segunda-feira, 14 de setembro de 2020

(Grande) Ponto de Interrogação


Salve, Buteco! Durante o primeiro tempo do jogo de ontem, entre a quantidade infindável de baboseiras ditas por Paulo Nunes sobre algo que não tem a menor ideia de como funciona (sistema de jogo posicional), nosso ex-jogador Dejan Petkovic, com lucidez, externou sua surpresa negativa com a baixa intensidade da partida. E de fato o Flamengo exerceu a marcação por pressão apenas no início da partida e não demorou muito para recuar suas linhas. De uma maneira geral, achei que nos quarenta e cinco minutos iniciais o Flamengo se recompunha bem no sistema defensivo, não correndo qualquer risco, porém não conseguia articular as ações ofensivas com um mínimo de qualidade, muito longe de exibir a insinuante movimentação das partidas anteriores. Pode até ser que o gramado tenha atrapalhado, pois o que se diz é que só o Maracanã vem sendo mais utilizado; contudo, independentemente disso, a verdade é que, no setor de taque, nada fazia sentido no time do Flamengo forçando as jogadas pelo setor esquerdo, onde Vitinho, que não tem por característica tentar as jogadas de linha de fundo e sim cortar em diagonal pelo meio, mostrava desentrosamento com Renê, o qual tampouco tem por característica a ofensividade. O resultado foi um time "rombudo" que, inexplicavelmente, não tentou jogar pelo lado direito com o lateral e o atacante que têm justamente as características que faltam aos companheiros que ocuparam o lado oposto. E o que restava do estoque de paciência da torcida com o nosso camisa 11 foi embora, aparentemente sem deixar vestígios.

O intervalo chegou com a impressão de que seria um jogo para 0x0, pois absolutamente nada indicava que o Ceará teria condições de abrir a contagem. Qual não foi a minha surpresa quando, em uma jogada de bola parada, a estrela da equipe cearense, o bom zagueiro Luiz Otávio, marcou de cabeça? Foram 10 minutos de pane absoluta da zaga, especialmente do central Gustavo Henrique, que também dormiu no ponto no gol de Charles. Depois disso, o Ceará não chegou mais ao gol de César, porém a desvantagem no marcador acabou expondo ainda mais a péssima atuação ofensiva do time. Com preocupante incapacidade de reagir de maneira organizada, o Flamengo abusou dos cruzamentos em diagonal de Vitinho e novamente cometeu o pecado de pouco explorar o setor direito. Pior ainda foram as substituições de Domènec. Aliás, como explicar a formação com três centroavantes? É justo lembrar que, na sequência de quatro vitórias consecutivas, o catalão, que nas primeiras partidas do campeonato havia sido criticado por não utilizar as cinco substituições, pelo menos em duas oportunidades (Bahia e Fortaleza) gastou o estoque deixando o time desfigurado nos minutos finais. Talvez tenha aprendido ontem que não é boa ideia menosprezar os adversários nordestinos.

Como se tudo isso já não bastasse, as atuações individuais foram muito além do sofrível. Gabigol possivelmente teve a sua pior atuação com o Manto Sagrado, errando absolutamente tudo o que tentou. Thiago Maia foi outro que esteve irreconhecível e Everton Ribeiro apenas sombra do jogador que desequilibrou nas partidas anteriores. Não sei a opinião de vocês, mas algo me diz que, na parte anímica, o time pode ter "tirado o pé" pensando na Libertadores. Todavia, procedendo ou não a minha suspeita, a atuação de ontem inevitavelmente deixa um grande ponto de interrogação sobre a capacidade do elenco e de seu treinador de lidarem com a maratona de jogos por três competições simultâneas, pois, convenhamos, é inconcebível que esse padrão (?!) se repita a cada véspera de jogo pela "Libertina Musa dos Meus Olhos".

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O excelente e sempre sóbrio jornalista Rodrigo Mattos (@_rodrigomattos_) lembrou ontem, no Twitter, que o Flamengo "marca por zona na bola parada desde 2019, aliás, como fazem quase todos (os) times modernos. Problema não é marcar zona, é não cuidar bem da sua zona e não atacar a bola. Grêmio marcava individual na semi da Libertadores e foi o que se viu."

A verdade é que a saída de Pablo Marí foi reposta apenas em nível quantitativo, mas não qualitativo. E ninguém consegue explicar o que Gustavo Henrique e Léo Pereira têm e falta a Matheus Thuler.

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Se o Flamengo arrumou um grande ponto de interrogação antes da viagem a Quito, o nosso adversário, que parece não ter tido grandes mudanças no elenco, a julgar pela escalação de ontem, chega com moral ao confronto após a vitória por 4x2 sobre o Delfín, que está no Grupo G, o mesmo do Santos. Com os três pontos, nosso rival assumiu a liderança da Primeira A do Equador, ao lado da LDU.

Para quem quiser se recordar do adversário e do histórico do seu prestigiado treinador Miguel Ángel-Ramírez, vale reler os dois posts (1 e 2) que escrevi no primeiro semestre, antes dos confrontos pela Recopa Sul-Americana.

Com fé e a intercessão de São Judas Tadeu, voltaremos com seis pontos do Equador.


A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.