terça-feira, 11 de agosto de 2020

Checkpoint Brasileirão

Olá Buteco, bem vindos!

Pela primeira vez em muito tempo, entramos no Campeonato Brasileiro como o grande favorito ao título da competição. Isso deve ser encarado de forma natural, pois conquistamos esse respeito com a reestruturação econômico-financeira do clube e com as taças conquistadas no Ano Mágico de 2019. Por outro lado, há de se ter muito cuidado com as armadilhas que advém do "pacote favoritismo" e a maior de todas é acreditar que o octacampeonato está ganho antes mesmo de começar.

Futebol é traiçoeiro! Essa é uma das primeiras frases que qualquer moleque ouve assim que começa a acompanhar, mais fortemente, o seu time do coração e a História do Futebol mostra um número impressionantemente alto de exemplos em que os favoritos ficaram pelo caminho, em qualquer torneio que se deseje olhar, independente de formato. 

No futebol, não se ganha nada de véspera! Por melhor que seja o elenco do Flamengo hoje, é emblemática a jogada do gol de empate na Libertadores do ano passado: aos 43 minutos do segundo tempo, em uma partida de grande desgaste físico, Diego dá um carrinho para interceptar passe de Pratto, mas a bola volta para o argentino. Diego insiste na marcação, Pratto fica apertado e Arrascaeta, com outro carrinho, lhe rouba a bola. Ele avança de nosso próprio campo de defesa, aciona Bruno Henrique e, alguns segundos depois, estará entrando na área do River para, com mais um carrinho, fazer a assistência que permitirá a Gabigol marcar o gol de empate. Um time esplêndido, com talento ímpar e uma ânsia pela vitória que não permitiria outro resultado. Um gol à Flamengo!

Após a derrota para o Atlético Mineiro na estreia do Brasileirão, esse seria o meu lance escolhido para abrir a semana de trabalhos. Relembrar que, mesmo para um time histórico e vencedor como esse, a trajetória não foi fácil. Nunca é. Nunca será. Ninguém dá nada de graça! 

Isto posto, ferimentos leves. O calendário do futebol brasileiro já é complexo normalmente. Agora, então, não dá tempo nem para ficar se lamentando. Temos dois jogos fora de casa, amanhã e sábado para tentar melhorar nossa posição na tabela e ir pegando ritmo de jogo. Na outra semana, fechamos esse primeiro bloco de 5 jogos em casa contra Grêmio e Botafogo, jogos tão difíceis quanto foi esse de domingo, não se enganem.

***

Checkpoint Brasileirão

Para os novos Butequeiros, explico a dinâmica da série Checkpoint Brasileirão: fizemos um levantamento estatístico dos campeões brasileiros em pontos corridos e dividimos o campeonato em 7 blocos de 5 rodadas, até a rodada 35. Estimamos então uma pontuação que, nessa altura do campeonato, nos permita disputar o título, pontuando o que for preciso nas últimas 3 rodadas, o que chamamos de Sprint Final. Vamos lá!

A média história dos campeões brasileiros em pontos corridos era de 76 pontos até 2018. No estudo feito para o Checkpoint 2019, concluímos que a pontuação para título, a partir de então, tenderia a aumentar, uma vez que existia uma diferença bem maior que a habitual entre os postulantes ao título - Flamengo e Palmeiras - e os demais. Realmente, a nossa campanha foi fora da curva, inclusive batendo o recorde da competição com 20 clubes. No entanto, é relevante lembrar que não só o Palmeiras como o Santos de Sampaoli (que acabou na 2ª posição) também conseguiram pontuações superiores aos vices-campeões anteriores, ambos com 74 pontos. 

Para este ano, com a pandemia e a necessidade de acumular sequências praticamente ininterruptas de jogos quarta/domingo para os times que disputam Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil (geralmente os mesmos que brigam pelos títulos da temporada), está bem mais difícil saber se as pontuações dos líderes continuarão convergindo para cima da média histórica. Talvez sim, uma vez que um dos postulantes ao título - o Atlético de Sampaoli - não tem outra competição a disputar, gerando uma vantagem em relação à administração do calendário.

Por via das dúvidas, manteremos a mesma pontuação planejada para o ano passado: 77 pontos na rodada 35, o que nos permite chegar a 86 no Sprint Final, ao recebermos Corinthians e Inter no Maracanã e encerrarmos contra o São Paulo no Morumbi. Na média, precisamos conquistar 11 pontos a cada 5 jogos.

Bloco 1: Atlético MG (c), Atlético GO e Coritiba (f), Grêmio e Botafogo (c). Médio.

Bloco 2: Santos e Bahia (f), Fortaleza (c), Fluminense (n) e Ceará (f). Médio.

Bloco 3: Goiás (c), Palmeiras (f), Athlético PR e Sport (c) e Vasco (n).  Médio.

Bloco 4: Bragantino (c), Corinthians e Inter (f), São Paulo (c) e Atlético MG (f). Difícil.  

Bloco 5: Atlético GO e Coritiba (c), Grêmio e Botafogo (f) e Santos (c). Médio.

Bloco 6: Bahia (c), Fortaleza (f), Fluminense (n), Ceará (c) e Goiás (f). Fácil.

Bloco 7: Palmeiras (c), Athlético PR e Sport (f), Vasco (n) e Bragantino (f). Médio.

Sprint Final: Corinthians e Inter (c), São Paulo (f). Difícil.

***

Análise do 1º Bloco

Em um cenário normal, este primeiro bloco de 5 jogos seria de dificuldade média: teríamos os confrontos com os times mais fortes em um Maracanã lotado e a sequência do trabalho do Mister. Agora, sem a Torcida, de técnico novo e já com uma derrota na estreia, o bloco ficou bastante difícil. Já baixei minhas expectativas e 8 pontos me satisfazem. O que não pode, de maneira alguma, é perder do Grêmio, na quarta-feira que vem, porque este é outro confronto direto. A meta, nesse primeiro bloco, deve ser não se distanciar dos líderes. Com 8 pontos ao final da rodada 5, imagino que estaremos entre os 6 primeiros. Para efeito de comparação, ano passado terminamos a 5ª rodada com 7 pontos, na 9ª posição.

Os clássicos são sempre decisivos. Se há alguma desvantagem motivacional ao jogarmos 6 clássicos (porque os rivais vêm sempre babando contra nós, equilibrando a desvantagem existente entre os elencos), há a vantagem de disputarmos 3 jogos a mais em casa, mesmo que ultimamente o Botafogo tenha escolhido o Engenhão quando tem o mando. Ano passado, conseguimos a marca expressiva de 14 pontos em 18 possíveis. Uma bobeada nesses jogos pode ser fatal, porque na fase em que se encontram, nossos rivais regionais não costumam tirar pontos dos outros postulantes ao título. Em 2019, Santos ganhou 5 jogos e empatou 1 (Fluminense, no Maracanã). Palmeiras ganhou 4, empatou 1 e perdeu 1 (Fluminense também, rodada 35 no Rio).

A temporada recomeçou e os desafios virão em sequência. Daqui a pouco recomeçam também a Libertadores e a Copa do Brasil. Temos elenco para disputar tudo e fazer bonito novamente. É refletir sobre o que deu errado na derrota de domingo, levantar a cabeça e voltar a ganhar os jogos na Raça e no Manto, como fizemos em várias situações desfavoráveis no ano passado, enquanto vamos assimilando a nova filosofia de trabalho. Depois, o céu é o limite!

Saudações RubroNegras!

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Pela Volta do Foco

Salve, Buteco! Hoje vou direto ao ponto: o Flamengo pós-pandemia não é o mesmo que encantou o Brasil, a América do Sul e o Mundo em 2019 e mesmo em 2020, até a paralisação das competições. Nos posts que escrevi durante o Estadual, ressaltei que o time parecia ter descido do "outro patamar", aparentando ter menos intensidade dentro de um volume de jogo grande, mas improdutivo; um time que finaliza bem menos do que antes e cria menos oportunidades claras de gol; que parece que vai engrenar a qualquer momento, mas têm esbarrado nas defesas adversárias; um time que lembra o velho arame-liso, talvez com trio elétrico, suspensão ativa e rodas de liga leve; enfim, um Flamengo frustrante, visivelmente abaixo daquele que nos deixou mal acostumados. Só que ontem desci um patamar além da frustração e cheguei à zona do aborrecimento. Acidentes acontecem, todos sabemos, e os atletas, como seres humanos, não são infalíveis. Difícil, porém, é lidar com a sensação de acomodação e falta de foco. Se vocês acham que eu estou falando de Filipe Luís, não estão equivocados, porém acho que isso aqui foi bem pior do que o gol-contra marcado pelo nosso estimado lateral esquerdo:

