quarta-feira, 24 de junho de 2026

Coluna do Carlos César: Resenha a Varejo 24/6/2026

 


Olá, Buteco!

Sigamos com as resenhas, enquanto o Mengão vai treinando no Ninho do Urubu, em preparo para a viagem a Portugal e para a segunda metade desta temporada.


Situação do Mengão Sub-20 no BR26 e Viagem a Portugal

No dia 20, sexta-feira passada, foram disputados todos os jogos da décima sétima rodada da fase classificatória do BR26 Sub-20.

Nossos garotos empataram com o São Paulo em Cotia, num jogo em que o gol do tricolor paulista resultou de um pênalti inventado pelo juiz da partida, porque a falta foi feita fora da área.

O Flamengo empatou com um bonito gol do Josmar, centroavante já escalado para viajar com a delegação que vai a Portugal, mas os demais resultados foram desfavoráveis para o Mengão, que terminou a rodada em décimo, fora do Z8.

Essa situação reforça, a meu ver, a conveniência de dar-se prioridade à preparação para a viagem dos jovens bem avaliados e a colocação, em segundo plano, da disputa pela difícil classificação para o mata-mata do BR26 da categoria.

Como disse Camões n’Os Lusíadas, “cessa tudo quando a antiga musa canta e um valor mais alto se alevanta”.

O valor mais alto, agora, é a grande oportunidade de avaliação e possível integração de garotos ao elenco profissional, sob o comando do treinador Jardim.

Espero que ela seja bem aproveitada pelo Flamengo.

Bap e o balanço do primeiro semestre de 2026

O presidente Bap fez apresentação ao Conselho do Flamengo, prestando contas quanto à situação das finanças e dos projetos do clube no final do primeiro semestre deste ano e informando os conselheiros quanto aos planos para o restante de sua gestão.

O endereço do vídeo completo, produzido pela Flamengo TV, está postado a seguir, mas ainda não consegui vê-lo, por ser muito longo.

https://www.youtube.com/watch?v=JaTjnNlEqCQ

O que consegui ver foram alguns cortes já publicados, nos quais há muitas informações impressionantes sobre o quanto pode ser transformadora a gestão Bap.

A leitura mais superficial que faço é que ele e a equipe devem estar trabalhando muito, porque há ações ousadas e transformadoras em diversos campos.

Penso em tentar produzir um post a respeito, mas corri da raia por enquanto, por ser um trabalho que exige muito tempo e disposição.

Vejo o presidente fazendo um grande trabalho de estruturação do Flamengo, algo que vai muito além do futebol e, melhor ainda, ele parece ter a competência necessária para fazer o que se propõe, a julgar pelo domínio que demonstra quando fala dos desafios com que lida na gestão do clube.

Somos uma Nação com diferentes reações à gestão do Flamengo, mas entendo que temos razões para otimismo no médio e longo prazos.

No curto prazo, temos a pressão permanente por títulos e, como consequência, por evolução constante do elenco.

Há pressão agora e sempre haverá porque, como comentei no post “A Busca da Excelência”, de 04/06/26, a excelência é perecível.

É relevante considerar que, por ser a excelência perecível, sua busca deve ser uma combinação de atitude e de prática permanente, seja porque os adversários evoluem e nos impõem novas exigências de qualificação, seja porque as qualificações do elenco decaem com o tempo (por exemplo, por envelhecimento ou venda de jogadores importantes e por saída de um treinador vencedor, caso de Jorge Jesus).”

Por estarmos vivendo uma daquelas pausas do futebol de clubes em que o noticiário sobre o Flamengo fica muito contaminado por caça-cliques sobre contratações, fica difícil sabermos o que realmente vem por aí, mas o Bap se mostra tranquilo nas entrevistas em que fala do assunto e parece não ter tanta pressa quanto nós.

O melhor a fazer é esperarmos a realidade da próxima janela, que só será efetivamente aberta em julho.

Minha torcida é para que, ao final dela, nosso elenco tenha subido alguns degraus em qualidade e, se possível, descido alguns em média de idade.

No que diz respeito aos planos de médio e longo prazos, minha maior preocupação é a proposta de reforma do estatuto que o Bap apresentou e que vai tentar aprovar, voltada para a profissionalização da gestão de todo o clube, inclusive do futebol, claro.

Se eu conseguir produzir um post a respeito da apresentação, tentarei me aprofundar mais no tema do estatuto, que considero uma grande casa de marimbondos e que já vem sendo tratado por alguns youtubers rubro-negros.

