segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Tudo Dentro do Script. Mas que Script é Esse?

 

Salve, Buteco! Tudo dentro do script (roteiro): o Flamengo perdeu, fora de casa, no último minuto, para o clube que mais conquistou pontos no Campeonato Brasileiro desde que o seu atual treinador assumiu o time, em um jogo que poderia ter vencido, considerando as chances desperdiçadas, e, em outro jogo relevante, o líder amassou o vice-lanterna em seus domínios. 

Tudo previsível, muito embora longe de ser inevitável.

Conversar sobre como o Flamengo poderia ter chegado ao jogo de sábado em melhores condições, de modo a não ser derrotado, envolve, primeiramente, discutir as opções feitas até aqui pela Diretoria de Futebol - o diretor técnico e quem o supervisiona (o presidente).

O presidente foi eleito com uma plataforma de profissionalização do Departamento de Futebol. Cumpriu o prometido até aqui. Pode-se discutir, entretanto, os rumos do profissionalismo na atual temporada. Em 2025, o treinador e o diretor técnico tinham um bom alinhamento quanto à forma de jogo, muito embora não quanto a reforços, pois ficou evidente que um queria contratar em uma determinada prateleira, enquanto o outro buscar reforços mais acima.

O episódio Mikey Johnston foi didático. Após forte pressão vinda tanto de dentro do clube, quanto das redes sociais, o presidente desautorizou o diretor técnico. Não é preciso ser um jornalista bem informado, mas apenas juntar o Tico com o Teco, para constatar que o treinador formatou as contratações (não que as tenha realizado).

Outra evidência que confirma essa constatação apareceu durante o tumultuado processo de renovação do contrato do então treinador, que, conforme amplamente divulgado, reivindicou maior protagonismo nas contratações. Com sua demissão, porém, o jogo zerou, tanto na parte do alinhamento da forma de jogo, quanto do protagonismo nas contratações.

Digo mais: com a saída de Filipe Luís, veio o vácuo. Leonardo Jardim declarou (infelizmente não achei o link), logo quando chegou, que não é ele que escolhe os reforços, e sim a Diretoria, referindo-se ao fato de que pode pedir um jogador e depois não estar mais no clube para ter que com ele lidar. O Calvo não reivindicou e nem parece desejar o protagonismo que possuía o seu antecessor.

Já o diretor técnico, como se sabe, prefere prospectar jogadores que possam crescer dentro do clube e depois gerar lucro. Foi a linha de adotou nos clubes nos quais trabalhou, casos do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e do Osijek, da Croácia. Mas como o presidente parece não confiar nessa linha de pensamento para o Clube de Regatas do Flamengo, surgiu então o vácuo ao qual me referi.

É claro que existe a questão do dinheiro, do orçamento, da grana gasta no Paquetá e do teto surgido desde então para a segunda janela, mas o fato é que hoje, no Departamento de Futebol do Flamengo, existe uma grande indecisão conceitual.

Falou-se em Almada e Luiz Henrique, nomes, além de muito caros, óbvios pelo sucesso que tiveram no futebol brasileiro durante a temporada/2024. Todavia, isso me pareceu muito mais um factóide para desviar desse problema conceitual do que qualquer outra coisa, até pelo já referido limite de gastos.

O dinheiro para contratar existe e, embora não seja muito, é o suficiente para prospectar o mercado e, dentro desse teto, trazer pelo menos um jogador para a posição de centroavante (reserva), por exemplo. Nada impede a Diretoria de negociar um dos pontas direitas e tentar a sorte com outro atleta, ou liberar o sanguessuga da camisa 11 e trazer um ponta esquerda (reserva). Quem sabe as duas coisas?

O script, então, era previsível, pois a temporada transcorre sem absolutamente nenhum reforço do meio para a frente. O Calvo até mudou um pouco a forma do Flamengo atacar; porém, convenhamos, é difícil obter resultados substancialmente diferentes como mesmo elenco e apenas algumas mudanças na forma de jogo.

Estamos nas quartas de final da Libertadores e em segundo lugar no Campeonato Brasileiro, a seis pontos do Palmeiras, mas com um jogo a menos. Nada está perdido e, sejamos francos, o calendário, doravante, tende a nos beneficiar enquanto o Alviverde de Parque Antártica permanecer disputando as três competições simultaneamente.

Foi apenas um final de semana ruim. Mas o script, embora previsível, poderia ter sido diferente (mais favorável), com um pouquinho menos de indecisão por parte dos nossos diretores.

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Querem minha opinião? Ainda bem que SuperFili assumiu o protagonismo na escolha das contratações em 2025. Foi muito melhor ter vindo o Samuel Lino do que o Mikey Johnston, concordam? O ponto não é bem o irlandês, mas o enfraquecimento do elenco se ele viesse para ser reserva do Cebolinha ou com ele disputar posição.

Mikey Johnston como reserva do Samuel Lino, por outro lado, poderia ser uma boa. Entendem o meu ponto? José Boto me passa a impressão de que tem uma maneira de pensar e não quer se adaptar ao clube, cujas condições de temperatura e pressão são bem mais elevadas do que aquelas em que trabalhou em seus clubes anteriores. É como se o "Garoto Sensodyne" fosse um posicional conceitual da direção técnica. Já tivemos experiências desagradáveis com treinadores com esse perfil.

Tanto ele, quanto o presidente precisam sair desse chove e não molha. O Flamengo precisa de reforços. Para ontem.

A janela de registros fechará na sexta-feira de 11 de setembro.

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Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.