Salve, Buteco! Estamos ainda no primeiro final de semana da mais longa Data FIFA que talvez já tenhamos visto, com uma "Data FIFA propriamente dita" seguida da Copa do Mundo de 2026. Portanto, ainda estamos em águas rasas e por isso ainda não subirei um "Profundezas", se é que vocês me entendem. Resolvi então resuscitar o "Hat Trick", uma velha prática do Blog para jogarmos conversa fora, na falta de assuntos mais atuais e também para não gastarmos todos, já que ainda temos muito chão pela frente (ou seria água?) até a volta do calendário.
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Vou começar pela final de 1980, que completou 46 anos no último 1º de junho. Acho que já falei pra vocês que foi o "jogo da minha vida". Cada título tem sua importância e às vezes penso, cá com os meus botões, se tem sentido em falar em um dia (ou título) mais importante do outro na nossa vida, já que não se chega a nenhum sem passar pelos anteriores.
Certamente, porém, existem os mais marcantes, e se o de 1978, o do "gol do Rondinelli", foi o abre-alas para a geração até hoje considerada mais importante do clube, o título de 1980, o do "gol do Nunes", foi o que marcou o início dos títulos nacionais do clube, fora do circuito carioca. Até então, o Flamengo só havia conquistado, por exemplo, para além de torneios amistosos ou organizado por federações, tais como a Taça dos Campeões Rio-São Paulo, o próprio Rio-São Paulo e o Torneio do Povo.
Muito já se escreveu sobre esse jogo e eu não quero chover no molhado. Desejo apenas destacar um ponto sobre o qual ninguém fala e que, para mim, ilustra como esse jogo marcou o futebol nacional e ficou na História, sendo, para mim, até hoje, "o jogo da minha vida", o maior que eu vi entre dois clubes de futebol.
Eis a ficha técnica do jogo:
LOCAL: Maracanã, Rio de Janeiro.
DATA: 1º de junho de 1980.
PÚBLICO: 154.355 presentes.
ÁRBITRO: José de Assis Aragão
GOLS: Nunes (2) e Zico; Reinaldo (2).
CARTÕES AMARELOS: Chicão, Cerezo, Reinaldo, Tita e Júnior.
CARTÕES VERMELHOS: Reinado, Chicão e Palhinha.
FLAMENGO – Raul; Toninho, Manguito, Marinho e Júnior; Andrade, Carpegiani (Adílio) e Zico; Tita, Nunes e Júlio César (Carlos Alberto). Técnico: Cláudio Coutinho.
ATLÉTICO/MG – João Leite; Orlando (Silvestre), Osmar, Luizinho (Geraldo) e Jorge Valença; Chicão, Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo e Éder. Técnico: Procópio Cardoso.
Dos jogadores que entraram em campo, simplesmente 19 (dezenove) já tiveram passagens pela Seleção Brasileira, principal ou Olímpica. De todos eles, no total de 26, apenas Manguito e Carlos Alberto, do Flamengo, e Orlando, Jorge Valença, Pedrinho, Silvestre e Geraldo, do Atlético, não foram convocados nem mesmo uma vez para o Escrete Canarinho.
Uma constelação, como vocês podem notar.
Foram disputadas muitas finais de campeonato brasileiro, porém eu desafio alguém a encontrar uma mais emblemática do que a de 1980, o início do Flamengo nacional e, depois, internacional e mundial.
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Falando em Atlético Mineiro, o Mauro Betting e o PVC abriram um canal no YouTube e um de seus vídeos traz um debate sobre a maior rivalidade interestadual do Brasil, se "ainda seria" entre Flamengo e Atlético ou se, agora, já teria passado a ser Flamengo e Palmeiras.
Flamengo e Atlético de fato protagonizaram duelos históricos, como a final de 1980 e a semifinal de 1987, e um até polêmico, como o jogo de desempate do Grupo 3 da Libertadores/1981, disputado no Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Contudo, fala-se muito, do lado rubro-negro, em "rivalidade unilateral" para se referir ao rival das Alterosas.
Na minha opinião, há exageros de ambos os lados. Do atleticano, pela maneira como neuroticamente acusa o Flamengo de "roubar o meu futuro" e criar um clima de tensão que volta e meia descamba para a violência fora de campo, geralmente tendo a torcida do Flamengo como vítima.
É sempre bom lembrar as sábias palavras do insuspeito Roberto Drummond (atleticano) para a Revista Placar:
Do lado rubro-negro, virou hábito tratar o Galináceo como um rival qualquer, o que tampouco é o caso. Jogos como "o do Inferno" (Copa do Brasil/2022) e o de 2024 (1ª final do Cu de Zebra) mostram que, sem entrar na neurose atleticana, a rivalidade também existe do lado rubro-negro.
A diferença é que a Nação Rubro-Negra precisa dividir sua atenção com vários outros rivais, locais ou não, e por isso não dá tanto cabimento para a neurótica Massa Atleticana. Muito pelo contrário, ainda dá aquela desprezada básica, com bastante deboche, para irritar ainda mais a concorrência...
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Com relação ao Aliverde de Parque Antártica, pode-se dizer que, se a outra rivalidade já produziu uma final como a de 1980, a qual não canso de me referir como "o jogo da minha vida", Flamengo e Palmeiras "simplesmente" já decidiram duas Copas Libertadores da América (2021 e 2025), uma Copa Mercosul (1999) e diversos torneios de menor expressão, desde a oficial Supercopa do Brasil (2021 e 2023) até a antiga Taça dos Campeões Rio-São Paulo (1942 e 1944), sem contar os registros de confrontos em um torneios de menor expressão, como o internacional Troféu Naranja (1997) e os nacionais Leonino Caiado (1975) e Maria Quitéria (1997).
Para além disso, Flamengo e Palmeiras disputam entre si o progatonismo do futebol nacional desde 2016, claro que, dependendo da temporada, tendo a companhia, sempre pontual, de alguns outros rivais, como o Corinthians (2017), o próprio Atlético Mineiro (2021) e o Botafogo (2024). Em todas as outras edições do Campeonato Brasileiro desde 2016, porém, o campeão foi o Flamengo (2019, 2020 e 2025) ou o Palmeiras (2016, 2018, 2022 e 2023).
Percebe-se que a rivalidade entre Flamengo e Palmeiras tornou-se algo cotidiano e perene, transcendendo fronteiras, ao passo que a rivalidade entre Flamengo e Atlético vive da memória de grandes jogos, históricos e marcantes, sem dúvida, porém pontuais, às vezes com uma ou outra reprise no presente.
É bem diferente da expectativa que se cria em torno de cada confronto entre Flamengo e Palmeiras. A mobilização entre as duas torcidas é total, o mesmo podendo se dizer sobre todos os setores da mídia esportiva (jornalismo e [vídeo]blogueiros). Há confrontos entre Flamengo e Atlético que são tratados de maneira comum, o que já não acontece entre Flamengo e Palmeiras há uns bons anos.
Portanto, a resposta, para mim, não gera maiores dificuldades. A rivalidade entre Flamengo e Palmeiras superou, sem sombra de dúvida, a de Flamengo e Atlético Mineiro.
Qual é a sua opinião a respeito desse assunto?
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A palavra está com vocês.
Bom FDS e SRN a tod@s.
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