segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Passada a Euforia, a Realidade

 

Salve, Buteco! Ah, o vencer, vencer vencer... A gigantesca Nação Rubro-Negra e o verdadeiro turbilhão de emoções que é o dia a dia do Mais Querido do Brasil. Cobrança incessante, de todos os lados, a cada instante; o patamar de exigência altíssimo; a incapacidade de se contentar com algo menos do que vitórias e títulos; o perene estado de inconformidade que dura até o próximo triunfo, para ressuscitar, novamente, e viver de maneira incandescente até a glória seguinte.

Nesta longa caminhada que percorremos juntos, no dia-a-dia, aprendi que é preciso enxergar e aproveitar os momentos em que podemos simplesmente curtir.

A vida é um sopro e é preciso escolher com critério como vivê-la. Que bom que temos o Flamengo para ajudar a preencher os nossos dias.

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Vocês me conhecem bem e eu prestigio bastante fatores como tradição, História, peso da camisa, força da torcida, eis que todos eles convergem para um aspecto do futebol o qual acredito ser absolutamente subvalorizado em especial no Brasil: o tal do "mental". Palavra essa que tem muitas, incontáveis camadas: pode ser tanto o "mental individual", quanto o "coletivo"; pode ser uma fase depressiva, como a pura e simples falta de confiança, assim como a não menos famosa "falta de foco".

O Sport Recife, definitivamente, não pode ser chamado de um dos "grandes" do futebol brasileiro, mas é, ao menos, um dos "médios" e, além disso, bastante tradicional. Tampouco se pode dizer que tenha uma torcida pequena ou fraca. 

Contudo, tudo na vida é contexto e nem sempre esse tipo de fator pesa em favor de um clube de futebol. Sábado foi uma dessas oportunidades.

O Flamengo enfrentou uma espécie de espectro do Sport Club do Recife, aquele tipo de aglomerado de jogadores que cai para a Série B por não conseguir sustentar um resultado. O time não tinha recomposição. As laterais eram verdadeiras avenidas. Nos olhos do jogadores só se via abatimento, uma espécie de "chama apagada", como se mortos-vivos fossem.

Mesmo assim, nosso time tomou um gol e suou um bocado para, contra um adversário com 9 em campo, primeiro empatar e, depois, virar o jogo e deslanchar até o histórico (para o confronto) placar de 5x1 (ainda mais em solo pernambucano). 

Fiquei então me perguntando: foi uma subespécie de oba-oba, do tipo "a gente ganha desses caras quando quiser?", ou uma outra faceta do "mental", mais conhecida como "emocional", já que o time, inexplicavelmente, quase caiu na pilha do adversário? Refiro-me aos inacreditáveis amarelos de Pulgar e Saúl... Como se o Flamengo estivesse jogando contra o Racing no Cilindro...

Por outro lado, pode não ter sido nem uma coisa, nem outra, e sim o desgaste, inclusive mental (olha ele aí de novo).

O Flamengo enfrentou, nas três últimas rodadas, adversários com muito menos jogos disputados ao longo do ano. O Santos, o penúltimo, disputou anteontem a sua 49ª partida. Já o Sport Recife jogou, contra o Flamengo, a sua 42ª.

O Flamengo, por sua vez, acaba de completar incríveis 70 jogos.

Estamos falando, então, de uma diferença superior a 20 jogos, em ambos os casos, o que talvez explique, em parte, momentos de oscilação, mesmo se tratando de adversários bem mais fracos. Ainda mais quando existe grande diferença de minutagem entre determinadas peças do elenco.

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O Flamengo é finalista da Libertadores e líder isolado do Campeonato Brasileiro, faltando 5 rodadas para o final. Contudo, sendo muito sincero, o Flamengo terá que prestar muita atenção nessa reta final. Não tem nada ganho. Uma derrota e essa liderança vira um exemplo prático, futebolístico, do cinematrográfico clássico "E o Vento Levou".

Quarta-feira tem Fla-Flu e, para conseguir manter a liderança, o Flamengo não pode nem pensar em perder o jogo. E não se trata de pensamento negativo ou de pessimismo, longe disso.

Aliás, tenho a mais absoluta certeza de que o Flamengo entrará mais ligado contra o Fluminense do que entrou contra o Sport. Apostaria dinheiro nisso. Inclusive, o adversário é um dos poucos que tem mais jogos disputados em 2025 (72) do que o Flamengo, nesta altura da temporada.

