sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Coluna do Carlos César: E o segundo tempo?


 

Olá, Buteco!


Depois de uma semana de pausa, o jogo contra o Botafogo deu início a esta semana agitada e a uma sequência de jogos bastante desafiadora.

O maior agito ficou por conta da janela de transferências, em que o Flamengo pareceu despertar, vendendo o Plata para o Dínamo de Moscou e comprando duas jovens promessas, Joaquín Freitas e Anthony Valência.

A sequência desafiadora começou com a vitória do Mengão sobre o Botafogo, emendou com o 2 a 0 sobre o Mirassol e vai continuar com os seguintes confrontos, sem tempo para respirar:

** Remo, no Pará, no domingo, 06/09;

** Independiente Del Valle, na quinta, 10/09, na altitude de Quito (aí, sem tempo e sem oxigênio para respirar);

** Corinthians, no domingo, 13/09, no Maraca;

** Independiente Del Valle, na quinta, 17/09, no Maraca;

** Bragantino, no domingo, 20/09, no Maraca.

Depois dessa sequência pesada, virá a famigerada Super Data Fifa e o Mengão só voltará a jogar no dia 08/10, contra o Santos, na Vila Belmiro.

Passando para as semifinais da Liberta, como esperamos que passe, o Flamengo terá que jogá-las no período de 14 a 22 de outubro, em partidas entremeadas com rodadas decisivas do Brasileirão.



Aproveitamento: Jardim versus Abel

Com a realização do jogo adiado da quarta rodada, o Flamengo se igualou ao Palmeiras em número de jogos, o que permite um pequeno exercício matemático sobre os aproveitamentos de Leonardo Jardim e Abel Ferreira à frente dos seus times, no Brasileirão.

Sob o comando do Abel, o Palmeiras disputou 25 jogos e conquistou 52 pontos, alcançando aproveitamento de 69,3%.

Descontadas as três partidas que disputou sob o comando do Filipe Luís, o Flamengo fez 22 jogos comandado pelo Calvo, nos quais conquistou 47 pontos e aproveitamento de 71,2%.

Se a parada pudesse ser resolvida pela matemática, Abel conquistaria 27 pontos nos 13 jogos restantes, enquanto Jardim conquistaria 28, hipótese em que ambos chegariam a 79 pontos e o campeonato seria decidido nos critérios de desempate.

Esse quadro ressalta algo que é muito provável: se não houver uma grande surpresa (o Athletico Paranaense ainda persegue de perto os dois líderes), a tendência é que o Brasileirão 2026 seja decidido no confronto direto entre Flamengo e Palmeiras, da mesma forma que aconteceu em 2025.

Esse confronto, que pode decidir o campeonato com antecedência, está marcado para o dia 22 de novembro, em São Paulo, pela trigésima sexta rodada do campeonato.

Para que o Mengão possa comemorar o título na casa do adversário, terá que assumir a liderança e abrir quatro pontos até a rodada 35 e, na sequência, vencer o Palmeiras na rodada 36.

Missão árdua, mas não impossível, se o nosso time sustentar a evolução que começou a apresentar depois que os convocados para a Copa do Mundo se reintegraram ao elenco.



Um acerto do Boto



Não mudei de opinião a respeito do trabalho do José Boto na função de Diretor Técnico, mas é inegável que a mudança de rota nas contratações deu a ele a oportunidade de mostrar algum serviço nesse campo.

Afinal, a estratégia de venda do Plata casada com as contratações do Valência e do Freitas foi muito bem desenhada e realizada.

Veio, logo em seguida, a devolução do Plata pelo Dínamo, mas aí não há qualquer culpa do nosso cetáceo dirigente, já que o episódio foi completamente inusitado.

Pra não deixar de criticar (rsrs), não gostei da extensão do contrato do Alex Sandro até 2027 e do exagero na extensão de contrato do Pulgar (2029!!!).

Só o tempo vai dizer se houve acerto nessas decisões, mas elas vão na contramão da diretriz de rejuvenescimento do elenco e, no caso do Alex Sandro, a extensão adia a solução do problema da lateral esquerda do time.

Falta pouco para podermos fechar um balanço do nosso elenco, considerando o antes e o depois da janela.

Aguardemos.



Os colapsos no segundo tempo

Ótimo primeiro tempo! Podia ter matado o jogo, mas não matou. Que segundo tempo horrível! Tá muito mal! Vai flamengar!

Quantas vezes já dissemos, ouvimos ou lemos essas frases em jogos do Flamengo, atuais e antigos?

Sampaoli sempre reclamava da falta de contundência do nosso ataque e, sem precisar puxar muito pela memória, tempos depois o Flamengo do Tite e o do Filipe viveram essa síndrome que agora assombra o time do Leonardo Jardim.

Como não sou especialista em análises táticas, fui ouvir e ler opiniões de alguns profissionais, a fim de tentar encontrar diagnósticos para essa síndrome que, entra ano e sai ano, coloca em risco alguns títulos do Flamengo.

Além disso, li enorme quantidade de comentários dos participantes do Buteco, durante e após as partidas porque, embora sob o domínio da paixão, a voz do Buteco tem muito saber sobre o time do Flamengo.

Apresento, então, algumas explicações, para que vocês possam refletir um pouco mais sobre o assunto.

As citações a seguir não reproduzem exatamente as falas, mas, sim, o sentido de cada afirmação feita pelos profissionais Pedro Ivo Almeida, Fabrício Chicca, Rodrigo Mattos, Rapha (do Falando de Tática) e pela galera do Buteco.

Pedro Ivo Almeida, da ESPN:

Quando o Flamengo encaixa seu jogo, fica num patamar muito acima de qualquer adversário do campeonato.

Leandro Machado, no post “Checkpoint Brasileirão – Blocos 5 e 6”:

“O Flamengo atual é, de longe, o time que apresenta o melhor futebol do país”.

Esses diagnósticos indicam que algo essencial foi alcançado: o time atual do Flamengo consegue jogar um grande futebol e, quando isso acontece, impõe-se aos adversários.

O problema tem sido não conseguir sustentar esse nível de desempenho no segundo tempo.

Reparem que, quando o Flamengo se impõe, cai por terra a possível tese de que Jardim não consegue montar o time para um jogo de imposição.

Jogos recentes mostraram que ele é capaz de fazer isso, inclusive em clássicos fora de casa, como aconteceu em partidas contra o Cruzeiro.

As críticas prendem-se, então, a facilidades que o time proporciona a adversários, mesmo quando domina o jogo, e se ampliam quando nossa linha de ataque colapsa e leva o time a recuar, o adversário sobe suas linhas e passa a nos pressionar e Jardim não dá solução para o problema ou demora a aplicá-la.

Sigamos com os comentários e diagnósticos que pesquei.

Rodrigo Mattos, em live pós-jogo contra o Botafogo:

Time muito mal no segundo tempo, Botafogo melhor, ganhando todas as segundas bolas e todas as divididas.

O Flamengo venceu, mas Leonardo Jardim não foi bem nessa tarde, porque deixou o jogo rolar por meia hora de domínio do Botafogo “e ele olhando, com aquela roupa que parece pijama”.

A primeira mudança foi o Paquetá (substituiu Luiz Araújo aos 11 do segundo tempo), mas claramente devia ter mudado uns três naquele momento, alguém no lugar do Pedro e poderia ter tentado outros jogadores, por exemplo o Carrascal, que entrou jogando bem.

Entrevista do Jardim: com o time mais “fresco”, definimos a partida. Por que não entrou com um time mais fresco quinze ou vinte minutos antes? Leitura lenta. Depois do Paquetá, só mexeu por volta dos 30.

Mesmo no primeiro tempo, o Flamengo marcava mal a saída de bola do Botafogo, que conseguia sair jogando várias vezes. O Flamengo dava chances ao Botafogo.

Gustavo comentou, no post de segunda-feira, “Tabu Quebrado, com 6x0 no Agregado”, que “o Botafogo assustou no primeiro tempo com contra-ataques perigosos, apesar do maior volume de jogo do Flamengo e da tradicional usina de gols perdidos”.

Voltando ao Rodrigo Mattos:

No segundo tempo, não ganhava uma bola. Arrasca e Pedro já com condições físicas que não conseguiam disputar uma bola, aí sobrava para o meio de campo.

Jorginho e Pulgar são ótimos tecnicamente, mas não dá pra termos um jogo em que o adversário venha conduzindo a bola pra cima deles.

Tem que ser uma bola pressionada, em que o Pulgar é rei e o Jorginho também se antecipa em todas.

Agora, se deixar o adversário vir conduzindo, aí é um terror. Foi o que aconteceu durante trinta minutos do segundo tempo.

Botafogo pressionando, Lino já cansado, dobravam no Ayrton Lucas, facilidade pra cruzar, muita bola na nossa área.

Fabrício Chicca, na mesma live, concorda com o Rodrigo Mattos e acrescenta:

O Flamengo perde o controle do jogo quando o time cansa.

Idade dos jogadores, algumas questões individuais (devia estar pensando em Arrasca e Pedro), o Lino cansa no segundo tempo e não consegue acompanhar a dobra no Ayrton Lucas.

Chicca levantou a hipótese de substituição do Lino, mas eu me inclino a considerar que seria melhor substituir logo o Arrascaeta porque, enquanto o camisa dez sobrecarrega nossos volantes e também já não rende bem no ataque, o Lino cansa de fazer a proteção ao lateral, mas continua atacando bem pelo meio, como mostrou nos minutos finais do 3 a 0 sobre o Botafogo, quando fez o segundo gol e participou do terceiro.

Rodrigo Mattos ainda completou:

Não mata o jogo: muito preciosismo, principalmente do Pedro. Teve uma ótima chance pra chutar, mas preferiu dar um toque de lado. Podia perder, como perdeu duas contra o Cruzeiro, mas tinha que chutar.

De fato, esse lance é emblemático e me faz pensar o que pode estar passando pela cabeça do Pedro quando prefere tentar um drible improvável, num lance em que a bola está pedindo pra ser chutada.

Trazendo outra explicação para o problema do segundo tempo, o Rapha, do Falando de Tática, postou durante o jogo contra o Mirassol:

“Um ponto de atenção para o Flamengo, que ninguém está comentando. A qualidade da saída de bola caiu. Nos 3 jogos contra o Cruzeiro e também contra Botafogo e Mirassol, quando o adversário subiu o bloco de forma mais intensa encaixando individual, a equipe teve muita dificuldade pra sair jogando. A queda de produção nos segundos tempos passa muito mais por isso do que por qualquer outra questão.”

@KakkaLucas ponderou:

“Contra o Cruzeiro a saída de bola tava funcionando, principalmente no jogo do Brasileirão em Minas.”

Rapha respondeu:

“Até o momento que o Cruzeiro avançou e encaixou individual. Repare que eu não disse que a saída de bola está sempre ruim, mas sim que o time está tendo dificuldade quando o adversário encaixa individual. É diferente.”

Temos, então, um cardápio variado de diagnósticos, alguns claramente interligados ou complementares.

Resumindo o que andei pescando a respeito, entre opiniões de profissionais e as muitas participações da galera do Buteco:

** No primeiro tempo, Arrascaeta e Pedro ajudam um pouco na marcação da saída de bola adversária, mas deixam de ajudar no segundo, supostamente por não terem condicionamento físico para manter essa função.

** Disso resulta que nossa dupla de volantes fica exposta e lida mal com essa exposição, que não acontece apenas quando o time cansa. Até no primeiro tempo das partidas em que o Flamengo consegue fazer um jogo de imposição, o time dá espaços para construções perigosas dos adversários.

** Quando Lino cansa e para de proteger o lateral esquerdo, o problema aumenta, porque o adversário pode completar seu repertório de ataque com dobras sobre o Ayrton Lucas e, tendo espaços e muita liberdade de movimentos na nossa intermediária, pode realizar jogadas de construção pelo meio e cruzamentos sucessivos com a bola descoberta.

** Quando, pelo colapso físico da nossa linha mais alta, o adversário ganha confiança, sobe suas linhas e encaixa a marcação individual sobre nossos construtores, a nossa saída de bola passa a funcionar mal, como comentou o Rapha.

** Jardim demora demais a mexer no time, levando-o a conviver por muito tempo com o risco de derrotas ou, no mínimo, da perda de pontos preciosos para nossas pretensões de títulos.

Aparentemente, a mexida mais óbvia, necessária em qualquer segundo tempo, é Jardim substituir Arrascaeta, ou Pedro, ou os dois, logo que o time começar a ceder campo para o adversário.

Do meio para a frente, a escalação preferencial do Flamengo tem sido Pulgar, Jorginho, Arrascaeta, Carrascal, Pedro e Samuel Lino.

Sobram, como opções “bem votadas” para o segundo tempo, Evertton, Paquetá e Plata, além dos menos votados Saul, Luiz Araújo, Bruno Henrique e Lorran e dos garotos Valência e Freitas.

Considerando o quanto o time costuma decair no segundo tempo, entendo que Leonardo Jardim deve passar a deixar as substituições engatilhadas desde o intervalo (substitutos escolhidos e aquecidos, para que a mudança seja feita ao primeiro sinal de declínio do time e de cessão de espaço ao adversário).

Afinal, estamos num fio de navalha: conseguimos ter um timaço no primeiro tempo, mas ele vem derretendo no segundo e a queda de rendimento do Arrasca e do Pedro é causa apontada por todos ou quase todos os analistas.

Se não lidarmos corretamente com isso, vamos colocar em risco a conquista do Brasileirão, competição em que o Flamengo tem as maiores chances de chegar ao título.

Se liga, Jardim!!!


Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista