segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Uma Vitória de Luxemburgo

Bom dia a tod@s @s amig@s do Buteco! Poderia começar essa coluna abordando os extraordinários números do Luxemburgo nessa quinta passagem pelo Flamengo, mas cairia no lugar-comum. Prefiro me concentrar na vitória de ontem, a qual considero uma das mais importantes do ano. Tod@s conhecemos o nosso clube, a nossa torcida, a imprensa esportiva brasileira e as condições normais de pressão com as quais os profissionais do Departamento de Futebol precisam conviver. E com uma Diretoria que veio para romper com paradigmas na administração do clube e que por isso vive sob fogo cruzado, a estabilidade no Departamento de Futebol vale mais do que diamante ou ouro, não importa o quilate. Só que, depois do time vencer cinco partidas consecutivas pelo Brasileiro, vieram duas derrotas seguidas. Sim, duas derrotas pelo placar mínimo e com gols nos finais das partidas, ambas bastante equilibradas (não que os adversários não tenham vencido merecidamente), nas quais, porém, o time demonstrou enorme dificuldade em articular jogadas e criar oportunidades de gol. A imprensa fala em crise ofensiva. À frente, um adversário que luta por vaga na Libertadores, toma pouquíssimos gols e tem um elenco visivelmente mais qualificado. Luxemburgo então escala o veterano Chicão na zaga central e Eduardo da Silva e Alecsandro no ataque, formação que ainda não engrenara. O time, no papel, parece lento e incapaz de pressionar o adversário com efetividade. O que aconteceria em caso de uma terceira derrota? Vamos então da teoria à prática.

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Na prática, o Flamengo dominou o jogo. Sim, não é que teve posse de bola sem efetividade, que faltou penetração, que o adversário não foi incomodado. Não. Embora não tenha sido uma atuação tecnicamente brilhante (e convenhamos, o Flamengo não tem elenco pra isso), foi contundente. O time teve volume de jogo, especialmente no segundo tempo, e pressionou sem ser pressionado. Conseguiu o inimaginável: venceu inquestionavelmente o duelo pelo meio de campo e sem levar contra-ataques. E mais: criou oportunidades de gol, especialmente no segundo tempo, até mesmo antes de estar à frente do placar, com várias finalizações. O temor de que Chicão não pudesse fazer a cobertura de Leonardo Moura com eficiência se revelou um debate meramente acadêmico, eis que o jogo se concentrou todo do outro lado do campo. Alecsandro não foi individualmente bem, mas sua presença física na área se revelou uma opção tática consciente, pela reação defensiva que provocava, com ao menos dois jogadores vigiando-o. Eduardo não esteve em uma tarde feliz nas finalizações, mas talvez seja mais importante e racional valorizar a criação das jogadas de gol com suas presença e participação, até por sabermos que o seu padrão técnico é costumeiramente bem mais alto, do que se impressionar com um dia ruim que todo atacante de bom nível tem.

Luxemburgo, então, anteviu e viu o jogo. Afirmou que o time precisava encontrar alternativas, pois as que vinham sendo efetivas foram descobertas e neutralizadas por Grêmio e Goiás. E as alternativas foram criadas. Individualmente, destaque para Wallace, Cáceres e Éverton, mas o time todo teve uma atuação razoável. Jogou uma partida tática, como tinha que ser para vencer um adversário superior tecnicamente. Uma vitória de Luxemburgo, desse novo Luxemburgo, comedido, autocrítico, lúcido, e que provavelmente por isso tem a confiança do seu elenco para mudar e retroceder quando é preciso. E viva os sacos de cimento!

