segunda-feira, 29 de junho de 2026

Eu, a Seleção Brasileira e as Copas do Mundo

 

Salve, Buteco! Como hoje, logo no início da tarde, a Seleção Brasileira jogará contra o Japão pelos 16 avos de final, achei que não faria muito sentido falar sobre Flamengo. Então, resolvi dar continuidade ao post As Copas do Mundo da Minha Infância, publicado aos 3 de dezembro de 2022.

E como a foto do post bem sugere, o momento mais dramático dessa relação ocorreu com a Seleção de 1982, mais precisamente no dia 5 de julho, quando o Brasil perdeu para a Itália por 2x3 no que ficou conhecido como "A Tragédia do Sarriá". Minhas memórias desse dia são as piores possíveis, inclusive no âmbito familiar.

Com 12 anos de idade, o futebol já tinha me ensinado que esse amor pode muitas vezes machucar. As derrotas mais inexplicáveis que havia sentido, até aquele dia, haviam sido os 2x5 para o Grêmio em 1977 e o 1x4 para o Palmeiras em 1979, ambas sofridas pelo Flamengo em jogos do Brasileirão.

A Seleção Brasileira havia me "proporcionado", em nível de dor, apenas a eliminação na Copa América de 1978 para o Paraguai no Maracanã (2x2 - time-base do Olimpia campeão mundial no ano seguinte) e a derrota para o Uruguai na final do Mundialito de Montevidéu em 1981, considerando que na Copa do Mundo de 1978 a campanha foi invicta e houve a vergonhosa mutreta de Argentina 6x0 Peru.

A derrota para a Itália, ao contrário, simplesmente não entrava na minha cabeça. Lembro-me de que, a cada vitória conquistada pelo Brasil naquela Copa, as pessoas iam para as ruas dançar, sendo aqui em Brasília a comercial da SQS 109 o ponto mais badalado.

A Seleção de 1982 até hoje é reverenciada no mundo inteiro como uma referência de futebol de qualidade. Arrisco dizer que, ao lado da Hungria de 1954 e da Holanda de 1974, foram os três times mágicos que acabaram traídos pela História e pela entidade da Copa do Mundo.

Vejam bem, outros favoritos caíram na História das Copas, mas esses três times, convenhamos, são apontados como os grandes esquadrões que acabaram escorregando na traiçoeira estrada do favoritismo. E a bola adora punir os favoritos, diria Muricy Ramalho.

Depois de 1982, a minha relação com a Seleção Brasileira nunca mais foi a mesma.

***

Torci pela Seleção em todas as Copas seguintes, desde 1986 até 2006. Em 1986 eu estava "anestesiado" por 1982 e completamente envolvido pelo Rock'n'Roll, particularmente, pelo Heavy Metal. As Copas de 1990, 1994 e 1998 tiveram em mim um torcedor mais maduro, com menos expectativas por conta das memórias e cicatrizes do Sarriá. 

Dessas seleções, a que mais gostei foi a de 1998, dirigda por Zagallo num 4-4-2 tradicional, ofensivo, sem as amarras e a enceradeira de 1994. Os jogos contra a Dinamarca e a Holanda foram os meus favoritos. Ali nasceu o meme do Galvão Bueno urrando "Tafareeeeeeeeeeeeellllll!!!!!!!!! Sai! Sai! Sai! Sai que é suuuuuuaaaa, Tafarellllll!!!!!!!!!!!"



Inesquecível.

Em 2002 eu já era pai daquela moça que vocês conheceram no post O Diário de Lima. O time não me encantava tanto, mas as madrugadas tomadas pela Copa do Mundo e os jogos da Seleção foram de muita emoção. Por sinal, foi a última vez que a Seleção Brasileira me emocionou.

***

O início do meu distanciamento emocional da Seleção ocorreu na Copa de 2006, com a farra na concentração em Weggis, na Suíça. Treinos abertos, ambiente permissivo e festivo, celebridades, invasões de torcedores no gramado, aventuras noturnas e preparação física precária.

Tudo aquilo que sempre odiei naquele Flamengo que deixamos para trás. Vocês, que generosamente leem os meus posts e comentários, bem sabem disso.

