.jpg) |
| Bugatti Veyron (1001 cv) |
Olá,
Buteco!
Para
uma instituição como o Flamengo, que busca se perpetuar e manter
viva a paixão de uma enorme Nação, a busca da excelência tem que
ser parte permanente do que houver de mais essencial na sua cultura.
Era
assim que eu havia esboçado o começo do post de hoje – e vou
falar disso adiante – mas aí aconteceu o jogo entre Palmeiras e
Chapecoense e, num primeiro momento, eu me perguntei se fazia sentido
pensar em excelência num campeonato tão contaminado por práticas
condenadas até por integrantes da mídia contrária ao Flamengo.
Concluí
que sim, mas antes preciso passar pelo jogo do Palmeiras.
Demonstração
de poder do Palmeiras e o jogo mental
Quando
terminou o jogo do Palmeiras contra a Chape, o clima no Buteco
misturava desolação e revolta, e desolação é um importante
efeito mental que pode atingir participantes de uma competição,
quando um deles demonstra ter um poder superior, capaz de decidir a
disputa a seu favor.
É
difícil dar respostas eficazes a poderes “superiores”, mas
acredito que, em síntese, elas devem incluir excelência (alta
competência e competitividade) e poder de superação (capacidade de
vencer o desânimo e de não desistir).
Pego
carona num texto postado pelo Thiago Freire na segunda-feira,
primeiro de junho:
“Nitidamente,
o Palmeiras tem uma força gigantesca nos bastidores. Não existe um
árbitro nesse país que não apite jogo dos caras com medo. O que
aconteceu ontem foi um escárnio. Mas eu tento ver os dois lados de
tudo. Percebam que, SEM A AJUDA da arbitragem, eles não teriam
vencido o lanterna da competição. O time deles não é isso tudo.
Eles ainda terão jogos duros, fora de casa. Acredito que mesmo com
ajuda, vai ter jogo que não vai ser suficiente. Por isso afirmo, a
melhor estratégia para o Flamengo é focar em qualificar o grupo,
jogar muita bola e esquecer a tabela. Vencendo uma atrás da outra,
pode ter certeza que uma hora vai bater desespero do lado de lá.”
O
que o Thiago propõe é que, se o jogo mental do Palmeiras inclui um
poder de bastidores capaz de desequilibrar o campeonato a seu favor,
o jogo mental do Flamengo deve ser:
“...
focar em qualificar o grupo, jogar muita bola e esquecer a tabela.
Vencendo uma atrás da outra, pode ter certeza que uma hora vai bater
desespero do lado de lá.”
Quando
os jogos do nosso rival tinham acréscimos intermináveis em 2019, o
Flamengo de Jorge Jesus fez isso e foi tão forte que acabou
transferindo o desânimo para o lado de lá.
É
fácil?
Não,
e acho que agora é mais difícil do que em 2019, mas defendo que
seja parte da estratégia rubro-negra.
Não
significa que o Flamengo deva abrir mão da luta de bastidores,
porque nunca será razoável aceitarmos o convívio com práticas que
desequilibram irregularmente o campeonato, mas fortalecer-se no que
já está ao seu alcance pode virar o jogo a seu favor.
E
é pensando assim que consigo voltar ao tema que desejo abordar hoje,
a busca da excelência.
O
post “Esquenta” do Gustavo, para Flamengo x Coritiba e Sorteio
das Oitavas da LA
Apesar
do Flamengo ter derrotado o Cuzco no meio da semana e carimbado sua
classificação para as oitavas da Libertadores com a melhor campanha
da fase de grupos, o post “Esquenta” do Gustavo da sexta-feira,
29 de maio, estava carregado de preocupações relacionadas a dois
temas: o sorteio para as oitavas da Libertadores e o jogo contra o
Coritiba, marcado para sábado, dia 30.
Flamengo
x Coritiba
No
tocante ao jogo contra o Coxa, preocupava-nos precisarmos enfrentar,
com dez desfalques, o sexto colocado do Brasileirão e um dos
visitantes mais enjoados da competição.
Houve
quem discordasse de tanta preocupação com o Coritiba, mas íamos
entrar em campo com apenas quatro titulares de linha (Léo Ortiz,
Evertton, Pedro e Lino) e com um time-base que fizera um péssimo
primeiro tempo contra o fraquíssimo Cuzco.
Palmas
para Leonardo Jardim, que montou um time eficiente e competitivo e
assim afastou qualquer risco de gracinhas do Coxa no nosso Maraca.
Sorteio
das Oitavas
O
outro tema preocupante era o sorteio dos confrontos das oitavas de
final e do chaveamento dos mata-matas da Libertadores.
Como
sempre acontece, torcíamos por um sorteio favorável para nós,
embora estejamos cansados de saber que as bolinhas da CBF e da
Conmebol não gostam da gente.
Gustavo
pediu Tolima, “o mais fraco entre todos os segundos colocados” e
especulou com Mirassol ou Platense, mas pegamos o Cruzeiro,
adversário pesado.
Aí,
num trailer deste post, tive uma conversa com o Wagner-Fla, em que
ele escreveu, falando do sorteio para as oitavas:
“Minha
preocupação não é o Cruzeiro. É o Flamengo. Tem que melhorar
muito, especialmente na defesa.”
Minha
resposta foi:
“Também
penso assim.
Na
situação atual, acho que o Flamengo depende mais dele,
preparando-se para chegar forte ao confronto.
Aí
vem o jogo, em que circunstâncias podem pesar a favor ou contra, mas
a preparação tem que ser top e isso exige que o time evolua na
função defensiva.”
Faço
o meu melhor...
O
post do Gustavo e essa breve conversa com o Wagner me fizeram lembrar
de um ótimo texto de um pedagogo brasileiro das antigas, cujo nome
me escapa da memória.
Lembrando-me
de uma frase do texto, perguntei ao Google:
Quem
dizia "faço o meu melhor e o resto não é problema meu"?
(Calma
aí, que rapidinho eu vou voltar ao Flamengo!)
A
resposta, em visão criada por IA, foi:
“A
frase exata do jeito que você escreveu não pertence a um único
autor famoso, mas ela resume perfeitamente a base do Estoicismo, uma
das correntes filosóficas mais influentes da antiguidade.
O
estoicismo, defendido por pensadores como o imperador romano Marco
Aurélio, o filósofo Sêneca e o ex-escravo Epicteto, baseia-se na
chamada "Dicotomia do Controle". Essa ideia divide o mundo
em duas partes:
O
que depende de você: Seus pensamentos, suas intenções, sua
dedicação e suas ações (fazer o seu melhor).
O
que não depende de você: Os resultados, a opinião dos outros, o
clima, a economia e o futuro (ou seja, o resto, aquilo "não é
problema seu").”
O
Esquenta de 29/05/26 e a conversa com o Wagner me levaram a esse
pensamento porque a pergunta que me ocorreu foi:
O
Flamengo tem feito o seu melhor?
Faço
essa pergunta pensando no trabalho estrutural do clube, não nas
circunstâncias de cada jogo, porque estas, a meu ver, estão no
grupo das coisas sobre as quais o Flamengo pode tentar ter algum
controle, mas nunca terá todo o controle.
A
título de exemplo:
**
O Flamengo pode trabalhar seus jogadores para terem mais cuidado com
jogadas de risco, mas não está livre de que algum jogador cometa
erro passível de expulsão.
**
O Flamengo pode conseguir que seus jogadores sejam cuidadosos, mas
não está livre de punições injustas, por erro ou má fé de quem
apita o jogo ou influencia a arbitragem com o VAR.
Meu
ponto, quando penso assim, é que nunca vamos afastar completamente
os riscos de jogar com 10 desfalques contra um bom time ou de ter um
sorteio ruim numa competição mata-mata (o Vitória, que nos
eliminou na CB26, era um dos adversários mais difíceis do pote 2).
O
que o Flamengo pode fazer, creio, é ter a melhor preparação
possível, o que passa pelo que chamo de trabalho estrutural do
clube.
É
relevante considerar que, por ser perecível, a busca da excelência
deve ser uma combinação de atitude e de prática permanente, seja
porque os adversários evoluem e nos impõem novas exigências de
qualificação, seja porque as nossas qualificações decaem com o
tempo (por exemplo, por envelhecimento ou venda de jogadores
importantes e por saída de um treinador vencedor, caso de Jorge
Jesus).
O
trabalho estrutural
Sem
pretender fazer uma lista completa, relaciono aqui alguns itens em
que o Flamengo sempre precisa fazer o seu melhor, para reduzir a
escala das coisas que não pode controlar, e faço uma breve
avaliação do estágio em que estamos, no caminho para a excelência.
Trabalho
eficiente de bastidores
Em
tempos normais, o Flamengo tem que ser sempre um player de peso na
relação com as diversas instituições do ambiente do futebol.
Nesse
sentido, o fortalecimento do clube junto à Libra foi um bom passo,
mas, na atualidade, o trabalho de bastidores do Flamengo precisa ser
transformador, porque há um clube com poder excessivo, capaz de
determinar o resultado das competições de que o Mengão participa.
Isso
tem que mudar e vai dar muito trabalho até acontecer.
Elenco
completo e bom em todas as posições
Os
anos vão passando e continuamos convivendo com deficiências de
elenco quantitativas e qualitativas que, em determinados momentos,
levam a resultados negativos.
No
post de primeiro de junho, o Gustavo detalhou o tema, reafirmando a
necessidade de melhoras significativas em algumas posições do
elenco.
Acho
que, em alguma medida, temos falhado em atitude e prática permanente
da busca de excelência, neste tema que é sempre decisivo e que
depende muito, a meu ver, da atuação do diretor de futebol.
Bom
treinador e boa comissão técnica
Nosso
melhor momento, neste tópico, foi o da passagem de Jorge Jesus pelo
Flamengo, mas a saída dele, pouco depois de renovar o contrato, é
exemplo claro do quanto pode ser perecível essa qualificação do
clube.
Depois
de muitas mudanças, temos hoje o Leonardo Jardim, cuja contratação
não reprovo.
Embora
ele tenha passado por algumas oscilações nesses primeiros meses,
tenho boa expectativa a respeito do trabalho dele, mas não consigo
afirmar que ele tem uma CT que nos encaminha para a excelência.
Em
bola parada, por exemplo, regredimos em relação à época do Filipe
e do Rodrigo Caio.
Não
sei em que medida o Diretor de Futebol trabalha junto ao treinador
para evolução de sua CT, mas este é mais um campo em que há
sinais de que não estamos fazendo o nosso melhor possível.
Ambiente
gerador de compromisso dos atletas
Após
a saída do Filipe, surgiram rumores sobre comportamentos indevidos
de atletas, algo que tem acontecido em muitos momentos.
A
geração de compromisso dos jogadores tem que ser permanente e valer
para todos, com atuação firme dos capitães, do treinador e do
comando do futebol.
No
que se refere aos capitães, percebo mais atitude no Danilo do que
nos jogadores que costumam usar a faixa.
Jardim
tem conseguido gerar reações positivas em vários jogadores (Plata,
Pedro e Lino, por exemplo), sinalizando que, enquanto estiver no
Flamengo, pode contribuir para que o ambiente de compromisso
prevaleça.
José
Boto, por sua vez, não parece contribuir suficientemente nesse tema,
a julgar pelo ambiente que precedeu a queda do Filipe Luís.
Espírito
matador
O
time campeão costuma ter uma espécie de “fúria benigna”, que o
leva a matar os jogos e a dar poucas chances de reação aos seus
adversários. Não vejo a presença dessa fúria no nosso time, mas
ela tem que ser despertada.
Infraestrutura
top para suporte às atividades de preparação
Até
onde sei, esta é uma área em que o Flamengo vai bem.
Excelência
no trabalho com as divisões de base
Na
base, o propósito deve ser, sempre, conseguirmos suprir demandas do
elenco principal e, em consequência do trabalho, gerarmos receitas
para o clube com vendas de jovens talentosos.
Estamos
longe disso quanto ao suprimento de demandas do elenco, como tantas
vezes conversamos no Buteco, e não há como apressar muito os
resultados nesse campo, cabendo ao comando do clube trabalhar para
retomar o rumo da excelência, do qual já estivemos mais perto.
Há
notícias de mudanças positivas, a última delas a contratação do
treinador Marcelo Salazar, de quem se espera a promoção de avanços,
mas o Flamengo tem muito a caminhar para voltar a produzir grandes
jogadores na sua base.
Integração
dos talentos da base ao elenco principal
Não
há como pensarmos nessa integração sem contarmos com atuação
efetiva do treinador “adulto” e de sua comissão técnica na
transição dos garotos.
Jardim
afirmou que vai começar a cuidar disso, o que é uma novidade a ser
comemorada, porque foge ao que tem sido o hábito dos treinadores do
elenco principal.
Para
o atual ciclo, temos essa sinalização positiva, mas trata-se de uma
prática que tem que ser incorporada pelo clube, seja quem for o
treinador do time principal.
O
Diretor de Futebol
Por
ser perecível e exigir busca permanente, a excelência do Flamengo
no futebol nunca será um porto de chegada, sempre será um norte.
A
quem cabe liderar, no clube, essa busca permanente?
Considero
que, na quase totalidade dos tópicos acima analisados, esse papel é
do Diretor de Futebol.
Ao
mesmo tempo em que é inquestionável que o trabalho de bastidores é
uma das missões relevantes do presidente do clube e de seu staff
político, vejo o Diretor de Futebol como o profissional que deve
influir no item “Infraestrutura” e ser o principal responsável
por liderar ou impulsionar as ações nos itens mais orgânicos do
futebol (elenco, treinador e sua CT, ambiente, base).
E
aí enxergo uma razão relevante para, num momento de dificuldades,
nos preocuparmos tanto com o jogo contra o Coritiba e com o sorteio
das oitavas da Libertadores.
Essa
apreensão resulta da consciência de que deveríamos estar mais
preparados e, consequentemente, menos vulneráveis.
Creio
que, sob o comando do atual diretor de futebol, temos feito menos do
que deveríamos, e até do que poderíamos, nos campos que ele
lidera.
Refiro-me
menos a erros eventuais que ele possa cometer e mais ao que ele
parece deixar de fazer na construção da atitude e da prática
permanente em busca da excelência.
O
futebol do Flamengo precisa de uma liderança forte nessa construção
e, com todo o respeito que o diretor Boto deve merecer, não vejo
nele perfil profissional adequado para satisfazer bem a essa demanda
porque, como já disse em comentários aqui no Buteco, vejo-o mais
como um especialista em algumas atividades do futebol, mas não como
o gestor e líder de que precisamos.
Em
todos os anos dos blues, o Flamengo só teve, a meu ver, um
profissional que se aproximou de suprir bem essa demanda: Jorge
Jesus.
Seja
por seu perfil, seja porque o VP de Futebol Marcos Braz não
desenvolvia um trabalho sistêmico que cuidasse bem de todos os temas
de que falei acima, Jorge Jesus ocupou no clube um espaço muito
maior do que o de simples treinador e, por suas qualificações,
levou o Mengão ao histórico e fugaz “outro patamar”.
Noticiou-se,
recentemente, que o diretor Boto não renovará seu contrato com o
Flamengo e vejo nisso uma oportunidade de evolução, por podermos
buscar, para seu lugar, um profissional com perfil mais compatível
com as demandas do cargo.
Pode
parecer uma viagem delirante, mas meu candidato para essa missão é
Jorge Jesus, porque já exerceu parte dela em 2019/2020 e porque o
Flamengo tem margem para aumento de sua folha de pagamentos, já que
consome com ela, na atualidade, menos de 50% de suas receitas
recorrentes.
Se
Jesus não for viável, passa pela minha cabeça o nome de Leonardo
Jardim, por sua grande experiência no futebol, mas não me anima
tanto quanto o Mister.
Espero
que o presidente Bap se inspire e escolha um profissional que, de
forma mais permanente, impulsione o futebol do Mengão para níveis
cada vez mais próximos da utópica excelência.
Saudações
Rubro-Negras!!!!!
Carlos César Ribeiro Batista