segunda-feira, 3 de julho de 2017

Vitória Avarenta

Salve, Buteco! Gostei da vitória, não gostei da postura do time. No primeiro minuto de jogo foi possível ver qual seria a estratégia do Flamengo na partida: zaga saindo com a bola, volantes não participando, bola para Trauco, que esticou com um longo lançamento para Guerrero. E foi assim que o Flamengo jogou o primeiro tempo. Quando avançou ao campo do tricolor paulista, na maioria das vezes pela esquerda, foi com poucos jogadores, que então pouco puderam fazer contra um adversário inteiramente postado no campo defensivo, praticamente retrancado. Nada de marcação alta ou de pressão na saída de bola adversária. Simplesmente não rolou pressão. O Flamengo aguardou friamente o momento de abrir o placar. Os primeiro tempo se arrastava morno e sonolento, lembrando os jogos contra Botafogo e Fluminense, até a jogada em que Guerrero sofreu falta de Petros na entrada da grande área sampaolina. Com uma cobrança magistral, que com certeza seria assinada pelo Galinho de Quintino, El Depredador colocou o Mais Querido à frente do placar com muita categoria, mostrando que a Ilha do Urubu é seu território.

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Muito embora Zé Ricardo diga o contrário nas entrevistas, é difícil acreditar que o Flamengo venha treinando para trabalhar a posse de bola. Dentro de campo, com a bola rolando, a estratégia do Flamengo varia entre lançamentos em profundidade e cruzamentos para a área, se bem que ontem tive a impressão que cruzou-se menos. Só que o time pode render muito mais. Já havia mostrado no segundo gol contra o Atlético/PR pela Libertadores e ontem mais uma vez provou que as jogadas trabalhadas são uma vocação do elenco montado para a temporada de 2017. Golaço de Diego após linda tabela com Guerrero e Everton Ribeiro. Pena que jogadas assim são tão raras.

Veio o intervalo e alguns torcedores, empolgados com os dois golaços, lembraram tanto aqui no Buteco como no Twitter da goleada de 2005. Nunca o Flamengo teve uma oportunidade como a de ontem para devolvê-la. A expectativa nasceu naturalmente, senão pela repetição do placar a favor do Mais Querido, ao menos por uma goleada em um adversário que jamais teve pena quando nos enfrentou em má-fase.

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Só há uma palavra para definir o segundo tempo: burocrático. À exceção de duas jogadas em contra-ataque, numa delas chegando a finalizar por três vezes no mesmo lance, o Mais Querido foi acomodado e não demonstrou interesse em ampliar o placar. O jogo voltou a ter as feições do primeiro tempo, no qual o time, antes de não tentar jogadas construídas como a do segundo gol, não pressionou pra valer o São Paulo em momento algum. É bem verdade que houve queda de produção com a saída de Everton Ribeiro e a entrada de Berrío, que ontem não foi bem, mas é inegável que o Flamengo não se postou para marcar o terceiro gol.

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Em nível pragmático, valeu pelos três pontos, os dois golaços e o começo da consolidação no G4, mas cabia mais e o time pode fazer bem melhor. A estratégia dos contra-ataques foi bem sucedida contra Santos e São Paulo, ambos os jogos na Ilha do Urubu, mas vale lembrar que já deu errado, como ficou claro nos clássicos contra Botafogo e Fluminense. Ao contrário de épocas como a da Tropa de Elite, quando se fez o possível, o elenco de hoje propicia um jogo mais ofensivo e agressivo, senão durante todos os noventa minutos, ao menos em parte deles.

O contraponto que pode se fazer à crítica de falta de mais agressividade é a sequência de clássicos que virá a seguir no Campeonato Brasileiro, além da viagem ao Chile. Contudo, nem sempre é possível contar com uma jogada salvadora de bola parada e por isso a postura agressiva que não vem sendo praticada pode vir a se mostrar necessária. Não se trata de se recusar a superar a eliminação na Libertadores, mas de cobrar mudanças para a situação não se repetir. Há três títulos importantes em disputa e no Brasileiro dificilmente o Flamengo alcançará o Corinthians sem mais ousadia.

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Vi avareza nessa vitória, mas passo a bola pra vocês comentarem a partida, inclusive pra me dizerem se eu estou exagerando, e também pra falarem o que devemos esperar dos jogos contra o Palestino, no Chile, e Vasco da Gama, em São Januário. Aliás, com qual time entrariam em campo na quarta-feira?

 Bom dia e SRN a tod@s.