sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

#005 - Lamber as Feridas




O Flamengo que deixou o Maracanã sob o som de vaias e o gosto amargo do vice-campeonato na Recopa Sul-Americana. De tudo que aconteceu até aqui em 2026, o mais relevante foi a noite de ontem. 

Se na semana passada o tom era de urgência, hoje a sobriedade me obriga a perguntar: o trabalho de Filipe Luís ainda tem capacidade de correção ou já entramos em uma ladeira sem retorno? A derrota para o Lanús coroou a reedição do roteiro de 2023, com o agravante de já termos três rodadas do Brasileiro comprometidas.

Ao final, Filipe Luís afirmou na coletiva que "fizemos um grande jogo". É uma leitura que ignora a realidade dos fatos. Ele sabe que não. E o pior, essa frase carrega o mesmo peso semântico e o mesmo descolamento da realidade do fatídico "foi lindo" de Abel Braga. Dizer que uma derrota em casa, perdendo o título para um adversário tecnicamente limitado, foi um "grande jogo" soa como um insulto à inteligência de quem assistiu os cento e tantos minutos de jogo.

O desajuste entre o discurso e a prática foi tão latente que a zona mista parecia uma procissão de culpados. Em uma dinâmica comum, normalmente dois ou três atletas dão a cara. Ontem, vimos quase meio elenco descer para os microfones. Foi um "sincericídio" coletivo: Léo Ortiz admitindo a má fase, Ayrton Lucas assumindo o erro fatal e, para coroar o caos, Cebolinha anunciando sua saída do clube em pleno mês de fevereiro. Essa exposição em massa soou como uma tentativa desesperada de dividir o fardo, mas quem não viu, sugiro procurar no YouTube. Ninguém ali tava falando em grande jogo, ou perder no detalhe. 

Uma das coisas que mais gosto dessa nova fase do Flamengo, é que morreu aquele negócio de mudar meio elenco toda janela. O time hoje é cheio de jogadores com quatro, ou cinco temporadas, e por isso dá tempo de conhecer. A sensação que eu tive vendo as entrevistas, é que o Ayrton Lucas por exemplo, foi praticamente coagido a falar. O cara sequer olhou pro microfone. Muitos deles se seguraram muito pra escolher as palavras que iam dizer. 

Filipe sempre se orgulhou de ser um estudioso, uma esponja que sugou o conhecimento de grandes mentores. Mas a dúvida que fica: Será Que essa esponja não absorveu também vícios de quem o antecedeu?

Será que a retórica das coletivas, repleta de advérbios de intensidade e adjetivos dantescos não é uma herança de Tite para mascarar um campo que não corresponde ao discurso? 

O protecionismo a certos jogadores que NADA correspondem, deixando no banco quem mostrou pelo menos um lampejo (afinal não tem ninguém em grande fase), não guardaria semelhanças com o abraço paternalista de Renato Gaúcho?

E a manutenção de um esquema rígido, ignorando que as peças atuais não o sustentam, não lembraria a teimosia tática de Paulo Sousa? A chegada de um jogador do quilate de Lucas Paquetá, somada à péssima fase técnica de quase todos os pontas do elenco, deveria sugerir uma mudança na estrutura do time. Eu pelo menos, penso assim. 

Insistir em um esquema que depende de amplitude e velocidade pelos lados, quando o brilho hoje está na construção central, é ignorar o material humano em mãos. Ele insistiu num esquema que depende de intensidade, sabendo das limitações físicas da falta de pré-temporada. Não seria o caso de simplificar? Se preservar com resultados, e com o tempo ir voltando ao que ele sonha como ideal? Baixa as linhas e sai na velocidade. Bola longa nosso time tem, inclusive ontem tentaram mais do que qualquer outro jogo do ano.

