quinta-feira, 4 de junho de 2026

Coluna do Carlos César: A Busca da Excelência

Bugatti Veyron (1001 cv)
 

Olá, Buteco!


Para uma instituição como o Flamengo, que busca se perpetuar e manter viva a paixão de uma enorme Nação, a busca da excelência tem que ser parte permanente do que houver de mais essencial na sua cultura.

Era assim que eu havia esboçado o começo do post de hoje – e vou falar disso adiante – mas aí aconteceu o jogo entre Palmeiras e Chapecoense e, num primeiro momento, eu me perguntei se fazia sentido pensar em excelência num campeonato tão contaminado por práticas condenadas até por integrantes da mídia contrária ao Flamengo.

Concluí que sim, mas antes preciso passar pelo jogo do Palmeiras.


Demonstração de poder do Palmeiras e o jogo mental

Quando terminou o jogo do Palmeiras contra a Chape, o clima no Buteco misturava desolação e revolta, e desolação é um importante efeito mental que pode atingir participantes de uma competição, quando um deles demonstra ter um poder superior, capaz de decidir a disputa a seu favor.

É difícil dar respostas eficazes a poderes “superiores”, mas acredito que, em síntese, elas devem incluir excelência (alta competência e competitividade) e poder de superação (capacidade de vencer o desânimo e de não desistir).

Pego carona num texto postado pelo Thiago Freire na segunda-feira, primeiro de junho:

Nitidamente, o Palmeiras tem uma força gigantesca nos bastidores. Não existe um árbitro nesse país que não apite jogo dos caras com medo. O que aconteceu ontem foi um escárnio. Mas eu tento ver os dois lados de tudo. Percebam que, SEM A AJUDA da arbitragem, eles não teriam vencido o lanterna da competição. O time deles não é isso tudo. Eles ainda terão jogos duros, fora de casa. Acredito que mesmo com ajuda, vai ter jogo que não vai ser suficiente. Por isso afirmo, a melhor estratégia para o Flamengo é focar em qualificar o grupo, jogar muita bola e esquecer a tabela. Vencendo uma atrás da outra, pode ter certeza que uma hora vai bater desespero do lado de lá.”

O que o Thiago propõe é que, se o jogo mental do Palmeiras inclui um poder de bastidores capaz de desequilibrar o campeonato a seu favor, o jogo mental do Flamengo deve ser:

... focar em qualificar o grupo, jogar muita bola e esquecer a tabela. Vencendo uma atrás da outra, pode ter certeza que uma hora vai bater desespero do lado de lá.”

Quando os jogos do nosso rival tinham acréscimos intermináveis em 2019, o Flamengo de Jorge Jesus fez isso e foi tão forte que acabou transferindo o desânimo para o lado de lá.

É fácil?

Não, e acho que agora é mais difícil do que em 2019, mas defendo que seja parte da estratégia rubro-negra.

Não significa que o Flamengo deva abrir mão da luta de bastidores, porque nunca será razoável aceitarmos o convívio com práticas que desequilibram irregularmente o campeonato, mas fortalecer-se no que já está ao seu alcance pode virar o jogo a seu favor.

E é pensando assim que consigo voltar ao tema que desejo abordar hoje, a busca da excelência.


O post “Esquenta” do Gustavo, para Flamengo x Coritiba e Sorteio das Oitavas da LA

Apesar do Flamengo ter derrotado o Cuzco no meio da semana e carimbado sua classificação para as oitavas da Libertadores com a melhor campanha da fase de grupos, o post “Esquenta” do Gustavo da sexta-feira, 29 de maio, estava carregado de preocupações relacionadas a dois temas: o sorteio para as oitavas da Libertadores e o jogo contra o Coritiba, marcado para sábado, dia 30.


Flamengo x Coritiba

No tocante ao jogo contra o Coxa, preocupava-nos precisarmos enfrentar, com dez desfalques, o sexto colocado do Brasileirão e um dos visitantes mais enjoados da competição.

Houve quem discordasse de tanta preocupação com o Coritiba, mas íamos entrar em campo com apenas quatro titulares de linha (Léo Ortiz, Evertton, Pedro e Lino) e com um time-base que fizera um péssimo primeiro tempo contra o fraquíssimo Cuzco.

Palmas para Leonardo Jardim, que montou um time eficiente e competitivo e assim afastou qualquer risco de gracinhas do Coxa no nosso Maraca.


Sorteio das Oitavas

O outro tema preocupante era o sorteio dos confrontos das oitavas de final e do chaveamento dos mata-matas da Libertadores.

Como sempre acontece, torcíamos por um sorteio favorável para nós, embora estejamos cansados de saber que as bolinhas da CBF e da Conmebol não gostam da gente.

Gustavo pediu Tolima, “o mais fraco entre todos os segundos colocados” e especulou com Mirassol ou Platense, mas pegamos o Cruzeiro, adversário pesado.

Aí, num trailer deste post, tive uma conversa com o Wagner-Fla, em que ele escreveu, falando do sorteio para as oitavas:

Minha preocupação não é o Cruzeiro. É o Flamengo. Tem que melhorar muito, especialmente na defesa.”

Minha resposta foi:

Também penso assim.

Na situação atual, acho que o Flamengo depende mais dele, preparando-se para chegar forte ao confronto.

Aí vem o jogo, em que circunstâncias podem pesar a favor ou contra, mas a preparação tem que ser top e isso exige que o time evolua na função defensiva.”


Faço o meu melhor...

O post do Gustavo e essa breve conversa com o Wagner me fizeram lembrar de um ótimo texto de um pedagogo brasileiro das antigas, cujo nome me escapa da memória.

Lembrando-me de uma frase do texto, perguntei ao Google:

Quem dizia "faço o meu melhor e o resto não é problema meu"?

(Calma aí, que rapidinho eu vou voltar ao Flamengo!)

A resposta, em visão criada por IA, foi:

A frase exata do jeito que você escreveu não pertence a um único autor famoso, mas ela resume perfeitamente a base do Estoicismo, uma das correntes filosóficas mais influentes da antiguidade.

O estoicismo, defendido por pensadores como o imperador romano Marco Aurélio, o filósofo Sêneca e o ex-escravo Epicteto, baseia-se na chamada "Dicotomia do Controle". Essa ideia divide o mundo em duas partes:

O que depende de você: Seus pensamentos, suas intenções, sua dedicação e suas ações (fazer o seu melhor).

O que não depende de você: Os resultados, a opinião dos outros, o clima, a economia e o futuro (ou seja, o resto, aquilo "não é problema seu").”

O Esquenta de 29/05/26 e a conversa com o Wagner me levaram a esse pensamento porque a pergunta que me ocorreu foi:


O Flamengo tem feito o seu melhor?

Faço essa pergunta pensando no trabalho estrutural do clube, não nas circunstâncias de cada jogo, porque estas, a meu ver, estão no grupo das coisas sobre as quais o Flamengo pode tentar ter algum controle, mas nunca terá todo o controle.

A título de exemplo:

** O Flamengo pode trabalhar seus jogadores para terem mais cuidado com jogadas de risco, mas não está livre de que algum jogador cometa erro passível de expulsão.

** O Flamengo pode conseguir que seus jogadores sejam cuidadosos, mas não está livre de punições injustas, por erro ou má fé de quem apita o jogo ou influencia a arbitragem com o VAR.

Meu ponto, quando penso assim, é que nunca vamos afastar completamente os riscos de jogar com 10 desfalques contra um bom time ou de ter um sorteio ruim numa competição mata-mata (o Vitória, que nos eliminou na CB26, era um dos adversários mais difíceis do pote 2).

O que o Flamengo pode fazer, creio, é ter a melhor preparação possível, o que passa pelo que chamo de trabalho estrutural do clube.

É relevante considerar que, por ser perecível, a busca da excelência deve ser uma combinação de atitude e de prática permanente, seja porque os adversários evoluem e nos impõem novas exigências de qualificação, seja porque as nossas qualificações decaem com o tempo (por exemplo, por envelhecimento ou venda de jogadores importantes e por saída de um treinador vencedor, caso de Jorge Jesus).


O trabalho estrutural

Sem pretender fazer uma lista completa, relaciono aqui alguns itens em que o Flamengo sempre precisa fazer o seu melhor, para reduzir a escala das coisas que não pode controlar, e faço uma breve avaliação do estágio em que estamos, no caminho para a excelência.


Trabalho eficiente de bastidores

Em tempos normais, o Flamengo tem que ser sempre um player de peso na relação com as diversas instituições do ambiente do futebol.

Nesse sentido, o fortalecimento do clube junto à Libra foi um bom passo, mas, na atualidade, o trabalho de bastidores do Flamengo precisa ser transformador, porque há um clube com poder excessivo, capaz de determinar o resultado das competições de que o Mengão participa.

Isso tem que mudar e vai dar muito trabalho até acontecer.


Elenco completo e bom em todas as posições

Os anos vão passando e continuamos convivendo com deficiências de elenco quantitativas e qualitativas que, em determinados momentos, levam a resultados negativos.

No post de primeiro de junho, o Gustavo detalhou o tema, reafirmando a necessidade de melhoras significativas em algumas posições do elenco.

Acho que, em alguma medida, temos falhado em atitude e prática permanente da busca de excelência, neste tema que é sempre decisivo e que depende muito, a meu ver, da atuação do diretor de futebol.


Bom treinador e boa comissão técnica

Nosso melhor momento, neste tópico, foi o da passagem de Jorge Jesus pelo Flamengo, mas a saída dele, pouco depois de renovar o contrato, é exemplo claro do quanto pode ser perecível essa qualificação do clube.

Depois de muitas mudanças, temos hoje o Leonardo Jardim, cuja contratação não reprovo.

Embora ele tenha passado por algumas oscilações nesses primeiros meses, tenho boa expectativa a respeito do trabalho dele, mas não consigo afirmar que ele tem uma CT que nos encaminha para a excelência.

Em bola parada, por exemplo, regredimos em relação à época do Filipe e do Rodrigo Caio.

Não sei em que medida o Diretor de Futebol trabalha junto ao treinador para evolução de sua CT, mas este é mais um campo em que há sinais de que não estamos fazendo o nosso melhor possível.


Ambiente gerador de compromisso dos atletas

Após a saída do Filipe, surgiram rumores sobre comportamentos indevidos de atletas, algo que tem acontecido em muitos momentos.

A geração de compromisso dos jogadores tem que ser permanente e valer para todos, com atuação firme dos capitães, do treinador e do comando do futebol.

No que se refere aos capitães, percebo mais atitude no Danilo do que nos jogadores que costumam usar a faixa.

Jardim tem conseguido gerar reações positivas em vários jogadores (Plata, Pedro e Lino, por exemplo), sinalizando que, enquanto estiver no Flamengo, pode contribuir para que o ambiente de compromisso prevaleça.

José Boto, por sua vez, não parece contribuir suficientemente nesse tema, a julgar pelo ambiente que precedeu a queda do Filipe Luís.


Espírito matador

O time campeão costuma ter uma espécie de “fúria benigna”, que o leva a matar os jogos e a dar poucas chances de reação aos seus adversários. Não vejo a presença dessa fúria no nosso time, mas ela tem que ser despertada.


Infraestrutura top para suporte às atividades de preparação

Até onde sei, esta é uma área em que o Flamengo vai bem.


Excelência no trabalho com as divisões de base

Na base, o propósito deve ser, sempre, conseguirmos suprir demandas do elenco principal e, em consequência do trabalho, gerarmos receitas para o clube com vendas de jovens talentosos.

Estamos longe disso quanto ao suprimento de demandas do elenco, como tantas vezes conversamos no Buteco, e não há como apressar muito os resultados nesse campo, cabendo ao comando do clube trabalhar para retomar o rumo da excelência, do qual já estivemos mais perto.

Há notícias de mudanças positivas, a última delas a contratação do treinador Marcelo Salazar, de quem se espera a promoção de avanços, mas o Flamengo tem muito a caminhar para voltar a produzir grandes jogadores na sua base.


Integração dos talentos da base ao elenco principal

Não há como pensarmos nessa integração sem contarmos com atuação efetiva do treinador “adulto” e de sua comissão técnica na transição dos garotos.

Jardim afirmou que vai começar a cuidar disso, o que é uma novidade a ser comemorada, porque foge ao que tem sido o hábito dos treinadores do elenco principal.

Para o atual ciclo, temos essa sinalização positiva, mas trata-se de uma prática que tem que ser incorporada pelo clube, seja quem for o treinador do time principal.


O Diretor de Futebol

Por ser perecível e exigir busca permanente, a excelência do Flamengo no futebol nunca será um porto de chegada, sempre será um norte.

A quem cabe liderar, no clube, essa busca permanente?

Considero que, na quase totalidade dos tópicos acima analisados, esse papel é do Diretor de Futebol.

Ao mesmo tempo em que é inquestionável que o trabalho de bastidores é uma das missões relevantes do presidente do clube e de seu staff político, vejo o Diretor de Futebol como o profissional que deve influir no item “Infraestrutura” e ser o principal responsável por liderar ou impulsionar as ações nos itens mais orgânicos do futebol (elenco, treinador e sua CT, ambiente, base).

E aí enxergo uma razão relevante para, num momento de dificuldades, nos preocuparmos tanto com o jogo contra o Coritiba e com o sorteio das oitavas da Libertadores.

Essa apreensão resulta da consciência de que deveríamos estar mais preparados e, consequentemente, menos vulneráveis.

Creio que, sob o comando do atual diretor de futebol, temos feito menos do que deveríamos, e até do que poderíamos, nos campos que ele lidera.

Refiro-me menos a erros eventuais que ele possa cometer e mais ao que ele parece deixar de fazer na construção da atitude e da prática permanente em busca da excelência.

O futebol do Flamengo precisa de uma liderança forte nessa construção e, com todo o respeito que o diretor Boto deve merecer, não vejo nele perfil profissional adequado para satisfazer bem a essa demanda porque, como já disse em comentários aqui no Buteco, vejo-o mais como um especialista em algumas atividades do futebol, mas não como o gestor e líder de que precisamos.

Em todos os anos dos blues, o Flamengo só teve, a meu ver, um profissional que se aproximou de suprir bem essa demanda: Jorge Jesus.

Seja por seu perfil, seja porque o VP de Futebol Marcos Braz não desenvolvia um trabalho sistêmico que cuidasse bem de todos os temas de que falei acima, Jorge Jesus ocupou no clube um espaço muito maior do que o de simples treinador e, por suas qualificações, levou o Mengão ao histórico e fugaz “outro patamar”.

Noticiou-se, recentemente, que o diretor Boto não renovará seu contrato com o Flamengo e vejo nisso uma oportunidade de evolução, por podermos buscar, para seu lugar, um profissional com perfil mais compatível com as demandas do cargo.

Pode parecer uma viagem delirante, mas meu candidato para essa missão é Jorge Jesus, porque já exerceu parte dela em 2019/2020 e porque o Flamengo tem margem para aumento de sua folha de pagamentos, já que consome com ela, na atualidade, menos de 50% de suas receitas recorrentes.

Se Jesus não for viável, passa pela minha cabeça o nome de Leonardo Jardim, por sua grande experiência no futebol, mas não me anima tanto quanto o Mister.

Espero que o presidente Bap se inspire e escolha um profissional que, de forma mais permanente, impulsione o futebol do Mengão para níveis cada vez mais próximos da utópica excelência.


Saudações Rubro-Negras!!!!!

Carlos César Ribeiro Batista

terça-feira, 2 de junho de 2026

Checkpoint Brasileirão – Parada Copa do Mundo

Fonte: Gemini 3

Olá Buteco, bem-vindos!

Chegamos à parada da Copa do Mundo com 34 pontos em 17 jogos, 7 pontos a menos que o líder, que tem um jogo a mais.

Na coluna de hoje, vamos recapitular o que planejamos antes do campeonato, na coluna do dia 27 de Janeiro. Resumindo, dividimos o campeonato em blocos de 5 jogos, nos quais o Flamengo precisava fazer 11 pontos (em cada) para se manter na liderança. Nessa dinâmica, chegaríamos com 40 pontos na parada da Copa. Os níveis de dificuldade dos 3 primeiros blocos eram Fácil, Médio e Difícil e a conclusão citada era:

  • Nos 10 primeiros jogos, tentar fazer 25 pontos e abrir vantagem
  • No Bloco 3, suar para fazer pelo menos 8, chegando a 33;
  • Nos 3 jogos restantes antes da Copa, mais 7 (não perder para o Palmeiras é fundamental) e temos os 40 pontos.

Vejamos o que efetivamente aconteceu:

  • Bloco 1 – São Paulo (f), Inter (c), Vitoria (f), Mirassol (c) e Cruzeiro (c). FÁCIL. 

Começamos muito mal, no bloco teoricamente mais fácil e a ideia de abrir vantagem no início do campeonato não durou duas rodadas: derrota para o São Paulo e empate com o Inter em casa. 5 pontos a menos, crise e demissão (pouco tempo depois) do treinador Filipe Luís. No total, fizemos 7 pontos e temos um jogo a disputar, Mirassol no Maracanã.

  • Bloco 2 – Botafogo (f), Remo (c), Corinthians (f), Red Bull Bragantino (f) e Santos (c). MÉDIO.

Já com Leonardo Jardim, conseguimos 10 pontos no bloco, vencendo os jogos no Rio de Janeiro, inclusive o clássico contra o Botafogo, no Engenhão. Fora de casa, empate com Corinthians e uma apresentação tenebrosa contra o Bragantino. 

  • Bloco 3 –  Fluminense (n), Bahia (c), Atlético-MG (f), Vasco (c) e Grêmio (f). DIFÍCIL.

Melhor fase do time no campeonato: 13 pontos conquistados em 15 possíveis e ainda lamentamos o empate com o Vasco, jogo em que vencíamos por 2x0. No bloco considerado mais difícil até então, apresentações empolgantes que nos levariam à disputa direta pela liderança.

Nesse momento do campeonato, estávamos com 30 pontos em 15 jogos, 4 a menos que o líder, e um jogo a menos, faltando 3 jogos para o recesso da Copa.  O planejamento aqui era de 7 pontos. Veio o empate na Arena da Baixada e o jogo-chave desse primeiro semestre, o confronto direto pela liderança. Vencendo, teríamos a liderança virtual do campeonato.

Infelizmente, a falta de foco do Carrascal, aliada a uma arbitragem que pesou a mão na expulsão do colombiano, minou a boa atuação da equipe até então e o resultado negativo nos colocou, mais uma vez, sete pontos atrás na tabela.

A derrota nesse jogo-chave, aliada à eliminação na Copa do Brasil, trouxeram a primeira brisa de desconfiança ao trabalho do português Leonardo Jardim. A meu ver exagerada, mas tampouco inesperada. A ciranda dos treinadores do Flamengo parece uma instituição independente e há muita gente que acredita que é assim mesmo que tem que acontecer: perdeu, vazou, traz o próximo! Acho que o Flamengo só vai conseguir resolver isso trazendo um treinador incontestável, como a cbf fez com Ancelotti. O que parece é que o clube ainda não tem bala na agulha para um tiro desse calibre.

Em todo caso, a vitória contra o Coritiba e o recesso da Copa do Mundo vai dar um pouco de tranquilidade ao nosso novo treinador. Os olhares agora estão voltados para a diretoria e as possíveis contratações que nos ajudarão a buscar os títulos no segundo semestre. 

O time-base atual é Rossi, Varela, Leo Pereira, Leo Ortiz e Alexsandro; Jorginho, Paquetá e Arrascaeta; Plata, Pedro e Samuel Lino. Com todos disponíveis e nas melhores condições, é um onze muito forte, favorito em qualquer confronto. O que precisamos é, justamente, que consigam encontrar suas melhores versões e que o elenco de apoio esteja à altura, porque vamos precisar dos reservas. Nesse sentido, o único jogador a realmente destacar-se, mantendo-se entre este onze titular sem baixar a qualidade, foi o cria Evertton Araújo. É pouco. Flamengo tem muitos nomes importantes no banco, produzindo aquém do que deveriam. 

A tabela do Brasileirão marca 3 rodadas seguidas após a copa. Chapecoense (f), São Paulo (c) e Inter (f). É para voltar voando e atropelando nesses três jogos, ganhando moral para na busca pelo Decacampeonato Brasileiro e para a decisão da vaga às quartas-de-final da Libertadores, contra o bom time do Cruzeiro.

Vamos, Flamengo!!!

Saudações RubroNegras!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Elenco

Foto: Ernesto Benavides/AFP via Getty Images

Salve, Buteco! O calendário do futebol brasileiro de clubes está oficialmente suspenso até o final da Copa do Mundo. A partir de agora, teremos férias dos jogadores, nova pré-temporada e alguns amistosos até a volta do Campeonato Brasileiro e demais competições. Essa paralisação do calendário nos anos de Copa do Mundo de Seleções propicia uma oportunidade especial para todos os clubes, que podem corrigir erros de planejamento e reformular seus elencos.

O Clube de Regatas do Flamengo tem um elenco campeão brasileiro e da Libertadores, porém teve um início de 2026 caótico, perdendo títulos (ainda que de menor expressão) e, até a troca de treinador, jogando um futebol irreconhecível, de tão pouco competitivo.

O novo treinador começou a modificar o sistema de jogo e a forma do time jogar. Houve sensíveis mudanças, com ganho ofensivo, mas o sistema defensivo ainda suscita dúvidas. Se é verdade que, ainda com o time de Filipe Luís, na versão 2026, a defesa já estava uma peneira, com o Calvo ainda não chegou ao nível de segurança de 2025.

Imagino que o ideal seja os reforços serem contratados pensando em uma relação de longo prazo com o clube, desde que equilibrando esse fator com o que pensa o treinador, o qual, afinal de contas, é quem organizará as peças e as colocará para jogar.

Não tenho o costume de sugerir nomes e continuarei com essa tradição. Este post objetiva apenas tentar identificar setores e peças que precisam se reforçados/substituídos dentro do elenco.

É importante lembrar, ainda, que o nosso Departamento de Futebol, historicamente, não é ágil e nem realiza muitas contratações em uma só janela.

Será necessário estabelecer prioridades.

***

Goleiros: o Flamengo, na minha opinião, não tem tradição de ter goleiros de primeira prateleira, mas nomes que, especialmente nas grandes conquistas, ofereceram muita segurança no gol. 

O ano de 2025 do nosso titular, o argentino Agustín Rossi, coloca-o em posição de se sentar na mesa com os goleiros dos grandes títulos do Flamengo. Contudo, seu 2026 vem deixando muito a desejar. 

É importante lembrar que Raul, Zé Carlos, Gilmar, Bruno e Diego Alves, por exemplo, tiveram fases ruins no time principal. Raul chegou até a ser barrado por Cantareli, para que se tenha uma ideia. Parece que o Rossi está atravessando o seu mau momento. A primeira pergunta que fica é até quando essa fase vai durar. 

Contudo, outros questionamentos são pertinentes. Por exemplo: será que é mesmo uma má-fase ou o sistema do Calvo expôs algumas verdades sobre o nosso goleiro argentino?

O fato é que Rossi não é um goleiro "top", daquele tipo que possa ser comparado a nomes como Taffarel, Marcos, Dida e Júlio César, porém precisamos ponderar que é difícil para o Flamengo, hoje em dia, ter um goleiro desse nível em seus quadros. É possível melhorar, porém existe um teto imposto pelo mercado. Eu não teria problemas com uma troca, desde que a substituição fosse cirúrgica, para efetivamente melhorar.

Não dá para avaliar Andrew e Dyogo Alves, que jogaram muito pouco no time.

Laterais: o mercado não oferece mais opções como em 2019, quando repatriamos Rafinha e Filipe Luís. Na direita, não existe comparação de Rafinha com Varela ou Royal, mas dentro de seu teto o uruguaio se tornou uma opção segura, enquanto o "New Rodinei", após um começo bem claudicante, vem melhorando especialmente na parte defensiva, mostrando mais confiança, muita raça e força física. Eu não mexeria nesse setor no momento.

A lateral esquerda me preocupa. Alex Sandro vem perdendo rendimento, mas ainda assim teve seu contrato renovado até o final de 2027. Ayrton Lucas completará 29 anos em junho e vejo com bons olhos o encerramento de seu ciclo no clube, com a reposição por um nome que não deixe o treinador apavorado quando o veterano não jogar.

Miolo de Zaga: é, disparado, o setor melhor servido no elenco na atualidade, com Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo e Vitão. Os três primeiros são nomes já convocados por Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira pelo menos uma vez. Eu não mexeria em nenhuma dessas peças.

Menção honrosa para o menino João Victor, que entrou muito bem no lugar de  Léo Ortiz contra o Coritiba, dando indícios de que pode estar superando a insegurança demonstrada ano passado.

Volantes: setor em situação crítica, na minha visão. O único jogador que entrega minutos consistentes é o Cria Evertton Araújo, jogador de técnica limitada, mas que vem evoluindo sob o comando do Calvo, segurando o setor na parte física.

Erik Pulgar, titular voltando de contusão, terá o valor da multa rescisória sensivelmente diminuído neste meio de ano e são fortes os rumores de que pode chegar do exterior uma proposta vantajosa para o jogador. O chileno já tem 32 anos e uma eventual extensão contratual, se é que é cogitada, teria que ser muito bem estudada, quanto ao prazo.

Jorginho Frello, com 34 anos, ainda joga um futebol de primeiríssima linha, porém vem sofrendo com a quantidade de jogos, a qual, arrisco dizer, é maior do que em seus tempos de Arsenal. O italiano precisa de opções confiáveis para que tenha uma minutagem saudável, porém as duas peças que poderiam entrar nessa rotação têm minutagem baixa por problemas físicos.

Nico de La Cruz, uruguaio raçudo e de prateleira técnica e tática altíssima, parece ser um problema crônico nos joelhos, que recomenda intervalos longos entre os jogos, tornando-o uma peça frustrantemente pouco útil.

O espanhol Saúl Ñiguez (pronúncia com linguinha da discórdia) é outro frequentador assíduo do Departamento Médico. Após a cirurgia no tornozelo, o atleta voltou bem abaixo do nível dos demais, porém promete abrir mão das férias para se recondicionar fisicamente.

A dispensa de pelo menos um desses dois e a contratação de alguém que possa de fato revezar com Jorginho é imperiosa. E se Pulgar sair, a reposição precisa ser na mesma prateleira e, ainda por cima, imediata.

Será que o Boto terá agilidade para tanto?

Outra alternativa é oficializar o Paquetá como volante, o que permitiria justamente essa rotação com o Jorginho. Talvez seja por isso que, na coletiva pós-jogo de sábado (vitória sobre o Coritiba), o Calvo falou em trazer um meia para servir de opção a Arrascaeta e Carrascal...

Meias: temos três bons nomes - Paquetá (o polivalente), Arrascaeta e Carrascal. Como ia dizendo no tópico anterior, se o Paquetá for "oficializado" como volante a chegada do terceiro meia fará bastante sentido.

Vale lembrar que Samuel Lino foi muito bem na posição contra o Coritiba. Pode ser uma ideia a ser maturada pelo Calvo.

Ah, eu não negociaria o Carrascal. Acho que o jogador pode colocar a cabeça no lugar e contribuir muito para o time.

Atacantes: vejo o setor em situação crítica, tal como a volância, a começar porque apenas o Pedro é um finalizador nato e eficiante. Contudo, o Queixada desperta dúvidas nos críticos mais criteriosos quanto ao seu desempenho em competições eliminatórias ou jogos mais decisivos. Sua contribuição no sistema de pontos corridos, pela regularidade, é inquestionável.

Na ponta direita, Gonzalo Plata é uma peça que "gera jogo", porém tem uma finalização precária. Sua desenvoltura na mundialmente famosa noite carioca é outro motivo de preocupação.

Luiz Araújo é como um vagalume com a lâmpada queimada. São cada vez mais raros os seus bons momentos. Uma transferência, na minha opinião, seria bem vinda, claro que com reposição melhor e imediata.

Do lado esquerdo, Samuel Lino é um ponta com características de meia, que também "gera muito jogo" e tem finalização precária, apesar dos dois gols no sábado. Inteligente, movimenta-se bem e encontra espaços para passes decisivos e assistências, porém falta a capacidade de decidir nas finalizações.

Cebolinha é uma espécie de "dead man walking". Sua entrevista pós-jogo na perda do título da Recopa Conmebol para o Lanús foi o requiém de sua apenas mediana passagem pelo clube, a despeito do alto investimento e das grandes expectativas. Sua saída parece ser apenas questão de tempo.

Bruno Henrique vem variando entre segundo atacante e centroavante. É um jogador veterano e que tem minutagem controlada. Calvo vem sabendo utilizá-lo bem, mas não é minimamente aceitável que não existam outros jogadores mais jovens no elenco que possam assumir a responsabilidade de decidir jogos importantes, como volta e meia o BH27 ainda faz.

Wallace Yan desperdiçou todas as chances que teve. Uma pena. Sabemos que o talento está lá, mas o Cria infelizmente incinerou o seu filme com a exigente torcida rubro-negra. Sua saída também parece ser apenas questão de tempo.

O fato de não ter havido reposição do subutilizado Juninho, que deveria ter sido a reposição para a saída de ninguém menos que o Gabigol, causa-me um misto de perplexidade e indignação. Que essa lacuna seja suprida nesta janela, pondo fim a um dos mais aburdos erros do nosso Diretor Técnico  português José Boto.

***

A janela de registros só abrirá na segunda-feira, 20 de julho, e se fechará na sexta-feira, 11 de setembro, só que até as pedras sabem que jogador pode ser contratado e fazer pré-temporada antes de ser registrado (ou do início da janela), né?

Aquela pressão austera, porém saudável sobre o nosso diretor técnico José Boto será muito bem vinda.

Deixo vocês com pergunta que não quer calar: quantas negociações o nosso diretor técnico será capaz de fazer nesse período (20/7 a 11/9)?

***

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

sábado, 30 de maio de 2026

Flamengo x Coritiba

      

Campeonato Brasileiro/2026 - Série A - 18ª Rodada

Sábado, 30 de Maio de 2026, as 16:00h (USA ET 15:00h),
no Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.

FLAMENGO: Rossi; Royal, LéOrtizVitão e Ayrton Lucas; Everttoe Pulgar; LuiAraújoPedro, Bruno Henrique Samuel LinoTécnico: Leonardo Jardim.

Coritiba: Pedro Rangel; JP Chermont, Tiago Cóser, Jacy e Bruno Melo; Thiago Santos, Sebastián Gómez e Josué; Lavega, Breno Lopes e Pedro Rocha. Técnico: Fernando Seabra.

Arbitragem: Flávio Rodrigues de Souza (FIFA/SP), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Daniel Paulo Ziolli Manis (AB/SP) e Daniel Luís Marques (AB/SP). Quarto Árbitro: Dênis da Silva Ribeiro Serafim (AB/AL). Inspetor: Marcelo Carvalho Van Gasse (Inspetor/CBF/BR). Assessor: Silvio Eduardo Silva e Silva (Assessor/CBF/-MA). Árbitro de Vídeo (VAR): Diego Pombo Lopez (VAR-FIFA/BA). Assistentes VAR (AVAR) 1 e 2: André Bittencourt (AVAR-Master/RS) e Elmo Alves Resende Cunha (Master/GO). Observador de VAR: Alicio Pena Junior (Assessor/CBF/BR). Quality Manager: Bernardo Campos Martins (Assessor/CBF/BR).

Transmissão: Sportv (TV por assinatura) e Premiere (sistema pay-per-view).


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Esquenta: Flamengo x Coritiba, pela 18ª Rodada do Campeonato Brasileiro 2026, e Sorteio das Oitavas de Final da Libertadores da América/2026

 

Salve, Buteco! Resta então, antes da paralisação das competições durante a Copa do Mundo de Seleções, a 18ª Rodada do Campeonato Brasileiro/2026. O futebol é dinâmico e, semana passada, antes da 17ª Rodada, o atual líder Palmeiras, sobe enorme pressão (vide a distância entre os dois antes da 17ª Rodada, apontada ontem pelo Carlos César), requereu o adiamento de seu jogo contra a Chapecoense, dado o alto número de atletas convocados em seu elenco, que totalizam 8.

Veio a atípica goleada sofrida pelo Flamengo no confronto direto entre as duas equipes e um inesperado doping motivacional para o lado palestrino. A prova é a goleada de ontem à noite sobre o Junior Barranquilla, fugindo do padrão das atuações no Grupo F da Libertadores até então. O Alviverde de Parque Antártica respira um ar puro de montanha na poluída capital paulista.

Graças ao Flamengo...

O cenário, então, acabou vindo a se modificar um bocado: o Flamengo, que também pediu o adiamento de seu jogo contra o Coritiba, foi ainda mais depenado do que o rival, com 10 convocados, e chega com a moral abalada (apesar da vitória contra o Cusco) para jogar contra um adversário bem mais forte do que a Chapecoense. Os paranaenses ocupam a 6ª colocação do certame e o 4º lugar entre os visitantes, enquanto os catarinenses são os lanternas.

Será que a diretoria palmeirense, hoje, pediria o adiamento? Talvez sim, talvez não. O certo é que o Flamengo terá, amanhã, as 16:00h, no Maracanã, um tremendo abacaxi para descascar, e possivelmente o Palmeiras chegará com maiores chances de vencer nesta rodada, o que pode fazer com que a distância entre o 1º e o 2º colocado aumente ainda mais.

Na defesa, ninguém pode se machucar, sob pena de entrarem garotos do Sub-20. Logo, a primeira linha precisará ser formada por Rossi, Royal, Léo Ortiz, Vitão e Ayrton Lucas, sem maiores digressões.

Do meio para a frente, o Calvo terá pouquíssima margem de manobra. Três volantes disponíveis (Evertton, Pulgar e Saúl), nenhum meia e cinco atacantes - Luiz Araújo, Pedro, Samuel Lino, Cebolinha e Wallace Yan. O resto do banco será composto por garotos do nosso pálido Sub-20.

Há peças disponíveis com força suficiente para abrir vantagem no placar, mas não é difícil prever que o segundo tempo será um drama. Seja qual for a formação que o Calvo resolver mandar a campo, ele terá muito poucas opções para mexer no time.

A tendência, então, é o Coritiba sobrar fisicamente no final do jogo, a não ser que os Sub-20 entrem e, dada a campanha que vêm fazendo até aqui no ano, as perspectivas, nesta hipótese, não são muito animadoras.

Hora de pedir aquela ajuda ao Santo e esperar que os jogadores que forem a campo incorporem a mística do Manto Sagrado. Será importante, também, que a torcida compreenda o contexto e apoie, evitando as vaias em um momento tão adverso.

***

Hoje também é dia de sorteio dos confrontos das oitavas de final e do chaveamento dos mata-matas da Libertadores. O Mais Querido, como todos sabem, é o primeiro colocado na classificação geral e fatalmente decidirá em casa contra qualquer adversário a partir das oitavas, se avançar até a final.

Bem, se eu pudesse, acho que escolheria o Tolima, não por conta dos resultados de 2022, mas por achar que é o mais fraco entre todos os segundos colocados. Outras opções poderiam ser o Mirassol ou o Platense, que já ofereceriam, em tese, maior resistência, porém a viagem seria mais curta e, ainda assim, são potencialmente menos competitivos do que os demais.

Vindo algum dos outros segundos colocados, teremos emoções mais fortes, sem escapatória. O ideal é evitar Palmeiras, Fluminense e Cruzeiro, concordam? O Rosario Central e o Estudiantes também seriam pedreira.

E aí? Palpites? O sorteio começará ao meio dia e terá transmissão da ESPN, do Paramount+ e do canal da Conmebol no YouTube.

O Ficha Técnica subirá amanhã, ao raiar do sol. 

Tenham uma sexta-feira abençoada.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Coluna do Carlos César: Como Será o Amanhã

 


Olá, Buteco!



Passada a estranha partida contra o Cuzco, em que, depois de um primeiro tempo tenebroso, o Flamengo fez 3 a 0 e reafirmou sua liderança e uma das melhores campanhas da fase de grupos da Libertadores 2026, nosso foco se volta mais uma vez para o Brasileirão, competição em que o Mengão está, pelo menos por enquanto, numa corda-bamba, por força do resultado ruim do jogo contra o líder Palmeiras.

Faço hoje algumas reflexões sobre nossa situação no campeonato, sobre o jogo de sábado passado e sobre contextos relacionados a isso tudo.

Comecemos pelo fim.


O sonho da volta de Jorge Jesus

Na fantasia da Nação Rubro-Negra, o único treinador “perfeito” para o Flamengo é um senhor que acabou de ganhar o campeonato saudita e vai passar uns dias de férias no Rio.

Escrevo “perfeito” entre aspas porque ninguém sabe que desempenho o Mister teria se voltasse a dirigir o time do Flamengo em algum momento.

É fato que, se chegasse inspirado nesse “algum momento”, o Véio poderia ser um upgrade em relação à grande maioria dos treinadores de futebol do planeta, só que, como não acredito em demissão do Jardim nesta temporada, é melhor tratarmos da nossa resenha.



A marcha da diferença entre Palmeiras e Flamengo no Brasileirão 26

No comparativo entre os dois principais rivais do futebol brasileiro da última década, o Palmeiras esteve à frente do Flamengo em todas as rodadas já realizadas do Brasileirão 2026, primeiro por força do mau começo do time sob o comando do Filipe Luís, mas depois, também por tropeços da equipe sob a orientação do Leonardo Jardim.


Diferença de pontos a favor do Palmeiras a cada rodada:

Rodada 1 – 1 ponto - Filipe

Rodada 2 – 3 pontos - Filipe

Rodada 3 – 3 pontos - Filipe

Rodada 4 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 5 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 6 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 7 – 3 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 8 – 5 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 9 – 8 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 10 – 8 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 11 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 12 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 13 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 14 – 6 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 15 – 4 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 16 – 4 pontos (Flamengo com um jogo a menos)

Rodada 17 – 7 pontos (Flamengo com um jogo a menos)



Reparem que, já sob o comando do Calvo, o Flamengo teve o seu pior momento na competição, na sequência das rodadas 8 e 9 (empate com o Corinthians e derrota para o Bragantino). Nelas, o Palmeiras ampliou sua vantagem para oito pontos.

Na rodada 11, o Flamengo recuperou dois pontos, vencendo o Fluminense, enquanto o Palmeiras empatou com o Corinthians.

E na rodada 15, houve mais uma recuperação de dois pontos, com vitória sobre o Grêmio, enquanto o Palmeiras empatou com o Remo.

Aí, veio o jogo de sábado passado, o Mengão escorregou três degraus e, ficando a sete pontos do líder, chegou perto da diferença máxima vivida nas rodadas 8 e 9.

Ainda teremos uma rodada antes da pausa para a Copa do Mundo e o Palmeiras tem vantagem teórica, porque jogará contra a Chapecoense, lanterna do campeonato, enquanto o Flamengo enfrentará, sem nove jogadores convocados, o Coritiba, sexto colocado e um dos visitantes mais enjoados da competição.

Por mais que não queiramos, corremos o risco de um aumento da diferença.

O Hiago ponderou, no domingo passado: “Senhores, o campeonato não acabou, boa pausa de copa para todos nós.”

Enquanto acompanhei o debate, ganhou três likes, um dislike e, mais tarde, uma contestação do Fábio81.

Embora reconheça que o desafio do Flamengo ficou maior, lá vou eu candidatar-me a dislikes, porque também estou nessa vibe.

Afinal, antes do jogo de sábado, vivíamos um clima de #ForaAbel.

Depois do jogo e nos dias que se seguiram, a biruta do aeroporto virou e apontou para #ForaJardim.

Como não existe bola de cristal confiável, o que a gente pode fazer é tentar analisar os contextos e, a partir disso, especular sobre possibilidades.

No final da rodada 9, o Flamengo ficou a oito pontos do Palmeiras (cinco, se imaginarmos vitória sobre o Mirassol no jogo atrasado) e só no final da rodada 15, seis rodadas depois, reduziu a diferença para quatro pontos (ou apenas um, se vencermos o Mirassol).

Gastou, portanto, seis rodadas para descontar quatro pontos.

Agora, se vencer o Coritiba e o Palmeiras vencer a Chape, terá vinte rodadas (um ciclo de seis e dois ciclos de sete rodadas) para tentar descontar sete pontos e fazer mais um para ganhar o título.

É pedreira, mas, como disse o Hiago, o campeonato não acabou.

Esse exercício é apenas numérico e eu sou cauteloso com projeções estritamente numéricas em campeonatos de futebol.

Prefiro, para essas projeções, as análises que o Leandro faz nos checkpoints, porque elas são quantitativas e qualitativas.

Arrisco dizer porém que, apesar da vantagem do Palmeiras ser respeitável, há muita coisa em aberto no campeonato, porque o suíno não tem jogado um grande futebol e foi premiado com essa vantagem num jogo completamente anormal, transformado a seu favor a partir do lance do Carrascal e da consequente escolha tática um tanto kamikaze do treinador Leonardo Jardim.

Faço aqui mais um exercício numérico, o de aproveitamento dos treinadores, excluindo a partida de sábado para não contaminar a análise com a inclusão de um jogo muito atípico.

Nos 16 jogos anteriores que fez no Brasileirão, todos com Abel, o Palmeiras conquistou 35 pontos e o ótimo aproveitamento de 72,9%.

Nos 12 jogos anteriores que fez no Brasileirão sob o comando do Calvo, o Flamengo conquistou 27 pontos e o também ótimo aproveitamento de 75%.

Portanto, a depender das muitas coisas que estão em aberto nas rodadas restantes, ainda acho viável o Flamengo descontar os pontos que o separam do Palmeiras e conquistar um ponto a mais na reta final, mesmo que ao final da décima oitava rodada, a de sábado e domingo próximos, a diferença venha a aumentar.

Falemos, então, do jogo de erros rubro-negros de sábado passado.


Flamengo 0, Palmeiras 3 – Erros e Reflexões Finais

No post de segunda-feira, o Gustavo distribuiu, com muita razão, bronca e cobrança pra todo mundo.

Permito-me, hoje, tentar qualificar e atribuir peso aos erros rubro-negros apontados.

Em termos qualitativos, creio que podemos considerar que existem erros estruturais e erros circunstanciais.


O erro da direção do Flamengo

Começo com o erro da direção do clube, apontado pelo Gustavo e claramente estrutural:

Está sendo currada pela presidente do Palmeiras nos bastidores, seja em sorteios (CBF e Conmebol), seja em arbitragens (CBF), neste último caso dentro das quatro linhas (decisões dos árbitros) e também fora delas, nas designações e no VAR. A designação de Davi de Oliveira Lacerda para apitar o jogo de sábado é prova da pasmaceira passiva que vigora hoje em nossa representação externa.” 



Não é fácil neutralizar o efeito do poder palmeirense e paulista nos bastidores (vamos ter que conviver com isso por muito tempo), mas há um grande trabalho a ser feito nesse campo, porque o Flamengo tem uma desvantagem competitiva estrutural que pode decidir competições (vale para BR, CB e LA).

