segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Libertadores, Estamos de Volta!

Buon Giorno, Buteco! Em 2012 o Flamengo disputará a Libertadores! Bem, quem me conhece sabe o quanto eu adoro essa competição. Quando o Flamengo a venceu, há mais de trinta anos atrás, eu tinha apenas 11 (onze) anos de idade, mas confesso que já era tão fanático por futebol que compreendi a grandeza daquele feito. Naquela época a revista Placar publicava edições com a história de grandes clubes e eu comprava todas para aprender. Confesso que me impressionei muito com os relatos sobre o que o Santos de Pelé e o Cruzeiro de Nelinho e Joãozinho passaram para vencer as suas edições da Libertadores. Desde o primeiro brasileiro, desde a primeira Libertadores, ainda muito novo, passei a dar importância relativa aos estaduais e mais atenção ao Brasileiro e à Libertadores, claro que também ao Mundial. Ela virá dessa vez com alguns dissabores, segundo a opinião da maioria que frequenta o Buteco. Algumas renovações indesejadas, um projeto diferente do que sonhamos, do que queremos para o clube, mas a competição mais charmosa (para mim) consegue me deixar contente e me empolgar, apesar disso tudo. Nesse final de ano poderei sonhar mais uma vez em reviver aquela grande emoção de 1981.


Os Dissabores


Com a classificação provavelmente serão confirmadas as permanências de Luxemburgo (salvo da dispensa por demissão antes do final do contrato), Renato Abreu (renovação de contrato), Thiago Neves (compra dos direitos federativos) e Ronaldinho Gaúcho (acerto das pendências com o patrocinador). Também é possível que os volantes favoritos do Luxemburgo sejam mantidos, casos de Willians e Aírton. É possível que o Deivid também não saia, pois é um contrato caro e difícil de ser rescindido.


Está muito claro que será preciso não só algo mais, mas completamente diferente do que vem sendo feito; contudo, além de o elenco ser muito caro, precisa de reforços e o clube dá sinais de que não vive um momento tranquilo financeiramente.


O que podemos esperar de Vanderlei Luxemburgo? Uma completa reforma sob uma desculpa esfarrapada, bem ao seu estilo, de que o projeto para conquista da Libertadores é completamente diferente? Ou veremos mais do mesmo? Tentará ele satisfazer o seu ego monstruoso e provar, em mais uma temporada, que está certo?


O mais triste, ou melhor, desastroso e desalentador será ver erros repetidos, tais como o mesmo esquema tático posto em campo com as mesmas peças que não funcionam, salvo uma ou outra variação. Todos tememos que isso ocorra. Nunca precisamos tanto de uma Diretoria que entendesse desse assunto chamado futebol.


O Jogo


Iniciamos a partida sem centroavante, mais uma vez. Como disse o amigo Henrin nos comentários durante o primeiro tempo, como é mal treinado o Flamengo! Ao contrário do adversário, não se vê uma jogada ensaiada nem tampouco fluência nas jogadas ofensivas. É aquela mesma coisa modorrenta e amarrada de sempre. O time melhorou muito no intervalo com as entradas do Muralha e do Deivid. Do primeiro, porque conseguiu, mesmo no momento de maior pressão da partida (o que mostra que poderia ter jogado desde o início), tanto defender como apoiar o ataque, o que constitui uma das premissas do esquema losango idealizado pelo Luxemburgo. Do segundo, a despeito de suas limitações, por ser um centroavante e com isso dar por encerrada, ao menos nessa temporada, a atrocidade que é escalar o Ronaldinho Gaúcho como homem mais adiantado.


Bem, mas eu ia falando de volante apoiando o ataque, certo? Algo que Renato Abreu não conseguiu fazer durante um ano inteiro. Ontem não foi diferente. Não poderia ser. Não teria como. Arrastou-se pelo campo o jogo todo. Quando ia ao ataque, lento, deixava um enorme buraco na defesa. Buraco que Fierro tentou cobrir no lance do primeiro gol, abrindo outro do lado direito, o que, porém, não alivia o lado de Alex Silva e Leonardo Moura, que, mais uma vez, deixaram o atacante adversário livre para escorar absolutamente a vontade para o nosso gol. Mais um gol tomado por erro de posicionamento da defesa. Na 40ª rodada, último jogo do campeonato.


