o travessão do arqueiro tricolor e o transformou na melhor figura da equipe que acaba de ser derrotada.

O gol que dá o título ao rubro-negro é uma espécie de resumo ilustrativo da diferença de postura entre as duas equipes. Adílio e Aldo disputam bola no lado esquerdo do ataque flamengo. Trombam. Adílio leva a pior e vai ao chão, mas José Roberto Wright manda seguir o lance. A sobra fica com o zagueiro Duílio, que se confunde e, alegando ter ouvido um apito, apanha a bola com as mãos. Agora sim, a infração é marcada. Mão. Na cobrança do “minicórner”, Adílio fulmina de cabeça para as redes de Paulo Victor. Ironicamente, o clássico é decidido num lance de bola parada. Mas a favor do Flamengo.

Enfim aliviado, Zagalo dá vazão ao seu temperamento emotivo e chora. Chora com a festa sensacional da gente flamenga no estádio, chora com o choro de Bebeto, chora com a comemoração esfuziante de vários jogadores que já ganharam tudo e estão ali, pulando como crianças. Mas, mesmo com o rosto encharcado em lágrimas, o Lobo se permite, ao relancear o lado direito das arquibancadas já praticamente vazio, lembrar que jogo vai, jogo vem, e no fundo as coisas parece que funcionam do mesmo jeito desde que alguém resolveu chutar uma bola por aí.

Pois é aquilo. As taças sempre sorriem para quem mais as merece.


quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Fortaleza 3 x 2 Flamengo - a abóbora



O feitiço da Fada Madrinha Dorival acabou. Flamengo virou abóbora. Dê a um técnico brasileiro tempo de treino e veja seu time desandar. Foi o que ocorreu. O meio da área do Flamengo não tem mais marcação. Adversários chegam com facilidade na área, e não há mais qualquer arremedo de marcação de linha de fundo. Nisso, até o Santos sucumbiu. Espalmando bola para o centro da área congestionado de jogadores do Fortaleza com os do Flamengo dormindo.

Claro que esta direção do Flamengo abandonou o Brasileiro. Isto foi evidente até pelas falas do Dorival. Querem disputar a Copa. Mas tirando a competitividade do time como ganharão qualquer decisão? Um time que não marca mais, que não pressiona, entra com pé murcho em dividida, deixa o adversário chegar com vários jogadores dentro de sua área completamente sozinhos, como este time pretende ser campeão de alguma coisa?

A partida do João Gomes foi vexatória. Como disseram no twitter, ele jogava melhor "quando recebia 2 salgados e um guaravita". Extremamente mole, flanava pelo campo como uma deusa sertaneja. Leo Pereira voltou aos tempos do Paulo Sousa, e Rodinei, bem acima do peso, mostrou que aproveitou a "pausa" para provavelmente mandar ver em churrascarias e rodízios de massa. Acabou a disciplina no Flamengo?

Como partida vimos um Forteleza muito bem dirigido pelo técnico Vojvoda. Compacto, veloz, insinuante, boa marcação, ainda que limitado por um plantel técnico bem inferior. Flamengo sem vários titulares jogava de forma claudicante. Embora do meio para trás era o time considerado titular. E este foi extremamente falho em todo o jogo. Claro que a arbitragem prejudicou. Fortaleza foi um time muito agressivo o qual o juiz não punia. O que não fazia com o Flamengo, coincidentemente amarelando todos os jogadores que estivessem pendurados.

Gabigol tentou muito. Era o único que prestava ali na frente. Fez seu gol e depois marcou de pênalti. O que ninguém que acompanhava o jogo pelo Première pode ver, visto que na hora da cobrança de pênalti a Globo de sacanagem colocou uma propaganda do Bradesco. Ou seja, é CBF, Globo, Paulistas, todos querendo sacanear o Flamengo. Em outro partida simplesmente não transmitiram o fim de jogo. 

No segundo tempo o Fortaleza fez 2 a 2 e partiu para cima. Flamengo parecia menininho acuado pelos bullies da sala. O que fez Dorival? Colocou Diego Giras. Para girar a bola e cadenciar o jogo? Não. O infeliz entrou querendo mostrar serviço e acelerando mais ainda o jogo para entregar a bola rápido para eles. E em uma cobrança de falta desnecessariamente rápida, o estorvo entregou a bola para o Fortaleza, já todo em nosso campo, e não tiveram dificuldades para marcar o gol da vitória no fim. Merecido para eles. Flamengo ontem foi um lixo. E não só ontem. Já faz um tempinho que é um time horroroso.