Olá, Buteco!
No post da semana passada, incluí o trabalho de integração dos garotos ao elenco principal como um dos itens que demandam grande evolução na busca pela excelência do futebol adulto do Mengão.
Notícias recentes dão conta da possibilidade de começarmos a viver (ou reviver) um tempo de realização desse trabalho, porque Leonardo Jardim anunciou que, a partir da inter-temporada que se iniciará no próximo dia 19, vai recrutar alguns garotos para treiná-los, avaliá-los e, tanto quanto possível, integrá-los ao elenco principal.
Ao mesmo tempo, começa a trabalhar no Flamengo o novo treinador do Sub-20, Marcelo Salazar, com o propósito declarado de cumprir a missão de formar jovens para o elenco principal.
Estamos cansadíssimos de saber que discurso é uma coisa e que prática é outra, mas o discurso na entrevista de apresentação é sempre um primeiro passo e esse passo foi dado.
Por sinal, antevejo para breve um pequeno teste da coerência entre discurso e prática, do qual vou falar mais à frente, neste post.
A chegada do treinador Marcelo Salazar
No tempo em que eu era engenheiro e trabalhava em obras pelo Brasil afora, era comum recebermos novos engenheiros para se integrarem à equipe.
Rolava, quanto a essa situação, o entendimento de que o bom engenheiro era identificável “no arriar das malas”.
Gostei do “arriar das malas” do Marcelo, pela firmeza, sobriedade, serenidade e simplicidade na comunicação.
Sei que as aparências enganam, mas a primeira impressão foi positiva e me deixou esperançoso de que estejamos diante de um upgrade na preparação da nossa garotada.
Marcelo foi apresentado no dia 03/06/26 e, num aquecimento para a primeira entrevista, disse a um repórter da Flamengo TV:
“A torcida espera sempre a vitória. No Sub-20 existe também o componente da formação. É importante que isso fique claro, mas a gente nunca vai entrar em campo com outro objetivo que não seja vencer.”
O site oficial do Flamengo disse, a respeito do novo treinador do nosso Sub-20:
“Natural de Recife (PE) e fora do Brasil desde 2001, Salazar acumula experiência no futebol internacional tanto como atleta de alto rendimento (foi jogador de futsal da seleção portuguesa) quanto como profissional de gestão e comissão técnica.
Ele chegou ao Al-Nassr em 2021 como auxiliar técnico e permaneceu no clube até 2026, atuando em diferentes funções, incluindo passagens pela equipe principal e pelo cargo de diretor executivo. O treinador de 48 anos também participou do processo de transformação do clube e da liga saudita, esteve envolvido nas chegadas de Cristiano Ronaldo e Sadio Mané e também trabalhou como coordenador de scouting. Possui licenças Pro da CBF, da Conmebol e certificação Uefa Elite Scout.”
Na entrevista, que eu achei convencional, falou um pouco mais sobre a missão dele, enfatizando o trabalho de preparação dos jovens para o elenco principal:
“A integração depende do Departamento Profissional, eles estão no topo da hierarquia. Eu venho de fazer esse trabalho no Al-Nassr. Venho para me adaptar ao que o Flamengo precisa e para tentar ajudar os jogadores a terem o melhor preparo possível para que, quando o time principal precisar deles, eles cheguem lá e fiquem.”
Falando de sua experiência em scout (Marcelo tem certificação da UEFA neste assunto), ele disse que vê o futebol “360 (campo e fora do campo)” e que a preparação dele nesse tema o ajuda a enxergar o que cada jogador pode render.
Gosto disso, porque acho que um treinador não pode ser bom se não consegue avaliar bem as virtudes, os potenciais e as deficiências de cada jogador.
Na base, então, isso é ainda mais importante.
Começando a falar da equipe que vai treinar, Marcelo agradeceu ao Daniel Franklin e ao staff permanente do Sub-20 pelo excelente trabalho de transição feito entre a saída do Bruno Pivetti e a chegada dele (o time conseguiu duas vitórias e um empate nos três jogos em que foi dirigido pelo Daniel).
Temos, portanto, um staff permanente do Sub-20 e é de se esperar que esse staff se qualifique sob o comando do Marcelo e do diretor da base, Alfredo de Almeida.
