domingo, 24 de março de 2019

Flamengo x Fluminense


Campeonato Estadual/2019 - Taça Rio - 6ª Rodada

Domingo, 24 de Março de 2019, as 16:00h (USA ET 14:00h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; Ronaldo e Willian Arão; Bruno Henrique, Diego e Everton Ribeiro; Gabigol. Técnico: Abel Braga.



Fluminense: Agenor; Ezequiel, Léo Santos, Paulo Ricardo e Marlon; Allan, Caio e Daniel; Ganso e Matheus Gonçalves; Marcos Paulo. Técnico: Fernando Diniz.

Arbitragem: João Batista de Arruda, auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Carlos Henrique Alves de Lima Filho e Diogo Carvalho Silva, bem como pelo Quarto Árbitro Carlos Eduardo Nunes Braga e pelos Assistentes VAR Rodrigo Nunes de Sá (VAR), Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (AVAR) e Alexandre Vargas Tavares de Jesus (Apoio VAR). Técnico: Cláudio José de Oliveira Soares.

Transmissão: Rede Globo (RJ, ES, TO, BA, SE, AL, PB, RN, CE, PI, MA, PA, AM, RO, AC, RR, AP e DF)Premiere FC/Premiere Play (sistema pay-per-view) e PFCI (Premiere FC Internacional).

sexta-feira, 22 de março de 2019

Leandro Flamengo









Irmãos rubro-negros,





José Leandro de Souza Ferreira completou sessenta anos de idade no dia 17 de março deste ano.

O melhor lateral-direito da história do futebol mundial.

Obrigado, Leandro, por vestir com honra, categoria e raça o Manto Sagrado.









...









Meus amigos, faço este complemento ao post para prestar uma humilde, porém sincera, homenagem a um amigo a quem muito admiro.

Hoje é aniversário do idealizador do Buteco do Flamengo, nosso grande amigo e grande rubro-negro, Rocco Fermo.

Quem acompanha o Buteco há mais tempo sabe da enorme importância da liderança do Rocco para que o Buteco se tornasse o melhor espaço virtual para se conversar sobre o Clube de Regatas do Flamengo.

Meu amigo, desejo de todo coração a você um feliz aniversário.

Saúde, paz e amor para você e sua linda família.

Que Deus cuide de vocês com amor e carinho.

Parabéns e felicidades!



...




Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 21 de março de 2019

Entres erros e acertos

A nova gestão já acumula alguma gordura. Final do terceiro mês, já podemos verificar algo de sua "cara", que formará sua identidade até o final de seu mandato. Como teve inúmeros apoios políticos para vencer a gestão anterior, cujo principal grupo de apoio se viu isolado, esta tem que bancá-los agora, os colocando em postos-chaves de dirigentes. Alguns deles até remunerados. Um dos problemas que vemos neste tipo de abordagem, tão ao gosto da política brasileira em relação às suas estatais, é a potencial perda qualitativa significativa dos serviços. No momento, nota-se esta perda na comunicação do clube em relação às suas mídias sociais. Há uma flagrante percepção da queda da qualidade no setor. Quanto ao marketing, é difícil analisar visto o trágico acidente no início do mandato que mancha a imagem do clube e evidente dificulta demais o trabalho. Mas estamos ainda sem o patrocínio master, embora pareça estar encaminhado https://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/flamengo-encaminha-acerto-de-patrocinio-master-com-banco-digital-e-juridico-avalia-contrato.ghtml no modelo parecido com a Carabao. O patrocínio tem um valor a maior a ser pago diretamente ligado ao consumo. Em termos da Carabao, esta sofreu com um mercado dominado por marcas gigantes, que podem ter dificultado sua distribuição, neste sistema econômico em que o grande capital domina. Como a proposta atual seria adesão a contas de banco "on-line", pode ter maior sucesso dependendo do valor que cobre por seus serviços. Mas o valor mínimo do patrocínio de 15 milhões (segundo a reportagem), é inferior o que pagava a Caixa (25 milhões). O que pode afetar nosso fluxo financeiro.

Quanto a sua atuação em relação a tragédia, consta uma certa dificuldade de acerto com as famílias afetadas, que também estão sendo orientadas por advogados que ganham, certamente, um percentual em cima do valor da indenização obtida, o que os fazem "esticar a corda" tornando a negociação mais dura. Mais uma vez não vemos comunicação eficaz do clube explicando o andamento destes tipos de tratativas, visando melhorar a imagem arranhada do clube neste episódio. Com isto temos ainda nosso CT, dos melhores, ou melhor do Brasil, ainda sem poder hospedar os jogadores nos módulos definitivos. Pelo menos já conseguiu se livrar dos containers. Aguardamos o resultado da investigação policial e da perícia para levantamento técnico e criminal das causas do acidente. Através disso o clube poderá, creio eu, abrir sindicâncias internas para busca das responsabilidades, eventual punição dos envolvidos e melhoria dos procedimentos de segurança.

Quanto ao futebol, um time muito qualificado tecnicamente mas com seu potencial tático comprometido pela atual comissão técnica, com seu futebol reativo. Falta ainda compactação, formação de linhas defensivas, jogadas ensaiadas, proteção melhor de entrada da área, deslocamentos mais intensos e  finalizações de meia-distância.  Se vê o time muito parado em campo, com alguns jogadores se deslocando mais no setor da bola. O time ainda peca pela incapacidade de fazer o tempo passar em jogo quando em vantagem. Mas, evidente, está bem na Libertadores. Até o momento enfrentou dois adversários fracos, embora o primeiro tenha sido na difícil altitude. E LDU a nível do mar é quase um Madureira. O bom nisso tudo é que sabemos que este time, que tem até melhorado ultimamente, tem espaço para ser bem melhor que está. E isto é ótimo para quem almeja os títulos relevantes que a torcida espera há tempos.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos,

Terminado o joguinho muquirana de agora há pouco, em que o Flamengo, após criar e desperdiçar cerca de três dezenas de oportunidades de gol, derrotou o famélico Madureira EC por 2-0, eis que me ponho a perceber que a noite de hoje assinalou algumas despedidas.

Despede-se o verão, que se vai levando com ele as festas de Carnaval, os Festivais, a praia, o sol, as férias, e, felizmente, excrescências como o interminável Big Brother, enfim.

Vai-se embora a fase preliminar do dito Carioquinha, ou Ruralito, ou Rubão, entre outras alcunhas pouco altaneiras dedicadas àquele que já foi o principal campeonato do país. Não mais aqueles joguinhos enganosos contra possantes equipes incapazes de figurar na Série D do Brasileiro, não mais aquelas goleadas edulcorantes que fazem os torcedores mais festivos celebrarem feitos de jogadores medianos em embates pouco competitivos.

Não que não tenha sido animado. Teve gol de bicicleta (aliás, dois), teve goleada com futebol-arte, teve virada sob quarenta graus, teve a já corriqueira arbitragem carioca exibindo seu notável despreparo com erros grotescos, teve Maracanã recebendo públicos de 40, 50 mil pra jogos periféricos, teve futebol bom, futebol ruim, teve o caro time do Flamengo começando a mostrar sua cara para o resto do ano.

Essa chuvosa noite de terça ainda pode ter marcado a despedida de Juan. Um dos últimos jogadores do século passado ainda em atividade, nosso “zagueiro de terno” recebeu a oportunidade de desfrutar, talvez, de seus derradeiros minutos como jogador de futebol. O torcedor aplaudiu, ovacionou, reconheceu o significado e a expressão deste que se tornou um dos grandes zagueiros da história mais recente do futebol brasileiro, com largo currículo de títulos nacionais e internacionais por vários clubes e pela Seleção. Que, ao retornar ao Flamengo, ainda pôde desfilar sua classe e seu talento até que suas limitações físicas lhe cobrassem o derradeiro preço. Felizes aqueles que puderam apreciá-lo em campo.

Enfim, voltando ao jogo. Ah, ia me escapando recordar que é provável que essa tenha sido a última partida do Flamengo com o Manto atual, uma vez que se espera o anúncio da nova camisa (de listras bem estreitas) para o final dessa semana, ou seja, com estreia no Fla-Flu de domingo. Ou seja, mais uma despedida.

O que falar desses 2-0? Essas partidas contra sparrings normalmente têm o condão de enervar e irritar enquanto o time não começa a empilhar os esperados gols. Tentos marcados e a vitória garantida, aí vira entretenimento. O momento de sorver goles de uma gelada cerveja enquanto as caneladas do Pará (aliás, Parazim escreveu a bala seu nome. Um dos piores em campo, fácil) viram motivo para divertidos xingamentos. Ou os gols perdidos pelo Gabigol se tornam objeto de teses extravagantes.

Pausa para falar de Gabigol. É veloz. É rápido. É inteligente. É difícil de marcar. Possui uma capacidade ímpar de criar caudalosas chances de gol. O problema é que inapelavelmente as desperdiça. É bom ficar atento. Porque centroavantes com ótimos números já foram carbonizados por nossa torcida, justamente por perderem muitas e  muitas chances de gol. Edmar, Baltazar, Nilson, Deivid, mesmo Nunes. Por ora, esses gols não estão fazendo falta (até porque ele mesmo está consertando o problema). Mas é bom que a bola siga entrando. Do contrário...

Madureira entrou pra perder de pouco, mostrou uma zaga com razoável desempenho no jogo aéreo, o que atrapalhou um tanto as já clássicas bolas alçadas por Diego & Cia, mas de resto mostrou o mesmo repertório semi-amador de praticamente todas as equipes deste Estadual. O Flamengo, mesmo em uma noite particularmente infeliz nas finalizações (mas não inédita, o que é preocupante), não encontrou a menor dificuldade para impor um placar que se mostrou até famélico. Um ataque mais eficiente e/ou concentrado teria enfeixado, por baixo, um cacho de uma meia-dúzia de gols, sem o menor favor.

Enfim, pouco resta a acrescentar. Éverton Ribeiro, apesar de certa displicência, seguiu mostrando ser o jogador de técnica mais sofisticada da equipe, Diego alternou momentos de dinamismo com seu já tradicional jogo arame-liso, Bruno Henrique se atrapalhou com as firulas e Ronaldo fez cinco minutos interessantes quando foi adiantado no final do jogo. Fora isso, somente ficará na memória o registro de uma noite de despedidas.

A competição, agora, não terá mais descanso.

terça-feira, 19 de março de 2019

Madureira x Flamengo


Campeonato Estadual/2019 - Taça Rio - 5ª Rodada

Terça-Feira, 19 de Março de 2019, as 20:30h (USA ET 18:30h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Madureira: Douglas; Arlen, Marcelo Alves, Junior Lopes e Rezende; Rodrigo Dantas, Bruno, Everton e Luciano; Cláudio Maradona e Tássio. Técnico: Gaúcho.

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; Ronaldo e Willian Arão; Bruno Henrique, Diego e Everton Ribeiro; Gabigol. Técnico: Abel Braga.



Arbitragem: Maurício Machado Coelho Junior, auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Daniel Oliveira Alves Pereira e Gabriel Conti Viana, bem como pelo Quarto Árbitro Flávio Manoel da Silva e pelos Assistentes Adicionais 1 e 2 Carlos Eduardo Nunes Braga e Elton Azevedo. Técnico: Cláudio José de Oliveira Soares.

Transmissão: Premiere FC/Premiere Play (sistema pay-per-view) e PFCI (Premiere FC Internacional).

Professor...


SRN, Buteco.

Existe uma lei não escrita entre os treinadores, pelo menos os brasileiros, a qual reza que “ não se pode dar ouvidos ao que vem das arquibancadas”.

Do alto de suas imensas arrogâncias, os professores brasileiros tem o hábito de desconsiderar, até mesmo desqualificar a opinião de torcedor, segundo eles, “repleta de emoção e sem embasamento cientifico.”

Afinal de contas, eles se “prepararam”, a maioria “esteve lá dentro”, jogou bola, conhece vestiário.

Será mesmo?

Façamos uma comparação recente das ultimas rusgas entre torcida contra jogador .

Começamos com o zagueiro Wallace, capitão e dono do time.Pose de intelectual, a cada falha aparecia com um livro a tiracolo.A relação se tornou insuportável ao ponto de ruptura e o individua pedir pra sair no meio de um jantar na concentração, capaz até de ter deixado a comida no prato...

Seguimos com Carlos Eduardo, o Caduzinho Gaúcho, que saiu dizendo “que nenhum jogador iria querer vir pro Flamengo”..
.
Muralha, o goleiro que segue seu coração, dispensado da segunda divisão japonesa .

Rômulo risadinha, que  no Grêmio ostenta a impressionante marca de 6 jogos e ZERO desarmes.

E como não falar dele, o demônio da camisa 8, o possante Márcio Araújo, o homem que, entre outras coisas, disse que o Flamengo tinha “uma das maiores torcidas do Brasil, JUNTO com o corinthians”
.
São alguns exemplos recentes que citei de cabeça, se forçar a memória ( forçar a memória atualmente significa procurar no google...) vamos lembrar de muitos mais.

Todos tem em comum a confiança irrestrita dos treinadores, mesmo cometendo atrocidades em campo e na maioria das vezes tendo opções melhores no elenco.

E, se a voz da arquibancada conhece o que é ruim, também pode reconhecer o que é bom. Cuellar só foi promovido a titular depois de forte pressão popular, e Diego Alves foi praticamente “contratado” pelos torcedores.
Portanto, não é que o treinador tenha que referendar tudo que ouve gritarem no estádio.

Mas convém que tenha um minimo de coerência e bom senso.




                              ( Imagem meramente ilustrativa )

segunda-feira, 18 de março de 2019

Eu, o Peñarol e a Libertadores

De pé: Diogo, Gutiérrez, Bossio, Olivera,
Morales e Gato Fernandez.
Agachados: Silva, Saralegui, Fernando Morena,
Jair e Venâncio Ramos.
Quarta-feira, 14 de setembro de 1977. Estava em curso o Segundo Turno do Campeonato Carioca e o Flamengo havia jogado no domingo, dia 11, contra o América, no Maracanã (3x1, gols de Zico, Adílio e Merica). O jogo transmitido pela Rede Globo para Brasília era um enfadonho América x Fluminense (0x3), com pouco mais de treze mil testemunhas no estádio. As imagens resgatadas da minha memória são comparáveis a uma transmissão de 4K/Ultra HD. Também pudera. O parâmetro é um Boca Juniors x Cruzeiro, final da Libertadores, disputado no Estádio Centenário, em Montevidéu, e transmitido por sei lá qual emissora. Chuto Record ou Bandeirantes, mas poderia ser até a TVE/Cultura. O certo é que a imagem era horrorosa, em preto e branco, contaminada por frequentes interrupções, isso quando a tela não era invadida por chuviscos e as mais exóticas faixas de interferência, emitindo variados ruídos, no melhor estilo “Poltergeist”. “Pai, a imagem tá horrível; por que você quer assistir a isso?!” E veio a resposta de quem sabia bem o peso daquele confronto, por haver assistido presencialmente, no Maracanã, ao Santos de Pelé triunfar sobre o Milan e o Benfica: “Filho, essa é a final da Libertadores da América, torneio mais importante do continente. Tem um clube brasileiro disputando contra um grande argentino.” E ficamos assistindo à final, apesar dos pesares. À medida que meus olhos foram se adaptando a tantas dificuldades, logo percebi que a batalha se diferenciava do sonolento espetáculo que se desenvolvia no Maracanã.

Daquele jogo eu tenho mais lembranças das cobranças de pênaltis, do Nelinho e do goleiro portenho Gatti, com seus cabelos longos e a faixa na cabeça, que em 1978 também enfrentou o Atlético/MG pela Libertadores (duas vitórias "Bosteras"). A final de 1977 foi muito marcante, ao menos para mim. Pesquisando aqui e acolá, descobri que aquele torneio só havia sido conquistado por dois clubes brasileiros, um deles o Santos de Pelé. Não é que o Campeonato Carioca tenha morrido para mim, mas desde aquele momento, na minha cabeça, começou a se estabelecer uma nítida diferença de importância entre os cenários local (estadual), nacional e internacional. Chamou-me bastante a atenção o fato de somente o Santos de Pelé até então ter sido campeão mundial interclubes. Ficava me perguntando: há algo maior do que ser campeão da América e do Mundo?

Dois anos depois, o Flamengo foi tricampeão estadual, incluindo uma edição especial, pois a normalmente programada havia acabado cedo demais… Porém, naquele mesmo ano (1979), no Campeonato Brasileiro espremido entre os meses de novembro e dezembro, o promissor Flamengo foi eliminado, em pleno Maracanã, após uma ótima campanha, por um Palmeiras repleto de jogadores medianos, mas comandado por um certo Telê Santana à beira do gramado. Intrigou-me como uma máquina de jogar futebol daquelas havia perdido para um clube que sabia que era grande, mas quase nunca jogava contra o meu. Para quem não se recorda, o Flamengo/1979 terminou a temporada com 82 (oitenta e dois) jogos, conquistando 62 (sessenta e duas) vitórias, contra 13 (treze) empates e 7 derrotas, e marcando 205 (duzentos e cinco) gols (!), 81 (oitenta e um) deles por Zico (!) e sofrendo 60 (sessenta). Natural que o único torneio perdido, ainda mais daquela forma, tenha despertado a minha cobiça.

Ainda em 1979, fiquei estupefato quando um time do qual jamais havia ouvido falar, chamado Olímpia, do Paraguai, havia sido campeão mundial, em Tóquio, em cima do Malmoe (Suécia), após derrotar o poderoso Boca Juniors na final da Libertadores. Como seria grandioso o Flamengo ganhar esses títulos, eu imaginava. Ainda no cenário nacional, não demorou e 1980 trouxe a saborosa vingança contra o mesmo Palmeiras, com os 6x2 no Maracanã, aplicados durante a campanha do inédito título brasileiro, que, por sua vez, foi conquistado após uma épica final contra o Atlético/MG, para mim até hoje o maior jogo de futebol de todos os tempos. E com o primeiro título brasileiro veio a oportunidade de disputar a primeira Libertadores, perseguida por outros grandes clubes brasileiros, como o Internacional, vice-campeão para o Nacional de Montevidéu ainda em 1980.

Quando veio o título da Libertadores em 1981, sucedido pelo épico 3x0 sobre o Liverpool em Tóquio pela Copa Intercontinental, não teve jogo do ladrilheiro que me balançasse da mesma forma, por maior que fosse a emoção dos confrontos contra os rivais cariocas. Na minha cabeça, com apenas 11 (onze) anos de idade, já havia entendido bem a diferença entre o Estadual e o Brasileiro e a Libertadores.

***

Talvez pelo orgulho que represente para os torcedores do Vasco da Gama, noto que a maioria das menções ao segundo semestre de 1982, envolvendo o Flamengo, aludem à derrota na final do Estadual (0x1, 5/12). Não é que para mim tenha sido irrelevante, até porque nenhum jogo do Flamengo o é, mas o ano já havia sido por demais sofrido em razão da derrota da Seleção Brasileira no Sarriá (2x3 Itália, 05/7) e da maior decepção que tive com o Flamengo em minha infância/juventude: a eliminação da Libertadores/1982, após a derrota para o Peñarol no Maracanã (0x1, 16/11), em frente a mais de 90 mil pagantes. O que mais doeu foi, logo em seguida, ter que assistir ao Peñarol superar o Cobreloa (aquele mesmo de 1981), na final da Liberadores, e o Aston Villa (Who?), em Tóquio, pela Intercontinental, sagrando-se campeão mundial e impedindo o Flamengo de repetir o feito do Santos de Pelé, alcançado pelo São Paulo de Telê Santana no início da década de 90 (bi mundial).

Aston Villa! As-ton, Vil-la! Fiquei inconformado e inconsolável. Quantos clubes tiveram a "teta" de decidir um mundial contra o Aston Villa? E o Flamengo esteve muito perto do bi-mundial, pois o caminho para Tóquio era inclusive mais curto do que no ano anterior. É que, naquela época, o campeão da edição anterior da Libertadores pulava a fase de grupos e já entrava nas semifinais, disputadas em sistema de ida e volta em dois grupos com 3 (três) clubes. O mesmo era feito na Copa do Mundo. Assisti a duas (1978 e 1982) nesse formato. O curto caminho do Flamengo, porém, tinha o Peñarol que, naquele ano, conquistaria seu último título mundial. Afinal de contas, quem era Aston Villa defronte ao todo-poderoso e multi-campeão sul-americano? Um abismo existia entre as duas camisas. O desfecho não poderia ter sido outro.


***

Após estreia com derrota por 0x1 para os uruguaios em um Centenário lotado e fervendo como um caldeirão, duas vitórias categóricas sobre o River Plate (3x0 no Monumental e 4x2 no Maracanã) me fizeram acreditar que tudo terminaria bem. Afinal de contas, (quase) tudo terminava bem com aquele Flamengo de Zico. Infelizmente, eu e toda a torcida rubro-negra estávamos mal-acostumados.

Passei a minha adolescência odiando profundamente o Peñarol e o brasileiro Jair, habilidoso camisa 10 e autor do gol de falta que sacramentou a eliminação do Flamengo. Não estou brincando. Direcionei meu ódio juvenil contra ambos com todas as forças. A senha para me ensandecer completamente, em questão de segundos, era apenas mencionar a semifinal de 1982, o Peñarol e o Jair. Nem mesmo a vitória no Mundialito em 1983, na Itália (2x0, transmitido pela Globo), aplacaram a minha ira. Seja porque não era a Libertadores, seja porque não foi com a presença do Zico ou mesmo porque o adversário utilizou horrorosa camisa toda amarela, e não a tradicionalíssima com faixas verticais pretas e amarelas, tudo foi pretexto para descarregar a minha bílis venenosa contra os uruguaios.

Na minha cabeça, a energia do Peñarol era negativa para o Flamengo. O único título internacional do Botafogo (clube que meu pai me ensinou a detestar) foi conquistado em cima de quem? Do Peñarol. O Grêmio, terrível adversário do Flamengo de Zico, conquistou sua primeira Libertadores em cima de quem? Do Peñarol. No último título sul-americano conquistado pelo Flamengo (Sul-Americana/1999), os jogadores foram covardemente agredidos, no que talvez tenha sido, ao lado da final contra o Cobreloa em Santiago (1981), o cenário mais hostil que o clube já encarou além das fronteiras brasileiras, logo após eliminarem, no Centenário, o… Peñarol.

Mas essa era uma avaliação de um torcedor mais jovem e emotivo, naturalmente muito menos racional do que o de hoje, que nutre até certa admiração pelo algoz de outrora... Ou será que não? Confesso estar curioso sobre o que sentirei quando, após 37 (trinta e sete) anos, os dois clubes voltarem a se enfrentar pela Libertadores da América.

***

Naquele início dos anos 80, o futebol uruguaio ainda vivia anos de grande prestígio, inclusive por conta dos títulos conquistados por seus maiores clubes: Nacional e Peñarol. De 1980 até 1989, cada um conquistou duas edições da Libertadores, feito nada desprezível, representando o dobro das conquistas brasileiras naquela década. Ao todo, o Peñarol conquistou nada menos do que 5 (cinco) Libertadores e 3 (três) Copas Intercontinentais, feito notável de um verdadeiro gigante sul-americano.

Todavia, tragicamente (para eles), o cenário mudou e hoje o Peñarol não mete medo em mais ninguém. A última conquista da Libertadores remonta a 1987, ano no qual foi derrotado (1x2), em Tóquio, debaixo de pesada nevasca, pelo fortíssimo Futebol Clube do Porto de Mlynarczyc, Geraldão, Rui Barros e Madjer. De lá para cá, apenas uma boa campanha, no vice-campeonato para o Santos de Neymar (2011), e incontáveis reveses, como, só para citar alguns, os vexames do vice-campeonato da Copa Conmebol para o Botafogo (1993), da eliminação na Sul-Americana para o Goiás (2010) e, pasmem, ter chegado, em 2018, a sua sexta eliminação seguida na fase de grupos da Liberadores nos últimos sete anos (!), ficando atrás ou não vencendo adversários do nível de Arsenal de Sarandi, Huracán, Deportivo Anzoátegui, Emelec, Jorge Wilsterman e Atlético Tucumán.

Apesar disso, o clube tenta reconquistar seu prestígio internacional. Um importante passo foi a construção do Estádio Campeón del Siglo, com capacidade para 40 mil pessoas e inaugurado em 28 de março de 2016, com uma goleada de 4x1 sobre o River Plate (o “original”, não o genérico uruguaio). Porém, até o momento o estádio não foi suficiente para levar o Peñarol sequer às oitavas de final da Libertadores, inobstante a conquista de mais um título uruguaio, seu 50º, em 2018.

Que a volta por cima não se dê justamente em 2019...

***

Flamengo e Peñarol parecem destinados a se cruzarem em cenários importantes e dramáticos. Desde os fatídicos confrontos pela Libertadores em 1982, os dois únicos jogos oficiais ocorreram justamente em 1999, pela Copa Sul-Americana. No Maracanã, o Mais Querido aplicou 3x0 com autoridade (Leandro Machado, Maurinho e Lê), mas em Montevidéu (Estádio Centenário) o pau quebrou após eliminação dos uruguaios, que venceram apenas por 3x2 (gols de Athirson e Reinaldo). A então Confederação Sul-Americana de Futebol suspendeu 10 (dez) atletas do Peñarol e ainda multou o clube no valor de U$ 10 mil.

Posteriormente, os clubes se enfrentaram em um amistoso, também no Estádio Centenário, onde, por sinal, o Flamengo perdeu todos os confrontos oficiais disputados contra o Peñarol até hoje. Vitórias rubro-negras contra o mesmo adversário, em Montevidéu, foram três, duas no Centenário e uma no Campus Municipal, palco da última delas, em 1981 mas apenas em amistosos. No Maracanã, ocorreram dois confrontos, dois deles vencidos pelo Mais Querido e um pelos uruguaios, logo aquele...

***

Essas são apenas as minhas memórias de tempos que já se foram, nos quais os uruguaios disputavam em igualdade de condições os confrontos contra quaisquer gigantes dos cenários Sul-Americano e Mundial. Fica para outro dia o papo sobre o atual time "Carbonero" e o seu desempenho na temporada 2019. Antes, porém, deixo para vocês uma pergunta: o Peñarol encolheu ou apenas passa por uma longa crise?

Bom dia e SRN a tod@s.