quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Morde e Assopra

 

Salve, Buteco! O texto de hoje é um contraponto ao de segunda-feira. Fui duro com SuperFili, muito embora eu ache que ele mereceu. Só que é possível observar qualquer fato da vida de vários ângulos diferentes e o de hoje, no melhor estilo "morde e assopra", é o do olhar fora da caixa e da contextualização histórica dos treinadores do Clube de Regatas do Flamengo.

Circulou ontem no Twitter um trabalho do rubro-negro Pablo dos Anjos (@PabloWSC) comparando, em números globais e tendo por referência a marca de 100 jogos consecutivos, a trajetória do nosso atual treinador com treinadores rubro-negros do passado:

Então, sob esse ângulo, o da História, especialmente aquela que foi escrita dos anos noventa até os dias de hoje, os números de Filipe Luís Kasmirski no Flamengo são absolutamente sensacionais. O Mister de Coque, efetivamente, está fazendo História.

No passado recente simplesmente não há qualquer referência remotamente semelhante. Quem poderia ter atingido e superado essa marca foi o Mister Jorge Jesus, mas todos nos lembramos da pandemia e de como o Velho resolveu nos deixar abruptamente.

É muito difícil dirigir o Flamengo por tantos jogos consecutivos. Muito mesmo. Filipe Luís é diferente, fora da curva, porém vive um momento de crise, inédito na sua trajetória que se iniciou no final de setembro/2024.

A inevitável pergunta é: há como dar a volta na crise e reverter o quadro atual?

Li atentamente várias análises feitas nos comentários ao post da última segunda-feira, envolvendo duplo pivot, engessamento do time e má-fase de jogadores, entre outros, mas confesso a vocês que não acho que a raiz do problema será encontrada em minúcias e detalhes.

Peço que leiam novamente os nomes dos treinadores mais longevos da História do Flamengo e que se lembrem dos nomes que passaram pelo clube a partir da reestruturação, tomando como marco o ano de 2016. Muita gente de nome, alguns com passagens em Copas do Mundo e/ou seleções, outros com um currículo invejável de títulos.

Mano Menezes, Muricy Ramalho, Reinaldo Rueda, Abel Braga, Dorival Júnior, Abel Braga, Renato Gaúcho, Vítor Pereira, Jorge Sampaoli e Tite. Pode-se gostar ou não de muitos desses nomes, mas currículo é o que não falta para cada um deles.

O único treinador que dirigiu o Flamengo, neste Século XXI, do qual se pode dizer que desenvolveu um trabalho tático superior ao de Filipe Luís foi Jorge Jesus.

Não é fácil treinar o Flamengo e não é fácil o Flamengo encontrar bom treinador. Não sou eu, mas os fatos, os números e a História que o dizem.

O trabalho do nosso já histórico treinador, que completará a incrível marca de 100 jogos consecutivos no comando do Flamengo na próxima quinta-feira, logo na finalíssima da Recopa Sul-Americana, terá um teste de fogo no Maracanã lotado.

Todavia, tudo na vida é contexto e eu preciso dizer que simplesmente não conheço um treinador sequer, nas três Américas, que tenha desenvolvido um trabalho que possa ser colocado taticamente no nível do que fizeram há alguns anos Pep Guardiola e Jürgen Klopp, e que atualmente fazem Luis Enrique e Vincent Kompany.

Não há de se exigir o mesmo de Filipe Luís. A América do Sul ainda não atingiu esse patamar. Nem mesmo a respeitabilíssima escola argentina de treinadores, o que não quer dizer que o Mister de Coque não deva ser cobrado, é claro. A gente só precisa contextualizar tudo de maneira justa.

SuperFili precisa, primeiro, fazer o time recuperar a capacidade de competir o jogo todo. Num segundo momento, precisará encontrar uma maneira do time conseguir ser mais efetivo no ataque sem perder a consistência defensiva. Para tanto, os seus mecanismos ofensivos precisarão de mais fluidez. O problema, sistêmico, existe.

Paralelamente a esse problema, porém, existe outro: há muitos jogadores em má-fase, o que não pode ser atribuído exclusivamente ao esquema tático e ao sistema de jogo do treinador, mas a outros fatores, como esbórnia (férias), insatisfações, etc.

E como se isso já não fosse suficiente, ainda há jogadores que talvez estejam próximos de "completar o ciclo" no Flamengo, seja por idade, seja por exaurimento mesmo. Um certo equatoriano, por exemplo...

Sim, não é absurdo cogitar uma reformulação e é bem fácil constatar a dificuldade para qualquer treinador aprimorar um time num cenário como esse.

Apesar disso tudo, estou tomando de uma estranha confiança. Não a ponto de vaticinar o que ocorrerá mais adiante, mas pensando apenas no amanhã, quinta-feira, 26 de fevereiro, eu acredito que o Flamengo se sagrará (bi) campeão da Recopa Sul-Americana.

Quem viver, verá.

Nos veremos amanhã, no Esquenta.

Tenham uma boa quarta-feira.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.