sábado, 30 de abril de 2022

Alfarrábios do Melo

Jogando no sacrifício.

É daquelas partidas que ninguém quer perder. De treinador novo, o Flamengo vai exibindo uma atuação briosa, com uma disposição e espírito de luta que pareciam perdidos em alguma gaveta embolorada do tempo. Um de seus jogadores, o meia Lico, por pouco não é escalado, pois passara a semana às voltas com dores na virilha. Mas vai pro jogo assim mesmo. E é um dos que vão encharcando o Manto rubro-negro de suor, até ser substituído, já perto do final, pelo jovem ponta Edson, exaurido pelo cansaço e pelo incômodo na perna.

Lico ainda não sabe. Mas vai começar seu inferno.

No dia seguinte, ainda lhe martela a cabeça o gol perdido, que abriria dois gols de vantagem sobre o bom time do Palmeiras de Rubens Minelli. Sozinho, diante do gol, a bomba na trave. Não entrou, a bola puniu, amargo 1-1 no fim, aborrecendo um Maracanã lotado. A virilha também dói, talvez da lesão, talvez do esforço. Mas é uma dor fina, aguda, no joelho esquerdo, que lhe intriga. Não se recorda de qualquer pancada ou coisa do tipo. Provavelmente um pisão em falso, algum buraco. De qualquer forma, não parece grave.

Os dias passam, a virilha melhora, o joelho não. A dorzinha vira inchaço, o local intumesce e Lico mal consegue caminhar. O tratamento é convencional, bolsas de água quente, musculação, gelo. É vetado da viagem para a Bolívia, pela Libertadores. Também perde os primeiros jogos da fase seguinte do Brasileiro. O joelho segue sem reagir, nada parece funcionar. Sem alternativa, o clube decide: vai ter que operar.

As cirurgias no joelho praticadas no Brasil ainda são agressivas, invasivas e com um tempo de recuperação muito elevado, coisa de meses, talvez mais de ano. É um tempo de que Lico, já com mais de trinta primaveras, não pode dispor. Acaba-se decidindo por uma viagem aos Estados Unidos, para a realização de uma técnica relativamente nova, a artroscopia, em que a incisão no joelho é bem mais “limpa” e, por meio de um equipamento de vídeo, pode-se, inicialmente, investigar o problema e depois, se for o caso, intervir com a solução corretiva. Além de Lico, o volante Andrade, também com lesão semelhante, será submetido ao procedimento.

O Flamengo aproveita a oportunidade e envia um médico de seu Departamento, com o objetivo de trocar informações, apreender a técnica e adquirir “know-how”. A ideia é dispor de estrutura para, futuramente, realizar operações do tipo no Brasil, evitando problemas como a dificuldade no agendamento, os altos custos e inclusive o melindre da classe médica do país.

A operação de Lico é bem-sucedida. O jogador tem seus meniscos externos removidos. Três meses depois, está pronto para entrar em campo novamente.

Volta no Fla-Flu da Taça Guanabara, logo no início do Estadual. Apesar do 0-0 chocho, tem atuação elogiada e suporta os 90 minutos em campo. Consegue uma sequência de jogos, onde recebe a responsabilidade de atuar na posição de ninguém menos que Zico, que acabara de ser vendido para a Udinese. Não vai bem, junto com todo o time. Volta a ser deslocado para a ponta, seu jogo melhora, mas não resolve o crônico abatimento que infesta a equipe. Ao menos, parece inteiramente curado da contusão.

Até que vem o jogo com o Botafogo.

A fatídica derrota (0-3) derruba Treinador, Presidente e implode o ambiente interno da Gávea. Mas, como se não bastassem os inúmeros problemas de uma instituição em frangalhos, as incertezas e a estupefação com o fato de um time multicampeão, capaz de enfrentar qualquer equipe do planeta (semanas antes, fizera ótimo papel em um torneio na Itália, mesmo sem Zico), agora virar saco de pancadas, incapaz de derrotar times inexpressivos, Lico, atônito, sente novamente a dor fina, sibilante, traiçoeira, que brota de seu joelho. Não o operado, agora é o direito. De novo, não se lembra de nada anormal no jogo, talvez pelo calor do momento. Alguma entrada mais forte talvez, ou um movimento indevido. Questão é que a dor está aí, mais uma vez. Vai começar tudo de novo?

A depender do diagnóstico inicial, não. O veredito aponta para uma "lesão leve“, nada mais que uma tendinite. Lico chega a ser dúvida para a partida seguinte, mas é vetado. Fará tratamento mais acurado para ficar à disposição na Taça Rio. O que não é de todo ruim, pois as partidas finais do Flamengo na Taça Guanabara, repletas de vexames e goleadas sofridas, são a síntese de uma tempestade perfeita. Ficar de fora desse inferno não deixa de ser uma espécie de alívio.

O Flamengo renova seu elenco, traz uma baciada de reforços com o dinheiro da venda de Zico. Consegue uma “intertemporada” de alguns dias na Granja Comary, em Teresópolis. Nesse entretempo, o joelho direito de Lico desincha e o jogador é liberado para os treinamentos na serra. Participa com desenvoltura do primeiro coletivo. Nada sente.

Entretanto, no início do segundo treinamento, enquanto aquece, sente o dolorido assobio que já lhe é familiar. Chama o médico, que o examina e imediatamente o retira da atividade. Passa um pouco, lá está o joelho inchado qual uma bola. O Departamento Médico do Flamengo admite: serão necessários exames mais aprofundados.

E lá se vai Lico para os Estados Unidos.

No mesmo hospital da primeira cirurgia, o exame acusa: nada de tendinite. O joelho está com ligamentos rompidos, cartilagens lesionadas e partes dos meniscos comprometidas. Para acelerar a recuperação, a remoção dos meniscos é apenas parcial, sendo eliminado somente o tecido que está danificado.

Passam-se apenas 32 dias. De forma inacreditável, Lico volta a treinar com bola, após um período de recuperação atravessado com inabalável disciplina, fé e determinação. Está à disposição do treinador Cláudio Garcia para os jogos finais do Estadual. Retorna no jogo-extra que decide a Taça Rio contra o Bangu. Entra aos 20’ da segunda etapa e ajuda a segurar a bola e a vitória por 1-0 que coloca o Flamengo nas Finais. O campeonato não termina da melhor forma, mas ao menos Lico está pronto para a temporada seguinte, após esse 1983 tão conturbado e tumultuado.

Inicia bem o ano de 1984. A contratação do ponta João Paulo, destaque do Santos, não parece abalar-lhe as forças. Lico começa na reserva, mas não demora a barrar o forasteiro, com boas atuações e gols, como nos memoráveis 4-1 sobre o Santos, pela Libertadores. Segue atuando com frequência, até que o Flamengo viaja para a Colômbia, para enfrentar América de Cali e Junior Barranquilla pela Libertadores, no final de março.

O jogo em Cali é catimbado e violento. Nunes é expulso, após revidar uma agressão. Leandro apanha tanto que acaba substituído. E é o mesmo destino de Lico, que precisa sair após uma entrada dura no joelho direito, o mesmo recentemente operado.

O golpe no joelho assusta Lico, que com alívio percebe reunir condições de jogo para a partida seguinte, contra o Junior. Atua normalmente e tem atuação elogiada, a ponto da crônica criticar sua substituição no fim do jogo. Parece ter sido só um susto.

Mas, no dia seguinte, o joelho volta a inchar.

Lico ainda consegue, a muito custo e à base de infiltração, atuar no jogo de “vida ou morte” contra o Internacional no Maracanã, em que a vitória por 2-0 garante a continuidade do Flamengo no Brasileiro. Mas, talvez por conta do esforço e das dores, não consegue manter o nível de suas atuações. Depois do jogo, o inchaço reaparece, além da já conhecida dor, insistente e penetrante. Lico terá que, novamente, ser afastado para tratar do joelho.

Volta no returno da Terceira Fase do Brasileiro, num 0-0 contra o América. Faz bom jogo, chegando a sofrer um pênalti, que é desperdiçado por Tita. No descanso, “ouve” o já contumaz uivo fininho, que lhe invade as entranhas.

Segue-se uma rotina enjoativa e torturante. O Flamengo enfrenta uma sequência de jogos decisivos, reta final do Brasileiro, Semifinais da Libertadores. E lá está Lico, infiltrando, atuando, inchando, descansando, pondo gelo, urrando de dor, desinchando, infiltrando, atuando, inchando, doendo. Sofrendo.

A agonia vai até o início da Taça Guanabara. Após uma goleada sobre o Olaria no Maracanã (4-0), o joelho de Lico, como usual, torna a inchar. Farto, o jogador resolve acabar de vez com isso. Cogita parar de jogar. Mas, resignado, aceita mais uma pausa para a busca da “solução definitiva”.

E, num intervalo de um ano e meio, Lico opera o joelho pela terceira vez. A segunda no direito.

A lesão é surpreendentemente simples. A pancada em Cali havia feito fragmentos dos meniscos remanescentes se soltarem, causando dores e inflamação. Basta, portanto, remover o restante desses meniscos e o problema se resolve.

No entanto, desta vez a artroscopia é realizada no Brasil. O melhor profissional em atividade para esse tipo de intervenção ainda novo no país, é o médico do Fluminense e da Seleção Brasileira. Mas o Flamengo prestigia seu corpo médico, que julga apto para o procedimento, haja vista o conhecimento adquirido no exterior. Assim, em setembro de 1984, a cirurgia é levada a termo. Lico terá o restante do ano para se recuperar.

E assim acontece. Como das outras vezes, Lico demonstra notável espírito de luta e força de vontade, e em novembro já está treinando com bola. Zagalo, cauteloso, prefere contar com ele em janeiro, até para que a recuperação se dê de forma mais consistente, sem pressa. Esperançoso, o jogador dá entrevistas acreditando que, enfim, terá paz na sequência da carreira.

O Flamengo vai se preparando para a estreia no Brasileiro de 1985, contra o Atlético/MG, no Mineirão. Zagalo, apesar dos novos reforços, pretende utilizar Lico. O jogador passara as férias treinando e se condicionando. A recompensa vem na sua escalação como titular no coletivo que definirá o time que irá a campo domingo. Lico treina forte, treina duro, bota o pé e é destaque. Acaba o treino. Ao caminhar para o vestiário, o duro, ferino e sibilino golpe. O joelho direito acena-lhe com a sua já conhecida voz aguda e esganiçada. E se abre num edematoso globo da morte.

Lico está fora do jogo.

É o sinal derradeiro. Após procurar vários médicos, no Flamengo e em outros clubes, ouve de todos eles a mesma palavra, embrulhada em termos técnicos pomposos, expressões de efeito, sutis eufemismos que, no fundo, traduzem rigorosamente o mesmo significado. “Acabou”.

E assim, aos 33 anos, Lico encerra sua carreira de jogador de futebol.


sexta-feira, 29 de abril de 2022

Universidad Católica 2 x 3 Flamengo. Vitória intranquila.

Yahoo Imagens


E o Flamengo continua com sua dupla saga neste time do Paulo Sousa. Elenco precário e defesa insegura. Flamengo hoje ainda se salva por ter uma das melhores linhas de ataque do continente, o quarteto fantástico: Arraxca, Gabigol, Bruno Henrique e, vá lá, Everton Ribeiro. Tirando eles o Flamengo é um time hoje bem medíocre e diria muito desequilibrado. O técnico que o Departamento Amador de Futebol escolheu também não ajuda. Tática frágil, time sem pegada defensiva, transições defensivas bisonhas. E para piorar não temos elenco para suprir eventuais substituições de jogadores importantes na linha. E já estamos no fim de abril. Claro que nem tudo é culpa da comissão técnica. Um DM que demora uma infinidade para recuperar jogadores, e a própria dificuldade técnica de muitos de seus jogadores. Aparentemente falta pernas, treinamento e mesmo vontade de exercer a profissão da melhor forma possível.

Embora a "artilharia" do Flamengo estivesse funcionando bem ontem, com grande atuação de Bruno Henrique, enfim conseguindo escapar do "umbral do DM", o lado direito defensivo do Flamengo era uma ferida exposta a qual toda hora o Universidad vinha colocar o dedo e girar. E passamos 90 minutos sem que o dito técnico conseguisse uma solução tática para aliviar o problema, mostrando toda sua precariedade. 

E não satisfeito com a precariedade o Flamengo conseguiu a façanha de marcar todos os cinco gols da partida. Prós e contras. Mostrando que nem precisa do adversário para se autodestruir. Faz isto por conta própria.

Santos, escolhido o goleiro da Libertadores pelo Paulo Sousa, a rigor nem fez boas defesas. Só viu a bola passando seguidamente perto de seu gol a todo momento, com o Universidad com extrema facilidade de ir tocando a bola até a linha de fundo. Flamengo do Paulo Sousa não faz a chamada "Bola Coberta". Se limita a cercar o adversário até, se for o caso, entrar no próprio gol. Com o isto o adversário tem enorme facilidade de tabelar e chegar na nossa meta. Flamengo precisa ser mais incisivo na marcação, perseguir quem está com a bola. Do jeito que está o futuro de 2022 parece ser ainda pior que 2021. 

Enfim, ao menos venceu e o Flamengo está com 100% de aproveitamento até aqui nas Libertadores em três jogos. O que prova o nível baixo da competição pois o Flamengo hoje é um time bem medíocre. Infelizmente.

Flamengo precisa de reforços urgentes, tanto no campo como na comissão técnica. Inviável sonharmos com algo com um técnico que simplesmente é um néscio na parte defensiva. Como viúva de JJ aviso que ele está no Rio e assistirá o desfile das campeãs. Se quiserem pago o uber até o sambódromo para se encontrarem com ele. 


quinta-feira, 28 de abril de 2022

Universidad Católica x Flamengo

 

Copa Libertadores da América/2022 - Grupos H - 3ª Rodada

Quinta-Feira, 28 de Abril de 2022, as 19:00h (USA ET 18:00h), no 
Estádio San Carlos de Apoquindo, em Santiago, Chile.

Universidad Católica: Pérez; Rebolledo, Asta-Buruaga, Galani e Parot; Leiva, Gutiérrez e Orellana; Fuenzalida, Zampedri e Cuevas. Técnico: Rodrigo Valenzuela (Interino).

FLAMENGOSantosWilliaArãoPable Filipe LuísIsla, João Gomes, Thiago Maia e BrunHenriqueEvertoRibeiroDArrascaeta e Gabigol. Técnico: Paulo Sousa.


Arbitragem: José Argote (FVF/Venezuela), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Carlos López (FVF/Venezuela) e Tulio Moreno (FVF/Venezuela). Quarto Árbitro: Alexis Herrera (FVF/Venezuela). Assessor de Árbitros: Patricio Polic (FFC/Chile). Assessor de Vídeo: Juan Cardellino (AUF/Uruguai).

Transmissão: Facebook Watch (Internet)ESPN (TV por assinatura) e Star+ (Internet streaming).


terça-feira, 26 de abril de 2022

Checkpoint Brasileirão

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Olá Buteco, bom dia!

Após o extenuante jogo de quarta-feira, 0x0 contra o Palmeiras, minha grande preocupação era exatamente a recuperação e níveis de entrega para o jogo de sábado. Num passado recente, vimos um Flamengo muito similar a esse: sofre para empatar ou conseguir uma vitória magra em casa, tendo que jogar muito, e é presa fácil fora. Infelizmente, aconteceu novamente. 

As desculpas são as mais variadas possíveis, sendo a maior dela o inacreditável "é difícil jogar lá" (seria uma nova versão do "perder é normal"????), ainda que na rodada anterior o atual campeão tenha acabado de voltar do Paraná com a vitória, sem o seu melhor jogador. Aproveitando o tema do Mestre Melo da última sexta, sobre lendas que repousam no imaginário geral, fui buscar a estatística do Athletico Paranaense, em casa, contra os últimos 10 campeões brasileiros e deixo maiores análises para os amigos:

  • 2012 - Athletico jogou a 2ª divisão
  • 2013 - Athletico 2x2 Cruzeiro - 2ª rodada - Vila Olímpica do Boqueirão
  • 2014 - Athletico 2x3 Cruzeiro - 3ª rodada - Brasília
A partir da inauguração da Arena da Baixada:
  • 2015 - Athletico 1x4 Corinthians - 4ª rodada - Baixada
  • 2016 - Athletico 0x1 Palmeiras - 20ª rodada - Baixada
  • 2017 - Athletico 0x1 Corinthians - 33ª rodada - Baixada
  • 2018 - Athletico 1x3 Palmeiras - 4ª rodada - Baixada
  • 2019 - Athletico 0x2 Flamengo - 25ª rodada - Baixada
  • 2020 - Athletico 2x1 Flamengo - 32ª rodada - Baixada
  • 2021 - Athletico 0x1 Atlético MG - 32ª rodada - Baixada

***

Ganhar todas em casa e empatar fora! É a receita infalível para ser campeão brasileiro, certo? Errado! 19 vitórias = 57 pontos, com mais 19 empates levam a 76 pontos no total, insuficientes para fazer o campeão em 7 dos últimos 10 campeonatos. Essa projeção mostra quão prejudiciais (e ilusórios, para quem disputa o título) são os empates. Para ganhar o campeonato brasileiro, é necessário vencer em casa e fora, constantemente.

Nos últimos anos, a tendência para o campeonato brasileiro era acontecer algo similar aos campeonatos europeus: alguns poucos clubes se destacam em um patamar muito diferente dos demais, elevando a pontuação final do campeão. O ápice desse descolamento, nunca é demais lembrar, foi o iluminado Flamengo de 2019, com o recorde de 90 pontos, passando o trator em quem viesse pela frente. Para o campeonato deste ano, a tendência ainda se mantém. Ou seja, com menos de 80 pontos, as possibilidades de título se resumem a secar os principais adversários, durante as 38 rodadas. Dureza. 

Enfim, para título, a meta é conquistar 11 pontos a cada 5 rodadas. Assim, chegaríamos na rodada 35 com 77, podendo atingir 86 pontos no sprint final (últimos 3 jogos). Neste primeiro bloco, já fizemos 4 jogos e somamos apenas 5 pontos, o que reflete o mau momento do time. Porém, nem tudo está perdido: ganhando do Botafogo na rodada 5, vamos a 8 e ficaríamos a apenas 3 da meta. Se considerarmos que há reforços para engatar e, como bem vem frisando o Gustavo, precisamos sobreviver até a janela de transferências do meio do ano, o negócio é não desgarrar muito.

Após o jogo com o Botafogo, vejamos os desafios do Bloco 2:
  • Ceará x Flamengo, fim de semana;
  • Flamengo x Goiás, fim de semana;
  • Fluminense x Flamengo, fim de semana;
  • Flamengo x Fortaleza, fim de semana;
  • Bragantino x Flamengo, meio de semana.
Pra quem está jogando mal, não tem jogo fácil e se fizermos qualquer projeção com o que estamos jogando hoje, esquece. É para ficar em 5 ou 6 pontos mesmo. Em todo caso, esperamos que o time suba de produção e rápido, pois o campeonato de pontos corridos não perdoa um início muito ruim. 

***

Paradoxalmente, atualmente é menos difícil ser campeão da Libertadores. O cenário econômico na América do Sul vai de mal a pior e isso reflete nos times: nem os argentinos conseguem mais manter elencos fortes por muito tempo e os brasileiros acabam sendo as grandes forças da competição. 

É avançar em primeiro lugar do grupo e, a depender do sorteio, ter um caminho favorável até as semifinais quando, aí sim, o time precisará estar no ponto para enfrentar os adversários mais qualificados. Agora, se ficarmos em 2º do grupo e pegarmos uma pedreira já nas oitavas, a coisa pode complicar: os jogos dessa fase estão agendados para 29 de Junho e 6 de Julho, antes da 2ª janela de transferências. Daí a importância de ganhamos quinta-feira da Universidad Católica. 

Vamos ver se o time engrena. Também achei bizarra a inversão do Lázaro, para continuar com Marinho na esquerda, quando todo mundo queria ver o Marinho jogando pela direita. E com o acúmulo de fracassos na temporada, isso vai minando a confiança no trabalho que está sendo desenvolvido. Normal.

Mas é o Flamengo, não é? Já vimos times com muito menos qualidade que esse darem liga e partir para conquistas improváveis... Quem sabe não acontece novamente? 

Saudações RubroNegras!!!

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Viagens e Libertadores

 

Salve, Buteco! Na próxima quinta-feira, 24 de abril, chegaremos ao final da cavernosa sequência que se iniciou no domingo retrasado, contra o São Paulo, no Maracanã, confronto cuja dificuldade havia destacada neste post. Já o confronto contra a Universidad Católica em Santiago, no San Carlos de Apoquindo, marcará o fim dessa sequência e também do "primeiro turno" da fase de grupos. Se o Mais Querido vencer, atingirá 100% de aproveitamento e uma excelente posição para se classificar em primeiro lugar no Grupo H, pois só restará um jogo como visitante, contra o Talleres, em Córdoba, e as duas partidas finais no Maracanã, contra a própria Universidad Católica e o Sporting Cristal. E ficar em primeiro do grupo, na teoria, traz pequenas vantagens como ficar no pote dos primeiros colocados e jogar a segunda partida das oitavas de final em casa (com mando de campo).

Quanto ao próximo oponente, depois que publiquei neste post sobre os adversários do Grupo H, a Católica engrenou quatro vitórias seguidas e deu a impressão que havia engrenado e começava a retomar a fase do segundo semestre de 2021. A perda do título da Supercopa do Chile para o Colo Colo (0x2) e o empate em casa contra o Cobreloa (2x2) intermediaram nova sequência de três vitórias pelo Campeonato Chileno e tudo parecia que continuaria a caminhar bem, até que sobreveio uma surpreendente sequência de cinco derrotas seguidas pela mesma competição, e mais outra sequência de apenas duas vitórias em cinco jogos, entre a Libertadores e o nacional, o que levou à demissão do treinador Christian Paulucci, após a derradeira derrota para o Huachipato, fora de casa (0x1).

Ontem, pelo Campeonato Chileno, no clássico contra o Colo Colo, a equipe foi dirigida interinamente por Rodrigo Valenzuela e demonstrou alguns sinais de reação, comandando o placar aberto logo aos 5 minutos até o último minuto do tempo regulamentar, quando sofreu o gol de empate. O jogo contra o Sporting Cristal passou a impressão de um time extremamente fragilizado para quem assistiu, mas realmente não dá pra saber até que ponto o degaste com o treinador demitido influiu no rendimento.

Quinta-feira espero ver um time 100% focado na vitória, visando a quebra do tabu no San Carlos de Apoquindo, e escalado de acordo com que há de melhor no elenco, tendo por referência as melhores atuações do time na temporada, até aqui. 


Espero que não seja pedir muito.

***

O jogo do último sábado iniciou uma maratona de viagens, tendo apenas um jogo no Rio de Janeiro. Na teoria, é uma sequência de jogos menos pesados do que a anterior, porém com deslocamentos bem mais longos e desgastantes. Eis a tabela: 

Data

Adversário

Competição

Estádio

Sábado 23/4

16:30h


Atlético/PR

(0x1)

Campeonato Brasileiro3ª Rodada

Arena da Baixada

Curitiba/PR

Quinta-Feira 28/4

19:00h

Facebook Watch


Universidad Católica

Libertadores da América Fase de Grupos, 3ª Rodada

San Carlos de Apoquindo

Santiago, Chile

Domingo, 1º/5

18:00h

Amazon Prime


Altos

Copa do Brasil 3ª Fase, Jogo de Ida

Albertão

Teresina/PI

Quarta-Feira, 4/5

19:00h

ESPN


Talleres

Libertadores da América Fase de Grupos, Rodada

Mário Alberto Kempes

Córdoba, Argentina

Domingo, 8/5

11:00h

Premiere


Botafogo

Campeonato Brasileiro5ª Rodada

Maracanã

Rio de Janeiro/RJ

MDS 15/5

Indefinido

Ceará

Campeonato Brasileiro – 6ª Rodada

Castelão

Fortaleza/CE

Curiosamente, a sequência seguinte terá entre 5 a 6 jogos, em tese, no Rio de Janeiro, a depender das datas designadas para os confrontos de volta, contra o Altos, pela Copa do Brasil, e contra o Goiás, pelo Campeonato Brasileiro, que no momento são colidentes.

Também aqui, na teoria, é uma tabela mais favorável, considerando a maioria dos adversários,  bem como que todos os jogos em tese serão disputados no Maracanã.


Data

Adversário

Competição

Estádio

Terça-Feira,

17/5, 21:30h       SBT e Conmebol TV


Universidad Católica

Libertadores da América Fase de Grupos, 5ª Rodada

Maracanã

Rio de Janeiro/RJ

FDS 21/5

Indefinido


Altos

Copa do Brasil 3ª Fase, Jogo de Volta

Maracanã

Rio de Janeiro/RJ

MDS 21/5

Indefinido


Goiás

Campeonato Brasileiro 7ª Rodada

Maracanã

Rio de Janeiro/RJ

Terça-Feira, 24/5,  21:30h          SBT e ESPN


Sporting Cristal

Libertadores da América Fase de Grupos, 6ª Rodada

Maracanã

Rio de Janeiro/RJ

FDS 29/5

Indefinido


Fluminense

Campeonato Brasileiro 8ª Rodada

Maracanã

Rio de Janeiro/RJ

MDS 5/6

Indefinido

Fortaleza

Campeonato Brasileiro9ª Rodada

Maracanã

Rio de Janeiro/RJ


A palavra está com vocês.

Bom die SRa tod@s.


São Judas Tadeu, jogai por nós

domingo, 24 de abril de 2022

Reduzindo as Expectativas

Salve, Buteco! É curioso como, depois dos bate-papos sobre jogo de posição e a condição de expoente máximo e influenciador de Pep Guardiola sobre os demais adeptos dessa filosofia de jogo, Manchester City e Flamengo, nessa ordem cronológica, tiveram semanas tão parecidas e seus treinadores tomaram algumas decisões tão semelhantes. Começando pelo domingo de 10 de abril e o sábado seguinte (16), o City talvez tenha vivido a sua semana mais difícil do ano, enfrentando duas vezes o Liverpool, pela Premier League e depois pela semifinal da FA Cup, e entre ambos, na quarta-feira, uma verdadeira batalha campal com o Atlético de Madrid pelo jogo de volta da semifinal da UEFA Champions League.

A última semana do Flamengo também não foi fácil. No domingo (17/4), jogo duro contra o São Paulo no Maracanã; quarta-feira (20/4), mais uma edição, de intensidade extrema, do que vem sendo o superclássico brasileiro pelo menos desde 2016, um pulsante 0x0 contra o Palmeiras, e, no sábado (23/4), o Athletico/PR, "Descansadinho da Silva", na Arena da Baixada, quando veio então a única derrota, até aqui, da difícil sequência a qual me referi neste post.

Ambos os treinadores, Pep Guardiola e Paulo Sousa, rodaram o elenco, especialmente no terceiro jogo da semana, e inverteram pelo menos um dos alas. No City, que está na reta final da temporada, João Cancelo, o qual, como destaquei neste post, havia se destacado pela ala esquerda no jogo da Premier League, atuou nas três partidas da semana, porém na última delas, no sábado, o treinador mudou sua função tática e o português foi utilizado na ala direita, onde havia jogado na temporada anterior. Além disso, no mesmo jogo Pep poupou o goleiro brasileiro Éderson, Kevin De Bruyne, a maior estrela do time, John Stones e Aymeric Laporte, miolo de zaga titular, e ainda Riyad Mahrez, este último artilheiro do time na temporada.

Ao inverter Cancelo, Pep, que está há quase seis anos no clube, pode ter se baseado na ausência de Kyle Walker, ala direito nas duas partidas anteriores, ou ter sido puramente conceitual, quem sabe inspirado em dados científicos. A mesma dúvida vale para todas as outras alterações que promoveu. O certo é que o goleiro reserva começou entregando a paçoca na saída de bola com os pés e o desgastado, porém o alternativo City foi para o intervalo do terceiro jogo de sua infernal semana com 0x3 no placar, assistindo aos encapetados (e encarnados) Luis Díaz, Mohammed Salá e Sadio Mané escorrendo como água pela peneira que se tornou a defesa azul celeste.

Já no Flamengo, que está na reta inicial da temporada (ainda não chegamos sequer ao meio dela), Paulo Sousa, que está há menos de quatro meses no clube, havia encontrado uma formação competitiva que vinha de uma boa sequência de duas vitórias (Talleres e São Paulo) e um empate (Palmeiras) no qual teve mais chances concretas de gol e de vencer do que o fortíssimo adversário, hoje merecidamente apontado como a melhor equipe do país. 

No terceiro jogo da semana, em Curitiba, Mister Paulo poupou quatro jogadores, começando pelos dois veteranos do trio da zaga (David Luiz e Filipe Luís), e ainda dois integrantes do trio ofensivo (Everton Ribeiro e Gabigol). Além disso, como Pep, também mexeu nas alas, e foi assim que Lázaro, destaque da temporada como ala esquerdo e líder do ranking de assistências do time na temporada, foi parar na meia-ponta direita, no lugar de Everton Ribeiro, e Marinho, que jogou a vida inteira pelo setor direito do ataque em outros clubes, foi mais uma vez escalado por Mister Paulo na ala esquerda.

***

Preciso abrir um parêntesis e peço a paciência e a compreensão de vocês. Acho que esse papo de conceito já deu, está me cansando (talvez vocês também) e por isso não pretendo retomá-lo, pois pretendo doravante falar exclusivamente dos jogos. Mas antes de encerrar o assunto, preciso fazer uma última consideração, sob pena de incorrer em omissão.

Só consigo apontar três clubes realmente grandes ou gigantes do futebol mundial nos quais é aplicado o jogo de posição. São eles o Ajax¹, gigante histórico que atualmente não tem orçamento de primeiro escalão europeu e enfrenta dificuldades para competir com os mais ricos; o Barcelona, gigante europeu atualmente em uma crise que envolve a saída de Messi e uma dívida bilionária, e o Manchester City, tradicional, mas historicamente modesto clube inglês cujo investimento sem limites de um regime ditatorial e a presença de Pep Guardiola vêm transformando-o em um gigante dos tempos modernos.

Ajax e Barcelona têm em comum passagens de Johan Cruyff como atleta e treinador, e por isso mesmo podem ser considerados berços históricos do jogo de posição. Já o City vem sendo popularizado e começando a ser confundido com a figura de Pep Guardiola, pupilo e ex-jogador treinado  por Cruyff, hoje sem dúvida a maior estrela de toda a história do clube inglês, onde trabalha sem cobrança e teto orçamentário. Nenhum desses clubes, a meu ver, guarda a menor semelhança contextual com o Flamengo, a não ser pela grandeza e, vá lá, nos dois primeiros casos, pela propensão histórica a praticar um futebol ofensivo e de qualidade.

O que me apavora é que o contexto do Flamengo se parece mais com o da passagem de Guardiola pelo Bayern de Munique. Tem até livro escrito romantizando o período. Mas com todo o respeito ao Pep, gênio do futebol, o que me chama a atenção no seu período à frente do Bayern são os sérios problemas no estrelado vestiário e as eliminações, como que em um estranho revezamento, para os três maiores espanhóis nas três edições da Champions League que disputou comandando o Gigante da Bavária. No ponto, não posso deixar de lembrar que, nas duas primeiras, as quedas ocorreram com acachapantes goleadas para Real Madrid e Barcelona, tragédias que me levam, nesse tema, a ser adepto da teoria dos asteriscos.

Parêntesis fechado e assunto encerrado.

***

Tenho para mim que Mister Paulo começou a perder o jogo de sábado quando tirou Lázaro de sua posição e mexeu mais no time do que era necessário. Numa só cambulhada, anulou uma das maiores virtudes do time e, diante da nulidade da atuação do cria pelo setor ofensivo direito, sobrecarregou Isla, que, no Flamengo, não costuma jogar longas sequências de maneira regular, sem falhas individuais. Portanto, não surpreende que o gol do Furacão tenha saído pelo setor².

Quanto à rodagem, se poupar os veteranos parecia ser a solução mais lógica e sensata, as saídas de Everton Ribeiro, destaque do time nos últimos jogos, e Gabigol parecem ter sido inspiradas mais em teoria do que propriamente causadas por alguma necessidade prática de preservá-los. Somando essas decisões a outras, como a entrada isolada de Diego Ribas no segundo tempo da decisão da Supercopa (o time só retomou o controle do jogo com as entradas de Vitinho e Matheuzinho) e as constantes mudanças que parecem colocar a implementação de conceitos com prioridade em relação aos resultados e os desafios concretos, passei a reduzir minhas expectativas.

Não é exagero. A partir do gol do Athletico Paranaense, o time foi se decompondo, a ponto do segundo tempo lembrar atuações de períodos de fuga de rebaixamento e goleadas tenebrosas na Região Sul do país, inclusive naquele estádio. Paulo Sousa está por completar quatro meses treinando o Flamengo e, mesmo levando em conta o seríssimo problema que é o Departamento Médico comandado por Márcio Tannure, o calendário não é exatamente uma surpresa e o time já deveria estar pronto para estar ao menos organizado dentro de campo, mesmo com desfalques e inclusive quando o adversário toma a frente do placar.

A impressão que tenho hoje é que toda vez que o trinômio treinador conceitual, sequência pesada de jogos/adversários e Departamento Médico lotado voltar a se formar, os primeiros efeitos serão produzidos na campanha do Campeonato Brasileiro, com risco de se estenderem às copas. Não é por outro motivo que venho alertando quanto à necessidade de sobreviver (nas duas maiores competições, de preferência) até pelo menos 18 de julho, quando se abrirá a segunda janela de transferências internacionais e supostamente virão os prometidos reforços. 

Antes disso, só Paulo Sousa pode ajudar o Flamengo e a si próprio, com as decisões que precisará tomar. Afinal de contas, o Departamento de Futebol infelizmente não é um entusiasta do mercado interno e uma reformulação do Departamento Médico parece ser apenas sonho de torcedor. 

No caminho até a segunda janela, vale alertar, está a disputa da fase de oitavas de final da Copa Libertadores da América.

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Enxergo boas chances de vitória nos próximos três jogos - Universidad Católica (f), Altos (f) e Botafogo (c). É provável que alguns jogadores retornem e o treinador consiga colocar formações competitivas em campo (se não resolver inventar, é claro).

Depois, mais uma Data Fifa começará. Melhor não sofrer por antecipação.

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Amanhã a gente vira a chave e pensa na Católica.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

1 Do qual bem me lembrou o amigo Guilherme De Baère (@guibaere)

2 Depois do gol do Furacão, contrariando suas convicções e compelido pela iminência do desastre com o adversário se agigantando em campo, Paulo Sousa "destrocou" Lázaro e Marinho de funções. Lázaro voltou para a ala e Marinho jogou por alguns minutos em sua posição original. Mas o abandono da teimosia durou pouco, apenas até a entrada de Everton Ribeiro no time.

sábado, 23 de abril de 2022

Athletico/PR x Flamengo

 

Campeonato Brasileiro/2022 - Série A - 3ª Rodada

Sábado, 23 de Abril de 2022, as 16:30h (USA ET 15:30h)no Estádio Joaquim Américo Guimarães ou "Arena da Baixada", em Curitiba/PR.

Athletico/PR: Bento; Orejuela, Matheus Felipe, Pedro Henrique e Abner Vinícius; Bryan Garcia e Pablo Siles; Cannobio, David Terans e Vitinho; Marcelo Cirino. Técnico: Fábio Carille.

FLAMENGOSantos; WilliaArão, PablLéPereiraIsla, João Gomes, Thiago Maia e Lázaro; MarinhoDArrascaetPedro. Técnico: PaulSousa.


Arbitragem: Raphael Claus (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Neuza Inês Back (FIFA/SP). Quarto Árbitro: Lucas Paulo Torezin (PR). Analista de Campo: Afonso Vitor de Oliveira (PR). Árbitro de Vídeo (VAR): Rodrigo D'Alonso Ferreira (SC). Assistente VAR (AVAR): Johnny Barros de Oliveira (SC). Observador de VAR: Nilson de Souza Monção (RJ).

Transmissão: Rede Globo (rede aberta) e Premiere (sistema pay-per-view).