segunda-feira, 31 de julho de 2023

Bênção, São Judas Tadeu!

Jorge Luis Sampaoli Moya, o treinador que nos levará às taças no final de 2023

Salve, Buteco! Até aqui, 27 jogos, com 16 vitórias, 7 empates e 4 derrotas. Nem 3 meses de trabalho. E no recorte que escolhi, a partir da vitória sobre o Goiás no Maracanã, por 2x0, pela 5ª Rodada do Campeonato Brasileira, no dia 10 de maio, são 14 vitórias, 6 empates e apenas 1 derrota, um acidente de percurso contra o bom Bragantino, em Bragança Paulista.

Nem tudo foi perfeito nesse período, porém é seguro afirmar que só os negacionistas patológicos não reconhecem que o time ganhou muito em competitividade, deixando para trás a aura perdedora dos quatro primeiros meses do ano e avançando nas três competições, por enquanto permanecendo vivo em todas.

Para atingir esse objetivo, o treinador foi ousado, muito ousado. Desafiando o histórico de todos os estrangeiros a partir da saída de Jorge Jesus, e o completo caos causado pelo planejamento desastroso da Diretoria para a temporada, bem como do trabalho cataclísmico do português Vítor Pereira e sua comissão técnica, este outro Jorge, o Sampaoli, avançou para cima dos problemas.

Seja dobrando, triplicando ou quadriplicando a carga de treinamentos, o Careca quase levou o elenco à loucura, teve embates fortíssimos com alguns jogadores, sofreu verdadeiros motins, mas conseguiu efetivamente mudar a postura do elenco.

O futebol, em nível de qualidade, ainda não é o que caracterizou muitos dos seus trabalhos, mas é preciso indagar se estamos falando de uma meta minimamente factível, dado o contexto - três competições simultâneas, líderes do elenco no banco, choque cultural rompendo o paradigmático dogma da titularidade absoluta. E tome rodagem de elenco, entrevistas rascantes de alguns jogadores, bico e tromba de elefante de outros.

Após quatro anos seguidos de derrotas em Belo Horizonte para o Atlético Mineiro, o Flamengo virou heroicamente um jogo no qual vinha sendo superado pelo adversário, mostrando força física e mental para correr atrás do resultado. Em questão de minutos, porém, a alegria e a euforia da vitória cederam espaço para a perplexidade e a apreensão.

O Careca não merecia a atitude do seu auxiliar, homem de confiança e peça-chave para a incrível e quase inacreditável recuperação física nesse contexto. Pedro, a vítima da agressão física (e não psicológica), muito menos merecia o soco que lhe foi desferido no rosto.

O Careca tampouco merecia a atitude de não participar do aquecimento e nem a postagem de Pedro, insatisfeito com a reserva, dada a pouca minutagem. Ainda que o Queixada tenha seu ponto na reclamação pela pouca utilização, com a mais absoluta certeza não é uma vítima de agressões psicológicas, mas apenas mais um caso de jogador que joga menos do que poderia, o que não é exatamente uma raridade no mundo do futebol.

A pouca minutagem de Pedro é teimosia, método de persuasão na assimilação de uma filosofia de jogo ou um pouco das duas coisas?

Foi o primeiro caso de agressão em um vestiário de futebol? Com certeza não. E quantos foram parar em um delegacia de polícia? Imagino que a minoria. 

Certamente vivemos novos tempos, nos quais os conceitos de certo e errado estão mais fluidos, mas não a ponto de permitir ao clube outra postura que não a demissão do agressor, providência tomada na noite deste domingo, num razoável prazo de 24 horas após o incidente.

Como cidadão, Pedro exerceu um direito fundamental, previsto na Constituição - o de peticionar ao poder público requerendo a apuração de uma infração criminal da qual foi vítima (CF/88, art. 5º, XXXIV, 'a'), mas como atleta quase causou a demissão do treinador que, no momento, certo ou errado, pouco o escala. 

Qual é a fronteira entre o Direito e os ideais de Moral e Justiça no caso?

Quinta-feira tem jogo, contra um rival em crise, mas que possui uma camisa pesadíssima e uma tradição incontestável no futebol sul-americano.

"Se matas o capitão, o navio afunda", diz o ditado popular.

Bênção, São Judas Tadeu, aos nossos jogadores, à nossa comissão técnica, à nossa Diretoria e também à nossa torcida, além dos setoristas que cobrem o clube. 

Que a graça divina da sabedoria e da iluminação permita que o Clube de Regatas do Flamengo siga até o final da temporada com serenidade e responsabilidade em seu Departamento de Futebol.

E proteja-nos, Senhor, de nós mesmos, dos nossos vícios, impulsos e elucubrações.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.







sábado, 29 de julho de 2023

Atlético/MG x Flamengo

 


Campeonato Brasileiro/2023 - Série A - 17ª Rodada

Data, Local e Horário: Sábado, 28 de Julho de 2023, as 21:00h (USA ET 20:00h), no Estádio Raimundo Sampaio ou "Independência", em Belo Horizonte/MG.


Atlético/MG - Everson; Saravia, Igor Rabello, Jemerson e Guilherme Arana; Battaglia, Otávio e Zaracho; Pavón, Paulinho e Hulk. Treinador: Luiz Felipe Scolari.

FLAMENGOMatheus CunhaWesleyFabríciBrunoLéPereira e Filipe Luís; AllanVictoHugoEvertoRibeirGerson; BrunHenrique e GabrieBarbosa. TécnicoJorgSampaoli.


Arbitragem: Flávio Rodrigues de Souza (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Nailton Júnior de Sousa Oliveira (FIFA/CE) e Evandro de Melo Lima (SP)Quarto Árbitro: Wanderson Alves de Sousa (MG). Assessor: Carlos Augusto Nogueira Júnior (SP). Árbitro de Vídeo (VAR): Thiago Duarte Peixoto (SP). Assistentes VAR (AVAR) 1 e 2: Fabrício Porfírio de Moura (SP) e Marielson Alves Silva (BA). Observador de VAR: Alicio Pena Junior (RJ).

Transmissão: SporTV (TV por assinatura) Premiere (sistema pay-per-view). 

Túnel do Tempo: Atlético Mineiro x Flamengo em Belo Horizonte (Só o Filé)

 

Salve, Buteco! Nada melhor do que o Túnel do Tempo como esquenta para a partida de hoje à noite.

É só viajar nas ondas do passado...

1) Atlético/MG 1x1 Flamengo - Campeonato Brasileiro/1975


2) Atlético/MG 2xFlamengo - Campeonato Brasileiro/1987


3) Atlético/MG 2xFlamengo - Campeonato Brasileiro/1997


4) Atlético/MG 1xFlamengo - Campeonato Brasileiro/2000


5) Atlético/MG 0xFlamengo - Campeonato Brasileiro/2002


6) Atlético/MG 1xFlamengo - Campeonato Brasileiro/2009



7) Atlético/MG 0xFlamengo - Primeira Liga/2016


8) Atlético/MG 0xFlamengo - Campeonato Brasileiro/2018


Que São Judas Tadeu nos guie para mais uma vitória em Belo Horizonte.

O Ficha Técnica, como de praxe, subirá as 19:00h.

A palavra está com vocês.

Bom die SRa tod@s.


sexta-feira, 28 de julho de 2023

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

E acabou que encaminhamos a vaga para a Final da Copa do Brasil (que ainda está, evidentemente, em aberto), fazendo tudo levar a crer que vamos repetir a roleta russa do ano passado. “Win or wall”. Ano passado deu certo. A ver o que nos espera dessa vez.

De qualquer forma, enquanto isso, a Diretoria segue demonstrando uma desconcertante incapacidade de promover a reformulação de um elenco cujas peças-chave, a cada dia, demonstram estar próximas de escrever o capítulo final da belíssima história que erigiram com as cores rubro-negras. Nada é eterno, diria o poeta, mas os dirigentes flamengos, fundados em sabe-se lá em que tipo de crença, insistem em esfregar na cara da cena esportiva nacional sua inaptidão em prover o Flamengo de peças de reposição de primeira linha. De qualquer forma, índices reluzentes de EBITDA, cashflow, aderência ao budget etc devem gerar prestígio individual junto ao mercado financeiro. O clube passa e o nome fica...

Enquanto isso, sábado tem amistoso contra um adversário neurastênico. Que ainda não ganhou nenhum jogo com o novo treinador. Perspectiva iminente de aborrecimento. Aproveitando, segue mais um capítulo da série “Caminhos da Bola”, agora abordando o galináceo confronto do fim de semana. Chama a atenção o número de goleiros da lista.

SÉRIE “CAMINHOS DA BOLA”

X

FLAMENGO – ATLÉTICO MG

 

MARCIAL (1963-1965)

Desde cedo mostra talento como goleiro, atuando nas divisões de base do Sete de Setembro-MG, e chama a atenção do Atlético-MG, por onde se profissionaliza. No entanto, a passagem pelo alvinegro é interrompida pela necessidade de seguir seus estudos de Medicina. Mas, após um hiato de 2 anos, assume o gol da equipe mineira em 1962, sendo destaque na conquista do Estadual do mesmo ano e chegando a ser convocado à Seleção Brasileira. No ano seguinte, precisando de um goleiro de ponta, o Flamengo investe vultosa soma em Marcial, que já chega assumindo a posição. Dá muito certo, e Marcial se torna um dos esteios da defesa rubro-negra na campanha do título Carioca de 1963. Na histórica Final contra o Fluminense, fecha o gol e garante o 0-0 que dá a taça ao Flamengo, tornando-se herói. Sua defesa, nos minutos finais, de um arremate do tricolor Escurinho, é eternizada em crônica de Nelson Rodrigues. Segue como titular até 1965, quando é vendido ao Corinthians, pensando em terminar a Faculdade. Encerra a carreira precocemente, com apenas 26 anos, para abraçar a profissão de médico. Falece em 2018.

 

RENATO (1964-1968, 1972-1975)

Goleiro de muito reflexo e ótima colocação, chega às divisões de base do Flamengo em 1963, após ser descoberto nas areias de Copacabana. No ano seguinte, é lançado “na fogueira” em um jogo decisivo contra o Santos de Pelé e se sai bem, segurando um suado 0-0. Mas, sem oportunidades, é emprestado ao Taubaté-SP. No retorno, segue sofrendo com a forte concorrência e acaba negociado com o Uberlândia-MG. Suas atuações no Campeonato Mineiro o levam ao Atlético-MG, onde ascende rapidamente e se torna destaque. Em 1971 atinge o auge no clube das Alterosas, quando conquista o Brasileiro. Mas, no ano seguinte, o clube se interessa pelo uruguaio Mazurkiewicz e Renato acerta seu retorno ao Flamengo. No rubro-negro enfim se consolida como titular e estabelece trajetória vitoriosa, conquistando dois Estaduais. Em 1975, é envolvido em uma rumorosa troca que o leva ao Fluminense. Encerra a carreira em 1983, atuando no futebol do Oriente Médio.

 

BRUNO (2006-2010)

Goleiro de grande estatura e ótimo desempenho em cobranças de pênaltis, chega à base do Atlético-MG em 2002 e três anos depois ganha sequência no time principal, por onde se destaca, apesar do rebaixamento à Série B. No entanto, apesar de ser tido como um dos principais nomes de uma nova geração, perde a posição para Diego Alves, com quem não cultiva boa relação, o que o faz ser negociado com o Corinthians, em 2006. Mas sequer chega a atuar pelo clube paulista, após se desentender com o treinador, e meses depois é repassado por empréstimo ao Flamengo. O rubro-negro enfrenta problemas com o desempenho irregular de Diego, e Bruno não demora a elevar o nível das atuações na posição. Em 2007 ganha seu primeiro Estadual, ao defender duas cobranças em decisão de pênaltis contra o Botafogo, o que o consolida como titular absoluto. Pouco depois, o Flamengo o contrata em definitivo, e tem início uma relação intensa e turbulenta, de altos e baixos, onde a evidente qualidade técnica é contraposta com atuações irregulares e com o farto número de incidentes extracampo. Em 2009 vive seu grande momento no Flamengo, ao conquistar o Hexacampeonato Brasileiro, defendendo vários pênaltis na reta final (meses antes, repetira o feito de 2007, ganhando nos pênaltis o Tri Estadual). O auge da carreira acende o interesse de clubes como Milan-ITA e Zenit-RUS, mas, em 2010, o goleiro é preso por envolvimento no assassinato da modelo Eliza Samúdio, crime pelo qual é julgado e condenado.

 

DIEGO ALVES (2017-2022)

Revelado pelo Botafogo-SP, a quantidade de prêmios que ganha em torneios da base faz com que ganhe uma oportunidade no Atlético-MG, para onde se transfere em 2004. No ano seguinte, suas atuações o levam à Seleção Brasileira Sub-20, o que, ironicamente, faz com que perca a posição de titular para o desafeto Bruno. Mas, em 2006, recupera a posição e se torna destaque na campanha do clube mineiro na Série B. No ano seguinte, é transferido para o Almería-ESP, dando início a uma sólida e muito bem-sucedida passagem pelo futebol espanhol, onde assombra torcedores e jornalistas com sua impressionante capacidade de defender pênaltis. Em 2017 está se desvinculando do Valencia-ESP, quando a torcida do Flamengo inicia forte campanha nas redes sociais por sua contratação, em função da péssima fase de Muralha e do despreparo do jovem reserva Thiago. Pressionada, a Diretoria traz o goleiro que, após início instável, toma conta da posição, mostrando muita autoconfiança e espírito competitivo. No entanto, o temperamento difícil e a frequência com que se lesiona fazem com que perca a posição para César, no Brasileiro 2018, e quase seja negociado. Mantido no elenco e mordido, começa a empilhar atuações espetaculares no início do ano seguinte (Ajax-HOL e San Jose-BOL são exemplos antológicos), naquela que se torna sua melhor temporada no Flamengo. Num 4-1 contra o Vasco pelo Brasileiro, defende dois pênaltis. No jogo de ida da Semifinal da Libertadores, faz defesa espetacular que segura o 1-1 contra o Grêmio, em Porto Alegre. No ano seguinte, após ganhar inúmeros títulos, seu rendimento começa a cair. Após o “canto do cisne”, em que ganha “na unha” a decisão nos pênaltis que dá ao Flamengo o título da Supercopa 2021, contra o Palmeiras, começa a falhar com frequência e a apresentar irritante número de lesões, o que abre espaço ao jovem e instável Hugo. Em 2022 entra em rota de colisão com a comissão técnica e, com a contratação de Santos, vê encerrado seu ciclo no Flamengo. Atualmente está sem clube, após rápida passagem pelo Celta-ESP.

 

ALCIR (1996)

Cria da base do Atlético-MG, é revelação no Brasileiro 1995, ano em que chega à Seleção Brasileira Sub-20. Vivendo grave problema na lateral-direita, o Flamengo consegue, no início de 1996, trazer o jogador por empréstimo. Mas Alcir, apesar de vencer o duelo com o ex-palmeirense Índio, jamais convence e passa a ser considerado o “elo fraco” da estrelada equipe de Joel Santana. Antes da última partida da Taça Guanabara, o Flamengo traz, por empréstimo, o badalado Zé Maria, titular da Seleção Brasileira, e Alcir é relegado à reserva, de onde não sai mais. Após a conquista do Estadual, Alcir é devolvido ao Atlético-MG. Em 2011, encerra uma carreira que tem como ponto culminante a conquista da Copa do Brasil 1999, pelo Juventude.

 

RÉVER (2016-2018)

Projeta-se nacionalmente em 2005, ao ser um dos destaques da surpreendente conquista da Copa do Brasil pelo Paulista de Jundiaí, clube que o revela. Zagueiro de grande impulsão, imposição física e boa técnica, embora um tanto lento, chega ao Atlético-MG em 2010, após elogiada passagem pelo Grêmio e rápida experiência no futebol alemão. No clube mineiro, cai nas graças da torcida e chega ao auge da carreira, tornando-se o zagueiro com o maior número de gols marcados na história do alvinegro. No entanto, com a crescente frequência de lesões, perde espaço e é negociado com o Internacional, em 2014. Dois anos depois, o Flamengo vive situação emergencial em seu plantel de zagueiros e consegue trazer Réver por empréstimo. O início não poderia ser melhor. Réver qualifica sensivelmente o nível da defesa rubro-negra, sendo eleito o melhor zagueiro do Brasileiro 2016. Segue importante na temporada seguinte, embora a perda de títulos importantes (a despeito da conquista de um Estadual) comece a trazer desgaste com a torcida. Em 2018 volta a conviver com lesões, e já não consegue manter rendimento satisfatório. Com isso, o Flamengo opta por devolver o jogador ao Internacional no final do ano. Atualmente, defende o Atlético-MG.

 

EDER LOPES (1993)

Volante marcador mas de bom passe, em contraponto aos “brucutus” da época, é revelado pela base atleticana, chegando aos profissionais em 1987, ano em que já se destaca na equipe titular que chega às Semifinais do Brasileiro, iniciando uma longa história de identificação com as cores alvinegras, com atuações que o levam à Seleção Brasileira. Em 1993, após conquistar três Estaduais e uma Copa Conmebol, é emprestado ao Flamengo, que busca repor a saída de Uidemar. No rubro-negro, não consegue se firmar como titular, mas tem participação ativa nas campanhas da Supercopa e do Brasileiro, sempre entrando no decorrer dos jogos. Ao final da temporada, retorna ao Atlético-MG, onde permanece até 1996. Encerra a carreira em 1999, atuando pelo Mogi Mirim-SP.

 

MOACIR (1997)

Volante muito técnico, é um dos expoentes da talentosa geração que surge na base do Atlético-MG no final dos anos 1980. Entre 1988 e 1992, é titular, destaque e ganha títulos no clube mineiro, em especial a Copa Conmebol, o que o leva à Seleção Brasileira e ao futebol espanhol. Retorna ao Brasil em 1996, e no ano seguinte o Flamengo o contrata por empréstimo para o primeiro semestre. Moacir rapidamente se firma e se torna ponto de equilíbrio na equipe que chega à Final do Torneio Rio-São Paulo, em que é considerado um dos melhores jogadores. Marca, de cabeça, o segundo da goleada por 7-0 sobre o Madureira, pela Taça Guanabara (jogo célebre pela confusão entre Romário e o lateral Cafezinho). No entanto, a seguir sofre séria lesão e não atua mais pelo rubro-negro, indo parar na Portuguesa. Pendura as chuteiras em 2003, defendendo o Uberaba-MG.

 

MARCINHO (2008)

Meia-atacante irrequieto, de bom arranque e ótima finalização, é revelado pela base do Cruzeiro, fazendo parte do vitorioso elenco celeste na temporada de 2003. No entanto, sem conseguir se firmar como titular, transfere-se para o Grêmio, indo, a seguir, atuar na Turquia. Em 2006 é contratado pelo Atlético-MG, onde se torna um dos principais jogadores na campanha do acesso à Série A e convence a torcida, antes desconfiada de seu passado cruzeirense. No ano seguinte, conquista o Estadual e se torna ídolo. Mas, no final do ano, briga com a Diretoria e se transfere para o Flamengo, onde se encaixa “como uma luva” em um time que se ressentia de força ofensiva. No rubro-negro, ganha o Estadual 2008 e se torna um dos craques do Brasileiro que o Flamengo inicia liderando com folga, mas se envolve em vários problemas extracampo (entre eles, um incidente com prostitutas após um 1-1 contra o Atlético-MG, em Minas) e, de forma tão surpreendente quanto abrupta, aceita proposta do Al-Jazeera-EMI e vai jogar no Oriente Médio, saindo no meio da competição de que era o artilheiro. Volta ao Brasil em 2014, já na fase final da carreira, que encerra em 2016, jogando pelo Santa Cruz.

 

SÉRGIO ARAÚJO (1988-1989)

Ponta-direita muito arisco, veloz e goleador, é mais uma joia revelada na base atleticana em meados dos anos 80, sendo o principal destaque do time que chega à Semifinal do Brasileiro 1986, quando se torna ídolo da torcida. No entanto, fica marcado pela traumática eliminação na Semifinal do Brasileiro 1987 para o Flamengo (perde gols incríveis no jogo de ida) e, após se desentender com o treinador Telê Santana no início do Brasileiro 1988, é colocado à venda. O Flamengo, precisando repor a venda de Renato Gaúcho para a Roma-ITA, atravessa o São Paulo e contrata o jogador. Estreia no rubro-negro de forma rumorosa, marcando os dois gols no empate em 2-2 com o Botafogo mas, ironicamente, logo depois volta a se encontrar com Telê Santana, que é contratado pelo Flamengo. Inicialmente os dois se entendem e Sérgio Araújo mostra bom desempenho na sensacional campanha de recuperação que dá uma vaga nas Quartas-de-Final ao rubro-negro (marca um belo gol na vitória por 2-0 contra seu ex-clube, no Maracanã, que sela a classificação). No entanto, no início do ano seguinte Telê faz ajustes na equipe, e a necessidade de um jogador mais combativo faz com que perca espaço para o aguerrido Alcindo. Sem sequência, perde rendimento e se torna um coadjuvante caro. Com a volta de Renato Gaúcho para o Brasileiro, é negociado com o Grêmio. Anos depois, chega a retornar ao Atlético-MG antes de rodar por vários clubes e parar de jogar em 2000, defendendo o Serra-ES. Hoje atua como treinador.

 

DARIO (1973-1974)

“Fica de olho no 9 do Campusca”, ouve o Presidente do Atlético-MG, já instalado nas arquibancadas do Maracanã para acompanhar um jogo preliminar entre São Cristóvão x Campo Grande em 1968, interessado no futebol de um jovem meia do São Cristóvão. Mas é mesmo o improvável “9 do Campusca” que rouba a cena. É alto, desengonçado, com uma incapacidade quase humorística de dominar uma bola, o que o torna praticamente um clandestino no meio dos demais jogadores. No entanto, sua velocidade imparável, impulsão descomunal e, principalmente, a desconcertante capacidade de finalização logo se fazem mostrar. Os três gols que marca na vitória por 3-0 convencem o Dirigente, e Dario toma o caminho de Belo Horizonte. No entanto, o início é difícil, com o atacante sendo ostensivamente rejeitado pela torcida, que não aceita sua falta de habilidade. Somente em 1969, sob Yustrich, Dario volta a ter oportunidades, e, num amistoso contra a Seleção Soviética, marca dois gols na vitória atleticana por 2-1, jogo que marca sua virada no clube. No Campeonato Mineiro, começa como reserva, mas vai entrando e decidindo jogos, e acaba artilheiro da competição. Seus números começam a chamar a atenção do país, a ponto de sua convocação para a Seleção Brasileira (contra quem marca um gol em um amistoso, pela Seleção Mineira) ser defendida pelo Presidente da República, gerando um incidente que ajuda a derrubar o treinador João Saldanha. Dario vai à Copa (como reserva), e logo começa a ganhar títulos. Após conquistar os Estaduais de 1970 e 1971, marca, contra o Botafogo, o gol que dá o Brasileiro 1971 ao Atlético-MG. É o artilheiro dos Brasileiros 1971 e 1972, e das edições 1971 e 1972 do Torneio do Povo. Com esse cartel, é vendido ao Flamengo no início de 1973. Mas, no rubro-negro, apesar de começar a mostrar a irreverência que marcará sua carreira (“comigo ou ‘semigo’, o Flamengo será campeão”, “para a problemática, eu trago a solucionática”, “não existe gol feio, feio é não fazer gol”), não consegue render, e acaba sendo marcado pela péssima temporada da equipe, apesar de seus números não serem ruins. No início de 1974, com a ascensão de Zico, começa a marcar gols em profusão, mas já está fora dos planos, e o Flamengo o vende de volta ao Atlético-MG. Dario encerra a carreira em 1986, após um estonteante périplo por vários clubes do Brasil (decide outro Brasileiro, o de 1976, pelo Internacional). No início de 1976, ainda defendendo o Sport, estabelece o recorde brasileiro de gols marcados em um só jogo (dez, nos 14-0 sobre o Santo Amaro, pelo Estadual), marca que ainda hoje não foi batida. É considerado o quarto maior artilheiro da história do futebol brasileiro, com 926 gols marcados.


LINKS CAPÍTULOS ANTERIORES

Parte I: Flamengo – Corinthians

Parte II: Flamengo – Fluminense

Parte III: Flamengo – Internacional

Parte IV: Flamengo – Botafogo

Parte V: Flamengo – Cruzeiro

Parte VI: Flamengo – Grêmio

Parte VII – Flamengo – Vasco

Parte VIII – Flamengo – Santos

Parte IX – Flamengo - Palmeiras

 

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Grêmio 0 x 2 Flamengo. A imprevisibilidade e o controle.



Flamengo foi enfrentar o time de Luizito Soares. Sim, porque é ele e mais 10 em campo no time do Grêmio. Tudo gira em sua função, que de fato tem uma técnica impressionante não é a toa o sucesso que fez no Barcelona ao lado de Messi. E Neymar. Muito difícil controlá-lo em campo. Está em todas as posições de ataque ainda que não tenha mais o físico de antes. Tentou o gol de todos os jeitos, de cobertura no meio de campo aproveitando Matheus Cunha muito adiantado, se atirando na bola em pleno ar, finalizando de fora da área. Luizito dá uma aula de como ser um centroavante moderno. Tem finalização, posicionamento, lance aéreo, muita movimentação e toque refinado. Daí vemos a distância com que Gabriel e Pedro estão dele e por isto estão no Brasil e não na Europa. Ao Gabriel falta este ataque á bola, um posicionamento mais ofensivo e lance aéreo. Ao Pedro, principalmente movimentação. Joga mais como aquele famoso centroavante antigo de "referência" e é uma cultura que ele precisa mudar. O centroavante deve ser referência porém não só isto, deve ter aquela movimentação que faz a marcação ficar que nem peru doido correndo atrás. Mas a movimentação inteligente. E não previsível como a que o Gabriel faz.

Enfim, o jogo foi o primeiro tempo digno do Sampaoli style. Um time acuado em seu campo com marcação alta do adversário, tentando tacadas para frente para alguma jogada individual dar certo. E uma delas deu. O volante deles errou um passe, Wesley em lance individual entrou em diagonal, serviu ao Bruno Henrique livre que deu um passe açucarado para Gabriel marcar seu gol em um momento que Grêmio comandava todas as ações porém não conseguia grandes finalizações com perigo porque Fabricio Bruno e Leo Pereira jogavam muito bem. Além de Thiago Maia e Victor Hugo preencherem o meio de campo e não permitirem articulações por ali. Wesley, aliás, fez um excelente jogo e infelizmente recebeu um cartão amarelo que o impedirá de jogar a próxima partida. Everton Ribeiro sempre conduzindo demais a bola e tentando driblar ainda que sem espaço possibilitou vários contra ataques. Arrascaeta jogando sempre com uma inteligência incrível, dando vários passes precisos e difíceis. 

Grêmio se impactou com o gol e logo depois, o zagueiro abriu os braços feito borboleta na área e pênalti que o Gabriel perdeu, batendo fraco demais na bola. O goleiro esperou a cobrança e isto vem se mostrando um problema para ele. Tem que treinar mais caso isto ocorra novamente. Não adianta bater fraco na bola porque o que o goleiro que espera mais deseja é isto. 

Um primeiro tempo em que o Flamengo apesar da posse de bola teve dificuldades de impor seu jogo. Grêmio, muito agudo, com Luizito sofreu com a falta de jogadas pelas laterais. Até Renato acordar e colocar Ferreirinha para ir em cima do Wesley. Pelo nosso lado esquerdo, Filipe Luis fazia mais uma partida incrível. Jogador completo. Não concebo ele ser reserva do limitado taticamente e tecnicamente Ayrton Lucas.

No segundo tempo, o Flamengo mais sóbrio do ano até aqui. Jogando com calma e ponderação, controlando o jogo com inteligência. Nem parecia time de Sampaoli. As linhas se aproximaram mais, as jogadas fluíam, e Thiago Maia coroou sua atuação com um gol em que se Gabriel tocasse na bola, e quase o fez, estaria em impedimento, que é uma posição que ele adora se colocar. O jogo quente, Grêmio com jogador expulso e a todo momento provocavam Gabriel para que tomasse um amarelo e não pudesse jogar o próximo jogo. Então entrou o Pedro. E em poucos minutos que teve mostrou um posicionamento melhor no ataque, movimentação bem mais inteligente que a do Gabigol e finalizações com perigo com lances de gol criados por ele mesmo. É uma pena ele ser reserva deste time. Um jogador deste nível tem que jogar sempre. Vai acabar saindo do Flamengo porque isto é insustentável para a carreira dele.  

Aliás, ontem Varela enfim entrou no segundo tempo no lugar do Wesley. Mostrou falta de ritmo de jogo mas tentou alguns lances pela direita. E consequentemente em dado momento tivemos quase 30% da seleção uruguaia em campo. 

Boa vitória do Flamengo que no final, ainda que com superioridade numérica, deixou Grêmio pressionar e sempre ter a segunda bola nos lances em nossa defesa. Mostrando os problemas de sempre de marcação de time de Sampaoli quando adversário vai com tudo.

Agora o jogo de volta é no Maracanã e o Flamengo tem tudo para disputar mais uma Final de Copa. Torcemos.


quarta-feira, 26 de julho de 2023

Grêmio x Flamengo

    

Copa do Brasil/2023 - Semifinal - 1º Jogo (Ida)

Quarta-Feira, 26 de Julho de 2023, as 21:30h (USA ET 20:30h)
na Arena do Grêmio, em Porto Alegre/RS.


Grêmio: Gabriel Chapecó; Bruno Uvini, Bruno Alves e Kannemann; João Pedro, Villasanti, Carballo e Reinaldo; Bitello, Suárez e Cristaldo. Técnico: Renato Portaluppi.

FLAMENGOMatheus CunhaWesleyFabríciBrunoLéPereira e Filipe Luís; TMaia, VictoHugoEvertoRibeirDArrascaeta; BrunHenrique e GabrieBarbosa. TécnicoJorgSampaoli.


Arbitragem: Raphael Claus (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Bruno Boschilia (FIFA/PR) e Guilherme Dias Camilo (FIFA/MG)Quarto Árbitro: Luiz Augusto Silveira Tisne (SC). Assessor: Antonio Pereira da Silva (GO). Quinto Árbitro: Tiago Augusto Kappes Diel (RS). Árbitro de Vídeo (VAR): Igor Junio Benevenuto de Oliveira(VAR-FIFA/MG). Assistentes VAR (AVAR) 1 e 2: Fabrício Vilarinho da Silva (FIFA/GO) e Dyorgines José Padovani de Andrade (ES). Observador de VAR: Emerson Augusto de Carvalho (SP).

Transmissão: Rede Globo (rede aberta)SporTV (TV por assinatura), Premiere (sistema pay-per-viewe Amazon Prime (Internet streaming). 


Tem Que Manter Isso Aí: Túnel do Tempo: Grêmio x Flamengo em Porto Alegre (Jogos Eliminatórios)

Foto: Aníbal Philot/Agência O Globo

Salve, Buteco! No primeiro post Rivalidades, publicado em 2020, defini da seguinte forma o clássico entre Flamengo x Grêmio:

Grêmio: é o maior adversário esportivo do Flamengo fora do Rio de Janeiro. Aliás, é o maior clássico interestadual brasileiro. O peso histórico do confronto é imenso e formado por grandiosos confrontos em finais de campeonato brasileiro e Copa do Brasil, duas semifinais de Libertadores, além de diversas disputas em fases classificatórias e eliminatórias dessas e outras competições nacionais e internacionais, em número muito maior do que qualquer outro adversário, carioca ou dos demais estados brasileirosGestão de primeiro patamar de ambos os clubes indica que o histórico de grandes confrontos se repetirá no futuro próximo. Contudo, entre as torcidas o clima é absolutamente morno, provando que há rivalidades de várias espécies.

"Adversário esportivo" é, sem dúvida, uma expressão redundante ou um pleonasmo, porém, nas palavras do Dicionário Oxford, de uso legítimo no caso, para empregar maior vigor ao que está sendo expresso. Com tanta gente tentando ocupar o papel de "grande rival", tenho para mim que não há como deixar de reconhecer a grandeza de um clássico que sempre se destacou pelo tamanho em si dos confrontos, e não por surtos histéricos sem o menor traço de autenticidade.

Após duas finais de Supercopa do Brasil e uma da Copa Libertadores da América, acredito que hoje o clássico tenha um concorrente à altura em Flamengo x Palmeiras. De qualquer modo, estamos falando, quando menos, no segundo maior clássico interestadual brasileiro, no âmbito do qual, num total de 119 (cento e dezenove) partidas, entre jogos oficiais e amistosos, os clubes empatam em número de vitórias, no total de 40 (quarenta), ao lado das quais os 39 empates não deixam dúvidas quanto ao equilíbrio histórico do confronto.

Além das finais do Campeonato Brasileiro de 1982 e da Copa do Brasil de 1997, Flamengo e Grêmio se enfrentaram em outros 12 (doze) "mata-matas", entre o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, a Copa Libertadores da América, a Copa Mercosul e a Supercopa dos Campeões da Libertadores. No total, foram 8 (oito) triunfos rubro-negros contra 6 (seis) tricolores.

Vamos então às melhores memórias rubro-negras dos clássicos por "mata-matas" disputados em Porto Alegre:

1) Grêmio 0x1 Flamengo25/4/1982 - Final do Campeonato Brasileiro 1982 (3º Jogo)


2) Grêmio 1x2 Flamengo - 21/4/1999 - Oitavas de Final da Copa do Brasil (Ida)


3) Grêmio 0(2)x(4)0 Flamengo - 29/11/2001 - Semifinal da Copa Mercosul (Volta)


4) Grêmio 0x1 Flamengo - 12/5/2004 - Quartas de Final da Copa do Brasil (Ida)


5) Grêmio 1x1 Flamengo - 1/8/2018 - Quartas de Final da Copa do Brasil (Ida)


6) Grêmio 1x1 Flamengo - 2/10/2019 - Semifinal da Copa Libertadores da América (Ida)


7) Grêmio 0x4 Flamengo - 25/8/2021 - Quartas de Final da Copa do Brasil (Ida)


Após o título brasileiro de 1982, o Flamengo foi eliminado pelo Grêmio por nada menos do que 6 (seis) mata-matas em 7 (sete) disputados (!) - Libertadores/1984 (triangular semifinal), Brasileiro/1988 (4ªs de final), Copa do Brasil/1993 (semifinal), Copa do Brasil/1995 (semifinal) e Copa do Brasil/1997 (Final). Durante esse período, que forjou a minha birra com o adversário, único triunfo rubro-negro se deu nas oitavas de final da Supercopa dos Campeões da Libertadores/1992.

O título perdido em pleno Maracanã em 1997 parece ter despertado os brios do Mais Querido, que, a partir das oitavas de final da Copa do Brasil/1999, triunfou sobre o rival em absolutamente todos os sete mata-matas seguintes (!).

Então, tem que manter isso aí (o tabu).

Que São Judas Tadeu nos guie para mais uma vitória na Arena do Grêmio.

O Ficha Técnica, como de praxe, subirá as 19:00h.

A palavra está com vocês.

Bom die SRa tod@s.