sábado, 31 de dezembro de 2011


O BUTECO DO FLAMENGO AGRADECE A TODOS QUE PASSAMOS MAIS 365 DIAS FALANDO DA NOSSA MAIOR PAIXAO.

Aos Colunistas, aos Participantes e aos Blogs Co-Irmaos.

FELIZ 2012 !!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Marcha Lenta

Do apito final do jogo contra o Vasco da Gama, em 04 de Dezembro passado, que assegurou a vaga para a pré-Libertadores de 2012, até o dia de hoje, lá se vão mais de três semanas, e o Flamengo levanta a moral das "velozes" tartarugas em termos de velocidade na tomada de providências tendo em vista à composição do time para a mais importante competição do continente sul-americano. A renovação de contrato do goleiro Felipe e a contratação da incógnita Magal para a reserva da lateral - esquerda foram as inciativas concretizadas até agora;

Se Vanderlei Luxemburgo tivesse feito o básico em praticamente um ano e meio de trabalho, ou seja, montado um time de futebol, nem haveria razão para grandes preocupações, mas sabemos que aquele grupo de jogadores que entra em campo vestido com o manto não forma uma equipe de futebol, porém, algo mais parecido com um bando desorganizado reunido na esquina mais próxima do estádio onde o clube vai jogar dentro de algumas horas, depois de degustado um "podrão" numa barraca improvisada que sempre existe em tais lugares;

E as inquietações vão tomando forma, compondo um corpo em função da exiguidade do tempo que escoa até o jogo de estréia em Potosí, fato que invariavelmente leva os responsáveis pelo futebol rubro-negro a adotarem medidas com o fogo lambendo os seus sapatos, pagando mais pelos jogadores de menor categoria, levando para casa a xepa da feira acabada;

Metade do tempo disponível para a organização do elenco já disse adeus no vácuo da passagem do Papai Noel e o que temos hoje nada mais é do que "mais do mesmo" de ontem, um passado ainda quente que nenhuma saudade deixou sob os acordes de que o objetivo (hipócrita) dentro do Campeonato Brasileiro era uma vaga na Libertadores de 2012. Pois, então, ela está aí de frente pra gente a exigir providências que não são tomadas, pelo contrário, o Flamengo está mais atrás no grid de largada, já que antes tinha Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves à disposição e, até agora, seus contratos não foram renovados tampouco novos nomes contratados;

Urge a contratação de pelo menos um bom zaqueiro, um volante que saiba passar uma bola com objetividade e um atacante para comporem daqui a um mês o provável time juntamente com RG-10, Thiago Neves, Deivid, Thomás e Muralha, os principais talentos da futura equipe;

Vamos lá D. Paty, a luz verde que autoriza a largada está acesa há muito tempo e o Flamengo está parado na pista, no tempo e no espaço.

SRN!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Como Resgatar o Passado?

Buongiorno, Buteco! Difícil pergunta, não? Tem uma série de senões. Cada época tem o seu porquê e sua razão de ser, de modo que tentar vivê-la fora de contexto pode ser um grande erro, em qualquer setor da vida. No futebol também. Pode ser uma grande besteira tentar reviver um determinado time, afinal de contas ele necessariamente é feito por seres humanos que não serão jamais repetidos, muito menos no contexto específico em que cresceram como seres humanos e atletas. Mas a pergunta e o próprio tema do texto de hoje vêm do fato de que na Europa, mais especificamente na Espanha, e até na Alemanha (puxa vida, jamais me imaginei escrevendo isso!), joga-se um futebol mais condizente com o que foi o futebol brasileiro do passado do que o futebol brasileiro atual.


Evidentemente, esse assunto diz respeito ao Flamengo, que já teve verdadeiros esquadrões em seus elencos, mas que hoje produz dentro de campo o reflexo do que é esse pobre futebol brasileiro, lembrando que estamos falando de um dos times de melhor campanha e resultado da temporada de 2011. Ocorre que não se pode mais valer de desculpas do gênero "ah, mas o futebol de hoje é assim", primeiro, porque, como dito, na Europa há clubes e seleções jogando um futebol muito mais ofensivo e bonito. E eu quero deixar bem claro que não estou falando apenas dos grandes expoentes. Querem um exemplo? Fui visitar minha irmã ano passado em Portugal e tive a oportunidade de assistir a Sporting Lisboa x Portimonense, no estádio João Alvalade, partida vencida pelos anfitriões por 3x2. E não é que o Portimonense, derrotado e rebaixado no campeonato português, jogou exatamente com aquele esquema da Alemanha na Copa do Mundo? Ofensivo, incomodou o Sporting o tempo todo, mas a categoria individual desses últimos acabou prevalecendo.


Nem precisamos ir tão longe: basta lembrar os costumeiros bailes táticos que os times argentinos costumamdar nos brasileiros nas Libertadors. O Fluminense eliminou o Boca Juniors? Sim, mas quem lembra daquela partida no Maracanã certamente se recordará do melhor posicionamento em campo dos argentinos, da maior posse de bola, das inúmeras chances perdidas e dos gols marcados pelo Fluminense graças a falhas do goleiro e com a bola desviando na barreira numa cobrança de falta. Ah, e não nos esqueçamos do exemplo mais atual possível, que é a Universidad de Chile, que, com um elenco barato, joga um futebol correto, ofensivo e taticamente irrepreensível, muito superior a qualquer time brasileiro atual.


Na verdade, eu sempre achei que 1982 foi um ano negro para o futebol arte e quando dizia isso a amigos em conversas eles pensavam que era apenas pela seleção brasileira que perdeu para a Itália na Copa da Espanha, mas não foi apenas isso; havia também aquela seleção fantástica da França, liderada por Michel Platini (muito mais jogador do que Zinedine Zidane, vão me desculpar), que jogava um futebol arte de primeiríssima linha. Ah, como seria uma final entre aquelas duas seleções, sempre imaginei. E o ideal teria sido a URSS de Oleg Blokhin na semifinal, pois era outro time que jogava um futebol refinadíssimo e de toque de bola solto, muito bonito.


À medida em que os anos se passaram o futebol no mundo todo foi ficando feio, truncado, cheio de volantes, tal como se vê aqui no Brasil hoje, tal como se viu na Copa do Mundo da Itália em 1990. Percebam as datas. Vinte anos atrás. Em 1998, Zagallo ainda desafiou tudo isso e, com todas as críticas que se possa fazer a ele (e eu tenho mais de uma centena delas), ainda colocou uma seleção ofensiva para disputar aquela Copa. Mas o certo é que a última coisa que eu esperava é, em 2010, ver o futebol arte renascer na Europa, uma parte dele na Alemanha, e no Brasil apenas essa terra devastada, na qual se joga o futebol de 1990.


Pois bem. Fica então a pergunta: é possível resgatar o passado? Entendam o que quero dizer: voltar a produzir jogadores técnicos; voltar a ter como característica dos jogadores vindos da base o toque de bola vertical, buscando o gol? Bem, o Barcelona conseguiu, mas sabemos que, lá, dinheiro não falta para pinçar jogadores do mundo inteiro. Mas será que é só dinheiro? Parece que não, né? Entra aí filosofia, projetos de longo prazo não interrompidos, organização, número de sócios espalhados pelo mundo e em dia com as contribuições, austeridade fiscal, estádio próprio...


Bem, eu gostaria que o Flamengo liderasse esse movimento, mas parece que passaremos mais um ano com um treinador e uma diretoria cujas ideias não se compatibilizam com esse modelo. Alguém acredita que isso seja possível? Algum dia?


Bom dia e SRN a todos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL !




A Administracao do Buteco do Flamengo deseja a todos um FELIZ NATAL !

Desejo de Natal


O tema é o da profissionalização, não tem jeito! Nem me importo se vai ser com o dinheiro do futebol, mas deve ser pra já. Se retirarmos R$ 500.000,00 por mês para a profissionalização da gestão do clube como um todo está da ótimo tamanho. De 2012 não pode passar (sem contar as teorias “fimdomundistas”). Com diretorias profissionais com modelos de negócios independentes, ganha o clube como um todo. As gerências profissionais seriam:
  • Olímpicos
  • Clube Social
  • Marketing e licenciados
  • Futebol
  • Patrimônio
Dentro do estatuto do Flamengo (vigente e arcaico), é possível reformular a gestão sem mudança de cláusulas. Só não se consegue por falta de competência e de habilidade política, de gestão nem se fala. Já toquei neste assunto milhões de vezes! Com profissionais específicos para cada uma das gerencias em dois, três anos cada setor se pagaria. Os quatro primeiros itens nem precisam de explicação, mas vou detalhar o quarto, patrimônio, e pretendo ser breve:
  • Estádio
  • CT Futebol
  • Museu Flamengo
  • FlaConcept
  • Possível CT olímpico (ideia minha)
  • Casarão de São Conrado e Morro da Viúva (Profissional do Flamengo na gestão do Hotel)
Neste modelo de gestão, estes módulos teriam administradores independentes, conduzidos por seu gerente (no caso o de patrimônio), que indicaria o caminho. Todos devem ser lucrativos ou gerar valor para o clube. É o caso dos específico dos CTs, o olímpico e o do futebol, e também serve para o ainda inexistente estádio. É possível sim construirmos um estádio nosso, como já escrevi, colunas atrás. 


O mais importante aspecto de tudo que escrevi acima é a facilidade de tudo ser auditavel interna e externamente e a responsabilização do mau feitor ou do incompetente que seria rápida, com demissão e processo civil. 


O meu desejo é o de um Flamengo maior e mais forte! O mesmo vale para a vida pessoal de cada integrante do Buteco, que comemore o natal ou não. Que todos tenham em suas vidas realizações, prosperidade e alegrias. Afinal este deve ser o objetivo de cada um de nós com o Flamengo ou em nossa vidas cotidianas, ter alegrias. Queria agradecer também a companheirismo existente aqui, neste meu primeiro natal no Buteco! Agradeço ao Rocco pelo convite e a oportunidade que me honrou muito, a de escrever em lugar que gosto tanto, para pessoas que prezo igualmente: vocês companheiros de mesa nesta relação educada e apaixonada pelo Flamengo! Obrigado a todos e Feliz Natal!
Que tenhamos um natal de paz e muita saúde e que nosso Flamengo nos presenteie não apenas com vitórias e títulos, mas com emoções e união, ao menos entre nós torcedores!

Somos Flamengo, Vamos Flamengo!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

D. Paty, Luxa: Cadê o time?

O título de Campeão Mundial de 2011 caiu sob medida para o Barcelona, como um terno cortado pelas melhores tesouras da moda, obedecendo plenamente ao fundamento contido no livro do futebol, no capítulo de introdução referente aos seus conceitos básicos, artigo nº 1, que trata do passe para a obtenção da chamada "valorização da posse de bola", que com os catalães em algumas partidas chega à íncrivel marca dos 75%. Como se fosse uma irmã siamesa, a posse depende do passe como uma planta precisa de ar. E de passe bom, daqueles que basta um toque para domar e colocar a redonda do jeito para ser repassada se quem a recebeu não quiser passá-la de primeira;

Acrescente-se à excelência de passar com precisão a bola para um companheiro as virtudes paciência e categoria, para fazê-lo no momento certo e realizar a conclusão em gol quando a certeza de sucesso for quase absoluta. Daí temos o bolo pronto com a devida cereja a enfeitá-lo para a alegria dos amantes do futebol bem jogado, que viram logo no começo do último domingo um baile de bola à moda antiga, faltando apenas no salão verde em Yokohama gente comparável aos gênios Leandro e Júnior, pelas laterais do campo, para levar a distinta platéia a pedir bis, em pé, com lenços brancos desfraldados nas mãos;

Tento enfiar uma palavra em profundidade, com efeito, por trás das frases, para fazer a ligação dos conceitos expostos com o atual time do Flamengo, objetivo maior sempre presente em minhas relações com o futebol, mas pressinto que não cabem nas mesmas orações um passe feito com talento e o trio Aírton, Willians e R11, e me sinto cometendo uma heresia ao introduzí-los nos comentários sobre a dança bem dançada com as cores rubro-anil. Sei que corri um risco imenso em perder a posse de bola para o adversário e sofrer um rápido contra-ataque, levando o 1º gol contra nestas linhas ou, então, terei que ocupar mais uma vez os craques da epopéia dos anos 1980 para me salvarem de levar uma goleada histórica;

Se não toco a bola para os maltratos do trio e deixo em merecida paz os artistas que escreveram o passado com letras de ouro, estou no dever de cobrar de D. Paty e do técnico Vanderlei Luxemburgo procedimentos compatíveis com os objetivos alardeados aos quatro ventos para apaziguar os ânimos com a possível (e confirmada) perda do título de Campeão Brasileiro de 2011: "O objetivo é uma vaga na Libertadores", pregava bem afinada a dupla. A Libertadores é bela e estamos dentro dela, mas agora queremos time, D. Patrícia. Onde estão os novos contratados para satisfazer com honra a meta alcançada? O alerta vale igualamente para o Luxemburgo, lembrando-lhe que já tem jogo marcado no morro, em Potosí, há 4 mil metros de altura. Com que time nós vamos dar continuidade ao "pojeto"?

Há um mês eu dizia que tudo não passava de um jogo de espelhos para acalmar a torcida, que ansiava pelo hepta. Ou era era uma rede esticada entre duas árvores que o Flamengo queria ao anunciar a luta pela tal vaga, afinal conseguida?

SRN!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Na Época das Especulações...

... qual é a sua expectativa mais realista, amiga e amigo do Buteco? Ah, antes de mais nada, Buongiorno a tutti! A proposta da coluna de hoje é discutir o que achamos que ocorrerá em 2012 e o que é possível que melhore. Vejam bem, muitos de nós (eu me incluo nesses muitos) gostariam de ver no Flamengo um treinador estrangeiro, respaldado por um executivo com mentalidade moderna, arejada, conhecedor do mercado, e que os dois montassem um elenco tecnicamente impecável, que permitisse a escalação de uma equipe ofensiva e que trocasse passes verticalmente valorizando a posse de bola sempre visando o gol, como faz o Barcelona ou, ao menos numa escala mais realista, em nível sulamericano, a Universidad de Chile. Contudo, sabemos que, com Vanderlei Luxemburgo como treinador e com Renato Abreu na condição de um dos líderes intocáveis e insubstituíveis do time, isso não ocorrerá de modo algum.


Então, onde é possível evoluir? Ou melhor: é possível alguma evolução? Em que escala ou proporção? Observem que a pergunta é feita com parâmetros pragmáticos e realistas; distantes, portanto, do cenário sonhado e ideal.


Quem você acha possível trazer? Vejam que é diferente de perguntar quem gostaríamos de trazer. E quem você acha que realmente virá?


Você gostaria que os árabes aceitassem essa proposta pelo Thiago Neves ou, diante dos valores, preferia ficar sem ele e encarar a Libertadores com Bottinelli e quem viesse a ser contratado, não importando quem fosse?


O que eu gostaria mesmo de ver é um bom chute mesmo, ligando o "Speculation Tabajara" (By Marcão Pellegrino/Imprensa Vendida para SP), e saber dos amigos qual é o time que acham que o Flamengo terá em 2012.


Ou, em outras palavras, o que encontraremos após aquela curva?


Bom dia e SRN a todos.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A oportunidade


Sempre digo aqui no blog que o Flamengo deve profissionalizar logo todo o clube. Uma das formas que penso ser a derradeira na atual estrutura, para a tal profissionalização é a separação do clube social (Fla-Gávea), dos esportes olímpicos e do futebol, que trabalhariam de forma independente, como numa holding, em módulos. Até este ponto, quem acompanha a minha coluna e as discussões estão carecas de saber. Ontem, acordei com a sensação de que o Flamengo tem às suas mãos a oportunidade de profissionalizar seu futebol, de vez. Ironicamente, isso ocorre com a demissão do profissional do futebol de nosso maior rival, Rodrigo Caetano, do Vasco.

Tenho um defeito, ou virtude, não sei, que é a de sempre dar uma olhadinha no rival, até para comparar (exceto antes dos jogos entre o Flamengo e a tal equipe, por superstição). O Vasco de Rodrigo Caetano tem erros e acertos, mas os êxitos são mais visíveis e palpáveis. No Flamengo que agente chia, reclama e aponta os erros, mas nem tudo é amador, admitamos. A questão é que muitas das atitudes, quase sempre as mais importantes, são amadoras. Agrava-se então o problema, com a acumulação das vice-presidências, algumas as mais importantes e a morosidade das decisões do futebol, carro-chefe do clube. Para não alongar o assunto vou restringir ao futebol, onde a presidenta é a vice-presidente acumulando a pasta. Está apresentada então, a grande oportunidade para que o futebol seja profissionalizado e vou pontuar:

  • O Flamengo não tem um vice-presidente de futebol, falam em Marcus Braz;
  • O trabalho é bom na base com Carlos Noval;
  • Isaías Tinoco faz excelente trabalho na área de logística;
  • Luxemburgo teria um chefe.

O principal aspecto da saída do dirigente do Vasco da Gama, além do desgaste dos três anos de trabalho por lá, foi o mal aproveitamento e o parco investimento nas categorias de base, aspectos onde o Flamengo é forte hoje e tem gente competente administrando. Inclusive, nos aproveitamos com alguns atletas, reforços buscados no adversário. Muralha é o exemplo mais visível. Por ser um homem de fora do clube e com experiencia em marketing e gestão, preparado para isso, pode ser o nome ideal para a profissionalização do clube do Ninho (futebol deve ser lá e não na Gávea), assim a presidenta deixaria o futebol com com gente da área, já que ela não entende do assunto. Ficaríamos assim:

  • Dirigente amador: Marcus Braz, Vice-presidente de futebol do clube
  • Dirigente profissional: Rodrigo Caetano, o “presidente do futebol”;
  • Abaixo e no mesmo nível de comando: Luxemburgo como gerente do futebol profissional, Carlos Noval como gerente das categorias de base, Isaías Tinoco como gerente de logística, que trabalharia de forma integrada com todas as áreas anteriores e seria de bom alvitre a contratação de um gerente de marketing específico para o futebol do Flamengo (de preferência alguém indicado pelo novo dirigente).

Se o Flamengo trabalhasse como uma empresa, pensando no mercado estaria uma possível solução "quicando" no mercado. Já prevendo isso, sei que o nome de Rodrigo Caetano poderia encontrar resistência em áreas retrógradas do clube. tenho a certeza que este dirigente deve vir de fora, não viciado na estrutura política do clube. O nome em pauta conhece o mercado do futebol carioca, por isso o citei. Existem bons dirigentes com excelentes trabalhos no Internacional, no Grêmio, no Coritiba, no Ceará, no Bahia e no Figueirense, como exemplos. Eu sei disso porque sempre leio páginas eletrônicas sobre marketing esportivo, mas será que no Flamengo ninguém faz isso?

SomoFlamengo, VamoFlamengo!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Dias de procura !

Papai Noel ainda está aquecendo as renas Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago, as únicas no mundo que sabem voar, segundo a lenda, e a enfadonha ladainha das contratações na entressafra do futebol brasileiro já colocou umas quatro voltas na frente das voadoras do bom velhinho de sempre;

Entre uma festa de confraternização e outra, pululam na Gávea os consagrados nomes de Nilmar, Miranda e Vágner Love. Nada mal para iniciar as conversas de Ano Novo, porém, até o momento do ponto final dos trabalhos de ontem, o Flamengo só tinha nas mãos para apresentar à distinta torcida o nome do lateral esquerdo do emergente Americana de São Paulo, Magal, que brigou pelas primeiras posições do Brasileirão da Segunda Divisão recém-encerrada;

Gato escaldado tem medo de água fria, conforme filosofia do calçadão da praia, pois sou testemunha ocular da chegada ao Flamengo do tão desconhecido como veterano Lico, em 1981, aos 28 anos de idade, oriundo de Joinville na bela Santa Catarina, para se consagrar como Campeão Mundial compondo aquele saudoso ataque com Tita e Nunes, no velho 4-3-3. Também presenciei o empréstimo do meio campista Andrade, em início de carreira, para um clube da Venezuela, onde o futebol era a 5ª preferência popular. E que falar da tentativa de transferir o melhor lateral direito que vi atuar na minha vida de arquibaldo, para o internacional, um tal de Leandro, que um dia escrevi que "ele tinha um caso de amor com a bola", tal a intimidade entre os dois? E os três estão comemorando esta semana a sagração mundial buscado em Tóquio, depois daquele inesquecível baile em vermelho e preto nos orgulhosos ingleses de Liverpool. Assim sendo, seja bem-vindo Magal, tenho razões sobrando para lhe conceder uma boa dose de créditos;

Já que escrevo sobre jogador desconhecido do grande público, que podem ou não vingar vestido com o manto, revelo uma ação que sempre achei razoável ser colocada em prática pelos dirigentes rubro-negros, tendo em vista a bem-sucedida política de garimpagem de jovens talentos no Cone Sul do nosso hemisfério procedida pelos clubes gaúchos, notadamente Internacional e Grêmio, que constantemente apresentam bons valores descobertos no interior do Uruguai e da Argentina. Creio que seria de bom tom a contratação de dois "olheiros", ex-craques daqueles países, para a descoberta e indicação de jovens talentos ou jogadores já consolidados como profissionais em suas terras, porém ainda não devidamente visualizados pelos experts da área, os quais viriam para RJ city contratados pelo Flamengo por um período determinado, um ano por exemplo, e daí partindo para contratos mais longos, se fossem aprovados;

O ex-jogador do Vasco, Delém, disse numa entrevista pouco antes de nos deixar, que revelou jogadores para o River Plate, do qual foi responsável pelas divisões de base ao longo de 20 anos, que renderam 200 milhões de dólares ao clube hermano. Para o que proponho, isso mostra que o material humano é bom, se não bastassem os talentos uruguaios e argentinos que vemos desfilando pelos campos desse mundo do futebol;

O Flamengo precisa contratar jogadores já consagrados sem desprezar a possibilidade de garimpar para achar ouro no CT, no interior do Brasil e nas vizinhanças. É fato que existe ouro amarelo, branco e negro sob e sobre os solos dessas terras.

SRN!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um Momento Na Eternidade



Trinta anos. Exatos trinta anos. Pensei muito no que escrever. Deu um branco. Imaginei que seria fácil, que não faltariam as palavras, mas elas agora me escapam, furtivas. Sobra a emoção. Ao fitar essas imagens, vêm as memórias de um guri de doze anos de idade, que tinha como referências na vida o pai e esses atletas. Definitivamente, não era um time de fanfarrões, de boêmios ou notívagos inveterados. Aquele pessoal era formado na Gávea e quem veio de fora era como se nela nascido fosse. A gente confundia aquelas pessoas com a camisa, com o Manto Sagrado. Parecia uma coisa só. Era diferente.


Naquele tempo, não havia internet; as informações chegavam por rádio, jornal ou televisão. O Regime Militar já não era o mesmo, mas ainda faltava um bocado para acabar. A América do Sul era sombria e o Flamengo foi o terceiro clube brasileiro a conquistá-la, a duras penas, levando pedradas e pontapés, graças a esses atletas. Faltava o mundo. A sua frente o gigante da época, o maior campeão daquele tempo na Europa, do Futebol Inglês que dominava aquele continente - de 1976 até 1984, os ingleses só não venceram uma temporada, e dessas oito o adversário do Flamengo, o Liverpool, conquistara nada menos do que a metade.