Mauro Cesar Pereira até entrevistou o Bap a esse respeito, mas ainda não vi a entrevista, que o MCP informou estar no seu blog, no UOL.

Nesse tema, que é bastante desafiador, eu digo: OREMOS!!!


Já que o assunto é Copa do Mundo...

Já contei isso aqui, mas, em tempos de falta de assunto, vou apelar para um replay, porque alguns de vocês não devem ter visto um rap que fiz há vinte anos.

Hoje em dia, numa gentileza do Rocco e do Gustavo, escrevo no Buteco, mas antigamente eu enchia o saco dos meus amigos escrevendo e-mails sobre futebol.

Poucos dias antes da copa de 2006, “baixaram em mim” alguns versos em forma de rap. Foi uma espécie de download, numa viagem de metrô.

Aí, eu mandei para os amigos uma profecia, num tempo distante em que o Brasil ainda chegava às copas como favorito.

Direto do túnel do tempo, segue o texto de 2006, finalizado com o rap “Esse tal de hexa”:

Agora, vou fazer minha profecia (tomara que eu seja um péssimo vidente): Essa Copa tá me cheirando a 66 e a 82.

Em 66, a gente só foi lá buscar a taça, o time tinha um monte de craques e éramos tão favoritos quanto agora. Voltamos na primeira fase.

Em 82, era um tal de voa, canarinho, voa, mostra pra essa gente que eu sou rei, éramos favoritos e voltamos pra casa muito mais cedo do que esperávamos e do que seria justo.

Agora, a situação é parecida. Temos um plantel muito bom, mas o clima de já ganhou tá no ar.

Com 66, temos, também, uma semelhança muito preocupante.

Como a Copa “estava ganha” e só estávamos indo lá porque era preciso fazer isto para buscarmos a taça, levamos alguns medalhões que já não jogavam a mesma bola, mas não podiam ficar de fora da festa.

Um Garrincha decadente não deixou vaga para o jovem Jairzinho que, em setenta, seria o Furacão da Copa. Djalma Santos, em final de carreira, foi à Inglaterra, enquanto Carlos Alberto Torres, no auge da forma, foi cortado e nem viajou. Bellini, capitão de 58, foi lá para erguer a taça, acompanhado de Orlando, seu parceiro de zaga na Suécia. Ganhamos uma, perdemos duas e voltamos pra casa.

Agora, numa atitude que, para mim, é uma repetição do erro de 66, estamos apostando que os campeões de 2002 conseguirão chegar bem à Alemanha. A meu ver, há risco nisso. Cafu e Roberto Carlos estão mal e não há por que imaginarmos que estarão ótimos na Copa. No Ronaldo, eu ainda aposto umas fichas, mas não muitas, porque está jogando pouco.

Além disso, o Emerson virou titular intocável, o que, para mim, significa uma escolha equivocada (eu não gostava do futebol dele).

Por tudo isso, até comecei a fazer um rap, que envio a vocês em estado bruto, sem retoques e sem acabamento, do jeito que me veio à mente, durante uma viagem de metrô. Tomara que eu seja um vidente bem caolho.

Diz assim:

ESSE TAL DE HEXA

Não sei se é um novo tempo ou um retrocesso,

Não sei se é um certo enjoo do sucesso,

Mas não sei, não...

Quando vejo, na TV, os nossos craques

Anunciando os mais diversos badulaques,

Me dá uma sensação de “deja vu” (lê-se dejá vi)

De que esse filme eu já vi

Em meia-meia e em oitenta e dois

A gente só foi lá buscar a taça,

Jogar, um passatempo. O tempo passa,

Mas a lembrança da tristeza, não

Brasil, o mais bonito, o mais dotado,

Mas jogo só se ganha no gramado

Não nos anúncios da televisão

Timaço, a gente tinha e tem agora

Mas tanta festa assim, antes da hora,

Me faz lembrar de outros “carnavais”

Jogar, só pra cumprir os rituais,

Ninguém ia fazer o papelão

De nos tirar das marchas campeãs

Mas uma tal de Hungria, na Inglaterra

E aquele Paolo Rossi, que não erra,

Tornaram nossas festas coisas vãs.



Sei não, mas acho bom ficar esperto,

Vitória antes da hora é furo certo,

Melhor ficar ligado, na Europa

Ganhar a gente pode, isto é verdade

Mas vamos de sandálias da humildade,

Senão a gente dança, nesta Copa.



Vivemos outros tempos.

