sexta-feira, 10 de julho de 2026

Coluna do Carlos César: Resenha a Varejo 10/7/2026

 

Olá, Buteco!



Segue a inter-temporada gerada pela Copa do Mundo.

Todos os nossos jogadores saíram da Copa e alguns já retornaram das férias, com possibilidade de atuarem no dia 17 contra o Olímpia, no último amistoso antes da volta do Brasileirão.



Nosso Sub-20

Informou o Flamengo, no seu site oficial:

O Flamengo sofreu revés de 1x0 para o Botafogo no jogo de ida pela terceira fase do Torneio Otávio Pinto Guimarães, neste domingo (5), em duelo disputado no Estádio José Bastos Padilha, na Gávea. Agora, para chegar às semifinais da competição, o Rubro-Negro terá de vencer por dois gols de vantagem a partida de volta, marcada para o próximo sábado (dia 11), às 10h, no Estádio Nilton Santos, na Zona Norte do Rio. Vitória por um gol leva a disputa da vaga para os pênaltis.”

Duas atenuantes: Alguns dos nossos principais jogadores do Sub-20 estão em Portugal e o Botafogo foi uma das melhores equipes da fase de classificação do Brasileirão 2026 da categoria.

Isto posto, está claro que o começo do Marcelo Salazar não se beneficiou do efeito vassoura nova, que sempre varre bem, como dizia meu amigo Fernando Cerello em tempos idos.

Cabe esperarmos que, com o passar do tempo, o clube comece a colher os frutos da reformulação em curso.

Bap disse que os bons resultados começariam a chegar em 2027 e eu me incluo entre os que topam esperar, por acreditar que há mesmo um esforço por maior profissionalização do trabalho com as categorias de base do clube.

Pra completar, uma observação interessante sobre os rivais tradicionais do estado: Vasco e Botafogo conseguiram boas colocações na fase de classificação do BR26, ambos com 36 pontos e 63% de aproveitamento, enquanto o Fluminense, tradicional revelador de bons jogadores para o elenco principal e para exportação, conseguiu apenas 19 pontos e 33% de aproveitamento.

Quem, no Estado do Rio, revelará os melhores jogadores dessa geração para elencos principais?



Nosso Sub-35 e a Inter-Temporada

(Sub-35 é só uma piada, pra descontrair.)

O treino contra o Lausanne

Desfalcado de muitos titulares e reforçado por garotos da base, nosso elenco disponível fez o segundo jogo em Algarve e mais uma vez gostei do treino, porque o adversário jogou à vera, tentando marcar bem e buscando nos atacar, impondo um nível de exigência bastante desejável para essa fase da preparação do time.

Gostei da movimentação de linhas do time B/C que começou o jogo (não foi um bando) e de algumas atuações individuais.

Como era de se esperar, o time inicial caiu um pouco de ritmo na fase final do primeiro tempo e, com as muitas substituições feitas pelo Jardim, houve oscilação de desempenho no segundo, mas o teste foi útil.

Vejo o Jardim aproveitando bem a inter-temporada, com boa rotação do elenco e com a apresentação de times que não se transformam em bando, como às vezes acontece nessas épocas.

Os garotos

Achei que, entre os garotos, o Joshua foi quem melhor agarrou a oportunidade, fazendo um primeiro tempo bastante interessante, em que mostrou personalidade e bom futebol. É só o começo, mas o “arriar das malas” dele foi animador.

Wallace Yan também jogou bem e, pela força e movimentação que mostra em campo, ganhou de mim um novo crédito de paciência.

Ele às vezes se enrola um pouco com a bola, principalmente dentro da área, e sua atuação fez com que Bernardo Costa e eu concordássemos, durante o jogo, que a praia dele não é ser centroavante.

No jogo de quarta-feira, porém, ele foi um dos destaques, daí eu começar a achar que o Flamengo deve renovar o esforço de desenvolvimento do garoto, porque há potencial ali, mas há, também, grande necessidade de lapidação das virtudes dele, trabalho que exige paciência do clube e, claro, muito empenho do jogador.

As preocupações

Deslocado para a lateral direita, Ayrton Lucas foi mal na marcação ao ponta do time suíço e, no fim da partida, se lesionou.

Vou falar mais do Beijinho em outro capítulo deste post, mas temos razões para nos preocuparmos com a lateral esquerda, porque o Alex Sandro não aguenta sequências longas e o AL não inspira confiança, seja por não marcar bem, seja porque também vem tendo lesões.

No meio de campo, Saul continua muito abaixo do potencial, com dificuldades na fase defensiva e, por auto-defesa, cadenciando e burocratizando a distribuição de jogo, com lentidão e raros passes verticais.

Precisa se recuperar completamente, para voltar a jogar o que já mostrou que sabe.



Jogadores deslocados de sua vocação

É só um tema pra resenha, a partir do meu jeito de ver certos jogadores e de achar que, por falta de oportunidade nas posições para as quais nasceram, eles passam toda a carreira ou a maior parte dela fazendo funções não ideais para seus perfis.

Eu achava o Edinho, jogador que fez história no Fluminense e também jogou no Flamengo e na seleção brasileira, um excelente volante “box to box”, muito antes dessa expressão ter chegado a nós.

Provavelmente pra garantir vaga no time, o Edinho precisou se fixar na “quarta-zaga”, função em que tinha alguma deficiência em marcação, e só no fim de sua carreira conseguiu ser volante e mostrar o quanto era bom jogando no meio de campo.

Vendo Flamengo x River Plate pelo Torneio de Algarve, reforcei minha convicção de que o Ayrton Lucas tem muito mais vocação para ser ponta esquerda do que lateral ou ala esquerdo.

Ele tem uma noção apenas razoável de marcação, o que é pouco para um lateral ou um ala, mas seria suficiente se ele jogasse na ponta.

Há muito profissional jogando na ponta esquerda com menos recursos para a função do que o Beijinho.

Na função de lateral ele é, com justiça, marcado pela torcida como mau defensor e leva a culpa por gols que o Flamengo sofre, até quando a culpa não é dele, como aconteceu no segundo gol do River, no Torneio de Algarve.

Achei que o culpado pelo abandono do lateral direito do River foi o Bruno Henrique e o Rapha, do Falando de Tática, identificou uma falha do Jorginho num salto de pressão sobre o jogador que fez o gol, mas o Ayrton levou a culpa, porque a assistência que gerou o gol saiu pelo lado dele.

Não estou passando pano para o Ayrton Lucas, porque ele realmente não consegue ser um bom defensor no Flamengo (vejo-o como um dos elos fracos do elenco) e porque, se resolvesse se dedicar a funções ofensivas, talvez não fosse escolhido pelo clube.

Estou apenas registrando que, por insuficiência de aptidão para a função defensiva, ele tende a ficar marcado como vilão quando, talvez, pudesse ter melhor destino perante os torcedores se fosse um atacante.

Falei do Beijinho e chego ao Lorran, jogador que andou despertando debates acalorados no Buteco, recentemente.

Ele costuma ser visto pelo clube como um meia vocacionado para jogar na faixa direita do ataque, mas tenho uma vaga lembrança de que, naquela atuação marcante que teve contra o Corinthians, ele jogou pela faixa central do campo e numa posição de alimentação final dos atacantes, não na fase construtiva.

Isso não muda nada quanto aos questionamentos feitos por condutas dele que, até agora, geraram avaliações ruins e desânimo quanto ao futuro dele no Flamengo, mas fico me perguntando se, deslocado para uma função na faixa central, ele poderia deslanchar e se firmar como boa opção para o time.

O Rapha, do Falando de Tática, fez um vídeo ontem, defendendo que o Jardim pare de pedir um meia atacante ao Boto, por entender que o Paquetá é esse meia e, quanto ao Lorran, adotou a mesma tese que eu: acha que ele deveria jogar pela faixa central do campo.

Pra completar o papo sobre o Lorran:

Leonardo Jardim disse, na entrevista depois do jogo contra o River: “O Lorran e todos os outros jogadores, como o Rayan e os do sub-20, têm que mostrar. Não é o Jardim que vai fazer uma aposta, os jogadores que estão no Flamengo têm que se mostrar competentes para ganhar um espaço no elenco, mostrar ao treinador, mas também ao clube e aos torcedores que são capazes de fazer melhor do que outros. E abrimos esse espaço, por isso os trouxemos para cá e vamos colocá-los nos jogos. No mundo do futebol e da alta competição, podemos ter carinho pelos jovens, mas o que esperamos é competência nas quatro linhas, para se encaixarem nos projetos dos clubes.” Bingo!!!



Os substitutos do Arrasca

Como comentei acima, o Rapha fez um vídeo ontem, defendendo que o Jardim pare de pedir um meia atacante ao Boto, por entender que o Paquetá é esse meia, e também citou o Lino como opção para a função.

Peço então licença pra tirar uma onda porque, no post “Resenha a Varejo em 22/05/26”, eu comentei o jogo do Flamengo contra o Estudiantes e escrevi:

Faço um destaque individual para o Lino.

Entrou muito bem na partida e, mesmo jogando pela direita, movimentou-se bem em todas as fases do jogo (defesa, construção e ataque) e ocupou com muita inteligência uma faixa na meia direita, na fase ofensiva.

Cheguei a viajar na ideia de trocar a posição dele com a do Carrascal, quando Arrasca e Paquetá não puderem fazer a posição 10.

Afinal, vejo Carrascal como um ponta esquerda que faz bem o facão em diagonal, do jeito que o Jardim gosta, e o Lino parece ter inteligência pra jogar em todas as posições da linha de três meias, inclusive na faixa central.

É só uma viagem, mas eu embarquei na ideia.”


Depois disso, o treinador Jardim usou três vezes o Samuel Lino na posição 10, contra Coritiba, River Plate e Lausanne, e ele sempre se saiu bem.

Mais uma vez cito o Rapha que, no vídeo de ontem, expressou preocupação com a hipótese do Flamengo gastar muito dinheiro na eventual compra de um bom meia-atacante para revezar com o Arrasca, quando temos duas possíveis soluções em casa, Paquetá e Lino (talvez três, se o Lorran for aproveitado ali).

Enquanto Jardim pede um meia que pode não ser necessário, o Rapha se assusta com a vulnerabilidade da nossa lateral esquerda e eu também.



Para Boto, com esperança...

A falta de assunto dos tempos de Copa do Mundo pode nos levar a viagens diferentes.

Vai daí que eu fiz uma paródia da canção “Esperando na Janela”, do Gilberto Gil, dedicando-a ao nosso diretor José Boto.

Esperando essa janela

Tamo esperando você contratar

E vender alguns

Dos nossos elos fracos

Mas seu silêncio não anima a gente

Bate uma descrença

E até nos enche o saco


Eu sei que o scout tem que caprichar

Não pode chutar, mas é que o tempo corre

Essa demora gera mil perguntas

Mídia toda assunta

Mas não acerta nada


Fica naquele tal de caça-clique

Fala em Luiz Henrique, Danilo e Almada.


Não vou cair nessa esparrela, ai, ai

Mas tô aqui de sentinela, ai, ai

Tamo esperando essa janela, ai, ai

Que é pra Nação comemorar...


Não temos poço de petróleo, ai, ai

Mas o Mengão é bilionário, ai, ai

Quem disse isso foi o Bap, ai, ai

É hora de nos reforçar.



Saudações Rubro-Negras!!!

Carlos César Ribeiro Batista