Reparem que, no ano passado, o Palmeiras só passou a enfrentar um freio no favorecimento quando um clube paulista foi absurdamente prejudicado, o São Paulo, num jogo que foi o divisor de águas do Brasileirão 2025.

Ali a mídia paulista se inflamou, o juiz foi temporariamente suspenso e o pacote “reação rubro-negra e declínio palmeirense” permitiu que o Mengão conquistasse o título.


Carrascal

O erro da direção do clube tem peso grande e duradouro, mas o do Carrascal foi o mais decisivo no jogo de sábado passado.

Ele simplesmente mudou a história da partida, roubando forças do Flamengo e criando a necessidade de uma decisão do nosso treinador que, por ser errada, agravou a situação do time.

Quando um erro circunstancial começa a se repetir seguidamente, entra numa zona cinzenta e acaba virando estrutural.

As expulsões do Carrascal já se tornaram estruturais, pela repetição em jogos importantes.

Eu o via como uma boa opção para a ponta esquerda, mas agora entrei no time dos que desejam que se cumpra a vontade dele de deixar o clube, anunciada nesta semana.


Rossi

Mais um jogador em que a repetição de falhas o aproxima da zona dos erros estruturais.

Vejo aí, como pano de fundo, um erro estrutural histórico da direção do clube, já que há muitos anos o Flamengo não tem um goleiro top e não tem goleiros reservas em que nossos treinadores consigam confiar.

Se a direção do Flamengo não acha isso relevante, é bom começar a achar.

Não é de hoje que o Palmeiras, nosso principal rival no Brasil e na América do Sul, tem goleiros melhores do que os rubro-negros.

No jogo de sábado, Carlos Miguel fez três grandes defesas, que impediram que o Flamengo começasse o jogo em vantagem.

Rossi, ao contrário, não fez nenhuma grande defesa e ainda falhou em dois gols, sepultando nossas chances de empate.

Andrew, o goleiro em que Leonardo Jardim nunca conseguiu demonstrar confiança (deve ter seus motivos), jogou contra o Cuzco e, quando o jogo ainda estava 0 a 0, fez uma grande defesa que, na fase atual, não sei se o Rossi faria.

Para ser justo, Andrew também borboleteou no único cruzamento alto sobre a nossa área.

Portanto, não sabemos o que esperar do nosso atual goleiro reserva e tememos o que podemos esperar do titular.


A “perdência” de gols

A síndrome de perder gols é tão forte no Flamengo que resolvi inventar uma palavra para sintetizá-la.

No jogo de sábado, o “protagonista” foi o Paquetá, devidamente advertido pelo Gustavo, já que se trata de um reincidente em partidas importantes contra o Palmeiras, mas o problema vai bem mais longe.

No jogo contra o Cuzco, uma das causas me pareceu evidente: o preciosismo com que os jogadores do Flamengo tentam chegar ao gol.

É toquinho pra cá, toquinho pra lá e ninguém chuta.

Afora isso, falta pé na forma, também.

Quando aparece a chance de bater das proximidades da área, é grande a chance da bola ir pelos ares.

Não é Luiz Araújo, Lino, Jorginho, Paquetá, Royal?

Há também um pouco de falta de sorte, em bolas que batem na trave (EA) ou como naquela que o Nico chutou, passou pelo goleiro e resvalou na canela do zagueiro, entre as pernas dele, e foi pra linha de fundo.

Não sei como se pode resolver essa síndrome, mas imagino que treinos específicos e menos preciosismo devem ajudar.



Leonardo Jardim

Jardim fica na fronteira entre o estrutural e o circunstancial porque, embora a necessidade de uma grande decisão tática tenha sido circunstancial, consequência da expulsão do Carrascal, LJ parece não conseguir deixar de priorizar o ataque, mesmo quando o jogo recomenda uma estratégia mais cautelosa.

Este é, a meu ver, o ponto crítico que começa a reforçar, na Nação Rubro-Negra, uma dúvida sobre o trabalho do Jardim.

Faço aqui uma distinção.

Uma coisa é errar na escolha de uma estratégia de jogo, algo que acontece com qualquer treinador, inclusive com os bons.

Outra coisa é ficar preso a uma estratégia e não conseguir adotar outra, quando o jogo pede mudança de modelo.

Como ainda não me convenci de que Leonardo Jardim é incapaz de mudar seu modelo, dou a ele o benefício da dúvida e classifico o erro de sábado como circunstancial.

Certo é que, tendo sido vitimado pela expulsão que desmontou a escalação construtora e mais sólida do início do jogo, Jardim optou por mudanças que ofereceram os espaços entre linhas que o Palmeiras gosta de encontrar nos seus adversários.

Sem passar pano para o Rossi (“cada um com seu cada qual”), o segundo e o terceiro gol do Palmeiras nasceram de transições rápidas que encontraram nossa última linha no mano a mano e isso foi favorecido pela escolha estratégica do Calvo a partir da expulsão.

Crítica feita, faço uma ponderação; não acho que, habitualmente, LJ mexe mal no time (mexeu muito bem contra o Estudiantes, por exemplo).

Acho que ele fez uma escolha estratégica errada, ao tentar aumentar a presença no ataque, numa situação em que jogar com cautela era recomendável.

Por causa disso, muitos consideram que o Flamengo está embarcado numa canoa furada, mas acho cedo para cravar isso.

Abel Ferreira, agora liderando com folga o Brasileirão e com o cartaz de ter vencido o principal rival no Maracanã, chegou ao confronto de sábado sob forte pressão da torcida suína e não duvido que parte dela ainda o critique com veemência.

Aí, graças à arbitragem ruim, à atitude inconsequente do Carrascal e a algumas falhas rubro-negras decisivas, entrou no modo alívio e voltou pra São Paulo com três pontos preciosos.

Nossa vaca deu uns passinhos em direção ao brejo, mas ainda pode mudar de rumo, a depender das muitas coisas que irão acontecer entre primeiro de junho e vinte e dois de julho, data em que está previsto que o Flamengo voltará a jogar pelo Brasileirão.

Entre essas muitas coisas, até a volta do Véio, hipótese em relação à qual fico em cima do muro: não acredito, mas não a descarto totalmente. Nunca se sabe...


Saudações Rubro-Negras!!!!!

Carlos César Ribeiro Batista