Salve, Buteco! Bem, eu estou bastante frustrado com o nosso treinador, para dizer o mínimo. Não confundam com pedido de demissão ou algo do tipo "se não for campeão da Recopa e do Carioca é rua". Particularmente, acho que, se o Flamengo trocar de treinador agora, antes da parada do meio do ano para a Copa do Mundo, tende a se enrolar muito. Então, eu só avaliaria essa possibilidade no meio do ano, que fique muito claro.
Pensar dessa maneira não me impede de apontar decisões no mínimo infelizes tomadas justamente nas duas decisões disputadas nesse ano, a começar pela final da Supercopa do Brasil, contra o Corinthians, no dia 1º de fevereiro, em Brasília, e na última quinta-feira, no jogo de ida da final da Recopa Sul-Americana, contra o Lanús, na Argentina.
No jogo de Brasília, não vi simplesmente ninguém defendendo, justificando ou mesmo tentando explicar o porquê de ele ter "invertido" o time e não ter escalado ninguém na ponta esquerda, especialmente o Cebolinha, nosso melhor atacante até aqui na temporada. O setor esquerdo com Alex Sandro e Carrascal ficou no mínimo "rombudo".
Contra o Lanús, o nosso treinador resolveu homenagear os devaneios do ex-treinador da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, que "previa" um futebol sem centroavante, e escalou uma espécie de 4-5-0. Até que Parreira não estava errado, se pensarmos nos esquemas táticos com "falso 9"; mas geralmente ninguém deixa no banco um centroavante do quilate do Pedro, se não há outro finalizador da mesma qualidade no elenco.
Os "arrascaetetes" vão ponderar que o nosso ídolo uruguaio estava em campo e eu serei forçado a discordar. Arrascaeta não entrou em campo. O que vimos foi um efeito de inteligência artificial aplicado na transmissão da ESPN (ninguém revelou ainda, mas eu estou contando pra vocês).
Carrascal já jogou como "falso 9" na Rússia, Paquetá já jogou de centroavante no Flamengo e o próprio Arrascaeta já jogou assim até com o Mister Jorge Jesus, embora não seja a regra quando veste o Manto Sagrado. Nenhum deles, porém, era alternativa justificável para Pedro começar no banco de reservas.
O encurtamento da pré-temporada é um fato, assim como os seus efeitos deletérios no preparo físico do elenco, além do ritmo de jogo. Se considerarmos ainda que o sistema de jogo de SuperFili envolve mecanismos e movimentos que exigem muita intensidade para pressionar o adversário, é até certo ponto compreensível o começo claudicante do time.
Até certo ponto...
Voltemos a 2023, o fantasma que vem assustando um monte de gente, considerando as desconfortáveis semelhanças com o tenebroso início de temporada em 2026. No dia 9 de abril o Flamengo passou um dos maiores vexames da sua História deixando escoar pelos dedos o título carioca, após abrir uma vantagem de 2 gols na ida e tomar uma goleada de 1x4 para o Fluminense na finalíssima.
Vitor Pereira só viria a ter sua demissão anunciada no dia 13 e Jorge Sampaoli foi anunciado no dia seguinte, 14 de abril. Sua estreia se deu na vitória por 2x0 sobre o Ñublense, no Maracanã, pela Libertadores, no dia 19. 7 jogos e quase um mês depois, no dia 16 de maio um Flamengo completamente transformado em relação ao da finalíssima do Campeonato Carioca sufocou o Fluminense, futuro campeão da Libertadores, e, amplamente superior, terminou o 0x0 com um gostinho de que deixou escapar a oportunidade de abrir vantagem nas oitavas de final da Copa do Brasil.
Sampaoli não teve tempo, pré-temporada, mini pré-temporada, coisa alguma. Precisou pegar o touro na unha e seu tresloucado preparador físico, que viria meses depois protagonizar um dos mais lamentáveis episódios da História do clube ao esmurrar Pedro no vestiário do Estádio Independência, em Belo Horizonte (logo após a vitória por 2x1 sobre o Atlético), botou o elenco em forma entre os jogos disputados contra Ñublense, Internacional, Maringá, Botafogo, Racing, Athletico/PR, Goiás e Bahia.
Então, solução para o problema físico e para o encurtamento da pré-temporada existe, é preciso admitir. Já tem um tempinho que o Flamengo vem jogando e está mais do que na hora de enxergarmos avanços concretos tanto na parte física, como nas outras, a tática e a técnica. Por sinal, como o Flamengo vem cometendo erros técnicos, especialmente de passe, não é mesmo?
Então, o que espero do nosso treinador é que, na quinta-feira, não invente moda e faça o simples, de modo a extrair dessa equipe, que ele tão bem montou, o futebol de qualidade que sabe jogar. O time de 2025 tinha problemas que parecem ter se acentuado em 2026. É hora de mudar o rumo dessa prosa.
| Lembranças da minha infância |
***
A vocês, que estão doidos para trocar de técnico, proponho um exercício. Abram o link para a lista de treinadores disponíveis no site Transfermarkt e me digam quem vocês acham que seria uma boa alternativa para substituir SuperFili, no caso de eventual saída.
Vamos lá, não me venham com desculpas ou nhemnhemnhem. Quem acha que o Filipe não serve tem que apontar uma solução viável entre as opções possíveis. Cornetar saída sem apontar solução é fácil.
Acredito que o exercício será bastante produtivo até porque, no final das contas, a gente sabe como as coisas funcionam no Flamengo. Treinador inviabilizado (por sua culpa, do elenco ou do clube) cai. Isso é fato, gostemos ou não.
A coisa anda tão feia que a gente não sabe como será o amanhã.
***
A torcida do Flamengo sempre cobrou. Exageros à parte, nunca foi acomodada e nem aceitou acomodação. Só tem um detalhe: críticas e vaias não deveriam atingir apenas o treinador. Tem muito jogador nesse elenco merecendo um calor.
***
Esse texto foi escrito durante o primeiro tempo de Madureira x Flamengo, disputado ontem à noite no Maracanã. Quando terminava essas mal-traçadas linhas, eram 43 minutos e o 0x0 ameaçava tirar o pouco de paciência que a torcida ainda possuía.
Quem quiser, fique a vontade para comentar o jogo.
Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.
A palavra está com vocês.
Bom dia e SRN a tod@s.


