Olá
Buteco!
Meu
propósito, nos textos que passei a escrever e que espero poder
manter por algum tempo, é trazer a vocês temas para resenha,
enquanto esperamos o Esquenta e o Ficha Técnica do jogo do fim de
semana.
Pelo
estilo da coluna, posso começar a esboçá-la na segunda-feira, mas
tenho que esperar o jogo do meio da semana para fechá-la porque,
como diziam os velhos cronistas, “o futebol é uma caixinha de
surpresas”.
Pretendia
trazer, como primeiro tema desta resenha a varejo, uma celebração
ao bom início do Leonardo Jardim, mas a caixinha de surpresas me
deixou atordoado e bastante triste com a notícia da fratura na
clavícula do Arrasca.
Lesões
no Futebol Moderno e a Ausência do Arrasca
Pep
Guardiola já sentenciou que “o título se ganha nas oito últimas
rodadas e se perde nas oito primeiras”, mas há fatos entre esses
dois blocos de rodadas que ameaçam as chances de conquista de
títulos de qualquer grande pretendente e lesões de craques fazem
parte do rol desses fatos.
Embora
haja muita bola pra rolar, não há como negar que a ausência do
nosso Camisa 10 é um enorme prejuízo para o Flamengo, porque ele
tinha começado a render bem para o time.
Daqui
a pouco, nesta mesma “Resenha”, vou voltar a falar de elenco
curto, mas aqui quero dirigir um olhar específico sobre o tema das
lesões, porque as vejo como uma “regra” do futebol atual e, não
por acaso, a lista de grandes jogadores em risco de não irem à Copa
de 2026 está agitando o noticiário do mundo da bola.
Viajo
aos velhos tempos e me lembro de alguns longos afastamentos de
jogadores, mas minha memória embaçada me leva à sensação de que,
embora a ciência da preparação de atletas não tivesse os recursos
atuais, a frequência com que as lesões mais graves aconteciam era
menor.
Como
se trata de memória embaçada, talvez eu esteja enganado, mas há
pelo menos dois fatores atuais que podem dar alguma credibilidade à
minha tese: o calendário com jogos seguidos, sem folgas, e a grande
intensidade empregada nas partidas.
Corpo
e mente dos atletas atuais sofrem mais com esses fatores “modernos”
do que sofriam os de jogadores antigos.
Informação
altamente científica: Aprendi, há bastante tempo, numa bolacha de
chopp de um buteco do Rio (elas tinham frases informativas), que os
jogadores da década de 1970 corriam sete quilômetros por partida.
Hoje
em dia, quem não corre dez quilômetros por partida é considerado
um chupa-sangue.
Além
dessa característica do futebol antigo sacrificar menos os elementos
da estrutura física dos jogadores (ossos, músculos, articulações,
tendões), havia mais tempo para recuperação, porque era menor o
número de jogos por temporada.
Sobre
tempo de recuperação, falei bastante no post “Zico e Tanure na
Resenha do Galinho”, publicado em 11 de setembro de 2024.
Ali,
pela exposição do Dr. Tanure, ficou claro que o calendário moderno
impede a aplicação das melhores práticas científicas para o bom
condicionamento físico e mental dos atletas.
Embora
convencido de que o elenco do Flamengo deve ser maior, tenho que
reconhecer que existem limites para a quantidade de reservas e que,
em determinadas situações, esses limites podem levar a algum
excesso de exposição de certos atletas.
Nesse
sentido, chamou-me a atenção e me preocupou a escalação do
Arrascaeta para o jogo contra o Estudiantes, mas Jardim tem seus
critérios para a montagem do time e, no caso da posição de meia
centralizado, não podia contar com o Paquetá, melhor opção para o
rodízio com o nosso 10, porém afastado por lesão.
O
Calvo optou pelo Arrasca, que acabou sofrendo lesão não causada por
desgaste, mas por acidente de trabalho, numa disputa em que, ao mesmo
tempo e sem qualquer prudência, o adversário tocou na bola e jogou
seu corpo contra o do nosso craque.
Fato
é que o Arrasca deve ficar afastado por quarenta e cinco dias e que
Leonardo Jardim vai precisar encontrar soluções para que o time
sofra o mínimo possível por essa ausência.
Elenco
Curto - Mais um Capítulo
O
post que escrevi na semana passada, “Elenco Curto, Calendário,
Coringas” foi premiado com uma ótima resenha da turma do Buteco.
Copiei
e arquivei todos os comentários, porque acredito que eles poderão
alimentar mais um post, talvez nas próximas semanas, talvez no
início do recesso para a Copa do Mundo.
Por
ora, quero registrar duas percepções que tive ao refletir sobre o
post e a resenha.
A
primeira percepção é que, sem me dar conta ao preparar o texto,
acabei provando, “por absurdo”, que a tese de trabalhar com
elenco curto é errada.
Afinal,
desenvolvi o texto aceitando como realidade que, se os treinadores
preferem trabalhar com elenco curto, devemos aceitar essa premissa e
tentar viabilizá-la com o uso de coringas.
Foi
o que fiz, só que, no final do texto, acabei concluindo que, mesmo
contando com vários coringas, o Flamengo deveria ter, para que seu
elenco ficasse completo, no mínimo mais três segundos reservas, um
lateral direito, um zagueiro e um volante.
Ou
seja, devemos ter no elenco principal, à luz da análise feita no
post, no mínimo 3 goleiros e 26 jogadores de linha.
