quinta-feira, 31 de março de 2022

Flamengo 0 x 2 Fluminense. Mais uma derrota vexatória.



Flamengo de Paulo Sousa foi enfrentar o Fluminense de Abel e mais uma vez sucumbiu à armadilha reativa do técnico brasileiro. Basta a qualquer time que queira derrotar este fraco Flamengo atual de montar uma última linha defensiva com 5 homens, pegar a bola, sair correndo e esperar um erro qualquer do Flamengo na recomposição defensiva ou na retomada da bola para fazer seu gol. E isto acontece com uma frequência acima do normal para um time que treina com ditos profissionais. 

O clube paga a preço da abominação amadora que o dirige desde 2019. Sim, teve este ano espetacular e só. Um ano atípico de contratações bem feitas de técnico a jogadores. E único. De resto, principalmente à partir de 2020, quando cheios de marra, Landim & Cia arruinaram o departamento de futebol demitindo profissionais de qualidade para contratação de primos e amigos dos amigos, com direito a profissionais de análise técnica saírem do Flamengo para clubes mais sérios e menores. 

Mas é assim que a banda toca no clube de piscineiros, tenistas e frequentadores de sauna. Dane-se o futebol, contanto que paguem seus privilégios e o semi-luxo que se comprazem no clube social. A maioria sequer paga mensalidade de associado, pois o populismo vomitante não só atinge a política estatal mas, principalmente, de clube de bairro.

Então, com o apoio desta gente que sequer sabe quem é Paulo Sousa, o Landim, que se elege através de campanhas caríssimas, onde dinheiro nunca falta, e que vai colecionando eleições ganhas em todos os conselhos em detrimento do que é melhor pro Flamengo, vai perpetuando um modo de direção amadora, estúpida e contraproducente. Que, de forma arcaica, fará o Flamengo retornar ao passado de obscuridade e caos. Palmas para os associados e conselheiros que tomam a defesa deste troço.  

Flamengo começou o jogo de forma arame liso. E o Fluminense, tal como uma falange, esperando. Flamengo não tem truques, artimanhas, aproximação, troca de posicionamento, triangulação, nada. É um time previsível como um relógio. Fica levantando na área como chuveirinho, ou perde a bola finalmente para ver se quando o adversário sai aparece algum espaço que não será aproveitado. Gabigol muito isolado, Pedro e Bruno Henrique perdidos no confuso esquema tático do técnico sempre reclamando sem solução. 

Enfim, o Flamengo de 2022 é uma piada. Um time bem fraco, a começar do péssimo departamento de futebol. Como será o resto do ano? Prognósticos assustadores.

Mas é isto. A piscina está com cloro e os olhos estão ardendo.

quarta-feira, 30 de março de 2022

Flamengo x Fluminense

 

 Campeonato Estadual/2022 - Final - 1º Jogo

Data, Local e Horário: Quarta-Feira, 29 de Março de 2022, as 21:40h (USA ET 20:40h)no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGO: HugoFabríciBrunoDaviLuiFilipLuísMatheuzinhoWillian ArãoJoãGomes Marinho; EvertoRibeiro, Vitinho e GabigolTécnicoPaulo Sousa.

Fluminense: Fábio; Manoel, Felipe Melo e David Braz; Calegari, André, Yago Felipe, Ganso e Cris Silva; Willian e Guillermo Cano. Técnico: Abel Braga.

Arbitragem: Wagner do Nascimento Magalhães, auxiliado por Luiz Cláudio Regazone e Thiago Rosa de Oliveira Espósito. Quarto Árbitro: Daniel Wilson Barbosa de Castro. VAR: Carlos Eduardo Nunes Braga. AVAR 1: Pathrice Wallace Correa Maia. AVAR 2: Diogo Carvalho Silva. Observador de VAR: Cláudio José de Oliveira Soares. Quality Manager: José Carlos Santiago de Andrade. 5ª Árbitra: Lilian da Silva Fernandes Bruno. Técnico: Sérgio de Oliveira Santos.

Transmissão: Rede Record (aberta)FlaTV(streaming)ClaroNetSKYVivo e DiretcTV (pay-per-view); RonaldoTVGaules e Casimiro (Twitch/streaming), e One Football (aplicativo/celular).

 



O Fim da Tranquilidade

 

Salve, Buteco! Abril e Maio chegam marcando o fim da tranquilidade, daquele sossego rubro-negro nesse início de temporada. Não que o Estadual tenha passado sem intempéries, mas é inegável que, a partir de hoje, quarta-feira, 30 de março, as 21:40h, o Fla-Flu que abrirá a final do Campeonato Carioca/2022 ao mesmo tempo fechará o lúdico verão e iniciará a temporada de verdade do Mais Querido do Brasil. Ou seja, o sarrafo subirá de altura a partir de hoje à noite.

Eis o calendário atualizado, ainda sem o detalhamento da tabela do Campeonato Brasileiro pela CBF:


Data

Transmissão

Adversário

Competição

Estádio


4ª Feira 30/3

Record/Cariocão Play 21:40h


Fluminense (c)

Estadual (Final 1)

Maracanã

Sábado 2/4

Record/Cariocão Play 18:00h


Fluminense (f)

Estadual (Final 2)

Maracanã

3ª Feira 5/4


SBT/ESPN   21:30h

Sporting Cristal (f)

Libertadores da América Fase de Grupos, 1ª Rodada


Nacional José Diaz

FDS 10/4


Atlético/GO (f)

Campeonato Brasileiro1ª Rodada


Antônio Accioly

3ª Feira 12/4

SBT/ESPN   21:30h

Talleres (c)

Libertadores da América Fase de Grupos, 2ª Rodada


Maracanã

FDS 18/4


São Paulo (c)

Campeonato Brasileiro2ª Rodada


Maracanã

MDS 20/4


Altos/PI (f)

Copa do Brasil


Indefinido

FDS 24/4


Athlético/PR (f)

Campeonato Brasileiro3ª Rodada


Arena da Baixada

5ª Feira 28/4

Facebook 19:00h

Universidad Católica (f)

Libertadores da América Fase de Grupos, 3 Rodada


San Carlos de Apoquindo

FDS 1º/5


Palmeiras (c)

Campeonato Brasileiro4ª Rodada


Maracanã

4ª Feira 4/5

ESPN 21:30h

Talleres (f)

Libertadores da América Fase de Grupos, 4ª Rodada


Mario Alberto Kempes

FDS 8/5


Botafogo (c)

Campeonato Brasileiro5ª Rodada


Maracanã

MDS 11/5


Altos/PI (c)

Copa do Brasil


Indefinido

FDS 15/5


Ceará (f)

Campeonato Brasileiro6ª Rodada


Castelão

3ª Feira 17/5


SBT/ESPN 21:30h

Universidad Católica (c)

Libertadores da América Fase de Grupos, 5ª Rodada


Maracanã

FDS 22/5


Goiás (c)

Campeonato Brasileiro7ª Rodada


Maracanã

3ª Feira 24/5



SBT/ESPN 21:30h

Sporting Cristal (c)

Libertadores da América Fase de Grupos, Rodada

Maracanã

FDS 29/5


Fluminense (f)

Campeonato Brasileiro8ª Rodada

Maracanã


Em termos logísticos, salta aos olhos que a sequência Fluminense - Sporting Cristal - Atlético/GO, na semana que vem, será a mais complicada, pela distância dos deslocamentos, enquanto Ceará - Universidad Católica - Goiás - Sporting Cristal - Fluminense a mais favorável, pois serão cinco jogos no Maracanã, com mando de campo rubro-negro.

Dúvidas corriqueiras da torcida, tais como o real nível de competitividade do elenco e sua motivação para a conquista de todas as competições, começarão a ser respondidas. Por exemplo, se o Campeonato Brasileiro será disputado para valer ou para administrar as copas.

A bola agora está com São Judas Tadeu.

São Judas Tadeu, jogai por nós

E a palavra está com vocês.

Bom die SRa tod@s.

* O Ficha Técnica, como de costume, subirá as 19:00h.

terça-feira, 29 de março de 2022

Recortes da Pré-Temporada

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Olá Buteco, bom dia!

Nesta semana, vamos para mais uma decisão de Campeonato Carioca contra o Fluminense, encerrando o período de pré-temporada. Os verdadeiros desafios se iniciam a partir de terça-feira, quando iremos ao Peru enfrentar o Sporting Cristal. Naturalmente, a grande pergunta que se apresenta é "estamos preparados para os desafios da temporada?"

O post de hoje tem por objetivo abrir discussões sobre essa questão. Para isso, inicialmente vamos reavaliar os tais desafios, que se apresentarão ao longo do ano:

1. Calendário.

Com a Copa do Mundo do Qatar marcada para o final de Novembro, a temporada brasileira de futebol será encurtada em pelo menos 2 semanas e, como a Libertadores, o Brasileirão e a Copa do Brasil não tiveram alterações em número de jogos, vamos vivenciar uma sequência insana de jogos quarta/domingo.

