| Foto: Ernesto Benavides/AFP via Getty Images |
Salve, Buteco! O calendário do futebol brasileiro de clubes está oficialmente suspenso até o final da Copa do Mundo. A partir de agora, teremos férias dos jogadores, nova pré-temporada e alguns amistosos até a volta do Campeonato Brasileiro e demais competições. Essa paralisação do calendário nos anos de Copa do Mundo de Seleções propicia uma oportunidade especial para todos os clubes, que podem corrigir erros de planejamento e reformular seus elencos.
O Clube de Regatas do Flamengo tem um elenco campeão brasileiro e da Libertadores, porém teve um início de 2026 caótico, perdendo títulos (ainda que de menor expressão) e, até a troca de treinador, jogando um futebol irreconhecível, de tão pouco competitivo.
O novo treinador começou a modificar o sistema de jogo e a forma do time jogar. Houve sensíveis mudanças, com ganho ofensivo, mas o sistema defensivo ainda suscita dúvidas. Se é verdade que, ainda com o time de Filipe Luís, na versão 2026, a defesa já estava uma peneira, com o Calvo ainda não chegou ao nível de segurança de 2025.
Imagino que o ideal seja os reforços serem contratados pensando em uma relação de longo prazo com o clube, desde que equilibrando esse fator com o que pensa o treinador, o qual, afinal de contas, é quem organizará as peças e as colocará para jogar.
Não tenho o costume de sugerir nomes e continuarei com essa tradição. Este post objetiva apenas tentar identificar setores e peças que precisam se reforçados/substituídos dentro do elenco.
É importante lembrar, ainda, que o nosso Departamento de Futebol, historicamente, não é ágil e nem realiza muitas contratações em uma só janela.
Será necessário estabelecer prioridades.
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Goleiros: o Flamengo, na minha opinião, não tem tradição de ter goleiros de primeira prateleira, mas nomes que, especialmente nas grandes conquistas, ofereceram muita segurança no gol.
O ano de 2025 do nosso titular, o argentino Agustín Rossi, coloca-o em posição de se sentar na mesa com os goleiros dos grandes títulos do Flamengo. Contudo, seu 2026 vem deixando muito a desejar.
É importante lembrar que Raul, Zé Carlos, Gilmar, Bruno e Diego Alves, por exemplo, tiveram fases ruins no time principal. Raul chegou até a ser barrado por Cantareli, para que se tenha uma ideia. Parece que o Rossi está atravessando o seu mau momento. A primeira pergunta que fica é até quando essa fase vai durar.
Contudo, outros questionamentos são pertinentes. Por exemplo: será que é mesmo uma má-fase ou o sistema do Calvo expôs algumas verdades sobre o nosso goleiro argentino?
O fato é que Rossi não é um goleiro "top", daquele tipo que possa ser comparado a nomes como Taffarel, Marcos, Dida e Júlio César, porém precisamos ponderar que é difícil para o Flamengo, hoje em dia, ter um goleiro desse nível em seus quadros. É possível melhorar, porém existe um teto imposto pelo mercado. Eu não teria problemas com uma troca, desde que a substituição fosse cirúrgica, para efetivamente melhorar.
Não dá para avaliar Andrew e Dyogo Alves, que jogaram muito pouco no time.
Laterais: o mercado não oferece mais opções como em 2019, quando repatriamos Rafinha e Filipe Luís. Na direita, não existe comparação de Rafinha com Varela ou Royal, mas dentro de seu teto o uruguaio se tornou uma opção segura, enquanto o "New Rodinei", após um começo bem claudicante, vem melhorando especialmente na parte defensiva, mostrando mais confiança, muita raça e força física. Eu não mexeria nesse setor no momento.
A lateral esquerda me preocupa. Alex Sandro vem perdendo rendimento, mas ainda assim teve seu contrato renovado até o final de 2027. Ayrton Lucas completará 29 anos em junho e vejo com bons olhos o encerramento de seu ciclo no clube, com a reposição por um nome que não deixe o treinador apavorado quando o veterano não jogar.
Miolo de Zaga: é, disparado, o setor melhor servido no elenco na atualidade, com Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo e Vitão. Os três primeiros são nomes já convocados por Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira pelo menos uma vez. Eu não mexeria em nenhuma dessas peças.
Menção honrosa para o menino João Victor, que entrou muito bem no lugar de Léo Ortiz contra o Coritiba, dando indícios de que pode estar superando a insegurança demonstrada ano passado.
Volantes: setor em situação crítica, na minha visão. O único jogador que entrega minutos consistentes é o Cria Evertton Araújo, jogador de técnica limitada, mas que vem evoluindo sob o comando do Calvo, segurando o setor na parte física.
Erik Pulgar, titular voltando de contusão, terá o valor da multa rescisória sensivelmente diminuído neste meio de ano e são fortes os rumores de que pode chegar do exterior uma proposta vantajosa para o jogador. O chileno já tem 32 anos e uma eventual extensão contratual, se é que é cogitada, teria que ser muito bem estudada, quanto ao prazo.
