sábado, 31 de outubro de 2026

Túnel do Tempo: O Estádio

Foto: Museu do Flamengo
 

Salve, Buteco! Num longínquo domingo, aos 31 de outubro de 1915, o Clube de Regatas do Flamengo disputava o seu primeiro jogo em seu estádio, o famoso Campo da Rua Paysandu. Em seu livro Hoje é Dia de Flamengo, Ricardo Fontes de Santana conta como foi:

"O Flamengo venceu o Bangu por 5x1 em seu primeiro jogo no Estádio da Rua Paysandu, em 1915. Marcaram pelo Flamengo Riemer (duas vezes), Arnaldo, Gumercindo e Paulo Buarque, sendo que o pirmeiro gol do clube, naquela que viria a ser a nossa nova casa um ano depois.

 Com esse resultado, o Flamengo foi pela primeira vez campeão invicto. Naquele jogo, o time iniciou uma sequência de 172 partidas no estádio que ficava literalmente do outro lado da rua do rival Fluminense. Ao todo, o Flamengo teve na Rua Paysandu 99 vitórias, 29 empates e 44 derrotas. O estádio foi oficialmente arrendado em 1916 e devolvido aos proprietários (Família Guinle) por falta de recursos financeiros, em 1932." 

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14 anos depois (da entrega do Campo da Rua Paysandu), José Lins do Rego escrevia:

SERVIR AO FLAMENGO É SERVIR AO BRASIL

AFINAL VAI O FLAMENGO construir o seu estádio, apesar de todas as restrições, entraves, provocações e tantaws outras conversas-fiadas, que nada eram mais que cabeça inchada e outras cositas mais. 

Pode o sr. general Dutra ficar certo de que o seu ato, que facilitou ao Flamengo e a outros clubes a construção de praças de esportes, veio ao encontro do povo. E aos devotados e quase místicos do estádio nacional, eu lhes diria que não deixará de haver o estádio nacional, cantado em verso e prosa, mas será o estádio nacional do Flamengo. Porque não há clube que [mais] seja de todo o Brasil, verdadeiramente da nação, do que o Flamengo. Em todos os sentidos, é o Flamengo o clube do povo brasileiro

E servir ao Flamengo é servir ao Brasil (20/9/1946)

O FLAMENGO MERECE MUITO MAIS

PELO QUE SE SABE e pelo que se escuta, terá o Flamengo um grande estádio, com todas as acomodações par jogos internacionais, com campacidade para os maiores públicos.

Não vejo por que a grita que se levanta, e nem tampouco essa má vontade mesquinha de quem não tem uvas para comer.

O Flamengo, como todos os clubes desta cidade, é um elemento de preparação do espírito nacional. E mais do que qualquer um vive, por todos os recantos do Brasil, nos entusiasmamos de seus adeptos que são uma verdadeira legião.

Se há um clube nacional, este será o Flamengo, criação do mais legítimo espírito de brasilidade. Flamengos são brasileiros de todas as cores, de todas as classes, de todas as posições. Flamengo é o sr. Eurico Gaspar Dutra, é o sr. Nereu RAmos, é o sr. Juraci Magalhães, é o meu rapaz do jornal, é o meu apanhador de boals no tênis, é o Grande Otelo, é o pintor Portinari, é o Brasil de todos os partidos.

E se o Flamengo tiver o seu estádio gigante é porque merece muito mais. (21/9/1946)

O ESTÁDIO DO FLAMENGO

A FÚRIA DE MEIA dúzia contra as pretensões do Flamengo não modificará o normal desenrolar dos fatos. Há um decreto do governo permitindo que clubes esportivos sejam protegidos pelos poderes públicos. E há um clube que poderá s servir desses favores do governo para levantar, aqui na Capital Federal, um estádio com as melhores instalações possíveis.

Pois bem, quando se esperava que todo mundo aplaudisse semelhante intuito, aparecem os que consideram os acontecimentos como se fosse uma disputa para um campeonato. E daí as picuinhas, as restrições, as campanhas de despeito. Mas, amigos, por que tanta mesquinharia, tantos complexos e tantas mágoas a doerem?

Se o Flamengo vai ter o seu estádio, melhor para o Brasil, que terá assim o seu clube mais querido de posse de uma praça de esportes que será o orgulho da nossa cidade. (22/9/1946)"

José Lins do Rego e Servílio.
Acervo de O Globo

Em 16 de junho de 1950 foi inaugurado o Estádio Jornalista Mário Filho, construído pela Prefeitura do Rio de Janeiro, bem público, portanto.

Todavia, desde o início, o Maracanã sempre foi do Flamengo. "O Maraca é nosso", a despeito de, juridicamente, não o ser. É que, no plano dos fatos, e também no espiritual, sempre o foi (do Flamengo), antes mesmo do clube adquirir a condição de concessionário para gerir o equipamento público.

Quanto aos que não têm uvas para comer, os chamados reis das picuinhas e das campanhas de despeito, continuam por aqui, firmes e fracos. Inclusive anteontem tomaram de quatro, mais uma vez...

Pena que não foi no Maraca.

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Tenham um sábado abençoado.

A palavra está com vocês.

Bom FDS e SRN a tod@s.