2. Adversários 

No Ano Mágico de 2019, Mister Jorge Jesus nadou de braçada por aqui. Foi esculacho em cima de esculacho, o que fez com que os rivais se movimentassem para melhorar em níveis táticos e qualidade de elenco. O Flamengo estava tão acima dos demais que ainda levamos o Brasileirão 2020 no automático e sem o Mister. Mas, enquanto os rivais evoluíram, o nosso trabalho tomou caminho contrário. Hoje, Palmeiras e Atlético estão em um estágio acima. 

3. Lacunas do Elenco

O tempo é implacável e chega para todos, especialmente para os atletas. O time mágico de 2019 já tinha um número alto de veteranos (Diego Alves, Rafinha, Filipe Luís e Everton Ribeiro entre os titulares, Diego entre os reservas) e, destes, apenas Rafinha não está mais no clube, substituído por Isla, outro veterano. São 3 anos a mais e declínio físico evidente. 

Também convivemos com muitos problemas físicos - Rodrigo Caio, Thiago Maia, próprio Bruno Henrique, que não tem conseguido emendar uma sequência de jogos - e as reposições às saídas não foram tão assertivas quanto desejávamos. Há um problema sério na nossa linha de 4 do meio-campo e esse é um dos grandes desafios para o treinador resolver. 

4. Necessidade de Títulos

Após o fiasco do ano passado, estamos muito mais pressionados para voltarmos a celebrar um título grande. No Flamengo, já tem pressão ganhando, ainda mais perdendo... Nesse sentido, vencer o Fluminense, conquistando o inédito tetracampeonato carioca, daria um pouco de tranquilidade para a nova comissão técnica.  Tudo o que não precisamos agora é uma ruptura com o trabalho que vem sendo desenvolvido. Seria voltar à estaca zero, às vésperas do início das competições que realmente importam.

***

Os desafios estão postos. E o Flamengo, está pronto? Sinceramente, acho que ainda não. Gosto do esquema com 3 zagueiros, não pelo número em si, mas por forçar que estes zagueiros participem ativamente do jogo com a bola. Estamos vendo Fabrício Bruno, David Luiz e Leo Pereira conseguindo bons lançamentos e avanços com a bola, na construção das jogadas ofensivas. E também acho que o esquema favorece bastante a utilização do Filipe Luís.

Por outro lado, a linha de 4 no meio-campo carece de ajustes porque, se os zagueiros estão saindo mais com a bola, os volantes não podem ficar esperando aquele passe curtinho para jogar. Eles precisam ir se projetando nos espaços e ajudando a empurrar o adversário para trás. Essa parte não tem funcionado, nem com Arão, nem com Andreas. Só o Gomes conseguiu algum destaque no período. Thiago Maia, para mim, é uma incógnita: ano passado esteve completamente sem condições físicas e parece ainda estar retomando a melhor forma. Se conseguir, será muito útil.

Os alas também não estão bem. Matheuzinho me parece com pouca confiança. Em um desses últimos jogos, ele recebeu um lançamento fantástico do David Luiz, que qualquer um que joga pelada ia chegar chutando, naquela de ou faz um golaço ou joga a bola na arquibancada. No entanto, estranhamente, ele já chegou na bola posicionado para dar o passe para dentro da área, a zaga cortou e a jogada não deu em nada. Outro sintoma foi na decisão por pênaltis contra o Atlético: Matheuzinho era cobrador de pênaltis no Sub-20, sabe bater. Mas fez uma cobrança típica de quem está sem confiança. Do outro lado, a experiência com Everton Ribeiro não deu certo e quem melhor se apresentou por ali foi Lázaro. Estamos contratando para a posição. Torcer para acertar.

No ataque, muita displicência, problema que já vem há algum tempo. Ainda não conseguimos aproveitar o melhor do Pedro e Marinho, uma boa contratação, também ainda não conseguiu se adequar às ideias do treinador. O destaque absoluto desse período é Arrascaeta, um monstro.

Temos muita coisa a melhorar, mas temos algum tempo. O sorteio da Libertadores foi generoso, se não subestimarmos os adversários, temos tudo para classificar com antecedência. Entretanto, o time ainda precisa daquela atuação antológica, que sirva de parâmetro para o resto da temporada. Que ela venha contra o Fluminense e nos traga o tetra!

Saudações RubroNegras!!!

segunda-feira, 28 de março de 2022

Libertadores/2022 - Grupo H - Os Adversários



Salve, Buteco! Março vai chegando ao fim e abril iniciará uma maratona que começará com as duas finais do Campeonato Carioca/2022 e, imediatamente em seguida, continuará entre jogos pela Copa Libertadores da América, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

O sorteio da última sexta-feira, feito pela Conmebol, definiu o Mais Querido como o cabeça-de-chave do Grupo H, tendo como adversários na Fase de Grupos a Universidad Católica (Chile), o Sporting Cristal (Peru) e o Talleres (Argentina).

Eis um breve resumo do histórico e da situação atual de cada um dos adversários, bem como do retrospecto do Mais Querido contra cada um deles, seguindo a ordem do sorteio:

1) Club Deportivo Universidad Católica



Velho conhecido do Mais Querido, o Universidad Católica, popularmente conhecido como "Los Cruzados", foi fundado em 1937 por um grupo de atletas da Pontifícia Universidad Católica de Chile. Dono da terceira maior "inchada" do país, o Católica disputa com o Universidad de Chile o "Clássico Universitário" e o posto de segunda força do futebol chileno, atrás do Colo Colo. Atual tetracampeão chileno, o clube está a dois títulos de igualar-se ao rival.

Na História da Libertadores, em suas 29 participações, o Católica foi vice-campeão em 1993, perdendo o título para o São Paulo, porém conquistou a Copa Interamericana de 1994, seu único título internacional oficial, vencendo o Deportivo Saprissa, da Costa Rica, tendo em vista que os paulistas abdicaram do direito de disputar a competição. Muito embora, antes da final de 1993, tenha sido semifinalista por duas vezes nos anos 60 e uma vez nos 80, depois disso só conseguiu ultrapassar a fase de grupos por três vezes, chegando no máximo às quartas de final, em 2011. A última delas, por sinal, foi na edição passada (2021), quando perdeu duas vezes por 0x1 para o futuro campeão Palmeiras.

O Flamengo só enfrentou o Universidad Católica em jogos oficiais, pela Libertadores, e o retrospecto é desfavorável, com apenas duas vitórias e quatro derrotas em seis confrontos. Nas três ocasiões em que enfrentou o adversário em seus domínios, o Estádio San Carlos de Apoquindo (18.000 lugares), o Mais Querido perdeu as três, marcando apenas um gol e sofrendo cinco. Já no Maracanã, depois de perder o confronto pela edição de 2002 (1x3), venceu as duas seguintes sem maiores dificuldades - 2x0 (2010) e 3x1 (2017).



Em 2022, a campanha do Católica no Campeonato Chileno em curso é modesta, com apenas 9 pontos em 7 jogos. Chama atenção o fato de não haver empatado, tendo 3 vitórias e 4 derrotas, o que parece compatível com o perfil de seu treinador, Cristian Paulucci, auxiliar da comissão técnica desde 2019 e que assumiu a equipe em agosto/2021. Sob seu comando, desde então, o Católica disputou 23 jogos, vencendo 17 e perdendo 6, ou seja, nenhum empate, com 4 das 6 derrotas em 2022. Na última partida (sábado, 19/3), foi derrotado fora de casa pelo 6º colocado O'Higgins (1x2) e o próximo jogo será justamente o "Clásico Universitário" contra a La U, no sábado (2/4).

O Católica, seguindo suas tradições, joga de maneira ofensiva (4-3-3) e o treinador roda bastante o elenco, aparentemente buscando manter equilibrada a minutagem dos jogadores. O veterano Fuenzalida (lateral direito) e o goleiro Pérez estiveram a disposição da Seleção Chilena que recentemente enfrentou a Argentina, a Bolívia e o Brasil, porém não chegaram a ser utilizados. Além deles, o veterano ponta direita Fabián Orellana e os jovens Marcelino Nuñez (meia), Diego Valencia (centroavante), Ignacio Saavedra (volante) e Clemente Montes (ponta esquerda) foram convocados ao menos uma vez em 2021.

2) Club Sporting Cristal

Fundado em 1955, o Sporting Cristal ou "Los Celestes" é o fruto da união entre o antigo Sporting Tabaco, fundado por funcionários da estatal peruana Estanco de Tabaco del Peru, e diretores da cervejaria Backus & Johnston, cujo principal produto, a cerveja Cristal, deu nome ao então novo clube.

Detentor do maior número de títulos do Campeonato Peruano, também possui o maior número de participações (37) na Libertadores entre os clubes do país, tendo chegado a disputar a final da edição de 1997, quando foi derrotado pelo Cruzeiro. A campanha de 97, por sinal, sucedeu uma sequência de duas disputas de oitavas de final e duas de quartas de final, o que marcou a melhor fase do clube na competição. Depois disso, contudo, uma isolada classificação para as oitavas na edição de 2004 contrastou com as eliminações em fases preliminares ou de grupos, que passaram a ser sua rotina.

Atualmente, seu treinador é o argentino Carlos Bustos, que tem várias passagens pelo futebol mexicano em clubes de médio ou pequeno investimento. No elenco, os meias Yotún (ex-Vasco da Gama), González e Calcaterra, além do lateral direito Lora, vêm sendo convocados para a seleção peruana e disputaram as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. Todavia, é difícil encontrar referências sólidas sobre o desempenho atual da equipe. 

Na temporada em curso, o Cristal disputou apenas 6 jogos pela Liga 1, perdendo na estreia e vencendo 2 das partidas seguintes, incluindo o clássico contra o Alianza Lima (fora de casa), além de empatar as outras 3 partidas, com isso alcançando a modesta 11ª posição na tabela de classificação. Em sua última partida pelo certame, empatou por 1x1 fora de casa contra o modestíssimo FC Carlos Stein (16º colocado) e o próximo confronto está marcado apenas para a próxima sexta-feira, 1º de abril, quando receberá o Universidad San Martín.

O clube manda seus jogos locais no acanhado Estádio Alberto Gallardo (11.600 lugares), de sua propriedade, porém transfere os confrontos internacionais para o moderno Estádio Nacional del Perú (50.086), também conhecido como "El Coloso de José Díaz", remodelado em 2011 e no qual a Seleção Peruana manda seus jogos, inclusive os das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Foi nele que o Cristal mandou suas partidas internacionais em 2021, inclusive contra o São Paulo (SPFC 3x0 e depois outro 3x0 no Morumbi) pelo Grupo E da Libertadores, além das demais pela própria Liberta e também pela Sul-Americana

O estádio, portanto, não deve ser confundido com o Monumental de Lima, de propriedade do Universitário, no qual o Mais Querido derrotou o River Plate e conquistou o título da Libertadores/2019. A antiga versão do Coloso de José Díaz, por sinal, abrigou os dois únicos confrontos entre Flamengo e Sporting Cristal na História. Foram partidas amistosas disputadas na década de 60, ambas terminando com o placar de 2x0 em favor do Mais Querido.

3) Club Atlético Talleres

O Club Atlético Talleres, de Córdoba, Argentina, é o decano dos nossos adversários do Grupo H. Fundado em 1913, sua origem está nas oficinas ("talleres") da estrada de ferro local, quando os operários da ferrovia decidiram criar um clube de futebol. Seu fundador principal e primeiro presidente escolheu as cores do clube inspirado no Blackburn Rovers Football Club, da Inglaterra.

Muito embora não tenha nenhum título nacional de expressão, o Talleres passou a maior parte de sua História na elite do futebol argentino, tendo, porém, algumas passagens pelas segunda e terceira divisões do país. É no cenário internacional, contudo, que o clube detém as suas maiores glórias, a começar pelo título de Campeão da Copa Conmebol de 1999, ocasião na qual derrotou o CSA de Maceió/AL, em confronto marcado por problemas extracampo e pela controversa arbitragem na partida final, disputada na Argentina.

Além desse título, o Talleres tem alguns feitos interessantes, como a disputa das quartas-de-final da Copa Mercosul/2001 e a vitória por 2x0 sobre o São Paulo pela segunda fase da Libertadores/2019, eliminando o tradicional tricolor paulista. A edição 2022 será a quarta disputada pelo Talleres.

O clube vem apostando em treinadores com perfil moderno e adeptos do jogo de posição, casos de Juan Pablo Vojvoda, desde 2021 dirigindo o Fortaleza, e o uruguaio Alexander Medina, contratado para dirigir o Internacional nessa temporada. Sob o comando de Medina, o Talleres alcançou o impressionante 3º lugar geral na temporada argentina. Nesta última sexta-feira, o clube anunciou a contratação do português Pedro Caixinha, que terá pouco tempo para trabalhar até a estreia contra o Universidad Católica, porém herda uma base bem desenvolvida por Alexander Medina. 

Apesar disso, o português terá muito trabalho no começo, pois nesta temporada o clube ocupa apenas a 12ª colocação no certame nacional. Sua última partida foi a vitória por 2x1 em casa contra o Godoy Cruz na última terça-feira (22/3), e o próximo confronto será apenas no domingo (3/4), contra o Gimnasia y Esgrima La Plata, fora de casa.

Muito embora seja proprietário do Estádio Francisco Cabasés ou "La Boutique de Barrio Jardín" (18.000 lugares), o Talleres manda seus jogos no moderno Mário Alberto Kempes (57.000 lugares), também conhecido por Estádio Olímpico de Córdoba, o qual, como o próprio nome indica, tem uma pista de atletismo circundando o gramado (tal como no Engenhão), deixando um espaço razoável até as arquibancadas. O estádio, que foi palco da aludida finalíssima contra o CSA, era então chamado de Chateau Carreras, em homenagem ao bairro no qual é sediado, mas foi ampliado em 2011 e reformado em 2020. Logo, não será um problema, muito pelo contrário.

