Salve, Buteco! Ah, o Flamengo e o vencer, vencer, vencer... O torcedor rubro-negro simplesmente não aceita as derrotas. Muitas vezes o exagero é doentio, mas não tenho dúvida de que é um dos fatores que nos faz gigantes: a absoluta ausência de tolerância com a derrota. O duro é suportar os momentos de surto, tais como as projeções de que "2026 está com cara de 2023".
Nos meus grupos e contatos de WhatsApp não faltou gente lúcida bradando esse desatino durante a semana.
Menos... Bem menos...
Como bem observou um ótimo analista tático no Twitter, a sequência de derrotas por 1x2 para Fluminense e São Paulo foi a primeira da Era SuperFili, ou seja, com o nosso Mister de Coque o Flamengo jamais havia perdido duas partidas seguidas.
Ocorre, Amigos do Buteco, que 2023 foi um ano no qual o time perdeu para adversário Saudita (antes da Bolha Árabe) em semifinal de Mundial, quase perdeu para egípcio na disputa de 3º lugar, perdeu para equatoriano no Maracanã um título oficial da Conmebol, foi vice do Carioca tomando goleada, perdeu final de Copa do Brasil e ainda caiu para um time indigente paraguaio (a despeito da força da camisa) na Libertadores.
Alguém realmente acha que algo remotamente semelhante ocorrerá em 2026?
É claro que não vai acontecer. Há uma profunda diferença de postura no Departamento de Futebol desde 2025. Não tem dirigente amador fazendo peripécias inexplicáveis (mordendo virilha de torcedor, disputando eleição proporcional e ainda fechando negociações com comissões extravagantes), não tem jogador aloprando com equipe antidoping e nem tampouco teremos três treinadores durante a temporada.
Houve, isto sim, um senhor erro de planejamento na avaliação da competitividade do time composto por atletas sub-20 para jogar as três primeiras rodadas do Campeonato Carioca, o que causou uma alteração na programação e a antecipação da volta do elenco principal.
Estamos sofrendo as consequências do erro e da antecipação. As duas derrotas foram reflexo disso, mais especificamente do desnivelamento físico entre parte dos atletas do elenco principal. Nada, porém, que não possa ser remediado.
Ocorre que, se não conquistar a Supercopa do Brasil, a gente sabe que o Flamengo entrará em crise. É ocioso discutir a sanidade ou o racionalidade disso, pois sabemos como funcionam o clube e sua torcida.
A questão é que que eu confio no treinador. SuperFili é sutil ao externar suas insatisfações e a (boa) coletiva pós-jogo contra o São Paulo mostrou que o nosso competitivo e exigente treinador está incomodado. A expressão "ser claro com os jogadores" é prova disso:
— Não ter tido duas derrotas seguidas na temporada passada demonstra o difícil que foi fazer o que fizemos. É sempre muito complicado ganhar e voltar a ganhar. É o que queremos. Continuar ganhando e vencendo. Gosto de ser muito frio nessa situação e analisar o que aconteceu, o que poderíamos ter feito melhor. Corrigir os erros e potencializar os acertos. E ser muito claro para os jogadores. Essa é a forma de recuperar a confiança, passando a mensagem muito clara para eles do que precisam fazer e o que está acontecendo nesse momento para que possamos entrar melhor do que entramos hoje e contra o Fluminense e poder voltar ao caminho das vitórias. É claro que a derrota todos sentem, mas é importante ter confiança, lutar, ser humilde o suficiente para se esforçar ao máximo e poder vencer. (Matéria do GE-Fla)
Bora então cornetar um pouco a escalação. Afinal de contas, todo torcedor é no fundo um corneteiro. A diferença é apenas o tom de um sopro para o outro.
Na minha opinião, a escalação de domingo deveria ser mais de competitividade do que de lealdades. É natural ser grato e respeitar o histórico dos titulares, mas, por exemplo, é difícil crer que Léo Ortiz esteja, hoje, em melhores condições do que Vitão. Outra dúvida, natural, é se Jorginho e Arrascaeta já estão prontos. Afinal de contas, o time desmoronou depois que entraram na quarta-feira.
Há, também, um instigante fator novo, que atende pelo nome de Lucas Tolentino Paquetá. Nosso novo Camisa 20 está pronto para estrear? Não joga desde a derrota do West Ham para o Nottingham Forest no dia 6 de janeiro. Muita "dor lombar" desde então, ou seja, nada de treinamentos, mas talvez esteja até melhor do que muitos do elenco, que vêm de um período mais longo de inatividade e do pleno (e justo) gozo de férias.
Muitos treinadores gostariam de estar no lugar de SuperFili neste momento, o que não significa que suas decisões sejam simples ou fáceis. Vários jogadores não estão na forma física ideal e é uma final valendo taça. Além disso, o adversário tem a segunda maior torcida do país e o Flamengo precisa ganhar para não entrar em crise (repito).
Já que estou instigando a cornetagem, vou mandar aqui a minha escalação, aguardando a de vocês:
Rossi; Varela, Vitão, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Evertton Araújo, Carrascal e Paquetá (Plata); Pedro e Cebolinha.
Estou maluco? Fariam diferente?
O Ficha Técnica subirá amanhã, ao raiar do sol.
A palavra está com vocês.
Bom FDS e SRN a tod@s.