Nosso ex-centroavante Bujica, neste tuíte, resumiu bem com uma palavra o que aconteceu no lance: displicência. Para piorar, o uruguaio De Arrascaeta, sumido dentro de campo desde a volta da pandemia, tratou de desperdiçar a outra chance claríssima de gol que poderia ao menos ter evitado a derrota. Aliás, três jogadores me parecem bem abaixo do que rendiam anteriormente: Everton Ribeiro, De Arrascaeta e Bruno Henrique. A queda de rendimento dos dois primeiros talvez ajude a explicar o momento que o time vive e a sensação de que está jogando em algumas rotações abaixo do normal. O capitão, por sinal, não deve ter ganhado uma disputa individual desde a volta do futebol.

Dome tem por desafio recuperar o meio de campo. Como disse no post da semana passada, a Diretoria deve ficar de olhos abertos não só para a lateral direita reserva, como também para o meio de campo nesse elenco. Éverton Ribeiro e De Arrascaeta não se notabilizam pelo vigor físico e o reserva, Diego Ribas, é veterano em claro processo de declínio atlético. Sem a recuperação especialmente dos dois primeiros, dificilmente a formação titular voltará a colher os mesmos resultados de antes. 

***

Na primeira etapa, o time me pareceu melhor do que no Estadual, porém ontem o sarrafo foi bem mais alto, talvez acima até mesmo do que a média que o time enfrentará durante o campeonato. Gostei bastante do jogo nos primeiros 45 minutos. Foi um senhor duelo de desenhos táticos e pressão na saída de bola, estratégia exercida por ambas as equipes. Inclusive tudo indica que, com Dome, seu uso será intensificado, ideia que me soa excelente, dado o nível dos adversários nacionais. Nesse interessante duelo tático, não só pela obrigação de buscar o resultado após o gol-contra de Filipe Luís, o Flamengo teve mais volume e oportunidades de gol, todas desperdiçadas. A sensação, quando o time desceu para o intervalo, é que a virada seria questão de tempo na etapa final, tanto que, antes disso, levou Sampaoli a, com uma substituição, desfazer a linha de três zagueiros ainda com a bola rolando.

Contudo, o Galo voltou melhor do intervalo e nenhuma das substituições conseguiu mudar o cenário, o que, sem prejuízo do trabalho do ótimo treinador argentino, pode também ser fruto do maior ritmo de jogo de sua equipe, em razão dos jogos recentes pelo Campeonato Mineiro, notadamente as semifinais. O Flamengo chegou a planejar um torneio em Brasília para tentar contornar o problema, porém a saída de Jorge Jesus e a necessidade de cuidar de sua sucessão acabaram por inviabilizar a ideia. Sempre muito elegante com o Mais Querido, o treinador argentino ressaltou o nível da equipe e que se tratou de um jogo isolado, que, digo eu, não pode e não deve propiciar juízos de valor catastróficos e desconectados com o passado recente do multi-campeão brasileiro e sul-americano, porém também não pode nos fazer fechar os olhos para o que está acontecendo.

***

Nesta entrevista concedida para a FlaTV, ao ser indagado sobre as principais metas e objetivos para o início de trabalho, Dome deixou claro (a partir dos 15'16") que o seu maior desafio é não deixar o time se acomodar, justamente por haver vários exemplos de equipes que conquistaram grandes títulos encontrarem dificuldades para se manter motivadas. Os primeiros 45' do jogo de ontem mostram que o problema não é técnico nem tático; pode também ser físico, mas sem dúvida envolve foco e motivação. Não se trata de nenhum bicho de sete cabeças, mas a reação precisa ser imediata.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 9 de agosto de 2020

Flamengo x Atlético/MG

Campeonato Brasileiro/2020 - Série A - 1ª Rodada

Domingo, 9 de Agosto de 2019, as 16:00h (USA ET 15:00h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGO: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Léo Pereira e FilipLuís; Willian Arão; Éverton Ribeiro, Gérson e De Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol. Técnico: Domènec Torrent.

Atlético/MG: Rafael; Gabriel, Júnior Alonso e Ígor Rabello; Guga, Allan, Alan Franco, Nathan e Guilherme Arana; Marquinhos e Savarino. Técnico: Jorge Sampaoli.

Arbitragem: Raphael Claus (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Daniel Paulo Ziolli (SP) e Anderson José de Moraes Coelho (SP). Quarto Árbitro Rafael Martins de Sá (RJ). Analista de Campo: Edílson Soares da Silva (RJ). Árbitro de Vídeo (VAR): Thiago Duarte Peixoto (SP). Assistentes VAR 1 e 2: Vinicius Furlan (SP) e Enderson Emanoel Turbiani da Silva (SP). Observador de VAR: Nilson de Souza Monção (SP).

Transmissão: SporTVPremierePremiere Play e PFCI (sistema pay-per-view, aplicativo e internacional).





sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Espiando a vizinhança

 SRN, Buteco. 


Nesse intervalo de tempo entre a final do campeonato carioca e o inicio do campeonato brasileiro,  tivemos tempo pra observar e assistir aos futuros  adversários. 

Começando pelos paulistas, assisti ao primeiro jogo após a parada da pandemia, Corinthians x Palmeiras, e resolvi desconsiderar pelo fato de estarem a muito tempo sem jogar se prepararam pouco...

Porém essa semana o confronto se repetiu, e o nível de futebol apresentado foi tão ruim que o comentarista da tv que transmitiu chegou a implorar pro jogo acabar.

O São Paulo tem alguns valores individuais, mas aposta no embuste Fernando Diniz. Conseguiram perder pra um time que foi montado na véspera do jogo e isso já mostra como deve ser o campeonato pra eles.

Santos luta contra a extinção, assim como os três patetas do RJ.

O Internacional tem Rodrigo Caetano e o torcedor acha que Guerrero é decisivo. Vai ser engraçado de assistir. 

Atlético Paranaense meio que estagnou tecnicamente , não deve almejar grande coisa além de vaga na Libertadores. 

Restam Grêmio e Atlético-MG. O time do Rio Grande do Sul continua o bom trabalho,  porém Renato Gaúcho não consegue conter o seu ego gigantesco e já começa a vomitar bravatas, igualzinho ano passado. E ainda corre o risco de perder Everton Cebolinha, o que seria uma perda catastrófica. 

Já os mineiros contrataram Sampaoli e trouxeram bons reforços, e deve ser o principal concorrente a disputar o titulo com o Flamengo.

O resto? O resto participa.

Minha conclusão é que se o trabalho de Dome for no nível do JJ o Flamengo leva o campeonato com a mesma tranquilidade do ano passado. Caso haja algum percalço ou dificuldades, ainda continua favorito.

Que comecem os jogos.


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O Campeonato Brasileiro











Irmãos rubro-negros,



No próximo domingo, o Clube de Regatas do Flamengo iniciará sua campanha no Campeonato Brasileiro.

Muita expectativa e uma certa tendência na torcida de que o título do mais importante certame nacional está mais à feição do clube, dada a estrutura do departamento de futebol, o elenco e o técnico, Domènec Torrent.

No futebol, contudo, ninguém ganha de véspera. O Flamengo vai precisar suar muito a camisa rubro-negra para se impor diante dos adversários.

E teremos uma adversidade que pesa muito mais para nós que para os demais: a ausência de público nos estádios.

A torcida do Flamengo é um fator extremamente favorável ao nosso time, seja no Maracanã, seja como visitante.

Sem ela para empurrar a equipe, a camisa vermelha e preta precisará ser alçada e ajudar os jogadores a superarem as adversidades.

Nosso comandante, Domènec, ainda não terá tempo para mostrar seu trabalho na estreia do próximo domingo, mas o torcedor rubro-negro deposita muitas esperanças nele.

É com ele que o caminho de glórias do Mais Querido continuará a ser trilhado, quem sabe, salve São Judas Tadeu, um caminho ainda mais vitorioso.

Vamos em frente, amigos, com amor e fé, torcendo pelo nosso amado Mengo.



...




Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Página Virada - Como será o amanhã?




RESUMÃO DA COLUNA

1 - Introdução - Tô botando fé.

2 - Viagem no tempo - Parte 1 - Quem imaginou O Ano Mágico? E agora? Como será?

3 - Viagem no tempo - Parte 2 - Quais eram nossas expectativas há um ano? E agora?

4 - Vai ser difícil, mas podemos até melhorar.

5 - Jogo de Posição - A dificuldade de adaptação. Desafio pro Dome.

6 - Riscos existem (claro!), mas tô otimista e explico por quê.

..........
Tô botando fé

Domènec Torrent chegou ontem ao Rio, para substituir Jorge Jesus.

Desafio-Pedreira, inegavelmente.

Na qualidade de gato escaldado militante, não costumo ter posições otimistas, mas abro a coluna de hoje informando ao Buteco que estou confiante de que o amanhã rubro-negro será bom.

Com um pouco de sorte, mais do que bom.

..........
Viagem no tempo - Parte 1 - O potencial insuspeitado

Pra começar o papo, convido amigas e amigos do Buteco para uma viagem no tempo.

Viajemos para o começo de junho de 2019.

Com baixa aprovação perante a torcida rubro-negra, Abel Braga deixara o clube e o Flamengo acabara de contratar Jorge Jesus, fato que alimentava esperanças de dias melhores.

Em que medida seriam melhores os dias que estavam por vir?

Você foi capaz de imaginar que no fim de novembro, menos de seis meses depois, o Flamengo estaria conquistando a Copa Libertadores da América (jejum de 38 anos) e o Campeonato Brasileiro (jejum de 10 anos)?

Conseguiu prever que, sob o comando do novo treinador, o Flamengo se transformaria numa máquina de vitórias capaz de conquistar 81,2% dos pontos disputados em 57 partidas (incluídas as disputadas em 2020, ainda com Jorge Jesus de técnico)?

Passou pela sua cabeça que, liderada pelo Mister, essa máquina jogaria 34 partidas no Maracanã, venceria 30, empataria 4 e terminaria esse conjunto de jogos em casa com incríveis 92,1% de aproveitamento?

Quantos de nós fomos capazes de sonhar com o Ano Mágico que, naquele início de junho do ano passado, estava começando a acontecer?

Neste início de agosto de 2020 estamos, de novo, diante de um momento assim.

Jesus voltou pra Portugal e o Flamengo acaba de contratar um novo treinador.

Que Flamengo nós teremos sob o comando de Domènec Torrent?

Como será o amanhã?

..........
Viagem no tempo - Parte 2 - Visita a um post do Gustavo de 01/07/2019

Pra recuperar a lembrança de quais eram as nossas expectativas naquele começo de trabalho do Mister, fiz uma visita a um post do Gustavo (“No desembalo da Copa América”), o primeiro publicado após o histórico jogo-treino que nos apresentou ao trabalho de campo e ao estilo pessoal do Mister, incluindo o célebre grito “Tá mal, Arão”.

No post, Gustavo fez considerações sobre o jogo-treino e falou da Copa América, que “se arrastava de maneira deprimente” e – agora sou eu que digo – atrasava nossos planos de contratar o Filipe Luiz.

O post ferveu, teve mais de dois mil comentários, mas pouquíssimos revelavam otimismo que se aproximasse da feliz perspectiva que o futuro nos reservava.

Estávamos mais preocupados em questionar se o Gerson viria mesmo para o Flamengo e, caso viesse, se seria uma solução ou um mico (lembrando-me do Gerson dos tempos de Fluminense, eu me incluía entre os que achavam que o risco de mico era grande). Pausa para um kkkkk.

Muitas eram as reclamações sobre a lentidão da diretoria em contratar novos reforços naquela janela (só Rafinha havia chegado), rolavam interrogações sobre o desfecho da novela Filipe Luiz e havia dúvidas sobre o que, de fato, Gabigol poderia produzir no Flamengo. Mais uma pausa: kkkkk.

Alimentava-se, aí com maior empolgação dos butequeiros, a expectativa de que o Flamengo conseguisse comprar 50% dos direitos do Pedro, diretamente ao Fluminense.

