O Flamengo em Lanús foi um exercício de masoquismo, uma crônica da passividade anunciada desde os primeiros toques na bola. O Rossi começou espalmando "estranho", naquele estilo que deixa o coração do rubro-negro mais apertado que o terno de um cronista do século passado. Esse flerte com o perigo ditou o tom do primeiro tempo, expondo uma saída de bola bizarramente errada e um buraco na lateral esquerda que parecia uma avenida iluminada. Ali, o Alex Sandro, sem a ajuda do Cebolinha na recomposição, sofreu, penou e sangrou, vendo o adversário passar e fazer o que queria por aquele setor.
Enquanto a defesa batia cabeça, o meio-campo, recheado de nomes que deveriam dar aula de bola, jogou com a alma castrada. O Carrascal até sofreu falta e o primeiro passe entre linhas apareceu, mas a objetividade ficou no Galeão. O reflexo dessa letargia veio com o Cebolinha, que teve a chance da vida e chutou no meio do gol, como quem pede desculpas por estar ali. O contra-ataque imediato só não virou tragédia porque o Léo Pereira resolveu trabalhar por três em uma cobertura milagrosa.
Na segunda etapa, a entrada do Lino até mudou o cenário por alguns minutos, dando a falsa impressão de que o lado esquerdo ganharia vida. Contudo, a posse de bola seguiu estéril e o "faro de gol" do nosso ataque continuou sendo uma lenda urbana. A verdade é que o time simplesmente faleceu em campo, deixando o Lanús alugar nossa área e transformar o jogo num cabaré, com o Flamengo de "bumbum no azulejo" apenas assistindo ao domínio argentino.
Essa impotência gera um "déjà-vu" amargo: o time de hoje poderia muito bem ser aquele Flamengo contra o Peñarol na despedida do Tite. A mesma letargia e o mesmo vazio. Agora, a pressão que se acumula não é apenas pelas derrotas, mas pelo desempenho nulo. É o peso sufocante de ver um elenco estelar produzir um futebol de deserto, sem qualquer sinal de reação ou criatividade.
A conclusão é ácida: o placar de 1 a 0 foi um prêmio, pois os dois gols anulados pela arbitragem salvaram o que seria uma tragédia histórica. Terminar a partida com o Pedro isolado, recebendo cruzamento torto da intermediária, é a prova de que a inspiração foi para o vinagre. Filipe Luís nunca esteve em tamanha pressão como a que terá nos próximos seis dias. O encanto da prancheta acabou e o que resta é saber qual a marca da panela que está no fogo: se for Tramontina, o corte será preciso; se for Rochedo, o estouro é certo. O fato é que o fogo já está alto demais para quem não tem mais margem para errar.