segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O Desafio da Liderança

Salve, Buteco! Ah, a liderança, doce liderança... Vivemos um momento histórico. Como escrevi em outros textos e comentários, considero o Flamengo de Jorge Jesus o melhor que tivemos depois de 1982, o que, entendam, não quer dizer que algum dos títulos em disputa esteja ganho. Muito pelo contrário, o futebol é pródigo em exemplos de verdadeiros esquadrões que encantaram o mundo, porém ficaram no caminho da penosa estrada dos grandes títulos. É o caso da Holanda de Johann Cruijff (ídolo do nosso treinador português), conhecida como "Laranja Mecânica", que talvez represente uma das maiores injustiças da história desse esporte, senão a maior de todas. Se aquela seleção perdeu, qualquer time no mundo pode perder. Ninguém é invencível. Tenho todos os jogos da Holanda/1974 em vídeo, além de alguns outros da época, e confesso a vocês que até hoje me encanto com aquele futebol total e coletivo, que não impedia, mas na verdade potencializava o talento de Cruijff. Gosto de como Rinnus Mitchell, claro que cercado de jogadores intelectualmente privilegiados, como ele próprio sempre frisou, equilibrou o coletivo e o individual, colocando o talento a serviço do conjunto.

Nosso treinador português, como vocês podem perceber, tem as melhores referências possíveis dentro do futebol, e por isso não é de se estranhar o que temos visto no Flamengo por ele dirigido. Sábado, como JJ bem frisou, presenciamos em solo brasileiro, entre duas grandes equipes brasileiras, um confronto em nível tático que não faria feio em relação aos que assistimos nas melhores ligas europeias. Jogos truncados há tanto lá como cá, mas a quantidade de jogadores com que cada equipe atacava, a marcação alta de lado a lado, seguidas de frenéticas recomposições para conter contra-ataques fulminantes, bem, isso é bastante raro em gramados brasileiros.

Nesse cenário e a despeito do ótimo jogo coletivo do Santos de Jorge Sampaoli, o Flamengo conseguiu neutralizar as investidas adversárias por quase todos os 90 minutos de jogo e, especialmente no segundo tempo, após abrir o placar no final dos primeiros 45 minutos, poderia ter ampliado a contagem. Estou fascinado com a sobriedade desse Flamengo "europeu" (no bom sentido, no do moderno, técnico e tático futebol europeu), que vem crescendo a cada partida e cuja evolução defensiva não retira a qualidade e nem a agressividade da proposta de jogo ofensivo.

Porém, calma, pessoal, que não é oba-oba. É apenas a felicidade contida de um torcedor consciente de que nosso treinador não se contentará com o título de "Campeão de Inverno" em um país tropical. Jorge Jesus, além de vitorioso, também é calejado e, sabendo que não tem nada ganho, cuida de não permitir que a euforia adentre o nosso Centro de Treinamento. As palavras do nosso treinador na coletiva pós-jogo do sábado não me deixam mentir. Ocorre que qualquer pessoa que acompanhe com atenção o futebol brasileiro e esteja disposta a discutir com isenção a edição de 2019 do campeonato nacional já enxergou que, salvo alguma hecatombe do tipo múltiplas contusões ou alguma treta monstra que a maturidade atual do clube não deixaria frutificar, o Flamengo tem tudo para levar o título. Estamos falando de um trabalho de apenas 16 jogos e que, desse modo, ainda tem muito o que evoluir. Logo, não é que eu esteja cantando vitória antes do tempo, mas apenas constatando que, em um torneio baseado na regularidade de desempenho, ninguém está trabalhando em tão alto nível e nem com tanto foco e seriedade quanto o Flamengo. 


***

O caminho para a glória, contudo, é repleto de armadilhas. Eis o calendário do Mais Querido até e depois de uma possível e eventual final de Libertadores:

Data
Competição
Fase
Adversário
18 /9
4ª Feira
Copa do Brasil (final – Volta)
Sul-Americana (Semifinal) (Ida)
Livre
21/9
Sábado, 17:00h
Brasileiro
20ª Rodada
Cruzeiro (f)
Mineirão
25/9
4ª Feira, 21:30h
Brasileiro
21ª Rodada
Internacional (c)
Maracanã
28/9
Sábado, 19:00h
Brasileiro
22ª Rodada
São Paulo (c)
Maracanã
2/10
4ª Feira, 21:30h
Libertadores
Semifinal (Ida)
Grêmio (f)
Arena do Grêmio
6/10
Domingo, 19:00h
Brasileiro
23ª Rodada
Chapecoense (f)
Arena Condá
10/10
5ª Feira, 20:00h
Brasileiro
24ª Rodada
Attico/MG (c)
Maracanã
16/10
Domingo, 16:00h
Brasileiro
25ª Rodada
Athletico/PR (f)
Arena da Baixada
16 ou 17/10
4ª Feira, 20:00h
Brasileiro
26ª Rodada
Fortaleza (f)
Castelão
20/10
Domingo, 18:00h
Brasileiro
27ª Rodada
Fluminense (c)
Maracanã
23/10
4ª Feira, 21:30h
Libertadores
Semifinal (Volta)
Grêmio (c)
Maracanã
26 a 28/10
FDS/2ª Feira
Brasileiro
28ª Rodada
CSA (c)
Maracanã
30 ou 31/10
4ª ou 5ª Feira
Brasileiro
29ª Rodada
Goiás (f)
Serra Dourada
2 a 4/11
FDS/2ª Feira
Brasileiro
30ª Rodada
Corinthians (c)
Maracanã
6 ou 7/11
4ª ou 5ª Feira
Brasileiro
31ª Rodada
Botafogo (f)
Engenhão
9 a 11/11
FDS/2ª Feira
Brasileiro
32ª Rodada
Bahia (c)
Maracanã
Livre
Livre
Livre
Livre
16 a 18/11
FDS/2ª Feira
Brasileiro
33ª Rodada
Grêmio (f)
Arena do Grêmio
Livre
Livre
Livre
Livre
23/11
Sábado
Libertadores
Final (Jogo Único)
Indefinido (n)
Estádio Nacional de Chile
23* a 25/11
FDS/2ª Feira
Brasileiro
34ª Rodada
Vasco da Gama (c)
Maracanã
27 ou 28/11
4ª ou 5ª Feira
Brasileiro
35ª Rodada
Ceará (c)
Maracanã
30/11 a 2/12
FDS/2ª Feira
Brasileiro
36ª Rodada
Palmeiras (f)
Indefinido
4 ou 5/12
4ª ou 5ª Feira
Brasileiro
37ª Rodada
Avaí (c)
Maracanã
8/12
Domingo
Brasileiro
38ª Rodada
Santos (f)
Pacaembu ou Vila Belmiro

Observem que a tabela desperta algumas dúvidas e curiosidades, como, por exemplo, pelo fato de, nos três jogos que antecedem a primeira partida da semifinal da Copa Libertadores da América, o Flamengo enfrentar Cruzeiro, Internacional e São Paulo, enquanto o Palmeiras enfrentará Fortaleza, CSA e Internacional. Divagações à parte, o "lado bom" da atual sequência de jogos é que, ao contrário do que ocorreu no início do primeiro turno, o Flamengo disputará os dois últimos jogos antes da Libertadores no Maracanã. 

A mini-maratona de clássicos interestaduais se iniciará no próximo sábado, quando enfrentaremos o Cruzeiro com treinador muito pressionado pelos últimos resultados. A partir da quarta-feira seguinte, uma difícil sequência de dois jogos no Maracanã, começando com o Internacional de Paolo Guerrero e Rodrigo Caetano, o qual ainda não sabemos se estará curando a ressaca positiva do título da Copa do Brasil ou sob a enorme pressão de conquistar ao menos uma vaga na Libertadores/2020. Em seguida, virá o São Paulo de Cuca, do Rogério Caboclo, da arbitragem e de toda a imprensa paulista, o rival brasileiro que tem o melhor retrospecto contra o Flamengo, inclusive no Maracanã, mas que não aceita a realidade do jejum de títulos e nem dos grandes investimentos sem critério que, por isso mesmo, não rendem os resultados esperados.

Tudo isso antecederá o confronto contra o Grêmio, que certamente utilizará o time C contra o Fluminense no mesmo final de semana em que enfrentaremos o São Paulo. O Grêmio, time com vários jovens extremamente talentosos, não tem a mesma consistência do Flamengo, e por isso apostará no abafa e no jogo físico para se impor em Porto Alegre. A pesada maratona do final de setembro desafiará tanto a liderança, quanto o sonho de classificação da Libertadores.


***

Depois do Grêmio, não que passe a ficar fácil, mas a tabela aliviará um pouco a vida do Mais Querido, embora não por muito tempo. Chamam a  minha atenção o Fla-Flu em um domingo, 18:00h, às vésperas do segundo jogo da semifinal da Libertadores, exigindo especial atenção para a recuperação dos atletas, e principalmente o clássico com o Vasco da Gama no mesmo final de semana em que está marcada a final em Santiago. Provavelmente não por coincidência, os dois meios de semana que antecederão o final de semana no qual será disputada a final da Libertadores/2019 não têm jogos marcados, eis que, a partir de então, todos os meios de semana estarão ocupados pelas rodadas restantes do Campeonato Brasileiro.

Como imagino que a CBF não cogite adiar uma partida para data posterior à última rodada do campeonato, parece evidente que as duas semanas anteriores foram programadas para ajustes na tabela decorrentes da presença de clubes brasileiros nas finais únicas das competições da CONMEBOL. Em termos práticos, hoje é possível a classificação de um ou dois clubes brasileiros (Atlético/MG e/ou Corinthians) para a final da Copa Sul-Americana, programada para sábado, 9 de novembro, em Assunção, e inevitável a classificação de um clube brasileiro (Flamengo ou Grêmio) para a final da Copa Libertadores da América, programada para 23 de novembro, em Santiago. Enquanto para os eventuais finalistas da Sul-Americana isso significará o adiamento de uma partida, para o finalista brasileiro da Libertadores da América representará a antecipação de uma rodada, o que, embora incomum, parece ser a única solução para o caso, pelo jeito já antevista pela CBF.

Porém, muito cuidado, pois o diabo mora nos detalhes. Vamos supor, apenas a título de planejamento e em nível de argumentação, que o Flamengo se classifique para a final da Libertadores/2019. Os anos como torcedor me ensinaram que, se existe um clube que tem por objetivo de vida prejudicar o Flamengo, é o Club de Regatas Vasco da Gama. É fácil constatar que será muito mais fácil para as Bigodudas da Marquise enfrentar um Flamengo preocupado com contusões no meio de semana que antecede uma final de Libertadores do que no meio de semana anterior, concordam? Além disso, a depender do clube paulista que esteja disputando o título com o Mais Querido na ocasião, a paulista CBF terá um prato cheio nas mãos para dificultar mais ainda as coisas para o nosso lado.

Pois bem. De acordo com o artigo 88 do Regulamento da Libertadores/2019, as equipes deverão estar em um raio de 100Km da cidade onde será realizada a partida até 24h antes de seu início. Todavia, no caso da final única, há uma peculiaridade: segundo  dispõe o §3º do mesmo artigo 88, a CONMEBOL definirá e informará, em circular específica, o prazo para os finalistas chegarem a Santiago.

Olhos abertos, Diretoria...


***

Agora sem os amistosos caça-níquel das seleções nacionais para atrapalhar, o Mais Querido terá de fato uma semana para preparar o time titular, livre de contusões, e o restante do elenco para a difícil e decisiva sequência que se iniciará o próximo sábado.

Com fé em Jesus e sob a bênção de São Judas Tadeu, o Flamengo triunfará.

Bom dia e SRN a tod@s.

sábado, 14 de setembro de 2019

Flamengo x Santos


Campeonato Brasileiro/2019 - Série A - 19ª Rodada

Sábado, 14 de Setembro de 2019, as 17:00h (USA ET 16:00h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.


FLAMENGO: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Gérson e Willian Arão; Éverton Ribeiro, DArrascaeta e Bruno Henrique; Gabigol. Técnico: Jorge Jesus.

Santos: Everson; Lucas Veríssimo, Gustavo Henrique e Luan Peres; Victor Ferraz, Carlos Sánchez, Alison e Jorge; Marinho, Eduardo Sacha e Soteldo. Técnico: Jorge Sampaoli.

Arbitragem: Braulio da Silva Machado (FIFA/SC), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Kleber Lúcio Gil (FIFA/SC) e Henrique Neu Ribeiro (SC). Quarto Árbitro: Philip Georg Bennett (RJ). Analista de Campo: José Carlos Santiago Andrade (RJ). Árbitro de Vídeo (VAR): Rafael Traci (FIFA/SC). Assistentes VAR 1 e 2: Willian Machado Steffen (SC) e Alex dos Santos (SC). Observador de VAR: Giulliano Bozzano (MG).

Transmissão: PremierePremiere Play e PFCI (sistema pay-per-view, aplicativo e internacional).

Pendurados: Pablo Mari e Piris da Motta.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A Nação pelo Mundo: Buteco e Fla USA NE

https://www.facebook.com/FLAUSANewEngland/
https://www.flausane.com/

Salve, Buteco! Vamos energizar positivamente essa sexta-feira 13! A Fla USA NE (New England), presidida pelo Eduardo Consendey, amigo do Rocco, está comemorando o seu segundo aniversário com um grande evento que contará com ilustres presenças rubro-negras, como as de Ronaldo Angelim (o único Ronaldo que existe para Nação Rubro-Negra), Obina e Athirson, que aproveitaram para mandar seus recados para a galera do Buteco do Flamengo!

A Fla USA NE, assim como o Buteco do Flamengo, é um dos melhores exemplos de como é possível unir virtualmente e em espírito rubro-negros espalhados pelo Mundo. Nossa homenagem ao Eduardo Cosendey, à Diretoria e aos membros da Fla USA NE pelo brilhante trabalho e o eterno agradecimento pela consideração e carinho com o Blog:














Bom dia e SRN a tod@s.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Em busca de um legado

Estamos vivendo um momento ímpar no clube. O Flamengo está forte administrativamente, saudável financeiramente e no futebol profissional com uma equipe de sonhos junto a um técnico de primeiro nível. As contratações feitas em 2019, tirando a do técnico Abel no início do ano, encaixaram todas com perfeição. Não é só dinheiro. Porque dinheiro facilita a solução dos problemas, mas sem uma inteligência e, porque não dizer, sorte por trás das decisões, não há como dar certo. Mas o critério utilizado para a aquisição de reforços funcionou perfeitamente.

Quanto a parte administrativa, embora o futuro nunca seja previsível ou confiável, creio que o Flamengo deixou um legado em seus torcedores e associados. Da necessidade imperativa de manter o clube bem organizado. Porque todo clube de futebol tem suas fundações sobre um castelo de cartas. Basta uma sequencia de dirigentes incapazes e/ou desonestos e tudo desaba. E a retórica política muitas vezes levam desavisados na conversa. É fácil falar, muito difícil fazer. Flamengo colocou a Lei de Responsabilidade Fiscal no Estatuto. Mas esta é reativa. Não impede a execução do desastre. Só tenta coibir pela ameaça de punição. Por isto a necessidade de vigilância constante. E hoje o Flamengo tem isto de sobra.

Quanto a parte do futebol? Montou-se uma estrutura composta de VP de Futebol, um Diretor Executivo que antes era o CEO, e agora parece visar mais a parte de contratações, e o tal "Conselho de Palpiteiros". Desconheço os critérios utilizados para contratação da comissão técnica e destes reforços incríveis de 2019. Alguns deles foram resultado de algum tipo de trabalho prévio como reforços já mapeados mas sem oportunidade anterior de contratação? Já outros resultado da construção de uma ideia a partir de 2019? Indicações de comissão técnica? Um misto de tudo isto?

Não conheço o funcionamento interno desta estrutura do Departamento de Futebol mas o amálgama disso aí resultou nestas decisões indubitavelmente muito boas de 2019. Mas, sob outras pessoas, seria possível um sucesso semelhante? Ou o sucesso é empírico baseado nos indivíduos escolhidos e na interação entre eles?

Porque o empirismo não garante a permanência, nem um sucesso prolongado dos "momentos". É preciso criar uma filosofia de gestão do Departamento de Futebol. Para que as gestões que vierem a suceder a esta, ou mesmo os indivíduos que a compõem, tenham uma base sólida e princípios para guiarem suas decisões em um modelo que possa exteriorizar em times tão ou mais competitivos como este que o Flamengo tem no momento.



quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O primeiro turno












Irmãos rubro-negros,




No próximo sábado, nosso amado Mengo entrará em campo pela última rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro.

O adversário tem um treinador renomado, que gosta de jogar ofensivamente, utilizando bastante os lados do campo, o que possivelmente irá exigir muita atenção e qualidade do nosso setor defensivo.

O Flamengo de Jorge Jesus, por outro lado, não tem essa fixação pelas laterais e cruzamentos na área. 

Não que o time evite os lados do campo. Nada disso. Apenas a estratégia ofensiva adotada privilegia a movimentação e a objetividade em detrimento do posicionamento fixo com três jogadores à frente, dois dos quais abertos, como tem sido utilizado amiúde nos últimos anos por muitos times. 

Além disso, com Jorge Jesus, os laterais são, antes de tudo, laterais, o que traz enorme equilíbrio para a equipe.

Sem a fixação por dois jogadores abertos nas pontas, e com os laterais se portando de modo mais conservador, sem a obrigação de serem a principal arma ofensiva da equipe, o Flamengo não carece de recorrer aos cruzamentos a esmo sobre a área como primordial elemento de criação ofensiva.

Méritos do Jorge Jesus.

Os ingressos já estão esgotados para sábado, com o Maracanã mais uma vez lotado de rubro-negros.

O jogo se reveste de caráter importantíssimo e o Flamengo terá de apresentar um grande futebol se almeja vencê-lo.

A nós, rubro-negros, permanece a alegria, a emoção pelo momento vivido pelo time e a esperança das glórias que serão conquistadas sob a mística do sagrado Pavilhão do Clube de Regatas do Flamengo.










...




Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Clareou!!!



Bom dia, Buteco!

Há 15 dias, na nossa última coluna, falávamos que o jogão no Beira-Rio não valia só a "inédita" semifinal de Libertadores para a nossa geração, mas também uma oportunidade única para o time clarear o caminho rumo ao título do brasileirão. A premissa era ganhar moral com a classificação na Libertadores e utilizar o tempo disponível sem os jogos de meio de semana para elevar ainda mais a coletividade do time. 

Na época, se me oferecessem dois empates na semana (Inter e Palmeiras), eu aceitaria de bom grado. Besteira: o Mengão controlou o Inter, levou a vaga sem se desgastar demais e deu um chocolate no Palmeiras, demitindo o Felipão por tabela. Caminho aberto, semana livre e outro baile: 3x0 no Avaí, com direito a gol do menino Reinier. Nos últimos cinco jogos pelo campeonato brasileiro, o único time que não levou 3 gols do Flamengo foi o Vasco, que levou 4...

Perspectivas estão a mil. Nesse Setembro, o foco fica todo no Brasileirão: Santos, Cruzeiro, Inter e São Paulo. São 4 clássicos interestaduais, 4 jogos grandes em uma parte complicada na tabela. Em todo caso, o timing dessas partidas não poderia ser melhor. Além disso, três desses jogos serão no Maracanã, onde nossa torcida vem dando aula, estabelecendo uma média de público fantástica. 

A chance de aumentarmos a diferença para os perseguidores, mesmo com uma tabela mais difícil que a deles, é real. Vai pra cima deles, Mengo!

***


A média histórica do campeão brasileiro é de 76 pontos. Entretanto, com o nível de qualidade de elenco dos principais candidatos ao título, fizemos uma análise para cima, entendendo que os futuros vice-campeões chegarão bem próximos dessa marca, senão ultrapassá-la. 

Não se enganem: o Palmeiras vai brigar pelo título e tem alta probabilidade de chegar aos 76 pontos. Vejam o exemplo do Internacional: não viu a cor da bola contra nós, nem jogando em casa. Entretanto, depois disso conseguiu a classificação para a final da Copa do Brasil e ganhou com autoridade do São Paulo, outro candidato às primeiras posições no Brasileirão. O fato do Palmeiras também não visto a cor da bola contra nós, não implica em questionarmos as chances deles ao título. Elas existem e são grandes.

Portanto, a necessidade é de fazermos 11 pontos a cada 5 jogos. Com essa meta, é praticamente impossível não vencermos o campeonato.  Para a rodada 20, são 44 pontos. Temos 39 e dois jogos a fazer: Santos e Cruzeiro. Dessa forma, embora um empate contra o vice-líder possa parecer um resultado razoável, por manter a distância na tabela, a vitória nos coloca diretamente na linha do título.

Então, à vitória Mengão!
***


Mister Jorge Jesus nasceu para dirigir o Flamengo! 

Saudações RubroNegras!   

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A Decisão do Turno

Salve, Buteco! Quem elaborou a tabela do Campeonato Brasileiro/2019 (Série A) muito provavelmente não imaginava que, na 19ª Rodada, Flamengo e Santos decidiriam o "título" de "Campeão de Inverno" ou do primeiro turno. Fruto ou não de mera coincidência, o certo é que a decisão ocorrerá no próximo sábado, as 17:00h, no Maracanã, pois o resultado da partida inevitavelmente determinará quem iniciará o segundo turno na primeira posição, já que nenhum outro adversário reúne condições de superar ambas as equipes ao final da rodada. Nem mesmo o Palmeiras tem condições de alcançar Flamengo e Santos simultaneamente pelo número de pontos ganhos. Além disso, o escrete palestrino tem menor número de vitórias do que ambos.

O Mais Querido vai para o confronto com a confortável vantagem da liderança isolada por dois pontos e alto saldo de gols. Somente impondo ao Flamengo uma inédita derrota no Maracanã neste Brasileiro o Santos conseguirá alcançar a ponta da tabela.

***

O nosso Flamengo de Jorge Jesus, mandante, é simplesmente arrebatador. No último sábado, pude presenciar mais uma vez no Mané Garrincha como o time sufoca o adversário em seu próprio campo em busca do resultado. A pressão para retomar a bola, as trocas de passes de primeira com deslocamentos rápidos para quebrar as linhas adversárias, tudo parece muito bem ensaiado e executado dentro das quatro linhas, a ponto do desfalque de um importantíssimo jogador, como Bruno Henrique, ser reposto por um quase estreante Reinier, de apenas 17 anos, cuja técnica apurada lhe permitiu não destoar, apesar de alguns lances de hesitação normais para a idade e a pouca minutagem. Uma assistência, um gol e outros bons lances confirmam essa constatação. Neste tuíte do perfil oficial do clube, é possível ver como o joia da base é querido pelo grupo.

No 4-1-3-2 de sábado, do meio pra frente e com a bola rolando, apenas Piris da Motta não penetrava na área do Avaí, lembrando que os laterais, como de costume, apoiaram ativamente o ataque. Após abrir 3 gols de diferença, ainda no início do segundo tempo (7 minutos), o time administrou o resultado, consciente e seguro, sem gastar mais energia do que o necessário. Aliás, contando apenas os jogos pelo Campeonato Brasileiro, o Flamengo completou uma incrível sequência de 5 jogos vencendo todos os adversários marcando 3 ou mais gols em cada partida, sendo que apenas o Grêmio conseguiu perder por menos do que 3 gols de diferença. Trata-se, portanto, de uma equipe  absolutamente vocacionada para o gol. Totalizando 41 gols em 18 jogos, o Flamengo atingiu uma marca histórica. Como destacou o rubro-negro @notavel neste tuíte, o Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo, na marcante campanha de 2003, primeira edição no formato de pontos corridos, conseguiu marcar 41 gols em 18 jogos, porém conquistando dois pontos e uma vitória a menos do que o Mais Querido em 2019. 

Como não se empolgar? Como escrevi há duas semanas nesse post, para mim é o melhor time do Flamengo pós-Geração Zico (até 1982). Esqueçam 1987 e 2009, quando o Mais Querido merecidamente conquistou o título brasileiro, pois a diferença, a favor do Flamengo/2019, não está na comparação de individualidades, mas em desempenho coletivo. Em 1987, a arrancada que marcou aquele inesquecível esquadrão (que não repetiu o desempenho em 1988) foi de "tiro curto" (8 jogos), enquanto em 2019, nos 17 jogos que marcaram a reviravolta na campanha, a partir da vitória sobre o Santo André no Maracanã (3x0), o Flamengo marcou 58 gols em 38 jogos, com 19 vitórias, marca que tende a ser amplamente superada em 2019.

Nem precisam me advertir que o Flamengo ainda não ganhou nada. Mister deixou claro que o time precisa evoluir defensivamente, quesito no qual ainda está deixando a desejar em alguns momentos. Sábado mesmo o lanterna do campeonato criou pelo menos duas chances concretas de gol, uma salva por Diego Alves num cruzamento vindo da direta e outra, em mais uma bola aérea, salva pela trave direita do gol do Setor Sul do Mané Garrincha. Porém, confio na evolução, até porque o time chegou a esse nível com apenas 15 jogos sob o comando de Jorge Jesus.

Sábado, com as voltas de De Arrascaeta, Bruno Henrique e Rodrigo Caio, o Mais Querido estará com sua força máxima contra o forte vice-líder Santos, comandado pelo também inquieto e talentoso treinador argentino Jorge Sampaoli.

***

O vice-líder Santos tem um elenco caro, mas demasiadamente curto para os valores (mal) investidos pela direção do clube. Só disputa o título em razão do excepcional trabalho do treinador argentino Jorge Sampaoli. Desfalques como os de ontem (Jorge e Soteldo), quando o Peixe enfrentou os reservas do Athletico/PR, muito bem treinado pelo marrento Tiago Nunes, geralmente são bastante sentidos. Contra o Mais Querido, no próximo sábado, o Santos não contará com o bom volante Pituca e com o zagueiro titular Lucas Veríssimo. Em compensação, terá as voltas do venezuelano Soteldo e do lateral esquerdo Jorge, que bem conhecemos.

O time de Jorge Sampaoli varia principalmente entre um 3-4-3 e o 4-3-3, podendo evoluir para um 4-1-4-1, conforme a situação de jogo (p.ex.: a ocupação da faixa central pelo adversário). A linha de 3 zagueiros, quando utilizada, é composta por Lucas Veríssimo, Felipe Aguilar e Gustavo Henrique; contudo, a suspensão de Veríssimo põe em dúvida a opção por esse desenho tático, pois obrigaria Sampaoli a lançar algum zagueiro que ainda não atuou no Campeonato Brasileiro/2019 contra o poderoso ataque rubro-negro. Nessa formação, Jorge costuma jogar como meia externo pela esquerda, compondo o setor de criação com Diego Pituca e o veterano uruguaio Carlos Sánchez.

Quando opta pela linha tradicional de quatro, com dois laterais, Pará e Jorge, ex-rubro-negros, ocupam os lados direito e esquerdo da defesa santista. Já o meio, em qualquer desenho tático, é baseado na dupla Diego Pituca e Carlos Sánchez. O talentoso volante, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, deverá ser substituído por Alison, uma espécie de Piris da Motta da baixada santista, o que provavelmente representará perda técnica, que Sampaoli tentará suprir com a excelente fase do uruguaio, o cérebro do meio campo do Peixe. O terceiro meia vem sendo Felipe Jonatan, que em algumas ocasiões é substituído por Jean Mota ou, com ainda menos frequência, pelo veterano Evandro.

No ataque, o Santos tem por destaque e principal jogador o talentoso e arisco venezuelano Yeferson Soteldo, camisa 10 e responsável pelas principais jogadas ofensivas, geralmente pelo setor esquerdo. No lado direito, o paraguaio Derlis González disputa posição com o folclórico Marinho, que vive muito boa fase. Eduardo Sasha vem exercendo a função de atacante de referência ou centralizado, podendo também, a depender do contexto, jogar pelos lados. Seu reserva é o nosso conhecido centroavante colombiano Fernando Uribe, que ainda não marcou com a camisa santista.

Seja qual for o desenho tático, o Santos de Jorge Sampaoli gosta de marcação alta e pressão na posse de bola adversária com mais de um jogador, visando a retomada e a penetração em velocidade na área adversária por meio de toques rápidos e verticais. Ontem teve problemas com o Athletico de Tiago Nunes, que gosta da posse de bola e, lembrem-se, desde 2018 criou problemas para todos os treinadores , com titulares ou reservas, também criou problemas para todos os treinadores do Flamengo que o enfrentaram no Maracanã. Contudo, a boa atuação paranaense esteve longe de ser um nó tático, como atestam o alto número de finalizações santistas e a ótima atuação do goleiro Léo. Chamou a minha atenção a forte jogada aérea nos escanteios, que precisa ser estudada por Jorge Jesus e sua comissão técnica, considerando os problemas que a zaga rubro-negra vem tendo com esse tipo de jogada.

O confronto promete e é muito esperado por aqueles que, como eu, apreciam o trabalho tático no futebol profissional.

***

Com um olho no peixe (no caso, no "Peixe") e outro na frigideira, nosso treinador português certamente está acompanhando a ascensão do forte Grêmio de Renato Portaluppi, agora disputando apenas uma competição. As semanas que antecedem a semifinal da Libertadores passarão como décadas, tamanha a ansiedade da Nação Rubro-Negra para o confronto.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.