segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O Paradoxo de Uma Derrota

Salve, Buteco! Por que o Flamengo perdeu ontem? Superioridade do Palmeiras? Culpa do goleiro? Culpa da defesa? A substituição feita no intervalo? Arbitragem? Um pouco de cada fator? Mas nessa última hipótese, o que preponderaria? Na minha singela opinião, estimad@s amig@s do Buteco, tudo começou a se desenhar aos 4 (quatro) minutos do primeiro tempo, quando Pará sofreu pênalti claro dentro da área, propositalmente não marcado pelo árbitro cujo nome não mencionarei para não profanar a lisura desse respeitável espaço. Um minuto depois, falha coletiva do sistema defensivo, quando todo mundo marcou a bola e não os adversários, e o Palmeiras abriu o placar, contando também com a ajuda do nosso goleiro que, atemorizado, dobrou os joelhos quando a bola foi em sua direção. Mais um gol de bola aérea, o quinto em quatro jogos. A partir de então, seguiu o jogo com amplo domínio do Flamengo no meio de campo, outro pênalti claríssimo e desonestamente não marcado pelo mal intencionado árbitro, que posteriormente aplicou cartão amarelo em Jonas (corretamente, ao meu ver), e algumas chances, destacando-se o cabeceio de Guerrero para uma boa defesa de Fernando Prass, que mostrou reflexo e destemor, virtudes não encontradas em nosso goleiro.

Veio o intervalo e o dilema para Cristóvão: a entrada de Ederson era necessária e Jonas, sem a menor sombra de dúvida muito melhor volante do que Márcio Araújo, porém com cartão amarelo, correria o risco de ser expulso, levando-se em conta a atuação tendenciosa e desonesta da arbitragem. Cristóvão optou então pela saída de Jonas, ao invés de Márcio Araújo. Em doze minutos o Flamengo jogou o futebol que esperamos: marcação adiantada, bola no chão, trocas rápidas de passes envolvendo coletivamente o adversário, e dois gols saindo naturalmente, além de uma bola na trave. Se não fosse a substituição, da exata forma que ocorreu, talvez o time não tivesse jogado com a mesma fluência, pois a formação com Alan Patrick como segundo volante, Everton, Ederson, Sheik e Guerrero propiciou, do meio pra frente, uma linha bastante habilidosa e veloz, indispensável para a virada do placar.

Paradoxalmente, a mesma substituição, de forma indireta, impediu que o time se mantivesse à frente do placar. É que a defesa do Flamengo, exposta, não consegue segurar placar algum. Se alguma dúvida restava, o jogo de ontem foi, digamos, a "prova dos nove". Logo em seguida ao segundo gol de Ederson, Samir marcou um gol contra (mais uma "fatalidade"). Pouco tempo depois, deixou Alecsandro, jogador bem mais velho e em tese em pior forma física, "girar" a sua frente e dar o passe para o gol da virada palmeirense, com nossa defesa mais uma vez aberta. O Flamengo, a partir de então, à exceção do incansável Emerson Sheik, ficou psicologicamente destruído dentro de campo, a ponto do nosso conhecido Alecsandro ter tempo de marcar mais um gol, batendo facilmente César Martins no lance, enquanto Samir caminhava confortavelmente pela intermediária. Nos três gols foi possível constatar o quanto o nosso goleiro César é fraco, inseguro e titubeante. É claro que não se pode eximir de responsabilidade a zaga, com seus integrantes sem ritmo de jogo e facilmente superada pela velocidade do ataque palmeirense, o que apenas reforça a constatação de que, com uma zaga e um goleiro como esses, jogar sem dois volantes é quase suicídio.

Eis então o paradoxo da derrota de ontem: para virar um jogo no qual já enfrentava a arbitragem, além do adversário em seus domínios, e para produzir o volume de jogo e os gols com a qualidade que a torcida deseja, o Flamengo precisou colocar em campo uma formação que sacramentou sua derrota, por expor sua maior fragilidade.

Como aspirar G4 ou o título da Copa do Brasil com um sistema defensivo tão desencontrado? Não vejo como se pensar em priorizar uma ou outra competição enquanto o quadro for esse.

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César mede 1,94m, mas parece ser mais baixo, mais magro e mais fraco do que realmente é.

Defesas falham, em maior ou menor grau. O goleiro é o último bastião. Time com goleiro fraco não vai a lugar algum; time com zaga medíocre e goleiro bom às vezes conquista um título importante.

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Ninguém precisa ser doutor em física quântica para saber que, abrindo o placar com 1x0 aos 4 minutos, os fatos não teriam se desencadeado da mesma forma. O mesmo se diga se tivesse empatado acaso o pênalti em Guerrero houvesse sido marcado, especialmente se Fernando Prass tivesse sido expulso. Outro desdobramento teria ocorrido, em qualquer das situações. A pergunta que fica é: o time teria conseguido segurar o resultado? Talvez a diferença estivesse em conseguir o resultado com os dois volantes ou empatar e passar a contar com um a mais em campo, mas não podemos tapar o sol com a peneira e imaginar que iremos longe em qualquer das competições com tantos problemas defensivos.

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A despeito de todos esses problemas em sua defesa (28 gols sofridos contra 31 do rival no Brasileiro), o Flamengo tem um favoritismo técnico indiscutível perante o Vasco da Gama nos confrontos pela Copa do Brasil. E esse favoritismo se baseia em números e na impressionante má-fase do rival. Assistindo ao jogo Vasco da Gama 0x1 Coritiba, tenho a dizer aos amigos que o nosso próximo adversário criou mais oportunidades e chegou a produzir algumas boas jogadas ofensivas no início da partida e na segunda etapa. O estado emocional de seus jogadores, contudo, é um problema ainda maior do que a limitação técnica do elenco como um todo. Apesar disso, o confronto, por seu contexto histórico, terá um forte e grande componente de ordem emocional. A diferença entre o Vasco da Gama ser considerado um freguês histórico e começar a surgir um discurso do tipo "nesse clássico ganha quem estiver pior" está na postura que o Flamengo adotará em ambas as partidas. Se o Flamengo controlar os nervos e tiver no mínimo o mesmo ímpeto do adversário, mesmo na Copa do Brasil pródiga em resultados surpreendentes, não há outro desfecho possível que não o seu triunfo.

Como de praxe, aguardo as escalações para o jogo de quarta-feira contra o Vasco da Gama e, principalmente, qual miolo de zaga Cristóvão deveria escalar.

Bom dia e SRN a tod@s.