Diferentemente de 2006, o nosso elenco está longe de ser o melhor da Copa de 2026 e, pra piorar, não tem mostrado bom padrão tático e bom entrosamento, dependendo demais, até agora, da inspiração do cria Vini Jr., decisivo nas duas primeiras partidas da nossa seleção no grupo C, que será concluído hoje.

Pouco antes do início do jogo contra o Haiti, previ que o Brasil faria um primeiro tempo ruim e que, no segundo, no desespero, Carleto faria substituições mais ousadas.

Deu-se o inverso: no primeiro tempo, a seleção jogou bem e fez 3 a 0; no segundo, reduziu muito o ritmo e empatou em 0 a 0. Com o Haiti!!! Uma inegável baba!!!

Então, não vou fazer previsões, mas a classificação para a próxima fase é provável, porque o modelo atual da copa classifica trinta e duas das quarenta e oito seleções participantes.

Consequentemente, o Brasil do Carleto só não se classificará se conseguir ser uma das dezesseis piores seleções da copa.

Não curto o futebol da seleção atual, mas acho difícil que ela chegue a esse ponto.

No que diz respeito aos nossos jogadores, isso significa que Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Paquetá devem demorar a voltar e não sei como o clube lidará com eles, quanto à reposição de férias pendentes.

No caso dos jogadores Varela, De La Cruz, Arrascaeta e Plata, cujas seleções podem não passar para a próxima fase, o William Godoy informou que, se isso acontecer, eles entrarão em férias imediatamente e só se apresentarão para treinamentos após o período de descanso que lhes for concedido.


Lamentando, Resmungando e Elogiando

Enquanto França e Senegal estreavam na Copa do Mundo, a ESPN teve a boa ideia de reprisar o jogo Flamengo 3, Cuzco 0, pela última rodada da fase de grupos da Liberta 2026.

Aliviou minha crise de abstinência de Mengão e me permitiu enxergar coisas que não tinha visto na noite do jogo.

Daí que me ocorreu esse capítulo do post, todo inspirado pelo jogo Flamengo e Cuzco.

Lamentando: É pena que, por aparente falta de motivação de um e por falta de boas condições físicas do outro, o Flamengo não consiga aproveitar bem o futebol de LA e Nico.

Não fossem essas limitações, seriam dois jogadores capazes de contribuir muito. Um elenco forte precisa de bons reservas e, em boas condições, eles seriam, no mínimo, ótimos reservas.

Nesse sentido, houve algum acerto nas apostas feitas nos dois jogadores. Em teoria, poderiam ajudar muito mais. Na prática...

Consta que Luiz Araújo deve sair, porque a proposta de divórcio é antiga e a vontade do jogador parece irreversível.

Nico fez uma tentativa de tratamento inovador no início da temporada, no Uruguai, e eu o vejo mais desenvolto em campo. Será que há alguma esperança de solução?

Resmungando: Fazer a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores garante decidirmos em casa nos mata-matas, mas seria justo que o cruzamento das oitavas fosse feito com o pior segundo colocado.

Como não somos bons de sorteio, pegamos logo o Cruzeiro, um dos mais fortes adversários do pote 2, talvez o mais forte.

A sorte vive colocando montanhas mais altas pra gente subir do que as dos nossos concorrentes.

Elogiando: Gosto da flexibilidade com que o treinador Jardim vê o futebol de cada jogador. Lino já foi posicionado em diferentes lugares do ataque e joga com muita liberdade de movimentos. De La Cruz não é visto apenas como volante. Paquetá também não. E isso é feito com naturalidade, sem qualquer “solenidade”. Simplesmente ele dá funções diferente aos jogadores em determinado momento do jogo, eles rendem bem e c’est fini.

Se alguém quiser seguir o meu exemplo, fique à vontade para lamentar, resmungar ou elogiar.

Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Intercâmbio

Jogadores de Alemanha e Curaçao se juntam para oração após jogo
da Copa do Mundo — Foto: Sebastian Widmann - FIFA/Getty Images
By Ge - Copa do Mundo da FIFA
 

Salve, Buteco! Hoje gostaria de retomar um dos meus assuntos favoritos, que envolve as consequências da Lei Bosman sobre o futebol internacional, especialmente, porém não exclusivamente, o de clubes. Para tanto, vou começar relembrando parte do texto do Esquenta: Flamengo x Espérance de Túnis, pela 1ª Rodada do Grupo D da Copa do Mundo de Clubes/2025:

"Os generosos Amigos que me honram ao ler os posts que escrevo para este Blog certamente se recordam da sequência de posts sobre o Mundial de Clubes e a Copa Intercontinental, que escrevi antes da participação do Fuderosão Safadão no Mundial/2022 (disputado em 2023).

Basicamente, como demonstrei no terceiro e no quarto posts da série, até o advento da chamada "Lei Bosman", resultado final do julgamento do processo C-415/93 pela Corte Europeia de Justiça - ECJ (European Court of Justice), o supremo tribunal da União Europeia para assuntos relacionados com a aplicação da European Union Law ou o sistema de normas que regem aquela associação de países, o placar da Intercontinental assinalava América do Sul 20x14 Europa.

A Lei Bosman e o fim da "Lei do Passe" são resultado de uma habilidosa e maquiavélica estratégia, que se apropriou sem pudor de uma premissa humanista autêntica, qual seja, o drama vivenciado por jogadores que tinham o seu vínculo empregatício com um clube expirado, os quais só conseguiam trabalhar se o antigo empregador fosse financeiramente indenizado pela perda do "passe" ou direitos sobre a força de trabalho do atleta. Uma forma mais branda e contemporânea de escravidão, portanto.

Entretanto, como eu dizendo, a estratégia foi maquiavélica, isso porque o novo marco regulatório, ao (corretamente) abolir o odioso e escravagista instituto do passe, simplesmente deixou para o "mercado", em sua essência mais crua, ou seja, sem regulação, "regular" as transferências de atletas. Resultado: sob uma bandeira humanista, passou a vigorar a Lei do Mais Forte - financeiramente, é claro. Estamos falando de dinheiro, arame, mufunfa, cascalho.

Não à toa, no mundo todo os clubes mais ricos passaram a exercer a hegemonia em seus respectivos países. Por exemplo, o Bayern de Munique, o Gigante da Baviera, que ontem goleou impiedosamente o amador Auckland City por 10x0, sempre foi o maior e mais vencedor clube da Alemanha, porém depois da Lei Bosman abriu-se um verdadeiro fosso entre ele e os concorrentes.

Na Itália, a Juventus, a maior vencedora no cenário nacional, disparou deixando a concorrência comendo poeira. Na França, o PSG saiu da posição de clube chique e quase inofensivo da capital para a condição de opressor dos rivais, tal como o Bayern na Alemanha. Na Inglaterra, onde o dinheiro sempre falou alto, mas havia concorrência, Liverpool e Manchester United assistiram rivais como o Chelsea e o Manchester City ganharem terreno e se tornarem mais competitivos do que o Arsenal.

O que existe hoje, em nível de regulação, é mera mitigação da Lei do Mais Forte. A Lei Bosman estabeleceu o paraíso para os clubes mais ricos da Europa. Sonho com o dia que alguém que tenha acesso a instrumentos de pesquisa adequados revelará ao mundo a influência da UEFA no julgamento do processo C-415/93.

***

O eurocentrismo futebolístico, contudo, não conhece limites e sua ganância não se contentou com o que foi alcançado com a Lei Bosman. De forma cruel, a UEFA passou a entupir o calendário europeu com competições que tornaram cada vez mais difícil o intercâmbio com os outros continentes. É o caso, por exemplo, da famigerada Liga das Nações. 

Qual seria o sentido da existência dessa competição, diante da tradicionalíssima e empolgante Eurocopa, senão o de isolar o futebol europeu do contato com os demais continentes?

É neste ponto que peço licença para elogiar Gianni Infantino e a Dona FIFA. O mais importante dessa nova competição é o intercâmbio com os clubes mais ricos da Europa, descarada e historicamente beneficiados pela Lei Bosman. 

Mesmo que aqui ou acolá possa ocorrer um 10x0 ou um placar apenas um pouco menos constrangedor, o eurocentrismo foi obrigado a ceder e se misturar com a escumalha. Bem ou mal, o intercâmbio volta a existir. A pedra fundamental foi lançada.

Gol do futebol."

***

Intercâmbio. Essa é a palavra que traz o que resta de justiça e competitividade no futebol global. É o que permite à Seleção de Curaçao fazer um primeiro tempo digno e competitivo contra a poderosa Alemanha e depois arrancar um empate do Equador. É o que permite a Cabo Verde arrancar um 0x0 de ninguém menos do que a poderosa Espanha, e é o que transformou o Japão não em uma força de primeira prateleira, mas uma seleção que encara qualquer outra dando trabalho e tendo chances de vencer.

