segunda-feira, 12 de setembro de 2011

As Tristes Agruras do Destino

Buon Giorno, Buteco! Começamos a semana com mais uma derrota para um time que foge do rebaixamento, completando 8 (oito) partidas sem vitória, conquistando 3 (três) pontos em 24 (vinte e quatro) disputados. Se o primeiro semestre do Flamengo caracterizou-se por quebrar uma série de recordes positivos, o segundo começa com o risco de que o inverso ocorra. Tomar goleada do Atlético/GO em casa, vareio de bola do Bahia e seus renegados boleiros, também em casa, e agora perder do Atlético/PR com direito a golaço do boleiro e boêmio Guerrón é dose para elefante africando com diarreia, concordam? O time que antes não tomava gol agora os toma em profusão - dois, três ou até quatro por partida. Quem jogava bem deixou de jogar; quem marcava bem deixou de marcar; quem fazia gol não faz mais; quem jogava bola passou a não jogar mais.


Como explicar o que está acontecendo? Bem, para mim seria muito fácil escrever essa coluna sentando o sarrafo no Luxemburgo e repetir o que eu sempre venho escrevendo por aqui, ou seja, os problemas da montagem do elenco, especialmente na defesa e no ataque; o esquema de jogo e a forma como escala o meio de campo; a insistência e até mesmo a proteção a determinados jogadores, etc. Entretanto, eu não posso negar que havia um padrão, embora um tanto torto, na campanha do Flamengo até aqui: se é verdade que a escalação predileta do Luxemburgo jamais convenceu, eis que não se garantia sozinha, precisando de alterações táticas profundas durante o jogo, com a entrada de reservas para virar placares adversos ou mesmo marcar os gols das vitórias em no mínimo a metade das partidas disputadas na melhor sequência durante o campeonato, ao mesmo tempo a repetição da situação por várias rodadas não deixava de caracterizar um padrão, ainda que um tanto tortuoso, em cujo êxito por isso mesmo jamais acreditei. (Não posso, neste ponto, deixar de lembrar aos "fãs" do trabalho do Luxemburgo que a "Tropa de Elite" do Joel Santana, da qual não tenho saudades, sem dúvida se garantia com três, quatro volantes, ganhando os jogos de 1x0, mas sem abdicar de sua filosofia de jogo e sem precisar de reservas que alterassem a estrutura tática do time. Ah, e o Souza era titular no ataque.)


Hoje, porém, o elenco do Flamengo não funciona: a defesa demonstra fragilidade extrema e não se vê mais articulação de jogadas ofensivas, tanto pelo meio de campo, como pelo ataque. Muito embora eu tenha escrito, neste mesmo espaço, que não conseguia "enxergar um movimento, uma decisão do Luxemburgo, seja como manager, seja como treinador, que aponte para um futuro seguro e promissor para o Flamengo" (coluna "No Limite", em 16.6.2011), e via a ruína no futebol, como tal eu definia a perda do título brasileiro por antecipação tendo contratado reforços tão caros, desperdiçando uma oportunidade que não se tem todo ano; jamais ficar oito partidas sem vencer e nem ser humilhado pelas piores equipes do campeonato, prestes a serem rebaixadas.


Bem ou mal, esse esquema falido, obsoleto, resultado de uma teimosia cega do Luxemburgo fazia com que o Flamengo tomasse poucos gols, e tinha alternativas mais ofensivas que a entrada dos reservas garantia, não raro com êxito. Portanto, é difícil compreender o Leonardo Moura, todo domingo, entregar um gol e não conseguir marcar mais ninguém, tendo feito um ótimo primeiro semestre; o Willians ser driblado frequentemente com facilidade, como nunca foi na carreira e ocorreu no lance do segundo gol do Atlético/PR ontemo, só para ficar em dois exemplos. É difícil compreender.


Então, por menos que não acreditasse em título, jamais esperava passar pelo que estamos presenciando. E quando lemos relatos na mídia como o da "flatulência", chegamos facilmente à conclusão de que o problema não termina no treinador, infelizmente.


Agora chegamos a uma encruzilhada: o que fazer? O grupo parece não acreditar mais no treinador, mas vocês conhecem algum em quem vocês confiem mesmo, o qual poderá lidar com esse elenco boleiro e fazê-lo jogar, a ponto de nos devolver às antigas aspirações? Sugestões de nomes? Ou seria melhor ficar mesmo com o treinador cego de tão teimoso? Então seria melhor pegar um qualquer?


O jogo de ontem


Imagine-se sem comer ou beber coisa alguma por três dias. Então, subitamente encontra uma laranja enorme, "meio seca" (mas não toda). O suco espremido dessa laranja "meio seca" será provavelmente a solução da lavoura e o melhor que você já tomou em sua vida; contudo, tal avaliação, como é óbvio, será fortemente influenciada por suas necessidades biológicas e fisiológicas, mas não quer dizer que a laranja seja boa e nem o suco essa coisa toda, certo?


A metáfora representa o que foi o Flamengo ontem. Carentes de uma atuação digna, podemos ter nos impressionado com o que vimos, já que houve empenho, vibração, etc. Contudo, "espremendo a laranja meio seca" que corresponde esse esquema do Flamengo com três volantes e efetivamente o que se produziu no primeiro tempo de ontem, sobra pouco suco. Nada demais, a mesma dificuldade em concluir em gol com precisão e, no segundo tempo, que foi o verdadeiro caos, a necessidade dos reservas para virar o placar. Já vimos esse filme antes, né? Só que dessa vez não deu certo: os reservas estão em má fase. Nada poderia ter sido feito.


Hoje, a mina de ouro para atacar o Flamengo está nas laterais, especialmente a direita. No primeiro gol, Willians foi driblado como se não tivesse interesse na partida e Leonardo Moura não acompanhou o lance, como se não fosse com ele. Terceiro jogo seguido entregando (Internacional, Bahia e Atlético/PR). Para terminar, Alex Silva, cuja forma física/técnica é de desanimar, parecia uma "Maria-Mole" desabando na frente do atacante do Atlético/PR. Já no segundo gol, que começou pela esquerda, Welinton deu aquele "show" de marcação que vocês viram, tomando uma caneta histórica do boleiro equatoriano Guerrón, que viverá ainda uns bons momentos no futebol acrescentando ao seu DVD o lance desse gol.


Domingo que vem o adversário é bem mais qualificado. Estaremos com o mesmo treinador? E o que ele fará, se continuar? Vai de losango de novo, com Renato Abreu na armação? Continuaremos com o Leonardo Moura na lateral direita, entregando mais um gol?


Gostaria de saber o que o amigo do Buteco faria? Mudaria a escalação e o equema tático? Qual adotaria? Trocaria o técnico? Alguma medida diferente?


Cartas para a Redação.


Bom dia e SRN a todos.