terça-feira, 30 de setembro de 2014

FlaBasquete por Rafael Strauch

Passada a emoção vou colocar algumas coisas sobre o basquete do Flamengo que acompanhei nestes últimos 20 meses como membro da atual diretoria do Flamengo:
Desde meados de dezembro de 2012, quando se discutia como seria o Governo do Flamengo para o triênio de 2013-2015 uma das certezas é que com a GRAVISSÍMA situação financeira não seria possível manter todas as modalidades dos Esportes Olímpicos por ser, naquele momento, a Unidade de Operacional mais deficitária do Clube, avisamos na época “um passo atrás para darmos dois passos mais a frente”. O Basquete era a modalidade com maior peso neste Déficit (Despesas muito superiores a Receita), mas era também a que apresentava a maior exposição e potencial de crescimento, decidimos, portanto, por unanimidade manter a modalidade e correr atrás com prazo de um ano para resolver a questão.

A verdade é que não é fácil obter apoio para recursos para o Esporte Brasileiro. A saída seria, portanto buscar recursos incentivados, para tal teríamos que colocar todas as contas em dia do Clube para nos tornarmos elegíveis!

Em janeiro de 2013 a projeção financeira indicava que o Flamengo pararia de pagar todas as suas contas a partir de maio o buraco era de R$ 120 milhões. Os times de todas as modalidades parariam, todos os salários dos funcionários e demais atletas não seriam pagos. O que mais me impressionou é que no Conselho Diretor ninguém tremeu, ou correu, seguimos em frente com medidas duras, tivemos que reduzir a folha de pagamento, cortar custos e ampliar as Receitas (Sócio Torcedor, Novos Patrocínios, aumento do valor dos ingressos, etc).

Eram meses de salários atrasados no basquete! Você sabe o que é trabalhar com meses de atraso? Não a toa o time não havia ganhado nenhum título nos últimos 3 anos (o único e último título na NBB havia sido em 2009), não havia patrocínios. O Póvoa bem pontuou em maio de 2013, o acerto salarial foi um dos fatores a dar tranquilidade ao time num campeonato que fora muito equilibrado. A final contra o Uberlândia com mais de 16.000 pessoas no HSBC foi um show a parte.

A despeito do acerto o desafio continuava a modalidade não era auto-sustentável ainda. E graças a pessoas como o Sergio Bessa, do SóFLA conseguimos achar outras fontes de recursos incentivados como o do ICMS do RJ. Me lembro bem dessas discussões, pois foram na época do nascimento do meu filho. Em poucos meses o Flamengo montou o projeto, aprovou no Governo do Estado e consegui o apoio da TIM, 2013 estava resolvido. Para mantermos a modalidade em 2014 não bastaria o projeto do ICMS, precisaríamos de mais recursos e faltava apoio para a base.

O projeto Anjo da Guarda foi lançado e R$ 1.802.804 foram arrecadados via de isenção de IR de 822 doadores (eu e muitos amigos ajudamos a escrever este capítulo) Primeiro ano e recorde de captação. A mesma lei permitia obter recursos de IR de Empresas, foram contatadas sob a liderança do Povoa a ajuda de todos da Diretoria 154 empresas. 6 se dispuseram ajudar. No caso do basquete 4 se destacavam: a TIM; a Brasil Brokers; a Estacio e a SKY.

O título da NBB havia trazido o acesso a Liga das Américas, lembro do esforço do Povoa para trazer as finais para o Rio em março de 2014. Não tínhamos os recursos necessários, estimativa era de R$ 600 mil. Graças a Brasil Brokers este evento aconteceu no Rio, muito pelo esforço do Plínio Serpa Pinto a quem serei eternamente grato por isso. A Estácio e a SKY se tornaram patrocinadores exclusivos da modalidade. Sobre a SKY gostaria de fazer um aparte para contar uma história:

Em outubro de 2013, logo após assumir a VP do Fla-Gávea, eu estava em SP a trabalho pelo Banco e tinha uma manhã livre, liguei para o Bap e perguntei se ele conhecia alguém do Pinheiros, pois eu estava no Blue Tree da Faria Lima ao lado do Clube. Rapidamente ele me conseguiu um contato. Tive a oportunidade de visitar o Pinheiros (ECP) e conhecer o Diretor de Esportes Olímpicos que foi taxativo: vocês tem o Bap do lado de vocês! Vocês serão os maiores campeões do Brasil.
- Eu perguntei: ao que você se refere?
- Ele: disse campeão de tudo. Você não tem idéia do que o Bap fez pelos Esportes Olímpicos do Pinheiros, e ele é Flamengo e está com vocês na Diretoria.

E eu só imaginava a terrível situação financeira que enfrentávamos, de como nossas instalações estavam sucateadas (E o Pinheiros é um Benchmark como bem observou o Luis Felipe Teixeira quando postei uma foto no ECP) e como uma pessoa de fora tinha tanta certeza do sucesso do Flamengo? A SKY acabou por apoiar o basquete, apesar de TUDO o que a oposição fez para impedir (sim esses mesmos que agora se vangloriam do título Mundial). Nesses 20 meses o basquete do Flamengo simplesmente Ganhou TUDO, absolutamente TODOS os títulos que disputou. E hoje é superavitário.

