segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Elenco (Centroavante)

Salve, Buteco! Pensei em tratar do perfil ideal de treinador no texto de hoje, mas tudo indica que a nova Diretoria, recém-eleita, optará mesmo por Abel Braga, motivo pelo qual não me parece útil gastar muitas linhas com esse tema. Ressalto apenas que, na competição com o Palmeiras, que em princípio será a tônica das próximas temporadas, quer-me parecer que o Flamengo não está fazendo o melhor possível, mas apenas optando pelo mais óbvio e sendo conservador no mercado nacional. É que, por mais que foquemos nas qualidades positivas do "Abelão", Luiz Felipe Scolari tem bem mais currículo e experiência, tanto no Brasil, como no exterior. É como se fosse uma versão "premium" do estilo medalhão motivador, que caracteriza ambos, adeptos de uma estratégia de jogo mais defensiva e reativa. Por isso mesmo, como o Palmeiras também tem maior orçamento e um elenco mais equilibrado, convenhamos que é bem mais produtivo começar a discutir como podemos fazer o nosso subir de patamar, pois a diferença entre os comandos técnicos já se encontra pré-estabelecida.

Para tanto, o Flamengo terá que aprimorar muito a sua atuação no mercado.

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Para começar, escolhi a posição de centroavante. Dada a carência no setor desde a exuberante temporada de Hernane em 2013, resolvi fazer um levantamento de média de gols por temporada de nossos centroavantes ao longo das últimas décadas (desde que comecei a acompanhar o futebol). Eis os mais bem sucedidos (ao menos meio gol por jogo) no critério:
Nome Ano Jogos Gols Média
Romário 1997 36 35 0,97
Romário 1996 33 31 0,88
Romário 1998 40 35 0,87
Adriano 2010 18 15 0,83
Romário 1995 46 37 0,80
Vagner Love 2010 29 23 0,79
Nunes 1981 61 45 0,73
Nilson 1993 35 25 0,71
Adriano 2009 30 19 0,63
Cláudio Adão 1979 70 46 0,65
Bebeto 1988 54 34 0,62
Gaúcho 1990 62 39 0,62
Hernane 2013 59 36 0,61
Charles Baiano 1994 30 18 0,6
Liédson 2002 25 14 0,6
Luisinho Lemos 1975/77 160 95 0,59
Nando 1989 31 17 0,54
ABISMO
Guerrero 2017 45 20 0,44
Henrique Dourado 2018 41 13 0,31
Fernando Uribe 2018 23 6 0,26
Média de gols não é um critério absoluto. Nunes que o diga. Aliás, é curioso observar que, depois do "João Danado", que não chegava a ter problemas no trato com a bola, mas também não se destacava pela intimidade, e com as exceções de Bebeto (1987) e Luizão (2006), os outros centroavantes que decidiram finais para o Flamengo nas últimas décadas se caracterizavam pela dificuldade no relacionamento com a gorducha, casos de Gaúcho (1992), Obina (2006) e Hernane (2013). Além disso, nenhum deles representou o que costumamos chamar de "contratação de impacto".

Por sua vez, os investimentos feitos pelo Flamengo para a posição no triênio 2016/2018 trouxeram atletas caros, um deles como contratação de grande impacto (Guerrero), mas que, até aqui, sequer alcançaram a módica média de meio gol por partida, atingida até mesmo por Nando, goleador de passagem obscura pelo clube no final da década de 80. Pior ainda, Guerrero deixou a torcida a ver navios na final da Copa do Brasil em 2017, em que pesem sua refinada técnica e o gol marcado na finalíssima do Estadual contra o Fluminense. Já Henrique Douardo e Uribe perigam ser enquadrados na Lei Maria da Penha se não derem à  redonda com um pouco mais de carinho. Até aqui, poucos gols e muitos maus-tratos.

Como melhorar em 2019 essa relação de custo x benefício é o "xis" da questão. Em sua última passagem pelo clube, nosso novo vice-presidente de futebol, Marcos Braz, montou um time com a melhor dupla de ataque (critério média de gols) das últimas décadas: Adriano e Vagner Love ou "O Império do Amor".

A palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.