Está chegando ao fim a inter-temporada.
Na sexta, 17, o Mengão jogará contra o Olímpia em Brasília, na reta final da preparação para a partida de retorno ao Brasileirão, no dia 22, contra a Chape.
Enquanto os jogadores treinam, as janelas de contratações se abrem, Jardim, Boto e Bap dão entrevistas e nós ficamos à espera das mudanças que serão feitas no elenco.
No momento em que concluo este texto, continuamos sob o tiroteio das especulações e dos caça-cliques.
Resenhemos, pois.
Uma hora vai?
Não. Uma hora não vai.
Começo com um parágrafo escrito por Hugo Rodrigues, sócio da WMcCann e empreendedor, em ótimo artigo publicado no Brazil Journal, em 07/07/26:
Link:
“...toda mudança importante começa quando alguém abandona a ilusão confortável de que “uma hora vai”. Uma hora não vai. Não sem processo, não sem continuidade, não sem disciplina coletiva, não sem capacidade de pensar décadas em vez de apenas o próximo ciclo eleitoral, o próximo trimestre ou a próxima Copa do Mundo.”
Hugo fala do Brasil e da seleção brasileira, mas vale, também, para o nosso Flamengo.
Só talento não basta. É preciso método. Permanentemente.
O processo permanente e sempre impreciso
São muitas as variáveis presentes no desafio da condução transformadora do Flamengo, aquela capaz de dar peso correto a cada variável e de lidar com elas da maneira mais inspirada possível.
Cada acerto é um passo à frente rumo à consolidação de uma equipe forte e vencedora, mas cada erro pode sabotar os esforços voltados à busca das conquistas e ao alcance e permanência num alto patamar.
E há o fato da excelência ser perecível, exigindo renovação e realimentação constantes.
Assim é a gestão de um clube de futebol e, no caso do Flamengo, o condutor do momento é o Bap, responsável por dirigir o clube “na ponta dos dedos”, como se referia o Galvão Bueno às eternas direções do Senna nas manhãs de domingo.
Vejo o Bap tentando fazer um trabalho estrutural transformador, com as exigências mencionadas pelo Hugo Rodrigues, “processo, continuidade, disciplina coletiva e capacidade de pensar décadas em vez de apenas o próximo ciclo eleitoral, o próximo trimestre”, mas cada erro pode retardar a marcha vitoriosa que se pretende empreender e sustentar.
Ao intuir sobre possíveis erros ou efetivamente diagnosticá-los, nosso Buteco, amostra muito rica da Nação Rubro-Negra, expressa suas queixas e preocupações, às vezes adivinhando frustrações futuras, às vezes exagerando em sofrimentos antecipados.
Puro suco de Nação Rubro-Negra.
Aí, Amigas e Amigos do Buteco, não basta a paciência histórica de que andei falando recentemente.
É também necessário saber conviver com o risco e o desconforto das turbulências, porque nossos gestores erram e, em ciclos em que estejam errando, nossos principais adversários podem estar acertando.
O processo é permanente e sempre sujeito a imprecisões que podem levar a derrapagens, mas temos que aceitar vivê-lo e, na medida do possível, curti-lo.
Voto em Jardim para 2027
| Foto: Gilvan de Souza/Flamengo |
Sei que corro o risco de quebrar a cara ao apresentar este meu voto, mas a história não é muito fã dos covardes.
Tenho falado, no Buteco, sobre condições estruturais e circunstanciais do futebol do Flamengo.
As estruturais são responsabilidade de todos os líderes do clube, seja o presidente, sejam todos os demais envolvidos na criação das melhores condições possíveis para que, dentro de campo, os jogadores representem bem o Mengão e lidem vitoriosamente com as circunstâncias de cada jogo e de cada competição.
Bap vem fazendo, a meu ver, um bom trabalho de estruturação do clube, algo que vai muito além do futebol, como ficou claro na apresentação dos resultados do primeiro semestre de 2026 que fez ao Conselho, recentemente.
No futebol, mais do que o Boto, o treinador Leonardo Jardim me passa a impressão de reunir capacidades que podem servir bem ao processo de estruturação do futebol do clube, trabalho do qual é justo esperarmos a geração de grandes resultados dentro de campo, se não nesta temporada, mais provavelmente em 2027.
Sei que há restrições a algumas escolhas táticas feitas por ele em determinados jogos, mas não vamos encontrar o “treinador perfeito” e o que mais se aproximou disso desde que comecei a acompanhar o Flamengo, por volta de 1955, acabou de ser anunciado como treinador da seleção portuguesa para o ciclo 2026-2030. Então...
Vamos entrar no segundo round da temporada e, na inter-temporada que está terminando, Leonardo Jardim deu bons sinais de que sabe treinar nosso time, aumentar repertórios individuais e coletivos e potencializar o rendimento de muitos jogadores, inclusive de alguns crias.
Que tal, então, darmos a nós mesmos a oportunidade de permitirmos que o Jardim tente concluir um ciclo de dois anos?
Eu estou nessa “vibe”, assumindo o risco de quebrar a cara, mas achando que vale a pena seguirmos com o Calvo.
Elenco Profissional em 24/06/26 – Site Oficial do Flamengo
Goleiros: Rossi, Andrew, Dyogo Alves
Zagueiros: Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo, Vitão, João Victor
Laterais Direitos: Varela, Emerson Royal
Laterais esquerdos: Alex Sandro, Ayrton Lucas
Volantes: Evertton Araújo, Erick Pulgar, Jorginho
Meio-Campistas: De Arrascaeta, De La Cruz, Saul, Carrascal, Lucas Paquetá
Atacantes: Bruno Henrique, Pedro, Everton Cebolinha, Luiz Araújo, Gonzalo Plata, Wallace Yan, Samuel Lino.
Segundo seu site oficial, o Flamengo entrou na janela de julho-agosto com esses jogadores no elenco principal.
Faço o registro do nosso ponto de partida para, no fim da janela, compararmos e concluirmos o quanto terá havido de evolução, em termos de reforços, eliminação de elos fracos e solução de posições preocupantes.
No momento, é difícil especularmos sobre o fechamento da janela porque, como foi informado, o Boto está trabalhando para fazer contratações e existe a possibilidade de saída de alguns jogadores, o que poderá exigir reposições.
Jardim tem pedido um meia atacante e um ponta, mas as minhas prioridades seriam um bom lateral esquerdo, mais confiável na função defensiva do que o Beijinho, um centroavante e reposições para as saídas.
Aí, o Amigo Lucas Castro Alves repostou ontem, no Buteco, essa postagem do Luís Filipe Carneiro (@luizfilipecm):
“Tem um livro excelente que mostra que o futebol é um esporte de elo fraco. Ele é mais impactado por causa do seu pior jogador (o Digne, por exemplo) do que o seu melhor jogador pode sobressair sozinho. Um jogador ruim, que falha, custa uma eliminação.”
Num comentário, o Luiz Filipe acrescentou:
"O livro até defende que é mais eficiente reforçar os pontos mais fracos em relação ao custo de um jogador de ponta pra uma posição que não seja carente."
Viu, Boto? Viu, Jardim?
Simpatizo muito com o Beijinho, mas devemos desistir de considerá-lo um lateral esquerdo.
Se quiserem vender o Carrascal e testar o Beijinho como ponta esquerda reserva até o fim desta temporada, tô dentro, porque acho que ele pode acertar nessa função, mas precisamos de um lateral esquerdo que domine a fase defensiva.
Então, é isso: por enquanto, cabe esperarmos e torcermos por uma boa evolução.
Quando a janela acabar, pretendo fazer um balanço do antes e depois do nosso elenco principal.
Renovação de Contrato dos Crias – Um Palpite
O Amigo Gustavo postou, recentemente, a notícia divulgada pelo @sitejornaldofla:
“Dos crias do Flamengo que estiveram em Portugal, Johnny é quem tem o contrato mais curto com o clube. Destaque absoluto do período de amistosos, o zagueiro/lateral-esquerdo possui vínculo somente até 30 de novembro de 2027. Ou seja, logo logo entra no último ano de contrato. Flamengo precisa agir rápido pra evitar qualquer problema!!”
O site complementou a notícia informando o prazo dos contratos de alguns jovens que estiveram em Portugal:
•Johnny Góes – 30/11/2027;
•Alan Santos – 31/01/2028;
•Daniel Thuram – 31/03/2028;
•Rayan Lucas – 29/10/2028;
•Guilherme Gomes – 31/12/2028;
•João Victor – 31/12/2029;
•Lorran – 31/12/2029;
•Joshua – 31/05/2030.
Da lista acima, eu me apressaria em conversar com o Johnny e com o Daniel Thuram.
Tentando olhar de um jeito mais estruturado para o processo de manutenção de promessas no elenco do clube, se eu fosse o Diretor Técnico criaria um nível intermediário entre a base e o elenco principal, para o qual seriam promovidas, cada uma em seu momento oportuno, as maiores promessas das categorias de base.
Nesse nível intermediário, limitado a cinco ou seis jogadores, o salário dos garotos poderia ser, por exemplo, o dobro do salário máximo pago aos jogadores do Sub-20 não promovidos e as promoções seriam feitas por meio de um rito de avaliação e de classificação de cada jovem como grande promessa.
Os garotos promovidos seriam integrantes do elenco principal, mas poderiam continuar descendo eventualmente para o Sub-20, como já acontece.
O propósito seria reduzir os conflitos gerados pelas expectativas e ansiedades de jogadores, staffs e famílias e ter jovens promessas mais fixadas no clube, com salários melhores do que a faixa salarial do Sub-20, mas sem inflacionar-se a massa salarial dessa categoria.
Sempre haverá riscos: o de promover um jovem que não vai se afirmar e o de perder jovens não promovidos, seja por erro de avaliação, seja por inconformismo não justificado do seu staff, mas imagino que uma ação estruturada desse tipo poderia reduzir os conflitos, as ansiedades e as perdas indesejáveis.
Saudações Rubro-Negras!!!
Carlos César Ribeiro Batista

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