É um puta orgulho de fazer parte de um Grupo que não se dobrou nas dificuldades, não ficou apenas se lamentando, nem apelou ao populismo irresponsável. Pelo contrário, correu atrás pra KCT! E enquanto éramos chamados de arrogantes, poucos conhecedores de Flamengo, dentre outras bobagens, estávamos correndo atrás de apoio financeiro para o Clube. A marca Flamengo é imensa, mas não se vende por si só, tem que correr atrás e ser perseverante exatamente igual aos atletas em campo. Fosse fácil não teríamos a dívida que temos, que já foi de R$ 750 milhões, mas que já está caindo.

Vamos Mengão, Avante Mengão, nosso time é forte!

*Rafael Strauch é Vice-Presidente do Fla-Gávea, um dos fundadores do SóFLA e foi coordenador de campanha da Chapa Azul.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dúvidas

O Flamengo, definitivamente, ainda não chegou ao ponto de nos dar duas alegrias em um mesmo dia, ou talvez tudo faça parte de um plano para não nos empolgarmos demais com um título mundial de basquete. Será que estou sendo muito amargo ou dramático? Bem, não foi uma goleada e sim uma derrota por apenas um gol; contudo, se teve uma partida que realmente me irritou desde que Vanderlei Luxemburgo assumiu o comando técnico do time, foi a de ontem. Lembrou-me muito o jogo contra o Goiás na Arena Pantanal, em Cuiabá: o time teve menos vontade que um adversário mediano, de elenco mais fraco, e foi sobrepujado exatamente por isso, mais até do que pelas opções do treinador na escalação, malgrado as consabidas e exaustivamente conhecidas limitações técnicas de nossas peças de reposição, mal de que padecemos e que nos inflige terrível sofrimento a cada vez que precisamos jogar sem um dos jogadores titulares mais importantes. Só que ontem todo mundo abusou da nossa paciência. Parecia um teste de controle emocional. Perder porque o adversário é superior tecnicamente é uma coisa; mas quando isso acontece porque o adversário correu mais, aí dá muita raiva. Muita. Fiquei, ao final da partida, com uma série de dúvidas. Mas vamos primeiro ao jogo.

***

Comentei com os amigos que estavam conectados ao Buteco logo antes dos dez minutos que o bate-e-volta da bola quando chegava no ataque do Flamengo era mau presságio. Fiquei com a impressão que Luxemburgo, em razão da suspensão de Cáceres e para não ter que escalar Amaral ou Recife, e ciente das severas limitações defensivas de Luiz Antonio, optou por recuar Canteros e Márcio Araújo, confiando que Luiz Antonio e Éverton levariam o time à frente, com isso mantendo o esquema tático, apenas mudando algumas peças de função. Ledo engano. Totalmente sem articulação, o meio foi completamente envolvido pelo Bahia no início da partida. No ataque, quando a bola chegava, Elton, fora de forma, não conseguia dar sequência a uma jogada sequer. Era como se o time estivesse com um a menos. Havia espaços pelo setor esquerdo defensivo do Bahia, mas como o homem de aproximação pela meia direita era o Luiz Antonio e Leonardo Moura permanecia plantado na defesa, nada de útil se criava. Já pela esquerda, Éverton, bem marcado, pouco fez. Em contrapartida, o Bahia atacava e o meio não conseguia bloquear.

Produto e consequência da letargia rubro-negra foram os dois gols do Bahia. No primeiro, falhas individuais e sequenciais, que começaram com Éverton tomando um lençol na intermediária e assistindo passivamente a progressão da jogada, passando por Samir, que permitiu o giro e o passe da lateral para o meio da grande área, e depois por Luiz Antonio e Chicão, que simplesmente assistiram ao giro e conclusão de Emanuel Biancucci para as redes, claro que com a colaboração final de Paulo Victor, mal colocado. Todo mundo só assistindo. Muito embora seja necessário reconhecer o mérito do adversário na articulação da jogada em alta velocidade, a passividade de todo o sistema defensivo na marcação foi decisiva para a abertura do placar em desfavor do Flamengo.

A partir de então o Flamengo se ligou e terminou o primeiro tempo jogando melhor do que o Bahia. Percebam que, naquela altura dos acontecimentos, Elton continuava em campo e a formação tática do time era rigorosamente a mesma do início da partida, o que, ao meu ver, é prova do que afirmei no início desse texto: apesar da formação e da escalação escolhidas pelo treinador provavelmente não terem sido as melhores escolhas possíveis, e eu até acho que realmente não foram, o principal problema era a postura do time. O certo é que, na saída para o intervalo, o empate parecia palpável, possível. Não era absurdo ter esperanças na volta para o segundo tempo.

Mas então veio o fator João Paulo. Olhem, ele até parecia que passaria incólume, mas resolveu, quem sabe por solidariedade aos seus companheiros, cometer um dos pênaltis mais sem sentido e irresponsáveis que já vi, com isso dando ao Bahia a oportunidade para ampliar o placar logo no comecinho da segunda etapa. Um verdadeiro balde de água fria. O time então demorou alguns minutos para absorver o baque. Naquela altura dos acontecimentos, Gabriel já estava em campo, substituindo Elton desde a volta do intervalo. Houve ganho em mobilidade e velocidade, mas o jovem baiano mostrou as mesmas deficiências de sempre nas conclusões, a mesma falta de objetividade. Ainda assim, João Paulo, tentando reagir, "achou" um daqueles velhos cruzamentos perfeitos e Eduardo da Silva deu a esperança de que o empate poderia chegar... até que foi substituído.

Com a substituição de Eduardo, provavelmente sem condições físicas ideais por estar voltando de contusão, foram-se  as últimas chances do Flamengo voltar a marcar gols na partida. Percebam que, com Éverton "manjado", marcado em cima, sobrou para Luiz Antonio, Arthur e Gabriel, como jogadores mais adiantados, a função de concluir a gol. Como posso descrever esse quadro? Para mim, é como tentar furar cimento com uma broca de espuma. Não tem como dar certo. Ressalvados um ou outro ataque e uma boa defesa do Paulo Victor, o final do jogo foi o Bahia se fechando e o Flamengo rondando a grande área sem produzir absolutamente nada.

***

Vêm então as dúvidas, fazendo aqui a ressalva de que não estou condenando o Luxemburgo, pois as limitações do elenco são severas e as opções disponíveis não oferecem garantia alguma de melhora no rendimento da equipe:

1) por que, contra Goiás e Bahia, o time deu a impressão de correr menos que o adversário? Por acaso foram considerados jogos descartáveis? O time se poupou tendo em vista os compromissos seguintes? Ou o Flamengo sente dificuldades contra esse tipo de adversário, com jogadores mais rápidos e leves, e que imprimem forte marcação no meio? Se o time voltar a correr e marcar o adversário, como nas partidas anteriores, o que o torcedor deve concluir ao se lembrar da partida de ontem?

2) Arthur é um "leão-de-treino"? Quero deixar bem claro que não estou fazendo lobby por Negueba, Nixon ou Sartori, façam-me o favor, mas por que não rodar um pouco mais o banco e mesmo as substituições?

3) O Mattheus é absolutamente incapaz de jogar no meio campo do Flamengo? Renderia ainda menos do que o Luiz Antonio ou do que o Mugni, sendo então melhor manter os jogadores que vêm sendo utilizados, ainda que rendendo pouco?

4) Até o final do ano veremos os laterais reservas Leo e Anderson Pico em condições de dar alguma alternativa viável ao treinador nas laterais?

5) O Flamengo não consegue segurar time algum sem o Cáceres em campo?

6) Há algum volante na base que seja melhor do que o Recife ou o Amaral?

7) Há algum atacante na base que possa servir de alternativa ao Luxemburgo?

8) Quais são as perspectivas no Brasileiro daqui em diante, com a volta da Copa do Brasil?


***

Quarta-feira tem América/RN na Arena das Dunas. O adversário está há dez rodadas sem vencer na Série B, sendo o primeiro time à frente da ZR; não venceu sob o comando do atual treinador (cinco jogos) e a torcida está em crise com o principal jogador do time, o camisa 10 Rodrigo Pimpão, que revidou xingamentos em razão de possível negociação com o Sport Recife e precisou ser contido por seguranças para não chegar às vias de fato com alguns torcedores, sendo acusado de render menos desde que a negociação se iniciou.

Além das perguntas do tópico anterior, tenho duas últimas antes de passar a bola pra vocês: 9) que time escalariam na quarta-feira? e 10) todo esse intenso e esmagador favoritismo do Flamengo pode provocar desatenção ou excesso de confiança?

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 28 de setembro de 2014

Bahia x Flamengo


Campeonato Brasileiro 2014 - Série A - 25ª Rodada

Bahia: Marcelo Lomba; Railan, Lucas Fonseca, Demerson e Guilherme Santos; Uelliton, Rafael Miranda, Diego Macedo e Emanuel Biancucci; Maxi Biancucci e Henrique. Técnico - Gilson Kleina.

FLAMENGO: Paulo VictorLeonardo Moura, Wallace, Chicãe João Paulo; MárciAraújo, CanterosLuiAntonio e Éverton; Gabriel (Élton) e Eduardo da SilvaTécnico: Vanderlei Luxemburgo. 

Data, Local e Horário: Domingo, 28 de setembro de 2014, as 16:00h (USA ET 15:00h), no Estádio do Complexo Esportivo Cultural Octávio Mangabeira ou "Fonte Nova", em Salvador.

Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden (FIFA), auxiliado por José Javel Silveira e José Eduardo Calza, todos do Rio Grande do Sul.




   




 


Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos.

Quem acredita que o assalto a mão armada ocorrido no Morumbi quarta-feira passada é algo fortuito certamente não se lembra que roubar jogos com despudor e descaro é marca registrada do “poderoso” futebol paulista desde o início dos tempos. O goiano do Morumbi repetiu Marsiglia (2-2 com o Corinthians em 1993) e o conterrâneo Tonhão (2-4 Palmeiras, Copa do Brasil 1999). Não são sequer sutis. Sim, “árbitros erram contra e a favor”, e com essa conversinha o São Paulo foi agraciado com DOZE pontinhos extras na sua campanha do título de 2008.

Quanto ao texto, hoje retomo a série dos anti-heróis flamengos, dos que tiveram tudo para se tornar ídolos atemporais e, por um motivo ou outro, não lograram êxito. Boa leitura.

OS ANTI-HERÓIS, PARTE 3 - BEBETO

Hoje é dia de festa.

Hoje tem Gávea lotada de rubro-negros se espremendo na prancha de concreto do Bastos Padilha. Hoje tem famílias orgulhosas catequizando seus pimpolhos, que vão todos pimpões ornados em preto e vermelho ver seus heróis. Hoje é dia de Flamengo ao vivo, a cores, em carne e osso. Dia de pipoca, guaraná e Charanga. Dia de colocar o assunto em dia enquanto os craques desfilam no gramado e arrancam mais uma vitória pra sua gente ver. Hoje é dia de celebrar.

Será?

O caríssimo time montado para a conquista avassaladora e invicta do Estadual perde peças vitais. A reposição existe, mas é tímida. Mesmo assim, o Flamengo respira otimismo para a disputa do Brasileiro, pois ainda existe uma base de certa qualidade, o treinador foi mantido e o elenco, em que pese algumas carências sérias (como na lateral-direita e no comando do ataque) parece equilibrado. Ademais, vem de conquistar a Copa Ouro, e no Brasileiro conseguiu duas vitórias em dois jogos. O torcedor flamengo anda, pois, de bem com a vida.

O time entra em campo. Festa. A torcida começa a gritar os nomes dos jogadores. “Ro-ger, Ro-ger”, “É Ronaldão, é Ronaldão”, “Né-lio, Né-lio”, entre outros. Sávio, o Anjo (ou Diabo, como queiram) Louro, é o mais festejado, com cantos e palmas mais demorados. Agora só falta um nome. Alguns começam, “Be-be-to, Be-be-to”. Mas ao mesmo tempo irrompem outros gritos. Apupos. Rabiscos de vaias. Assobios. O coro sai tíbio, pálido, sem vida, sem vontade.

Algo está errado. O que parece festa logo se tornará um acerto de contas.

Bebeto chega ao Flamengo em 1983. Muito magro e franzino, aparece jogando futebol de salão em Salvador, chama a atenção do Bahia, chega a treinar no tricolor alguns meses mas se transfere para o maior rival, o Vitória, que lhe acena com o pagamento de ajuda de custo. No rubro-negro baiano, que vive uma das piores fases de sua história, não demora a se destacar e com apenas 16 anos já ganha oportunidade na equipe principal. Seu futebol agudo e rápido ao extremo encanta Aymoré Moreira, veterano treinador radicado na Bahia, que passa a recomendar enfaticamente o garoto a jornalistas, dirigentes e treinadores. Curioso, Jair Pereira o convoca para a Seleção de Juniores e o Flamengo, atento, contrata o menino após discretamente ter enviado olheiros para acompanhar o seu desempenho. Aymoré, empolgado, vaticina: “o Flamengo fez o negócio da década. Esse menino vai fazer história lá. Vai liderar uma Era, como o Dida, o Zico.”

Começa a partida, o Flamengo tem a posse de bola. O adversário está fechado, mas o rubro-negro não tem pressa, toca a bola com calma. Ou tenta, o gramado está duro, a bola pula. A torcida se impacienta. Nélio perde sozinho, sem marcação, um gol daqueles inacreditáveis. A atmosfera aos poucos vai se adensando. Apenas a Charanga, em seu tom monocórdio, tenta manter o bucolismo da tarde de quarta-feira.

Bebeto rapidamente conquista e impressiona a exigente panela de pressão flamenga. O fato de ser o único vascaíno em uma família de rubro-negros fanáticos (por causa de um avô a quem era muito ligado, chamado Vasco) é minimizado pela dedicação com que o garoto se atira aos treinamentos e pela qualidade vivamente diferenciada que demonstra diante de todos. Com efeito, o baianinho mostra-se inteiramente à vontade convivendo com monstros sagrados como Zico, Júnior, Adílio, Leandro. Com isso, não demora para, mesmo sem a mínima estrutura física, ser lançado entre os profissionais. Estreia entrando no segundo tempo de um jogo complicado, contra o Tiradentes-PI no Maracanã, não pelo adversário, mas pelo péssimo clima entre a torcida e o moribundo treinador Carpegiani (que pedirá demissão apesar dos 2-0). Mesmo diante de uma massa irritada, Bebeto faz boa partida e sai de campo aplaudido. “O menino mostrou potencial”, dizem os jornais. Pouco mais tarde, Bebeto ainda atuará na Final do Brasileiro, primeiro jogo contra o Santos no Morumbi, fazendo ótima partida e quase arrancando um improvável empate, e em alguns jogos da Taça Guanabara, em um dos quais marcará seu primeiro gol pelo Flamengo, na derrota (1-2) para o Goytacaz, em Campos. Contudo, algumas demonstrações de imaturidade (reclama enfaticamente ao ser substituído em um Fla-Flu), seu corpo nitidamente franzino e, principalmente, a pesada crise que desaba na Gávea após a venda de Zico recomendam calma no lançamento do jovem. E Bebeto é preservado por seis meses. Vai fazer reforço muscular e aguardar sua hora.

O Flamengo segue tentando atacar, mas vai batendo na parede. A sólida defesa gaúcha vai conseguindo manter os cariocas à distância. Sávio chega atrasado em uma bola. Aparecem as primeiras vaias.

1984 assinala a ascensão definitiva de Bebeto. Utilizado aos poucos no Brasileiro, ganha uma oportunidade mais sólida ao entrar numa partida contra o América, já na Terceira Fase. E, em uma atuação de gala, transforma o que seria um jogo complicado em um monólogo. O Flamengo faz 3-0 e podia ter sido de seis. Júnior, impressionado, declara ao final, “esse Bebeto não pode mais sair”, e o Flamengo, antes claudicante, passa a voar em campo. Goleia, massacra, passa por cima de quem aparece pela frente (que o diga o Santos, impiedosamente massacrado por 5-0). Bebeto junta velocidade e contundência a um time de técnica primorosa. E sua “ausência” (é escalado no sacrifício, sem condições de jogo, o tornozelo inchado) é um dos fatores da eliminação flamenga em um Brasileiro em que parecia arrancar para vencer. Mas Bebeto não perderá mais a condição de titular. Os títulos mais importantes ainda demorarão um pouco, mas a Seleção Brasileira rapidamente aparecerá, fruto de suas fabulosas atuações na Primeira Fase do Brasileiro de 1985 (é o nome do campeonato). Zico retorna à Gávea, mas não terá condições, vítima de um crime, de atuar com regularidade. Bebeto passa a ser, dentro de campo, um dos principais jogadores do Flamengo. Por vezes o principal.

Enfim o Flamengo perde a paciência e começa a atacar com mais jogadores. Desesperado e antevendo o desastre, o treinador grita por calma. Em vão. Mais um ataque frustrado, o erro no passe, o contragolpe, o gol. O Flamengo sai atrás no placar.

Os craques da Era Zico vão saindo de cena. É a hora de uma nova geração, que terá sua prova de fogo no Estadual de 1986. E Bebeto mostra-se pronto para, em que pese seu temperamento arredio, liderar tecnicamente o time de Jorginho, Adalberto, Aldair, Zé Carlos, Zinho e Ailton, entre outros. E o punhado de garotos dá ao Flamengo o Estadual de 1986, com Bebeto marcando gol na final. Aliás, Bebeto vence a disputa particular com outro jovem talento, o vascaíno Romário, e é eleito “Rei do Rio” e craque da competição. Após um período de instabilidade, onde convive com lesões e brigas na Seleção, reencontra seu melhor futebol e, comandado por Carlinhos e Zico, marca os gols que dão ao Flamengo o tetracampeonato brasileiro em 1987. É seu seguindo título brasileiro pelo rubro-negro, o primeiro como protagonista.

Termina o primeiro tempo. O Flamengo sai de campo debaixo de pesadas vaias. Alguns jogadores começam a ser hostilizados. Entre eles, Bebeto.

A conquista do Brasileiro dá a Bebeto a segurança definitiva de jogador pronto. O baianinho, que agora atua como “falso nove”, atacante com inteira liberdade de movimentação, passa a acumular e a empilhar gols com facilidade. A saída do desafeto Carlos Alberto Silva faz com que Bebeto se afirme em definitivo na Seleção Brasileira. E no início de 1989, o treinador Telê Santana consegue encontrar uma formação que torna o Flamengo uma máquina de marcar gols. E Bebeto, metendo dois, três, até quatro por jogo, é, junto com Zico, o principal nome da conquista da Taça Guanabara, em cuja partida final, aliás, marca dois gols. Bebeto vive seu auge no Flamengo, e é tido por muitos como o principal jogador brasileiro em atividade.

O Flamengo volta a campo. Recomeça a partida. O time piora. O adversário, melhor agrupado, não permite ao rubro-negro sequer atingir sua intermediária. O torcedor percebe. E poderia empurrar, como usual. Mas hoje, não. Hoje vai ser diferente. Vai começar o inferno.

O sucesso de Bebeto chama a atenção dos principais clubes da Europa. Alguns (Milan, Real Madrid) sondam. Outros (Roma) tentam abrir negociação. Mas é o Bayern Munique o mais enfático. Manda representante, há reuniões. Tudo parece caminhar bem. Mas os alemães exigem que a transação seja acertada mais cedo, para facilitar a adaptação. Bebeto teria que largar a Taça Rio. O Flamengo não aceita. Os alemães e o procurador de Bebeto pressionam. O procurador, aliás, ameaça levar Bebeto a tiracolo para a Europa, oferecendo o jogador. Exige salário europeu ao Flamengo. Com a confusão, naturalmente o desempenho de Bebeto (e de outros jogadores, também assediados) cai assustadoramente na Taça Rio, os gols escasseiam, o time perde rendimento e no fim acaba perdendo o campeonato. A briga entre a despreparada diretoria flamenga e o intransigente procurador de Bebeto segue inflamável. O Bayern desiste do negócio. Irritado, o procurador começa a escutar com mais carinho as (cada vez mais insistentes) sondagens do Vasco (clube que costuma aporrinhar jogadores flamengos renovando contrato). A coisa evolui. A diretoria flamenga somente percebe quando o negócio já é irreversível. E, em uma das mais inacreditáveis e desastrosas demonstrações de incompetência administrativa de sua história, o Flamengo perde seu principal jogador para o maior rival da época.

Fabiano sai jogando, dá a Iranildo, que tenta sair rápido. A bola sobra a Márcio Costa, que corrupia e toca pro lado a Gilberto, daí a Bebeto, que vem buscar jogo. “Uuuuuuuuuh”, “Chorão, Chorão”, “Vascaíno, Vascaíno!”, “Filho da p...”

A passagem de Bebeto pelo Vasco é turbulenta, quase um fiasco. É bem verdade que o jogador logo consegue um título brasileiro pelo novo clube, mas atuando em jogos esporádicos, sem uma sequência sólida. Nos meses seguintes, começa a sofrer com lesões persistentes e inexplicáveis, que comprometem inclusive sua atuação na Copa do Mundo, onde seria titular certo do time de Lazaroni. Ademais, o Vasco passa a viver uma seca de títulos, que coincide com a ascensão do Flamengo de Júnior. Com efeito, enquanto Bebeto padece no rival, o Flamengo conquista dois títulos nacionais, um estadual e uma Copa Rio, com o artilheiro Gaúcho entronizado como novo ídolo e goleador. Bebeto passa a ser associado a uma época de vacas magras e fracassos no Vasco, e com isso sua torcida perde por ele o encanto inicial. E ainda há os jogos contra o Flamengo. Sempre visivelmente perturbado quando enfrenta o ex-clube (a ponto de, contrariando sua natureza, provocar e fustigar o adversário pelos jornais antes dos jogos), Bebeto empilha atuações irreconhecíveis, chegando a ser expulso ou saindo antes do final. Enfrenta o Flamengo em dez ocasiões. Perde seis e vence duas. Quando, enfim, consegue retomar seu bom futebol, no início de 1992, o Vasco o negocia correndo com o primeiro interessado, o Deportivo La Coruña, equipe da segunda divisão espanhola que acabara de ser promovida. Pouco para quem despertara, três anos antes, o interesse das principais equipes européias.

A torcida definitivamente se desinteressa da partida e transforma a Gávea em um pátio de imolação. Não aguarda mais Bebeto tocar na bola. Resolve vaiá-lo de forma contínua, interminável. Pragueja toda sorte de cânticos ofensivos, a ele e sua mulher Denise, que está nas arquibancadas com o pequeno Mattheus no colo. Mas Denise não é ameaçada fisicamente (há seguranças). “Bebeto é o c...lho”, “Romário, Romário!”, “Ei Bebeto, vá t...”, as vaias chicoteiam o lombo de uma equipe que, perturbada, não ameaça e não chega nem perto de um imerecido empate. O protagonista involuntário do triste espetáculo zanza quase inerte dentro de campo, devastado e vivamente abalado, quase às lágrimas.

A passagem pelo Deportivo recupera a carreira de Bebeto. Os espanhois montam uma boa equipe, competitiva o suficiente para se juntar a Real Madrid e Barcelona na luta pelos principais títulos nacionais da temporada. Os gols voltam em profusão, e Bebeto se torna ídolo de uma cidade, volta à Seleção Brasileira e é um dos destaques no tetracampeonato mundial de 1994. Realizado, resolve retornar ao Brasil dois anos depois e, como uma espécie de desagravo, escolhe o Flamengo, embora o Vasco acene com uma proposta melhor.

“Fora daqui, chorão filho da p...!”, “Volta pro Vasco do Eurico, seu m...!”, os impropérios seguem mesmo após o apito final. Por pouco os xingamentos não se transformam em invasão, ameaça que não se concretiza por conta de um numeroso e eficaz policiamento. Atônito, aparvalhado, Bebeto não consegue entender a hostilidade, as vaias. O time jogou mal, ele mesmo jogou mal, é fato, mas não parece haver motivo para tamanha virulência. Os jornais, nos dias seguintes, também parecem confusos na tentativa de explicar e analisar a extensão e a contundência das vaias e das ofensas.

É Zico, o Eterno Zico, vida inteira dedicada ao clube, quem resolve o enigma, com indiscutível simplicidade. “Claro que não concordo com nenhuma forma de violência, não aceito e acho lamentável. Mas isso que aconteceu com o Bebeto só tem uma explicação. 1989. A forma como aconteceu, o torcedor se sente traído. Jogador é profissional, tem que ser, mas há certos limites, não pode passar anos num clube e sair jurando amor ao rival. Torcedor não releva. Não esquece. Bebeto até pode dar certo, é grande jogador, mas vai ter que lutar muito.”

A negra tarde da derrota para o Juventude na Gávea azeda irremediavelmente a relação entre Bebeto e a torcida do Flamengo. O atacante ainda atuará algumas partidas, marcará alguns gols, manterá o Flamengo nas primeiras posições por algumas rodadas, mas tudo logo ruirá, o time desabará e se arrastará de forma melancólica até o final da competição. Antes disso, Bebeto forçará apressadamente sua saída, sendo negociado com o Sevilla-ESP, onde também não permanecerá muito tempo, iniciando o processo de decadência em sua carreira.

Bebeto é frequentemente lembrado e aparece em entrevistas e documentários relatando as grandes conquistas flamengas de que participou. Neles, é impossível deixar de lamentar o terrível desperdício, o desfecho de uma história em que o baianinho parecia predestinado a exercer um papel relevante. É bem verdade que Bebeto foi grande, foi muito. Mas poderia ter sido mais. Muito mais.

Um erro. Uma decisão precipitada. E o vaticínio de Aymoré Moreira se perdeu.



sábado, 27 de setembro de 2014

O Flamengo Abre suas Portas






Irmãos flamengos,

como todos sabem, esta semana, precisamente na segunda-feira, dia 22, houve um evento organizado pelo Flamengo junto a blogueiros rubro-negros.

Foram palestrantes: Bruno Spindel, Diretor de Marketing; Angélica Passos, Gerente de Patrocínio; Luciana Cavallieri, Coordenadora de Licenciamento; André Monnerat, Gerente de Programa de Relacionamento e Marketing Digital; Fred Mourão, Gerente de Marketing e Relacionamento; Thais Pereira, Representante da Golden Goal - parceira do clube no programa de Sócio-Torcedor.

E encerrando o evento, Luiz Eduardo Baptista, Vice-Presidente de Marketing do Clube de Regatas do Flamengo. 

A organização e a dinâmica das palestras foi surpreendentemente positiva. Notava-se o cuidado e a preocupação na escolha dos tópicos a serem abordados e no próprio conteúdo e formato das exposições realizadas.

Se o Flamengo realmente pretende desenvolver seu relacionamento com as mídias rubro-negras, mediante a criação de uma agenda específica, o primeiro passo foi excelente. 

A mim coube a honra de representar o Buteco do Flamengo, o que fiz e farei sempre com muita seriedade, respeito e satisfação.

Como já tive oportunidade de externar aos amigos, eu vejo o Buteco do Flamengo como um lugar  verdadeiramente especial. O Buteco é como uma família. Palmas para o Rocco, Gustavo e todos os amigos que fazem deste espaço um local tão incrível.

Nesta coluna, mais que esmiuçar números, tentarei, na medida do possível, trazer para os amigos um panorama, obviamente resumido, do evento. Para tanto, dividirei o texto em tópicos, a começar pelo marketing.

Peço sinceras desculpas aos amigos pela extensão do post. Procurei reduzi-lo ao máximo, mas diante da importância do evento, da quantidade de informações veiculadas e do meu desejo de reproduzir fielmente o que ocorreu, não houve como diminuir seu tamanho.  


Marketing

Inicialmente, foram apresentados os números alcançados desde a chegada da gestão capitaneada pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello.

De pouco mais de R$ 180 milhões arrecadados em 2012, o Flamengo passou a gerar R$ 320 milhões em 2014.

Após a chegada do Felipe Ximenes, o marketing passou a trabalhar de forma integrada com o Departamento de Futebol. 

Dessa nova perspectiva, já surgiram ações interessantes, como a que levou Everton e Canteros, em jogos distintos, para a arquibancada do Maracanã, a fim de confraternizar com os torcedores, inclusive com a doação de uma camisa oficial autografada para o primeiro sócio-torcedor que se identificasse.

Diante da imprescindibilidade de investimento em infra-estrutura (as obras do CT foram retomadas em definitivo) e na própria qualificação técnica do time profissional, torna-se difícil, sem a participação de um parceiro, direcionar recursos em ações de marketing de maior contundência. 

A ordem, portanto, é para que se busque investir em campanhas que propiciem retorno financeiro imediato.

Na busca de incrementar os patrocínios e parcerias, o Flamengo tem se utilizado dos chamados “patrocínios funcionais”. Trata-se daquelas situações que, a par de gerarem certa receita ao clube, trazem consigo algum benefício de ordem não monetária.

É o caso, por exemplo, da Herbalife, cujas negociações se prolongaram por oito meses, mas que, além do aporte de recursos, já propiciou ganho em conhecimento, com o intercâmbio nutricional feito entre profissionais do Flamengo e do LA Galaxy.

O mesmo ocorre com a parceria firmada com a Lafarge, uma das maiores empresas de materiais de construção do mundo, que fornecerá “o cimento Campeão e demais produtos para a urbanização, pavimentação e demais obras” do Ninho do Urubu, conforme anunciado pelo site oficial do Flamengo.

O Flamengo manterá, ainda, a Unicef como marca associada ao clube. A organização internacional fornecerá o know-how para acompanhamento dos atletas e suas famílias, tanto da base do futebol como dos esportes amadores.
 
Foram citadas, também, parcerias com o Comitê Olímpico dos Estados Unidos da América, com o Comitê Britânico do Remo e com a seleção de futebol da Holanda, todas elas proporcionando ao clube não apenas crescimento em infra-estrutura, como também em conhecimentos técnicos específicos de cada modalidade esportiva.

A parceria com a NBA, inédita na América Latina, permitirá que o time de basquete do Flamengo participe da pré-temporada da NBA, “inaugurando um intercâmbio sem precedentes na história do basquete nacional”, segundo veiculado pela página oficial do clube na internet.

Mesmo com todos os obstáculos, o Flamengo obteve mais de R$ 80 milhões em recursos provenientes de patrocinadores, figurando como o clube que mais receita de patrocínio aufere no Brasil.

Visando potencializar o impacto de suas ações, os departamentos de marketing e de comunicação foram integrados, indicando a tendência de ampliação das redes e canais de divulgação das campanhas do clube.


A Marca Flamengo



Já de início, foi ressaltada a importância de todo torcedor rubro-negro ter a constante preocupação de só adquirir produtos licenciados. 

Gastar dinheiro com produto pirata pode até significar uma economia para o torcedor, mas representa gravíssimo prejuízo para o clube.   

Se os produtos da Adidas, cuja qualidade excepcional os distingue, estão caros, há toda uma linha de produtos vendidos a preços mais acessíveis, produzidos pela Braziline. 

Então, se não for possível adquirir uma camisa oficial ou um casaco da Adidas, que se compre uma camisa e um casaco da Braziline, pois isso reverte em dinheiro para o Flamengo.

O Flamengo possui quase uma centena de lojas oficiais espalhadas por todo o Brasil (se contarmos as não-oficiais, o número ultrapassa largamente a centena), e padronizadas sob a bandeira “Nação Rubro-Negra”. São mais de quinhentos produtos licenciados, fornecidos por oitenta fabricantes diferentes.

Adquirir produtos do clube numa loja oficial redunda em maior receita para o Flamengo. 

A lista das lojas oficiais e produtos licenciados encontra-se no site do Flamengo.


Plataforma de Relacionamento

Quanto aos programas de relacionamento, a idéia do clube é reuni-los num só, o “Nação Rubro-Negra”.
 
O Flamengo pretende ampliar os seus canais de relacionamento com o povo rubro-negro, sendo o facebook aquele que, atualmente, dá maior retorno na interação entre clube e torcedor.

O clube está a desenvolver uma nova versão do site oficial, e promovendo a reestruturação do canal oficial no youtube.


O Programa de Sócio-Torcedor

Dentre os programas de relacionamento do Clube de Regatas do Flamengo, o Sócio-Torcedor é o mais importante.

Consiste em programa de vital importância para o clube, podendo-se mesmo dizer que é atualmente a  principal fonte de receitas do Flamengo.

Por isso, a insistência quanto à extrema relevância do torcedor rubro-negro associar-se ao Sócio-Torcedor do clube. 

Considerando apenas o período de um ano, contado a partir do seu lançamento, o Sócio-Torcedor do Flamengo tornou-se recordista mundial em número de adesões. Nenhum outro programa obteve tamanho crescimento em tão curto espaço de tempo.

Foi lembrado, também, que alguns clubes mantêm seu programa há mais de dez anos, enquanto que o do Flamengo possui pouco mais de doze meses. E cada clube tem suas peculiaridades, o que impede a adoção de uma fórmula única como garantia de êxito.

O clube, por outro lado, tem ciência de que grande parte do público que freqüenta o Maracanã não é sócio-torcedor.

Já foram tentadas ações como abordagem corpo a corpo em filas de compra de ingressos, bem como colocação de stands em dias de jogos no Maracanã. Os resultados, porém, não foram satisfatórios.

O Sócio-Torcedor é um programa de relacionamento que, pelas próprias limitações orçamentárias do clube, necessita de certa compreensão do torcedor. Mais do que ser tratado como cliente de um simples prestador de serviços, deve-se ter a consciência da indispensável ajuda que esses recursos proporcionam ao Flamengo.

É questão de sobrevivência, alicerçada na lei de causa e efeito: quanto maior o número de associados ao programa, maior será o poder de investimento do Flamengo.


Bap e o Encerramento do Encontro

Embora não estivesse previsto na programação inicialmente divulgada, o evento foi encerrado por Luiz Eduardo Baptista, o Bap.

Vice-Presidente de Marketing e integrante da cúpula que dirige o Clube de Regatas do Flamengo, o Bap, diferentemente dos expositores que o antecederam, não fez propriamente uma apresentação, mas conduziu um simples, porém bastante proveitoso, bate-papo com os torcedores.

O Bap transmitiu sua visão acerca do papel cada vez mais relevante exercido pelas mídias independentes mantidas por rubro-negros, uma das razões pelas quais defendeu a criação de uma agenda com esses grupos.

Apontou a dificuldade em administrar o clube na situação financeira em que se encontra, sendo que para esse ano, infelizmente, já há uma previsão de déficit.

Sobre a relação com o Consórcio que administra o Maracanã, o Bap foi enfático quanto ao reconhecimento de que, em comparação com outros clubes, a situação não tem sido proveitosa para o Flamengo. Muito pelo contrário.

Citou, nesse sentido, o exemplo do Cruzeiro, que aufere 72% de toda a receita gerada por sua torcida no Mineirão. 

O Flamengo, ao revés, recebe apenas 40% da renda proporcionada pela Nação Rubro-Negra, ficando o restante com o Consórcio, sendo que não há sequer controle sobre o consumo dentro do estádio.

Afirmou que levar o time para jogar em outras praças, como feito amiúde ano passado, além do aumento das receitas do clube, representou a tentativa de negociar um melhor contrato para o Flamengo, o que até foi alcançado, considerando que a proposta inicial de repartição era de 20% para o Flamengo e 80% para o Consórcio. A natural perda técnica por jogar fora do Maracanã, contudo, torna a opção pouco atrativa.

Ressaltou que a política de preços dos ingressos é variável, de acordo com a demanda, e que se o acordo com o Maracanã fosse similar ao do Cruzeiro, talvez fosse possível baixar os valores.

Disse que, como torcedor, prefere que o Flamengo jogue sempre no Maracanã para cinqüenta, sessenta mil rubro-negros, mas que, do ponto de vista estritamente financeiro, isso não se sustenta a longo prazo se o preço do ingresso for muito baixo.

Criticou, ainda, a política de gratuidades, impostas aos clubes sem qualquer subsídio do Poder Público, diversamente do que ocorre com os transportes públicos, por exemplo. 

Reconheceu a necessidade do Vice-Presidente de Futebol estar mais presente ao dia à dia do Flamengo. Esse foi um dos motivos, afora a competência, que fizeram com que a escolha recaísse sobre o Alexandre Wrobel, que pode, no momento, dedicar maior tempo à função.

Mencionou o grande sacrifício feito pelo clube para contratar Eduardo da Silva e Canteros, destacando a pesquisa que precedeu a contratação de ambos.

Ao final, exortou o torcedor do Flamengo a refletir sobre como podemos contribuir para o engrandecimento do clube.


Considerações Finais

Os amigos que me acompanham aqui no Buteco sabem o quanto eu confio e acredito na atual gestão.

Depois do evento de segunda-feira, tive a forte impressão de que o Flamengo está a trilhar o caminho que todos nós, rubro-negros, sonhamos. Mas carece de se ter certa paciência. As coisas não funcionam na velocidade que imaginamos. O próprio contexto financeiro e estrutural não permite.

Como disse o André Monnerat, embora tenha quase cento e vinte anos de vida, o Flamengo, estruturalmente, mais se parece com uma start up

O trabalho de reconstrução do clube está apenas principiando, mas já há muita coisa boa a ser exaltada.

Em nome do Buteco, e desde que haja anuência da administração, coloquei o blog à disposição para a criação de íntima parceria com o Flamengo, de modo a divulgar ações de marketing, campanhas e programas de interesse do clube.

Que seja o início de uma relação duradoura e profícua. 

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Aproveito a oportunidade para agradecer ao Clube de Regatas do Flamengo, em especial ao Tiago Cordeiro, pela bela iniciativa e pela organização impecável do encontro.

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Antes de encerrar, lembro-lhes, irmãos flamengos, que amanhã, domingo, nosso amado Mengão disputará decisão histórica, valendo o título de Campeão Mundial de basquete.

Avante Flamengo! 



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Abraços, Saudações Rubro-Negras e bom fim de semana a todos.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.