sexta-feira, 27 de maio de 2022

Alfarrábios do Melo

RAUL, LEANDRO, MARINHO, MOZER E JÚNIOR; ANDRADE, ADÍLIO E ZICO; TITA, NUNES E LICO

Os rubro-negros aprenderam a recitar esta mágica escalação, que simbolizou uma era de vitórias e títulos em cascata, um momento mágico na história do Flamengo. Os tais onze heróis, não raro erguidos a uma espécie de panteão de intocáveis, objeto de uma espécie de reverência que encontra paralelo com o que se dedicava aos protagonistas do Tricampeonato Mundial de 1970, pela Seleção Brasileira (mas essa é outra história).

Acontece que, outro dia, lembrou-se que essa escalação somente atuou QUATRO vezes junta.

Intrigado com essa constatação, que é absolutamente correta, resolvi investigar os motivos pelos quais Carpegiani lançou mão da tal “formação mágica” tão poucas vezes. O resultado segue sintetizado nas próximas linhas.

I – O INÍCIO: FIGUEIREDO, DEPOIS MARINHO

O marco temporal inicial para a montagem dessa escalação é a partida contra o Botafogo, pelo Terceiro Turno do Estadual-1981. É nesse momento que Carpegiani decide colocar mais um meia na equipe, no caso Lico, em substituição a Baroninho, ponta-esquerda “de ofício”. Com efeito, Lico chegou em 1980, mas foi emprestado ao Joinville/SC no início de 1981 por falta de oportunidades, voltou no segundo semestre e parecia que seguiria sem chances, quando começou a aparecer em alguns jogos menores e ir bem. Depois, ganhou alguns minutos na Libertadores, foi peça-chave para a vitória em Cochabamba contra o Wilstermann-BOL e, a seguir, recebeu todos os prêmios de melhor em campo numa difícil vitória contra o Campo Grande (2-1), em Ítalo del Cima, em que o Flamengo colocou um time misto. Assim, Carpegiani, impressionado com o desempenho de Lico, resolve lançá-lo como titular nesse clássico contra o Botafogo.

Ocorre que a zaga titular é formada por Mozer e Figueiredo, com Marinho no banco. É comum que, em caso de lesão, o jogador que entra mantenha a sequência, com o que ficou “de fora” tendo que aguardar o momento para voltar à equipe. Os dois jovens ganharam a posição ao longo da temporada, deixando pelo caminho nomes mais experientes, como Rondinelli, Luís Pereira e o próprio Marinho, por lesões ou desempenho.

A escolha por Lico se revela um sucesso retumbante. A alteração traz a peça que faltava para equilibrar e “arredondar” o time, que enfia 6-0 no Botafogo. O “onze” que massacrou os alvinegros (com Figueiredo) é mantido na segura vitória contra o Fluminense (3-1) e nas Finais da Libertadores contra o Cobreloa-CHI (2-1, no Maracanã, e 0-1, em Santiago).

No entanto, Figueiredo sente a virilha na Batalha de Santiago e é vetado do jogo decisivo em Montevideo, junto com Lico, recuperando-se de um corte no rosto resultante da selvageria chilena. Marinho entra no time, que faz 2-0 e conquista o continente.

Na partida seguinte, contra o Volta Redonda no Raulino de Oliveira, Lico retorna e o Flamengo, pela primeira vez, manda a campo a escalação histórica. O time faz 5-1 e conquista o Terceiro Turno. O time é mantido no jogo seguinte, já a primeira partida da Final do Estadual contra o Vasco, mas o trauma pela morte de Cláudio Coutinho se mostra decisivo na derrota por 0-2. Nesse jogo, Nunes é expulso, não podendo atuar na segunda partida da decisão em que, sob um dilúvio bíblico, o rubro-negro é novamente derrotado (0-1). Na finalíssima, o desfalque é Tita, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. O Flamengo vence (2-1), conquista o título e embarca para disputar o Mundial, em Tóquio.

Cogita-se a volta de Figueiredo à zaga, mas, como ainda não está seguro da total recuperação da contusão, e pela falta de ritmo de jogo, Marinho é mantido. Assim, o Flamengo escala, pela terceira vez, o time que ficou marcado na história. E, com os 3-0 e a conquista do maior título da existência flamenga, os onze jogadores que foram a campo passaram a ser eternamente saudados pelo feito.

II – CONTRATOS A RENOVAR

O início da temporada de 1982 é marcado pela necessidade de renovação contratual de alguns jogadores. Em tempo de Lei do Passe, a dinâmica dessas renovações é diferente, pois, uma vez que o atleta está preso ao clube, a negociação pode durar semanas e até meses até que se chegue a um acordo.

Isso acontece inicialmente com Tita, que já desfalca o Flamengo na estreia do Brasileiro, a virada histórica sobre o São Paulo (3-2), no Maracanã. Enquanto o camisa 7 vai discutindo o novo contrato, Vítor ou Chiquinho são utilizados, a depender do contexto. Tita retorna em um amistoso contra o Goiás (1-1, Serra Dourada), mas agora é Lico quem está fora, pelo mesmo motivo. Vítor, uma espécie de “décimo-segundo titular”, é o substituto, eventualmente entrando o ponta-direita Popeia, vindo do Colorado-PR.

Lico enfim renova seu contrato e volta ao time no empate em 1-1 contra o Náutico, no Maracanã, mas entra ao longo do jogo, no lugar de Leandro. Mas, na partida seguinte, a última da Primeira Fase, estão todos disponíveis, e a escalação lendária é usada pela quarta vez, na espetacular vitória por 4-3 contra o São Paulo, no Morumbi.

A vitória contra o tricolor paulista marca a última vez que os “onze heróis” de Tóquio estiveram juntos em campo. E a única em todo o ano de 1982.

III – AS LESÕES DE NUNES E MOZER

A Segunda Fase inicia com um compromisso diante do Corinthians, no Morumbi. O time é o mesmo que derrotara o São Paulo, com a exceção do goleiro. Raul sente dores lombares, um prenúncio de uma lesão que irá incomodá-lo mais adiante. É substituído por Cantarele.

Após o 1-1 contra os paulistas, o Flamengo recebe o Atlético-MG no Maracanã. Raul está de volta, mas o rubro-negro sofre uma séria baixa. No último treinamento antes da partida, Nunes torce o joelho. A lesão tira o atacante de toda a Segunda Fase e das Oitavas-de-Final, contra o Sport. Nunes somente retorna no segundo jogo das Quartas-de-Final, contra o Santos, no Morumbi.

No entanto, o time já está sem Mozer. O zagueiro, justamente no primeiro jogo contra o alvinegro praiano, fratura duas costelas e está fora do Brasileiro. Assim, não atua em nenhuma partida da reta final da competição, em que o Flamengo conquista o Bicampeonato Brasileiro com Marinho e Figueiredo na zaga.


IV – AS CIRURGIAS DE RAUL E MOZER

Após o Brasileiro, o Flamengo realiza alguns amistosos pelo país, naturalmente sem utilizar os três jogadores que estão cedidos à Seleção Brasileira para a preparação/disputa da Copa do Mundo (Zico, Júnior e Leandro). Com o fim do torneio e a volta dos titulares, o rubro-negro estreia no Estadual com três baixas. Leandro, em processo de renovação de contrato, Nunes, que resolvera operar o joelho no intervalo da Copa e ainda está em recuperação, e Raul, que sente dores na coxa.

O problema de Raul, inicialmente, não parece sério. Identifica-se que as dores decorrem de uma lesão no nervo ciático, que está sob compressão. O tratamento inicial é convencional, mas após dois meses de dores persistentes, opta-se pela cirurgia de hérnia de disco. O goleiro, assim, ao longo do Estadual e da Libertadores, é Cantarele. Raul ainda brinca com eventuais especulações que surgem, sobre suposto interesse nos goleiros Dasaev e N’Kono: “seriam reservas de luxo”.

Enquanto Raul se recupera, outro titular começa a viver uma espécie de calvário. Mozer sofre entorse no joelho, vai entrando e saindo do time à medida que a lesão melhora, chega a atuar no sacrifício no jogo-extra da Taça Guanabara, em que o Flamengo ganha o Pentacampeonato ao fazer 1-0 no Vasco, mas, com a persistência do problema, acaba optando pela cirurgia, após a vitória por 3-0 sobre o River Plate-ARG, pela Libertadores. Está, portanto, fora da temporada.

Raul retorna no final da Taça Rio (Segundo Turno), mas Cantarele segue titular. Além disso, Carpegiani vai rodando o plantel, buscando ter os jogadores inteiros na reta final, o que desagrada alguns titulares. Raul é alçado de volta ao time no jogo final, contra o Vasco, o que gera algum desconforto. A condução do fim do ano não funciona, e 1982 termina de um jeito um tanto amargo.

V – OS EMPRÉSTIMOS DE TITA E NUNES: O FIM

O fracasso do final da temporada anterior faz com que o Flamengo resolva promover uma pequena reformulação em seu elenco. Nesse contexto, Tita, sem ambiente com parte da torcida, é emprestado ao Grêmio, numa transação que traz à Gávea o atacante Baltazar, e Nunes, após pesado desentendimento com Carpegiani, é colocado para treinar em separado, acertando sua transferência por empréstimo ao Botafogo, após algumas semanas.

Com isso, desfaz-se a possibilidade de repetição da “escalação de 1981”, que passa, portanto, à posteridade e ao imaginário dos sonhos rubro-negros.

O time que jogou quatro vezes.


quinta-feira, 26 de maio de 2022

Problemas e Solução



Como em tudo na vida é fácil apontar os problemas individuais, coletivos, processuais de qualquer tipo de pessoa, física ou jurídica. Porque todos erram, todos são falhos, mas uns erram ou acertam mais que os outros, por competência, sorte, qualidade, determinação, coragem, enfim, por vários fatores, incluindo qualidades negativas como canalhice, mentira, enganação e violência, que invariavelmente são determinantes pela maior quantidade de erros. Todas as qualidades humanas ao final de contas servem a um propósito construtivo, neutro ou destrutivo. Onde estamos neste caminho longo e turbulento? Através de nossas ações (ou falta de) sendo vistos de forma positiva, negativa ou neutra pelos outros, com intensidade maior à medida que são diretamente impactados por elas. 

E nós, torcedores do Flamengo onde estamos nesta? Sendo impactados pelas ações da gestão de futebol sob a responsabilidade do Rodolfo Landim, reeleito sem plano de governo para este triênio pelos "donos do Flamengo", os sócios proprietários. 

Quais nossas opções enquanto torcedores apesar desta gestão? Reclamar muito nas redes sociais? Vaiar e ofender dirigentes, técnico e jogadores nos estádios em jogos do Flamengo? Ir reclamar na Gávea, no CT, onde estes dirigentes estão reunidos? Onde jogadores e comissão técnicas estão reunidos? Tudo é possível, e como tudo na vida há um propósito para elas, que seria chamar a atenção dos responsáveis para a insatisfação crescente da torcida, mas seriam estas ações adequadas? 

A torcida ao mostrar insatisfação ao final do último jogo ainda que o Flamengo tenha obtido uma boa classificação na fase de grupo de uma Libertadores, foi exagerado, destemperado, ou a torcida do Flamengo ficou mais exigente pelo potencial técnico observado em 2019 e que anseia repetir? Afinal, o clube hoje teria condições financeiras de repeti-lo, porém, como vemos, não tem as condições administrativas mínimas necessárias. Continua gerindo amadoristicamente um futebol profissional, pois, afinal de contas, é um clube social, e como tal, politicamente, é preciso agradar os ditos "sócios proprietários" que ficam felizes de participar de forma amadora e ineficaz um pouco que seja do background do futebol. 

Portanto, na minha opinião, o "Fora Braz" por hora gritado não serve para nada. Pois o modelo de gestão de futebol continuará o mesmo. Amador e disruptivo. Iriam substituir o Braz por outro amador. E como os critérios do Landim na gestão do clube são usualmente péssimos, teríamos um Braz 2.0 ainda pior que o original. Logo, a torcida deveria exigir a contratação de uma Direção Técnica Profissional de Futebol, qualificada e reconhecida, a qual, creio, teria que ser buscada e convencida no exterior. Problema que todo profissional sabe que clube social é uma usina de problemas advindos de decisões catastróficas e suspeitas, e a cada eleição a cabeça da Hidra muda. O que chego a conclusão que a verdadeira exigência seria a separação do Social do Futebol e a transformação do Futebol em empresa, com metas específicas e livre da repugnante e danosa presença de associados em sua gestão. 

terça-feira, 24 de maio de 2022

Flamengo x Sporting Cristal

  

Copa Libertadores da América/2022 - Grupo H - 6ª Rodada

Terça-Feira, 24 de Maio de 2022, as 21:30h (USA ET 20:30h), no 
Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã", no Rio de Janeiro/RJ.


FLAMENGOHugoIsla, Pablo, DaviLuiz e Ayrton Lucas; ThiagMaiaJoãGomesMarinhe Lázaro; Pedro e Gabigol. Técnico: Paulo Sousa.


Sporting Cristal: Alejandro Duarte; Lora, Chávez Massoni, Merlo e Loyola; Távara e Yotún; Calcaterra, Saavedra e González; Irven Ávila. Técnico: Roberto Mosquera.

Arbitragem: Alexis Herrera (FVF/Venezuela), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Carlos López (FVF/Venezuela) e Jackson Díaz (FVF/Venezuela). Quarto Árbitro: José Uzcatégui (FVF/Venezuela). Assessor de Árbitros: Hilton Moutinho (CBF/Brasil). Assessor de Vídeo: Giulliano Bozzano (CBF/Brasil). 

Transmissão: Sistema Brasileiro de Televisão/SBT (rede aberta)ESPN (TV por assinatura) e Star+ (Internet streaming).



segunda-feira, 23 de maio de 2022

A Fragilidade da Firmeza

Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Salve, Buteco! Segundo o sítio da Prefeitura de Apodi na Internet, município do Rio Grande do Norte, "Apodi é palavra de origem indígena. Segundo os historiadores do assunto significa coisa firme. Altura unida, um planalto, uma chapada. Seria a Chapada do Apodi à qual os índios davam esta denominação? É provável que sim. A versão acima é do grande historiador Câmara Cascudo, a maior autoridade nos nossos assuntos históricos."

Luiz Diallisson de Souza Alves, nascido em Apodi/RN, usa o nome de sua cidade natal como identidade profissional. Destaca-se por sua incrível velocidade, sempre um tormento para os marcadores adversários. No jogo de sábado, no final dos acréscimos do árbitro ao segundo tempo, graças a sua habilidade de se deslocar em grande velocidade por espaços vazios, recebeu a "bola do jogo" para o Goiás empatar a partida contra o Flamengo. Apodi foi firme como um planalto, ou como a própria chapada, localizada na divisa dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, que leva o seu nome e o do município, meio que "chapando" a bola com o pé direito e isolando-a por cima do travessão de Hugo. 

Sobrou firmeza a Apodi, mas faltou flexibilidade, aquele molejo que dá efeito às bolas chutadas de média distância, de modo a morrerem no fundo das redes. Curiosamente, a "chapada do Apodi" impediu que as chamas da crise crescessem novamente.

***

No post da semana passada, falei que andava faltando o que chamei de "verve firme" de Mister Paulo Sousa. Com certeza não foi por conta do post, mas não é que no dia seguinte ela ressurgiu, quase flamejante, na entrevista coletiva após os 3x0 sobre a Universidad Católica? Declarando o que todo mundo entendeu como um pedido de Diego Alves para jogar, sem passar pelos necessários processos de treino pós-contusão, a firmeza de Mister Paulo causou um incêndio, que só foi contido quando o nosso treinador português precisou ser flexível para, em conjunto com a Vice-Presidência e a Diretoria de Futebol, lidar com o assunto e chegar a um acordo com o inquieto e veterano goleiro, cujo vínculo foi irresponsavelmente renovado antes da chegada do treinador.

O episódio me lembrou uma referência ao não-agir (wu wei) chinês, feita em um dos melhores livros que já tive a oportunidade de ler:

"Na China, o wu wei ou não ação foi comparado aos galhos esguios das árvores que cobertos de neve curvam-se até o chão. Em vez de cederem ao peso que os oprime, cedem à pressão para não se partirem. Depositada junto à raiz, a neve liberta os galhos."¹

Aos nossos olhos, as intempéries que nos fazem ceder na vida na grande maioria das vezes são injustas, como pode ter sido a que fez Mister Paulo recuar para o seu vínculo com o Flamengo não se partir. É sábio não ceder à tentação de se agarrar a uma narrativa, especialmente se não for possível dizer ao certo até que ponto ela expressa a verdade.

Há problemas no Flamengo que antecedem a chegada de Mister Paulo, alguns deles muito antigos, outros que vêm "apenas" desde a pandemia até hoje. A torcida sempre vaiou, politicagem sempre existiu; mas o quanto essas questões são realmente problemas também depende muito da maneira pela qual se lida com elas.

As vaias se dissiparão ao longo de uma sequência de vitórias, que também farão a politicagem ceder espaço, como sempre. São fatores que existem independentemente da vontade e das ações do nosso treinador português, o qual também não possui controle algum sobre quem lhe chefia ou com quem interage (Departamento Médico, por exemplo).

De forma semelhante, a perda de conhecimento científico e a desastrosa "renovação" de funcionários no Departamento de Futebol, assim como a não menos danosa preparação física das duas temporadas anteriores são fatores preexistentes e, portanto, não dependem da vontade e das ações do atual Mister.

O xis da questão é como ele se comporta diante desse contexto.

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Acho que o time do Flamengo faz muito esforço para marcar gols, mas também acho que as causas são múltiplas e não se restringem aos movimentos táticos que o treinador exige dos jogadores, passando sobretudo pelos problemas que acabei de afirmar que preexistem à chegada da atual comissão técnica. Sendo mais explícito, vão desde diagnóstico e tratamento de contusões, passando por transição e preparação física, chegando até mesmo ao extracampo dos atletas.

O melhor do trabalho de Mister Paulo no Flamengo, a meu ver, está na comissão técnica, talvez com a exceção da insistência exageradamente conceitual do preparador de goleiros com Hugo, causando a colisão do conceito com os maus resultados decorrentes das falhas individuais que comprometem o desempenho do time. 

Um bom exemplo do lado bom pode ser dado na recente incorporação à comissão técnica do bioquímico Miguel Cabezas, noticiada pelo jornalista Cahê Mota (@cahemota) neste tuíte, segundo o qual, "Por meio de coletas realizadas pela fisiologia e nutrição, ele faz avaliações do metabolismo dos atletas pela urina, sangue e saliva."

Na mesma linha, não acredito que o "problema físico", apontado por alguns torcedores e até jornalistas, decorra dos profissionais que compõem a comissão técnica, os quais, a meu ver, possuem currículos inquestionáveis. As maiores causas me parecem ser justamente esses problemas preexistentes e, em alguns casos, infelizmente contemporâneos ao trabalho de Mister Paulo, os quais, como visto, escapam ao seu controle.

Por outro lado, há também o que é inato à própria estrutura do futebol brasileiro por conta das características geográficas do país, como muito bem ressaltou o português Alex Brito nesta ótima live da qual participou a convite do jornalista Bernardo Ramos (@bernardoramosal), em seu canal no YouTube (a partir de 32'20'').

Mas voltando ao que escrevi no início desse tópico, desconfio que a exigência tática do modelo de jogo de Mister Paulo seja limitada por todo esse complexo contexto. Não trato essa impressão como verdade absoluta, até porque o tema é muito técnico, mas tenho a convicção de que a proporção entre firmeza e flexibilidade nas decisões do treinador -  equação que, aqui sim, está inteiramente sob o seu controle -, terá grande peso no sucesso do Flamengo sob o seu comando.

Ao final de sua passagem pelo clube, essas decisões dirão muito sobre a própria qualidade de Paulo Sousa como treinador, até porque é mais do que justo cobrá-lo para fazer o melhor em prol do rendimento do elenco que, na pior fase desde a sua montagem, foi entregue ao treinador na condição de vice-campeão brasileiro e da Libertadores, tricampeão carioca e semifinalista da Copa do Brasil. É difícil crer que, de dezembro para cá, tenha se deteriorado tanto, inclusive no aspecto físico e considerando as idades de alguns atletas, a ponto de justificar duas finais perdidas e a pífia campanha no Campeonato Brasileiro.

Aos adeptos da "Teoria da Reestruturação", vale lembrar que, no final do ano, Flamengo e Paulo Sousa poderão romper o vínculo sem o pagamento de multa rescisória. Logo, a ideia de reestruturação, sempre invocada pelos defensores do nosso treinador, só fará sentido se vier acompanhada de resultados.

Ademais, reformulação de elenco são processos independentes entre si, ainda que se relacionem, e o clube precisa sobreviver entre as janelas de transferências internacionais, enquanto a Diretoria não cumpre suas promessas para o treinador (se é que o fará).

***

De concreto, agradou-me no último sábado a ideia da escalação que iniciou  partida, a qual pode ser útil em situações que exijam do time reverter desvantagens. Porém, a execução deixou a desejar. Ao longo dos 90 minutos, nos altos e baixos, o Flamengo, preocupantemente, foi aquele time dos jogos contra o Vasco da Gama no Estadual. Muita posse de bola, mas rombudo, com pouca objetividade e cedendo espaços para os contra-ataques do adversário. Inclusive foi assim que Apodi, com sua "chapada", desperdiçou a chance de empate para o Goiás. No final, o resultado veio, mas com sofrimento evitável.

Como não existe bobo no futebol e está óbvia a dificuldade do time contra sistemas defensivos fechados, o Mais Querido ainda enfrentará muito adversários como Vasco de Zé Ricardo e o Goiás de Jair Ventura. Reparem que estou me referindo a treinadores que estão muito longe do prestígio atribuído pelo Flamengo a Mister Paulo quando o contratou.

A fase de Bruno Henrique há tempos não é boa e Vitinho faz falta para o elenco rodar. Há atenuantes, mas a verdade é uma só: o Flamengo precisa jogar mais futebol e melhorar o seu rendimento dentro das quatro linhas, o que, descontados todos os problemas, é de responsabilidade sobretudo do treinador.

***

Falando em resultados, a semana desafiará o Mais Querido em dois aspectos. Para começar, o segundo lugar geral da Fase de Grupos da Libertadores muito provavelmente será decidido pelo saldo de gols que Flamengo e River Plate tiverem após seus últimos jogos, como mandantes, respectivamente, contra os peruanos Sporting Cristal e Alianza Lima.

Em segundo lugar, o time que colheu quatro vice-campeonatos de novembro/2021 até abril/2022, dois deles com Mister Paulo, enfrentará o Fluminense, adversário contra o qual perdeu quatro dos últimos cinco confrontos e se encontra sob nova direção. Com estilo oposto ao de Abel Braga, Fernando Diniz desafiará Mister Paulo com outras armas, à exceção do lado mental ou psicológico, presente em todas essas nossas recentes derrotas.

Será que nossos jogadores derreterão mais uma vez diante desse mesmo adversário?

Bom momento para demonstrar competitividade e capacidade de superar adversidades em jogos decisivos, ponto mais fraco desse quase um semestre de Paulo Sousa à frente do Flamengo.

***

Bom dia e SRN a tod@s.

1 Borel, Henri; Wu wei, a sabedoria do não-agir, pág. 17, introdução de Luis Carlos Lisboa; 1ª reimpressão; Attar Editorial, São Paulo; 2011.

sábado, 21 de maio de 2022

Flamengo x Goiás

 

Campeonato Brasileiro/2021 - Série A - 7ª Rodada

Sábado, 21 de Maio de 2022, as 16:30h (USA ET 15:30h), no 
Estádio Jornalista Mário Filho ou "Maracanã".


FLAMENGOHugo; MatheuzinhoRodrigCaioPable AyrtoLucasWilliaArãoEvertoRibeirDArrascaeta; Bruno HenriquePedrGabigolTécnicoPaulo Sousa.


Goiás: Tadeu; Caetano, Da Silva e Sidimar; Diego, Dadá Belmonte, Caio Vinícius, Elvis e Danilo Barcelos; Apodi e Pedro Raul. Técnico: Jair Ventura.

Arbitragem: Bráulio da Silva Machado (FIFA/SC), auxiliado pelos Assistentes 1 e 2 Alex dos Santos (SC) e Thiaggo Americano Labes (SC). Quarto Árbitro: João Ennio Sobral (RJ). Analista de Campo: Cláudio José de Oliveira Soares (RJ). Árbitro de Vídeo (VAR): Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN). Assistente VAR (AVAR): Flávio Gomes Barroca (RN). Observador de VAR: Roberto Perassi (MG).

Transmissão: Premiere (sistema pay-per-view).



sexta-feira, 20 de maio de 2022

Alfarrábios do Melo

A gota d’água.

A derrota para o Bangu (1-2), numa gelada noite de terça-feira no Maracanã, faz com que os pouco mais de 7 mil torcedores que se aventuraram a testar a paciência explodam em um grito uníssono, implacável e indiscutível. “Fora, Yustrich!”

Com efeito, o rubro-negro oferece à sua abnegada Nação mais uma jornada de futebol árido e miserável, transpirando correria, brutalidade e mais nada. Um futebol triste, carrancudo, soturno, completamente dissociado daquilo que o Flamengo representa. É o estilo Yustrich, em que o rendimento físico deve suplantar qualquer sopro esquálido de individualidade. E o chute de Dionísio, o Bode Atômico, que na cara do gol desfere a bola em direção à bandeirinha de escanteio, é a síntese desse pavoroso espetáculo. O Bangu, penúltimo colocado do Turno Final do Campeonato Carioca, abre dois gols com inadmissível facilidade. O gol de “honra” de Zanata, já nos descontos e debaixo de vaia, não aplaca a fúria de uma torcida que anseia por mudanças. Clama por um time.

A Diretoria entende o recado da “voz rouca” das arquibancadas. Após uma tensa reunião, Yustrich é comunicado que não dirige mais o Flamengo. É o fim de uma passagem de um ano e quatro meses, onde acumulou confusões, cismou com jogadores que agora fazem falta (casos de Brito e Doval) e, de concreto, conquistou apenas uma Taça Guanabara. Se é verdade que o elenco disponível não é dos mais qualificados, também é indiscutível que o Flamengo, sob seu comando, já não conseguia apresentar um desempenho sequer próximo do medíocre.

Yustrich, irritado por se julgar “bode expiatório”, sai enfurecido da reunião. Descontrolado, agride um jornalista e quase atropela um fotógrafo que tenta abordá-lo. E vai embora levando sua truculência e seus conceitos quase militares de jogo coletivo.

A Diretoria age rápido e, para o lugar de Yustrich, contrata um velho conhecido. O paraguaio Fleitas Solich está de volta.

* * *

“É campeão!”

A vitória por 3-2 sobre o perigoso e “emergente” Olaria, terceiro colocado, num jogo emocionante, faz a torcida do Botafogo soltar de vez o grito que parecia ainda latente, tímido. Após a vitória, o alvinegro abre 4 pontos de vantagem sobre o Fluminense, restando 6 pontos a disputar. O título carioca de 1971 irá coroar uma campanha praticamente perfeita de uma equipe coalhada de astros como Paulo César Caju, Carlos Alberto Torres, Brito, Jairzinho, e coadjuvantes de qualidade, casos de Ubirajara Mota, Paulo Henrique, Nilson Dias e Zequinha. Nem o mais renitente e pessimista botafogo crê que o time, invicto e liderando a competição de ponta a ponta, deixará de conquistar a taça.

E essa confiança é derramada para dentro do plantel. O meia Nei Conceição não mede palavras: “Claro que já me considero campeão, pra que fingir? O que vem aí é só formalidade”. Jairzinho, lesionado, parece aborrecido: “Vai ser uma pena estar fora da volta olímpica. Estou tentando me recuperar”. Mesmo a Diretoria demonstra mandar a cautela às favas. Cogita convidar uma equipe estrangeira para a festa das faixas, mas parece mais propensa a aceitar uma proposta do Bahia para um amistoso na Fonte Nova, de olho na gorda arrecadação. O Botafogo já é o campeão de 1971 na cabeça, no corpo e no espírito de todo alvinegro.

O próximo adversário, o Flamengo, está longe de inspirar receio.

Para surpresa de ninguém, o Flamengo, livre das amarras de Yustrich, parece outra equipe. Vence, com atuações aceitáveis, Bonsucesso (3-0), América (1-0) e Vasco (1-0), quebrando um tabu de quase um ano sem ganhar um clássico. E a equipe, nesses três jogos, ainda é dirigida pelo interino Newton Canegal, uma vez que Solich ainda precisa se desvencilhar de alguns compromissos pessoais. A estreia do Feiticeiro será no jogo seguinte, contra o Botafogo.

Solich assiste ao Flamengo nas tribunas. Demonstra certa preocupação com o nível de uma equipe em que lutam nomes como Tinteiro, Onça, Fio e Buião. A pálida reserva de talento está no zagueiro/volante Reyes, no lateral Rodrigues Neto, no meia Zanata e, com boa vontade, no lateral Murilo e no atacante Arílson. É pouco. E Don Fleitas logo percebe isso.

“Eles têm um time certinho. São habilidosos, organizados e é evidente que detêm o favoritismo, afinal estão invictos. Será muito difícil derrotá-los”, pondera, manhoso, o experiente Solich, sem deixar de acrescentar, piscando um olho e sorrindo, “mas não impossível...”

Fleitas sabe que a diferença entre as equipes é abissal. O adversário é mais qualificado e está motivado e confiante na conquista de um título cada vez mais próximo. Além do mais, vencer o Flamengo dispensa estímulo adicional para um botafoguense. Jornalistas são quase unânimes em apontar uma vitória indiscutível do Botafogo, talvez até por uma margem ampla. É nessa supremacia de prognóstico que Solich aposta para tentar uma improvável surpresa.

E, de certa forma, acontece o que todos esperavam.

Sim. Os quase 40 mil espectadores que vão ao Maracanã presenciam uma equipe muito superior em campo, ocupando todos os espaços, brigando com fome por todas as bolas, mas, principalmente, desenvolvendo um jogo coletivo extremamente inteligente, com deslocamentos insinuantes capazes de desnortear a defesa adversária. Um futebol vertical, cortante, intenso e pleno de arte em sua objetividade. Um time confiante, impositivo, incapaz de conceder o menor espaço ao rival que, sem forças, acaba subjugado até com facilidade. E, no fim, o placar de 2-0 se mostra tímido, tal a disparidade de forças apresentada no gramado. Ou seja, um espetáculo que se desenvolve exatamente como anunciado ao longo da semana pelos jornais.

Ressalvando-se apenas um detalhe: é o Flamengo que vence.


Grata com os dois gols de Buião e, principalmente, com a consistência da atuação de um nível que não se via um onze flamengo apresentar há anos, impondo-se na força de sua camisa e de sua grandeza, a torcida rapidamente elege seu herói e canta, agradecida, o nome do Feiticeiro Solich. Que, ao contrário do egocêntrico antecessor, prefere a discrição, fazendo questão de exaltar a dedicação de seus comandados. Carismático, o veterano e vitorioso treinador ainda pede para cumprimentar os garotos do time de juniores, que, na preliminar, também derrotara o Botafogo (1-0), quebrando longa invencibilidade do rival. Solich, conhecido por gostar de lançar jovens da base (aliás, fez isso no clássico, utilizando o garoto Chiquinho, destaque da partida), saúda Cantarele, Rondinelli, Vanderlei, vai saudando um por um. Até se deter no mais magrinho de todos, um frangote de cabelo claro, goleador do time e autor do gol da vitória. Olha fixamente em seus olhos, deixando tácito um recado rapidamente assimilado: “prepare-se”.

A derrota para o Flamengo dá início a uma cadeia de acontecimentos que redunda em um dos mais inacreditáveis desfechos de um Campeonato Carioca. O Botafogo empata com o América (1-1) e, na última rodada, decide o título com um Fluminense que vence seus dois jogos e reduz a diferença a apenas um ponto. De qualquer forma, o empate ainda é do alvinegro. Que vai segurando o título até faltarem apenas dois minutos, quando, numa bola cruzada, o lateral tricolor Marco Antonio colide com o goleiro Ubirajara e, na sobra, o atacante Lula empurra para as redes. 1-0. Os botafogos gritam falta no goleiro, o lance é, no mínimo, controverso, mas o gol é validado. O Fluminense é campeão. E Jairzinho não dará sua volta olímpica.

O Flamengo termina em quarto lugar. Um jogador emenda: “Se Fleitas tivesse chegado cinco rodadas antes, seríamos os campeões”.

* * *

Encerrado o Carioca, a expectativa repousa no início do Campeonato Brasileiro. Mas antes ainda há tempo para a disputa da Taça Guanabara, torneio curto com apenas seis equipes (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, América e Bangu). E não demora para as limitações do plantel rubro-negro logo se fazerem sentir.

Com efeito, após um início ruim no torneio, o Flamengo arranca, a duras penas, um 0-0 contra um desmotivado América, que manda a campo um time misto. O melhor do jogo é o goleiro Ubirajara Alcântara, que faz grandes defesas e impede uma derrota vergonhosa. A péssima atuação acende o alerta na Diretoria que, mesmo diante dos problemas financeiros do clube, parte em busca de reforços.

Enquanto isso, Solich começa a preparar a utilização de alguns jovens.

Um dos primeiros reforços é Zé Eduardo, meia-atacante vindo do Bahia. O jogador se apresenta e se coloca à disposição de Solich, mas acaba de fora do coletivo-apronto para o jogo contra o Vasco por opção do treinador, que quer aproveitá-lo com calma. Na verdade, Solich está pensando em fazer algumas experiências no clássico, já com vistas ao Brasileiro, que está à porta.

E o coletivo acaba se transformando em um momento histórico. Não pela apresentação da equipe titular, mas pelo desempenho exuberante dos reservas, comandados por aquele garoto magrinho dos juniores, o mesmo que havia liquidado o Botafogo na preliminar do jogo do Carioca. O jovem aloirado faz o diabo com a bola, mete caneta, bota atacante na cara do gol com bola de primeira, grita, dá esporro, traz toque de bola e técnica, dá dribles desconcertantes e faz um belo gol de cabeça ao, mesmo franzino, saltar mais que a dupla de zaga titular e testar com violência no canto. Os reservas só vencem pelo placar magro de 4-3 porque Solich manda o garoto ir pro time titular após pouco mais da metade do treino, quando o estrago já estava feito.

Os efusivos aplausos e gritos de “bravo” convencem Solich, que já vinha amadurecendo a ideia de lançar o jovem, de cujo talento a Gávea inteira e os mais atentos à cena futebolística do Rio de Janeiro já vinham falando com ênfase. O Bruxo chama o garoto, novamente o encara fixamente e, dessa vez, o previne: “Você vai jogar amanhã”.

Ninguém ainda sabe. Mas este será o preâmbulo de uma Era.


quinta-feira, 19 de maio de 2022

O cambaleante



Flamengo em 2022 cambaleia. Começa pela gestão do clube em si e acaba no  Departamento de Futebol, sendo dilapidado desde 2020, apesar do sucesso incrível de 2019 que deveria servir de parâmetro. E serviu. Para nossos adversários. Pro Flamengo do Landim e seus iguais, onde os "sócios-proprietários são seus donos", não. Neste Flamengo elitizado, banalizado e politizado, o que vale é o voto que o político da vez na presidência consegue. Então dá-lhe um representante de algum grupo político sendo empregado no clube social, outro representante de outro grupo político chefiando outro departamento, junte outros representantes até no futebol onde desfilam suas empáfias e ignorâncias. E tudo isto no ultraje de se declararem "rubro-negros" quando na hora do vamos ver o sucesso do Flamengo fica muito abaixo de seus próprios interesses pessoais. 

E vem o cambaleante Paulo Sousa que saiu da Polônia para encarar o caos de um regime de administração ruim, arcaico e amador, comandado pela inacreditável figura de um Marcos Braz secundado por um tragicômico conselhinho de palpiteiros inúteis, em que membros de grupos políticos diferentes dizem amém a qualquer bizarrice enquanto viajam, ficam em hotéis caros, vão a festas, tudo com o Flamengo pagando, sendo o melhor plano de sócio torcedor existente. 

Evidente que não tem como dar certo. E não dá. Renovações de jogadores em fins de carreira, contratações de técnicos aquém da qualidade ou cujo perfil nada tem a ver com o elenco montado. Analistas técnicos de qualidade saindo sendo substituídos por outros de clubes de quarta divisão carioca. Um show ininterrupto de erros em sequência. Esperável, diria, analisando o contexto geral. Junte a isto um presidente omisso, excessivamente politizado, que deixa seu lado executivo na lata de lixo a cada vez que toma o rumo em direção a qualquer instalação do clube. 

Não posso dizer que ele está errado dentro de suas premissas. Pois seu lado politizado lhe garantiu uma reeleição fácil, sem precisar sequer mostrar um "plano de voo" (vulgo PdG) sobre o que esperaria alcançar para este triênio. Os "donos do Flamengo" lhe deram um cheque em branco. E como não torcem pelo Flamengo e sim para o clube social, então que se dane. Quem sabe amanhã quem votou neste sujeito  consegue ser gerente da piscina? Ou ir para um camarote se sentir importante? Dar palpites no futebol? Dá-lhe voto no político.

E ainda rola perturbação inclusive quando o Flamengo ganha. Com direito ao  Diego Alves, goleiro em fim de carreira, cujo contrato foi bisonhamente renovado pelo Marcos Braz, criar confusão inclusive quando não é escalado por estar com "pubalgia". Envolvendo até o dito "diretor executivo de futebol" Bruno Spindel. Que, sinceramente parece mais um cargo honorífico pois o que ele realmente parece ser é um negociador do que Marcos Braz deseja. Paulo Sousa tem então que se explicar em coletiva, porque tudo no Flamengo é vazável por pessoas que tem interesses escusos. Assessorias de imprensa, agentes de jogadores, gente que quer derrubar os outros. No caos geral implementado por Landim tudo é possível.

Jorge Jesus hoje ainda disponível sendo descartado por esta diretoria. Que não torce pelo Flamengo. Torce pela manutenção de sua politicagem ostensiva. E na manutenção de sua politicagem ostensiva não pode ter em seu recinto um técnico que irá colocar um holofote em todas suas fraquezas atuais, pois irá se deparar com um clube muito pior do que encontrou em 2019. Pois Landim no Flamengo não é um construtor, e sim um destruidor.