quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Projeto Esportivo e Reforços

 

Salve, Buteco! Na última segunda-feira, escrevi sobre o Flamengo ser o maior clube não europeu do mundo. Num dos sempre relevantes comentários que vocês fazem, o amigo e conterrâneo Oliveira DF lembrou que o Flamengo é mesmo o maior, porém não é o mais rico do mundo, apontando o Mundo Árabe como um importante concorrente no quesito dinheiro.

Pura verdade.

No post Formatos: Treinador, Diretor Técnico e o Vencer, Vencer, Vencer, publicado em 25 de fevereiro desse ano, utilizei uma metáfora, digamos, "biológica", comparando o Mais Querido a um "predador intermediário", enquanto os gigantes europeus e os mais endinheirados do Mundo Árabe seriam os "superpredadores" ou "apex predators" do mundo do futebol.

Defendi, na ocasião, que gosto do "modelo treinador e diretor técnico", na medida em que a existência de um projeto esportivo poderia não só diminuir a frequência com que o Flamengo troca seus treinadores, como também facilitar a sucessão, por exemplo, quando um dos "apex predators" do mundo do futebol abocanhassem o nosso treinador da ocasião.

Não que seja simples. Se o presidente errar na escolha do diretor técnico ou se o diretor técnico errar na escolha do nome, uma temporada pode ir para o ralo, mas talvez, quem sabe, algo assim possa não acontecer ou a recuperação, na temporada seguinte, possa ocorrer rapidamente se existir o tal projeto esportivo e, portanto, um trabalho perene a ser continuado pelo treinador seguinte.

O tema é bastante rico e tem vários ângulos, mas o que eu gostaria de destacar hoje não é o treinador ou mesmo o diretor técnico, mas como o modelo do projeto esportivo pode amenizar o fato de o Flamengo ser apenas um predador intermediário no ecossistema mundial futebolístico e ajudar a formar elencos competitivos.

É só pararmos para pensar em 2019 e até compararmos aquele time titular com o de 2025. 

Será que o Flamengo conseguiria, hoje, contratar um jogador do nível do Arrascaeta ou do Pedro, que chegou em 2020? Será que conseguiríamos encontrar laterais do nível de Rafinha e Filipe Luís, nosso atual treinador?

Com a ascensão do Mundo Árabe ao posto de superpredador, como apontado pelo amigo e conterrâneo Oliveira DF, jogadores dessa prateleira se tornaram mais escassos para o alcance do Flamengo bilionário, não só porque o futebol de hoje, por exemplo, não produz mais laterais com todo aquele talento, mas principalmente porque, no caso de atacantes, ou "meias-atacantes" (lembrem-se que os meias armadores ofensivos estão em extinção), os preços se tornaram exorbitantes.

O Flamengo ainda consegue alcançar jogadores com o talento do Carrascal, mas todos sabemos que as expectativas de que se torne um Arrascaeta devem ser contidas, até para que a passagem do atleta pelo clube não se torne frustrante.

E como achar um centroavante do nível do Pedro? Tanto no caso do uruguaio, como no do queixudo camisa 9 circunstâncias bem peculiares os afastaram do mercado europeu. Ocorre que essas peculiaridades passam longe do talento, ou seja, quem tem talento no patamar desses dois está na Europa ou nos mais altos escalões da Arábia Saudita.

A existência de um projeto esportivo e de um modelo de jogo, então, e em tese, pode facilitar a montar um time coletivamente muito competitivo com jogadores do nível do Carrascal, que não chega a ser o Arrascaeta, mas é um jogador de talento diferenciado até mesmo para escalões intermediários do futebol europeu (vide interesses recentes do Olympique de Marselha e do Napoli).

Vejo esse cenário e a existência de um projeto esportivo como um mecanismo formidável para o Mengão Predador e Malvadão se adaptar ao ecossistema do futebol mundial.

***

Falando em projeto esportivo, o Mais Querido, após o término da temporada/2025, entrou no mercado de transferências em busca de reforços para o elenco. As posições carentes foram detectadas: goleiro, zagueiro, meio campo e centroavante.

A primeira lacuna já foi preenchida e, após uma longa queda de braço com o Internacional de Porto Alegre, o clube conseguiu incluir a dívida pela negociação de Thiago Maia, após ameaçar cobrar o crédito no Poder Judiciário, e finalmente fechar negócio com o Colrado e trazer o zagueiro Vitão.

Bom zagueiro, por sinal. Mal comparando, vejo-o, por exemplo, um pouco acima do Fabrício Bruno, que não era o titular ideal, porém era um ótimo jogador para o elenco. Então, de início, essa é a minha expectativa para esse reforço.

A demora na contratação do goleiro me incomoda. O reserva Matheus Cunha, que saiu de graça para o Cruzeiro justamente porque o clube não confiava nele, acertou com o seu novo clube ainda em meados de 2025. Já era para o novo goleiro estar mapeado e, com todo o respeito que o dublê de diretor técnico e cetáceo merece, contratadíssimo, pronto para se apresentar no Ninho do Urubu.

Por outro lado, o meio campista, ao que tudo indica um "volante", pode a vir se tornar uma carência mais urgente a depender da necessidade de Saúl se submeter a uma cirurgia para tratar o problema no tendão. Nesta hipótese, a lacuna passaria a ser importante. Não havendo a cirurgia, acho que a Diretoria pode estudar com calma o mercado e usar o prazo da janela como estratégia para fechar um bom negócio.

Já o centroavante, na minha opinião, é a negociação mais complexa. Os setoristas do Flamengo e do Cruzeiro se digladiam com supostas notícias envolvendo uma negociação por Kaio Jorge. Ótimo jogador, por sinal, e aparentemente exatamente o tipo de 9 que agrada o nosso treinador, pela mobilidade. Contudo, caro pra caramba, concordam? Um amigo cruzeirense me confidenciou ter dúvida se o 2025 dele é "repetível" em outras temporadas. É, também, um jogador que tem histórico de se lesionar.

Deixo aqui, neste ponto, uma elucubração cerebrina de minha exclusiva autoria: o Cruzeiro está quieto quanto ao ponto, até porque  a prioridade celeste parece ser o Gérson, porém sabemos que o Tite também adora o Pedro, que é um "centroavante de referência" bem ao estilo do Pífano da Região das Hortênsias, o qual já pediu o Cebolinha e o Luiz Araújo, além do próprio Gérson. Típico de treinador brazuca que gosta de formar a sua "família" dentro do elenco. 

Portanto, fiquemos de olhos bem abertos, até porque o "dono" do clube celeste já mostrou que tem aquele ranço pela saída do Arrascaeta, no início de 2019... Um "bote" nesse nível não me surpreenderia e uma troca como essa, ao meu ver, não seria vantajosa. Eu quero um elenco forte no ataque, como nos tempos em que tínhamos o Gabigol "autêntico" (em forma, focado) e o Pedro com ele disputando posição. Logo, é preciso cuidado com o quanto se dará na mão do Cruzeiro, na hipótese do negócio sair mesmo. 

Sendo ou não o Kaio Jorge o alvo ou o centroavante que venha a ser contratado, considero essa posição a mais difícil de ser preenchida e por isso é aquela em relação a qual terei mais tolerância com eventual demora. A posição é naturalmente valorizada no mercado, pois se trata simplesmente do "homem-gol". Falamos, então, de jogadores potencialmente caros, às vezes muito caros.

O Flamengo precisa desse 9, mas o clube não pode errar novamente. Afinal de contas, um ano do folclórico, porém tecnicamente limitadíssimo Juninho Xereca já foi mais do que suficiente, né, senhor José Boto?

 ***

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.