É difícil descrever o tamanho do orgulho por ser o segundo clube brasileiro a conquistar o mundo, afinal de contas, antes do Flamengo, apenas o Santos de Pelé havia conquistado esse feito. Depois vieram outros clubes brasileiros, animados com a conquista rubro-negra, mas certamente tiveram seu caminho facilitado pelo verdadeiro abre-alas que foi a conquista de 1981.

Seria de uma injustiça simplória, portanto, descrever essa conquista simplesmente tomando como parâmetro o tamanho do título, pela circunstância de ser um mundial. Foi o segundo título mundial de um clube brasileiro, conquistado numa época sombria do continente sul-americano, por uma equipe que se notabilizou pela magia e pela arte de seu futebol, bem como pela dignidade de seus atletas, em sua grande maioria formados dentro do próprio clube, em suas divisões de base. Que outro clube no mundo teria condições de repetir tamanha proeza?


O Flamengo pode, e todos esperamos que isso aconteça, vir a conquistar vários títulos mundiais, mas nenhum será capaz de superar em importância, simbolismo e qualidade o título de 1981.


Dizer obrigado a esses atletas é pouco. O Buteco do Flamengo gostaria, de alguma forma, de tentar expressar todo o sentimento de gratidão e toda a emoção que nós, torcedores, sentimos ao falar daquele tempo e dessa conquista. Foi um tempo em que o futebol fazia as pessoas se confraternizarem e dançar nas ruas. Numa época em que o governo cerceava o direito de reunião e de livre manifestação do pensamento, era a arte, a qualidade e a beleza do futebol do Flamengo um alento que as permitia sonhar e experimentar a liberdade. O título de 1981 foi provavelmente o ponto mais alto disso tudo.


Valeu, pessoal. Vocês são Eternos e serão eternamente lembrados. Muito obrigado.


Bom dia e SRN a todos.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Flamengo x Liverpool


Toyota Cup - Campeonato Mundial Interclubes - 1981.

Flamengo - Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Técnico: Paulo César Carpegiani.

Liverpool - Grobbelaar, Phill Neal, R. Kennedy, Lawson e Thompson; Hansen, Kenny Dalglish e Sammy Lee; Johnstone, Greg Souness e Terry Mc Dermott (Johnson). Técnico: Bob Paisley.

Data, Horário e Local - Domingo, 13 de dezembro de 1981, as 00:00h, no Estádio Nacional de Tóquio, no Japão.

Trinta anos depois, a Rádio Globo AM 1220 Mhz retransmite no mesmo horário.

Acompanhe aqui, no Buteco do Flamengo.

SRN a todos.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Eu, Coach


Terminada a temporada 2011, começa a fase negra das especulações, do vai e vem, barcas, botes, naufrágios e resgates, possíveis reforços etc e tal.

Queridos amigos do Buteco e visitantes, que tal aproveitar o período e brincar de coach? Já deixo de antemão ressalvado que sou mera curiosa e meus conhecimentos sobre tática ou posicionamento são mais do que amadores e superficiais. Trata-se apenas de um interesse, algo que recentemente chama cada vez mais minha atenção.

Imaginem um tabuleiro pintado de verde, com as seguintes peças a disposição:

Goleiros: Felipe, Paulo Vitor e Vinícius.

Zagueiros: Alex Silva, David Braz, Ué e Gustavo.

Laterais direitos: Leo Moura e Galhardo.

Laterais esquerdos: JC, Egídio, Alvim e Magal.

Volantes e meias: Airton, Maldonado, Willians, Muralha, Renato Abreu, Kleberson, Luiz Antônio, Bottinelli, Fierro, Vander, Tiago Neves e Ronaldinho.

Atacantes: Deivid, Jael, Diego Maurício, Negueba e VAGNER LOVE***

*** Acho interessante imaginarmos o Fla 2012 com e sem o artilheiro do amor. Almejado por 9 a cada 10 rubro-negros, tenho a impressão que muitos o enxergam simplesmente no lugar do Deivid, mas se esquecem que o Love é 2° atacante. Sua eventual compra tem várias consequências pro esquema como um todo, algumas mencionadas mais abaixo, mas que tal imaginá-las?

Intrinsecamente relacionado à escalação está o esquema tático a ser definido.

O "esquema da moda", inclusive usado pelo atual campeão brasileiro, é o 4-2-3-1. No caso abaixo, serviu de modelo pra seleção do Brasileiro feita pelo André Rocha, do blog olho tático (e responsável pela criação das imagens utilizadas no post, com exceção da última):




Nesse esquema quem eu imagino?

Felipe;

Leo Moura (ou Willians improvisado), se não vier um desejável reforço pra posição;

Alex Silva e David Braz (se não vier um desejável reforço pra posição)

JC;

Airton e Muralha;

Na linha de 3, R10 centralizado, TN na esquerda, Thomás (ou Luis Antônio) na direita.

Deivid

Não vejo muito o Love nesse esquema, seria o atacante aberto na direita? Talvez. Colocá-lo no lugar do Deivid, a meu ver, seria "matar" o jogador. Ele não costuma fazer o pivô e nem jogar de costas (até onde sei), entre os beques.

Em 2011, passamos boa parte do tempo jogando no esquema conhecido como árvore de Natal, o 4-3-2-1. Um esquema considerado por muitos como retranqueiro, já que privilegia a defesa, a base maior da árvore:



Já na reta final do campeonato, vimos o Deivid mais recuado, compondo um 4-3-3 (http://a-prancheta.com/wp-content/uploads/2011/12/Vasco-x-Flamengo-Dec.2011_POSICIONAMENTO-2.jpg). Jogamos no 4-3-3 também no início do ano, com Ronaldinho como falso 9, lembram?



Esse é o esquema do badalado e pra mim encantador Barcelona. O 4-3-3 com falso 9:



É fácil notar que nesse esquema os volantes têm papel preponderante. Nada mais, nada menos que Xavi e Iniesta é que fazem o esquema funcionar. Por óbvio e ululante, não é possível fazer o mesmo com Renato e Willians, como foi tentado ao longo do ano.

