sexta-feira, 19 de julho de 2013

Reforços

Montar um elenco de futebol não me parece ser uma tarefa fácil. Menos ainda em um contexto de reestruturação financeira, com poucos recursos disponíveis até mesmo para manter os salários em dia. No caso do Flamengo, ainda dá para somar ao contexto a pressão por resultados, a péssima reputação administrativa e a fogueira política que nem sempre vai na mesma direção dos interesses do clube.

A janela de transferências internacionais se fecha hoje e o Flamengo, fez apenas uma contratação, o lateral esquerdo André Santos. Trata-se de um jogador razoável - que já teve uma passagem pelo clube - ainda que bastante superior as opções que o elenco tinha para essa posição e cujas características, o treinador conhece bem, o que pode acelerar sua adaptação ao time. Penso que, no fim das contas, a grande vantagem para o rubro-negro nesta contratação é que o Ramon deve ser dispensado. Como disse alguém sábio, "o ruim de ter jogadores fracos no seu time é que mais cedo ou mais tarde eles acabam jogando", e o Flamengo passou por essa situação muitas vezes  nos últimos tempos. Seria desejável, porém, que essa dispensa ocorresse com um pouco mais de cuidado do que aconteceu com Renato, Alex Silva, etc.

É bastante nítido que o departamento de futebol do Flamengo não vem conseguindo realizar um trabalho de excelência, no mesmo nível do departamento de finanças, por exemplo. Ao mesmo tempo, vale um esforço para tentar compreender o que ocorre lá dentro e tentar perceber o que foi feito de bom e de ruim para aprender com os erros e evoluir rapidamente. Infelizmente, não disponho de informações de bastidores para analisar em minúcias pontos que considero críticos na atuação do departamento nesses seis meses de atuação, mas ao tentar enumerar erros e acertos, ficam claras as idas e vindas e um aspecto que considero positivo, que é a disposição para corrigir decisões erradas rapidamente. 

Tomemos como exemplo a dispensa de Dorival Junior, na minha opinião um equívoco técnico que foi corrigido com a troca do inexperiente Jorginho pelo ex-treinador da seleção. Me pareceu uma mudança de rumos emergencial mas que acabou sendo produtiva para o Flamengo que agora tem um técnico de alto nível a um custo inferior ao que tinha no início do ano. Sabe-se também que, ao apostar em Jorginho, a diretoria foi precavida elaborando um contrato inteligente com uma multa rescisória baixa, o que demonstra algum planejamento de contingência. 

Creio que o maior problema hoje reside na comunicação e na forma como o futebol se relaciona com a mídia esportiva em geral. Não é apenas uma questão de transparência, afinal o Flamengo não é uma empresa pública (nem sequer uma empresa) mas de coordenação de comunicação, informação e contra-informação. Depois de um começo de ano mais calmo, começa a ressurgir um bombardeio à paz no clube e aos gestores, que acabam contribuindo para isso na falta de uma política clara de comunicação. Declarações desencontradas ou informações vagas acabam sendo vendidas a torcida como promessas que provavelmente não serão cumpridas. 

O clube tem demonstrado uma política clara e definida de prospecção e contratação de jogadores, e com um percentual de acerto bastante razoável para uma renovação de elenco com poucos recursos. Contratou um bom treinador e tem tudo para ter um ano tranquilo, especialmente com a volta ao Maracanã. Está longe de ser o cenário dos sonhos de qualquer torcedor rubro-negro, mas infelizmente é a realidade do clube, ainda com um belo rombo nas contas para fechar o ano de 2013. 

Não acredito em mais nenhuma contratação para a temporada. O maior reforço do time é o apoio da Nação em todos os estádios em que o Flamengo jogar, especialmente quando voltar para a casa que sua torcida tanto ama.

abs e SRN!

P.S. Estou com um acesso muito restrito a internet e não vou poder responder aos comentários hoje. Peço desculpas aos frequentadores do Buteco pela ausência.