Partida comemorativa dos 99 anos do Talleres, contra o Nacional de Montevidéu

No início de 2019, após a tragédia do Ninho do Urubu, o coirmão argentino prestou sua solidariedade ao Flamengo, gesto que não deve ser esquecido:


Flamengo e Talleres se enfrentaram por duas ocasiões, ambas em Cordóba e em partidas amistosas. Em 1961, o Mais Querido goleou por 5x0 no La Boutique, com gols de Dida (2), Manoelzinho (2) e Moacir. Já em 1978, as equipes não saíram do 0x0 no placar do antigo Chateau Carreras.

***

Curiosamente, os três adversários adotam o azul como cor principal, muito embora em três tons diferentes. Mas para que tudo fique azul após a sexta rodada, o Flamengo deve levar todos os confrontos muito a sério.

Aparentemente, o Sporting Cristal é o mais fraco, contudo será o adversário da estreia, em Lima, apenas três dias após o segundo jogo do que promete ser uma sangrenta batalha em dois rounds contra o Fluminense, pelas finais do Campeonato Carioca.

O Universidad Católica possui os melhores elenco e retrospecto das últimas temporadas entre os três, porém o treinador Cristian Paulluci parece enfrentar problemas para manter o desempenho em 2022. O histórico rubro-negro desfavorável no San Carlos de Apoquindo precisa ser tomado como importante alerta para o risco especial do jogo em Santiago.

Finalmente, o Talleres pode ser a maior surpresa do grupo. Não se pode descartar a hipótese do vácuo entre Alexander Medina e Pedro Caixinha ser a causa do mau início no Campeonato Argentino. O duelo entre os dois treinadores portugueses promete ser interessante e Paulo Sousa com certeza tem mais material a ser estudado pelo oponente do que seu compatriota.

***

Segundo o item 3.4 do Regulamento da Libertadores/2022, os clubes classificados para a Fase de Grupos têm até as 18:00h (horário do Paraguai) do dia 2 de abril para apresentar a lista de jogadores e corpo técnico para disputar essa fase da competição.

***

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Alfarrábios do Melo

 Saudações flamengas a todos.

Até aqui, o trabalho do “romântico” Mister Paulo Sousa tem sido objeto de análises com os mais distintos tons, colhendo elogios e críticas de intensidade variada, no melhor modo “copo meio cheio, meio vazio”.

O tempo dirá e a posteridade se encarregará de julgar e avaliar mais adequadamente a passagem do luso. Ou não...

Às vezes, a própria memória costuma pregar peças, e há certa dificuldade em avaliar se determinado profissional teve atuação positiva ou não. Hoje trago aqui um “onze” em que se pode aplicar essa percepção. Jogadores que foram bem, normalmente titulares, alguns até beiraram a condição de ídolos, mas, por algum motivo (pouco tempo, poucos títulos, lesões, relação turbulenta com a torcida, entre outros) faltou algo (ou faltou muito). E, com isso, até hoje há quem diga que fracassaram. Ou que foram bem, mas não poderiam superar o contexto em que estavam mergulhados.

De qualquer forma, segue a lista. Sugiro ler com o copo cheio até a metade.

FILLOL (1984-1985)

Contratado para substituir Raul, aposentado no final de 1983, chega com o status de um dos melhores goleiros do mundo, titular da Seleção Argentina. Seu primeiro ano é muito bom, chegando a desequilibrar algumas partidas (notadamente uma vitória em Barranquilla contra o Junior-COL, quando defende um pênalti no último lance). Mas, em 1985, entra em atrito com a Diretoria, buscando ser liberado para a disputa das Eliminatórias no meio do Brasileiro. Essa controvérsia, aliada ao aumento do número de falhas (tem atuação desastrosa na derrota em Pelotas que virtualmente elimina o time do Brasileiro), coloca Fillol em rota de colisão com a torcida. Tido como caro, é negociado com o Atlético de Madrid. Conquista a Taça Guanabara de 1984.