Que técnico é esse que insiste em um esquema tático, mas deixa os jogadores que podem executá-lo da melhor forma no banco e insiste com os que não conseguem?


Ronaldinho Gaúcho, fora de suas melhores condições físicas, mesmo assim foi o melhor jogador do setor ofensivo. Com bons passes, criou as melhores chances, dentre elas o passe para Deivid que, perfeito, passou com açúcar para Renato Abreu, que marcou com enorme categoria. E aqui devo, por justiça, ressaltar a grande contradição desse jogador: Renato Abreu sabe fazer gol. E como sabe! Não se limita às cobranças de falta e pênalti. Já fez vários dentro da área, de várias formas, inclusive de cabeça, e o de ontem foi coisa de quem realmente sabe esse ofício. Coisas da vida: incapaz de dar um passe certo como armador, Renato Abreu, jogador de técnica absolutamente medíocre, dentro da área é um baita goleador. Sem qualquer exagero. Palmas para o "Artilheiro do Século". Será que não deveria ter tentado a carreira como centroavante? Pena que agora já é tarde.


Mas chega desse futebolzinho mequetrefe por esse ano! É hora de refletir. As coisas chegaram ao limite extremo. É fato, para mim, que o Thiago Neves melhora seu rendimento quando o esquema é mais ofensivo, mas até que ponto isso influi? Ele não poderia render melhor independentemente disso? Vale o investimento que está sendo feito? Leonardo Moura ainda tem condições de ser o lateral direito titular e jogar a maior parte das partidas no ano? Vale a pena manter o Deivid como opção de atacante a esse custo? A Diretoria cobrará do Luxemburgo mudanças drásticas no esquema tático ou no elenco? A Diretoria tentará o Montillo? Há condições de manter, para disputar uma Libertadores, um jogador com a instabilidade emocional do Aírton e com os problemas de comportamento extra-campo do Willians? A diretoria vai mesmo renovar o contrato do Renato Abreu? Por quanto tempo? Ele continuará sendo o dono de um time que tem o Ronaldinho Gaúcho? Continuará a ter a condição de insubstituível garantida pelo treinador mesmo não tendo condições físicas e técnicas para ser titular e mesmo jogador profissional?


O "FICO" de Ronaldinho


Ao final da partida, Ronaldinho Gaúcho, em entrevista ao Sportv, declarou que, se dependesse de sua vontade, encerraria sua carreira no Flamengo. Vinda de um jogador do seu estrelato, é uma declaração que, na minha opinião, deve influir decisivamente no desfecho do problema com o patrocinador. Como acho, baseado na minha vivência na área jurídica, que um contrato dessa complexidade não se desfaz com facilidade (ficarei surpreso e preocupado, pelo lado do Flamengo, se isso ocorrer, imaginando o tamanho da dívida com o jogador), minha abordagem sobre o tema Ronaldinho Gaúcho tem sido, e sempre será, a mais racional possível visando a melhor administração da situação e o seu aproveitamento racional. É claro que, se chegasse um milionário desses da vida, russo ou árabe, pagando um bom dinheiro, eu venderia, como há algumas semanas me indagou a amiga Leila. Eu só gostaria que vocês compreendessem que sou completamente cético quanto a essa possibilidade e, forte nessa premissa, qual seja, a de que ele continuará, sigo a abordagem desse assunto.


A permanência do Ronaldinho Gaúcho, a qual acredito que ocorrerá, traz uma série de interrogações, do tipo: o problema com o patrocinador será definitivamente equacionado? Haverá algum tipo de cobrança mais efetiva quanto ao comportamento extra-campo? Os constantes micos relativos a sua ausência em compromissos de marketing do clube continuarão a ocorrer?


Como se não bastasse, há o problema dentro de campo. Ronaldinho provou esse ano que pode ser útil. Jogou quando quis. E, mesmo quando não quis, sua superioridade técnica em relação ao restante do time, creio eu (minha opinião), está muito longe de poder ser posta em dúvida. Ontem, aliás, foi um bom exemplo. Jogo ruim, de desempenhos individuais medíocres, e ele apenas precisou dar alguns passes para se destacar. Apesar disso, o esquema tático montado pelo Luxemburgo incrivelmente protegeu o ano inteiro outro jogador, que visivelmente não tem mais condições físicas para jogar profissionalmente: Renato Abreu. É um paradoxo: monta-se uma complexa operação financeira, inédita no futebol brasileiro, para contratar uma estrela desse nível, e dentro de campo o treinador privilegia um jogador de nível técnico paupérrimo. Só mesmo no Flamengo.


Como já disse aqui o meu amigo Patrick Selener num comentário de enorme felicidade, a contratação do Ronaldinho em muito se parece com a do Romário: uma grande estrela do futebol mundial repatriada do mercado europeu, ex-melhor do mundo, exuberante tecnicamente, decisivo e com uma propensão preocupante para a vida noturna e boêmia, com grande influência sobre atletas mais jovens do elenco nesse quesito. Com Romário, chegou-se ao ponto, ao cúmulo, da construção de quadras de futevôlei na Gávea para agradar Sua Senhoria. Haja subserviência.


Não é preciso repetir a passagem do Romário, mas o perigo disso ocorrer assusta de tão grande, como bem observou o Patrick. Lembro-me bem dessa época. Impressionou-me, sobretudo, o quanto o Kleber Leite não entendia de futebol. É claro que o comportamento extra-campo do Romário influenciou na falta de títulos, afinal o Flamengo disputou finais em torneios medianos com ele em campo e foi derrotado, mas eu acho que esse não foi o único fator. Como também acho que esse tipo de coisa não pode ser expressada em percentuais e eu não sou matemático, não ousarei tocar em números, mas outro grande fator, e decisivo, foi a montagem de elencos, e times, que não estavam à altura do jogador, da estrela que havia sido contratada, e, por serem completamente medíocres e desprovidos de meias armadores e atacantes velozes que pudessem lançar e passar a bola para o Romário finalizar, fracassaram. O FlaEstatística está aí, a disposição, para quem quiser refrescar a memória. Ao voltar para o Vasco, Romário conquistou o Brasileiro, mas ao seu lado tinha um time com jogadores de nível bem mais qualificado tecnicamente. Basta conferir. Foi decisivo, mas o elenco ao seu lado também, e ajudou muito. Coisa que não teve no Flamengo.


Entenderam aonde quero chegar? É impressionante a semelhança entre as duas situações e o risco de repetição do mesmo erro, quase duas décadas depois. Parece que o Flamengo não aprende. Eu acho que o Ronaldinho ainda tem uma vida útil no futebol, como atleta, e pode render bem dentro de campo. Para isso, ao seu lado precisa ter jogadores técnicos, taticamente completos, versáteis, que joguem verticalmente, em direção ao gol, e possam ao mesmo tempo apoiar o ataque e executar bem funções de marcação (Muralha, jovem valor vindo da base, é um bom exemplo). Se a coisa pegar feio fora de campo, um time desses joga sozinho, sem Ronaldinho Gaúcho. Assim, reduz-se até mesmo os efeitos da dependência de um jogador com esse talento.


Por que algo tão básico não é enxergado nem implementado?


Voltamos então ao segundo tópico da coluna de hoje. O Flamengo precisa de profissionais no Departamento de Futebol, que entendam do assunto e possam impedir decisões como a de seu atual treinador e "manager", as quais tiraram o clube da luta pelo título brasileiro de futebol profissional. Um título possível, mas que foi desperdiçado por conta, sendo eufêmico, das idiossincrasias do treinador.


É simplesmente insuportável imaginar mais um ano do mesmo.


Porém, vou dormir pensando na Libertadores, que é uma gata! Libertadores é Libertadores, e, ao menos para mim, sempre empolga, não tem jeito.


Bom dia e SRN a todos.