Olá, Buteco!
Nosso Mengão repetiu contra o RBB, com o Maraca lotado e a torcida empurrando o time, o mesmo script tenso que tantas vezes já aconteceu nas partidas desta temporada.
Na verdade, este é um problema bem mais antigo: nosso time domina o primeiro tempo, perde grandes chances ou para nas defesas milagrosas do goleiro adversário, o Neuer de cada dia, e acaba sofrendo no segundo tempo.
Felizmente conseguimos manter o 2 a 1 no placar e assim abrimos três pontos na liderança do Brasileirão.
Estamos numa famigerada e exagerada Data FIFA e, uma vez que promessa é dívida, trago hoje um balanço da janela de transferências e uma análise do elenco com que enfrentaremos o restante desta temporada.
Minha referência para a análise de hoje (post de 24/04)
Volto ao dia 24.04.26, quando publiquei o post “Elenco Curto, Calendário, Coringas”.
Nele, escrevi:
Vivo reclamando que o elenco do Flamengo é curto para encarar o calendário sempre louco a que é submetido, mas a vida me ensinou que a queixa é paralisante e deve ser enfrentada com ações transformadoras. Como não tenho o poder de agir para transformar a realidade em que nosso Mengão sempre navega, resolvi me confortar com um estudo da possibilidade de uso de coringas no elenco.
Na ocasião, nosso elenco era o seguinte:
TITULARES: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro, Evertton Araújo, Paquetá, Arrascaeta, Plata, Pedro, Lino. (1 goleiro e 10 de linha)
RESERVAS: Andrew, Dyogo Alves, Royal, Danilo, Vitão, Ayrton Lucas, Saul, De La Cruz, Luiz Araújo, Bruno Henrique, Cebolinha, Wallace Yan. (2 goleiros e 10 de linha)
AFASTADOS: Jorginho, Pulgar, Carrascal. (3 de linha)
Tínhamos, portanto, um elenco principal com 26 jogadores, 3 goleiros e 23 de linha (reparem que, dos três afastados, dois eram volantes, uma tendência na temporada).
No site oficial do Flamengo, o elenco principal informado em 05/08, começo da janela de transferências, incluía, além desses 26 jogadores, o zagueiro João Victor, com quem Jardim não conta, tanto que ele vem disputando o Carioca Sub-20, como titular da zaga e capitão do time.
Prosseguindo nas considerações que fiz no post de abril, escrevi:
Sem grandes malabarismos intelectuais e com uma simplicidade que chega a ser surpreendente, nosso Calvo montou um bom time base e vem fazendo rodízios eficazes, variando a escalação a cada jogo, quase sempre sem prejuízos significativos quanto ao desempenho e aos resultados do time.
A fórmula de rodízios do Jardim se mostra promissora, mas não resolve plenamente o problema do elenco curto porque, como aconteceu em alguns momentos dos doze jogos em que dirigiu o Flamengo, nosso treinador já foi obrigado a jogar sem reserva para uma ou outra posição e, pela sequência absurda a que o time é submetido, pode continuar sujeito a isso na continuação da temporada.
Depois disso, o Flamengo voltou a viver situações de escassez de opções para algumas posições e, com a perda temporária de nove jogadores convocados para a Copa do Mundo, o time passou por oscilações que chegaram a criar uma perspectiva ruim na tentativa de alcançar o Palmeiras, então líder do Brasileirão.
Com o retorno gradual dos convocados e conversas internas para ajuste do modelo de jogo, o time voltou a render bem, fez algumas partidas muito boas e, além de se classificar para a semifinal da Libertadores, acabou por ultrapassar e abrir três pontos sobre o Palmeiras, neste começo da reta final do campeonato brasileiro.
Cabe ressalvar, porém, que essa recuperação foi conseguida sem que houvesse solução para a escassez de opções em algumas posições, assunto de que falarei com mais detalhes a seguir.
Coringas e Elenco Sugerido em Abril:
Dizia eu, no post de referência:
Um jeito de não aumentar muito o elenco e de, ao mesmo tempo, conseguir responder às demandas resultantes de afastamentos de titulares e de reservas imediatos é contar com coringas e é este o exercício a que me proponho, como forma de aliviar meu permanente desconforto por achar o elenco curto.
