segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Se A Fé Remove Montanhas...

O Amor Removerá Muralhas?

Quem acredita que o nosso convicto treinador irá barrar o imexível Renato?
Ou alguém tem dúvidas de que a escalação do Maldonado foi para guardar a vaga do amado(pelo treinador) jogador, chassis empenado do time? Escalando Maldonado, o esquema para o camisa 11 estaria mantido, inquestionável, para a sua volta.
Só que o time do Cruzeiro não quis colaborar com o programa de fidelidade do pofexô, e foi pra cima do Flamengo, justamente, pressionando em cima da peça recondicionada, o Maldonado, que estaria preenchendo o espaço, e supostamente executando as funções da outra peça, o Renato, suspensa pelo terceiro cartão amarelo.
O treinador do Cruzeiro deslocou o Montillo para jogar no espaço de responsabilidade do chileno e, por ali, passava batido sem tomar conhecimento da marcação. Do outro lado, Léo Moura dava os mesmos espaços de sempre, esgarçando a nossa defesa, que foi levada á loucura após o primeiro gol dos mineiros, marcado em uma impressionante falha de marcação! Quando digo que a defesa enlouqueceu é porque, só mesmo um ataque de loucura pode levar um zagueiro a fazer uma falta animal daquela que o Pirulito que bate-bate cometeu! O adversário já havia perdido um gol, com a meta desguarnecida, e a penalidade máxima traria dificuldades enormes para uma esperada reação. Mas, o Cruzeiro deu mole. O zagueiro bateu tiro de meta e explodiu o travessão com a bola, que retornaria redonda e meiguinha, toda oferecida, para o time do Mengão!
Essa mesma bola que, no lance anterior, havia batido na mesma trave, recusando-se a entrar, caprichosamente no nosso gol. Parecia que tinha vontade própria. De nos cortejar.
Deivid, então, não se fez de rogado, e deu um chute sensacional (satisfeitos?) em que a bola explodiu o travessão, mas, ao contrário da penalidade, bateu nas costas do Fábio e voltou, animada, rebolando para dentro da meta cruzeirense, empatando a partida, e incendiando o Engenhão.
Aqui, eu paro, por um momento, de comentar os lances da partida que já foi desberlotada, tática e técnicamente, pelo toque pessoal da concepção do futebol, de colunistas e comentaristas bem mais competentes do que esse que vos escreve.
E volto, para o título, mais precisamente, para o sub-título da coluna que fala sobre o amor. Ah...o amor!
Porquê, a partida que pendia, vertiginosamente, para o time azul-constelado, ofereceu-se de forma tão generosa para o único e verdadeiro manto sagrado do futebol mundial?
Quais os mistérios desse esporte que, antigamente, sofria críticas, femininas, indagando, jocosamente, qual a graça em assistir doze homens correndo atrás de uma bola? Hoje, com o advento do futebol feminino, não ouvimos mais esse refrão. As mulheres, não só praticam, como também entendem e discutem futebol melhor que muitos marmanjos de nossa Nação. Haja visto as musas, autênticas rubro-negras, daqui do blog.
Apesar do futebol ter origens voltadas para a prática do sexo masculino, é, preponderantemente, um esporte sensual, feminino. Porque, o seu personagem mais importante, essencial, que é a bola, é do sexo feminino. Se tem curvas e caprichos, é feminina. Claro, com muito cuidado nos dias de hoje...em que a cirurgia realiza milagres. Mas, a alma da bola é feminina, e nunca foi tão sensual e flertou com tanta graça e liberdade como no jogão de domingo! Primeiramente, jogou-se para um time que iludiu-se com os seus encantos, sendo seduzido pelas suas insinuações e desperdiçou oportunidades marcantes para conquistá-la e à vitória. Depois, a moça viu que aquele que mais a maltratava, aquele que mais a ignorava, que mais a chutava com força desmedida, isolando-a da partida e dos outros jogadores, não estava em campo! Como assim? O insubstituível fora substituído? A donzela, musa suprema do futebol, não acreditou e operou para que o primeiro tempo terminasse empatado, naquele bomba caprichosa do Deivid, insinuando-se para dentro do gol cruzeirense. E, preparou-se para aguardar a etapa final...
O time do Flamengo voltara para o segundo tempo, e a bola percebeu que o violador continuava ausente! E ficou toda assanhada quando viu mais um jovem, no time vermelho e preto! Pronto! Agora estava formado o flerte colossal. Dois jovens, à flor da idade, de raças distintas, belos exemplares de uma geração vencedora do clube da Gávea! A musa deu aos dois o comando do jogo, enquanto um velho Dentuço, infantilmente, brincava de dominá-la, como verdadeiro arame liso que cerca, mas não machuca. Menos mal, aquele que a ameaçava com a canela, estava longe, por obra e graça dos deuses do futebol!
Os dois garotos tratavam a bola, como ela deve ser tratada, e os gols não demoraram a acontecer, como múltiplos orgasmos esportivos de uma Nação que via ressurgir o espírito conquistador do Flamengo em campo!
O último gol, então, foi de uma beleza sensual sem tamanho! A bola fugiu, moleque, do goleiro para encontrar-se aos pés do melhor jogador em campo. Que tal e qual, amante sublime, em um toque magistral levou-a às alturas, para adormecê-la, extasiada, no fundo da rede que pendia sobre o gramado vivo.
Se todas as lições que essa partida deu para uma compreensão mais dinâmica do futebol, não conseguirem fazer-se palpáveis ao técnico do Flamengo, demovendo-o do quadradismo dos seus conceitos, que vão contra às probalidades imensas das curvas da única personagem que não pode faltar em campo, só nos resta apelar para a Lei Maria da Penha, em nome do bom futebol.
SRN!