segunda-feira, 22 de julho de 2019

Que Venha o Emelec!

Salve, Buteco! O Mais Querido do Brasil teve a sua semana mais difícil do ano, não exatamente pelos dois adversários (Athletico e Corinthians), mas pelo contexto de ambos os jogos. Após a contundente goleada sobre o Goiás, no domingo retrasado, com quase todo o time considerado titular por Jorge Jesus (talvez com Cuéllar em vez do Arão), importantes peças do elenco começaram a sentir contusões. Primeiro foi Bruno Henrique, que sequer entrou em campo pela Copa do Brasil; depois foi De Arrascaeta, que saiu mais ou menos na metade do primeiro tempo da mesma partida, e ontem Vitinho, um dos reservas mais utilizados, também saiu contundido de campo. O elenco do Flamengo é muito bom, mas parece não estar nivelado fisicamente. Tem importantes reforços que chegaram depois da preparação durante a Copa América, jogadores que jogaram a própria Copa América, e portanto sofreram maior desgaste, e o resto dos jogadores, que vem trabalhando desde o início do ano e parecem estar em melhor condição física. Agora, temos também alguns contundidos ou que retornam de contusão. Não sou médico, fisiologista e nem preparador físico, e por isso não sei até que ponto os conceitos da nova comissão técnica do Flamengo precisam se adaptar ao clima tropical carioca e às longas distâncias percorridas nas viagens para disputa das competições nacionais e da Libertadores da América. 

Se houver essa necessidade de adaptação, para mim seria absolutamente normal, especialmente em um início de trabalho. Não estamos tratando de uma ciência exata, mas acho que temos um inovador e criterioso trabalho em seu início. Acredito piamente que o rendimento melhorará à medida em que os principais jogadores entrem novamente em ritmo de jogo e a comissão técnica encontre o ajuste certo para os trabalhos.

Feitas essas observações iniciais, considero que o cenário do jogo de ontem em Itaquera não era nem um pouco favorável. De Arrascaeta contundido, Bruno Henrique voltando de contusão, Everton Ribeiro sequer relacionado, Diego fazendo sua terceira partida seguida disputando noventa minutos e Gerson estreando fora de ritmo. Não vejo como analisar o desempenho do time fora desse contexto. É óbvio (atenção: óbvio!) que haveria reflexos negativos no desempenho, especialmente do meio campo. Imaginar ou exigir o contrário é se iludir ou apostar na crise, fazendo o jogo da imprensa anti-Flamengo e do Clube do Vinho. Só não me peçam para ter paciência com isso, num ou noutro caso; não com um trabalho tão importante, inovador e histórico começando a ser realizado no Flamengo.

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Com a bola rolando, para minha surpresa, esses efeitos negativos não foram vistos desde o início da partida, pois nos 45 minutos iniciais o Flamengo neutralizou bem o Corinthians. O meio com Cuéllar, Arão, Diego e Gerson teve muita posse de bola, porém dificuldades para criar jogadas agudas. Vitinho pareceu perdido entre as funções defensivas e o apoio ao ataque e Gabigol acabou isolado. Rolou um pouco do velho "arame-liso", mas apenas nos minutos finais o time foi pressionado. 

Problema mesmo o time teve nos 45 minutos finais, quando nosso meio não conseguiu manter o ritmo e realmente foi envolvido pelo Corinthians, que, lembrem-se, desde a volta da Copa América disputou partidas apenas pelo Campeonato Brasileiro. Sem conseguir ficar com a bola como no primeiro tempo e nem criar situações de contra-ataque, o time não conseguiu fugir da boa marcação alta corintiana, que criou muitas dificuldades para a nossa saída de bola.

Todavia, mesmo com a CBF e sua nefasta arbitragem operando livremente, quem tem Jesus e São Judas Tadeu ao seu lado nada temerá, e a mesma comissão de VAR que nos sacaneou ao sequer revisar o lance do pênalti acabou sendo obrigada a, após consultar até a NASA, reconhecer que Gabigol empatou o jogo em posição legal. Gabigol que, percebam, apesar de algumas oportunidades perdidas em jogos anteriores, marcou gols importantíssimos nos três últimos confrontos "grandes". A avaliação de sua passagem, para mim, permanece em aberto e, ao final da temporada, levará muito em conta o desempenho em jogos como os de ida e volta na Copa do Brasil e o de ontem.

A atuação do time foi ruim e o empate não foi um bom resultado em nível de tabela, já que tiramos apenas um ponto da diferença para o Palmeiras, porém considero que acabou sendo o possível dentro do cenário adverso que o Mais Querido enfrentou.

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Nosso adversário de quarta-feira não faz uma boa temporada em 2019. A inesperada classificação no Grupo B da Libertadores/2019 é o ponto alto, mas não empolga nem mesmo seus torcedores. É que, a rigor, o Emelec realmente venceu um Cruzeiro desatento e desinteressado em pleno Mineirão, porém em um jogo que pouco valia aos brasileiros após uma acachapante campanha na qual asseguraram a liderança do grupo com duas rodadas de antecedência. Por sinal, o Grupo B foi tão fraco que o Emelec teria se classificado em segundo, com apenas 6 (seis) pontos (!), mesmo que houvesse perdido para o Cruzeiro. O pífio desempenho dos mineiros no Campeonato Brasileiro apenas confirma essa avaliação.

Nanico sul-americano, e ao contrário de Barcelona e LDU, o Emelec jamais disputou uma final de Libertadores. Suas melhores campanhas na história da competição se resumem a uma semifinal, duas quartas de final e cinco oitavas de final, sendo a atual a sexta. No Campeonato Equatoriano, o Emelec, segundo maior vencedor da história do certame, é apenas o 6º colocado, a 12 (doze) pontos do líder, e na última sexta-feira perdeu para o Deportivo Cuenca (7º colocado) em pleno George Capwell. Nos clássicos contra o Barcelona, arqui-rival de Guayaquil, até o momento perdeu duas e empatou uma. A temporada de 2019, portanto, vem sendo marcada pela decepção para a fanática torcida de "Los Eléctricos", como é conhecido o clube, e por isso mesmo os amigos não encontrarão análises mais aprofundadas sobre o Emelec em 2019, nem que se esforcem bastante para tanto. 

Desse modo, o favoritismo rubro-negro é absoluto. Contudo, convém adotar algumas cautelas: os equatorianos jogarão, literalmente, o resto do ano nesse confronto. Por se tratar de outra competição, é bem provável que encontrem motivação para elevar o nível de seu jogo. Aliás, como o Emelec, apesar de nanico sul-americano, tem vocação e tradição ofensivas (uma espécie de Vitória equatoriano), não esperem um adversário encolhido e acovardado, mas muita pressão e correria. É importante que JJ e sua comissão técnica entrem em campo com uma formação fisicamente preparada para suportá-las. Afinal de contas, como bem sabemos, futebol é jogado e lambari é pescado.

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A palavra está com vocês. 

Bom dia e SRN a tod@s.