Com base na análise que fiz de cada posição, montei, na época, o elenco abaixo e concluí:
Goleiros: Rossi, Andrew, Dyogo Alves
Laterais Direitos: Varela, Royal, Daniel Salles
Laterais Esquerdos: Alex Sandro, Ayrton Lucas, Varela
Zagueiros: Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo, Vitão, (Quem da base?)
Volantes: Jorginho, Pulgar, Evertton, De La Cruz, Saul, Paquetá, (Quem da base?)
Meias: Arrascaeta, Carrascal, Paquetá
Pontas Direitas: Luiz Araújo, Plata, Carrascal, W. Yan
Pontas Esquerdas: Samuel Lino, Cebolinha, Carrascal
Centroavantes: Pedro, Bruno Henrique, W. Yan
Se eu estiver certo nas minhas considerações, estamos atrasados em prevenção para três posições, lateral direita, zagueiro e volante, e os garotos escolhidos precisarão de alguma minutagem, em coerência com o que defende o Jardim. Disse ele numa entrevista:
“Por isso, de três em três jogos, de quatro em quatro, tem que ter uma rotação, para que os jogadores que ficam mais tempo fora consigam se apresentar na melhor forma.”
Inter-temporada em Portugal – Garotada em campo
Falemos um pouco da inter-temporada feita em Portugal.
Nela, Jardim teve oportunidade de treinar e observar alguns garotos da base.
Vários jovens jogaram e os principais destaques foram o Joshua, que mostrou muita personalidade e desenvoltura, e o Johnny, zagueiro que atuou improvisado na lateral esquerda.
Além deles, Wallace Yan e Lorran, já rodados no elenco adulto, também renderam bem e alimentaram esperanças de que pudessem ter maior aproveitamento no time principal, mas acabaram sendo vendidos no fim da janela, com reserva de algum percentual para o Flamengo.
Daniel Sales, lateral direito indicado na minha lista final do post de abril, sofreu lesão no início da inter-temporada e perdeu a oportunidade de ser treinado e observado pelo Calvo.
No momento, Joshua, Johnny e Daniel Sales estão no nosso elenco Sub-20, que disputa o Campeonato Carioca e a Copa do Brasil de 2026.
Pedidos do Jardim e Tentativas Frustradas na Janela
No post Resenha a Varejo de 16/07/26, comentei:
Jardim tem pedido um meia atacante e um ponta, mas as minhas prioridades seriam um bom lateral esquerdo, mais confiável na função defensiva do que o Beijinho, um centroavante e reposições para as saídas.
Talvez pensando em atender o pedido do treinador, Boto fez forte investida na tentativa de contratação do Almada e, enquanto trabalhou nisso, nada mais foi anunciado.
Depois de muito tempo de janela, Almada escolheu o River Plate e o Flamengo fez um movimento pela contratação do ponta Luiz Henrique, mas passou muito longe das pretensões do Zenit e o jogador acabou saindo dos planos do Mengão.
Algum cheiro de fumaça da proibição das apostas online deve ter chegado aos ares da Gávea porque, depois de se dispor a pagar alto por 50% do passe do Almada, o Flamengo se recolheu a uma timidez que gerou muitas reclamações da torcida, porque o fim da janela se aproximava e nenhuma novidade era anunciada, salvo a cessão de alguns garotos para clubes do Brasil e do exterior, com reserva de percentuais, fato que também contribuiu para a irritação de muitos torcedores.
Plata no Dínamo (só que não)! Valencia e Freitas no Mengão!
Eis que, na fase final da janela, Gonzalo Plata foi vendido ao Dínamo e, numa operação casada relâmpago, o Flamengo fechou a contratação de dois jovens, o ponta direita equatoriano Anthony Valencia, reserva do Plata na seleção de seu país, e o atacante argentino Joaquín Freitas, visto como grande promessa pela torcida do River Plate.
Fechada a contratação dos dois jovens, o Dínamo deu um cavalo de pau e, simplesmente mudando de ideia, devolveu Gonzalo Plata ao Flamengo.
A direção do Mengão anunciou que pretendia formalizar queixa contra o Dínamo (não sei se chegou a fazer isto), mas Leonardo Jardim gostou da devolução.
De La Cruz e Cebolinha
A janela teve, também, uma grande tentativa do Peñarol de contratar De La Cruz, que resultou frustrada por falta de acordo entre os clubes, e vários movimentos para cessão de Everton Cebolinha a outra agremiação, para que a folha de pagamentos do Flamengo fosse aliviada, disso resultando a transferência definitiva do ponta esquerda para o Santos, no último dia da janela.
Elenco Incompleto Resultante (site oficial do Flamengo em 20/09/26 e alguns complementos feitos por mim):
Goleiros
Nenhuma mudança oficial em relação às listas anteriores.
Rossi – Titular absoluto, vem falhando com frequência e gerando muita preocupação na torcida, mas Jardim parece nem pensar em testar o Andrew.
Andrew – Tem tido pouquíssimas oportunidades, embora nunca tenha falhado nas poucas vezes em que jogou e até tenha feito defesas importantes.
Dyogo Alves – É o segundo reserva da posição, mas não tenho como opinar a respeito, já que nunca joga.
Leo Nannetti – É o titular do Sub-20 e eu o incluo nesta lista porque tenho visto melhores momentos de alguns jogos da base e, pelo menos embaixo da trave, ele se mostra um goleiraço, daqueles que chegam em bolas difíceis. Como só vejo melhores momentos, não tenho como avaliá-lo no jogo com os pés.
Laterais Direitos
Emerson Royal – Melhorou muito sob o comando de Leonardo Jardim e tem conseguido contribuir com o time. Chegou a ser alvo de uma tentativa de compra por um clube europeu, mas Bap cortou a ideia, explicando que não conseguiria fazer reposição com os recursos obtidos na eventual venda. Aprovo a decisão.
Varela – Reveza com o Royal na lateral direita e tem ajudado muito como opção coringa para a lateral esquerda, por força da grande demora no retorno do LE Alex Sandro, que foi convocado para a Copa do Mundo e se lesionou na volta ao elenco do Flamengo. No jogo de domingo, contra o RBB, Alex Sandro entrou e jogou bem, mas Ayrton Lucas se lesionou, o que pode exigir que Varela continue atuando como coringa na esquerda.
Daniel Sales – Por força de uma lesão, perdeu a chance de ser treinado e observado pelo Calvo na inter-temporada. Não consta na lista do elenco principal oficial, mas parece ser a opção mais madura para o atendimento de alguma emergência na lateral direita do time adulto, embora com deficiências na fase defensiva, como já apontado pelo Amigo Laercio (Laercio#SomosTodosFlamengo), meu consultor para assuntos da base.
Laterais Esquerdos
Ayrton Lucas – Há muito tempo apontado como um elo fraco do time, nosso amigo Beijinho teve, em tempos recentes, momentos muito ruins, seguidos de uma fase heroica, em que segurou sozinho a onda da lateral esquerda e em que salvou o time de algumas perdas de pontos, até voltar a falhar no jogo contra o Del Valle, felizmente sem consequências desastrosas para nosso Mengão. No jogo contra o RBB, sofreu lesão no posterior da coxa direita.
Alex Sandro – Veterano com tendência a muitas lesões, teve o contrato renovado até o fim de 2027, aparentemente por medida de economia, numa das decisões mais criticadas pelos participantes do Buteco.
Nesta posição, mais do que qualquer coisa, cabe a crítica à incompletude do elenco, seja pelo rendimento irregular do sempre esforçado Beijinho, seja porque Alex Sandro tem dificuldade para se manter em forma, seja porque a base não tem lateral esquerdo apto a suprir uma emergência.
Numa espécie de rodízio, Alex Sandro voltou ao time no exato momento em que Ayrton Lucas sentiu o posterior da coxa, depois de atuar em onze partidas seguidas.
Temos aí, a meu ver, o maior erro da gestão do clube na janela recentemente fechada.
Zagueiros
Nenhuma novidade quanto aos quatro principais integrantes da posição: Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo e Vitão têm conseguido atender bem a demanda.
Novidade a ser destacada é o fato do Flamengo ter recusado uma boa proposta pelo João Victor, promessa da base que passou por uma queimação no time principal no ano passado e que, tendo retornado ao Sub-20, continua sendo visto como jogador que interessa ao clube.
Volantes
Cabe aqui voltar ao post de abril, o do elenco curto. Nele, eu disse:
Adiantando Paquetá para a meia (opção que Jardim ainda adota, de vez em quando), ficamos com cinco volantes (Evertton Araújo, Jorginho, Pulgar, Saul e De La Cruz), o que eu considero ser conta justa, porque volantes levam muitos cartões (precisam matar os contra-ataques) e porque temos dois veteranos, Saul e Jorginho, e um jogador que exige muita dosagem, o Nico.
Essa realidade se confirmou, desde então.