Intercâmbio pressupõe confrontos entre clubes e seleções de outros continentes com os poderosos europeus, e não "apenas" (não que seja pouca coisa) o compartilhamento de conhecimento nas diversas esferas do futebol profissional, tais como business esportivo (gestão) e teorias tática e medicinal (fisiologia e preparação física englobadas).

E não é que a Copa do Mundo com mais seleções tem sua razão de ser? Passei a ser um defensor, assim como da Copa do Mundo de Clubes. A distância, que ainda é muito grande, entre os europeus e o resto do mundo, só será reduzida se houver intercâmbio, confrontos diretos.

Agora, vamos refletir um pouco sobre o que isso tem a ver com o Flamengo.

***

Parece-me claro que o Flamengo deve se preocupar em ser, senão hegemônico (palavra talvez presunçosa), o mais forte clube do país e de seu continente. Isso quer dizer que o clube não deve se planejar pensando em um adversário europeu que eventualmente enfrentará se conseguir conquistar a Libertadores e chegar até a final da Intercontinental no final do ano. O mesmo raciocíno deve valer para a Copa do Mundo de Clubes, disputada a cada 4 anos, concordam?

A preocupação primária, assim entendida como o objeto do planejamento para cada temporada, deve ter em mira os adversários do cotidiano, aqueles que disputam, ano após ano, as mesmas competições que o clube disputa - Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores da América. 

Resumindo em poucas palavras: não dá para basear todo o planejamento em um jogo que pode nem sequer acontecer (final da Intercontinental).

Mas e se a referência ou referencial puder ser justamente os melhores clubes do mundo? Não seria uma forma de alcançar e manter o posto de o maior (e melhor) do Brasil, das três Américas e de maior clube não europeu do mundo?

Sonho com um Flamengo que priorize as competições que disputa todo ano, mas que não se contente com o teto competitivo de cada uma delas. Acredito que seja possível conciliar as duas coisas.

Sonho com um Flamengo forte a ponto de, se chegar a uma final de Intercontinental e quando disputar uma Copa do Mundo FIFA, possa chegar não como um azarão, mas pelo menos como um candidato respeitável ao título ou a disputar as fases mais adiantadas ou decisivas da competição.

Para que isso aconteça, é preciso chegar lá, na Intercontinental, quantas vezes for possível, e disputar a Copa do Mundo de Clubes tantas vezes quanto conseguir. Resultados negativos ocorrerão, frustrações certamente nos machucarão, mas é preciso ter em mente que a estrada é longa, assim como possível chegar ao seu final.

Uma coisa leva à outra, mas será preciso ter perseverança.

River Plate, Lausanne e Benfica no Algarve pode parecer pouca coisa, mas lembra as velhas excursões de um tempo que, como expliquei nos posts aos quais me referi mais acima, remontam a uma era de competitividade dos sul-americanos em relação aos europeus que, como visto, infelizmente ficou para trás.

É hora de correr atrás.

***

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.

Série Mundial de Clubes:

1ª Parte: O Mundial de Clubes - 1ª Parte - O Início da Copa Intercontinental

2ª Parte: O Mundial de Clubes - 2ª Parte - A Batalha de Santiago e o Caminho do Flamengo até a Copa Intercontinental

3ª Parte: O Mundial de Clubes - 3ª Parte - O Renascimento e o Apogeu da Copa Intercontinental

4ª Parte: O Mundial de Clubes - 4ª Parte - A Lei Bosman, o Fim da Intercontinental e o Mundial de Clubes da FIFA

Outros posts sobre a Copa Intercontinental e Futebol Internacional:

Vencer, Vencer, Vencer - Factibilidade


Esquenta: Flamengo x Espérance de Túnis, pela 1ª Rodada do Grupo D da Copa do Mundo de Clubes/2025



O Bayern de Munique


O Paris Saint-Germain

sábado, 20 de junho de 2026

Hat-Trick do FDS - Tempos de Copa (3)

Salve, Buteco! É o Hat-Trick do FDS de volta, em tempos de Copa! Na falta de assunto e depois de mais uma semana bem difícil, a gente improvisa e, à base do velho SCO (simples, certo e objetivo) de Jair Pereira, manda a gorduchinha três vezes pra dentro das redes!

Começamos pela volta do Mais Querido aos treinos. Estão ligados? As atividades recomeçaram justamente ontem. Se liguem também que, daqui a duas semanas, na sexta-feira, 3/7, teremos jogo. É que a Diretoria marcou três amistosos no Algarve, em Portugal, contra River Plate, Lausanne (Suíça) e Benfica. Confiram as datas:

É o Mengão aos poucos de volta!

***

Uma participação decisiva, uma assistência e um gol de Vinicius Jr., e o Brasil venceu sem problemas o Haiti ontem à noite, para desespero dos detratores, dos cretinos, dos hipócritas e daqueles que nada sabem.

Paquetá também desfilou no gramado do Filadelfia Stadium.

Post aberto para comentários sobre a boa atuação dos rubro-negros.

***

Aliás, como bem lembrou o perfil oficial do clube no Twitter, atleta rubro-negro na Filadélfia, no Lincoln Financial Field, lembra outro gol do Danilo, no desfile contra o Chelsea, na Copa do Mundo de Clubes de 2025. 

Vale a pena ver de novo, direto do Túnel do Tempo:


***

A palavra está com vocês.

Bom FDS e SRN a tod@s.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Coluna do Carlos César: Resenha de 18.06.26 – Atacado e Varejo

 

Olá, Buteco!


Vamos a mais uma Resenha, desta vez com um tema mais pesado, com cara de atacado, e com um tema mais leve, que é de varejo.

O tema com cara de atacado é uma proposta de DR (discussão da relação), com o título “O Flamengo abdica das competições? Tem permissão para abdicar?”

E o tema de varejo é uma atualização da situação do Mengão Sub-20 no Brasileirão 2026 da categoria e sua possível influência sobre o engajamento dos melhores jogadores na programação de treinamento para a viagem de inter-temporada a Portugal.


O Flamengo abdica das competições? Tem permissão para abdicar?


O Flamengo abdica das competições?

Rossi, Royal, Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro, Evertton Araújo, Jorginho, Carrascal, Luiz Araújo, Bruno Henrique, Samuel Lino.

Esta foi a escalação inicial do Flamengo no jogo da volta da Copa do Brasil 2026, contra o Vitória.

Leonardo Jardim escalou:

** Seis titulares: Rossi, Léo Pereira, Alex Sandro, Evertton Araújo, Jorginho, Samuel Lino.

** Dois titulares do momento: Carrascal e Luiz Araújo (Paquetá, Arrascaeta e Plata não viajaram por lesões).

** Três reservas: Royal, Danilo e Bruno Henrique.

Dos titulares habituais, Jardim só poupou Varela, Léo Ortiz e Pedro, talvez por desgaste, talvez por opção tática.

Teria poupado EA e Jorginho se eles pudessem jogar contra o Sinthetico? (eles estavam suspensos para esse jogo do Brasileirão)

Não temos essa resposta, mas o fato é que o Flamengo não rifou a Copa do Brasil de 2026 e só saiu dela porque não conseguiu eliminar o Vitória.

Estava eu a pensar com meus botões e, ao refletir sobre rodízio de jogadores e uso da base, me vieram à mente as duas perguntas do título deste tópico do post.

Talvez elas sirvam como respostas para questões que vivemos levantando aqui no Buteco, sobre aproveitamento de alguns reservas e oportunidades para a garotada da base, porque esse uso de reservas e de garotos pode representar maior risco de insucessos, algo com que a Nação costuma lidar muito mal e a direção do clube, também.

Afinal, discurso é uma coisa e prática é outra.

No discurso, o Flamengo do Bap e do Boto tem o Brasileirão como maior prioridade e o presidente do Mengão voltou a afirmar isso numa ótima entrevista que deu ao Rodrigo Capelo, há cerca de um mês.

Na prática, porém, quando a coisa engrossa em alguma competição, ela vira prioridade, seja a Libertadores, certame que, em tese, disputa mais diretamente com o Brasileirão uma posição prioritária, sejam as demais competições de que o Flamengo participa.

Quando o Carioca 2026 ficou esquisito, com risco do Mengão precisar disputar o Grupo X dos quatro piores times, Bap atropelou o planejamento da pré-temporada e a estreia do elenco principal foi antecipada.

Depois, por termos vencido o Vitória por apenas um gol de diferença no jogo de ida da Copa do Brasil 2026, Jardim escalou, no jogo de volta, oito titulares, seis efetivos e dois titulares circunstanciais (Carrascal e Luiz Araújo).

Então, passa a fazer mais sentido o que disse o presidente Bap em entrevista recente, ao Charla Podcast:

Nós sempre planejamos pra disputar e ganhar tudo em que a gente entra... A gente já sabia que o calendário é intenso. O jogador, quando é contratado pra jogar no Flamengo, não é que ele vem achando que vai jogar quarenta partidas por ano e joga oitenta. Ele sabe que podem ser oitenta jogos.”

Então, a gente entra pra brigar por tudo. A gente sabe que é difícil ganhar tudo, mas esse é o nosso propósito.”

A gente não fica escolhendo torneios. A gente teve um resultado ruim na Copa do Brasil, é do jogo, você não vai ganhar tudo, mas basicamente não muda nada dos nossos objetivos no ano.”

É muito difícil ganhar tudo (CB, LA e BR), mas impossível não é. É impossível até que alguém faça. Alguma hora alguém vai ganhar tudo. Eu espero que o primeiro seja o Flamengo.”

Portanto, a julgar pelo que diz seu presidente, o Flamengo até define prioridades, mas não abdica das competições e só sai delas quando é eliminado ou não consegue pontuar para ser campeão.

E isso explica, a meu ver, as atitudes do clube quando se vê ameaçado de eliminação em alguma delas, mesmo que não seja uma das anunciadas como prioritárias.


O Flamengo tem permissão para abdicar das competições?

Vejamos o que disse o Amigo Gustavo no Esquenta de 16/05/26:

A Baranga deu um toco no Mais Querido ou foi o Cafajestão que correu para não chegar e deixou a Endinheirada meter o pé? Talvez um meio termo, quem sabe? Não acho que o time tenha entregado propositalmente a rapadura, mas faltou aquele ímpeto necessário para passar de fase, talvez porque, no fundo, os jogadores não acreditassem ou mesmo não quisessem um calendário entupido por três competições simultâneas no segundo semestre.”

Penso que o mau desempenho contra o Vitória tenha resultado principalmente de uma queda física e mental do time, causada pelo desgaste imposto pela sequência pesada de jogos, mas não duvido que as duas causas, desgaste e menor motivação do elenco, tenham se juntado para levar à eliminação prematura na competição nacional menos relevante do ponto de vista esportivo.

Continuemos com as considerações feitas pelo Gustavo no Esquenta citado:

A reação da torcida espelha a postura dos jogadores. Não senti a mínima convicção nem mesmo em quem usou palavras mais fortes para criticar o time, a comissão técnica ou a diretoria. A verdade, em muitos silenciosa, é que há um certo alívio, convivendo com o constrangimento e a frustração da eliminação, com a abertura de espaço no calendário após a volta da Copa do Mundo.”

Essa hipótese aventa a possibilidade de prevalecimento de bom-senso de parte expressiva da torcida, dando ao time e ao clube a permissão de abdicar da competição que a Nação valoriza menos.

Então, temos isso:

De um lado, a possibilidade de jogadores e de parte da torcida aceitarem a eliminação da CB com certo alívio, o que soa como permissão para abdicar, concedida por alguns dos envolvidos, mas não por todos.

De outro lado, parte da Nação rejeita enfaticamente qualquer eliminação e, a julgar pelas declarações do Bap e por atitudes do clube em momentos de risco, o comando do Flamengo não se concede permissão para abdicar e só aceita sair de alguma competição quando não consegue continuar nela.

Como as decisões são tomadas pelo clube, não pela parte “madura” da torcida (lembrando da expressão trazida pelo Gustavo na época da “crise do Carioca”), concluo que o Flamengo não tem essa permissão.

Se é assim, a resposta que o clube precisa dar é melhorar sua preparação e isso passa pela hipótese de ter o elenco “longo” com trinta jogadores de que falei no post “Elenco Curto, Calendário, Coringas”, de 24.04.26, algo necessário, mas não suficiente.


Elenco “longo” x Tentar ganhar tudo

Na entrevista ao Charla, Bap complementou o raciocínio sobre “tentar ganhar tudo” falando de planejamento do elenco:

Não é por outra razão que a gente tem um elenco como a gente tem. Se a gente jogasse cinquenta jogos por ano, como um time argentino, talvez a gente pudesse ter 24, 25 jogadores no elenco. Então, você já se planeja pra ter um elenco mais robusto.”

Aí, eu questiono, por entender que o Flamengo do Bap não tentou, até agora, nem com Filipe, nem com Leonardo Jardim, ter o tal elenco “mais robusto”.

Admito que não deve ser fácil porque, se fosse, já teria sido feito, mas o fato é que o Flamengo atravessou toda a maratona de jogos do primeiro semestre pressionado pela situação de elenco curto e este tem sido o modelo ao longo dos anos.