Por fim, respondendo a uma pergunta sobre a situação preocupante do time Sub-20 no BR26, Marcelo comentou que faria sua estreia no dia 09/06, em casa, no jogo contra o Athletico-PR (venceu!!!), e voltou a dizer que o time tem que vencer, mas que precisa preparar os jogadores para chegarem ao profissional e ficarem lá.
O discurso, portanto, está afinado com o do presidente Bap, que disse a mesma coisa naquela apresentação feita ao Conselho, em dezembro passado (queremos vencer, mas o foco principal é preparação para o futuro).
Situação do Sub-20 do Flamengo no Brasileirão 2026
Flamengo e Athletico-PR fizeram, em 09/06, o primeiro jogo da 15ª rodada do BR26 Sub-20 e, com a vitória por 1 a 0, gol do Daniel Sales, nosso Mengão chegou à sexta colocação na tabela, entrando provisoriamente na zona de classificação, a quatro rodadas do fim da fase de classificação para as quartas de final, que serão disputadas em mata-mata, com jogos de ida e volta.
Os compromissos restantes do Flamengo para o fechamento da fase de classificação serão:
16ª Rodada – 17/06 – Em casa – Cuiabá (19º)
17ª Rodada – 20/06 – Fora de casa – São Paulo (12°)
18ª Rodada – 25/06 – Fora de casa – Corinthians (11º)
19ª Rodada – 01/07 – Em casa – Avaí (15º)
A integração e o teste de coerência
O discurso do clube, a partir da posse do presidente Bap e do início das mudanças que vêm sendo implementadas, é de que a prioridade no trabalho da base não será a conquista de troféus, mas a preparação de jogadores para futura afirmação como bons jogadores adultos, seja para integrarem o elenco principal do Flamengo, seja para gerarem boas receitas em transferências para outros clubes.
Entendo a ideia e a aplaudo, mas fico pensando que é indesejável que, nesse trabalho de formação, o Sub-20 não consiga chegar à fase mata-mata dos campeonatos brasileiros.
A depender dos resultados do time nas rodadas faltantes do BR Sub-20 (há pelo menos quatro clubes ameaçando nossa permanência entre os oito melhores), o comando do futebol do clube poderá passar por um pequeno teste de coerência entre discurso e prática, pelo confronto entre a necessidade de contar com os melhores garotos na briga pela classificação para a fase mata-mata e a escolha, pelo treinador Jardim, daqueles que viajarão para Portugal com o elenco principal. Vejamos:
** O elenco principal volta de férias no dia 19/06.
** Depois do jogo contra o Cuiabá, em casa, nosso Sub-20 terá dois jogos fora de casa, contra o São Paulo, no dia 20, e contra o Corinthians, no dia 25.
Será que os garotos serão integrados à fase de treinamentos do elenco principal no Brasil, a partir do dia 19, ou serão mantidos no grupo do Sub-20 por priorização dos dois jogos fora de casa, contra São Paulo e Corinthians?
Na sequência, acontecerá a viagem para Portugal, marcada para 28/06, com volta ao Brasil prevista para 12/07.
Aí, vencida a situação inicial de coincidência entre treinamentos do elenco principal e jogos decisivos do Sub-20 (19 a 25 de junho), é razoável imaginarmos que os garotos estarão liberados para a viagem, porque só restará uma rodada, contra o Avaí, em casa, no dia primeiro de julho.
Como a primeira etapa do mata-mata do BR Sub-20 está prevista para 29/07 e 06/08, será perfeitamente viável que os garotos selecionados pelo treinador Leonardo Jardim permaneçam no elenco principal, na volta de Portugal e ao longo do segundo semestre, com eventuais cessões para as partidas de mata-mata do BR26 Sub-20.
Paciência histórica
Lá fui eu de novo para a IA do Google, onde encontrei uma definição para essa expressão “paciência histórica”, que eu ouvia de um líder com quem trabalhei e com quem aprendi muito sobre trabalho e vida.
Disse o Google:
“A paciência histórica é a capacidade de compreender que mudanças estruturais, sociais e políticas levam tempo para se consolidar. Longe de ser passividade ou conformismo, é a virtude de saber cultivar bases sólidas e lidar com o imediatismo da nossa sociedade.”
