quinta-feira, 28 de maio de 2026

Coluna do Carlos César: Como Será o Amanhã

 


Olá, Buteco!



Passada a estranha partida contra o Cuzco, em que, depois de um primeiro tempo tenebroso, o Flamengo fez 3 a 0 e reafirmou sua liderança e uma das melhores campanhas da fase de grupos da Libertadores 2026, nosso foco se volta mais uma vez para o Brasileirão, competição em que o Mengão está, pelo menos por enquanto, numa corda-bamba, por força do resultado ruim do jogo contra o líder Palmeiras.

Faço hoje algumas reflexões sobre nossa situação no campeonato, sobre o jogo de sábado passado e sobre contextos relacionados a isso tudo.

Comecemos pelo fim.


O sonho da volta de Jorge Jesus

Na fantasia da Nação Rubro-Negra, o único treinador “perfeito” para o Flamengo é um senhor que acabou de ganhar o campeonato saudita e vai passar uns dias de férias no Rio.

Escrevo “perfeito” entre aspas porque ninguém sabe que desempenho o Mister teria se voltasse a dirigir o time do Flamengo em algum momento.

É fato que, se chegasse inspirado nesse “algum momento”, o Véio poderia ser um upgrade em relação à grande maioria dos treinadores de futebol do planeta, só que, como não acredito em demissão do Jardim nesta temporada, é melhor tratarmos da nossa resenha.



A marcha da diferença entre Palmeiras e Flamengo no Brasileirão 26

No comparativo entre os dois principais rivais do futebol brasileiro da última década, o Palmeiras esteve à frente do Flamengo em todas as rodadas já realizadas do Brasileirão 2026, primeiro por força do mau começo do time sob o comando do Filipe Luís, mas depois, também por tropeços da equipe sob a orientação do Leonardo Jardim.


Diferença de pontos a favor do Palmeiras a cada rodada:

Rodada 1 – 1 ponto - Filipe

Rodada 2 – 3 pontos - Filipe

Rodada 3 – 3 pontos - Filipe

Rodada 4 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 5 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 6 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 7 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 8 – 5 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 9 – 8 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 10 – 8 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 11 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 12 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 13 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 14 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 15 – 4 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 16 – 4 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 17 – 7 pontos (Flamengo com um jogo a menos)



Reparem que, já sob o comando do Calvo, o Flamengo teve o seu pior momento na competição, na sequência das rodadas 8 e 9 (empate com o Corinthians e derrota para o Bragantino). Nelas, o Palmeiras ampliou sua vantagem para oito pontos.

Na rodada 11, o Flamengo recuperou dois pontos, vencendo o Fluminense, enquanto o Palmeiras empatou com o Corinthians.

E na rodada 15, houve mais uma recuperação de dois pontos, com vitória sobre o Grêmio, enquanto o Palmeiras empatou com o Remo.

Aí, veio o jogo de sábado passado, o Mengão escorregou três degraus e, ficando a sete pontos do líder, chegou perto da diferença máxima vivida nas rodadas 8 e 9.

Ainda teremos uma rodada antes da pausa para a Copa do Mundo e o Palmeiras tem vantagem teórica, porque jogará contra a Chapecoense, lanterna do campeonato, enquanto o Flamengo enfrentará, sem nove jogadores convocados, o Coritiba, sexto colocado e um dos visitantes mais enjoados da competição.

Por mais que não queiramos, corremos o risco de um aumento da diferença.

O Hiago ponderou, no domingo passado: “Senhores, o campeonato não acabou, boa pausa de copa para todos nós.”

Enquanto acompanhei o debate, ganhou três likes, um dislike e, mais tarde, uma contestação do Fábio81.

Embora reconheça que o desafio do Flamengo ficou maior, lá vou eu candidatar-me a dislikes, porque também estou nessa vibe.

Afinal, antes do jogo de sábado, vivíamos um clima de #ForaAbel.

Depois do jogo e nos dias que se seguiram, a biruta do aeroporto virou e apontou para #ForaJardim.

Como não existe bola de cristal confiável, o que a gente pode fazer é tentar analisar os contextos e, a partir disso, especular sobre possibilidades.

No final da rodada 9, o Flamengo ficou a oito pontos do Palmeiras (cinco, se imaginarmos vitória sobre o Mirassol no jogo atrasado) e só no final da rodada 15, seis rodadas depois, reduziu a diferença para quatro pontos (ou apenas um, se vencermos o Mirassol).

Gastou, portanto, seis rodadas para descontar quatro pontos.

Agora, se vencer o Coritiba e o Palmeiras vencer a Chape, terá vinte rodadas (um ciclo de seis e dois ciclos de sete rodadas) para tentar descontar sete pontos e fazer mais um para ganhar o título.

É pedreira, mas, como disse o Hiago, o campeonato não acabou.

Esse exercício é apenas numérico e eu sou cauteloso com projeções estritamente numéricas em campeonatos de futebol.

Prefiro, para essas projeções, as análises que o Leandro faz nos checkpoints, porque elas são quantitativas e qualitativas.

Arrisco dizer porém que, apesar da vantagem do Palmeiras ser respeitável, há muita coisa em aberto no campeonato, porque o suíno não tem jogado um grande futebol e foi premiado com essa vantagem num jogo completamente anormal, transformado a seu favor a partir do lance do Carrascal e da consequente escolha tática um tanto kamikaze do treinador Leonardo Jardim.

Faço aqui mais um exercício numérico, o de aproveitamento dos treinadores, excluindo a partida de sábado para não contaminar a análise com a inclusão de um jogo muito atípico.

Nos 16 jogos anteriores que fez no Brasileirão, todos com Abel, o Palmeiras conquistou 35 pontos e o ótimo aproveitamento de 72,9%.

Nos 12 jogos anteriores que fez no Brasileirão sob o comando do Calvo, o Flamengo conquistou 27 pontos e o também ótimo aproveitamento de 75%.

Portanto, a depender das muitas coisas que estão em aberto nas rodadas restantes, ainda acho viável o Flamengo descontar os pontos que o separam do Palmeiras e conquistar um ponto a mais na reta final, mesmo que ao final da décima oitava rodada, a de sábado e domingo próximos, a diferença venha a aumentar.

Falemos, então, do jogo de erros rubro-negros de sábado passado.


Flamengo 0, Palmeiras 3 – Erros e Reflexões Finais

No post de segunda-feira, o Gustavo distribuiu, com muita razão, bronca e cobrança pra todo mundo.

Permito-me, hoje, tentar qualificar e atribuir peso aos erros rubro-negros apontados.

Em termos qualitativos, creio que podemos considerar que existem erros estruturais e erros circunstanciais.


O erro da direção do Flamengo

Começo com o erro da direção do clube, apontado pelo Gustavo e claramente estrutural:

Está sendo currada pela presidente do Palmeiras nos bastidores, seja em sorteios (CBF e Conmebol), seja em arbitragens (CBF), neste último caso dentro das quatro linhas (decisões dos árbitros) e também fora delas, nas designações e no VAR. A designação de Davi de Oliveira Lacerda para apitar o jogo de sábado é prova da pasmaceira passiva que vigora hoje em nossa representação externa.” 



Não é fácil neutralizar o efeito do poder palmeirense e paulista nos bastidores (vamos ter que conviver com isso por muito tempo), mas há um grande trabalho a ser feito nesse campo, porque o Flamengo tem uma desvantagem competitiva estrutural que pode decidir competições (vale para BR, CB e LA).

Reparem que, no ano passado, o Palmeiras só passou a enfrentar um freio no favorecimento quando um clube paulista foi absurdamente prejudicado, o São Paulo, num jogo que foi o divisor de águas do Brasileirão 2025.

Ali a mídia paulista se inflamou, o juiz foi temporariamente suspenso e o pacote “reação rubro-negra e declínio palmeirense” permitiu que o Mengão conquistasse o título.


Carrascal

O erro da direção do clube tem peso grande e duradouro, mas o do Carrascal foi o mais decisivo no jogo de sábado passado.

Ele simplesmente mudou a história da partida, roubando forças do Flamengo e criando a necessidade de uma decisão do nosso treinador que, por ser errada, agravou a situação do time.

Quando um erro circunstancial começa a se repetir seguidamente, entra numa zona cinzenta e acaba virando estrutural.

As expulsões do Carrascal já se tornaram estruturais, pela repetição em jogos importantes.

Eu o via como uma boa opção para a ponta esquerda, mas agora entrei no time dos que desejam que se cumpra a vontade dele de deixar o clube, anunciada nesta semana.


Rossi

Mais um jogador em que a repetição de falhas o aproxima da zona dos erros estruturais.

Vejo aí, como pano de fundo, um erro estrutural histórico da direção do clube, já que há muitos anos o Flamengo não tem um goleiro top e não tem goleiros reservas em que nossos treinadores consigam confiar.

Se a direção do Flamengo não acha isso relevante, é bom começar a achar.

Não é de hoje que o Palmeiras, nosso principal rival no Brasil e na América do Sul, tem goleiros melhores do que os rubro-negros.

No jogo de sábado, Carlos Miguel fez três grandes defesas, que impediram que o Flamengo começasse o jogo em vantagem.

Rossi, ao contrário, não fez nenhuma grande defesa e ainda falhou em dois gols, sepultando nossas chances de empate.

Andrew, o goleiro em que Leonardo Jardim nunca conseguiu demonstrar confiança (deve ter seus motivos), jogou contra o Cuzco e, quando o jogo ainda estava 0 a 0, fez uma grande defesa que, na fase atual, não sei se o Rossi faria.

Para ser justo, Andrew também borboleteou no único cruzamento alto sobre a nossa área.

Portanto, não sabemos o que esperar do nosso atual goleiro reserva e tememos o que podemos esperar do titular.


A “perdência” de gols

A síndrome de perder gols é tão forte no Flamengo que resolvi inventar uma palavra para sintetizá-la.

No jogo de sábado, o “protagonista” foi o Paquetá, devidamente advertido pelo Gustavo, já que se trata de um reincidente em partidas importantes contra o Palmeiras, mas o problema vai bem mais longe.

No jogo contra o Cuzco, uma das causas me pareceu evidente: o preciosismo com que os jogadores do Flamengo tentam chegar ao gol.

É toquinho pra cá, toquinho pra lá e ninguém chuta.

Afora isso, falta pé na forma, também.

Quando aparece a chance de bater das proximidades da área, é grande a chance da bola ir pelos ares.

Não é Luiz Araújo, Lino, Jorginho, Paquetá, Royal?

Há também um pouco de falta de sorte, em bolas que batem na trave (EA) ou como naquela que o Nico chutou, passou pelo goleiro e resvalou na canela do zagueiro, entre as pernas dele, e foi pra linha de fundo.

Não sei como se pode resolver essa síndrome, mas imagino que treinos específicos e menos preciosismo devem ajudar.



Leonardo Jardim

Jardim fica na fronteira entre o estrutural e o circunstancial porque, embora a necessidade de uma grande decisão tática tenha sido circunstancial, consequência da expulsão do Carrascal, LJ parece não conseguir deixar de priorizar o ataque, mesmo quando o jogo recomenda uma estratégia mais cautelosa.

Este é, a meu ver, o ponto crítico que começa a reforçar, na Nação Rubro-Negra, uma dúvida sobre o trabalho do Jardim.

Faço aqui uma distinção.

Uma coisa é errar na escolha de uma estratégia de jogo, algo que acontece com qualquer treinador, inclusive com os bons.

Outra coisa é ficar preso a uma estratégia e não conseguir adotar outra, quando o jogo pede mudança de modelo.

Como ainda não me convenci de que Leonardo Jardim é incapaz de mudar seu modelo, dou a ele o benefício da dúvida e classifico o erro de sábado como circunstancial.

Certo é que, tendo sido vitimado pela expulsão que desmontou a escalação construtora e mais sólida do início do jogo, Jardim optou por mudanças que ofereceram os espaços entre linhas que o Palmeiras gosta de encontrar nos seus adversários.

Sem passar pano para o Rossi (“cada um com seu cada qual”), o segundo e o terceiro gol do Palmeiras nasceram de transições rápidas que encontraram nossa última linha no mano a mano e isso foi favorecido pela escolha estratégica do Calvo a partir da expulsão.

Crítica feita, faço uma ponderação; não acho que, habitualmente, LJ mexe mal no time (mexeu muito bem contra o Estudiantes, por exemplo).

Acho que ele fez uma escolha estratégica errada, ao tentar aumentar a presença no ataque, numa situação em que jogar com cautela era recomendável.

Por causa disso, muitos consideram que o Flamengo está embarcado numa canoa furada, mas acho cedo para cravar isso.

Abel Ferreira, agora liderando com folga o Brasileirão e com o cartaz de ter vencido o principal rival no Maracanã, chegou ao confronto de sábado sob forte pressão da torcida suína e não duvido que parte dela ainda o critique com veemência.

Aí, graças à arbitragem ruim, à atitude inconsequente do Carrascal e a algumas falhas rubro-negras decisivas, entrou no modo alívio e voltou pra São Paulo com três pontos preciosos.

Nossa vaca deu uns passinhos em direção ao brejo, mas ainda pode mudar de rumo, a depender das muitas coisas que irão acontecer entre primeiro de junho e vinte e dois de julho, data em que está previsto que o Flamengo voltará a jogar pelo Brasileirão.

Entre essas muitas coisas, até a volta do Véio, hipótese em relação à qual fico em cima do muro: não acredito, mas não a descarto totalmente. Nunca se sabe...


Saudações Rubro-Negras!!!!!

Carlos César Ribeiro Batista