A
segunda percepção é que, concordando com a minha conclusão,
muitos participantes da resenha optaram pelo preenchimento das vagas
adicionais por bons jogadores da base.
Em
outro momento, valendo-me dos comentários que arquivei, pretendo
desenvolver mais o assunto, porque há material para um
aprofundamento do debate, só que, então, adotarei como premissa
correta o uso, pelo Flamengo, de 30 jogadores no seu elenco
principal.
Nesse
aprofundamento, poderei explorar outros motivos que tornam
recomendável, a meu ver, o uso de um elenco maior do que o
atualmente utilizado pelo clube, mas prendo-me, por enquanto, ao
calendário e aos seus efeitos diretos (desgastes, lesões e
suspensões) e concluo dizendo que Jardim e os futuros treinadores do
Flamengo podem nunca concordar com o elenco “longo”, mas que,
como isso aqui é resenha, a gente define o que acha certo e se sente
no direito de cobrar eternamente, até eles aprenderem.
Sacou,
Jardim? Sacou, Boto?
O
pacote vilanização do Flamengo, O MÉTODO e a mídia “anti”
Resisto
a aderir a teorias da conspiração, porque elas são frequentemente
alimentadas por extremismos que meus muitos anos de estrada me
ensinaram a rejeitar, qualquer que seja o polo defensor de cada
teoria conspiratória.
Não
posso, porém, ser ingênuo e deixar de reconhecer que um movimento
bastante antigo voltou a ganhar força nos últimos tempos, a
tentativa de vilanização do Flamengo, projeto que é acompanhado
por ações sistemáticas da mídia “anti”, uma delas com um viés
muito bem captado pelo William Godoy no vídeo “A mídia
desrespeita o Flamengo com esse método”, o viés da criação de
sentimentos negativos em parte da própria torcida rubro-negra,
quanto ao real valor esportivo do clube.
Todos
os youtubers rubro-negros que acompanho e muitos frequentadores do
Buteco identificam, no projeto de vilanização do Flamengo, um
MÉTODO, que é capitaneado pelo nosso atual rival paulista e que
tem, no mínimo, duas faces que se complementam, a dos ataques cheios
de ódio ao nosso clube do coração e a da vitimização sistemática
do Palmeiras.
Para
os capitães do projeto, punir o Palmeiras, dentro ou fora de campo,
leva a um festival de reclamações que gera pressão sobre árbitros,
no jogo em curso e em partidas futuras, ao mesmo tempo em que desvia
o foco dos muitos favorecimentos ao clube verde reclamante.
Na
outra face, há uma crescente e sistemática ação, em entrevistas e
em redes sociais, para que o Flamengo seja visto como vilão, algo
que, como tem alertado o Fabricio Chicca em seus vídeos, tem efeitos
sobre a imagem do clube e, consequentemente, também sobre
oportunidades de contratos comerciais.
Não
há ingênuos nesse jogo e, por óbvio, o Flamengo precisa se
posicionar muito bem contra essa estratégia, alimentada por algum
ódio, mas também por muita esperteza.
Exemplo
marcante do quanto o projeto de vilanização tem pouco ou nenhum
compromisso com práticas justas é o episódio do ajuizamento, pelo
Flamengo, da questão relacionada à participação do clube nas
receitas obtidas pela Libra, mais especificamente na terceira parcela
do bloco de receitas, aquela relacionada à audiência das
transmissões do campeonato brasileiro pela Rede Globo.
Sob
a alegação de que o Flamengo havia assinado acordo em que aceitava
o critério defendido pela Libra para a distribuição da terceira
parcela, a campanha pela vilanização do clube veio forte, com
declarações furiosas de dirigentes de adversários e de jornalistas
engajados na defesa de seus clubes.
Chamada
a se manifestar, a Justiça reconheceu, em caráter liminar, haver
fundamento no que defendia o Flamengo e isso acabou levando, nos
últimos dias, ao anúncio de que Libra e Flamengo chegaram a um
acordo, pelo qual o Rubro-Negro iria receber mais cento e cinquenta
milhões de reais do que receberia se prevalecesse o critério que a
Liga queria impor.
Não
há como negar que a disposição dos clubes da Libra para firmar
acordo é uma demonstração de que o Flamengo tem alguma razão no
questionamento e do quanto foram injustas as acusações feitas ao
clube.
Mais
ainda, também se noticiou que, acompanhado pelo Bahia, o Flamengo
passou a integrar o Comitê Gestor da Libra, algo que, convenhamos,
sinaliza que os clubes participantes não veem o Mais Querido como
tão malvadão quanto é acusado por seus detratores, mas como um
player capaz de gerar ganhos coletivos (Bap já disse em entrevista
que, participando do Comitê Gestor, tem ideias a respeito de
possíveis ganhos adicionais para todos).
Tudo
parecia caminhar bem, mas a presidente Leila já se reapresentou na
arena de combate, rejeitando o acordo anunciado e, segundo se
noticiou, admitindo que o Palmeiras saia da Libra.
Nada
entendo de ligas de clubes, mas essa é uma hipótese que vejo com
simpatia, porque parece que a presença de Flamengo e Palmeiras na
mesma liga tende a ser inconciliável.
Por
enquanto, só nos resta aguardar os próximos capítulos.
Continue
ligado, Bap!
Saudações
Rubro-Negras!!!!
Carlos César Ribeiro Batista