Em meio ao deserto criativo, a liderança de Danilo surge como um ponto de sobriedade nas entrelinhas. Pessoalmente eu dava muito valor a ter o David Luís no elenco. Ele fez o Pedro, o Rodinei e o Michael serem suas melhores versões, ditos pelos próprios ajudados. O Danilo ocupa, com uma lucidez rara, o papel de mentor deixado pelo calvo cabeludo, sendo a voz coerente inclusive em temas sensíveis, como o recente episódio de racismo contra Vini Jr. Acredito que Danilo tem sido o pilar que tenta segurar um elenco taticamente à deriva e emocionalmente exposto. Ele vem assumindo um papel de protagonista, e diria que a postura vai indicando insatisfação com o trabalho do Felipe, sutilmente. Felipe provando do próprio veneno, quem diria. 

Mas hoje, vale uma crítica até pra arquibancada. A paciência da Nação está no limite, mas vaiar aos 22 minutos do primeiro tempo é burrice. O Maracanã torna-se um campo neutro e hostil ao próprio Flamengo, jogando contra atletas que já lidam com o desgaste os erros. Mesmo que emocionalmente o Ayrton Lucas e o Lino fossem blindados emocionalmente. A vaia não vai fazer o cara ter mais chance de acertar o próximo lance, só vai diminuir. E eu credito parte da responsabilidade na torcida, no primeiro gol deles. O Ayrton já tava sendo vaiado antes do erro fatal!

A sensação, a cada sexta feira é que venho sendo mensageiro do caos, ao escrever. Aguardo ansiosamente uma semana em que o jogo seja ao menos na quarta-feira, pra dar tempo de mastigar e engolir a jurubeba, antes de vir ao teclado. Ou que o time comece a render, o que confesso, estou pouco esperançoso. 

Resta agora ao clube o silêncio do CT para lamber as feridas. Mas o Flamengo precisa entender que lamber as feridas só faz sentido se for para cicatrizar os erros e levantar com uma postura diferente. Se o tempo for gasto apenas para lamentar o calendário ou justificar o injustificável com frases feitas, as feridas continuarão abertas, e o próximo tombo na ladeira será fatal para o projeto de 2026. 

Coincidência ou não, o Léo Jardim (o careca, não o frangueiro) avisou, como quem não quer nada, que o "problema familiar gravíssimo" de dezembro já foi resolvido, e que pretende voltar a trabalhar em março. Será que o problema era a sogra?

Que a próxima semana traga mais sossego. Bom final de semana a todos, senta aí e vamos tomar só a saideira. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Flamengo x Lanús

  

CONMEBOL Recopa/2026 - 2º Jogo (Volta)

Quinta-Feira, 26 de Fevereiro de 2026, as 21:30h (USA/ET 19:30h), no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGORossiVarela, Danilo, LéPereire AyrtoLucas; PulgarEverttonArrascaetCarrascalPlatSamueLino. Técnico: Filipe Luís Kasmirski.


Lanús: Losada; Guidara, Izquierdoz, Canale e Marcich; Medina, Cardozo e Marcelino Moreno; Salvio, Carrera e Castillo. Técnico: Mauricio Pellegrino.

Arbitragem: Gustavo Tejera (AUF/Uruguai), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Nicolas Tarán (AUF/Uruguai) e Carlos Barreiro (AUF/Uruguai)Quarto Árbitro: José Burgos (AUF/Uruguai). 5º Árbitro: Andrés Nievas (AUF/Uruguai). Árbitro de Vídeo (VAR): Andrés Cunha (AUF/Uruguai). Auxiliares de Vídeo (AVAR 1, 2 e 3): Miguel Araos (FFC/Chile), Richard Trinidad (AUF/Uruguai) Assessor Internacional: Candelario Andarcia (FVF/Venezuela). Quality Manager: Patrício Polic (FFC/Chile).

Transmissão: ESPN (TV por assinatura e streaming - Disney+) e GOAT (YouTube - apenas para o exterior).


Esquenta: Flamengo x Lanús, pela Recopa Sul-Americana/2026 (2º Jogo - Finalíssima)

 

Salve, Buteco! Chegou o dia da finalíssima da Recopa Sul-Americana/2026. A competição marcou, em 2020, o primeiro título internacional oficial vencido pelo Flamengo no Maracanã, sob a batuta do Mister Jorge Jesus, e, ao mesmo tempo, o último título internacional oficial perdido pelo clube no mesmo estádio, em 2023, quando estava sob o (des) comando de Vítor Pereira. 

Hoje é o dia da "negra" e SuperFili terá a missão de desempatar a favor do Mais Querido em um dia marcante na sua até aqui vitoriosa passagem pelo clube: será o seu jogo de número 100 como treinador do Flamengo.

Acho que o assunto não pode ser outro que não a escalação. Afinal de contas, o time precisa de vencer por dois gols de diferença para levantar o caneco ou de uma vitória simples para levar a decisão para os pênaltis. O empate dá o título aos argentinos.

O torcedor rubro-negro, com toda a razão, está ressabiado com o desempenho do time. Até aqui, a única partida considerada boa foi um magro 1x0 no Vasco da Gama, vice-lanterna do Campeonato Brasileiro e virtual eliminado nas semifinais do Campeonato Carioca, um time absolutamente horroroso, cujos dirigentes acabam de demitir o treinador.

Então, a palavra do dia (e da noite) é superação, ou seja, jogar a bola que até aqui o Flamengo não jogou em 2026. Mas qual seria a formação ideal para atingir esse objetivo?

No gol não existe espaço para dúvida. A posição é do argentino Rossi, ex-jogador do adversário e de quem esperamos um paredão contra Los Granates.

Na lateral direita, se SuperFili mantiver o rodízio, a escolha será o Varela. Contudo, circulou recentemente um levantamento do aproveitamento do time em 2026 com Emerson Royal na lateral direita, e mesmo que esses números estejam "contaminados" pelos jogos contra Sampaio Corrêa e Madureira, é fato que o Mais Querido ainda não venceu este ano com o uruguaio começando o jogo.

Na zaga tem espaço para discussão. O Flamengo venceu tanto com Danilo e Vitão, como com Léo Ortiz e Léo Pereira, além de Vitão e Léo Pereira. Só que as atuações de Ortiz definitivamente não seguiram o padrão de 2025. Léo Pereira também andou falhando, mas é o mais experiente, ao lado de Danilo. O jogo é de erro zero e SuperFili tem um tremendo abacaxi para descascar na escolha da dupla que jogará hoje à noite.

Na lateral esquerda acredito que não haja muito espaço para dúvida. Ayrton Lucas é mais ofensivo e o Flamengo precisa de gols, porém a diferença técnica pesa muito em favor do experiente Alex Sandro.

No meio o bicho volta a pegar. Não tenho dúvida de que Pulgar jogará, porém consta que Jorginho voltará a figurar entre os relacionados e é inegável que possui mais entrosamento com o time do que Paquetá (como 2º volante). Ainda assim, a falta de ritmo de jogo pode pesar em favor do Cria.

Meu feeling é que Carrascal começará jogando, no entanto arrisco dizer que será na meia/ponta direita, fazendo dupla com Royal, cabendo ao colombiano o "facão a la Everton Ribeiro" para dentro e ao brasileiro dar profundidade.

Do outro lado jogará uma peça-chave para abrir a defesa do Lanús, porém tenho dúvidas sobre quem SuperFili escolherá entre Cebolinha e Samuel Lino. Palpites?

Mais à frente, Arrascaeta deve jogar mais por dentro, encostando provavelmente em Pedro. Todavia, não descarto uma surpresa com Bruno Henrique ou mesmo o cria Wallace Yan. Se eu pudesse escolher, optaria pelo Queixada, o melhor finalizador do elenco, porém antes tacar-lhe-ia um esporro para deixá-lo ligado na decisão.

O treinador Mauricio Pellegrino, do Lanús, é muito experiente e tem várias passagens pela Europa, tanto na La Liga (Valencia, Alavés, Leganés e Cádiz), quanto na Premier League (Southampton). Pelo Alavés alcançou a façanha de disputar uma final de Copa do Rei contra o Barcelona.

Só que o Maracanã, hoje à noite, será um verdadeiro inferno.

Que venha o título.

O Ficha Técnica subirá as 19:00h, a bola rolará no Maracanã as 21:30h e a palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Morde e Assopra

 

Salve, Buteco! O texto de hoje é um contraponto ao de segunda-feira. Fui duro com SuperFili, muito embora eu ache que ele mereceu. Só que é possível observar qualquer fato da vida de vários ângulos diferentes e o de hoje, no melhor estilo "morde e assopra", é o do olhar fora da caixa e da contextualização histórica dos treinadores do Clube de Regatas do Flamengo.

Circulou ontem no Twitter um trabalho do rubro-negro Pablo dos Anjos (@PabloWSC) comparando, em números globais e tendo por referência a marca de 100 jogos consecutivos, a trajetória do nosso atual treinador com treinadores rubro-negros do passado:

Então, sob esse ângulo, o da História, especialmente aquela que foi escrita dos anos noventa até os dias de hoje, os números de Filipe Luís Kasmirski no Flamengo são absolutamente sensacionais. O Mister de Coque, efetivamente, está fazendo História.

No passado recente simplesmente não há qualquer referência remotamente semelhante. Quem poderia ter atingido e superado essa marca foi o Mister Jorge Jesus, mas todos nos lembramos da pandemia e de como o Velho resolveu nos deixar abruptamente.

É muito difícil dirigir o Flamengo por tantos jogos consecutivos. Muito mesmo. Filipe Luís é diferente, fora da curva, porém vive um momento de crise, inédito na sua trajetória que se iniciou no final de setembro/2024.

A inevitável pergunta é: há como dar a volta na crise e reverter o quadro atual?

Li atentamente várias análises feitas nos comentários ao post da última segunda-feira, envolvendo duplo pivot, engessamento do time e má-fase de jogadores, entre outros, mas confesso a vocês que não acho que a raiz do problema será encontrada em minúcias e detalhes.

Peço que leiam novamente os nomes dos treinadores mais longevos da História do Flamengo e que se lembrem dos nomes que passaram pelo clube a partir da reestruturação, tomando como marco o ano de 2016. Muita gente de nome, alguns com passagens em Copas do Mundo e/ou seleções, outros com um currículo invejável de títulos.

Mano Menezes, Muricy Ramalho, Reinaldo Rueda, Abel Braga, Dorival Júnior, Abel Braga, Renato Gaúcho, Vítor Pereira, Jorge Sampaoli e Tite. Pode-se gostar ou não de muitos desses nomes, mas currículo é o que não falta para cada um deles.

O único treinador que dirigiu o Flamengo, neste Século XXI, do qual se pode dizer que desenvolveu um trabalho tático superior ao de Filipe Luís foi Jorge Jesus.

Não é fácil treinar o Flamengo e não é fácil o Flamengo encontrar bom treinador. Não sou eu, mas os fatos, os números e a História que o dizem.

O trabalho do nosso já histórico treinador, que completará a incrível marca de 100 jogos consecutivos no comando do Flamengo na próxima quinta-feira, logo na finalíssima da Recopa Sul-Americana, terá um teste de fogo no Maracanã lotado.

Todavia, tudo na vida é contexto e eu preciso dizer que simplesmente não conheço um treinador sequer, nas três Américas, que tenha desenvolvido um trabalho que possa ser colocado taticamente no nível do que fizeram há alguns anos Pep Guardiola e Jürgen Klopp, e que atualmente fazem Luis Enrique e Vincent Kompany.

Não há de se exigir o mesmo de Filipe Luís. A América do Sul ainda não atingiu esse patamar. Nem mesmo a respeitabilíssima escola argentina de treinadores, o que não quer dizer que o Mister de Coque não deva ser cobrado, é claro. A gente só precisa contextualizar tudo de maneira justa.