A questão é que o Fluminense contará com sua força quase máxima, enquanto o Mais Querido possui uma série de incertezas. O problema, enfim, está nos desfalques.

O Fluminense não teve nenhum jogador convocado nesta Data FIFA. Já o Flamengo teve Danilo e Alex Sandro convocados para a Seleção Brasileira; Arrascaeta, Varela e Matías Viña pela Seleção Uruguaia; Carrascal pela Seleção Colombiana e Gonzalo Plata pela Equatoriana. Desses, apenas Viña não vem tendo minutagem relevante nos jogos.

O GE Tricolor dá conta de que a Data FIFA foi utilizada para recuperar jogadores como Paulo Henrique Ganso e Germán Cano, além de recondicionar o restante do elenco. 

Já o Flamengo precisou gastar energia de grande parte do elenco para vencer o Sport, em Recife, e teve uma boa parte do time titular (jogadores de maior rotação inclusos) convocada. Logo, quase todo o elenco rubro-negro enfrentará o desgaste de viagens de avião, enquanto o Tricolor permaneceu confortavelmente no Rio se recondicionando durante a Data FIFA.

A Diretoria do Flamengo fretou aviões para trazer de volta os gringos, mas não os brazucas convocados, o que pode ser explicado pela necessidade de controlar a carga de jogos dos mais veteranos. O detalhe, aqui, é saber se é factível esperar que os treinadores das seleções Uruguaia, Colombiana e Equatoriana colaborem não escalando nossos jogadores gringos na noite de terça-feira, 18 de novembro.

É melhor colocar as barbas de molho...

Como Plata não jogou o primeiro amistoso, por obscuras questões de passaporte, dou como favas contadas que o treinador argentino com visual de roqueiro o lançará na partida contra a Nova Zelândia, em Quito, até pela obsessão que demonstrou pelo atleta ao viajar para o Rio de Janeiro visando "fiscalizar" o tratamento do equatoriano durante contusão recente.

Talvez o mesmo raciocínio valha para Arrascaeta, que sequer foi relacionado para o jogo do Uruguai contra o México. O Uruguai jogará contra os EUA em Tampa, Flórida. Jogo difícil... Andaram falando por aí que El Loco Bielsa escolheu esse jogo para usar o nosso Ídolo Charrua. Por que logo o segundo jogo? Ora, quem sabe o que se passa na cabeça de um doido?

Já Carrascal jogou apenas a partir dos 20 minutos do segundo tempo contra a Nova Zelândia, entrando no lugar de James Rodríguez. Se ele for mesmo o substituto do veterano Camisa 10, é provável que também jogue contra a Austrália, na distante Nova Iorque, no mínimo os mesmos minutos.

Voltemos a falar sobre o adversário.

Não preciso entrar em detalhes, mas não custa sempre lembrar que o Fluminense é o rival mais tradicional do Flamengo. Não estou dizendo que seja o maior rival, mas com a mais absoluta certeza é o mais tradicional, simplesmente porque é o clube que mais enfrentamos em toda a nossa História, num total de impressionantes 458 jogos. E a recíproca, com certeza, é verdadeira.

O jogo de quarta-feira será daqueles "Fla-Flus grandes", pouco importando a formação que entre em campo. O rival luta por uma vaga na Libertadores e precisa engrenar para as semifinais da Copa do Brasil contra o Vasco da Gama.

Portanto, os onze que entrarem em campo precisarão estar mentalmente preparados para o "tudo ou nada". A ordem do dia é: foco e superação. Afinal, o adversário virá para o jogo em condições bem mais favoráveis em nível físico/desgaste, apesar dos dois a três jogos a mais na temporada.

Espero, então, que possamos contar pelo menos com a volta dos contundidos Léo Ortiz e De la Cruz. Será que estou sonhando?

Vou encerrar esse texto fazendo uma singela pergunta: vocês acham que o Flamengo está em condições de executar o seu plano de jogo normal contra o Fluminense, na quarta-feira? Linhas altas, sufocando o adversário, etc.?

Com a palavra, o treinador (antes de vocês).

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Quarta-feira a gente volta a se falar no Esquenta do Fla-Flu.

Tenham uma semana abençoada, repleta de paz.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.