Olá, Buteco!
Vamos a mais uma Resenha, desta vez com um tema mais pesado, com cara de atacado, e com um tema mais leve, que é de varejo.
O tema com cara de atacado é uma proposta de DR (discussão da relação), com o título “O Flamengo abdica das competições? Tem permissão para abdicar?”
E o tema de varejo é uma atualização da situação do Mengão Sub-20 no Brasileirão 2026 da categoria e sua possível influência sobre o engajamento dos melhores jogadores na programação de treinamento para a viagem de inter-temporada a Portugal.
O Flamengo abdica das competições? Tem permissão para abdicar?
O Flamengo abdica das competições?
Rossi, Royal, Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro, Evertton Araújo, Jorginho, Carrascal, Luiz Araújo, Bruno Henrique, Samuel Lino.
Esta foi a escalação inicial do Flamengo no jogo da volta da Copa do Brasil 2026, contra o Vitória.
Leonardo Jardim escalou:
** Seis titulares: Rossi, Léo Pereira, Alex Sandro, Evertton Araújo, Jorginho, Samuel Lino.
** Dois titulares do momento: Carrascal e Luiz Araújo (Paquetá, Arrascaeta e Plata não viajaram por lesões).
** Três reservas: Royal, Danilo e Bruno Henrique.
Dos titulares habituais, Jardim só poupou Varela, Léo Ortiz e Pedro, talvez por desgaste, talvez por opção tática.
Teria poupado EA e Jorginho se eles pudessem jogar contra o Sinthetico? (eles estavam suspensos para esse jogo do Brasileirão)
Não temos essa resposta, mas o fato é que o Flamengo não rifou a Copa do Brasil de 2026 e só saiu dela porque não conseguiu eliminar o Vitória.
Estava eu a pensar com meus botões e, ao refletir sobre rodízio de jogadores e uso da base, me vieram à mente as duas perguntas do título deste tópico do post.
Talvez elas sirvam como respostas para questões que vivemos levantando aqui no Buteco, sobre aproveitamento de alguns reservas e oportunidades para a garotada da base, porque esse uso de reservas e de garotos pode representar maior risco de insucessos, algo com que a Nação costuma lidar muito mal e a direção do clube, também.
Afinal, discurso é uma coisa e prática é outra.
No discurso, o Flamengo do Bap e do Boto tem o Brasileirão como maior prioridade e o presidente do Mengão voltou a afirmar isso numa ótima entrevista que deu ao Rodrigo Capelo, há cerca de um mês.
Na prática, porém, quando a coisa engrossa em alguma competição, ela vira prioridade, seja a Libertadores, certame que, em tese, disputa mais diretamente com o Brasileirão uma posição prioritária, sejam as demais competições de que o Flamengo participa.
Quando o Carioca 2026 ficou esquisito, com risco do Mengão precisar disputar o Grupo X dos quatro piores times, Bap atropelou o planejamento da pré-temporada e a estreia do elenco principal foi antecipada.
Depois, por termos vencido o Vitória por apenas um gol de diferença no jogo de ida da Copa do Brasil 2026, Jardim escalou, no jogo de volta, oito titulares, seis efetivos e dois titulares circunstanciais (Carrascal e Luiz Araújo).
Então, passa a fazer mais sentido o que disse o presidente Bap em entrevista recente, ao Charla Podcast:
“Nós sempre planejamos pra disputar e ganhar tudo em que a gente entra... A gente já sabia que o calendário é intenso. O jogador, quando é contratado pra jogar no Flamengo, não é que ele vem achando que vai jogar quarenta partidas por ano e joga oitenta. Ele sabe que podem ser oitenta jogos.”
“Então, a gente entra pra brigar por tudo. A gente sabe que é difícil ganhar tudo, mas esse é o nosso propósito.”
“A gente não fica escolhendo torneios. A gente teve um resultado ruim na Copa do Brasil, é do jogo, você não vai ganhar tudo, mas basicamente não muda nada dos nossos objetivos no ano.”
É muito difícil ganhar tudo (CB, LA e BR), mas impossível não é. É impossível até que alguém faça. Alguma hora alguém vai ganhar tudo. Eu espero que o primeiro seja o Flamengo.”