SuperFili precisa, primeiro, fazer o time recuperar a capacidade de competir o jogo todo. Num segundo momento, precisará encontrar uma maneira do time conseguir ser mais efetivo no ataque sem perder a consistência defensiva. Para tanto, os seus mecanismos ofensivos precisarão de mais fluidez. O problema, sistêmico, existe.

Paralelamente a esse problema, porém, existe outro: há muitos jogadores em má-fase, o que não pode ser atribuído exclusivamente ao esquema tático e ao sistema de jogo do treinador, mas a outros fatores, como esbórnia (férias), insatisfações, etc.

E como se isso já não fosse suficiente, ainda há jogadores que talvez estejam próximos de "completar o ciclo" no Flamengo, seja por idade, seja por exaurimento mesmo. Um certo equatoriano, por exemplo...

Sim, não é absurdo cogitar uma reformulação e é bem fácil constatar a dificuldade para qualquer treinador aprimorar um time num cenário como esse.

Apesar disso tudo, estou tomando de uma estranha confiança. Não a ponto de vaticinar o que ocorrerá mais adiante, mas pensando apenas no amanhã, quinta-feira, 26 de fevereiro, eu acredito que o Flamengo se sagrará (bi) campeão da Recopa Sul-Americana.

Quem viver, verá.

Nos veremos amanhã, no Esquenta.

Tenham uma boa quarta-feira.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Reflexões Rubro-Negras (23/2/2026)

 

Salve, Buteco! Bem, eu estou bastante frustrado com o nosso treinador, para dizer o mínimo. Não confundam com pedido de demissão ou algo do tipo "se não for campeão da Recopa e do Carioca é rua". Particularmente, acho que, se o Flamengo trocar de treinador agora, antes da parada do meio do ano para a Copa do Mundo, tende a se enrolar muito. Então, eu só avaliaria essa possibilidade no meio do ano, que fique muito claro.

Pensar dessa maneira não me impede de apontar decisões no mínimo infelizes tomadas justamente nas duas decisões disputadas nesse ano, a começar pela final da Supercopa do Brasil, contra o Corinthians, no dia 1º de fevereiro, em Brasília, e na última quinta-feira, no jogo de ida da final da Recopa Sul-Americana, contra o Lanús, na Argentina.

No jogo de Brasília, não vi simplesmente ninguém defendendo, justificando ou mesmo tentando explicar o porquê de ele ter "invertido" o time e não ter escalado ninguém na ponta esquerda, especialmente o Cebolinha, nosso melhor atacante até aqui na temporada. O setor esquerdo com Alex Sandro e Carrascal ficou no mínimo "rombudo".

Contra o Lanús, o nosso treinador resolveu homenagear os devaneios do ex-treinador da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, que "previa" um futebol sem centroavante, e escalou uma espécie de 4-5-0. Até que Parreira não estava errado, se pensarmos nos esquemas táticos com "falso 9"; mas geralmente ninguém deixa no banco um centroavante do quilate do Pedro, se não há outro finalizador da mesma qualidade no elenco.

Os "arrascaetetes" vão ponderar que o nosso ídolo uruguaio estava em campo e eu serei forçado a discordar. Arrascaeta não entrou em campo. O que vimos foi um efeito de inteligência artificial aplicado na transmissão da ESPN (ninguém revelou ainda, mas eu estou contando pra vocês).

Carrascal já jogou como "falso 9" na Rússia, Paquetá já jogou de centroavante no Flamengo e o próprio Arrascaeta já jogou assim até com o Mister Jorge Jesus, embora não seja a regra quando veste o Manto Sagrado. Nenhum deles, porém, era alternativa justificável para Pedro começar no banco de reservas.

O encurtamento da pré-temporada é um fato, assim como os seus efeitos deletérios no preparo físico do elenco, além do ritmo de jogo. Se considerarmos ainda que o sistema de jogo de SuperFili envolve mecanismos e movimentos que exigem muita intensidade para pressionar o adversário, é até certo ponto compreensível o começo claudicante do time.

Até certo ponto...

Voltemos a 2023, o fantasma que vem assustando um monte de gente, considerando as desconfortáveis semelhanças com o tenebroso início de temporada em 2026. No dia 9 de abril o Flamengo passou um dos maiores vexames da sua História deixando escoar pelos dedos o título carioca, após abrir uma vantagem de 2 gols na ida e tomar uma goleada de 1x4 para o Fluminense na finalíssima.

Vitor Pereira só viria a ter sua demissão anunciada no dia 13 e Jorge Sampaoli foi anunciado no dia seguinte, 14 de abril. Sua estreia se deu na vitória por 2x0 sobre o Ñublense, no Maracanã, pela Libertadores, no dia 19. 7 jogos e quase um mês depois, no dia 16 de maio um Flamengo completamente transformado em relação ao da finalíssima do Campeonato Carioca sufocou o Fluminense, futuro campeão da Libertadores, e, amplamente superior, terminou o 0x0 com um gostinho de que deixou escapar a oportunidade de abrir vantagem nas oitavas de final da Copa do Brasil.

Sampaoli não teve tempo, pré-temporada, mini pré-temporada, coisa alguma. Precisou pegar o touro na unha e seu tresloucado preparador físico, que viria meses depois protagonizar um dos mais lamentáveis episódios da História do clube ao esmurrar Pedro no vestiário do Estádio Independência, em Belo Horizonte (logo após a vitória por 2x1 sobre o Atlético), botou o elenco em forma entre os jogos disputados contra Ñublense, Internacional, Maringá, Botafogo, Racing, Athletico/PR, Goiás e Bahia.

Então, solução para o problema físico e para o encurtamento da pré-temporada existe, é preciso admitir. Já tem um tempinho que o Flamengo vem jogando e está mais do que na hora de enxergarmos avanços concretos tanto na parte física, como nas outras, a tática e a técnica. Por sinal, como o Flamengo vem cometendo erros técnicos, especialmente de passe, não é mesmo?

Então, o que espero do nosso treinador é que, na quinta-feira, não invente moda e faça o simples, de modo a extrair dessa equipe, que ele tão bem montou, o futebol de qualidade que sabe jogar. O time de 2025 tinha problemas que parecem ter se acentuado em 2026. É hora de mudar o rumo dessa prosa.

Lembranças da minha infância

***

A vocês, que estão doidos para trocar de técnico, proponho um exercício. Abram o link para a lista de treinadores disponíveis no site Transfermarkt e me digam quem vocês acham que seria uma boa alternativa para substituir SuperFili, no caso de eventual saída.

Vamos lá, não me venham com desculpas ou nhemnhemnhem. Quem acha que o Filipe não serve tem que apontar uma solução viável entre as opções possíveis. Cornetar saída sem apontar solução é fácil.

Acredito que o exercício será bastante produtivo até porque, no final das contas, a gente sabe como as coisas funcionam no Flamengo. Treinador inviabilizado (por sua culpa, do elenco ou do clube) cai. Isso é fato, gostemos ou não.

A coisa anda tão feia que a gente não sabe como será o amanhã.

***

A torcida do Flamengo sempre cobrou. Exageros à parte, nunca foi acomodada e nem aceitou acomodação. Só tem um detalhe: críticas e vaias não deveriam atingir apenas o treinador. Tem muito jogador nesse elenco merecendo um calor.

***

Esse texto foi escrito durante o primeiro tempo de Madureira x Flamengo, disputado ontem à noite no Maracanã. Quando terminava essas mal-traçadas linhas, eram 43 minutos e o 0x0 ameaçava tirar o pouco de paciência que a torcida ainda possuía.

Quem quiser, fique a vontade para comentar o jogo.

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Madureira x Flamengo

     

Campeonato Carioca/2026 - Semifinal - 1º Jogo

Domingo, 21 de Fevereiro de 2026, as 20:30h (USA ET 18:30h)no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

Madureira: Neguete; Cauã Coutinho, Marcão, Jean e Matheus Julião; Rodrigo Lindoso, Fubá e Juninho; Jacó, Maranhão e Éverton. Técnico: Toninho Andrade.

