Olá Buteco, bom dia!
Continuando a série Rivalidades (clique aqui para Parte I e clique aqui para Parte II), hoje falaremos sobre os rivais paulistas. São rivalidades com mais de 100 anos (de acordo com a Flaestatística, o primeiro Flamengo x Corinthians ocorreu em 1º Dez 1920), e confrontos mais constantes desde a década de 50, com a implementação do torneio Rio-São Paulo que, futuramente, ganharia participantes dos outros estados, tornando-se inicialmente o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e, posteriormente, o Campeonato Brasileiro.
Eu nasci em 1978 e, portanto, vi muito pouco do maior Flamengo de todos os tempos. A minha primeira lembrança daquela equipe foi o Brasileiro de 87, mas ainda era algo muito distante. O que eu lembro bem mesmo é o Brasileiro de 92, especialmente a fase semifinal, na qual caímos no mesmo grupo de Santos, São Paulo e Vasco. Na última rodada, passamos o caminhão no Santos, no Maracanã e o Vasco goleou o São Paulo, em São Januário (sob alguns protestos da torcida vascaína), nos colocando na decisão. O resto é história.
Infelizmente, o Flamengo após aquele título iniciou sua trajetória descendente e uma das minhas maiores tristezas com o futebol foi ver aqueles garotos recém campeões irem se tornar alguns dos maiores ídolos de Corinthians (Marcelinho Carioca), Palmeiras (Djalminha) e São Paulo (Leonardo). Esse processo de más administrações nos tirou o protagonismo natural do futebol brasileiro, sendo esse vácuo ocupado mais constantemente pelos quatro rivais de São Paulo.
Aliás, o enfraquecimento do futebol carioca como um todo acabou fazendo com que as divisões inferiores do futebol brasileiro fossem completamente dominadas pelos clubes paulistas. Não à toa, temos Bragantino e Mirassol na Série A, Novorizontino, São Bernardo, Botafogo-SP e Ponte Preta na Série B e Inter de Limeira, Guarani e Ferroviária na zona de classificação da Série C. Para uma melhor comparação, o futebol carioca não tem time algum na B e apenas o Volta Redonda (atual 15º) na C. Em termos estaduais, imagino que nunca tenha havido tamanha discrepância entre as federações...
Felizmente, o Flamengo se reestruturou e voltou a capitanear o futebol brasileiro. O troco da perda dos moleques de 92 para os clubes paulistas veio em 2019, quando trouxemos Bruno Henrique e Gabigol do Santos e Rodrigo Caio do São Paulo. Fora a compra do Arrascaeta, junto ao Cruzeiro.
De lá para cá, é outro patamar. Segundo o site Flaestatística, até 2018 nós tínhamos desvantagem contra os 4 clubes grandes de São Paulo. Hoje, revertemos os números frente a Corinthians e Santos, diminuímos para 3 a defasagem de derrotas contra o Palmeiras (eram 9) e apenas contra o São Paulo ainda não conseguimos deslanchar. Veremos os números mais detalhados, começando pelo Corinthians:
Neste recorte mais recente,
Flamengo e Corinthians decidiram a Copa do Brasil 2022 e a Supercopa 2026. Mas
os maiores confrontos vieram no caminho do terceiro título da Libertadores, também em
2022, no qual o Mais Querido venceu primeiramente lá e depois aqui.
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O Corinthians teve a última boa fase entre 2012 e 2017. Depois, entrou em um processo muito similar ao Flamengo da década de 90: administrações desleixadas, contratações supervalorizadas e maus resultados no campo. No lugar dele, retorna o Palmeiras, impulsionado primeiramente pela grana do presidente Paulo Nobre e, posteriormente, pela Crefisa. É o nosso maior rival na atualidade, disputando diretamente todas as competições.
De 2019 para cá, são 21 jogos, com 10 vitórias rubronegras e apenas 4 palmeirenses. No entanto, duas dessas foram em finais - a Libertadores de 2021 e a Supercopa 2023. A perda da Libertadores foi um grande baque para nós, porque o nosso time era melhor e valia o tricampeonato, para nós e para eles. No entanto, o clube teve a felicidade de conquistar a América novamente logo no ano seguinte, o que já nos permitiu deixar aquela derrota nos livros de história e pudemos ter a grande revanche, dessa vez valendo o tetra. Uma vitória maiúscula, com o bônus de ganhar o Brasileiro também. Definitivamente, pagávamos nossa dívida com juros!
Em finais diretas, 2x2, porque levamos também a Supercopa
2021. Em brasileiros, 3x2 para nós (19, 20 e 25 contra 22 e 23) e seguimos brigando pelo
campeonato desse ano.
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Flamengo e Santos só se enfrentaram 9 vezes, de 2019 para
cá, todas pelo Campeonato Brasileiro. Aproveitamos bem esses confrontos,
virando a diferença histórica no número de vitórias e abrindo duas.
O maior confronto deste período recente não poderia ser outro: Flamengo 1x0 Santos, um golaço do ídolo Gabriel Barbosa. Esse foi o segundo jogo do Flamengo de Jorge Jesus com seu onze histórico: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Mari e Filipe Luís; William Arão, Gerson, Everton Ribeiro e Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol.
Do Santos, só temos a agradecer a vinda dessa maravilhosa dupla de ataque!
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E encerramos com o São Paulo Futebol Clube, adversário contra o qual temos a maior desvantagem: 11 vitórias a mais para eles. Ainda, foi o único dos 10 maiores rivais nacionais que conseguiu ter um retrospecto igual ao nosso, no recorte 2019 para cá: em 23 jogos (já contando o da semana psassada), são 8 vitórias para cada lado e 7 empates.
Flamengo e São Paulo decidiram a Copa do Brasil 2023, com vitórias deles. A nosso favor, a vitória na semifinal da mesma Copa do Brasil 2022, em que acabamos campeões.
Outro marco histórico
foi o título brasileiro 2020, em que perdemos para o São Paulo na última
rodada, no Morumbi, mas fomos campeões graças ao empate entre Internacional x
Corinthians, no Sul. Minha impressão é a de que o treinador Rogério Ceni
começava a encerrar sua passagem pelo Flamengo ali. Precisávamos apenas de um
empate para garantir o título, independente do Inter. Não existe chegar na
última rodada com tal vantagem e perder o jogo.
Mas, enfim, vida que segue. Os
melhores jogos do Flamengo contra o São Paulo, nesse período recente, foram os
dois jogos pelo Campeonato Brasileiro 2021, 5x1 no turno (Maracanã) e 4x0 no
returno (Morumbi).
A tabela abaixo condensa toda a
informação dessa série “Rivalidades”. O salto do Flamengo no período 2019 –
2026 é absurdamente expressivo.
Há, na história geral, dois
confrontos diretos ainda a serem revertidos: Palmeiras (3 vitórias a mais para
eles) e São Paulo (11). Os adversários paulistas sempre serão dos mais
difíceis. As SAFs, incógnitas.
O Flamengo precisa também ter um
trabalho consistente e duradouro com uma comissão técnica e o campo tem
indicado que provavelmente isso passe por rejuvenescer o elenco. O calendário
brasileiro é muito duro e os veteranos sofrem bastante com isso. Dos 24 atletas
de linha do elenco, temos 11 jogadores com 30 anos ou mais. Se isso traz uma
grande vantagem em termos de experiência – e pesou favoravelmente no ano
passado, quando conseguimos levar os dois campeonatos, inclusive com gol de um
dos veteranos na final da Libertadores – também traz dificuldades na
implementação de um modelo de jogo baseado em pressão alta, na qual é preciso
estar na ponta dos cascos fisicamente.
Em todo caso, o futuro ainda nos
parece muito promissor. O que faltam são ajustes pontuais para aproveitarmos
todo o nosso potencial. E, se mesmo sem atingir o nosso ápice, já conseguimos
bater a expressiva marca de mais de 65% no aproveitamento de pontos contra 6
dos nossos 11 maiores rivais, imaginem o que ainda temos por fazer!
Vamos, Flamengo!!!
Saudações RubroNegras!!!