Portanto, a julgar pelo que diz seu presidente, o Flamengo até define prioridades, mas não abdica das competições e só sai delas quando é eliminado ou não consegue pontuar para ser campeão.
E isso explica, a meu ver, as atitudes do clube quando se vê ameaçado de eliminação em alguma delas, mesmo que não seja uma das anunciadas como prioritárias.
O Flamengo tem permissão para abdicar das competições?
Vejamos o que disse o Amigo Gustavo no Esquenta de 16/05/26:
“A Baranga deu um toco no Mais Querido ou foi o Cafajestão que correu para não chegar e deixou a Endinheirada meter o pé? Talvez um meio termo, quem sabe? Não acho que o time tenha entregado propositalmente a rapadura, mas faltou aquele ímpeto necessário para passar de fase, talvez porque, no fundo, os jogadores não acreditassem ou mesmo não quisessem um calendário entupido por três competições simultâneas no segundo semestre.”
Penso que o mau desempenho contra o Vitória tenha resultado principalmente de uma queda física e mental do time, causada pelo desgaste imposto pela sequência pesada de jogos, mas não duvido que as duas causas, desgaste e menor motivação do elenco, tenham se juntado para levar à eliminação prematura na competição nacional menos relevante do ponto de vista esportivo.
Continuemos com as considerações feitas pelo Gustavo no Esquenta citado:
“A reação da torcida espelha a postura dos jogadores. Não senti a mínima convicção nem mesmo em quem usou palavras mais fortes para criticar o time, a comissão técnica ou a diretoria. A verdade, em muitos silenciosa, é que há um certo alívio, convivendo com o constrangimento e a frustração da eliminação, com a abertura de espaço no calendário após a volta da Copa do Mundo.”
Essa hipótese aventa a possibilidade de prevalecimento de bom-senso de parte expressiva da torcida, dando ao time e ao clube a permissão de abdicar da competição que a Nação valoriza menos.
Então, temos isso:
De um lado, a possibilidade de jogadores e de parte da torcida aceitarem a eliminação da CB com certo alívio, o que soa como permissão para abdicar, concedida por alguns dos envolvidos, mas não por todos.
De outro lado, parte da Nação rejeita enfaticamente qualquer eliminação e, a julgar pelas declarações do Bap e por atitudes do clube em momentos de risco, o comando do Flamengo não se concede permissão para abdicar e só aceita sair de alguma competição quando não consegue continuar nela.
Como as decisões são tomadas pelo clube, não pela parte “madura” da torcida (lembrando da expressão trazida pelo Gustavo na época da “crise do Carioca”), concluo que o Flamengo não tem essa permissão.
Se é assim, a resposta que o clube precisa dar é melhorar sua preparação e isso passa pela hipótese de ter o elenco “longo” com trinta jogadores de que falei no post “Elenco Curto, Calendário, Coringas”, de 24.04.26, algo necessário, mas não suficiente.
Elenco “longo” x Tentar ganhar tudo
Na entrevista ao Charla, Bap complementou o raciocínio sobre “tentar ganhar tudo” falando de planejamento do elenco:
“Não é por outra razão que a gente tem um elenco como a gente tem. Se a gente jogasse cinquenta jogos por ano, como um time argentino, talvez a gente pudesse ter 24, 25 jogadores no elenco. Então, você já se planeja pra ter um elenco mais robusto.”
Aí, eu questiono, por entender que o Flamengo do Bap não tentou, até agora, nem com Filipe, nem com Leonardo Jardim, ter o tal elenco “mais robusto”.
Admito que não deve ser fácil porque, se fosse, já teria sido feito, mas o fato é que o Flamengo atravessou toda a maratona de jogos do primeiro semestre pressionado pela situação de elenco curto e este tem sido o modelo ao longo dos anos.
Na apresentação que fez ao Conselho, em dezembro passado, Bap afirmou que não é viável enfrentar-se nosso calendário com elenco curto e, na entrevista ao Charla, ele reforçou a ligação entre os “trinta jogadores” e a possibilidade efetiva de competir em tudo, mostrando-se otimista com o planejamento atual do futebol profissional do Flamengo:
“Nós não tivemos, nos últimos doze meses, os trinta atletas do elenco profissional todos preparados pra jogar e hoje eu tô acreditando que, a partir de 22 de julho, nós vamos, pela primeira vez nos últimos doze meses, ter os trinta jogadores bem e disponíveis.”
Bap fala bastante nas entrevistas, mas talvez nem sempre diga tudo.
A afirmação acima transcrita foi feita na sequência a uma crítica ao planejamento de 2025, presumivelmente feito pelo Filipe Luís e pelo Departamento de Futebol em 2024, mas o planejamento de 2026 teve a participação do Boto e, quanto aos “trinta jogadores”, não trouxe qualquer novidade.
Uma vez que o presidente não se aprofundou muito nessa questão, não ficou claro se ele tem uma visão crítica discretamente não revelada quanto à condução do diretor José Boto, ou se realmente atribui toda a culpa pelos planejamentos ao treinador Filipe, mas há evidência de que ele associa o “tentar ganhar tudo” à disponibilidade de um elenco mais encorpado.
Elenco “longo” – Necessário, mas não suficiente
Como já expressei em post anterior e em comentários no Buteco, defendo o elenco “longo”, mas reconheço que ele é apenas um dos ingredientes necessários para uma real tentativa de sermos campeões da porra toda e que há muito a caminhar para que o Flamengo se credencie a essa façanha.
Afinal, por mais que não seja habitual no Flamengo, o passo mais fácil da empreitada é montar um elenco com 30 jogadores, sendo alguns da base.
O grande desafio é usar os trinta jogadores, dando a eles minutagem e boa preparação para que, em algum momento, o Flamengo alcance alta competitividade em todas as competições, conseguindo isso sem abrir mão do inevitável rodízio de atletas que sempre é imposto pelo calendário.
Nesse sentido, vejo como muito positiva a disposição do treinador Leonardo Jardim de começar a trabalhar com os jovens e torço para que ele consiga algum grande título neste ano, para que, além de nos dar essa grande alegria, tenha a chance de continuar desenvolvendo, sem grandes crises, o trabalho de integração que pretende iniciar nesta inter-temporada.
Sub-20 - BR26 e Viagem a Portugal
O Mengão Sub-20 vinha fazendo uma campanha de recuperação no BR26, a partir do desligamento do técnico Bruno Pivetti.
Com ele, os garotos conquistaram 14 pontos em 11 rodadas, com aproveitamento de apenas 42,4%.
Nas quatro rodadas seguintes, três sob o comando do interino Daniel Franklin e uma com Marcelo Salazar efetivado como novo treinador, conquistaram mais 10 pontos, chegando aos 24 que o colocaram na oitava posição da tabela de classificação.
Ontem, porém, num jogo em que era favorito, jogou em casa mas só conseguiu arrancar um sofrido empate de 1 a 1 com o Cuiabá, marcando seu gol numa cobrança de pênalti, aos 45 minutos do segundo tempo.
Com isso, caiu para a nona posição, com apenas 25 pontos e aproveitamento de apenas 52% em dezesseis rodadas.
Faltando três rodadas para o fim da fase de classificação, o Mengão vai precisar pontuar muito bem nos jogos contra São Paulo e Corinthians, ambos fora de casa, e contra o Avaí, em casa, para chegar ao mata-mata da competição (só os oito primeiros se classificam).
E aí vem a dúvida se o Flamengo vai priorizar a integração dos melhores garotos ao elenco principal ou a briga pela classificação para as quartas de final do BR26 Sub-20.
Incluo-me entre os que preferem sacrificar um mata-mata de BR Sub-20 em favor da oportunidade de uma viagem dos garotos com o elenco principal, com grande possibilidade de jogarem nas três partidas que o Flamengo fará em Portugal, mas ainda não sei o que foi decidido pelo clube.
Aguardo com interesse essa decisão, pois ela vai sinalizar se o Flamengo se permite abdicar de uma disputa nacional do Sub-20 para priorizar a transição de jovens promissores para o elenco adulto.
Em breve saberemos.
Saudações Rubro-Negras!!!
Carlos César Ribeiro Batista