Olá, Buteco!
É, Mengão, você me fez perder o sono de quarta pra quinta, enquanto eu tentava processar na mente a sua situação na temporada de 2026.
Continuamos vivos nas duas principais competições, mas o desempenho do time aponta para o risco real de terminarmos a temporada sem grandes títulos.
Esse negócio de transferir toda a missão pra São Judas Tadeu não tá certo.
O clube e o time têm que fazer a maior parte do trabalho e só devem recorrer ao Santo em momentos especiais, tipo aquele chutão do Diego Ribas que virou assistência pro Gabigol na final de Lima, em 2019.
Sacou, Mengão?
Bico Torto
O Amigo Sertão Potiguar escreveu, no Esquenta de 29/07/26, preparação para o jogo contra o Inter:
“Boa parte desses treinadores portugueses de 3a ou 4a prateleira sabe fazer o básico.
Já os brasileiros, só os top de linha conseguem fazer um feijão com arroz bem feito.
Os dois tipos têm um ponto em comum: quando entortam o bico, erram até cair.”
Nosso prezado Leonardo Jardim parece estar entortando o bico e, a julgar por algumas entrevistas que já deu e pelas avaliações de muitos críticos, aqui no Buteco e nos canais rubro-negros do YouTube, talvez esteja no modo “errar até cair”.
Já reclamei aqui do excesso de poder que se dá aos treinadores, algo que inclui essa permissão de errarem até a queda se tornar a única saída.
Não conheço os bastidores do futebol do clube e isso me impede de avaliar o fenômeno com maior precisão, mas o fato é que o Flamengo nunca consegue fazer uma mudança de rota que evite o resultado final de sempre, que é a queda do treinador, após ter início o entortar do bico que leva a frustrações nas competições importantes.
No Brasileirão, o Flamengo ainda tem quase um turno inteiro pra jogar, no qual, para ser real candidato ao título, precisará ser melhor do que o Palmeiras e do que o terceiro colocado (se o Sinthetico continuar na trajetória recentemente iniciada).
Então, há muito campeonato pela frente e ainda podemos conquistá-lo, mas o desempenho atual do time não sinaliza para a melhora que precisa acontecer.
Esse mesmo raciocínio se aplica à Libertadores: ou o time e o clube acordam (Jardim, Boto, Bap), ou vamos ficar pelo caminho.
Tá na hora de começar a desentortar o bico.
Exercício de Matemática
Sob o comando do Jardim, o Flamengo já fez 17 jogos no Brasileirão, nos quais conseguiu 35 pontos e 68,6% de aproveitamento.
Dezessete jogos são quase um turno completo, o que permite que consideremos esse conjunto de partidas como boa amostragem do real potencial do Flamengo no campeonato, aí misturando qualidade do elenco, desempenho do Jardim, bons e maus momentos, desfalques importantes, tudo que faz parte da realidade do time numa temporada.
Como faltam 18 jogos e parece não haver plano de demissão do Jardim, podemos fazer a seguinte projeção de pontos do time:
** 35 jogos com Jardim – 68,6% x 35 x 3 = 72 pontos
** 3 jogos com Filipe = 4 pontos
** Total previsível em 38 jogos = 76 pontos
Sob o comando de Abel Ferreira, o Palmeiras tem 47 pontos em 21 jogos, com aproveitamento de 74,6%, o que leva a uma projeção de 85 pontos, nos 38 jogos.
É só um exercício aritmético, porque existe a hipótese do Flamengo melhorar e do Palmeiras piorar, mas a matemática não está simpática para nós.
E se o Palmeiras não piorar?
Aí, o Flamengo precisará fazer 46 ou 47 pontos nos 20 jogos faltantes, o que significa um muito improvável aproveitamento de 76,7% ou 78,3%.
Consequentemente, para sermos realistas, precisamos que o Flamengo melhore e que o Palmeiras piore.
Sobra pra nós, portanto, torcer, torcer, torcer e secar, secar, secar.
Não gosto nada dessa opção, mas parece ser a que temos.
É só uma fase ruim?
Não parece ser só uma fase ruim, mas Jardim tem a atenuante de ter sofrido com muitos desfalques no retorno ao Brasileirão, depois da Copa.
Analisemos a escalação do time contra o São Paulo:
Rossi, Royal, Vitão, Léo Pereira, Alex Sandro, Pulgar (EA aos 87), Jorginho, Lorran (Arrasca aos 57), Samuel Lino, Pedro (Wallace Yan aos 87), Bruno Henrique (Cebolinha aos 76).
Considerando alguns elos fracos e jogadores indisponíveis ou em má fase (Jorginho!!!), Jardim contou com poucas opções para tentar melhorar o rendimento do time.
No jogo contra o Inter, finalmente o Arrasca conseguiu jogar toda a partida, mas o time voltou a jogar mal e um dos piores em campo foi o Jorginho, jogador importantíssimo que vem mal desde a inter-temporada e entregando gols e grandes chances aos adversários.
Mesmo neste momento em que mostra declínio, o Flamengo do Jardim consegue criar mais chances de gol do que na temporada passada, porém sofre com o desequilíbrio causado por um sistema de jogo pouco comprometido com a proteção do nosso meio de campo e da nossa última linha.
Por mais que a gente se concentre em torcer, torcer, torcer e secar, secar, secar, se não houver correção do sistema de proteção ao nosso meio de campo e à nossa última linha, vamos continuar perdendo pontos irrecuperáveis e ficaremos cada vez mais distantes das chances de títulos, seja no Brasileirão, seja na Libertadores.
Pedro, o calcanhar e as recaídas no descompromisso
É ótimo termos um centroavante com recursos técnicos que lhe permitem dar soluções incomuns a determinados lances, mas acho que o Pedro está abusando. Não sou contra lances criativos, muito pelo contrário, porém, no que me diz respeito, já encheu o saco.
Calcanhar – Pedro é bom, mas não é o Sócrates, que usava esse recurso com mais objetividade e, preferencialmente, com a bola rolando na grama.
No jogo contra o São Paulo, o Pedro deu um passe de calcanhar na defesa, sem saber para quem a bola estava indo e a sorte foi um jogador adversário tocá-la com a mão e o Daronco ter marcado a falta, porque a bola poderia chegar perigosamente à frente da nossa área.
Mais tarde, nos últimos minutos, bola dentro da área do São Paulo, ele tentou fazer um gol de calcanhar com a bola no alto e o Luís Carlos Jr. narrou: “ Se entra, seria um golaço.”
O problema é exatamente esse “SE”.
É raríssimo essa bola entrar.
O gol de calcanhar surpreendendo a defesa é tão raro que minha única lembrança de um gol assim é do Fio Maravilha, acho que em 1970, num Fla-Flu (e foi com a bola no chão).
Desde então, devem ter acontecido alguns outros, mas são raríssimos e vejo abuso do Pedro no uso desse recurso.
Malabarismos – Recentemente, o Pedro tentou fazer um gol de cabeça pra baixo, numa bicicleta em que a bola estava nas alturas. “Se entra...”
Vejo o Pedro mais preocupado em brilhar individualmente do que em contribuir para o time e o Gustavo falou do descompromisso do Nove Bolado no Esquenta do jogo contra o Inter, algo que se caracteriza como uma recorrente recaída, já que esse é o histórico dele no clube.
Com o Filipe Luís, o clima ficou péssimo por causa desse descompromisso e, pra variar, Pedro apresentou-se como o injustiçado.
Quando o Jardim chegou, Pedro teve o habitual recomeço, com muita participação no bloqueio da saída de bola dos adversários, mas já voltou a ser aquele jogador que só joga com a bola no pé e, agora, com exageros de virtuosismo que me incomodam.
O futebol pode ser jogado de muitas maneiras, mas a mais produtiva continua sendo com o jogador em pé e usando a parte da frente dos pés.
Não estou escrevendo isso para torná-lo o bode expiatório da má fase do time, porque ela é resultado de muitas coisas erradas, mas ele pode ser, sem dúvida, apontado como um símbolo, por ser dos que menos contribuem para o esforço coletivo da equipe quando a bola está com o adversário.
Distribuição de Responsabilidades
Nosso Amigo Gustavo alertou, em comentário recente, sobre a necessidade de não sermos seletivos e jogarmos todas as culpas no Leonardo Jardim e, de fato, quando as coisas começam a ir mal, precisamos ter o cuidado de distribuirmos bem as responsabilidades.
Como disse em outro capítulo deste post, não conheço os bastidores do futebol do clube e isso me impede de fazer avaliações mais precisas, mas existe um princípio básico de gestão que afirma que um chefe pode delegar autoridade, mas não se livra das responsabilidades relacionadas ao que delega.
Jardim é alvo de críticas justas pelo futebol que o time vem praticando, mas isso não exime Boto, Bap e os jogadores de suas culpas.
Nosso treinador não tem qualquer responsabilidade por não termos um bom lateral esquerdo para revezar com o veteraníssimo Alex Sandro (o simpático e esforçado Beijinho não é esse jogador), assim como não tem culpa de continuarmos sem um bom centroavante reserva para o Pedro, depois de dezenove meses do Boto no cargo de Diretor Técnico e do Bap, na presidência.
Essas são responsabilidades e culpas do Boto e, na medida em que ele tem delegação do Bap para cuidar disso, também são responsabilidades e culpas do presidente.
Incluo entre as responsabilidades do comando do clube a de influir no trabalho do Jardim para que melhore o sistema de jogo do time.
Bap vive dizendo que dialoga frequentemente com o Boto e com o treinador, mas o fato é que o desempenho do time não parece suficiente para brigarmos pelos títulos restantes da temporada e há sinais de piora neste momento em que a gente precisa melhorar.
Encerro este post dizendo às Amigas e ao Amigos do Buteco que ele foi dos mais difíceis que já escrevi, porque detesto navegar no pessimismo e sou avesso a amarguras de qualquer tipo, inclusive as rubro-negras.
Como última defesa emocional, mantenho-me no modo “esperança de reação”, mas infelizmente não posso fugir da realidade e ela, no momento, não me permite ser otimista.
Desculpem meu mau humor, mas ele ontem estava nas alturas, no período do dia em que escrevi o texto.
Acorda, Mengão!!!
Saudações Rubro-Negras!!!
Carlos César Ribeiro Batista








