sexta-feira, 24 de abril de 2026

Coluna do Carlos César: Elenco Curto, Calendário, Coringas


 
O escriba também é cantor e compositor!


Olá, Buteco!


Proponho resenharmos um pouco sobre elenco, enquanto esperamos o próximo jogo.


Meu desconforto com o elenco curto

Vivo reclamando que o elenco do Flamengo é curto para encarar o calendário sempre louco a que é submetido, mas a vida me ensinou que a queixa é paralisante e deve ser enfrentada com ações transformadoras.

Como não tenho o poder de agir para transformar a realidade em que nosso Mengão sempre navega, resolvi me confortar com um estudo da possibilidade de uso de coringas no elenco.

Minha ideia, no post de hoje, é abrir a possibilidade de uma resenha sobre o grupo de jogadores com que contamos no momento, indicação de jogadores coringas e possíveis opções vindas da base.


O elenco é curto, mesmo

Observemos o elenco do Flamengo, a partir dos relacionados e dos afastados no jogo contra o Bahia, em 19/04/26:

TITULARES: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro, Evertton Araújo, Paquetá, Arrascaeta, Plata, Pedro, Lino. (1 goleiro e 10 de linha)

RESERVAS: Andrew, Dyogo Alves, Royal, Danilo, Vitão, Ayrton Lucas, Saul, De La Cruz, Luiz Araújo, Bruno Henrique, Cebolinha, Wallace Yan. (2 goleiros e 10 de linha)

AFASTADOS: Jorginho, Pulgar, Carrascal. (3 de linha)

Temos, portanto, um elenco principal com 26 jogadores, 3 goleiros e 23 de linha.

Em algumas posições (vou detalhar isso mais adiante), temos a conta do chá e o clube passa sufoco quando alguém se lesiona.


Os treinadores não gostam de elencos grandes. E a base?

Não preciso ir muito longe: Filipe Luís trabalhava com elenco curto e usava muito pouco a base e Jardim segue caminho parecido.

É interessante notar, quanto ao Jardim, que ele tem relacionado poucos garotos e que, tanto contra o Bahia quanto no jogo contra o Vitória, nenhum jogador da base foi relacionado, exceto os já firmados no elenco principal: Dyogo Alves, Evertton Araújo e Wallace Yan.

Cumpre fazermos aqui uma reflexão que, a meu ver, pode justificar essa conduta dos treinadores rubro-negros.

Por força da loucura do calendário, o Flamengo joga partidas decisivas a cada três ou quatro dias, seja disputando três pontos vitais em cada jogo do Brasileirão, seja enfrentando uma fase de grupos da Libertadores com pouquíssima margem para erros, seja encarando mata-matas, desde já na Copa do Brasil e, mais adiante, também na Libertadores.

Por esse contexto, que dá aos treinadores do Flamengo pouquíssimo direito de errar, eles preferem não arriscar o uso da base e levam ao extremo o uso dos jogadores do elenco principal.



A Fórmula do Jardim - Promissora, Animadora e Com Riscos

Sem grandes malabarismos intelectuais e com uma simplicidade que chega a ser surpreendente, nosso Calvo montou um bom time base e vem fazendo rodízios eficazes, variando a escalação a cada jogo, quase sempre sem prejuízos significativos quanto ao desempenho e aos resultados do time.

A expectativa para o jogo contra o Vitória era de um time com muitas mudanças e, em consequência, com desempenho menos satisfatório do que o dos jogos anteriores e as duas coisas aconteceram, mas aparentemente por motivo diferente do que o peso atribuído pelo clube ao duelo com os baianos.

Vejam o que disse o nosso treinador antes do jogo (postagem de @luizasabg):

A equipe que vai iniciar está mais fresca. Tivemos alguns jogadores sobrecarregados, além das lesões que tínhamos. Temos mais dois ou três jogadores pesados, vinham de três jogos seguidos. O importante é aqueles que iniciarem mostrarem por que estão no Flamengo.”

Minha interpretação dessa fala é que o Flamengo teria usado mais dois ou três titulares se eles estivessem “frescos”, sem risco evidente de lesão, o que sinaliza que, na prática, a Copa do Brasil não fica tão atrás das outras competições em matéria de prioridade.

A fórmula de rodízios do Jardim se mostra promissora, mas não resolve plenamente o problema do elenco curto porque, como aconteceu em alguns momentos dos doze jogos em que dirigiu o Flamengo, nosso treinador já foi obrigado a jogar sem reserva para uma ou outra posição e, pela sequência absurda a que o time é submetido, pode continuar sujeito a isso na continuação da temporada.



Coringas – O que temos e o que precisamos

Um jeito de não aumentar muito o elenco e de, ao mesmo tempo, conseguir responder às demandas resultantes de afastamentos de titulares e de reservas imediatos é contar com coringas e é este o exercício a que me proponho, como forma de aliviar meu permanente desconforto por achar o elenco curto.



Goleiros

A exemplo do que fez Papai Dorival com o goleiro Santos, em 2022, Leonardo Jardim tem escalado sempre o Rossi.

Para a reserva imediata, temos o Andrew, não utilizado pelo Calvo nas primeiras doze partidas que dirigiu e, para a segunda reserva, o garoto Dyogo Alves.

Posto aqui um trecho da entrevista do nosso treinador após a vitória sobre o Bahia (transcrição do texto da reportagem do GE.com):

Quando o treinador acredita nos jogadores, não pode deixar um jogador sem jogar um mês e depois, quando chamá-lo, ele não estar em condições de jogar. Por isso, de três em três jogos, de quatro em quatro, tem que ter uma rotação, para que os jogadores que ficam mais tempo fora consigam se apresentar na melhor forma.”


A posição de goleiro é diferente mesmo, mas a lógica exposta pelo Jardim não valeu para o Andrew, até agora.



Laterais

A julgar como vem agindo o treinador, temos por enquanto, para as laterais, apenas a conta justa: Varela e Royal na lateral direita e Alex Sandro e Ayrton Lucas na lateral esquerda.

Quem pode ser o segundo reserva em cada lateral?

Sem especular sobre possíveis soluções na janela do meio do ano, Varela pode ser opção emergencial para a lateral esquerda, hipótese que torna relevante a existência de um segundo reserva para a lateral direita e o garoto mais utilizado, até agora, foi o Daniel Salles.



Zagueiros

Mais um setor em que temos, por enquanto, a conta justa: Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo (veterano) e Vitão.

Vitão vem sendo pouco utilizado e isso motivou pergunta de um repórter depois do jogo de quarta-feira. Jardim respondeu assim (transcrição da matéria do GE.com):

O Vitão... este ano jogou algumas vezes. No Carioca, jogou várias vezes. Hoje não foi opção por dois fatores. O Ortiz estava fresco, descansou dois jogos nos últimos 15 dias. Tenho que dar alguma sequência a ele porque é um jogador importante para nós... Hoje, eu queria um jogador de mais construção. Com um bloco baixo do Vitória, muitas vezes o Ortiz é o jogador que vai procurar melhores passes entre linhas, melhores decisões. Nessa situação, eu preferi o Ortiz para dar continuidade, porque estava descansado. E para aproveitar a capacidade que ele tem com equipes de bloco baixo, procurando passes interiores e mudança de flanco.... mas o Vitão com certeza, no futuro, vai ter mais oportunidades. O futebol é assim.”

A mim pareceu que o Jardim não está acreditando muito no Vitão, pelo menos por enquanto.

Pelos aproveitamentos que já tiveram, Danilo e Vitão são mais aptos à função de coringa, podendo atuar na zaga direita e na esquerda, mas não temos segundo reserva.

Conheço pouco a garotada da zaga do Sub-20 e o João Victor se desgastou ao ser escalado num jogo crítico, pelo Filipe, sem qualquer minutagem preparatória.

Então, pergunto: Quem, entre os garotos da base, está mais apto a ocupar a posição de segundo reserva da zaga?


Volantes

Recentemente, esse setor ficou pressionado pela ausência simultânea de Jorginho, Pulgar e Saul.

Além deles, temos Evertton Araújo, De La Cruz e Paquetá, jogador que virou ótima solução para a posição de segundo volante, mas que também é opção para a reserva imediata do Arrascaeta.

Paquetá, agora lesionado, é coringa, porque pode jogar pelo menos em três posições, mas a necessidade de Arrascaeta ter dosagem de minutos atrai nosso cria para a substituição do camisa 10 e, em tese, tende a reduzir as opções para a posição de segundo volante.

Saul também é coringa. Jardim já disse que o espanhol pode fazer as três posições do meio de campo, mas definiu, como veremos adiante, que os reservas do Arrasca são Paquetá e Carrascal.

Adiantando Paquetá para a meia, ficamos com cinco volantes, o que eu considero ser conta justa, porque volantes levam muitos cartões (precisam matar os contra-ataques) e porque temos dois veteranos, Saul e Jorginho, e um jogador que exige muita dosagem, o Nico.

Pergunto, então: Que volantes do Sub-20 podem responder a demandas emergenciais da posição?


Meias Centralizados

Temos Arrascaeta e, para um rodízio, o Paquetá e o Carrascal. Vejam o que disse o treinador no pós-jogo de quarta-feira:

Falei com o Arrasca antes do jogo. Eu disse: Arrasca, neste momento, o Paquetá e o Carrascal, que são os meias que fazem aquela posição, te deixaram sozinho (risos). Por isso, temos que fazer uma gestão nesse jogo. Talvez na segunda parte você joga porque já vou precisar de ti logo a seguir e não vai dar tempo para descansar.”


Carrascal é, portanto, uma opção de Jardim para a meia centralizada, embora eu o veja mais como um ponta que faz diagonais e que faz isso melhor partindo da esquerda.

Seja como for, podemos considerar que a posição tem cobertura satisfatória, com Arrasca, Paquetá e Carrascal, mas poderá ficar menos coberta se, por força de sucesso do cria na posição 8, Jardim acabar fixando Paquetá como volante.

Em tal hipótese, que acho improvável, a posição de volante deixaria de ficar na conta justa, mas a reserva da meia centralizada só teria o Carrascal.


Pontas pela direita

Plata e Luiz Araújo são os dois efetivos. Wallace Yan e Carrascal, ambos coringas, são opções para a segunda reserva.


Pontas pela esquerda

Temos Samuel Lino e Cebolinha e, tanto quanto na ponta direita, Wallace Yan e Carrascal são opções para a segunda reserva. Se Carrascal ficar no Flamengo e Cebolinha sair no meio do ano, Carrascal poderá virar reserva imediato do Lino.


Centroavantes

Pedro é o titular e Bruno Henrique o reserva imediato. De novo, Wallace Yan é opção para uma segunda reserva.


Resumo:

Goleiros: Rossi, Andrew, Dyogo Alves

Laterais Direitos: Varela, Royal, Daniel Salles

Laterais Esquerdos: Alex Sandro, Ayrton Lucas, Varela

Zagueiros: Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo, Vitão, (Quem da base?)

Volantes: Jorginho, Pulgar, Evertton, De La Cruz, Saul, (Paquetá?), (Quem da base?)

Meias: Arrascaeta, Paquetá, Carrascal

Pontas Direitas: Luiz Araújo, Plata, Carrascal, W. Yan

Pontas Esquerdas: Samuel Lino, Cebolinha, Carrascal, W. Yan

Centroavantes: Pedro, Bruno Henrique, W. Yan

Se eu estiver certo nas minhas considerações, estamos atrasados em prevenção para três posições, lateral direita, zagueiro e volante, e os garotos escolhidos precisarão de alguma minutagem, em coerência com o que defende o Jardim:

Por isso, de três em três jogos, de quatro em quatro, tem que ter uma rotação, para que os jogadores que ficam mais tempo fora consigam se apresentar na melhor forma.”


Saudações Rubro-Negras!!!!

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Flamengo x Vitória

   

Campeonato Brasileiro/2026 - Série A - 22ª Rodada

Quarta-Feira, 22 de Abril de 2026, as 21:30h (USA/ET 20:30h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGORossi; Royal, DaniloLOrtiz e AyrtoLucas; Evertton DlCruzLuiAraújoBrunHenriqueCebolinha e Pedro. TécnicoLeonardJardim.


Vitória: Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Cacá, Luan Cândido e Ramon; Caíque, Zé Vitor e Martínez; Erick, Matheuzinho e Renê. Técnico: Jair Ventura.

Arbitragem: Anderson Daronco (FIFA/RS), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Leila Naiara Moreira da Cruz (FIFA/DF) e Michael Stanislau (AB/RS). Quarto Árbitro: Lucas Coelho Santos (BAS/RJ). Assessor: Anderson Carlos Gonçalves (Assessor/CBF/PR). Árbitro de Vídeo (VAR): Thiago Duarte Peixoto (AB/SP). Assistentes VAR (AVAR) 1 e 2: Vitor Carmona Metestaine (AB/SP) e Adriano Barros Carneiro (AB/MA)Observador de VAR: Fernando José de Castro Rodrigues (Assessor/CBF/PA). Quality Manager: Mikael Silva de Araújo (Assessor/CBF/BR).

Transmissão: Sportv (TV por assinatura) Premiere (sistema pay-per-view).


Esquenta: Flamengo x Vitória, pelas Quinta Fase da Copa do Brasil/2026

 

Salve, Buteco! É hora de dar um rolé com a Baranga! O Safadão vai dar um trato na Endinheirada, mas com aquela cautela básica para não se queimar com a Patroa e a Princesinha, suas prioridades. Não por acaso desconheço algum torcedor que não defenda uma formação bem alternativa para o confronto de hoje à noite.

Fala-se em uma formação com Andrew; Royal, Danilo, Vitão e Ayrton Lucas; Evertton, Saúl (Jorginho) e De la Cruz; Luiz Araújo, Wallace Yan (Cebolinha) e Bruno Henrique. Com todo o respeito que o Leão do Barradão merece, deve ser o suficiente.

Tenho lido algumas análises interessantes sobre os momentos em que o time desacelera e tenta cadenciar o ritmo durante os jogos. Parece-me claro que este é um aspecto que ainda precisa ser aprimorado, já que, com alguma frequência, falta controle e, mais do que isso, a pressão dos adversários tem levado muito perigo.

De qualquer maneira, hoje não será o tipo do jogo em relação ao qual se deve nutrir expectativas de evolução neste quesito, já que, como frisei, tudo indica que o onze que entrará em campo será uma formação bem alternativa.

O Calvo não tem outra alternativa, pois começará no próximo domingo aquela sequência Atlético/MG (Belo Horizonte), Estudiantes (La Plata), Vasco da Gama (Rio de Janeiro), Independiente Medellín (Medellín), Grêmio (Porto Alegre), Vitória (Salvador) e Athletico/PR (Curitiba), em relação a qual venho alertando vocês já há algum tempo.

Então, a Baranga terá que se contentar com um carro mais modesto e um restaurante de orçamento mais amigável para o rolé desta noite. Quem ama de verdade valoriza a essência, antes de tudo.

O Ficha Técnica subirá as 19:00h e a palavra, como sempre, está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

3 Pontos e a Locomotiva de Gols Perdidos

 

Salve, Buteco! Falávamos no sábado sobre os números do Esquadrão no Campeonato Brasileiro e nas dificuldades que o jogo poderia apresentar. Como frisou o sempre excelente Raphael Rabello, do Falando de Tática:

Flamengo ignorou o fato do Bahia ser um dos times que melhor pressiona os adversários. Saiu limpo, sem problemas. Saída de bola do time do Leonardo Jardim tá coisa fina!!

Mais do que isso, o Bahia é o melhor visitante do Campeonato Brasileiro.

Pois bem, no frigir dos ovos, o placar poderia ter sido os 8x0 do Vitória ou pelo menos algo bem próximo a isso, e não estamos falando de uma atuação exuberante, mas sim da mastodôntica quantidade de chances de gol criadas e desperdiçadas pelo nosso ataque.

Se houve uma agradável surpresa na partida de ontem, foi justamente a maneira como o Flamengo do Calvo se desvencilhou com facilidade das armadilhas do jogo de posição do Bahia de Rogério Ceni.

É claro que nem tudo foi perfeito. O time caiu muito de produção após a parada para hidratação no primeiro tempo e, depois de um início muito bom na etapa final, mas com vários gols perdidos, o jogo chegou a ter alguns minutos da tal "trocação", com a bola beijando o travessão de Rossi num lance, e com o argentino praticando ótima defesa em outro, que detalharei em seguida.

Pareceu-me que a causa desse problema foi a saída de Samuel Lino, que esteve bem abaixo na parte técnica, mas, como sempre, era combativo na fase defensiva do jogo. A entrada de Bruno Henrique abriu, num primeiro momento, uma avenida na lateral direita, explorada por Acevedo, que largou o bombaço defendido por Rossi.

Todavia, a locomotiva de chances perdidas voltou a funcionar com força, até que, assim que o Calvo promoveu as entradas de Saúl e De la Cruz, o Pigmeu Charrúa cobrou um escanteio e o Influencer Espanhol deu a assistência com um toque sutil para Lucas Paquetá, que, mais uma vez, foi decisivo, dando números finais à partida. 

Contudo, no final, o Cria sentiu a região do joelho, na perna esquerda. Enquanto eu escrevia esse post o clube ainda não havia divulgado nenhum boletim médico.

Quarta-feira tem Copa do Brasil. O time apresentou sinais de desgaste e ainda teremos vários desfalques.

Estão vendo por que implico tanto com a Baranga?

***

O Flamengo de Leonardo Jardim é, no geral, "ofensivamente bem mais fluido" do que o da temporada passada. 

Acertos precisam ser feitos no setor defensivo, que volta e meia apresenta panes durante os jogos.

A evolução do trabalho, porém, parece ser bem promissora. A conferir o que a sequência nos reserva.

***

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.