Nesse esquema, eu faria um teste com as seguintes peças:

Goleiros, laterais e zaga é desnecessário repetir.

Na linha de 3 volantes: Airton centralizado; Muralha na esquerda, Luiz Antônio na Direita;

Na linha da frente: TN, R10 (o falso 9) e Love (ou o contrário). Sem o Love, Thomás comporia o ataque.

A questão é, os meninos já estão preparados pra assumir a titularidade? E mais do que isso, é um esquema em que a linha de volantes e do ataque TÊM que jogar próximas, o time tem que ser muito compacto e muito entrosado, com a linha de 3 volantes dando conta de apoiar e recompor com velocidade. Pode dar certo, mas é preciso treino, treino, treino...

Pra inspirar o pessoal, um time mágico pra mim, o Fla de 87, no 4-3-1-2:



Goleiros, laterais e zaga é desnecessário repetir.

Imagino Airton de 1o volante, Bottinelli onde está o Zinho, Muralha ou Luiz Antônio no lugar do Aílton, R10 na posição do nosso eterno camisa 10, TN de um lado, Love do outro. Pode dar caldo hein...

Por fim, deixo uma última opção, o Fla no 4-4-2, com TN e R10 recuados:



Nesse esquema, entraria o Love no lugar do Diego Maurício.

Não enxergo, contudo, o Tiago Neves recuado. Pra mim é um jogador com faro de gol, finalizador.

Mas, é aquilo, o importante é o COLETIVO funcionar, se um ou outro tiverem que ser sacrificados em prol de um bem maior, que é ver o Flamengo como uma máquina, uma engrenagem a pleno vapor, sou favorável.

Agora é com vocês, ilustres butequeiros e visitantes, sem timidez rs

Deixe a imaginação fluir e conta pra gente qual seria a escalação e o esquema tático ideal pra fazermos bonito na Libertadores 2012.

SRN!


sábado, 10 de dezembro de 2011

Silly Season!




Esta talvez seja uma das partes da temporada que eu mais gosto, a das especulações. Elas sempre trazem a esperança de jogar fora o que é ruim e atrair algo melhor para o futuro. Acho que aí está o principal motivo de eu gostar da festa de ano novo e odiar o natal e o que ele representa (para mim). Cada um faz sua lista e vou tentar analisar alguns casos mais friamente, pensando no que o Flamengo poderia fazer, já que logicamente, não irá dispensar 19, 20 atletas.

Pensando como dirigente, tentarei “buscar” os reforços para que o time tenha uma boa temporada e tente chegar a mais uma decisão de Libertadores. A ideia é de um time forte com reservas que podem a qualquer momentos transformar-se em titular e as promessas do clube para reposição durante a temporada. Assim entram gradualmente e a transição é natural. Já mudei de ideia mais de vinte vezes, mas vou pensar que alguns farão em 2012 temporada melhor. Popularmente falando, a barca zarparia assim:

Goleiro: Vinicius (fim de contrato), Marcelo Lomba (empréstimo ou venda)
Lateral: Galhardo (empréstimo), Rodrigo Alvim (dispensa ou troca)
Zaga: Angelim (já anunciada, fim de contrato), Gustavo (dispensa ou troca)
Volantes: Maldonado (dispensa ou troca), Fernando (já anunciada, fim de contrato)
Meia: Fierro (dispensa ou troca), Renato (fim de contrato), Vander (fim de contrato)
Ataque: Jael (dispensa ou troca), Negueba (empréstimo)

Galhardo e Negueba seriam os únicos jogadores da base a ser emprestados para pegar experiência em outro clube da série A ou B. David Brás e Diego Maurício podem ser moeda de troca, caso venham outros jogadores para suas posições ou seja um bom negócio para o clube. Não reaproveitaria nenhum dos jogadores que retornam de empréstimo, exceto Guilherme Camacho, os demais seriam emprestados, trocados, vendidos ou dispensados. O elenco-base ficaria assim:

Goleiros: Felipe (compra), Paulo Vítor, César
Laterais: Léo Moura, Jr. César e Egídio
Zaga: Alex Silva, Wellington, David Brás, Frauches e Marllon (bom e sobe pela idade)
Volantes: Airton, Willians (mais uma chance), Luiz Antônio, Muralha
Meias: Thiago Neves (compra), Bottinelli, Thomaz, Camacho
Atacantes: Ronaldinho, Deivid (caro, mas melhorou muito no final), Diego Maurício

Todos, exceto César, Marllon, Frauches e Camacho foram titulares este ano e podem ser em algumas partidas da temporada. São 21 atletas de bom nível, um bom elenco-base. Os reforços seriam pontuais e de qualidade, pois temos uma base forte e excelentes opções de “pratas-da-casa”. Seriam: Émerson, Coritiba; Bruno Vieira, Figueirense; Aranguíz, Universidad de Chile; Osvaldo, Ceará; Vagner Love, CSKA. Um lateral para cada lado, um zagueiro, um volante muito moderno e excelente, dita o ritmo, e dois atacantes, sem contar a compra do Felipe e do Thiago Neves.

Meu time titular no começo da temporada seria: Felipe, Léo Moura, Émerson, Alex Silva, Mena; Willians, Aránguiz, Thiago Neves, Ronaldinho; Deivid e Love. Seria ou não equipe para vencer Libertadores? E o elenco? Na equipe reserva estaria: Paulo Vitor, Bruno Vieira, Wellington, David Brás, Jr. César; Airton, Muralha, Luiz Antônio, Botinelli; Osvaldo e Diego Maurício. Não dá para começar o carioca com este time? Dá até para jogar o carioca, deixando a equipe principal para os clássicos e poupar jogadores importantes durante a temporada, inclusive o Ronaldinho. Sem a responsabilidade de decidir, jogadores como Thomaz, Camacho, Frauches, Marllon, e outros seriam bem mais uteis e fariam uma transição mais tranquila.

Como saldo geral 10 dispensas, 3 empréstimos e 6 contratações e 1 retorno (Camacho). Tentando comparar as contratações com as dispensas, Vinicius, Rodrigo Alvim, Angelim, Gustavo, Maldonado, Fernando, Fierro, Renato, Vander e Jael custam algo em torno de $ 1,1 Milhão de Reais mensais e os seis possíveis contratados custariam aproximadamente $ 1 Milhão de Reais mensais. Aumentaria assim a qualidade e a competitividade deste elenco para a temporada 2012. 

Chegou um lateral-esquerdo, desconhecido da maioria, Magal do Americana, a imprensa do interior de São Paulo diz que foi um dos destaques na equipe na segundona, mas para jogar no Flamengo é preciso muito mais, esperemos. Pelas especulações será montado um supertime, e nem são os que citei acima em maioria, mas quem dera todos os reforços jogassem no clube, inclusive os que a imprensa espqcula. É aí que está o encanto da silly season, o problema que esse mesmo encanto pode virar decepção rapidamente!

Somos Flamengo, Vamos Flamengo!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sócrates Brasileiro, presente!

Sócrates Brasileiro, presente!


Rodrigo Romeiro


Saudações, Caros Butequeiros Rubro-Negros. Como todos sabem, no último domingo, dia 04 de dezembro de 2011, no mesmo dia em que seu time de coração conquistava o Campeonato Brasileiro, aquele que, prá mim, foi o maior personagem da história do futebol, Sócrates Brasileiro, deixou a vida para entrar para a história. Sócrates Brasileiro é um personagem tão rico e interessante, que não dá um livro, mas sim uma enciclopédia. Como Flamenguista, obviamente, meu grande ídolo é o Zico, mas na verdade eu queria ser o Sócrates.

Doutor Sócrates começou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto e lá, já profissionalizado, avisava seus técnicos que conciliaria os treinos e concentrações, com as aulas e plantões na Faculdade de Medicina. Ou seja, treinava quando dava, mas jogava, e como. Dentre as muitas histórias peculiares do Doutor no Botafogo-RP, uma das que mais gosto refere-se à decisão do primeiro turno do campeonato paulista de 1977, contra o São Paulo, Campeão Brasileiro daquele ano.

O Doutor, obviamente, era o grande craque do time, mas tinha um plantão na noite anterior à decisão. O Doutor não quis usar do jeitinho para fugir do plantão, e avisou à diretoria do Bota: mandem um carro me pegar na porta do hospital, no início da manhã do domingo. O restante do time já estava concentrado fazia dias, enquanto o Doutor passava a noite em claro. Como se não bastasse, o Doutor, naquela noite, atendeu um grupo de acidentados.

Porém, na manhã seguinte, com o jaleco sujo de sangue, lá estava o Doutor, embarcando no carro enviado pelo Bota. O Doutor foi dormindo no carro, chegou em São Paulo após 4 horas de viagem, cochilou um pouco no hotel, almoçou com os companheiros, dirigiu-se ao Morumbi lotado, acabou com o jogo e fez do seu Botafogo Campeão. Assim, como quem bate uma pelada após uma noite mal dormida.

Depois do Botafogo e da Faculdade de Medicina, chegou o momento do Doutor desfilar sua genialidade e altivez em um dos grandes clubes do futebol brasileiro. Para a sorte da Fiel, lá se foi o Magrão para o Corinthians, conquistar títulos e, prá variar, fazer história. Dentro de campo foi um fora de série, sempre esbanjando categoria, precisão, inteligência e solidariedade. Magrão fazia o futebol parecer algo banal, fácil, sem qualquer necessidade de esforço; fazia o que queria com bola e nunca tocava nela sem dizer claramente qual o caminho que ela deveria seguir. Era um sábio, o Magrão.

Nesse período, Magrão, foi capitão da mais mágica Seleção Brasileira de todos os tempos, a de 1982. Em um grupo de jogadores com grande inteligência e de ótimo caráter, Magrão foi o líder de um esquadrão de craques, que jogava bonito, prá frente, sempre em busca do gol e que encantou o mundo. Como a Hungria de 1954, a Holanda de 1974, a Seleção Canarinho de 1982 não ganhou a Copa, mas, certamente, ao longo dos tempos, será muito mais reverenciada do que muitos campeões mundiais.

Fora de campo, o Doutor Magrão, se consolidou como uma das figuras mais importantes da política brasileira. Foi um dos líderes do Movimento Diretas Já, participando de comícios, campanhas e chegou a declarar, em palanque, que se a emenda Dante de Oliveira (http://pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1) fosse aprovada, não sairia do Brasil para jogar na Itália.

Coerente com o que pregava, o Doutor Magrão liderou a experiência de gestão mais interessante e revolucionária do esporte brasileiro, a Democracia Corintiana (http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_Corintiana). Regime de auto-gestão em que do roupeiro ao presidente do clube todos eram chamados a opinar e a decidir. Durante mais de dois anos, contratações, investimentos, concentrações, esquema tático, absolutamente tudo, era debatido e decido de forma coletiva.

Mas a emenda Dante de Oliveira não foi aprovada, perdeu o Brasil e perdemos também, temporariamente, o Doutor Magrão. O Doutor Magrão é único, e na Itália não poderia jogar em outro clube, que não fosse a Fiorentina. Instalou-se em Florença, simplesmente o berço do renascimento, local em que vários gênios e intelectuais viveram e marcaram sua história. Lá, rapidamente, o Doutor Sócrates começou a apresentar a sua elegância em campo e a freqüentar as rodas de gênios e intelectuais, como ele. Como não poderia ser diferente, transformou-se em ídolo, e, quando da sua saída, a torcida chegou a fazer uma grande manifestação na porta do clube, pedindo sua permanência. Mas o Doutor Magrão disse que era hora de voltar ao Brasil e que dinheiro algum o faria mudar de ideia. Estava com saudades, o Nosso Brasileiro.

O Doutor Sócrates voltou e, para nossa honra, veio vestir o Manto Sagrado e jogar no nosso Mengão. No Mengão, o Doutor Sócrates teve algumas contusões, não conseguiu ter sequência, jogou poucas vezes ao lado do nosso messias, Zico, mas desfilou sua elegância, quando esteve em campo. O vídeo abaixo é sobre a volta do Zico, após o crime de lesa-pátria cometido por um zagueiro banguense, e a estréia do Doutor Sócrates, que pode ser considerado o grande jogo da dupla vestindo a camisa rubro-negra.

Depois de ser o Capitão da Seleção de 1982, jogar pelos dois maiores clubes Brasileiros, Corinthians e Flamengo, chegou a hora do Doutor Sócrates parar de jogar bola, mas estava longe, muito longe, a hora dele parar de exibir sua elegância e postura nos campos da vida. Fora dos gramados, o Doutor Sócrates passou a ser um crítico competente, inteligente e sagaz dos cartolas e do futebol brasileiro. Fosse em entrevistas, em programas de tevê, nas suas colunas e textos, o Doutor Sócrates não se eximia de emitir opinião, de criticar, de propor e de contribuir para um mundo e uma sociedade melhores. Lutou contra a corrupção, contra a mediocridade, contra a esperteza e contra a vilania no futebol e na política. Sempre pertinente, preciso e autêntico, o Doutor falava o que pensava, sem amarras e deixava clara a sua opção em lutar ao lado dos oprimidos, sem perder a serenidade, a alegria e a elegância.

Sócrates Brasileiro é o mais cerebral jogador de futebol de todos os tempos. Era pura massa cinzenta desfilando pelo tapete verde. Talvez um dos únicos esportistas que pouco precisou do físico para ser craque. Fora dos campos, foi homem de postura, íntegro, corajoso, lutou ao lado dos explorados e nunca perdeu a alegria de viver. Viveu a vida intensamente, divertiu-se, fez muitos amigos e deixou uma legião de admiradores. Nem os desafetos são capazes de dizer uma só palavra que desabone o Nosso Brasileiro Sócrates. Infelizmente, não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, mas seu legado está muito vivo em mim. Certamente, mesmo que mal e parcamente, sem qualquer traço de genialidade, todas as vezes que for escrever um pouco sobre o futebol, sobre suas mazelas e belezas, sentirei Sócrates Brasileiro, presente!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bola parada!

A bola está parada e vazia! Escrevo essa exclamação pensando no término dos Campeonatos, mas lembro de citações esdrúxulas que envolvem injustamente a redonda boa de jogo de cintura, se cintura ela tivesse. Uma delas é o "ganhou com um gol de bola parada", muita usada geralmente para tirar o mérito do feito realizado numa cobrança de penalti, falta ou escanteio. Ora, por quê a bola foi parada e originou o gol? Certamente, o adversário parou a jogada para evitar que o gol fosse concretizado com a menina rolando. Portanto, mérito para quem o fez e teve capacidade técnica para tal, pois tem que saber fazê-lo, seja em um penalti, um escanteio ou uma falta fora da área;

E nas expressões lugares-comuns do futebol são muito usadas outras impingidas pelo formadores de opinião no universo do futebol. Cito como exemplos os inefáveis "técnico não ganha jogo' e "treinador não perde jogo". Discordo dessas premissas, pois se o professor de plantão arma e desarma o time, antes ou durante uma partida, impondo-lhe modificações que mexem no resultado para melhor ou pior, levando a equipe à vitória ou à derrota, a conclusão simples e cristalina é a de ele ganhou ou perdeu a partida usando os instrumentos à disposição, que são os jogadores;

Entretanto, a pior muleta argumentativa de todas, que não resiste a uma simples expremida cerebral é também a menor em nº de letras, a partícula apassivadora "se", risível quando empregada para dar sentido a um pensamento. É um "se o Goiás não tivesse perdido o último jogo, o Flamengo estaria rebaixado em 2010" ou um "se o Fred tivesse feito os dois gols perdidos, o Fluminense teria vencido o Flamengo por 4 a 3". Ora, pois pois, o Flamengo não foi rebaixado, em 2010, simplesmente por sido mais competente e pontuado mais que os adversários que foram para o fundo poço segundão. Só isso. E no hipotético Fla x Flu, SE o Ronaldinho tivesse feito um gol aos 43' do 2º tempo e outro aos 47', o Flamengo teria vencido por 5 a 4. Pronto, fim de conversa remetendo o malfadado SE para a lata de lixo. Quando ele entrar em campo para jogar a gente fala mais;

Como a bola está de fato parada, descansando dos bons e maus-tratos sofridos ao longo do ano em campos tupiniquins, foi dada a largada para a fase mais tediosa do futebol, a das especulações, dos leilões, da conversa fiada que quase sempre não leva a nada, ou seja, a que menos um torcedor-torcedor como eu curte, que gosta de ver a pelota rolando macia sobre a grama, domada pelos craques ou olhando nervosa, de rabo de olho, para o Willians, a quem considera com certeza um predador do bom futebol. Tivéssemos um IPF (Instituto de Proteção do Futebol) no Brasil, esse rapaz, que se torna assustador vestido com o manto sagrado, seria multado em todos as partidas antes dos 15' do 1º tempo, tal a quantidade de erros que comete.Mas ele está certo em manter e correr atrás de sua legítima ambição de jogar no Flamengo. Errado é quem o escala recorrentemente. E chego no Wanderlei Luxemburgo, a decepção do ano, a mais esperada contratação da década não disse ao que veio, com o agravante de treinar muito antes dos jogos e o time ser um bando durante os mesmos, para jogar bem nas entrevistas pós-apito final. Algo está muito errado nos preparativos, ou na emissão dos ensinamentos ou na recepção dos mesmos;

Baseado em experiências passadas, espero que o próximo ano não seja igual a este que está acabando, vide o exemplo do Abel Braga, que pagou um vexame monumental, do tamanho do Maracanã, em 2004, contra o Santo André, e terminou 2006 Campeão Mundial pelo Internacional;

Futebol não se mede com uma régua rígida, temos que usar uma francesa, de borracha, toda malemolente como o João Teimoso usado nos postos de gasolina.

SRN!