sexta-feira, 31 de maio de 2019
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Abel saiu
E, em mais um episódio dramático envolvendo o Flamengo, o treinador Abel pega o boné e sai, não antes de acusar o atual presidente Landim e o dono do futebol, o Bap, de mentirosos por terem supostamente garantido a ele que não estavam procurando ninguém. Mas estavam atrás de Jesus. Ele sabia desta informação devido as suas fontes em Portugal que denunciaram esta movimentação do Flamengo. A presença de Jorge Jesus, treinador de sucesso em Portugal junto ao Benfica onde ganhou títulos importantes, no jogo contra o Atlético-MG , certamente ligou vários alarmes sonoros.
Landim, falando em coletiva que Abel saiu por "motivos pessoais" foi outra bola fora. Foi desmentido por Abel, que assim sinalizou que volta ao mercado, e ainda chamado de traíra. A Comunicação é um enorme problema nesta gestão. Do presidente até a última ponta.
E o problema no futebol, o qual nem posso dizer que é surpreendente pois durante a campanha a montagem de um futebol fortemente amador para "garantir cobrança" foi prometida. Os associados e mesmo a torcida compraram esta ideia. E agora temos um homem forte no futebol, o Bap, que rege o departamento através de terceirizados como Marcos Braz, o VP de futebol viajante, mais o conselhinho de palpiteiros. Junte a isto Pelaipe, que não tem histórico de estruturação profissional do Departamento e mais Noval, que deveria estar fixo na base, mas paira no futebol profissional ainda que não demonstre publicamente qualquer liderança no setor, parecendo ser mais uma eminência parda tão ao agrado do verdadeiro "dono", o Bap.
Marcos Braz, dirigente amador notório pela conquista de 2009 onde contou com a benesse da fortuna que proporcionou um time do Flamengo com um centroavante espetacular como Adriano mais o Pet em seu canto de cisne final da carreira, em um ano com vários problemas de gestão em que o técnico Cuca saiu do time e o Flamengo teve que contar com interino a partir em diante.
À partir daí Marcos Braz ficou afastado do futebol (em 2010 onde o departamento de futebol ficou uma zona e acabou sendo demitido) e sequer se ouvia sua voz a respeito do futebol contemporâneo. Chamado por esta gestão eleita para ser o VP de Futebol, ligado ao Bap, logo agiu como o esperado. Chamando profissionais amigos para trabalhar. Alexandre Sanz, afastado do mercado, trabalhando em clínicas na praia, veio a ser o preparador físico principal de um elenco milionário e que deveria ser muito competitivo. E o Marcelo "Fera" como auxiliar técnico da comissão técnica permanente. Auxiliar de Andrade em 2009 nunca mais teve qualquer outro brilho. Técnico fracassado no Nova Iguaçu, mas, por amizade, chamado a compor o staff profissional do clube. E assim vai o Flamengo. Conselhinho de palpiteiros, badalos de Bap, dirigente amador com uma ideia de profissionalismo bem arcaica, gerentão de futebol e o Bap dando a ultima palavra.
Não tem como dar certo. Penso eu. Mas ainda assim montou um elenco muito forte. E no afã de ter um técnico mais motivador contratou Abel. Técnico totalmente fora do esquadro em relação ao elenco contratado. Reativo, em declínio tático evidente, Flamengo jogava sob a ira da torcida indignada com atuações tão ruins de um elenco sabidamente de bom nível. E se notava que o problema não estava nos jogadores. Pois atuavam com vontade. Mas sim porque o Flamengo prescindia de esquema tático com mínima qualidade. Zaga ficava sempre exposta, não tinha qualquer compactação nem triangulação de jogadas, parecendo realmente ser verdadeira a acusação que o Flamengo "não treinava".
A diretoria então se viu forçada a procurar outro treinador. Certamente queria aproveitar o momento da parada da Copa América para fazer a troca. Mas procurar técnico no futebol é tão silencioso quanto elefante passeando em loja de cristais. Todo mundo fica sabendo. Whatsapps correm soltos. E aí o desastre é formado. Abel não queria classificar o time e o bônus ficar com outro treinador. Também não queria desclassificar e ser feito o vilão de tudo. Entendeu que perdeu o suporte e saiu.
Em mais este problema no departamento de futebol, é hora de procurar outro treinador mas agora, finalmente, com o perfil mais adequado para o elenco. Não será fácil. Será muito caro. Mas é a vida. E contar com um auxiliar técnico contratado não pela qualidade mas pela amizade para dirigir o time em partidas importantes e torcer pelo sucesso do mesmo neste período.
Landim, falando em coletiva que Abel saiu por "motivos pessoais" foi outra bola fora. Foi desmentido por Abel, que assim sinalizou que volta ao mercado, e ainda chamado de traíra. A Comunicação é um enorme problema nesta gestão. Do presidente até a última ponta.
E o problema no futebol, o qual nem posso dizer que é surpreendente pois durante a campanha a montagem de um futebol fortemente amador para "garantir cobrança" foi prometida. Os associados e mesmo a torcida compraram esta ideia. E agora temos um homem forte no futebol, o Bap, que rege o departamento através de terceirizados como Marcos Braz, o VP de futebol viajante, mais o conselhinho de palpiteiros. Junte a isto Pelaipe, que não tem histórico de estruturação profissional do Departamento e mais Noval, que deveria estar fixo na base, mas paira no futebol profissional ainda que não demonstre publicamente qualquer liderança no setor, parecendo ser mais uma eminência parda tão ao agrado do verdadeiro "dono", o Bap.
Marcos Braz, dirigente amador notório pela conquista de 2009 onde contou com a benesse da fortuna que proporcionou um time do Flamengo com um centroavante espetacular como Adriano mais o Pet em seu canto de cisne final da carreira, em um ano com vários problemas de gestão em que o técnico Cuca saiu do time e o Flamengo teve que contar com interino a partir em diante.
À partir daí Marcos Braz ficou afastado do futebol (em 2010 onde o departamento de futebol ficou uma zona e acabou sendo demitido) e sequer se ouvia sua voz a respeito do futebol contemporâneo. Chamado por esta gestão eleita para ser o VP de Futebol, ligado ao Bap, logo agiu como o esperado. Chamando profissionais amigos para trabalhar. Alexandre Sanz, afastado do mercado, trabalhando em clínicas na praia, veio a ser o preparador físico principal de um elenco milionário e que deveria ser muito competitivo. E o Marcelo "Fera" como auxiliar técnico da comissão técnica permanente. Auxiliar de Andrade em 2009 nunca mais teve qualquer outro brilho. Técnico fracassado no Nova Iguaçu, mas, por amizade, chamado a compor o staff profissional do clube. E assim vai o Flamengo. Conselhinho de palpiteiros, badalos de Bap, dirigente amador com uma ideia de profissionalismo bem arcaica, gerentão de futebol e o Bap dando a ultima palavra.
Não tem como dar certo. Penso eu. Mas ainda assim montou um elenco muito forte. E no afã de ter um técnico mais motivador contratou Abel. Técnico totalmente fora do esquadro em relação ao elenco contratado. Reativo, em declínio tático evidente, Flamengo jogava sob a ira da torcida indignada com atuações tão ruins de um elenco sabidamente de bom nível. E se notava que o problema não estava nos jogadores. Pois atuavam com vontade. Mas sim porque o Flamengo prescindia de esquema tático com mínima qualidade. Zaga ficava sempre exposta, não tinha qualquer compactação nem triangulação de jogadas, parecendo realmente ser verdadeira a acusação que o Flamengo "não treinava".
A diretoria então se viu forçada a procurar outro treinador. Certamente queria aproveitar o momento da parada da Copa América para fazer a troca. Mas procurar técnico no futebol é tão silencioso quanto elefante passeando em loja de cristais. Todo mundo fica sabendo. Whatsapps correm soltos. E aí o desastre é formado. Abel não queria classificar o time e o bônus ficar com outro treinador. Também não queria desclassificar e ser feito o vilão de tudo. Entendeu que perdeu o suporte e saiu.
Em mais este problema no departamento de futebol, é hora de procurar outro treinador mas agora, finalmente, com o perfil mais adequado para o elenco. Não será fácil. Será muito caro. Mas é a vida. E contar com um auxiliar técnico contratado não pela qualidade mas pela amizade para dirigir o time em partidas importantes e torcer pelo sucesso do mesmo neste período.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
Alfarrábios do Melo
Saudações flamengas a
todos,
Nessa última semana,
diversas discussões e controvérsias mantiveram na berlinda os perfis de
torcedores/apoiadores/influenciadores etc do Flamengo nas redes sociais, aquilo
que se convencionou batizar de “Fla-Twitter”. Uma entidade etérea que se dedica
a repercutir e reverberar com estridente ênfase todo e qualquer assunto afeto
às coisas do Mais Querido, algo como uma versão contemporânea da famosa Boca
Maldita, que marcou época na história do CR Flamengo.
Ultimamente, a
Fla-Twitter tem-se debruçado na árdua tarefa de defender, em caráter
incondicional, a demissão do treinador Abel Braga, por uma série de fatores:
incapacidade de fazer o elenco jogar um futebol à altura do seu nível, opção
por alternativas supostamente equivocadas para o time titular (notadamente a
trinca Diego/Arão/Pará), falta de atualização, declarações recorrentes,
propositais ou não, em tom de aberto confronto com um “senso comum” caro às
redes, excessiva exaltação a outros clubes, entre outras linhas de argumentação
que, em síntese, apontam para uma conclusão que soa evidente: a torcida virtual
do Flamengo não gosta de Abel Braga. E a recíproca parece ser verdadeira.
O desfecho parece
caminhar para o final convencional, inevitável, e diria até desejável, que é a
saída do treinador. Seria mais uma demonstração de força das redes sociais que,
se não reúnem volume para impor uma agenda hegemônica que reverbere
incondicionalmente nas arquibancadas (embora frequentemente isso ocorra, haja
vista as carícias verbais destinadas a Abel no domingo passado), detêm,
incontestavelmente, a capacidade de produzir ruído suficiente para serem, ao
menos levadas em conta por dirigentes e jornalistas.
Assim, nas próximas
linhas se desfiará alguns exemplos (não exaustivos) em que a Fla-Twitter se fez
escutar, com seus respectivos desdobramentos e constatações. Afinal de contas,
a “voz das redes é a voz de Deus”? Vejamos.
MÁRCIO
ARAÚJO x CUELLAR
Márcio Araújo chega ao
Flamengo em 2014, para repor (???) a saída do volante Elias, decorrente do
fracasso nas negociações com o Sporting-POR. A contratação é bastante
contestada, uma vez que o jogador havia sido quase enxotado pela torcida do
Palmeiras, seu ex-clube. De qualquer forma, Márcio Araújo não demora a se
firmar como titular de uma equipe visivelmente limitada. Faz gol de título e
tal, e, mesmo com suas evidentes limitações técnicas, vai se mantendo na
equipe. O quadro começa a mudar com a qualificação do elenco. Em 2016 são
contratados Willian Arão e Cuellar, e Márcio Araújo pela primeira vez convive
com a permanente condição de reserva, sob Muricy. Com a saída do experiente
treinador, ascende Zé Ricardo, que devolve a posição ao “Meu dez veste oito”.
Mas dessa vez as redes
reagem. Cuellar, que em poucos meses já havia demonstrado visível superioridade
técnica, física e principalmente de atitude, conquista o coração da torcida
virtual, que lhe toma as dores. Incomodada com a barração do jovem colombiano,
a Fla-Twitter expõe seu inconformismo, que inicialmente é mitigado pela boa
campanha da equipe no Brasileiro. No entanto, a perda do título e,
principalmente, o desastre no Gasômetro, já em 2017, fazem refluir a gritaria,
agravada pelas notícias da iminente saída de Cuellar que, irritado com a
reserva (por vezes sequer é relacionado), mostra-se propenso a aceitar uma
transferência, por empréstimo, ao Vitória-BA.
O ruído chega aos
jogadores. Alguns deixam claro sua opção (W.Arão: “prefiro jogar com o Márcio
Araújo). O próprio Márcio Araújo, veladamente, resmunga que “chega um gringo
aqui que começou a chutar bola ontem e a torcida já cai de amores”. Márcio
Araújo, que exerce visível ascendência sobre o elenco, é defendido
entusiasticamente contra a “injustiça” dos torcedores. Zé Ricardo, num rasgo de
delírio, chega a qualificá-lo como jogador de “nível Europa”. Márcio Araújo se
torna um dos símbolos de uma equipe de bom nível, mas pouco competitiva, mimada
e refratária às manifestações da torcida, sintetizada em infeliz declaração
dada após (mais uma) eliminação: “é bom, porque dá tempo pra descansar”.
Com a demissão de Zé
Ricardo, Márcio Araújo começa a perder espaço. Cuellar é, enfim, efetivado na
equipe, tornando-se rapidamente ídolo e referência. Ao final da temporada, a
Diretoria ensaia renovar o contrato de Márcio Araújo, mas muda de ideia e
resolve emprestar o jogador à Chapecoense sem extensão do vínculo. É o fim da
controversa passagem de Márcio Araújo pelo Flamengo.
NO
QUE DEU: Márcio Araújo segue na Chapecoense, onde tem atuado com frequência,
embora não seja titular absoluto. Cuellar, por outro lado, continua como
titular do Flamengo. O colombiano é um dos mais jogadores mais queridos pela
torcida, que vive temendo por sua saída.
VEREDICTO:
Reclamações totalmente procedentes. O tempo mostrou que a Fla-Twitter estava
coberta de razão na escolha por Cuellar.
OS
PEDIDOS POR MANCUELLO
Mancuello chega, quase a
peso de ouro, em 2016, após disputa com o Atlético-MG, que também desejava a
contratação do meia-esquerda. Ganha sequência com Muricy e mostra futebol
razoável, de boa técnica, a despeito da fragilidade física. Mas, quando Zé Ricardo
assume, Mancuello se vê preterido por Gabriel e Everton, mais capazes de
“fechar o corredor”. E perde espaço de vez com a chegada de Diego.
Incomodada com a falta de
oportunidades a Mancuello, repetindo o que ocorre com Cuellar, a Fla-Twitter
enxerga sinais de má-vontade com a mão-de-obra estrangeira. Com efeito, o
argentino, após entrar no final e marcar um gol de placa numa virada
sensacional contra o Cruzeiro, simplesmente “some”. Não é mais aproveitado.
Sequer relacionado. Somente volta a ser lembrado no final da temporada,
visivelmente sem ritmo de jogo. No ano seguinte, Zé Ricardo admite dar mais
oportunidades ao jogador, mas o coloca torto pela direita. Não dá certo. Lento
demais para atuar como meia, frágil demais para jogar de volante e sem fôlego
para correr pelos lados, Mancuello simplesmente não consegue se encaixar na
equipe. E, ao longo de toda a temporada de 2017, é utilizado apenas em momentos
esporádicos. Ao final do ano, é negociado com o Cruzeiro.
NO
QUE DEU: Na equipe mineira, também não consegue espaço e acaba se transferindo
para o futebol mexicano.
VEREDICTO:
O “namoro” da Fla-Twitter com Mancuello rapidamente chegou ao fim com a falta
de rendimento do jogador. Mancuello foi o típico caso de “fetiche por quem não
está jogando”, que se desvaneceu rapidamente. Sua saída esteve muito longe de
ser lamentada. Nesse caso, os pedidos por Mancuello, lá atrás, mostraram-se
improcedentes.
REINALDO
RUEDA
“Não sei nem quem é esse
Rueda, mas sou a favor” - a irônica manifestação sintetiza bem o clima de quase
histeria que toma conta das redes sociais logo após a demissão de Zé Ricardo.
Ambiente que é amplificado pela irritação decorrente da escolha da Diretoria
pelo mediano Roger Machado, que vem de um fraco trabalho no Atlético-MG. Mas
Roger “valoriza o passe”, recusa o convite flamengo e deixa a vaga em aberto.
Farta da mesmice do
mercado nacional, a Fla-Twitter identifica em Reinaldo Rueda, recentemente
desvinculado do Nacional-COL, por onde se sagrou Campeão da Libertadores, uma
oportunidade perfeita. Em uma manifestação sem precedentes, as redes conseguem
influenciar a Diretoria do Flamengo, que vai atrás e contrata o experiente
treinador.
O início é promissor.
Mesmo sem tempo de treinamento e mal conhecendo o elenco, Rueda consegue fazer
com que o desacreditado Flamengo se imponha sobre o favorito-modinha Botafogo,
arrancando na raça a vaga para a Final da Copa do Brasil. Rueda rapidamente
melhora o criticado sistema defensivo do Flamengo, efetiva o volante Cuellar na
equipe e começa a dar chances a jovens das divisões de base, notadamente Felipe
Vizeu, Vinicius Jr e Paquetá (este último, já sem perspectivas e encostado no
elenco).
Mas Rueda encontra
severas resistências. Dentro do elenco, jogadores reclamam do “excesso de
rigor” nos treinamentos físicos. Na crônica, jornalistas se dedicam a uma
estranha repetição de argumentos temendo a abertura de mercado para
estrangeiros (algo ignorado quando da passagem de Aguirre, Fossatti, Osorio,
Gareca e Bauza, entre outros), o que é reverberado inclusive por outros
treinadores, como Jair Ventura. E mesmo por alguns membros da Diretoria,
melindrados pelas declarações fortes de Rueda, ressentindo-se da falta de
atitude da equipe nos jogos.
A passagem de Reinaldo
Rueda dura três meses, tempo suficiente para que o Flamengo alcance (e perca) as
Finais da Copa do Brasil e da Sul-Americana. Entretanto, após classificar, a
duríssimas penas, o Flamengo para a Libertadores de 2018, Rueda aceita uma
proposta da Federação Chilena e resolve rescindir seu contrato com o rubro-negro,
o que gera fortes reações negativas por parte das redes sociais.
NO
QUE DEU: Reinaldo Rueda hoje é treinador da Seleção Chilena, e seu cargo parece
ameaçado, em função de maus resultados recentes. Sua curta passagem pelo
rubro-negro expôs, de forma inapelável, certas deficiências no futebol do
Flamengo, notadamente na atitude. Seu principal legado foi o aproveitamento
realmente efetivo de jogadores egressos da base. Vinícius Jr e Paquetá
acabariam se tornando os principais nomes da equipe no ano seguinte. No
entanto, a conduta contestável do treinador ao romper o contrato provavelmente
lhe fechou as portas da Gávea, em que pese ainda seja lembrado com certo carinho
por alguns torcedores.
VEREDICTO:
O trabalho de Rueda rompeu com determinados padrões e apontou um caminho. Houve
desdobramentos positivos. Nesse caso, a Fla-Twitter acertou em insistir em uma
opção diferente. Sua manifestação foi, portanto, procedente.
O
“DESTREINADOR” VICTOR HUGO
O Preparador de Goleiros
Victor Hugo é contratado pelo Flamengo no início de 2016, integrando a comissão
técnica que acompanha Muricy Ramalho. No seu primeiro ano de trabalho, o
titular Paulo Victor, após fraco desempenho no primeiro semestre, onde manteve
a rotina de falhas recorrente no ano anterior, perde a posição para Alex
Muralha, que, em franca ascensão, torna-se destaque no Campeonato Brasileiro e
chega a ser convocado à Seleção Brasileira por Tite. A atuação de Victor Hugo
na temporada não chama a atenção de forma ostensiva.
Os problemas surgem
quando Muralha começa a falhar em uma frequência superior à desejável. Algumas
atuações inseguras no Estadual e na Libertadores (especialmente na Arena da
Baixada, em que comete um erro clamoroso) acendem um sinal de alerta sobre o
goleiro. Nesse ínterim, um vídeo que mostra Victor Hugo e Muralha treinando em
baixa intensidade (algo que remete a folguedos infantis) faz explodir a
Fla-Twitter, que identifica o “problema”. Muralha está sendo mal treinado.
“Destreinado” por Victor Hugo.
Tem início uma maciça
campanha pela queda do único profissional remanescente da comissão trazida por
Muricy. Vídeos cotejando a suposta tibieza dos métodos de Victor Hugo com os
acrobáticos, quase circenses, treinamentos de outros clubes alastram-se pelas
redes. Para piorar, Muralha segue falhando jogo sim jogo também, e se torna
motivo de chacota. É barrado pelo jovem Thiago, apenas para, um punhado de
partidas depois, ser reconduzido à posição pelo leal treinador Zé Ricardo. A
Diretoria, a exemplo do que ocorrera no caso Rueda, acaba impelida pela
Fla-Twitter a contratar Diego Alves, goleiro de bem-sucedida passagem pelo
futebol espanhol. Mas Alves não pode disputar a Copa do Brasil, torneio em que
o Flamengo aparece com chances de conquista.
Já sob Rueda, o Flamengo
chega às Finais da Copa do Brasil. E a perde especialmente em função das
limitações de seus goleiros. Thiago falha estrepitosamente no jogo de ida, ao
soltar um peteleco nos pés de Arrascaeta. E Muralha demonstra notável
incapacidade de se mostrar útil na decisão de pênaltis que dá o título aos
mineiros. “Siga seu coração”, descobre-se a recomendação de Victor Hugo. Dá-se
o massacre.
As redes disseminam
reações de torcedores de Fluminense e Botafogo, à época descontentes com Victor
Hugo quando em seus respectivos clubes. Vídeos e mais vídeos seguem pipocando
pelas redes. Diego Alves estreia e alterna apresentações regulares a boas. Mas
se contunde na reta final da Sul-Americana. É a chance de César, o quarto goleiro
do plantel, se redimir da péssima impressão de 2015, que quase soterrou sua
passagem pelo rubro-negro. O jovem surpreende, pega pênalti, fecha gol e
confunde os que identificavam em Victor Hugo o problema único do gol flamengo.
NO
QUE DEU: Victor Hugo, ao final da temporada, é demitido. No início de 2019, volta a trabalhar no Grêmio. Muralha é emprestado a
um clube japonês. Thiago perde espaço. Diego Alves e César assumem a
responsabilidade pelo gol flamengo e elevam sensivelmente o desempenho na
posição.
VEREDICTO:
Victor Hugo, de fato, mostrou-se “um” problema, com sólidos indícios de
limitações em seu trabalho. Mas não era “o” problema, que
também residia na baixa qualidade dos goleiros do elenco. Uma vez elevado este
nível, as falhas voltaram a um padrão aceitável. Fla-Twitter parcialmente
procedente nesse caso.
terça-feira, 28 de maio de 2019
Vitória de Pirro
SRN, Buteco.
Quando o juiz apitou aquele pênalti, tivemos a certeza de
que estava acabado.
Iriamos perder 3
pontos para o Atlético PR. Ou melhor, para os reservas do Atlético PR.
Que vem a ser um time temível dentro de casa na grama
sintética, mas presa relativamente fácil quando joga fora de seus domínios .
Viria a pirraça derradeira.A troca de seis por meia duzia de
Pará por Rodinei. A estapafúrdia troca de Gabriel por Lincoln. A criminosa
saída de Piris por Vitinho, improvisando de volante o portentoso Pião da casa
própria.
E, claro, como insulto final, deixar no banco o maior
investimento do clube em todos os tempos, mesmo com o time perdendo .
Aí veio o imponderável, o sobrenatural.
Mesmo sem jogar nada, aconteceu a virada.Que, se naquele
momento foi épica, desafogando o coração do torcedor, nos trouxe de volta a
realidade, passada a fugaz alegria.
Abelossaurus continua lá.
Na coletiva, choro e a inaceitável mistura de sua tragédia
pessoal na vida profissional.
Citou o nome de um clube useiro e vezeiro de manobras
jurídicas extra campo para modificar resultados esportivos como “formador do
meu carater”.
Disse textualmente que “o meu grupo precisa de mim”
E, por fim, disse que o jovem (e bom) treinador adversário
agiu de forma correta ao recuar o time porque era “isso mesmo que eu faria” (No
mesmo momento, na coletiva ao lado, Tiago Nunes declara que “errou ao recuar o
time e chamar o Flamengo pra cima...”
Abelossaurus é uma mistura perigosa de incapacidade laboral,
problemas pessoais mal resolvidos e ego inflado.
Tudo isso apoiado por jornalistas chapa branca que vivem da
desgraça do clube.
E a direção do clube?
Nesse momento, observa impassível e inerte essa situação.
"Diego tá pedindo passagem"
segunda-feira, 27 de maio de 2019
Futebol, Amizade e Enofilia
Salve, Buteco! O futebol talvez seja o esporte mais imprevisível dentre todos os já inventados pela humanidade. A quantidade de variáveis é muito grande, envolvendo, no mínimo, vinte e dois atletas, além das comissões técnicas e arbitragem, que hoje em dia é composta por equipes que dispõem até mesmo de tecnologia de vídeo para rever os lances em tempo real. Todos são humanos e, portanto, falhos e sujeitos aos mesmos problemas que cada um de nós vivencia em nossas vidas. Mas o que aconteceu ontem, no Maracanã, sem dúvida fugiu bastante da "imprevisibilidade média" desse esporte. Antes do jogo, o "Clube do Vinho", apelido dado ao grupo de numerosos amigos e "baba-ovos" de Abel Braga na imprensa esportiva, vitimizava-o atribuindo a culpa pela "crise" à indomável FlaTT, como se torcedores em uma rede social formassem um grupo organizado, metódico e finalisticamente voltado a prejudicar o pobre velhinho enófilo. Por sua vez, a FlaTT e todos os torcedores que temem pelo futuro da temporada por conta do instável trabalho do treinador tiveram o alívio da certeza, por alguns minutos, que ele sequer chegaria empregado à entrevista coletiva pós-jogo.Se por acaso existirem os tais "Deuses do Futebol", ontem certamente divertiram-se caprichosamente. O "Clube do Vinho" foi obrigado a ler e ouvir análises de vários jornalistas, alguns também relativizadores e simpatizantes da pauta esportiva do grupo enófilo, expondo a inexistência do trabalho tático de Abel Braga no Flamengo. A FlaTT e todos os "Abel Haters", por sua vez, tiveram que conviver com a divisão emocional entre o alívio de uma demissão do treinador e uma virada espetacular do time, que demonstrou, mesmo jogando muito mal, a inconformidade com a derrota, aqueles brio e chama por vitórias que há muitos anos haviam desaparecido do clube, marca comum dos escretes que almejam e conquistam os títulos mais importantes. Enfim, todo mundo foi contrariado pelos fatos e caprichos do futebol.
***
Aliás, há muitos questionamentos a serem feitos ao trabalho de Abel Braga no Flamengo em 2019. Ontem, por exemplo, a par da deprimente atuação do time contra os reservas do Athletico, a não utilização de De Arrascaeta e a substituição de Gabigol por Lincoln foram verdadeiros flertes com o desastre. Dentre todos esses questionamentos, porém, certamente não estão a combatividade do time dentro das quatro linhas e o bom relacionamento do elenco com o treinador.
***
No próximo mês de novembro completarei 50 (cinquenta) anos de idade. Quando o Flamengo conquistou a América do Sul e o Mundo, tinha 12 (doze) recém-completados. Lá se vão, portanto, exaustivos 37 (trinta e sete) anos sem comemorar esses títulos. Não quero comparar a espera, comum a muitos amigos do Buteco que têm a minha faixa de idade, com a de quem é mais novo e não teve a oportunidade de vivenciar os anos mágicos da "Geração Zico", mas gostaria de registrar que estou de saco cheio. Eu, você, nós, enfim, a torcida do Flamengo, estamos fartos dessa fila. Em razão disso, a ansiedade por pelo menos a Libertadores (nem precisa do Mundial) é tão visceral que, honestamente, eu relevaria a figura do Abel. Relevaria, assim, em tese, isto é, se a conquista desse título fosse algo provável, o que, contudo, não está parecendo ser o caso, tornando a relação custo x benefício um tanto duvidosa.
O "Pacote Abel" é muito difícil para a torcida rubro-negra assimilar. Não bastasse o histórico de 2004 e da genitália direcionada a um grupo de torcedores, a versão 2019 tem como "serviços oferecidos" constantes elogios e trocas do nome do clube pelo de seu mais antigo rival; flertes e declarações de admiração e saudades a um concorrente direto (e seu estádio), virtual adversário em eventual cruzamento pelas quartas de final da Libertadores/2019; declarações em entrevistas coletivas qualificando derrotas como visitante como fatos normais; trabalho tático (como dito) inexistente, sistema defensivo vazado como uma peneira e, last, but not least, implicância gratuita e injustificada com a maior contratação da história do clube, antagonizando-o com o atual camisa 10 da Gávea, símbolo máximo de um triênio de sucessivos fracassos em competições de grande porte, numa reedição de muito mau gosto da "saga" de Zé Ricardo, Márcio Araújo e Gustavo Cuéllar entre 2016 e 2017.
Vejam bem, não estou defendendo titularidade de ninguém pelo nome, mas opondo-me à boçalidade boleira que leva o dinossauro enófilo que treina o Flamengo a achar que o uruguaio não seria uma ferramenta útil nem mesmo para entrar no segundo tempo de partidas como a do Peñarol no Maracanã e a de ontem, contra o Athletico, até com o time atrás do placar. Não cabe discussão nesse assunto. Abel não tem o direito de agir de forma tão mesquinha e danosa com um ativo tão valioso e qualificado do clube.
Pior de tudo é que fatos tão estarrecedores ocorrem no meio de indiscreta curtida do vice-presidente de futebol para um tuíte pedindo a cabeça do treinador e notas de apuradores dando conta que o vice-presidente de relações externas, que parece mandar mais no futebol do que o vice-presidente de futebol, é quem isoladamente banca o treinador. Quando a gente liga os pontos e lembra que foi o vice-presidente de futebol que insistiu e batalhou para a contratação do uruguaio, e também lembra das declarações do treinador afirmando à imprensa que não pediu essa contratação, torna-se impossível não desconfiar do que está acontecendo. Não sei se a queda-de-braço político-institucional é a gênese do problema (provavelmente não), mas certamente é um grande facilitador para a indefensável e ridícula postura do treinador.
Sinceramente, tem hora que o Flamengo me cansa.
***
Que a Nação Rubro-Negra não se engane: Barbieri e Dorival Júnior comandaram o Flamengo em seus melhores momentos na temporada/2018 durante sequências com jogos exclusivamente pelo Campeonato Brasileiro, exatamente o que começou a ocorrer no jogo de ontem, contra os reservas do Athletico, no Maracanã. A tendência é que o Flamengo marque entre 9 e 12 pontos no Brasileiro/2019 até a Copa América e se classifique para as quartas de final da Copa do Brasil, o que não pode, de maneira alguma, justificar análises descontextualizadas a respeito do, repito, inexistente trabalho tático de Abel Braga no Flamengo.
Até entendo esperar até a parada para a Copa América, mas o destino da temporada/2019 está diretamente ligado a quem comandará o Flamengo no segundo semestre. A Diretoria precisa decidir se deseja repetir 2017 e 2018 ou fazer história, como programou desde antes das eleições de 2013.
A palavra está com vocês.
Bom dia e SRN a tod@s.
domingo, 26 de maio de 2019
O jogo dos sete erros
@alextriplex
Vivo em Curitiba desde 18 de janeiro de 1985. Levando muita lambada desses times daqui, e ouvindo mais ladainhas ainda. Mas o torcedor do Flamengo tem a sua marra habitual, e é isso o que nos torna sobreviventes em qualquer lugar do mundo.
Logo após o segundo gol do CAP (ERRO 1: vejam os senhores, o Flamengo de Abel conseguiu tomar 2 gols do Cirino. Em um mesmo jogo. No Maracanã. Sendo Cirino um semi-reserva), torcedores desta agremiação iniciaram uma gritaria aqui no bairro (moro no Água Verde, a pouco mais de 4 minutos da Arena da Baixada), com aquelas habituais ofensas.
É compreensível. Um time reserva foi enviado ao Rio, com o treinador titular (cabe acompanhar Thiago Nunes, está fazendo um trabalho muito bom para o CAP), naquela vibe de "vamos ver o que rola, se derem mole, beliscamos um empatezinho). Ainda mais sabendo da semana conturbada do Flamengo, com ERRO 2 dirigentes - mais uma vez - tratando a torcida como lixo, independente da torcida que senta na arquibancada ou a torcida que mora fora do Rio e paga perto de R$ 100,00 no Premiere.
Uma semana conturbada, mas que teve folga, descanso e tudo mais para o elenco. Tudo capitaneado pelo ERRO 3 Abel, que após os devaneios do jogo contra as galinhas, após escalar 3 pontas num mesmo jogo, após tirar um zagueiro, após ter uma das piores noites de sua vida, optou por escolher 2 bois de piranha. Um, é claro, o uruguaio Arrascaeta. Bom mesmo é o portador da camisa 21, o arrombado da camisa 5 e a enceradeira master plus homão da porra da camisa 10. Eles são os fodaralhos, indignos de serem barrados.
Pois bem, eu devo ter visto o mesmo jogo que vocês. Um time desordenado, sem noção do que estava fazendo, ERRO 4 rezando, implorando para termos um lateralzinho perto da linha de fundo e o portador da camisa 21 por em ação a principal jogada ofensiva do @Flamengo. Então ele tira o Piris e usa o Diego de primeiro volante. Claro, o portador da camisa 5 CONTINUA na sua pombagirice, rodando e sacudindo o penteado e fazendo pose para dar passes de 2 metros. Na boa, nas minhas peladas no Largo do Anil, ele ia ter que jogar de goleiro ou esperar na de fora. Mas é o equilíbrio, é o homem de confiança do Abel.
E deu o que tinha que dar. O CAP gostou do jogo, foi pra cima e virou. Eu vos digo: a base do CAP tem uma molecada boa de bola. Os mochileiros das galáxias podem vir aqui dar uma olhada, mas parece que a Europa tem mais grife, consequentemente a oportunidade de trazer algum zagueiro vendido por uma fábula e que está encostado em times franceses (um campeonato extremamente competitivo, diga-se). E o CAP virou em 4 minutos. Uma bola nas costas do Renê, e que o portador da 21 não acompanhou o Cirino - impressionante, né? Ele nunca acompanha. Mas quando o faz, vibra como ninguém. É um momento lindo. #sqn.
Nesse momento, a torcida já estava apreensiva Ao contrário de setoristas imbecis e outros seilaquenzinhos que se comportam como cambonos de luxo da presidência e do 01, NÓS sabemos o que acontece dentro de campo. Sabemos quando vai dar merda ou quando vai ter glória. E hoje tudo indicava, nos momentos que antecederam a virada deles, que ia dar muito ruim. Como nada é tão ruim que não possa piorar, Cirino foi o portador da notícia.
Ciente do elenco que tem em mãos, nosso professor mais uma vez instaurou a porralouquice e mexeu no time. O bando assustado com os cânticos ofensivos que vinham da arquibancada teve mais alguns minutos de desorientação, mas felizmente na beira do gramado do Maracanã tinha um jogador que decidiria o jogo: a camisa.
Sim, ela entrou em campo. E fomos ajudados pelo erro tático do CAP, que aos 43 achou que a parada estava definida. Não estava. Graças ao talento do Everton Miteiro, principalmente. O passe ridículo pro gol do Bruno Henrique deveria ser anulado, pois me pareceu sair das mãos do nosso 7 (já imaginaram que o portador da 21 conseguir repetir isso com as mãos? Teremos uma arma letal). E depois, foi lá quase na lateral recuperar a bola, e falou pro Renê o "cruza e consagra teu zagueiro). E viramos. Graças à camisa, graças ao tiro que o Rodrigo Caio deu na meta adversária.
O principal ERRO 5 da noite foi o Abel acreditar que fomos para casa felizes. Não, ledo engano. Aliviados? Sim. Irritados? Certamente. Jogamos contra um time reserva que - pelas entrevistas durante a semana - almejava trazer um ponto. Não soubemos driblar a dificuldade. Não teve aquela pressão de 15 minutos iniciais (por sinal, why th´a hell não fazemos isso?), não teve um 2x0 e administração da confusão. E tudo isso por um simples motivo: não existe disciplina tática nesse elenco. Depois de 6 meses de Abel no clube, depois de 6 meses do corporativismo de amigos e comentaristas defendendo que ele está desenvolvendo suas convicções, nós não temos um desenho do que esse time pode fazer. Ele está conseguindo a façanha de jogar no ralo (tá, desmantelar fica menos grosseiro) um elenco com vários jogadores com poder de decisão. Barra o Arrascaeata. Mas o 21 e o 5 continuam lá. Imortais. É a síndrome do Perebismo dominando o Flamengo. É a síndrome do pensamento minúsculo e da implicância com craques tomando conta do clube.
Para encerrar, o ERRO 6: Temos um presidente e um 01 que cagaram regra durante a eleição, dizendo que a bananice acabaria. Mas que por algum motivo tem se omitido nessa questão do futebol - mais uma vez, mais um ano - sendo jogado em uma lixeira trituradora. Não é possível que pessoas que vivam no futebol, para o futebol, não consigam enxergar que não existe um time. Existem jogadores que podem mudar um jogo, existe uma camisa que volta e meia entra em campo, mas não existe um planejamento tático. Não existe padrão de jogo. E se Landim e BAP não enxergam isso, e não tomam uma atitude em relação a isso, então só nos resta aceitar o ERRO 7: VAI DAR MERDA DE NOVO.
Eu não entro no patamar de ser situação ou oposição. Eu quero o melhor para o Flamengo. E é impossível aceitar que eu e tantos outros milhões estejamos equivocados ao afirmar há erros crassos no nosso futebol. Sim, somos treinadores especializados em Flamengo. E, diferentemente do treinador e dos perebas, nós daríamos a vida de graça pelo clube. E eu deixo aqui minha pergunta pros setoristas/comentaristas/dirigentes protetores do Abel: vocês sentem pena dele ser cobrado. E sentem o que em relação a nós, torcedores, que desde 2013 não ganhamos nada relevante? Ou nossos sentimentos são irrelevantes no contexto do Flamengo?
Vivo em Curitiba desde 18 de janeiro de 1985. Levando muita lambada desses times daqui, e ouvindo mais ladainhas ainda. Mas o torcedor do Flamengo tem a sua marra habitual, e é isso o que nos torna sobreviventes em qualquer lugar do mundo.
Logo após o segundo gol do CAP (ERRO 1: vejam os senhores, o Flamengo de Abel conseguiu tomar 2 gols do Cirino. Em um mesmo jogo. No Maracanã. Sendo Cirino um semi-reserva), torcedores desta agremiação iniciaram uma gritaria aqui no bairro (moro no Água Verde, a pouco mais de 4 minutos da Arena da Baixada), com aquelas habituais ofensas.
É compreensível. Um time reserva foi enviado ao Rio, com o treinador titular (cabe acompanhar Thiago Nunes, está fazendo um trabalho muito bom para o CAP), naquela vibe de "vamos ver o que rola, se derem mole, beliscamos um empatezinho). Ainda mais sabendo da semana conturbada do Flamengo, com ERRO 2 dirigentes - mais uma vez - tratando a torcida como lixo, independente da torcida que senta na arquibancada ou a torcida que mora fora do Rio e paga perto de R$ 100,00 no Premiere.
Uma semana conturbada, mas que teve folga, descanso e tudo mais para o elenco. Tudo capitaneado pelo ERRO 3 Abel, que após os devaneios do jogo contra as galinhas, após escalar 3 pontas num mesmo jogo, após tirar um zagueiro, após ter uma das piores noites de sua vida, optou por escolher 2 bois de piranha. Um, é claro, o uruguaio Arrascaeta. Bom mesmo é o portador da camisa 21, o arrombado da camisa 5 e a enceradeira master plus homão da porra da camisa 10. Eles são os fodaralhos, indignos de serem barrados.
Pois bem, eu devo ter visto o mesmo jogo que vocês. Um time desordenado, sem noção do que estava fazendo, ERRO 4 rezando, implorando para termos um lateralzinho perto da linha de fundo e o portador da camisa 21 por em ação a principal jogada ofensiva do @Flamengo. Então ele tira o Piris e usa o Diego de primeiro volante. Claro, o portador da camisa 5 CONTINUA na sua pombagirice, rodando e sacudindo o penteado e fazendo pose para dar passes de 2 metros. Na boa, nas minhas peladas no Largo do Anil, ele ia ter que jogar de goleiro ou esperar na de fora. Mas é o equilíbrio, é o homem de confiança do Abel.
E deu o que tinha que dar. O CAP gostou do jogo, foi pra cima e virou. Eu vos digo: a base do CAP tem uma molecada boa de bola. Os mochileiros das galáxias podem vir aqui dar uma olhada, mas parece que a Europa tem mais grife, consequentemente a oportunidade de trazer algum zagueiro vendido por uma fábula e que está encostado em times franceses (um campeonato extremamente competitivo, diga-se). E o CAP virou em 4 minutos. Uma bola nas costas do Renê, e que o portador da 21 não acompanhou o Cirino - impressionante, né? Ele nunca acompanha. Mas quando o faz, vibra como ninguém. É um momento lindo. #sqn.
Nesse momento, a torcida já estava apreensiva Ao contrário de setoristas imbecis e outros seilaquenzinhos que se comportam como cambonos de luxo da presidência e do 01, NÓS sabemos o que acontece dentro de campo. Sabemos quando vai dar merda ou quando vai ter glória. E hoje tudo indicava, nos momentos que antecederam a virada deles, que ia dar muito ruim. Como nada é tão ruim que não possa piorar, Cirino foi o portador da notícia.
Ciente do elenco que tem em mãos, nosso professor mais uma vez instaurou a porralouquice e mexeu no time. O bando assustado com os cânticos ofensivos que vinham da arquibancada teve mais alguns minutos de desorientação, mas felizmente na beira do gramado do Maracanã tinha um jogador que decidiria o jogo: a camisa.
Sim, ela entrou em campo. E fomos ajudados pelo erro tático do CAP, que aos 43 achou que a parada estava definida. Não estava. Graças ao talento do Everton Miteiro, principalmente. O passe ridículo pro gol do Bruno Henrique deveria ser anulado, pois me pareceu sair das mãos do nosso 7 (já imaginaram que o portador da 21 conseguir repetir isso com as mãos? Teremos uma arma letal). E depois, foi lá quase na lateral recuperar a bola, e falou pro Renê o "cruza e consagra teu zagueiro). E viramos. Graças à camisa, graças ao tiro que o Rodrigo Caio deu na meta adversária.
O principal ERRO 5 da noite foi o Abel acreditar que fomos para casa felizes. Não, ledo engano. Aliviados? Sim. Irritados? Certamente. Jogamos contra um time reserva que - pelas entrevistas durante a semana - almejava trazer um ponto. Não soubemos driblar a dificuldade. Não teve aquela pressão de 15 minutos iniciais (por sinal, why th´a hell não fazemos isso?), não teve um 2x0 e administração da confusão. E tudo isso por um simples motivo: não existe disciplina tática nesse elenco. Depois de 6 meses de Abel no clube, depois de 6 meses do corporativismo de amigos e comentaristas defendendo que ele está desenvolvendo suas convicções, nós não temos um desenho do que esse time pode fazer. Ele está conseguindo a façanha de jogar no ralo (tá, desmantelar fica menos grosseiro) um elenco com vários jogadores com poder de decisão. Barra o Arrascaeata. Mas o 21 e o 5 continuam lá. Imortais. É a síndrome do Perebismo dominando o Flamengo. É a síndrome do pensamento minúsculo e da implicância com craques tomando conta do clube.
Para encerrar, o ERRO 6: Temos um presidente e um 01 que cagaram regra durante a eleição, dizendo que a bananice acabaria. Mas que por algum motivo tem se omitido nessa questão do futebol - mais uma vez, mais um ano - sendo jogado em uma lixeira trituradora. Não é possível que pessoas que vivam no futebol, para o futebol, não consigam enxergar que não existe um time. Existem jogadores que podem mudar um jogo, existe uma camisa que volta e meia entra em campo, mas não existe um planejamento tático. Não existe padrão de jogo. E se Landim e BAP não enxergam isso, e não tomam uma atitude em relação a isso, então só nos resta aceitar o ERRO 7: VAI DAR MERDA DE NOVO.
Eu não entro no patamar de ser situação ou oposição. Eu quero o melhor para o Flamengo. E é impossível aceitar que eu e tantos outros milhões estejamos equivocados ao afirmar há erros crassos no nosso futebol. Sim, somos treinadores especializados em Flamengo. E, diferentemente do treinador e dos perebas, nós daríamos a vida de graça pelo clube. E eu deixo aqui minha pergunta pros setoristas/comentaristas/dirigentes protetores do Abel: vocês sentem pena dele ser cobrado. E sentem o que em relação a nós, torcedores, que desde 2013 não ganhamos nada relevante? Ou nossos sentimentos são irrelevantes no contexto do Flamengo?
Flamengo x Athletico
Campeonato Brasileiro/2019 - Série A - 6ª Rodada
Domingo, 26 de Maio de 2019, as 16:00h (USA ET 15:00h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.
Athletico: Santos; Madson, Lucas Halter, Léo Pereira e Márcio Azevedo; Wellington, Erick e Tomás Andrade; Braian Romero, Marcelo Cirino e Thonny Anderson. Técnico: Tiago Nunes.
Arbitragem: Daniel Nobre Bins (RS), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Rafael da Silva Alves (RS) e Jorge Eduardo Bernardi (RS), bem como pelo Quarto Árbitro Daniel Victor Costa Silva (RJ). Analista de Campo: Cláudio José de Oliveira Soares (RJ). Árbitro de Vídeo (VAR): Leandro Pedro Vuaden (RS). Assistentes VAR 1 e 2: Jean Pierre Gonçalves Lima (RS) e Lúcio Biersdorf Flor (RS). Supervisor de Protocolo: Cláudio Vinicius Cerdeira (BR).
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Gangorra
Irmãos rubro-negros,
por favor, puxem uma cadeira, peçam uma cerveja e fiquem à vontade.
A casa é de vocês.
Mengão como sempre na gangorra.
Quando se acha que o time vai embalar, ele nos decepciona.
Tem sido rotina nossa esse sofrimento. Eu já devo ter usado este título "Gangorra" no Buteco do Flamengo umas duas ou três vezes.
A rodada do Campeonato Brasileiro neste fim de semana se tornou fundamental, caso o Flamengo queira se aproximar do pelotão de cima.
Só a vitória interessa. Nenhum outro resultado nos atende.
E a situação do Abel, parece evidente, não é confortável.
Ele precisa apresentar bons resultados no Campeonato Brasileiro imediatamente.
A parada para a Copa América é um ponto chave este ano: se for para mudar, tem de ser antes da Copa América.
É bastante desagradável todo ano falar de mudança de treinador com menos de seis meses de temporada. Todo ano é isso.
Bem, eu torço sempre pela vitória do Flamengo e não será diferente este domingo. Não me importa se a vitória ajudará ou não a manter um técnico que não goza de prestígio junto à parte significativa da torcida do Flamengo.
Vou torcer fervorosamente pela nossa vitória.
Cabe à diretoria a avaliação sobre o trabalho do Abel e isso, na minha opinião, independe de vitória domingo. É algo que deve abranger a totalidade do trabalho apresentado até o momento.
Que eles tenham bom senso.
...
Abraços e Saudações Rubro-Negras.
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.
quinta-feira, 23 de maio de 2019
A Comunicação
Não é segredo para ninguém que o Flamengo vive um início de gestão completamente desastroso na comunicação. Seja na pasta de comunicação ou mesmo do pronunciamento de seus dirigentes, invariavelmente mal-preparados. Erros em série provocam a revolta da torcida nas mídias sociais, pichações ou tentativas de "dialogar" no CT. Os torcedores já foram chamados de simpatizantes, "rubro-índios"e agora de semi-analfabetos pelo dirigente amador de Relações Externas que viu pretexto político nas recentes pichações pois a mesma teria sigo escrita com a grafia correta diferente do que um "verdadeiro torcedor" faria (pano rápido!).
Uma pasta de comunicação (de marketing!) entregue a um dos piores VP´s que esta gestão tem em seus quadros, o Gustavo Oliveira. O que significa que este panorama pode degredar ainda mais, virando chacota da imprensa, dos torcedores em geral, diminuindo a percepção de ajuste profissional que a gestão anterior, depois de longas décadas, conseguiu dar ao Flamengo. E agora está sendo jogada no ralo.
O futebol com a manutenção do dinossauro Abel, incapaz de montar uma segunda linha defensiva, usada em 10 entre 10 dos times de fato competitivos no futebol moderno, segue no comando, com o time apresentando diversos problemas defensivos tomando gol a cada jogo. E todo time vencedor começa com uma defesa consistente. E este repúdio ao Abel é visto como político pela gestão atual, que em um episódio vergonhoso quis punir o presidente anterior por motivos espúrios em algo que eles mesmos causaram quando tinham como aliados a presidência do COAD, impedindo que a chapa que foi fazer seu registro primeiro não escolhesse a cor que queria (azul), causando então, talvez propositalmente, a confusão posterior.
É hora de colocar a bola no chão e pensar menos no amiguismo empoderado que impera na conduta "administrativa" desta gestão. Trabalhar para o Flamengo, para que saiam em 2021 encontrando o clube melhor que encontraram e não destruído.
Uma pasta de comunicação (de marketing!) entregue a um dos piores VP´s que esta gestão tem em seus quadros, o Gustavo Oliveira. O que significa que este panorama pode degredar ainda mais, virando chacota da imprensa, dos torcedores em geral, diminuindo a percepção de ajuste profissional que a gestão anterior, depois de longas décadas, conseguiu dar ao Flamengo. E agora está sendo jogada no ralo.
O futebol com a manutenção do dinossauro Abel, incapaz de montar uma segunda linha defensiva, usada em 10 entre 10 dos times de fato competitivos no futebol moderno, segue no comando, com o time apresentando diversos problemas defensivos tomando gol a cada jogo. E todo time vencedor começa com uma defesa consistente. E este repúdio ao Abel é visto como político pela gestão atual, que em um episódio vergonhoso quis punir o presidente anterior por motivos espúrios em algo que eles mesmos causaram quando tinham como aliados a presidência do COAD, impedindo que a chapa que foi fazer seu registro primeiro não escolhesse a cor que queria (azul), causando então, talvez propositalmente, a confusão posterior.
É hora de colocar a bola no chão e pensar menos no amiguismo empoderado que impera na conduta "administrativa" desta gestão. Trabalhar para o Flamengo, para que saiam em 2021 encontrando o clube melhor que encontraram e não destruído.
quarta-feira, 22 de maio de 2019
Alfarrábios do Melo
SETE PERGUNTAS...
1 – Classificado em primeiro lugar em seu grupo na Taça Libertadores, com a melhor campanha da Primeira Fase, e agraciado com um adversário teoricamente fraco (comemorado no sorteio) para o confronto na fase seguinte. Garantido nas Quartas-de-Final da Copa do Brasil. Vice-campeão Estadual e, decorridas quinze rodadas do Brasileiro, ocupando a sétima colocação, com 51% de aproveitamento, a 8 pontos do líder. Destaque negativo para o sistema defensivo, que sofreu 15 gols, média de 1,00 por jogo. Apesar do bom posicionamento nos torneios eliminatórios, o desempenho da equipe tem sofrido críticas, notadamente em função da falta de regularidade. As principais reclamações chamam a atenção para o nível do elenco, que não está conseguindo entregar aquilo de que se espera. Diante desse contexto, e com a proximidade de jogos que poderão definir a temporada, o que fazer? Manter a comissão técnica, buscando evolução? Ou partir em busca de alterações? Os mais argutos terão percebido que o quadro descreve a realidade do Palmeiras em julho de 2018. Desnecessário expor os desdobramentos. Ainda assim, tendo em vista a evidente analogia com o momento atual do Flamengo, repete-se a pergunta: diante de um cenário como o exposto, o que fazer? Aguardar a evolução que nunca chega? Ou fazer acontecer?
2 – Referindo-se ao fiasco de sábado passado, quando o Flamengo, com um time e elenco muito superior, deixou-se impor por um adversário de nível mediano, coalhado de jovens e veteranos decadentes, que atuou com um a menos por um tempo inteiro: chamou a atenção o time ter demorado a “voltar pro jogo” após sofrer o segundo gol e a sensível superioridade de intensidade da equipe mineira. Pode-se explicar o acontecido pelo cansaço (ou seja, preparo físico/mental inadequado)? Ou será que a temida postura “banana” arrisca estar de volta?
3 - “As pessoas reclamam dos jogadores, mas não reclamam de quem está lá trabalhando ao lado dos jogadores quando o desempenho está ruim. Quem está avaliando? Quais as metas que essas pessoas têm? Quais resultados? Esse processo foi bem feito?” (LANDIM, Rodolfo, entrevista ao GloboEsporte.com, 23/11/2018).
Aproveitando um gancho deixado na pergunta anterior: em janeiro de 2018, o Flamengo trouxe o preparador de goleiros Rogério Maia, em substituição ao controverso Victor Hugo. A contratação, ainda assim, foi duramente criticada nas redes sociais, em função do novo profissional ser procedente da Chapecoense, cartão de visitas teoricamente inadequado para um clube do nível do Flamengo. “Contratar profissional de Chapecoense, Audax, com todo o respeito…" etc. Com a reformulação no futebol levada a cabo no início de 2019, chegaram para a nova comissão técnica o auxiliar Marcelo Salles, o “Fera”, com trabalhos recentes no Volta Redonda e no Nova Iguaçu, e o preparador físico Alexandre Sanz que, segundo apurado por reportagens da época, estava se dedicando a “treinamentos funcionais na praia”. Ambos fizeram parte da comissão técnica de 2009, dez anos atrás. Rogério Maia foi demitido, e em seu lugar chegou o preparador Wagner Miranda, vindo justamente da… Chapecoense. Pergunta-se: considera-se realmente adequado o currículo dos profissionais que compõem esta nova comissão técnica do Flamengo?
4 – “O processo de liderança começa por quem comanda. O que vemos hoje é uma mediocridade, no sentido mais puro da palavra: mediano. Um conformismo com as derrotas, aquele sentimento de que tudo está bom, que é assim mesmo.” (LANDIM, Rodolfo, entrevista ao site FutRio, 07/12/2018).
Uma das críticas mais pertinentes à administração que se encerrou em 2018 se debruçava sobre a crônica incapacidade de conquistar títulos expressivos. Em uma entrevista concedida ao Portal UOL em outubro de 2017, o Gerente de Futebol Mozer declarou, em tom de exaltação: “Alcançamos três finais, a Taça Guanabara, o Campeonato Carioca e a Copa do Brasil”. Naturalmente, a declaração foi massacrada nas redes sociais e objeto de chacota, muito por conta da postura de enaltecimento de resultados inexpressivos. Pergunta-se: em que diferem, em essência, a declaração do Mozer e a recente nota oficial expelida pela Diretoria em 03 de maio, onde se celebram as “relevantes” conquistas da Copa Mickey e do Campeonato Estadual?
5 – Em uma guinada digna de elogios, o Flamengo, em 2019, tem buscado no mercado a contratação de jogadores de nível mais elevado, procurando minimizar o risco de erros nesse aspecto, algo recorrente nas “janelas” passadas. Nesse contexto, chegaram Arrascaeta, Rodrigo Caio, Gabigol e Bruno Henrique, sem a incidência, até aqui, de baixas relevantes no plantel. Com isso, pode-se afirmar categoricamente que o Flamengo de 2019 possui jogadores melhores que o do final do ano passado. No entanto, há uma percepção nítida e generalizada de que o time piorou. Temos jogadores melhores, mas o time é pior. A que se pode atribuir este inusitado fenômeno?
6 - “Tem uma coisa que eu não suporto. Eu não suporto perder, eu acho que o Flamengo tem que ganhar tudo. O Flamengo pode perder, isso é da vida, mas tem que estar sempre querendo ganhar. E tem de estar sempre indignado com a derrota.” (LANDIM, Rodolfo, entrevista à ESPN, 09/08/2018).
“Essa história de relativizar derrotas, em partes, como times medíocres, essa falta de indignação com o mau resultado, é uma coisa que leva o clube a não ganhar. Ninguém com esse tipo de discurso ganha nada" (LANDIM, Rodolfo, entrevista à Fox Sports, 07/12/2018).
Tornaram-se célebres as entrevistas pós-jogo do treinador Zé Ricardo (2016-17), elogiando e congratulando a equipe mesmo diante de resultados negativos: “Fizemos bom jogo”, “parabenizo a equipe pela luta”, “jogar aqui é sempre difícil”, entre outras pérolas de resignação que levavam à loucura os torcedores e ajudaram a impingir a pecha de “banana” ao Flamengo do triênio 2016-18.
Eis que, em pleno 2019, com o Flamengo sob o comando de um grupo que tomou como “carro-chefe” de sua gestão “eliminar o conformismo”, o treinador Abel Braga, após derrotas fora de casa para Internacional e Atlético-MG (esta última, pelas circunstâncias, absolutamente inaceitável), crava, nos dois casos, à guisa de repetição para que não reste dúvidas, que “perder aqui é normal”, aludindo ao ocorrido no Beira-Rio e no Independência. E essa conversa de “tem que ganhar tudo”? De “indignação com o mau resultado”? Vamos ver isso na prática? Ou era só papo pra ganhar eleição?
7 – Em outubro de 2018, o Flamengo sacramentou a venda de um dos seus principais jogadores, Lucas Paquetá, por um valor equivalente a 70% da multa rescisória. A divulgação do preço de venda (entre outros fatores, como o momento esportivo ostensivamente inadequado e a inusitada pressa do clube em fechar o negócio) fez cadeira voar, subir dedo na cara, enfim. Quase saiu tiro. Abriram processo, inquérito, no melhor estilo “prendo e arrebento”. Uma gritaria generalizada, evidentemente bastante explorada em um momento político conturbado. Pois. Passam-se alguns meses, e o GloboEsporte.com divulga, agora em 21 de maio, reportagem em que “Flamengo e responsáveis pela carreira” do volante Gustavo Cuellar, seguramente o principal ídolo atual da torcida, “admitem” que a multa rescisória do jogador encontra-se “fora da realidade” e acenam com “discussão, sem interesse em conflito que possa gerar litígio por cobrança irredutível de multa”, caso chegue ao clube uma proposta que se aproxime do correspondente a 1/7, ou cerca de 14%, da multa contratual.
Cada caso é um caso? Ou depende de quem está com a caneta? “Eles não podem mas nós podemos”? Como é isso?
… E UMA CONSTATAÇÃO
“Uma das piores coisas que temos na vida é o burro com iniciativa. Burro com iniciativa. Ele quebra você” (BAPTISTA, Luiz Eduardo, declaração ao GloboEsporte.com, 27/10/2015)
Ultimamente tenho me lembrado dessa declaração do Luiz Eduardo Baptista, o Bap, atual VP de Relações Externas do Flamengo, e tido como responsável por, entre outras intervenções, indicar a contratação do treinador Ney Franco em 2014 e avalizar a permanência de Abel Braga no comando atual do elenco rubro-negro.
Pois é… Essa frase… Acho que ele tem razão...
terça-feira, 21 de maio de 2019
Flamengadas
Olá Buteco, bem-vindos!
Entre 2013 e 2015, passamos por uma grande
reestruturação do clube, que tem como seu maior expoente o saneamento financeiro,
embora outras áreas do clube tenham evoluído de maneira tão eficaz quanto o
departamento financeiro.
No
futebol, a partir do 2º mandato de Bandeira de Mello em 2016, o planejamento
passa a ser o de encorpar o elenco, utilizando os recursos que provém da
revitalização financeira do clube, para trazer os títulos de maior prestígio:
Brasileiro e Libertadores. O expoente desse “novo Flamengo” é o centroavante Paolo
Guerrero. Para técnico, o clube traz Muricy Ramalho, tetracampeão brasileiro (2005,
2006, 2007, 2010) e campeão da Libertadores em 2011. A aposta é que a
experiência do treinador em equipes vitoriosas seja suficiente para nos
conduzir às glórias. O projeto era grandioso e incluía unificar o estilo de
jogo do profissional às categorias de base.
Eliminação
na Primeira Liga em casa (com uma inexplicável decisão de lançar um time
alternativo, perdendo a chance de um Fla x Flu na final, em um torneio onde fomos
nós mesmos o maior incentivador da criação), derrota para o Vasco na semifinal
do Campeonato Carioca, eliminação para o Fortaleza na Copa do Brasil e 3
rodadas no Brasileiro: uma vitória contra o Sport na estreia, derrota para o Grêmio
no Sul e um empate com a Chapecoense, conquistado no último minuto da partida. Com
problemas de saúde, mas já bastante contestado também, acabaria ali o ciclo de
Muricy no Flamengo, 5 meses depois de contratado.
O
restante da gestão do futebol, entre 2016 e 2018, foi marcado pelo empirismo:
sai um medalhão como Muricy, entra Zé Ricardo, técnico dos juniores sem nenhum
trabalho anterior. Após ele, Rueda, profissional com perfil mais próximo de
Muricy, no que diz respeito à bagagem de títulos importantes. Com a recusa de
Rueda em permanecer para a temporada 2018, o clube efetiva Carpegiani (perfil
diferente dos anteriores) e depois outro “estagiário”, Mauricio Barbieri.
Finalmente, acaba o ano com Dorival Jr, treinador cujo título mais relevante
foi a Copa do Brasil com o Santos de Neymar e Ganso.
Nesse
triênio 2016-2018, a grande percepção é de que o Flamengo tinha times para ir
além. Embora jogasse bem e tivesse chances claras de vencer os jogos decisivos,
algo acontecia e o time, efetivamente, sucumbia. Assim, nos restou um 3º lugar
no Brasileiro 2016, dois vice-campeonatos em 2017 (Copa do Brasil e
Sulamericana) e um vice-campeonato do Brasileiro 2017.
***
Com
o discurso de “trazer o futebol do Flamengo de volta ao seu devido lugar”, Rodolfo
Landim é eleito Presidente do Flamengo para o triênio 2019-2021 e aposta em
Abel Braga, treinador dito “cascudo” e, portanto, capaz de resolver o problema
da queda de desempenho em jogos decisivos. Com o elenco bem mais encorpardo que
o do triênio anterior, entende-se que é apenas questão de tempo até que o
Flamengo conquiste as tão sonhadas taças.
A
bem da verdade, os resultados vinham condizentes com o plano: campeão carioca
com domínio do adversário nos dois jogos da decisão, classificação assegurada às
oitavas da Libertadores e vitória fora de casa na ida da Copa da Brasil. Se
tivéssemos vencido o Atlético MG no último sábado, estaríamos em 3º no Brasileirão,
há uma vitória da liderança. Mas aí veio a Flamengada...
Há
uma certa distorção nos debates sobre o jogo: a grande questão não é a derrota
em si, mas como ela se deu: é uma situação extremamente vexatória você vencer o
jogo de ida por 2x0, abrir 1x0 na volta e perder a classificação tomando 4 gols
nessa mesma partida (Copa do Brasil 2014). Da mesma forma, é ridicularmente absurda
uma derrota para um time com 10 homens o segundo tempo inteiro, dando de graça
dois gols para eles e insistindo nos cruzamentos para a área, em um desespero
comum aos times sem qualquer repertório ofensivo. No Campeonato Brasileiro,
você não pode perder a chance de trazer uma vitória fora de casa, ainda mais frente
a times que estarão na primeira página da tabela.
Não
que os sinais não estivessem lá... Flertamos com a eliminação na Libertadores na
derrota para a LDU, jogo em que o empate era nosso, controlávamos e íamos para
o intervalo com a vitória parcial, até que entregamos o gol de empate. Depois, cansamos
de perder gols e vimos o Peñarol quase repetir o ocorrido na Libertadores 2017.
No Brasileiro, nos contentamos com um empate frente ao São Paulo lá, em outro
jogo que estávamos na frente e tivemos chances de garantir a vitória.
Enfim,
agora há uma grande dúvida no plano montado pelo futebol do Flamengo na
temporada: o pragmático time passa por sua segunda crise no ano e a maior
característica do treinador – o tal domínio de grupo, o “jogam por ele” – não mais
parece suficiente para bater o nosso principal rival interno, quiçá os desafios
internacionais. Os próximos jogos voltarão a ser disputados naqueles climas de
instabilidade, típicos dos últimos anos do Flamengo.
Qual
será a solução? Como os fracassos da diretoria anterior, no futebol, podem nos ensinar?
Saudações
Rubronegras!