Resultados no desenvolvimento de jovens jogadores não acontecem rapidamente.
Ainda que existam alguns atalhos que aceleram a obtenção de resultados isolados (Wesley, por exemplo, veio pelo atalho do jogador semi-pronto), a geração de resultados bons e consistentes costuma demorar.
Na atual gestão, o Flamengo começou a implantar mudanças estruturais no trabalho com a base e, se elas gerarem os bons resultados que o clube espera, a tendência é que eles comecem a aparecer nos próximos anos (na apresentação que fez em dezembro, Bap previu que os resultados virão a partir de 2027).
Diz ainda a IA do Google:
“A paciência histórica envolve diferentes dimensões sobre como lidamos com o tempo:
Compreensão dos Processos: Entender que grandes transformações (seja uma revolução, mudança cultural ou conquista de direitos) se assemelham ao cultivo de uma floresta, exigindo tempo para crescer e amadurecer.
Força na Espera: Na filosofia, é vista como uma virtude ativa baseada na inteligência e na força interior, diferenciando-se da fraqueza ou da desistência.
Equilíbrio com a Urgência: Há um debate moderno sobre quando a paciência histórica deve dar lugar à urgência histórica, especialmente diante de desigualdades profundas e crises que exigem respostas imediatas.”
Força na espera é o que é cobrado da Nação Rubro-Negra, enquanto os processos são desenvolvidos e a floresta é cultivada.
E respostas imediatas continuarão a ser as contratações de jogadores prontos, algo que, se o Flamengo se mantiver financeiramente saudável (como esperamos e torcemos), vai continuar acontecendo, mesmo que a floresta da base passe a dar muitos bons frutos.
Temos que continuar aguardando, torcendo e cobrando, porque o Mengão é nosso.
Flamengo Academy e a Base
Achei curiosa a notícia: enquanto a gente faz críticas e se impacienta com o trabalho feito com a garotada, o Flamengo está lançando a Flamengo Academy e o site oficial do clube informa que o primeiro evento a ser promovido é um workshop sobre a metodologia empregada pelo clube nas categorias de base.
Diz a notícia do site, no subtítulo da matéria:
“No Ninho do Urubu, uma imersão de cinco dias nos processos, cultura e modelo de desenvolvimento esportivo adotados pelo clube.”
No corpo da matéria, somos informados de que “ao longo da programação, os participantes terão acesso a conteúdos teóricos e práticos, palestras, debates, dinâmicas e experiências dentro do ambiente do clube, além de momentos de networking com profissionais de diferentes áreas do futebol de base” e de que o workshop será dividido em seis módulos:
** Identidade e Modelo de Formação
** Saúde e Alto Rendimento – Teoria e Prática
** Desenvolvimento Humano – Teoria e Prática
** Mercado, Scout, Processos e Jurídico
** Desenvolvimento Técnico-Tático
** Visão de Jogo: Temas do Futebol em Debate (Mesa Redonda)
Então, é isso.
Enquanto a gente critica, o Flamengo considera que já tem o que ensinar a respeito do trabalho com a garotada.
Só a título de brincadeira, porque acho muito positiva a iniciativa do clube, essa notícia me lembrou de um professor que eu tive na escola de engenharia.
Debochando dele mesmo, ele costumava dizer:
“Quem sabe faz, quem não sabe ensina.”
Tomara que o Flamengo já tenha mesmo muito a ensinar nesse assunto e que, ao longo dos próximos anos, comece a atender nossa expectativa de grandes resultados na formação dos garotos.
As inscrições para o workshop terminam amanhã.
Juro que, se eu fosse um pouco mais novo e a saúde me permitisse, iria me inscrever, porque esse assunto é muito presente na minha paixão rubro-negra.
No mínimo, eu ganharia algumas ideias para escrever posts nessa época de recesso do futebol do Mengão.
O Diretor de Futebol
| Alfredo Almeida, diretor das divisões de base do Flamengo (Foto: Lucas Bayer/Lance!) |
Volto a lembrar desse cargo essencial.
O Diretor de Futebol sempre será peça-chave para que o futebol do clube evolua rumo à excelência, inclusive no trabalho com a base.
Se liga, Bap!!!
Saudações Rubro-Negras!!!!!
Carlos César Ribeiro Batista