sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Coluna do Carlos César: Resenha a Varejo em 06/11/2026

 

Olá, Buteco!


Mais um passo à frente

Na quarta-feira, nosso Mengão derrotou o Grêmio por 3 a 1 e de novo passou as preocupações para o Palmeiras, que enfrentou o Remo na noite de ontem (estou escrevendo antes do jogo e usando todas as minhas energias secadoras, pra ver se o Remo consegue aprontar uma surpresa boa pra nós e ruim para o nosso rival na luta pelo Brasileirão 2026).

Contrariando seus hábitos, o Flamengo resolveu o jogo no primeiro tempo, o que permitiu que o time descansasse no segundo.

Tem que manter isso aí, Mengão! (mas sem exagerar no descanso)


Arrasca – Notícia Boa e Notícia Preocupante

É notícia boa vermos o Arrasca voltando a atuar bem e fazendo jogadas decisivas, como no belíssimo passe que deu para o Samuel Lino, no nosso primeiro gol.

Notícia preocupante é que, estando recuperado da lesão sofrida em jogo de Data FIFA, pode ser convocado para amistosos irrelevantes e, como de hábito, retornar lesionado, porque é assim que funciona a nossa relação com a seleção uruguaia; pegam o Arrasca inteiro e o devolvem quebrado.


Pedro – Tem que querer muito, Irmão!

Pedro também voltou a jogar bem.

Desde jovem (faz tempo, eu sei!!!), sempre me interessei muito pela ligação entre comportamentos e resultados e, vendo a bela atuação que o Pedro teve ontem, minha atenção foi despertada para o que parece ser uma mudança temporária no comportamento dele (digo temporária porque há antecedentes preocupantes de oscilações motivacionais do nosso Nove Bolado).

No esporte competitivo dos nossos dias, não basta querer, é preciso querer muito.

O Pedro que andou se apresentando no Flamengo em tempos recentes parecia um atleta enfastiado e mais preocupado com rituais de celebração de seus feitos do que com a obra, sempre coletiva, de que precisa participar para vencer jogos de futebol.

Pode parecer coincidência, não sei se é, mas encaixava-se nessa situação a célebre frase do consagrado treinador Muricy Ramalho: “A bola pune.”

Voltando a fazer gols no jogo contra o Vasco e repetindo a dupla dose ontem, Pedro mudou seu ritual de comemoração e, com muita justiça, passou a celebrar antes com os colegas, sempre coautores de seus gols, para depois fazer seus gestos individuais.

É bobagem pensar assim?

Eu acho que não.

O Pedro dos dois jogos mais recentes não foi o enfastiado de antes e aí, num reverso da frase do Muricy, a bola premiou seu esforço e seu inegável talento.

Tomara que o nosso Nove Bolado mantenha essa vibe vencedora nas quatro rodadas faltantes do Brasileirão.

Se mantiver, será um grande reforço na nossa luta pelo título.


A volta do Landim



Vou me abster de fazer julgamentos, porque acho cedo para isto, mas faço aqui o registro de um script que teve alguns capítulos escritos a partir da reunião do Conselho do Flamengo, no fim do ano passado, aquela em que o presidente Bap prestou contas do seu primeiro ano de mandato e apresentou perspectivas extremamente promissoras para o clube.

Na sequência, o Flamengo teve um desgastante duelo com o treinador Filipe Luís, relacionado à renovação do seu contrato, e começou mal o ano no futebol: perdeu a Supercopa e a Recopa, sofreu para ganhar o título estadual e conquistou apenas quatro dos primeiros nove pontos disputados no Brasileirão.

Vieram, então, a demissão do Filipe e a contratação do Leonardo Jardim, que representou mais um recomeço no trabalho com o elenco principal, problema crônico da gestão do nosso futebol que, inevitavelmente, produziu oscilações no desempenho do elenco.

No campo das contratações de reforços, Bap e Boto fizeram um investimento pesadíssimo no cria Paquetá, capítulo importantíssimo no script, não só pelo valor gasto mas também pela sua combinação com capítulos que ainda estavam por vir.

Em maio deste ano, o Flamengo foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vitória, resultado que representou uma primeira frustração dos planejamentos esportivo e financeiro do clube para a temporada.

Em 25 de setembro p.p., com enorme impacto sobre os patrocínios do futebol brasileiro, o governo federal publicou a MP 1.394/2026, proibindo as apostas de quota fixa, as bets, em todo o território nacional.

Na sequência, em 22 de outubro, o Flamengo foi eliminado pelo Estudiantes, na fase semifinal da Copa Libertadores, perdendo a chance de disputar mais uma grande final e colhendo mais um prejuízo financeiro.

Será que esse negócio de inferno astral existe mesmo?

O noticiário dá conta de que, na mais recente reunião do Conselho, realizada há poucos dias, o conselheiro Rodolfo Landim fez duras críticas à gestão de Luiz Eduardo Baptista, movimento que deixou claro que já começou o combate eleitoral de 2027, destinado à substituição ou manutenção do atual presidente do Flamengo.

Convido-os a refletir e a julgar.


Mais um tropeço do Sub-20


Ao perder por 1 a 0 no Estádio Luso-Brasileiro, nosso time Sub-20 foi eliminado pelo Operário do Paraná, na fase quartas de final da Copa do Brasil de 2026.

O jogo de ida, realizado em Ponta Grossa, terminou empatado em 0 a 0 e eu pude observar que os dois times tiveram boas chances de marcar, exigindo grandes atuações dos goleiros.

Pesquisei um pouco sobre o Operário Ferroviário do Paraná e encontrei uma reportagem do GE de novembro de 2023 em que se falava do projeto em desenvolvimento pelo clube e da contratação do profissional Gustavo Silva para o cargo de coordenador geral das categorias de base.

Na reportagem, a jornalista Raylane Martins informava:

“Com uma gestão profissional para o setor, o clube quer reforçar o elo entre a base e a equipe principal na próxima temporada, dando continuidade ao trabalho que já colocou alguns atletas formados na base do clube na equipe profissional - é o caso de Amorim, Borech e Arthur Neves.”

E Gustavo Silva acrescentava:

“Temos comissões extremamente competentes nas categorias de base, lideradas pelo Cristiano e pelo Sandro. Já vejo processos estabelecidos, as categorias funcionando e o nome do Operário-PR muito forte a nível estadual e nacional. Minha atuação será no sentido de criar novos processos para automatizar trabalhos e profissionalizar cada vez mais os departamentos. Venho para ser uma peça a mais, para realmente somar e implantar ideias.” 

Por um lado, dá para entender que não perdemos para um time aventureiro, mas sim para uma equipe que vem sendo submetida a um projeto de desenvolvimento que começa a colher frutos.

Por outro, há o incômodo por nosso time Sub-20 estar ficando pelo caminho nas principais competições de 2026: não conseguiu se classificar para o mata-mata do Brasileirão da categoria, acaba de sair da Copa do Brasil e perdeu dois dos três clássicos que disputou na Taça Guanabara (Fluminense 3 a 1 e Vasco 4 a 0).

Resta, nesta temporada, o mata-mata do Campeonato Estadual Sub-20, no qual o Flamengo disputará, no próximo sábado, o jogo de ida da etapa semifinal, enfrentando o Vasco, nosso carrasco habitual nessa categoria.

Desde 2025, a gestão Bap anunciou um drástico recomeço do trabalho com as categorias de base, dispensou muitos atletas e substituiu diversos profissionais, sustentando que o propósito do trabalho não é a conquista de taças, mas a formação de jogadores que possam integrar o elenco principal.

Apesar do desconforto de ver o Flamengo sendo eliminado das disputas, às vezes prematuramente, vejo com bons olhos a priorização de formação de jogadores, sendo válido lembrar que nosso Sub-20 ganhou grandes títulos internacionais sem produzir safras de jogadores com grande valor de mercado ou com capacidade de integrarem nosso elenco principal.

Na já citada reunião do fim de 2025, Bap afirmou que nossa base iria patinar em 2026 (isso está acontecendo), mas que começaria a voar a partir de 2027.

É difícil imaginar que esse voo possa acontecer sem que nossos garotos sejam mais expostos à transição para o elenco principal, algo que não aconteceu com Filipe Luís e que segue na mesma toada com Leonardo Jardim, treinador que, embora conhecido por conseguir revelar bons jogadores, pouco exercitou suas capacidades nesse tema na atual temporada.

Vem aí 2027 e não sabemos se Jardim continuará no clube, mas parece certo que o Flamengo enfrentará limitações financeiras para a estruturação do seu elenco principal, o que poderá gerar oportunidades de transição para alguns garotos.

Outra possibilidade a se considerar é que, pressionado pelas mudanças no ambiente financeiro do futebol brasileiro, o Flamengo pode voltar ao modelo de usar suas melhores promessas para reforço de caixa, hipótese em que são ventiladas as possíveis vendas dos garotos que têm mercado (goleiro Léo Nannetti, zagueiro João Victor e volante Evertton Araújo), além de alguns jogadores do elenco principal não muito bem avaliados.

Vamos ter que aguardar para conhecermos as respostas que a gestão Bap dará para os desafios surgidos por conta do script relatado neste post.

Por enquanto, o grande foco do Mengão é a briga pelo título do Brasileirão 2026 e, na base, a tentativa de chegarmos à final do Carioca Sub-20.

O Brasileirão é fundamental, Mengão!!!


Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista