segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Into The Deep (Super Data FIFA) Blue: O Jogo dos Milhões

 

Salve, Buteco! Estamos chegando ao "Challenger Deep" desta Data FIFA. O local mais profundo, ou seja, de maior distância entre o último jogo do futebol de clubes (o autêntico) antes do seu início e o primeiro do depois do seu fim. A escuridão é total. Enquanto me recuso terminantemente a tocar no assunto futebol de seleções, precisamos arrumar um tema para jogar conversa fora. Então, hoje escolhi a redução do número de estrangeiros no futebol brasileiro, a ocorrer gradativamente até 5 em 2030.

Adianto que o assunto me provoca profunda irritação pela desfaçatez com que o número de estrangeiros foi usado como mais uma desculpa para a incompetência da CBF (Nefasta) e da figura do "treinador brasileiro", como categoria, em ser competitivo no mercado internacional.

Já escrevi posts e mais posts neste Blog externando minha visão sobre como a Lei Bosman, a inércia da CBF (Nefasta) e a cultura medíocre do meio do futebol brasileiro (dirigentes, imprensa e atletas inclusos) foram, pouco a pouco, minando a formação do jogador e a qualidade do esporte praticado no país. Não vou me repetir mais uma vez, mas com certeza não poderia deixar de registrar o meu absoluto repúdio a utilizar o atleta estrangeiro como bode expiatório.

Ora, como mostra esta matéria do Lance!, até 2013 o limite era de 3 estrangeiros, tendo sido aumentado entre 2014 e 2022 para 5; em 2023 para 7 e a partir de 2024 para 9. Portanto, em 2014, quando o limite foi pela primeira vez aumentado, o Brasil já tomava de 1x7 da Alemanha em pleno Mineirão na semifinal da Copa do Mundo. Complicado afirmar que a queda de qualidade do futebol brasileiro é culpa do jogador estrangeiro, concordam?

O mais difícil, aqui no Brasil, é o treinador estudar e se reciclar; o jornalista estudar tática e as regras do jogo para não escrever besteira e nem vomitar asneiras durantes as transmissões de rádio e TV, assim como nas mesas redondas. Impossível é o dirigente se preparar e pensar no clube, na formação de qualidade dos atletas (inclusive como seres humanos), em vez do negócio, do lucro desmedido.

Estamos assistindo, na verdade, ao "Jogo dos Milhões", aquele no qual os adversários do Flamengo, gananciosamente, tentam fazer com que o clube de maior arrecadação nas 3 Américas gaste o máximo possível com eles próprios, no mercado interno, diminuindo a "cota" dos investimentos internacionais.

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Vou aproveitar o ensejo para compartilhar com vocês uma interessante análise do analista Rafael Marques (@rafa_scout), publicada essa semana no Twitter:

Desconfio da ideia de que reduzir o número de estrangeiros vá, por consequência, formar e revelar mais jogadores brasileiros. Quando olhamos para o futebol europeu, essa relação de causa e efeito não parece tão evidente. A Inglaterra, por exemplo, não trabalha com um limite de estrangeiros e, ainda assim, conseguiu formar uma geração que chegou a duas finais de Eurocopa e a uma semifinal de Copa do Mundo. A Espanha, por outro lado, tem uma regra teoricamente muito mais rígida, com limite de três jogadores extracomunitários, e tem a geração que tem Já a Itália, que seria um modelo misto, onde se pode ter vários extracomunitários no elenco, porém só é permitido inscrever 2 novos por temporada, vive o pior momento formativo da sua história Ou seja, não existe uma relação de causa e efeito entre a regra de estrangeiros e o desenvolvimento de jovens Existe ainda outro ponto: muitas dessas restrições são menos rígidas na prática do que parecem no papel. Jogadores estrangeiros podem adquirir nacionalidade europeia e deixar de ocupar vaga de extracomunitário. Além disso, qualquer atleta com cidadania de um país da União Europeia pode atuar em outro país do bloco sem ocupar essa vaga. Isto é, limitar extracomunitários não significa necessariamente reservar espaço para jogadores formados naquele país pois a vaga no elenco pode ser ocupada por esse jogador que, por mais que não preencha uma vaga de extracomunitário, para o futebol de seleção é um estrangeiro Também tenho dúvidas sobre o efeito das vagas obrigatórias para atletas nacionais. Elas podem aumentar a demanda por um grupo limitado de jogadores e, consequentemente, inflacionar seus valores. E, quando não existe uma limitação rígida para o tamanho dos elencos, mas há a obrigatoriedade de ter jogadores da base no profissional como ocorrem em alguns países europeus, existe o risco de jovens serem promovidos apenas para cumprir uma determinada cota, sem que isso se transforme em minutos, sequência ou desenvolvimento de verdade. Por isso, minha primeira impressão é que limitar estrangeiros não necessariamente fará os clubes brasileiros colocarem mais jogadores da base em campo e muito menos garante que isso resulte em mais jogadores efetivamente desenvolvidos. A decisão de utilizar um jovem me parece responder a uma cadeia de incentivos muito mais complexa: o potencial de uma futura venda, a necessidade técnica daquela posição, a existência de um projeto formativo sólido, a confiança do treinador, o tempo e a tolerância necessários para que esse jogador erre e amadureça e, principalmente, um calendário que permita treinar, desenvolver e inserir esse atleta de maneira adequada no futebol profissional. Se o problema que queremos resolver é a formação de jogadores brasileiros, talvez a discussão mais importante não seja simplesmente quantos estrangeiros podem jogar, mas quais condições fazem um clube considerar vantajoso formar, desenvolver e efetivamente dar minutos aos seus próprios jovens.

Como dizem por aí, "aulas", certo?

Percebam que o atraso do futebol brasileiro tem a mesma natureza do atraso da política brasileira: a da pura ausência de critério e de priorização dos interesses coletivos.

É sempre mais fácil apontar o dedo do que olhar para o próprio umbigo.

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E o Flamengo? Como seria afetado a curto prazo?

Ouço muito falarem em naturalização de jogadores como Arrascaeta, Pulgar e Rossi, porém até o momento nada aconteceu. Seria uma tentativa de já se blindar em relação à nova regra? De qualquer modo, é difícil imaginar qualquer um dos três ainda jogando no clube até 2030, concordam?

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Vou ficando por aqui. 

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.