sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Coluna do Carlos César: Resenha a Varejo (14/8/2026)

 

Olá, Buteco!


Por problemas de agenda, a maior parte deste texto foi produzida antes da partida contra o Cruzeiro, à qual dedico algumas palavras, escritas ontem, quinta-feira, um dos dias complicados desta semana, para mim e para o Gustavo.

Vamos aos temas que trago para hoje.


Queremos certeza e recebemos dúvida




Não sei vocês, mas eu, com meus quase 80 anos e um coração não muito confiável, sempre quero moleza para o Flamengo e, no meu jeito de ver as coisas, ela se traduz pela certeza de que vamos ganhar, seja do Vitória, seja até do PSG ou do Real.

Este tema me veio à mente após o jogo contra o Vitória, quando curti o bom primeiro tempo do nosso time e me preocupei bastante com a queda de rendimento no segundo, momento em que a certeza virou dúvida, porque comecei a temer pela perda de dois pontos numa bola vadia de um time que, nitidamente, aceitava perder de pouco.

Quando falo em certeza, penso no tempo do Jorge Jesus à frente do Flamengo.

Ali, eu tinha certeza de que íamos ganhar, muito mais até do que na época da geração Zico, em parte porque o time de 2019 era mais infalível na sua tática de grande domínio sobre os adversários, em parte porque os campeonatos da década de 80 tinham maior quantidade de grandes times, todos formados por muitos craques que, a partir da Lei Bosman, passaram a jogar fora do Brasil.

Depois do Mister, nosso Flamengo teve bons e maus momentos, ganhou e perdeu grandes títulos, mas aquela certeza de que íamos vencer nunca mais voltou, o que me leva a cultivar uma “viuvez” daqueles ótimos tempos.

Com desempenho oscilante, nosso time atual inspira mais dúvidas do que certezas, até em jogos teoricamente fáceis.

Fica a torcida para que, com o retorno e entrada em forma dos jogadores que foram à Copa, o time evolua e consiga inspirar mais confiança em sua capacidade de vencer as disputas que o esperam neste segundo round da temporada.



A Curva de Aprendizagem e o Amadurecimento

No post “Emergência... Suficiência... Excelência?”, publicado no dia 02 de janeiro deste ano, com o Flamengo ainda sob o comando do Filipe, viajei na ideia da busca da excelência, mas logo veio um mau começo de temporada, nosso treinador revelação foi demitido e embarcamos em mais um recomeço, no qual passamos a conviver com as virtudes e defeitos do português Leonardo Jardim, e nos submetemos, como de hábito, à perda de tempo na busca de evolução do time, seja quanto às oscilações de alguns jogadores e às fraquezas crônicas de outros, seja quanto às falhas do Boto e do Bap, no que parece ser um eterno rodízio de escorregões na curva de aprendizagem, escorregões que nos distanciam da excelência com que sempre sonho para o nosso Mengão.



Reparem no gráfico que, quando escorregamos na curva de aprendizagem, perdemos em proficiência (competência) e andamos para trás, voltando alguns passos no tempo.

É o que pode acontecer com o Flamengo a cada troca de treinador.

Uma vez que o único treinador ”perfeito” que passou pelo Flamengo não está mais ao nosso alcance, talvez estejamos condenados a viver e reviver esse rodízio por muito tempo, até aprendermos a viabilizar a permanência de um treinador “não perfeito”.

Penso que essa viabilização do “não perfeito” está menos em tolerar-se que o treinador entorte o bico (by Sertão Potiguar) e siga errando sem ser importunado (na verdade, sem ser ajudado) e, mais, em evitar-se que, iniciado o entortar de bico, a situação avance até chegar ao ponto em que a única saída é a substituição do “bico torto” por outro cujo bico ainda vai entortar (todos entortam, uns mais, outros menos).

Vejo, na segunda hipótese (evitar-se que a situação ruim avance), um amadurecimento da gestão do clube, seja no gerenciamento do futebol, seja numa relação mais equilibrada com a torcida e sua paixão gigante.

No gerenciamento do futebol, são muitas as competências demandadas e uma delas deve ser a capacidade de interação mais produtiva dos comandos do clube com a comissão técnica, para que o entortar de bico possa ser corrigido antes de se tornar irreversível.

É fácil?

Claro que não, e a história do Flamengo mostra isso, mas trata-se de uma competência que o clube precisa desenvolver e que, no tempo em que eu gerenciava pessoas, aprendi que pode ser desenvolvida e produzir ótimos resultados, com menos frituras e mais casos de sucesso.

Na relação com a torcida, cabe entender que não se pode esperar que o juízo venha dela.

O juízo tem que ser dos comandantes do clube e deve estar associado à competência na gestão, aquela que gera confiança nos torcedores e que, em momentos de falta de juízo da Nação, sustenta o treinador e sua equipe.

É fácil?

Não de novo, mas também é um aprendizado que o clube precisa desenvolver.



Cruzeiro 1 x Flamengo 1 – Ida das Oitavas da Liberta

Reconheço que a certeza de vitórias tende a ser mais viável em campeonatos brasileiros do que em mata-matas de Libertadores.

Nosso Flamengo visitou o Cruzeiro ontem e trouxe do Mineirão um empate e a certeza, única possível nas circunstâncias, de que dá pra ganhar dos mineiros no Maraca, mas que vai ser um jogo difícil, como foi o de ida.

Jardim surpreendeu na escalação, apostando em Royal na lateral direita, em Plata, na ponta direita e, surpresa maior, em Bruno Henrique no ataque, na posição do Pedro (pode ter sido mera opção tática, mas eu vi como um recado ao centroavante titular e gostei disso).

O Calvo mexeu no time quando o Cruzeiro já vencia por um a zero, num gol em que Ayrton Lucas saiu para marcar o lateral William e Lino não conseguiu bloquear o chute do Arroyo, no bom ataque ao espaço feito pelo jogador da Raposa.

Fica a lição de que precisamos evoluir na coordenação dos nossos movimentos defensivos, porque a trama do Cruzeiro foi bem desenvolvida, mas dava pro Lino chegar mais inteiro no lance.

Mas é isso: futebol é jogo de dribles, individuais e coletivos; o Cruzeiro tramou bem, iludiu a nossa marcação e saiu na frente.

Paquetá, que veio do banco aos vinte do segundo tempo, juntamente com o Pedro, providenciou o empate e os dois times tiveram chances de chegar ao gol da vitória nos minutos finais, mas ninguém fez o 2 a 1.

Nada resolvido, decisão transferida para a próxima quarta, no Maraca, como era de se esperar de um mata-mata muito precocemente disputado por dois candidatos ao título da competição.

Houve época em que os cruzamentos das fases de mata-mata da Libertadores seguiam o critério olímpico (primeiro contra último, segundo contra penúltimo, etc.), algo que, em tese, tende a levar a um afunilamento sem eliminação precoce dos melhores times.

De alguns anos para cá, a Conmebol passou a adotar o sorteio que, neste ano, produziu o confronto Flamengo e Cruzeiro, já nas oitavas.

Cabe torcermos para que, no Maraca, o Mengão vença e chegue às quartas da Libertadores.



Sub-20 – Campeonato Carioca 2026

Na estreia do Carioca, jogando no Estádio Luso-Brasileiro, o Flamengo Sub-20 derrotou a Portuguesa por 3 a 1 e divide a liderança da competição com o Fluminense e o Vasco, que também venceram seus jogos por esse placar.

Os gols do Flamengo foram marcados por Jhefinho, Josmar e Douglas Telles.

No sábado, 15/08, o Flamengo enfrentará o Nova Iguaçu, pela segunda rodada.

É a primeira competição em que o treinador Marcelo Salazar tem oportunidade de desenvolver o trabalho de formação a que se propõe, segundo declara nas entrevistas.

Torçamos para que tenha sucesso na empreitada.



Sub-9 – Um projetinho de craque

Fiz minha inscrição num canal do YouTube que mostra muita coisa sobre a base do Mengão e tive oportunidade de ver os melhores momentos de um Botafogo 0, Flamengo 5, pelo Carioca Sub-9.

O destaque foi o garoto rubro-negro Natan, um pinguinho de gente menor do que o resto da garotada, ótimo driblador e autor de gols, mas que, a julgar pelo que vi no vídeo, não é muito chegado a passar a bola pros colegas.

Curtindo as arrancadas do garoto, entendi, claro, que é cedo pra cobrar isso do projetinho de craque Natan, porque o momento dele tem que ser, mesmo, para desenvolvimento das habilidades individuais, aquelas que são as mais difíceis de serem ensinadas.

Fico na torcida por sua evolução porque, para algumas das coisas mais difíceis, ele tem o dom.

E assim eu teria terminado este pequeno capítulo do post, mas aí me deparei com um vídeo com o seguinte título: “Mauro Cezar e Rodrigo Mattos criticam assédio a Natanzinho do Flamengo”.

A notícia: times europeus já estão assediando a família do menino.

Há muita coisa nesse mundo que está de cabeça para baixo (ou de ponta-cabeça, como dizem os paulistas).

A torcida do MCP, do Rodrigo e a minha é para que o menino seja preservado, tanto quanto possível, dessa maluquice.


Sub-10 – Mais uma goleada

O mesmo canal do YouTube mostrou, no dia seguinte, mais uma goleada do Menguinho sobre o Foguinho, desta vez por 6 a 1, pelo Carioca Sub-10.

São melhores momentos, então nem sempre dá pra perceber alguém com mais destaque e foi o que aconteceu comigo nesse vídeo.

Nos dois jogos, Sub-9 e Sub-10, o Foguinho foi mandante e a exibição ficou a cargo da Botafogo TV.

Nessa faixa de idade, os jogos são realizados em campo reduzido, a área é arredondada, como no futsal, e jogam oito de cada lado.

Pelo que pude ver nessas pequenas amostras, os jogos são bastante animados.

Que continuem assim e que os meninos se divirtam bastante, enquanto aprendem os fundamentos mais interessantes do esporte: drible, domínio, passe, chute.


O Oba-Oba Cruel

Pra completar, Jordan Michael, jogador do nosso Sub-17 fez um gol de letra numa vitória sobre o Corinthians, em jogo pelo Brasileirão da categoria.

Foi um belo gol, mas me chocou o nível de badalação que ele despertou no dia seguinte, no YouTube e até no meu WhatsApp.

Não quero me estender, porque o assunto me incomoda, mas vejo uma espécie de crueldade nesse oba-oba, pelo muito que pode mexer com a cabeça dos garotos e de suas famílias.

Não tenho solução pra isso, mas há algo muito errado nesse endeusamento precoce de meninos que estão, apenas, exibindo algum potencial.

De novo: torço para que esses meninos sejam protegidos, tanto quanto possível, da maluquice reinante no mundo do futebol de base.


Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista