terça-feira, 13 de novembro de 2018

O custo Banana de Melo


SRN, Buteco.

Certa vez um avião caiu numa ilha isolada no meio do mar.

Com muito esforço, o piloto conseguiu sair dos destroços .

Então, ao adentrar a mata, se vê cercado por uma tribo de índios hostis, que começa a lhe perseguir.

Corre daqui, corre de lá, e finalmente ele se vê cercado de um lado por um despenhadeiro gigante e por outro dos selvagens.

Exausto, ele exclama “Meu Deus, agora estou f.....”.

Nesse momento, abre-se um clarão no céu e se escuta uma voz potente “ Meu filho, pegue aquela pedra grande ali e jogue na cabeça daquele índio maior”

O piloto imediatamente cumpre a ordem divina, e o índio cai morto.

Ato continuo, os outros índios ficam muito mais furiosos e agressivos com a morte do chefe.

O clarão vai se apagando,e , antes de se extinguir, a voz dos céus diz “ AGORA sim você está f.....”

Nós já passamos por Luiz Augusto Veloso, Kleber Leite, Gilberto Cardoso Filho, Edmundo Santos Silva, Patricia Amorim.
..
Achávamos que estávamos preparados para tudo e que nada de pior poderia acontecer.

Até conhecermos Banana de Melo.

Banana de Melo usou o clube para fins pessoais, fazendo campanha politica nas embaixadas e usando o nome do Flamengo em prol da comprovação de uma inexistente competência.

Banana de Melo transformou o Flamengo em uma espécia de plano de aposentadoria de jogadores.

Em um passado não muito remoto, houve casos de jogadores jogando de evidente má vontade, se arrastando em campo.A justificativa eram atrasos de salarios e condições adversas de trabalho.

O Flamengo de Banana de Melo PAGA regiamente e em dia para um bando de perdedores desfilar a sua falta de vergonha na cara em campo, duas vezes por semana.

Banana de Melo  transformou o Flamengo numa  massa amorfa, incapaz de sentir qualquer emoção.

Aceitam a derrota como se fosse uma parte do cotidiano, como almoçar ou tomar banho.

Esse é o custo Banana de Melo.

Esse é o seu legado a história do clube.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O Que Resta em 2018


Salve, Buteco! Desde 2015, primeiro ano das duas gestões Bandeira no qual o Flamengo em algum momento despertou em sua torcida a esperança de ser campeão brasileiro, a reta final do campeonato caracterizou-se pelo desempenho fraco e decepcionante do time, que invariavelmente foi se esfarelando à medida em que a pressão aumentou. 2018, pelo jeito, não fugirá do padrão. A diferença, desta vez, está no tamanho da decepção, afinal de contas, o time liderou o campeonato por várias rodadas e tem o melhor elenco dos quase seis anos de gestão, porém foi se apequenando a cada jogo decisivo, consolidando um perfil perdedor cuja característica predominante é a fraqueza em momentos decisivos, especialmente diante de qualquer rival que adote uma postura firme e decidida.

O discurso passador de pano é adaptado a cada contexto: em 2015 o problema esteve nos verdes egoístas e malvadões, raivosa oposição que maquiavelicamente aproveitou-se do ano eleitoral para inviabilizar a administração do futebol. Coitado do pobre presidente, que se sacrificou pelo clube e era vítima de críticas tão injustas. Em 2016 o problema esteve na falta de tempo para treinamento e nas constantes viagens. Ademais, há quanto tempo o Flamengo não terminava um Brasileiro na 3ª posição? O promissor e talentoso Zé Ricardo, formado na base e verdadeiro "Ó do Borogodó", teria tempo para preparar o time para disputar tudo e ganhar em 2017, o tão aguardado Ano Mágico, o qual, por sua vez, não se confirmou como tal por causa do maldito calendário e também por pura obra do acaso em eventos como a contusão de Diego e a derrota nos acréscimos em Buenos Aires (Libertadores), onde, nas palavras de Zé Ricardo, as substituições foram corretas e nada de diferente poderia ter sido feito.

Desconfio que em 2018 a culpa será distribuída entre o Rueda, o Carpegiani, o Caetano, o Barbieri e o Diego Alves, e talvez sobre até para São Judas Tadeu. A única certeza que podemos ter é que a culpa jamais será de quem foi fisiologista e/ou tomou todas as decisões erradas possíveis em nível de planejamento e execução.

***

Resta ao Flamengo tentar se classificar para a fase de grupos da Libertadores/2019, o que há algumas rodadas atrás era considerado favas contadas. Mas lembrem-se que nada é tão ruim que não possa piorar, especialmente diante da nítida queda de rendimento nas últimas rodadas. Terminar o campeonato abaixo da 4ª posição seria uma tragédia esportiva porque a primeira das três fases (ou "Pré-Libertadores") que antecedem a fase de grupos já começa na última semana de janeiro (dia 22). Quando menos, o Flamengo entraria na segunda fase, que começa no início de fevereiro (5), o que obrigaria a atual Diretoria a planejar 2019 e montar o elenco, praticamente selando o destino do primeiro ano da (provavelmente) nova direção que assumirá em janeiro.

Os rivais na disputa pela vaga no G4 são Internacional, Grêmio e São Paulo. Os colorados demonstram irregularidade semelhante à rubro-negra, porém têm uma tabela inegavelmente mais favorável, especialmente jogando em casa, onde têm o melhor desempenho do campeonato. O tricolor gaúcho vem subindo de produção após passar a disputar apenas o Brasileiro e o tricolor paulista parece ser o pior do quarteto, o que de forma alguma pode animar a Nação Rubro-Negra, haja vista a fraqueza de espírito da nossa Diretoria e do elenco. Eis o que a tabela nos reserva:

34ª Rodada: Flamengo x Santos (Maracanã), São Paulo x Grêmio (Morumbi) e Internacional x América/MG (Beira-Rio).
35ª Rodada: Botafogo x Internacional (Engenhão), São Paulo x Cruzeiro (Morumbi), Sport Recife x Flamengo (Ilha do Retiro) e Grêmio x Chapecoense (Arena do Grêmio).
36ª Rodada: Internacional x Atlético/MG (Beira-Rio), Flamengo x Grêmio (Maracanã) e Vasco da Gama x São Paulo (São Januário).
37ª Rodada: Cruzeiro x Flamengo (Mineirão), Vitória x Grêmio (Barradão), Internacional x Fluminense (Beira-Rio) e São Paulo x Sport Recife (Morumbi).
38ª Rodada:  Paraná x Internacional (Vila Capanema), Chapecoense x São Paulo (Arena Condá), Flamengo x Atlético/PR (Maracanã) e Grêmio x Corinthians (Arena do Grêmio).

Apenas o Grêmio, na minha opinião o mais forte dos concorrentes, jogará mais vezes como visitante do que como mandante, e duas vezes em confrontos diretos, no Maracanã e no Morumbi, partidas que obviamente terão peso decisivo. Por outro lado, Cruzeiro e Sport Recife serão o fiel da balança para Flamengo e São Paulo. Na teoria, a situação do Flamengo é pior, pois jogará em casa apenas contra adversários difíceis e motivados, dentre eles o mais forte dos concorrentes, e fora de casa contra Sport e Cruzeiro. Para quem é supersticioso, o próximo jogo, contra o Santos, está marcado para o dia do aniversário do clube.

O futebol já é normalmente um esporte de difícil prognóstico, característica que aumenta com variáveis como disputa de título, vaga no G4 e fuga do rebaixamento. De qualquer modo, o Flamengo parece ter a tabela mais complicada, fator de preocupação diante da ausência de vitória do time nas últimas três rodadas, caracterizadas por confrontos mais tensos. Qual será a postura do time nesses cinco últimos jogos?

***

A palavra, como sempre, está com vocês. Mandem seus palpites e prognósticos.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 11 de novembro de 2018

O triunvirato do fracasso

@alextriplex

Escrever após derrotas não é o melhor dos remédios para quem já vivenciou derrotas muito piores, mas que doeram menos. Sim, sempre perdemos jogos, faz parte de um esporte em que quem faz mais gols é o melhor, sempre. Mas a forma como perdemos é que se diferencia do que - tragicamente - nos acostumamos a acompanhar. E aí entra parte dessa torcida, que se preocupa com os seguintes itens (se você se inclui, pode xingar, I don´t care):

1 - Idolatrar e pedir camisa dos portadores dos números 5 e 21, por exemplo;

2 - Ter uma capa de celular amarela, roxa ou rosa para combinar com a cor da chuteira do "homão da porra" (ontem, por exemplo, NOSSO CAMISA 10 entrou com uma chuteira ROSA. Nem a minha filha tem um calçado rosa). Mas o importante é combinar, pois vai que na hora do pênalti, quando a FlaSelfie toda esquece do lance para filmar, aparece a capa do celular em primeiro plano, e a chuteira colorida em segundo. Seria um belo registro, pois não? Depois, é só pegar o celular e fazer algo com ele e a própria bunda.

3 - Cantar músicas argentinas e copiadas dos gambás. PORRA, nós temos o Mantra mais apavorante de todos, e nego ainda INSISTE em puxar musiquinhas que só quem escreveu sabe? Parabéns aos envolvidos, mas não deveria existir evolução nesse quesito. Torcedor que se preza canta as músicas da década de 70/80, e esquece das composições cosplays de Biafras, Guilherme Arantes e MC Guimes (sem desmerecer tão louváveis personagens).

Parte do triunvirato criticada, vamos a quem realmente é o dono da desgraça:

1 - Os jogadores: Não faz muito tempo. Eu participei de um festival de cervejas aqui em Curitiba, e fui à sede social do Paraná Clube para ver onde faríamos a feira, mais precisamente na quadra de futsal. Vinham lá uns 10 moleques, máximo 14 anos, jogadores da base. NENHUM tinha chuteira preta. Todos de brinco e gel no cabelo. Todos com pose de superstar. Vos parece familiar essa descrição? Volto a frisar: nosso camisa 10 usava uma chuteira rosa ontem. Que fosse amarela, azul, seja lá o que for. Mas se eu entro em campo com minha chuteira preta com um furo na ponta, na primeira dividida eu vou rasgando.

2 - A postura: Me incomoda o festival de erros, claro. Mas vejam o César - que não é o meu titular - no intervalo do jogo, quase que dizendo "errei, dei mole". Postura de homem, sem medo de agradar ou desagradar. Aí vem a primadona, ao final do jogo, com aquelas palavras escritas por algum aspone e decoradas ao pé da letra. Cansei desse papel de bom mocinho dos Revers e Diegos da vida. Quero jogador cuspindo fogo, dizendo "nós vai virar essa porra" pra Karen Duarte, e VIRANDO ESSA PORRA. Chega desse comportamento de igreja, chega dessa postura boiola que dá margem pro Dudu vir no Maracanã e se limpar na cortina. O Flamengo não precisa desse tipo de gente. Nós somos um clube do povo, da rua, e não da sétima-congregação-do-bom-mocismo-atenuante.

3 - Meritocracia: Uma única pergunta. Simples, respondam se quiserem. Fosse você o Diego Alves, vendo o camisa 5, o camisa 21, o camisa 10 com chuteira rosa, DONOS DO TIME. E você, que pegou pênalti até do Papa sendo barrado por um treinador que adora treta, você pensaria "no clube"?
Eu não. Isso é sangue no olho, e podem dizer que o Diego Alves tem desvio de caráter ou de comportamento. Mas é EXATAMENTE ISSO que precisamos dentro de campo. E quem não aguenta, quem não sabe brincar, que vá soltar pipa pela janela do quarto.

E, por fim, a diretoria.

1 - (Tópico único): Somos um clube são hoje? Sim. Mas são e sem. Sem títulos, sem sangue no olho, sem a verve que sempre tivemos. Somos um elenco que executa o bundamolismo todo jogo. Que não dignifica o Manto Sagrado, que nos faz ter vergonha, em muitos momentos, para não adjetivar outras questões. E a responsa é de quem vem de cima. Nos falta um Márcio braga chutando o vestiário, um Carlos Alberto Silva metendo a porrada em jogador antes do coletivo, nos falta a vontade de vencer de outrora. E a culpa é de todos. Principalmente de quem passa a mão na cabeça dessa gente. Portanto, conselho de amigo: deixem o futebol pra quem gosta de pelada. Já deu pro gasto essa falta de sangue nas veias do elenco. E já deu pro gasto o festival de entrevistas "pau na mesa #sqn".

Para encerrar, proponho um exercício que os levará à irritação suprema: somem os 4 pontos deixados com a vasca, mais os 3 deixados ontem. SOMEM os 7 aos pontos que temos na tabela.

Concluo: um time que perde 7 pontos para times dessa categoria, sem contar o América-MG e Ceará, NÃO MERECE ser campeão.

Simples assim.  Durmam com isso. É o que nos resta até o final de 2019.

Eu to muito puto. E quero limpa de A a Z nesse Flamengo que não é o meu.

É o seu?


sábado, 10 de novembro de 2018

Botafogo x Flamengo


Campeonato Brasileiro/2018 - Série A - 33ª Rodada

Botafogo: Gatito Fernández; Marcinho, Joel Carli, Ígor Rabello e Gilson; Matheus Fernandes e Rodrigo Lindoso; Erik, Leonardo Valencia e Luiz Fernando; Brenner. Treinador: Zé Ricardo.

FLAMENGO: César; ParáLéo Duarte, Réver e Renê; Cuéllar e Willian Arão; Everton Ribeiro, Lucas Paquetá e VitinhoUribe. Técnico: Dorival Júnior.

Data, Local e Horário: Sábado, 10 de Novembro de 2018, as 19:00h (USA ET 16:00h), no Estádio Olímpico Nilton Santos ou "Engenhão", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem: Bráulio da Silva Machado, auxiliado pelos assistentes Kleber Lúcio Gil (FIFA) e Neuza Inês Back (FIFA), além do Quarto Árbitro Johnny Barros de Oliveira e dos Assistentes Adicionais 1 e 2 Edson da Silva e  Evandro Tiago Bender, todos da Federação Catarinense de Futebol.

Pendurados: Diego Alves, Everton Ribeiro, Geuvânio, Lucas Paquetá, Pará, Piris da Motta, Rodinei, Vitinho e Willian Arão.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Tem de vencer












Irmãos rubro-negros,


Se o Flamengo ainda almeja o título do Campeonato Brasileiro, precisa vencer amanhã.

Só a vitória mantém acesa a chance do título.

Mas isso é papo de torcedor apaixonado pelo clube, porque os torcedores de diretoria, os bajuladores da gestão, esses aí estão focados apenas na política e no processo eleitoral.

A diretoria e seus apoiadores são os primeiros a demonstrar falta de convicção numa conquista do clube.

De mãos vazias, embora tenham gasto milhões (só este ano foram mais de R$ 100 milhões, isso sem contar o fiasco Guerrero, Geuvânio, Rômulo, Conca, Ilha do Governador, premiações e renovações insensatas), e com a justificada pecha de incompetentes, relativizadores de derrota e fracassados, tudo que eles não querem é falar de futebol.

Farão da inauguração do novo CT um evento político, naturalmente. Não um evento do Flamengo, mas um evento da chapa. Tudo bem. O CT foi feito e quem o fez merece os créditos. O Flamengo tem de comemorar essa conquista.

O problema é que a diretoria e seus aduladores não querem assumir o vexame que é a gestão deles no futebol. Não querem. Relutam, negam, valorizam vices, meras classificações, deturpam a verdade para que os fatos se adequem à narrativa desejada. Falam como se o Flamengo só disputasse rebaixamento todo o ano, quando o histórico de 2006 a 2012, sem falso saudosismo, sugere outra realidade. Até mesmo pela falta de estrutura e de dinheiro.

Eles hoje fogem do futebol. Fogem. Eles têm receio de que se fale da camisa rubro-negra, altaneira e imponente. Porque nos momentos mais tenebrosos da nossa história, o torcedor do Flamengo sempre abraçou a camisa, a mística, a tradição. E ela, a sagrada camisa vermelha e preta, sempre foi rocha sólida.








Mas falar disso para eles é "coisa de amador", que "não entende nada do que o futebol moderno exige para formar um clube campeão".

E assim vai o Flamengo, e o seu povo junto, acumulando decepções, enquanto eles elaboram suas teses moderníssimas, desperdiçando milhões do clube.

Mas o Flamengo não é tese, embora seja uma fonte inesgotável de estudos sobre a sua origem a tradição. 

Flamengo não cabe em esquematizações pretensamente cientificas.

Flamengo é o clube mais amado do mundo. E o amor não se explica. Vive-se.

Eles não compreendem isso.

E para muito além de alusões poéticas à força mística do Clube de Regatas do Flamengo, o fato é que a diretoria atual foi contumaz no erro.

Tomaram diversas decisões equivocadas. Não é necessário enumerá-las. Nem mesmo naquilo que, supostamente, seria o "know-how" dessa gestão - ações racionais ligadas ao planejamento estratégico, - eles obtiveram êxito. Muito longe disso. Nunca tanto dinheiro do clube foi investido sem retorno. 

Em suma, falar de futebol para a diretoria atual e seus apoiadores é um estorvo, um incômodo. 

Resta a eles, nesse contexto, apelar para a desqualificação, inclusive pessoal, do principal adversário político.

É aquilo: o "eurico" é sempre o outro.

E nesse ambiente, o Flamengo joga uma partida importantíssima amanhã. Se vencer, eles vão capitalizar; se não vencer, eles vão relativizar.

Mas quem é Flamengo de coração só aceita a vitória.

Que o Mengão conquiste uma grande vitória. A torcida e a camisa rubro-negra merecem.







...




Abracos e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O investimento


- Olha, vou investir nas ações da empresa X. Está vindo um cara para ser o CEO, que é muito reconhecido no mercado, e vem com uma equipe ótima. Tem gente com ele que diz ser competente que é capaz de identificar as melhores concessões da empresa Y e vou ganhar uma grana preta com isto. 

- Tudo bem. Mas se o cara dito espetacular não entregar nada. Estas concessões serem uma merda? Estas pessoas que ele trouxe não identificarem os riscos direito?

- Veja rapaz, só a vinda deste cara carrega tanta expectativa positiva que não tem erro. As ações vão bombar. Está todo mundo crédulo. E as ações bombando mesmo, aí é estouro de boiada, mano. Os sardinhas irão comprar tudo, minhas ações vão lá pro alto.

- Só imagino se não produzir nada...vai ser quebradeira geral...pessoal desesperado vendendo tudo...

- Mermão, vou vender na alta rapaz...Para mim que se dane se quebrar ou não. Eu ganho na ganância desta gente crédula.

- Mas esta gente crédula tem razão de acreditar neste CEO fodão?

- O futuro dirá amigo...Não tenho nada a ver com isto.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Alfarrábios do Melo


As portas da aeronave se fecham.

As moças cuidadosamente uniformizadas vão dando andamento, com entediada simpatia, à praxe que precede a decolagem. Enquanto isso, o alegre grupo uniformizado que ocupa as fileiras de assentos a ele reservadas, vai formando, dentro do que permite o contexto, simulacros de rodinhas onde se vão cantando resenhas e “causos” com o fim de disfarçar o cansaço já visível nos semblantes de alguns. Outros, mais diretos, estampam a cara com revistas, almofadas, vendas e tudo o que mais sirva para lhes acelerar um ansiado cochilo. Nesse entretempo, as rodinhas acabam por se desfazer, a gentis e mecanizados pedidos das bonitas moças de farda. Aos poucos, todos vão ocupando suas poltronas. E assim os vinte e sete lugares reservados à delegação se revelam preenchidos.

Menos um. Justo o principal.

Não foi fácil organizar o processo de embarque no voo com destino a Vitória do Espírito Santo. Um verdadeiro dilúvio alagou várias avenidas no Rio de Janeiro, especialmente na Barra da Tijuca, promovendo colossais engarrafamentos, que tornaram inviável ao Flamengo tomar o voo de 10 da manhã, conforme previsto. Porque apenas um ou outro jogador conseguiu efetivamente chegar ao Galeão. No entanto, ao longo do tempo o clima foi melhorando, as pistas tornando-se transitáveis, e com isso todos os atletas lograram apresentar-se ao Supervisor rubro-negro a tempo de tomar outro voo, agendado para o meio da tarde.

Menos Romário.

A funesta temporada de 1995 abre expressivas feridas no relacionamento entre o milionário craque e a Diretoria do Flamengo. O Presidente rubro-negro avisa, em alto e bom som, que as regalias e os mimos dedicados ao goleador estão extintos ou, no mínimo, severamente mitigados. O jogador terá que se submeter à rotina normal de treinamentos de todos do elenco, compensando eventuais faltas. Está obrigado a viajar com todos, seja de ônibus ou avião, sendo vedado o deslocamento por meio de jatinhos ou helicópteros, como enjoara de usar no ano anterior. A contratação de “parças” ou “peixes”, como jogadores e mesmo fisioterapeutas, também está enfaticamente desencorajada. Enfim, o Flamengo faz questão de demonstrar ao jogador que não está satisfeito com o retorno amplamente negativo que, até então, sua contratação tem proporcionado. O Presidente, antes um entusiasta e “amigo” declarado de Romário, agora adota tom lacônico em entrevistas e reportagens em geral.

“Será tratado como os outros”.

Romário também anda ressentido. A notícia de que o Flamengo escutou, de forma receptiva, sondagens do Sevilla e do Salamanca, enfureceu o jogador, que encarou a atitude como uma “traição”. O Baixinho também está incomodado com os rumores, cada vez mais robustos, de que o Flamengo irá atravessar o Vasco na repatriação de Bebeto ao futebol brasileiro. Arisco, calado e desmotivado, Romário, nas poucas entrevistas que concede, limita-se a reconhecer que “vacilou” na temporada anterior e promete dar a volta por cima, pois se diz “em dívida” com a torcida do Flamengo. “E apenas com ela”.


A temporada inicia com turbulências. É bem verdade que, sob o comando do novo treinador, Joel Santana, o Flamengo parece buscar uma competitividade que insistiu em negligenciar por quase todo o ano anterior. Mais equilibrada defensivamente, a equipe já começa a chamar a atenção de alguns analistas mais atentos, que não estão alheios ao bom nível dos jogadores, que enfim montam um conjunto equilibrado, resolvendo outro grave problema de 1995. No entanto, o Flamengo perde por detalhes o primeiro torneio amistoso do ano, a Copa Euro-América, ao empatar por 1-1 com o Borussia Dortmund, em jogo que Romário desperdiça um pênalti nos minutos finais, e pelo mesmo placar com o Palmeiras, sofrendo o gol do título já praticamente nos descontos.
Na sequência, a Taça Cidade Maravilhosa (torneio amistoso criado pela FERJ para manter seus principais filiados ocupados), o rubro-negro segue ajustando a equipe. Empata com Vasco (0-0) e Madureira (1-1), em jogos onde Romário chama a atenção pela inacreditável quantidade de gols perdidos, “consagrando” os goleiros Carlos Germano e Acácio. As coisas melhoram quando o Baixinho anota os dois gols nos 2-0 contra o Bangu e marca um dos tentos da vitória por 2-1 sobre o Fluminense (o outro gol é de Nélio, de canela, a dois minutos do fim), quebrando um jejum de sete jogos e um ano e meio sem derrotar o rival.


Mas, se é inegável que Romário segue marcando gols (seis dos sete gols do Flamengo nos primeiros jogos do ano), os problemas dentro e, principalmente, fora do campo surgem com impressionante fartura. Romário questiona o sistema de premiações adotado pela Diretoria e ameaça liderar um movimento de “greve” do elenco, sendo dissuadido após ser docilmente ameaçado de multa e corte de salários. Depois, queixa-se de dores no joelho e declara, com todos os “efes e erres”, que o incômodo é agravado por causa da precariedade dos aparelhos da Sala de Musculação da Gávea, o que gera uma inédita e surpreendente (pela sua rispidez) carta-aberta da Diretoria do Flamengo, repreendendo o atleta. Alegando lesões (além do joelho também se ressente de dores nas costas), começa a faltar aos treinamentos da equipe, o que começa a incomodar Joel Santana (“ele precisa estar conosco, estamos montando um time e ele é peça fundamental”).

De qualquer forma, o ambiente é amenizado com as vitórias sobre o Bangu e, principalmente, o Fluminense. Romário se declara “motivado” para a estreia da Copa do Brasil, contra o desconhecido Linhares, campeão capixaba, no Estádio Kléber Andrade, em Cariacica. O rubro-negro precisa vencer por dois gols de diferença para evitar a realização do jogo de volta.

“Se não embarcou aqui conosco, não precisa vir mais”. Joel Santana é bem claro na sua altivez, cioso da necessidade de mostrar imposição a um elenco formado por alguns jogadores de Seleção, muitos inclusive com certa rodagem. Assim, Joel deixa clara a mensagem de que não conta com Romário para o jogo no Espírito Santo. O Supervisor ainda tenta um último recurso, reservando uma passagem para um voo noturno. Mas ainda assim Romário não aparece.

“Estava preso na Grajaú-Jacarepaguá, não passava nada”. A justificativa de Romário, que sustenta só ter conseguido se livrar do trânsito às 01:30 da manhã, não convence a Diretoria, até porque todos os demais jogadores conseguiram chegar a tempo de embarcar à tarde. Há elementos que fundamentam a desconfiança. O Baixinho segue se queixando de dores nas costas, e uma inoportuna viagem para um jogo de expressão menor poderia agravar o problema. Ademais, as boas atuações recentes podem servir como salvo-conduto para a volta de determinadas regalias e, afinal de contas, o Rio já respira a semana de Carnaval. Injustas ou não, essas ilações ajudam a complicar a já negativa imagem do Baixinho. Dividida, a Diretoria em princípio não define o que fazer com o jogador. Vai aguardar o retorno da delegação. Enquanto isso, Romário está convocado a se apresentar na Gávea para treinar, enquanto a equipe está no Espírito Santo. Alguns dirigentes defendem a aplicação de multa e mesmo uma penalidade mais severa.

“Multa? Que história é essa de multa? Não fiz nada de errado. Fiquei preso na estrada e ainda vou ser multado? Se me multarem nunca mais ponho os pés aqui”! Enfurecido, Romário “grita” aos jornais que não admitirá qualquer tipo de punição emanada da Diretoria. Parte abertamente para o confronto. “Estou jogando no sacrifício, com dores, fico atolado na estrada e ainda vou ser punido? Não aceito em hipótese alguma”. A ira do atacante é amplificada por conta das sucessivas negativas da Diretoria às soluções propostas pelo jogador, que se prontificara a viajar no dia da partida (junto com o Presidente) ou mesmo fretar um jatinho de seu bolso. “Esse ano ninguém receberá tratamento diferenciado. Perdeu o voo, perde o jogo”.

O Flamengo derrota o Linhares por 1-0 (gol de cabeça do zagueiro Jorge Luís, escorando escanteio cobrado pelo novato Iranildo), mas a essa altura o assunto é Romário. A imprensa, curiosa em saber o que a Diretoria fará com o jogador, começa a dar ares de “novela” ao caso. Matreiros, o Presidente, o VP de Futebol e o Supervisor começam a apagar o fogo. “Trata-se de um assunto menor, que receberá da gente o peso que merece. Vocês estão perdendo tempo”.

Com efeito, a solução acaba frustrando aqueles que esperavam um desfecho mais sangrento. Após reunião razoavelmente rápida, a Diretoria resolve aceitar os argumentos e as alegações de Romário, e descarta punir o jogador. Satisfeito, o Baixinho evita comentar o caso, que se desvanece como mais um factoide que nasceu, floresceu e feneceu em um espaço de três dias.

No entanto, há um desdobramento relevante. Joel segue se queixando das ausências de seu craque maior e pede proteção. Recebe a garantia de que tem carta branca para lidar com Romário do jeito que melhor lhe aprouver. Que, mais do que o treinador, há uma Diretoria que não medirá esforços para conquistar o Estadual que lhe escorreu pelos dedos em 1995. Que contratará quem tiver que contratar, e descartar quem tiver que ser descartado. Assim, Joel pode, e deve, usar de todos os meios possíveis para colocar em campo um time vencedor. Mesmo que, no percurso, tenha que cortar cabeças.

Ou barrar jogadores.

* * *

Romário seguiu com rendimento instável nos jogos seguintes, faltando a treinos e alternando gols com atuações discretas. Acabou barrado na partida contra o Coritiba, no Couto Pereira, pela fase seguinte da Copa do Brasil. Entendeu o recado e enfim passou a levar a temporada a sério. No jogo seguinte, marcou 5 gols numa goleada sobre o Olaria (6-2). O Flamengo sagrou-se Campeão Estadual Invicto, vencendo os dois turnos. Romário, com a impressionante marca de 26 gols (contra 15 do segundo colocado), terminou a competição como artilheiro e melhor jogador. No entanto, com a confirmação da contratação de Bebeto pelo Flamengo, aceitou retornar ao futebol espanhol, para defender as cores do Valencia.