Para piorar a situação, a CBF contratou Dunga para dirigir o time na Copa seguinte, em 2010, na África do Sul. Amigos, na "Era Dunga" eu torci contra do primeiro ao último jogo. Vejam bem, tenho um enorme respeito pelo ótimo volante e capitão da Seleção de 1994, mas tenho absoluto repúdio pelo personagem público e pelo treinador que sempre hostilizou a Geração de 1982.

A partir de então, ocorreu a desconexão total.

Em 2014 eu estava em um bar em Cuiabá (viagem a serviço) e confesso que contive os risos ao ver a Alemanha com a camisa inspirada no Manto Sagrado aplicar 7x1 no time do inefável Luiz Felipe Scolari, campeão de 2002, mas antigo inimigo do Flamengo.

Em 2018 as convocações de Tite (outro velho inimigo) prejudicando o Flamengo me levaram a um estado de ódio que eu só havia sentido quando Dunga dirigia o Escrete Canarinho. Torci contra forte, com gosto, com força, embora menos do que em 2010.

Contudo, em 2022 um fator começou a provocar o arrefecimento desse sentimento de desconexão.

***

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Ah, meus prezados Amigos do Buteco, torcer contra Crias não dá, ainda mais quando são dessa estirpe, com conexão tão profunda com o Mais Querido do Brasil e do Mundo, o Fuderosão das Galáxias, o Clube de Regatas do Flamengo.

Uma Copa do Mundo vencida com o protagonismo de Vinicius Jr. e a titularidade de Lucas Paquetá seria uma vingança deliciosa, para desespero dos detratores, dos hipócritas e dos cretinos, que nada sabem. Seria um cala-boca inesquecível contra a imprensa paulista e toda a torcida arco-íris.

Então, os imprevisíveis caminhos da bola me levaram a voltar a torcer pela Seleção Brasileira. É claro que sem qualquer conexão com a entidade CBF, mas com muita torcida pelos nossos Crias.

Então é isso. Pra frente Brasil! Salve o Paquetop e o Vini Malvadeza!

Foto: Pedro Martins/Socceris

Foto: Shawn Botteril/FIFA via Getty Images

***

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

sábado, 27 de junho de 2026

Hat-Trick do FDS - Tempos de Copa (4)

 

Salve, Buteco! E a frase de hoje é... Abra-te Sésamo! Por quê? Porque a Nefasta (CBF) decidiu, ontem no final da tarde, que abrirá uma janela extraordinária entre os dias 9 e 17 de julho, porém exclusiva para reforços nacionais. Logo, como venho insistentemente frisando em vários textos ao longo deste quase finado primeiro semestre, a segunda janela de registros para transferências (internacionais inclusas) permanece programada para ocorrer entre 20 de julho e 11 de setembro, conforme previsto no Calendário Oficial do Futebol Brasileiro divulgado pela Nefasta ano passado.

O Flamengo mira reforços no cenário nacional?

É o que saberemos em breve. De concreto, temos no momento apenas o silêncio, que tanto pode significar uma prudente e elogiável estratégia de manter sigilo em negociações em curso, como, ao revés, o puro e simples (e odioso) estado de inércia.

Os Amigos do Buteco postam suas fichas em qual alternativa?

***


Como ia dizendo a vocês no post Intercâmbio, da segunda-feira passada, louvo esses torneios disputados no verão europeu e as excursões que o Flamengo e outros clubes brasileiros de prestígio faziam disputando uma série de competições amistosas com clubes do Velho Continente.

Na página oficial do clube, temos o registro de várias conquistas dessa natureza nos mais diversos países (não só da Europa), tais como Argentina, Peru, Israel, Marrocos, Tunísia, Equador, Espanha, Alemanha (Ocidental), Itália, Gabão, Angola, Estados Unidos e Malásia.

Faltaram algumas outras, como, por exemplo, o Troféu Dr. Alves de Morais, de jogo único, conquistado com a vitória sobre o Benfica, no Estádio da Luz, em 24 de junho de 1956; o Troféu Sportig Clube de Portugal, conquistado após a vitória sobre o Sporting Lisboa por 3x2, no João Alvalade, em 13 de junho de 1968, e o Troféu Restelo, arrematado com a vitória sobre o Belenenses por 3x2 no Estádio Restelo, em 27 de agosto de 1968.