FLAMENGOAndrew; Royal, DaniloVitãAyrtoLucasEvertton, DlCruCarrascal; PlataPedro CebolinhaTécnico: Filipe Luís Kasmirski.

Arbitragem:  Lucas Coelho Santos, auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Thiago Henrique Neto Corrêa Farinha e Thayse Marques Fonseca. Quarto Árbitro: João Marcos Gonçalves Fernandes. Quinto Árbitro: Marcelo Araújo Ossimo. Assessor de Arbitragem: Jorge Fernando Rabello. Árbitro de Vídeo (VAR): Paulo Renato Moreira da Silva Coelho.  Assistentes VAR 1 e 2: Diogo Carvalho Silva e Rodrigo Carvalhaes de Miranda. Observador de VAR:  Cláudio José de Oliveira Soares. Quality Manager: Marcelo Silva Nascimento. 

Transmissão: Sportv (TV por assinatura) Premiere (sistema pay-per-view).



sábado, 21 de fevereiro de 2026

Esquenta: Madureira x Flamengo, pela Semifinal do Campeonato Carioca/2026 (1º Jogo)

 

Salve, Buteco! O Madureira Esporte Clube é um dos chamados pequenos do futebol do Rio, porém inegavelmente tradicional com 81 participações no Campeonato Carioca. O primeiro encontro com o Flamengo ocorreu em um amistoso disputado no ano de 1934 (2x2), enquanto o primeiro confronto pelo torneio ocorreu na edição de 1937 (CRF 2x1). Desde então até o momento ocorreram 153 jogos, com 109 vitórias rubro-negras, 30 empates e 14 derrotas, nos quais o Mais Querido marcou 412 gols e sofreu 137.

Na minha opinião, os jogos mais marcantes entre as duas equipes ocorreram na edição de 2007, pela Taça Guanabara. O primeiro deles ocorreu em Moça Bonita, apenas três dias depois do histórico empate do Mais Querido contra o Real Potosí (2x2), o jogo das máscaras de oxigênio, da hipotermia e do posterior escândalo junto à FIFA. Placar final: Madureira 4x1.

Como se não tivesse sido suficiente, o Tricolor Suburbano, em campanha histórica, ainda venceu o primeiro jogo da final da Guanabara no Maracanã, por 1x0, obrigando o Mais Querido a, em uma atuação intensa e envolvente, devolver o placar de Moça Bonita na finalíssima e levantar a taça, três dias depois. Eram os tempos de Ney Franco e da "República de Ipatinga" na Gávea (com a palavra, o Ballem).

Os jogos pela semifinal do Carioca/2026 serão os mais importantes disputados entre Flamengo e Madureira desde então. Mas como será que vem o nosso próximo adversário para esses dois confrontos? Os jogos do Tricolor Suburbano nesta temporada dão uma razoável ideia:

Fluminense 2x1 Madureira (14/1)

Bangu 0x1 Madureira (17/1)

Madureira 2x1 Sampaio Corrêa (22/1)

Madureira 0x2 Portuguesa (26/1)

Madureira 0x0 Vasco da Gama (2/2)

Volta Redonda 1x1 Madureira (7/2)

Madureira 2x1 Boavista (13/2)

Baré/RR 0x3 Madureira (18/2) 

Convenhamos, nada mal para um pequeno carioca que disputará a Série D em 2026. Mas será que o Tricolor Suburbano é uma ameaça consistente para o Mais Querido do Brasil?

Depende. O Flamengo está em crise? Sim ou não?

Pessoalmente, até acho que está, mas não a ponto de cair para o Madureira.

Quero dizer... Acho, né?

Vou deixar para falar mais sobre o time na segunda-feira, quando a raiva tiver passado (ou não).

O Ficha Técnica subirá amanhã, ao raiar do sol.

A palavra está com vocês.

Bom FDS e SRN a tod@s.