Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2023, as 21:30h (USA ET 19:30h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.
Transmissão: ESPN (TV por assinatura) e Star+ (Internet streaming).
| Christ in Limbo; Fra Angelico; 1441 |
Salve, Buteco! O Flamengo de Vítor Pereira está no limbo. Nosso treinador português não cometeu o pecado original das férias estendidas, mas seu trabalho nasceu desse fruto e ainda não obteve a remissão, mediante o batismo perante a Nação.
O histórico e inesquecível time de Dorival não mais existe, deixando muitos tristes, porém aquele contexto desapareceu sem reversão - o próprio treinador não está mais no clube e dois jogadores "físicos" partiram, sem reposição.
O Flamengo de Vítor Pereira não é pecado nem virtude, não é razão nem emoção; não é Dorival e nem Vítor Pereira, muito menos a sua maneira; é a escalação antiga com novos conceitos, sem que tenham correta aplicação. É um Flamengo sem identidade e memória, a perfeita descrição do limbo, tão perto do inferno, quanto da elevação.
Os 3 próximos jogos são um tanto perigosos para o nosso atual treinador português, que não pode se perder em hesitação. Amanhã, contra o Independiente Del Valle, no Maracanã, é a mais palpável e concreta chance de batismo e redenção. Seria o segundo título internacional do Flamengo no Maracanã, em toda a História, curiosamente contra o mesmo adversário, contra o qual há três anos alcançamos a glória, mas que na altitude dá muito trabalho, trazendo sempre aflição.
Vasco da Gama e Fluminense oferecerão, da mesma forma, a chance da crisma e a confirmação do batismo pela Nação. O Mais Querido é o maior vencedor da competição, porém não faltam exemplos de queda quando estava prestes a levantar a taça e se sagrar campeão.
Transmissão: Bandeirantes/Band (TV Aberta) e Bandsports (TV por assinatura).
DE COUTINHO A JESUS
Esta é a lista de treinadores que conseguiram emplacar ao menos um
ano de trabalho ao longo de quase 50 anos de história do Flamengo.
Doze nomes. Boa semana a todos.
Claudio Coutinho (1978 – 1980), 28 meses
2. Paulo Cesar Carpegiani (1981 - 1983), 20 meses
3. Sebastião Lazaroni (1985 – 1987), 18 meses
4. Carlinhos (1991 - 1993), 18 meses
5. Vanderlei Luxemburgo (2010 – 2012), 15 meses
6. Zagalo (1984 – 1985), 14 meses
7. Ney Franco (2006 – 2007), 14 meses
8. Zé Ricardo (2016 – 2017), 14 meses
9. Claudio Coutinho (1976 – 1977), 12 meses
Zagallo (2000 – 2001), 12 meses
Jorge Jesus (2019 – 2020), 12 meses
Joel Santana (1996), 11 meses
Para tudo na vida há um preço. Seja as suas ações ou as ações que você deixa de fazer. Flamengo um clube dito com "o melhor elenco do país quiçá do continente" está em frangalhos por causa destas ações e inações do seu ultra amador Departamento de Futebol, o tal que concede férias de 60 dias aos "meninos" porque não quer magoá-los.
"Ah! Mas ele ganhou muita coisa! Seu ingrato!". Sim. Mas graças ao Financeiro que vem sendo conduzido de forma admirável no Flamengo desde 2013, diga-se. Talvez o único setor hoje no Flamengo realmente profissional e diferenciado. O que impede que mais loucuras sejam feitas por quaisquer outros setores do clube.
O Flamengo hoje paga o preso a cegueira tática e técnica da galera amadora que escolhe comissão técnica. Não tem a vaga ideia do perfil do elenco que eles mesmos montaram, então escolhem técnico como se girassem a roda do bingo e lá saísse um nome. Para um elenco que tem hoje um perfil de jogo que tende a afunilar as jogadas de ataque, especialistas em movimentação e troca de posições, escolheram justamente um técnico posicional de jogo aberto. Para um elenco sem velocidade de arranque, escolheram um que faz marcação baixa a média pressão. O que explica a quantidade de gols dos adversários que estamos tomando ultimamente.
Como já dito várias vezes, temos um inacreditável preparador de goleiros egresso do sub20 treinando Santos e afins. O que pode explicar sua total decadência técnica neste ano. Flamengo tem que ter os melhores profissionais, mas para quem controla o futebol profissional isto é o de menos. Tem que acomodar indicações, parceiros, sub20, sobras, etc. Como um clube bilionário se dá o luxo de seu futebol ser administrado pior que uma padaria de bairro?
Mas, claro. Ganhou títulos. Montou um elenco forte. Sim, por um milagre do destino em 2019 um grande elenco foi montado, graças as condições financeiras excepcionais deixadas para isto e a sorte de Jorge Jesus estar disponível. Mas é aquilo. É necessário que esta gestão deixasse um legado de profissionalização no futebol para que este regularmente funcionasse direito apesar dos políticos da vez no clube. Não será assim. Receio o que será o Flamengo pós-Landim com seus múltiplos acordos políticos com toda a turma que deixou o Flamengo terra arrasada com Patrícia Amorim. Eles todos estão lá sob o guarda-chuva do Landim, que, político profissional, conseguiu criar um clima sem oposição na Gávea. Mas ele irá sair em breve. Não tem mais reeleição para ele. Então tudo pode ocorrer. O mais provável é que volte a ser o que era antes. Esculhambação em todos os níveis, particularmente no futebol. Contratações escalafobéticas. Depois o dinheiro começa a faltar. Brigas internas e vexames. Trazendo "o Flamengo de volta". Deles.
Salve, Buteco! O resultado de ontem é reversível. Aliás, plenamente reversível. Contudo, é um exercício interessante analisar se o processo de decadência do quarteto e do time que venceu as Copas no ano passado pode ou ou não ser revertido.
No primeiro tempo, vi evolução no time jogando com bloco baixo, isso porque, basicamente, o Independiente Del Valle não finalizou contra a nossa meta. Não é, portanto, evolução em qualidade de jogo, mas simplesmente em se defender abaixando as linhas contra um adversário com bem mais posse de bola, ainda que se possa ponderar que, com os três da frente praticamente não voltando para marcar, essa formação não tenha futuro promissor.
Ainda nos 45 minutos iniciais, o Flamengo criou duas chances de gol (David Luiz e Gabigol), nas quais, se houvesse finalizado um pouco melhor, poderia ter aberto o placar. Faltou criação e escape (contra-ataque), mas houve organização em como o time se postou dentro de campo. Foi um primeiro tempo "bem meia boca", mas aceitável, dado o histórico da temporada até aqui e o contexto da altitude.
Era previsível que os anfitriões se lançassem ao ataque exercendo forte pressão na etapa final, o que efetivamente aconteceu desde o primeiro minuto de jogo. É aqui que as críticas mais fundamentadas podem ser feitas ao nosso treinador, omisso em relação ao trio da frente.
Pode-se falar o que quiser de Everton Ribeiro quanto a idade ou oscilação na qualidade das atuações, mas não da entrega às funções defensivas. Logo, de imediato, não é o problema mais urgente do chamado quarteto, nem mesmo em uma noite absolutamente apagada, como a de ontem.
O time, que já não ia bem e era bastante pressionado, perdeu muito com a saída de Pedro, muito pela opção do treinador. Foi salutar a intenção de dar mais combatividade ao time, porém péssima a ideia de ceder ainda mais campo ao Del Valle.
O Flamengo tinha pouca posse de bola, mas ainda conseguia conter os avanços do Del Valle com jogadores que potencialmente ofereciam algum perigo no contra-ataque. Era o caso de Pedro, mas não era o de Arrascaeta, com seus passos curtos, como se jogasse de espartilho. O jogo pedia mais de uma alteração e não deixar o time com um a menos, devido à peça 100% nula, que foi o uruguaio.
Dentro desse contexto, o treinador também demorou a colocar Everton Cebolinha na partida. Aliás, o Cebola criou duas boas jogadas, finalizando bem a gol. O jogo pedia a sua entrada bem antes, mas muito antes mesmo...
Vítor Pereira é o menor culpado pelo que está acontecendo. Nunca vi, no Flamengo, um planejamento tão esculhambado, um verdadeiro recorde de irresponsabilidade do vice-presidente de futebol e do presidente que o deixa, assim como os jogadores, fazerem o que bem quiserem no Flamengo, transformando o setor na verdadeira "Casa da Mãe Joana".
O português, entretanto, precisa tomar muito cuidado com a reversibilidade, não a do placar da próxima terça-feira, mas do desgaste e da perda de credibilidade. Treinadores caem no Flamengo quando a situação se torna irreversível. Não em nível de recuperação em campeonatos, mas de confiança em que possam lidar com a situação.
Ser omisso não lhe ajudará em absolutamente nada. O momento pede coragem. E se for o caso, que caia atirando e não com omissão e covardia.
Bom dia e SRN a tod@s.