Na apresentação que fez ao Conselho, em dezembro passado, Bap afirmou que não é viável enfrentar-se nosso calendário com elenco curto e, na entrevista ao Charla, ele reforçou a ligação entre os “trinta jogadores” e a possibilidade efetiva de competir em tudo, mostrando-se otimista com o planejamento atual do futebol profissional do Flamengo:

Nós não tivemos, nos últimos doze meses, os trinta atletas do elenco profissional todos preparados pra jogar e hoje eu tô acreditando que, a partir de 22 de julho, nós vamos, pela primeira vez nos últimos doze meses, ter os trinta jogadores bem e disponíveis.”

Bap fala bastante nas entrevistas, mas talvez nem sempre diga tudo.

A afirmação acima transcrita foi feita na sequência a uma crítica ao planejamento de 2025, presumivelmente feito pelo Filipe Luís e pelo Departamento de Futebol em 2024, mas o planejamento de 2026 teve a participação do Boto e, quanto aos “trinta jogadores”, não trouxe qualquer novidade.

Uma vez que o presidente não se aprofundou muito nessa questão, não ficou claro se ele tem uma visão crítica discretamente não revelada quanto à condução do diretor José Boto, ou se realmente atribui toda a culpa pelos planejamentos ao treinador Filipe, mas há evidência de que ele associa o “tentar ganhar tudo” à disponibilidade de um elenco mais encorpado.


Elenco “longo” – Necessário, mas não suficiente

Como já expressei em post anterior e em comentários no Buteco, defendo o elenco “longo”, mas reconheço que ele é apenas um dos ingredientes necessários para uma real tentativa de sermos campeões da porra toda e que há muito a caminhar para que o Flamengo se credencie a essa façanha.

Afinal, por mais que não seja habitual no Flamengo, o passo mais fácil da empreitada é montar um elenco com 30 jogadores, sendo alguns da base.

O grande desafio é usar os trinta jogadores, dando a eles minutagem e boa preparação para que, em algum momento, o Flamengo alcance alta competitividade em todas as competições, conseguindo isso sem abrir mão do inevitável rodízio de atletas que sempre é imposto pelo calendário.

Nesse sentido, vejo como muito positiva a disposição do treinador Leonardo Jardim de começar a trabalhar com os jovens e torço para que ele consiga algum grande título neste ano, para que, além de nos dar essa grande alegria, tenha a chance de continuar desenvolvendo, sem grandes crises, o trabalho de integração que pretende iniciar nesta inter-temporada.


Sub-20 - BR26 e Viagem a Portugal

O Mengão Sub-20 vinha fazendo uma campanha de recuperação no BR26, a partir do desligamento do técnico Bruno Pivetti.

Com ele, os garotos conquistaram 14 pontos em 11 rodadas, com aproveitamento de apenas 42,4%.

Nas quatro rodadas seguintes, três sob o comando do interino Daniel Franklin e uma com Marcelo Salazar efetivado como novo treinador, conquistaram mais 10 pontos, chegando aos 24 que o colocaram na oitava posição da tabela de classificação.

Ontem, porém, num jogo em que era favorito, jogou em casa mas só conseguiu arrancar um sofrido empate de 1 a 1 com o Cuiabá, marcando seu gol numa cobrança de pênalti, aos 45 minutos do segundo tempo.

Com isso, caiu para a nona posição, com apenas 25 pontos e aproveitamento de apenas 52% em dezesseis rodadas.

Faltando três rodadas para o fim da fase de classificação, o Mengão vai precisar pontuar muito bem nos jogos contra São Paulo e Corinthians, ambos fora de casa, e contra o Avaí, em casa, para chegar ao mata-mata da competição (só os oito primeiros se classificam).

E aí vem a dúvida se o Flamengo vai priorizar a integração dos melhores garotos ao elenco principal ou a briga pela classificação para as quartas de final do BR26 Sub-20.

Incluo-me entre os que preferem sacrificar um mata-mata de BR Sub-20 em favor da oportunidade de uma viagem dos garotos com o elenco principal, com grande possibilidade de jogarem nas três partidas que o Flamengo fará em Portugal, mas ainda não sei o que foi decidido pelo clube.

Aguardo com interesse essa decisão, pois ela vai sinalizar se o Flamengo se permite abdicar de uma disputa nacional do Sub-20 para priorizar a transição de jovens promissores para o elenco adulto.

Em breve saberemos.


Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista