quinta-feira, 11 de junho de 2009

Receita do Dia: Tainha Frita


Há alguns anos atrás, fui à cidade de Campos-RJ, com meu compadre Mauro Jovani. À noite, depois de resolvidas as pendengas que nos forçaram à viagem, fomos jantar, num restaurante de um amigo do compadre, cuja especialidade da casa, era a “tainha frita”.
Eu, um cara criado à beira mar, acostumado desde pequeno, a pescar, limpar, fritar e comer peixe, fiquei impressionado com o paladar das postas servidas, sequinhas, bem temperadas, realmente, uma delícia.
Educadamente, expliquei ao proprietário que, eu não era nenhum comerciante, seu concorrente, e sim músico, que morava distante, em São Gonçalo e pedi que, se ele não se importasse, me ensinasse o segredo de uma fritura tão saborosa e sequinha.
O moço me convidou a conhecer sua cozinha. Entrei e ele me mostrou seus fogões de alta pressão, me explicando como cortava e temperava o peixe, com antecedência; limão, alho, sal, tempero misto e louro (uma dose de conhaque, por minha conta). Mostrou que usava óleo, em quantidade bastante farta, em temperatura altíssima, para que bem cobrissem as postas, de modo que, bastava um único mergulho, sem a necessidade de virá-la, que, ao tirá-la, estaria daquele jeito.
Aprendi o segredo da receita e guardei, porém, só agora, há uma semana atrás, na casa da Dnª Marilena, mãe do cabeçudo aqui, resolvi por em prática, reunindo toda a família, mais alguns amigos e, com todo capricho, enquanto a Nil preparava os acompanhamentos básicos, arroz, salada, pirão e uma pimenta, fritei mais de 30 postas de tainha, que deixaram todos com água na boca. Recomendo aos amigos que experimentem, da maneira como aprendi e fiz, pois, será um sucesso.

Lembro aos companheiros de cotovelo no balcão que, estamos no Buteco do Flamengo e que, como em todo Buteco, aqui se fala de tudo, inclusive de receitas culinárias. Mas, reparem que, dá pra ligar o assunto “fritura de peixe” com o nosso amado Mengão.
O velho Romário costumava chamar seus amigos de “peixe” e, os que eram seus “peixes”, estes ele não boicotava, ou, usando o verbo “fritar” na linguagem futebolística, ele não “fritava” seus peixes, já os “traíras” (que também é peixe), iam pro óleo quente, fossem eles jogadores, treinadores, ou dirigentes.

E assim acontece em todos os clubes do mundo. Quando o cara não é “peixe”, acende-se o fogão e logo o cara estará sendo servido numa bandeja, com direito a todo acompanhamento.

Mas, também existem duas maneiras de fritar o “não peixe”, no futebol.
A primeira é a fritura em alta pressão, tal como o moço de Campos me ensinou; Coisa que só se faz em restaurantes, ou em eventuais ocasiões festivas, onde se gasta bastante óleo, baseado na quantidade do peixe a ser fritado e, basta um só mergulho da posta, que, em poucos minutos, ela estará no ponto de ser servida. É uma fritura rápida, senão queima.

A segunda é à moda “dona de casa”, que cozinha diariamente e que não pode gastar tanto óleo, por isso, em fogo baixo, vai virando as postas, em função da economia, que sempre há de haver num orçamento familiar de classe média. É uma fritura mais lenta, mas que não deixa tão sequinha.

E é assim, à moda “dona de casa’, com pouco óleo, fogo baixo e virando a posta, que se frita um “não peixe” no futebol.
É uma murrinhaçãozinha aqui, é a falta em um treino ali, é um atraso na reapresentação acolá, é o não cumprimento de uma ordem tática mais adiante e eles vão virando a posta.

Acho que chega a um ponto, em que o próprio peixe não agüenta mais o calor do óleo e pede pra ser servido logo. Mas isso, só acontece quando o peixe tem vergonha na cara, quando ele é sem vergonha, relaxa na frigideira e curte a hidro massagem.

Ontem, teve um peixe, lá na Gávea, que resolveu eriçar as escamas e partiu com a maré cheia, mas, ainda restam uns três que preferem fazer cara de “não tô entendendo, não vou sair porque a maré vazou e fiquei preso na Lagoa (Rodrigo de Freitas)” e vão aceitando o óleo quente encima e a escumadeira lhes rodopiando na frigideira, enquanto isso, pacientemente, a freguesia vai esperando pela boa vontade do cozinheiro.

A propósito, o “Galinho”, mandou um recado para o peixe que saiu com a maré. Ele disse:
“Vai,....mas vai mesmo!!...Có co co ri cóóóóó...!!”

Sinceramente, eu, que sou apenas mais um torcedor, que escreve em um dos milhares de blogs Rubro-Negros, que nem posso afirmar que sou lido pela diretoria ou profissionais do futebol, mas que, humildemente, tento ajudar meu Flamengo, gratuitamente, com elogios e críticas, na medida do merecimento, sinceramente, eu senti vergonha ao ver a cara do Professor Beludo, treinador do Meu Flamengo, no vídeo do Globo Esporte, sentado sozinho, distante do grupo, desanimado, sem iniciativa, sem lenço e sem documentos, como um peixe na frigideira, em fogo baixo, resignadamente esperando a hora de ser servido.

Ontem eu ouvi a seguinte frase, vinda de um amigo tricolor:
“Serginho,......O Imperador Voltou,........voltou a beber!”

Pela segunda semana, o Adriano falta a um treino. Pois, eu estive pensando e repondi a este amigo(a) tricolor(úúúúúiiiiiii);
“O Imperador voltou e vai treinar e vai voltar a jogar bem, pois, ano que vem tem copa do mundo e ele vai querer participar. É claro que Juan e o Leo Moura vão voltar a render melhor, pois que, também almejam a seleção e a copa do mundo e é claro que o Pet vai ser integrado e bem aceito pelo elenco, pois o Gringo é amigo do Imperador. O que eles estão fazendo, é fritar a tainha, em fogo brando e pouco óleo.”

Domingo que vem, o time vai ou não vai vencer o lanterna?? Eles vão dar mais uma virada na posta, ou vão logo acender a alta pressão e queimar de uma vez a fritura? Mas, o campeonato está só no início e ainda dá pra usar o fogo baixo.

O Professor Beludo não manda nada. Se chegar na lanchonete do clube e pedir um cafezinho, vai ser o último a ser atendido, pois, nem com o balconista ele tem moral.
Se tivesse um tiquinho de auto estima, coisa que ele demonstra não ter, teria acompanhado o peixe que saiu ontem, com a maré cheia.

Só peço a Deus que, quando essa posta estiver servida, que eles não queiram buscar outro “peixe do sul”.

Espero que todos tenham anotado a receita da “Tainha Frita”.
“Bien appétit”

O Flamengo é lugar para audaciosos, não para resignados!!

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Este texto teve o patrocínio de
----------Peixaria Meu Piá------------
Não trabalhamos com peixes
...............do Paraná