ZÉ MARIA (1996)

Após a saída de Charles Guerreiro, o Flamengo sofre para encontrar um lateral-direito. Após sucessivos fracassos e obcecado pelo Estadual que deixou escapar no ano anterior, o clube parte para uma solução ousada e, a dois dias da decisão da Taça Guanabara, traz por empréstimo Zé Maria, destaque da Portuguesa. Motivado, Zé Maria faz estreia primorosa no jogo que dá ao Flamengo a Taça. O lateral tem mais algumas boas atuações no decorrer da Taça Rio, mas não impede a eliminação da Copa do Brasil. Conquista o Estadual, mas ao final de dois meses apresenta-se à Seleção Olímpica e é negociado pela Lusa para o futebol italiano.

ANDRÉ CRUZ (1990)

Zagueiro de boa técnica e chute forte, é presença constante em convocações para a Seleção no final dos anos 80. Em 1989, a Ponte Preta acerta sua transferência para o Vasco, mas o Flamengo, mordido pela perda de Bebeto, atravessa a transação, dando início a um imbróglio que somente é resolvido no início de 1990, com o zagueiro tomando o caminho da Gávea por empréstimo. André Cruz estreia justamente contra o Vasco e marca um gol no empate de 1-1, pela Taça Guanabara. Até agrada com sua técnica, mas a campanha ruim no Estadual mina sua passagem e o desmotiva. Em algumas partidas chega a atuar como volante, mas em nenhum momento exerce papel de protagonista. Quatro meses após chegar ao Flamengo, embarca rumo ao futebol europeu.

GAMARRA (2000-2001)

Contratado junto ao Atlético Madrid, chega com o prestígio de figurar na seleção dos melhores da Copa de 1998. Técnico, com senso de liderança e excepcional posicionamento, que o faz cometer pouquíssimas faltas, logo melhora sensivelmente o desempenho da irregular defesa do Flamengo. No entanto, sofre com sucessivas lesões ao longo da fraca campanha da equipe no Brasileiro-2000. No Estadual-2001, enfim consegue uma sequência de jogos e é peça importante na trajetória do Tri. Muitos atribuem às orientações de Gamarra a evolução do jovem Juan, antes instável. Após a conquista da Copa dos Campeões-2001, incomodado com a bagunça e os atrasos nos salários, consegue ser transferido para o futebol grego. Sai do Flamengo respeitado, mas sem atingir o nível de idolatria conseguido em outros clubes brasileiros.

JUAN (2006-2010)

Egresso do Fluminense, o "Marrentinho" demora a se firmar na equipe, chegando a ser barrado pelo esforçado lateral André. Com a chegada de Ney Franco e seu esquema de “alas”, começa a se destacar. Marca o gol do título da Copa do Brasil-2006, contra o Vasco. No ano seguinte vive sua melhor fase, sendo um dos destaques da “Tropa de Elite” que arranca milagrosamente para o 3º Lugar no Brasileiro e a vaga na Libertadores. Depois, cai de rendimento e passa a viver relação de amor e ódio com a torcida, que costuma pegar no seu pé, incomodada com sua suposta “indolência” em campo. Falha na eliminação para o Internacional na Copa do Brasil-2009, mas é peça importante no Tri Estadual e participa da conquista do Hexacampeonato Brasileiro no mesmo ano. No final de 2010, desgastado com o péssimo momento do time, não tem seu contrato renovado.

CACERES (2012-2015)

Credenciado pelo status de titular da Seleção Paraguaia, chega ao Flamengo após longa “novela” envolvendo sua liberação, onde demonstra forte vontade de atuar no clube. Logo na estreia, é destaque na vitória por 2-0 sobre o Figueirense em Florianópolis, mostrando muita raça e disposição. O espírito de luta segue sendo a tônica de sua passagem pelo clube, mas certa timidez e a incapacidade de servir como referência técnica das equipes limitadas montadas pelo clube acabam comprometendo inclusive sua presença entre os titulares. Conquista a Copa do Brasil-2013 (na reserva de Amaral) e o Estadual-2014 (como opção a Márcio Araújo).

FELIPE (2003-2004)

Cria do Vasco, tenta retornar ao cruzmaltino após conseguir a rescisão de seu contrato com o Galatasaray-TUR por falta de pagamento. Mas, esnobado (havia saído de São Januário após briga com o Presidente Eurico Miranda), acerta sua transferência para o Flamengo. No rubro-negro, agora atuando como meia-atacante (é lateral de origem), logo encanta pelo futebol de técnica diferenciada e irrita pela falta de intensidade. No Estadual-2004, atuando como “ponta-direita”, é o nome do campeonato. Em um jogo contra o Vasco, entorta tanto o lateral Coutinho que a narração da TV chega a citar Garrincha. Suas atuações pelo clube (que conquista o título) o levam à Seleção. Mas a perda da Copa do Brasil o coloca em rota de colisão com a torcida e, ao final do ano, após marcar um gol de placa nos 6-2 contra o Cruzeiro que livram o time do rebaixamento, joga sua camisa no chão, o que encerra sua passagem pelo Flamengo.

AMOROSO (1996)

O Flamengo já havia tentado, junto ao Guarani, sua contratação em 1995 para o Brasileiro, mas ao longo das negociações Amoroso sofrera séria lesão no joelho, fazendo o rubro-negro desistir (e trazer Edmundo para seu lugar). Mas, em 1996, enfim a Diretoria consegue o jogador, mesmo que por curto empréstimo. Mas a trajetória de Amoroso é instável. O meia entra em rota de colisão com o treinador Joel Santana, que pede mais combatividade, e é barrado. Na reta final da Taça Rio, enfim sobe de produção e, com ótimas atuações, mostra um pouco de seu futebol reluzente. Mas é tarde. Já apalavrado com a Udinese-ITA, apenas fica a tempo de levantar a taça do Estadual e depois parte para o futebol italiano.

RONALDINHO GAÚCHO (2011-2012)

Após longa negociação com o Milan-ITA, o Flamengo supera Grêmio e Palmeiras e consegue repatriar o craque, que é recebido com empolgada festa de uma torcida carente. O início é bom. Ronaldinho, visivelmente motivado, coleciona boas atuações e é destaque na conquista invicta do Estadual-2011 e no início do Brasileiro, em que o Flamengo chega a disputar a liderança. Brilha de forma antológica com três gols nos históricos 5-4 contra o Santos na Vila Belmiro, seu maior momento no Flamengo. No entanto, problemas decorrentes da incapacidade do clube em quitar seus salários corroem sua passagem, e o nível do futebol começa a se deteriorar. O Flamengo ainda se classifica para a Libertadores-2012, mas a eliminação vexatória da competição continental e do Estadual, aliada aos problemas de relacionamento com Vanderlei Luxemburgo, o crônico problema dos atrasos nos salários e os atritos com parte da torcida (irritada com seus excessos extracampo) fazem com que Ronaldinho consiga a rescisão de seu contrato.

SÉRGIO ARAÚJO (1988-1989)

Em litígio com o treinador Telê Santana no Atlético-MG, o veloz e arisco Sérgio Araújo chega ao Flamengo para repor a recente saída de Renato Gaúcho, negociado com a Roma-ITA. Estreia em grande estilo, marcando os dois gols do Flamengo no empate em 2-2 com o Botafogo, pelo Brasileiro-1988. Mas, pouco depois, tem que lidar com a chegada justamente de Telê ao rubro-negro. Ao longo do Brasileiro, isso não é problema, e Sérgio Araújo segue titular, participando da espetacular classificação do Flamengo para as Quartas-de-Final. No jogo que crava a vaga, marca contra o Atlético-MG (2-0) um gol idêntico ao histórico feito por Renato Gaúcho em 1987. No entanto, em 1989, com a volta de Zico, Telê precisa de um ponta mais combativo para equilibrar a equipe, e com isso Sérgio Araújo perde espaço para Alcindo. Após o Estadual, com a volta de Renato, é negociado com o Fluminense.

ROMÁRIO (1995-1999)

Naquela que até hoje é a maior contratação da história do futebol brasileiro, o melhor jogador do mundo chega ao Flamengo no início de 1995, após árdua negociação com o Barcelona-ESP. Desfila de carro de bombeiros, protagoniza vários transbordos midiáticos e, efetivamente, comanda o limitado time com gols e atuações marcantes. Com um braço imobilizado, marca três gols nos 3-2 contra o Botafogo que dão a Taça Guanabara ao Flamengo. No entanto, a traumática perda do Estadual mina sua relação com a torcida. Ao longo de cinco temporadas, em que alternará passagens pelo Flamengo e pelo futebol espanhol, Romário sempre é a referência técnica da equipe, marca gols e mais gols, alguns antológicos, torna-se um dos maiores goleadores da história do Flamengo, mas não consegue conduzir o rubro-negro a títulos mais expressivos que Taças Guanabara e Estaduais. Sua postura extracampo, avessa a treinamentos e cobranças, não ajuda. Ao final da eliminação do Brasileiro-1999 (que o Flamengo chegou a liderar), tem seu contrato prematuramente rescindido por uma Diretoria que precisa “dar uma resposta” após um incidente disciplinar ocorrido em Caxias do Sul. Ironicamente, após a saída de Romário, o Flamengo conquista a Copa Mercosul, seu primeiro título continental desde 1996 (a Copa Ouro, também vencida logo após sua venda para o Valencia-ESP).