Olá, Buteco!
Semana quente, com jogos pesados contra Estudiantes e Palmeiras.
Enquanto aguardamos o Esquenta do jogo do próximo sábado, levanto a bola para uma resenha de espera.
Flamengo 1 Estudiantes 0 – Algumas Lições
Beleza, carimbamos nossa classificação em primeiro do grupo e temos chance de estar entre as três melhores campanhas da fase de grupos da Liberta, mas a vida segue e o Flamengo precisa evoluir para chegar às grandes taças de 2026.
Para tanto, precisa extrair as lições que cada jogo proporciona e o jogo contra o Estudiantes deixou algumas.
A Bola Parada Defensiva
Vixe!!! Valei-nos, São Judas Tadeu!!!
O Estudiantes teve cinco escanteios no jogo, todos no início do primeiro tempo.
Naquele curto ciclo, torci muito para estar errado, porque tinha certeza de que a bola ia acabar entrando no nosso gol. Felizmente eu estava errado.
A jogada de escanteio do Estudiantes é muito bem realizada, mas o Flamengo do Jardim sofre demais com os cruzamentos altos sobre a área.
Foi aí que descobri que a Comissão Técnica do Jardim tem um especialista em bola aérea, informação do repórter Marcelo Courrege, que relatou que Léo Ortiz e Léo Pereira foram à beira do gramado debater com o especialista e que do debate resultou a mudança do sistema de marcação, de zona para individual (estava mesmo uma zona).
Ufa!!! Crise superada, mas pensei muito no Rodrigo Caio. Talvez ele pudesse ajudar o Calvo nessa matéria.
Aula de Futebol Nojento
O jogo de quarta-feira foi, acima de tudo, uma aula do futebol nojento que os argentinos voltaram a praticar nas competições do continente.
Acho justo ressalvar que a final da Libertadores de 2019 foi um jogo limpo em que o River Plate, também um time argentino, jogou futebol e não enveredou pelas apelações desonestas que o Estudiantes adotou nas duas partidas deste ano contra o nosso Mengão (houve uma encrenca em Lima, depois do segundo gol do Gabigol, mas ali já foi efeito da cabeça quente de um jogador argentino, quando os jogadores do Mengão ficaram prendendo a bola perto da bandeirinha, mas nada comparável ao que vem acontecendo ultimamente).
Sob a batuta de um juiz ruim, o Estudiantes fez cera desde o primeiro minuto, jogou com violência e investiu pesado na estratégia de tentar mexer com o emocional dos jogadores do Mais Querido.
Vejam, amigas e amigos do Buteco: embora eu seja totalmente contra essas apelações e baixarias, tenho consciência de que o Flamengo precisa disputar a Libertadores porque, apesar da tolerância da Conmebol e de suas arbitragens com práticas reprováveis, a competição tem importância esportiva no continente e é degrau classificatório para os grandes torneios intercontinentais dos quais o Mengão quer sempre participar.
Então, o clube precisa evoluir, tanto no plano institucional quanto dentro de campo, para saber lidar com esse contexto antidesportivo e com o tipo de jogo nojento permitido na competição sul-americana.
Nesse sentido, considero que a vitória do Flamengo foi boa oportunidade de aprendizado para que, em circunstâncias semelhantes, nossos jogadores saibam como se conduzir.
Na quarta-feira, sofreram um pouco no começo, mas acabaram encontrando o caminho da vitória.
A Dificuldade de Jogar Nosso Jogo
Às práticas antipáticas que foram o cerne de sua estratégia de jogo, o Estudiantes associou, no começo da partida, uma marcação alta e intensa e, da mesma forma que aconteceu no 2 a 2 contra o Vasco, nosso time enfrentou dificuldades para construir jogadas a partir do seu campo.
Juntaram-se, a meu ver, algumas causas:
** A dificuldade natural de acertar passes quando o adversário marca bem e reduz os espaços no nosso meio-campo. É normal errar passes nessa situação.
** O modelo de jogo adotado pelo Jardim na partida, apostando em ligações diretas para que Bruno Henrique explorasse as costas da última linha do Estudiantes. Em alguma medida, isso funcionou, porque BH preocupou muito a defesa argentina. Só que “funcionou, mas não dava certo”, porque nosso Camisa 27 sempre errava a sequência dos lances, perdendo a bola para os adversários.
Até mesmo o gol do Pedro resultou de um erro técnico do BH, só que ele não desistiu do lance e acabou conseguindo obrigar o goleiro Muslera a rebater mal, exatamente para o lugar onde estava o Pedro. Aí, a tentativa do BH deu certo, porque é aquele negócio:
Derrama, Senhor
Derrama, Senhor
Derrama porque o Pedro é matador.
Por causa do modelo de jogo escolhido, era comum que o Carrascal também se adiantasse, deixando de se oferecer como opção de passe para Léo Ortiz, Léo Pereira e Jorginho tentarem fazer um jogo mais construído. O comentarista Roger Flores até cobrou, na transmissão da Globo, que Carrascal não se adiantasse tanto.
A esse respeito, Carlos Eduardo Mansur observou, no Troca de Passes, que o Flamengo vive uma transição entre o jogo de construção à moda Filipe, sólido na defesa e menos efetivo no ataque, para o modelo do Jardim, que busca usar menos passes para chegar ao gol (no jogo contra o Estudiantes, o Flamengo trocou apenas 389 passes, número baixo até para o padrão Jardim). Nessa transição entre modelos, o Flamengo perde consistência defensiva em algumas partidas, sem necessariamente alcançar a eficiência ofensiva buscada.
Mansur acha que é questão de tempo para que o Flamengo consolide uma nova e boa identidade tática. Aguardemos e torçamos.
** Como última causa para as dificuldades iniciais do Flamengo, vi uma inapetência dos nossos jogadores para os duelos físicos. O Estudiantes entrou ligado em 220 volts e o Flamengo, em 127. Enquanto isso aconteceu, nosso time sofreu para jogar. Felizmente durou pouco.
O Pênalti Decisivo, o Recuo do Estudiantes, o Segundo Tempo e o Lino
Na minha visão de torcedor tenso, o jogo começou a mudar quando, por intervenção do VAR, o juiz desmarcou o pênalti no Bruno Henrique.
Ali, o time chegou ao auge da irritação e, sendo acordado para a realidade de que precisaria fazer mais para vencer, começou a duelar e acabou com a vida fácil do Estudiantes.
Ao mesmo tempo, talvez por cansaço, o time argentino baixou a marcação e ofereceu ao Flamengo a possibilidade de jogar mais o seu jogo.
Com espaço pra jogar, o Flamengo é forte e tende a se impor, como ensaiou no restante do primeiro tempo e concretizou no segundo.
Gostei do segundo tempo do time e me convenci de que, a exemplo do que acontecia nos bons tempos do Mister, o condicionamento físico pode ser a chave para o sucesso do Flamengo do Jardim porque, quando seus adversários sentem o cansaço, o Mengão consegue impor seu jogo mais técnico e fica mais perto dos gols e das vitórias.
É difícil sonhar com bom condicionamento físico do Flamengo no calendário maluco com que convivem os times brasileiros, mas sonhar não custa nada e essa é uma vantagem competitiva muito desejável.
Faço um destaque individual para o Lino.
Entrou muito bem na partida e, mesmo jogando pela direita, movimentou-se bem em todas as fases do jogo (defesa, construção e ataque) e ocupou com muita inteligência uma faixa na meia direita, na fase ofensiva.
Cheguei a viajar na ideia de trocar a posição dele com a do Carrascal, quando Arrasca e Paquetá não puderem fazer a posição 10.
Afinal, vejo Carrascal como um ponta esquerda que faz bem o facão em diagonal, do jeito que o Jardim gosta, e o Lino parece ter inteligência pra jogar em todas as posições da linha de três meias, inclusive na faixa central.
É só uma viagem, mas eu embarquei na ideia.
Pô, Carrascal!!!
Não pode, meu camarada!!!
Num jogo pegado como aquele, não se pode perder o gol que você perdeu.
Jardim, O Descomplicado – Evolução do Elenco
Creio que, um pouco por temperamento, um pouco por sua maior experiência, Jardim descomplicou muito a relação com o atual elenco principal do Flamengo, na comparação com seu antecessor Filipe Luís.
Em qualquer fala a respeito do Filipe, a gente precisa relembrar a dimensão que ele teve no clube, primeiro como lateral esquerdo titular do Mágico Time de 2019 e, depois, como treinador campeão da porra toda, na sequência iniciada na Copa do Brasil 2024 e fechada com a Libertadores e o Brasileirão 2025.
Creio que nenhum outro treinador conseguiu isso no Brasil.
Filipe só não ganhou a Copa do Mundo de Clubes, mas venceu o Chelsea que viria a conquistar o título, e a Copa Intercontinental, levando o Flamengo à decisão por pênaltis contra o PSG.
Portanto, palmas sempre para o belo trabalho que realizou.
Tudo isto posto, temos agora um treinador que, aos poucos e sem as tensões características da época do Filipe, vai levando o clube a bons posicionamentos nas duas principais competições que o Mengão disputa neste ano.
Alguma garantia de sucesso?
Infelizmente, nenhuma! (bem que eu gostaria...)
Jardim não conseguiu passar pelo Vitória na Copa do Brasil e nada garante que vai repetir a façanha do Filipe e do Mister de conquistar Brasileirão e Libertadores no mesmo ano.
Apesar disso, vejo como promissor o seu trabalho e tenho esperança de que, conhecendo melhor as valências e pontos fracos de seus jogadores atuais, Jardim consiga influenciar o diretor Boto nas compras e vendas do meio do ano e assim contribuir na solução de alguns dos principais problemas do elenco.
Acredito que, com uma reformulação em agosto cujo balanço final seja um elenco um pouco melhor e mais completo do que o atual, o Flamengo vai estar forte na briga pelas duas grandes taças de 2026.
Se, porém, não houver melhora no balanço final das compras e vendas, Jardim vai precisar brilhar muito pra nos levar às grandes conquistas, porque as carências do elenco têm sido parcialmente compensadas com criatividade e empenho, mas podem ficar mais pesadas com o decorrer da temporada.
Saudações Rubro-Negras!!!!
Carlos César Ribeiro Batista