O tricolor não aceitou a proposta, Pedro foi para a Europa e acabou vindo para o Flamengo, meses depois, em condições muito mais vantajosas para o nosso clube (empréstimo inicial e preço do passe fixado em valor mais baixo do que o atribuído ao jogador quando da proposta direta feita ao Fluminense). Outra pausa: kkkkkkkk.

Havia uma discreta predisposição ao otimismo, por conta de algumas intervenções iniciais do Mister que mostravam que as coisas estavam começando a mudar no futebol profissional do clube (treinos em dois turnos, todos almoçando juntos, treinos aos domingos).

Naquele post, o único que, em comentário, falou em conquistarmos o Brasileirão e a Libertadores foi o Wesley Silas. Transcrevo:

“Ansioso pra ver o time titular com
Diego Alves
Rafinha, RC, Miranda e FL
Cuellar
ER, Trauco e Arrascaeta
BH e Gabigol/Pedro
Brasileirão e Libertadores ao alcance das mãos.”

O Wesley não acertou toda a escalação do time titular, porque tivemos Pablo Marí, Arão e Gerson nos lugares de Miranda, Cuellar e Trauco, mas mirou nas conquistas certas. Ganhamos o Brasileirão e a Libertadores.

Veio 2020, continuamos conquistando tudo, mas Jorge Jesus resolveu voltar pra Portugal, decisão que lançou novas interrogações sobre o futuro do futebol rubro-negro.

Num primeiro momento, enquanto não se definia o nome do sucessor de Jorge Jesus, a pergunta que mais se fazia era: Como será o Flamengo pós-Mister?

Uma amostra do que poderia ser o time do Flamengo “sem Jorge Jesus” foi apresentada na sequência dos três Fla-Flus que decidiram o estadual de 2020.

Digo “sem Jorge Jesus” porque, naqueles três jogos, o corpo e o intelecto do treinador ainda estavam à beira do campo, mas a alma e o coração do grande líder já tinham partido pra Portugal.

E o time sentiu o tranco, apresentando vibração, ritmo e futebol muito inferiores àqueles a que estávamos acostumados.

Apesar disso, na viagem de volta para os dias atuais, ao analisar os comentários ao novo post do Gustavo (“Benvingut, Dome”), publicado ontem, percebi os frequentadores do Buteco bem mais otimistas do que na época da chegada de Jorge Jesus, ainda que justificadamente preocupados com as dificuldades que Dome terá que enfrentar.

De minha parte, considerado o histórico do nosso novo técnico e o patamar alcançado pelo Flamengo, acho que temos razão em sermos otimistas.

..........
Não vai ser fácil, mas sonhar não custa nada

Domènec Torrent terá pela frente um enorme desafio, maior do que o de simplesmente treinar um clube gigante, que é apoiado por uma apaixonada Nação formada por dezenas de milhões de torcedores.

Afinal, quando um profissional substitui outro que não tinha boa aprovação, tem seus desafios, mas também a vantagem de ser comparado com alguém que não estava agradando.

Nosso novo técnico vai substituir aquele que foi, nesses primeiros 125 anos de existência do clube, o maior treinador da história do Flamengo.

Não é pouca coisa.

É certo que Torrent encontrará, no Flamengo, uma ótima base de trabalho.

Clube organizado, melhor elenco do futebol brasileiro atual e um dos melhores da América do Sul, jogadores muito comprometidos com a busca de conquistas e herdeiros do repertório tático vencedor implantado por Jorge Jesus e sua “comissão de portugas”.

Mas Torrent pode encontrar, também, expectativas exageradas e o risco de enfrentar, prematuramente, impaciência e intolerância, se não conseguir manter o time num patamar de competitividade suficiente para brigar, desde o início das competições, pelos títulos importantes que o Flamengo vai disputar.

Com Torrent, uma hipótese não descartável é de que passemos a ver, pelo menos por algum tempo, um Flamengo mais “normal”, mais comum, não massacrante como foi o de Jorge Jesus.

Se isso acontecer, é claro que vamos estranhar e sentir falta daquela mágica que reinou no futebol do Flamengo, no segundo semestre de 2019 e no primeiro trimestre de 2020.

Mas, sabe-se lá, e se nosso novo técnico acertar a mão e enriquecer o repertório do time com soluções táticas capazes de torná-lo ainda mais forte?

É sonho?

Talvez, mas sou adepto daquele grande samba da Mocidade Independente de Padre Miguel: Sonhar não custa nada.

Tô sonhando alto, sem medo de ser ainda mais feliz.

..........
Jogo de Posição?

Domènec Torrent é apontado como alguém que valoriza e investe num método de trabalho disciplinado e, creio, vai encontrar campo fértil para desenvolvê-lo no Flamengo.

Este pode ser considerado um bom legado do Mister.

Jorge Jesus tem método, é obsessivo nisto e, pelas vitórias e títulos que conseguiu com o atual elenco do Flamengo, certamente deixou nossos jogadores convencidos de que vale a pena investir em treinamento tático e em disciplina de movimentações, sempre a serviço de um jogo de marcação adiantada, posse de bola e manobras ensaiadas para criação de oportunidades de gol.

Essas características gerais também fazem parte do modelo usado por Torrent e por seu mentor Pep Guardiola, mas quando descemos ao detalhe de como o time deve agir para alcançar essas condições de jogo (marcação adiantada, posse de bola e manobras ensaiadas para criação de oportunidades de gol), o método do novo treinador se distancia do adotado por Jorge Jesus.

E é neste ponto que se evidencia uma importante dificuldade a ser enfrentada por Dome e sua comissão técnica e pelo elenco.

Por melhor que seja o novo método, o tal “Jogo de Posição” didaticamente descrito por Leonardo Miranda em artigo para o site “ge.globo” (“Entenda o Jogo de Posição, filosofia de Domènec Torrent...”), e por maiores que sejam as qualificações do elenco, haverá um período de adaptação em que o time poderá render menos.

Como agravante para essa dificuldade de adaptação, o calendário do time será insano, com pouquíssimo tempo para treinos.

Conseguirá Domènec Torrent adotar, inicialmente, algum modelo híbrido que proporcione um bom padrão de desempenho nos primeiros jogos para que, aos poucos, o time possa ajustar-se ao seu modelo?

Haverá paciência e confiança de torcedores, dirigentes e elenco para atravessarem com serenidade uma eventual queda de rendimento nos primeiros jogos?

..........
Gato escaldado otimista?

É óbvio que, considerado o cenário de dificuldades acima descrito e a troca emergencial de técnico imposta pela saída de Jorge Jesus, temos que incluir, no rol das hipóteses possíveis, a de que Domènec nos decepcione.

Sim, isto pode acontecer, mas o gato escaldado aqui, de hábito ressabiado com o futuro, está otimista.

Não espero um Flamengo massacrante como foi o do Mister, mas espero um time arrumado, competitivo e capaz de preservar nível de futebol suficiente para brigar pelos títulos que passará a disputar em breve.

Não há certezas em futebol, mas há, sim, alguma lógica.

O Flamengo tem um elenco qualificado, não apenas tecnicamente, mas também pela inteligência tática e pelo profissionalismo de seus integrantes.

Tem condições de vanguarda em termos de infraestrutura e de suporte às atividades do Departamento de Futebol.

E tem dirigentes que se mostraram muito capazes na lida com os desafios que o clube tem enfrentado.

Essas qualificações podem ser insuficientes para novas conquistas?

Claro que podem.

Como disse o Thomas, em comentário ao post do Leandro de 28/07:

“Risco sempre haverá depois do JJ – afinal, tudo deu certo no ano passado.”

É isso mesmo.

Riscos sempre existem e sempre existirão, mas nossos adversários também estão sujeitos a eles e ao cenário difícil das competições que se aproximam.

Domènec Torrent é, hoje, um de nossos principais riscos, porque não há como adivinharmos que desempenho terá, mas, levadas em conta a necessidade de uma contratação relâmpago e as outras reais opções que o Flamengo poderia ter (não vale incluir entre as opções os profissionais inalcançáveis no momento), parece uma aposta com boa chance de dar certo.

Por tudo isso, pesados os nossos riscos e a força que o Flamengo desenvolveu, minha expectativa é positiva.

Espero que o amanhã me dê razão.

SRN.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Benvingut, Dome!

Salutació, Butèc! Bona setmana a tothom! Daqui a algumas horas o novo treinador do Mais Querido do Brasil desembarcará no Rio de Janeiro e iniciará a sua trajetória de ao menos 1 (um) ano e meio à frente do escrete campeão e supercampeão do Brasil e da América do Sul. Será o seu terceiro trabalho como principal treinador e o primeiro em uma equipe grande, pois antes dirigiu apenas o pequeno Girona e o New York City, da promissora, porém ainda aspirante a futebol de primeiro mundo Major Soccer League. Dome, como gosta de ser chamado, vem com as credenciais de ser o principal assistente de Pep Guardiola, por cerca de uma década, em clubes de primeira grandeza do primeiro mundo do futebol, dois deles verdadeiras legendas do esporte bretão, casos de Barcelona e Bayern de Munique, enquanto o outro, o Manchester City, é "apenas tradicional" na Inglaterra, porém se tornou uma verdadeira força emergente que atualmente disputa para ganhar todos os maiores títulos do país e do continente europeu.

Ser auxiliar é bem diferente de ser primeiro treinador? Claro que é, mas ser o principal auxiliar do treinador que está entre os dois melhores do mundo na última década, ao lado de Jürgen Klopp, não é pouca coisa, especialmente se era o braço-direito desse treinador, responsável inclusive por ministrar os treinamentos de campo a jogadores do naipe de Busquets, Xavi, Iniesta, Messi, Henry, Neuer, Kroos, Schweinsteiger, Lahm, Müller, Robben, Ribery, Lewandowsky e Kevin de Bruyne, dentre outros. Respeito quem pensa o contrário, mas é um tipo de experiência que vale muito mais do que o currículo de vários treinadores experientes, especialmente para um grupo como o Flamengo, que, no cenário Sul-Americano, é absolutamente estrelado e composto por jogadores que já estiveram ou aspiram jogar pelos gigantes europeus.

Ao lado de Pep, Dome viveu a glória absoluta no Barcelona de 2008/2012, como também os sérios questionamentos de grandes estrelas do elenco alemão pelas profundas mudanças táticas implementadas pelo inquieto e genial treinador espanhol sobre o que pode ter sido o maior Bayern desse século, dirigido por Jupp Heynckes. Esses questionamentos justificam, até hoje, o asterisco na vitoriosa passagem de Pep pelo Gigante da Baviera. Diante desse quadro, se perguntas sobre mudanças profundas no histórico e maravilhoso trabalho de Jorge Jesus são inevitáveis e até mesmo naturais, o temor por sua ocorrência a curto prazo me parece infundado, seja porque foi objeto de prévio debate com a Diretoria do Flamengo antes da assinatura do contrato, seja porque Dome já vivenciou de perto o risco desse tipo de mudança. Aliás, dizem, era justamente Dome, com sua personalidade racional e seu conhecimento enciclopédico sobre futebol, que muitas vezes freava o ímpeto do genial Pep Guardiola.

Enfim, treinador desse naipe dirigindo um elenco desse porte me tranquiliza, em vez de me deixar minimamente preocupado. Estou desconfiado é dos desafios do calendário. Enquanto escrevia essas linhas, especulava-se até mesmo sobre um adiamento da partida de estreia contra o Atlético/MG no Campeonato Brasileiro, em razão das finais do Campeonato Mineiro. Eventual adiamento poderia dar mais tempo para Dome trabalhar, mas ao mesmo tempo espremeria ainda mais um calendário que não dará fôlego a um elenco que tende a disputar para ganhar todos os títulos.

É que 2020 traz ainda o desafio único da classificação para a final da Copa Libertadores da América, que será disputada no Maracanã. Nada pode afastar o Flamengo de uma partida como essa, que, sem dúvida, será um marco singular na mais do que secular História do Mais Querido do Brasil. O presidente Landim andou falando em inviabilidade da contratação de reforços nesse momento. A lateral direita, em especial, e o meio campo são setores que precisam da atenção da nova comissão técnica, justamente em razão do intenso calendário e da inevitável necessidade de reposições por desgaste ou contusão. Será que a base tem condições de atender a demanda?

Dome certamente está feliz por enfrentar esses problemas, pois, a final de contas, quem está na chuva é pra se molhar, como diz o velho ditado da sabedoria popular brasileira.


Bom dia e SRN a tod@s.