Muito embora já tenha jogado muitas vezes na Terrinha contra, inclusive, os maiores clubes portugueses, será a primeira vez que o Mais Querido disputará o Troféu do Algarve, que existe desde 2001 e, entre os figurantes internacionais, já contou com clubes como Real Bétis, Sevilla, Middlesbrough, Deportivo La Coruña, Blackburn Rovers, Anderlecht, Athletic Bilbao, Aston Villa, Feyenoord, Paris Saint-Germain (PSG), Newcastle United, West Ham United, Olympiacos, Derby County, Everton, Fulham, Nice, Al-Nassr e Celta de Vigo.

Será a primeira vez que o torneio contará com a participação de clubes sul-americanos, muito bem escohidos nas tradicionais camisas de Flamengo e River Plate.

***

Com esta lista de relacionados, o Mais Querido disputará o Troféu do Algarve iniciando, dentro das quatro linhas, com bola rolando, a preparação para a volta da temporada, o famoso e decisivo "segundo semestre" do calendário.

Chama a atenção a presença de alguns jovens. Sei que o tema já foi objeto de resenha neste Blog, mas gostaria de dar aqui o meu pitaco realçando a chance que Rayan Lucas e Lorran ganharão ao serem incorporados ao elenco.

Em que pese se tratar de jovens de inegável talento, parece faltar em ambos aquela chama que caracteriza os vencedores no Velho Esporte Bretão. Rayan teve um início elogiável no Sporting Lisboa, para depois cair brutalmente de rendimento. E Lorran teve seu talento reconhecido em diversas entrevistas do treinador Gillardino, do Pisa, mas com a ressalva justamente quanto à falta daquele algo mais na parte, digamos, motivacional.

Conseguirá o Calvo despertar nesses jogadores o que é preciso para vencer com o Manto Sagrado? Conseguirá o nosso estimado "Garoto Sensodyne" reposicioná-los no mercado europeu? Ou será que eles regressarão ao Brasil para fazer o famoso "Circuito Nordeste" ou algo do gênero, descendo de patamar (e divisões) para carreiras de pouco brilho?

Cenas dos próximos capítulos, que incluirão, por óbvio, as investidas (?) do nosso "Sorriso Colgate" no mercado. Olha a janela chegando aí, gente!

***

A palavra está com vocês.

Bom FDS e SRN a tod@s.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Coluna do Carlos César: Resenha a Varejo 24/6/2026

 


Olá, Buteco!

Sigamos com as resenhas, enquanto o Mengão vai treinando no Ninho do Urubu, em preparo para a viagem a Portugal e para a segunda metade desta temporada.


Situação do Mengão Sub-20 no BR26 e Viagem a Portugal

No dia 20, sexta-feira passada, foram disputados todos os jogos da décima sétima rodada da fase classificatória do BR26 Sub-20.

Nossos garotos empataram com o São Paulo em Cotia, num jogo em que o gol do tricolor paulista resultou de um pênalti inventado pelo juiz da partida, porque a falta foi feita fora da área.

O Flamengo empatou com um bonito gol do Josmar, centroavante já escalado para viajar com a delegação que vai a Portugal, mas os demais resultados foram desfavoráveis para o Mengão, que terminou a rodada em décimo, fora do Z8.

Essa situação reforça, a meu ver, a conveniência de dar-se prioridade à preparação para a viagem dos jovens bem avaliados e a colocação, em segundo plano, da disputa pela difícil classificação para o mata-mata do BR26 da categoria.

Como disse Camões n’Os Lusíadas, “cessa tudo quando a antiga musa canta e um valor mais alto se alevanta”.

O valor mais alto, agora, é a grande oportunidade de avaliação e possível integração de garotos ao elenco profissional, sob o comando do treinador Jardim.

Espero que ela seja bem aproveitada pelo Flamengo.

Bap e o balanço do primeiro semestre de 2026

O presidente Bap fez apresentação ao Conselho do Flamengo, prestando contas quanto à situação das finanças e dos projetos do clube no final do primeiro semestre deste ano e informando os conselheiros quanto aos planos para o restante de sua gestão.

O endereço do vídeo completo, produzido pela Flamengo TV, está postado a seguir, mas ainda não consegui vê-lo, por ser muito longo.

https://www.youtube.com/watch?v=JaTjnNlEqCQ

O que consegui ver foram alguns cortes já publicados, nos quais há muitas informações impressionantes sobre o quanto pode ser transformadora a gestão Bap.

A leitura mais superficial que faço é que ele e a equipe devem estar trabalhando muito, porque há ações ousadas e transformadoras em diversos campos.

Penso em tentar produzir um post a respeito, mas corri da raia por enquanto, por ser um trabalho que exige muito tempo e disposição.

Vejo o presidente fazendo um grande trabalho de estruturação do Flamengo, algo que vai muito além do futebol e, melhor ainda, ele parece ter a competência necessária para fazer o que se propõe, a julgar pelo domínio que demonstra quando fala dos desafios com que lida na gestão do clube.

Somos uma Nação com diferentes reações à gestão do Flamengo, mas entendo que temos razões para otimismo no médio e longo prazos.

No curto prazo, temos a pressão permanente por títulos e, como consequência, por evolução constante do elenco.

Há pressão agora e sempre haverá porque, como comentei no post “A Busca da Excelência”, de 04/06/26, a excelência é perecível.

É relevante considerar que, por ser a excelência perecível, sua busca deve ser uma combinação de atitude e de prática permanente, seja porque os adversários evoluem e nos impõem novas exigências de qualificação, seja porque as qualificações do elenco decaem com o tempo (por exemplo, por envelhecimento ou venda de jogadores importantes e por saída de um treinador vencedor, caso de Jorge Jesus).”

Por estarmos vivendo uma daquelas pausas do futebol de clubes em que o noticiário sobre o Flamengo fica muito contaminado por caça-cliques sobre contratações, fica difícil sabermos o que realmente vem por aí, mas o Bap se mostra tranquilo nas entrevistas em que fala do assunto e parece não ter tanta pressa quanto nós.

O melhor a fazer é esperarmos a realidade da próxima janela, que só será efetivamente aberta em julho.

Minha torcida é para que, ao final dela, nosso elenco tenha subido alguns degraus em qualidade e, se possível, descido alguns em média de idade.

No que diz respeito aos planos de médio e longo prazos, minha maior preocupação é a proposta de reforma do estatuto que o Bap apresentou e que vai tentar aprovar, voltada para a profissionalização da gestão de todo o clube, inclusive do futebol, claro.

Se eu conseguir produzir um post a respeito da apresentação, tentarei me aprofundar mais no tema do estatuto, que considero uma grande casa de marimbondos e que já vem sendo tratado por alguns youtubers rubro-negros.

Mauro Cesar Pereira até entrevistou o Bap a esse respeito, mas ainda não vi a entrevista, que o MCP informou estar no seu blog, no UOL.

Nesse tema, que é bastante desafiador, eu digo: OREMOS!!!


Já que o assunto é Copa do Mundo...

Já contei isso aqui, mas, em tempos de falta de assunto, vou apelar para um replay, porque alguns de vocês não devem ter visto um rap que fiz há vinte anos.

Hoje em dia, numa gentileza do Rocco e do Gustavo, escrevo no Buteco, mas antigamente eu enchia o saco dos meus amigos escrevendo e-mails sobre futebol.

Poucos dias antes da copa de 2006, “baixaram em mim” alguns versos em forma de rap. Foi uma espécie de download, numa viagem de metrô.

Aí, eu mandei para os amigos uma profecia, num tempo distante em que o Brasil ainda chegava às copas como favorito.

Direto do túnel do tempo, segue o texto de 2006, finalizado com o rap “Esse tal de hexa”:

Agora, vou fazer minha profecia (tomara que eu seja um péssimo vidente): Essa Copa tá me cheirando a 66 e a 82.

Em 66, a gente só foi lá buscar a taça, o time tinha um monte de craques e éramos tão favoritos quanto agora. Voltamos na primeira fase.

Em 82, era um tal de voa, canarinho, voa, mostra pra essa gente que eu sou rei, éramos favoritos e voltamos pra casa muito mais cedo do que esperávamos e do que seria justo.

Agora, a situação é parecida. Temos um plantel muito bom, mas o clima de já ganhou tá no ar.

Com 66, temos, também, uma semelhança muito preocupante.

Como a Copa “estava ganha” e só estávamos indo lá porque era preciso fazer isto para buscarmos a taça, levamos alguns medalhões que já não jogavam a mesma bola, mas não podiam ficar de fora da festa.

Um Garrincha decadente não deixou vaga para o jovem Jairzinho que, em setenta, seria o Furacão da Copa. Djalma Santos, em final de carreira, foi à Inglaterra, enquanto Carlos Alberto Torres, no auge da forma, foi cortado e nem viajou. Bellini, capitão de 58, foi lá para erguer a taça, acompanhado de Orlando, seu parceiro de zaga na Suécia. Ganhamos uma, perdemos duas e voltamos pra casa.

Agora, numa atitude que, para mim, é uma repetição do erro de 66, estamos apostando que os campeões de 2002 conseguirão chegar bem à Alemanha. A meu ver, há risco nisso. Cafu e Roberto Carlos estão mal e não há por que imaginarmos que estarão ótimos na Copa. No Ronaldo, eu ainda aposto umas fichas, mas não muitas, porque está jogando pouco.

Além disso, o Emerson virou titular intocável, o que, para mim, significa uma escolha equivocada (eu não gostava do futebol dele).

Por tudo isso, até comecei a fazer um rap, que envio a vocês em estado bruto, sem retoques e sem acabamento, do jeito que me veio à mente, durante uma viagem de metrô. Tomara que eu seja um vidente bem caolho.

Diz assim:

ESSE TAL DE HEXA

Não sei se é um novo tempo ou um retrocesso,

Não sei se é um certo enjoo do sucesso,

Mas não sei, não...

Quando vejo, na TV, os nossos craques

Anunciando os mais diversos badulaques,

Me dá uma sensação de “deja vu” (lê-se dejá vi)

De que esse filme eu já vi

Em meia-meia e em oitenta e dois

A gente só foi lá buscar a taça,

Jogar, um passatempo. O tempo passa,

Mas a lembrança da tristeza, não

Brasil, o mais bonito, o mais dotado,

Mas jogo só se ganha no gramado

Não nos anúncios da televisão

Timaço, a gente tinha e tem agora

Mas tanta festa assim, antes da hora,

Me faz lembrar de outros “carnavais”

Jogar, só pra cumprir os rituais,

Ninguém ia fazer o papelão

De nos tirar das marchas campeãs

Mas uma tal de Hungria, na Inglaterra

E aquele Paolo Rossi, que não erra,

Tornaram nossas festas coisas vãs.



Sei não, mas acho bom ficar esperto,

Vitória antes da hora é furo certo,

Melhor ficar ligado, na Europa

Ganhar a gente pode, isto é verdade

Mas vamos de sandálias da humildade,

Senão a gente dança, nesta Copa.



Vivemos outros tempos.

Diferentemente de 2006, o nosso elenco está longe de ser o melhor da Copa de 2026 e, pra piorar, não tem mostrado bom padrão tático e bom entrosamento, dependendo demais, até agora, da inspiração do cria Vini Jr., decisivo nas duas primeiras partidas da nossa seleção no grupo C, que será concluído hoje.

Pouco antes do início do jogo contra o Haiti, previ que o Brasil faria um primeiro tempo ruim e que, no segundo, no desespero, Carleto faria substituições mais ousadas.

Deu-se o inverso: no primeiro tempo, a seleção jogou bem e fez 3 a 0; no segundo, reduziu muito o ritmo e empatou em 0 a 0. Com o Haiti!!! Uma inegável baba!!!

Então, não vou fazer previsões, mas a classificação para a próxima fase é provável, porque o modelo atual da copa classifica trinta e duas das quarenta e oito seleções participantes.

Consequentemente, o Brasil do Carleto só não se classificará se conseguir ser uma das dezesseis piores seleções da copa.

Não curto o futebol da seleção atual, mas acho difícil que ela chegue a esse ponto.

No que diz respeito aos nossos jogadores, isso significa que Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Paquetá devem demorar a voltar e não sei como o clube lidará com eles, quanto à reposição de férias pendentes.

No caso dos jogadores Varela, De La Cruz, Arrascaeta e Plata, cujas seleções podem não passar para a próxima fase, o William Godoy informou que, se isso acontecer, eles entrarão em férias imediatamente e só se apresentarão para treinamentos após o período de descanso que lhes for concedido.


Lamentando, Resmungando e Elogiando

Enquanto França e Senegal estreavam na Copa do Mundo, a ESPN teve a boa ideia de reprisar o jogo Flamengo 3, Cuzco 0, pela última rodada da fase de grupos da Liberta 2026.

Aliviou minha crise de abstinência de Mengão e me permitiu enxergar coisas que não tinha visto na noite do jogo.

Daí que me ocorreu esse capítulo do post, todo inspirado pelo jogo Flamengo e Cuzco.

Lamentando: É pena que, por aparente falta de motivação de um e por falta de boas condições físicas do outro, o Flamengo não consiga aproveitar bem o futebol de LA e Nico.

Não fossem essas limitações, seriam dois jogadores capazes de contribuir muito. Um elenco forte precisa de bons reservas e, em boas condições, eles seriam, no mínimo, ótimos reservas.

Nesse sentido, houve algum acerto nas apostas feitas nos dois jogadores. Em teoria, poderiam ajudar muito mais. Na prática...

Consta que Luiz Araújo deve sair, porque a proposta de divórcio é antiga e a vontade do jogador parece irreversível.

Nico fez uma tentativa de tratamento inovador no início da temporada, no Uruguai, e eu o vejo mais desenvolto em campo. Será que há alguma esperança de solução?

Resmungando: Fazer a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores garante decidirmos em casa nos mata-matas, mas seria justo que o cruzamento das oitavas fosse feito com o pior segundo colocado.

Como não somos bons de sorteio, pegamos logo o Cruzeiro, um dos mais fortes adversários do pote 2, talvez o mais forte.

A sorte vive colocando montanhas mais altas pra gente subir do que as dos nossos concorrentes.

Elogiando: Gosto da flexibilidade com que o treinador Jardim vê o futebol de cada jogador. Lino já foi posicionado em diferentes lugares do ataque e joga com muita liberdade de movimentos. De La Cruz não é visto apenas como volante. Paquetá também não. E isso é feito com naturalidade, sem qualquer “solenidade”. Simplesmente ele dá funções diferente aos jogadores em determinado momento do jogo, eles rendem bem e c’est fini.

Se alguém quiser seguir o meu exemplo, fique à vontade para lamentar, resmungar ou elogiar.

Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Intercâmbio

Jogadores de Alemanha e Curaçao se juntam para oração após jogo
da Copa do Mundo — Foto: Sebastian Widmann - FIFA/Getty Images
By Ge - Copa do Mundo da FIFA
 

Salve, Buteco! Hoje gostaria de retomar um dos meus assuntos favoritos, que envolve as consequências da Lei Bosman sobre o futebol internacional, especialmente, porém não exclusivamente, o de clubes. Para tanto, vou começar relembrando parte do texto do Esquenta: Flamengo x Espérance de Túnis, pela 1ª Rodada do Grupo D da Copa do Mundo de Clubes/2025:

"Os generosos Amigos que me honram ao ler os posts que escrevo para este Blog certamente se recordam da sequência de posts sobre o Mundial de Clubes e a Copa Intercontinental, que escrevi antes da participação do Fuderosão Safadão no Mundial/2022 (disputado em 2023).

Basicamente, como demonstrei no terceiro e no quarto posts da série, até o advento da chamada "Lei Bosman", resultado final do julgamento do processo C-415/93 pela Corte Europeia de Justiça - ECJ (European Court of Justice), o supremo tribunal da União Europeia para assuntos relacionados com a aplicação da European Union Law ou o sistema de normas que regem aquela associação de países, o placar da Intercontinental assinalava América do Sul 20x14 Europa.

A Lei Bosman e o fim da "Lei do Passe" são resultado de uma habilidosa e maquiavélica estratégia, que se apropriou sem pudor de uma premissa humanista autêntica, qual seja, o drama vivenciado por jogadores que tinham o seu vínculo empregatício com um clube expirado, os quais só conseguiam trabalhar se o antigo empregador fosse financeiramente indenizado pela perda do "passe" ou direitos sobre a força de trabalho do atleta. Uma forma mais branda e contemporânea de escravidão, portanto.

Entretanto, como eu dizendo, a estratégia foi maquiavélica, isso porque o novo marco regulatório, ao (corretamente) abolir o odioso e escravagista instituto do passe, simplesmente deixou para o "mercado", em sua essência mais crua, ou seja, sem regulação, "regular" as transferências de atletas. Resultado: sob uma bandeira humanista, passou a vigorar a Lei do Mais Forte - financeiramente, é claro. Estamos falando de dinheiro, arame, mufunfa, cascalho.

Não à toa, no mundo todo os clubes mais ricos passaram a exercer a hegemonia em seus respectivos países. Por exemplo, o Bayern de Munique, o Gigante da Baviera, que ontem goleou impiedosamente o amador Auckland City por 10x0, sempre foi o maior e mais vencedor clube da Alemanha, porém depois da Lei Bosman abriu-se um verdadeiro fosso entre ele e os concorrentes.

Na Itália, a Juventus, a maior vencedora no cenário nacional, disparou deixando a concorrência comendo poeira. Na França, o PSG saiu da posição de clube chique e quase inofensivo da capital para a condição de opressor dos rivais, tal como o Bayern na Alemanha. Na Inglaterra, onde o dinheiro sempre falou alto, mas havia concorrência, Liverpool e Manchester United assistiram rivais como o Chelsea e o Manchester City ganharem terreno e se tornarem mais competitivos do que o Arsenal.

O que existe hoje, em nível de regulação, é mera mitigação da Lei do Mais Forte. A Lei Bosman estabeleceu o paraíso para os clubes mais ricos da Europa. Sonho com o dia que alguém que tenha acesso a instrumentos de pesquisa adequados revelará ao mundo a influência da UEFA no julgamento do processo C-415/93.

***

O eurocentrismo futebolístico, contudo, não conhece limites e sua ganância não se contentou com o que foi alcançado com a Lei Bosman. De forma cruel, a UEFA passou a entupir o calendário europeu com competições que tornaram cada vez mais difícil o intercâmbio com os outros continentes. É o caso, por exemplo, da famigerada Liga das Nações. 

Qual seria o sentido da existência dessa competição, diante da tradicionalíssima e empolgante Eurocopa, senão o de isolar o futebol europeu do contato com os demais continentes?

É neste ponto que peço licença para elogiar Gianni Infantino e a Dona FIFA. O mais importante dessa nova competição é o intercâmbio com os clubes mais ricos da Europa, descarada e historicamente beneficiados pela Lei Bosman. 

Mesmo que aqui ou acolá possa ocorrer um 10x0 ou um placar apenas um pouco menos constrangedor, o eurocentrismo foi obrigado a ceder e se misturar com a escumalha. Bem ou mal, o intercâmbio volta a existir. A pedra fundamental foi lançada.

Gol do futebol."

***

Intercâmbio. Essa é a palavra que traz o que resta de justiça e competitividade no futebol global. É o que permite à Seleção de Curaçao fazer um primeiro tempo digno e competitivo contra a poderosa Alemanha e depois arrancar um empate do Equador. É o que permite a Cabo Verde arrancar um 0x0 de ninguém menos do que a poderosa Espanha, e é o que transformou o Japão não em uma força de primeira prateleira, mas uma seleção que encara qualquer outra dando trabalho e tendo chances de vencer.

Intercâmbio pressupõe confrontos entre clubes e seleções de outros continentes com os poderosos europeus, e não "apenas" (não que seja pouca coisa) o compartilhamento de conhecimento nas diversas esferas do futebol profissional, tais como business esportivo (gestão) e teorias tática e medicinal (fisiologia e preparação física englobadas).

E não é que a Copa do Mundo com mais seleções tem sua razão de ser? Passei a ser um defensor, assim como da Copa do Mundo de Clubes. A distância, que ainda é muito grande, entre os europeus e o resto do mundo, só será reduzida se houver intercâmbio, confrontos diretos.

Agora, vamos refletir um pouco sobre o que isso tem a ver com o Flamengo.

***

Parece-me claro que o Flamengo deve se preocupar em ser, senão hegemônico (palavra talvez presunçosa), o mais forte clube do país e de seu continente. Isso quer dizer que o clube não deve se planejar pensando em um adversário europeu que eventualmente enfrentará se conseguir conquistar a Libertadores e chegar até a final da Intercontinental no final do ano. O mesmo raciocíno deve valer para a Copa do Mundo de Clubes, disputada a cada 4 anos, concordam?

A preocupação primária, assim entendida como o objeto do planejamento para cada temporada, deve ter em mira os adversários do cotidiano, aqueles que disputam, ano após ano, as mesmas competições que o clube disputa - Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores da América. 

Resumindo em poucas palavras: não dá para basear todo o planejamento em um jogo que pode nem sequer acontecer (final da Intercontinental).

Mas e se a referência ou referencial puder ser justamente os melhores clubes do mundo? Não seria uma forma de alcançar e manter o posto de o maior (e melhor) do Brasil, das três Américas e de maior clube não europeu do mundo?

Sonho com um Flamengo que priorize as competições que disputa todo ano, mas que não se contente com o teto competitivo de cada uma delas. Acredito que seja possível conciliar as duas coisas.

Sonho com um Flamengo forte a ponto de, se chegar a uma final de Intercontinental e quando disputar uma Copa do Mundo FIFA, possa chegar não como um azarão, mas pelo menos como um candidato respeitável ao título ou a disputar as fases mais adiantadas ou decisivas da competição.

Para que isso aconteça, é preciso chegar lá, na Intercontinental, quantas vezes for possível, e disputar a Copa do Mundo de Clubes tantas vezes quanto conseguir. Resultados negativos ocorrerão, frustrações certamente nos machucarão, mas é preciso ter em mente que a estrada é longa, assim como possível chegar ao seu final.

Uma coisa leva à outra, mas será preciso ter perseverança.

River Plate, Lausanne e Benfica no Algarve pode parecer pouca coisa, mas lembra as velhas excursões de um tempo que, como expliquei nos posts aos quais me referi mais acima, remontam a uma era de competitividade dos sul-americanos em relação aos europeus que, como visto, infelizmente ficou para trás.

É hora de correr atrás.

***

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

Série Mundial de Clubes:

1ª Parte: O Mundial de Clubes - 1ª Parte - O Início da Copa Intercontinental

2ª Parte: O Mundial de Clubes - 2ª Parte - A Batalha de Santiago e o Caminho do Flamengo até a Copa Intercontinental

3ª Parte: O Mundial de Clubes - 3ª Parte - O Renascimento e o Apogeu da Copa Intercontinental

4ª Parte: O Mundial de Clubes - 4ª Parte - A Lei Bosman, o Fim da Intercontinental e o Mundial de Clubes da FIFA

Outros posts sobre a Copa Intercontinental e Futebol Internacional:

Vencer, Vencer, Vencer - Factibilidade


Esquenta: Flamengo x Espérance de Túnis, pela 1ª Rodada do Grupo D da Copa do Mundo de Clubes/2025



O Bayern de Munique


O Paris Saint-Germain

sábado, 20 de junho de 2026

Hat-Trick do FDS - Tempos de Copa (3)

Salve, Buteco! É o Hat-Trick do FDS de volta, em tempos de Copa! Na falta de assunto e depois de mais uma semana bem difícil, a gente improvisa e, à base do velho SCO (simples, certo e objetivo) de Jair Pereira, manda a gorduchinha três vezes pra dentro das redes!

Começamos pela volta do Mais Querido aos treinos. Estão ligados? As atividades recomeçaram justamente ontem. Se liguem também que, daqui a duas semanas, na sexta-feira, 3/7, teremos jogo. É que a Diretoria marcou três amistosos no Algarve, em Portugal, contra River Plate, Lausanne (Suíça) e Benfica. Confiram as datas:

É o Mengão aos poucos de volta!

***

Uma participação decisiva, uma assistência e um gol de Vinicius Jr., e o Brasil venceu sem problemas o Haiti ontem à noite, para desespero dos detratores, dos cretinos, dos hipócritas e daqueles que nada sabem.

Paquetá também desfilou no gramado do Filadelfia Stadium.

Post aberto para comentários sobre a boa atuação dos rubro-negros.

***

Aliás, como bem lembrou o perfil oficial do clube no Twitter, atleta rubro-negro na Filadélfia, no Lincoln Financial Field, lembra outro gol do Danilo, no desfile contra o Chelsea, na Copa do Mundo de Clubes de 2025. 

Vale a pena ver de novo, direto do Túnel do Tempo:


***

A palavra está com vocês.

Bom FDS e SRN a tod@s.