terça-feira, 13 de outubro de 2026

Coluna do Carlos César: Reta Final Muito Desafiadora

 

Olá, Buteco


Nosso Mengão já está em plena reta final da temporada de 2026 e, além do cardápio de jogos ser bastante desafiador, precisa lidar com obstáculos que aumentam a dificuldade para a conquista das taças.

Depois de conseguir abrir três pontos sobre o Palmeiras no Brasileirão, o Flamengo teve que enfrentar, logo de cara, o Santos na Vila Belmiro e o Fluminense no Maraca, enquanto o suíno enfrentou Bahia e Corinthians.

Prejudicado pela má arbitragem, o Flamengo deixou dois pontos na Vila e, em seguida, num jogo em que a maior parte das queixas contra a arbitragem foi do Fluminense (eles sempre ganham da gente nesse quesito), nosso Mengão conquistou uma vitória magra que nos garantiu a manutenção da liderança, agora com apenas um ponto de vantagem sobre o Palmeiras.

A dureza vai continuar, daqui até o fim do ano, e já nos reserva, para a próxima quinta, um jogo em La Plata, contra o sempre aguerrido Estudiantes.

Além do muito desafiador cardápio de jogos, identifico, como dificuldades adicionais já conhecidas:

** O desequilíbrio nas arbitragens (in dubio contra reo);

** A ausência do craque Arrascaeta;

** A má fase do Pedro;

** As vulnerabilidades do elenco (Falta de sorte, erros na formação do elenco ou as duas coisas?)


In dubio contra reo

Segundo o ChatGPT, a expressão latina “in dubio pro reo” se explica como “um princípio fundamental do Direito Penal e Processual Penal. Significa que, se o juiz ou o júri não tiver provas claras e seguras da culpa do acusado, ele deve ser absolvido.”

A dúvida sempre deve beneficiar o réu.

Quando se trata de futebol brasileiro, porém, se o réu for o Flamengo, há uma tendência de inversão do princípio e de entrar em cena o critério “in dubio contra reo”.

O Flamengo foi muito prejudicado no jogo com o Santos.

Dois pênaltis e uma expulsão condenados pela ampla maioria da mídia esportiva, inclusive a paulista.

Apesar de despertarem muita dúvida, as decisões foram contra o Flamengo, mas onde está a novidade?

Só mantendo um nível de eficiência muito mais alto do que seus rivais, o Rubro-Negro consegue compensar os erros de arbitragem que têm influído nos resultados das disputas nacionais nos últimos anos.

É cruel e injusto com os jogadores rubro-negros termos que pensar assim, mas concordo com o que disse o Gustavo no Esquenta do Fla-Flu:

“O atleta de futebol do Flamengo precisa ter em mente que, para disputar títulos e concretizar o "vencer, vencer, vencer", é preciso jogar pensando no "erro zero". Uma utopia, mas ao mesmo tempo um paradigma que reclama vigilância constante e jogar duas decisões por semana. Foco total e ininterrupto.”

Cabe, em paralelo e em caráter permanente, uma luta institucional contra essa situação, mas ficarmos apenas na queixa contra arbitragens prejudiciais ao Flamengo e favoráveis aos clubes que disputam títulos conosco é muito pouco, pelo menos por enquanto.

Talvez esse contexto melhore algum dia, mas, enquanto isso não acontece, o atleta do Flamengo e a Comissão Técnica precisam estar ligados em nível máximo, para minimizarem as oportunidades de prejuízos pelo apito e as perdas de pontos que podem ser irrecuperáveis.

É interessante observar que, no jogo de domingo, contra o Fluminense, a grita do tricolor foi grande, exatamente porque o árbitro Klein aplicou o princípio correto, “in dubio pro reo”, nos lances que considerou duvidosos.

Mesmo agindo assim, o juiz da partida cometeu erro gravíssimo contra o Flamengo, ao permitir que o Fluminense concluísse um perigoso contra-ataque no fim do jogo, na sequência do choque entre o goleiro Fábio e o nosso zagueiro Danilo.


Com o Danilo nocauteado, Fábio ligou um rápido contra-ataque que quase terminou em gol, porque o time tricolor não adotou o fair play que se impunha no lance e porque o árbitro não respeitou o protocolo FIFA de socorro imediato ao jogador que havia sofrido forte pancada na cabeça.

Destaco dois aspectos relevantes, no lance:

** A cabacice histórica do nosso time, que deve ter reclamado com o juiz, mas não parou a jogada no meio de campo e permitiu que a bola chegasse à nossa área, onde aconteceu a finalização, a partir do exato lugar onde deveria estar o Danilo;

** A decisão consciente do juiz Klein, pois a TV o mostrou olhando para trás quando ele e o ataque tricolor atravessavam o meio de campo.

Felizmente o Rossi conseguiu evitar o gol tricolor que nos tiraria dois pontos e daria a liderança do Brasileirão ao Palmeiras.

Defendo que, uma vez que a realidade é de erros graves frequentes contra o Flamengo, o time precisa se preparar para lidar com ela da melhor forma possível, apesar de reconhecer que é duro termos que conviver com uma realidade adversa no campo da arbitragem.

É a contragosto, então, que reafirmo a proposta de estoicismo, de que falei recentemente: Responder com excelência à adversidade das arbitragens, fazendo o nosso melhor e, para desgosto dos antis, vencendo sempre que não sejamos impedidos por excesso de práticas injustas.


A ausência do craque Arrascaeta

A amostragem inicial, contra Santos e Fluminense, indica que o Flamengo está se virando razoavelmente na busca de compensação da ausência do Arrasca, mas faltam muitos jogos e isso ainda pode pesar e ser mais um item de exigência de superação dos jogadores.

Jardim, que descobriu o Lino como ótima solução para substituições eventuais do Arrasca, agora vai ter que se virar muito na rotação de jogadores e no aproveitamento dos dois novos contratados, Freitas e Valencia, porque eles vão ter que jogar.


A má fase do Pedro


Acho que vocês já conhecem bem como evoluíram as minhas opiniões a respeito do nosso Nove Bolado, passando pela defesa inicial do jogador, fase que durou muito, e gradativamente chegando ao estágio atual de implicância e de pedido para que esquente o banco de reservas.

Reconhecendo-me como torcedor passional, hoje vou buscar referências em fontes mais racionais para registrar visões diferentes da minha a respeito do Pedro e, no caso, coincidentes na aprovação ao nosso atacante, apesar da ausência de gols.

A primeira referência é o treinador Leonardo Jardim, que disse na entrevista após a vitória sobre o Fluminense:

“Quando o Pedro é mais eficaz, a torcida xinga o treinador porque o tirou e, quando é menos eficaz, a torcida xinga o jogador. O meu papel como treinador é blindar o jogador, saber que ele tem outros papéis sem ser a finalização, sem ser o gol, principalmente na fase de construção.”

A segunda referência é o ponderado jornalista Rodrigo Mattos, cuja live pós-jogo de domingo eu assisti.

Nos comentários da live, muitos seguidores do canal defenderam a barração do Pedro, mas o Rodrigo fez uma ponderação coincidente com a do Leonardo Jardim: ele concorda que o nosso nove está numa fase ruim quanto à marcação de gols, mas discorda da hipótese de banco, afirmando que ele vem jogando bem na construção das jogadas.

Ouvidas essas ponderações, mantenho-me no “modo implicância” com o pacote Pedro (virtudes e defeitos), mas opto pelo crédito de confiança que Jardim e Rodrigo lhe dão porque, na qualidade de torcedor interesseiro e volúvel, estou pronto a mudar de opinião e dizer que nunca critiquei, se o nosso Nove Bolado voltar a balançar as redes nessa sequência barra pesada que o Mengão vai ter que enfrentar.

Afinal, é forçoso reconhecer que, se o Pedro voltar a fazer gols, pode ajudar muito na conquista dos nossos objetivos deste fim de temporada e é nisso que eu estou focado.

Vai, Pedro!!!



As vulnerabilidades do elenco – Falta de sorte, erros na formação do elenco ou as duas coisas?

Informou o GE, após o jogo de domingo:

“Após um choque com Fábio aos 45 minutos do segundo tempo na vitória do Flamengo por 1 a 0 sobre o Fluminense, neste domingo, no Maracanã, o zagueiro Danilo foi encaminhado a um hospital. Ele realizou uma tomografia computadorizada da face e do crânio, com o objetivo de descartar possíveis lesões, mas teve constadas duas fraturas na mandíbula e vai passar por cirurgia.”

“O procedimento será realizado nesta segunda-feira no final da manhã. Danilo, portanto, vai desfalcar o Fla nos próximos jogos. A previsão inicial é de mais de um mês de recuperação, conforme apurou o ge. Por isso, ele perde pelo menos os dois duelos da semifinal da Libertadores, além dos confrontos com Bahia, Atlético-MG, Vasco e Grêmio, a princípio.”

Não bastassem as dificuldades normais impostas pelo afunilamento das competições e pelo calendário difícil, perdemos o Danilo e imagino que seu substituto será o João Victor, promessa da base com pouquíssima experiência no time principal.

A notícia é ruim, pela enorme diferença entre a valiosa experiência do Danilo numa reta final de temporada e a inexperiência do seu provável jovem substituto.

Há falta de sorte, claro.

Afinal, embora eu possa achar que o Fábio tinha como evitar um choque tão violento (eu acho que tinha), acidentes acontecem no futebol e, como neste caso, podem causar lesões sérias.

Só que há também, a meu ver, erro de gestão na estruturação do elenco do Flamengo: entendo que a necessidade de, numa reta final dificílima, precisarmos substituir um dos principais líderes do time por um garoto inexperiente depõe contra Leonardo Jardim, José Boto e até contra o nosso loquaz presidente Bap.

No post “Elenco Curto, Calendário, Coringas”, de 24/04/26, escrevi:

Se eu estiver certo nas minhas considerações, estamos atrasados em prevenção para três posições, lateral direita, zagueiro e volante, e os garotos escolhidos precisarão de alguma minutagem, em coerência com o que defende o Jardim. Disse ele numa entrevista:

“Por isso, de três em três jogos, de quatro em quatro, tem que ter uma rotação, para que os jogadores que ficam mais tempo fora consigam se apresentar na melhor forma.”

Depois, no post Resenha a Varejo de 16/07/26, comentei:

Jardim tem pedido um meia atacante e um ponta, mas as minhas prioridades seriam um bom lateral esquerdo, mais confiável na função defensiva do que o Beijinho, um centroavante e reposições para as saídas.

Então, é isso.

Em abril, eu pedi um zagueiro, ele não foi contratado e, mais recentemente, o Flamengo recusou proposta pelo João Victor, deixando claro que o clube aposta nele.

Beleza, só que, descumprindo o seu discurso, Jardim nunca colocou o JV para jogar, de três em três jogos, de quatro em quatro, para que ele pudesse ser opção confiável numa emergência como a que agora se apresenta.

Opção mais segura do que a escalação do João Victor poderia ser o deslocamento do veterano Alex Sandro para a zaga, mas isso só seria possível se tivéssemos contratado um lateral esquerdo mais confiável do que o Sub-20 Johnny, algo que José Boto não fez.

Alex Sandro também poderia der deslocado para a zaga se o Jardim fixasse o Varela como opção para a lateral esquerda, mas isso exigiria que o Daniel Sales, lateral direito da base, tivesse recebido minutagem no time principal, algo que também não aconteceu.

Temos, então, uma importante vulnerabilidade nesta reta final e, diferentemente de outras posições onde o treinador tem opções de rotação mais confiáveis, na zaga e na lateral esquerda temos menos do que a conta do chá.

Vulnerabilidades de elenco fazem parte do rol de variáveis que influem na conquista das grandes taças.

Tomara que, com inspiração e muita dedicação do treinador e dos jogadores, nosso Mengão consiga superar suas vulnerabilidades atuais e traga pra casa as grandes taças que está disputando nesta reta final de 2026.


Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista