terça-feira, 31 de outubro de 2017

Gol: Modo de usar



SRN, Buteco!  

Nas últimas semanas do nosso sofrimento favorito,  assistir e torcer pelo Flamengo , cada vez mais se tem a impressão que,para marcar um gol, o time tem uma dificuldade intelectual e física equivalente a resolver o Teorema de Fermat enquanto enche uma laje de concreto . 

É um festival de passes e decisões erradas, seguidas de corretora infrutífera pelos lados e cruzamentos à esmo para a área adversária.  

Sim, estou ciente do aparente paradoxo de reclamar da produção de gols do time que mais os marcou no ano. 

Acontece que,se em vários jogos houve fartura(Chapecoense que o diga...) em outros tantos, em geral contra times da parte de cima da tabela, falta poder de decisão.  

Perdem- se vitórias, pontos e campeonatos.  

Não dá pra dizer que falte quem arme jogadas pelo meio campo. Apesar da fase ruim, Diego quase sempre consegue algum bom passe.Everton Ribeiro, em condições fisicas precárias, também tem alguns lampejos e cria algumas situações.Até mesmo Arão, quando desperta de seu sono profundo, consegue produzir algo. 

É sabido que o comandante de ataque ,r bom jogador,, sem duvida alguma,  gosta do jogo mais fora da area, não é atacante fixo por excelência, não rende bem como referencia dentro da àrea. 
Prefere tabelar,  segurar o jogo e esperar que venha alguém a lhe ajudar, a descobrir espaços pelos lados do campo. 

E aí  começa o martírio: TODOS os atacantes de lado do atual elenco sofrem de sérias limitações de capacidade mental, e talvez algum atraso cognitivo, como não diferenciar a perna esquerda da direita . 

Os ataques do time são assassinados pelos pontas  que  em alguns casos correm destrambelhados até chegar a linha de fundo e ficar sem espaço para mais nada.Em outros casos, entram pelo meio da area e fazem passes que desafiam a as noções de tempo e espaço, tentando algo semelhante ao tiro em curva do filme " O Procurado" (Isso aqui, ó: https://www.youtube.com/watch?v=BWN3TZQ8NL8 ). 

Existem outros fatores que potencializam e expõe ainda mais a deficiência do ataque . 

O desleixo de Vizeu e Geuvanio. E a inacreditável improvisação de Paquetá como centroavante.  

Com todos esses elementos, temos um ataque que produz muito quando já não é necessário, quando jogos estão definidos.  

E falta definição e poder de decisão em jogos grandes.  

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Crítica e Contexto

Salve, Buteco! Sábado o Mais Querido do Brasil não saiu de um frustrante empate sem gols contra o Vasco da Gama. Criando mais oportunidades, esbarrou em inacreditáveis erros de finalização de nossos atletas. O time inegavelmente se empenhou dentro de campo, mas impressiona como tem dificuldades para finalizar, tal como na época do atual treinador do adversário. Aliás, Rueda pegou o Flamengo em 5º lugar na tabela, com 50,9% de aproveitamento, três pontos e vitórias a menos do que o quarto colocado, a dezoito do líder, mais empates do que vitórias. Hoje, em 7º, continua a três pontos e vitórias do quarto colocado, mas a doze do líder, com mais vitórias do que empates, 50,5% de aproveitamento e aumento do saldo de gols (percentuais do Brasileiro/2017). De lá pra cá, fomos alcançados e superados por Botafogo e Cruzeiro, que têm melhores campanha no returno e ocupam a quinta e sexta colocações, com o mesmo número de pontos e maior número de vitórias. Na prática, o Flamengo vinha em queda livre após um desastroso mês de julho, que havia começado promissor. Rueda conseguiu estancar a sangria, mas não cicatrizar o ferimento, e tem dificuldades para fazer o time melhorar.

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Estou longe de concordar com todas as decisões do nosso treinador colombiano. Por exemplo, as escalações contra Botafogo (Engenhão) e São Paulo (Morumbi) contiveram experiências ousadas, nas quais foi assumida uma margem de risco maior do que a necessária. Não é exagero afirmar que nos custou a atual posição na tabela em relação ao tradicional rival. Mas não é só escolha de peças. Taticamente Rueda conseguiu retomar a consistência defensiva que o time um dia possuiu com seu antecessor, porém não conseguiu resolver o crônico problema ofensivo que já existia. A dificuldade para tabelar e construir jogadas no ataque permanece, assim como a impressão de que os jogadores ficam desnecessariamente distantes um dos outros. Parece que o time não escolhe bem os melhores momentos para ter amplitude ofensiva, conceito pelo qual Zé Ricardo tem grande apreço. 

Em certos momentos a amplitude ajuda e aqui é bom lembrar que o time foi concebido por Zé Ricardo para ceder mais posse de bola ao adversário e matar o jogo com lançamentos em profundidade. Porém, o futebol está longe de ser estático. Contra sistemas defensivos completamente fechados, a amplitude à vezes dificulta a execução de outros conceitos, como os de triangulação, pouco utilizado pelo time. Tudo piora quando os pontas se afastam da zona de finalização para armar e jogar em linha com os de meio campo, gerando o efeito "arame-liso". Fazendo o mesmo que o antecessor, Rueda dificilmente conseguirá resultados muito diferentes.

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Em favor de Rueda há uma série de fatores. Primeiramente, mantendo o papo no campo da tática, mudar em meio a três competições (duas atualmente) e com jogos em todo meio de semana não é tarefa das mais simples (não que seja impossível). Em segundo lugar, o colombiano não tem a menor responsabilidade pelo desastroso planejamento de 2017 para o futebol, que nos levou a uma decisão de campeonato sem goleiro à altura, a ter apenas dois volantes que possam jogar em bom nível no time titular (Cuéllar e Willian Arão) e a não ter bons atacantes finalizadores, muito menos para a reserva da maior estrela do time (Guerrero), frequentemente convocado para a seleção peruana e atualmente contundido. Também não tem culpa da decisão de contratar no meio do ano em centros de menor competitividade no cenário internacional jogadores que chegam em condições atléticas visivelmente inferiores as do restante do elenco. Os efeitos desses problemas de planejamento estão pipocando no final de temporada e são potencializados pelo fato do Flamengo ser disparado o time que mais joga na temporada, e que fatalmente terminará 2017, no mínimo, com 80 (oitenta) jogos, marca não alcançada por nenhum adversário.

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Não é só a escalação. Para o bem e para o mal. Contra a Ponte Preta, um dos piores desempenhos do campeonato e do returno, o time titular andou em campo e perdeu em uma das mais lamentáveis apresentações do Mais Querido nos últimos anos. Os times que entraram a campo contra Botafogo e São Paulo não teriam feito pior.

Rueda também herdou um Flamengo com a mentalidade conformista, paneleira e pouco afeta a competitividade da Diretoria e de seu antecessor, que claramente impregnou as mentes de vários atletas do elenco. Sozinho tenta, com toda sua experiência, motivar o grupo para as grandes conquistas. Independentemente da opinião que se tenha sobre o seu trabalho, nosso treinador colombiano pouco conhece do clube, mas parece ter espírito mais rubro-negro do que muitas pessoas na Gávea.

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Chega a hora do colombiano escolher a formação que irá a campo. A dúvida é o centroavante. Olha o peruano que trabalha o "músculo Nova Zelândia", o jovem roliço das tatuagens e seu amigo que mostra uma fome de vencer descomunal, muito superior a de seus companheiros, mas não é da posição. Ainda tem o que trouxeram de um rincão da China, que vem jogando com a intensidade de uma brisa. Além disso, só jogadores de meio de campo ou atacantes menores de idade, já que o grandalhão esforçado, reserva do peruano, contratado graças a boas relações com grupo empresarial, foi liberado antes de sua chegada para um rival tentar ascender à Série A. 

Há espaço para críticas, mas por justiça é preciso contextualizar.

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Olhando pra frente, pelo Brasileiro serão sete jogos, ou seja, vinte e um pontos em disputa. Em casa, o Mais Querido receberá Cruzeiro, Santos e Corinthians, e viajará para enfrentar Grêmio, Palmeiras, Coritiba e Vitória. Entre Vasco e Grêmio, o Fluminense pela Sula, e com a provável classificação, entre Corinthians e Santos, o Atlético Junior de Barranquilla, líder do campeonato colombiano e aparentemente em grande fase.

Rueda também não tem culpa da tabela com os maiores clássicos estaduais e nacionais intercalados com todas as datas de Libertadores e Sul-Americana neste semestre. Não acontece com os demais clubes que se classificaram para a Libertadores em 2017 e sim com o Flamengo.

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Quarta-feira é dia de decisão e de carimbar o passaporte para as semifinais da Sula contra o mais tradicional dos adversários. Domingo será a vez do tradicionalmente difícil confronto contra o Grêmio em Porto Alegre. 

Tradicional também é o papo com os amigos do Buteco, de quem espero, como sempre, as impressões e sugestões de escalação para o nosso treinador. Que a semana seja rubro-negra.

Bom dia e SRN a tod@s.

sábado, 28 de outubro de 2017

Flamengo x Vasco da Gama


Campeonato Brasileiro/2017 - Série A - 31ª Rodada

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Rhodolfo, Rafael Vaz e Trauco; MárciAraújo e Willian ArãoEverton Ribeiro, Diege Everton; Lucas Paquetá. Técnico: Reinaldo Rueda.

Vasco da Gama: Martín Silva; Gilberto, Jomar, Rafael Marques e Henrique; Jean, Wellington, Mateus Vital, Yago Pikachu e Nenê; Andrés Rios. Técnico: Zé Ricardo.

Data, Local e Horário: Sábado, 28 de Outubro de 2017, as 19:00h (USA/ET 17:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - Ricardo Marques Ribeiro (FIFA), auxiliado por Guilherme Dias Camilo (FIFA) e Sidmar dos Santos Meurer. Quarto Árbitro: Felipe Alan Costa de Oliveira. Assistentes Adicionais: Wanderson Alves de Sousa e Jeferson Antônio de Sousa, todos da Federação Mineira de Futebol.

 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Flamengo Sempre






Irmãos rubro-negros,


amanhã, dia 28 de outubro, comemoraremos o dia do nosso amado santo padroeiro, São Judas Tadeu, que nunca nunca nos faltou e sempre intercedeu por nós.

Em homenagem a São Judas Tadeu, reproduzo novamente a história que explica o porquê dele ser o santo padroeiro do Clube de Regatas do Flamengo.

Por que São Judas Tadeu é o padroeiro do Flamengo?

Quem nos conta essa história, sempre ele, é Mario Filho, em seu livro Histórias do Flamengo.

“Há nove anos que o Flamengo não levantava um campeonato, de futebol, é claro, que era o que interessava mais. O padre Góes (pároco da Igreja de São Judas Tadeu, situada no Cosme Velho, Rio de Janeiro) sofria.

Quando não aguentou mais, foi com Alves de Morais à Casa Grande da Gávea e lá, sem preâmbulo, os jogadores em volta, Fleitas Solich mostrando os dentes de coelho num riso, Gilberto Cardoso sério, como numa igreja, garantiu, em nome de São Judas Tadeu, que o Flamengo ia ser o campeão de 1953.

Só que pedia que os jogadores do Flamengo ajudassem um pouco. Não custava nada ir à uma missa no domingo de manhã, antes de cada jogo. Quando chegou domingo, Gilberto Cardoso, Fleitas Solich, Alves de Morais, de vela na mão, os jogadores todos, até o Dr. Rúbis, se ajoelharam diante do altar de São Judas Tadeu.

Foi tiro e queda: Flamengo campeão.

Isto, evidentemente, irritou os beatos dos outros clubes. Era como se o Flamengo estivesse usando uma força proibida. Ou como se São Judas Tadeu tivesse vindo interferir no campeonato da cidade. Escreveram uma reclamação ao Cardeal Dom Jaime Câmara contra o padre Góes.

Deu em nada.

O Padre Góes podia dizer, como disse, que o Flamengo estava ajudando, como ajudou, muita gente a encontrar o caminho de Deus. 

E para mostrar que quanto mais falassem, pior, o padre Góes garantiu o bicampeonato ao Flamengo. Depois da conquista do bi, assegurou o tri, que veio também. No dia da entrega das faixas, foi para o campo, no Maracanã, receber a sua, como o vigário de São Judas Tadeu. 

E começou a distribuir terços com as cores do Flamengo, as contas, pequeninas, redondinhas, vermelhas e pretas.”

Mario Filho: Histórias do Flamengo.



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Se o time, o Rueda ou a diretoria abandonaram o Campeonato Brasileiro, o problema é deles.

Queremos a vitória amanhã.

E queremos também a classificação na próxima quarta-feira.

Aliás, a atuação da torcida do Mengão na quarta-feira passada foi irrepreensível. Cantou e cantou muito, durante os noventa minutos. As organizadas juntas, sobrepondo o amor ao Flamengo às vaidades mesquinhas.

Palmas de pé! 

Que essa iniciativa não seja breve, mas duradoura.




Everton comemorando seu gol (ao lado, Diego); Flamengo 1x0 Vasco (Campeonato Brasileiro de 2017)



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Amigos, sabem onde o nosso querido Buteco do Flamengo esteve? Na FLA USA New England, a embaixada rubro-negra em New England.

Quem nos representou muito bem foi o Teu Fermo, filho do Rocco.

Valeu, Teu!

É o amor pelo Clube de Regatas do Flamengo se espalhando pelos quatro cantos da Terra.

Vida longa ao Buteco e à FLA USA NEW ENGLAND.









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Abraços e Saudações Rubro-Negras.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Flamengo 1 x 0 Fluminense - Enfim, disposição

Antes do jogo, tempo nublado, caras fechadas. Empolgação mínima. Time é submisso, não se entrega ou se empolga. Torcedor sente isto. E não cola junto. "Eles não querem então vou querer porque?". É o pensamento generalizado. Junte a isto entrevistas dos dirigentes tratando o futebol como se fosse uma máquina em que se colocando os insumos, fazendo manutenção preventiva, esta irá produzir o que se espera. Mas futebol não é automático. As vitórias não vêm por força daquilo que você investe, mesmo que, claro, isto ajude demais. É preciso mais. Estamos falando de um grupo de atletas, pessoas, que precisam ser cobradas, precisam de metas, precisam saber se estão correspondendo ou não às expectativas. Quando não se tem isto em um elenco, seja de futebol ou mesmo quadro funcional de uma empresa, simplesmente não se tem resultados. As pessoas em maioria tendem a procurar sempre a zona de conforto em suas organizações. EBM, Fred Luz junto com Rodrigo Caetano criaram esta zona em toda parte do futebol profissional. Resultado? O sono. Correr para não chegar. Time não consegue superar equipes ditas grandes no Brasileiro mostrando um desempenho vergonhoso o que explica sua colocação. Mas temos agora um novo VP de Futebol, que está conhecendo o terreno e diz esperar autonomia para realizar as mudanças. Mas o que vemos é EBM indo todo dia ao futebol e falando como VP de Futebol e talvez agindo como VP de Futebol. Não quer largar o osso que seu cargo de presidente lhe dá a autoridade para agir a despeito de sua horrorosa participação na gestão de futebol. Não sei como o resto do Conselho Diretor não fez ainda uma convocação para retirá-lo de lá, até para não asfixiar o Lomba.

Pois bem, dito isto, o Flamengo enfrentou o Fluminense no Maracanã na disputa da primeira partida das quartas-de-final da Sul Americana. Partida importante, a qual fomos agraciados pelas palavras do Bap, opositor da atual gestão, outrora membro importante e muito relevante da dita "Chapa Azul", de que o torneio é uma espécie de "Serie B". Minimizando assim, a competição em que o Flamengo disputa. O que mostra que estamos mal. Do lado da gestão atual dirigentes "passa pano" em jogadores, e do outro possíveis futuros dirigentes que esnobam competições internacionais.

E o Flamengo começou muito bem. Parece que acordaram da sonolência extrema. Fez um primeiro tempo em alto nível, com algumas chances criadas, poucas na verdade, mas tinha bom volume de jogo. Cuellar e Arão muito bem como volantes, Everton Ribeiro se movimentando  junto ao Diego. Paquetá flutuava pelo campo, não se posicionando direito como centroavante, o que atrapalhou muitas jogadas. Tendo a achar que a entrada de Vizeu seria melhor para o time pois nitidamente faltava referência lá na frente. Flamengo fez seu gol em uma jogada linda de Everton Ribeiro com Arão, que cruzou para o Everton marcar, só tocando para o gol. De ruim o lance covarde, de marginal, em que o jogador Marcos Junior entrou no Rever para tirá-lo de campo e conseguiu. 

Mas, torcida em festa. Ao menos. Se beliscando para ver se não estava sonhando e enfim tinha um time com alma dentro de campo. Mas era realidade. Flamengo tinha entrado em campo como Flamengo de outros tempos.

Veio o segundo tempo. Abel, técnico do Fluminense, certamente não gostou nada de seu time do primeiro tempo, e organizou o Fluminense para sufocar o Flamengo fazendo marcação alta, adiantando o meio de campo. Passou a dominar as ações. Flamengo, de sparring, tentava contra-ataques mas errava demais nos passes, nas corridas. Continuava com vontade, mas era amplamente dominado. Rueda em mode Zé Ricardo, não fazia alterações. Fluminense aproveitava a avenida Trauco para avançar livremente e sobrecarregava o lado do Pará em várias jogadas pelas pontas. Flamengo acuado. Diego Alves fazendo belas defesas. O que reitera a importância de ter um bom jogador nesta posição, tão desprezada pelo nosso "diretor executivo de futebol", que às vezes não enxerga o básico na formação de elenco.

De repente Everton cansou, ou Rueda acordou. Não sei o que veio primeiro. Para reforçar a marcação do meio, neste momento perdido, colocou Marcio Araujo. Só o fato de tê-lo por aí, em que pese a irritação de seus invariáveis péssimos passes, já anulou o jogo do Fluminense pelo meio. Arão pode se dedicar a marcar mais a lateral esquerda do Fluminense e Cuellar a direita. Assim o Flamengo se acertou e passou a voltar a criar chances, ou tirar a presença frequente do Fluminense perto de sua área. Juan deu uma cabeçada esquisita que bateu na trave do adversário. Mostrando que o Flamengo tinha acordado. Paquetá saiu e entrou Vizeu, no fim do jogo. Mas mostrou que poderia ter sido a opção, cabeceando bem uma bola em um cruzamento na única chance que teve. Era, enfim, uma referência que não tivemos o jogo quase todo.

Terminou. Flamengo 1 x 0 Fluminense. Vantagem de empate para o próximo jogo. O que é bom. Mas não pode esmorecer.  Precisamos levantar este caneco para o ano não ser a tragédia que a falta de disposição contínua estava nos levando.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Fluminense x Flamengo


Copa Sul-Americana/2017 - Quartas-de-Final - 1º Jogo (Ida)

Fluminense: Diego Cavalieri; Lucas, Renato Chaves, Reginaldo e Marlon; Richard, Orejuela (Wendel) e Sornoza; Gustavo Scarpa, Henrique Dourado e Marcos Júnior. Técnico: Abel Braga.

FLAMENGO: Diego Alves; Pará, Réver, Juan e Trauco; Cuéllar e Willian Arão; Everton Ribeiro, Diege Everton; Lucas Paquetá. Técnico: Reinaldo Rueda.

Data, Local e Horário: Quinta-feira, 25 de Outubro de 2017, as 17:00h (USA/ET 15:00h), no Estádio Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Arbitragem - Marcos Díaz de Vivar, auxiliado por Milcíades Saldívar e Darío Gaona, todos da Associação Paraguaia de Futebol.

 

Alfarrábios do Melo

A necessidade de agir.

Há derrotas que funcionam como um divisor de águas, qual medicamento amargo que terá se mostrado, no futuro, necessário para que se adotem as medidas outrora proteladas por algum subterfúgio subjetivo.

Júnior, com anos e anos de carreira nas costas, agora treinador, sabe como essas coisas de futebol funcionam. Já percebeu que o arranjo que concebera para o time não deu nem dará certo. A goleada mostrou isso de forma devastadora, cristalina. Crua.

E agora a corda está lhe apertando o pescoço de forma incômoda, mas reversível. Ainda.

Não tem sido fácil o início da temporada do “novo Flamengo”, que se pretende construído sob a égide da austeridade e do “amor à camisa”. Vivendo grave crise financeira, o clube promoveu um robusto desmanche em seu elenco. Renato Gaúcho, Casagrande, Edu Lima, Éder Lopes, Jorge Antônio. E algumas joias da coroa, os egressos da base de 1990, já prontos para se tornarem realidade: Júnior Baiano (US$ 400 mil, São Paulo), Piá (US$ 200 mil, Santos) e Marcelinho (US$ 600 mil, Corinthians). Cinco, seis titulares.

Como reposição, a ideia original se concentrava no aproveitamento de jovens da base (Fábio Augusto, Índio, Régis, Hugo, Magno), que se juntariam na mescla com os remanescentes Gilmar, Nélio, Rogério, Fabinho, Marcos Adriano e Charles Guerreiro, entre outros. Um plantel que mostrou suas evidentes limitações já no primeiro jogo da temporada, uma constrangedora derrota para o Grasshoppers-SUI (0-2) na reinauguração do Estádio da Gávea, agora ampliado para comportar 26 mil torcedores. Uma atuação tão indigente que por pouco não fez Júnior entregar o cargo, irritado com o baixo nível do elenco posto à sua disposição.

Mas a Diretoria cedeu e trouxe reforços. Pagou US$ 120 mil pelo centroavante Charles Baiano, gastou US$ 100 mil (valor estimado) pelo volante Marco Antonio Boiadeiro, despendeu um valor não divulgado pelo meia Carlos Alberto Dias e, por fim, abateu US$ 200 mil do valor a receber do São Paulo e trouxe o atacante Valdeir, o “The Flash”. Todos por empréstimo de seis meses, salvo Charles, que ficaria até dezembro.

Mas os resultados seguiram escassos. Júnior demonstrou dificuldades para encaixar todos os medalhões na equipe, que em nenhum momento apresentou equilíbrio defensivo. Vitórias magras e derrotas acachapantes nos dois clássicos disputados tornaram a situação do treinador muito delicada. Júnior nunca contou com a simpatia do Presidente, com quem usualmente colecionou atritos desde os tempos de jogador. O Flamengo está a dois jogos do fim da Primeira Fase e ainda não está garantido no Quadrangular Final do Estadual. É desnecessário desenvolver as consequências desastrosas, do ponto de vista financeiro, técnico e moral, que uma eliminação traria para dentro da Gávea. A Diretoria sabe disso e, às vésperas do clássico contra o Botafogo, manda ultimatos pela imprensa.

“Júnior tem todo nosso apoio e nossa confiança. Mas a gente sabe como são as coisas. Não teremos como segurá-lo em caso de nova derrota no domingo”.

Mas o Maestro já sabe o que fazer. Já entendeu os motivos da falta de combatividade e da lentidão da equipe. Com efeito, dos reforços contratados apenas Charles tem contribuído com gols. Mas o baiano é lento, não dá dinamismo ao ataque. A visível falta de condições atléticas de Valdeir e Dias não ajuda a melhorar o quadro. Boiadeiro, por sua vez, parece estar começando a se encontrar, mas ainda oscila. Enfim, as contratações ainda não engrenaram.

Júnior já tem o diagnóstico. Precisa injetar combatividade e velocidade na equipe. Irá promover algumas alterações. Barrar medalhões. Sabe que não será fácil. Será ainda mais pressionado, contestado por tirar do time os caros reforços. Mas a decisão já está tomada. Esperto, esconderá a escalação e só anunciará as mudanças no dia do jogo. No entanto, o destino de Dias e Valdeir já está selado. Irão para a reserva. Mais um volante (Fabinho) irá para o meio.

A outra vaga irá para o garoto.

Tratado como uma verdadeira joia das divisões de base, o garoto é, de longe, o mais habilidoso jogador revelado desde a já distante Geração de 1989/1990. Aliás, seu talento chega a ombrear ou mesmo superar o de alguns expoentes daquela safra. Tratado com cuidado, atravessou todas as etapas da transição para os profissionais, sendo eventualmente utilizado em jogos de times “aspirantes”, concentrando com os titulares, participando do dia-a-dia dos profissionais. Até receber uma chance num dos últimos jogos da temporada anterior e incendiar uma partida quase perdida, que por pouco não resultou numa improvável reação. Já estava pronto para integrar o plantel.

Nessa temporada foi usado aos poucos, entrando no decorrer dos jogos. Mas em praticamente todas as partidas em que entrou, provocou brutal melhora no desempenho do time, tornando-o insinuante, agudo, agressivo. Transformando atuações burocráticas em goleadas. Reveses em reações. Criando uma noção crescente e sólida de estar “pedindo passagem”.

“Minha hora chegou. Aliás, demorou. Eu já deveria ter entrado antes”. O garoto recebe a notícia exalando auto-confiança, quase uma marra aparentemente incompatível com seu físico franzino e sua cara de bom moço.

A postura do jovem soa como um bálsamo para Júnior. O Flamengo precisa de coragem, atitude, confiança, vontade de reverter o quadro fortemente negativo em que se encontra. E, mais uma vez, olha pra dentro de si e se encontra, se reflete, se identifica na mais improvável das figuras. Aquele garoto magrinho, aloirado, canelas finas, mas de futebol abusado e irrequieto, quase moleque, dado a driblar, rabiscar e se enfiar no meio das mais cerradas defesas, semeando o pânico e o terror entre os adversários.

O Flamengo empata com o Botafogo (1-1), mas joga melhor e merece a vitória. Pela primeira vez no ano, termina um clássico dando a impressão de ter superado seu oponente. As mudanças promovidas por Júnior melhoram o time, que se torna mais seguro e equilibrado. O garoto agrada bastante em sua estreia como titular, dando velocidade à equipe e criando várias chances de gol.

Mas o empate é insuficiente para amenizar a pressão sobre Júnior. O Presidente demonstra visível insatisfação pela barração dos reforços e dá um último aviso ao treinador: “Não vamos interferir na escalação. Ele é livre para colocar em campo quem achar que deve. Mas assumirá a responsabilidade por suas escolhas”. O Flamengo precisa ao menos de um empate na última rodada, contra o Olaria na perigosa Rua Bariri, para evitar o vexame de uma eliminação precoce.

Júnior mantém a escalação e o Flamengo vence (2-1), com atuação relativamente segura. O garoto novamente tem boa atuação e chega a acertar a trave do adversário. Aliviado, Júnior avisa: “encontramos o time, agora é entrosá-lo”.

Dez dias na Granja Comary. O Flamengo prepara-se para a estreia no Quadrangular, contra o Fluminense que, pelo retrospecto recente, é tido como favorito. Realiza um jogo-treino contra o Entrerriense. Goleia sem dificuldades, 6-0. O garoto participa de quatro gols, marca um e sai do treino ovacionado. Está voando, parece imparável.

Chegou, de fato, a sua hora.

* * *

Quarenta e cinco do segundo tempo. O Flamengo vai vencendo por 2-1 e está encolhido em seu campo. O Fluminense pressiona, busca desesperadamente o empate. Súbito, o chutão. A dividida no vazio, a bola que sobra quicando. O toque em velocidade. A disparada do garoto, dois zagueiros no encalço, o pique enlouquecido em direção à glória, ao estrelato, a etérea arrancada que lhe tirará a condição de pessoa comum. O goleiro à frente, o toquinho desferido com a frieza somente inerente aos grandes, a bola macia repousando no canto, a festa eufórica na arquibancada ao lado dos seus. O desfecho perfeito para uma atuação de gala, coroada com todos os prêmios de melhor em campo. Não podia ser de outro jeito o primeiro gol do garoto. Que, a partir dali, deixa de ser apenas um jovem promissor. Não mais apenas um menino que sonha em vencer no futebol. Não mais um imberbe sonhador pedindo autógrafos, sorriso amarelo na face. Não mais um simples qualquer. Não mais mais um. Ali, com seu nome cintilando no placar eletrônico do Maracanã, o garoto se transmuda em homem. Mais do que homem, mais do que um mortal, em estrela. Em ídolo. Em semideus.


Nasce o Anjo Louro da Gávea.