sábado, 20 de setembro de 2025

Esquenta: Flamengo x Vasco da Gama, pela 24ª Rodada do Campeonato Brasileiro/2025


Salve,  Buteco! Começo o Esquenta de hoje na base do papo-reto: é preciso virar a chave para o Campeonato Brasileiro. E digo mais: se você acha que esse post pregará rodagem de elenco, minutagem ou algo parecido, está redondamente enganado. A Data-FIFA foi outro dia e está muito cedo para se falar em poupar, em maratona, etc.

E não é só isso: o Flamengo é um time muito bem montado taticamente, porém, volta e meia, perde-se em meio a algumas partidas quando precisa diminuir a pressão e jogar em rotação mais baixa, às vezes em bloco médio ou até recuando as linhas. Questões que envolvem tanto decisões do treinador, como, também, da Diretoria em nível de montagem de elenco.

Só que há outro aspecto que me preocupa no Flamengo: o psicológico ou "mental". Não é tradição do clube montar times indisciplinados, sujos e violentos. Muito pelo contrário, Flamengo combina com técnica e ofensividade, mas quando a técnica por algum motivo não é característica marcante no elenco (ex.: tempos de dificuldades financeiras), ainda assim a torcida não abre mão do futebol ofensivo.

No meu meio século de vida acompanhando o Flamengo já vi o time muitas vezes se perder contra adversários bem mais modestos no aspecto técnico, porém aguerridos e sem a menor cerimônia de recuar linhas e dar bicões para onde os narizes de seus jogadores apontarem, quando não baixam a pancadaria.

Conversando ontem com amigos rubro-negros, lembrei-me de três confrontos contra o Grêmio no Maracanã na década de 90, todos pela Copa do Brasil. 4x3 em 1993, 2x1 em 1995 e 2x2 em 1997 (final). Mas antes fossem só os medianos times da década de 90. O Flamengo da Geração Zico passou dificuldades com o Cobreloa em pleno Maracanã no primeiro jogo: abriu 2x0, parecia que faria mais gols, mas tomou um no segundo tempo e o jogo complicou, assim como o de Santiago, forçando o terceiro jogo, em Montevidéu.

Um ano depois, nas finais do Brasileirão/1982, o Flamengo quase perdeu para o Grêmio no Maracanã, conseguindo o empate nos últimos minutos num gol de Zico, que o próprio Galinho de Quintino já elegeu como um dos mais importantes com o Manto Sagrado. No segundo jogo (0x0), o time sofreu uma pressão brutal e só foi conquistar a taça no terceiro confronto: 1x0, gol de Nunes, assistência do Galo. Ficou marcado na História.

Nos tempos atuais, volta e meia, principalmente em competições da Conmebol, acaba acontecendo o mesmo. Um bom exemplo é o empate de 1x1 com o Racing pela Libertadores/2020, com o time perdendo um caminhão de gols até ser eliminado nos pênaltis pelo alviceleste de Avellaneda. Logo, como vocês podem perceber, o jogo da última quinta-feira obedeceu um padrão histórico

Enfrentar adversários com esse perfil, os quais não têm pudor de se valer de armas que não fazem parte da cultura rubro-negra, exige tática, técnica, estratégia e muita determinação ou firmeza psicológica, traço que era marcante no Flamengo de Zico e no de 2019, porém vem faltando ao Flamengo nos últimos anos, especialmente nos mata-matas da Libertadores da América. 

Essa fortaleza psíquica não envolve apenas os atletas, mas também o treinador, que não pode se apegar a afetos, vaidades ou predileções idiossincráticas em detrimento das melhores escolhas para o time. Até porque, na relação treinador e elenco, é fundamental haver confiança recíproca. Percebam que a colocação é genérica e abrange os treinadores das últimas temporadas (pós-2022).

O Flamengo de Filipe Luís é muito bom, mas falta algo nessa parte. Não é simples descrever o problema, já que parece ser multifatorial. O treinador tem muito conteúdo, mas é jovem, inexperiente e tem seus apegos a determinados jogadores e metodologias, além de receio excessivo em utilizar jogadores mais jovens. 

Esse problema está emaranhado com escolhas táticas e de substituições durante as partidas. Escolhas táticas e estratégicas equivocadas emaranhadas com escolhas infelizes de peças a serem colocadas durante os jogos (inclusive o timing). Em muitas ocasiões, não é fácil cravar qual prepondera, mas é inegável que algumas vezes produz o tal engessamento, o arame-liso.

Portanto, acho que falta ao Flamengo de Filipe Luís mais firmeza no aspecto psicológico para resistir aos momentos mais críticos das partidas e vejo esse problema se manifestar mais em jogos de Libertadores do que do Campeonato Brasileiro. Quinta-feira, na minha opinião, foi claramente um desses casos, apesar do início avassalador, da vitória e da semelhança com jogos difíceis da nossa História.

É claro que a arbitragem ajudou um bocado a turbinar o jogo sujo argentino, mas o Flamengo poderia ter resistido. Mas o ponto, aqui, até porque disse, no início desse post, que precisamos virar a chave para o Campeonato Brasileiro, é que o adversário de amanhã é useiro e vezeiro em se valer desse tipo de expediente para "complicar" jogos contra o Flamengo. Trata-se de um padrão histórico.

Mais ainda, o seu treinador, quando dirigia o São Paulo e o Fluminense, cansou de se valer dos expedientes mais sujos possíveis, como rodízio de faltas e provocações de todas as espécies, além de pressão brutal sobre a arbitragem. Amanhã, então, teremos mais do mesmo, talvez com um time individualmente não tão bom quanto os anteriores desse treinador, mas certamente não menos aguerrido.

Então, amanhã estarão em jogo os três pontos, a liderança e a manutenção da vantagem para os principais perseguidores (Cruzeiro e Palmeiras) e, vejam só, uma espécie de preparação para o jogo da próxima quinta-feira. Logo, virar a chave, neste caso, curiosamente também significa se foralecer e se preparar para o confronto em La Plata.

Foco máximo e força total para que não se repita o 0x0 do primeiro turno e não se complique o jogo da próxima quinta-feira, que já se desenha complicado o suficiente.

O Ficha Técnica subirá amanhã, ao raiar do sol.

Fiquem com Deus.

Bom FDS e SRN a tod@s.