sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

#001: Paquetá voltou!!!!


        


        O papo nas mesas-redondas e na flamengada em geral ecoa: "Chegou o sucessor do Arrascaeta". Talvez a gente precise ajustar a lente para não cobrar dele o que ele não foi feito para entregar e, principalmente, para não deixar de aplaudir o que ele faz melhor que todo mundo. 

     Vamos comparar pelos números. É a melhor fase do Arrascaeta e a do Gerson, versus as duas boas fases do menino da Ilha. Falar do ex-capitão ainda dá azia; largar a mão do pai para voar alto é decisão para poucos. Lewis Hamilton fez e virou lenda; Neymar se recusou a cortar o cordão, e o resultado está aí para quem quiser ver. 



Fonte: www.fotmob.com e www.sofascore.com

França

        No Lyon (20-22), Paquetá era uma "entidade tática", flutuava por todo o campo ofensivo. Ele jogou de tudo: ponta, segundo homem e até um "falso 9" improvisado. Se entendia muito bem com Memphis Depay, o que potencializava sua entrada na área. Essa onipresença conferia a ele números de quem flertava com a artilharia: 0,31 gols por partida e 3,5 toques na área adversária. Era um jogador de brilho individual, registrando 2,09 dribles por jogo, atacando o último terço com a fome de quem ainda buscava sua zona de conforto na Europa. 

Inglaterra

        Já no West Ham (22-24), o Camaleão virou Trator. Ele recuou para ser o dono do setor central. Embora tenha deixado de ser o finalizador de ocasião, o que explica a queda para 0,21 gols e meros 1,72 toques na área, ele ganhou uma casca defensiva impressionante. Paquetá parou de ser o artista do lance isolado para se tornar o arquiteto que sustenta o balanço da equipe. Mesmo sendo a mente pensante, ele passou a entregar 2,55 desarmes e ganhar 7,39 disputas físicas por jogo. É um desempenho que humilha muito volante "RUF RUF" que tem por aí. 



            Vejam no vídeo acima, (se não aparecer para você, o link está aqui) como o Paquetá  se destaca buscando a bola quase no pé do zagueiro, e mesmo com marcação dupla ou tripla, gira sobre o defensor e distribui o jogo de frente. Vamos concordar que nosso 10 não é muito de fazer isso. Mas tem um cara que passou por aqui que tinha isso como especialidade. 

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        Arrascaeta e Paquetá compartilham o "cargo", mas praticam esportes distintos. O uruguaio é o intruso, um fantasma que surge na área com 4,32 participações na área adversária por jogo. Sua letalidade de 0,82 participações em gols por partida é rendimento de camisa 9, deixando Paquetá, que em Londres entrega apenas metade disso (0,42), com cara de quem ainda está procurando o caminho do gol no GPS.  

        A eficácia não mente: o uruguaio precisa de 5,5 chutes para balançar a rede, enquanto o Cria do Ninho gasta 9,69 finalizações. Mas não percamos a esperança: se o Gerson precisava de 17,2 chutes por gol, o Paquetá é quase um artilheiro implacável na comparação. 

        No quesito defesa, sejamos honestos: o Arrasca não entra na conversa. Por direito divino, é mais espectador do que ajudante. Por isso, o embate aqui é com o filho do “atleta Marcão”. Mesmo jogando mais adiantado, Paquetá entrega números que fariam o Coringa pedir água. São 2,55 desarmes contra 1,81 do Gerson, além de 6,21 bolas recuperadas contra 4,68. Sozinho, o cria retoma quase 10 posses por jogo. Enquanto o ex-camisa 8 retém, gira e faz seu balé protocolar, Paquetá agride. Ele ganha 7,39 disputas contra as 6,54 do atual cruzeirense. O Paquetá entrega o pacote completo, inclusive com o exceso amarelos que ameaçam o trono do Pulgar no elenco, e esse negócio de amarelo já deu problema... 

        Compramos um meia construtor, menos letal que o 10 atual, mas que marca como um 5, corre como um 8 e ainda é garçom e finalizador nas horas vagas. Mais que isso. Compramos um torcedor, que entoa as músicas da arquibancada desde pivete. Que pegava balsa e quatro conduções porque não bastava ser jogador de futebol, tinha que ser no Flamengo. É um torcedor em campo. E isso não entra na estatística. Tenho certeza que o salto do Danilo foi alguns centímetros mais alto graças a isso, só não posso provar. 

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        Gerson seguiu seu caminho como Hamilton saindo da Mercedes. Deixou alguma saudade, mas uma bronca eterna. Qualquer um sabia que ir para a Ferrari era uma burrice sem tamanho. Trocar o Flamengo pelo Zenit também; acabar na Toca foi o destino de quem achou que o "outro patamar" era o jogador, e não o clube. Paquetá volta para provar que o sarrafo do Ninho subiu uma terceira vez. Pra chegar titular, tem que ser contratação desse tamanho pra cima, senão, tem debate.  

       E enquanto o resto do Brasil conta moedas para pagar a luz e contrata refugo esperando um milagre, a gente se dá ao luxo de comprar um lustre e ficar discutindo se é melhor na sala ou sobre a mesa de jantar. É o preço de ser o único gigante em um país de sufocados. 

         É o oto do oto do oto patamar. 

         Sextou, com juízo! Artigo de luxo que talvez faltou ao Samulino, que anda levando a sério o 'crescei e multiplicai-vos' 

        Eu encosto o cotovelo aqui no balcão e passo a vez: a resenha agora é com vocês.