Salve, Buteco! Como hoje, logo no início da tarde, a Seleção Brasileira jogará contra o Japão pelos 16 avos de final, achei que não faria muito sentido falar sobre Flamengo. Então, resolvi dar continuidade ao post As Copas do Mundo da Minha Infância, publicado aos 3 de dezembro de 2022.
E como a foto do post bem sugere, o momento mais dramático dessa relação ocorreu com a Seleção de 1982, mais precisamente no dia 5 de julho, quando o Brasil perdeu para a Itália por 2x3 no que ficou conhecido como "A Tragédia do Sarriá". Minhas memórias desse dia são as piores possíveis, inclusive no âmbito familiar.
Com 12 anos de idade, o futebol já tinha me ensinado que esse amor pode muitas vezes machucar. As derrotas mais inexplicáveis que havia sentido, até aquele dia, haviam sido os 2x5 para o Grêmio em 1977 e o 1x4 para o Palmeiras em 1979, ambas sofridas pelo Flamengo em jogos do Brasileirão.
A Seleção Brasileira havia me "proporcionado", em nível de dor, apenas a eliminação na Copa América de 1978 para o Paraguai no Maracanã (2x2 - time-base do Olimpia campeão mundial no ano seguinte) e a derrota para o Uruguai na final do Mundialito de Montevidéu em 1981, considerando que na Copa do Mundo de 1978 a campanha foi invicta e houve a vergonhosa mutreta de Argentina 6x0 Peru.
A derrota para a Itália, ao contrário, simplesmente não entrava na minha cabeça. Lembro-me de que, a cada vitória conquistada pelo Brasil naquela Copa, as pessoas iam para as ruas dançar, sendo aqui em Brasília a comercial da SQS 109 o ponto mais badalado.
A Seleção de 1982 até hoje é reverenciada no mundo inteiro como uma referência de futebol de qualidade. Arrisco dizer que, ao lado da Hungria de 1954 e da Holanda de 1974, foram os três times mágicos que acabaram traídos pela História e pela entidade da Copa do Mundo.
Vejam bem, outros favoritos caíram na História das Copas, mas esses três times, convenhamos, são apontados como os grandes esquadrões que acabaram escorregando na traiçoeira estrada do favoritismo. E a bola adora punir os favoritos, diria Muricy Ramalho.
Depois de 1982, a minha relação com a Seleção Brasileira nunca mais foi a mesma.
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Torci pela Seleção em todas as Copas seguintes, desde 1986 até 2006. Em 1986 eu estava "anestesiado" por 1982 e completamente envolvido pelo Rock'n'Roll, particularmente, pelo Heavy Metal. As Copas de 1990, 1994 e 1998 tiveram em mim um torcedor mais maduro, com menos expectativas por conta das memórias e cicatrizes do Sarriá.
Dessas seleções, a que mais gostei foi a de 1998, dirigda por Zagallo num 4-4-2 tradicional, ofensivo, sem as amarras e a enceradeira de 1994. Os jogos contra a Dinamarca e a Holanda foram os meus favoritos. Ali nasceu o meme do Galvão Bueno urrando "Tafareeeeeeeeeeeeellllll!!!!!!!!! Sai! Sai! Sai! Sai que é suuuuuuaaaa, Tafarellllll!!!!!!!!!!!"
Inesquecível.
Em 2002 eu já era pai daquela moça que vocês conheceram no post O Diário de Lima. O time não me encantava tanto, mas as madrugadas tomadas pela Copa do Mundo e os jogos da Seleção foram de muita emoção. Por sinal, foi a última vez que a Seleção Brasileira me emocionou.
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O início do meu distanciamento emocional da Seleção ocorreu na Copa de 2006, com a farra na concentração em Weggis, na Suíça. Treinos abertos, ambiente permissivo e festivo, celebridades, invasões de torcedores no gramado, aventuras noturnas e preparação física precária.
Tudo aquilo que sempre odiei naquele Flamengo que deixamos para trás. Vocês, que generosamente leem os meus posts e comentários, bem sabem disso.
Para piorar a situação, a CBF contratou Dunga para dirigir o time na Copa seguinte, em 2010, na África do Sul. Amigos, na "Era Dunga" eu torci contra do primeiro ao último jogo. Vejam bem, tenho um enorme respeito pelo ótimo volante e capitão da Seleção de 1994, mas tenho absoluto repúdio pelo personagem público e pelo treinador que sempre hostilizou a Geração de 1982.
A partir de então, ocorreu a desconexão total.
Em 2014 eu estava em um bar em Cuiabá (viagem a serviço) e confesso que contive os risos ao ver a Alemanha com a camisa inspirada no Manto Sagrado aplicar 7x1 no time do inefável Luiz Felipe Scolari, campeão de 2002, mas antigo inimigo do Flamengo.
Em 2018 as convocações de Tite (outro velho inimigo) prejudicando o Flamengo me levaram a um estado de ódio que eu só havia sentido quando Dunga dirigia o Escrete Canarinho. Torci contra forte, com gosto, com força, embora menos do que em 2010.
Contudo, em 2022 um fator começou a provocar o arrefecimento desse sentimento de desconexão.
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| Foto: Lucas Figueiredo/CBF |
Ah, meus prezados Amigos do Buteco, torcer contra Crias não dá, ainda mais quando são dessa estirpe, com conexão tão profunda com o Mais Querido do Brasil e do Mundo, o Fuderosão das Galáxias, o Clube de Regatas do Flamengo.
Uma Copa do Mundo vencida com o protagonismo de Vinicius Jr. e a titularidade de Lucas Paquetá seria uma vingança deliciosa, para desespero dos detratores, dos hipócritas e dos cretinos, que nada sabem. Seria um cala-boca inesquecível contra a imprensa paulista e toda a torcida arco-íris.
Então, os imprevisíveis caminhos da bola me levaram a voltar a torcer pela Seleção Brasileira. É claro que sem qualquer conexão com a entidade CBF, mas com muita torcida pelos nossos Crias.
Então é isso. Pra frente Brasil! Salve o Paquetop e o Vini Malvadeza!
| Foto: Pedro Martins/Socceris |
| Foto: Shawn Botteril/FIFA via Getty Images |
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Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.
A palavra está com vocês.
Bom dia e SRN a tod@s.
