terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Todo Carnaval Tem Seu Fim

 “Todo dia um ninguém José acorda já deitado
Todo dia, ainda de pé, o Zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo

Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim
E é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz !
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco?
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul

Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz !
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz !

Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz !
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz !
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar”.


Hoje o Flamengo é um clube diferente de 2011, evolui dentro e fora de campo (não somente no futebol), e nossa torcida é por essa evolução constante. O clube é a razão de estarmos aqui, juntos, irmanados, discutindo, construindo à nossa maneira um clube cada vez melhor. Quando comecei a escrever aqui nem sabia por onde começar, sobre o que falar e posso dizer que foi o blog que forjou muitas das coisas que penso, o que sei sobre o Mais Querido, em discussões nos comentários, debates, troca de ideias, uma construção coletiva. Somos todos construções coletivas.

Meu texto se inicia com a citação de uma música, que não é minha, é do Los Hermanos (sei que o Villa curte) pra comunicar que por motivos pessoais não serei mais o colunista das terças-feiras aqui neste lar. A partir da próxima semana, revezarão aqui no Buteco do Flamengo como novas contratações o André Cardoso e meu primo Leandro Machado, que já vinha escrevendo colunas para o Buteco. Muito boa sorte aos novos colunistas! Que tenham o mesmo prazer e honra que tive ao começar a escrever para esta casa! Permanecerei como moderador dos comentários no blog e me despeço num feriado de carnaval, com a alegria de viver esta casa e a tristeza de um fim de carnaval. A vida segue.

Obrigado a todos os blogueiros, aos leitores silenciosos, aos colunistas que me antecederam e a Massao Iwanaga, um amigo, leitor silencioso que me recomendou o Buteco, lá em 2011. Deixo neste até logo, minha coluna 210, meus agradecimentos ao Boss (Rocco), ao Gustavão e ao Becêba, o meu MUITO OBRIGADO! Obrigado por tudo! Terão minha eterna e fraterna gratidão! Esta casa, que sempre será minha, me proporcionou coisas incríveis, coisas que nunca havia sonhado, que nunca havia sentido, que estas linhas mal traçadas não conseguiriam expressar mais do que acabo de fazer. Não conseguem.

Sou e sempre serei o Luiz Filho do BUTECO. Filho do Buteco do Flamengo, por onde for quando o assunto se tratar de Flamengo, enquanto e quando falar de Flamengo. Como diz minha Bio no Twitter, “Cria do Buteco do Flamengo”. Fiz amigos, sim, amigos que o Buteco me deu, que o Flamengo me deu nesta conversa diária. Frutos para a vida, germinados, cultivados e colhidos aqui. E para quê a vida serve, não é mesmo? Serve para fazer amigos, construir boas relações, pra coisa boa. Penso e vivo assim. Flamengo aqui e em qualquer lugar, Buteco aqui e em qualquer lugar! Até a próxima, Butecada!






segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Hat-Trick de Carnaval

Salve, Buteco! Aproxima-se o dia da estreia na Libertadores da América, a qual, acredito, seja o principal desejo da maioria da torcida em 2017. Resolvi então fazer três perguntas a vocês abordando temas direta ou indiretamente relacionados com a competição.

Começo pelo Fla-Flu no próximo final de semana, repetindo a pergunta feita ontem pelo nosso amigo Ricardo Mattana. Na opinião de vocês, Zé Ricardo deveria escalar um time alternativo ou o titular? Observem que há prós e contras em qualquer decisão que o nosso treinador vier a tomar. Por exemplo, se escalar o time titular, pode desgastá-lo ou expor um jogador importante a um contusão na véspera da estreia da Liberta. Em contrapartida, o time pode ficar muito tempo sem jogar uma partida oficial. Qualquer decisão, portanto, envolve algum risco. Qual seria a melhor?

***

Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Miguel Trauco; Rômulo, Willian Arão, Diego e Everton; Guerrero. Falta um jogador nessa escalação, certo? Pois essa é exatamente a minha segunda pergunta: quem seria esse jogador, na opinião de vocês? Mancuello, Gabriel, Berrío, Felipe Vizeu?

Sobre o tema, algumas ponderações: o Berrío tem me agradado muito e me parece que ele e o Felipe Vizeu são os jogadores, dentre os que compuseram o banco de reservas nas últimas partidas, que têm melhores condições de dar mair poder ofensivo ao time. O colombiano têm entrado muito bem e sempre participa das situações de gol, convertidas ou não. Então o que seria melhor: já lançá-lo como titular ou contar com ele para modificar o panorama de um jogo difícil?

***

Seguindo o regulamento e sendo a única alternativa disponível, o Flamengo indicou o Maracanã como o estádio no qual mandará os jogos na Libertadores da América. Porém, considerando que em breve o estádio na Ilha do Governador deve ficar pronto, qual seria a melhor opção: continuar a mandar os jogos no Maracanã ou mudar para a Ilha?

***

A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Flamengo 1 x 0 Vasco - O freguês voltou



Bom dia, Buteco!

O clássico começou semelhante aos confrontos anteriores: muitos cartões, jogadas truculentas, todo mundo querendo mostrar que tem raça, luta, vontade, menos futebol. Aos poucos o Flamengo foi se organizando dentro de campo, deixando esse jogo emocional de lado e não demorou muito para ter total controle do jogo.

Mancuello, que não estava em uma tarde inspirada, deu lugar a Gabriel ainda no primeiro tempo devido a uma contusão e o time melhorou. Com o atacante baiano, o time teve maior organização defensiva, começou a forçar jogadas em alguns vascaínos já amarelados e não demorou muito para encontrar um pênalti e logo em seguida o gol.

Com o 1x0 no placar e o Vasco precisando vencer, o jogo ficou a feitio do Flamengo, que passou a dominar as ações, principalmente na segunda etapa, e se não fosse a falta de pontaria e capricho dos homens de frente era jogo para 3 ou 4 gols no placar. Cabia mais!

Diferente de muitos, que pensam que um jogo como esse não valia nada, achei um bom teste para a Libertadores. Evidente que o elenco do Vasco apresenta diversas fragilidades, mas o lado emocional também precisava ser testado. Não caímos na “pilha” dos vascaínos e nem devemos cair também na “pilha” e catimba dos adversários sul-americanos que enfrentaremos nos próximos meses.

Apesar do retrospecto negativo nos últimos jogos, seis titulares debutavam no clássico: Muralha, Rever, Vaz, Trauco, Romulo e Diego. Percebam que se trata de praticamente nosso sistema defensivo inteiro, além de dois dos mais experientes do grupo, sem contar o Zé Ricardo que também estreava.

Mesmo faltando inspiração no ataque em alguns momentos da partida, o time continua muito bem taticamente e apresenta um futebol maduro. Lideranças como Muralha, Rever e Diego fizeram MUITO bem ao grupo e vejo o Flamengo como uma das principais potências sul-americanas.

Destaques do jogo de ontem: Diego, Arão, Trauco e a dupla de zaga.

Sendo assim, é possível dizer que o time já está pronto para a Libertadores?

Antes de responder esta pergunta, o que significa estar pronto?

Se significar que o time está no auge técnico e pronto para ser campeão, a resposta será não. Agora se significar um time que já possui uma base, com consciência tática e condições físicas razoáveis, pronto para encarar os primeiros desafios da Libertadores, respondo que sim.

Antes de nossa estreia na competição continental temos uma final contra o Fluminense, que na verdade, não te leva a lugar nenhum, pois o campeão ganha vaga somente para as semifinais do estadual. Em termos de tabela não significa muito, mas trata-se novamente de um clássico estadual e uma vitória dará moral ao grupo.

O que fariam para esse jogo contra o Flu? Time reserva, misto ou titulares?

O que falta para o Fla estar “pronto” para a estreia da Libertadores?

Um bom domingo de carnaval a todos e comemorem! Nosso freguês voltou!

SRN  e até a próxima!





sábado, 25 de fevereiro de 2017

Flamengo x Vasco da Gama

 


Taça Guanabara 2017 - 1ª Semifinal

FLAMENGO: Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Miguel Trauco; Rômulo, Willian ArãoDiego, Mancuello (BerríoEverton; Guerrero. Técnico: Zé Ricardo.

Vasco da Gama: Martin Silva; Gilberto, Luan, Rodrigo e Henrique; Jean, Douglas, Kelvin, Nenê e Wagner; Thalles. Técnico: Cristóvão Borges.

Data, Local e Horário: Domingo, 25 de Fevereiro de 2017, as 17:00h (USA/ET 15:00h), no Estádio General Sylvio Raulino de Oliveira ou "Raulino de Oliveira" ou "Estádio da Cidadania", em Volta Redonda/RJ.

Arbitragem - Leonardo Garcia Cavaleiro, auxiliado por Wagner de Almeida Santos e Jackson Lourenço dos Santos.

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Notas Rubro-Negras







Irmãos rubro-negros,


Nesta véspera de carnaval, vamos às breves e modestas notas rubro-negras.




Decisão.

Amanhã é decisão, amigos. O campeonato da Ferj vale pouco, mas a rivalidade ainda é um grande combustível.

Nós sabemos que o Flamengo está muito à frente em termos de estrutura, finanças e até mesmo elenco.

Mas isso precisa se refletir no campo.

O jogo de amanhã será um bom teste visando à nossa estreia na Taça Libertadores da América.

Mais que o teste, porém, nossa alma flamenga exige vencer, vencer, vencer.

Bora invadir Volta Redonda e cantar com amor e coração.

Queremos raça, Mengão!






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Estádio.

Que bela iniciativa da diretoria, surpreendendo a todos com o anúncio do Maracanã como nossa casa no dia 08 de março.

Confesso que eu gostaria que o jogo fosse na Ilha do Governador, mas o Maracanã vai muito bem na ocasião.

Aliás, está na hora de pararmos com esse negócio de que o "estádio é frio, não ajuda o time, não pressiona o adversário."

Realmente, não é o antigo Maracanã e quem viveu o antigo Maracanã sente muita saudade.

O mais importante, porém, é o Clube de Regatas do Flamengo e seja o antigo ou o novo, nós, da Nação Rubro-Negra, fazemos a diferença.

Eu mesmo participei de jogos, já neste novo Maracanã, em que a torcida do Flamengo foi determinante para a vitória do Mengão.

Qualquer um que puxar pela memória, vai lembrar de jogos assim.

Então chega de frescura. Vamos vestir o Manto Sagrado e empurrar o Flamengo no Maracanã no dia 08 de março.

Sobre a reunião da diretoria do Flamengo com a prefeitura de Niterói, objetivando um estádio rubro-negro na cidade, penso ser uma hipótese excelente, desde que o local idealizado seja ali próximo às Barcas.

A questão, porém, envolve como sempre o transporte.

Quem mora na Baixada, Zona Norte e Zona Oeste do Rio de Janeiro terá seríssimos problemas para voltar para casa num jogo de meio de semana que termine perto da meia-noite.

Sem trens e metrô, ficará mais fácil pernoitar em Niterói ou no Centro do Rio.

Por isso, qualquer projeto em qualquer localidade do Rio, até na Gávea ou no Maracanã, vai exigir um cuidado do Poder Público em relação à adoção de esquema especial de trânsito para atender à demanda da torcida do Flamengo.

O fato é que nenhum local agradará a todos.

Diante das dificuldades impostas ao clube pela prefeitura e pelo estado do Rio de Janeiro, Niterói se torna uma ótima opção, e que surge em momento bastante oportuno.

Aguardemos o desenrolar dessa negociação.







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Elogio.

Liguei esta semana para o programa Nação Rubro-Negra, além de atualizar alguns dados pelo site. Fiquei impressionado com a qualidade do serviço.

As atendentes foram solícitas e souberam esclarecer perfeitamente as minhas dúvidas.

Presumo que em vésperas de grandes jogos, em que há muita procura, o sistema fique sobrecarregado.

Mas a minha experiência foi muito boa. Nenhuma ressalva a fazer. E quando liguei já passava das 20h.

Melhorou muito o serviço.





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Fé.


Em relação a sábado, como dizia o grande Cláudio Coutinho, mete a faca e gira, Mengão.

Todo amor ao Mengo.





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Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Empate murcho e outras reminiscências

Ontem, dia 22/02/2017, foi mais um dia típico para o torcedor do Flamengo. Cercado de emoções e reviravoltas. Faz sucumbir aos remédios de controle de ansiedade qualquer pessoa zen. 

As redes sociais rubro-negras amanheceram em fúria. Por algum motivo, a mim desconhecido, creem piamente que o Flamengo pode moldar a realidade em que vive, a despeito dos agentes que coexistem com ele. E que realidade é esta? O Estado é hostil ao Flamengo. Governo Estadual, Municipal, Federação Estadual, CBF, tudo o que podem fazem para diminuir e atrapalhar o trem pagador, o clube que carrega multidões. Mas brasileiro é assim. Quer sempre "matar" a pessoa que faz sucesso, tendo prazer em sua ruína. O Flamengo apenas repete o padrão enquanto clube. É o espelho da sanha destruidora do povo na "morte", ainda que simbólica, daqueles que sobressaem. Não é de hoje.

Flamengo remodela o estádio da Ilha. Novas arquibancadas provisórias, novo gramado, instalações, consertar aquilo que o Botafogo destruiu "sem querer". Tudo isto toma tempo. Precisa de licenças que o Poder Público, este que tem o Flamengo como inimigo, tem o poder de conceder. "É fácil!", dizem alguns. "Basta querer!", entra o coro dos histéricos. E aí a gritaria fica turbinada porque para muitos "saiu na internet então é verdade". E taca de jornalistas e pseudos construírem matérias forjadas para causar o histerismo, que é retribuído por cliques e mais cliques, alimentando a visibilidade destes portais e atraindo mais publicidade para eles.

Sem Maracanã, sem Estádio da Ilha, e o Engenhão, construído pelo município do Rio de Janeiro, concedido a um clube com visão mesquinha sobre seu papel enquanto gestor de um estádio MUNICIPAL. Não sei as regras desta concessão absurda a um clube falimentar, mas certamente creio que deve haver impeditivo quanto a negar jogos no estádio MUNICIPAL baseado no humor do presidente do clube da vez. Mas como tudo foi armado por um péssimo e desastroso político como César Maia, tudo pode ser possível.

Enfim, redes sociais em fúria. Achavam que o Flamengo não jogaria no Rio porque não queria. Outros vociferam que queria jogar em Brasilia para "ganhar dinheiro", como se isto fosse ruim. Como acham que o Flamengo paga as contas, monta estrutura profissional e a mantém? O surto anti-capitalista do brasileiro explica nosso atraso enquanto sociedade e povo, até porque nenhuma alternativa melhor foi colocada em prática na história mundial até o momento. Enfim, Brasilia virou o inferno da vez. Apesar da boa estrutura local, torcida entusiasmada do Flamengo, "Não podia ser lá". "Tinha que ser no Rio".

Em meio a isto, a diretoria do Flamengo trabalhava em silêncio observando o barulho de fora. E, de repente, anuncia que o jogo será no Maracanã. Vozes trovejantes calaram-se de súbito. A torcida comemora a recuperação do ex-defunto para o jogo. Embora não sei como será visto o estado que se encontrava. Mas o Flamengo tem sob contrato o Marcelo Frazão, antigo gestor do estádio sob a Odebrecht, e certamente deve saber como operacionalizar para dar condições de jogo. É no que todos contam.

Emoção. Turbilhão. E vem o Flamengo jogar com seus reservas com o Ceará. Lá. Aí a emoção deu lugar ao sono. Deixo para vocês comentarem sobre este jogo.








quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Ceará x Flamengo

 


Primeira Liga - 3ª Rodada - Grupo B

Ceará: Éverson; Tiago Cametá, Luiz Otávio, Valdo e Romário; Raul, Richardson, Felipe Menezes e Maxi Biancucci (Douglas Baggio); Magno Alves e Lelê. Técnico: Givanildo.

FLAMENGO: Muralha; Rodinei, Donatti, Juan e Renê; Cuéllar, MárciAraújo, Lucas Paquetá, Gabriel e Adryan; Felipe Vizeu. Técnico: Zé Ricardo.

Data, Local e Horário: Quarta-Feira, 22 de Fevereiro de 2017, as 19:30h (USA/ET 17:30h), no Estádio Governador Plácido Castelo ou "Gigante da Boa Vista" ou "Castelão", em Fortaleza/CE.

Arbitragem - Anderson Daronco (FIFA), auxiliado por Helton Nunes e Elio Nepomuceno de Andrade Junior, todos do Rio Grande do Sul.

 

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

Semana passada, um desses portais esportivos listou alguns jogos em que equipes brasileiras teriam colocado times de outros países “na roda”. Não sei se por clubismo ou mera ignorância, algumas passagens expressivas da história rubro-negra foram ignoradas. Assim, esta semana expando o conceito e listo aqui dez jogos em que o Flamengo, enfrentando equipes europeias, sobrou em campo, venceu com folga e saiu de campo sob palmas. São partidas apenas de 1980 para cá. Assim, momentos como, por exemplo, as vitórias sobre Arsenal (1949), Honved (1957) ou NY Cosmos (1977), ou as inúmeras goleadas sobre equipes sul-americanas aqui não são consideradas. Nossa história é vasta demais para apenas um texto.

* * *

10 - VALENCIA-ESP 0-3 FLAMENGO, 1986
Trofeo Naranja, Estádio Luis Casanova, Valencia-ESP,

Campeão Estadual, o Flamengo viaja para uma rápida excursão. Após alguns maus resultados, o inconformado treinador Sebastião Lazaroni exige empenho da equipe para o jogo contra o Valencia, que encerra a turnê. Dá certo. Mesmo desfalcado de vários titulares, o Flamengo, após suportar forte pressão inicial, abre o placar com um chute forte do jovem Aldair. Na segunda etapa, amplia com Bebeto, aproveitando assistência de Vinícius e passa a gastar a bola, aos gritos de “olé” de uma torcida entre enfurecida e encantada. No fim, o centroavante Vinícius, com estilo, conclui belíssima jogada coletiva, colocando números finais no marcador. O Flamengo volta a conquistar o Troféu Naranja. E, admita-se, ficou barato.

9 - FLAMENGO 5-2 BENFICA-POR, 1997
Torneio Centenário de Belo Horizonte, Estádio Mineirão, BH

Com o time em crise, por conta do péssimo início no Brasileiro e do retorno de Romário ao Valencia, a diretoria pensa em duas válvulas de escape para a retomada da estabilidade. O anúncio da contratação de Renato Gaúcho, em litígio com o Fluminense, e a participação no Torneio Centenário de Belo Horizonte. Após um empate (2-2) contra o Olimpia-PAR, o Flamengo enfrenta um time misto do Benfica, com algumas caras conhecidas do brasileiro, como o zagueiro Gamarra, o meia boliviano Erwin Sanchez e o atacante Paulo Nunes. O time português, desmotivado pela estreia ruim (1-4 Cruzeiro), oferece pouca resistência, e o Flamengo abre o placar com Sávio, de pênalti. No entanto, o Benfica empata a seguir, numa falha de Clemer. Pouco antes do final do primeiro tempo, Iranildo coloca novamente o Flamengo à frente. Após o intervalo, o Benfica avança de forma suicida suas linhas, dando espaços suculentos para o veloz time rubro-negro. A goleada é construída naturalmente, com Lúcio, Rodrigo Mendes e Fábio Baiano, descontando Paulo Nunes (num belo gol, aliás). No entanto, a goleada pouco servirá para acalmar os ânimos. Dois dias depois, a equipe será derrotada por uma formação reserva do Cruzeiro, resultado que custará a cabeça do treinador Sebastião Rocha.

8 - VALENCIA-ESP 1-3 FLAMENGO, 1997
Trofeo Naranja, Estadio Mestalla, Valencia-ESP

Encerrando sua participação em gramados espanhois, o Flamengo enfrenta o Valencia de Romário, em um Estádio Mestalla com bom público. Romário, motivado com a qualificação da equipe (que conta com Zubizarreta e Ortega, entre outros) e com as boas perspectivas na temporada, comanda o ataque da equipe espanhola. Logo no início, abre o placar em bela jogada individual, mas a seguir, ao tentar uma bicicleta, lesiona o adutor da coxa e sai de campo. Sem o craque, o Flamengo cresce, e, precisando da vitória para conquistar o torneio, parte para dentro do adversário. É, talvez, a maior atuação individual de Sávio com a camisa rubro-negra. O atacante é o nome do jogo. Marca três vezes, arrancando gritos enlouquecidos do público. A vitória não é suficiente (o Flamengo precisava de mais um tento), mas o Flamengo sai da Espanha com o prestígio inflado. Além disso, as atuações de gala de Sávio praticamente selam o passaporte para a carreira europeia do jogador, que se transferirá para o Real Madrid ao final da temporada.

7 - HAMBURGER SV 1-3 FLAMENGO, 1989
Hafenpokal, Estádio Wilhelm Koch, Hamburg-ALE

Perdemos para um dos melhores do mundo”, resigna-se o treinador do HSV, após o verdadeiro passeio que acaba de presenciar, na decisão do Hafenpokal, um torneio local. O Flamengo de Telê, tentando remontar sua equipe após o desmonte do Estadual, apresenta algumas caras novas, como os jovens Gonçalves, Júnior Baiano, Rogério, e Nando, este vindo do Bangu, primeira tentativa para repor a complicada saída de Bebeto. Mas são os veteranos Júnior e, principalmente, Zico, que comandam o baile. O Galo abre os trabalhos aos 3 minutos e depois, à base do esporro e do incentivo, comanda os garotos, que imprimem uma alucinada movimentação, desnorteando o adversário, que mal parece uma das principais equipes alemãs (é o atual 4º colocado). Os gols saem naturalmente, com Ailton e Nando. Os alemães descontam no final da partida, quando o rubro-negro já toca a bola sem pressa. Sob cerrados aplausos, o Flamengo conquista o torneio. É a última taça erguida por Zico em sua carreira rubro-negra.

6 - FLAMENGO 3-1 BAYERN MÜNCHEN, 1994
Torneio Internacional da Malásia, Estádio Shah Alam, Kuala Lumpur-MLS

O Flamengo participa de um grande torneio internacional, para a inauguração do vistoso estádio Shah Alam, em Kuala Lumpur. Após empatar com a Seleção Australiana (0-0) e derrotar o Leeds United-ING (2-1), chega à final, contra o Bayern München. A partida é badalada, com presença de várias autoridades. O campeão alemão sai na frente, mas o Flamengo, em grande atuação de Rogério e Sávio, logo reage. Rogério empata, numa violenta cobrança de falta. Na segunda etapa, um tiro despretensioso desvia num alemão, é o segundo do Flamengo. O rubro-negro, então, recua as linhas e passa a explorar contragolpes fulminantes, aproveitando a alucinante velocidade de seu jovem time. Numa dessas escapadas, o garoto Sávio amplia. Nervoso, o Bayern passa a apelar para jogadas violentas, tentando conter o ímpeto flamengo. A nota triste é a grave lesão de Charles Baiano, que o tirará de atividade no segundo semestre. Ao final do jogo, em que o Flamengo ergue o título, o treinador Carlinhos, empolgado, exorta: “estamos prontos pro Brasileiro”. Não estavam.


5 - EINTRACHT FRANKFURT-ALE 1-3 FLAMENGO, 1980
Amistoso, Waldstadion, Frankfurt-ALE

Apenas seis dias após a encarniçada Final do Brasileiro, o Flamengo volta a campo, dessa vez para enfrentar o Eintracht Frankfurt, campeão da Copa UEFA (hoje Europa League). O forte time alemão, jogando em casa, logo abre o marcador, numa falha de Cantarele. O Campeão Brasileiro não se abate e passa a exercer forte marcação no campo do adversário, imprimindo uma movimentação alucinante. Zico, em bela jogada individual, sofre e converte o pênalti que empata a partida. Apesar das inúmeras chances criadas pelo Flamengo, o jogo vai empatado para o intervalo. Na segunda etapa, inteiramente à vontade, o rubro-negro marca o segundo, após Nunes receber de Carpegiani e driblar o goleiro. Depois, o Flamengo passa a rodar a bola com classe, o que encanta o normalmente frio público alemão. Com o Frankfurt na roda, a pá de cal se dá com Andrade, em violento chute de longe. Final, 3-1. Após o jogo, lacônico e ainda desconcertado, o treinador Grabowski declara, “Zico não nos impressionou, parece ter se deixado marcar. Mas isso se mostrou traiçoeiro, pois eles tinham bons jogadores, capazes de aproveitar os nossos espaços. Futebol alegre e vivaz. Mereceram vencer.”. Zico, comentando o jogo, apenas menciona, “foi bom jogo, eles nos fizeram correr”. O Flamengo passa a ser a equipe mais procurada para amistosos.

4 - FLAMENGO 7-0 REAL SOCIEDAD-ESP
Sharp Cup, Estádio Nacional, Tóquio-JAP, 1990

Simples, certo e objetivo”. Esfregando as mãos com os ótimos treinamentos, o treinador Jair Pereira assim resume seu esquema, pensando em aproveitar a cansativa excursão para montar a base da equipe para o Brasileiro. No primeiro jogo, um velho conhecido palco. O Estádio Nacional de Tóquio, testemunha do Mundial-81 e da Kirin Cup-88. O adversário, o Real Sociedad, quinto colocado na Espanha. A surpresa, o gramado, agora sintético.
Diante de 50 mil aparvalhados espectadores, o Flamengo, após início hesitante (adaptando-se ao campo de jogo), mostra-se inteiramente à vontade e passa o trator por cima da boa equipe espanhola (“Não conseguimos acreditar. Não jogamos. Talvez tenha sido o piso, ou o adversário, enfim”). O quarteto formado por Bobô (estreando no rubro-negro), Júnior, Gaúcho e principalmente Renato (que faz o diabo em campo), vai empilhando gols com inacreditável naturalidade. Gaúcho é o goleador da noite, com três gols. Renato (2), Bobô e Bujica completam o marcador. O Flamengo, ovacionado, é o Campeão da Sharp Cup. Mas o ambiente está longe de ser dos melhores. O dirigente Francisco Horta, homem forte do futebol flamengo, vai cumprimentar Renato pela esfuziante atuação. É ignorado pelo jogador (ressentido com críticas recentes). Alguns dias mais tarde, acabará demitido.

3 - NAPOLI-ITA 0-5 FLAMENGO, 1981
Torneo di Napoli, Estádio San Paolo, Napoli-ITA



Os italianos vão curtindo em suas casas aquela que parece ser apenas mais uma tranqüila tarde de domingo, quando subitamente a RAI interrompe a programação regular e passa a transmitir imagens do Estádio San Paolo. “Passamos a acompanhar um momento sublime, extraordinário, fora de qualquer parâmetro. Uma aula do verdadeiro e mágico futebol.” A essa altura, o Flamengo já está amassando o Napoli por 3-0, diante de 80 mil espectadores inebriados e estarrecidos. O Flamengo não toma conhecimento do adversário (terceiro colocado na Liga Italiana) ou do sufocante clima local. Desfila. Evolui com inverossímil facilidade. Zico, autor de três gols (os outros são de Nunes e Júnior), exibe um jogo tão exuberante que é tratado de “figura de outro planeta”. Mas, lembram os cronistas, o Flamengo possui mais, muito mais. A começar por Nunes, que esquece o papel de centroavante e, por orientação tática, marca e anula o craque do time, o líbero holandês Ruud Krol. Aliás, Krol, ao final da partida, declara com veia enfática, “Não há muito sentido ficar comparando Maradona a Zico. O argentino terá que evoluir muito para chegar ao nível esplendoroso do brasileiro.” Com efeito, Zico, para os italianos, mais que objeto de cobiça, torna-se obsessão.


2 - REAL MADRID-ESP 0-3 FLAMENGO, 1997
Trofeo Palma de Mallorca, Estadio Luis Sitjar, Mallorca-ESP

O valorizado treinador Paulo Autuori, Campeão Brasileiro de 1995, Estadual e da Libertadores de 1997, enfim aceita o convite de treinar o Flamengo. No entanto, sua estreia promete ser indigesta, contra os titulares do Real Madrid (que mais tarde se tornará Campeão Europeu), no Torneio de Mallorca, na Espanha. “Não pedirei reforços. Não sou leviano, não conheço o elenco”. A partida inicia em ritmo lento, com o Real Madrid desinteressado. Porém, quando Autuori manda o time acelerar o jogo, o Flamengo passa a controlar inteiramente as ações, e não demora a marcar dois gols, com Maurinho e Lúcio. O Real, diante da inesperada dificuldade, desestabiliza-se e passa a caçar os jogadores flamengos. Fábio Baiano toma as dores e por pouco não é expulso. Na segunda etapa, mais calmo, o Real começa a impor dificuldades, mas o atacante Suker se exaspera e é expulso, por reclamação. Está aberto o caminho para o baile. O Flamengo desperdiça oportunidades sistematicamente, tem um gol (mal) anulado de Maurinho e, finalmente, chega ao terceiro, com Sávio, de pênalti. O Flamengo não vencerá o torneio, mas a brilhante atuação da equipe dá confiança para a recuperação no Brasileiro. Como curiosidade, o Real, na disputa do terceiro lugar, escala um time reserva, contra o Vitória-BA. Um jovem sérvio do terceiro time se destaca, com dois gols e belíssimas assistências. Seu nome, Dejan Petkovic. A diretoria do Vitória, por intermédio do seu patrocinador (que já trouxera Túlio e Bebeto), consegue a contratação do jogador. E o resto é história.

1 - LIVERPOOL-ING 0-3 FLAMENGO, 1981
Mundial Interclubes, Estádio Nacional, Tóquio-JAP

O maior jogo da história do Flamengo, a partida que consagra toda uma iluminada geração de craques. O adversário é o atual Campeão Europeu. Mais que isso, empilha seu terceiro título europeu em cinco temporadas. Ganhará de novo dali a dois anos. Na Liga Inglesa, coleciona troféus como um baralho. Entre 1975 e 1984, conquista SETE de NOVE campeonatos nacionais. É tido como o principal e mais temido clube europeu, The Red Army, e assim permanecerá até o surgimento da Juventus de Boniek, Platini & Cia.
É esse time, jogando com sua força máxima, que o Flamengo pulveriza e reduz a escombros no início da tarde de 13 de dezembro de 1981. Estarrecido, o legendário treinador Bob Paisley tenta encontrar palavras para descrever o massacre: “Não sei explicar. Simplesmente não sei. Estávamos preparados, treinamos forte, estudamos. Mas não tenho respostas”. Mais objetivo, o capitão e zagueiro Thompson, também da Seleção Inglesa, encontra a explicação óbvia: “Zico é infernal. Foi simplesmente impossível marcá-lo. Mesmo longe da área.” Indiferentes aos ingleses, os flamengos, em todo o Brasil e no Mundo, somente beberam, dançaram e cantaram a maravilhosa alegria de ser rubro-negro.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Estratégia e Formação (2012)

Acabei de entrar no Facebook (conhecida por mim como "aquela rede social" ou a "Rede Social vizinha"), e o mesmo, fez uma lembrança de um texto escrito em 2012. Gostei! Muito! O texto traz coisas ainda atuais, critica aspectos do passado e demonstra que algo mudou neste períodoe ainda aponta para mudanças maiores dentro do clube. A ver:

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— "O mais importante no futebol é que os melhores jogadores sejam os zagueiros. Se você sai com a bola, consegue jogar; se não, não faz nada. Se perde muito a bola, o time se desequilibra; se a perde pouco, consegue manter o equilíbrio". (Pep Guardiola)

A frase citada exibe implicitamente a noção de interdisciplinaridade, que se dá quando você utiliza conceitos e preceitos científicos, aplicados em uma outra ciência ou esporte, no caso. O que Guardiola diz se origina na reconstrução e na nova filosofia do basquete moderno, o que se pratica atualmente na Europa, muito bem jogado na Argentina e que entra de vez nos EUA, NBA. Defesa forte, transição calma, não lenta, com objetivo de manutenção da posse de bola até que se ache uma brecha nos segundos finais para não dar chance para o adversário atacar. Infelizmente, o equilíbrio de uma equipe aliada a estrategia da manutenção a todo custo da posse da bola foi deturpada no futebol brasileiro e materializando-se no São Paulo tricampeão brasileiro de Muricy Ramalho que "consagrou" o “ataque vence jogo, defesa vence campeonato”.

A questão principal é como se defende e como se ataca. Aqui a defesa não tem o intuito da obtenção da bola, sim defender por defender apenas, digo melhor defender somente para não levar gols, nunca para ficar com a bola. No basquete e no futebol jogado nos próximos anos será necessário uma defesa “ofensiva”, forte, para que além de pegar o adversário em situação desconfortável, objetive ficar com a posse e desgastar-se menos com um melhor posicionamento em campo. Outro dia ouvi que o Barcelona é o time que menos cansa no mundo, porque não corre atrás da bola. Messi que o diga, jogando mais de 50 jogos na temporada em altíssimo nível e quase não se contundindo, apesar das pancadas. Carlos Alberto Parreira nunca conseguiu implantar efetivamente esta estratégia, pela dificuldade do jogador brasileiro entender, respeitar, sendo muito indisciplinado taticamente, e penso, pouco inteligente também.

Estudar é importante para a gestão da carreira dos atletas do futebol, de suas famílias e traz tranquilidade e consciência para a execução de seus papeis dentro e fora do campo. Jogar futebol nunca foi e nunca será apenas jogar bola, são milhões de torcedores apaixonados pelo mundo. A questão intelectualidade do atleta afeta a inteligência esportiva e emocional, exceto no caso dos gênios, craques. O assunto é muito pouco discutido no Brasil, mas a educação dos atletas do futebol (no caso falta) tem resultado direto no campo. Quando um jogador é intelectualmente acima da média ainda fica marginalizado no Brasil das panelinhas, vira o "polêmico", controverso.

Relacionando diretamente ao Flamengo e retornando a parte tática e estratégica, é importantíssimo uma defesa (sistema) qualificada, "ofensiva" com jogadores rápidos e habilidosos, o fundamento passe preciso, armadores disciplinados taticamente, que pensem o jogo com companheiros que lhes deem opções de passe e atacantes moveis. Jogando um bom futebol fica mais fácil vencer jogos, marcando ofensivamente para ficar com a bola no campo adversário será mais difícil sofrer gols. Este é um problema do futebol brasileiro como um todo, não é comum este tipo de prática. Será necessária uma mudança da mentalidade na formação dos atletas, para melhorarmos o nível do futebol do Flamengo.

Joel Santana é muito bom na parte psicológica e tática de suas equipes, mas péssimo estrategicamente, aplicando o erroneamente o conceito de defesa. Dificilmente jogará com defesa alta (mais à frente) como jogam as equipes mais consistentes. Como produto temos hoje erros de filosofia estratégica dos treinadores (não apenas o Joel) que não enxergam novidades ou criam tendências, os atletas que são mimados, indisciplinados taticamente e fora de campo, isso atrapalha muito. Pensando no futuro a mudança deve se dar na base, agora, individualmente “forçando” o estudo, a leitura, para que o atleta cresça na parte esportiva e em sua vida particular, para criar criticidade e senso de responsabilidade que no "mundo da bola" está em falta.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Fla 100% no Sábado de Carnaval

Salve, Buteco! O Mais Querido é 100% em jogos oficiais na temporada 2017 e está na semifinal da Taça Guanabara, quando no próximo sábado enfrentará o tradicional rival Vasco da Gama. Nas redes sociais e neste espaço circulam os mais diversos argumentos para explicar a campanha. Via de regra, há um consenso segundo o qual o time ainda não apresentou um futebol plenamente convincente, muito menos "a tal da compactação" que os times melhor armados taticamente exibem no futebol moderno. A partir daí surgem as divergências: enquanto há quem diga que o quadro é absolutamente normal em início de temporada, inclusive porque no Brasil não há quem esteja "tinindo nos cascos" entre os times grandes, outra parcela da torcida se preocupa com a Libertadores da América e o difícil grupo que o Flamengo integra.

Ou seja, para uns a melhora do time é apenas questão de tempo, enquanto para outros a questão tática preocupa na Libertadores.

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Ontem, em Volta Redonda, contra um Madureira até então também 100%, no primeiro tempo o Flamengo conseguiu dominar territorialmente o adversário, mas não envolvê-lo com um futebol de passes e jogadas bem articuladas. Ao contrário, nesse fundamento pareceu errar mais do que o costume, e o gol de Diego saiu em uma jogada que para mim mostrou oportunismo: no espaço que o zagueiro Madureira ocupava antes de ser expulso o nosso maestro encontrou o caminho para mandar a bola no ângulo e abrir o placar.

O Madureira ameaçou reagir mesmo com um a menos, tendo a trave nos salvado, mas após o gol de Guerrero o tricolor suburbano desmoronou mentalmente e o Flamengo cuidou de construir uma confortável goleada contra o adversário com um a menos em campo. Destaque, é claro, para o golaço de Lucas Paquetá, a quem faço votos para que consiga se firmar no elenco profissional. Por sinal, o teste tático foi interessante e naquele momento o Flamengo formava um 4-1-4-1 com Mancuello e Paquetá jogando como meias internos, enquanto Gabriel e Everton se posicionavam abertos pelas extremas, todos compondo a segunda linha de quatro.

Também digna de nota foi a autêntica jogada de ponta feita por Felipe Vizeu no gol de Mancuello, fundamento (movimentação) que o jovem atacante ainda não havia mostrado no profissional.

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Falando em testes e como comentei na sexta-feira no post do meu amigo Luiz Mengão Eduardo, o Flamengo pode não ter jogado uma partida vistosa contra o América/MG no Bezerrão, mas considero importantes os que Zé Ricardo vem promovendo. Se ainda não ajustou o time taticamente, nosso treinador tem se mostrado mais flexível do que em 2016, ao menos nesse início de temporada. O mais difícil é encontrar uma fórmula que dê liberdade para os jogadores se movimentarem na frente em coordenação com uma recomposição defensiva eficiente.

Por enquanto os times do Flamengo que têm ido a campo ainda estão excessivamente presos à rígida concepção de pontas fixos, o que possivelmente explica o alto número de cruzamentos e a escassez de jogadas articuladas com trocas de passes. Ontem não foi exceção: novamente o time abusou dos cruzamentos para a área. Falta movimentação harmônica que aproveite de forma objetiva o alto índice de passos certos que a equipe normalmente apresenta. O discurso é bonito, mas a prática não é nem um pouco fácil.

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Se o Flamengo ganhar do Vasco e, projetando uma final de Taça Guanabara, do Fluminense 100%, certamente haverá quem não se convença em razão da má-fase da equipe cruzmaltina, egressa da Série B do Campeonato Brasileiro, e também pelo fato do Fluminense ainda não ter jogado à vera em 2017, contra adversários fortes ou em boa-fase. No campo da retórica, sempre haverá espaço para o contraponto. É inegável, contudo, que na prática clássicos regionais nunca foram fáceis e tendem a servir como um bom "esquenta" para a Libertadores.

A verdade é que só saberemos se o Flamengo estará pronto para o maior desafio sul-americano durante o curso da competição. Até lá, o jeito é curtir o time em campo e torcer para o Sábado de Carnaval ser rubro-negro, além do Zé Ricardo achar "a tal da compactação". Sim, filio-me à corrente "preocupados com a Libertadores", mas com a serenidade de quem começou 2017 com expectativas reduzidas no quesito e sem deixar de curtir os bons momentos que o futebol proporciona.

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Quarta-feira tem Ceará no Castelão com o Mais Querido já classificado para as quartas-de-final da Primeira Liga. Que time você mandaria pra campo? E como você vê o Mengão 100%? Sucesso absoluto ou ainda tem o que provar? A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Flamengo 4 x 0 Madureira

 


Taça Guanabara 2017 - 5ª Rodada - Grupo B

FLAMENGO: Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Trauco; Rômulo, Willian ArãoDiego, MancuellEverton; Guerrero. Técnico: Zé Ricardo.

Madureira: Rafael Santos; Ruan, Diego Guerra, Jorge Fellipe e Wellington Saci; Rezende, Wellington Carvalho, Luciano e Douglas Lima; Júlio César e Souza. Técnico: Paulo César Gusmão.

Data, Local e Horário: Domingo, 19 de Fevereiro de 2017, as 17:00h (USA/ET 15:00h), no Estádio General Sylvio Raulino de Oliveira ou "Raulino de Oliveira" ou "Estádio da Cidadania", em Volta Redonda/RJ.

Arbitragem - João Batista de Arruda, auxiliado por Rodrigo Henrique Corrêa e Daniel Alves Pereira.