
Olá,
Buteco!
Passada
a estranha partida contra o Cuzco, em que, depois de um primeiro
tempo tenebroso, o Flamengo fez 3 a 0 e reafirmou sua liderança e
uma das melhores campanhas da fase de grupos da Libertadores 2026,
nosso foco se volta mais uma vez para o Brasileirão, competição em
que o Mengão está, pelo menos por enquanto, numa corda-bamba, por
força do resultado ruim do jogo contra o líder Palmeiras.
Faço
hoje algumas reflexões sobre nossa situação no campeonato, sobre o
jogo de sábado passado e sobre contextos relacionados a isso tudo.
Comecemos
pelo fim.
O
sonho da volta de Jorge Jesus
Na
fantasia da Nação Rubro-Negra, o único treinador “perfeito”
para o Flamengo é um senhor que acabou de ganhar o campeonato
saudita e vai passar uns dias de férias no Rio.
Escrevo
“perfeito” entre aspas porque ninguém sabe que desempenho o
Mister teria se voltasse a dirigir o time do Flamengo em algum
momento.
É
fato que, se chegasse inspirado nesse “algum momento”, o Véio
poderia ser um upgrade em relação à grande maioria dos treinadores
de futebol do planeta, só que, como não acredito em demissão do
Jardim nesta temporada, é melhor tratarmos da nossa resenha.
A
marcha da diferença entre Palmeiras e Flamengo no Brasileirão 26
No
comparativo entre os dois principais rivais do futebol brasileiro da
última década, o Palmeiras esteve à frente do Flamengo em todas as
rodadas já realizadas do Brasileirão 2026, primeiro por força do
mau começo do time sob o comando do Filipe Luís, mas depois, também
por tropeços da equipe sob a orientação do Leonardo Jardim.
Diferença
de pontos a favor do Palmeiras a cada rodada:
Rodada
1 – 1 ponto - Filipe
Rodada
2 – 3 pontos - Filipe
Rodada
3 – 3 pontos - Filipe
Rodada
4 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
5 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
6 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
7 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
8 – 5 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
9 – 8 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
10 – 8 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
11 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
12 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
13 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
14 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
15 – 4 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
16 – 4 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Rodada
17 – 7 pontos (Flamengo com um jogo a menos)
Reparem
que, já sob o comando do Calvo, o Flamengo teve o seu pior momento
na competição, na sequência das rodadas 8 e 9 (empate com o
Corinthians e derrota para o Bragantino). Nelas, o Palmeiras ampliou
sua vantagem para oito pontos.
Na
rodada 11, o Flamengo recuperou dois pontos, vencendo o Fluminense,
enquanto o Palmeiras empatou com o Corinthians.
E
na rodada 15, houve mais uma recuperação de dois pontos, com
vitória sobre o Grêmio, enquanto o Palmeiras empatou com o Remo.
Aí,
veio o jogo de sábado passado, o Mengão escorregou três degraus e,
ficando a sete pontos do líder, chegou perto da diferença máxima
vivida nas rodadas 8 e 9.
Ainda
teremos uma rodada antes da pausa para a Copa do Mundo e o Palmeiras
tem vantagem teórica, porque jogará contra a Chapecoense, lanterna
do campeonato, enquanto o Flamengo enfrentará, sem nove jogadores
convocados, o Coritiba, sexto colocado e um dos visitantes mais
enjoados da competição.
Por
mais que não queiramos, corremos o risco de um aumento da diferença.
O
Hiago ponderou, no domingo passado: “Senhores, o campeonato não
acabou, boa pausa de copa para todos nós.”
Enquanto
acompanhei o debate, ganhou três likes, um dislike e, mais tarde,
uma contestação do Fábio81.
Embora
reconheça que o desafio do Flamengo ficou maior, lá vou eu
candidatar-me a dislikes, porque também estou nessa vibe.
Afinal,
antes do jogo de sábado, vivíamos um clima de #ForaAbel.
Depois
do jogo e nos dias que se seguiram, a biruta do aeroporto virou e
apontou para #ForaJardim.
Como
não existe bola de cristal confiável, o que a gente pode fazer é
tentar analisar os contextos e, a partir disso, especular sobre
possibilidades.
No
final da rodada 9, o Flamengo ficou a oito pontos do Palmeiras
(cinco, se imaginarmos vitória sobre o Mirassol no jogo atrasado) e
só no final da rodada 15, seis rodadas depois, reduziu a diferença
para quatro pontos (ou apenas um, se vencermos o Mirassol).
Gastou,
portanto, seis rodadas para descontar quatro pontos.
Agora,
se vencer o Coritiba e o Palmeiras vencer a Chape, terá vinte
rodadas (um ciclo de seis e dois ciclos de sete rodadas) para tentar
descontar sete pontos e fazer mais um para ganhar o título.
É
pedreira, mas, como disse o Hiago, o campeonato não acabou.
Esse
exercício é apenas numérico e eu sou cauteloso com projeções
estritamente numéricas em campeonatos de futebol.
Prefiro,
para essas projeções, as análises que o Leandro faz nos
checkpoints, porque elas são quantitativas e qualitativas.
Arrisco
dizer porém que, apesar da vantagem do Palmeiras ser respeitável,
há muita coisa em aberto no campeonato, porque o suíno não tem
jogado um grande futebol e foi premiado com essa vantagem num jogo
completamente anormal, transformado a seu favor a partir do lance do
Carrascal e da consequente escolha tática um tanto kamikaze do
treinador Leonardo Jardim.
Faço
aqui mais um exercício numérico, o de aproveitamento dos
treinadores, excluindo a partida de sábado para não contaminar a
análise com a inclusão de um jogo muito atípico.
Nos
16 jogos anteriores que fez no Brasileirão, todos com Abel, o
Palmeiras conquistou 35 pontos e o ótimo aproveitamento de 72,9%.
Nos
12 jogos anteriores que fez no Brasileirão sob o comando do Calvo, o
Flamengo conquistou 27 pontos e o também ótimo aproveitamento de
75%.
Portanto,
a depender das muitas coisas que estão em aberto nas rodadas
restantes, ainda acho viável o Flamengo descontar os pontos que o
separam do Palmeiras e conquistar um ponto a mais na reta final,
mesmo que ao final da décima oitava rodada, a de sábado e domingo
próximos, a diferença venha a aumentar.
Falemos,
então, do jogo de erros rubro-negros de sábado passado.
Flamengo
0, Palmeiras 3 – Erros e Reflexões Finais
No
post de segunda-feira, o Gustavo distribuiu, com muita razão, bronca
e cobrança pra todo mundo.
Permito-me,
hoje, tentar qualificar e atribuir peso aos erros rubro-negros
apontados.
Em
termos qualitativos, creio que podemos considerar que existem erros
estruturais e erros circunstanciais.
O
erro da direção do Flamengo
Começo
com o erro da direção do clube, apontado pelo Gustavo e claramente
estrutural:
“Está
sendo currada pela presidente do Palmeiras nos bastidores, seja em
sorteios (CBF e Conmebol), seja em arbitragens (CBF), neste último
caso dentro das quatro linhas (decisões dos árbitros) e também
fora delas, nas designações e no VAR. A designação de Davi
de Oliveira Lacerda para apitar o jogo de sábado é prova da
pasmaceira passiva que vigora hoje em nossa representação
externa.”
Não
é fácil neutralizar o efeito do poder palmeirense e paulista nos
bastidores (vamos ter que conviver com isso por muito tempo), mas há
um grande trabalho a ser feito nesse campo, porque o Flamengo tem uma
desvantagem competitiva estrutural que pode decidir competições
(vale para BR, CB e LA).
Reparem
que, no ano passado, o Palmeiras só passou a enfrentar um freio no
favorecimento quando um clube paulista foi absurdamente prejudicado,
o São Paulo, num jogo que foi o divisor de águas do Brasileirão
2025.
Ali
a mídia paulista se inflamou, o juiz foi temporariamente suspenso e
o pacote “reação rubro-negra e declínio palmeirense” permitiu
que o Mengão conquistasse o título.
Carrascal
O
erro da direção do clube tem peso grande e duradouro, mas o do
Carrascal foi o mais decisivo no jogo de sábado passado.
Ele
simplesmente mudou a história da partida, roubando forças do
Flamengo e criando a necessidade de uma decisão do nosso treinador
que, por ser errada, agravou a situação do time.
Quando
um erro circunstancial começa a se repetir seguidamente, entra numa
zona cinzenta e acaba virando estrutural.
As
expulsões do Carrascal já se tornaram estruturais, pela repetição
em jogos importantes.
Eu
o via como uma boa opção para a ponta esquerda, mas agora entrei no
time dos que desejam que se cumpra a vontade dele de deixar o clube,
anunciada nesta semana.
Rossi
Mais
um jogador em que a repetição de falhas o aproxima da zona dos
erros estruturais.
Vejo
aí, como pano de fundo, um erro estrutural histórico da direção
do clube, já que há muitos anos o Flamengo não tem um goleiro top
e não tem goleiros reservas em que nossos treinadores consigam
confiar.
Se
a direção do Flamengo não acha isso relevante, é bom começar a
achar.
Não
é de hoje que o Palmeiras, nosso principal rival no Brasil e na
América do Sul, tem goleiros melhores do que os rubro-negros.
No
jogo de sábado, Carlos Miguel fez três grandes defesas, que
impediram que o Flamengo começasse o jogo em vantagem.
Rossi,
ao contrário, não fez nenhuma grande defesa e ainda falhou em dois
gols, sepultando nossas chances de empate.
Andrew,
o goleiro em que Leonardo Jardim nunca conseguiu demonstrar confiança
(deve ter seus motivos), jogou contra o Cuzco e, quando o jogo ainda
estava 0 a 0, fez uma grande defesa que, na fase atual, não sei se o
Rossi faria.
Para
ser justo, Andrew também borboleteou no único cruzamento alto sobre
a nossa área.
Portanto,
não sabemos o que esperar do nosso atual goleiro reserva e tememos o
que podemos esperar do titular.
A
“perdência” de gols
A
síndrome de perder gols é tão forte no Flamengo que resolvi
inventar uma palavra para sintetizá-la.
No
jogo de sábado, o “protagonista” foi o Paquetá, devidamente
advertido pelo Gustavo, já que se trata de um reincidente em
partidas importantes contra o Palmeiras, mas o problema vai bem mais
longe.
No
jogo contra o Cuzco, uma das causas me pareceu evidente: o
preciosismo com que os jogadores do Flamengo tentam chegar ao gol.
É
toquinho pra cá, toquinho pra lá e ninguém chuta.
Afora
isso, falta pé na forma, também.
Quando
aparece a chance de bater das proximidades da área, é grande a
chance da bola ir pelos ares.
Não
é Luiz Araújo, Lino, Jorginho, Paquetá, Royal?
Há
também um pouco de falta de sorte, em bolas que batem na trave (EA)
ou como naquela que o Nico chutou, passou pelo goleiro e resvalou na
canela do zagueiro, entre as pernas dele, e foi pra linha de fundo.
Não
sei como se pode resolver essa síndrome, mas imagino que treinos
específicos e menos preciosismo devem ajudar.
Leonardo
Jardim
Jardim
fica na fronteira entre o estrutural e o circunstancial porque,
embora a necessidade de uma grande decisão tática tenha sido
circunstancial, consequência da expulsão do Carrascal, LJ parece
não conseguir deixar de priorizar o ataque, mesmo quando o jogo
recomenda uma estratégia mais cautelosa.
Este
é, a meu ver, o ponto crítico que começa a reforçar, na Nação
Rubro-Negra, uma dúvida sobre o trabalho do Jardim.
Faço
aqui uma distinção.
Uma
coisa é errar na escolha de uma estratégia de jogo, algo que
acontece com qualquer treinador, inclusive com os bons.
Outra
coisa é ficar preso a uma estratégia e não conseguir adotar outra,
quando o jogo pede mudança de modelo.
Como
ainda não me convenci de que Leonardo Jardim é incapaz de mudar seu
modelo, dou a ele o benefício da dúvida e classifico o erro de
sábado como circunstancial.
Certo
é que, tendo sido vitimado pela expulsão que desmontou a escalação
construtora e mais sólida do início do jogo, Jardim optou por
mudanças que ofereceram os espaços entre linhas que o Palmeiras
gosta de encontrar nos seus adversários.
Sem
passar pano para o Rossi (“cada um com seu cada qual”), o segundo
e o terceiro gol do Palmeiras nasceram de transições rápidas que
encontraram nossa última linha no mano a mano e isso foi favorecido
pela escolha estratégica do Calvo a partir da expulsão.
Crítica
feita, faço uma ponderação; não acho que, habitualmente, LJ mexe
mal no time (mexeu muito bem contra o Estudiantes, por exemplo).
Acho
que ele fez uma escolha estratégica errada, ao tentar aumentar a
presença no ataque, numa situação em que jogar com cautela era
recomendável.
Por
causa disso, muitos consideram que o Flamengo está embarcado numa
canoa furada, mas acho cedo para cravar isso.
Abel
Ferreira, agora liderando com folga o Brasileirão e com o cartaz de
ter vencido o principal rival no Maracanã, chegou ao confronto de
sábado sob forte pressão da torcida suína e não duvido que parte
dela ainda o critique com veemência.
Aí,
graças à arbitragem ruim, à atitude inconsequente do Carrascal e a
algumas falhas rubro-negras decisivas, entrou no modo alívio e
voltou pra São Paulo com três pontos preciosos.
Nossa
vaca deu uns passinhos em direção ao brejo, mas ainda pode mudar de
rumo, a depender das muitas coisas que irão acontecer entre primeiro
de junho e vinte e dois de julho, data em que está previsto que o
Flamengo voltará a jogar pelo Brasileirão.
Entre
essas muitas coisas, até a volta do Véio, hipótese em relação à
qual fico em cima do muro: não acredito, mas não a descarto
totalmente. Nunca se sabe...
Saudações
Rubro-Negras!!!!!
Carlos César Ribeiro Batista