Olá, Buteco!
Sigamos com as resenhas, enquanto o Mengão vai treinando no Ninho do Urubu, em preparo para a viagem a Portugal e para a segunda metade desta temporada.
No dia 20, sexta-feira passada, foram disputados todos os jogos da décima sétima rodada da fase classificatória do BR26 Sub-20.
Nossos garotos empataram com o São Paulo em Cotia, num jogo em que o gol do tricolor paulista resultou de um pênalti inventado pelo juiz da partida, porque a falta foi feita fora da área.
O Flamengo empatou com um bonito gol do Josmar, centroavante já escalado para viajar com a delegação que vai a Portugal, mas os demais resultados foram desfavoráveis para o Mengão, que terminou a rodada em décimo, fora do Z8.
Essa situação reforça, a meu ver, a conveniência de dar-se prioridade à preparação para a viagem dos jovens bem avaliados e a colocação, em segundo plano, da disputa pela difícil classificação para o mata-mata do BR26 da categoria.
Como disse Camões n’Os Lusíadas, “cessa tudo quando a antiga musa canta e um valor mais alto se alevanta”.
O valor mais alto, agora, é a grande oportunidade de avaliação e possível integração de garotos ao elenco profissional, sob o comando do treinador Jardim.
Espero que ela seja bem aproveitada pelo Flamengo.
Bap e o balanço do primeiro semestre de 2026
O presidente Bap fez apresentação ao Conselho do Flamengo, prestando contas quanto à situação das finanças e dos projetos do clube no final do primeiro semestre deste ano e informando os conselheiros quanto aos planos para o restante de sua gestão.
O endereço do vídeo completo, produzido pela Flamengo TV, está postado a seguir, mas ainda não consegui vê-lo, por ser muito longo.
https://www.youtube.com/watch?v=JaTjnNlEqCQ
O que consegui ver foram alguns cortes já publicados, nos quais há muitas informações impressionantes sobre o quanto pode ser transformadora a gestão Bap.
A leitura mais superficial que faço é que ele e a equipe devem estar trabalhando muito, porque há ações ousadas e transformadoras em diversos campos.
Penso em tentar produzir um post a respeito, mas corri da raia por enquanto, por ser um trabalho que exige muito tempo e disposição.
Vejo o presidente fazendo um grande trabalho de estruturação do Flamengo, algo que vai muito além do futebol e, melhor ainda, ele parece ter a competência necessária para fazer o que se propõe, a julgar pelo domínio que demonstra quando fala dos desafios com que lida na gestão do clube.
Somos uma Nação com diferentes reações à gestão do Flamengo, mas entendo que temos razões para otimismo no médio e longo prazos.
No curto prazo, temos a pressão permanente por títulos e, como consequência, por evolução constante do elenco.
Há pressão agora e sempre haverá porque, como comentei no post “A Busca da Excelência”, de 04/06/26, a excelência é perecível.
“É relevante considerar que, por ser a excelência perecível, sua busca deve ser uma combinação de atitude e de prática permanente, seja porque os adversários evoluem e nos impõem novas exigências de qualificação, seja porque as qualificações do elenco decaem com o tempo (por exemplo, por envelhecimento ou venda de jogadores importantes e por saída de um treinador vencedor, caso de Jorge Jesus).”
Por estarmos vivendo uma daquelas pausas do futebol de clubes em que o noticiário sobre o Flamengo fica muito contaminado por caça-cliques sobre contratações, fica difícil sabermos o que realmente vem por aí, mas o Bap se mostra tranquilo nas entrevistas em que fala do assunto e parece não ter tanta pressa quanto nós.
O melhor a fazer é esperarmos a realidade da próxima janela, que só será efetivamente aberta em julho.
Minha torcida é para que, ao final dela, nosso elenco tenha subido alguns degraus em qualidade e, se possível, descido alguns em média de idade.
No que diz respeito aos planos de médio e longo prazos, minha maior preocupação é a proposta de reforma do estatuto que o Bap apresentou e que vai tentar aprovar, voltada para a profissionalização da gestão de todo o clube, inclusive do futebol, claro.
Se eu conseguir produzir um post a respeito da apresentação, tentarei me aprofundar mais no tema do estatuto, que considero uma grande casa de marimbondos e que já vem sendo tratado por alguns youtubers rubro-negros.
Mauro Cesar Pereira até entrevistou o Bap a esse respeito, mas ainda não vi a entrevista, que o MCP informou estar no seu blog, no UOL.
Nesse tema, que é bastante desafiador, eu digo: OREMOS!!!
Já que o assunto é Copa do Mundo...
Já contei isso aqui, mas, em tempos de falta de assunto, vou apelar para um replay, porque alguns de vocês não devem ter visto um rap que fiz há vinte anos.
Hoje em dia, numa gentileza do Rocco e do Gustavo, escrevo no Buteco, mas antigamente eu enchia o saco dos meus amigos escrevendo e-mails sobre futebol.
Poucos dias antes da copa de 2006, “baixaram em mim” alguns versos em forma de rap. Foi uma espécie de download, numa viagem de metrô.
Aí, eu mandei para os amigos uma profecia, num tempo distante em que o Brasil ainda chegava às copas como favorito.
Direto do túnel do tempo, segue o texto de 2006, finalizado com o rap “Esse tal de hexa”:
Agora, vou fazer minha profecia (tomara que eu seja um péssimo vidente): Essa Copa tá me cheirando a 66 e a 82.
Em 66, a gente só foi lá buscar a taça, o time tinha um monte de craques e éramos tão favoritos quanto agora. Voltamos na primeira fase.
Em 82, era um tal de voa, canarinho, voa, mostra pra essa gente que eu sou rei, éramos favoritos e voltamos pra casa muito mais cedo do que esperávamos e do que seria justo.
Agora, a situação é parecida. Temos um plantel muito bom, mas o clima de já ganhou tá no ar.
Com 66, temos, também, uma semelhança muito preocupante.
Como a Copa “estava ganha” e só estávamos indo lá porque era preciso fazer isto para buscarmos a taça, levamos alguns medalhões que já não jogavam a mesma bola, mas não podiam ficar de fora da festa.
Um Garrincha decadente não deixou vaga para o jovem Jairzinho que, em setenta, seria o Furacão da Copa. Djalma Santos, em final de carreira, foi à Inglaterra, enquanto Carlos Alberto Torres, no auge da forma, foi cortado e nem viajou. Bellini, capitão de 58, foi lá para erguer a taça, acompanhado de Orlando, seu parceiro de zaga na Suécia. Ganhamos uma, perdemos duas e voltamos pra casa.
Agora, numa atitude que, para mim, é uma repetição do erro de 66, estamos apostando que os campeões de 2002 conseguirão chegar bem à Alemanha. A meu ver, há risco nisso. Cafu e Roberto Carlos estão mal e não há por que imaginarmos que estarão ótimos na Copa. No Ronaldo, eu ainda aposto umas fichas, mas não muitas, porque está jogando pouco.
Além disso, o Emerson virou titular intocável, o que, para mim, significa uma escolha equivocada (eu não gostava do futebol dele).
Por tudo isso, até comecei a fazer um rap, que envio a vocês em estado bruto, sem retoques e sem acabamento, do jeito que me veio à mente, durante uma viagem de metrô. Tomara que eu seja um vidente bem caolho.
Diz assim:
ESSE TAL DE HEXA
Não sei se é um novo tempo ou um retrocesso,
Não sei se é um certo enjoo do sucesso,
Mas não sei, não...
Quando vejo, na TV, os nossos craques
Anunciando os mais diversos badulaques,
Me dá uma sensação de “deja vu” (lê-se dejá vi)
De que esse filme eu já vi
Em meia-meia e em oitenta e dois
A gente só foi lá buscar a taça,
Jogar, um passatempo. O tempo passa,
Mas a lembrança da tristeza, não
Brasil, o mais bonito, o mais dotado,
Mas jogo só se ganha no gramado
Não nos anúncios da televisão
Timaço, a gente tinha e tem agora
Mas tanta festa assim, antes da hora,
Me faz lembrar de outros “carnavais”
Jogar, só pra cumprir os rituais,
Ninguém ia fazer o papelão
De nos tirar das marchas campeãs
Mas uma tal de Hungria, na Inglaterra
E aquele Paolo Rossi, que não erra,
Tornaram nossas festas coisas vãs.
Sei não, mas acho bom ficar esperto,
Vitória antes da hora é furo certo,
Melhor ficar ligado, na Europa
Ganhar a gente pode, isto é verdade
Mas vamos de sandálias da humildade,
Senão a gente dança, nesta Copa.
Vivemos outros tempos.
Diferentemente de 2006, o nosso elenco está longe de ser o melhor da Copa de 2026 e, pra piorar, não tem mostrado bom padrão tático e bom entrosamento, dependendo demais, até agora, da inspiração do cria Vini Jr., decisivo nas duas primeiras partidas da nossa seleção no grupo C, que será concluído hoje.
Pouco antes do início do jogo contra o Haiti, previ que o Brasil faria um primeiro tempo ruim e que, no segundo, no desespero, Carleto faria substituições mais ousadas.
Deu-se o inverso: no primeiro tempo, a seleção jogou bem e fez 3 a 0; no segundo, reduziu muito o ritmo e empatou em 0 a 0. Com o Haiti!!! Uma inegável baba!!!
Então, não vou fazer previsões, mas a classificação para a próxima fase é provável, porque o modelo atual da copa classifica trinta e duas das quarenta e oito seleções participantes.
Consequentemente, o Brasil do Carleto só não se classificará se conseguir ser uma das dezesseis piores seleções da copa.
Não curto o futebol da seleção atual, mas acho difícil que ela chegue a esse ponto.
No que diz respeito aos nossos jogadores, isso significa que Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Paquetá devem demorar a voltar e não sei como o clube lidará com eles, quanto à reposição de férias pendentes.
No caso dos jogadores Varela, De La Cruz, Arrascaeta e Plata, cujas seleções podem não passar para a próxima fase, o William Godoy informou que, se isso acontecer, eles entrarão em férias imediatamente e só se apresentarão para treinamentos após o período de descanso que lhes for concedido.
Lamentando, Resmungando e Elogiando
Enquanto França e Senegal estreavam na Copa do Mundo, a ESPN teve a boa ideia de reprisar o jogo Flamengo 3, Cuzco 0, pela última rodada da fase de grupos da Liberta 2026.
Aliviou minha crise de abstinência de Mengão e me permitiu enxergar coisas que não tinha visto na noite do jogo.
Daí que me ocorreu esse capítulo do post, todo inspirado pelo jogo Flamengo e Cuzco.
Lamentando: É pena que, por aparente falta de motivação de um e por falta de boas condições físicas do outro, o Flamengo não consiga aproveitar bem o futebol de LA e Nico.
Não fossem essas limitações, seriam dois jogadores capazes de contribuir muito. Um elenco forte precisa de bons reservas e, em boas condições, eles seriam, no mínimo, ótimos reservas.
Nesse sentido, houve algum acerto nas apostas feitas nos dois jogadores. Em teoria, poderiam ajudar muito mais. Na prática...
Consta que Luiz Araújo deve sair, porque a proposta de divórcio é antiga e a vontade do jogador parece irreversível.
Nico fez uma tentativa de tratamento inovador no início da temporada, no Uruguai, e eu o vejo mais desenvolto em campo. Será que há alguma esperança de solução?
Resmungando: Fazer a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores garante decidirmos em casa nos mata-matas, mas seria justo que o cruzamento das oitavas fosse feito com o pior segundo colocado.
Como não somos bons de sorteio, pegamos logo o Cruzeiro, um dos mais fortes adversários do pote 2, talvez o mais forte.
A sorte vive colocando montanhas mais altas pra gente subir do que as dos nossos concorrentes.
Elogiando: Gosto da flexibilidade com que o treinador Jardim vê o futebol de cada jogador. Lino já foi posicionado em diferentes lugares do ataque e joga com muita liberdade de movimentos. De La Cruz não é visto apenas como volante. Paquetá também não. E isso é feito com naturalidade, sem qualquer “solenidade”. Simplesmente ele dá funções diferente aos jogadores em determinado momento do jogo, eles rendem bem e c’est fini.
Se alguém quiser seguir o meu exemplo, fique à vontade para lamentar, resmungar ou elogiar.
Saudações Rubro-Negras!!!
Carlos César Ribeiro Batista