segunda-feira, 31 de março de 2014

A Decisão na Pérola do Pacífico

Buongiorno, Buteco! Embarca o Mais Querido do Brasil rumo a Santiago de Guaiaquil, a "Pérola do Pacífico", maior e mais populosa cidade equatoriana, onde enfrentará na próxima quarta-feira, 2 de abril, o Club Sport Emelec pela quinta rodada do Grupo 6 da Fase de Grupos da Taça Libertadores da América/2014. Com cerca de 2.278.691 (dois milhões, duzentos e setenta e oito mil, seiscentos e noventa e um) habitantes, segundo censo realizado em 2011, Guaiaquil é capital do cantão com o mesmo nome e da província de Guaya. Lá o Mais Querido não enfrentará o fantasma da altitude, presente nas partidas disputadas na capital do Equador, Quito, distante apenas 240 (duzentos e quarenta) quilômetros. Enfrentará a paixão, a pressão e o calor da torcida equatoriana, bem como o time do Emelec, campeão equatoriano por 11 (onze) vezes (menos do que os rivais Barcelona e El Nacional, que têm 13, e um a mais do que a LDU, que tem 10), e que, em competições internacionais, orgulha-se de um terceiro lugar na Libertadores da América de 1995, além de um quarto lugar na Copa Merconorte de 2000 e um vice-campeonato na edição do ano seguinte. Disputa com o Barcelona local o chamado "Classico del Astillero".

O Emelec é dirigido por Gustavo Domingo Quinteros Desabato, ex-zagueiro argentino que iniciou a carreira nas divisões do Newells Old Boys, tendo passado por Talleres de Córdoba, Universitário de Sucre, The Strongest, San José (Bolívia), San Lorenzo e Argentinos Juniors, além da seleção nacional da Bolívia. Como treinador, carreira que iniciou em 2003, já passou por San Lorenzo, Blooming, San Martin SJ (Argentina), Bolívar, Oriente Petrolero, Emelec e seleção da Bolívia. Está no Emelec desde 2012, onde conquistou o campeonato equatoriano de 2013.

No campeonato equatoriano de 2014, o Emelec é líder com 23 (vinte e três pontos), sendo 7 (vitórias), 2 (dois) empates e 1 (uma) única derrota. Venceu todas as 5 (cinco) partidas que disputou em casa e tem um saldo positivo de 11 (onze) gols. As estatísticas mostram ainda um rendimento superior nos primeiros tempos das partidas (o melhor do campeonato) em relação às etapas finais (apenas o quarto) - 5v, 4e e 1d, com 9 (nove) gols marcados e 2 (dois sofridos), contra 5v, 3e 2d, com 8 (oito) gols marcados e 4 (quatro) sofridos. Já na Libertadores o Emelec venceu apertado o Bolívar (2x1), perdeu no Maracanã para o Flamengo por 1x3, goleou o León (3x0) e no México levou de volta do León a goleada por idêntico placar na última rodada.

O Mais Querido entrará em campo no Estádio George Capwell, do Emelec, atualmente chamado, por um período de dois anos, de Estadio Banco del Pacifico, por conta de contrato celebrado pelo clube com a instituição financeira. Histórico, construído em 1940, nele se decidiu o primeiro campeonato equatoriano de futebol, em 1957, quando o Emelec se sagrou campeão. Passou por reforma em 1989 e uma ampliação em 2006, tendo hoje capacidade para 23.000 (vinte e três mil) espectadores. Prepara-se nova ampliação com cerca de 20.000 (vinte mil) assentos.

Eis o perfil do adversário. Assusta?

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Interessante a discussão a respeito do planejamento para a Libertadores de 2014. Alguns falam em falta de planejamento, mas penso que planejamento houve, porém falho em alguns pontos. Acho que o Flamengo esperou por Elias até o último momento, o que não vejo como um erro e sim compreensível esgotamento de todas as tentativas possíveis para resgatar um jogador que em pouco tempo caiu nas graças da torcida e teve desempenho decisivo com o Manto Sagrado, sendo hoje, no futebol brasileiro, acima da média. O erro, ao meu ver, foi superestimar a força do Flamengo na negociação e subestimar a capacidade de resistência do Sporting Lisboa, além de não haver contratado um substituto mais experiente para treinar desde o início da temporada. A propósito, Márcio Araújo, encostado no elenco do Palmeiras e reserva na campanha do título alviverde na Série B de 2013, até aqui reforço útil, embora não empolgue, poderia perfeitamente coexistir com Elias no elenco rubro-negro. Erro foi apostar em Muralha e lhe delegar responsabilidades para as quais não estava pronto enquanto a negociação de Elias não tinha um desfecho.

Por outro lado, as contratações de Leo, Erazo, Elano, Lucas Mugni e Alecsandro foram muito boas e comprovam que o planejamento visando um elenco completo não só existiu, como teve seus pontos positivos. O fato de um ou outro ainda não haver correspondido não invalida a tentativa, pois pareciam ser todos os negócios boas oportunidades à época. Mas partindo do pressuposto que a montagem do elenco é responsabilidade da Diretoria, a qual pode ou não se consultar com o treinador, considero justo atribuir a ela e a Comissão Técnica tanto os méritos quanto os deméritos desse planejamento, pois, afinal de contas, se sabemos que foi a Diretoria que tomou a decisão "esticar" até o limite máximo possível a negociação de Elias, o normal é que a Comissão Técnica tenha sido consultada a respeito da opção de não contratar um substituto a tempo de inscrevê-lo na fase de grupos da Libertadores. O mesmo se diga em relação à permanência de João Paulo como primeiro reserva na lateral esquerda para a disputa dessa competição.

Já as decisões de quem no elenco utilizar em cada partida do Estadual e da Libertadores, assim como o nível que o time se encontra em termos de posicionamento tático, ao meu ver, devem ser reputados apenas a Jayme de Almeida. Jayme teve tempo para treinar e dispõe de um elenco mais completo do que no ano passado. Se é compreensível a queda técnica em razão das ausências de Elias e Luiz Antonio (este, até pouco tempo atrás), parece evidente que o time poderia estar em estágio mais avançado em nível tático, inclusive porque não se vê variação alguma nesse quesito. O time anda bem no setor ofensivo, contudo ainda há muitos espaços no meio e no setor defensivo, embora nos confrontos contra a Cabofriense eu ache que já foi possível perceber uma evolução.

Mas as chances na Libertadores ainda estão vivas e o Flamengo não pode ser subestimado. Costuma crescer em tais circunstâncias. Eventual classificação para as oitavas mudaria tudo e o time poderia acertar com o elenco completo disputando a competição.

É tão difícil assim vencer o Emelec em Guaiaquil?

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Tudo é muito relativo, claro. Meio time titular do Flamengo, seguindo os conceitos de Jayme de Almeida, não jogará em Guaiaquil porque os jogadores estão no Departamento Médico. Curiosamente, dentre eles estão apenas jogadores que figuram entre os mais experientes do elenco - Leonardo Moura, André Santos, Cáceres e Elano (Hernane é dúvida). Considerando a qualidade e a quantidade de desfalques, o debate acerca da escalação e do esquema tático a ser adotado é mais do que natural e a decisão que Jayme tomar influirá diretamente no destino do Flamengo na competição. Só podemos lhe desejar toda a sorte do mundo.

A primeira pergunta que eu faço então é a seguinte: não existindo solução ideal diante desse problema, qual seria a menos arriscada - tentar escalar os melhores jogadores disponíveis e com isso alterar o esquema tático ou escalar jogadores como Recife e João Paulo nas laterais e ir pro jogo? E por quê?

A segunda pergunta é a de praxe: escalações, por favor. Não pipoco: Felipe, Chicão, Wallace e Samir; Paulinho (Leo), Amaral, Muralha, Mugni e Everton; Gabriel (Paulinho) e Alecsandro. Agora quero saber a escalação de cada um (a) de vocês e o porquê.

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Nada mais enfadonho do que enfrentar o Vasco da Gama na final do Estadual. O Flamengo deve ser impiedoso em nível medieval.

Bom dia e SRN a tod@s.