quarta-feira, 27 de julho de 2016

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos.
Semana próxima passada, o Fluminense FC completou 114 anos de existência. Uma vez que o Flamengo, através de seu presidente e outros dirigentes, ajudou a fundar esta relevante instituição, penso ser cabível prestar uma homenagem ao simpático clube das Laranjeiras. Assim, deixo aqui uma história pouco conhecida. Muito difundida é a primeira partida entre Fla e Flu, vencida inesperadamente pelo tricolor, por 3-2, em 1912. Mas, e as partidas subsequentes? Terá se repetido aquela história de superação do “eleven” tricolor? Ou o desfecho terá sido um tantinho diferente?
À história, então.

1 - FLAMENGO 4-0 FLUMINENSE
Campeonato Carioca, Segundo Turno, 27.10.12, Laranjeiras

A dor da humilhação, da vergonha, do brio ferido é um poderoso estimulante. Não há doping mais devastador que o riso mordaz, sarcástico, os dedos apontados por uma multidão aos gargalhos.
A inesperada derrota do primeiro turno ainda sangra na alma, ainda marca a pele lanhada, como brasa em gado. O grupo de dissidentes, o mais talentoso do Rio, anseia, clama sequioso pela desforra, pela vingança redentora que lhes tirará das entranhas o peso agônico do escárnio. E treina. Prepara-se como para o último embate de suas vidas. E chega o dia.
O Flamengo, pela posição na tabela (disputa, ponto a ponto, o título com o Paysandu) e pelo time melhor, é o favorito, apesar da surpreendente derrota no primeiro clássico. Tal como na partida anterior, o Fluminense mostra coragem e atitude agressiva, tentando tomar a iniciativa das ações. No entanto, mais calmo, determinado e com os nervos no lugar, o Flamengo rapidamente se impõe em campo.
O resultado é um ataque contra defesa. Um massacre. Um bombardeio sem precedentes, que só não termina num placar verborrágico, antológico, de almanaque, graças à atuação épica do sistema defensivo tricolor, cujos elementos saem de campo extenuados. O irrequieto e irreverente Baiano marca o primeiro gol, depois o eficiente Miguel anota mais duas vezes e novamente Baiano, já no final, decreta o placar de 4-0 que traz à tona a real diferença entre as duas equipes.

2 - FLAMENGO 6-3 FLUMINENSE
Campeonato Carioca, Primeiro Turno, 03.08.13, G.Severiano

Time do Fluminense ainda está em transição, não aparece como postulante ao título. Flamengo começa mal e isso será fatal. Depois arranca, mas já é tarde para alcançar o América.
Público em General Severiano é excelente, chegando a haver espectadores de pé à beira do gramado. Jogo começa equilibrado, os dois times trocando ataques, até os 10', quando Baiano abre o placar para o Flamengo. O Fluminense sente o gol, e disso se aproveita o Flamengo para intensificar o assédio. Gumercindo (jovem goleador) e Pinho ampliam, fechando a primeira etapa em 3-0 para o rubro-negro.
Na segunda etapa, o Flamengo acomoda-se e passa a trocar passes, com leniência. O tricolor se enche de brios e exerce pressão. Consegue marcar dois gols em sequência (Oswaldo e Baptista), e parece que a partida irá incendiar. Ledo engano. O Flamengo se reorganiza, volta a imprimir um ritmo mais forte e Borgerth anota o quarto tento. O rubro-negro não diminui o ritmo e avança suas linhas, chegando a atacar até mesmo com os zagueiros. Encurralado e desgastado, o tricolor não consegue resistir. Gumercindo marca o quinto, e logo a seguir Borgerth mais um tento. Somente nos minutos finais o Flamengo relaxa e, num lance isolado, o atacante fluminense Vidal chuta de longe e marca mais um gol para as Laranjeiras. Não há mais tempo para nada. Final, 6-3, num dos melhores e mais animados jogos de todo o campeonato.
Como menção, é a primeira partida que Borgerth, pivô da dissidência fluminense que ocasionou a criação do futebol flamengo, marca contra seu ex-clube. Haverá outras. Muitas outras.

3 - FLUMINENSE 0-3 FLAMENGO
Campeonato Carioca, Segundo Turno, 09.11.13, Laranjeiras

Center-half. O jogador central da linha de médios, precursor da posição de volante. Uma das peças-chave de uma equipe de futebol, desde seus primórdios. Um bom center-half precisa ser completo, ter boa visão de jogo, saber iniciar as ações ofensivas e desenvolver bom trabalho na retaguarda.
O Flamengo dispõe de um dos melhores nomes nessa posição. Amarante tem sido o destaque absoluto da equipe na temporada, figurando na seleção do campeonato. Dotado de intensa mobilidade, bom jogo vertical, capaz de lançar e eficiente na marcação individual, Amarante vive o auge de sua carreira. E toda sua categoria será mostrada nesse Flamengo e Fluminense do returno.
Apesar do tempo chuvoso, o Campo da Rua Guanabara (onde se erguerá o Estádio das Laranjeiras) está tomado por um público numeroso e “bem selecionado” (o futebol ainda é um esporte de elite). Chama a atenção o número de adeptos do Flamengo, que já divide a assistência com os torcedores do time local.
O Fluminense está motivado por uma vitória sobre o Botafogo (3-0) e deseja repetir o feito contra o Flamengo, seu algoz de confrontos recentes. O time tricolor posiciona-se em campo de maneira extremamente agressiva, buscando a pressão desde os primeiros minutos. Será seu erro. O Flamengo, recuado, faz um jogo de paciência, de “gato e rato”, buscando cansar o rival. O tricolor ataca por cima, por baixo, pelo centro e pelos lados, mas não consegue transpor a parede formada por Píndaro e Nery (os melhores zagueiros do país) e pelo exímio goleiro Baena. Apesar dos inúmeros ataques fluminenses, o primeiro tempo termina sem gols.
Na segunda etapa, o Flamengo se solta mais, aproveitando-se do desgaste físico e emocional do adversário. Amarante, que no primeiro tempo dedicou-se a anular o perigoso atacante Welfare, agora arma e dá início a todas as jogadas flamengas. O center-half fluminense, Robertson, não está em campo, e isso fará a diferença.
O primeiro gol é de Riemer, numa confusão dentro da área. Como de hábito, após abrir o placar o Flamengo solta a cavalaria para aproveitar-se do desequilíbrio gerado pelo tento. Logo a seguir, Raul recebe na frente, dribla o goleiro e, sem humildade em gol, entra com bola e tudo, embolando-se nas redes. Já perto do fim, com o Fluminense inteiramente subjugado, o “matador” Riemer manda uma bomba de longe e fecha a contagem em 3-0. As derrotas fluminenses para o rival já começam a se revestir de uma incômoda rotina. Mas ainda está longe de acabar.

4 - FLUMINENSE 0-2 FLAMENGO
Amistoso, 11.06.14, Laranjeiras

O Flamengo inicia a temporada de maneira irregular, apresentando atuações opacas. Vem de um empate contra o São Cristóvão, obtido nos descontos (o jogo esteve parado porque os zagueiros rivais mandavam chutões para os telhados das casas vizinhas) e é encarado pela imprensa como um azarão na disputa pelo título.
Nesse contexto, surge um amistoso contra o Fluminense, jogo beneficente em favor da Paróquia da Glória. Esse tipo de evento é comum na época.
O tricolor começa a mostrar sinais de recuperação, e já apresenta uma equipe bem mais qualificada, que inicia bem o campeonato. Por isso, e pelo momento ainda errático do rubro-negro, o time das Laranjeiras recebe a pecha de favorito para esse interessante match-training em seu campo.
O Campo da Rua Guanabara (Laranjeiras) recebe brilhante e colorida decoração, engalanado para o evento. Mas, seja pelo fato de estarmos em uma tarde de quinta-feira, seja pela informação de que os dois times jogarão com equipes mistas, o que se registra é um público pouco mais que razoável, longe de proporcionar ampla lotação. No entanto, quem foi ao campo viu um jogo bastante animado.
Os jogadores do Fluminense começam a demonstrar nervosismo com a recorrente superioridade do Flamengo nos confrontos. Seu time entra em campo para disputar um match oficial, enquanto o rubro-negro aparece mais comedido, poupando o ritmo. Muito mais aguerridos, os tricolores bombardeiam a meta do goleiro reserva Cazuza, que se vira como pode. Num desses ataques, a bola rebenta no travessão após voleio de Bartolomeu.
Aos poucos, o Flamengo entra no jogo. O experiente Gallo substitui Amarante, e dita o ritmo da equipe. O rubro-negro, com um conjunto melhor, trabalha a bola e envolve o adversário. Numa dessas tramas, há um lançamento a Arnaldo, que cruza para Baiano emendar de sem-pulo e abrir o placar. É mais um tento de Baiano, à vontade no papel de “carrasco”.
Fim do primeiro tempo. Os tricolores estão tensos, rosto crispado, cabeça baixa. No outro canto, os flamengos riem e contam piadas, nitidamente descontraídos.
Na segunda etapa o roteiro se repete. Fluminense toma a iniciativa, ataca em desespero, acossa a meta de Cazuza, e aí se destaca o zagueiro Nery. E o Flamengo, num contragolpe fulminante, amplia com Riemer. No fim, com um Fluminense desanimado e um Flamengo desinteressado, pouco mais acontece. Flamengo 2-0.

5 - FLUMINENSE 2-3 FLAMENGO
Campeonato Carioca, Primeiro Turno, 26.07.14, Laranjeiras

Costuma-se invocar a mística do Fla-Flu, dos jogos emocionantes, fantásticos. Sim. Mas somente quando o Fluminense ganha. Veja-se que os Fla-Flu's mais célebres que são lembrados são os que têm como desfecho a vitória tricolor (1969, 1983, 1995). O Flamengo gosta de recordar goleadas no rival.
Mas há os jogos sensacionais, espetaculares, que o Flamengo vence. É o caso desse inesquecível match do primeiro turno. Um jogo antológico que, tivesse havido outro desfecho, figuraria nos anais do clássico.
Uma multidão aflui para a Rua Guanabara. Multidão inflamada, disposta a berrar por suas cores. O clima é de decisão, de final, embora estejamos ainda nas primeiras rodadas do campeonato. Grupos esboçam cantos e palmas, já em provocação, no que são respondidos. Não há violência. Mas há tensão, a típica apreensão dos dias de grandes jogos.
A partida inicia em ritmo alucinado. Logo nos primeiros minutos, há uma bola alçada na área flamenga, alguém corta com a mão. Pênalti, que Bartolomeu converte, abrindo o placar para o Fluminense. A plateia explode em gritos, incendiando o estádio. O Flamengo vai à frente e luta muito, mas não consegue alterar o placar na primeira etapa. O tricolor parece, de fato, determinado a quebrar a escrita. As equipes vão ao intervalo com o placar de 1-0 para o time local.
Segundo tempo, o Flamengo “queima navios” e parte ao ataque. Em poucos minutos, uma bola é passada a Riemer, que chuta meio de bico, meio mascado, mas a bola pega um efeito estranho. Marcos, o legendário goleiro Marcos de Mendonça, vai agarrar, mas é traído pela trajetória da bola e deixa-a escapar, sorrateira e zombeteira, para o fundo das redes. Está empatada a partida.
O jogo se torna feérico, esfuziante. Os times trocam ataques. Os goleiros Baena e Marcos vão executando defesas fantásticas, mantendo uma igualdade que pode ser quebrada a qualquer momento. O final do jogo se aproxima. E dele a loucura, o transe, o êxtase.
Escanteio. Bola alçada na área fluminense. A zaga tricolor tenta afastar, mas não consegue. Há uma “scrimmage” (rebu, bololô, confusão) dentro da área, a bola perereca e sobra para Raul que, num laivo de lucidez, dribla um contrário e manda, bico de chanca, pra dentro da meta. Flamengo 2-1. Agora é o lado de fitas negras e rubras que se agita. O Flamengo está na frente. Mas não há tempo sequer para calar o grito. O Fluminense dá a saída e ataca em bloco. Troca passes com fúria e a bola chega a Welfare, o temido Welfare, que em bela jogada individual arremata e crava novamente o empate. Em questão de segundos, o Fluminense reage. 2-2. O estádio enlouquece, chapéus jogados ao alto, gritos de ordem, apitos, palmas. Já estamos nos minutos finais. Mas não acabou. Agora o Flamengo dá a saída e abandona a defesa. A vitória se torna questão de honra. O rubro-negro exerce uma pressão no limiar do insuportável. Massacra a meta de Marcos. O tempo está escoando, rápido. Estamos no minuto final. Há um escanteio. Não resta mais tempo. É o último lance. Bola cruzada, cabeçada, fora do alcance de Marcos. Mas, na última hora, o zagueiro Vidal, em cima da linha, consegue cortar. Com a mão. Pênalti para o Flamengo, no último segundo do jogo.
É uma tarefa que exige sangue frio. É o momento adequado para o bandoleiro Riemer. Ricardo Riemer, atacante que faz do gol um ofício. Uma ocupação. Um jogador que nasceu para as redes. O primeiro grande goleador da história flamenga. Riemer, sem demonstrar um hiato de hesitação ou temor, ignora a presença de Marcos de Mendonça à sua frente, vira a cara e manda um bico, um tiro violentíssimo, que arromba as redes tricolores e faz metade do estádio urrar das entranhas a felicidade e a alegria da vitória. O Flamengo vence de forma dramática por 3-2. Arrancará para o título. E a noite no 66 será longa. Haja reco-reco.

6 - FLAMENGO 2-1 FLUMINENSE
Campeonato Carioca, Segundo Turno, 15.11.14, G.Severiano

Falava dos “grandes Fla-Flu's”. E das decisões? Criou-se uma aura, um mito, uma lenda, um lugar-comum que, quando Fla e Flu se enfrentam em jogo decisivo, a vitória usualmente é do tricolor. Relembra-se, com tediosa exaustão, os jogos de 83, 84, 95. Mas houve outros momentos. Entre eles, a final perfeita. Que tal um Fla-Flu, final de campeonato, no dia do aniversário do Flamengo? Isso aconteceu. E o desfecho não foi bem o que quer fazer crer a tal lenda tricolor.
15 de novembro. Toma posse o Excelentíssimo Sr. Presidente da República, o Sr. Venceslau Brás. Chefes de Estado e a mais alta sociedade está na Capital Federal para prestigiar a solenidade. Mas o centro das atenções é o Estádio de General Severiano, onde está em jogo a decisão do Campeonato Carioca de 1914. Flamengo e Fluminense fazem aquela que pode ser a partida final.
A vantagem é do Flamengo que, se vencer, decreta o final da competição. Em caso de vitória tricolor, haverá a necessidade de nova partida para definir o campeão.
O público transborda, aperta-se e se pendura no exíguo espaço disponível, já levando a crer que logo haverá a necessidade de palcos maiores para os jogos. O risco de superlotação é real, e não é raro que se recorra a morros, árvores, barrancos ou mesmo telhados para que se consiga uma forma de se assistir ao match.
O momento é todo do Flamengo. O time, após um início irregular, dominou completamente a competição, e poderia ter sido campeão antecipado, não fosse uma inesperada derrota para o Botafogo. Mas o Fluminense vem de uma arrancada, e a rivalidade intrínseca ao clássico recomenda prudência.
Prudência esta que certamente não está presente nas dependências da Sede no 66. O casarão amanhece enfeitado, decorado e totalmente engalanado, à espera da comemoração de um título que irá coroar, à guisa de ápice, os festejos do 19º aniversário do clube.
O jogo é disputado, renhido, mas menos dramático que a partida anterior. O Flamengo é melhor desde o início. Abre o placar quando Marcos sai mal num cruzamento e Borgerth, esperto, aproveita a sobra, mandando a bola para o gol. Logo depois, o rubro-negro amplia num arremate de Riemer, mas o próprio atacante avisa ao árbitro ter ajeitado a bola com as mãos e o gol é anulado (os tempos ainda são românticos).
Mas, apesar da ampla superioridade rubro-negra, não se pode desligar em um clássico. Um escanteio isolado, bola perfeitamente cruzada na cabeça de Oswaldo. É o empate, o injusto empate nos minutos finais da primeira etapa.
Mas não durará muito. A tarde é flamenga. Na volta do intervalo, o rubro-negro parte impetuoso, disposto a assegurar a vitória desde cedo. Já aos 3', Borgerth, o nome do jogo, recebe, livra-se de um contrário e serve ao implacável Riemer, que fuzila Marcos, decretando os 2-1 no placar que, a despeito de algumas tentativas tricolores, não mais serão alterados.
O Flamengo administra a vantagem e, com o apito final, transforma o Rio de Janeiro em uma linda festa. Corsos, reco-recos, chopadas de graça, os dias que se seguem são comemorados com incrível e contagiante alegria. O Flamengo é campeão no dia do aniversário, contra o maior rival, com gol do pioneiro Borgerth. Mais, agora ufana-se de um título inédito, que o acompanhará por todo o sempre. Uma marca indelével, dentre tantas.
Campeão de Terra e Mar.

7 - FLUMINENSE 3-5 FLAMENGO
Amistoso, 11.04.15, Laranjeiras

Mais um amistoso beneficente, jogo que praticamente abre a temporada. O Flamengo apresenta novidades. O atacante Bartolomeu, ex-Fluminense, e o médio inglês Sidney Pullen, formidável jogador que vem para o lugar de Amarante, retirando-se dos gramados. Não poderia haver melhor reposição. Pullen é um jogador ainda mais completo que o ótimo Amarante, pois também pode ser usado no ataque.
O público é bom. O Fluminense tinha a ideia de abrir o estádio apenas para os sócios, mas a baixa procura fez sua diretoria mudar de opinião, o que se mostrou acertado.
O jogo é movimentado, mas pouco disputado. As equipes, ainda com alguns desfalques e nitidamente sem condições físicas, fazem uma partida pouco competitiva, com marcação frouxa. O Flamengo, com um conjunto melhor e alguns valores individuais se destacando, impõe-se sem dificuldades. Chega a abrir 3-0 e 5-2, com gols de Bartolomeu, Curiol, Borgerth, Riemer e Vidal (contra, num recuo desastrado de bola a Marcos), enquanto Welfare (2) e Nabuco marcam os tentos tricolores.

8 - FLUMINENSE 0-5 FLAMENGO
Campeonato Carioca, Primeiro Turno, 09.05.15, Laranjeiras

Após sete derrotas seguidas para o Flamengo, o Fluminense decide ser o momento do “basta”. Reúnem-se os jogadores para sessões esfalfantes de treinamentos pesados durante toda a semana. Há uma fome no olhar de cada jogador tricolor. Informantes são enviados a General Severiano, para acompanhar e investigar os movimentos do Flamengo, que enfrenta o Rio Cricket. Tudo é minuciosamente estudado, planejado e calculado. A instituição está mobilizada para o jogão do dia 09. É chegado o momento. Não há como um clube da envergadura do Fluminense FC amargar uma sequência tão duradoura e prolongada de derrotas para qualquer adversário, que dirá o Flamengo, grande rival nos gramados. Associados e admiradores são convocados para o confronto da Rua Guanabara. O estádio irá lotar. O Fluminense não aceitará a derrota.
Mas falta combinar tudo isso com o adversário.
A chegada de Sidney Pullen e do chileno Hector Parras trazem um notável equilíbrio ao Flamengo. Outrora tido como um conjunto de defesa forte e ataque criticado (por ser pesado), o rubro-negro agora apresenta uma equipe harmônica, bem azeitada e extremamente perigosa. Um time disposto a ratificar sua condição de Campeão de Terra e Mar. E que, enfim, já lida bem com a condição de favorita.
O estádio está abarrotado. Os fluminenses atendem aos apelos da diretoria, e enchem as dependências da Guanabara. Provavelmente chegam mesmo a ser maioria entre a plateia.
Mas o time está nervoso. Tenso. Sente a pressão do jogo. Não consegue atacar. Ao contrário, o Flamengo, com categoria e um meio-campo sólido, domina inteiramente as ações. E começa a atacar. E os gols vão sair com naturalidade.
O primeiro é de Borgerth, num tiro violento que vara a gaveta de Marcos. Logo depois, Sidney Pullen, num tiro cruzado, amplia. Antes do intervalo, o estabanado zagueiro Vidal falha, e Baiano marca o terceiro. É o fim. O Fluminense está destruído, a espinha quebrada, o estádio em silêncio (ao menos a parte tricolor).
Na segunda etapa, o Flamengo seguiu controlando o jogo com tranquilidade. Faltava o gol do “matador”. E Riemer, para não frustrar seu público, cravou logo duas vezes, em dois tiros fortes, bem ao seu estilo. O jogo termina com o Flamengo colocando o adversário na roda, tocando calmamente a bola, sem pressa. É, até ali, a mais humilhante derrota da história do Fluminense em seu estádio. Nenhuma equipe havia vazado as redes tricolores, nas Laranjeiras, tantas vezes desde a fundação do clube. A goleada humilhante acenderá uma crise profunda nas hostes tricolores, da qual emergirá um time forte e temido.
Enquanto isso, o Flamengo ratificará seu favoritismo e marchará para o bicampeonato, dessa vez invicto. De novo, Campeão de Terra e Mar.


* A sequência de vitórias flamengas será quebrada com um empate (1-1) em General Severiano, a 22/08/1915. O rubro-negro somente voltará a ser derrotado no clássico em 1916. Ao todo, terão sido 12 jogos sem derrota para o rival, com 8 vitórias consecutivas.

terça-feira, 26 de julho de 2016

O Que Vi e o Que Projeto...

 Desde algum tempo eu já achava que o jogo seria difícil, jogar contra o lanterna, em nossa situação de afirmação ainda é uma dificuldade, por incrível que possa parecer. O Flamengo ainda está em formação. Sim, em formação. No meio do campeonato. Falha de planejamento? Sim e não. Nas posições de zaga, talvez. Avancemos, não é o assunto.

O assunto é o jogo em si. O América troca de treinador, organiza um time “desesperado”, com 8 pontos em 14 jogos, 15 com a partida em disputa, tudo o que se “temia”. Pensando direitinho, quem vem pra cima do Flamengo jogando fora de casa? No Brasil, ninguém. O que surpreendeu de fato foi a organização do América nos primeiros 30 minutos, onde o Flamengo chegou a ter 75% da posse de bola, mas sem penetrar a defesa. O meio campo girava a bola sem eficácia, a saída ficava por conta dos zagueiros, que aliás, tronou o primeiro tempo num jogo pavoroso, por todas as circunstâncias e atuação dos meias do Flamengo. Todos eles.

  • Márcio Araújo se esconde da bola, e como não tem “atitude positiva” (como se chama na psicologia), sempre olha para trás, não existe confiança para seguir uma jogada. Nem qualidade para se desmarcar, pedir a bola e iniciar as jogadas de ataque. Ele literalmente se esconde atrás dos jogadores adversários, é nulo ofensivamente, frágil defensivamente, num dia bom útil. Nos últimos três jogos, pouco útil. Tenho a impressão de que quanto mais ele joga, piora seu rendimento. É jogador de elenco NO MÁXIMO.
  • Arão também produziu pouquíssimo num primeiro tempo de grande marcação em bloco, um time que jogava em linhas próximas e se defendendo “nem parecia o lanterna”. Pouca efetividade e movimentação. Tem se tornado um jogador previsível.
  • Mancuello é uma peça que tenho em minha equipe “ideal”, mas não pode produzir tão pouco. Não voltou para iniciar as jogadas de ataque, que é o que se deseja, que seja um “espelho” de Arão pela esquerda, os dínamos do time. Tenho a impressão de que com Márcio Araújo isso não será possível. Cuellar é mais móvel e transforma, contagia pelo dinamismo, ou seja, um time com o camisa 8 é mais estático. Mancuello não pode se esconder ou se ressentir disso. Tem que jogar mais. Além disso, o lado esquerdo estava num vazio de me fazer raiva. Alan Patrick também “estranhou” sua presença.
  • Alampa foi mal na primeira etapa, escondendo-se do jogo, bloqueado entre as linhas e num time torto pelo lado direito. O lado esquerdo do Flamengo era um deserto, um corredor imenso para a passagem de Chiquinho, que não passava para não ficar isolado. Alan Patrick fez um primeiro tempo perdido.

Esse primeiro tempo que vi, muito provavelmente não será o jogo da maioria. Não me importo. Ressalto o aumento da produção no final da primeira etapa, estranhamente nos últimos cinco minutos criamos algumas chances. Muito provavelmente, também, aos poucos deixaremos de sofrer nos finais dos jogos, onde o Flamengo “morre em campo”. Esse jogo foi uma partida bem estranha. O time dominava, quase sofreu o primeiro gol em duas oportunidades, criou algumas tantas. Fez o gol, poderia ter goleado, também. Passemos.

Apontei algumas coisas que achei ruins do time, individualmente, porém acho que coletivamente cresceremos com peças novas, que irão oxigenar e qualificar. Vejo o Flamengo forte e brigando pelo título sim, mas depende somente de nós. Não podemos mais deixar pontos bobos pelo caminho, temos que vencer jogos grandes contra rivais qualificados. Na condição que for, como fizemos com o Atlético-MG. Não podemos perder para o Santos de forma alguma.

Teremos Diego, Donatti, Damião, Ederson e Everton (hoje suspenso) pra rodar o elenco. A perspectiva é ótima. Temos duas competições e isso manterá o time ativo e elenco em atenção, ligado, pressionado a lutar por fazer história. Essa pressão nos alimenta e fragiliza os adversários, que podem não admitir, mas se cagam de medo do DCF... Vivemos entre o caos e o oba-oba, sempre fomos assim.

Voltando à partida, Juan voltou mal, Vaz seria meu titular. Grande jogo do útil Pará. Partida gigante de Paolo Guerrero. Temos elenco e equipe pra brigar, temos torcida pra empurrar, como mostrou Cariacica. Aparentemente teremos Maracanã nas últimas seis rodadas em casa (Cruzeiro, Santa Cruz, Corinthians, Botafogo, Coritiba e Santos). Precisamos de um time organizado, competitivo e principalmente concentrado o tempo inteiro. Isso vem com o tempo, entrosamento e CONFIANÇA a partir de vitórias, bons resultados.

Estando no bolo nas últimas 12 rodadas brigaremos com força, com a força da nação. Tudo leva a crer que estaremos com um time mais redondo e com as melhores peças em campo. A longa temporada faz a melhor peça se sobrepor. Tem ainda a Sulamericana, não dá pra esquecer. Saindo da rasa subjetividade de um torcedor nervoso e querendo apenas os três pontos no momento, farei um campinho com meu 11, meu time titular. E convido aos Butequeiros que projetem o seu.
Essa formação teria variações de 433, 4141 e 4231.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Flamengo x América/MG

 


Campeonato Brasileiro 2016 - Série A - 16ª Rodada

FLAMENGO: Muralha; Pará, Réver, Juae Jorge; MárciAraujo, Willian ArãoAlaPatrick e Mancuello; Guerrero MarcelCirino. Técnico: Zé Ricardo.

América/MG - João Ricardo; Pablo, Roger, Alison e Bruno Teles; Leandro Guerreiro, Juninho, Gilson e Alan Mineiro; Victor Rangel e Michael (Danilo Dias). Técnico: Enderson Moreira.

Data, Local e Horário: Segunda-feira, 25 de Junho de 2016, as 20:00h (USA/ET 19:00), no Estádio Kleber Andrade, em Cariacica/ES.

Arbitragem - Rodrigo Batista Raposo (ASP/FIFA/DF), auxiliado por Kleber Lúcio Gil (FIFA/SC) e Carlos Berkenbrock (SC). Quarto Árbitro: Dyorgenes André Padovani de Andrade (ES).

Pendurados - Jorge e Léo Duarte.

 

Pra Cima Deles Mengo!

Salve, Buteco! Flamengo jogando na segunda-feira. É esquisito, eu reconheço. Inclusive pra mim, acostumado a escrever abordando o resultado do final de semana, na maioria das vezes do jogo de domingo. Pois hoje, pela primeira vez na do Buteco do Flamengo, eu escreverei em uma segunda-feira antes do jogo. Há quem critique a marcação de partidas na segunda-feira, mas creio que exista ao menos uma vantagem na partida de hoje que o Flamengo pode explorar: o Mais Querido entrará em campo sabendo exatamente o que fazer. Como disse a minha querida amiga Leilinha (@LeiladoFla) ontem no Twitter, a missão é conquistar os três pontos, mas o ideal (espero que não apenas um sonho) é golear, tirar a vantagem do Atlético/PR e alcançar o 5º lugar, encostando no G4. Será que o time já evoluiu para tanto? Bem, até que nas duas últimas rodadas marcou um bom número de gols. O problema (de origem tática), no confronto contra o Botafogo, desaguou na defesa, e não se pode dizer que o Atlético/MG não tenha ameaçado.

Não se trata de menosprezar o América/MG, mas de se autoafirmar como força estável no Campeonato Brasileiro/2016. Adversários como o Grêmio e o Santos, por exemplo, não têm vacilado e por isso hoje ocupam as posições que, ao final do campeonato, indicarão a maior parte do seleto rol de participantes do Brasil na Copa Libertadores da América/2017. Com o elenco que o Flamengo tem atualmente, comparado ao restante dos concorrentes, acredito que a vaga no G4 corresponde ao patamar mínimo de ambição da torcida.

Com os pés no chão, creio ser importante aguardar o final de algumas janelas internacionais de transferência para termos exata noção de como ficarão os elencos. Clubes como o Palmeiras e o Santos, por exemplo, podem sofrer sérios desfalques de seus respectivos "Gabrieis" (de Jesus e Gabigol). Pena que o nosso Gabriel não renda expectativa relevante, quer para transferência, quer para desempenho.

***

O elenco do Flamengo talvez seja o mais homogêneo dos últimos anos, mas dos atletas que vêm jogando (excluindo a recente contratação, Diego), nenhum tem desequilibrado ou se destacado individualmente como os "Gabrieis" de Santos e Palmeiras. Isso não impede, por exemplo, que um time como o regular Grêmio, que, a exemplo do Flamengo, também não tem um destaque individual, frequentar o seleto G4. Poderia mencionar o Corinthians, mas justas polêmicas envolvendo arbitragem não estão à altura dos debates que costumam ocorrer neste nobre espaço. Acho que vocês entenderam...

Pois bem. Apesar de termos pontas limitados, inclusive no fundamento finalização, Zé Ricardo tem a sua disposição um dos melhores elencos da competição e o time ainda não atingiu a regularidade necessária para ao menos estar no G4. A bem da verdade, até aqui só conseguiu jogar com variações próximas ao 4-3-3 (4-3-2-1 ou raramente no 4-1-4-1), sempre com pontas abertos.

Não me cabe "cornetar" Zé Ricardo e exigir tal ou qual esquema tático, mas é fácil constatar que o time não tem maior variação no quesito e, em relação a temporadas precedentes, inobstante ter desempenho um pouco melhor, ainda não é regular, apesar de ter elenco mais forte e homogêneo. Tenho certeza de que ninguém reclamará se houver pouca variação tática mas o time for eficiente e disputar o título. Porém, é forçoso reconhecer que não se alcançou esse patamar, com ou sem variação tática.

Zé Ricardo não está há tanto tempo assim no cargo e por isso mesmo tenho dúvidas sobre até que ponto foi ele ou Muricy Ramalho que estruturou o esquema tático ao qual se apega, mas não apenas pelos resultados, como também por coerência defendo um mínimo de estabilidade para que não se volte à ciranda quadrimestral de treinadores que marcou as últimas décadas no Departamento de Futebol do Mais Querido. Da mesma forma, espero que ao final do ano seu trabalho seja analisado sem passionalidade, independentemente dos resultados ou conquistas, mas com olhos para o futuro. O precedente Mano/Jayme de Almeida, curiosamente seu auxiliar, ensina (ou deveria ensinar).

***

Hoje o time será mais uma vez posto a prova, após mais uma semana de treinos. A torcida capixaba certamente fará a sua parte.

Esperamos ver garra e estabilidade emocional em campo.

Pra cima deles, Mengo!

Bom dia e SRN a tod@s.

sábado, 23 de julho de 2016

Hora do sonho virar realidade


18 de abril de 1990. Um jovem adolescente saiu do colégio em Botafogo com um amigo e resolveram ir assistir uma partida sem muita importância, válida pela Taça Rio daquele ano. Ônibus para a Gávea, o jogo contra o Americano seria no Estádio José Bastos Padilha que, na época, contava com estruturas tubulares além da histórica arquibancada de alvenaria. Naquele dia o estádio estava vazio, o público pouco passou de mil espectadores. Na preliminar, aquele time campeão da Copinha venceu, com direito a pixotada do Júnior Baiano, enquanto a equipe principal também ganhou com gols de Gaúcho e André Cruz. Só que, no início da partida, começou uma chuva torrencial que só parou no dia seguinte. Chuva daquelas de dar nó no trânsito. O menino, relapso, que não tinha avisado seus pais, só conseguiu chegar à noite na casa da sua avó, no bairro das Laranjeiras, depois de horas num ônibus e uma caminhada de um quilômetro com água nos joelhos.


Esse é o tipo de recordação que eu tenho da Gávea. E é o tipo de memória que eu quero que meus filhos também tenham.

Não há um rubro-negro hoje que não conheça a história do projeto vetado em 2007, não preciso repeti-la. Eu quero falar do sonho. Para muitos, o estádio rubro-negro é o Maracanã. Para mim não, ainda mais esse novo Maracanã, tantas vezes reformado, não tem a cara do Flamengo. Para mim, o estádio rubro-negro é a Gávea. Não é questão de construir um novo estádio, o estádio existe desde 1932. Sou sócio do clube e, sempre que vou lá, olho para aquela velha arquibancada branca e imagino a nossa casa. Uma casa com 20, 25 mil lugares, uma casa que pulse, que coloque medo no adversário que for nos enfrentar.


Momento melhor do que agora não existe. Prefiro não comparar a diretoria atual com outras anteriores, se uma é mais competente para isso ou não. Temos hoje eleições municipais no fim do ano, políticos possivelmente mais abertos a conversas sobre o assunto, mais propícios a aprovar projetos que signifiquem, para eles, votos. O problema da mobilidade urbana será bastante aliviado com a abertura para as Olimpíadas de três estações de metrô num raio de menos de um quilômetro de distância. Não podemos perder essa oportunidade de ter a nossa casa e conseguir guardar uma nova memória.



18 de abril de 2030. Aquele adolescente, hoje pai de um menino de 14 anos, leva seu filho para assistir uma partida sem muita importância no Estádio da Gávea, a casa rubro-negra...

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A Mística Rubro-Negra




Eduardo Zobaran



Irmãos rubro-negros,



a repercussão da contratação, da chegada e da recepção calorosa da torcida do Mengão ao Diego foi gigantesca.

Só o Flamengo consegue proporcionar tamanhas mobilização e atenção.

Questiona-se, na arco-íris, se o Diego seria merecedor de toda a euforia e loucura que invadiram a Gávea.

Minha resposta: não sei.

O que sei é que ele é um ótimo jogador e que, após sólida passagem pela Europa, veio para jogar e conquistar títulos e vitórias com a camisa do Mais Querido. Para mim, isso basta.

Para além do mero reconhecimento ao seu futebol, ou mesmo manifestação de uma carência de idolos, a recepção ao Diego foi, também, uma declaração de amor ao Clube de Regatas do Flamengo e um ato de exaltação à maior e melhor torcida do mundo: a Nação Rubro-Negra.

No mundo do futebol existem muitas torcidas apaixonadas; poucas que sejam dignas de menção; e nenhuma igual à torcida do Flamengo.

E isso se reflete em tudo que remete ao clube. Tudo no Flamengo ganha proporções imensuráveis.

E não é apenas porque a torcida do Flamengo é a maior, senão porque é, também, a mais fanática.

A capacidade de engajamento, inclusive dos torcedores de agremiações adversárias, em qualquer assunto que envolva o Flamengo, de fazer de uma simples contratação um evento de interesse nacional, de passar mais de uma semana monopolizando os debates esportivos, de gerar em parcela da imprensa a necessidade incontrolável de discutir até mesmo a saúde e a responsabilidade financeira do clube, enquanto outros clubes, ou melhor, quase todos os outros clubes, têm aumentado substancialmente suas dívidas, é somente uma demonstração da força popular e midiática do Flamengo.

A grandeza do Flamengo, como dizia Mário Filho, assusta.

Imaginem quem pretenda investir em futebol, quem pretenda associar seu nome e sua marca a um clube de futebol.

Pois o Flamengo e a contratação do Diego têm sido assunto há pelo menos dez dias.

Na quarta-feira, a chegada dele foi transmitida em tempo real.

A sua entrevista, na Gávea, acompanhada por uma multidão dentro da sala, fora dela e na entrada do clube, também foi transmitida em tempo real por diversos veículos.

Todos os jornais e mídias - impressos, televisivos, virtuais, radiofônicos - mencionaram o fato.

O Diego mostrou-se entusiasmado e emocionado com a torcida rubro-negra, levando toda sua família - seus pais, sua esposa e os seus filhos, Davi e Matteo - para a apresentação oficial na Gávea, o que abrilhantou e tornou ainda mais especial a ocasião.

E se a torcida do Flamengo já justificaria o investimento - pelo seu tamanho descomunal, por ser a única de abrangência nacional, por ser a maior em todos os segmentos sociais e por ser considerada, no Brasil, a de maior fidelização aos parceiros comerciais do clube - que dirá atualmente, quando, além de ser o de maior torcida e tradição, o Flamengo também é o mais ético e correto.

O excelente trabalho da diretoria nas finanças, no jurídico, na administração e na comunicação, aliado à tradição e força do Mengo, começa a produzir frutos.


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Aliás, o trabalho da comunicação do Flamengo merece um capítulo à parte: simplesmente excepcional. Tudo feito com muito esmero, cuidado e carinho. Com criatividade e competência, fizeram um trabalho exemplar. Parabéns a todos os envolvidos!

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Gilvan de Souza


O elenco do Flamengo vai encorpando cada vez mais, apresentando-se em condições de brigar pelas primeiras posições tanto do Campeonato Brasileiro como da Copa Sul-Americana.

Fica, contudo, o alerta: se o Flamengo, simplesmente por ser o Flamengo, já inspira esforço redobrado nos adversários, a chegada do Diego, da forma como ocorreu, potencializará isso.

Dito isso, a festa foi maravilhosa, a esperança é grande e todos ansiamos por ver o Mengo com força máxima em campo, mas na próxima segunda-feira, em Cariacica, o Flamengo terá desafio fundamental para as suas pretensões no Campeonato Brasileiro.

Ninguém ganha nada de véspera.

Então, mantenhamos o foco e a vontade.

É importante, ainda, frisar que, no caso do Flamengo, de nada adianta um elenco qualificado se não houver a simbiose entre time e torcida, entre time e clube.

Para a grande maioria dos clubes, basta o comportamento profissional e o cuidado com o horário e a postura.

Para o Flamengo, só isso não serve.

Para o Flamengo, o ordinário não é suficiente.

O Flamengo só se contenta com o especial, com o diferenciado, com o intenso e o apaixonante.

Portanto, que, junto da vinda do Diego, da qualificação do elenco e da melhora na estrutura, se forme uma cultura realmente rubro-negra no elenco e no departamento de futebol do Flamengo.

A torcida mandou uma mensagem bastante assertiva na quarta-feira passada.

Está na hora dessa mensagem ser ouvida.



Eduardo Zobaran



https://youtu.be/IuJRV1enHoI

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Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A contratação de parar aeroporto

(Foto: Pedro Ainbinder/@iFlamengoNews)
E o Flamengo finalmente conseguiu sua contratação "top" de 2016. Diego Ribas, um jogador de prestígio no futebol brasileiro, contratado diretamente da Europa. De poucas críticas quanto às qualidades futebolísticas e a importância relativa que dará ao elenco e a Instituição Flamengo.

O Flamengo assim reforça as luzes da preocupação de diversos segmentos da imprensa esportiva brasileira, acostumadas a lidar com a imagem do clube do jeito que se apresentava até 2012. Com a recuperação econômica, administrativa e jurídica iniciada com a eleição dos elementos que idealizaram um princípio de governança em que foram apoiados por determinados grupos de associados e mesmo parte da torcida, o Flamengo iniciou este processo, às duras penas, sofrendo críticas diversas, incompreensões de todo tipo, que acabaram por causar dissenções e separações não só entre os grupos que o começaram, como em segmentos da oposição a isto, que não captaram o desejo de mudança e o novo espírito do tempo.

O fato é que, hoje, em 2016, o Flamengo partiu pro mercado contratando atletas de qualidade, reforçando o elenco como poucos, culminando com a contratação do Diego Ribas. E partiu pro mercado com a responsabilidade de manter as contas em dia, de zelar pelo patrimônio ético adquirido nestes anos, sendo um raro exemplo de sustentabilidade econômica entre os times brasileiros conforme ilustra o ótimo post de Emerson Gonçalves, no blog "Olhar Crônico Esportivo" intitulado "Flamengo a caminho de um ano histórico fora de campo".

O Flamengo administrativamente está no caminho certo. Hoje pode-se dizer que isto é motivo de orgulho sim para seus torcedores que sofreram por anos seu clube ser chamado de falido, que não pagava ninguém. Mas, evidente que para o Flamengo, sendo uma instituição esportiva, seu sucesso é determinado pelos resultados esportivos que alcança. E estes, no futebol, ainda não são bons. São ruins. Mas será que 2016, apesar de seu começo fatídico com troca de treinador experiente por um inexperiente, eliminações precoces para times de segunda e terceira linha, pode se transformar em algo realmente positivo?

Será que com este elenco reforçado, melhor estrutura que já tivemos para treinar e se recuperar, apoio da Diretoria, da torcida, etc, não conseguiremos nosso tão almejado título brasileiro? Nossa vaga na Libertadores?

Podemos. O Flamengo está mais forte. Contratações de  Diego Ribas, Leandro Damião, Mancuello, Arão, Cuellar, Rever, Juan, Rodinei, etc são de peso. São bons a ótimos reforços para um campeonato brasileiro. E ainda temos um atacante ímpar como Guerrero, destaque internacional. 

Nós podemos! 

Agora, se a comissão técnica atual está à altura do que está sendo apresentada para ela, isto tenho sérias dúvidas.



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