Olá, Buteco!
Proponho resenharmos um pouco sobre elenco, enquanto esperamos o próximo jogo.
Meu desconforto com o elenco curto
Vivo reclamando que o elenco do Flamengo é curto para encarar o calendário sempre louco a que é submetido, mas a vida me ensinou que a queixa é paralisante e deve ser enfrentada com ações transformadoras.
Como não tenho o poder de agir para transformar a realidade em que nosso Mengão sempre navega, resolvi me confortar com um estudo da possibilidade de uso de coringas no elenco.
Minha ideia, no post de hoje, é abrir a possibilidade de uma resenha sobre o grupo de jogadores com que contamos no momento, indicação de jogadores coringas e possíveis opções vindas da base.
O elenco é curto, mesmo
Observemos o elenco do Flamengo, a partir dos relacionados e dos afastados no jogo contra o Bahia, em 19/04/26:
TITULARES: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro, Evertton Araújo, Paquetá, Arrascaeta, Plata, Pedro, Lino. (1 goleiro e 10 de linha)
RESERVAS: Andrew, Dyogo Alves, Royal, Danilo, Vitão, Ayrton Lucas, Saul, De La Cruz, Luiz Araújo, Bruno Henrique, Cebolinha, Wallace Yan. (2 goleiros e 10 de linha)
AFASTADOS: Jorginho, Pulgar, Carrascal. (3 de linha)
Temos, portanto, um elenco principal com 26 jogadores, 3 goleiros e 23 de linha.
Em algumas posições (vou detalhar isso mais adiante), temos a conta do chá e o clube passa sufoco quando alguém se lesiona.
Os treinadores não gostam de elencos grandes. E a base?
Não preciso ir muito longe: Filipe Luís trabalhava com elenco curto e usava muito pouco a base e Jardim segue caminho parecido.
É interessante notar, quanto ao Jardim, que ele tem relacionado poucos garotos e que, tanto contra o Bahia quanto no jogo contra o Vitória, nenhum jogador da base foi relacionado, exceto os já firmados no elenco principal: Dyogo Alves, Evertton Araújo e Wallace Yan.
Cumpre fazermos aqui uma reflexão que, a meu ver, pode justificar essa conduta dos treinadores rubro-negros.
Por força da loucura do calendário, o Flamengo joga partidas decisivas a cada três ou quatro dias, seja disputando três pontos vitais em cada jogo do Brasileirão, seja enfrentando uma fase de grupos da Libertadores com pouquíssima margem para erros, seja encarando mata-matas, desde já na Copa do Brasil e, mais adiante, também na Libertadores.
Por esse contexto, que dá aos treinadores do Flamengo pouquíssimo direito de errar, eles preferem não arriscar o uso da base e levam ao extremo o uso dos jogadores do elenco principal.
A Fórmula do Jardim - Promissora, Animadora e Com Riscos
Sem grandes malabarismos intelectuais e com uma simplicidade que chega a ser surpreendente, nosso Calvo montou um bom time base e vem fazendo rodízios eficazes, variando a escalação a cada jogo, quase sempre sem prejuízos significativos quanto ao desempenho e aos resultados do time.
A expectativa para o jogo contra o Vitória era de um time com muitas mudanças e, em consequência, com desempenho menos satisfatório do que o dos jogos anteriores e as duas coisas aconteceram, mas aparentemente por motivo diferente do que o peso atribuído pelo clube ao duelo com os baianos.
Vejam o que disse o nosso treinador antes do jogo (postagem de @luizasabg):
“A equipe que vai iniciar está mais fresca. Tivemos alguns jogadores sobrecarregados, além das lesões que tínhamos. Temos mais dois ou três jogadores pesados, vinham de três jogos seguidos. O importante é aqueles que iniciarem mostrarem por que estão no Flamengo.”
Minha interpretação dessa fala é que o Flamengo teria usado mais dois ou três titulares se eles estivessem “frescos”, sem risco evidente de lesão, o que sinaliza que, na prática, a Copa do Brasil não fica tão atrás das outras competições em matéria de prioridade.
A fórmula de rodízios do Jardim se mostra promissora, mas não resolve plenamente o problema do elenco curto porque, como aconteceu em alguns momentos dos doze jogos em que dirigiu o Flamengo, nosso treinador já foi obrigado a jogar sem reserva para uma ou outra posição e, pela sequência absurda a que o time é submetido, pode continuar sujeito a isso na continuação da temporada.
Coringas – O que temos e o que precisamos
Um jeito de não aumentar muito o elenco e de, ao mesmo tempo, conseguir responder às demandas resultantes de afastamentos de titulares e de reservas imediatos é contar com coringas e é este o exercício a que me proponho, como forma de aliviar meu permanente desconforto por achar o elenco curto.
Goleiros
A exemplo do que fez Papai Dorival com o goleiro Santos, em 2022, Leonardo Jardim tem escalado sempre o Rossi.
Para a reserva imediata, temos o Andrew, não utilizado pelo Calvo nas primeiras doze partidas que dirigiu e, para a segunda reserva, o garoto Dyogo Alves.
Posto aqui um trecho da entrevista do nosso treinador após a vitória sobre o Bahia (transcrição do texto da reportagem do GE.com):
“Quando o treinador acredita nos jogadores, não pode deixar um jogador sem jogar um mês e depois, quando chamá-lo, ele não estar em condições de jogar. Por isso, de três em três jogos, de quatro em quatro, tem que ter uma rotação, para que os jogadores que ficam mais tempo fora consigam se apresentar na melhor forma.”
A posição de goleiro é diferente mesmo, mas a lógica exposta pelo Jardim não valeu para o Andrew, até agora.
Laterais
A julgar como vem agindo o treinador, temos por enquanto, para as laterais, apenas a conta justa: Varela e Royal na lateral direita e Alex Sandro e Ayrton Lucas na lateral esquerda.
Quem pode ser o segundo reserva em cada lateral?
Sem especular sobre possíveis soluções na janela do meio do ano, Varela pode ser opção emergencial para a lateral esquerda, hipótese que torna relevante a existência de um segundo reserva para a lateral direita e o garoto mais utilizado, até agora, foi o Daniel Salles.
Zagueiros
Mais um setor em que temos, por enquanto, a conta justa: Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo (veterano) e Vitão.
Vitão vem sendo pouco utilizado e isso motivou pergunta de um repórter depois do jogo de quarta-feira. Jardim respondeu assim (transcrição da matéria do GE.com):
“O Vitão... este ano jogou algumas vezes. No Carioca, jogou várias vezes. Hoje não foi opção por dois fatores. O Ortiz estava fresco, descansou dois jogos nos últimos 15 dias. Tenho que dar alguma sequência a ele porque é um jogador importante para nós... Hoje, eu queria um jogador de mais construção. Com um bloco baixo do Vitória, muitas vezes o Ortiz é o jogador que vai procurar melhores passes entre linhas, melhores decisões. Nessa situação, eu preferi o Ortiz para dar continuidade, porque estava descansado. E para aproveitar a capacidade que ele tem com equipes de bloco baixo, procurando passes interiores e mudança de flanco.... mas o Vitão com certeza, no futuro, vai ter mais oportunidades. O futebol é assim.”
A mim pareceu que o Jardim não está acreditando muito no Vitão, pelo menos por enquanto.
Pelos aproveitamentos que já tiveram, Danilo e Vitão são mais aptos à função de coringa, podendo atuar na zaga direita e na esquerda, mas não temos segundo reserva.
Conheço pouco a garotada da zaga do Sub-20 e o João Victor se desgastou ao ser escalado num jogo crítico, pelo Filipe, sem qualquer minutagem preparatória.
Então, pergunto: Quem, entre os garotos da base, está mais apto a ocupar a posição de segundo reserva da zaga?
Volantes
Recentemente, esse setor ficou pressionado pela ausência simultânea de Jorginho, Pulgar e Saul.
Além deles, temos Evertton Araújo, De La Cruz e Paquetá, jogador que virou ótima solução para a posição de segundo volante, mas que também é opção para a reserva imediata do Arrascaeta.
Paquetá, agora lesionado, é coringa, porque pode jogar pelo menos em três posições, mas a necessidade de Arrascaeta ter dosagem de minutos atrai nosso cria para a substituição do camisa 10 e, em tese, tende a reduzir as opções para a posição de segundo volante.
Saul também é coringa. Jardim já disse que o espanhol pode fazer as três posições do meio de campo, mas definiu, como veremos adiante, que os reservas do Arrasca são Paquetá e Carrascal.
Adiantando Paquetá para a meia, ficamos com cinco volantes, o que eu considero ser conta justa, porque volantes levam muitos cartões (precisam matar os contra-ataques) e porque temos dois veteranos, Saul e Jorginho, e um jogador que exige muita dosagem, o Nico.
Pergunto, então: Que volantes do Sub-20 podem responder a demandas emergenciais da posição?
Meias Centralizados
Temos Arrascaeta e, para um rodízio, o Paquetá e o Carrascal. Vejam o que disse o treinador no pós-jogo de quarta-feira:
“Falei com o Arrasca antes do jogo. Eu disse: Arrasca, neste momento, o Paquetá e o Carrascal, que são os meias que fazem aquela posição, te deixaram sozinho (risos). Por isso, temos que fazer uma gestão nesse jogo. Talvez na segunda parte você joga porque já vou precisar de ti logo a seguir e não vai dar tempo para descansar.”
Carrascal é, portanto, uma opção de Jardim para a meia centralizada, embora eu o veja mais como um ponta que faz diagonais e que faz isso melhor partindo da esquerda.
Seja como for, podemos considerar que a posição tem cobertura satisfatória, com Arrasca, Paquetá e Carrascal, mas poderá ficar menos coberta se, por força de sucesso do cria na posição 8, Jardim acabar fixando Paquetá como volante.
Em tal hipótese, que acho improvável, a posição de volante deixaria de ficar na conta justa, mas a reserva da meia centralizada só teria o Carrascal.
Pontas pela direita
Plata e Luiz Araújo são os dois efetivos. Wallace Yan e Carrascal, ambos coringas, são opções para a segunda reserva.
Pontas pela esquerda
Temos Samuel Lino e Cebolinha e, tanto quanto na ponta direita, Wallace Yan e Carrascal são opções para a segunda reserva. Se Carrascal ficar no Flamengo e Cebolinha sair no meio do ano, Carrascal poderá virar reserva imediato do Lino.
Centroavantes
Pedro é o titular e Bruno Henrique o reserva imediato. De novo, Wallace Yan é opção para uma segunda reserva.
Resumo:
Goleiros: Rossi, Andrew, Dyogo Alves
Laterais Direitos: Varela, Royal, Daniel Salles
Laterais Esquerdos: Alex Sandro, Ayrton Lucas, Varela
Zagueiros: Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo, Vitão, (Quem da base?)
Volantes: Jorginho, Pulgar, Evertton, De La Cruz, Saul, (Paquetá?), (Quem da base?)
Meias: Arrascaeta, Paquetá, Carrascal
Pontas Direitas: Luiz Araújo, Plata, Carrascal, W. Yan
Pontas Esquerdas: Samuel Lino, Cebolinha, Carrascal, W. Yan
Centroavantes: Pedro, Bruno Henrique, W. Yan
Se eu estiver certo nas minhas considerações, estamos atrasados em prevenção para três posições, lateral direita, zagueiro e volante, e os garotos escolhidos precisarão de alguma minutagem, em coerência com o que defende o Jardim:
“Por isso, de três em três jogos, de quatro em quatro, tem que ter uma rotação, para que os jogadores que ficam mais tempo fora consigam se apresentar na melhor forma.”
Saudações Rubro-Negras!!!!





