quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A Pausa

Chegamos enfim a uma quarta-feira livre, isto é, sem jogo do Flamengo por conta de sua eliminação ao Cruzeiro nas oitavas de final da Libertadores. Temos finalmente uma semana livre para treinamentos táticos e possível, ainda que implausível, ajuste tático do time de forma a torná-lo novamente competitivo ou ao menos perto do que estava no período pré-Copa onde de fato apresentava um bom futebol.

Mas o estudo dos adversários a respeito das deficiências do mono-esquema de Barbieri, aliado a saída do Vinicius Jr mais a reiterada escalação de seus próprios "caramujos", como convém a todo técnico iniciante inseguro, e a performance muito abaixo do esperado dos ditos reforços contratados, tornaram o Flamengo ainda no G4 um time de Z4.

E um time de Z4 não se tem confiança na vitória. Um time de Z4 gera mais confiança de vitória do adversário. Não é mais temido. As linhas do adversário avançam mais, se resguardar para que?

Flamengo é um time de cruzamentos inócuos e finalizações imprecisas. Barbieri segue revezando de centroavantes embora ande procurando insistir no mais fraco deles, o Uribe. Cujo posicionamento errático na minha visão atrapalha demais o andamento das jogadas.

Mas a decisão do Departamento do Futebol foi manter o Barbieri. Poderia aproveitar o momento desta pausa para contratação de treinador mais experiente. O que seria talvez complicado visto o clima eleitoral do clube e a possível troca de gestão, o que, em tese, poderia gerar insegurança no hipotético técnico visado.

O clube é assim, a cada três anos, ferve como um caldeirão. Grupos aparecem,  alguns deles sem propostas e parecem muito bons mesmo sendo ocos por dentro, apenas pelo simples fato de atirar pedras, invariavelmente com vários integrantes de ideias conflitantes, unidos pelo utilitarismo de ocasião. A Situação com seus problemas no futebol brilha em outras áreas.  Mas evidente não é o suficiente em um clube em que o futebol é o esporte principal. Poucas conquistas, decisões ruins e/ou controversas no departamento, dilapidaram a confiança antes depositada. Mesmo que todo um trabalho de fortalecimento estrutural e processual tenha sido feito para fazer do Flamengo, um clube sem mecenas e financeiramente equilibrado, apresentar um elenco tão forte que de fato disputa os campeonatos em condições de título. Ao contrário de outros anos. Mas o elenco não apresenta uma performance consistente, parece sucumbir rapidamente  e entra no espiral derrotista.  O que talvez um técnico mais experiente conseguisse reverter. Em tese, mas não garantido.

Enfim, o Flamengo, mesmo com seus problemas e a politicagem interna comendo solta, ainda tem boas chances tanto na Copa do Brasil como no Brasileiro. Tem elenco para isto. Pode fazer resultado contra o Corinthians e voltar a primeira posição no Brasileiro, até porque os clubes que estão na nossa frente estão sucumbindo também. Não há um bicho papão no campeonato como foi ano passado. A disputa ainda está em aberto. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Alfarrábios do Melo


SARAU DOS INTERINOS

1.CONTEXTO – Antecessor com relação ruim com o elenco
2.OPÇÕES – Algum medalhão que por algum motivo não vem
3.IMPACTO INICIAL – Na conversa e na amizade, o vestiário é acalmado. E as vitórias voltam.
4.MUDANÇAS – Normalmente ajustes em relação ao time anterior ou repetição de um modelo
5.O ÁPICE – Com o time correndo no limite, normalmente em pouco tempo vem alguma taça
6.OS PROBLEMAS – Lesões, venda de jogador… Algo acontece e o time começa a desmontar
7.A QUEDA – A casa vai caindo, caindo… E cai de vez
8.O FIM – Às vezes ainda há uma sobrevida, mas dura pouco


PAULO CÉSAR CARPEGIANI (1981-83)

1. CONTEXTO – Flamengo acaba de vencer a Taça Guanabara e lidera seu grupo na Libertadores. No entanto, o treinador Dino Sani enfrenta problemas de relacionamento com algumas lideranças do elenco. Há atritos com Andrade, Raul, Rondinelli e Adílio. A Diretoria enxerga nisso um risco para a sequência da temporada e o demite.
2.OPÇÕES – A opção é Nelsinho Rosa, ex-jogador do clube, Campeão Estadual do ano anterior dirigindo um limitado Fluminense. Mas Nelsinho opta por uma proposta mais vantajosa no Qatar.
3. IMPACTO INICIAL – Apesar de alguns empates incômodos, o time logo dá respostas, com vitórias contundentes e a classificação à Fase Semifinal da Libertadores, o que tranquiliza o ambiente. “Há uma base muito sólida de amizades que criei aqui dentro e numa hierarquia vamos trabalhar com respeito e tranquilidade. O fato de ser amigo do grupo só pode me beneficiar”, declara Carpegiani em entrevista.
4. MUDANÇAS – A ideia é resgatar a formação adotada por Coutinho. Mas, depois de algumas semanas usando um time semelhante ao de Dino Sani, Carpegiani enfim consegue equilibrar a equipe colocando o meia Lico como “falso-ponta” esquerda, no lugar de Baroninho. Outras mudanças relevantes são a recondução de Raul ao time titular e a definitiva efetivação de Mozer.
Time-Base de Dino Sani: Raul, Leandro, Marinho, Rondinelli, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Baroninho
Time-Base de Carpegiani: Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Lico
5. O ÁPICE – Inicia com os históricos 6-0 no Botafogo, culminando com as conquistas do Estadual, da Libertadores, do Mundial e, meses mais tarde, do Brasileiro e, na sequência, da Taça Guanabara.
6. OS PROBLEMAS – Lesão de Nunes no Brasileiro tira poder de fogo. Em 1982, há equívocos nas peças de reposição do elenco (Jasson, Popeia, Zezé, Wilsinho), que na rodagem perde muito rendimento. Com as derrotas, Carpegiani, de temperamento difícil, começa a ser questionado por alguns jogadores. Lento e cansado, o time se torna previsível e facilmente anulado.
7. A QUEDA – No final da temporada de 1982, o time é eliminado da Libertadores e perde o Estadual, afundando em forte crise.
8. O FIM – Mesmo sem ambiente com boa parte do elenco, Carpegiani é mantido, o que se revela um erro. O time se arrasta por algumas semanas até a demissão do treinador, incapaz de voltar a motivar a equipe.

CARLINHOS (1987-88)

1.CONTEXTO – treinador Antonio Lopes entra em rota de colisão com alguns jogadores (notadamente Leandro e Renato) e dirigentes. Responsabiliza Leandro publicamente pela perda do Estadual. Enfrenta um motim de jogadores numa excursão ao México. Na estreia do Brasileiro, vê o time ser facilmente derrotado pelo São Paulo. E pede demissão.
2.OPÇÕES – Zagalo é lembrado, mas a principal opção é novamente Nelsinho Rosa. No entanto, o treinador precisa recusar o convite, pois se recupera de uma cirurgia de ponte de safena.
3. IMPACTO INICIAL – Bem mais tranquilo que nas experiências anteriores, devolve o diálogo ao elenco, que responde com uma convincente vitória sobre o Vasco (2-1) pelo Brasileiro.
4. MUDANÇAS – Carlinhos resgata a formação utilizada por Antonio Lopes no Terceiro Turno do Estadual, mas promove as entradas dos garotos Ailton e Zinho, com o intuito de dar mais vigor e intensidade ao meio-campo. O jovem lateral-esquerdo Leonardo, muito mais habilidoso que o limitado Airton, também ganha vaga no time. A zaga recebe o reforço de Edinho, tornando-se mais técnica e lenta.
Time-Base de Antonio Lopes: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Mozer, Airton; Andrade, Júlio César (Ailton), Zico; Renato, Bebeto, Marquinho;
Time-Base de Carlinhos: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo, Andrade, Ailton, Zico, Zinho, Renato, Bebeto.
5. O ÁPICE – Conquista do Tetracampeonato Brasileiro e, poucos meses depois, da Taça Guanabara.
6. OS PROBLEMAS – Lesões de alguns titulares, principalmente Renato, cuja saída tira muita força do ataque. O time é forte, mas o elenco tem poucas peças de reposição (Leandro Silva, Flávio, Henágio, Vandick etc). Após a Taça Guanabara, o rendimento cai assustadoramente.
7. A QUEDA – Com defesa lenta e pesada, a equipe não consegue enfrentar o jovem e veloz ataque do Vasco, sendo seguidas vezes derrotada pelo rival, o que custa a perda dos dois turnos seguintes e do Estadual.
8. O FIM – Na última partida contra o Vasco, Carlinhos tenta uma última cartada, barrando Leandro por Aldair, tentando dar mais velocidade à zaga. A mudança irrita os líderes do elenco, que se sentem “traídos”. O time até melhora mas perde o jogo, o título e Carlinhos, o cargo.


ANDRADE (2009-10)

1.CONTEXTO – O treinador Cuca jamais foi aceito pelo elenco e mesmo por alguns profissionais do clube, que no máximo o toleram. Nem mesmo a conquista do Tricampeonato Estadual reverte esse quadro, que é agravado com a chegada do atacante Adriano, cuja conduta irrita Cuca. Após várias crises geradas por essa relação tempestuosa, enfim o treinador, sob coro de “Adeus, Cuca”, é desligado, após um empate no Maracanã contra o Barueri (1-1).
2.OPÇÕES – A principal preferência recai sobre Carlos Alberto Parreira, com quem o VP de Futebol chega a acertar contrato, mas a renúncia do dirigente mela o negócio. O Presidente em Exercício prefere o jovem Sérgio Guedes. Os jogadores tentam emplacar Fábio Luciano, recém-aposentado. O novo VP busca Vagner Mancini, que recusa o convite. Com as dificuldades nas negociações, Andrade ganha espaço e recebe nova oportunidade.
3.IMPACTO INICIAL – Tranquilo e de fala mansa, Andrade dá espaço aos líderes do elenco, o que traz paz e harmonia ao vestiário.
4.MUDANÇAS – Andrade rompe com o confuso esquema do antecessor (que recorria a dois ou três zagueiros) e emula a forma de jogo da “Era Zico”. Aproveita para isso o único meia do elenco, o veterano desacreditado Petkovic, e recupera o contestado Zé Roberto. Também recebe reforços para a zaga (ponto fraco do time) e para o meio-campo. É um time completamente diferente.
Time-base de Cuca: Bruno, Léo Moura, Welinton, Fabrício (Airton), R.Angelim, Juan, Willians, Kleberson, Ibson, Emerson Sheik, Adriano.
Time-base de Andrade: Bruno, Leonardo Moura, Álvaro, R.Angelim, Juan (Everton), Airton, Maldonado, Willians, Petkovic, Zé Roberto, Adriano.
5.O ÁPICE – O time apresenta cerca de três meses de excepcional futebol, que é coroado com a conquista do Hexacampeonato Brasileiro.
6.OS PROBLEMAS – Na virada para 2010, o elenco perde peças importantes (Everton, Zé Roberto, Airton), com reposição longe do mesmo nível (Fernando, Felipe Alvim, Michael, Ramón). O grande reforço, Vagner Love, muda as características da equipe, algo com o qual Andrade se mostra incapaz de lidar. Ademais, Petkovic volta a apresentar os conhecidos problemas de relacionamento com os companheiros e tumultua o ambiente.
7.A QUEDA – O Flamengo faz temporada claudicante, sem jamais acertar os problemas defensivos. Perde os dois turnos do Estadual para o Botafogo e por pouco não é eliminado na Primeira Fase da Libertadores.
8.O FIM – O Flamengo precisa fazer dois gols sobre o frágil Caracas no Maracanã para se classificar sem depender de uma combinação milagrosa de resultados. Não consegue. Faz apenas 3-2. Mas o tal milagre acontece e a vaga vem mesmo assim. Mas é o fim de linha para Andrade.

JAYME DE ALMEIDA (2013-14)

1.CONTEXTO – Mano Menezes faz um trabalho apenas razoável à frente do elenco, mas a Diretoria e a torcida confiam nele para algo maior a médio/longo prazo. Mas a relação é interrompida quando o treinador, inesperadamente, pede demissão após uma vexatória derrota para o Atlético-PR (2-4, de virada) no Maracanã.
2.OPÇÕES – A Diretoria chega a sondar Abel Braga, mas a recusa do treinador faz com que a aposta recaia sobre Jayme de Almeida, opção de baixo custo e esperança de reeditar trabalhos vencedores comandados por profissionais de perfil semelhante. O temor do rebaixamento desencoraja soluções mais ousadas.
3.IMPACTO INICIAL – Exortando o elenco a abraçar a torcida e conseguindo canalizar a necessidade de reação de um elenco exposto pelo antecessor, Jayme consegue bons resultados iniciais (empate com o Botafogo pela Copa do Brasil, com boa atuação, e goleada sobre o Criciúma), transformando o medo em esperança.
4.MUDANÇAS – A mais elogiada mudança de Jayme se dá com a definição clara de um time titular, o que não acontecia sob Mano, que dificilmente repetia escalações. O volante Amaral barra Caceres, o que traz dinamismo ao sistema defensivo. O jovem Luiz Antonio ganha uma vaga ao lado de Elias, trazendo alguma técnica ao meio. O criticado Carlos Eduardo enfim recebe sequência como titular e Paulinho é deslocado para a ponta-esquerda.
Time-base de Mano: Felipe, Léo Moura, Chicão, Wallace, André Santos, Caceres, Elias, Gabriel, Carlos Eduardo (Luiz Antonio), Hernane, Nixon (Rafinha)
Time-base de Jayme: Felipe, Léo Moura, Chicão, Wallace, André Santos, Amaral, Luiz Antonio, Elias, Carlos Eduardo, Paulinho, Hernane;
5.O ÁPICE – Em pouco menos de três meses, o Flamengo se mostra capaz de enfrentar e vencer todas as principais equipes do país e, numa arrancada empolgante, conquista a Copa do Brasil.
6.OS PROBLEMAS – Na virada da temporada, o clube não consegue manter Elias (o principal jogador da equipe) e ainda convive com um processo judicial movido por Luiz Antonio, que tenta desvincular-se do Flamengo. A saída dos dois jogadores destroi a espinha dorsal do time, problema que Jayme jamais consegue resolver. Alguns titulares caem assustadoramente de produção (Hernane, Carlos Eduardo). Vários reforços são contratados mas poucos emplacam, e Jayme prefere recorrer a nomes como Recife, Muralha, Digão e Negueba.
7.A QUEDA – O time ainda consegue conquistar o Estadual (na esteira da péssima fase dos rivais), mas é categoricamente eliminado da Primeira Fase da Libertadores, o que acende pesada crise.
8.O FIM - Mesmo com a eliminação no torneio continental, Jayme é mantido. Mas a conquista do Estadual, cada vez mais desvalorizado pelo torcedor, se mostra incapaz de recuperar o prestígio do treinador. E Jayme é demitido na quarta rodada do Brasileiro, após derrota em um Fla-Flu.

ZÉ RICARDO (2016-17)

1.CONTEXTO – Muricy Ramalho, que vem de péssimos resultados no semestre, pede afastamento por recomendação médica, após a primeira rodada do Brasileiro (vitória por 1-0 sobre o Sport);
2.OPÇÕES – O Flamengo chega a acertar a contratação de Abel Braga, mas a impossibilidade de contar de imediato com o treinador (por questões contratuais) faz emergir um processo de rejeição interna e externa. O interino Zé Ricardo, campeão da Copa SP, ganha tempo e, com resultados, prestígio;
3.IMPACTO INICIAL – Zé Ricardo, ao contrário do antecessor, consegue transmitir rapidamente a capacidade de fazer o time funcionar. Organiza a primeira linha defensiva e, com atuações seguras, conquista vitórias sobre Ponte Preta (em Campinas, quebrando longo tabu) e Vitória.
4.MUDANÇAS – O novo treinador é adepto de um sistema de jogo mais pragmático, um híbrido que conjuga posse de bola com índole defensiva. Sensível à relação de forças no elenco, monta uma equipe em que as principais lideranças do plantel são aproveitadas. Recebe reforços para a criticada zaga (Rever, Donatti e Rafael Vaz), barra o goleiro Paulo Vitor, que vive péssimo momento, e ganha o meia Diego, que traz um notável upgrade ao nível da equipe. Os aplicados, mas limitados, Gabriel e Márcio Araújo também são promovidos à equipe titular. Os estrangeiros Cuellar e Mancuello perdem espaço.
Time-base de Muricy: Paulo Vitor, Rodinei, Wallace, Juan, Jorge, Cuellar, W.Arão, Mancuello, M.Cirino, Guerrero, Gabriel (Emerson Sheik).
Time-base de Zé Ricardo: Muralha, Pará, Rever, Rafael Vaz, Jorge; M.Araújo, W.Arão, Diego; Gabriel, Guerrero, Everton
5.O ÁPICE – O Flamengo, antes ocupando posições intermediárias, ascende na tabela e sustenta, por várias rodadas, uma renhida briga pela liderança com o Palmeiras, de quem chega a estar a apenas um ponto.
6.OS PROBLEMAS – O modelo de jogo mostra sinais de esgotamento ainda em 2016. Para o ano seguinte, Zé Ricardo tenta utilizar Mancuello deslocado na direita, mas a experiência não funciona. O golpe fatal surge com a lesão de Diego, que vinha em primorosa fase. Incapaz de encontrar alternativas e reticente em aproveitar os reforços em detrimento dos antigos titulares, Zé Ricardo vai se sustentando com a campanha no Estadual e com as vitórias em casa pela Libertadores. Mas as derrotas como visitante acendem um alerta que é ignorado.
7.A QUEDA – Insistindo com jogadores nitidamente limitados, Zé Ricardo sofre duríssimo golpe ao, poucos dias após a conquista do Estadual, ser derrotado pelo San Lorenzo no Estadio Gasometro, resultado que, novamente, elimina o Flamengo de uma Primeira Fase da Libertadores. A perda da vaga sepulta o mínimo de prestígio que o treinador ainda reunia com a torcida.
8.O FIM – A Diretoria, renitente, insiste com Zé Ricardo. O time ainda esboça ligeira reação por poucas rodadas no Brasileiro, mas rapidamente entra em queda livre. O treinador segue dando sistemáticos sinais de apego ao núcleo de jogadores do início do trabalho. O Flamengo por pouco não amarga eliminação humilhante na Copa do Brasil, ao ser goleado pelo Santos (2-4, em falhas grosseiras de Muralha e Vaz). O fim da linha acontece após uma derrota, em plena Ilha do Governador, para o Vitória (0-2), quando, contra a vontade do Presidente, o treinador enfim perde o cargo.



terça-feira, 18 de setembro de 2018

Descaso


SRN, Buteco.

Acho que todos nós temos os nossos próprios rituais preparatórios para assistir aos jogos do Flamengo.

Seja no estádio, seja num bar ou mesmo em casa.

Separar a camisa, marcar com  os amigos, colocar cerveja ou refrigerante para gelar, preparar algum petisco, verificar se o radio está com pilha antes de sair pro estádio ( esse ultimo está em extinção...)

Dependendo da partida, é o grande evento da semana, o qual esperamos ansiosamente e nos programamos em função dele. Quem já não remarcou algum compromisso ou deixou de ir a algum aniversário porque era dia de jogo do Flamengo?

Nos últimos tempos, porém, assistir a jogo do Flamengo se tornou um  fardo.

Já iniciamos a semana com a quase certeza de que ela vai ser estragada justamente por aquilo no nos dava um dos maiores alegrias.

Assisir a jogo do Flamengo virou ir a reunião de condomínio, enfrentar fila de banco, consulta ao dentista.E caminha perigosamente para se tornar algo temível, uma coisa que tentaríamos evitar se fosse possível.

Assistir ao Flamengo caminha perigosamente para se tornar uma colonoscopia virtual.

Começa o jogo e, com 10,15 minutos já se tem a impressão do que não vai sair nada dali.Não se chuta a gol, a lentidão é gritante, assim como o conformismo dos jogadores em campo.

E o que antes era prazer se transforma em obrigação, uma tarefa comum e insossa, e durante a partida invariavelmente bate a vontade de usar o celular ou dar uma folheada naquele livro esquecido na cabeceira da cama.

Ao final do jogo, como quase sempre o time vem confirmando as expectativas ruins, a cada dia conseguimos sentir menos raiva.

Sentimos um misto de tristeza, desprezo e convicção de que , infelizmente aconteceu o que se esperava e o time decepcionou mais uma vez,

Caminhamos para a indiferença. Espero, sinceramente, ansiosamente, desesparadamente, que algo mude.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Ecos do Mané Garrincha

Salve, Buteco! Sábado estive no Mané Garrincha para assistir ao clássico contra o Vasco da Gama e confesso que ainda estou tentando aplacar a minha fúria contra o time do Flamengo. A capacidade que os jogadores, o Departamento de Futebol e a Diretoria têm para frustrar os torcedores e dissipar o mínimo resquício de esperança é algo digno de estudo. Falando muito sério, o que foi aquele primeiro tempo? Aqueles vinte primeiros minutos? Todo adversário pressiona o Flamengo no começo da partida e da etapa final. Todo jogo o mesmo enredo se repete, com a postura letárgica nos primeiros minutos de jogo, o que já nos custou nada menos do que a eliminação na Libertadores da América, pois acredito que todo mundo se recorde do que foi o início da partida contra o Cruzeiro no Maracanã. O símbolo dessa postura foi a facilidade com que o Vasco da Gama penetrou no lado esquerdo da nossa grande área, encontrando generoso espaço para o cruzamento que resultou no gol.

Este vídeo postado do YouTube  é didático, a começar por ter apenas as imagens de mais de uma câmera e o áudio do estádio, porém não a costumeiramente desagradável narração de Luiz Carlos Jr. Revendo o lance é possível constatar: a) que Vitinho assiste à jogada vascaína sem oferecer o mínimo de resistência ou combatividade no setor esquerdo defensivo; b) o buraco defensivo leva o Réver a abandonar a marcação sobre Andrés Rios, que termina marcando o gol no final do lance; c) Pará consegue ser muito pior do que Rodinei na marcação, repetindo o mesmo erro vem cometendo há anos, postando-se estático e deixando fluir a jogada ofensiva adversária sem qualquer marcação, e, para piorar, d) Andrés Rios finaliza em posição de impedimento, como demonstra claramente a imagem do vídeo entre os segundos 10 e 13, que a narração não se preocupou em apontar. 

***

Éverton Ribeiro, Diego, Lucas Paquetá e Vitinho. O que dizer da nossa "segunda linha de quatro"?  Começarei pelo nosso atual camisa 10. Diego vem sendo alvo de pesadas críticas da torcida, com as quais concordo em parte. É inegável (ao menos para mim) que o Ribas, ao contrário de Everton Ribeiro e de Lucas Paquetá, e até do que Vitinho, utiliza muito pouco o recurso do passe vertical, aquele que, no jargão atual, "quebra" a primeira linha adversária, permitindo que a bola seja recebida "nas costas" da zaga. Para quem executa com predominância a função de "buscar o jogo" e organizar o meio campo, de modo a fazer as jogadas "fluírem", cria muito pouco e torna o time lento com uma grande quantidade de passes burocráticos, sejam laterais ou diagonais. Muito embora seja perceptível que Diego é uma liderança muito forte dentro de campo e um dos que mais corre e se esforça, a lentidão e previsibilidade do time passam, e muito, por sua inoperância na função tática que o treinador lhe atribui e ele próprio chama para si.

As críticas a Diego são injustas quando apenas seus erros são apontados e não os de seus companheiros da segunda linha. A começar pela combatividade, que sobra em Diego. Os mais jovens, Vitinho e Lucas Paquetá, passam por períodos de sonolência ou hibernação durante grande parte do jogo. O primeiro tempo de ontem foi um bom exemplo. A frouxidão dos dois no combate no setor esquerdo defensivo do Flamengo facilitou a criação de várias jogadas de perigo do Vasco da Gama durante a partida, principalmente nos quarenta e cinco minutos iniciais. Aliás, como visto, foi assim que nasceu o gol cruzmaltino. Além disso, falta intensidade no confronto direto contra as zagas adversárias, e os dois, assim como Everton Ribeiro, vêm errando passes importantes e decisivos, o que sábado à noite poderia ter mudado a história da partida.

Todavia, ainda falando de sábado, fiquei com a impressão que o Flamengo teve seu melhor momento com dez em campo, sem Diego (após a expulsão), especialmente quando, após o gol de empate, Willian Arão substituiu Uribe, o que levou a um interessante "diálogo" entre Vitinho e Paquetá pelo setor esquerdo. Minha posição nas arquibancadas inferiores era privilegiada e por isso talvez para mim tenha ficado mais claro do que na transmissão ao vivo ou mesmo nos videotapes. Pareceu-me que o time ficou menos travado e mais agudo, efeito que, contudo, diminuiu de intensidade com a entrada de Berrío, visivelmente inferior a Vitinho em nível técnico.

***

Já escrevi em vários posts que considero a formação com três meias e Vitinho bastante válida como alternativa tática, mas irreal como esquema único para uma sequência tão dura de jogos como a desse segundo semestre. Pois bem, o clássico de sábado à noite reforçou minha convicção de que Diego e Lucas Paquetá concorrem por uma vaga no time. O site Torcedores.com, nesta matéria do último 11.09, aponta Lucas Paquetá como maior finalizador do Campeonato Brasileiro em curso, ao lado de Ricardo Oliveira. Ressalvada a obviedade de que o rival é centroavante, Paquetá tem quatro gols a menos (6x10) e apenas um a mais do que Diego, que sempre teve na carreira, e no Flamengo, uma boa média de gols (para um meia). Minha dúvida é se Paquetá tem maior potencial para ser um excelente meia defensivo com boa capacidade de infiltração e finalização ou um meia ofensivo "rompedor" e artilheiro. 

A posição ideal do Paquetá é objeto de opiniões para todos os lados. Tenho para mim que, para ser um meia ofensivo de ponta, Paquetá pode e precisa melhorar no fundamento finalização; já como meia defensivo, precisa aprimorar o fundamento da marcação. Seja qual for a escolha, parece ainda ter muito chão para percorrer. Como meia "organizador" tem bem mais qualidades do que Diego, e na função ofensiva é um pouco mais efetivo. No Campeonato Brasileiro, Ribas marcou contra Ceará, Paraná, Bahia, Vitória e Chapecoense (pênalti), enquanto Lucas balançou as redes contra Vitória Internacional, Bahia, Botafogo, Sport e América/MG.

Minha preferência é pelo menino Lucas, que evidentemente tem um potencial bem maior a ser explorado, desde que consiga ser mais regular e volte a ter mais atitude dentro de campo. Enquanto estiver apático e avoado, sonhando com a Europa, será apenas um jogador de lampejos, justificando até se tornar apenas uma opção no banco de reservas, enquanto Diego, desde que jogue mais adiantado, por sua liderança e atitude dentro de campo tem importância que não pode ser negada. É como se fosse uma competição de quem toma o "semancol" primeiro.

***

Mas por que Diego ou Lucas Paquetá e não Vitinho ou Éverton Ribeiro? Penso que, com muitas características opostas entre si e diferentes em relação aos outros dois, Vitinho e Éverton Ribeiro, também pelo desnível do restante do elenco, efetiva ou potencialmente executam funções únicas. Éverton Ribeiro, na minha opinião, vem sendo a melhor relação custo x benefício entre os quatro. Já Vitinho vem sendo alvo de várias críticas, mas seus lampejos me animam a ponto de confiar em uma subida de produção ainda esse ano, o que poderia ser muito facilitado por uma mudança tática cobrada tanto pela torcida, como pela crônica esportiva que acompanha o Mais Querido.

Embora ambos sejam atacantes velozes, habilidosos e tenham vários recursos, é preciso compreender as diferenças entre Vinícius Jr. e Vitinho, tarefa, pelo visto, demasiadamente complexa para o estagiário no poder. Vitinho pode jogar pelas pontas. Sábado mesmo foi bem em algumas jogadas de ultrapassagem, como em lances pontuais nas outras partidas. Contudo, como, ao contrário de Vinícius, não é "driblador", vale-se com bem menos frequência desse tipo de jogada durante os noventa minutos. Num 4-4-2 ou 4-2-3-1, a partir da entrada de um segundo jogador de marcação, outras características de Vitinho, como movimentação pelo ataque, velocidade, capacidade de infiltração na área e mesmo os chutes de longa distância poderiam ser melhor explorados, de acordo com o seu estilo.

***

Qualquer mudança tática, contudo, levaria inevitavelmente à barração de um dos quatro ou a jogar sem centroavante, esta última solução duvidosa para um time que vem acusando tantos problemas ofensivos. Hoje, eu optaria entre Diego e Paquetá, com maiores chances para a joia da base. Contudo, o clube não parece pronto para tomar decisões difíceis. Ao contrário, mesmo com duvidosas possibilidades de reeleição, a atual Diretoria, com grandes competições em curso, dá como favas contadas a venda do menino Lucas, o que considero inoportuno, absurdo e ultrajante. Afinal de contas, qual é a finalidade da base? Será que também passa por dar retorno esportivo ou a prioridade absoluta é o lucro mediante a negociação dos maiores talentos na primeira oportunidade (ou pressão)?

Em um cenário de tanta indecisão e fraqueza, é difícil imaginar um elenco coeso em torno do objetivo de alcançar as maiores conquistas, ou seja, do Flamengo em primeiro lugar.

A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

sábado, 15 de setembro de 2018

Vasco da Gama x Flamengo


Campeonato Brasileiro/2018 - Série A - 25ª Rodada

Vasco da Gama: Martin Silva; Lenon, Luiz Gustavo, Leandro Castán e Ramón; Bruno Silva, Raul, Willian Maranhão e Andrey; Andrés Rios e Maxi Lopez. Técnico: Alberto Valentim.

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Léo Duarte, Réver e Renê; Piris dMotta; Everton Ribeiro, Lucas Paquetá, Diego e Vitinho; Uribe. Técnico: Maurício Barbieri.

Data, Local e Horário: Sábado, 15 de Setembro de 2018, as 19:00h (USA ET 18:00h), no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília/DF.

Arbitragem: Luiz Flávio de Oliveira (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Marcelo Carvalho Van Gasse (FIFA/SP) e Miguel Caetano Ribeiro da Costa (SP), além do Quarto Árbitro Lehi Sousa Silva e dos Assistentes Adicionais 1 e 2 Christiano Gayo do Nascimento e Rafael Martins Diniz, estes da Federação Brasiliense de Futebol.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Mudança necessária













Irmãos rubro-negros,




mais um resultado decepcionante no Maracanã lotado. Nem o fator casa tem sido um diferencial para nós.

Mas o que esperar quando nosso time, de perfil mais técnico e de posse de bola, depara com um pasto como gramado?

Eu indago como pode o gramado do Maracanã, em setembro de 2018, estar em péssimas condições, logo após a diretoria ter celebrado um novo acordo com a Concessionária?

E os vinte milhões de reais gastos na Ilha do Governador? Até hoje a diretoria não se pronunciou sobre o assunto. Nenhuma explicação foi dada para a torcida do Flamengo. Estamos falando do patrimônio do clube. 

Quando será apresentada uma justificativa sobre o que ocorreu com a Ilha? É dinheiro do Flamengo.

Primeiro, se escudaram na conversinha de que "era necessário esperar o resultado da perícia".

Depois, o silêncio e daí já vieram com papo de "entregar o estádio de volta à Portuguesa".

Mas, peraí! Vão devolver o estádio e rescindir o contrato por quê? Quanto foi gasto na obra, no aluguel e na multa rescisória? 

Mas eles não esclarecem, porque "preferem resolver internamente".

Esse tipo de postura é o modus operandi normal da atual diretoria.

Colocam o instinto de autoproteção do grupo em primeiro lugar.

Isso é inaceitável.

Temos um presidente que se recusou a se afastar do cargo, mesmo tocando projetos políticos pessoais. Ninguém da diretoria ou do seu grupo político jamais emitiu algum esclarecimento público a respeito dessa conduta.

Mas quero voltar ao assunto do início do post: como pode o gramado do Maracanã estar um pasto após a diretoria celebrar recentemente um "acordo muito melhor" com a Concessionária que administra o estádio? Como pode algo assim ocorrer em pleno setembro de 2018? 

O Flamengo é prejudicado e penalizado tecnicamente por jogar na sua própria casa.

Alguém da diretoria vai explicar a razão dessa estupidez? 

Eles têm dificuldade em lidar com um simples contrato, com uma simples parceira comercial cujo dever principal é somente manter o gramado em boas condições.

E olhando pelo lado pragmático, por que não reformaram o gramado na parada para a Copa do Mundo, como fizeram no início de 2017, a fim de que ele estivesse em boas condições neste semestre tão cheio de disputas para o clube? 

Não tem ninguém ali para verificar a qualidade do campo? Essa diretoria não se diz "profissional"? Onde está o profissionalismo quando se permite uma tal deterioração do gramado que se torna impraticável jogar bom futebol nele, prejudicando-se, assim, a própria equipe em jogos decisivos?

O fato é que a diretoria não sabe lidar com a Concessionária, não sabe lidar com a imprensa, não sabe lidar com os outros clubes, não sabe lidar com a FERJ, não sabe lidar com a CBF e não sabe lidar com a CONMEBOL. 

Além disso, eles têm esse instinto arraigado de autoproteção. Ninguém ali se expõe. É tudo resolvido "internamente". As desculpas, porém, não cessam. Podem faltar vitórias, pode faltar respeito e podem faltar explicações; mas desculpas, não faltam nunca.

Essa falta de competitividade, de desejo e de ousadia se espraia da diretoria para o campo.

Um exemplo, apenas um dentre muitos, foi aquela comemoração ridícula ano passado pela obtenção do sexto lugar no Campeonato Brasileiro. Até foto dentro do campo o presidente e o então diretor-executivo tiraram. A antítese do que é o Flamengo.

Vemos isso também nas escolhas bizarras para o departamento de futebol: Rodrigo Caetano, Fernando Gonçalves, Jayme de Almeida, Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira, Zé Ricardo, Carpegiani, Barbieri.

E o nosso diretor-executivo? Temos um diretor-executivo que não dá entrevistas, não dá explicações e não cobra publicamente quando o clube é lesado.

E acima do Noval, Eduardo Bandeira de Mello e Ricardo Lomba, dois gestores de energia fraca e mentalidade pouco competitiva. O Lomba até pode ter boa vontade, e creio que tenha, mas o desafio de dirigir o Flamengo exige muito e os últimos meses me fazem questionar se ele realmente está preparado para o cargo. 

Disso resulta que todo mundo passa a mão no clube: imprensa, ex-técnicos, ex-profissionais do departamento de futebol, dirigentes de outros times, dirigentes da FERJ, da CBF e da CONMEBOL.

Todo mundo passa a mão no clube.

Alguma reação da diretoria? Nenhuma.

O presidente? O vice-presidente de futebol? Nada. Estão preocupados com suas respectivas campanhas políticas. Alguém, um nome que seja do grupo político com coragem para tanto? Não. Estão ocupados com seus power points, promessas vazias e intrigas políticas. O diretor-executivo? Nem pensar; ele não fala com a imprensa. Coube ao Barbieri, vejam só, criticar  publicamente a CBF.

É ilusão achar que toda essa mentalidade fraca, autoprotetiva, derrotista e inepta não influenciaria dentro do campo. É óbvio que vai influenciá-lo de maneira determinante.

Amigos, para nadar entre tubarões, é preciso agir como um; para desafiar graúdos, é preciso coragem triplicada; para lidar com generais, é preciso ter alta patente ou possuir uma qualidade excepcional. Não existem perfis assim na diretoria, infelizmente. Não existe liderança, não existe uma mentalidade realmente competitiva.

O que existe, isso sim, é muito papo, muita teoria, muita arrogância e muita relativização de vexame.

Os erros, desde 2015, têm se repetido com enervante insistência. Quando se pensa que aprenderão com os equívocos, somos surpreendidos com a sua repetição ad nauseam. As inúmeras derrotas e  os tristes vexames são reflexo desse compromisso inabalável com o desacerto.

Eu realmente lamento que as coisas tenham chegado a este ponto. Muitos rubro-negros num estado de desânimo, ceticismo e ojeriza à gestão. Nada mais natural.

O Flamengo precisa de uma nova abordagem no seu futebol. Uma radical mudança de mentalidade. Uma mentalidade que privilegie o mérito e a competitividade em alto nível. Uma mentalidade que não tenha receio de brigar e lutar pelos interesses do clube e de reagir à altura quando somos lesados. Uma mentalidade que compreenda a realidade e saiba jogar de acordo.

Não faço a menor ideia se a oposição está preparada para exercer este papel, mas me parece cada vez mais evidente, e o digo com pesar, que a diretoria atual não tem condição alguma de realizar essa mudança. Se tivesse, já a teria feito.



...



Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Flamengo 0 x 0 Corinthians - Ataque contra defesa

Em um jogo que teve uma antecipação tumultuada, com o presidente do Corinthians demonstrando seu caráter duvidoso ofendendo gratuitamente  o presidente do Flamengo e com o "sorteio" do controvertido juiz Bráulio para apitar o jogo. Ânimos se exaltaram. O jogador Fagner teve uma recuperação milagrosa de sua contusão muscular que o fez dispensar a convocação para a seleção brasileira para se tratar. Nossa, que  coincidência, ficou prontinho para este jogo. Assim, o Brasil, terra em que o mau caratismo assola, a "esperteza" é lei, teve mais uma vez seu dia.

E vamos ao jogo. A torcida compareceu, mais uma vez, em peso. E viram uma partida em que o Flamengo atacou e o Corinthians se defendeu. Basicamente este é o resumo. Ok, não foi lá um grande ataque apresentado. Aquele famoso volume inócuo. Mas por conta também da ótima marcação corinthiana. O juiz Bráulio apitou normalmente, não teve qualquer influência no resultado. Bom dizer. 

E o Flamengo? Com dificuldade de atacar pelas pontas porque Vitinho cai demais na diagonal, Renê não dá profundidade pela esquerda e na direita temos o Rodinei, que tem uma incapacidade crônica de cruzar como um jogador profissional. Rodinei geralmente espera trocar passes com Everton Ribeiro pela direita. Corinthians, sabiamente, marcou Everton Ribeiro em cima. Então Rodinei fica mais com a bola pela lateral, e a bola não é lá muito fã de Rodinei. E vice-versa.

No centro do ataque de novo o fantasma Uribe. Ele não aparece para dar condições de chute e ninguém se lembra dele para passar a bola, tentar cruzar  ou mesmo perguntar que horas são. Qualquer coisa. Mais ignorado que entregador de panfleto.

Diego e Paquetá tentavam chegar, se aproximar, mas  esbarravam em um muro corinthiano. Compactação de alta intensidade. Corinthians armou uma barreira que dificultava qualquer finalização de curta a média distância, e contam com seu bom goleiro para defender qualquer bola que consiga passar por eles.

Flamengo do alto de seus 70% de posse de bola provou que estes números nada significam se a bola não entra. E, francamente, criou de fato poucas chances reais de gol. Barbieri trocou Uribe e Paquetá por Dourado e Arão. Dourado ao menos tem uma presença na área que atrai zagueiros em cima dele, principalmente nas jogadas aéreas. Alguns lances de perigo ocorreram por conta disso. E Arão mais uma vez entrou bem na partida, se infiltrando bem na área e, enfim, procurando jogadas pela linha de fundo.

Também acho que para um jogo destes Flamengo não pode prescindir do controvertido e esquecido Trauco, que é o jogador do elenco que tem o melhor cruzamento em diagonal. Apesar da boa marcação do Renê particularmente no primeiro tempo quando Corinthians saiu mais pro jogo e criou algumas oportunidades. Mas Renê no ataque é praticamente nulo.

Agora o segundo jogo será em São Paulo, na Arena não paga do Corinthians. Eles lá terão que sair pro jogo. Chance do Flamengo poder aproveitar bem os espaços que, aleluia, podem surgir. O resultado está em aberto. É jogo de 180 minutos.

No intervalo do jogo Jailson criticou o lixo do gramado do Maracanã. Flamengo paga uma fortuna para cada jogo neste estádio e nem para cuidar direito do gramado este Consórcio consegue. Tardiamente, no entanto, o Ministério Público vetou esta concessão indecorosa. Também desconheço as alternativas apresentadas. Mas conhecendo o Rio de Janeiro, seus governantes e todo o aparato estatal envolvido, nada não é tão ruim que não possa piorar.