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Acabei de elogiar a leitura do adversário e do jogo feita pelo nosso treinador, mas isso não quer dizer que essa formação seja a ideal para todos os adversários. Além disso, a maratona de jogos está em pleno curso e o elenco tem que rodar, até para que os jogadores mais importantes não se contundam. O bicho pega na escolha das peças de reposição. Pegando então um gancho no comentário do meu amigo Carlos Mouta durante o Ficha Técnica de ontem e no melhor estilo "Moneyball", acho interessante mencionar os números e estatísticas de alguns jogadores. Começo pelo Cáceres: 58j, 35v, 13e e 10d, 2 gols e 29 anos. Acho que é um excelente exemplo qualidade, efetividade e de números positivos. Se Cáceres não é um jogador dos mais técnicos e dos mais velozes, é incrivelmente tático e efetivo no setor defensivo, isso quando não aparece no ataque para concluir a gol também na bola aérea. Quando o Cáceres joga, as chances de vitória aumentam. Fato.

Outros dados interessantes: Amaral, com 73j, 33v, 21e e 19d, 1 gol, 26 anos, não tem como não ser reserva de Cáceres. Já Canteros, com 12j, 8v, 0e e 4d, 25 anos, começa muito bem a sua carreira no Flamengo, ao passo que Márcio Araújo, com 29j, 13v, 7e e 9d, 30 anos, dá a impressão de estar começando a ser mais efetivo, mas ainda tem números inferiores a Luiz Antonio, com 130j, 58v, 38e e 34d, 7 gols, 23 anos. Éverton também tem bom retrospecto, com 83j, 42v, 22e e 19d, com 10 gols, 26 anos, devendo ser levado em consideração que muitos desses números refletem sua primeira passagem pela Gávea. De qualquer modo, pesquisando um pouco percebemos o porquê de alguns jogadores serem titulares.

Pois bem. Mas vamos ao setor mais polêmico do time hoje, que é o ataque. O Alecsandro está se tornando uma espécie de "unanimidade" entre os frequentadores do Buteco. Sua fase, tecnicamente, não é boa, parece pesado e com dificuldades em chegar nos lances, ao contrário do que ocorria no primeiro semestre. Mas será que substituir Alecsandro é tão simples assim? Primeiramente, seus números: 38j, 19v, 7e e 12d, 19 gols; 33 anos. Em segundo lugar, é preciso saber se a opção será por jogar com o outro "homem-de-área" do elenco, Elton, ou com Eduardo da Silva jogando como um "falso nove" e com a entrada de outro atacante. Essa então é a primeira pergunta que faço @os amig@s do Buteco: qual das duas formações utilizariam? Com ou sem centroavante de área?

Observem que, se a decisão for jogar com o Elton, ou mesmo com o próprio Alecsandro, é preciso decidir se Eduardo da Silva seria escalado desde o início ou entraria apenas no segundo tempo. Mas seja nessa hipótese ou na de Eduardo jogar como um "falso nove", também seria necessário decidir quem entraria como segundo atacante. Vamos então às opções e aos respectivos números: Gabriel: 76j, 37v, 19e e 20d, 7 gols; 24 anos. Negueba: 89j, 41v, 26e e 22d, 6 gols; 22 anos. Nixon: 54j, 25v, 14e e 15d, 8 gols; 22 anos. Arthur: 9j, 4v, 2e e 3d, 0 gols; 22 anos. Sartori: 8j, 4v, 3e, 1d e 0 gols; 21 anos. Lucas Mugni: 35j, 15v, 3e e 13d; 4 gols; 22 anos.

Particularmente, acho que o Eduardo tem que jogar por noventa minutos e é uma questão de tempo para as jogadas saírem e a bola voltar a entrar. Ainda estou em dúvida a respeito de quem deveria jogar ao lado dele. De qualquer modo, quer-me parecer que o Luxemburgo está tentando colocar em campo o que tem de mais efetivo. O que acham?

Então, car@ amig@ do Buteco? Qual seria sua opção? Com ou sem Alecsandro? Com ou sem Elton? Com Eduardo da Silva entrando desde o início ou no segundo tempo? Qual seria o segundo atacante? E, no embalo, escalem o time para quarta-feira, contra o Palmeiras, no Pacaembu.

Bom dia e SRN a tod@s.