Olá,
Buteco!
Concluo
este texto na quinta-feira, antes do jogo da noite contra o
Independiente Medellín, quarta rodada da fase de grupos da
Libertadores 2026.
Desconheço,
portanto, os humores com que amanhecerá nosso Buteco na sexta-feira.
Resta-me
então, na produção desta pauta de assuntos para nossa resenha, a
opção de tentar ser tão imune quanto possível aos humores que
venham a ser causados pelo jogo contra o Medellín, partida em que,
como bem pontuou o Gustavo no Esquenta, o Flamengo jogará
principalmente contra o Calendário, “terrível
adversário que tem em seu plantel peças muito competitivas, como o
desgaste, os desfalques, o encurtamento do elenco e o desgaste
mental”.
Dois
temas ocuparam, nesta semana, a maior parte das análises e
comentários da Nação Rubro-Negra:
**
A vitória do Flamengo na disputa contra a Libra, obtida por meio da
celebração de um acordo que reconheceu que nosso clube tinha razão
na briga por distribuição justa de uma das parcelas da receita
obtida pela Liga no contrato firmado com a Rede Globo, mais
especificamente a parcela relacionada à audiência gerada pelas
diversas agremiações integrantes da liga;
**
As culpas do Jardim a partir do empate contra o Vasco, sofrido no
último minuto da partida de domingo passado.
A
vitória na Libra e a guerra
No
tema da Libra, muitos youtubers rubro-negros preferiram comemorar a
“vitória” do Bap sobre a Leila no que considero apenas uma
batalha.
Opto,
então, por não embarcar nesse oba-oba, porque a presidente do
Palmeiras mostra permanente disposição para guerrear contra o
Flamengo.
Tanto
é assim que, logo que foi anunciada a assinatura do acordo, o
Palmeiras divulgou nota oficial comunicando sua decisão de sair da
Libra.
Por
ora, não creio que valha a pena estender-me muito neste assunto, até
porque precisamos aguardar os próximos capítulos (e eles virão).
Registro
apenas que, a meu ver, a Libra perdeu peso expressivo com a saída do
Palmeiras, mas, por outro lado, pode ter ganho em harmonia, pela
enorme dificuldade de convívio entre Flamengo e Palmeiras.
E
acrescento que a guerra que a presidente palmeirense insiste em
sustentar não é boa para o futebol brasileiro, porque todos os
clubes associativos deviam estar em Brasília brigando contra o
favorecimento tributário às SAFs que irá vigorar a partir de 2027
(o Flamengo está brigando), mas acredito que o clima bélico ainda
vai continuar por muito tempo e que, com o passar dos anos, o Vasco
vai ser parte importante nesse jogo, como SAF e como propriedade do
enteado da presidente.
Por
fim, sempre vale sorrirmos um pouco com as boas notícias que às
vezes a vida traz: não pude confirmar, mas estão dizendo nas redes
que a Shopee já vendeu mais de quinhentas mil camisas do Mengão.
A
que lugar do pódio chegaremos com o Jardim?

Postura,
Trocação, Desgaste
Na
entrevista após o jogo contra o Vasco, nosso Calvo estava mais
furioso do que siri na lata, como dizia o Apolinho. Ele se declarou
responsável, mas deu uma chamada dura no grupo (transcrição
com base em matéria do GE.com):
“Em
relação ao jogo, posso dizer que tivemos 70 minutos, 75 minutos
aceitáveis. Fizemos dois gols, tivemos uma ou duas situações.
Entregamos o jogo ao adversário. Deixamos de ganhar duelos, deixamos
de pressionar os corredores. Eles cruzaram com muita facilidade.
Fizeram dois gols de cruzamento. O Flamengo tem
que jogar. Foi a mensagem que deixei aos jogadores. Eu sou o grande
responsável por não conseguir que os jogadores mantivessem o nível
de exibição dos primeiros 70 minutos. A gente quebrou. O adversário
conseguiu reagir e ter o domínio de bola. Disse a eles: quando a
gente entra a ganhar, temos que ter mais responsabilidade. É
fundamental. Isso tem que ser uma diretriz marcante naquilo que
acredito como equipe.”
“Não
sou de contar história. A gente sabe que a equipe do Vasco estava
fresca e iria tentar com tudo. Nós estávamos mais cansados. Mas,
com o nosso elenco, precisávamos dar outra resposta de maturidade e
controle do jogo. Não conseguimos e o responsável sou eu.”
Na
quarta-feira, tivemos acesso a um vídeo do Falso Nove em que ele
pegou a mesma onda do Jardim, considerando que a falta de postura dos
jogadores foi a principal causa da frustração que sofremos no fim
do jogo.
Embora
tenha opinado assim, o youtuber não deixou de falar do número de
finalizações sofridas pelo Flamengo nas partidas mais recentes e
esta é, na minha “estatística visual” (olhômetro), a causa que
mais vem despertando críticas de torcedores e analistas.
Para
a maioria dos comentaristas, profissionais e amadores, o modelo de
jogo utilizado pelo treinador Leonardo Jardim leva a trocações que
favorecem nossos adversários.
Aqueles
que conhecem bem os trabalhos anteriores do Calvo afirmam que esse é
o estilo dele e que há histórico de outros times por ele dirigidos
que tinham o mesmo perfil: eram bons no ataque e vulneráveis na
defesa.
Sem
discordar das cobranças ao Jardim, porque também acho que o time
precisa de maior equilíbrio, incluo aqui a minha ponderação:
acredito que a tal “falta de postura”, apontada por ele e pelo
Falso Nove, seja mais produto de desgaste do time do que de uma
acomodação condenável de jogadores.
É
claro que Wallace Yan não se inclui nessa ponderação, porque tinha
entrado em campo aos 45 minutos do segundo tempo e, embora estivesse
“fresco”, não bloqueou o cruzamento que nos fez perder dois
pontos muito preciosos.
O
Flamengo deu sinais de perda de gás já no primeiro tempo, mas a
fase mais crítica do jogo, na qual sofremos os dois gols, foi a
segunda metade do segundo tempo, quando Jardim precisou fazer
substituições que me pareceram justificáveis pelo cansaço dos
titulares.
Aos
23 do segundo tempo, saíram dois jogadores que protegem os laterais,
Lino e Luiz Araújo e entraram BH e De La Cruz. Aos 36, saiu
Jorginho, gigante na partida, e entrou Saul, que foi mal. Aos 45,
saiu Pedro e entrou Wallace Yan.
Todas
essas mudanças foram feitas como tentativa de renovação das forças
do time, mas não funcionaram como o esperado, porque resultaram em
perdas de bloqueios, pelo meio e pelas pontas.
A
meu ver, ressalvadas algumas poucas exceções, “as tiradas de pé”
e a redução da pressão sobre os adversários estão resultando
mais do desgaste do time do que de atitudes descompromissadas.
Como
a maratona atual não terá tréguas, temo que o time volte a passar
por esse tipo de situação nos jogos restantes deste mês.
Torcer,
Torcer, Torcer...
Como
será o amanhã?
O
grande número de finalizações sobre a nossa meta nas partidas mais
recentes e, principalmente, o efeito do gol do Hugo Moura, aumentaram
muito a cobrança para que, sem deixar de aproveitar o bom repertório
ofensivo adquirido pelo time, Jardim combine essa virtude tão
sonhada com maior posse de bola e consequente redução das
oportunidades de contra-ataques e cruzamentos oferecidas aos
adversários.
Como
não dá pra consertar nada neste insano mês de maio, a expectativa
é de que, com treinamentos, Jardim consiga combinar eficácias
ofensiva e defensiva durante a pausa da Copa do Mundo.
Não
temos como saber a que lugar chegaremos sob o comando do Calvo,
porque o futebol é cheio de manhas e armadilhas, mas, sucedendo
Filipe Luís num momento de bastante pressão para o time, nosso
treinador acertou algumas coisas importantes em pouco tempo.
Destaco
duas que rapidamente fizeram diferença: repertório ofensivo e
gestão de elenco.
O
Flamengo do Jardim já consegue matar alguns jogos no primeiro tempo,
inclusive jogos pesados como aconteceu contra o Atlético-MG,
adversário que sempre se mobiliza muito quando enfrenta o Malvadão.
E,
apesar dos desfalques e do desgaste imposto pelo calendário, Jardim
tem conseguido fazer uma rotação de elenco que considero boa nas
circunstâncias, num modelo que prioriza a manutenção de um time
base, mas em que o uso eventual de um time B também acontece (no meu
critério, o time é “B” quando tem sete jogadores de linha que
não são titulares do “A”).
Mesmo
tendo recebido a dura lição de uma flamengada contra o Bragantino –
todo treinador do Flamengo passa por esse batismo – Jardim vem
conseguindo manter o time na briga pelas competições, tentando
atravessar a selva de desafios deste período pré-Copa sem queimar
nossas chances de buscar os grandes títulos no segundo semestre.
No
Brasileirão, nossa posição é desconfortável, por estarmos
perseguindo o Palmeiras, que começou muito bem na competição,
tendo conseguido 33 pontos dos 42 que disputou, aproveitamento de
78,6%.
O
Flamengo, com um jogo a menos, conseguiu, até agora, 27 pontos dos
39 que disputou, aproveitamento de 69,2%.
Se
isolarmos apenas os jogos que o Flamengo disputou sob o comando do
Calvo, o time conseguiu 23 pontos dos 30 que disputou, aproveitamento
de 76,7%.
Esses
números indicam que estamos na briga, apesar das turbulências do
início da temporada e de algumas circunstâncias menos favoráveis
ao Flamengo, como a atual maratona de viagens e a perda simultânea
de vários jogadores muito importantes para o time.
Quanto
à Libertadores e à Copa do Brasil, é mais difícil fazer
projeções, por serem mata-matas. Temos que navegar e ver aonde
chegaremos.
Tentando
me aproximar de uma resposta à pergunta que fiz no título deste
tema (“A que lugar do pódio chegaremos com o Jardim?”), fui
pesquisar o cartel de títulos do nosso treinador.
Segundo
a Wikipédia, não são muitos.
Ganhou,
no início da carreira, na temporada 2009/2010, a Segunda Liga
Portuguesa, com o Beira-Mar.
Depois,
ganhou o Campeonato Grego e a Copa da Grécia, na temporada
2012/2013, com o Olympiacos.
Mais
adiante, na temporada 2016/2017, foi campeão da Ligue 1 (Campeonato
Francês), com o Mônaco.
Por
fim, conquistou em 2021, com o Al-Hilal, a Liga dos Campeões da Ásia
e a Supercopa da Arábia Saudita.
Não
chega a ser, portanto, um grande conquistador de títulos, mas agora
“pilota” um dos times mais fortes da América do Sul.
Instalado
no cockpit do Mengão, a que lugar do pódio nos levará nas
competições que estamos disputando?
Tema
para uma DR (Discussão da Relação)
Não
entendam como crítica, porque não tenho qualquer pretensão de
ensinar alguém a torcer, mas apenas como uma proposta de reflexão:
Em
que momento da história perdemos a serenidade para lidarmos com
vitórias, empates e derrotas, marolas normais do futebol?
Creio
que a catarse vivida no Buteco na segunda-feira passada, depois do
empate com o Vasco, pode ser tomada como modelo das reações atuais
da Nação Rubro-Negra.
Misturaram-se,
como tem sido habitual, manifestações furiosas e condenatórias,
desta vez contra o treinador Jardim, e opiniões mais ponderadas,
mais analíticas e menos acusatórias.
Em
alguma medida, acho que sempre fomos assim (no mínimo, uma parte
expressiva da Nação sempre foi), mas parece ter havido um aumento
da nossa intolerância às frustrações, castigo eventual que o
futebol nunca se cansa de impor aos torcedores de todos os times.
No
caso da nossa Nação Rubro-Negra, tenho um palpite de resposta para
essa pergunta:
A
culpa é do Véio.
Jorge
Jesus nos acostumou mal.
Na
verdade, nos acostumou muito bem, porque ele seguia à risca, quase
em 100%, o lema “Vencer, Vencer, Vencer” e ainda fazia isso com
shows de futebol e de domínio sobre os adversários.
Só
que, com o passar do tempo, o efeito retardado daquela época mágica
parece ter sido o esquecimento de que o futebol é feito de marolas,
não da certeza de vitórias.
Como
eu disse, meu diagnóstico é apenas um palpite porque, quanto mais
eu vivo, menos respostas definitivas eu tenho.
Então,
paro por aqui.
Divirtam-se,
caso queiram entrar nessa DR.
Saudações
Rubro-Negras!!!!!
Carlos César Ribeiro Batista