Jorginho Frello, com 34 anos, ainda joga um futebol de primeiríssima linha, porém vem sofrendo com a quantidade de jogos, a qual, arrisco dizer, é maior do que em seus tempos de Arsenal. O italiano precisa de opções confiáveis para que tenha uma minutagem saudável, porém as duas peças que poderiam entrar nessa rotação têm minutagem baixa por problemas físicos.
Nico de La Cruz, uruguaio raçudo e de prateleira técnica e tática altíssima, parece ser um problema crônico nos joelhos, que recomenda intervalos longos entre os jogos, tornando-o uma peça frustrantemente pouco útil.
O espanhol Saúl Ñiguez (pronúncia com linguinha da discórdia) é outro frequentador assíduo do Departamento Médico. Após a cirurgia no tornozelo, o atleta voltou bem abaixo do nível dos demais, porém promete abrir mão das férias para se recondicionar fisicamente.
A dispensa de pelo menos um desses dois e a contratação de alguém que possa de fato revezar com Jorginho é imperiosa. E se Pulgar sair, a reposição precisa ser na mesma prateleira e, ainda por cima, imediata.
Será que o Boto terá agilidade para tanto?
Outra alternativa é oficializar o Paquetá como volante, o que permitiria justamente essa rotação com o Jorginho. Talvez seja por isso que, na coletiva pós-jogo de sábado (vitória sobre o Coritiba), o Calvo falou em trazer um meia para servir de opção a Arrascaeta e Carrascal...
Meias: temos três bons nomes - Paquetá (o polivalente), Arrascaeta e Carrascal. Como ia dizendo no tópico anterior, se o Paquetá for "oficializado" como volante a chegada do terceiro meia fará bastante sentido.
Vale lembrar que Samuel Lino foi muito bem na posição contra o Coritiba. Pode ser uma ideia a ser maturada pelo Calvo.
Ah, eu não negociaria o Carrascal. Acho que o jogador pode colocar a cabeça no lugar e contribuir muito para o time.
Atacantes: vejo o setor em situação crítica, tal como a volância, a começar porque apenas o Pedro é um finalizador nato e eficiante. Contudo, o Queixada desperta dúvidas nos críticos mais criteriosos quanto ao seu desempenho em competições eliminatórias ou jogos mais decisivos. Sua contribuição no sistema de pontos corridos, pela regularidade, é inquestionável.
Na ponta direita, Gonzalo Plata é uma peça que "gera jogo", porém tem uma finalização precária. Sua desenvoltura na mundialmente famosa noite carioca é outro motivo de preocupação.
Luiz Araújo é como um vagalume com a lâmpada queimada. São cada vez mais raros os seus bons momentos. Uma transferência, na minha opinião, seria bem vinda, claro que com reposição melhor e imediata.
Do lado esquerdo, Samuel Lino é um ponta com características de meia, que também "gera muito jogo" e tem finalização precária, apesar dos dois gols no sábado. Inteligente, movimenta-se bem e encontra espaços para passes decisivos e assistências, porém falta a capacidade de decidir nas finalizações.
Cebolinha é uma espécie de "dead man walking". Sua entrevista pós-jogo na perda do título da Recopa Conmebol para o Lanús foi o requiém de sua apenas mediana passagem pelo clube, a despeito do alto investimento e das grandes expectativas. Sua saída parece ser apenas questão de tempo.
Bruno Henrique vem variando entre segundo atacante e centroavante. É um jogador veterano e que tem minutagem controlada. Calvo vem sabendo utilizá-lo bem, mas não é minimamente aceitável que não existam outros jogadores mais jovens no elenco que possam assumir a responsabilidade de decidir jogos importantes, como volta e meia o BH27 ainda faz.
Wallace Yan desperdiçou todas as chances que teve. Uma pena. Sabemos que o talento está lá, mas o Cria infelizmente incinerou o seu filme com a exigente torcida rubro-negra. Sua saída também parece ser apenas questão de tempo.
O fato de não ter havido reposição do subutilizado Juninho, que deveria ter sido a reposição para a saída de ninguém menos que o Gabigol, causa-me um misto de perplexidade e indignação. Que essa lacuna seja suprida nesta janela, pondo fim a um dos mais aburdos erros do nosso Diretor Técnico português José Boto.
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A janela de registros só abrirá na segunda-feira, 20 de julho, e se fechará na sexta-feira, 11 de setembro, só que até as pedras sabem que jogador pode ser contratado e fazer pré-temporada antes de ser registrado (ou do início da janela), né?
Aquela pressão austera, porém saudável sobre o nosso diretor técnico José Boto será muito bem vinda.
Deixo vocês com pergunta que não quer calar: quantas negociações o nosso diretor técnico será capaz de fazer nesse período (20/7 a 11/9)?
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Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.
A palavra está com vocês.
Bom dia e SRN a tod@s.