Cartões, lesões e indisponibilidade de volantes por questões físicas continuam nos assombrando e o treinador Jardim tem precisado “se virar nos trinta” para, a cada jogo, montar o meio de campo do time.
Evertton Araújo – Alvo de alguma intenção de contratação por time estrangeiro, foi mantido no elenco, mas está afastado por lesão grave (consta que só deve voltar em novembro) e há indicação de que o Flamengo conta com uma boa venda do jogador, talvez já na próxima janela.
Jorginho – Veterano sem problemas físicos graves, deveria ser mais dosado, mas a crise permanente por escassez de opções no meio de campo o tem obrigado a jogar seguidamente, mais do que seria aconselhável.
Pulgar – Entrou em forma e tem vivido boa fase no time, tendo sido premiado com uma generosa renovação de contrato, até dezembro de 2029, prazo que também foi alvo de muitas críticas, pela perspectiva de declínio natural do jogador ao longo dos próximos anos.
Saul – Quase não jogou nesta temporada, pela dificuldade em se recuperar de lesão e cirurgia de tendão. Jogou alguns minutos contra o Del Valle e, com ótima atuação, foi titular contra o RBB, alimentando na Nação a esperança de que possa contribuir bastante nesta fase final da temporada.
De La Cruz – A julgar pelo que vem acontecendo, Jardim e o Flamengo não contam efetivamente com ele, pela pouquíssima disponibilidade para os jogos. Houve negociação com o Peñarol, mas o Flamengo não aceitou pagar parte do salário do Nico e frustrou-se a tentativa. A meu ver, o Flamengo errou em não ceder, porque Nico abriria mão de parte do que ganha no Flamengo. Como não houve acordo, o Flamengo ficou com toda a despesa, sem poder contar com o seu futebol.
Paquetá – Já declarou sua preferência pela posição de camisa 8, mas tem jogado onde Jardim necessita. Tudo indica que o impacto da contratação do cria sobre as finanças do clube foi uma das principais causas do freio de arrumação aplicado à estratégia do Flamengo na janela do meio do ano, depois que, frustrada a negociação do Almada, surgiram as primeiras fumaças de proibição das bets.
Meias Centralizados
Não há grandes novidades nessa posição, exceto a afirmação do ponta Samuel Lino como boa opção eventual para a meia.
Arrascaeta e Carrascal continuam sendo opções preferenciais, mas Jardim também usa muito o Paquetá, além do Lino, que anda numa fase iluminada.
Consta, ainda, que o garoto Anthony Valencia, contratado para a ponta direita, também pode fazer essa função.
Pontas e Atacantes
Aqui, há novidades com potencial de upgrade.
Saíram Wallace Yan e Cebolinha e chegaram Valencia e Freitas.
Temos, então, Plata, Luiz Araújo, Valencia, Pedro, Bruno Henrique, Freitas e Samuel Lino.
Além disso, Carrascal, visto como um meia no site oficial, tem sido o ponta direita titular.
Freitas chegou para ser uma opção de reserva do Pedro, mas suas características permitem que ele seja aproveitado nas pontas, lembrando que, na jogada que nos deu a vitória no jogo contra o Corinthians, o garoto explodiu na ponta esquerda e cruzou na medida para o ídolo BH matar o jogo.
As Incompletudes Conhecidas e Não Resolvidas
Sem falar em goleiro, porque Rossi falha mas é tratado como intocável, continuo considerando que o Flamengo entrou na janela com carências na lateral esquerda, na zaga (uma quinta opção não suficientemente testada) e na posição de volante, onde há quantidade nominal (são seis jogadores), mas nunca há opções suficientes, pelos motivos já expostos (cartões, lesões com longos afastamentos e indisponibilidades crônicas, principalmente a do Nico).
Nenhuma dessas carências foi resolvida na janela recentemente encerrada.
Nas posições de meias centralizados e de atacantes, Leonardo Jardim tem elenco suficiente para fazer bons rodízios e, salvo alguns dias de oscilações individuais e coletivas, tem conseguido desempenho satisfatório do time na fase ofensiva.
Falta pouco para o fim da temporada e nosso time está na briga pelas duas grandes taças que restaram, a do Brasileirão e a da Libertadores.
É hora de torcermos para que elas venham para a nossa sala de troféus e para que, conquistada a Libertadores, tenhamos nova chance de brigar pelo Intercontinental.
Saudações Rubro-Negras!!!
Carlos César Ribeiro Batista